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Ascaris lumbricoides Por causa de seu grande tamanho, abundância e distribuição cosmopolita, esses nematoides podem muito bem terem sido os primeiros parasitas conhecidos pelos seres humanos – registros de infecções de 24.000 anos; Ascaris lumbricoides Ascaris lumbricoides • filo: Nemathelminthes • Classe: Nematoda – Aparelho digestivo completo (Cav. Geral sem revestimento epitelial) • Superfamília: Ascaroidea – Com 3 lábios –1 dorsal e 2 latero-ventrais • Família: Ascarídea – Esôfago simples – sem divertículo esofagiano • Subfamília: Ascarinae – Machos sem ventosas pré-cloacal • Gênero: Ascaris – Sem asas cervicais • Espécie: Ascaris lumbricoides – parasita do homem Ascaris suum – parasita de suínos Ascaris lumbricoides • Os vermes adultos vivem no lúmen do intestino delgado; • Vermes longos, cilíndricos com extremidades afiladas; • Fêmeas (30 a 40cm) e machos (15 a 30cm); • Parte posterior da fêmea retilínea e dos machos curvada, espiralada e com espículas na abertura da cloaca. Pedaço de intestino bloqueado por vermes, removido cirurgicamente de um menino de 3 anos de idade, na África do Sul Ascaris lumbricoides - Cópula Ascaris lumbricoides - Cópula ♂ ♀ Espícula Folheto da espícula Espermatozóides Intestino Vesícula seminal Cloaca Poro genital (Vulva) Ascaris lumbricoides - Espermatozóide Ascaris lumbricoides - Fertilização Boca Faringe Poro excretor Tubos excretores Poro genital Vagina Útero Intestino Oviduto Ânus Oviduto Ovário A penetração de um oócito por um espermatozóide inicia o processo produção de camadas protetoras ao redor do zigoto e do embrião em desenvolvimento; Ascaris lumbricoides - Fertilização Embrião de Ascaris no útero Ascaris lumbricoides - Ovos • Útero – Até 27 milhões de ovos por vez; • Fêmea capaz de produzir e lançar até 200.000ovos/dia; Ascaris lumbricoides - Ovos Ovos 2. Não fertilizados 1. Fertilizados Não corticado Corticado Camada proteinácea, mamilada albuminosa Espessa cápsula de quitina Embrião unicelular Ovos de Ascaris Ovos de Ascaris – Microscopia óptica Microscopia de varredura de um ovo de Ascaris suum fertilizado Ponto por onde a larva parece eclodir Ishii & Habe, Igaku no Ayumi, 88 (9), 1974 Ascaris lumbricoides – Larvas embrionadas – Desenvolvimento no solo • O ovo fertilizado (zigoto) requer um período de incubação e desenvolvimento fora do corpo humano para virar embrião e posteriormente larva; • 14 dias para se tornarem larvas infectantes com no mínimo duas mudas (L1 – L2 – L3); • Em condições ideais os ovos com larvainfectantes resistem por mais de 7 anos – humidade, oxigenação e sombra; • Crescimento através de mudas ou ecdises – Em cada ecdise os parasitos abandonam o revestimento cuticular e fabricam nova cutícula; Ainda dentro do ovo, o embrião transforma-se em larva, que, após passar por 2 mudas, torna-se apta a infectar quem ingerir o ovo com a forma L3; Ecdise – Desenvolvimento no solo e dentro do ovo • Alcançam o duodeno, onde ocorrerá o rompimento do ovo e a liberação da larva L3 pela ação de estímulos orgânicos como: Transmissão o pH o Temperatura o Sais o Concentração de CO2 1. As larvas, uma vez liberadas, atravessam a parede intestinal na altura do ceco; 2. Via vasos linfáticos e/ou veias invadem o fígado 18 a 24 horas após a infecção; 3. Em dois ou três dias chegam ao coração direito, através da veia cava inferior ou superior; 4. Quatro a cinco dias após são encontradas nos pulmões (Fase pulmonar = Ciclo de LOSS); Uma longa migração... Uma longa migração... 5. Cerca de oito dias da infecção as larvas passam para L4, rompem os capilares e caem nos alvéolos, onde mudam para L5; 6. Sobem pela árvore brônquica e traqueia, chegam à faringe, onde são expectoradas ou deglutidas, atravessam incólumes o estômago e fixam-se no intestino delgado; Uma longa migração... Ovo L1 L2 L3 L4 L5 Verme adulto Muda Muda Muda Muda Etapas do desenvolvimento larval • Transformam-se em adultos jovens 20 a 30 dias após a infecção; • Após 60-65 dias da deglutição inicial do ovo, os vermes adultos copulam e iniciam a produção de ovos: Ciclo de Vida Completo Patologia • A maioria dos casos é assintomática; • Ascaris lumbricoides pode, entretanto, causar patologias em 3 pontos distintos do seu ciclo de vida: Ações Patogênicas 1. Migração Hepática 2. Migração Pulmonar 3. Vermes Adultos • No fígado, quando são encontradas numerosas formas larvares migrando pelo parênquima, podem ser vistos pequenos focos hemorrágicos e de necrose que futuramente tomam-se fibrosados; Patologia – 1. Migração Hepática Patologia – 2. Migração Pulmonar • Nos pulmões ocorrem vários pontos hemorrágicos na passagem das larvas para os alvéolos; Patologia – 2. Migração Pulmonar • A migração das larvas pelos alvéolos pode, dependendo da sua quantidade, determinar um quadro pneumônico com: • Há edemaciação dos alvéolos com: o Febre, tosse, dispneia e eosinofilia; o Infiltrado parenquimatoso eosinofilico; o Manifestações alérgicas; o Febre o Bronquite e pneumonia (a este conjunto de sinais denomina- se Síndrome de Loeffler); o Na tosse produtiva (com muco) o catarro pode ser sanguinolento e apresentar larvas do helminto. Patologia – 3. Vermes Adultos • A depender da carga parasitária podem causar: 1. Ação Espoliadora – Vermes consomem grande quantidade de proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas, levando o paciente à subnutrição e depauperamento físico e mental (crianças); 2. Ação Tóxica – Reação entre antígenos parasitários e anticorpos alergizantes do hospedeiro, causando edema, urticária, irritabilidade, convulsões epileptiformes, etc; 3. Ação Mecânica – Causam irritação na parede e podem enovelar-se na luz intestinal, levando à sua obstrução - crianças mais propensas a esta complicação, principalmente pelo menor tamanho do intestino delgado e pela intensa carga parasitária; Patologia – Vermes Adultos o Dor abdominal, diarreia, náusea; o Cansaço, perda de peso, vômito; Patologia – Vermes Adultos 4. Localização Ectópica – Indivíduos com altas cargas parasitárias ou em que o verme sofra alguma ação irritativa, como febre, uso impróprio de medicamento ou ingestão de alimentos muito condimentados, o helminto desloca-se de seu hábitat normal atingindo locais não-habituais. Aos vermes que fazem esta migração dá-se o nome de áscaris errático; Patologia – Vermes Adultos Estômago Ascariasis Hepatobiliar Pancreatite Patologia – Vermes Adultos Localização Ectópica Patologia – Vermes Adultos Localização Ectópica Patologia – Vermes Adultos Localização Ectópica Epidemiologia Global Estima-se uma prevalência global de 25% (0.8 a1.2 bilhão de infectados); É a mais comum infecção intestinal do mundo; Crianças são particularmente vulneráveis; O risco de infecção sempre existirá onde houver descarte inadequado de fezes Epidemiologia Global Enterobius vermicularis Enterobius – Classificação filogenética Rudolphi (1803): Oxyuris; Lamarck (1816): Oxyuris vermicularis; Leach (1853): Enterobius vermicularis (gênero); Popularmente conhecido: “Oxiúros”. Enterobius vermicularis • Possui distribuição mundial; • Cor branca e filiformes;• Forte dimorfismo sexual; • Macho em torno de 0,5 cm, espícula e cauda encurvada; • Fêmea em torno de 1 cm, cauda pontiaguda e longa; Asas cefálicas Boca Esôfago Intestino Testículo Espícula Ovário Ovário Ânus Vulva Ovos no útero Detalhe da Asa Cefálica e Bulbo Esofágico Habitat • Se concentram e habitam principalmente a região ileocecal (intestino grosso); • Todavia não é incomum vagarem por todo o TGI, do estômago ao ânus; • As fêmeas, quando repletas de ovos, são encontradas na região perianal; • Em mulheres, às vezes pode-se encontrar esse parasito na vagina, útero e bexiga; • Se aderem às mucosas onde se alimentam provavelmente de bactérias e epitélio; • Visão endoscópica do cólon sigmoide; Ciclo Biológico • Após a cópula os machos morrem e são eliminados com as fezes; • As fêmeas grávidas repletas de ovos (até 16.000) rastejam por toda a mucosa do intestino grosso muito comumente saindo para a região perianal, deixando para trás um rastro de ovos; • As fêmeas morrem logo após completarem a ovoposição; • Aspecto grosseiro de um “D”; • Membrana dupla, lisa e transparente; • Sai da fêmea com a larva. Ovo de Enterobius • Ovos são eliminados embrionados e se tornam infectantes em 2 a 3 h; • Em condições ótimas de temperatura e humidade ovos são viáveis por até 1 semana; • Para se infectar o homem precisa engolir ovos viáveis com larvas infectantes; • No intestino delgado, as larvas eclodem e sofrem duas mudas no trajeto até o ceco; • Aí chegando, transformam-se em vermes adultos; • Em 1 a 2 meses fêmeas são encontradas na região perianal; Ciclo Biológico • Heteroinfecção: Quando ovos presentes na poeira ou alimentos atingem novo hospedeiro (é também conhecida como primoinfecção); • Indireta: Quando ovos presentes na poeira ou alimentos atingem o mesmo hospedeiro que os eliminou; • Auto-infecção externa ou direta: A criança (fiequentemente) ou o adulto (raramente) levam os ovos da região perianal a boca. E o principal mecanismo responsável pela cronicidade dessa verminose; • Auto-infecção interna: Parece ser um processo raro no qual as larvas eclodiriam ainda dentro do reto e depois migrariam até o ceco, transformando-se em vermes adultos; • Retroinfecção: As larvas eclodem na região perianal (externamente), penetram pelo ânus e migram pelo intestino grosso chegando até o ceco, onde se transformam em vermes adultos. Mecanismos de transmissão Sintomatologia • Provocam pequenas erosões da mucosa – nos pontos de fixação; • Grande número de parasitas determina – inflamação; • Geralmente assintomático; • Sintoma mais freqüente: • Prurido anal; • Margem do ânus avermelhada, congestionada; • Recoberta por muco por vezes sanguinolento; • Lesões na mucosa retal; • Prurido intenso – coceira – abre caminho para infecções bacterianas. • Vulvo- vaginitis • Chronic salpingitis • Prostatitis • Urethritis • Endometritis • Granulomata com vermes mortos ou ovos Sintomatologia - Complicações Esfregaço vaginal contendo ovos de Enterobius Esfregaço cervical contendo larva de Enterobius abandonando o ovo Diagnóstico • Clínico: Prurido anal noturno e continuado (suspeita); • Laboratorial: Exame de fezes não funciona; • Acidentalmente no exame de urina (meninas); • Fita adesiva / método de Graham: • Aplicar sobre a pele da região perineal uma fita adesiva transparente, depois remover colar sobre uma lâmina de microscopia. Tratamento Profilaxia – Geral Tratamento do doente e familiares Lavagem básica das mãos Lavagem dos alimentos Proteção dos alimentos Destino adequado do esgoto sanitário Saneamento básico Educação em saúde – Especifica Não sacudir roupas de cama e de dormir lavar em água fervente diariamente Corte rente das unhas Banho ao levantar Limpeza doméstica com aspirador de pó