Prévia do material em texto
UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Psicologia Elaine Cristina Pereira de Souza Maria José da Silva Rosangela Pavoni A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO ENSINO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) EE. Comendador Antonio Figueiredo Navas Promissão - SP LINS-SP 2015 ELAINE CRISTINA PEREIRA DE SOUZA MARIA JOSÉ DA SILVA ROSANGELA PAVONI A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO ENSINO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Psicologia, sob a orientação da Prof. Me Liara Rodrigues de Oliveira e orientação técnica da Prof. Ma. Jovira Maria Sarraceni LINS-SP 2015 Souza, Elaine Cristina Pereira de; Silva, Maria José da; Pavoni, Rosângela A importância da orientação profissional no ensino de jovens e adultos (EJA) / Elaine Cristina Pereira de Souza; Maria José da Silva; Rosângela Pavoni. – – Lins, 2015. 86p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Psicologia, 2015. Orientadores: Jovira Maria Sarraceni; Liara Rodrigues de Oliveira 1. Orientação Profissional. 2. Ensino de Jovens e Adultos. 3. Mercado de Trabalho. 4. Intervenção Psicológica. I Título. CDU 159 S579g Dedico primeiramente à minha mãe Eunice pela ajuda que me concedeu durante todo curso, com apoio financeiro, amor e a dedicação que teve com minhas filhas e comigo. A minha filha Rafaela que sempre esteve do meu lado, me incentivando, me fazendo companhia nos momentos difíceis, sendo minha amiga e tendo paciência por eu não estar presente em alguns momentos em que ela precisou de mim. A minha filha Ana Julia que passou por momentos conflituosos, porém sempre me compreendeu, suportando minha ausência e me apoiando com seu carinho e tolerância ao esperar por mim, nunca deixando de ser a minha filhinha meiga e carinhosa. A minha filha Isabelly, que ainda é uma criança, porém soube enfrentar as dificuldades que a ausência da mãe trouxe a ela em alguns momentos, conseguindo suportar a carência e ainda me receber com um sorriso lindo cada vez que eu estava com ela. Ao meu marido Paulo Sérgio, pela paciência, pelo carinho e pelo apoio que me deu durante todo o curso, por estar ao meu lado sempre me incentivando. Elaine C. P. Souza Em memória da minha melhor amiga e exemplo de vida, Áurea Cristóvão da Silva: ―Mãe você foi o sol que aqueceu os meus dias, hoje é a luz que ilumina meu caminho, me ensinou tudo que sou e tudo que não quero ser‖. Aos meus filhos Bruno e Matheus, as minhas irmãs Ana e Keila, pelo amor, apoio, paciência, companheirismo e pela riqueza que trazem à minha vida. Maria José Dedico primeiramente à mulher que me deu a vida, minha mãe pela ajuda financeira, pelo amor, carinho, confiança e atenção. Ao meu pai que infelizmente faleceu quando eu estava no primeiro ano do curso. A minha filha Leticia que sempre me incentivou a prosseguir, e suportar as barreiras no trajeto de todo o curso. A minha filha Larissa, por muitas vezes me acompanhou na faculdade para não ficar sozinha em casa. Minhas filhas vocês foram o meu maior incentivo a fazer faculdade, para eu poder dar um futuro melhor a vocês duas. Amo muito vocês. Ao meu marido Wilson Carlos, pelo amor, carinho, atenção, paciência, sendo alicerce para essa conquista, pelas orações e apoio integral, suportando meu cansaço, ausência e impaciência durante essa trajetória. Amo você! Aos meus irmãos Valdecir, Roselei e Geraldo, que sempre torceram muito pelo meu crescimento profissional. Rosângela Pavoni AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por me dar a vida e a oportunidade de realizar meu sonho, me dando saúde e força para continuar. A minha família, que sempre me incentivou e acreditou em mim, me apoiando e compreendendo em cada momento dessa trajetória. A minha orientadora Liara Rodrigues de Oliveira e a Prof. Orientadora Técnica Ma. Jovira Maria Sarraceni, que me auxiliaram nessa trajetória, com sabedoria, dedicação e com competência para que eu seguisse na direção certa desse aprendizado. A todos os professores do curso, que desde o início sempre estiveram dispostos a ensinar com dedicação e estiveram comigo contribuindo para minha formação, pois devo a cada um deles todo o conhecimento que adquiri durante todo o curso. A Instituição Centro Católico Salesiano Auxilium de Lins e a todos os funcionários da mesma, os que também contribuíram para o meu crescimento, servindo com respeito e dedicação. Elaine C. P. Souza Agradeço a Deus, por conceder-me o dom da vida e da sabedoria, guiando-me no caminho do bem e da justiça, a batalhar e vencer. Por isso lutar, conquistar, vencer e até mesmo cair e perder, e o principal, viver é o meu modo de agradecer sempre. A minha orientadora Liara Rodrigues de Oliveira que me guiou nessa trajetória, apontando-me sempre com precisão, cuidado e compreensão a uma direção a seguir. A todos os professores do curso, que contribuíram para minha formação e incentivaram todos os pequenos projetos ampliando os conhecimentos adquiridos em sala. A todos que contribuíram de forma direta ou indiretamente na conclusão de mais esta etapa de minha vida e que mesmo não citados aqui não deixam de merecer meu agradecimento. Rosângela Pavoni O término dessa graduação é um momento muito importante e especial em minha vida, pois é a realização de um sonho que permaneceu guardado por muito tempo. Quando relembro os momentos vividos e caminhos percorridos para chegar até esse momento de realização, sem dúvida, vejo muitas dificuldades e conflitos, mas também, inúmeros e inesquecíveis momentos de alegria, de vitórias, de descobertas e de cumplicidade. Nesse percurso muitas pessoas contribuíram para que esse sonho se tornasse realidade. Agradeço primeiramente a Deus, que sem dúvida acredito ser a força maior que nos move. A meu pai Irani, meus filhos Bruno e Matheus e minhas irmãs Keila e Ana que estão sempre presentes me apoiando e dando forças para continuar a lutar por meus ideais. A meu aos meus patrões Hélvio e Roselei, aos meus amigos (as) de trabalho, pelo apoio, paciência e cooperação durante essa longa jornada de estudo. Agradeço a nossa orientadora Liara, pela dedicação e cooperação nesse processo. A instituição, a coordenação e a todos os funcionários pela dedicação e respeito com que me trataram durante esse período. A todos os professores que estiveram comigo durante esses cinco anos de curso, pelas valiosas discussões provocadoras de reflexão, que contribuíram na minha formação. Agradeço a todos os meus amigos por compartilharem minhas alegrias, dificuldades, por compreenderem minhas ausências e períodos de isolamento, por torcerem e comemorarem cada conquista. Agradeço aos responsáveis pela escola e aos alunos que participaram dessa pesquisa, pela compreensão, disponibilidade e interesse dedicados. Maria José RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e confrontar a opiniãodos alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos, em relação à ampliação do conhecimento acerca das possibilidades relacionadas ao projeto de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho antes e após participarem da Orientação Profissional. Iniciou-se a pesquisa com 45 alunos, com idade variando entre 19 e 46 anos. O método utilizado inicialmente foi um levantamento de dados através de um questionário, com o objetivo de obter informações sobre o conhecimento dos alunos acerca do mercado de trabalho, autoconhecimento e informação profissional. Após esse levantamento de dados foi realizado um processo de Orientação Profissional com duração de cinco encontros semanais, sendo 1h10 cada encontro. A Orientação Profissional se deu por meio de questionários, dinâmica de grupo, atividades escritas e verbais, recursos audiovisuais, discussões e reflexões que permitiram a obtenção de dados característicos dessa população. Após esse processo foi realizada a aplicação de um questionário pós-intervenção em que se realizou a análise de conteúdo com base nas respostas apresentadas pelos orientandos no questionário final. O projeto possibilitou aos alunos da EJA a compreensão das variáveis que interferem nas suas escolhas profissionais, oportunidade de ampliar as possibilidades de prosseguimento nos estudos, colaborando assim para o desenvolvimento do seu pensamento crítico em sua realidade social. Através dos resultados obtidos ao final da experiência, presentes no discurso dos jovens, concluiu-se que o objetivo da pesquisa foi alcançado, ou seja, ampliou-se a consciência dos alunos para a escolha profissional e suas possibilidades, trazendo mais segurança e motivação para que os mesmos dessem continuidade aos projetos futuros. Palavras-chave: Orientação Profissional. Ensino de Jovens e Adultos. Mercado de Trabalho. Intervenção Psicológica. ABSTRACT This research aimed to identify and confront an opinion of graduating high school students of the Young and Adult Education, in relation to the expansion of knowledge about the possibilities related to the future project, choice of profession and employment before and after attending the orientation professional. The began with 48 students, aged between 19 and 46 years. The method used initially was a data collection through a questionnaire in order to obtain information about students' knowledge about the labor market, self- knowledge and professional information. After this data collection was realized a process of career guidance lasting five weekly meetings and 1h10 each encounter. The career guidance was through questionnaires, group dynamics, written and verbal activities, audiovisual resources, discussions and reflections which enabled obtaining characteristic data of this population. After this process was realized a application of a post-intervention in which it performed the content analysis based on the answers of the mentees in the final questionnaire. The project enabled the students of EJA understanding of the variables that interfere with their career choices, opportunity to expand the possibilities for further studies, thus contributing to the development of their critical thinking in their social reality. The results obtained at the end of the experiment, present in the speech of young people, it was concluded that the objective was achieved, that is, the understanding of the students towards the professional choice and its possibilities was expanded, bringing more security and motivation for they give continuity to future projects. Keywords: Professional Guidance. Education of Teens and Adults.Labor Market.Psychological Intervention. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Demonstrativo de gênero, faixa etária, estado civil, filhos e necessidade educativa especial dos alunos participantes. ............................... 54 Tabela 2: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos abandonaram os estudos. Nesse item, os alunos puderam assinalar mais de uma resposta. Obs: um aluno destacou que não abandou os estudos, só reprovou e foi transferido para a EJA, devido à idade. ..................................... 54 Tabela 3: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos retornaram aos estudos. Nesse item os alunos foram orientados a assinalar todas as opções condizentes com seus motivos. ............................................. 55 Tabela 4: Demonstrativo de alunos que trabalham e que não trabalham, destacando que a maioria trabalha. .................................................................. 55 Tabela 5: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o ENEM, predominando o maior número que não sabe. ................................................. 55 Tabela 6: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Prouni, destacando-se que a maioria não tem conhecimento. ...................................... 55 Tabela 7: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Fies. ........ 55 Tabela 8: Demonstrativo de alunos que sabem o que podem fazer após a conclusão dos estudos...................................................................................... 55 Tabela 9: Demonstrativo de alunos que tem planos para o futuro profissional. 55 Tabela 10: Demonstrativo de alunos que desejam receber Orientação Profissional, ressaltando-se que a maioria deseja. ........................................... 56 Tabela 11: Demonstrativo de alunos que tinham participado de algum tipo de Orientação Profissional antes. .......................................................................... 56 Tabela 12: Demonstrativo referente a opinião sobre o processo de Orientação Profissional. ...................................................................................................... 56 Tabela 13: Demonstrativo referente a participação no processo de Orientação Profissional. ...................................................................................................... 56 Tabela 14: Demonstrativo sobre dúvidas, após o processo de OP, ressaltando- se que os que ficaram com dúvidas foi em relação ao mercado de trabalho da área escolhida. .................................................................................................. 56 Tabela 15: Demonstrativo referente a algum conteúdo ou informação que poderia ter sido abordado no processo de OP.................................................. 57 Tabela 16: Demonstrativo do fato mais importante para a elaboração da escolha profissional. ......................................................................................... 57 Tabela 17: Demonstrativo sobre considerar importante que as escolas tenham algum tipo de OP. ............................................................................................. 57 Tabela 18: Demonstrativo sobre o que mudou na forma de pensar após participar do processo de OP. ........................................................................... 57 Tabela 19: Demonstrativo sobre fazer curso ou faculdade após terminar o ano. .......................................................................................................................... 57 Tabela 20: Demonstrativo sobre possíveis cursos e faculdades que os alunos pretendem fazer. ............................................................................................... 57 Tabela 21: Demonstrativo sobre a possibilidade de mudar de profissão/ocupação futuramente. ...................................................................... 58 Tabela 22: Demonstrativo referente à mudança de emprego ou ocupação: .... 58 Tabela 23: Demonstrativo sobre pensamentos e sentimentos em relação àvida profissional. ....................................................................................................... 58 Tabela 24: Demonstrativo referente aos projetos para o futuro profissional ..... 58 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABE: Associação Brasileira de Educação ABOP: Associação Brasileira de Orientação Profissional EJA: Educação de Jovens e Adultos ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio FIES: Fundo de Financiamento Estudantil FNDE: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FUNDEF: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério ISOP: Instituto de Seleção e Orientação Profissional INEP: Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos IFEJA: Índice de Fragilidade Educacional de Jovens e Adultos LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MOBRAL: Movimento Brasileiro de Alfabetização MEC: Ministério da Educação OP: Orientação Profissional OV: Orientação Vocacional PDE: Plano de Desenvolvimento da Educação PROJOVEM: Programa Nacional de Inclusão de Jovens PROEJA: Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio para Jovens e Adultos. PROUNI: Programa Universidade Para Todos SECAD: Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................. 14 CAPÍTULO I - ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ............................................... 18 1 O QUE É ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ............................................ 18 1.1 Objetivos da Orientação Profissional ..................................................... 19 2 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A PSICOLOGIA ............................. 20 2.1 Modalidade Estatística ........................................................................... 20 2.2 Modalidade Clínica ................................................................................. 21 3 HISTÓRICO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ................................ 21 4 DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ................ 25 5 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL ....................................... 26 CAPÍTULO II - EJA - EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS .................. 29 1 BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS......................................................................................................... 29 1.1 A Educação de Jovens e Adultos no Brasil ............................................ 33 2 DIMENSÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS NO BRASIL E SUA REGULAMENTAÇÃO LEGAL ........................................ 35 2.1 Regulamentação Legal........................................................................... 36 3 AS POLÍTICAS PÚBLICAS E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS......................................................................................................... 38 3.1 Políticas Públicas para a EJA no Brasil .................................................. 39 4 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS (EJA) .............................................................................................. 41 CAPÍTULO III - METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA.... 45 1 METODOLOGIA ..................................................................................... 45 1.1 Abordagem Sócio Histórica .................................................................... 50 1.2 Significados e Sentidos .......................................................................... 52 2 ANÁLISE DE DADOS ............................................................................ 54 3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ........................................................ 58 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ..................................................................... 62 CONCLUSÃO ................................................................................................... 63 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 65 APÊNDICES ..................................................................................................... 72 ANEXOS ........................................................................................................... 78 14 INTRODUÇÃO A referente pesquisa tem por objetivo conhecer e confrontar a opinião dos alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em relação à ampliação do conhecimento que possuem acerca das possibilidades relacionadas ao projeto de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho antes e após participarem da Orientação Profissional. A hipótese inicial consiste em averiguar se a participação num processo de Orientação Profissional ancorado em referencial teórico-metodológico consistente é capaz de desencadear no orientando a construção de um projeto de futuro mais assertivo e consciente, de maiores possibilidades. Conforme a LEI Nº 9.394 a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que pretende atender uma demanda de jovens e adultos, que não tiveram acesso ao ensino básico ou não o concluíram na idade regular por diversos motivos, que procuram a escola principalmente para conseguir emprego ou se manter empregado e se estabelecer no mercado de trabalho. A escolha por esse tipo de público surgiu com a experiência de estágio realizado anteriormente, com alunos do último ano da EJA, onde se percebeu a importância de um olhar diferenciado a esse público, os quais se sentem discriminados por estarem atrasados nos estudos, alguns sem perspectiva sobre o projeto de futuro, e como o acesso a informações profissionais, mercado de trabalho e autoconhecimento podem ajudar a ampliar essa visão. Assim optou-se por esse público, por entender que a escolha profissional deve ser destinada a todos os públicos, sendo um processo gradativo, independente da idade, da classe social ou cultural. Tendo em vista a alta competitividade no mercado de trabalho que requer profissionais cada vez mais competentes e com a necessidade de se manter nesse mercado, torna-se fundamental que a pessoa saiba como planejar o seu futuro profissional, pensar no rumo que deve seguir e saber como preparar o seu projeto de vida. Devido a essa grande concorrência profissional e poucas oportunidades de trabalho nos dias atuais surge então a motivação para se pensar na importância da Orientação Profissional como 15 possibilidade de promover um espaço de discussão e reflexão sobre os aspectos da vida profissional, social e cultural, investigar quais os limitadores da carreira e proporcionar condições para que a própria pessoa faça ou reafirme sua escolha, levando em conta a satisfação pessoal, os aspectos financeiros e o atual mercado de trabalho. Sendo assim foi elaborada essa proposta de pesquisa, com o objetivo de conhecer a opinião dos jovens a partir da participação em um programa de orientação profissional aplicado aos alunos do ensino médio da EJA. O local foi escolhido por se tratar de uma instituição de ensino pública, a qual possui um público numerosamente significativo ao interesse desta pesquisa em realizar tais atividades, e que ao mesmo tempo, não contam com a atuação de profissionais nessa área, por não ser uma disciplina presente na grade curricular. O presente estudo foi embasado na abordagem sócio histórica, que segundo Bock (2006), parte da ideia de que o ser humano é multideterminado, mas ao mesmo tempo pode ser agente ativo em seu contexto social,tendo possibilidades para mudá-lo. Desenvolvido por meio de uma pesquisa de campo, que segundo Gonsalves (2001) é o tipo de pesquisa que exige que o pesquisador busque as informações no próprio local de pesquisa, para assim reuni-las e documentá- las. A pesquisa foi organizada em três capítulos, sendo o Capítulo I para identificar o que é a Orientação Profissional e quais seus objetivos. O Capítulo II para identificar o que é a EJA e quais seus fundamentos e o Capítulo III para descrever a pesquisa, seu desenvolvimento, resultados e conclusão final. O método utilizado foi o qualitativo, através da aplicação de dois questionários, um antes e outro após o processo de Orientação Profissional, sendo que no primeiro encontro compareceram 48 alunos, porém apenas 25 concluíram. O objetivo da OP foi de verificar informações, pensamentos e sentimentos que os sujeitos da pesquisa têm acerca da vida profissional, da sua realidade social, política e cultural. Os discursos dos respondentes foram analisados por meio do método qualitativo, que conforme descreve Minayo: 16 É o que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam. Embora já tenham sido usadas para estudos de aglomerados de grandes dimensões (IBGE, 1976; Parga Nina et. AL 1985), as abordagens qualitativas se conformam melhor a investigação de grupos e segmentos delimitados e focalizados, de histórias sociais sob a ótica dos atores, de relações e para análise de discursos e de documentos. (2010, p. 57). Após os dados colhidos por meio do questionário l (ANEXO B), foram realizados cinco encontros semanais com duração de 01h10minh cada, em uma instituição de ensino, com os alunos da terceira etapa do ensino médio da Educação para Jovens e Adultos (EJA), onde foram abordados três módulos: Autoconhecimento, Informação Profissional e Mercado de Trabalho. Em seguida a participação no processo de Orientação Profissional, foi aplicado o questionário ll (ANEXO C), com a finalidade de identificar o aproveitamento que os orientandos obtiveram após participarem da OP e os reflexos para a construção do seu projeto de futuro, escolha profissional ou reafirmação da mesma, analisando-se suas respostas e opiniões concebidas após a intervenção. Ao término desse processo foi possível constatar como a Orientação Profissional se fez importante em uma possível escolha ou reafirmação profissional, proporcionando a ampliação do repertório de escolha profissional, auxiliando-os a formarem subsídios para que possam compreender os aspectos que envolvem as profissões, o mercado de trabalho e a si próprios. A participação no processo de Orientação Profissional ancorado em referencial teórico-metodológico consistente culminou na confirmação da hipótese levantada, ou seja, os alunos tiveram sua percepção ampliada, a visão de um futuro profissional ao orientando que participou. A proposta de intervenção refere-se ao trabalho de orientação profissional nas escolas públicas e, principalmente para o público da EJA, o qual é menos favorecido pela sociedade. Portanto, seria de fundamental importância que esse processo fosse destinado a esse público devido à demanda apresentada. Contudo, conclui-se que após um processo de OP, os 17 alunos da EJA ampliaram sua visão de projetos de futuro profissional, demonstrando assim, a importância desse trabalho realizado com os mesmos. 18 CAPÍTULO I ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL 1 O QUE É ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Segundo Levenfus (1997) o termo Orientação Profissional deve se referir a trabalhos que se limitam a informar sobre as profissões, mercado de trabalho, onde são aplicadas técnicas de aprendizagem, sem que dê ênfase a questões intrapsíquicas. De acordo com a autora, existe uma diferença entre Orientação Profissional e Orientação Vocacional, pois a Orientação Vocacional trata-se de um processo no qual se busca auxiliar e orientar para um conhecimento das características pessoais, familiares e sociais, criando condições para encontrar afinidades destas características como aquilo que poderá realizar em forma de projeto de vida profissional. Porém, ainda existem questionamentos sobre o termo orientação, pois alguns autores sugerem que o direcionamento dessa atividade parte do Psicólogo. Contudo, esse trabalho pode ser realizado por professores também. A Orientação Profissional ―oportuniza a reflexão, a discussão e o debate entre os próprios jovens para que eles possam se dar conta daquelas influências que lhe estão sendo prejudiciais, por não lhe permitirem escolher ou por levarem a um grau de angustia insuportável (SOARES, 1987, p.83). Conforme a citação acima cabe a reflexão de que a realização da Orientação Profissional que é feita em grupo auxilia os jovens por diversas razões como: diante da necessidade de escolher, os membros do grupo podem se identificar com as possibilidades, a troca de ideias e experiências pode proporcionar um maior aproveitamento das técnicas utilizadas. Na concepção de Müller (1998) a Orientação Vocacional não se trata de um estudo psicológico do qual necessariamente saem resultados. Ao contrário, trata-se de um processo, uma evolução mediante a qual os orientandos têm a 19 oportunidade de refletir sobre sua problemática de modo que procurem caminhos para sua superação. Nos últimos anos, observou-se que a procura pela Orientação Vocacional tem crescido muito, sendo indiscutível o valor do trabalho do orientador profissional para a sociedade, considerando que a prática desse trabalho deve ser constantemente avaliada pelos profissionais envolvidos. O processo de Orientação Vocacional pode ser desenvolvido tanto em grupo quanto individualmente. Lucchiari, ao referir o trabalho em grupo considera que: É importante para o indivíduo, sentir-se igual aos outros, há possibilidade de compartilhar sentimentos de dúvidas em relação à escolha e ao futuro, cada participante do grupo é um facilitador, pois auxiliam a entender o outro e o conhecimento que cada membro busca de si mesmo (1993 p.13-14). Em contrapartida, Torres (2002) em sua prática clínica já defende os atendimentos individuais, acreditando mais em sua eficácia. Portanto, a Orientação Vocacional auxilia o indivíduo na compressão do mundo social em que vive, a construir seu projeto profissional. Para Andrade et.al. (2002, p.49): A relevância do processo de OV pode ser evidenciada quando este, ao passo que faz com que o levem a refletir sobre si mesmo, também o ajuda a escolher um caminho profissional, dando possibilidades para que possa desenvolver todas as suas capacidades. Diante dessa afirmação, os autores expõem a ideia do quanto se torna importante a OV para que o indivíduo possa fazer uma reflexão sobre si e a partir dessa reflexão, enxergar as possibilidades que surgirem, como também suas próprias capacidades para então fazer a sua escolha profissional. 1.1 Objetivos da Orientação Profissional O objetivo principal da Orientação Profissional é facilitar a escolha do jovem, auxiliando-o a refletir sobre suas capacidades e dificuldades para que se possa fazer a escolha mais adequada. Lucchiari afirma que: 20 Ela tem por objetivo facilitar o momento da escolha ao jovem, auxiliando-o a compreender sua situação específica de vida, na qual estão incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. É a partirdessa compreensão que ele terá mais condição de definir qual a melhor escolha- a escolha possível- no seu projeto de vida (1993, p.12). De acordo com a autora, o orientador deve estar habilitado para coordenar o processo de OP para que as dificuldades possam ser trabalhadas e assim auxiliar o jovem a pensar, facilitando sua escolha. Para facilitar essa escolha a autora ressalta que devem ser trabalhados os seguintes aspectos; 1. Conhecimento de Si: está relacionado à identidade do jovem em quem ele foi, quem ele é e quem ele será, o projeto que ele espera para o futuro em sua vida profissional, suas expectativas em relação a família e pessoais, quais são seus principais valores e interesses. 2. Conhecimento das Profissões: está relacionado às profissões, quais são, o que fazem e como fazem, o mercado de trabalho dentro do sistema político-econômico, quais as possibilidades de atuação, visitas aos locais de trabalho e cursos de universidades, informações sobre currículos e entrevista com profissionais. 3. Escolha propriamente dita: que refere à decisão pessoal, deixar de lado o que não é escolhido, viabilizar a escolha. 2 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A PSICOLOGIA De acordo com Bohoslavsky (1998), existe um trabalho conjunto da Psicologia com a Orientação Profissional, pois os indivíduos precisam de um processo de mudanças e escolhas em um determinado momento de sua vida, e a escolha da profissão faz parte de um momento crítico de mudança na vida de cada individuo. Nesse caso cabe ao psicólogo auxiliar com o trabalho de OP ao jovem enfrentar e elaborar suas dúvidas, medos, inseguranças que emergem nesse momento. Portanto, há duas modalidades diferentes que se enquadram nesse contexto. 2.1 Modalidade Estatística 21 Para os psicólogos que atuam nesta modalidade, o trabalho é realizado a partir do interesse do cliente, diante das oportunidades existentes, que se ajustam ao gosto do futuro profissional. Esta modalidade, influenciada por programas da psicometria, tem recebido contribuição de autores fatorialistas, suas descrições quantitativas estão cada vez mais rigorosas e o teste torna-se um instrumento fundamental para se conhecer as aptidões dos orientandos. 2.2 Modalidade Clínica Nesta modalidade os jovens são auxiliados a enfrentar e compreender a situação no processo de escolha para chegar a uma decisão responsável. Para os psicólogos que atuam nessa modalidade, a entrevista é o principal instrumento, pois se considera que se a adaptação à situação de aprendizagem não for boa, a decisão também não será. Portanto, conforme a descrição do autor pode-se concluir que tanto na modalidade estatística quanto na modalidade clínica, o psicólogo exerce uma função de fundamental importância no que diz respeito à facilitação da escolha do jovem, com técnicas, testes, escuta qualificada, entrevistas e reflexões, esse profissional pode auxiliar o indivíduo no processo da escolha profissional. 3 HISTÓRICO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL De acordo com Bock (2006) no passado a escolha de uma profissão ou ocupação não era vista como um problema universal da humanidade, pois os homens trabalhavam e viviam apenas para sobreviver. Os trabalhos organizavam-se como atividade de coleta e mais tarde como caça, não havendo diferenciação de funções, exceto aquelas determinadas pelo sexo. Na vida tribal, pode ser encontrada a preservação de culturas advindas de seus descendentes, não estipulando atividades e ocupações diferentes entre seus membros, sendo organizadas apenas por meio de uma hierarquia, no que se refere às questões de guerra e aos cuidados com a saúde, levando em conta funções exercidas por questões de coragem ou ainda idade avançada. A atividade da caça, por exemplo, são atribuídas especificamente aos homens, devido ao porte físico, já a agricultura e o cuidado dos filhos são 22 destinados exclusivamente as mulheres. Nesse período não havia possibilidades e nem necessidades de grandes escolhas no que se refere a funções, tanto para a sobrevivência material ou não. Para os grandes filósofos gregos, e especificamente para Platão e Aristóteles, o trabalho era uma atividade exclusivamente física, que se reduzia ao esforço que deviam fazer as pessoas para assegurar seu sustento, satisfazer suas necessidades vitais e reproduzir sua força de trabalho (circunscrita a sua dimensão meramente física). Era uma atividade considerada pelos demais não somente como penosa, senão também como degradante, que não era valorizada socialmente e que se justificava em última instância pela dependência que os seres humanos tinham com respeito as suas necessidades (NEFFA, 1999, p. 130 tradução nossa, do espanhol). Consequentemente ser cidadão, escravo, camponês ou trabalhador manual não tinha nenhuma relação com algum tipo de escolha, mas sim da condição de classe da família que o indivíduo pertencia ou de acordo com as vitórias e derrotas nas guerras. Mas, segundo Jaccard não era o trabalho que era desvalorizado nesse tempo, mas a condição de dependência: A condição do assalariado livre não valia mais do que a do servo; ambos eram desprezados e quase sempre miseráveis, Por trabalharem por suas mãos? Não, porque os deuses, os reis e os senhores também o faziam, mas,... Por dependerem de outrem, por não subsistirem senão servindo outrem. Nesse tempo, não era o trabalho que estava desacreditado; era a dependência, a obrigação de servir - de que o cristianismo fará um dever de honra – que era considerada indigna do homem. É por isso que o cultivador pobre, penando sobre o seu árido campo, alimentando-se com custo, mas independente, será glorificado por muito tempo, mas do que o artesão, o poeta ou o artista, cuja subsistência depende de um mestre ou de um cliente generoso. (1974, p. 65). A luta pela sobrevivência dependia das condições estabelecidas pela estrutura e forma da sociedade, de como ela se organizava, ou seja, não dependia de escolhas. Na idade Média, especificamente no feudalismo, o mesmo fenômeno ocorre, a sociedade divide-se em camadas sociais: nobres, clérigos, senhores e vassalos, uns com obrigações para os outros. O que determina a posição da classe é a circunstância do nascimento, caso o indivíduo seja de uma família 23 de nobres ou plebeus. A ocupação e a posição ocupadas na sociedade são transmitidas de pai para filho. O trabalho, neste modo, visa o sustento dos indivíduos, pois nesse tempo o mercado apenas começava a desenvolver-se. Ainda nesse período de desenvolvimento da sociedade, não se pode falar em escolha de profissão por parte dos indivíduos, pois a estrutura da sociedade que vai determinar o que cada um vai fazer ou que prestígio social e poder vai ter. A igreja aparece com força absoluta, principalmente a católica, reafirmando que tudo que acontece é por força divina. O que importa são os laços de sangue, há uma estagnação social e as tarefas são transmitidas familiarmente. A palavra vocação só se conceitua no sentido religioso, que seria um chamado divino, impondo uma missão para os indivíduos. O trabalho ainda é visto como uma atividade para a manutenção e sobrevivência da espécie humana. A terra, segundo Huberman (1986) era de propriedade da nobreza e do clero, que a arrendava aos senhores, que, por sua vez, arrendava aos servos. A ideia de escolha profissional só ganha relativa importância quando o modo de produção capitalista instala-se definidamente. Com a passagem do feudalismo para o capitalismo começa o surgimento de importantes mudanças no modo de produzir e reproduzir a existênciahumana. Segundo Braverman (1981), a nova ordem social, engendrada pelo capitalismo, só aparece quando algumas características fundamentais dominam o processo de produção. Em primeiro lugar, o trabalhador é excluído da propriedade de todos os meios de produção, assim sua sobrevivência só é alcançada por meio da venda de sua força de trabalho, e isto acontecerá apenas se ele não tiver nenhuma possibilidade de sobreviver de forma autônoma. Em segundo lugar, passa a ser crucial que o trabalhador não tenha nenhum tipo de relação jurídica que o mantenha preso a qualquer modo de servidão, o trabalhador agora é livre e pode vender sua capacidade de trabalho. E, em terceiro lugar, o objetivo primordial do trabalho (produção) não é mais característico da satisfação das necessidades humanas, como resultado, passa-se a produzir para o mercado, visando o capital empregado (lucro), característico desse modo de produção. 24 Assim, as teorias e práticas na área da orientação profissional só avançam no modo capitalista de produção, que mais a frente, na chamada Revolução Industrial, aparecerá a divisão técnica do trabalho. Nesse período a questão da seleção e, consequentemente, a escolha profissional, passam a ser consideradas muito importantes, para que se tenha o homem certo no lugar certo, visando à produtividade. A posição do indivíduo no capitalismo não é mais determinada, pelos laços de sangue. Agora, esta posição é conquistada pelo indivíduo segundo esforço que despende para alcançar esta posição. Se antes esta posição era entendida em função das leis naturais referendadas pela vontade divina, agora, ao contrário, o indivíduo pode tudo, desde que lute, estude, trabalhe, se esforce, e também (por que não?) seja um pouco aquinhoado pela sorte (BOCK, 1989, pag.15). Nesse momento o conceito de vocação muda, pois não se pode mais falar no sentido religioso, como era no período feudal. A revolução burguesa falava sobre a ideia de igualdade entre os homens, mas como explicar as desigualdades entre os seres humanos, numa sociedade que questiona a determinação religiosa? Assim, surge o conceito de vocação biológica para justificar essas diferenças no meio da sociedade. Se o indivíduo não se deu bem na vida (não obteve, segundo os parâmetros da sociedade, riqueza, prestígio, poder, etc.), a justificativa para tal gira em torno da má escolha de sua profissão, portanto, da não identificação de sua ‗‘verdadeira vocação‘‘, ao invés de se proceder a uma análise da realidade socioeconômica para entender a situação. (BOCK, 1986, p. 173) Assim, a ideia da liberdade de escolha profissional tem como base inicial, o capitalismo, que coloca o trabalho para além da sobrevivência pessoal. Com certeza, só se pode mencionar a questão da opção num caso em que o indivíduo não pode mais sobreviver de forma autônoma e necessita vender sua força de trabalho. Só a partir desse momento, se concebe a ideia de que o indivíduo escolhe seu caminho dentro das condições em que vive e em função de suas vontades e aptidões. 25 As teorias em orientação profissional serão desenvolvidas seguindo essa perspectiva, ou seja, compreendendo que a escolha profissional é um fenômeno, que acontece em um determinado momento na história da humanidade. 4 DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Com a Revolução Francesa, em 1789, passa-se a ter possibilidades de se pensar em algum tipo de liberdade de escolha, pois essas, já não eram mais determinadas pelo nascimento, por castas ou pelas famílias, mas sim, pela luta de igualdade dos direitos entre os homens. Depois, com a Revolução Industrial, ocorre uma significativa mudança do modo de produção agrário para o industrial, mudando completamente o cenário nas relações de trabalho. No qual, exige-se uma qualificação humana diferenciada para os vários tipos de ocupações, nesse momento surge os primeiros sinais de uma necessidade da orientação profissional. Com o objetivo de selecionar, detectar trabalhadores aptos para a realização ou não de algumas tarefas, buscando uma eficácia industrial, ou seja, o homem certo para cada ocupação. Com toda essa mudança, o capitalismo sofre um disparo, fazendo surgir uma nova era, onde o que importava era o lucro. Assim descobre-se que a maioria da população não tem qualificação, sendo necessário o aparecimento de alguma forma de capacitação para tornar essa população apta para os novos trabalhos. A partir, desses acontecimentos a escolha profissional passa a ter um destaque importante para o homem, que agora é livre para oferecer seu trabalho. Em 1909 acontece a publicação do primeiro livro sobre Orientação Profissional, ‗‘Escolhendo uma Profissão‘‘, de Frank Parsons, e também o surgimento do primeiro Centro de Orientação Profissional, criado pelo mesmo. Este último possuía o objetivo de identificar aptidões, buscando uma boa adaptação através da comparação dos perfis do indivíduo e do requisitado pela ocupação, ou seja, a adaptação depende do equilíbrio entre as características do indivíduo e as exigências das funções (SPARTA, 2003). 26 A demanda pelo serviço de orientação profissional amplia-se, com a primeira Guerra Mundial, em 1917, com isso surge à necessidade de recrutamento de novos membros para o exército e com isso o incentivo ao uso de testes como os de inteligência, aptidões, habilidades, interesses e personalidade. A orientação Profissional teve seu início associada à psicometria, porém, essas teorias não supriam as questões ligadas às práticas, tiveram um papel importante nessa época, desenvolvendo-se mais elaboradas para tentar cumprir seu objetivo. De acordo, com dados colhidos no artigo de Sparta (2003), até esse momento o desenvolvimento da Orientação Profissional era diretivo, mas após o surgimento da teoria de Carl Rogers, aproximadamente em 1940, que era centrada na pessoa, a orientação profissional passa a seguir outros caminhos, dando lugar para o surgimento de outras teorias mais subjetivas. 5 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL De acordo com Sparta (2003), a Orientação Profissional brasileira teve como marco inicial, sua origem em 1924, com o Serviço de Seleção e Orientação Profissional para os alunos do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, sob o comando do engenheiro suíço Roberto Mange. A Orientação Profissional nasceu ligada à Psicologia Aplicada, a qual vinha se desenvolvendo no país na década de 1920, que se coloca junto à Medicina, à Educação e à organização do trabalho. No Brasil, a orientação profissional surgiu com a intenção de preencher as exigências do mercado industrial, com a missão de operar para sustentar sociedade. Posteriormente foi sendo transformada para atender as necessidades da nova sociedade pós-industrial que vive em constante mudança. A Orientação Profissional não satisfeita em reproduzir ou manter as exigências sociais almeja ser um agente de transformação social. Para tal, está engajada política, social e eticamente na sociedade (SPARTA, 2003). Nas décadas de 1930 e 1940, foi inserida no Serviço de Educação do Estado de São Paulo, por iniciativa de Lourenço Filho. Em 1942, a lei 27 Capanema, sobre a organização do ensino secundário, estabeleceu a atividade de orientação educacional e colocou como o auxílio na escolha profissional dos estudantes. Conforme explica Sparta (2003), em 1944 foi criada a Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, estudava a organização racional do trabalho e a influência da psicologia sobre a mesma. Já em 1945 e 1946, com assistência do governo brasileiro,de acordo com a autora foi oferecido o curso de Seleção, Orientação e Readaptação Profissional, ministrado pelo psicólogo e psiquiatra espanhol Emilio Mira y López, com o objetivo de formação de técnicos brasileiros em áreas de atuação específicas. Em 1947, foi fundado o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), junto à Fundação Getúlio Vargas, na cidade do Rio de Janeiro, Instituto que técnicos e estudiosos da Psicologia Aplicada, muitos deles formados pelo curso ministrado por Mira y López, o primeiro diretor do Instituto. Na década de 1950, começaram a surgir diferentes teorias sobre a escolha profissional. Em 1951 foi publicado o livro Ocupacional Choice, de Cinzberg & outros. Essa obra originou a primeira teoria do desenvolvimento vocacional, que enfatiza a questão da escolha profissional não ser um acontecimento específico que ocorre num momento específico da vida, mas sim um processo evolutivo que ocorre entre os últimos anos da infância e os primeiros anos da vida adulta. Segundo a autora, dois anos após essa teoria, foi publicada a teoria do desenvolvimento vocacional de Donald Super. Tal teoria definiu a escolha profissional como um processo que ocorre ao longo da vida, da infância até a velhice. Ocorre através de diferentes estágios do desenvolvimento vocacional e da realização de diversas tarefas evolutivas. Em 1959, foi publicada a Teoria Tipológica de John Holland. Para esta autora, os interesses profissionais refletem a personalidade do indivíduo. Dessa forma, podem servir de base para a definição de diferentes tipos de personalidade, cujas características definem diferentes grupos de trabalho e correspondem a diferentes ambientes de trabalho. Nas décadas de 1950 e 1960, de acordo com a mesma autora, foram publicadas as teorias psicodinâmicas da escolha profissional, baseadas na teoria psicanalítica e na teoria de satisfação das necessidades, bem como, nas 28 teorias de tomada de decisão, que estavam inicialmente mais preocupadas com o momento da escolha do que como processo em si. No Brasil, a OP desde sua concepção esteve ligada à Psicologia, pautada no enfoque clínico e foi muito influenciada pela Psicanálise, ou seja, norteou-se principalmente pela estratégia clínica de orientação vocacional do psicólogo argentino Rodolfo Bohoslavsky, e foi introduzida no Brasil na década de 1970 por Maria Margarida de Carvalho. Silva et al, (2008) salienta que a estratégia clínica de Bohoslavsky e o processo de interação grupal desenvolvido por Carvalho deu origem a um modelo brasileiro de orientação profissional, utilizado até os dias de hoje no Brasil. Essa pesquisadora propôs os processos grupais como forma alternativa ao modelo psicométrico e como forma de promoção da aprendizagem da escolha. O enfoque clínico permanece, mesmo considerando as décadas de 1980 e 90, as quais foram décadas em que muito se pesquisou a respeito da OP em relação à escolha vocacional e adolescência. No final da década de 90 do século XX, o foco de interesse das pesquisas sobre Juventude, Educação e Trabalho se exacerbou, devido às mudanças ocorridas no mundo que rodeia o trabalho, novas perspectivas foram abertas para a OP que cada vez mais vem se consolidando como agente de transformação social. Como afirma Soares (1999), no Brasil a Orientação Profissional pode ser realizada por psicólogos e pedagogos, mas infelizmente a formação de orientadores profissionais brasileiros ainda não possui regulamento ou lei para se determinar conteúdos mínimos a serem realizados. Fica a formação a cargo de universidades e cursos livres, a falta de uma lei mais rigorosa da profissão acaba desfazendo boas iniciativas e não oferece poder para que a ABOP (Associação Brasileira Orientação Profissional) possa fiscalizar os cursos oferecidos em território nacional. 29 CAPÍTULO II EJA - EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS 1 BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS Desde o período colonial, a educação brasileira, tinha uma natureza especifica direcionados as crianças e adultos, incluindo indígenas que submetiam a uma intensa ação cultural e educacional. Com a saída dos jesuítas do Brasil em 1759, a educação de adultos entra em crise e fica sob a responsabilidade do Império a organização e emprego da educação. A identidade da educação brasileira foi sendo marcada então pela Teoria do Poder que limitava a educação às classes mais ricas. As aulas administradas (latim, grego e filosofia), eram direcionadas especialmente aos filhos dos colonizadores portugueses (brancos e masculinos), excluindo-se assim as populações negras e indígenas. (STEPHANOU; BASTOS, 2005) Dessa forma, a história da educação brasileira foi sendo demarcada por uma situação pessoal que era o conhecimento claro de maneira exclusiva pelas classes dominantes. O ponto de início traz a situação em que se iniciou a educação brasileira. É importante lembrar que a partir da constituição Imperial de 1824 procurou-se dar uma maior importância para a educação, garantindo a todos os cidadãos a instrução primaria. No entanto, essa lei, infelizmente ficou só no papel. Havia uma grande discussão em todo o Império de como inserir as chamadas camadas inferiores (homens e mulheres pobres livres, negros escravos, livres e libertos) nos processos de formação formais. A partir do Ato Constitucional de 1834, ficou a responsabilidade das províncias a instrução primária e secundária de todas as pessoas, mas que foi designada especialmente para jovens e adultos, mas a educação de jovens e adultos nesta época era carregada de princípio missionário e caridoso, onde o letramento destas pessoas era um ato de caridade das pessoas letradas às pessoas perigosas e degeneradas. 30 ―Era preciso iluminar as mentes que viviam nas trevas da ignorância para que houvesse progresso‖ (STEPHANOU; BASTOS, 2005. p.261). A alfabetização de jovens e adultos passa a ser um ato de solidariedade, não sendo vista como direito. A ideia da pessoa analfabeta tomou força com o período que preconizava a República. Em 1879, a Reforma Leôncio de Carvalho caracterizava o analfabeto como dependente e incompetente. Posteriormente em 1881, a Lei Saraiva com a ideia da Reforma de Leôncio de Carvalho restringindo o voto as pessoas alfabetizadas. Rui Barbosa, em 1882, solicita que os analfabetos são considerados, assim, como crianças, incapazes de pensar por si próprios. Instala-se uma grande onda de preconceito e exclusão da pessoa analfabeta. Com início do século XX houve uma grande mobilização social que pretendia exterminar o analfabetismo, onde em 1915 foi criada a Liga Brasileira contra o Analfabetismo que pretendia lutar contra a ignorância para estabilizar a grandeza das instituições republicanas. Na Associação Brasileira de Educação (ABE), as discussões giravam em torno de uma luta contra o analfabetismo, para que as pessoas que não eram alfabetizadas procurassem se alfabetizar, pois era necessário tornar a pessoa analfabeta um ser produtivo que contribuísse para o desenvolvimento dos pais. Na década de 1940, o Brasil alcançou a marca de 72% de analfabetos. Em 1934, foi criado o Plano Nacional de Educação que previa o ensino primário integral obrigatório e gratuito as pessoas adultas. Esse foi o primeiro plano na historia da educação brasileira que previa um tratamento especifico para a educação de jovens e adultos. (STEPHANOU; BASTOS, 2005). Foi a partir da década de 1940 e com grande força na década de 1950 que a Educação de Jovens e Adultos volta a pautar a lista de prioridades necessáriasdo país. No ano 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) e a partir de suas pesquisas e estudos, foi fundado em 1942 o Fundo Nacional do Ensino Primário com o objetivo de realizar programas que ampliasse e incluísse o Ensino Supletivo para adolescentes e adultos. Em 1945, este fundo foi regulamentado, estabelecendo que 25% dos recursos fossem empregados na educação de adolescentes e adultos. 31 Com o Golpe Militar, em 1967 foi lançado o Mobral, Movimento Brasileiro de Alfabetização, que, no inicio visava atender analfabetos de 15 a 30 anos, onde o foco era ensinar a ler e a escrever. Para Bello: O Projeto MOBRAL permite compreender bem essa fase ditatorial por que passou o país. A proposta de educação era toda baseada aos interesses políticos vigentes na época. Por ter de repassar o sentimento de bom comportamento para o povo e justificar os atos da ditadura, esta instituição estendeu sobre seus braços a uma boa parte das populações carentes, através de seus diversos programas. (1993, p.38). O Mobral cresceu na década de 1970, e em 1985 teve seu fim, e assim deu lugar à Fundação Educar, com o intuito de apoiar técnica e financeiramente as iniciativas de alfabetização existentes. Na década de 1990 que a Educação de Jovens e Adultos consegue colocar em vigor uma nova política, onde ganha novos métodos para trabalhar com criatividade, a fim de fazer com que jovens e adultos que tiveram uma vaga passagem pelas escolas, tenham uma nova oportunidade de inserir-se na educação e, assim permanecendo,venham a ganhar cultura, conhecimento e incluírem-se no mercado de trabalho. Assim para Mello: A universalização do ensino elementar, a garantia de domínio dos códigos básicos de leitura e escrita e a superação de fracasso escolar terão que ser por nós enfrentados de forma tal que o propósito conteúdo do ensino, receba tratamento adequado ao mais pleno desenvolvimento cognitivo. Não se trata mais de alfabetizar para o mundo no qual a leitura era privilégio de poucos ilustrados, mais sim para contextos culturais nos quais a decodificação da informação escrita é importante para o lazer, o consumo e o trabalho. Este é um mundo letrado, no qual o domínio da língua é também pré- requisito para a aquisição da capacidade de lidar com códigos e, portanto, ter acesso a outras linguagens simbólicas e não verbais, com as da informática e as das artes. (1993, p.28) É claro verificar e perceber que a EJA pretende formar pessoas com níveis de conhecimentos similares ao da educação do ensino regular. Mas, com tantas dificuldades, se verifica que os problemas para ter resultados da Educação de Jovens e Adultos com qualidade, têm relações a métodos e se 32 incluem os problemas como a qualificação de professores, a falta de materiais para se adequar e tantas outras coisas que os alunos necessitem, e acabam não conseguindo acompanhar os estudos. E assim chega-se ao século XXI com uma alta taxa de pessoas que não tem a capacidade sobre a leitura, a escrita e as operações matemáticas básicas, como cita os autores Stephanou e Bastos: Quase 20 milhões de analfabetos considerados absolutos e passam de 30 milhões os considerados analfabetos funcionais, que chegaram a frequentar uma escola, mas por falta de uso de leitura e da escrita, tornaram à posição anterior. Chegam ainda à casa dos 70 milhões os brasileiros acima dos 15 anos que não atingiram o nível mínimo de escolarização obrigatório pela constituição, ou seja, o ensino fundamental. Somam-se a esses os neo analfabetos que, mesmo frequentando a escola, não conseguem atingir o domínio da leitura e da escrita‖. (2005p. 273). Esse histórico fornece um fundamento para análise da situação atual da educação brasileira, é preocupante o número de pessoas que lêem um texto simples e não entendem o sentido apresentado pelo autor. Assim pode-se observar que essa é a herança de todo o tratamento que a educação brasileira sofreu ao decorrer da historia. Todos os projetos e planos apresentados visaram o avanço que se organizou destes planos, pois criavam projetos e mais projetos e sem ter, muitas vezes, o tempo necessário para surgir efeito, eram desfeitos ou trocados por outros projetos. Com esses fatos históricos torna-se possível analisar as ações educativas atuais, através da historia, verificar qual busca deu certo em nosso contexto e o que foi apenas uma tentativa em vão. Como profissionais da educação ou como pessoas sujeitas da historia que esta envolvida na educação como um ato político, tem que nos perguntar: que educação quer vivenciar? O que queremos com a Educação de Jovens e Adultos? Qual sua intenção? Queremos uma educação que agrade somente para dar condições às pessoas ao mercado de trabalho ou queremos pessoas também que possam pensar sobre a situação social e do país? Queremos pessoas que pensem, criticam ou pessoas que são se interessem pelos seus 33 direitos, ou como o de ter uma vida digna, a que e a quem a educação, de forma especifica esta servindo?(STRELHOW, 2010) Como pessoas capazes de mudar a situação em que se encontra, de mudar um sistema de pensamento, de modificar toda uma realidade, todos tem a responsabilidade de querer e ser pessoas que pensam e que a partir da educação possam fazer algo, e que possam também refletir sobre sua ação como pessoa capaz de exercer seus direitos da história. 1.1 A Educação de Jovens e Adultos no Brasil Com a Lei Federal nº 9.394/96 (LDB) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a EJA passa a ser modalidade de educação básica nas etapas de Ensino Fundamental e Médio, que tem como fundamento não só alfabetizar os jovens e adultos, mas sim dar oportunidades de escolarização no ensino regular, assim que possa proporcionar a eles uma educação para se desenvolver seu sistema crítico e inseri-los no contexto social atual. E em janeiro de 2003 o Ministério da Educação (MEC) anunciou que a alfabetização de jovens e adultos seria a predileta do novo governo federal, e assim foi criada a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, com o objetivo de extrair o analfabetismo durante o mandato do governo José Inácio Lula da Silva. E para executar esse objetivo foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e organizações. Atualmente apresenta medidas para poder alcançar os objetivos do analfabetismo por meio do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril de 2007. Conforme pesquisas realizadas pelo MEC, os objetivos a serem alcançados pelo Programa consideram os jovens e adultos de 15 a 29 anos e, de acordo com essa perspectiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), os municípios e os estados inseridos recebem apoio financeiro para orientar para capacitar os alfabetizadores antes do inicio das aulas e durante todo o período do curso de alfabetização, de acordo com as normas do programa determinados pelas Resoluções n°45 e 65 de 2007. 34 Com essa formação para os professores são condições importantes para a melhoria dos processos de ensino e de aprendizagem, que devem se adequar ao trabalho com jovens, adultos e idosos. Aos municípios tem a responsabilidade de encontrar e mobilizar os analfabetos, selecionar os professores e coordenar e supervisionar sua capacitação inicial e em serviço. Com esses resultados pode-se observar um futuro promissor para a EJA. E que a preocupação do governo federal e na nova formulação de medidas para extinçãodo analfabetismo, de acordo com as bases teóricas de documentos e metas a serem alcançadas. A existência da leitura e da escrita todos tem direitos, sem exceção, pois é essencial para todos, e ainda prossegue uma enorme quantidade de brasileiros acima de 15 anos ou mais que não a domina. Para que isso seja transformada, exige esforços de todos, em especial do governo, na realização de políticas sociais e algumas ações que possam promover uma educação de qualidade, para que se atinjam todos os brasileiros, principalmente a classe mais pobre, pois são os mais excluídos quando se trata de educação, e é essencial para que essas ações possam eliminar a pobreza, pois esse é o motivo principal de causas do analfabetismo. (KRENCZYNSKI, 2008) Para Freire: Mudar é difícil, mas é possível, que vamos programar nossa ação politica-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de formação de mão de obra técnica. (2000, p.81). Para que a educação seja plena e esse cidadão possa ter sucesso são indispensáveis outros fatores como: a garantia de emprego, ter acesso aos bens sociais como saúde, moradia, lazer, entre outros. Segundo Colavito (2014), Saber ler e escrever é ser livre, é ter autonomia de sua própria vida, é poder ir e vir, se realizar, tornar-se sujeito de sua própria historia, se aperfeiçoando tecnologicamente e, poder fazer parte do mercado de trabalho e crescer a cada vez mais. 35 Na realização de tudo isso e com propostas de garantir um bom futuro, para fazer parte da sociedade tanto como cidadão, quanto um bom profissional que essas pessoas voltam a procurar a escola, por meio da EJA. A maior parte que procura a EJA tem entre 15 e 29 anos, procurando a melhoria de trabalho, outros para o primeiro emprego, outros estão fazendo para aumentar o processo que trará o diploma escolar. Segundo Paulo Freire: Alfabetização é mais que o simples domínio mecânico de técnicas para escrever e ler. Com efeito, ela é o domínio dessas técnicas em termos conscientes. É entender o que se lê e escreve o que se entende. Implica uma auto formação da qual se pode resultar uma postura atuante do homem sobre seu contexto. Para isso a alfabetização não pode se fazer de cima para baixo, nem de fora para dentro, como uma doação ou uma exposição, mas de dentro para fora pelo próprio analfabeto, apenas ajustado pelo educador. Isto faz com que o papel do educador seja fundamentalmente diálogos com o analfabeto sobre situações concretas, oferecendo-lhes os meios com que os quais possa se alfabetizar. (1989, p.72). Em qualquer fase da vida, o ingresso à educação é um direito de todos e a certeza de que os cidadãos se tornem participativos de uma sociedade que é sua por direito, só basta adquirir o conhecimento para que agregue os direitos da população. 2 DIMENSÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS NO BRASIL E SUA REGULAMENTAÇÃO LEGAL Para Oliveira (1999), o jovem que retorna a EJA busca a certificação de que teoricamente o colocaria no mercado de trabalho e teria o seu lugar na sociedade garantido, tendo com isso o resgate da autoestima e passando a ser visto como um cidadão. O adulto já inserido no mundo do trabalho traz consigo uma história mais longa e acumula reflexões sobre o mundo externo. Para tanto, a maioria das iniciativas de EJA, até então, surgiram com a participação do estado devido à necessidade do mesmo prestar contas à comunidade internacional sobre os índices de analfabetismo, tornou-se fundamental encontrar soluções imediatas para resolver o problema instalado e erradicar o 36 analfabetismo. As manifestações populares que surgiram contribuíram para tais iniciativas de iniciativas do Estado. Por isto a educação de adultos convertera-se num requisito indispensável para ―uma melhor organização e reorganização social com sentido democrático e num recurso social da maior importância‖,... E devemos educá-los porque essa é a obra de defesa nacional, porque concorrerá para todos melhor saibam defender a saúde, trabalhar mais eficientemente, viver melhor em seu próprio lar e na sociedade (PAIVA, 1987 p. 179). Conforme a autora, as iniciativas de tentar solucionar o problema do analfabetismo no Brasil, contribuiu também para mostrar a faltas de políticas publicas que visassem o cumprimento das obrigações do analfabeto, facilitando para que a cada governo fossem implantadas mais políticas que melhorassem essa questão social. Segundo Rossi (1980), como meio de melhorar a questão social, devido à falta de políticas públicas, ocorreram movimentos populares que apresentavam: luta por seus direitos civis, promoção da conscientização cidadã, valorização cultural com ênfase nos aspectos culturais locais e a busca da solução de problemas locais de interesse do grupo. Em primeiro lugar, a certificação da conclusão de determinado grau de ensino. Em segundo lugar a ideia de empregabilidade. Formalmente com um certificado o jovem ou adulto pode inserir-se no mercado de trabalho. Em terceiro lugar, o reconhecimento social que o levaria para a elevação e afirmação de sua autoestima. Esses quatro aspectos remetem-se à ideologia capitalista no campo da crença pedagógica da teoria do capital humano. De acordo com o autor, os movimentos populares contribuíram para uma educação inserida na classe adulta, cuja mesma poderia obter um certificado e se inserir no mercado de trabalho e ter um reconhecimento por parte da sociedade elevando sua autoestima, sem deixar de oferecer mais capacidade de fortalecer o capitalismo, incluindo esses trabalhadores na sociedade com a garantia de que os mesmos possam se expandir no mercado. 2.1 Regulamentação Legal 37 O surgimento da educação básica de adultos, conforme Proposta Curricular para o 1º. Segmento do Ensino Fundamental ocorreu a partir da década de 30, quando inicia a consolidação do sistema público de educação elementar no país, na categoria de ensino supletivo. O ensino supletivo, implantado em 1971, foi outro marco importante na história da educação de jovens e adultos do Brasil. De acordo com Vieira: Durante o período militar, a educação de adultos adquiriu pela primeira vez na sua história um estatuto legal, sendo organizada em capítulo exclusivo da Lei nº 5.692/71, intitulado ensino supletivo. O artigo 24 desta legislação estabelecia com função do supletivo suprir a escolarização regular para adolescentes e adultos que não a tenham conseguido ou concluído na idade própria. (2004, p.40). Conforme a citação acima foi durante o período militar que se iniciou a regulamentação do ensino para jovens e adulto, que na época denominava-se Ensino Supletivo. A mudança de ensino supletivo para educação de jovens e adultos não é uma mera atualização vocabular. Houve um alargamento do conceito ao mudar a expressão de ensino para educação. Enquanto o termo ―ensino‖ se restringe à mera instrução, o termo ―educação‖ é muito mais amplo compreendendo os diversos processos de formação (SOARES, 2002, p. 12). De acordo com a autora, o termo referido à educação traz uma fundamentação mais relevante para o ensino de jovens e adultos, compreendendo que seu significado torna-se mais amplo para a formação dos alunos. A Constituição de 1988 trouxe avanços para a EJA: o ensino fundamental, obrigatório e gratuito, passou a ser garantia constitucional para aqueles que não tiveram acesso na idade apropriada. A lei 9.394/96 definiu as responsabilidades das ações da educação básicapara os governos estaduais e municipais e as ações voltadas para a educação superior e de nível médio como competência do governo federal. Em janeiro de 2003 o MEC anunciou que a alfabetização de jovens e adultos seria uma prioridade do novo governo federal. Para isso, foi criada a 38 Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, cuja meta é erradicar o analfabetismo durante o mandato do governo José Inácio Lula da Silva. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização. Na atualidade, são propostas medidas progressivas de erradicação do analfabetismo através do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril de 2007. Conforme publicado pelo FNDE, página Brasil Alfabetizado, o Programa Brasil Alfabetizado está direcionado ao desenvolvimento de projetos com as seguintes ações: Alfabetização de jovens e adultos e formação de alfabetizadores. A partir do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril de 2007, o programa Brasil Alfabetizado mudou seu conceito. O PDE prevê a erradicação do analfabetismo e o progressivo atendimento a jovens e adultos no primeiro segmento de educação de jovens e adultos, até 2017. (RUMMERT; VENTURA, 2007). 3 AS POLÍTICAS PÚBLICAS E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS A grande problemática em relação á EJA, no domínio do Estado brasileiro, tem se tornado mais complexa na última década devido aos processos das relações existentes entre as forças emergentes da consolidação do capital, podendo se destacar a implantação de políticas neoliberais que contribuíram para o surgimento da reforma do Estado e as estratégias de reestruturação produtiva. Diante deste cenário, pretende-se evidenciar que os atuais programas para a Educação de Jovens e Adultos trabalhadores desenvolvidos pelo MEC as quais consistem em atender às necessidades de sociabilidade do próprio capital. Desta forma, as políticas educativas com caráter compensatório reiteram, a partir de reordenamentos econômicas dos quais derivam o desemprego estrutural e novas formulações ideológicas centradas no empreendedorismo e na empregabilidade, a subalternidade das propostas de 39 educação para a classe trabalhadora. Neste contexto, serão abordados os programas Brasil Alfabetizado e Fazendo Escola no conjunto das políticas de governo para a educação, procurando-se evidenciar o quanto esse tipo de política reafirma o caráter seletivo e excludente do sistema público educacional no Brasil. ―O direito à educação é um direito prioritário porque é o direito mais fundamental para a vida humana com dignidade, liberdade, igualdade, criatividade.‖ (MONTEIRO, 1999 apud FME, 2007, p. 129). O autor afirma que: A educação é mesmo o maior dos poderes do homem sobre o homem. O direito à educação é um direito novo a uma educação nova, com educadores novos e em escolas novas... direito a toda a educação, isto é, a todos os níveis e formas de educação, segundo as capacidades e interesses individuais e tendo em conta as possibilidades e necessidades sociais … e a uma educação que proporciona todas as aprendizagens necessárias ao pleno desenvolvimento da personalidade humana, com suas dimensões afetiva, ética, estética, intelectual, profissional, cívica, por meio de métodos que respeitam a dignidade e todos os direitos dos educandos (MONTEIRO, 1999 apud FME, 2007, p. 126-127). 3.1 Políticas Públicas para a EJA no Brasil A Constituição Brasileira de 1988 reconheceu o direito de todos à educação, ao afirmar o ensino fundamental, obrigatório e gratuito, independentemente da idade. Na década de 1990, a LDB 9.394/96, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF) e a reforma da Educação Profissional, por meio do Decreto 2.208/97, redefiniram os rumos da política educacional, o que significou expressivo retrocesso no âmbito da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O período compreendido entre 2003 e 2006, referente ao primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, traz para a EJA um maior destaque do que o obtido nos governos anteriores da Nova República. Entre essas iniciativas, podem ser destacados o Projeto Escola de Fábrica, o Programa Nacional de Inclusão de Jovens – PROJOVEM – e o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio para Jovens e Adultos – PROEJA. Além desses, merecem 40 destaque o Programa Brasil Alfabetizado e, também, o Fazendo Escola, ambos implementados pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – SECAD. O Programa Brasil Alfabetizado implementado em 2003, para ―erradicar‖ o analfabetismo no Brasil, tem por finalidade ―capacitar alfabetizadores e alfabetizar cidadãos com 15 anos ou mais que não tiveram oportunidade ou foram excluídos da escola antes de aprender a ler e escrever‖. Segundo o Ministério da Educação, o período estipulado para e alfabetização é de até oito meses, com uma carga horária estimada entre 240 e 320 horas. O Programa Fazendo Escola - O Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para atendimento à Educação de Jovens e Adultos, instituído em 2003, com objetivo de ―contribuir para enfrentar o analfabetismo e baixa escolaridade em bolsões de pobreza do País onde se concentra a maior parte da população de jovens e adultos que não completou o Ensino Fundamental‖. O programa ―é desenvolvido pelo MEC em conjunto com os governos estaduais e municipais, por meio da transferência, em caráter suplementar, de recursos administrados pelo FNDE. Novas mudanças nos critérios para a distribuição dos recursos financeiros para o Programa Fazendo Escola ocorrem em 2005. Na nova proposta, todos os municípios que registravam alunos matriculados na EJA passam a receber algum recurso. Entretanto, tal repasse passa a assumir valores diferenciados, estabelecidos de acordo com um novo índice criado – Índice de Fragilidade Educacional de Jovens e Adultos (IFEJA), a partir do qual se passa a definir os valores repassados aos municípios. O que se deve destacar nesse processo é o fato de que o Ministério da Educação, por meio do FNDE, cria uma fórmula para ampliar o ―apoio aos sistemas de ensino para atendimento à EJA‖ a todos os estados e municípios do Brasil sem que isso signifique a ampliação dos recursos destinados à EJA (RUMMERT, VENTURA, 2007). Apesar de a Constituição definir a educação como um direito de todos, o que observamos são programas fragmentados com problemas de concepção pedagógica e metodológica. Neste âmbito, muitos programas surgem como alternativas assistencialistas de combate a exclusão social, com propostas pedagógicas que sugerem uma forma universalizada de 41 trabalho sem levar em conta as peculiaridades locais de cada comunidade, ou seja, contextos e conteúdos que abrangem a diversidade étnica e cultural de nosso país desconsiderando as características locais das comunidades escolares. A alfabetização de adultos por si só não resolve (GADOTTI; ROMÃO, 2006). De acordo com os autores, no cenário atual, apesar de existirem leis que regulamentam o ensino e os direitos à educação para jovens e adultos, a sociedade vê a juventude e o adulto analfabeto como sinônimo de problema e motivo de preocupação. O adulto analfabeto defronta-se com a sociedade letrada e necessita de, no mínimo, saber enfrentar a tecnologia da comunicação para que, como cidadão, saiba lutarpor seus direitos, pois ao contrário, torna-se vítima de um sistema excludente e pensado para poucos. Com um público específico que traz consigo sequelas de experiências frustradas ao longo da vida, o adulto chega à EJA com uma bagagem cultural diversificada, habilidades inúmeras, conhecimentos acumulados e reflexões sobre o seu mundo. 4 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS (EJA) Segundo a Lei Federal nº 9.394/96 (LDB), garantida pela Constituição de 1988na Constituição Federal a EJA passou a ser uma modalidade de educação básica nas etapas de Ensino Fundamental e Médio, inserida na meta do Estado brasileiro de erradicar o analfabetismo juntamente com a de proporcionar à população cuja faixa etária não se adéqua mais ao ensino fundamental e Ensino Médio, a complementação de sua formação escolar. Atendendo assim a grande demanda de jovens e adultos que tem o desejo de voltar a estudar, garantindo o direito à educação gratuita para todos os indivíduos aos que a ela não tiveram acesso na denominada idade própria. O público que procura a EJA é variado e vai de pessoas de mais idade que buscam maior instrução até jovens que estão alguns anos atrasados e desejam concluir o ensino básico. Com o objetivo de compreender o significado do retorno à escola, na constituição da identidade e na construção dos projetos de vida, Oliveira (1996) investigou os processos de alfabetização de 42 adolescentes e adultos de ambos os sexos, com idade entre 15 e 65 anos. Evidenciou-se que o retorno à escola significa um marco decisivo no restabelecimento dos seus vínculos com o conhecimento escolar, libertando-os do estigma do analfabetismo e dos sentimentos de inferioridade. O grupo familiar constitui o grupo de participação e de referência fundamental, e é por isso que os valores desse grupo constituem bases significativas na orientação do jovem adulto, quer a família atue como um grupo positivo de referência quer opere como grupo negativo de referência. De acordo com Lucchiari (1997), o ser humano necessita de projetos para viver e para construí-los é necessário fundir o presente, relembrar o passado e projetar o futuro. Para que isto ocorra, se faz necessária uma conscientização de si mesmo, buscando informações no mundo externo, e retornando à família. A realidade brasileira vem se manifestando por novos contextos e novos desafios que exigem um desenvolvimento mais amplo da Orientação Profissional, a fim de uma adaptação as mudanças sociais, com o intuito de obter resultados importantes para a sociedade. Esses novos contextos e desafios fazem parte de um mercado de trabalho versátil e exigente, criação e elaboração de profissões. De acordo com Lucchiari, a tarefa da Orientação Profissional é: Facilitar o momento da escolha ao jovem, auxiliando-o a compreender sua situação específica de vida, na qual estão incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. É a partir dessa compreensão que ele terá mais condições de definir a melhor escolha, a escolha possível no seu projeto de vida. (1993, p.12). São vários os fatores que interferem em nossas vidas e escolhas, por muitas vezes é feita uma escolha possível em um determinado momento da vida, sem se ter muita consciência das influências sofridas. Assim, as influências sobre a escolha de uma profissão estão envolvidas em um contexto mais amplo e determinante no caminho do individuo, de ordem social, política e econômica que implicam em uma série de situações que determinam essa escolha, principalmente para aqueles que pertencem a uma classe menos favorecida da sociedade. 43 Segundo Bastos (2005), entre a escolha de uma profissão realizada e a efetivação da mesma, existe certa distância, devido a fatores determinantes que podem interferir na realização do curso ou da profissão desejada. Diante desse público da EJA, acrescentam-se as dificuldades enfrentadas para a volta a escola, como a idade, o trabalho, o cansaço e na maioria dos casos, com família formada, tornando-se mais difícil pensar em outra profissão ou até mesmo curso superior, como a faculdade. Partindo desses pressupostos, os profissionais de psicologia dentro da Orientação Profissional, devem levar em conta todo o contexto social, econômico e político de um individuo. Sendo assim, os modelos de Orientação Profissional devem se ampliar para atender a um público cada vez mais diversificado. Atualmente, na realidade, os beneficiados com os modelos e processos de Orientação Profissional são os jovens de classe mais favorecida, faltando estudos e desenvolvimento de pesquisas para as classes mais pobres, que se encontram nas escolas públicas ou fora dela e que suas necessidades vão além de escolher um curso superior. (RIBEIRO, 2003, p.143) Segundo Costa (2007), há duas implicações quando se tenta restringir a Orientação Profissional a um determinado público. A primeira questão diz respeito a direcionar a escolha profissional para os cursos de nível superior, sendo importante destacar que escolher um curso ou profissão não significa especificamente ingressar em uma faculdade. Segunda questão se refere à ideias preconcebidas de que o aluno de uma classe menos favorecida não tem direito a escolher, devido a sua condição ser carente e, portanto vitimado pela situação econômica. Abade (2005) também ressalta a necessidade de pensar em desenvolver práticas de Orientação Profissional para contextos desfavorecidos da sociedade, ao invés de direcioná-las a jovens de classe elitizada, que de certa forma já possuem uma condição melhor de estudo e de vida. Mas o mais importante nesse contexto é saber quem são esses indivíduos, o que procuram quais seus projetos de vida e assim, tentar compreendê-los com sua historia, sua família, amigo e meio socioeconômico e 44 cultural, levando em conta momentos passados e presentes da atual escolha ou reescolha profissional. De acordo com Bohoslavsky (2007), quando o individuo procura a Orientação Profissional, demonstra possuir expectativas e preocupações em relação ao futuro. Nesse momento é importante compreender quais referências esse individuo possui e, assim, entenderemos que o individuo toma esse outro, o orientador, como uma referência, algo que ele pode estar sendo privado pela sua condição social, é nesse momento que o vinculo com o orientador se estabelece, favorecendo um desenvolvimento e resultado melhor do trabalho. Geralmente, os indivíduos que procuram a Orientação Profissional são jovens com identidade pessoal em formação, em busca da identidade profissional. Talvez esse seja o ponto certo para reivindicar um investimento nos indivíduos de classes menos favorecidas. Auxiliar a formar sua identidade pessoal e profissional através desse processo, por meio do autoconhecimento e conhecimento de sua realidade; ajudar esse sujeito a refletir e escolher, reconhecendo-se como agente transformador de sua própria realidade. A Orientação Profissional tem por finalidade a ampliação da consciência do individuo sobre a realidade, instrumentando-o para agir, no sentido de transformar resolver as dificuldades que essa realidade lhe apresenta, possibilitando uma reflexão acerca dos aspectos psicológicos, econômicos e sociais que influenciam a escolha; discutir a relação home-trabalho; informar sobre as profissões e possibilitar autoconhecimento relacionado à escolha. Justifica-se e ressalta-se, assim, a importância do trabalho de Orientação Profissional em escolas públicas, tendo em vista as desigualdades sócio-econômicas que o Brasil apresenta, trazendo para aquele contextouma reflexão e possível mudança de tais condições. (MULLER; SCHMIDT; DULCE 2009, p.39). 45 CAPÍTULO III METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA 1 METODOLOGIA A presente pesquisa foi embasada na abordagem sócio-histórica, que segundo Bock (2006), parte da conjectura de que os indivíduos são multideterminados, porém, ao mesmo tempo, têm possibilidades de mudar as condições históricas e sociais nas quais vivem, podendo fazê-lo com a finalidade de mantê-la ou modificá-la. A problemática de pesquisa se resumiu na seguinte indagação: Analisar se a participação num processo de Orientação Profissional ancorado em um referencial teórico-metodológico consistente é capaz de desencadear no orientando a construção de um projeto de futuro mais assertivo e consciente, de maiores possibilidades, frente à escolha profissional disponível em sua realidade concreta. O objetivo dessa pesquisa foi conhecer e confrontar a opinião dos alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em relação à ampliação do conhecimento acerca das possibilidades relacionadas ao projeto de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho antes e após participarem da Orientação Profissional. A tarefa da orientação profissional tem por objetivo facilitar o momento da escolha profissional, auxiliando-o a compreender sua situação específica de vida, na qual estão incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. E é a partir dessa compreensão que o indivíduo terá mais condições de definir qual a melhor escolha, a escolha possível (LUCCHIARI, 1993, pag.12). A pesquisa: A Importância da Orientação Profissional no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) foi submetida na Plataforma Brasil no dia 30 de junho de 2015, obtendo aprovação pelo Comitê de Ética no Unisalesiano com o parecer: 1.256.875, no dia 03 de outubro de 2015. (ANEXO A) 46 Os dados foram analisados por meio do método qualitativo, que segundo Rey (2005), defende o caráter construtivo interpretativo do conhecimento, o que de fato implica compreender o conhecimento como produção e não como apropriação linear de uma realidade que se nos apresenta. Quando se afirma esse caráter, deseja-se enfatizar que o conhecimento é uma construção, uma produção humana, e não algo que está pronto para conhecer uma realidade ordenada de acordo com categorias universais do conhecimento. A pesquisa foi realizada com os alunos do terceiro ano da EJA, com faixa etária variando entre 19 e 46 anos de idade, no período noturno, em sala de aula, sendo desenvolvida em três etapas, a primeira foi o levantamento de dados sobre as características e conhecimentos dos alunos da EJA em relação ao autoconhecimento, informação profissional e mercado de trabalho. Na segunda etapa foi realizado o processo de Orientação Profissional de acordo com os temas citados acima. Na terceira etapa realizou-se um levantamento de dados referente ao conhecimento obtido durante o processo de Orientação Profissional. O critério de inclusão usado para a participação na pesquisa foi que os alunos estivessem matriculados na EJA e tivessem idade acima de 18 anos. O critério de exclusão foi que não deveriam participar os alunos que não estivessem matriculados no 3º ano do ensino médio da EJA e com idade inferior a 18anos. De acordo com Rey (2005), a pesquisa representa um espaço permanente de comunicação que terá um valor fundamental para os processos que envolvem os sujeitos pesquisados nos diferentes momentos de sua participação. O sujeito que participa da pesquisa não se expressará por causa da pressão de uma exigência instrumental externa a ela, mas devido uma necessidade pessoal que se desenvolverá, crescentemente, no próprio espaço onde está sendo realizada a pesquisa, por meio de diferentes sistemas de relação constituídos no processo. O local para a realização da pesquisa foi uma escola pública a qual ministra o Ensino Fundamental – Ciclo II – Ensino Médio, nos três períodos, sendo matutino, vespertino e noturno e Ensino para Jovens e Adultos (EJA) no período noturno na cidade de Promissão. O presente estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de campo, que segundo Gonsalves: 47 É o tipo de pesquisa que pretende buscar a informação diretamente com a população pesquisada. Ela exige do pesquisador um encontro mais direto. Nesse caso, o pesquisador precisa ir ao espaço onde o fenômeno ocorre, ou ocorreu e reunir um conjunto de informações a serem documentadas. (2001, p.67). Os principais instrumentos utilizados na pesquisa foram: o questionário 1, o processo de Orientação Profissional e o questionário 2, que aconteceu durante cinco encontros semanais com duração de 01h10minh cada encontro. O primeiro encontro iniciou-se com a apresentação do Termo de Consentimento Livre (APÊNDICE), o qual foi devidamente preenchido e assinado por todos os participantes. Em seguida foi aplicado o Questionário 1 (ANEXO B), composto de perguntas abertas e fechadas, com o objetivo de levantar dados que caracterizassem o perfil da população estudada e identificar aspectos sobre o autoconhecimento, informação profissional, mercado de trabalho e projetos para o futuro. Questionário é um instrumento associado ao estudo de representações e crenças conscientes do sujeito, diante do qual esse sujeito constrói respostas mediadas por sua intencionalidade. Tanto para estudar representações conscientes do sujeito, como para conhecer aspectos que ele (a) possa descrever diretamente, o questionário é um instrumento interessante, no entanto, devemos ter em conta que as respostas de uma pessoa a um questionário estão mediadas pelas representações sociais e pelas crenças dominantes no cenário social em que se aplica o instrumento. (REY, 2005, p.41). Após todos responderem ao questionário, foram compartilhadas através de slides e apresentadas pelas orientadoras informações sobre a definição de Orientação Profissional. Nesse dia compareceram 45 alunos e foi explicado a eles como seria realizado o processo de OP durante os cinco encontros, descrevendo de forma clara e objetiva que eles participariam de um processo com três módulos, sendo o autoconhecimento, a informação profissional e o mercado de trabalho, enfatizando que no último encontro seria a devolutiva desse processo. 48 O segundo encontro iniciou-se com o 1° Módulo da OP, cujo tema foi o autoconhecimento, onde foi aplicada uma dinâmica de autoconhecimento denominada ―Gráfico da Minha Vida‖ (ANEXO D) e discussão e reflexão acerca dos resultados da dinâmica. O objetivo desse encontro foi conhecer os alunos e reunir o grupo para que eles pudessem interagir e se conhecerem também. Segundo Lucchiari (1993), o trabalho em grupo tem alcançado melhores resultados na prática profissional, pois é importante que o jovem tenha um sentimento de igualdade em relação aos outros para assim poder sentir-se pertencente ao grupo; compartilhar sentimentos de dúvida, confusão em relação à escolha e insegurança possibilita uma maior interação e cada indivíduo auxilia um ao outro no conhecimento que cada membro busca de si mesmo. De acordo com a citação acima, as técnicas de grupo focalizadas em um determinado assunto, como o que foi feito na referente pesquisa, mais precisamente na área educacional, são muito eficientes para aprofundar o conhecimento dos participantes. No terceiro encontro passou-se para o 2º Módulo da OP, com a temática da Informação Profissional. Nesse dia foi feita uma apresentação através de slides sobre informações dos programas oferecidospelo governo para universidades como o Exame Nacional do Ensino Médio: (ENEM), Programa Universidade Para Todos (PROUNI), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e Escola da Família. O objetivo desse encontro foi apresentar aos alunos da EJA informações que eles não tinham conhecimento a respeito dos programas do governo. ―A comunicação será via em que os participantes de uma pesquisa se converterão em sujeitos, implicando-se no problema pesquisado a partir de seus interesses, desejos e contradições‖ (REY, 2005, p.14). No quarto encontro ingressou-se para o 3º Módulo da OP, cuja temática foi o Mercado de Trabalho, sendo apresentado em slides os seguintes temas: Entrevista de Emprego, juntamente com um vídeo ilustrativo de como não se comportar em uma entrevista de emprego, Como Elaborar Um Currículo, Empreendedorismo e Habilidades Sociais. Dornelas, afirma que: 49 O empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados. Caracteriza a ação empreendedora em todas as suas etapas, ou seja, criar algo novo mediante a identificação de uma oportunidade, dedicação e persistência na atividade que se propõe a fazer para alcançar os objetivos pretendidos e ousadia para assumir os riscos que deverão ser calculados. (2001, p. 37). Conforme citação do autor, o empreendedorismo é uma ação que permite ao indivíduo criar algo, dedicar-se e persistir naquilo que está ao alcance de seus objetivos e assumir os riscos existentes para que se consiga atingir suas metas. Para Caballo (1991), ―habilidades sociais se referem às seguintes capacidades: iniciação e manutenção de conversações; falar em grupo; defender os próprios direitos; solicitar favores; recusar pedidos; fazer e aceitar cumprimentos; expressar as próprias opiniões, mesmo os desacordos; expressar justificadamente quando se sentir molestado ou desagradado; saber desculpar-se ou admitir falta de conhecimento; pedir mudança no comportamento do outro e saber enfrentar as críticas recebidas. Essas situações onde estas respostas podem ocorrer são as mais variadas, podendo ocorrer no ambiente familiar, de lazer e de trabalho.‖ O quinto e último encontro da Orientação Profissional foi realizado para concluir o processo com o Questionário (ANEXO C) com perguntas abertas e fechadas, relacionadas ao processo de OP, para averiguar se eles conseguiram assimilar os conteúdos aplicados durante os encontros, com o objetivo de receber deles uma resposta ao processo que foi desenvolvido e concluir ou não, se houve um processo de aquisição de ideias e reflexões desejáveis, de modo que pudessem ampliar a compreensão acerca de um projeto de futuro a partir da Orientação Profissional. A comunicação é o espaço privilegiado em que o sujeito se inspira em suas diferentes formas de expressão simbólica, todas as quais serão vias para estudar sua subjetividade e a forma como o universo de suas condições sociais objetivas aprece constituída nesse nível (Rey, 2005, p.14). 50 O último encontro visou ainda propiciar aos orientandos a devolutiva final e individual com o objetivo de conceder a eles informações mais precisas e esclarecê-las individualmente para que cada aluno pudesse pontuar, refletir e discutir sobre tudo o que apreendeu durante o processo e evidenciar junto a eles a importância da Orientação Profissional nessa fase em que se encontram, saindo do Ensino Médio e com uma percepção mais abrangente para enfrentar as dificuldades e fazerem uma escolha mais assertiva. A comunicação é uma via privilegiada para conhecer as configurações e os processos de sentido subjetivo que caracterizam os sujeitos individuais e que permitam conhecer o modo com as diversas condições objetivas da vida social afetam o homem. Por isso o intermédio da comunicação, não conhecemos apenas diferentes processos simbólicos organizados e recriados nesse processo, estamos tentando conhecer outro nível diferenciado da produção social, acessível ao conhecimento somente por meio do estudo diferenciado dos sujeitos que compartilham um evento ou uma condição social (REY, 2005, p.13-14). Conforme o autor, a comunicação é um meio singular de se conhecer os sujeitos e suas condições de vida social que o afetam, portanto o objetivo desse último encontro foi alcançado, pois devido à comunicação com os alunos individualmente, observou-se que os mesmos apreenderam os conteúdos aplicados no processo e através da comunicação puderam organizar e expressar como as informações recebidas foram relevantes para o auxílio em suas escolhas profissionais. 1.1 Abordagem Sócio Histórica Segundo Oliveira (2009), a abordagem sócio-histórica se baseia, principalmente, nas ideias de Vigotski, o qual é considerado um dos mais importantes estudiosos da Psicologia Soviética do início do século XX. Seus estudos foram influenciados pelo contexto histórico no qual ele viveu, pois seu objetivo foi o desenvolvimento do indivíduo e da espécie humana, como resultado de um processo sócio histórico. Assim, seu foco principal foi entender o homem em sua totalidade, tentando compreender como se constitui o sujeito inserido em uma 51 determinada cultura. Para ele, o ser humano não nasce pronto para viver em sociedade, ou seja, precisa de condições adequadas em seu meio que lhe proporcionem um aprendizado satisfatório, no qual possa viver e se desenvolver em seu meio social. Charlot afirma que: Dessa forma, a atividade do homem ao mesmo tempo em que afeta o mundo social afeta a si próprio. No entanto, ao ser afetado pelo mundo, o aparato psicológico do sujeito não registra mecanicamente o que viveu, ou seja, o homem não é mero reflexo de suas experiências sociais, mas ao contrário, apropria-se do mundo e transforma o que viveu em uma experiência única e singular. A forma como cada ser humano pensa, sente e age, é singular, mas, constitui-se pelo social. Podemos dizer, assim, que o mundo interno-externo. Objetivo- subjetivo se complementam constituindo-se em uma totalidade. Ao mesmo tempo o homem constitui o social e é constituído por este. (2000, p.51) Conforme o autor, o indivíduo não é apenas o reflexo de suas experiências, mas sim um ser ativo que se apropria do mundo transformando suas vivências em uma experiência única, pois a maneira como cada indivíduo pensa, sente e age é singular, porém também se constitui pelo social. Bock ressalta que: O fenômeno psicológico na psicologia sócio-histórica se desenvolve ao longo do tempo e afirma que este não pertence a natureza humana, não é preexistente ao homem e reflete a condição social, econômica e cultural em que vivem os homens. (2001, p.22) Assim, o indivíduo não se desenvolve apenas pelo aspecto biológico, pois este necessita conviver em um meio social para sobreviver, se constitui ao realizar suas necessidades. Segundo Bock: A perspectiva sócio-histórica não se reconhece como meramente ideológica a possibilidade de escolhas das classes subalternas. Ao contrário, entende-se que nisso reside a possibilidade de mudança, de alteração histórica, ao reconhecer que o indivíduos podem, de certo modo, intervir sobre as condições sociais, por meio de ações pessoais e / ou coletivas. (2006, p.69) 52 Entende-se, dessa forma, que na perspectiva sócio-histórica não há determinação social absoluta, mas que o indivíduo tem a possibilidade de lutar para mudar a sua realidade social. Sendo possível assim, a partir de novas experiências e relações, apropriar-se de novas habilidades, entender os significadose adquirir novos sentidos, acerca dessa condição de existência no mundo, ressignificando essa relação indivíduo-sociedade, estabelecendo novas estratégias de atuação no mundo que o modifiquem e que na mesma medida possibilitem a reconstrução do real desse indivíduo, superando a lógica de uma determinação social absoluta. 1.2 Significados e Sentidos As categorias sentido e significado, mencionadas neste estudo, auxiliam para a compreensão do processo de construção do indivíduo, enquanto ser biológico, social e cultural. Significados e sentidos estão presentes na constituição do real pelos sujeitos, aparecem na sua conceituação da experiência concreta, por meio do discurso, compreendem, portanto, a sua dimensão subjetiva da realidade, e essas duas categorias se articulam, porém para entendê-las é necessário que se compreenda o significado de cada uma separadamente. Para Vigotsky: O sentido é sempre uma formação dinâmica, fluída, complexa, que tem várias zonas de estabilidade variada. O significado é apenas uma dessas zonas de sentido que a palavra adquire no contexto de algum discurso e, ademais, uma zona mais estável, uniforme e exata. (2000, p.165) A relação entre o pensamento e a linguagem é feita através do significado. Vigotsky afirma que: O significado da palavra só é um fenômeno de pensamento na medida em que o pensamento está relacionado à palavra e nela materializado, e vice-versa fenômeno de discurso apenas na medida em que o discurso está vinculado ao pensamento e focalizado por sua luz. É um fenômeno do pensamento 53 discursivo ou da palavra consciente, é a unidade da palavra com o pensamento. (2000, p.398) Alfredo (2006) ao estudar os sentidos e significados constituídos em espaços e/ou situações de escolha na escola, indica a conclusão semelhante, ressaltando que há pouca reflexão sobre a escolha profissional mesmo nas escolas que existem espaços favoráveis à atividade da escolha. A ausência de reflexão apresentada pela autora caracteriza-se fundamentalmente pelo fato de que o trabalho e os múltiplos determinantes socioeconômicos que mobilizam as atividades humanas estão ausentes, levando a abordagem da profissão de forma descontextualizada, o que a autora chama de profissão coisa. A autora ainda indica como consequência desse processo à falta de apropriação pelos sujeitos do processo e história como o sujeito que escolhe. O foco de interesse residiria, portanto na escolha culminada, numa escolha estanque e estratificada, condicionada as determinações objetivas, e não uma escolha entendida como processo, que concentra todas as representações subjetivadas pelo jovem acerca da sua realidade objetiva constituídas ao longo da sua existência que é um permanente vir a ser, e que por isso pode ser revista, reatualizada, reconfigurada de acordo com suas novas singularizações, podendo assim tornar-se uma escolha mais individualizada e autônoma. Por isso a escolha das dimensões de sentidos e significados como possibilidade de explorar o conteúdo subjacente ao discurso dos jovens orientandos participantes da pesquisa se faz necessária e adequada para a compreensão do que constituem como escolha profissional. As categorias sentidos e significados permitem conhecer os sentidos pessoais contidos nos depoimentos dos jovens e de uma forma mais ampla, os significados sociais que revelam conteúdos que permeiam a compreensão coletiva acerca desses processos, reproduzidos na fala dos orientandos investigados. De forma mais singular, os sentidos representam a compreensão individual de cada jovem, a sua dimensão subjetiva estando alinhada à sua história de vida, suas representações, conjunto de crenças e valores pessoais, à cultura a qual pertence, que ao se relacionar com o mundo externo se 54 objetiva em forma de ações, decisões no mundo real, imbuindo assim os seus processos de escolha também. 2 ANÁLISE DE DADOS Com a aplicação do Questionário 1 (ANEXO B) foi possível coletar dados sobre os alunos da 3ª Etapa da EJA como informações sobre: sexo, idade, estado civil, filhos, necessidades educacionais especiais, o motivo pelo qual o sujeito abandonou os estudos, o que o incentivou a retornar aos estudos, trabalho, conhecimento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), do Programa Universidade para Todos (PROUNI) e do Programa de Financiamento Estudantil (FIES), se têm conhecimento acerca do que podem fazer após a conclusão da EJA, se têm planos para o futuro profissional e se possuem interesse por receber Orientação Profissional. Os dados foram demonstrados abaixo por meio de gráficos: Tabela 1: Demonstrativo de gênero, faixa etária, estado civil, filhos e necessidade educativa especial dos alunos participantes. Feminino 58% Masculino 42% 19 a 25 anos 70% 26 a 30 anos 19% 31 a 46 anos 11% Casado 44% Solteiro 56% Têm filhos 52% Não têm filhos 48% Possui necessidade educativa especial 0% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 2: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos abandonaram os estudos. Nesse item, os alunos puderam assinalar mais de uma resposta. Obs: um aluno destacou que não abandou os estudos, só reprovou e foi transferido para a EJA, devido à idade. Porque abandonou os estudos? Trabalho 40% Filhos 22% Pouca maturidade 22% Casamento 9% Falta de interesse em continuar os estudos 5% Dificuldade de acompanhar o curso 2% Fonte: Elaborado pelas autoras. 55 Tabela 3: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos retornaram aos estudos. Nesse item os alunos foram orientados a assinalar todas as opções condizentes com seus motivos. Porque buscou a EJA? Buscar melhores oportunidades de trabalho 44% Deseja fazer uma faculdade 23% Deseja conseguir o diploma 23% Deseja fazer um curso técnico 6% Foi orientado pelo empregador 4% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 4: Demonstrativo de alunos que trabalham e que não trabalham, destacando que a maioria trabalha. Está empregado? Sim 52% Não 48% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 5: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o ENEM, predominando o maior número que não sabe. Você sabe o que é o Enem? Sim 40% Não 60% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 6: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Prouni, destacando-se que a maioria não tem conhecimento. Você sabe o que é o Prouni? Sim 35% Não 65% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 7: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Fies. Você sabe o que é o Fies? Sim 50% Não 50% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 8: Demonstrativo de alunos que sabem o que podem fazer após a conclusão dos estudos. Ao concluir os estudos, você sabe o que pode fazer? Sim 83% Não 17% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 9: Demonstrativo de alunos que tem planos para o futuro profissional. Você faz planos para o seu futuro profissional? Sim 98% 56 Não 2% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 10: Demonstrativo de alunos que desejam receber Orientação Profissional, ressaltando-se que a maioria deseja. Você gostaria de receber orientação profissional? Sim 98% Não 2% Fonte: Elaborado pelas autoras. Após a aplicação do Questionário1 (ANEXO B), iniciou-se o processo de OP, que ocorreu em um período de cinco encontros semanais. No quinto encontro aplicou-se o Questionário 2 (ANEXO C), com o objetivo de coletar dados referentes ao resultado do processo. Os dados obtidos são representados abaixo, por meiodas tabelas: Tabela 11: Demonstrativo de alunos que tinham participado de algum tipo de Orientação Profissional antes. Você já participou de orientação profissional antes? Sim 8% Não 92% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 12: Demonstrativo referente a opinião sobre o processo de Orientação Profissional. O que você achou da orientação profissional? Muitas informações que não sabíamos 32% Abriu minha visão para o futuro 28% Muito bom 20% Muito interessante 12% Foi esclarecedor 8% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 13: Demonstrativo referente a participação no processo de Orientação Profissional. Como foi para você participar da OP? Foi interessante ter autoconhecimento 28% Foi ótimo o acesso às informações 24% Foi uma experiência boa e diferente 20% Houve vergonha no início, porém tirei muitas dúvidas 16% Foi legal expor os pensamentos 12% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 14: Demonstrativo sobre dúvidas, após o processo de OP, ressaltando- se que os que ficaram com dúvidas foi em relação ao mercado de trabalho da área escolhida. Você ficou com dúvidas? 57 Sim 8% Não 92% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 15: Demonstrativo referente a algum conteúdo ou informação que poderia ter sido abordado no processo de OP. Faltou algum conteúdo que poderia ter sido abordado? Não 100% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 16: Demonstrativo do fato mais importante para a elaboração da escolha profissional. O que você considerou mais relevante para sua escolha profissional? O último contexto 40% Todo conteúdo 28% Informações profissionais 16% Motivação para continuar estudando 12% Penso apenas em ter uma oportunidade 4% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 17: Demonstrativo sobre considerar importante que as escolas tenham algum tipo de OP. Acha importante as escolas terem OP? Sim 100% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 18: Demonstrativo sobre o que mudou na forma de pensar após participar do processo de OP. O que mudou na sua forma de pensar após a participação na OP? Incentivo para continuar estudando 32% O que eu achava quase impossível, na verdade não é 20% O jeito de pensar sobre o futuro profissional 20% Motivação para alcançar meus objetivos 16% Que nunca é tarde para recomeçar 12% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 19: Demonstrativo sobre fazer curso ou faculdade após terminar o ano. Você pretende fazer algum curso ou faculdade quando terminar a EJA? Sim 80% Não 20% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 20: Demonstrativo sobre possíveis cursos e faculdades que os alunos pretendem fazer. Se sim, qual? Pedagogia/Direito/Geografia 55% Agronomia/Engenharia da computação 21% Fisioterapia/Enfermagem 10% 58 Educação Física/Psicologia 8% Eletricista Industrial/Informática 7% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 21: Demonstrativo sobre a possibilidade de mudar de profissão/ocupação futuramente. Você pretende mudar de profissão/ocupação futuramente? Sim 73% Não 27% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 22: Demonstrativo referente à mudança de emprego ou ocupação: Se sim, para qual? Para área que eu conseguir me formar 48% Alguma superior a minha 40% Gerente na empresa que trabalho 4% Monitora de criança 4% Músico 4% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 23: Demonstrativo sobre pensamentos e sentimentos em relação à vida profissional. Quais são seus pensamentos em relação à vida profissional? Ter sucesso na escolha profissional 40% Ser reconhecido no mercado de trabalho 24% Ter uma vida melhor 24% Desenvolver meu potencial 12% Fonte: Elaborado pelas autoras. Tabela 24: Demonstrativo referente aos projetos para o futuro profissional O que você espera para seu futuro profissional? Emprego e segurança 32% Estabilidade 24% Salário digno 24% Estar bem preparado para o mercado de trabalho 12% Futuro melhor 8% Fonte: Elaborado pelas autoras. 3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados obtidos inicialmente por meio do questionário 1 (ANEXO B) nessa pesquisa foram: reconhecimento da falta de informações referentes aos programas do governo, ao mercado de trabalho, cursos e faculdades, bem como foi possível refletir sobre assuntos importantes que não eram expressos como: a timidez ao falar em público, sentimento de insegurança em relação ao 59 futuro, desmotivação em relação ao projeto de futuro e possibilidade de dar continuidade aos estudos, dúvidas sobre a escolha profissional, entre outros. O processo de reflexão e tomada de consciência permitido pelo trabalho de Orientação Profissional, desencadeou nos jovens participantes a possibilidade projetarem novas escolhas, ao afirmarem que a Orientação os ampliou a visão sobre o futuro, também a aquisição de novas informações e a motivação para alcançar objetivos, o incentivo para a continuação dos estudos, a possibilidade de alcançarem o que achavam impossível, a forma como pensavam sobre o futuro profissional e a compreensão de que não é tarde para pensar e reverter essa lógica que os limitava numa condição de meros coadjuvantes, podendo perceberem-se como protagonistas da sua própria história. Assim como afirmam Mandelli, Soares e Lisboa (2011), Nesse sentido, a OP, por caracterizar-se como uma prática que objetiva auxiliar as pessoas a conscientizarem-se dos caminhos possíveis, escolhendo a partir de uma apropriação de seu contexto e dos fatores que influenciam a escolha, pode sensibilizar o jovem para a construção de seu projeto de vida. Se o jovem não for o agente desse projeto, ficará alheio a seus próprios planos de vida. A OP com jovens de baixa renda e, consequentemente, de baixa escolaridade vida orientar para a ressignificação ou mesmo para a construção de um projeto de vida, compreendendo suas possibilidades e vislumbrando caminhos para a realização desse tipo de projeto. (2011, p. 53) Nesse sentido pode-se concluir que a teoria e a prática da Orientação Profissional, embasada na abordagem sócio histórica contribuiu para dar voz a esse público, suprindo parte das necessidades demonstradas pelos próprios sujeitos participantes da pesquisa, podendo ser esta uma forma de incentivo aos alunos da EJA para que se tornem agentes transformadores da sociedade em que estão inseridos. Durante o processo notou-se como é importante proporcionar momentos de reflexão em grupo, pois os orientandos ficaram livres para expressar-se ou não, a interação dos grupos foi satisfatória, pois a maioria relatou sobre suas vivências passadas e presentes, enfatizando o que esperam para seu futuro profissional e pessoal. O trabalho em grupo facilitou a comunicação entre os orientandos e os pesquisadores, possibilitando uma interação mais participativa 60 e produtiva, levando-os a expressar melhor suas dúvidas, angústias, frustrações em relação ao seu projeto de futuro. Acreditamos que tal modalidade permite ao jovem perceber-se como sujeito inserido em um espaço social concreto, sendo constituído e constituinte desde. A dinâmica do próprio grupo permite ao sujeito questionar-se, confrontar-se, numa constante construção e desconstrução de idéias e conceitos que se ampliam ao do processo de aprendizagem. O grupo possibilita ainda a troca e o compartilhamento de idéias, apreensões, medos, informações, perspectivas e sonhos presentes no presente da escolha (MIRANDA et al 2005, p.1). Como resultado final após a aplicação do questionário 2 (ANEXO C) observou-se que o processo contribuiu para que os alunos desenvolvessemmais segurança, tranquilidade, autonomia e uma posição mais ativa, motivando-os a terem uma visão mais ampla sobre seus projetos futuros, apesar de alguns não terem definido uma escolha. Os orientandos relataram o que significou o processo, com frases como: ―me fez pensar em outras áreas que nem imaginava que pudesse atuar‖; ―vi que fazer uma faculdade não está tão longe quanto eu imaginava‖, ―todos têm possibilidades para estudar‖; ―nunca é tarde demais‖. Os temas de empreendedorismo e Habilidades Sociais também ajudaram àqueles que pensavam em abrir um negócio próprio, pois muitos deles tinham dúvidas de como começar e como deveriam reagir frente às dificuldades. Falar sobre Habilidades Sociais proporcionou para os orientandos refletirem sobre suas inibições, pois muitos sentiram vergonha em falar perante o grupo e as orientadoras. De uma forma mais detalhada, considera-se que os resultados obtidos a partir das respostas dos orientandos, evidenciaram que inicialmente desconheciam as possibilidades de escolha disponíveis, as políticas públicas que favorecem o ingresso do aluno na educação de nível superior, não concebiam estreita relação entre trabalho e escolarização, uma vez que apresentam uma realidade de evasão, já que são alunos que por razões diversas, abandonaram os estudos anteriormente. Lisboa (2011) afirma que conciliar trabalho e estudos é uma dificuldade e, por isso, o abandono dos estudos para trabalhar é uma prática comum entre 61 os jovens de baixa renda. Realidade essa verificada entre essa população que abandonou os estudos porque precisava trabalhar, justificativa apontada por 40% dos jovens participantes da pesquisa. Silva (2003) é um dos que estuda, em sua dissertação de mestrado, a questão da escolha profissional, considerando a diferença que as populações da escola pública e da privada apresentam nesse processo. É interessante a observação de SILVA de que os alunos de escola particular indicam em seus projetos o ingresso na universidade, enquanto os alunos das escolas públicas falam do ingresso no mercado de trabalho, visando o sonho da universidade distante. Notou-se entre os alunos participantes da pesquisa que a maior parte deles – 44% – retornou aos estudos pela EJA com o objetivo de buscar melhores oportunidades de trabalho, e não tendo como prioridade a continuidade dos estudos ingressando no ensino superior. Segundo Ribeiro (2003), esse procedimento de Orientação Profissional mostrou-se eficiente, pois proporcionou aos alunos a oportunidade de um espaço para refletir e elaborar seu projeto de futuro, ampliando o conhecimento sobre as possibilidades de estudo. Na perspectiva sócio-histórica não se reconhece como meramente ideológica a possibilidade de escolha das classes subalternas. Ao contrário, entende-se que nisso reside a possibilidade de mudança, de alteração histórica, ao reconhecer que os indivíduos podem, de certo modo intervir sobre as condições sociais, por meio de ações pessoais e / ou coletivas (BOCK, 2006, p.69). Ao serem questionados acerca do conhecimento sobre as políticas de incentivo ao estudante, como Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, o Financiamento Estudantil – FIES e o Programa Universidade para Todos – PROUNI, a maior parte dos alunos – como já descrita na apresentação dos dados – afirmou desconhecimento acerca desses Programas Governamentais, realidade esta, que foi superada com a Orientação Profissional, que lhes possibilitou o contato com novas possibilidades, constatada com a perspectiva de continuação dos estudos levantada pelo questionário 2 após a intervenção em OP, em que 80% dos jovens referiu a intenção fazer cursos ou faculdade após a conclusão do ensino médio. 62 Mandelli, Soares e Lisboa em um estudo com jovens de baixa renda, constataram que, os jovens pesquisados, quando provocados a refletir sobre suas possibilidades de mudança, manifestaram interesse em melhorar suas condições de vida mediante o aumento da escolarização e da qualificação, mas colocaram-se como os únicos responsáveis pelas mudanças possíveis, sem perceber a complexidade da situação. (2011, p. 52) PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Diante da pesquisa realizada observou-se a relevância desse estudo, dado o destaque que a Orientação Profissional representou para o público da EJA, por se apresentarem como pessoas desmotivadas, com pouco acesso a informações e restritas concepções de escolha profissional. O impacto da intervenção foi identificado, pois a maioria dos alunos relatou que nunca tinha participado de nenhum processo de OP antes, bem como, revelou o desconhecimento das políticas públicas que incentivam o ingresso no ensino superior, além de suas motivações pela EJA estarem inicialmente estritamente enfocadas numa melhor posição no mercado de trabalho, já após o processo de OP, verificou-se que passaram a considerar a continuação dos estudos como parte do seu projeto de futuro e a considerar a ideia dos estudos como alavanca para conquistarem melhores posições no mercado de trabalho. Com essa demanda, notou-se uma necessidade da proposta de OP para esse público, com o objetivo de ampliar a percepção que possuem em relação a suas escolhas, possibilidades de reescolhas e constituição do seu projeto de futuro, estimulando a construção de uma relação mais autêntica com suas escolhas profissionais, reconfigurada e mais alinhada à sua realidade de vida e motivações pessoais. 63 CONCLUSÃO A partir da experiência relatada, conclui-se que o processo de Orientação Profissional desenvolvido com esse público alcançou a relevância esperada, pois constatou-se a hipótese inicial de que a participação num processo de Orientação Profissional ancorado em referencial teórico- metodológico consistente é capaz de desencadear ao orientando a ampliação da sua auto percepção e a construção de um projeto de futuro mais assertivo, consciente, e de maiores possibilidades, respaldado em informações abrangentes acerca da relação estudo-trabalho. Verificou-se que os alunos tiveram a oportunidade de refletir sobre suas escolhas, motivações e projetos de vida, esclarecer dúvidas, apreender informações profissionais, ampliando sua percepção diante das possibilidades existentes e percebendo-se também como parte desse processo, alterando e redefinindo escolhas, inclusive passando a ressignificar a relação com o estudo, considerando a sua continuidade, pode-se cotejar dessa forma, que, a Orientação Profissional possibilitou a esses jovens a perspectiva da superação da sua condição material atual, uma vez que seus discursos revelaram que após a Orientação obtiveram incentivo para continuar estudando, alteraram sua percepção sobre o futuro, perceberam a possibilidade de alcançar o que lhes parecia impossível e adquiriram motivação para alcançar seus objetivos. Ademais, faz-se relevante pontuar que notou-se que o processo de Orientação foi insuficiente quanto ao número de encontros, diante à demanda apresentada e a necessidade de mais aprofundamento, que possibilitasse também a incorporação de outros temas advindos dos processos individuais de cada orientando, bem como aqueles que viessem a surgir no contexto grupal. Considera-se que a população atendida pela EJA é um público menos privilegiado dentro da sociedade, levando em conta que o governo investe pouco nessa perspectiva, o que se confirma pela inexistência da Orientação Profissional como garantia dessa população no período de formação escolar. Além de também da fragilidade no âmbito científico, em que notou-se a escassez de produçãotécnico-científica voltada à essa população, especialmente no tocante à Orientação Profissional. Essa realidade fomenta 64 notadamente a necessidade de se propor novas intervenções e estudos dedicados a esse público menos favorecido. Por esta razão e tendo como referência o lugar que o trabalho ocupa na constituição do ser humano e na configuração da nossa sociedade, conclui-se a constatação da necessária continuidade das intervenções e projetos em OP que permitam ao jovem estudante da EJA pensar sobre sua escolha profissional, possibilitando a construção de um projeto de futuro mais maduro e consciente, percebendo-se como sujeito interventor e construtor desse processo. 65 REFERÊNCIAS ABADE, F. L. Orientação Profissional no Brasil: Uma visão Histórica da produção científica. Revista Brasileira de Orientação Profissional, jun. 2005, vol.6, n 1, p. 15-24. ANDRADE, J. M. et al. O processo de orientação vocacional frente ao século XXI: aspectos teóricos, técnicos e práticos. São Paulo: Vetor, 2002.p.25. ALFREDO, R. A. Aproximações explicativas a partir da análise de sentidos e significados constituídos em espaços/situações de escolha na escola. Dissertação (Mestrado). Curso de Educação, Departamento de Psicologia da Educação, PUC. São Paulo, 2006. In: BOCK, S. D. Orientação profissional para as classes pobres. São Paulo. Cortez,2010. BASTOS, J. C.Efetivação de escolhas profissionais de jovens oriundos do ensino publico: um olhar sobre suas trajetórias. Revista Brasileira de Orientação Profissional, dez 2005. V.6. n° 2. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0183.pdf. Acesso em: 17/09/2015. BELLO, J. L. P. Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL. História da Educação no Brasil. Período do Regime Militar.Pedagogia em Foco, Vitória, 1993. Disponível em: Acesso em: 20 de junho de 2008. Disponível em: http://alb.com.br/arquivo- morto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem02/COLE_3895.pdf. Acesso em 07 de set de 2015 BOCK, S. D. “Trabalho e profissão‖. In: CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA; SINDICATO DOS PSICÓLOGOS NO ESTADO DE SÃO PAULO. Psicologia no ensino de 2º grau: uma proposta emancipadora. São Paulo: Edicon, 1986. Disponivel: http://200.145.6.217/proceedings_arquivos/ArtigosCongressoEducadores/958.p df. Acesso em: 06/08/2015. ______. Escolha profissional: vocação ou sobrevivência? In Revista Transformação (informativo da Secretaria de Mão - de Obra do Ministério do Trabalho), Brasília, ano IV.n°11, set 1989.In BOCK, A. M. B. et al./A escolha profissional/ e outros autores-São Paulo: Casa do Psicólogo,1995. ______. (2002). Orientação Profissional: A Abordagem Sócio Histórica. 2ª. Edição. São Paulo: Cortez. Factores que influenciam na escolha vocacional 66 dos alunos do 12º ano da Via Técnica. 2011. (Monografia) - Universidade ______. Orientação Profissional, a abordagem sócio-histórica. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2006. BOCK, A. M. B; GONÇALVES, M. G. M; FURTADO, O. Psicologia Sócio- Histórica: uma perspectiva crítica. São Paulo. Cortez, 2001. In: OLIVEIRA, A. S.Os sentidos da escolha da profissão, por jovens de baixa renda: um estudo em psicologia Sócio-histórica.São Paulo:2009.Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp125974.pdf. Acesso em: 21/10/2015 BOHOSLAVSKY, R. Orientação Vocacional: a estratégia clínica 12 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. BOHOSLAVSKY, R. Orientação vocacional: a estratégia clínica. Tradução de J. Maria V. Bojart. 12ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. BRASIL. Lei Federal n°5.692/71(LDB) Lei De Diretrizes E Bases Da Educação Nacional, 11 de ago de 1971, revogada pela lei n° 9934/96. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF. BRASIL. Lei Federal nº 9.394/96 (LDB) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 20 de dez de 1996. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, Tít.IV, art.9, p III e IV. BRASIL. Constituição Federal, 05 de out de 1988. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, n°59, 2009. BRASIL, Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB nº 3, de 15 de junho de 2010. Brasília, 2010. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf> Acesso em: 13 de set. de 2015. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular - 1º seguimento. Brasília: MEC, 2001. Disponível em: http://alb.com.br/arquivo- morto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem02/COLE_3895.pdf. Acesso em 07 de set de 2015. BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista – a degradação do trabalho no século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. 67 CABALLO, V. E. (1991). El entrenamiento en habilidades sociales. Em V. E. Caballo (Org.), Terapía y modificación de conducta (p. 403-443). Habilidades sociais: breve análise da teoria e da prática à luz da análise do comportamento. SILVA, A. T. B Interação em Psicologia, 2002, 6(2), p. 233- 242. Disponivel em: <https://www.google.com.br/search?q=Caballo%2C+V.+E.+(1991).+El+entrena miento+en+habilidades+sociales.+Em+V.+E.+Caballo+(Org.)%2C+Terap%C3 %ADa+y+modificaci%C3%B3n+de+conducta+(p.+403-443)>. Acesso em: 06/10/2015. COSTA, J. M. Orientação Profissional: um outro olhar. Psicologia USP, dez.2007, vol. 18, n 4, p. 79-87. CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Bruino Magne (trad.). Porto Alegra: Artes Médicas Sul, 2000. In: OLIVEIRA, A. S. Os sentidos da escolha da profissão, por jovens de baixa renda: um estudo em psicologia Sócio-histórica. São Paulo: 2009. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp125974.pdf. Acesso em: 21/10/2015. Dinâmicas de grupos - Passei Direto. Disponível em: https://www.passeidireto.com/arquivo/5426283/dinamicas-de-grupos/13. Acesso em 18 de out, 2015. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: ELSEVIER, Empreendedorismo: a necessidade de se aprender a empreender Autoria: Ailton Carlos da Silveira et al. Revista Foco, v2, n.1 (2007). Disponível em: <http://www.novomilenio.br/Periodicos/index.php/foco/article/view/>. Acesso em: 06/10/2015. FREIRE apud COLAVITO, N. B; ARRUDA, A. L. M. M. Educação de jovens adultos (EJA): A importância da Alfabetização. Revista eletrônica Saberes da Educação. São Roque, 2014. GONSALVES, E. P. Conversas sobre iniciação à pesquisa científica. Campinas, SP: Alínea, 2001. In: PARREIRA, L. A. Famílias e Educação: Parceiras?Franca, 2013. Disponível em: http://www.franca.unesp.br/Home/Pos- graduacao/ServicoSocial/tese-de-doutorado-familia-e-educacao-parceiras- lucia-aparecida-parreira-2013.pdf. Acesso em: 15 de Nov. 2015. GADOTTI, M.; ROMÃO, J. E. Educação de jovens e adultos: teoria prática e proposta. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2006. 68 HUMBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro. LTC Editora, 1986. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. http://www.ibge.gov.br _________IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. (PNAD), 2001. JACCARD, P. História social do trabalho das origens até aos nossos dias. trad. Rui de Moura, Lisboa, Livros Horizonte, 1974. – v 2. KRENCZYNSKI, M. As políticas públicas na educação de jovens e adultos: Perspectiva e realidade em Iguatemi (MS). 2008. Monografia (Especialização na EJA). Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Mundo Novo, MS. LISBOA, M. D. (2011). O desemprego na juventude: umestudo sobre o sentido do desemprego para jovens que residem em cidades de sub-regiões produtivas da indústria do calçado, na região Sudeste do país (Pesquisa de Pós-Doutorado). São Paulo: FAPESP. LUCCHIARI, D. H. P. S. (Org.)________Pensando e vivendo a orientação profissional. 6 ed. São Paulo: Summus,1993. LUCCHIARI, D. H. Uma abordagem genealógica a partir do genoprofissiograma e do teste de três personagens. In: LEVENFUS, R. S.; SOARES-LUCCHIARI, D. H.; SILVA, I. C; LISBOA, M. D.; LASSANCE M. C.; KNOBEL; M. (Orgs.). Psicodinâmica da escolha profissional (pp. 135-160). Porto Alegre: Artes Médicas, 1997 LEVENFUS, R. S. e Cols. Psicodinâmica da escolha profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997 a, p. 79-95. MANDELLI, M. T.; SOARES, D. H. P.; LISBOA, M. D. Juventude e projeto de vida: novas perspectivas em orientação profissional. Arq. bras. psicol., Rio de Janeiro , v. 63, n. spe, 2011 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809- 52672011000300006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 19 nov. 2015. MELLO, N. G.O Sistema de Ensino Público no Brasil, Brasília, 1993. MINAYO, M. C. S. (2010). O desafio do conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. (12ª edição). São Paulo: Hucitec-Abrasco. 69 MIRANDA, F. P. F. Z, et al. (2005). A Orientação Profissional e educacional como parte do processo de escolarização. In: NAIANE, G. N. Orientação Profissional em escola Pública: Uma Análise de relato de Experiência. O portal dos psicólogos. São Paulo. 05 jun. 2006. Disponível em: <http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0183.pdf>Acesso em 20 maio, 2015. MONTEIRO, A. dos R. O direito à educação. Lisboa: Livros Horizonte, 1999. MULLER, T. P., SCHMIDT, J.S, DULCE, H.P. Serviço de Orientação Profissional do Lipo– UFSC a comunidade: Traçando novos caminhos. Revista Eletrônica de extensão – Extensivo jul. de 2009, vol. 6, n.7. NEFFA, J. C, Actividad, trabajo e empleo: algunas reflexiones sobre um tema em debate. In: BOCK. S.D., Orientação Profissional, a abordagem sócio- histórica. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2006. OLIVEIRA, M. C. (1996). Metamorfose na construção do Alfabetizando pessoa. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS. OLIVEIRA, M. K. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 12, p. 59- 73, 1999. OLIVEIRA, A. S. Os Sentidos da escolha da profissão, por jovens de baixa renda: Um estudo em psicologia sócio- Histórica. Tese de Mestrado em Educação: Psicologia da Educação. São Paulo 2009. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_actio n=&co_obra=174193> Acesso em 20 de out de 2015. PAIVA, V. P. - Educação Popular e Educação de Adultos-5 ed. - São Paulo:- Edições Loyola – Ibrades, 1987. REY, G. F. Pesquisa Qualitativa e subjetividade: os processos de demonstração da informação/Fernando Gonzalez Rey [tradução Marcel Aristides Ferrada Silva.—São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. RIBEIRO, M. A. Demandas em Orientação Profissional: Um estudo exploratório em escolas públicas. Revista Brasileira de Orientação Profissional, dez. 2003, vol.4, n. 1-2, p.141-151. 70 ROSSI. W. G. Capitalismo e educação: contribuição ao estudo crítico da economia da educação capitalista. 2. ed. São Paulo: Moraes, 1980. In: FRIEDRICH, M, et al. Trajetória da escolarização de jovens e adultos no Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação.vol.18, no. 67, Rio de Janeiro , 2010.Disponível em : http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v18n67/a11v1867. Acesso em 25 de out, 2015. RUMMERT, S. M, VENTURA, J. P. Políticas públicas para educação de jovens e adultos no Brasil: a permanente (re) construção da subalternidade – considerações sobre os Programas Brasil Alfabetizado e Fazendo Escola.Educ. rev. no. 29 Curitiba, 2007. Disponível em:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 40602007000100004&script=sci_arttext. Acesso em 08/07/2015. SILVA, F. F. A escola e a construção de projetos profissionais: escolarização, imagens do trabalho e dos gêneros. Dissertações Mestrado- Curso de Psicologia, Departamento de Psicologia Social, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003. SILVA, M. L. et al (2008). Interesses em adolescentes que procuram orientação profissional, Revista de Psicologia da Vetor Editora, 4(2), SOARES, D.H.P. O jovem e a escolha profissional,(org.).6°ed.Summus, Porto Alegre,1987. ______. O jovem e a escolha profissional. In: LUCCHIARI, D. H. P. S, LISBOA, M. D,FILHO,K. Pensando e vivendo a orientação profissional (org)- São Paulo: Summus,1993. SOARES, L. J. G. Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. SPARTA, S.O desenvolvimento da orientação profissional no Brasil. Revista Brasileira de Orientação Profissional, São Paulo, dez. 2003. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S16793390200300 0100> Acesso em: 27maio. 2015. STEPHANOU, M; BASTOS, M.H (orgs). Historias e Memórias da Educação no Brasil. Vol.III. Petrópolis: Vozes, 2005. 71 STRELHOW, T.B, Breve História sobre a Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Revista HISTEDBR On-line. Disponível em: https://www.fe.unicamp.br/revistas/ged/histedbr/article/view/3520/3101. Acesso em: 13 de set. de 2015. TORRES, I. C. Repensar os sentidos do trabalho e rever a cidadania na agenda geocultural do século XXI. Lúmen. São Paulo: Unifai. v. 8, n. 17, 2002. VIEIRA, M. C. Fundamentos históricos, políticos e sociais da Educação de Jovens e Adultos: aspectos históricos da educação de jovens e adultos no Brasil. Brasília, DF: UnB, CEAD, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104- 40362010000200011. Acesso em: 17/07/2015. VIGOTSKY, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 72 APÊNDICES 73 APÊNDICE A – Termo de Consentimento COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA – CEP / UniSALESIANO (Resolução nº 466 de 12/12/12 – CNS) TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE OU RESPONSÁVEL LEGAL 1. Nome do Paciente: Documento de Identidade nº Sexo: Data de Nascimento: Endereço: Cidade: U.F. Telefone: CEP: 1. Responsável Legal: Documento de Identidade nº Sexo: Data de Nascimento: Endereço: Cidade: U.F. Natureza (grau de parentesco, tutor, curador, etc.): II – DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA 1. Título do protocolo de pesquisa: A Importância da Orientação Profissional no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) 2. Pesquisador responsável: Liara Rodrigues de Oliveira Cargo/função: Psicóloga/docente Inscr.Cons.Regiona l: 06/85631 Unidade ou Departamento do Solicitante: Departamento de Psicologia 3. Avaliação do risco da pesquisa: (probabilidade de que o indivíduo sofra algum dano como conseqüência imediata ou tardia do estudo). SEM RISCO RISCO MÍNIMO RISCO MÉDIO RISCO MAIOR 4. Justificativa e os objetivos da pesquisa (explicitar): A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que pretende atender uma demanda de jovens e adultos, que não tiveram acesso ao ensino básico ou não o concluíram na idade própria por diversos motivos, que procurama escola principalmente para conseguir emprego ou se manter empregado e se estabelecer no mercado de trabalho. A tarefa da orientação profissional tem por objetivo facilitar o 74 momento da escolha profissional, auxiliando o individuo a compreender sua situação específica de vida, na qual estão incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. E é a partir dessa compreensão que o indivíduo terá mais condições de definir qual a melhor escolha, a escolha possível (LUCCHIARI, 1993, p.12). Tendo em vista a alta competitividade no mercado de trabalho que requer profissionais cada vez mais competentes e com a necessidade de se manter nesse mercado, torna-se fundamental que a pessoa saiba como planejar o seu futuro profissional, pensar no rumo que deve seguir e saber como preparar o seu projeto de vida. Devido a essa grande concorrência profissional e poucas oportunidades de trabalho dos dias atuais, surge então a motivação para a importância da Orientação Profissional com o intuito de proporcionar um espaço para discussão e reflexão sobre os aspectos da vida profissional, social e cultural, investigar quais os limitadores da carreira e proporcionar condições para que a própria pessoa faça ou reafirme sua escolha, levando em conta a satisfação pessoal, os aspectos financeiros e o atual mercado de trabalho. Diante disso, o estudo da disciplina de Orientação Profissional no Curso de Psicologia propiciou o aprendizado sobre a importância da Orientação para a escolha profissional na vida dos alunos. Sendo assim foi elaborada essa proposta de pesquisa, com o objetivo de conhecer a opinião dos jovens a partir da participação em um programa de orientação profissional aplicado aos alunos do ensino médio do EJA. O local foi escolhido por se tratar de uma instituição de ensino pública, a qual possui um público numerosamente significativo ao interesse desta pesquisa em realizar tais atividades, e que ao mesmo tempo, não contam com a atuação de profissionais nessa área, por não ser uma disciplina presente na grade curricular. O presente projeto vem de encontro às exigências das Diretrizes Curriculares para os cursos de Psicologia, e abrange temas variados como: o autoconhecimento, a influência da família e da sociedade, a personalidade, os interesses e os valores articulando a teoria e a prática. Essa pesquisa tem por objetivo conhecer e confrontar a opinião dos alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em relação à ampliação do conhecimento acerca das possibilidades relacionadas ao projeto de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho antes e após participarem 75 da Orientação Profissional. Facilitar a escolha significa participar auxiliando a pensar, coordenando o processo para que as dificuldades de cada um possam ser formuladas e trabalhadas. Coordenar o processo porque, como profissionais estamos habilitados para isso. O desenvolvimento do processo dependerá dos grupos, já que eles apresentam características específicas. (LUCCHIARI,1993, p.12) 5. Procedimentos que serão utilizados e propósitos, incluindo a identificação dos procedimentos que são experimentais: O estudo será desenvolvido por meio de uma pesquisa de campo e analisado através método qualitativo, onde serão aplicados dois questionários um antes e outro após o processo de Orientação Profissional, para verificar informações, pensamentos e sentimentos que os sujeitos da pesquisa têm acerca da vida profissional, da sua realidade social, política e cultural. 6. Desconfortos e riscos esperados: O sujeito da pesquisa corre o risco de ter sua identidade exposta, para que isso não ocorra sua identidade será preservada. O sujeito também corre o risco de ter suas dúvidas ampliadas, dentre as inúmeras opções de cursos e possibilidades que poderá ter acesso. 7. Benefícios que poderão ser obtidos: Os benefícios que os participantes poderão obter são: autoconhecimento, informações sobre profissões, cursos técnicos, faculdades, o que poderá auxiliá-los em decisões futuras mais conscientes e maduras. 8. Procedimentos alternativos que possam ser vantajosos para o indivíduo: Terão oportunidade de ampliar as possibilidades de prosseguimento nos estudos, por meio das reflexões proporcionadas a respeito de seus interesses e aptidões. Colaborando assim para o desenvolvimento do seu pensamento crítico sobre a escolha profissional, mercado de trabalho, relacionado a valores, importância e necessidade ou não desta opção para os mesmos. 9. Duração da pesquisa: Cinco meses. 10. Aprovação do Protocolo de pesquisa pelo Comitê de Ética para análise de projetos de pesquisa em / / III - EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AO PACIENTE OU SEU REPRESENTANTE LEGAL 76 1. Recebi esclarecimentos sobre a garantia de resposta a qualquer pergunta, a qualquer dúvida acerca dos procedimentos, riscos, benefícios e outros assuntos relacionados com a pesquisa e o tratamento do indivíduo. 2. Recebi esclarecimentos sobre a liberdade de retirar meu consentimento a qualquer momento e deixar de participar no estudo, sem que isto traga prejuízo à continuação de meu tratamento. 3. Recebi esclarecimento sobre o compromisso de que minha identificação se manterá confidencial tanto quanto a informação relacionada com a minha privacidade. 4. Recebi esclarecimento sobre a disposição e o compromisso de receber informações obtidas durante o estudo, quando solicitadas, ainda que possa afetar minha vontade de continuar participando da pesquisa. 5. Recebi esclarecimento sobre a disponibilidade de assistência no caso de complicações e danos decorrentes da pesquisa. Observações complementares. IV – CONSENTIMENTO PÓS ESCLARECIDO Declaro que, após ter sido convenientemente esclarecido (a) pelo pesquisador responsável e assistentes, conforme registro nos itens 1 a 5 do inciso IV da Resolução 466, de 12/12/12, consinto em participar, na qualidade de participante da pesquisa, do Projeto de Pesquisa ―Habilidades Sociais em alunos concluintes do curso de Psicologia do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium - Lins.‖ ________________________________ Local, / / Assinatura ___________________________________ Testemunha Nome: Endereço: Telefone: R.G.: 77 ___________________________________ Testemunha Nome: Endereço: Telefone: R.G.: 78 ANEXOS 79 ANEXO A – FOLHA APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - UNISALESIANO/SP PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP DADOS DO PROJETO DE PESQUISA Título da Pesquisa: A Importância da Orientação Profissional no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) Pesquisador: Liara Rodrigues de Oliveira Área Temática: Versão: 1 CAAE: 48528615.5.0000.5379 Instituição Proponente: MISSAO SALESIANA DE MATO GROSSO Patrocinador Principal: Financiamento Próprio DADOS DO PARECER Número do Parecer: 1.256.875 Apresentação do Projeto: Clara, objetiva e impactante para a área de pesquisa, além de poder trazer importantes contribuições para a educação e áreas afins. Objetivo da Pesquisa: Claros e bem dimensionados. Avaliação dos Riscos e Benefícios: Os riscos e benefíciosestão descritos a contento. Comentários e Considerações sobre a Pesquisa: Nada a considerar. Página 01 de 04 CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - UNISALESIANO/SP Continuação do Parecer: 1.256.875 80 Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória: Todos os termos estão de acordo com a s exigências da Resolução 466/12 Recomendações: Nada a recomendar Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações: Projeto aprovado Considerações Finais a critério do CEP: Endereço: Rodovia Teotônio Vilela 3821 CEP: 16.016-500 Bairro: Alvorada UF: SP Município: ARACATUBA Telefone: (18)3636-5252 Fax: (18)3636-5252 email- claudialopes@salesiano-ata.br Página 02 de 04 CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - UNISALESIANO/SP Continuação do Parecer: 1.256.875 Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados: Tipo Documento Arquivo Postagem Autor Situação Informações básicas do projeto PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P ROJETO_500324.pdf 30/06/2015 21:05:17 Aceito Projeto Detalhado Brochura/ Investigador Projeto versão final.doc 30/06/2015 21:04:21 Aceito Outros Anexo IV-maria José. docx 26/06/2015 21:13:13 Aceito Outros Declaração Termo de compromisso pesquisador responsavel.pdf 24/06/2015 15:35:11 Aceito Outros Declaração coleta de dados.pdf 24/06/2015 15:34:44 Aceito Outros anexo 1.pdf 24/06/2015 15:34:23 Aceito Outros anexo IV-Rosangela.docx 21/06/2015 22:10:35 Aceito Outros anexo IV-Elaine.docx 21/06/2015 Aceito 81 22:09:52 Outros anexo IX.docx 21/06/2015 22:09:20 Aceito Outros questionário 2.docx 21/06/2015 22:08:16 Aceito Outros questionário 1.docx 21/06/2015 22:07:45 Aceito Outros anexoV.docx 21/06/2015 22:05:36 Aceito Outros anexo VIII.docx 21/06/2015 22:05:09 Aceito Outros anexo VII.docx 21/06/2015 22:04:18 Aceito Outros anexo VI.docx 21/06/2015 22:03:49 Aceito Informações básicas do projeto PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P ROJETO_500324.pdf 18/06/2015 16:06:38 Aceito Informações básicas do projeto PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P ROJETO_500324.pdf 29/04/2015 01:04:18 Aceito Folha de Rosto folha de rosto assinada.docx 29/04/2015 00:52:39 Aceito TCLE / Termos de Assentimento / Justificativa de Ausência Termo de consentimento. doc 16/04/2015 02:58:51 Aceito Página 03 de 04 CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - UNISALESIANO/SP Continuação do Parecer: 1.256.875 Situação do Parecer: Aprovado Endereço: Rodovia Teotônio Vilela 3821 CEP: 16.016-500 Bairro: Alvorada UF: SP Município: ARACATUBA 82 Telefone: (18)3636-5252 Fax: (18)3636-5252 email- claudialopes@salesiano-ata.br Necessita Apreciação da CONEP: Não ARACATUBA, 02 de Outubro de 2015 ________________________________ Assinado por: CLAUDIA LOPES FERREIRA (Coordenador) Página 04de 04 83 ANEXO B – QUESTIONÁRIO 11 1. Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 2. Idade ______________ 3. Estado civil: ( ) solteiro(a) ( ) casado(a) ( ) separado(a) ( ) outro _______________ 4. Você tem filhos? ( ) sim ( ) não Se sim, quantos filhos? ________________ 5. Apresenta alguma necessidade educativa especial? ( ) sim ( ) não Se sim, qual? _______________________________________________________________ 6. Por que você abandonou os estudos? ( ) pouca maturidade/responsabilidade ( ) precisava trabalhar ( ) dificuldade de acompanhar o curso ( ) a escola não era próxima da residência ou do meu local de trabalho ( ) não havia interesse em continuar os estudos ( ) casamento ( ) filhos ( ) falta de apoio da família ( ) achava que não era necessário Outros motivos: __________________________________________________ 7. Buscou a EJA para retornar os estudos, pois: ( ) quer conseguir o diploma ( ) buscar melhores oportunidades de trabalho ( ) foi orientado pelo empregador 1 CALDEIRA, D.L; YOSHIDA, E. A; PASSOS, G. O. A Orientação Profissional em EJA. Um caminho para autoestima do aluno. Brasília, DF. Ab. 2014, p. 32. Acesso em 18 de out, 2015. Disponível em: http://bdm.unb.br/bitstream/10483/7853/7/2014_DanielaCaldeira_ErikaShibata_GabrielaPassos .pdf 84 ( ) quer auxiliar na educação de filhos ou parentes Outros motivos: __________________________________________________ ( ) Deseja fazer um curso técnico? Qual?________________________________________________ ( ) Deseja fazer uma faculdade? Qual? _________________________________________________ 8. Você trabalha? ( ) sim ( ) não Se sim, em quê você trabalha? ________________________________________________________ 9. Você sabe o que é o ENEM? ( ) sim ( ) não 10. Você sabe o que é o PROUNI? ( ) sim ( ) não 11. Você sabe o que é o Fies? ( ) sim ( ) não 12. Quando você concluir seus estudos, você sabe o que pode fazer? ( ) sim ( ) não 13. O que você pretende fazer ao concluir os estudos (EJA)? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 14. Você faz planos para o seu futuro profissional? ( ) sim ( ) não 15. O que você espera (sonha) do seu futuro profissional? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 85 16. Você gostaria de receber algum tipo de orientação profissional? ( )sim ( )não Que tipo de informação? _______________________________________________________________ 86 ANEXO C- QUESTIONÁRIO 2 1. Você já tinha participado de algum tipo de Orientação Profissional antes? ( ) sim ( ) não 2. O que você achou do processo de Orientação Profissional? _______________________________________________________________ 3. Como foi para você participar e poder falar sobre suas escolhas? _______________________________________________________________ 4. Você ficou com dúvidas? ( ) sim ( ) não Quais? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5. Faltou alguma informação ou conteúdo que poderia ter sido abordado na Orientação? ( ) sim ( ) não O que? _______________________________________________________________ 6. O que na Orientação você considera ter sido mais relevante para a elaboração da sua escolha profissional? _______________________________________________________________ 7. Acha importante que as escolas tenham algum tipo de Orientação Profissional? ( ) sim ( ) não 8. Após participar do processo de Orientação Profissional, o que mudou na sua forma de pensar? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 9.Você pretende fazer algum curso ou faculdade quando terminar esse último ano do ensino médio? 87 ( ) sim ( ) não Se sim, qual? _______________________________________________________________ 10. Você pretende mudar de profissão/ocupação futuramente? ( ) sim ( ) não Se sim, para qual? _______________________________________________________________ 11. Quais são seus pensamentos e sentimentos em relação a sua vida profissional? _______________________________________________________________ 12. O que você espera (sonha) para o seu futuro profissional? _______________________________________________________________ 88 ANEXO D - O GRÁFICO DA MINHA VIDA2 OBJETIVOS: Dar a todos os participantes uma oportunidade de fazer um feedback de sua vida. Todos poderão expressar suas vivências e sentimentos ao grupo. MATERIAL: Folhas de papel em branco, lápis ou caneta. PROCESSO: O animador do grupo inicia explicando os objetivos do exercício. A seguir, distribuirá uma folha em branco para cada participante. Todos procurarão traçar uma linha que, através de ângulos e curvas, represente fatos da própria vida. Os fatos podem limitar-se a um determinado período da vida: por exemplo, os últimos três meses ou o último ano. O gráfico pode expressar vivências e sentimentos do tipo religioso, familiar, grupal ou social. A seguir, um a um irá expor ao grupo seu próprio gráfico, explicando os pontos mais importantes. Terminado o exercício, seguem-se os comentários e depoimentos dos participantes. 2 Dinâmicas de grupos – Passei Direto. Disponível em: <https://www.paseidireto.com/arquivo/5426283/dinamicas-de-grupos/13>. Acesso em: 18 out. 2015. 89 ANEXO E – AUTORIZAÇÃO