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CISTOS DOS MAXILARES E PESCOÇO – Profa Cintia M Milani AGOSTO 2017 Cisto é definido como uma cavidade patológica revestida por epitélio. Os cistos da maxila, mandíbula e regiões periorais são divididos em odontogênicos, não-odontogênicos, pseudocistos e cistos do pescoço. Pseudocistos diferem dos cistos verdadeiros por não apresentarem revestimento epitelial. 1. CISTOS ODONTOGÊNICOS De acordo com sua origem, os cistos odontogênicos são classificados em de desenvolvimento (origem desconhecida, mas não parecem ser resultantes de uma reação inflamatória) e inflamatórios (resultantes de uma inflamação) 1.1 CISTOS ODONTOGÊNICOS DE DESENVOLVIMENTO: 1.1.1 Cisto Dentígero: tipo mais comum de cisto odontogênico de desenvolvimento, originado pela separação do folículo da coroa de um dente incluso. Envolve a coroa de um dente incluso e está unido ao dente na junção cemento-esmalte. Patogênese acúmulo de líquido entre o epitélio reduzido do esmalte e a coroa do dente incluso. Pode estar associado a qualquer dente incluso, mais frequentemente envolvendo os 3MI. Com mais freqüência são descobertos em pacientes entre 10 e 30 anos. Geralmente assintomáticos, descobertos em exames radiográficos de rotina; podem, no entanto, aumentar de tamanho causando expansão óssea, assimetria facial. Radiograficamente observa-se lesão radiolúcida, unilocular, com margem bem definida e esclerótica, associada à coroa do dente incluso. Lesões maiores podem aparecer como processos multiloculares, uma vez que trabéculas ósseas podem ser vistas no seu interior. 3 padrões radiográficos são descritos: tipo central (circunda a coroa simetricamente), circunferencial (envolve todo o dente, como se este estivesse “mergulhado no cisto”) e lateral (envolve parcialmente a coroa, estendendo-se lateralmente ao longo da raiz). Pode deslocar o dente envolvido e reabsorção radicular de dentes adjacentes à lesão pode ocorrer. A distinção radiográfica entre um cisto dentígero e um folículo dilatado sobre a coroa de um dente incluso pode ser difícil; para ser considerado um cisto dentígero considera-se que o espaço radiotransparente que circunda a coroa do dente incluso deve ter pelo menos 4mm de diâmetro. O diagnóstico diferencial deve incluir: ceratocisto odontogênico, ameloblastoma, mixoma, tumor odontogênico adenomatóide, fibroma ameloblástico, cisto odontogênico glandular, cisto odontogênico ortoceratinizado. Tratamento cirúrgico, dependendo do tamanho da lesão: enucleação, marsupialização, descompressão, O prognóstico para a maioria dos casos é excelente. Muito raramente, um carcinoma de células escamosas ou carcinoma mucoepidermóide intraósseo pode originar-se do revestimento de um cisto dentígero. Prof a Cintia Mussi Milani Cisto dentígero: tipo central tipo circunferencial tipo lateral 1.1.2 Cisto de erupção: resulta do acúmulo de líquido dentro do espaço folicular de um dente em erupção. É uma tumefação mole, muitas vezes translúcida, recobrindo a coroa de um dente decíduo ou permanente em erupção; mais comumente associado com os primeiros molares permanentes e incisivos superiores. Traumatismo na superfície pode resultar em presença de sangue no líquido cístico, dando uma coloração purpúrea ou castanha, sendo então chamados hematomas de erupção. Geralmente se rompe espontaneamente, permitindo a erupção do dente e não sendo necessário nenhum tratamento. Se isso não acontecer, uma simples excisão no revestimento cístico geralmente permite a rápida erupção do dente. Dawhan et al., 2012. 1.1.3 Ceratocisto Odontogênico: afeta ampla faixa etária, com pico entre a segunda e terceira década de vida; predileção pelos homens. Afeta mais a mandíbula, principalmente a região do ângulo. Comportamento clínico agressivo, com destruição local, alto índice de recidiva, pode ser solitário ou múltiplo (Síndrome do carcinoma nevóide basocelular – múltiplos ceratocistos odontogênicos, defeitos ósseos e múltiplos carcinomas basocelulares). Os pacientes podem queixar-se de dor, edema, no entanto, o tumor pode alcançar grande extensão antes de ser descoberto (tende a crescer mais no sentido ântero-posterior para depois causar expansão óssea, o que é útil no diagnóstico diferencial). Pode haver extensão para os tecidos adjacentes; crescimento rápido. Aspecto radiográfico variável: apresenta-se como uma área radiotransparente bem definida, que pode ser uni ou multilocular (bolhas de sabão), com margens regulares e frequentemente corticadas. Pode estar associado a um dente incluso e pode ocorrer associado à raiz de um dente vital. Pode haver deslocamento dentário, mas a reabsorção das raízes é menos comum. Expansão da cortical vestibular é comum e lingual, ocasional. Diagnóstico diferencial: cisto dentígero, ameloblastoma, mixoma, tumor odontogênico adenomatóide, fibroma ameloblástico, lesão central de células gigantes, cisto ósseo simples, cisto ósseo aneurismático. Tratamento cirúrgico mais agressivo, em função da alta taxa de recidiva (5 a 62%) Prof a Cintia M Milani Ceratocisto Odontogênico: aspecto radiográfico Fonte: Molon et al., 2015. 1.1.3 Cisto Periodontal Lateral: tipo incomum de cisto, que caracteristicamente ocorre ao longo da superfície lateral da raiz de um dente, geralmente na região de incisivo lateral- canino e pré-molares, de pessoas entre a quinta e sétima décadas de vida. Geralmente assintomática, encontrada em rx de rotina, onde observa-se uma área radiolúcida bem circunscrita, localizada lateralmente à raiz ou raízes de um dente com vitalidade, entre o ápice e a margem cervical do dente, muitas vezes com aspecto de “gota”, tendendo a causar deslocamento das raízes. O cisto odontogênico botrióide é a variante policística (“cacho de uva”) do cisto periodontal lateral, com maior índice de recidiva; geralmente há dor, edema e parestesia. Alguns autores salientam que multilocularidade não é um fator diagnóstico do cisto odontogênico botrióide, uma vez que 2/3 dos casos relatados são uniloculares. Tratamento: enucleação. Cisto periodontal lateral Cisto odontogênico botrióide Prof a Cintia Mussi Milani 1.1.4 Cisto Gengival do Recém-Nascido: são pequenos cistos superficiais contendo ceratina, encontrados na mucosa alveolar de recém-nascidos. Aparecem como pequenas pápulas esbranquiçadas, frequentemente múltiplas, na mucosa de recobrimento dos processos alveolares de recém-nascidos. Desaparecem espontaneamente por seu rompimento na cavidade oral. Diagnóstico importante para tranquilizar os pais e evitar procedimentos desnecessários. 1.1.5 Cisto Gengival do Adulto: lesão incomum, considerada a contraparte dos tecidos moles do cisto periodontal lateral. Geralmente afeta região de C e PMI, de pacientes na quinta e sexta décadas de vida, quase sempre localizados na mucosa alveolar ou gengival vestibular. Na maxila é mais comum região de I, C e PMS. Aparece como uma tumefação indolor, semelhante a uma cúpula, geralmente com menos de 0,5 cm de diâmetro e muitas vezes azulado. Pode causar uma reabsorção em taça do osso alveolar. Tratamento: excisão Cisto Odontogênico Glandular: cisto raro de desenvolvimento, de comportamento agressivo e com alto índice de recidiva. Leve predileção por mulheres de meia-idade (40- 60 anos) e ocorre com maior frequência na região anterior da mandíbula. Seu crescimento é lentoe, clinicamente, observa-se em aumento de volume assintomático; expansão óssea com perfuração das corticais é comum. Radiograficamente, apresenta-se com uma lesão radiolúcida, bem definida, uni ou multiocular, geralmente com margens escalonadas e bordas escleróticas; quando associado às raízes, pode causar reabsorção radicular e deslocamento dentário. Pode ocorrer associado a dentes inclusos, sendo radiograficamente idêntico a um cisto dentígero. Tratamento cirúrgico, podendo variar de uma enucleação (associada a maior índice de recidiva) à ressecção óssea. Prof a Cintia Mussi Milani Foss & Fielding, 2007 Booth & Bouquot, 2010 1.1.7 Cisto Odontogênico Calcificante (COC): raro (1%), em pctes com ampla variação de idade, média de 40 anos, sem predileção por gênero, maioria dos casos é intraóssea, principalmente em mandíbula e geralmente na região de pré-molares e molares. 6% ocorrem em localização extraóssea, geralmente em gengiva anterior. Expansão óssea assintomática ou achado radiográfico geralmente são a maneira de diagnóstico da lesão. Radiograficamente, geralmente associado a dentes impactados (50% dos casos – geralmente 3MI), com lesões uni ou multiloculares, podendo ser totalmente radiolúcido ou conter focos de radiopacidade (calcificações tendem a se localizar ao redor da coroa do dente)). As lesões geralmente são bem circunscritas, apesar das margens escleróticas nem sempre estarem evidentes. Maioria se apresenta como lesões onde se misturam áreas radiopacas com áreas radiolúcidas, porém podem exibir considerável variação. Diagnóstico diferencial: qdo se apresenta como uma lesão radiolúcida: cisto dentígero, ceratocisto odontogênico, ameloblastoma, mixoma. Qdo apresenta padrão radiolúcido/radiopaco: cisto odontogênico calcificante, tumor odontogênico adenomatóide, fibrodontoma ameloblástico, fibroma ossificante, osteoblastoma. Tratamento: cistos pequenos: enucleação; Cistos maiores: ressecção segmentar; Índice de recidiva: 14-23%; Acompanhamento de longo prazo. COC: aspecto radiográfico. Fonte: Mariano et al., 2014 1.1.8Cisto odontogênico ortoceratinizado: Predominante em adultos jovens (20-30 anos). Homem/mulher 2:1; mandíbula mais afetada, principalmente a região posterior. Sem sinais clínicos ou radiográficos patognomônicos. Geralmente lesão radiolúcida unilocular, porém em alguns casos pode ser multilocular; na maioria das vezes envolve um 3MI, parecendo com um cisto dentígero. Galvan et al., 2013 Profa Cintia Mussi Milani 1.2 CISTOS ODONTOGÊNICOS INFLAMATÓRIOS 1.2.1 Cisto Periapical (Radicular): é o cisto mais comum dos ossos gnáticos, cujo revestimento epitelial deriva da proliferação de restos epiteliais de Malassez dentro do ligamento periodontal. Origina-se a partir de um granuloma periapical, sendo este um foco de tecido de granulação (inflamação crônica) no osso, localizado no ápice de um dente não vital. Granulomas periapicais são iniciados e mantidos pela degradação de produtos de tecido pulpar necrótico. A formação cística ocorre como resultado da proliferação epitelial, que ajuda a separar o estímulo inflamatório (polpa necrótica) do osso circunjacente. Geralmente assintomático, causa reabsorção óssea, mas geralmente não produz expansão óssea. A presença de um dente não vital é determinante para o diagnóstico do mesmo. Radiograficamente observa-se uma área radiolúcida, geralmente redonda ou oval, com uma margem radiopaca estreita, que é contígua com a lâmina dura do dente envolvido. Tamanho geralmente menor que 1,5 cm, mas podem atingir vários centímetros; pode haver reabsorção radicular do dente envolvido. Tratamento: tratamento endodôntico do dente envolvido associado ou não à cirurgia periapical, dependendo do tamanho da lesão. 1.2.2 Cisto Radicular Lateral: também originado da proliferação de restos epiteliais de Malassez, e a fonte de inflamação pode ser uma doença periodontal ou a necrose pulpar com extensão através de um forame lateral. Radiograficamente observa-se uma radiotransparência discreta ao longo da porção lateral da raiz. Antes da exploração cirúrgica deve ser realizada uma avaliação completa do estado periodontal e da vitalidade dos dentes adjacentes. 1.2.3 Cisto Periapical Residual: o tecido inflamatório periapical que não foi curetado adequadamente pode dar origem a um cisto inflamatório denominado cisto periapical residual. Com o tempo, muitos desses cistos exibem uma redução no tamanho, e pode ocorrer uma resolução espontânea. Radiograficamente observa-se uma radiotransparência circular ou oval, de tamanho variável, no interior do processo alveolar, na região de uma exodontia prévia. Tratamento: enucleação. Prof a Cintia Mussi Milani Cisto periapical residual. 2. CISTOS NÃO ODONTOGÊNICOS – CISTOS DE DESENVOLVIMENTO 2.1 Cistos Palatinos do Recém-Nascido (Pérolas de Epstein; Nódulos de Bohn): cistos muitos comuns, presentes em 65 a 85% dos recém-nascidos. Aparecem como pequenas pápulas brancas ou branco-amareladas, de 1 a 3 mm de tamanho e que aparecem mais frequentemente ao longo da linha média, próximo da junção dos palato duro e mole. Geralmente 2 a 6 cistos, embora possam ocorrer lesões solitárias. Regridem espontaneamente e raramente são observados algumas semanas após o nascimento. 2.2 Cisto Nasolabial: cisto raro, de etiologia incerta. Clinicamente, apresenta-se como uma tumefação do lábio superior, lateralmente à linha média, causando uma elevação da asa do nariz; esta elevação muitas vezes causa um apagamento do sulco nasolabial. A dor é incomum, exceto se a lesão for infectada secundariamente. Geralmente afeta adultos, entre quarta e quinta décadas de vida, com predileção pelas mulheres. Pode ocorrer bilateralmente. Como se origina dos tecidos moles, não há alteração radiográfica, podendo raramente ocorrer reabsorção superficial do osso devido à pressão do cisto. Tratamento: excisão cirúrgica. Prof a Cintia Mussi Milani 2.3 Cisto do Ducto Nasopalatino (Cisto do Canal Incisivo): é o cisto não odontogênico da cavidade oral mais comum. Acredita-se que se origine de remanescentes do ducto nasopalatino, uma estrutura embrionária que liga as cavidades oral e nasal na região do canal incisivo. Pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais comum entre a quarta e sexta décadas de vida, com predileção pelo sexo masculino. Os sintomas mais comumente presentes incluem tumefação da região anterior do palato, drenagem e dor. Contudo, muitas lesões são assintomáticas, sendo descobertas em exame de rotina. Radiograficamente observa-se uma área radiotransparente bem circunscrita, próximo ou na linha média da região anterior da maxila, entre os ápices dos ICS. Reabsorção radicular raramente é observada. Geralmente a lesão é redonda ou oval, com uma borda esclerosada; alguns podem ter a forma de uma pêra invertida ou de coração. Pode ser difícil diferenciar um pequeno cisto do ducto nasopalatino de um forame incisivo grande; geralmente considera-se que o diâmetro de 6 mm é o limite máximo para o tamanho de um forame incisivo normal. Tratamento: enucleação. Francolli et al., 2008 2.4 Cisto Palatino Mediano: cisto raro que pode ser difícil de ser diferenciado do cisto do ducto nasopalatino. Apresenta-se como uma tumefação flutuante ou firme na linha média do palato duro, posteriormente à papila incisiva. Maiscomum em adultos jovens e geralmente assintomático. Radiografias oclusais revelam uma radiotransparência bem circunscrita na linha média do palato duro. Tratamento: enucleação 2.5 Cisto Mandibular Mediano: apresenta-se como uma radiotransparência na linha média, encontrada apicalmente ou entre os ICI; pode ser observada expansão cortical. Tratamento: enucleação. Prof a Cintia Mussi Milani 3 PSEUDOCISTOS: 3.1 Cisto Ósseo Aneurismático: Acúmulo intraósseo de espaços cheios de sangue, com tamanho variável, circundado por tecido conjuntivo fibroso, frequentemente mesclado por trabéculas de osso reacional. Etiologia incerta: trauma (?), malformação vascular (?), neoplasma que comprometa a dinâmica do osso normal. Comum em ossos longos ou coluna vertebral; apenas 2% nos maxilares → mandíbula é mais afetada. Maioria em crianças e adultos jovens, idade média 20 anos, sem predileção por sexo; para alguns autores → mulheres, < 30 anos. Características clínicas: tumefação com desenvolvimento rápido, dor é comum, raramente → parestesia. Má-oclusão, mobilidade, migração e reabsorção dos dentes envolvidos podem ocorrer. Lesões na maxila frequentemente se estendem para o seio; pode haver obstrução ou hemorragia nasal, proptose e dipoplia. Características radiográficas: lesão radiolúcida uni ou multilocular, frequentemente associada com significativa expansão e afinamento da cortical. Limites da lesão podem ser bem definidos ou difusos. Frequentemente uma distensão balonizante ou com aspecto de “sopro para fora” do contorno ósseo. Raramente são observados focos radiopacos dentro da radiotransparência. Pode haver perfuração da cortical; rara extensão para tecido mole. Tratamento: Remoção completa da lesão → escleroterapia, embolização, curetagem , ressecção, terapia sistêmica com calcitonina. Casos de cura espontânea foram relatados. Curetagem simples → associada a alto índice de recidiva; Devi et al., 2011 3.2 Cisto Ósseo Simples (Cisto Ósseo Traumático): cavidade intraóssea vazia. A patogênese mais aceita é devida a um trauma anterior, havendo a formação de um hematoma intramedular, onde o coágulo se fragmenta, deixando uma cavidade óssea vazia. Mais comum em adolescentes, sem predileção por sexo. Mandíbula é mais afetada, principalmente a região anterior. Geralmente assintomático. Radiograficamente, área osteolítica, margem irregular, porém bem definida. Tratamento: curetagem local, com formação de novo coágulo e acompanhamento radiográfico até completa neoformação óssea local. Profa Cintia Mussi Milani 3.3 Cisto Ósseo de Stafne (Cisto Ósseo Estático) Concavidade focal do osso cortical na superfície lingual da mandíbula; Biópsia → tecido de glândula salivar; Lesão radiotransparente, bem circunscrita, com borda esclerórica, abaixo do canal da mandíbula, entre os molares e o ângulo da mandíbula; Algumas vezes pode interromper a continuidade da borda inferior da mandíbula; Geralmente unilaterais, podendo ocorrer bilateralmente; Pode ocorrer mais anteriormente → gl sublingual; 80 a 90% dos casos → sexo masculino; Pessoas de meia idade e idosos; raro em crianças; Confirmação de diagnóstico → TC, RM ou sialografia Nenhum tratamento é necessário. Sysman et al., 2012 4 CISTOS DOS TECIDOS MOLES DO PESCOÇO 4.1Cisto do ducto tireoglosso: o mais comum da região de cabeça e pescoço. Origem: remanescentes epiteliais do ducto ou trato embrionário da tireóide que não se atrofiaram totalmente. Pode ocorrer na base da língua (tireóide lingual) ou pescoço; ocorrência familial é freqüente. Características clínicas: afeta crianças e adultos; não há predileção pelo sexo. Tumefação móvel, flutuante, indolor, geralmente com menos de 3 cm de diâmetro. 1/3 dos casos fístulas para pele e mucosa. Linha média, 60% sobre a membrana da tireóide e 2% no interior da língua. 4.2 Cisto epidermóide: cisto mais comum da pele; desenvolve-se após inflamação localizada do folículo piloso. Mais comum em áreas propensas a acne de cabeça, pescoço e costas; Incomum antes da puberdade (exceto na síndrome de Gardner); homens mais afetados que as mulheres. Apresenta-se como uma lesão subcutânea, nodular, flutuante. Tratamento: excisão cirúrgica Prof a Cintia Mussi Milani 4.3 Cisto dermóide: incomum na região de cabeça e pescoço (2%). Limitado por epitélio semelhante a epiderme, sendo considerado um teratoma benigno. Características clínicas: ocorrem na linha média do assoalho bucal. Quando acima do m. milohióideo, desloca língua superior-posteriormente, podendo causar dificuldade de deglutição, fonação e respiração; abaixo do miloióideo → tumefação submentual, aparência de queixo duplo. Assintomáticos, não há predileção por sexo. Variam de alguns mm até 12 cm de diâmetro; mais freqüente em adultos jovens. Crescimento lento; moles e pastosos, devido à ceratina e sebo. Quando ocorre infecção secundária a lesão drena para o interior da cavidade bucal ou na pele. Tratamento: remoção cirúrgica. REFERÊNCIAS: Wright JM, Vered M. Update from the 4th edition of the World Health Organization Classification of Head and Neck Tumours: odontogenic and maxillofacial tumors. Head and Neck Pathol. 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