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8.4 Atmosfera Embora boas práticas de refrigeração sejam essenciais para se reduzir as perdas pós-colheita, tais práticas podem ser suplementadas através da manipulação da atmosfera. A atmosfera regular é composta basicamente por 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 0,03% de dióxido de carbono. Os efeitos da modificação e controle atmosférico se baseiam na redução dos níveis de O2 e elevação dos níveis de CO2, o que culmina com o abaixamento da taxa respiratória de frutos e hortaliças. Certas atmosferas também inibem a atividade de organismos patogênicos, além de diminuírem a síntese e ação do etileno, a atividade enzimática, podendo também ser utilizadas na desinfestação de frutas. Considerando-se que a respiração, um dos mais, senão o mais importante processo metabólico das frutas, envolve absorção de oxigênio e liberação de dióxido de carbono é de fácil concernimento que a manipulação dos gases que envolvem o produto durante seu armazenamento pode influenciá-lo beneficamente. O abaixamento da pressão de oxigênio, a elevação da pressão de dióxido de carbono, bem como a eliminação de qualquer vestígio de etileno ao redor dos vegetais podem contribuir para a extensão de sua vida pós-colheita. Entretanto, cuidados especiais devem ser tomados visto que níveis muito baixos de oxigênio (normalmente, menores que 1%) podem conduzir o produto à respiração anaeróbica, com produção de acetaldeído, álcool e modificação indesável do \u201cflavor\u201d e níveis consideravelmente altos de dióxido de carbono (em geral, maiores que 10%) podem promover injúrias fisiológicas no tecido. Níveis de 1-3% de O2 e 3-15% de CO2 são normalmente utilizados na conservação de vegetais, sendo variável o nível ideal ou a melhor combinação desses gases. Frutos e hortaliças que amadurecem após a colheita - os chamados frutos climatéricos - como por exemplo a maçã, a banana, o abacate e o tomate, respondem mais à manipulação atmosférica que os frutos não climatéricos, a exemplo frutos cítricos e uva. A extensão da vida pós-colheita de maçãs obtida através da refrigeração e controle atmosférico permite a comercialização desses frutos em praticamente todos os meses do ano. Sem essa tecnologia o excesso de produção durante o período de safra seria perdido durante um curto período de comercialização. O controle atmosférico é especialmente efetivo na redução de perdas e manutenção da qualidade de produtos que não podem ser armazenados ou mantidos sob a temperatura ótima para redução da taxa respiratória. Maçãs McIntosh e Yellow Newtown, por exemplo, desenvolvem desordens fisiológicas quando armazenadas a 00C. O armazenamento dessas variedades a cerca de 40C previne as desordens, mas encurta o tempo de armazenamento. A suplementação da refrigeração com uma atmosfera de 3% de O2 e 2 a 5% de CO2 pode dobrar o período de armazenamento de maçãs McIntosh, comparado com o armazenamento a frio sem o controle atmosférico. Maçãs Yellow Newtown se conservam melhor numa atmosfera com 2 a 3% de O2 e 7 a 8% de CO2. A combinação ótima de O2, CO2 e nitrogênio deve ser determinada em função de cada espécie e cultivar, por causa das diferentes respostas ao controle atmosférico. Para muitos produtos, a temperatura ótima para prevenção de perdas não pode ser mantida durante o transporte. Essa deficiência pode ser suplementada através da modificação atmosférica no compartimento de carga do veículo de transporte, dentro de páletes cobertos com plástico ou dentro de embalagens individuais de filmes poliméricos. A alface se conserva melhor a 00C, embora seja usualmente transportada a temperaturas de 40C a 50C. A redução dos níveis de O2 através da modificação atmosférica abaixa a taxa respiratória e reduz a incidência do "russet spoting", uma desordem fisiológica. O acúmulo de CO2 acima de 2% durante o transporte pode resultar numa injúria chamada "brown stain". Morangos transportados via aérea são mantidos a uma temperatura muito acima da temperatura ótima (00C) durante a maior parte do período de trânsito. A manutenção de uma atmosfera que contenha 20% de CO2 dentro das cargas dos páletes reduz as perdas por Botrytis cinerea pela metade quando a temperatura média de trânsito está acima de 100C. A alteração da atmosfera de armazenamento pode ser obtida de uma maneira bem simples e relativamente barata pelo envolvimento do produto com filmes poliméricos semi-permeáveis ao O2, CO2 e vapor d'água, sendo a concentração de gases no interior da embalagem uma função do metabolismo do produto e permeabilidade do filme (\u201catmosfera modificada passiva\u201d), nas condições de armazenamento (temperatura e umidade relativa). Quando se injeta dentro da embalagem uma concentração pré- estabelecida de gases (O2, CO2 e N2), o sistema é chamado de \u201catmosfera modificada ativa\u201d, sendo a concentração de gases uma função da injeção inicial, metabolismo do produto e permeabilidade do filme. Os gases podem ainda ser monitorados rigidamente em câmaras herméticas, o que envolve um maior custo. Este processo determinado de \u201catmosfera controlada\u201d é utilizado para produtos de maior valor comercial. Logo, a técnica de manipulação atmosférica, aplicada durante o transporte e armazenamento de vegetais, pode ser separada como descrito a seguir: \u2022 atmosfera modificada (AM) o ativa o passiva \u2022 atmosfera controlada (AC) A câmara frigorífica de AC deve apresentar uma boa vedação, para evitar oscilações indesejáveis na concentração de gases. Chapas metálicas com poliuretano ou poliestireno são utilizadas com esse propósito. Após o enchimento da câmara com frutos/hortaliças, a atmosfera deve ser instalada. O abaixamento da pressão de O2 é realizada com a injeção de N2, enquanto o incremento da pressão de CO2 se dá pela injeção deste gás. Analisadores de gases monitoram suas concentrações diariamente sendo que o controle da atmosfera pode ser realizado manualmente ou automaticamente. O excesso de CO2 e a deficiência de O2 na câmara, devido à respiração do produto, podem ser controlados pelo uso de adsorvedores de CO2 e pela injeção de ar, respectivamente. O controle inadequado dos gases pode levar a problemas fisiológicos nos vegetais. Extintores de etileno, como o permanganato de potássio, também podem ser utilizados nas câmaras de AC. As embalagens de AM podem conter acessórios como sachês com extintores de O2 e etileno e geradores de CO2, agentes anti-microbianos e eliminadores de umidade. Filmes poliméricos, como o polietileno, policloreto de vinila (PVC) e co-estrusados, de diferentes espessuras e densidades, são muito utilizados na fabricação de embalagens para AM. Não obstante, o uso de filmes poliméricos comestíveis, a base de amido, pectina e proteínas, bem como o uso de filmes biodegradáveis em embalagens vem crescendo nos últimos anos. Baixos níveis de O2 e altos níveis de CO2 retardam a respiração, mudanças na coloração, firmeza e "flavor", degradação do tecido e desenvolvimento de algumas injúrias fisiológicas, preservando a qualidade do produto. A quantidade de CO2 requerida para reduzir a deterioração por patógenos é usualmente extremamente alta e raramente irá controlar a deterioração após a infeção ter ocorrido. Nem sempre torna-se evidente se o principal papel é desempenhado pelos níveis de O2 ou CO2. Excesso de CO2 pode causar injúrias na casca e desordens internas, enquanto níveis muito baixos de O2 podem produzir "flavor" estranho e injúria alcoólica devido à fermentação. O armazenamento hipobárico (pressões sub-atmosféricas) de produtos agrícolas também pode ser realizado comercialmente. O abaixamento da pressão proporciona uma redução nos níveis de O2, que podem ser acuradamente controlados. O vapor d'água deve ser adicionado ao sistema para se evitar perdas de água a partir do produto. O alto custo do equipamento requerido para o