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Medicina – 3º Período – Arielle Moraes Prática Médica I – Febre Febre Elevação da temperatura corporal em conjunto com a reconfiguração do ponto de ajuste hipotalâmico. O hipotálamo que será responsável pela manutenção e regulação da temperatura. A temperatura corporal pode variar, sendo de manhã um pouco mais baixa – abaixo de 37,2°C – e se elevando durante a noite – abaixo de 37,7°C. Durante o dia pode haver variação de 0,5 a 1,0 °C, sendo uma variação diária normal. Variações maiores que isso é considerada febre. Então essa temperatura será mantida pelo centro regulador que é o hipotálamo, que equilibra o excesso de calor produzido geralmente por atividade metabólica de músculos e fígado, e ocorre a dissipação do calor que geralmente ocorre pela pele e pela respiração. A febre é uma resposta fisiológica na temperatura corporal, que vai aumentar devido a esse reajuste do ponto regulador do hipotálamo. Geralmente a febre não é uma doença mas vai indicar a presença de uma doença infecciosa ou não, hipertermia, inflamação, entre outros. Hipertermia É quando o corpo está com aumento de calor, e a pessoa apresenta perda de eletrólitos e sudorese. ▪ Insolação – por ficar muito tempo no sol ▪ Exaustão por calor – permanecer em ambientes fechado e abafados ▪ Fármacos – barbitúricos, anfetaminas, etc Obs: a mulher geralmente tem a questão da ovulação, em que duas semanas antes da ovulação a paciente irá apresentar uma temperatura corporal um pouco mais baixa, podendo aumentar até 0,6°C quando ela está no período ovulatório. Hipotálamo ▪ Anterior: centro de dissipação de calor ▪ Posterior: centro de promoção de calor Os receptores geralmente são localizados na pele, parte periférica, que vão levar o estímulo a sinalizadores, assumindo função de abaixar a temperatura corporal através da sudorese. Mecanismo: fator externo (infecção ou doença) libera estimuladores inflamatórios como citocinas e interferon, que irão atuar no sistema nervoso junto de sensores térmicos liberando ácido araquidônico e fazendo a síntese de prostaglandina. Na região anterior do hipotálamo, através da ativação do AMPc, haverá aumento do “set point” que é o aumento da temperatura de 37°C, havendo vasoconstricção e retenção de calor que gera a febre. Valores Normais ▪ Axilar – 35,5 a 37°C ▪ Bucal – 36 a 37,4°C – termômetro abaixo da língua com haste virada para o canto da boca ▪ Retal – 36 a 37,5°C – bulbo do termômetro é arredondado – 0,5°C maior que a axilar ▪ Timpânica – 37,8°C Sinal de Lenander: Quando a temperatura retal está maior que a temperatura axilar, com diferença maior que 1°C, sendo um indicativo de processo inflamatório intra-abdominal. Hipotermia É a condição onde há diminuição da produção de calor ou haverá aumento da perda de calor, sendo avaliada temperatura corporal abaixo de 35,5°C, quando medida via axilar. Na anamnese deve-se perguntar ao paciente se houve uso de antitérmicos, pois essa é uma possível causa de hipotermia. Início da Febre ▪ Súbito: quase sempre acompanhado de sintomas febris, como sudorese e náuseas ▪ Gradual: há prevalência de sudorese, cefaleia e inapetência Intensidade ▪ Leve – 37,9°C ▪ Moderada – 37,9 a 38,5°C ▪ Alta – acima de 38,5°C Duração ▪ Poucos dias – doença infecciosa como gastroenterite ▪ Prolongada – a febre persiste por volta de 14 dias, como febre obscura e neoplásica Término ▪ Em lise: a febre desaparece lentamente ▪ Em crise: a febre acaba subitamente Evolução É dada pela análise do quadro térmico e da anamnese. Há o registro do quadro febril do paciente em tabelas para melhor análise do tipo de febre apresentada. ▪ Febre contínua: Ocorre variação de no máximo 1°C entre um dia e outro, mantendo uma curva gráfica constante (ex: febre tifoide e pneumonia) ▪ Febre intermitente: Há períodos de picos febris alternados com períodos de temperatura corporal normal. Hipertermia com períodos cíclicos de apirexia – terçã, quartã, cotidiana. (ex: linfomas, malária, tuberculose) ▪ Febre remitente: Hipertermia diária com variações maiores de 1°C. Sem apresentar momentos de melhora em que a temperatura corporal se encontre dentro dos valores normais, ou seja, sem apirexia. (ex: septicemia, pneumonia) ▪ Febre irregular ou séptica: Apresenta picos muito altos intercalados com períodos de febre leve ou até mesmo com apirexia. Não possui caráter cíclico, sendo totalmente imprevisíveis. (ex: septicemia) ▪ Febre recorrente ou ondulante: Apresenta períodos febris e períodos normais de apirexia que duram dias ou até mesmo semanas, seguidos de outro período febril. (ex: linfomas, tumores) Sintomas Associados à Febre ▪ Astenia ▪ Inapetência ▪ Cefaleia ▪ Taquicardia e taquipneia ▪ Dor no corpo ▪ Calafrio ▪ Sudorese ▪ Náuseas ▪ Vômito Causas ▪ Doenças infecciosas e parasitárias – mais frequente ▪ Doenças inflamatórias – associado a sintomas no órgão inflamado ▪ Doenças do sistema nervoso – ocorrência de febre após lesão cerebral, em casos mais graves a febre é elevada podendo ter ascensão a óbito – em AVC a febre é moderada entre 37,5 e 39°C ▪ Induzida por drogas – a febre é cessada ao interromper o uso – sinais: exantema, dermatite esfoliativa, vasculite e urticária ▪ Origem obscura (FOO ou FOI) – sem diagnóstico associado – tem quatro tipos: clássica, hospitalar, neutropênica e associada ao HIV ▪ Neoplasias – diversos mecanismos para causar febre – perda de peso e emagrecimento ▪ Aumento da produção do calor ou bloqueio da perda de calor Convulsão Febril ▪ Crianças de 6 meses a 5 anos de idade com febres intensas podem ter convulsão ▪ Diagnósticos diferenciais: epilepsia, meningite e encefalite ▪ Diz respeito à febre por doenças do sistema nervoso Investigação da Febre ▪ Início, intensidade, duração, modo de evolução, término ▪ Níveis medidos ▪ Periodicidade ▪ Fatores que acompanham: calafrios, mal-estar, vômitos e mialgias ▪ Uso de medicamentos – quais e quantidade ▪ Uso de antitérmicos terá influência sobre a curva térmica ▪ Drogas que possam produzir febre ▪ Contato com pessoas portadoras de doenças infectocontagiosas ▪ Hábitos sexuais, higiênicos, de vida e alimentares, além de contato com animais ▪ Lugares frequentados e viagens recentes ▪ Transfusão sanguínea – principalmente antes dos anos 80 devido à disseminação de hepatite ▪ Alterações de peso e emagrecimento ▪ Doenças pregressas e familiares