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1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ- UEPA CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALTAMIRA CENTRO DE CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLOGIAS – CCNT CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL Material didático RESÍDUOS SÓLIDOS E PERIGOSOS ELABORAÇÃO: Prof. Ma. Amanda Estefânia de Melo Ferreira COLABORADOR: Adriana Hofmann Trevisan Discente 7º Semestre de Engenharia Ambiental Monitora da Disciplina Altamira - PA 2014 2 SUMÁRIO 1. RESIDOS SÓLIDOS ........................................................................................... 5 1.1 DEFINIÇÃO ............................................................................................................................ 5 1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................ 5 1.2.1 Quanto à composição química: ................................................................................... 5 1.2.2 Quanto às características físicas:................................................................................ 5 1.2.3 Quanto à origem: .............................................................................................................. 6 1.2.4 Quanto à biodegradabilidade: ..................................................................................... 6 1.3 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SEGUNDO A NORMA BRASILEIRA (NBR 10.004/2004) ....................................................................................................................... 7 1.3.1 Definição ............................................................................................................................... 7 1.3.2 Periculosidade de um Resíduo ..................................................................................... 7 1.3.3 Toxicidade ............................................................................................................................ 7 1.3.4 Agente Tóxico ..................................................................................................................... 7 1.3.5 Toxicidade Aguda ............................................................................................................. 7 1.3.6 Agente Teratogênico ........................................................................................................ 8 1.3.7 Agente Mutagênico........................................................................................................... 8 1.3.8 Agente Carcinogênico ..................................................................................................... 8 1.3.9 Agente Ecotóxico ............................................................................................................... 8 1. 3.10 DL50 (oral, ratos) .......................................................................................................... 8 1.3.11 CL50 (inalação, ratos) .................................................................................................. 8 1.3.12 DL50 (dérmica, coelhos) .............................................................................................. 8 1.4 PROCESSO DE CLASSIFICAÇÃO ............................................................................... 8 1.4.1 Laudo de classificação ....................................................................................................... 9 1.4.2 Classificação de resíduos................................................................................................ 9 1.4.3 Resíduos classe I – Perigosos ........................................................................................ 9 1.4.4 Inflamabilidade ................................................................................................................. 9 1.4.5 Corrosividade ................................................................................................................... 10 1.4.6 Reatividade ........................................................................................................................ 10 1.4.7 Toxicidade .......................................................................................................................... 10 1.4.8 Patogenicidade ................................................................................................................. 11 1.4.9 Resíduos classe II - Não perigosos ............................................................................ 12 1.4.10 Resíduos classe II A - Não inertes .......................................................................... 12 1.4.11 Resíduos classe II B – Inertes .................................................................................. 12 1.5 TESTES DE LIXIVIAÇÃO .............................................................................................. 12 1.5.1 AFNOR X-31-210/92 - Essai de lixiviation ........................................................... 13 1.5.2 Standard Test Method for Shake Extraction of Mining Waste by the Synthetic Precipitation Leaching Procedure - ASTM D 6234/98 ........................... 14 1.5.3 NBR 10.005/04 (Brasil) – Lixiviação de Resíduos .............................................. 14 1.5.4 TCLP - Toxicity Characteristic Leaching Procedure ..................................... 15 1.5.5 Multiple Extraction Procedue (MEP)..................................................................... 17 1.6 TESTE DE SOLUBILIZAÇÃO....................................................................................... 17 1.6.1 Aparelhagem..................................................................................................................... 17 1.6.2 Reagente e materiais ...................................................................................................... 17 1.6.3 Amostragem de campo ................................................................................................. 18 1.6.4 Procedimento .................................................................................................................... 18 1.6.5 Interpretação dos dados ............................................................................................... 18 2 PROBLAMÁTICA DOS RESÍDUSO SÓLIDOS ........................................... 19 2.1 PROBLEMAS AMBIENTAIS ........................................................................................ 20 3 2.1.1 Poluição do solo ............................................................................................................... 21 2.1.2 Áreas degradas: aspectos gerais do solo ................................................................ 21 2.1.3 Metais Pesados no Solo ................................................................................................. 22 2.1.4 Poluição das águas .......................................................................................................... 23 2.1.5 Indicadores de qualidade de água ............................................................................ 23 2.1.6 Influência de metais pesados ...................................................................................... 24 2.2 PROBLEMAS OPERACIONAIS ................................................................................... 26 2.3 PROBLEMAS SANITÁRIOS.......................................................................................... 27 2.4 A SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS E SEUS DESAFIOS ........................................................................................................................................................... 29 3 CARATERIZAÇÃO DE RESÍDUOSSÓLIDOS URBANOS ....................... 31 3.1 CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DO BRASIL...................... 31 3.1.1. Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) ............................................................................ 31 3.1.2 Coleta de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) .................................. 34 3.1.3 Resíduos de Serviços de Saúde – RSS ..................................................................... 35 3.1.4 Coleta de RSS Executada pelos Municípios Brasileiros .................................. 35 3.1.5 Destinação Final dos RSS Coletados pelos Municípios ................................... 36 3.1.6 Coleta Seletiva e Reciclagem ...................................................................................... 36 3.2 CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA REGIÃO NORTE ... 37 3.2.1 Resíduos Sòlidos de Saúde na Região Norte ........................................................ 38 3.3 METODOLOGIA USADA NA CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ....................................................................................................................................... 40 3.3.1 Caracterização quantitativa ....................................................................................... 40 3.3.2 Caracterização qualitativa .......................................................................................... 41 3.3.3. Análise e tratamento de dados ................................................................................. 43 4 GERAÇÃO E COLETA DE RESÍDUOS ........................................................ 43 4.1 FORMAS DE ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS SEGUNDO A SUA CLASSE ......................................................................................................................................... 44 5 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES 45 5.1 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES .... 45 5.1.2 Definição das etapas....................................................................................................... 46 5.1.2 Regularidade da coleta domiciliar ........................................................................... 48 5.1.3 Frequência de coleta ...................................................................................................... 49 5.1.4 Horários de coleta ........................................................................................................... 49 5.1.5 Equipamentos de coleta e transporte ...................................................................... 50 5.1.5 Ferramentas e utensílios utilizados na coleta do lixo domiciliar ................. 52 5.1.6 Fatores que influenciam no dimensionamento de veículo para coleta domiciliar ...................................................................................................................................... 53 5.1.7 Dimensionamento de itinerários de coleta domiciliar ...................................... 54 5.1.8 Guarnições de Coleta .................................................................................................... 54 5.1.9 Equilíbrio dos roteiros .................................................................................................. 54 5.1.9 Local de início de coleta ............................................................................................... 54 5.1.10 Verificação da geração do lixo domiciliar .......................................................... 54 5.1.11 Traçados roteiros de coletas ..................................................................................... 56 5.1.12 Coleta de lixo em cidades turísticas ...................................................................... 59 5.1.13 Coleta de resíduos sólidos em favelas ................................................................... 60 5.1.14 Coleta de resíduos de serviços de saúde .............................................................. 61 5.1.15 Segregação de resíduos de serviços de saúde .................................................... 61 5.1.16 Coleta separada de resíduos comuns, infectantes e especiais ..................... 62 6. DESTINO FINAL DE RESÍDUOS .................................................................. 62 4 6.1 LIXÃO ..................................................................................................................................... 62 6.2 ATERROS CONTROLADOS ......................................................................................... 63 6.3 ATERROS SANITÁRIOS ................................................................................................ 63 6.3.1 Critérios para a seleção de área para a construção de aterros sanitários 63 6.3.2 Levantamentos preliminares ...................................................................................... 64 7. REFERÊNCIAS ................................................................................................ 65 7.1 REFERÊNCIAS RECOMENDADAS ........................................................................... 66 5 1. RESIDOS SÓLIDOS 1.1 DEFINIÇÃO Resíduos sólidos são considerados como materiais heterogêneos, (inertes, não inertes e orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados na reciclagem. Os resíduos sólidos quando descartados incorretamente constituem problemas sanitário, ambiental, econômico e estético. Resíduos são resultado de processos de diversas atividades da sociedade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e ainda da varrição pública. Os resíduos apresentam-se nos estados sólido, gasoso e líquido. Ficam incluídos nesta definição tudo o que resta dos sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d'água, ou aqueles líquidos que exijam para isto soluções técnicas e economicamente viáveis de acordo com a melhor tecnologia disponível. 1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS 1.2.1 Quanto à composição química: Orgânico: é composto por pó de café e chá, cabelos, restos de alimentos, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados, ossos, aparas e podas de jardim; Inorgânico: composto por produtos manufaturados como plásticos, vidros, borrachas, tecidos, metais (alumínio, ferro, etc.), tecidos, isopor, lâmpadas, velas, parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças, dentre outros. 1.2.2 Quanto às características físicas: Seco: papéis, plásticos, metais, couros tratados, tecidos, vidros, madeiras, guardanapos e tolhas de papel, pontas de cigarro, isopor, lâmpadas, parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças. Molhado: restos de comida, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados, dentre outros. Outras características: Composição gravimétrica: traduz o percentual de cada componente em relação ao peso total do lixo. Peso específico: é o peso dos resíduos em função do volume por eles ocupado, expresso em kg/m³. Sua determinação é fundamental para o dimensionamento de equipamentos e instalações. Teor de umidade: esta característica tem influência decisiva, principalmente nos processos de tratamento e destinação do resíduo. Varia muito em função das estações do ano e da incidência de chuvas. Compressividade:também conhecida como grau de compactação, indica a redução de volume que uma massa de lixo pode sofrer, quando submetida a uma pressão determinada. A compressividade do resíduo situa-se entre 1:3 e 1:4 para uma pressão equivalente a 4 kg/cm 2 . Tais valores são utilizados para dimensionamento de equipamentos compactadores. Chorume: substância líquida decorrente da decomposição de material orgânico. 6 1.2.3 Quanto à origem: Domiciliar: originado das residências, constituído por restos de alimentos (tais como cascas de frutas, verduras, etc.), produtos deteriorados, jornais, revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens. Pode conter alguns resíduos tóxicos. Comercial: originado dos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, dentre outros. Serviços Públicos: originados dos serviços de limpeza urbana, incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, galerias, córregos, restos de podas de plantas, limpeza de feiras livres, etc, constituído por restos de vegetais diversos, embalagens, etc. Hospitalar: descartados por hospitais, farmácias, clínicas veterinárias (algodão, seringas, agulhas, restos de remédios, luvas, curativos, sangue coagulado, órgãos e tecidos removidos, meios de cultura e animais utilizados em testes, resina sintética, filmes fotográficos de raios X). Em função de suas características, merece um cuidado especial em seu acondicionamento, manipulação e disposição final. Deve ser incinerado e os resíduos levados para aterro sanitário Portos, Aeroportos, Terminais Rodoviários e Ferroviários: resíduos sépticos, ou seja, que contém ou potencialmente podem conter germes patogênicos. Basicamente originam-se de material de higiene pessoal e restos de alimentos, que podem hospedar doenças provenientes de outras cidades, estados e países. Industrial: originado nas atividades dos diversos ramos da indústria, tais como o metalúrgico, o químico, o petroquímico, o de papelaria, da indústria alimentícia. O lixo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas. Nesta categoria, inclui-se grande quantidade de lixo tóxico. Esse tipo de lixo necessita de tratamento especial em função do seu potencial contaminante. Radioativo: resíduos provenientes da atividade nuclear (resíduos de atividades com urânio, césio, tório, radônio, cobalto), que devem ser manuseados apenas com equipamentos e técnicos adequados. Agrícola: resíduos sólidos das atividades agrícola e pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, etc. O lixo proveniente de pesticidas também é considerado tóxico e necessita de tratamento especial. Entulho: resíduos da construção civil: demolições e restos de obras, solos de escavações. O entulho é geralmente um material inerte, passível de reaproveitamento. Lixo de Fontes Especiais: é aquele que, em função de determinadas características peculiares que apresenta, passa a merecer cuidados especiais em seu acondicionamento, manipulação e disposição final, como é o caso de alguns resíduos industriais antes mencionados, comerciais, hospitalar e radioativo. 1.2.4 Quanto à biodegradabilidade: Facilmente degradáveis: é o caso da matéria orgânica presente nos resíduos sólidos de origem urbana; Moderadamente degradáveis: são papéis, papelão e material celulósico; Dificilmente degradáveis: são os pedaços de panos, retalhos, aparas e serragens de couro, borracha e madeira; Não degradáveis: os vidros, metais, plásticos, pedras, terra, entre outros. 7 Ainda pode-se citar o chorume como é um líquido escuro gerado pela degradação dos resíduos em aterros sanitários, podendo ser originário de três diferentes fontes: Da umidade natural do lixo, aumentando no período chuvoso; Da água constituída a matéria orgânica, que escorre durante o processo de decomposição; Das bactérias existentes no lixo, que expelem enzimas, enzimas essas que dissolvem a matéria orgânica com forma o de líquido. 1.3 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SEGUNDO A NORMA BRASILEIRA (NBR 10.004/2004) 1.3.1 Definição São aqueles resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face a melhor tecnologia disponível”. 1.3.2 Periculosidade de um Resíduo Característica apresentada por um resíduo que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar: a) risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices; b) riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada. 1.3.3 Toxicidade Propriedade potencial que o agente tóxico possui de provocar, em maior ou menor grau, um efeito adverso em consequência de sua interação com o organismo. 1.3.4 Agente Tóxico Qualquer substância ou mistura cuja inalação, ingestão ou absorção cutânea tenha sido cientificamente comprovada como tendo efeito adverso (tóxico, carcinogênico, mutagênico, teratogênico ou ecotoxicológico). 1.3.5 Toxicidade Aguda Propriedade potencial que o agente tóxico possui de provocar um efeito adverso grave, ou mesmo morte, em consequência de sua interação com o organismo, após exposição a uma única dose elevada ou a repetidas doses em curto espaço de tempo. 8 1.3.6 Agente Teratogênico Qualquer substância, mistura, organismo, agente físico ou estado de deficiência que, estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz uma alteração na estrutura ou função do indivíduo dela resultante. 1.3.7 Agente Mutagênico Qualquer substância, mistura, agente físico ou biológico cuja inalação, ingestão ou absorção cutânea possa elevar as taxas espontâneas de danos ao material genético e ainda provocar ou aumentar a frequência de defeitos genéticos. 1.3.8 Agente Carcinogênico Substâncias, misturas, agentes físicos ou biológicos cuja inalação ingestão e absorção cutânea possa desenvolver câncer ou aumentar sua freqüência. O câncer é o resultado de processo anormal, não controlado da diferenciação e proliferação celular, podendo ser iniciado por alteração mutacional. 1.3.9 Agente Ecotóxico Substâncias ou misturas que apresentem ou possam apresentar riscos para um ou vários compartimentos ambientais. 1. 3.10 DL50 (oral, ratos) Dose letal para 50% da população dos ratos testados, quando administrada por via oral (DL – dose letal). 1.3.11 CL50 (inalação, ratos) Concentração de uma substância que, quando administrada por via respiratória, acarreta a morte de 50% da população de ratos exposta (CL – concentração letal). 1.3.12 DL50 (dérmica, coelhos) Dose letal para 50% da população de coelhos testados, quando administrada em contato com a pele (DL – dose letal). 1.4 PROCESSO DE CLASSIFICAÇÃO A classificação de resíduos envolve a identificação do processo ou atividadeque lhes deu origem e de seus constituintes e características e a comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido. A identificação dos constituintes a serem avaliados na caracterização do resíduo deve ser criteriosa e estabelecida de acordo com as matérias-primas, os insumos e o processo que lhe deu origem. NOTA: Outros métodos analíticos, consagrados em nível internacional, podem ser exigidos pelo Órgão de Controle Ambiental, dependendo do tipo e complexidade do resíduo, com a finalidade de estabelecer seu potencial de risco à saúde humana e ao meio ambiente. 9 1.4.1 Laudo de classificação O laudo de classificação pode ser baseado exclusivamente na identificação do processo produtivo, quando do enquadramento do resíduo nas listagens dos anexos A ou B. Deve constar no laudo de classificação a indicação da origem do resíduo, descrição do processo de segregação e descrição do critério adotado na escolha de parâmetros analisados, quando for o caso, incluindo os laudos de análises laboratoriais. Os laudos devem ser elaborados por responsáveis técnicos habilitados. 1.4.2 Classificação de resíduos Para os efeitos desta Norma, os resíduos são classificados em: a) resíduos classe I - Perigosos; b) resíduos classe II – Não perigosos; – resíduos classe II A – Não inertes. – resíduos classe II B – Inertes. 1.4.3 Resíduos classe I – Perigosos São aqueles que apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente, exigindo tratamento e disposição especiais em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Aqueles que apresentam periculosidade, conforme definido em 1.3.2, ou uma das características descritas em 1.4.2.1.1 a 1.4.2.1.5, ou constem nos anexos A ou B da Norma ABNT NBR 10004:2004. NOTA: O gerador de resíduos listados nos anexos A e B pode demonstrar por meio de laudo de classificação que seu resíduo em particular não apresenta nenhuma das características de periculosidade especificadas nesta Norma. 1.4.4 Inflamabilidade Um resíduo sólido é caracterizado como inflamável (código de identificação D001), se uma amostra representativa dele, obtida conforme a ABNT NBR 10007, apresentar qualquer uma das seguintes propriedades: a) ser líquida e ter ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado conforme ABNT NBR 14598 ou equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume; b) não ser líquida e ser capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm), produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas e, quando inflamada, queimar vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo; c) ser um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material; d) ser um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos perigosos (Portarianº 204/1997 do Ministério dos Transportes). 10 1.4.5 Corrosividade Um resíduo é caracterizado como corrosivo (código de identificação D002) se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades: a) ser aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou, superior ou igual a 12,5, ou sua mistura com água, na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a 12,5; b) ser líquida ou, quando misturada em peso equivalente de água, produzir um líquido e corroer o aço (COPANT 1020) a uma razão maior que 6,35 mm ao ano, a uma temperatura de 55°C, de acordo com USEPA SW 846 ou equivalente. 1.4.6 Reatividade Um resíduo é caracterizado como reativo (código de identificação D003) se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades: a) ser normalmente instável e reagir de forma violenta e imediata, sem detonar; b) reagir violentamente com a água; c) formar misturas potencialmente explosivas com a água; d) gerar gases, vapores e fumos tóxicos em quantidades suficientes para provocar danos à saúde pública ou ao meio ambiente, quando misturados com a água; e) possuir em sua constituição os íons CN ou S2- em concentrações que ultrapassem os limites de 250 mg de HCN liberável por quilograma de resíduo ou 500 mg de H2S liberável por quilograma de resíduo, de acordo com ensaio estabelecido no USEPA - SW 846; f) ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a ação de forte estímulo, ação catalítica ou temperatura em ambientes confinados; g) ser capaz de produzir, prontamente, reação ou decomposição detonante ou explosiva a 25°C e 0,1 MPa (1 atm); h) ser explosivo, definido como uma substância fabricada para produzir um resultado prático, através de explosão ou efeito pirotécnico, esteja ou não esta substância contida em dispositivo preparado para este fim. 1.4.7 Toxicidade Um resíduo é caracterizado como tóxico se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades: a) quando o extrato obtido desta amostra, segundo a ABNT NBR 10005, contiver qualquer um dos contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F. Neste caso, o resíduo deve ser caracterizado como tóxico com base no ensaio de lixiviação, com código de identificação constante no anexo F; 11 b) possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C e apresentar toxicidade. Para avaliação dessa toxicidade, devem ser considerados os seguintes fatores: Natureza da toxicidade apresentada pelo resíduo; Concentração do constituinte no resíduo; Potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para migrar do resíduo para o ambiente, sob condições impróprias de manuseio; Persistência do constituinte ou qualquer produto tóxico de sua degradação; Potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para degradar-se em constituintes não perigosos, considerando a velocidade em que ocorre a degradação; Extensão em que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, é capaz de bioacumulação nos ecossistemas; Efeito nocivo pela presença de agente teratogênico, mutagênico, carcinogênco ou ecotóxico, Associados a substâncias isoladamente ou decorrente do sinergismo entre as substâncias constituintes do resíduo; c) ser constituída por restos de embalagens contaminadas com substâncias constantes nos anexos D ou E; d) resultar de derramamentos ou de produtos fora de especificação ou do prazo de validade que contenham quaisquer substâncias constantes nos anexos D ou E; e) ser comprovadamente letal ao homem; f) possuir substância em concentração comprovadamente letal ao homem ou estudos do resíduo que demonstrem uma DL50 oral para ratos menor que 50 mg/kg ou CL50 inalação para ratos menor que 2 mg/L ou uma DL50 dérmica para coelhos menor que 200 mg/kg. Os códigos destes resíduos são os identificados pelas letras P, U e D, e encontram-se nos anexos D, E e F. 1.4.8 Patogenicidade 1. 4.2.1.5.1 Um resíduo é caracterizado como patogênico (código de identificação D004) se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, contiver ou se houver suspeita de conter, microorganismos patogênicos, proteínas virais, ácido desoxiribonucléico (ADN) ou ácido ribonucléico (ARN) recombinantes, organismos geneticamentemodificados, plasmídios, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir doenças em homens, animais ou vegetais. 1.4.2.1.5.2 Os resíduos de serviços de saúde deverão ser classificados conforme ABNT NBR 12808. Os resíduos gerados nas estações de tratamento de esgotos domésticos e os resíduos sólidos domiciliares, excetuando-se os originados na assistência à saúde da pessoa ou animal, não serão classificados segundo os critérios de patogenicidade. 12 1.4.9 Resíduos classe II - Não perigosos Os códigos para alguns resíduos desta classe encontram-se no anexo H da norma ABNT NBR 10004:2004. 1.4.10 Resíduos classe II A - Não inertes Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I - Perigosos ou de resíduos classe. II B - Inertes, nos termos desta Norma. Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. São os resíduos que não apresentam periculosidade, porém não são inertes; podem ter propriedades tais como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. São basicamente os resíduos com as características do lixo doméstico. Classe II B - Resíduos Inertes: são aqueles que, ao serem submetidos aos testes de solubilização (NBR-10.007 da ABNT), não têm nenhum de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água. Isto significa que a água permanecerá potável quando em contato com o resíduo. Muitos destes resíduos são recicláveis. 1.4.11 Resíduos classe II B – Inertes Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor, conforme anexo G da norma ABNT NBR 10004:2004. Estes resíduos não se degradam ou não se decompõem quando dispostos no solo (se degradam muito lentamente). Estão nesta classificação, por exemplo, os entulhos de demolição, pedras e areias retiradas de escavações. 1.5 TESTES DE LIXIVIAÇÃO A classificação dos resíduos é baseada normalmente na avaliação do comportamento deste em contato com um solvente. Assim, a lixiviação é o procedimento mais utilizado para a analisar a potencialidade de transferência de matéria para o meio natural. Os ensaios de lixiviação são utilizados para determinar ou avaliar a estabilidade química dos resíduos, quando em contato com soluções aquosas, permitindo assim verificar o grau de imobilização de contaminantes. Encontram-se disponíveis diversos ensaios de lixiviação, mas nenhum deles é capaz de reproduzir, isoladamente, todas as condições variáveis que se observam na natureza. Os ensaios de lixiviação são utilizados tanto para fins científicos, quando se pretende determinar o comportamento de uma substância face a fenômenos físico-químicos que ocorrem durante uma percolação, como para caracterizar a periculosidade de um resíduo, 13 visando o controle de resíduos sólidos perigosos. Tal ensaio pode representar vários anos do fenômeno natural de lixiviação. O teste de lixiviação é empregado na classificação de resíduos sólidos desde que os mesmos não estejam perfeitamente caracterizados como resíduos perigosos, segundo as normas adotadas. O processo de lixiviação é fundamental para o entendimento de como avaliar a periculosidade do resíduo. Se as águas superficiais ou subterrâneas entram em contato com um material, cada um de seus constituintes se dissolve a uma taxa finita. Igualmente, muitos resíduos ditos impermeáveis como argilas, concreto, tijolos e vidro de qualquer. Os resíduos submetidos ao Teste de lixiviação conforme Norma Brasileira NBR 10.005 – “Lixiviação de Resíduos – Procedimentos”, apresentarem teores de poluentes no extrato lixiviado em concentração superior aos padrões constantes da Listagem 7 – Limite Máximo no Extrato obtido no Teste de Lixiviação, são classificados como perigosos. Assim sendo, o teste de lixiviação se aplica somente àqueles resíduos que apresentam entre seus constituintes um ou mais dos elementos e substâncias constante na listagem nº 7 da NBR 10.004. A lixiviabilidade é usualmente avaliada em função da concentração dos contaminantes encontrados no lixiviado. A concentração do contaminante, padrão primário de avaliação de qualidade da água, é frequentemente utilizada como padrão para o teste de lixiviação. Na avaliação da lixiviabilidade do material, é feita uma comparação entre a concentração do contaminante no lixiviado e no resíduo bruto. Estes valores indicam a porção de resíduo liberada para o meio. Se o tempo de duração do ensaio é conhecido, então é possível determinar-se a taxa de lixiviação do resíduo. O ensaio de lixiviação sofre interferência da temperatura, do tipo de solução lixiviante, da relação resíduo/lixiviante, do número de extrações, da superfície específica do resíduo e do grau de agitação utilizado no ensaio. Atualmente uma variada gama de testes de lixiviação é empregada para prever o impacto ambiental causado pela disposição de uma matriz contendo resíduo. A escolha entre vários tipos de testes de lixiviação é feita conjuntamente entre o órgão ambiental responsável e o gerador. Os testes de lixiviação de resíduos mais difundidos são o “Environmental Protection Agency’s Extraction Procedure (EP), Toxicity Test”, o “Toxic Characterisitics Leaching Procedure” (TCLP) (CHAMIE, 1994). Além destes testes americanos, pode-se citar o Essai de lixiviation - AFNOR X-31-210/92 (França) e o teste de lixiviação especificados pela norma brasileira NBR 10005 (lixiviação de resíduos sólidos). 1.5.1 AFNOR X-31-210/92 - Essai de lixiviation Neste teste, a amostra é triturada e passada em peneira de 4 mm. A água deionizada é utilizada como líquido lixiviante e a razão líquido/sólido é de 10:1. O agitador recomendado pela norma é do tipo “endover end”. A agitação deve ser realizada em 24 horas no caso de uma única extração, e em 16 horas no caso de extrações sucessivas (depende do tipo de investigação desejada, porém são sugeridas quatro extrações) com intervalos de, no máximo, 8 horas entre uma e outra extração. O sistema de filtração à vácuo é utilizado para separação líquido/sólido. Os lixiviados são amostrados e analisados quanto aos contaminantes de interesse originalmente presentes na amostra submetida ao teste. O resultado é dado como no teste de lixiviação MEP, ou seja, comparando-se a soma das concentrações determinadas para cada elemento com os limites estabelecidos em norma. 14 1.5.2 Standard Test Method for Shake Extraction of Mining Waste by the Synthetic Precipitation Leaching Procedure - ASTM D 6234/98 Este método utiliza-se de uma solução a base de ácido nítrico e ácido sulfúrico. A amostra de resíduo deve apresentar granulometria de 9,5 mm e ser agitada a 30 rpm, por 18 h. O fluxograma abaixo descreve o procedimento da ASTM D 6234/98 que foi adotado na execução dos ensaios em laboratório. Figura 01: Esquema de realização do método Standard Test Method for Shake Extraction of Mining Waste by the Synthetic Precipitation Leaching Procedure - ASTM D 6234/98. 1.5.3 NBR 10.005/04 (Brasil) – Lixiviação de Resíduos Consiste em quebrar a amostra sólida (para formas monolíticas utiliza-se o teste de integridade estrutural) e passá-la em uma peneira de 9,5 mm. A extração é feita comácido acético mantendo-se o pH em 5. O equipamento recomendado para agitação é do tipo “jar test” ou qualquer outro tipo de equipamento capaz de inibir a estratificação da amostra. A amostra é filtrada em sistema de filtração à vácuo com a utilização de uma membrana de 0,45 µm. Os lixiviados obtidos são analisados quanto a concentração dos constituintes perigosos de interesse e, em seguida, é verificado se os limites estabelecidos em norma foram alcançados para que seja realizada a classificação quanto à toxicidade do material ensaiado. 15 NBR 100g de resíduo de granulometria 8,6 mm Adicionar água deionizada na proporção 16:1 Iniciar a agitação: Agitador Jar- Test Medir o pH Controlar o pH em 15, 30 e 60 min abaixo de 5, com ácido acético Agitar no Jar- Test durante 24 h Caso o pH seja superior a 5, agitar durante 4h controlando o pH de hora em hora abaixo de 5, com ácido acético Passar no filtro de 0,45 um Adicionar água deionizada calculada pela a expressão Preservar as Amostras Figura 02: Esquema de realização do método NBR 10.005/04 (Brasil) – Lixiviação de Resíduos. 1.5.4 TCLP - Toxicity Characteristic Leaching Procedure Neste teste, o resíduo ou o produto é triturado e passado em uma peneira de 9,5 mm. A amostra é lixiviada com uma solução diluída de ácido acético usando uma razão líquido/sólido de 20:1. O agitador recomendado é do tipo “end-over end” (agitador tipo rotativo) e a duração da agitação é definida em 18 horas. A fase sólida é separada da líquida por sistema de filtração a vácuo com a utilização de uma membrana de 0,70 µm e os constituintes perigosos de interesse são analisados nos lixiviados obtidos. Como na norma NBR 10005 as concentrações dos elementos de interesse são comparadas aos limites estabelecidos a fim de classificar o material ensaiado quanto à sua toxicidade. 16 Figura 02: Esquema de realização do método TCLP - Toxicity Characteristic Leaching Procedure. 17 1.5.5 Multiple Extraction Procedue (MEP) Neste teste, a amostra a ser submetida ao teste é inicialmente lixiviada de acordo com o Extration Procedure Test (EPT) e são analisados os constituintes perigosos de interesse presentes nos lixiviados. Em seguida, as porções sólidas que permaneceram após separação líquido/sólido da primeira lixiviação são reextraídas no mínimo oito vezes com solução que simula chuva ácida (solução de ácido sulfúrico/ácido nítrico ajustada para pH=3) e os contaminantes de interesse são determinados nas soluções lixiviantes. O resultado é dado como a soma das concentrações determinadas durante a realização de todo o ensaio (mg/L), para cada elemento. Para se avaliar a toxicidade do produto cimentado compara-se este valor com os limites estabelecidos em norma 1.6 TESTE DE SOLUBILIZAÇÃO A Norma Complementar que trata deste assunto é a NBR 10006/2004 – Solubilização de resíduos, onde impõem condições para que se possa diferenciar os resíduos da classe IIA e II. Esta Norma tem como objetivo fixar os requisitos exigíveis para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos, visando diferenciar os resíduos classificados na ABNT NBR 10004 como classe II A - não inertes – e classe II B – inertes. Não se aplicando em resíduos no estado líquido. As normas relacionadas a seguir contêm disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma. A edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usarem as edições mais recentes das normas citadas a seguir. A ABNT possui a informação das normas em vigor em um dado momento: ABNT NBR 10004:2004 - Resíduos sólidos - Classificação ABNT NBR 10007:2004 - Amostragem de resíduos sólidos AWWA-APHA-WPCI1) - Standard methods for the examination of water and wastewater USEPA - SW 8461) - Test methods for evaluating solid waste; Physical/Chemical methods Para realização do teste de solubilização a ABNT NBR 10006/04 estabelece os seguintes requisitos: 1.6.1 Aparelhagem Como aparelhagem deve-se utilizar: a) agitador que possa evitar a estratificação da amostra por ocasião da agitação; submeter todas as partículas da amostra ao contato com a água e garantir a agitação homogênea durante o seu período de funcionamento; b) aparelho de filtração que permita a separação de todas as partículas de diâmetro igual ou superior a 0,45 μm; c) estufa de circulação de ar forçado e exaustão ou estufa a vácuo; d) medidor de pH; e) balança com resolução de ± 0,01 g. 1.6.2 Reagente e materiais Como reagente e materiais devem-se utilizar: 18 a) água destilada e/ou desionizada, isenta de orgânicos; b) frasco de 1 500 mL; c) membrana filtrante com 0,45 μm de porosidade; d) filme de PVC; e) peneira com abertura de 9,5 mm. 1.6.3 Amostragem de campo A amostragem deve ser procedida conforme ABNT NBR 10007. 1.6.4 Procedimento Deve-se proceder: Secar a amostra a temperatura de até 42°C, utilizando uma estufa com circulação forçada de ar e exaustão ou estufa a vácuo, e determinar a percentagem de umidade. Colocar uma amostra representativa de 250 g (base seca) do resíduo em frasco de 1 500 mL. NOTA 1: A operação deve ser realizada em duplicata. NOTA 2: Pode-se utilizar o resíduo não seco, desde que ele represente 250 g de material seco; para isto, fazer a compensação de massa e volume. NOTA 3: Se a amostra passar em peneira de malha 9,5 mm, ela estará pronta para a etapa de extração; caso contrário, ela deve ser triturada. Adicionar 1 000 mL de água destilada, desionizada e isenta de orgânicos, se a amostra foi submetida ao processo de secagem, e agitar a amostra em baixa velocidade, por 5 min; deixar em repouso por 7 dias, em temperatura até 25°C. Filtrar a solução com aparelho de filtração guarnecido com membrana filtrante com 0,45 μm de porosidade. Definir o filtrado obtido como sendo o extrato solubilizado. Determinar o pH após a obtenção do extrato solubilizado. Retirar alíquotas e preservá-las de acordo com os parâmetros a analisar, conforme estabelecido no Standard methods for the examination of water and wastewater ou USEPA - SW 846 - Test methods for evaluating solid waste; Physical/Chemical methods. NOTA: No caso de análise de metais, deve ser feita a acidificação numa pequena alíquota. Caso ocorra a precipitação, não proceder à acidificação no restante da amostra. Utilizar parte do extrato não acidificado e analisar imediatamente. Analisar os parâmetros do extrato solubilizado de acordo com as metodologias descritas no Standard methods for the examination of water and wastewater ou USEPA - SW 846 - Test methods for evaluating solid waste; Physical/Chemical methods. 1.6.5 Interpretação dos dados Os dados obtidos no procedimento devem constar em um laudo ou relatório emitido pelo laboratório, com as seguintes informações: a) teor de umidade, em porcentagem; b) pH medido no extrato solubilizado. NOTA: Eventuais observações referentes a este procedimento devem constar também no relatório. Para efeito de classificação de resíduos, comparar os dados obtidos com aqueles constantes no anexo G da ABNT NBR 10004:2004. 19 2 PROBLAMÁTICA DOS RESÍDUSOSÓLIDOS No decorrer dos últimos 30 anos, grande parte dos municípios brasileiros, apresentaram uma intensa urbanização, esta decorrente do processo evolutivo industrial e da Massificação populacional, provocando com isso, o surgimento de alguns problemas, estes tanto sociais como ambientais. A degradação do meio ambiente urbano surge na mediada que as cidades começam a receber pessoas vindas, principalmente do interior a procura de trabalho e melhores condições de vida, provocando um verdadeiro inchaço das cidades, tendo em vista que falta moradia, escolas, empregos, saneamento básico, saúde, dentre outros, princípios fundamentais para a obtenção de uma sadia qualidade de vida, já que esta está ligada diretamente à qualidade do meio ambiente que vivemos. As primeiras cidades fizeram seu aparecimento na esteira da Revolução Agrícola ou, também, “Revolução Neolítica”, a partir daí, se inicia a prática da agricultura, e graças a isso irão surgindo, aos poucos, assentamentos sedentários, e depois as primeiras cidades. Com a agricultura tornou-se possível alimentar populações cada vez maiores, gerando-se, inclusive, um excedente alimentar. As cidades surgem como resultado de transformações sociais gerais – econômicas, tecnológicas, políticas e culturais -, quando, para além de povoados de agricultores (ou aldeias), que eram pouco mais que acampamentos permanentes de produtores diretos que se tornaram sedentários, surgem assentamentos permanentes maiores e muito mais complexos, que vão abrigar uma ampla população de não-produtores. Entretanto, as cidades continuaram a transformar-se durante os milênios seguintes ao seu aparecimento, e continuam a transformar-se sem cessar. Os processos de industrialização pelo mundo afora, tiveram um impacto enorme sobre o tamanho e a complexidade das cidades. A urbanização como fenômeno mundial é tanto um fato recente quanto crescente, pois por volta de meados do século XIX a população urbana representava 1,7% da população total do planeta, atingindo em 1960 (um século depois) 25% e; em 1980 esse número passou para 41,1%. A evolução da população brasileira, principalmente urbana, ocorreu significativamente nos últimos 60 anos. A taxa de urbanização que em 1940 era de apenas 26.35% atingiu em 1991, 77.13%. Ainda, no período de 1940 a 1980, a população total do país triplica (de 41.326.000 para 119.099.000) ao passo que a população urbana multiplica-se por sete vezes (de 10.891.000 para 82.013.000 hab.) (PERREIRA, sem data). Atualmente a taxa de urbanização no Brasil é de 84,0%. A maior concentração de população urbana foi registrada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 99,3%. A taxa de urbanização fluminense pode ser contrastada com a piauiense, cujo valor é o mais baixo do País: 61,9%. Sendo a do Estado do Pará 75,1% (IBGE, 2010). Esse ritmo de crescimento urbano verificado no país após 1950 é justificado a partir da Segunda Guerra Mundial é concomitante ao forte crescimento demográfico brasileiro registrado nessa época que resultou em grande parte de um decréscimo na mortalidade devido aos progressos sanitários, a melhoria relativa nos padrões de vida e à própria urbanização. Sendo o processo de urbanização no Brasil é bastante significativo, na medida em que hoje cerca de 84% da população está concentrada nas cidades. Este fato provoca diversos problemas, como exclusão em relação à moradia, e aos serviços públicos, entre outros. Particularmente por ser o capitalismo um modo de produção altamente expropriador e desigual, promovendo tanto a apropriação desmedida da natureza como a exploração dos indivíduos. Com o processo de urbanização desordenado e acelerado vivenciado pelo Brasil nos últimos 60 anos, houve uma grande procura por parte da população pelos grandes centros urbanos, esta, motivada principalmente pela Revolução Industrial e consequentemente pelo avanço do capitalismo. As indústrias se instalaram nas cidades, estimulando o êxodo rural, 20 expulsando para as cidades milhares de trabalhadores rurais, desterritorializados dos seus locais de vida e de trabalho. Como consequência, houve um inchaço populacional e crescimento desordenado das cidades, que, em sua maioria, não estavam preparadas para suportar a demanda da população que chegava, o que acarretou numa série de problemas estruturais, estes de ordem social e ambiental. Somando a todos esses problemas, aparece a necessidade de gestão dos resíduos sólidos urbanos, tendo em vista que diferentemente do meio natural, a cidade não pode se desfazer dos resíduos gerados por sua população capitalista (onde o consumo é cada vez maior), e estes por sua vez, merece, devida atenção dos poderes públicos municipais para que os impactos por eles gerados sejam minimizados. A geração de resíduos sólidos urbanos é diretamente proporcional ao consumo. Quanto mais se consome e quanto mais recursos são utilizados, mais resíduos são produzidos. Estima- se que a população mundial, hoje com mais de 6 bilhões de habitantes, esteja gerando 30 milhões de toneladas de resíduos por ano. (IPT/CEMPRE, 2000). Já no Brasil, a geração de resíduos cresceu de 213 mil toneladas por dia em 2007 para 273 mil toneladas por dia em 2013 o que equivale a aproximadamente 1,35 kg de resíduo sólido por pessoa por dia (IBGE, 2013; CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2013). Neste sentido, consumo deve ser considerado um dos grandes causadores da degradação ambiental quando não controlada, ou seja, realizada além dos limites da necessidade. Pode comprometer seriamente a sustentabilidade, na medida em que se tornem excessivo e desnecessário, determinando a extração de mais recursos para atender a demanda (...). Percebe-se, portanto, que o problema dos resíduos, considerados qualidade e quantidade, são um dos grandes problemas da atualidade e que merecerá especial atenção no futuro. Os resíduos por sua vez, provocam impactos tanto de ordem social (acúmulo em vias públicas, a má destinação destes resíduos, surgimento de uma população “catadora”, etc.), quanto de ordem ambiental (poluição visual, proliferação de macro e micro vetores, poluição do solo, do ar, dos lençóis freáticos, etc.). 2.1 PROBLEMAS AMBIENTAIS As questões ambientais vêm se tornando temas centrais de discussões no Brasil e no mundo. Até meados da década de 1980, falava-se muito em preservar a natureza, o meio ambiente, porém, tinha-se como foco central, preocupações voltadas para a denominada natureza intocada, ou seja, os biomas, as bacias hidrográficas, a fauna e a flora, as paisagens e os recursos naturais que compõem o ecossistema e a biodiversidade do Planeta. O meio urbano apresenta, há décadas, um intenso crescimento desordenado e acelerado, trazendo como consequência, principalmente nos países subdesenvolvidos, um ambiente degradado. Sendo assim, a problemática ambiental urbana, explica-se no contexto da cidade na atualidade e do próprio modo de produção capitalista; o espaço compreende um conjunto de objetos geográficos distribuídos pelo território redescoberto pela problemática ambiental. Os seres humanos, ao se concentrarem num determinado espaço físico, aceleram inexoravelmente os processos de degradação ambiental. Seguindo esta lógica, a degradação ambiental cresce na proporção em que a concentração populacional aumenta. Sendo, impacto ambiental, portanto, o processo de mudanças sociais e ecológicas causados por perturbações (uma nova ocupação e/ou construção de um objeto novo: uma usina, uma estrada ou uma indústria) no ambiente. Diz respeito ainda à evolução conjunta das condições sociais e ecológicas estimuladas pelos impulsos das relações entre força externa e interna à unidade espaciale ecológica, histórica ou socialmente determinada. É a relação entre sociedade e natureza que se transforma diferencialmente e dinamicamente. Os impactos ambientais são escritos no tempo e incidem diferentemente, alterando as estruturas das classes sociais e reestruturando o espaço. 21 Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e/ou biológicas do meio ambiente, provocada direta ou indiretamente por atividades humanas que podem afetar a saúde, a segurança e/ou a qualidade dos recursos naturais. Quando os impactos são negativos, podem conduzir à degradação ambiental. A destinação dos resíduos sólidos compreende um problema atual que afeta todas as cidades, principalmente nas grandes metrópoles. Embora o chorume e os gases sejam os maiores problemas causados pela decomposição do lixo, outros problemas associados com a sua disposição podem ser assim compreendidos: poluição do solo e das águas superficiais próximas; poluição de águas subterrânea; poluição visual; presença de odores desagradáveis; presença de vetores, causando doenças diretamente a catadores; pessoal que trabalha no lixão; população do entorno e, indiretamente a população; presença de catadores precariamente organizados, inclusive crianças; presença de gases de efeitos: estufa e explosivo, dioxinas e furanos devido à queima, intensa degradação da paisagem, riscos de incêndio e a desvalorização imobiliária no entorno. Em termos ambientais, os lixões agravam a poluição do ar, do solo e das águas, além de provocar poluição visual. Nos casos de disposição de pontos de lixo nas encostas é possível ainda ocorrer a instabilidade dos taludes pela sobrecarga e absorção temporária da água da chuva, provocando deslizamentos. A disposição inadequada dos RSU está diretamente relacionada com os problemas causados por estes resíduos no solo, nas águas e no ar. 2.1.1 Poluição do solo Quando dispostos inadequadamente, os RSU podem poluir o solo, alterando as características físicas, químicas e biológicas, constituindo-se num problema de ordem estética e, mais ainda, numa séria ameaça à saúde pública. Por conter substâncias de alto teor energético (metais pesados) e, por oferecer disponibilidade simultânea de água, alimento e abrigo, os resíduos se tornam criadouro de vetores de doenças, como roedores, moscas, bactérias e vírus. 2.1.2 Áreas degradas: aspectos gerais do solo Degradar o solo significa alterar suas propriedades físicas (estrutura, porosidade, compacidade), químicas (pH etc.) e biológicas (microrganismos). Sendo importantes estudos ligados à recuperação do solo, pois é ele que sustenta os ecossistemas terrestres e possui fragilidade física, química e biológica, com baixa capacidade de formação e regeneração (pedogênese), podendo levar milênios para se formar. Segundo a NBR 10703 (ABNT, 1989), degradação do solo é a “alteração adversa das características do solo em relação aos seus diversos usos possíveis, tanto os estabelecidos em planejamento quanto os potenciais”. Segundo Reinert (1998) apud Magalhães (2005), há três principais tipos de degradação do solo, sendo elas a degradação física, que se refere às condições ligadas à forma e estabilidade da estrutura do solo, a degradação biológica, que está relacionada com a redução da matéria orgânica, atividade e diversidade de organismos, e a degradação química, que é reflexo da retirada e saída de nutrientes por acúmulo de elementos tóxicos e/ou desbalanceados no solo. De acordo com Magalhães (2005), a reabilitação de áreas degradadas se fundamenta na obrigação de reparar danos causados ao meio ambiente. Esse dano, inclusive em atividades exigidas por lei, como por exemplo, a disposição final de RSU, visa, tanto quanto, seja possível, repor a área degradada a sua condição anterior. 22 Para os ADRSU (Aterros de disposição de resíduos Sólidos), há exigências legais onde o projeto do sistema de cobertura final deve ser elaborado de forma a minimizar a infiltração de água para o interior do aterro, demandar pouca manutenção, não estar sujeita a erosão, suportar recalques/assentamento e possuir coeficiente de permeabilidade inferior ao solo natural da área do aterro. A vegetação deve ser implantada, uma vez que pode melhorar as condições ambientais da área quanto aos aspectos de redução do fenômeno de erosão, formação de poeira e transporte de odores (ABNT, 1987). Dentro do objetivo de recuperar um solo, o seu processo de manejo deve ser elaborado de tal forma a criar condições para que uma área perturbada ou mesmo natural, seja adequada aos seus usos. Para determinar a melhor solução técnica é preciso considerar uma série de fatores que podem influenciar diretamente e indiretamente o meio, ou seja, sendo um processo complexo e específico a cada situação, devendo ser considerados diversos aspectos. No caso dos ADRSU, esta recuperação demanda um trabalho intenso, devido à grande variabilidade do material existente na cobertura final, uma vez que é constituído de solo, resíduos de construção civil e, muitas vezes, do próprio RSU, contribuindo então para dificultar a revegetação da área em questão (MAGALHÃES, 2005). Em áreas destinadas ao descarte de resíduos sólidos urbanos (RSU) deve-se, antes de iniciar a sua deposição, remover em separado o solo e as suas camadas geográficas. Quando a capacidade máxima de aterramento da área é atingida e o processo de restauração iniciado, aqueles materiais deveriam ser repostos na sequência original, minimizando a infiltração de água, além de proporcionar um adequado desenvolvimento da vegetação, reduzindo assim os efeitos dos processos erosivos. Contudo, na prática, isto nem sempre é possível de ser executado, fato este que aliado à instabilidade dos RSU aterrados, pode impedir uma restauração satisfatória daquele ambiente. Desta maneira, o monitoramento e avaliação das alterações em características de solos construídos sobre aterros de RSU, bem como o seu potencial de uso, podem possibilitar a obtenção de parâmetros que permitam estimar o impacto ambiental desta atividade e assim propor eventuais ajustes. Num programa de recuperação de ambientes degradados, vários tipos de revegetação podem ser planejados, dependendo, basicamente, das potencialidades locais e dos objetivos a serem atingidos, como exemplo, o uso de espécies vegetais associadas a microrganismo. 2.1.3 Metais Pesados no Solo Os metais pesados podem ocorrer no solo sob diversas formas: na forma iônica ou complexada na solução do solo, como íons trocáveis no material orgânico ou inorgânico de troca ativa, como íons mais firmemente presos aos complexos de troca, como íons quelatos em complexos orgânicos ou organominerais, incorporados em sesquióxidos precipitados ou sais insolúveis, incorporados nos microrganismos e nos seus resíduos biológicos, ou presos nas estruturas cristalinas dos minerais primários ou secundários. Sua distribuição é influenciada pelas seguintes propriedades do solo: pH, potencial redox, textura, composição mineral (conteúdo e tipos de argilas e de óxidos de Fe, Al e Mn), características do perfil, Capacidade de Troca Catiônica (CTC), quantidade e tipo de componentes orgânicos no solo e na solução, presença de outros metais pesados, temperatura do solo, conteúdo de água e outros fatores que afetam a atividade microbiana. Estes fatores que afetam a distribuição dos metais pesados no sistema solo controlam sua solubilidade, mobilidade no meio e disponibilidade às plantas. 23 2.1.4 Poluição das águas Há locais onde são feitas a disposição incorreta de resíduos, que são lançados diretamente em corpos hídricos,ou que os lixiviados dessa massa de resíduos, disposta no solo, contaminam os cursos d’água. Os principais efeitos da presença dos RSU em corpos hídricos são: elevação da demanda bioquímica de oxigênio (DBO), redução dos níveis de oxigênio dissolvido, formação de correntes ácidas, maior carga de sedimentos, elevada presença de coliformes, aumento da turbidez, intoxicação de organismos presentes naquele ecossistema, incluindo o homem, quando este utiliza água contaminada para consumo. 2.1.5 Indicadores de qualidade de água A qualidade da água pode ser representada por meio de diversos indicadores que traduzem as suas principais características físicas, químicas e biológicas. Esses indicadores podem ser de utilização geral, tanto para caracterizar águas de abastecimento, águas residuárias, mananciais e corpos receptores. A seguir apresenta-se a descrição de alguns dos principais indicadores para interpretação dos resultados de análise de água: a) pH Representa a concentração de íons hidrogênio H, dando uma indicação sobre a condição de acidez, neutralidade ou alcalinidade da água. A faixa de variação do pH é de 0 a 14, sendo que valores menores que 7 indicam condições de acidez, igual a 7 condição neutra, e, maior que 7 condição de alcalinidade. b) Fósforo O fósforo é considerado um dos elementos essenciais para o crescimento de protistas, plantas e de algas e, quando em elevadas concentrações em lagos e represas, pode conduzir a um crescimento exagerado desses organismos (eutrofização). Sua presença como nutriente é muito importante para o crescimento e reprodução dos microrganismos que promovem a degradação da matéria orgânica. O fósforo se encontra nesses efluentes sob a forma de compostos orgânicos, principalmente proteínas e fazendo parte dos compostos minerais principalmente nos polifosfatos e ortofosfatos. c) Nitrogênio O nitrogênio pode estar presente nos resíduos orgânicos sob forma orgânica, amoniacal, nítrica ou nitrosa. Nitrificação é o processo de oxidação da amônia a nitrato, realizadas por bactérias aeróbias quimiossintetizantes que por meio de sua síntese celular liberam energia. A amônia ou nitrogênio amoniacal pode ser um constituinte natural de águas superficiais ou subterrâneas, proveniente da decomposição da matéria orgânica. 24 A presença de nitratos indica que a matéria orgânica foi totalmente oxidada. A ocorrência natural de nitratos nos mananciais subterrâneos é geralmente baixa e encontra-se relacionada à ocorrência de chuva ou à decomposição aeróbia de material orgânico na água. Os teores naturais encontrados nas águas subterrâneas do Estado de São Paulo não ultrapassam 2,5 mg/L. A partir desse teor, pode-se supor início de contaminação. A presença de nitritos indica uma possível contaminação nas proximidades do ponto de coleta. d) Sólidos presentes na água Todos os contaminantes da água, com exceção dos gases dissolvidos, contribuem para a carga de sólidos. Por esta razão os sólidos são analisados separadamente, antes de se apresentar os diversos parâmetros de qualidade de água. Os sólidos podem ser classificados de acordo com as suas características físicas, seu tamanho e estado (sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos), as suas características químicas (sólidos fixos e voláteis). 2.1.6 Influência de metais pesados A expressão metal pesado é comumente utilizada para designar metais classificados como poluentes, englobando um grupo muito heterogêneo de metais, semimetais e mesmo não metais, como o selênio. Na lista de metais pesados estão com maior frequência os seguintes elementos: cobre, ferro, manganês, molibdênio, zinco, cobalto, níquel, vanádio, alumínio, prata, cádmio, cromo, mercúrio e chumbo. Consistem nos metais que têm densidade maior que 5 g/cm podem, se presentes em elevadas concentrações, retardar ou inibir o processo biológico aeróbio ou anaeróbio e ser tóxico aos organismos vivos. Por serem o destino final de muitos produtos e subprodutos industrializados, os aterros de resíduos sólidos de origem urbana apresentam vários componentes ricos em metais tóxicos, constituindo-se em fonte potencial de risco ambiental. A capacidade de ocasionar dano é dependente de características implícitas aos resíduos (composição), assim como da forma de seu gerenciamento; sendo ambos os reflexos das diferenças ambientais, culturais, sociais educacionais e financeiras existentes no planeta. São muitas e diferentes as situações passíveis de serem encontradas, sendo de grande ocorrência a disposição destes resíduos de formas inadequadas, muitas vezes associadas à presença de produtos perigosos, que deveriam ser coletados e tratados separadamente. Metais pesados como chumbo, mercúrio, cádmio, arsênio, cromo, zinco e manganês, dentre outros, estão presentes em diversos tipos de resíduos, podendo ser encontrados em: lâmpadas, pilhas galvânicas, baterias, restos de tinta, restos de produtos de limpeza, óleos lubrificantes usados, solventes, embalagens de aerossóis, componentes eletrônicos, descartados isoladamente, resíduos de produtos farmacêuticos, medicamentos com prazos de validade vencidos, lataria de alimento, plásticos descartados, dentre outros. Nos resíduos sólidos urbanos, a fração matéria orgânica aparece como fonte principal dos metais pesados: níquel, mercúrio, cobre, chumbo e zinco; os plásticos aparecem com principal fonte de cádmio; o chumbo e o cobre se manifestam em quantidades importantes nos metais ferrosos; o papel é uma fonte de chumbo. Ainda estima-se que os teores totais, em mg/kg, dos íons de metais pesados nos resíduos sólidos urbanos brasileiros foi a seguinte: 0,2 de mercúrio, 3,0 de cádmio, 224,5 de chumbo, 316,0 de zinco, 156,0 de cobre, 12,0 de níquel e 68,0 de cromo. A concentração de metais pesados no ambiente com sua disseminação no solo, água e atmosfera tem sido motivo de crescente preocupação no mundo. Os metais pesados podem ser 25 percolados por meio do chorume, o qual se mistura com a água da chuva e outros líquidos, originalmente existentes no lixo, podendo infiltrar-se no solo e atingir o lençol freático, escoar para os corpos hídricos, contaminando não somente o solo, como as coleções hídricas – águas subterrâneas e superficiais. Os metais pesados os quais são incorporados no solo podem seguir diferentes vias de fixação, liberação ou transporte. Podendo ficar retidos no solo, seja dissolvidos em solução ou fixados por processos de adsorção, complexação e precipitação. Eles também podem ser absorvidos pelas plantas e assim serem incorporados às cadeias tróficas, ou, também podem passar para a atmosfera por volatilização ou mover-se para águas superficiais e subterrâneas. A elevação da concentração de metais como o Ni, Cr, Cu, Pb, Cd e Zn no solo pode interferir severamente na vegetação e nas atividades biológicas do solo, como a mineralização de materiais orgânicos, amonificação, fixação biológica de N2, nitrificação, dentre outros ou, indiretamente, pelos efeitos tóxicos desses metais sobre as plantas, causando decréscimo na quantidade de substratos liberados na região rizosférica. Os efeitos desses metais dependerão, entretanto, das características do solo, do tipo e concentração do metal, do número de metais contaminantes e suas interações nas áreas adjacentes. Os metais podem agir diretamente no ciclo dos elementos químicos na natureza e também podem influenciar de modo negativo os demais processos com interferência no ecossistema, com consequências no meio ambiente e na saúde pública. A importância dos metais pesados está relacionada com a funçãopotencialmente inibidora que podem transmitir para o processo de digestão anaeróbia. Outro aspecto relevante é que seu monitoramento, juntamente com outros parâmetros, contribui decisivamente para se verificar a influência que os líquidos percolados de um aterro sanitário podem estar exercendo sobre a qualidade das águas subterrâneas e do solo. As principais características de alguns metais, são: a) Cádmio (Cd): com densidade 8,6 g/cm é utilizado em indústrias de galvanoplastia, na fabricação de baterias, em tubos de televisão, lâmpadas fluorescentes, utilizado, também, como pigmento e estabilizador de plásticos polivinílicos. As águas não poluídas contêm menos do que 1mg/L de Cd, e no caso de contaminação das águas superficiais, esta se dá por descarga de resíduos industriais e lixiviação de aterro sanitário, ou de solos que recebem lodo de esgoto. b) Chumbo (Pb): com densidade de 11,34 g/cm; é utilizado na fabricação de baterias, sendo usado, também, na gasolina, em pigmentos, munição e soldas. O teor de Pb em rios e lagos encontra-se na faixa de 1 a 10mg/L, porém valores maiores têm sido registrados onde a contaminação tem ocorrido como resultado de atividades industriais. c) Cromo (Cr): com densidade de 7,19 g/cm; é utilizado na fabricação de ligas metálicas empregadas nas indústrias de transporte, construções e fabricação de maquinários, na fabricação de tijolos refratários; utilizado, também, na indústria têxtil, fotográfica e de vidros. Os níveis de Cr na água, geralmente, são baixos (9,7g/L), embora níveis maiores já tenham sido relatados como consequência do lançamento nos rios de resíduos contendo este metal. A forma hexavalente do Cr é reconhecida como carcinogênica, causando câncer no trato digestivo e nos pulmões, podendo causar, também, dermatites e úlceras na pele e nas narinas. A níveis de 10 mg/kg de peso corporal o Cr 6+ necrose no fígado, nefrite e morte, e a níveis inferiores podem ocorrer irritações na mucosa gastrintestinal. d) Níquel (Ni): com densidade de 8,90 g/cm; utilizado na produção de ligas, na indústria de galvanoplastia, na fabricação de baterias juntamente com o Cd (baterias Ni-Cd), em componentes eletrônicos, produtos de petróleo, pigmentos e como catalisadores para 26 hidrogenação de gorduras. Problemas significantes de contaminação de águas com Ni estão associados com a descarga de efluentes industriais contendo altos níveis desse metal. Normalmente os níveis de Ni nas águas superficiais variam entre 5 a 20mg/L. As concentrações tóxicas de Ni podem causar muitos efeitos, entre eles, o aumento da interação competitiva com cinco elementos essenciais (Ca, Co, Cu, Fe, e Zn) provocando efeitos mutagênicos pela ligação do Ni aos ácidos nucléicos, indução de câncer nasal, pulmonar e na laringe, indução ao aparecimento de tumores malignos nos rins e também apresentar efeitos teratogênicos. e) Zinco (Zn): com densidade de 7,14 g/cm galvanização de produtos de ferro; utilizado em baterias, fertilizantes, lâmpadas, televisores e aros de rodas; componentes de Zn são usados em pinturas, plásticos, borrachas, em alguns cosméticos e produtos farmacêuticos. Este material tende a ser menos tóxico que os outros metais pesados, porém, os sintomas de toxidade por Zn são vômitos, desidratação, dores de estômago, náuseas, desmaios e descoordenação dos músculos. O Zn mostra uma relação fortemente positiva sobre o Cd, a hipertensão induzida pelo Cd pode ser reduzida pelo Zn. Problemas ambientais envolvendo os recursos hídricos subterrâneos estão muito associados às emissões e/ou manuseio de metais pesados, substâncias como hidrocarbonetos e solventes orgânico-sintéticos (principalmente clorados), do que propriamente às excessivas cargas orgânicas degradáveis (elevada DQO), responsáveis, em geral, por maiores riscos às águas subterrâneas; f) Cobre: formam-se complexos com a matéria orgânica que podem ser móveis e pouco solúveis. A formação de hidróxidos de Fe e Mn pode também controlar a imobilização do Cu. O cobre é um nutriente indispensável às plantas e aos seres humanos quando em baixas concentrações, mas adquire propriedades tóxicas quando em concentrações elevadas. g) Ferro: a forma reduzida Fe +2 é solúvel e móvel; a forma oxidada Fe +3 forma precipitados relativamente insolúveis com carbonatos e sulfatos Entretanto, quando presente em altas concentrações no organismo, pode causar sérios problemas no esôfago e estômago, além de eventuais problemas nos pulmões e ser cáustico à pele. 2.2 PROBLEMAS OPERACIONAIS A Lei Federal nº 11.445/2007, que dispõe sobre as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico e considera no seu 3° artigo como saneamento básico, o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável, b) esgotamento sanitário: c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, e d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. No que se refere as infraestruturas e atividades operacionais básicas necessárias para o manejo adequado de resíduos sólidos destaca-se: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; Sabe-se atualmente que mais de 95% dos municípios Brasileiros não possuem infraestrutura operacional necessária para a realização adequada da gestão de Resíduos Sólidos, sendo a ausência total de estrutura o principal problema operacional. No entanto, vale a pena ressaltar que não existe a falta de política pública, existe a ineficiência de acesso ás politicas públicas disponíveis. Em 2010, o Governo Federal, via Ministério do Meio Ambiente, a Lei nº 12.305, referente à Política Nacional de Resíduos Sólidos que objetiva a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. Além de estabelecer 27 metas importantes, como a entrega de plano de ação para a gestão de resíduos sólidos até agosto de 2012 - meta não cumprida por mais de 90% dos municípios (MMA, 2012) - eliminação das áreas insalubres de disposição de resíduos sólidos e implantação de aterros sanitários até 2014, e manejo adequado de resíduos sólidos em totalidade nacional até 2020 (Lei nº 12.305, 2010). Essa lei foi criada com a iniciativa de distribuir os recursos financeiros dos fundo nacional entre os Estados e Municípios, exigindo que esses encaminhassem em um prazo de 24 meses um plano de atuação e gestão de resíduos sólidos a fim de garantir o acesso ao recurso. Todavia, cerca de 90% dos municípios não cumpriram com o prazo e tem como punição o não acesso aos recursos federais para a gestão de resíduos sólidos sem seus territórios. Além disso, a PNRS objetiva alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20% em 2015. Neste sentido, estabelece um modelo tecnológico para a redução da disposição final de resíduos que destaca as seguintes ações: incentivo a programas de coleta seletiva; incentivo a criação de associações de catadores; fortalecimento das cadeias produtivas e investimentos em infraestrutura através da construção de galpões de triagem, centros de reciclagem, aterros sanitário, pontos de entregas voluntárias e centros de compostagem (COSTA, 2010). 2.3 PROBLEMAS SANITÁRIOS No tocante à questão sanitária, os lixões e áreas insalubres de deposição de resíduos sólidos, são ambientes propícios para a proliferação de macroe micro vetores, como ratos, baratas, mosquitos, bactérias, vírus e outros que são responsáveis pela transmissão de várias doenças como leptospirose, dengue, diarréia, febre tifóide entre outras. Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa realizada no ano de 2000, pela Prefeitura Municipal de Campina Grande, foi constatado que 95% dos catadores sofrem com problemas de verminose, 48% com doenças pulmonares, 22% com desidratação, 21% com desnutrição e 10% com cólera. No Brasil, o lixo doméstico em sua maioria é acondicionado em sacolas plásticas procedente das compras. Essas sacolas podem não atender a resistência ideal para esse acondicionamento. Posteriormente o armazenamento temporário do lixo, passa a ser depositado em lixeiras individuais das residências, ou coletivas. Os excessos dos resíduos nessas lixeiras podem causar desagregação e rompimento das sacolas, podendo se espalhar para o ambiente. Já o armazenamento sob as calçadas, facilitam o aparecimento de pequenos e grandes vetores tais como: cães, gatos, ratos, moscas, etc. Agregando aos resíduos dos domicílios uma série temeridade ao meio, resultante destas formas de apresentação para a coleta pública, o que potencializa os riscos no ambiente urbano, nos aspectos químicos, físicos e biológicos. O apodrecimento do lixo gera um liquido escuro também conhecido como chorume. O chorume pode influir diretamente no solo ou ser carreado para os cursos d’água. O impacto produzido pelo chorume sobre o meio ambiente está diretamente relacionado com sua fase de decomposição. Assim, o correto manejo do lixo e seu acondicionamento em contendedores apropriados para a quantidade e peso ideal, bem como a presença de lixeiras com características adequadas para o armazenamento temporário, protegida das ações do próprio ser humano e dos animais, são de suma importância para a coleta dos resíduos domésticos. A quantidade de alimentos existente no lixo atrai numerosas diversidades de insetos e animais que estão à procura de comida, podem-se dividir em micro e macro vetores. Dentre os micro vetores destacam os insetos e os roedores. Os macro vetores são cães, gatos, aves, e o homem. 28 Com relação aos vetores mecânicos e biológicos os resíduos sólidos constituem uma fonte de alimento, água e abrigo para inúmeros vetores veiculadores de agentes etiológicos de reservatórios aos hospedeiros suscetíveis. PROSAB (2006). A Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) estipula o tempo de sobrevivência dos microrganismos nos resíduos sólidos conforme Quadro 1: As doenças relacionadas ao lixo e que são transmitidas por vários macro vetores segundo a FUNASA são: O envio do lixo para tratamento e disposição final ocorre em duas diferentes etapas sendo a primeira de responsabilidade do gerador, que compreende coleta interna, acondicionamento e armazenamento, ainda segundo o mesmo autor sendo a primeira etapa de responsabilidade do usuário cabe administração municipal exercer as funções de regulamentação, educação e fiscalização visando a segurar as condições sanitárias e operacionais adequadas. O problema de limpeza urbana começa nas residências onde é possível definir a forma correta do acondicionamento mais impossível realizar a sua padronização uma vez que a atribuição é total do usuário. Assim a educação é a única forma de conscientizar a população dos riscos e consequentemente tenta tentar diminuir os resíduos e acondicioná-los com menos risco. 29 O acondicionamento dos resíduos, nas fontes geradoras, deve ser previsto por meio de normas específicas. O ideal é que ele seja padronizado, funcional e higiênico; tenha tampas e alças laterais; tenha capacidade de carga em torno de 20 kg, e formato que facilite seu esvaziamento. O acondicionamento do lixo é um dos sérios problemas de limpeza pública que começa dentro das residências, sendo tarefa da limpeza urbana promover a educação da população no sentido de acondicionar adequadamente seu lixo e atender os seguintes requisitos: Ter condições sanitárias preconizadas; Ser estético, não provocar repulsão ou rejeição e ser bonito; Ter a capacidade de atendimento, em termos de volume, entre duas coletas; Permitir uma coleta rápida, contribuindo para o aumento da produtividade do trabalho; Garantir uma manipulação segura por parte da guarnição. Os tipos de recipientes devem ser dimensionados a partir de tais fatores: As características do lixo; A frequência da coleta; O tipo de edificação por área; O custo recipiente; Considerar se é recipiente com retorno ou sem retorno. Existem três diferentes tipos de recipientes que podem ser fixos, com retorno devolvidos pelo coletor após os esvaziamento e os sem retornos, que são colocados no caminhão juntamente com os resíduos contidos no mesmo, onde devem conter espessura adequada para o não rompimento durante o transporte. Os sacos plásticos são ideais para o acondicionamento do ponto de vista sanitário e de agilizar o processo de coleta, mas os sacos plásticos podem apresentar aspectos desfavoráveis como: fragilidade em relação a materiais cortantes ou perfurantes; preço elevado dos sacos considerados ideais. 2.4 A SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS E SEUS DESAFIOS A geração de resíduos vem tomando proporções crescentes e vem sendo reconhecida como um dos grandes problemas da humanidade. De fato, os padrões de consumo e de produção vêm, a cada dia, aumentando a gravidade de resíduos de toda a espécie. O agravante é que grande parte desses resíduos é constituído por matéria-prima que poderia estar sendo reinserida no processo produtivo, como é o caso dos materiais recicláveis, e também por matéria orgânica, basicamente alimentos, que devido ás más condições de armazenamento e ao desperdício, tanto no preparo quanto no consumo, acaba por virar lixo ao invés de transformar-se em compostos orgânicos. A cada dia, um novo produto é lançado no mercado e o marketing encarrega-se de torná-lo atraente e necessário. Assim, consome-se o que não precisa e produz-se muito lixo. As previsões apontam que a população mundial vai dobrar nos próximos 50 anos e a quantidade de lixo vai quintuplicar, se forem mantidos os padrões atuais de consumo. No Brasil, os resultados dos censos do IBGE de 1989 e 2000 mostram que, enquanto a população aumentou 16%, a quantidade de lixo coletado no mesmo período aumentou em 56%. Dessa forma é praticamente impossível conseguir dar uma destinação adequada para os resíduos que são produzidos diariamente, tendo em vista que cada vez mais faltam espaços adequados para este fim, pois com o processo de urbanização, e com a consequente saída da população rural para a zona urbana, acaba havendo uma expansão das cidades e esta, por conseguinte, acaba não tendo um local onde possa fazer a destinação de seus resíduos de tal 30 maneira que não comprometa a saúde pública nem o meio ambiente, ou pelo menos, que os impactos causados pela má disposição desses resíduos sólidos sejam minimizados, proporcionando uma boa qualidade de vida para a população local. Dessa forma, fica claro que, a produção de lixo é inevitável e inexorável. Todos os processos geram resíduos, desde o mais elementar processo de metabolismo de uma célula até o mais complexo processo de produção industrial. Por outro lado, a lata de lixo, não é um desintegrador de matéria. A humanidade vive em ciclos de desenvolvimento e neste momento estamos vivendo um ápice do desperdício e irresponsabilidade na extração dos recursos naturais esgotáveis. Praticamente não se pode apontar uma atividade humana que não gerem resíduos ou que não interfirade uma ou de outra forma com as condições do meio. Tal constatação, é de maior importância para o estudo das medidas adequadas a manter o fenômeno sob controle. Neste sentido, é preciso diagnosticar os efeitos do processo de acumulação e as condições atuais de reprodução e expansão do capital, os impactos ambientais das práticas atuais de produção e consumo e os processos históricos nos quais se articulam a produção para o mercado com a produção para o autoconsumo e das economias locais e as formações sociais dos países “em desenvolvimento” para a valorização e exploração de seus recursos. Cada sociedade possui um padrão de consumo relacionado a seus hábitos e costumes, que geram mais ou menos resíduos. No dia-a-dia entra-se em contato com os compostos presentes em vários materiais que não são nocivos. Entretanto, ao serem acumulados restos desses materiais em lixões, sem o devido cuidado, o potencial de seu efeito nocivo ao ambiente aumenta. Assim, materiais praticamente inofensivos podem tornar-se extremamente perigosos ao ambiente de imediato ou no futuro, seja por sua toxidade, seja por sua persistência. Os resíduos, por sua vez, provocam impactos tanto de ordem social, (acúmulo em vias públicas, a má destinação destes resíduos, surgimento de uma população “catadora”, etc.) quanto de ordem ambiental (poluição visual, proliferação de macro e micro vetores, poluição do solo, do ar, dos lençóis freáticos, etc.). No Brasil e em muitos dos países chamados de Terceiro Mundo, o lixo domiciliar urbano é composto na sua maioria por materiais orgânicos biodegradáveis ou compostáveis – cerca de 65 a 70% do total. Outra parte importante desses resíduos constitui-se de materiais recicláveis – papel, metal, vidro e plástico – que compõem aproximadamente 25 a 30% do peso total do lixo, mas que representam uma parcela muito maior em volume, ocupando grandes espaços nos aterros. Assim apenas cerca de 5% da massa total de resíduos urbanos caracterizam-se como rejeito – em geral materiais perigosos ou contaminados. Quando se fala sobre a problemática dos resíduos sólidos no mundo, os números são assustadores. Entre lixo domiciliar e comercial são produzidas, por dia, 2 milhões de toneladas, o que equivale a 700 g/ habitante de áreas urbanas. Só em Nova York, porém, são gerados 3 kg de lixo/dia por pessoa, enquanto em São Paulo esse número chega a 1,5 kg/dia por pessoa. O Brasil produz de 273 mil toneladas/dia de lixo, resultando em 45 milhões de toneladas por ano. Assim, o grau de urbanização do planeta como um todo tem, também, crescido sem cessar: estimativas apontam o percentual da população mundial vivendo em núcleos com mais de 5.000 habitantes (o que muito simplificada e generalizadamente, pode-se tomar como a parcela da população do globo vivendo em espaços urbanos) como sendo de apenas cerca de 3% em 1800, um pouco mais de 6% em 1850, entre 13% e 14% em 1900, um pouco mais de 28% em 1950 e um pouco mais de 38% em 1970. Hoje em dia, a maior parte da população do globo vive em espaços urbanos e a proporção aumenta incessantemente. É fato notório que a destinação dos resíduos gerados torna-se mais complexa à medida que aumentam a população e o nível de industrialização e se intensifica o consumo de produtos que utilizam grandes diversidades de materiais em sua composição. Impedir a 31 geração de resíduos mediante proibição de produzir ou de consumir é, no entanto, uma alternativa quase falsa, que conduz a outros tipos de problemas: pobreza, desemprego e deslocamento de produção para outras regiões. Deve-se enfrentar a questão, portanto, de forma criativa, buscando soluções que minimizem os impactos causados pelos resíduos, eliminando-os se possível na origem, ou dando-lhes um destino útil, reciclando-os em novas matérias-primas. 3 CARATERIZAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 3.1 CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DO BRASIL O Brasil ainda possui 2.906 lixões distribuídos por 2.810 municípios que precisam ser erradicados até 2014, segundo a lei 12.305 publicada em 2010. São 273 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos produzidos diariamente em todo o Brasil, onde cerca de 90.000 toneladas por dia é de resíduos sólidos domésticos (algo em torno de 32 milhões de toneladas por ano) dispostos a sua maioria a céu aberto. 3.1.1. Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) A geração de RSU no Brasil registrou crescimento de 1,8%, de 2010 para 2011, índice percentual que é superior à taxa de crescimento populacional urbano do país, que foi de 0,9% no mesmo período, conforme demonstram os dados apresentados na Figura 01. O aumento observado, segue tendência constatada nos anos anteriores, porém em ritmo menor. A comparação entre a quantidade total gerada e a quantidade total coletada, constante da figura 04 mostra que 6,4 milhões de toneladas de RSU deixaram de ser coletadas no ano de 2011 e, por consequência, tiveram destino impróprio. Figura 04: Geração de RSU. Se continuarmos gerando resíduos na mesma proporção, até o final de 2013 teremos gerado aproximadamente 99 milhões de toneladas de resíduos sólidos (Figura 05). Figura 05: Geração de resíduos sólidos urbanos no Brasil, nos anos de 2008 a 2013. (estimativa). Fonte: Adaptado de ABRELPE (2009), Câmara de Deputados (2013). 32 Fonte: Compilamento Ferreira (2013). Da mesma forma que na geração, a Figura 06 mostra que houve um aumento de 2,5% na quantidade de RSU coletados em 2011. Na comparação entre o índice de crescimento da geração com o índice de crescimento da coleta, percebe-se que este último foi ligeiramente maior do que o primeiro, o que demonstra uma ampliação na cobertura dos serviços de coleta de RSU no país, rumo à universalização dos mesmos. Figura 06: Coleta de RSU no Brasil. Segundo a ABRELPE (2012) em análises ainda não publicadas sobre o ano de 2012, do total gerado, mais de 55 milhões de toneladas foram coletadas, o que representa um aumento de 1,9%, se comparado ao ano anterior, com uma cobertura de serviços superior a 90% no País. Em 10 anos de pesquisa desta instituição, percebeu-se que o índice de coleta tem crescido paulatinamente, indicando que a universalização desses serviços é um caminho possível. A quantidade de resíduos que deixaram de ser coletadas chegou a 6,2 milhões de toneladas, número 3% inferior ao relatado na edição anterior. A situação da destinação final manteve-se praticamente inalterada em relação a 2011, já que 58% dos resíduos coletados, quase 32 milhões de toneladas, seguiram para destinação adequada em aterros sanitários. Nessa mesma linha, a questão da coleta seletiva praticamente não mudou de um ano para outro. Em 2012, cerca de 60% dos municípios brasileiros declararam ter algum tipo de 33 iniciativa nesse sentido – que muitas vezes resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária ou convênios com cooperativas de catadores. “São muito tímidos os estímulos de parte das autoridades em favor da coleta seletiva e da reciclagem. Tanto é que, apesar do esforço da população, pouco se avançou na última década. Isso mostra que o modelo utilizado precisa ser repensado e reestruturado se quisermos ampliar os índices verificados atualmente. Também preocupa a geração de Resíduos de Construção e Demolição (RCD), que vem crescendo significativamente ano a ano e, de 2011 para 2012, aumentou em 5,3%, chegando a 35 milhões de toneladas. Esse volume tende a ser ainda maior, considerando que os municípios, via de regra, coletam apenas os resíduos lançados nos logradouros públicos. Em todo País a região Sudeste apresenta-se como a maior geradora de resíduos sólidoscom 52,7%, seguido da região Nordeste (22%), Região Sul (10,8%), Região Centro-Oeste (8,1%) e Norte (6,4%), figura 07. Figura 07: Participação das Regiões do País no Total de RSU Coletado. A ABRELPE (2012), apresenta na figura 08 composição gravimétrica média dos RSU coletados no Brasil e juntamente com a tabela 01 permite visualizar de um modo geral a participação de diferentes materiais na fração total dos RSU. Referida composição, porém, é bastante diversificada nas diferentes regiões, uma vez que está diretamente relacionada com características, hábitos e costumes de consumo e descarte da população local. Figura 08: Composição Gravimétrica dos RSU no Brasil. 34 Tabela 01: Participação dos Materiais no Total de RSU Coletado no Brasil. Conforme pode ser observado na figura 09, em termos percentuais houve uma singela evolução na destinação final ambientalmente adequada de RSU, em comparação ao ano de 2010. No entanto, em termos quantitativos, a destinação inadequada cresceu 1,4%, o que representa 23,3 milhões de toneladas de RSU dispostos em lixões e aterros controlados. Figura 09: Destinação final dos RSU Coletados no Brasil. 3.1.2 Coleta de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) 35 A figura 10 mostra que os municípios coletaram mais de 33 milhões de toneladas de RCD em 2011, um aumento de 7,2% em relação a 2010. As quantidades apresentadas são expressivas, o que ratifica a situação já evidenciada em anos anteriores, mandando atenção especial dos municípios na gestão desses resíduos, visto que as quantidades reais são ainda maiores já que a responsabilidade para com os RCD é dos respectivos geradores, que nem sempre informam às autoridades os volumes de resíduos sob sua gestão. Figura 10: Total de RCD coletados por região e Brasil. 3.1.3 Resíduos de Serviços de Saúde – RSS 3.1.4 Coleta de RSS Executada pelos Municípios Brasileiros Em virtude das resoluções federais atribuírem aos geradores a responsabilidade pelo tratamento e destinação final dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), grande parte dos municípios, que possuem unidades de saúde, coletam e dão destinação final apenas para os resíduos deste tipo gerados por tais estabelecimentos. É sob esta ótica que devem ser interpretados os dados apresentados na figura 11, a qual mostra um ligeiro crescimento nas quantidades de RSS coletados pelos municípios em 2011. Figura 11: Quantidade de RSS Coletadas pelos Municípios Distribuídos por Região e Brasil. 36 3.1.5 Destinação Final dos RSS Coletados pelos Municípios De acordo com o destacado no item anterior, a coleta de RSS executada pela maioria dos municípios é parcial, o que contribui significativamente para o desconhecimento sobre a quantidade total gerada e o destino real dos RSS no Brasil. A figura 12 apresenta um quadro sobre como os municípios destinaram os resíduos coletados em 2011. Figura 12: Destino Final dos RSS Coletados pelos Municípios. 3.1.6 Coleta Seletiva e Reciclagem Em 2011, dos 5.565 municípios, 3.263 (58,6%) indicaram a existência de iniciativas de coleta seletiva, conforme mostra a figura 13, que também apresenta as quantidades destas iniciativas nas diversas regiões do país. Embora a quantidade de municípios com atividades de coleta seletiva seja expressiva, é importante considerar que muitas vezes tais atividades resumem-se na disponibilização de pontos de entrega voluntária à população ou na simples formalização de convênios com cooperativas de catadores para a execução dos serviços. Figura 13: Quantidades / Percentuais de Municípios por Região e Brasil em que Existem Iniciativas de Coleta Seletiva. 37 Quatros setores industriais - alumínio, papel, plástico e vidro – possuem considerável participação nas atividades de reciclagem no país. A figura 14 apresenta os índices de reciclagem desses materiais no período de três anos e a partir da mesma observa-se que tais índices têm apresentado pouca ou nenhuma evolução. No tocante aos plásticos optou-se por considerar o índice relativamente ao PET, que além de ser representativo apresenta dados consolidados anualmente. Figura 14: Reciclagem de papel, vidro, alumínio e PET de 2007 a 2009. 3.2 CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA REGIÃO NORTE De acordo com a ABRELPE (2011) os 449 municípios dos sete Estados da região norte geraram em 2011, 13.658 toneladas/dia de RSU das quais 83,17% foram coletadas. Seguindo tendência constatada em 2010, o índice de coleta per capita cresceu 5,4% em 2011 comparativamente ao ano anterior, sendo que a quantidade de resíduos coletados cresceu 6,9%, indicando um aumento real na abrangência destes serviços. No tocante à geração de RSU, os dados indicam um crescimento de 4,2% no índice per capita de geração desta região, que registrou a marca de 1,154 kg/habitante/dia. A comparação entre os dados relativos à destinação de RSU em 2011 e 2010 resulta na constatação de um aumento de cerca de 7,6% na destinação final ambientalmente adequada em aterros sanitários. No entanto, 65% dos resíduos coletados na região, correspondentes a 7.384 toneladas diárias, ainda são destinados para lixões e aterros controlados que, do ponto de vista ambiental, pouco se diferenciam dos próprios lixões, pois não possuem o conjunto de sistemas necessários para proteção do meio ambiente e da saúde pública. Os municípios da região norte aplicaram, em média, R$ 4,02 por habitante/mês para realização dos serviços de coleta de RSU e R$ 6,21 por habitante/mês na prestação dos demais serviços de limpeza urbana, que incluem despesas com a destinação final dos RSU e com serviços de varrição, capina, limpeza e manutenção de parques e jardins, limpeza de córregos, etc. Esses valores somados resultam em uma média mensal de R$ 10,23 por habitante para a realização de todos os serviços relacionados com a limpeza urbana das 38 cidades. A comparação entre os valores de 2011 e 2010 demonstram um incremento de cerca de 5% no volume de recursos aplicados no setor. A quantidade de empregos diretos gerados pelo setor de limpeza urbana nos municípios da região norte em 2011 revela um aumento de 6,2% no número de postos de trabalho existentes no ano anterior. O mercado de serviços de limpeza urbana desta região movimentou a expressiva quantia de R$ 1,4 bilhões, registrando um crescimento de 9,6%. Tabela 02: Quantidade de RSU Coletada no Estado do Pará. Figura 15: Destinação Final de RSU no Estado do Pará (t/dia). 3.2.1 Resíduos Sólidos de Saúde na Região Norte O resultado da pesquisa realizada pela ABRELPE permite projetar que dos 449 municípios que compõem a Região Norte, 325 prestaram em 2011, total ou parcialmente, serviços atinentes ao manejo dos RSS. 39 Tabela 03: Coleta de RSS na Região Norte. Figura 16: Municípios da Região Norte por Tipo de Destinação dada aos RSS (%). Tabela 03: Capacidade Instalada de Tratamento de RSS na Região Norte. Além dos resíduos documentados e analisados pela ABRELPE, o estado do Pará possui ainda resíduos de mineração, atividades agroindústrias, esses resíduos são de responsabilidade do gerador de acordo com a legislação 12.305/201. Devem ser classificados a partir da legislação 10.004/2004 e posteriormente receberem o trabamneto adequado (Consultar SILVA et. al, 2011). 40 3.3 METODOLOGIA USADA NA CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS Durante o planejamento e projeto das análises deve-se realizar o levantamento das informações necessáriaspara um diagnóstico de resíduos do local que se pretende estudar, formando uma base para subsequente planejamento das análises e posterior avaliação efetiva dos resultados. Como informações básicas, o manual da European Commission (2004) sobre “Metodologia para a análise de resíduos sólidos” sugere que se realize uma descrição geral da área sob investigação. Recomenda ainda que se realize um levantamento de informações gerais sobre a população e sobre a Gestão de Resíduos da região em estudo para avaliar se uma amostra representativa pode ser gerada. Na etapa de triagem manual e classificação dos componentes, recomenda-se que cada amostra seja classificada dentro de 2 dias a partir da data de amostragem, ou, de preferência no mesmo dia, para evitar alterações físicas e químicas das amostras (RVF, 2005, apud DAHLEN; LAGERKVIST, 2008). Para isso deve-se contar com uma equipe de triagem em média de 3-4 pessoas, para uma quantidade de 500-1000 kg de resíduos em 1-2 dias. Essa estimativa varia com base no número de categorias de classificação, o tamanho da amostra, equipamentos de triagem disponíveis, as habilidades e experiências das pessoas na equipe, etc., sendo que em média leva-se 6 horas/homem para classificar 100 kg resíduos manualmente (European Commission, 2004; RVF, 2005, apud DAHLEN; LAGERKVIST, 2008). 3.3.1 Caracterização quantitativa Depende do forma de análise a ser realizada, a quantificação por acontecer de forma física (medição) ou por mensuração. A medição geralmente acontece por forma de amostragens, onde uma amostra de resíduo é coletada e medida, a partir de então, estabelece- se valores fixos que possibilitam a mensuração. A exemplo cita-se a capacidade de suporte de um contêiner em toneladas de resíduos sólidos, sabe-se que sua capacidade de toneladas por contêiner. Assim, se em um determinado municípios são coletados uma determinada quantidade de contêiner por dia, obtêm-se valores aproximados multiplicando a quantidade de containers coletados com a capacidade de suporte de um contêiner. Deve-se considerar as variações sazonais locais da geração de resíduos e estas devem ser abrangidas pelas amostras cobrindo pelo menos uma semana completa. Medidas como essas podem variar de acordo com a natureza o resíduo coletado, quanto a sua densidade, natureza química e física. Bem como, as medições precisam ser refeitas caso a infraestrutura de coleta mude, como de contêiner para caminhão apropriado e que promova a compactação, por exemplo. Nesse último caso, os valores de capacidade de suporte por veículo já é pré-estabelecida, sofrendo leves alterações de acordo com a natureza do resíduo. O risco mínimo de erros de amostragem é obtido se o total de resíduos gerado durante uma semana, a partir de um certo número de domicílios selecionados, for recolhido e analisado em sua totalidade, sendo esta uma recomendação da SWA-toll da European Commission (2004). Dessa forma, a divisão da amostra problemática é evitada e a quantidade de resíduos classificados está estritamente relacionada com um número definido de domicilios (European Commission, 2004). Recomendação semelhante é dada por Consoni, Peres e Castro (2000) que sugerem para quantidades de resíduos gerados inferiores a 1.500 kg seja a amostra considerada o total da coleta de resíduos. 41 Em suma, não há nenhuma recomendação absoluta sobre a forma de decidir o tamanho apropriado e o número de amostras. Como regra geral, um número mínimo de amostras é 10 se o tamanho da amostra é de 100 kg ou maior (DAHLEN; LAGERKVIST, 2008). A partir de uma mensuração de coleta diária de resíduo de um determinado lugar (rua, bairro, empresa, município, região, estado e País) é possível mensurar a geração per capta (por pessoa) residente/ocupante da área a ser estudada. Assim como é possível mensurar quantitativamente a geração dos resíduos em um determinado período de tempo, no decorrer do tempo, relacionar com a renda per capta das pessoas, realizando inúmeras combinações de análises, variando de acordo com o objetivo da mensuração. Ver referências complementares. Para amostragem e divisão da amostra Tchobanoglous et al. (1993) afirmou que procedimentos estatísticos rigorosos são difíceis, se não impossíveis de implementar, referindo-se a estudos de composições de resíduos. Na prática, os resultados extraordinários em uma amostra de lixo doméstico não podem ser analisados com confiança dentro da estatística. 3.3.2 Caracterização qualitativa A análise qualitativa assim como a quantitativa, depende do objetivo da caracterização. Afim de laudos técnicos para intuições governamentais sugere-se a caracterização estabelecida pela ABNT Norma técnica n° 10.004/2004. Para análises científicas e acadêmicas, as metodologias de caracterização podem ser mais subjetivas, variando desde uma classificação indicada pelos próprios autores do estudo, à adoção de classificações indicadas na bibliografia. Bassani (2011) apresenta as categorias de triagem primária em revisão de métodos de estudos de caracterização de resíduos sólidos no quadro 01. 42 Quadro 01: Categorias de triagem primária em revisão de métodos de estudos de caracterização de resíduos sólido nos padrões internacionais Fonte: Adaptado de Dahlen e Lagerkvist (2008) por BASSANI (2011). No Brasil, as triagens realizadas em estudos de caracterização mostraram um padrão primário com categorias que variam de 5 a 12 componentes. 43 Quadro 02: Categorias de triagem primária em revisão de métodos de estudos de caracterização de resíduos sólido nos padrões Brasileiros. Fonte: BASSANI, 2011. As triagens secundárias, pertinentes em alguns casos, devem ser escolhidas de maneira que possam ser adequadamente mescladas dentro das categorias primárias escolhidas. É importante usar uma categoria “diversos”, que é composta de todo material que não se adéqua a nenhuma outra categoria, visando evitar a arbitrariedade no tratamento dos dados (DAHLEN; LAGERKVIST, 2008). 3.3.3. Análise e tratamento de dados Durante a avaliação e o tratamento dos dados Dahlen e Lagerkvist (2008) concluíram que se deve usar sempre os mesmos componentes principais de resíduos para triagem e classificação, visando facilitar as comparações dentre os diversos estudos realizados, tanto ao longo do tempo quanto entre as regiões e países. O que não se tem ainda é o padrão ideal para a segregação dos resíduos. São usados diversas quantidades de categorias que variam de 2 a 47 (Quadro 1). Recomenda-se ainda que seja utilizado um número limitado de categorias primárias (não mais de 10), sendo as características dos materiais rigorosamente definidas buscando reduzir o risco de mal-entendidos e aumentar a possibilidade de comparações. 4 GERAÇÃO E COLETA DE RESÍDUOS Como já foi bastante enfatizado, os serviços de saneamento constituem a representação básica de uma moradia digna. Domicílios com condições simultâneas de abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário também por rede geral e lixo coletado diretamente, apresentam uma aproximação bastante razoável desta realidade. Somente 62,6% dos domicílios urbanos brasileiros encontravam-se nessa condição específica, indicando o quanto se tem que caminhar para alcançar níveis mais altos de melhor qualidade de vida para a população brasileira. Ao se considerar as classes de rendimento, constata-se que esse quadro se apresenta de modo que quanto maiora faixa de rendimento, maior a proporção de domicílios com serviços de saneamento. Para a classe de rendimento médio de até ½ salário mínimo per capita, 41,3% dos domicílios possuíam os serviços simultâneos aqui considerados. Essa proporção cresce sistematicamente para cada classe até chegar em 77,5% para a de mais de 2 salários mínimos de rendimento domiciliar per capita. Nota-se, entretanto, 44 que mesmo para as faixas de maior poder aquisitivo há ainda muito que se investir nos serviços públicos de saneamento (IBGE, 2011). 4.1 FORMAS DE ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS SEGUNDO A SUA CLASSE Acondicionar os resíduos sólidos significa prepará-los para a coleta de forma sanitariamente adequada, como ainda compatível com o tipo e a quantidade de resíduos. Acondicionar resíduos sólidos faz parte da responsabilidade compartilhada na gestão de RS, sendo o acondicionamento, responsabilidade do gerador (fase interna), enquanto a fase externa é responsabilidade do poder público municipal, abrangendo responsabilidades do serviços de limpeza e gestão. Sendo os geradores de resíduos sólidos urbanos responsáveis pelo acondicionamento adequado até o momento da coleta, que é de responsabilidade pública. Embora o a condicionamento seja de responsabilidade do gerador, a administração municipal deve exercer funções de regulamentação, educação e fiscalização, inclusive nos casos dos estabelecimentos de saúde, visando assegurar as condições sanitárias e operacionais adequadas. Acondicionar corretamente os RS proporciona qualidade na operação de coleta e transporte, além de evitar acidentes, evitar a proliferação de vetores, minimizar o impacto visual e olfativo, reduzir a heterogeneidade dos resíduos (no caso de haver coleta seletiva), facilitar a realização da etapa da coleta. Para que haja a gestão adequada, acondicionar os resíduos antes da coleta se torna importante. Nesse sentido alguns cuidados devem ser levados em consideração no momento de construir recipientes de acondicionamento, considerando condições sanitárias de segurança, não podendo ser feio, repulsivo ou desagradável, deve ter capacidade para conter o lixo gerado durante o intervalo entre uma coleta e outra, deve permitir uma coleta rápida, aumentando com isso a produtividade do serviço, além de possibilitar uma manipulação segura por parte da equipe de coleta. Nesse sentido, recipientes de acondicionamento devem ser de ferro ou plástico resistente, deve ter capacidade compatível com a coleta, ter alças e tamanho adequado, possuir tampa para evitar a proliferação de vetores de doenças, e não ter bordas e arestas cortantes. De modo geral há dois tipos de recipientes de lixo. Aqueles sem retorno (sacos plásticos, embalagens de papelão, etc) e aqueles com retorno (tipo Contêineres em plástico rígido e metal). Dê preferência deve-se utilizar sacos plásticos, seguidos dos recipientes feitos de pneus, lata, madeira, recipientes de borrachas tipo “pneus de caminhão” e papelão, ou seja, materiais de reaproveitamento evitando descante imediato. Quando não adotados as recomendações para a construção de recipientes de acondicionamento, além de não atender as condições sanitárias, dificulta o serviço de coleta tornando-o mais lento, pela necessidade de juntar o lixo derramado quando o recipiente rasga ou se desfaz, aumenta o custo de coleta, onde o aumento do tempo de coleta implica maior gasto de combustível e desgaste dos equipamentos, além de causar acidentes na equipe de coleta, com o vazamento de substâncias ou material cortante ou perfurante, por exemplo. Os sacos de lixo a serem utilizados no acondicionamento de resíduos sólidos são classificados são classificados e especificados pelas normas IPT-NEA59 (IPT,1999) e NBR9191 (ABNT,1999). Essas normas estabelecem duas classificações: a) Quanto a densidade relativa específica aparente do lixo, onde considera lixo normal aquele com densidade entre 0,2 e 0,3 e lixo pesado, aqueles resíduos com densidade superior a 0,3. b) Quanto ao tipo de lixo, podendo ser ele comum ou de serviços de saúde. Algumas prefeituras estabelecem em 50 Kg a massa máxima que o trabalhador pode carregar, já a Organização Internacional do Trabalho (OIT), limitada 40 kg, sendo esse último 45 em casos excepcionais. No entanto, em termos reais, o trabalho do coletor Normalmente limitado a 20 kg. Existem várias maneiras de acondicionar os resíduos sólidos, conforme ao tipo de resíduo. Os resíduos domiciliares/comerciais devem ser acondicionados em recipientes rígidos, herméticos, em sacos plásticos descartáveis e/ou contêiner coletor ou intercambiável. Os resíduos de varrição devem ser acondicionados em sacos plásticos descartáveis apropriados, contêiner coletor ou intercambiável, recipientes basculantes – cestos e/ou contêineres estacionários. Em feiras livres, devem ser acondicionados em recipientes basculantes – cestos, contêineres estacionários, tambores de 100/200L e/ou cestos coletores de calçadas. Já os entulhos e podas devem ser acondicionados em contêineres estacionários. Os resíduos dos serviços de saúde são considerados como resíduos sólidos perigosos e necessitam de tratamento, bem como acondicionamentos próprios. Os sacos de acondicionamento devem ser constituídos de material resistente a ruptura e vazamento, impermeável, respeitados os limites de peso de cada saco, sendo proibido o seu esvaziamento ou reaproveitamento. Os recipientes de acondicionamento existentes nas salas de cirurgia e nas salas de parto não necessitam de tampa para vedação, devendo os resíduos serem recolhidos imediatamente após o término dos procedimentos. Os resíduos de saúde perfurocortantes - grupo E, devem ser acondicionados separadamente, no local de sua geração, imediatamente após o uso, em recipiente rígido, estanque, resistente a punctura, ruptura e vazamento, impermeável, com tampa, contendo a simbologia. Acondicionamento de resíduos hospitalares e resíduos perigosos devem seguir as normas pré-estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, Armazenamento de Resíduos Sólidos Perigosos segundo a NBR 12235/1992 e Armazenamento de Resíduos Sólidos de Saúde segundo a NBR 12810/1993. Embora seja possível definir o tipo de acondicionamento tecnicamente mais adequado para cada situação, sua padronização e muito difícil porque tal atribuição é do usuário. Os esforços da Municipalidade deverão ser concentrados no sentido de conscientizar a população para que procure acondicionar, da melhor maneira possível o lixo gerado em cada domicílio. 5 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES 5.1 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES Coletar os resíduos sólidos significa recolher o “lixo” acondicionado por quem o produz para encaminhá-lo, mediante transporte adequado, a uma possível estação de transferência, a um eventual tratamento e à disposição final. A coleta e o transporte do RS domiciliar produzido em imóveis residenciais, em estabelecimentos públicos e no pequeno comércio são, em geral, efetuados pelo órgão municipal encarregado da limpeza urbana. Para esses serviços, podem ser usados recursos próprios da prefeitura, de empresas sob contrato de terceirização ou sistemas mistos, como o aluguel de viaturas e a utilização de mão-de-obra da prefeitura. O RS dos "grandes geradores" (estabelecimentos que produzem mais que 120 litros por dia) deve ser coletado por empresas particulares, cadastradas e autorizadas pela prefeitura (Em cidades turísticas, tem-se como exemplo de grandes geradores de resíduos sólidos os hotéis, os restaurantes e os quiosques). Nos municípios brasileiros, a prática da coleta regular unificada éutilizada para os resíduos domiciliares e comerciais. Os diversos tipos de serviços de coleta de resíduos sólidos são classificados da seguinte forma: 46 Coleta domiciliar, compreende a coleta dos resíduos sólidos domiciliares e estabelecimentos comerciais; Coleta de feiras livres, praias, calçadas e estabelecimentos públicos; Coleta de resíduos de serviços de saúde; Coleta especial contempla os resíduos não recolhidos pela coleta regular; A coleta seletiva visa a recolher os resíduos segregados na fonte. Esse tipo de coleta Está relacionado com a reciclagem e executado por um plano específico; A coleta dos estabelecimentos industriais, deve ser diferenciada da regular e especial. De um modo geral a coleta e transporte devem garantir os seguintes requisitos: a) a universalidade do serviço prestado; b) regularidade da coleta (periodicidade, frequência e horário). Periodicidade: os resíduos sólidos devem ser recolhidos em períodos regulares. A irregularidade faz com que a coleta deixe de ter sentido sob o ponto de vista sanitário e passe a desestimular a dona-de-casa; Frequência: é o intervalo entre uma coleta e a seguinte, e deve ser o mais curto possível. Em nosso clima, aconselha-se coleta diária, sendo aceitável fazê-la em dias alternados; a frequência de coleta dependerá dos parâmetros estabelecidos para a execução e disponibilidade de equipamento. Horário: usualmente a coleta é feita durante o dia. No entanto, a coleta noturna se mostra mais viável em áreas comerciais e outros locais de intenso tráfego de pessoas e de veículos. Os serviços de coleta domiciliar e divido nas seguintes etapas: estimativa da quantidade de resíduos a ser coletado, definição das frequências de coleta; definição dos horários de coleta domiciliar, dividir a cidade em setores, definição de itinerário de coleta, dimensionamento da frota dos serviços. 5.1.2 Definição das etapas a) pode se estimar a quantidade de resíduos coletados por meio de monitoramento da coleta, de duas maneiras: monitoramento seletiva por amostragem; monitoramento da totalidade do serviço existente. Além desses dados, se faz necessário estimar o número de habitantes de cada setor, que pode ser extraído da quantidade de domicílios de cada trecho, do cadastro imobiliário da prefeitura ou do inquérito sanitário; b) a frequência da coleta de resíduos domiciliares indica o tempo entre uma coleta e outra no mesmo local; c) a coleta de resíduo domiciliar pode ser realizada em dois turnos: diurno e noturno conforme quadros abaixo: Horário diurno: 47 Horário noturno: d) o dimensionamento dos serviços de coleta domiciliar visa a determinação da quantidade de veículos coletores necessários aos serviços de coleta e dos elementos que compõem o itinerário. Para dimensionar os serviços e equipamentos para a coleta e transporte dos resíduos, é necessário realizar um levantamento das informações, onde será usado como base os seguintes itens: Mapa geral do município (Esc. 1:10.000); Mapa cadastral ou semicadastral (Esc. 1:5.000); Mapa com definição do tipo de pavimentação; Mapa Planialtimétrico; Mapa indicativo das regiões ou ruas comerciais; Mapa com localização das unidades de ensino, unidades de saúde, concentrações industriais, garagem municipal de veículos, localização da área de destinação final dos resíduos ou indicativo do sentido; Sentido do tráfego das avenidas e ruas; Listagem dos veículos disponíveis da frota e respectivas capacidades. e) fórmulas para cálculo da frota regular: Para cidades de pequeno e médio porte onde: Nf = Quantidade de veículo Lc = Quantidade de resíduos a ser coletado em m³ ou t. Cv = Capacidade de veículo em m³ ou ton (considerar 80% da capacidade). Nv = Número de viagem por dia (máximo de três viagens). 48 Para dimensionamento da frota para cidade de grande porte: J = Duração útil da jornada de trabalho da equipe (em número de horas, desde a saída da garagem até o seu retorno, excluindo intervalo para refeições e outros tempos improdutivos); L = Extensão total das vias (ruas e avenidas) do setor de coleta, em km; Vc = Velocidade média de coleta, em km/h; Dg = Distância entre a garagem e o setor de coleta em km; Vt = Velocidade média do veículo nos percursos de posicionamento e de transferência, em km/h; Q = Quantidade total de resíduos a ser coletado no setor, em t. ou em m³; C = Capacidade dos veículos de coleta, em t ou em m³; em geral, adota-se um valor que corresponde a 70% da capacidade nominal, considerando-se a variabilidade da quantidade de resíduos coletados a cada dia. f) o itinerário de coleta significa o percurso que o transporte faz dentro de um mesmo setor, em um espaço de tempo. g) sugestões para facilitar o itinerário da coleta: Começar a coleta nas proximidades da garagem e terminá-la próximo à estação de transferência ou o destino final; Coletar em vias com declive, no sentido de cima para baixo; Para cada itinerário é necessário um roteiro gráfico e descritivo do setor (mapas). 5.1.2 Regularidade da coleta domiciliar A coleta do lixo domiciliar deve ser efetuada em cada imóvel, sempre nos mesmos dias e horários, regularmente. Somente assim os cidadãos habituar-se-ão e serão condicionados a colocar os recipientes ou embalagens do lixo nas calçadas, em frente aos imóveis, sempre nos dias e horários em que o veículo coletor irá passar. Em consequência, o RS domiciliar não ficará exposto, a não ser pelo tempo necessário à execução da coleta. A população não jogará RS em qualquer local, evitando prejuízos ao aspecto estético dos logradouros e o espalhamento por animais ou pessoas. Regularidade da coleta é, portanto, um dos mais importantes tributos do serviço. Em qualquer cidade que disponha de controle do peso de lixo coletado, é possível verificar matematicamente se a coleta é, de fato, regular, comparando-se os pesos de lixo em duas ou mais semanas consecutivas. Nos mesmos dias da semana (uma segunda-feira comparada com outra segunda-feira, e assim por diante) os pesos de lixo não devem variar mais que 10%. Da mesma forma, as quilometragens percorridas pelas viaturas de coleta devem ser semelhantes, pois os itinerários a serem seguidos serão os mesmos (para um mesmo número de viagens ao destino). Além disso, a ocorrência de pontos de acumulação de lixo domiciliar nos logradouros e um número elevado de reclamações apontam claramente qualquer irregularidade da coleta. O ideal, portanto, em um sistema de coleta de lixo domiciliar, é estabelecer um recolhimento com dias e horários determinados, de pleno conhecimento da população, através de comunicações individuais a cada responsável pelo imóvel e de placas indicativas nas ruas. 49 A população deve adquirir confiança de que a coleta não vai falhar e assim irá prestar sua colaboração, não atirando lixo em locais impróprios, acondicionando e posicionando embalagens adequadas, nos dias e horários marcados, com grandes benefícios para a higiene ambiental, a saúde pública, a limpeza e o bom aspecto dos logradouros públicos. 5.1.3 Frequência de coleta Por razões climáticas, no Brasil, o tempo decorrido entre a geração do lixo domiciliar e seu destino final não deve exceder uma semana para evitar proliferação de moscas, aumento do mau cheiro e a atratividade que o lixo exerce sobre roedores, insetos e outros animais. Em cidades que dispõem de estações de transferência, o lixo ainda permanece armazenado por mais um ou dois dias até quepossa ser transportado ao aterro, onde finalmente é coberto com terra no final de cada dia. Se a frequência da coleta de lixo for de três vezes por semana, o lixo produzido, por exemplo, no sábado, só vai ser coletado na terça- feira seguinte (três dias depois). Demorando mais dois dias para ser transferido e mais um dia para ser confinado no aterro, o total de dias decorridos entre a geração e o destino final pode chegar a seis dias. A frequência mínima de coleta admissível em um país de clima quente como o Brasil é, portanto, de três vezes por semana. Há que se considerar ainda a capacidade de armazenamento dos resíduos nos domicílios. Nas favelas e em comunidades carentes, as edificações não têm capacidade para armazená-lo por mais de um dia, o mesmo ocorrendo nos centros das cidades, onde os estabelecimentos comerciais e de serviços, além da falta de local apropriado para o armazenamento, produzem lixo em quantidade considerável. Em ambas as situações é conveniente estabelecer a coleta domiciliar com frequência diária. 5.1.4 Horários de coleta Para redução significativa dos custos e otimização da frota a coleta deve ser realizada em dois turnos. Dessa forma tem-se, normalmente: Se, por exemplo, forem projetados 24 itinerários de coleta, efetuados com frequência de três vezes por semana, deve ser utilizada uma frota de 24/4 = 6 veículos de coleta (além de reserva de pelo menos 10% da frota). É conveniente estabelecer turnos de 12 horas (dividindo-se o dia ao meio, mas trabalhando efetivamente cerca de oito horas por turno). Tem-se então, por exemplo, o primeiro turno iniciando às sete horas e o segundo turno às 19 horas, "sobrando" algum tempo para manutenção e reparos. Em vias que possuem varrição pouco frequente, é muito importante a limpeza da coleta, ou seja, o recolhimento sem deixar resíduos. Nos centros comerciais, a coleta deve ser noturna, quando as ruas estão com pouco movimento. Já em cidades turísticas deve-se estar 50 atento para o período de uso mais intensivo das áreas por turistas, período no qual a coleta deverá ser evitada. Nos centros comerciais, a coleta deve ser noturna, quando as ruas estão com pouco movimento. Já em cidades turísticas deve-se estar atento para o período de uso mais intensivo das áreas por turistas, período no qual a coleta deverá ser evitada. Nos bairros estritamente residenciais, a coleta deve preferencialmente ser realizada durante o dia. Deve-se, entretanto, evitar fazer coleta em horários de grande movimento de veículos nas vias principais. A coleta noturna deve ser cercada de cuidados em relação ao controle dos ruídos. As guarnições devem ser instruídas para não altear as vozes. O comando de anda/para do veículo, por parte do líder da guarnição, deve ser efetuado através de interruptor luminoso, acionado na traseira do veículo, e o silenciador deve estar em perfeito estado. O motor não deve ser levado a alta rotação para apressar o ciclo de compactação, devendo existir um dispositivo automático de aceleração, sempre operante. Veículos mais modernos e silenciosos, talvez até elétricos, serão necessários no futuro, para atender às crescentes reclamações da população, especialmente nos grandes centros urbanos. 5.1.5 Equipamentos de coleta e transporte No que se refere à coleta e ao transporte dos resíduos sólidos, usa-se vários tipos de veículos como o tipo lutocar, carroça de tração animal, caçamba convencional do tipo prefeitura, caçamba do tipo basculante e caminhão com e sem compactação, conforme é apresentado no quadro 03. Quadro 03: Demonstrativo de equipamentos de coleta e transporte TIPO VANTAGENS DESVANTAGENS Veículo do tipo lutocar com capacidade para 100 litros. - coleta os resíduos de varrição imediatamente; - trafega em locais de vias estreitas; - fácil limpeza e manutenção. - coleta pequenas quantidades de resíduos; - necessita de ponto de apoio para seu esvaziamento. Carroça de tração animal - coleta os resíduos em pequenas localidades (povoado); - não consome combustível. - transporta, apenas, pequenas quantidades de resíduos; - alimentação e tratamento do animal. Caçamba basculante - possibilidade de realizar outras tarefas. - necessidade de lona para evitar a ação do vento e a poluição visual; - os resíduos são jogados na rua, mesmo com a utilização de lonas; - altura da caçamba dificulta o trabalho dos garis. Caminhão com sistema de compactação com capacidade de - capacidade de coletar grandes volumes; - preço elevado do equipamento; - alto custo de manutenção 51 15m³ a 50m³ - mais econômico: reduz em média 34% por t/km; - maior velocidade operacional (km/h); - evita derramamento dos resíduos; - condições ergométricas ideais para o serviço do gari; - maior produtividade; - descarregamento rápido; - dispensa arrumação dos resíduos nas carrocerias; - diminui os inconvenientes sanitários. mecânica; - não trafega em trecho de acesso complicado; - relação custo/benefício desfavorável em cidade de baixa densidade populacional. Carreta rebocada com trator - baixo investimento; - relação custo/benefício, favorável para municípios de baixas populações; - o trator pode realizar outros tipos de serviços de limpeza. - menos produtividade; - transporte de pequenos volumes; - derramamento dos resíduos. As viaturas de coleta e transporte de lixo domiciliar podem ser de dois tipos: • compactadoras: no Brasil são utilizados equipamentos compactadores de carregamento traseiro ou lateral; • sem compactação: conhecidas como Baú ou Prefeitura, com fechamento na carroceria por meio de portas corrediças. Um bom veículo de coleta de lixo domiciliar deve possuir as seguintes características: • não permitir derramamento do lixo ou do chorume na via pública; • apresentar taxa de compactação de pelo menos 3:1, ou seja, cada 3m3 de resíduos ficarão reduzidos, por compactação, a 1m 3 ; • apresentar altura de carregamento na linha de cintura dos garis, ou seja, no máximo a 1,20m de altura em relação ao solo; • possibilitar esvaziamento simultâneo de pelo menos dois recipientes por vez; • possuir carregamento traseiro, de preferência; • dispor de local adequado para transporte dos trabalhadores; • apresentar descarga rápida do lixo no destino (no máximo em três minutos); • possuir compartimento de carregamento (vestíbulo) com capacidade para no mínimo 1,5m3; • possuir capacidade adequada de manobra e de vencer aclives; • possibilitar basculamento de contêineres de diversos tipos; • distribuir adequadamente a carga no chassi do caminhão; • apresentar capacidade adequada para o menor número de viagens ao destino, nas condições de cada área. Deve-se escolher um tipo de veículo/equipamento de coleta que apresente o melhor custo/benefício. Em geral esta relação ótima é atingida utilizando-se a viatura que preencha o maior número de características de um bom veículo de coleta, listadas no início deste item. Alguns exemplos: a) BAÚ: O Baú é um veículo coletor de lixo, sem compactação, também denominado "Prefeitura". É utilizado em comunidades pequenas, com baixa densidade demográfica. Também é empregado em locais íngremes. O volume de sua caçamba pode variar de 4m³ a 52 12m³. Ela é montada sobre chassi de veículo capaz de transportar respectivamente de 7 a 12t de peso bruto total (PBT). A carga é vazada por meio do basculamento hidráulico da caçamba. Trata-se de um equipamento de baixo custo de aquisiçãoe manutenção, mas sua produtividade é reduzida e exige muito esforço dos trabalhadores da coleta, que devem erguer o lixo até a borda da caçamba, com mais de dois metros de altura, relativamente alta se comparada com a altura da borda da boca de um coletor compactador, que é de cerca de um metro. b) COLETORES C OMPACTADORES: Coletor compactador de lixo, de carregamento traseiro, fabricado em aço, com capacidade volumétrica útil de 6, 10, 12, 15 e 19m³, montado em chassi com PBT compatível (9, 12, 14, 16 e 23t), podendo possuir dispositivo hidráulico para basculamento automático e independente de contêineres plásticos padronizados. Esses tipos de equipamentos destinam-se à coleta de lixo domiciliar, público e comercial, e a descarga deve ocorrer nas estações de transferência, usinas de reciclagem ou nos aterros sanitários. Esses veículos transitam pelas áreas urbanas, suburbanas e rurais da cidade e nos seus municípios limítrofes. Rodam por vias e terrenos de piso irregular, acidentado e não pavimentado, como em geral ocorre nos aterros sanitários. c) POLIGUINDASTES DUPLOS PARA CAIXAS ESTACIONÁRIAS DE 5M²: Esse tipo de poliguindaste tem capacidade para transportar duas caixas estacionárias cheias, são mais econômicos do que os simples, que transportam apenas uma caixa. Para grandes volumes de lixo domiciliar, podem ser utilizadas várias caixas compactadoras, com capacidade de 10m³ a 30m³ de lixo solto. d) ROLL-ON/ROLL-OFF Caminhão coletor de lixo público, domiciliar ou industrial, operando com contêineres estacionários de 10 a 30m³, sem compactação (dependendo do peso específico) ou de 15m³, com compactação. Esse equipamento é dotado de dois elevadores para basculamento de contêineres plásticos de 120, 240 e 360 litros. Cada veículo pode operar com seis contêineres estacionários para obter boa produtividade. O equipamento deve ser montado em chassi trucado (três eixos) com capacidade para transportar 23t de PBT. e) PÁ CARREGADEIRA Trator escavo-carregador com rodas usadas para amontoar terra, entulho, lama, lixo e encher os caminhões e carretas em operação nas vias públicas e nos aterros sanitários. Para a operação em vias públicas, são usadas máquinas com caçamba de 1,5m³. Já para o carregamento de carretas, são necessárias máquinas com caçambas de 3m³ para dar maior produtividade e por terem maior altura de carregamento. f) CARRETA Semi-reboque basculante com capacidade de 25m³, tracionada por cavalo mecânico (4x2) com força de tração de 45t. É utilizada para transporte de entulho. Seu carregamento é feito por pá carregadeira e a descarga, no destino, pelo basculamento da caçamba. Uma tela ou lona plástica é disposta na parte superior da caçamba para evitar que detritos sejam dispersos nas vias públicas pela ação do vento durante a locomoção do veículo. A denominação "semi-reboque" identifica um equipamento cuja frente precisa ser apoiada em um outro veículo rebocador, chamado cavalo mecânico, constituindo ambos um sistema. O reboque comum não precisa ser apoiado na frente para ser rebocado. 5.1.5 Ferramentas e utensílios utilizados na coleta do lixo domiciliar É importante que a guarnição de trabalhadores realize a coleta sem deixar resíduos após a operação. Por isso é necessário o uso de uma vassoura de tamanho médio e de uma pá 53 quadrada. Uma vassoura média possui 22 orifícios, onde se prende cada um dos conjuntos de cerda da piaçava, chamados de tafulhos. 5.1.6 Fatores que influenciam no dimensionamento de veículo para coleta domiciliar O dimensionamento da coleta está ligado ao Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos onde descreve as ações relativas ao manejo, sendo contemplado a geração, segregação, acondicionamento, coleta, transporte e destinação final. Programar e dimensionar são tarefas necessárias, quando se detecta a necessidade de reformular os serviços existentes e quando se planeja ampliações para locais não atendidos. Quando a coleta domiciliar é contratada pela Prefeitura, cabe a essa gerenciar os principais requisitos necessários à contemplação das etapas de coleta, transporte e disposição final. Fatores que influenciam a produção de Lixo: Variações da economia; Aspectos sazonais; Aspectos climáticos; Influências regionais; Migrações; Turismo; Peso dos resíduos em função de seu volume ocupado - kg/m³. Tabela 04: Massas específicas dos resíduos sólidos. Índices de Produtividade Média para: a) coleta: para coletar 16m³, três garis realizam em quatro horas, estimando-se de 4,30 a 6,8 casa/minuto/gari; velocidade média de coleta - 6,5km/h. b) descarga: caminhão basculante - cinco minutos; caminhão sem basculante (3 garis) - 15 a 20 minutos. c) custos: coleta de RS - US$ 15 a 45/ton.; transporte a aterros - US$ 6 a 20/ton. 54 5.1.7 Dimensionamento de itinerários de coleta domiciliar O aumento ou diminuição da população, as mudanças de características de bairros e a existência do recolhimento irregular dos resíduos são alguns fatores que indicam a necessidade de redimensionamento dos roteiros de coleta. Vários elementos devem ser considerados: Guarnições de coleta, equilíbrio dos roteiros, local de início da coleta, verificação da geração do lixo domiciliar, cidades que não dispõem de balança para pesagem do lixo, traçado dos roteiros de coleta. 5.1.8 Guarnições de Coleta Guarnição é o conjunto de trabalhadores lotados num veículo coletor, envolvidos na atividade de coleta do lixo. Em cidades brasileiras observam-se guarnições de coleta que variam de dois a cinco trabalhadores por veículo. A tendência das municipalidades é adotar guarnições de três a quatro trabalhadores, sendo que as empresas prestadoras de serviços empregam em geral três trabalhadores por veículo. 5.1.9 Equilíbrio dos roteiros Cada guarnição de coleta deve receber como tarefa uma mesma quantidade de trabalho, que resulte em um esforço físico equivalente. Em áreas com lixo concentrado, os garis carregam muito peso e percorrem pequena extensão de ruas. Inversamente, em áreas com pequena concentração de lixo, os garis carregam pouco peso e percorrem grande extensão. Em ambos os casos, o número de calorias despendidas será aproximadamente o mesmo. O conceito físico, como se pode concluir, é o do "trabalho", sendo: TRABALHO = FORÇA X DESLOCAMENTO O método de redimensionamento aqui descrito é um dos mais simples e prevê a divisão da área a ser redimensionada em "subáreas" com densidades demográficas semelhantes, nas quais as concentrações de lixo (medidas em kg/m) variam pouco. Nessas "subáreas" é lícito fixar um mesmo tempo de trabalho. Evidentemente tem-se que levar também em conta as diferenças de vigor físico entre as pessoas. As guarnições devem, portanto, ser equilibradas inclusive nesse aspecto particular. 5.1.9 Local de início de coleta Os roteiros devem ser planejados de tal forma que as guarnições comecem seu trabalho no ponto mais distante do local de destino do lixo e, com a progressão do trabalho, se movam na direção daquele local, reduzindo as distâncias (e o tempo) de percurso. 5.1.10 Verificação da geração do lixo domiciliar É importante verificar a geração de resíduos sólidos nos domicílios, estabelecimentos públicos e no pequeno comércio, pois esses dados serão utilizados no dimensionamento dos roteiros necessários à coleta regular de lixo. A pesquisa deve ser efetuada em bairros de classe 55 econômica alta, média e baixa. Com base na projeção baseada em dados do último censo disponível, pode-se calcular a quantidade média do lixo gerado poruma pessoa por dia. Este índice deve ser determinado com certo rigor técnico, pois pode variar entre 0,35 a 1,6kg por pessoa por dia. Caso a produção de lixo por pessoa/dia seja, por exemplo, de 0,70kg e a população de 200 mil habitantes, o peso do lixo a ser recolhido por dia será de: 200 mil hab. x 0,70kg/hab./dia = 140.000kg/dia Este dado fundamental deve ser levado em conta no dimensionamento do número de veículos a serem utilizados na coleta do lixo domiciliar. A determinação da geração per capita pode ser efetuada quando dos estudos para determinação das características dos resíduos sólidos. Eventualmente, na prática, o redimensionamento de roteiros de coleta poderá ser mais complexo, apresentando maior número de variáveis, que devem ser levadas em conta pelo projetista. Realizado o redimensionamento, os novos itinerários podem ser implementados e, após cerca de duas semanas, ajustados em relação a detalhes que se revelem inadequados. 5.1.7.5 Cidades que não dispõem de balança para pesagem do lixo Se os locais de destino não possuírem balança, a carga de lixo dos veículos coletores deverá ser pesada buscando-se alternativas em balanças de empresas ou de órgãos públicos. Se ainda assim isto não for possível, pode-se utilizar, para o redimensionamento de roteiros de coleta, um método aproximado e simplificado, baseado nos volumes de cada coletados, denominado "cubagem". No método da "cubagem", deve-se utilizar um recipiente padrão, chamado "caçamba", com capacidade conhecida, por exemplo, 100 litros, para o qual deve ser transferido todo o lixo recolhido em cada ponto. A caçamba, então, será esvaziada no vestíbulo de carga do caminhão coletor, contando-se as vezes que forem necessárias para transferir todo o lixo de uma quadra. O método de cubagem consiste em: • realizar cubagens por quadra nos dias de pico de produção durante a semana, em geral nas segundas e terças-feiras; • anotar em mapa as cubagens em cada quadra, como exemplificado na figura 17; • somar progressivamente o número de caçambas por quadra, na ordem do roteiro planejado, até que a quantidade de caçambas atinja a capacidade de carga do veículo em cada uma das viagens em cada turno. A capacidade do veículo coletor pode ser medida em caçambas. Assim pode-se também determinar o número de caçambas por viagem e o número de viagens por turno, por veículo. Devem-se evitar, na escolha dos itinerários, percursos improdutivos do caminhão ao longo dos quais não haja coleta de lixo. Quando houver declividade acentuada, o recolhimento deve ser realizado de cima para baixo para poupar energia e economia de combustível; • testar os novos roteiros na prática, medindo os tempos, a fim de proceder os ajustes necessários. 56 Figura 17: Exemplo de cubagem por quadra. 5.1.11 Traçados roteiros de coletas Os itinerários de coleta devem ser projetados de maneira a minimizar os percursos improdutivos, isto é, ao longo dos quais não há coleta. Um roteiro pode ser traçado buscando- se, através de tentativas, a melhor solução que atenda simultaneamente condicionantes tais como o sentido do tráfego das ruas, evitando manobras à esquerda em vias de mão dupla, assim como percursos duplicados e improdutivos. Costuma-se traçar os itinerários de coleta pelo método dito "heurístico", levando-se em conta o sentido do tráfego, as declividades acentuadas e a possibilidade de acesso e manobra dos veículos. A Figura 2 exemplifica um percurso racional de um roteiro de coleta (método heurístico). Figura 18: Exemplo de um percurso racional de um roteiro de coleta. 5.1.6.7 Método de Redimensionamento de Roteiros de Coleta 57 Basicamente, o método consiste em: • dividir a cidade em subáreas; • levantar e sistematizar as características de cada roteiro; • analisar as informações levantadas; • redimensionar os roteiros, tendo como premissas: • a exclusão (ou minimização) de horas extras de trabalho; • o estabelecimento de novos pesos de coleta por jornada; • as concentrações de lixo em cada área. Divide-se a área da cidade a ter seus roteiros de coleta redimensionados em subáreas, com densidades demográficas semelhantes, por exemplo, as subáreas I, II e III. Suponha que a subárea II contenha atualmente oito itinerários de coleta, efetuados em dois turnos, três vezes por semana, por 8/4 = dois veículos compactadores. O levantamento de dados do plano em vigor (atual) resulta na tabela 05. Tabela 05: Roteiros redimensionados para coletas de Resíduos Sólidos. * horas calculadas em decimais. ** kg/m = concentração de lixo. Figura 19: Divisão da cidade em áreas para roteiros de coleta. 58 Exemplo: I - Centro comercial II - Subárea predominantemente residencial III - Subárea de morros Verifica-se que os tempos de trabalho estão elevados, resultando em horas extras. A coleta, nesse caso, é efetuada (por suposição) regularmente. Supondo que se deseja concluir a coleta em oito horas de trabalho, para evitar horas extras, pode-se efetuar o cálculo dos novos pesos a serem coletados por jornada de trabalho, estabelecendo que será mantida a mesma produtividade dos garis. P = kg/h x Tc Sendo Tc o tempo escolhido para a jornada de trabalho (=7,33 horas, no caso). Portanto: Como o peso do lixo a ser coletado é de 15.343kg, restarão para ser coletados: 153.900 - 112.744 = 31.156kg 59 Considerando que o peso médio dos novos roteiros será de aproximadamente 15.343kg/roteiro, serão necessários: 31.156kg/15.343kg = 2,03 2,03 novos roteiros, ou, aproximadamente, dois roteiros a mais, sendo um nas segundas, quartas e sextas e o outro nas terças, quintas e sábados. Como nos itinerários futuros serão 10 roteiros, a média de peso por roteiro passará a ser: 153.900kg/10 roteiros = 15.390kg/roteiro futuro Os roteiros futuros serão desenhados no mapa considerando as concentrações do lixo em cada área (expressa em kg/m). Para isso, multiplicam-se, para cada itinerário futuro, as extensões de vias pelas concentrações de lixo, até se obter pesos aproximados de 15.390kg/roteiro, aplicando-se a fórmula: Sendo: L = extensão de vias do roteiro (m) C = concentração de lixo (kg/m) P = peso médio dos roteiros futuros (kg). No caso exemplificado, o peso médio (aproximado) dos roteiros futuros será de 15.390 kg. O número de viaturas será de: n° roteiros/4 = 2,5 viaturas por turno (as mesmas do primeiro turno, ficando uma de reserva). Pode-se empregar então três viaturas no primeiro turno e duas viaturas no segundo turno. O tipo e a capacidade das três viaturas a serem utilizadas dependerão do número de viagens possíveis ao local de disposição final. Se, por exemplo, forem possíveis duas viagens às segundas e terças, a carga média por viagem será de 15.390/2 = 7.695kg. Em dias de chuva o peso do lixo aumenta cerca de 20%. Deve-se ainda considerar a atividade turística, que pode aumentar ou diminuir o lixo produzido. Supondo que, para a hipotética região considerada, há aumento médio de 20% de lixo no verão, pode-se avaliar um acréscimo na geração de cerca de 40%. Cada roteiro teria, portanto, no verão, 15.390 x 1,4/2 = 10.773kg. Se forem utilizados veículos compactadores com capacidade para 12 toneladas/viagem, a coleta poderá ser realizada com folga e regularidade. 5.1.12 Coleta de lixo em cidades turísticas A quantidade de lixo a ser coletada varia com a sazonalidade, seja ela turística ou de hábitos. Uma vez que a variaçãodevida à sazonalidade de hábitos (semanal ou mensal) praticamente não interfere com o dimensionamento da frota, este tópico restringir-se-á a procedimentos que devem ser adotados em cidades turísticas com o objetivo de manter a qualidade da coleta domiciliar nas épocas em que ocorre o afluxo das pessoas. Basicamente as medidas a serem adotadas são: 60 • efetuar a coleta em horas extras, atentando para os limites da legislação trabalhista; • aumentar o número de turnos de coleta, criando o segundo turno de trabalho ou até mesmo o terceiro turno; • colocar a frota reserva em operação; • contratar veículos extras. Observe-se que essas medidas devem ser implementadas sequencialmente, de modo a não onerar desnecessariamente a coleta. Outros pontos importantes a serem levados em consideração são: • o trânsito nessas cidades, em épocas de férias, tende a ficar congestionado, dificultando o descolamento dos veículos e aumentando o tempo de coleta. Por essa razão, a coleta de lixo nas cidades turísticas durante as férias e feriados prolongados deve ser realizada, preferencialmente, no período noturno, quando o tráfego é menos intenso; • sempre que possível, a contratação de veículos extras deve ser realizada de forma programada, com antecedência, evitando-se assim a especulação de preços; • em cidades praianas, onde os turistas se concentram numa região específica da cidade, como Praia do Forte (Bahia), Búzios (Rio de Janeiro) e Torres (Rio Grande do Sul), os roteiros de coleta das ruas da orla devem ser revisados e redimensionados, de modo a otimizar a utilização da frota. Convém ressaltar que a redução da frequência de coleta, ainda que seja uma medida econômica, jamais deve ser considerada, pois, quanto maior o tempo entre coletas sucessivas, maior a probabilidade de se criar pontos de lançamento inadequado de lixo nas ruas, prejudicando o aspecto sanitário e ambiental da cidade e afugentando os turistas. 5.1.13 Coleta de resíduos sólidos em favelas As favelas existem em muitas cidades brasileiras e, em relação à coleta do lixo domiciliar, se caracterizam por: • dificuldade de acesso para caminhão; • acondicionamento do lixo precário ou inexistente; • tendência dos moradores a livrar-se dos resíduos logo que gerados. Esses fatores devem ser levados em conta para que não ocorra acumulação de lixo a céu aberto, com graves consequências para a saúde pública, para o meio ambiente e para o aspecto estético da comunidade. Para contornar as dificuldades de acesso nas vielas, em geral estreitas ou íngremes, devem-se utilizar veículos especiais, de pequena largura, boa capacidade de manobra e capacidade de vencer aclives: microtratores ou tratores agrícolas rebocando carretas ou pequenos veículos coletores, com ou sem compactação. Microtrator com tração 4x2 para operação com carreta basculante de 2,5m³, constituída de aço ou madeira de lei, para a coleta de lixo domiciliar gerado em favelas. Essa composição destina-se ao apoio à coleta de lixo no interior de favelas e comunidades carentes, em locais íngremes, estreitos e não pavimentados, onde os veículos coletores compactadores não conseguem chegar. Devem também ser providenciados recipientes para acondicionar o lixo, como contêineres plásticos, dotados de rodas e tampas. A frequência da coleta também deve ser alterada – é conveniente o recolhimento diário dos resíduos. Em várias cidades brasileiras (e de outros países) verificou-se que a contratação de garis comunitários, especialmente nas favelas com maiores problemas de coleta, tem apresentado 61 bons resultados. Neste sistema, a prefeitura contrata a associação de moradores, que seleciona os trabalhadores que irão compor a equipe de coleta, capina, limpeza de canais. A coleta é realizada de modo manual nos locais onde, devido às características do sítio, os veículos têm acesso. Existe, ainda, na contratação de garis comunitários, um aspecto importante a se destacar que diz respeito ao envolvimento do trabalhador na manutenção de seu local de moradia. Da mesma forma, os demais moradores da área sentem-se inibidos em sujar a área pública, uma vez que têm um vizinho a zelar pela sua limpeza. 5.1.14 Coleta de resíduos de serviços de saúde Conhecimento do problema A higiene ambiental dos estabelecimentos assistenciais à saúde – EAS –, ou simplesmente serviços de saúde (hospitais, clínicas, postos de saúde, clínicas veterinárias etc.), é fundamental para a redução de infecções, pois remove a poeira, os fluidos corporais e qualquer resíduo dos diversos equipamentos, dos pisos, paredes, tetos e mobiliário, por ação mecânica e com soluções germicidas. O transporte interno dos resíduos, o correto armazenamento e a posterior coleta e transporte completam as providências para a redução das infecções. Os resíduos de serviços de saúde classificam-se em infectantes, especiais e comuns. As áreas hospitalares são classificadas em três categorias: • áreas críticas: que apresentam maior risco de infecção, como salas de operação e parto, isolamento de doenças transmissíveis, laboratórios etc.; • áreas semicríticas: que apresentam menor risco de contaminação, como áreas ocupadas por pacientes de doenças não-infecciosas ou não-transmissíveis, enfermarias, lavanderias, copa, cozinha etc.; • áreas não-críticas: que teoricamente não apresentam riscos de transmissão de infecções, como salas de administração, depósitos etc. 5.1.15 Segregação de resíduos de serviços de saúde Existem regras a seguir em relação à segregação (separação) de resíduos infectantes do lixo comum, nas unidades de serviços de saúde, quais sejam: • todo resíduo infectante, no momento de sua geração, tem que ser disposto em recipiente próximo ao local de sua geração; • os resíduos infectantes devem ser acondicionados em sacos plásticos brancos leitosos, em conformidade com as normas técnicas da ABNT, devidamente fechados; • os resíduos perfuro cortantes (agulhas, vidros etc.) devem ser acondicionados em recipientes especiais para este fim; • os resíduos procedentes de análises clínicas, hemoterapia e pesquisa microbiológica têm que ser submetidos à esterilização no próprio local de geração; • os resíduos infectantes compostos por membros, órgãos e tecidos de origem humana têm que ser dispostos, em separado, em sacos plásticos brancos leitosos, devidamente fechados. 62 5.1.16 Coleta separada de resíduos comuns, infectantes e especiais Os resíduos infectantes e especiais devem ser coletados separadamente dos resíduos comuns. Os resíduos radioativos devem ser gerenciados em concordância com resoluções da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN. Os resíduos infectantes e parte dos resíduos especiais devem se acondicionados em sacos plásticos brancos leitosos e colocados em contêineres basculáveis mecanicamente em caminhões especiais para coleta de resíduos de serviços de saúde. Tais resíduos representam no máximo 30% do total gerado. Caso não exista segregação do lixo infectante e especial, os resíduos produzidos devem ser acondicionados, armazenados coletados e dispostos como infectantes e especiais. 6. DESTINO FINAL DE RESÍDUOS Para onde vai o seu lixo depois que você o joga na lixeira? Pouca gente pensa sobre o assunto, mas tudo que consumimos, desde uma garrafa de água até o pneu do carro, vira lixo em algum momento e segue por um destino que muitas vezes não é sustentável. Somente no Brasil são produzidos cerca de 240 mil toneladas de lixo todos os dias, sendo que apenas 2% de tudo isso segue para reciclagem. O resultado é uma enorme quantidade de resíduos que precisa de uma nova destinaçãoapós sua vida útil. Entre todos os rumos possíveis, três se destacam no país: os lixões, os aterros controlados e os aterros sanitários. 6.1 LIXÃO Lixão é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação anterior do solo. Institucionalizados ou clandestinos, esses locais recebem volumes diários de lixo que são amontoados um por cima do outro. População civil e, em alguns casos, a própria prefeitura, são responsáveis por jogar o lixo coletado no local. Diversos problemas tornam o lixão a solução menos indicada quando o assunto é o descarte do lixo. Por não ter nenhum tipo de proteção, esses locais se tornam vulneráveis à poluição causada pela decomposição do lixo, tanto no solo, quanto nos lençóis freáticos e no ar. Isso ocorre porque a maior parte do material despejado entra em processo de decomposição, produzindo o chorume e o gás metano. O chorume escorre com o auxílio da chuva e penetra na terra, chegando aos lençóis freáticos localizados abaixo do lixão e contaminando a água. Já o biogás resultante da decomposição do lixo e formado por gases como metano, gás carbônico (CO2) e vapor d’água, é liberado diretamente para a atmosfera – sem antes passar por nenhum tipo de tratamento. Além dos impactos ambientais, o acumulo de lixo atrai animais transmissores de doenças, como moscas e ratos. O local ainda é tido como fonte de renda para a população carente, que recolhe o material reciclável e, em alguns casos, chega a se alimentar dos restos encontrados no lixo. 63 6.2 ATERROS CONTROLADOS Os aterros controlados são locais intermediários entre o lixão e o aterro sanitário. Trata-se geralmente de antigas células que foram remediadas e passaram a reduzir os impactos ambientais e a gerenciar o recebimento de novos resíduos. Esses locais recebem cobertura de argila e grama e fazem a captação dos gases e do chorume. O biogás é capturado e queimado e parte do chorume é recolhida para a superfície. Os aterros controlados são cobertos com terra ou saibro diariamente, fazendo com que o lixo não fique exposto e não atraia animais. 6.3 ATERROS SANITÁRIOS Os aterros sanitários são espaços preparados para a deposição final de resíduos sólidos gerados pela atividade humana. Esses locais são planejados para captar e tratar os gases e líquidos resultantes do processo de decomposição, protegendo o solo, os lençóis freáticos e o ar. As células são impermeabilizadas com mantas de PVC e o chorume é drenado e depositado em um poço, para tratamento futuro. O biogás é drenado e pode ser queimado em flaires ou aproveitado para eletricidade. Por ser coberto por terra diariamente não há proliferação de pragas urbanas. 6.3.1 Critérios para a seleção de área para a construção de aterros sanitários Para analisar cada um dos terrenos disponíveis e preciso considerar os seguintes aspectos: Propriedade - Se a área é do Governo, não há necessidade de desapropriá-la ou negociar sua aquisição, arrendamento, dentre outros. Em certas situações, a utilização de uma área particular pode representar uma opção interessante, como nos casos em que o órgão da limpeza urbana e o proprietário fazem um contrato para aterramento da área mediante a cessão, ao termino do contrato, de parte do terreno recuperado. Tamanho da área - O sítio selecionado para a instalação do aterro deverá ser suficiente para utilização por um período de tempo que justifique os investimentos, sendo usual admitir- se um mínimo de cinco anos. Algumas vezes, porém, justifica-se a utilização de áreas com menores capacidades. Quanto a localização, a melhor área e aquela que: está próxima da zona de coleta (no máximo 30 km para ida e volta); apresenta vias de acesso em boas condições de tráfego para os caminhões, inclusive em épocas de chuvas, com o mínimo de aclives, pontes estreitas e outros inconvenientes; está afastada de aeroportos ou de corredores de aproximação de aeronaves, já que o lixo atrai urubus, por exemplo, que podem provocar acidentes aéreos; está afastada no mínimo 2 km de zonas residenciais adensadas para evitar incômodos ao bem-estar e a saúde dos moradores; é servida por redes de telefones, energia elétrica, água, transportes e outros serviços, o que facilitara enormemente as operações de aterro; está afastada de cursos de água (200 m), nascentes e poços artesianos, em virtude da possibilidade de contaminação das águas; apresenta jazidas acessíveis de material para cobertura do lixo, par a revestimento de pistas de acesso e impermeabilização do solo; apresenta posicionamento adequado em relação a ventos dominantes. 64 Quanto às características topográficas, devem ser escolhidas áreas que facilitem o aterro e que naturalmente favoreçam a proteção a vida e ao meio ambiente. São geralmente recomendadas áreas em terrenos localizados em depressões naturais secas; minas abandonadas; jazidas de argila ou saibro já exploradas. No que se refere ao tipo de solo, deve-se levar em consideração que a composição do lixo urbano é bastante variada, podendo conter substâncias perigosas ao homem e ao ambiente. A tendência natural é que tais substâncias e os produtos da própria decomposição do lixo comecem a penetrar no solo, levadas pela água presente no lixo e pela água das chuvas. A este tipo de fenômeno se dá o nome de lixiviação. Dela resulta o chorume, um líquido de cor escura, odor desagradável e elevado poder de poluição. O solo de baixa permeabilidade (mais argiloso) é portanto o ideal para o aterro, pois funciona como se fosse um filtro. Vai retendo as substâncias à medida que o chorume se movimenta através dele, reduzindo o seu poder contaminante. Já quanto às águas subterrâneas, é importante que se conheça o perfil hidrogeológico, ou seja, as características do lençol freático da área. Quanto mais profundo o nível da água subterrânea, menores serão as possibilidades de contaminação e também menores as medidas de proteção e controle exigidas. Considera-se, geralmente, que a cota inferior do aterro deve estar distante no mínimo cerca de 3 metros do lençol freático. 6.3.2 Levantamentos preliminares Escolhido o local para o aterro sanitário, começam as preocupações com o projeto executivo. Para início de conversa, serão necessárias algumas informações que orientarão todo o trabalho, tais como: 1) Levantamento topográfico - devem ser indicados todos os detalhes importantes (cursos de água, caminhos, construções, etc.). 2) Levantamentos geotécnicos - serão executados para definir o tipo de solo, determinar o nível do lençol freático e a capacidade de suporte do terreno. 3) Levantamento da quantidade dos resíduos destinados ao aterro - servirá para calcular a vida útil do aterro. O peso específico do lixo compactado (varia de 500 a 700 kg/m3) será um elemento fundamental a ser considerado nestes cálculos. 4) Levantamento dos tipos de resíduos - orientará as medidas de proteção e controle que se fizerem necessárias. 5) Levantamento de dados complementares - eis alguns levantamentos importantes: Identificar os planos de ocupação do solo e projetos urbanísticos previstos para a região; Definir o uso futuro da área a ser aterrada; Reunir dados a respeito das condições climáticas da região, uma vez que estas influirão na operação do aterro (frequência e intensidade de chuvas e ventos, por exemplo). 65 7. REFERÊNCIAS ABNT. 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, NBR 10.004 Resíduos Sólidos - Classificação. 77p. ABNT. 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, NBR 10.005 Procedimento paraobtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos. 20p. ABNT. 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, NBR 10.006 Procedimento para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos. 7p. Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) PANORAMA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL. 2011. BASSANI, P. D. Caracterização de resíduos sólidos de coleta seletiva em condomínios residenciais – Estudo de caso em Vitória-ES. Dissertação de Mestrado em Engenharia Ambiental. Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, 2011. 189p. CARNEIRO, P. F. N. Caracterização e avaliação da potencialidade econômica da coleta seletiva e reciclagem dos resíduos sólidos domiciliares gerados nos municípios de Belém e Ananindeua – PA. Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil. Universidade Federal do Pará, Belém: 2006. COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS SÓLIDOS. Pag. 62 a 84. Disponível em: <www.bvsde.paho.org/bvsacd/cd29/manualrs/cap8-7.pdf >. Acessado em: 09/08/2013. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. RESÍDUOS SÓLIDOS (CAPÍTULO 4). 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