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UNISALESIANO 
Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium 
Curso de Psicologia 
 
 
 
Elaine Cristina Pereira de Souza 
Maria José da Silva 
Rosangela Pavoni 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO 
PROFISSIONAL NO ENSINO DE JOVENS E 
ADULTOS (EJA) 
EE. Comendador Antonio Figueiredo Navas 
Promissão - SP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LINS-SP 
2015 
 
 
 
ELAINE CRISTINA PEREIRA DE SOUZA 
MARIA JOSÉ DA SILVA 
ROSANGELA PAVONI 
 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO ENSINO DE 
JOVENS E ADULTOS (EJA) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
Apresentado à Banca Examinadora do 
Centro Universitário Católico Salesiano 
Auxilium, curso de Psicologia, sob a 
orientação da Prof. Me Liara Rodrigues 
de Oliveira e orientação técnica da Prof. 
Ma. Jovira Maria Sarraceni 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LINS-SP 
2015
 
 
 
 
Souza, Elaine Cristina Pereira de; Silva, Maria José da; 
Pavoni, Rosângela 
 A importância da orientação profissional no ensino de 
jovens e adultos (EJA) / Elaine Cristina Pereira de Souza; 
Maria José da Silva; Rosângela Pavoni. – – Lins, 2015. 
86p. il. 31cm. 
 
Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico 
Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para 
graduação em Psicologia, 2015. 
Orientadores: Jovira Maria Sarraceni; Liara Rodrigues de 
Oliveira 
 
1. Orientação Profissional. 2. Ensino de Jovens e Adultos. 
3. Mercado de Trabalho. 4. Intervenção Psicológica. I Título. 
 
CDU 159 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S579g 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico primeiramente à minha mãe Eunice pela ajuda que me concedeu 
durante todo curso, com apoio financeiro, amor e a dedicação que teve com 
minhas filhas e comigo. 
A minha filha Rafaela que sempre esteve do meu lado, me incentivando, 
me fazendo companhia nos momentos difíceis, sendo minha amiga e tendo 
paciência por eu não estar presente em alguns momentos em que ela precisou 
de mim. 
A minha filha Ana Julia que passou por momentos conflituosos, porém 
sempre me compreendeu, suportando minha ausência e me apoiando com seu 
carinho e tolerância ao esperar por mim, nunca deixando de ser a minha 
filhinha meiga e carinhosa. 
A minha filha Isabelly, que ainda é uma criança, porém soube enfrentar 
as dificuldades que a ausência da mãe trouxe a ela em alguns momentos, 
conseguindo suportar a carência e ainda me receber com um sorriso lindo cada 
vez que eu estava com ela. 
Ao meu marido Paulo Sérgio, pela paciência, pelo carinho e pelo apoio 
que me deu durante todo o curso, por estar ao meu lado sempre me 
incentivando. 
Elaine C. P. Souza 
 
Em memória da minha melhor amiga e exemplo de vida, Áurea 
Cristóvão da Silva: 
―Mãe você foi o sol que aqueceu os meus dias, hoje é a luz que ilumina 
meu caminho, me ensinou tudo que sou e tudo que não quero ser‖. 
Aos meus filhos Bruno e Matheus, as minhas irmãs Ana e Keila, pelo 
amor, apoio, paciência, companheirismo e pela riqueza que trazem à minha 
vida. 
Maria José 
 
Dedico primeiramente à mulher que me deu a vida, minha mãe pela 
ajuda financeira, pelo amor, carinho, confiança e atenção. 
Ao meu pai que infelizmente faleceu quando eu estava no primeiro ano 
do curso. 
 
 
 
A minha filha Leticia que sempre me incentivou a prosseguir, e suportar 
as barreiras no trajeto de todo o curso. 
A minha filha Larissa, por muitas vezes me acompanhou na faculdade 
para não ficar sozinha em casa. 
 Minhas filhas vocês foram o meu maior incentivo a fazer faculdade, para 
eu poder dar um futuro melhor a vocês duas. Amo muito vocês. 
Ao meu marido Wilson Carlos, pelo amor, carinho, atenção, paciência, 
sendo alicerce para essa conquista, pelas orações e apoio integral, suportando 
meu cansaço, ausência e impaciência durante essa trajetória. Amo você! 
Aos meus irmãos Valdecir, Roselei e Geraldo, que sempre torceram 
muito pelo meu crescimento profissional. 
Rosângela Pavoni 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente a Deus, por me dar a vida e a oportunidade de 
realizar meu sonho, me dando saúde e força para continuar. 
A minha família, que sempre me incentivou e acreditou em mim, me 
apoiando e compreendendo em cada momento dessa trajetória. 
A minha orientadora Liara Rodrigues de Oliveira e a Prof. Orientadora 
Técnica Ma. Jovira Maria Sarraceni, que me auxiliaram nessa trajetória, com 
sabedoria, dedicação e com competência para que eu seguisse na direção 
certa desse aprendizado. 
A todos os professores do curso, que desde o início sempre estiveram 
dispostos a ensinar com dedicação e estiveram comigo contribuindo para 
minha formação, pois devo a cada um deles todo o conhecimento que adquiri 
durante todo o curso. 
A Instituição Centro Católico Salesiano Auxilium de Lins e a todos os 
funcionários da mesma, os que também contribuíram para o meu crescimento, 
servindo com respeito e dedicação. 
Elaine C. P. Souza 
 
 Agradeço a Deus, por conceder-me o dom da vida e da sabedoria, 
guiando-me no caminho do bem e da justiça, a batalhar e vencer. Por isso 
lutar, conquistar, vencer e até mesmo cair e perder, e o principal, viver é o meu 
modo de agradecer sempre. 
A minha orientadora Liara Rodrigues de Oliveira que me guiou nessa 
trajetória, apontando-me sempre com precisão, cuidado e compreensão a uma 
direção a seguir. 
A todos os professores do curso, que contribuíram para minha formação 
e incentivaram todos os pequenos projetos ampliando os conhecimentos 
adquiridos em sala. 
A todos que contribuíram de forma direta ou indiretamente na conclusão 
de mais esta etapa de minha vida e que mesmo não citados aqui não deixam 
de merecer meu agradecimento. 
Rosângela Pavoni 
 
 
 
 O término dessa graduação é um momento muito importante e especial 
em minha vida, pois é a realização de um sonho que permaneceu guardado 
por muito tempo. 
Quando relembro os momentos vividos e caminhos percorridos para 
chegar até esse momento de realização, sem dúvida, vejo muitas dificuldades 
e conflitos, mas também, inúmeros e inesquecíveis momentos de alegria, de 
vitórias, de descobertas e de cumplicidade. 
Nesse percurso muitas pessoas contribuíram para que esse sonho se 
tornasse realidade. 
Agradeço primeiramente a Deus, que sem dúvida acredito ser a força 
maior que nos move. 
A meu pai Irani, meus filhos Bruno e Matheus e minhas irmãs Keila e 
Ana que estão sempre presentes me apoiando e dando forças para continuar a 
lutar por meus ideais. 
A meu aos meus patrões Hélvio e Roselei, aos meus amigos (as) de 
trabalho, pelo apoio, paciência e cooperação durante essa longa jornada de 
estudo. 
Agradeço a nossa orientadora Liara, pela dedicação e cooperação nesse 
processo. 
A instituição, a coordenação e a todos os funcionários pela dedicação e 
respeito com que me trataram durante esse período. 
A todos os professores que estiveram comigo durante esses cinco anos 
de curso, pelas valiosas discussões provocadoras de reflexão, que 
contribuíram na minha formação. 
Agradeço a todos os meus amigos por compartilharem minhas alegrias, 
dificuldades, por compreenderem minhas ausências e períodos de isolamento, 
por torcerem e comemorarem cada conquista. 
Agradeço aos responsáveis pela escola e aos alunos que participaram 
dessa pesquisa, pela compreensão, disponibilidade e interesse dedicados. 
Maria José 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e confrontar a opiniãodos 
alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos, em 
relação à ampliação do conhecimento acerca das possibilidades relacionadas 
ao projeto de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho antes e após 
participarem da Orientação Profissional. Iniciou-se a pesquisa com 45 alunos, 
com idade variando entre 19 e 46 anos. O método utilizado inicialmente foi um 
levantamento de dados através de um questionário, com o objetivo de obter 
informações sobre o conhecimento dos alunos acerca do mercado de trabalho, 
autoconhecimento e informação profissional. Após esse levantamento de 
dados foi realizado um processo de Orientação Profissional com duração de 
cinco encontros semanais, sendo 1h10 cada encontro. A Orientação 
Profissional se deu por meio de questionários, dinâmica de grupo, atividades 
escritas e verbais, recursos audiovisuais, discussões e reflexões que 
permitiram a obtenção de dados característicos dessa população. Após esse 
processo foi realizada a aplicação de um questionário pós-intervenção em que 
se realizou a análise de conteúdo com base nas respostas apresentadas pelos 
orientandos no questionário final. O projeto possibilitou aos alunos da EJA a 
compreensão das variáveis que interferem nas suas escolhas profissionais, 
oportunidade de ampliar as possibilidades de prosseguimento nos estudos, 
colaborando assim para o desenvolvimento do seu pensamento crítico em sua 
realidade social. Através dos resultados obtidos ao final da experiência, 
presentes no discurso dos jovens, concluiu-se que o objetivo da pesquisa foi 
alcançado, ou seja, ampliou-se a consciência dos alunos para a escolha 
profissional e suas possibilidades, trazendo mais segurança e motivação para 
que os mesmos dessem continuidade aos projetos futuros. 
 
 
Palavras-chave: Orientação Profissional. Ensino de Jovens e Adultos. Mercado 
de Trabalho. Intervenção Psicológica.
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
This research aimed to identify and confront an opinion of graduating 
high school students of the Young and Adult Education, in relation to the 
expansion of knowledge about the possibilities related to the future project, 
choice of profession and employment before and after attending the orientation 
professional. The began with 48 students, aged between 19 and 46 years. The 
method used initially was a data collection through a questionnaire in order to 
obtain information about students' knowledge about the labor market, self-
knowledge and professional information. After this data collection was realized 
a process of career guidance lasting five weekly meetings and 1h10 each 
encounter. The career guidance was through questionnaires, group dynamics, 
written and verbal activities, audiovisual resources, discussions and reflections 
which enabled obtaining characteristic data of this population. After this process 
was realized a application of a post-intervention in which it performed the 
content analysis based on the answers of the mentees in the final 
questionnaire. The project enabled the students of EJA understanding of the 
variables that interfere with their career choices, opportunity to expand the 
possibilities for further studies, thus contributing to the development of their 
critical thinking in their social reality. The results obtained at the end of the 
experiment, present in the speech of young people, it was concluded that the 
objective was achieved, that is, the understanding of the students towards the 
professional choice and its possibilities was expanded, bringing more security 
and motivation for they give continuity to future projects. 
 
 
Keywords: Professional Guidance. Education of Teens and Adults.Labor 
Market.Psychological Intervention. 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1: Demonstrativo de gênero, faixa etária, estado civil, filhos e 
necessidade educativa especial dos alunos participantes. ............................... 54 
Tabela 2: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos 
abandonaram os estudos. Nesse item, os alunos puderam assinalar mais de 
uma resposta. Obs: um aluno destacou que não abandou os estudos, só 
reprovou e foi transferido para a EJA, devido à idade. ..................................... 54 
Tabela 3: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos 
retornaram aos estudos. Nesse item os alunos foram orientados a assinalar 
todas as opções condizentes com seus motivos. ............................................. 55 
Tabela 4: Demonstrativo de alunos que trabalham e que não trabalham, 
destacando que a maioria trabalha. .................................................................. 55 
Tabela 5: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o ENEM, 
predominando o maior número que não sabe. ................................................. 55 
Tabela 6: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Prouni, 
destacando-se que a maioria não tem conhecimento. ...................................... 55 
Tabela 7: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Fies. ........ 55 
Tabela 8: Demonstrativo de alunos que sabem o que podem fazer após a 
conclusão dos estudos...................................................................................... 55 
Tabela 9: Demonstrativo de alunos que tem planos para o futuro profissional. 55 
Tabela 10: Demonstrativo de alunos que desejam receber Orientação 
Profissional, ressaltando-se que a maioria deseja. ........................................... 56 
Tabela 11: Demonstrativo de alunos que tinham participado de algum tipo de 
Orientação Profissional antes. .......................................................................... 56 
Tabela 12: Demonstrativo referente a opinião sobre o processo de Orientação 
Profissional. ...................................................................................................... 56 
Tabela 13: Demonstrativo referente a participação no processo de Orientação 
Profissional. ...................................................................................................... 56 
Tabela 14: Demonstrativo sobre dúvidas, após o processo de OP, ressaltando-
se que os que ficaram com dúvidas foi em relação ao mercado de trabalho da 
área escolhida. .................................................................................................. 56 
Tabela 15: Demonstrativo referente a algum conteúdo ou informação que 
poderia ter sido abordado no processo de OP.................................................. 57 
 
 
 
Tabela 16: Demonstrativo do fato mais importante para a elaboração da 
escolha profissional. ......................................................................................... 57 
Tabela 17: Demonstrativo sobre considerar importante que as escolas tenham 
algum tipo de OP. ............................................................................................. 57 
Tabela 18: Demonstrativo sobre o que mudou na forma de pensar após 
participar do processo de OP. ........................................................................... 57 
Tabela 19: Demonstrativo sobre fazer curso ou faculdade após terminar o ano.
 .......................................................................................................................... 57 
Tabela 20: Demonstrativo sobre possíveis cursos e faculdades que os alunos 
pretendem fazer. ............................................................................................... 57 
Tabela 21: Demonstrativo sobre a possibilidade de mudar de 
profissão/ocupação futuramente. ...................................................................... 58 
Tabela 22: Demonstrativo referente à mudança de emprego ou ocupação: .... 58 
Tabela 23: Demonstrativo sobre pensamentos e sentimentos em relação àvida 
profissional. ....................................................................................................... 58 
Tabela 24: Demonstrativo referente aos projetos para o futuro profissional ..... 58 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ABE: Associação Brasileira de Educação 
ABOP: Associação Brasileira de Orientação Profissional 
EJA: Educação de Jovens e Adultos 
ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio 
FIES: Fundo de Financiamento Estudantil 
FNDE: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação 
FUNDEF: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e 
Valorização do Magistério 
ISOP: Instituto de Seleção e Orientação Profissional 
INEP: Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos 
IFEJA: Índice de Fragilidade Educacional de Jovens e Adultos 
LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
MOBRAL: Movimento Brasileiro de Alfabetização 
MEC: Ministério da Educação 
 
 
 
OP: Orientação Profissional 
OV: Orientação Vocacional 
PDE: Plano de Desenvolvimento da Educação 
PROJOVEM: Programa Nacional de Inclusão de Jovens 
PROEJA: Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio 
para Jovens e Adultos. 
PROUNI: Programa Universidade Para Todos 
SECAD: Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO .................................................................................................. 14 
 
CAPÍTULO I - ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ............................................... 18 
1 O QUE É ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ............................................ 18 
1.1 Objetivos da Orientação Profissional ..................................................... 19 
2 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A PSICOLOGIA ............................. 20 
2.1 Modalidade Estatística ........................................................................... 20 
2.2 Modalidade Clínica ................................................................................. 21 
3 HISTÓRICO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ................................ 21 
4 DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ................ 25 
5 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL ....................................... 26 
 
CAPÍTULO II - EJA - EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS .................. 29 
1 BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E 
ADULTOS......................................................................................................... 29 
1.1 A Educação de Jovens e Adultos no Brasil ............................................ 33 
2 DIMENSÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS 
NO BRASIL E SUA REGULAMENTAÇÃO LEGAL ........................................ 35 
2.1 Regulamentação Legal........................................................................... 36 
3 AS POLÍTICAS PÚBLICAS E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E 
ADULTOS......................................................................................................... 38 
3.1 Políticas Públicas para a EJA no Brasil .................................................. 39 
4 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E 
ADULTOS (EJA) .............................................................................................. 41 
 
CAPÍTULO III - METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA.... 45 
1 METODOLOGIA ..................................................................................... 45 
1.1 Abordagem Sócio Histórica .................................................................... 50 
1.2 Significados e Sentidos .......................................................................... 52 
2 ANÁLISE DE DADOS ............................................................................ 54 
3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ........................................................ 58 
 
 
 
 
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ..................................................................... 62 
CONCLUSÃO ................................................................................................... 63 
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 65 
APÊNDICES ..................................................................................................... 72 
ANEXOS ........................................................................................................... 78 
14 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
A referente pesquisa tem por objetivo conhecer e confrontar a opinião 
dos alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos 
(EJA), em relação à ampliação do conhecimento que possuem acerca das 
possibilidades relacionadas ao projeto de futuro, escolha profissional e 
mercado de trabalho antes e após participarem da Orientação Profissional. A 
hipótese inicial consiste em averiguar se a participação num processo de 
Orientação Profissional ancorado em referencial teórico-metodológico 
consistente é capaz de desencadear no orientando a construção de um projeto 
de futuro mais assertivo e consciente, de maiores possibilidades. 
Conforme a LEI Nº 9.394 a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma 
modalidade de ensino que pretende atender uma demanda de jovens e 
adultos, que não tiveram acesso ao ensino básico ou não o concluíram na 
idade regular por diversos motivos, que procuram a escola principalmente para 
conseguir emprego ou se manter empregado e se estabelecer no mercado de 
trabalho. 
A escolha por esse tipo de público surgiu com a experiência de estágio 
realizado anteriormente, com alunos do último ano da EJA, onde se percebeu a 
importância de um olhar diferenciado a esse público, os quais se sentem 
discriminados por estarem atrasados nos estudos, alguns sem perspectiva 
sobre o projeto de futuro, e como o acesso a informações profissionais, 
mercado de trabalho e autoconhecimento podem ajudar a ampliar essa visão. 
Assim optou-se por esse público, por entender que a escolha profissional deve 
ser destinada a todos os públicos, sendo um processo gradativo, independente 
da idade, da classe social ou cultural. 
Tendo em vista a alta competitividade no mercado de trabalho que 
requer profissionais cada vez mais competentes e com a necessidade de se 
manter nesse mercado, torna-se fundamental que a pessoa saiba como 
planejar o seu futuro profissional, pensar no rumo que deve seguir e saber 
como preparar o seu projeto de vida. Devido a essa grande concorrência 
profissional e poucas oportunidades de trabalho nos dias atuais surge então a 
motivação para se pensar na importância da Orientação Profissional como 
15 
 
 
possibilidade de promover um espaço de discussão e reflexão sobre os 
aspectos da vida profissional, social e cultural, investigar quais os limitadores 
da carreira e proporcionar condições para que a própria pessoa faça ou 
reafirme sua escolha, levando em conta a satisfação pessoal, os aspectos 
financeiros e o atual mercado de trabalho. 
Sendo assim foi elaborada essa proposta de pesquisa, com o objetivo de 
conhecer a opinião dos jovens a partir da participação em um programa de 
orientação profissional aplicado aos alunos do ensino médio da EJA. O local foi 
escolhido por se tratar de uma instituição de ensino pública, a qual possui um 
público numerosamente significativo ao interesse desta pesquisa em realizar 
tais atividades, e que ao mesmo tempo, não contam com a atuação de 
profissionais nessa área, por não ser uma disciplina presente na grade 
curricular. 
O presente estudo foi embasado na abordagem sócio histórica, que 
segundo Bock (2006), parte da ideia de que o ser humano é multideterminado, 
mas ao mesmo tempo pode ser agente ativo em seu contexto social,tendo 
possibilidades para mudá-lo. 
Desenvolvido por meio de uma pesquisa de campo, que segundo 
Gonsalves (2001) é o tipo de pesquisa que exige que o pesquisador busque as 
informações no próprio local de pesquisa, para assim reuni-las e documentá-
las. 
A pesquisa foi organizada em três capítulos, sendo o Capítulo I para 
identificar o que é a Orientação Profissional e quais seus objetivos. O Capítulo 
II para identificar o que é a EJA e quais seus fundamentos e o Capítulo III para 
descrever a pesquisa, seu desenvolvimento, resultados e conclusão final. 
O método utilizado foi o qualitativo, através da aplicação de dois 
questionários, um antes e outro após o processo de Orientação Profissional, 
sendo que no primeiro encontro compareceram 48 alunos, porém apenas 25 
concluíram. O objetivo da OP foi de verificar informações, pensamentos e 
sentimentos que os sujeitos da pesquisa têm acerca da vida profissional, da 
sua realidade social, política e cultural. Os discursos dos respondentes foram 
analisados por meio do método qualitativo, que conforme descreve Minayo: 
 
16 
 
 
É o que se aplica ao estudo da história, das relações, das 
representações, das crenças, das percepções e das opiniões, 
produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito 
de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, 
sentem e pensam. Embora já tenham sido usadas para estudos 
de aglomerados de grandes dimensões (IBGE, 1976; Parga 
Nina et. AL 1985), as abordagens qualitativas se conformam 
melhor a investigação de grupos e segmentos delimitados e 
focalizados, de histórias sociais sob a ótica dos atores, de 
relações e para análise de discursos e de documentos. (2010, 
p. 57). 
 
 Após os dados colhidos por meio do questionário l (ANEXO B), foram 
realizados cinco encontros semanais com duração de 01h10minh cada, em 
uma instituição de ensino, com os alunos da terceira etapa do ensino médio da 
Educação para Jovens e Adultos (EJA), onde foram abordados três módulos: 
Autoconhecimento, Informação Profissional e Mercado de Trabalho. 
Em seguida a participação no processo de Orientação Profissional, foi 
aplicado o questionário ll (ANEXO C), com a finalidade de identificar o 
aproveitamento que os orientandos obtiveram após participarem da OP e os 
reflexos para a construção do seu projeto de futuro, escolha profissional ou 
reafirmação da mesma, analisando-se suas respostas e opiniões concebidas 
após a intervenção. 
Ao término desse processo foi possível constatar como a Orientação 
Profissional se fez importante em uma possível escolha ou reafirmação 
profissional, proporcionando a ampliação do repertório de escolha profissional, 
auxiliando-os a formarem subsídios para que possam compreender os 
aspectos que envolvem as profissões, o mercado de trabalho e a si próprios. 
A participação no processo de Orientação Profissional ancorado em 
referencial teórico-metodológico consistente culminou na confirmação da 
hipótese levantada, ou seja, os alunos tiveram sua percepção ampliada, a 
visão de um futuro profissional ao orientando que participou. 
A proposta de intervenção refere-se ao trabalho de orientação 
profissional nas escolas públicas e, principalmente para o público da EJA, o 
qual é menos favorecido pela sociedade. Portanto, seria de fundamental 
importância que esse processo fosse destinado a esse público devido à 
demanda apresentada. Contudo, conclui-se que após um processo de OP, os 
17 
 
 
alunos da EJA ampliaram sua visão de projetos de futuro profissional, 
demonstrando assim, a importância desse trabalho realizado com os mesmos. 
18 
 
 
CAPÍTULO I 
 
ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL 
 
 
1 O QUE É ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL 
 
Segundo Levenfus (1997) o termo Orientação Profissional deve se referir 
a trabalhos que se limitam a informar sobre as profissões, mercado de trabalho, 
onde são aplicadas técnicas de aprendizagem, sem que dê ênfase a questões 
intrapsíquicas. 
De acordo com a autora, existe uma diferença entre Orientação 
Profissional e Orientação Vocacional, pois a Orientação Vocacional trata-se de 
um processo no qual se busca auxiliar e orientar para um conhecimento das 
características pessoais, familiares e sociais, criando condições para encontrar 
afinidades destas características como aquilo que poderá realizar em forma de 
projeto de vida profissional. Porém, ainda existem questionamentos sobre o 
termo orientação, pois alguns autores sugerem que o direcionamento dessa 
atividade parte do Psicólogo. Contudo, esse trabalho pode ser realizado por 
professores também. 
 
A Orientação Profissional ―oportuniza a reflexão, a discussão e 
o debate entre os próprios jovens para que eles possam se dar 
conta daquelas influências que lhe estão sendo prejudiciais, por 
não lhe permitirem escolher ou por levarem a um grau de 
angustia insuportável (SOARES, 1987, p.83). 
 
Conforme a citação acima cabe a reflexão de que a realização da 
Orientação Profissional que é feita em grupo auxilia os jovens por diversas 
razões como: diante da necessidade de escolher, os membros do grupo podem 
se identificar com as possibilidades, a troca de ideias e experiências pode 
proporcionar um maior aproveitamento das técnicas utilizadas. 
Na concepção de Müller (1998) a Orientação Vocacional não se trata de 
um estudo psicológico do qual necessariamente saem resultados. Ao contrário, 
trata-se de um processo, uma evolução mediante a qual os orientandos têm a 
19 
 
 
oportunidade de refletir sobre sua problemática de modo que procurem 
caminhos para sua superação. 
Nos últimos anos, observou-se que a procura pela Orientação 
Vocacional tem crescido muito, sendo indiscutível o valor do trabalho do 
orientador profissional para a sociedade, considerando que a prática desse 
trabalho deve ser constantemente avaliada pelos profissionais envolvidos. O 
processo de Orientação Vocacional pode ser desenvolvido tanto em grupo 
quanto individualmente. 
Lucchiari, ao referir o trabalho em grupo considera que: 
 
É importante para o indivíduo, sentir-se igual aos outros, há 
possibilidade de compartilhar sentimentos de dúvidas em 
relação à escolha e ao futuro, cada participante do grupo é um 
facilitador, pois auxiliam a entender o outro e o conhecimento 
que cada membro busca de si mesmo (1993 p.13-14). 
 
Em contrapartida, Torres (2002) em sua prática clínica já defende os 
atendimentos individuais, acreditando mais em sua eficácia. Portanto, a 
Orientação Vocacional auxilia o indivíduo na compressão do mundo social em 
que vive, a construir seu projeto profissional. Para Andrade et.al. (2002, p.49): 
 
A relevância do processo de OV pode ser evidenciada quando 
este, ao passo que faz com que o levem a refletir sobre si 
mesmo, também o ajuda a escolher um caminho profissional, 
dando possibilidades para que possa desenvolver todas as 
suas capacidades. 
 
Diante dessa afirmação, os autores expõem a ideia do quanto se torna 
importante a OV para que o indivíduo possa fazer uma reflexão sobre si e a 
partir dessa reflexão, enxergar as possibilidades que surgirem, como também 
suas próprias capacidades para então fazer a sua escolha profissional. 
 
1.1 Objetivos da Orientação Profissional 
 
O objetivo principal da Orientação Profissional é facilitar a escolha do 
jovem, auxiliando-o a refletir sobre suas capacidades e dificuldades para que 
se possa fazer a escolha mais adequada. 
Lucchiari afirma que: 
20 
 
 
Ela tem por objetivo facilitar o momento da escolha ao jovem, 
auxiliando-o a compreender sua situação específica de vida, na 
qual estão incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. É 
a partirdessa compreensão que ele terá mais condição de 
definir qual a melhor escolha- a escolha possível- no seu 
projeto de vida (1993, p.12). 
 
De acordo com a autora, o orientador deve estar habilitado para 
coordenar o processo de OP para que as dificuldades possam ser trabalhadas 
e assim auxiliar o jovem a pensar, facilitando sua escolha. Para facilitar essa 
escolha a autora ressalta que devem ser trabalhados os seguintes aspectos; 
1. Conhecimento de Si: está relacionado à identidade do jovem em 
quem ele foi, quem ele é e quem ele será, o projeto que ele espera para o 
futuro em sua vida profissional, suas expectativas em relação a família e 
pessoais, quais são seus principais valores e interesses. 
2. Conhecimento das Profissões: está relacionado às profissões, quais 
são, o que fazem e como fazem, o mercado de trabalho dentro do sistema 
político-econômico, quais as possibilidades de atuação, visitas aos locais de 
trabalho e cursos de universidades, informações sobre currículos e entrevista 
com profissionais. 
3. Escolha propriamente dita: que refere à decisão pessoal, deixar de 
lado o que não é escolhido, viabilizar a escolha. 
 
2 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A PSICOLOGIA 
 
De acordo com Bohoslavsky (1998), existe um trabalho conjunto da 
Psicologia com a Orientação Profissional, pois os indivíduos precisam de um 
processo de mudanças e escolhas em um determinado momento de sua vida, 
e a escolha da profissão faz parte de um momento crítico de mudança na vida 
de cada individuo. Nesse caso cabe ao psicólogo auxiliar com o trabalho de OP 
ao jovem enfrentar e elaborar suas dúvidas, medos, inseguranças que 
emergem nesse momento. Portanto, há duas modalidades diferentes que se 
enquadram nesse contexto. 
 
2.1 Modalidade Estatística 
 
21 
 
 
Para os psicólogos que atuam nesta modalidade, o trabalho é realizado 
a partir do interesse do cliente, diante das oportunidades existentes, que se 
ajustam ao gosto do futuro profissional. Esta modalidade, influenciada por 
programas da psicometria, tem recebido contribuição de autores fatorialistas, 
suas descrições quantitativas estão cada vez mais rigorosas e o teste torna-se 
um instrumento fundamental para se conhecer as aptidões dos orientandos. 
 
2.2 Modalidade Clínica 
 
Nesta modalidade os jovens são auxiliados a enfrentar e compreender a 
situação no processo de escolha para chegar a uma decisão responsável. Para 
os psicólogos que atuam nessa modalidade, a entrevista é o principal 
instrumento, pois se considera que se a adaptação à situação de 
aprendizagem não for boa, a decisão também não será. 
Portanto, conforme a descrição do autor pode-se concluir que tanto na 
modalidade estatística quanto na modalidade clínica, o psicólogo exerce uma 
função de fundamental importância no que diz respeito à facilitação da escolha 
do jovem, com técnicas, testes, escuta qualificada, entrevistas e reflexões, 
esse profissional pode auxiliar o indivíduo no processo da escolha profissional. 
 
3 HISTÓRICO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL 
 
De acordo com Bock (2006) no passado a escolha de uma profissão ou 
ocupação não era vista como um problema universal da humanidade, pois os 
homens trabalhavam e viviam apenas para sobreviver. Os trabalhos 
organizavam-se como atividade de coleta e mais tarde como caça, não 
havendo diferenciação de funções, exceto aquelas determinadas pelo sexo. 
Na vida tribal, pode ser encontrada a preservação de culturas advindas 
de seus descendentes, não estipulando atividades e ocupações diferentes 
entre seus membros, sendo organizadas apenas por meio de uma hierarquia, 
no que se refere às questões de guerra e aos cuidados com a saúde, levando 
em conta funções exercidas por questões de coragem ou ainda idade 
avançada. A atividade da caça, por exemplo, são atribuídas especificamente 
aos homens, devido ao porte físico, já a agricultura e o cuidado dos filhos são 
22 
 
 
destinados exclusivamente as mulheres. Nesse período não havia 
possibilidades e nem necessidades de grandes escolhas no que se refere a 
funções, tanto para a sobrevivência material ou não. 
 
Para os grandes filósofos gregos, e especificamente para 
Platão e Aristóteles, o trabalho era uma atividade 
exclusivamente física, que se reduzia ao esforço que deviam 
fazer as pessoas para assegurar seu sustento, satisfazer suas 
necessidades vitais e reproduzir sua força de trabalho 
(circunscrita a sua dimensão meramente física). Era uma 
atividade considerada pelos demais não somente como 
penosa, senão também como degradante, que não era 
valorizada socialmente e que se justificava em última instância 
pela dependência que os seres humanos tinham com respeito 
as suas necessidades (NEFFA, 1999, p. 130 tradução nossa, 
do espanhol). 
 
Consequentemente ser cidadão, escravo, camponês ou trabalhador 
manual não tinha nenhuma relação com algum tipo de escolha, mas sim da 
condição de classe da família que o indivíduo pertencia ou de acordo com as 
vitórias e derrotas nas guerras. Mas, segundo Jaccard não era o trabalho que 
era desvalorizado nesse tempo, mas a condição de dependência: 
 
A condição do assalariado livre não valia mais do que a do 
servo; ambos eram desprezados e quase sempre miseráveis, 
Por trabalharem por suas mãos? Não, porque os deuses, os 
reis e os senhores também o faziam, mas,... Por dependerem 
de outrem, por não subsistirem senão servindo outrem. Nesse 
tempo, não era o trabalho que estava desacreditado; era a 
dependência, a obrigação de servir - de que o cristianismo fará 
um dever de honra – que era considerada indigna do homem. 
É por isso que o cultivador pobre, penando sobre o seu árido 
campo, alimentando-se com custo, mas independente, será 
glorificado por muito tempo, mas do que o artesão, o poeta ou 
o artista, cuja subsistência depende de um mestre ou de um 
cliente generoso. (1974, p. 65). 
 
A luta pela sobrevivência dependia das condições estabelecidas pela 
estrutura e forma da sociedade, de como ela se organizava, ou seja, não 
dependia de escolhas. 
Na idade Média, especificamente no feudalismo, o mesmo fenômeno 
ocorre, a sociedade divide-se em camadas sociais: nobres, clérigos, senhores 
e vassalos, uns com obrigações para os outros. O que determina a posição da 
classe é a circunstância do nascimento, caso o indivíduo seja de uma família 
23 
 
 
de nobres ou plebeus. A ocupação e a posição ocupadas na sociedade são 
transmitidas de pai para filho. O trabalho, neste modo, visa o sustento dos 
indivíduos, pois nesse tempo o mercado apenas começava a desenvolver-se. 
Ainda nesse período de desenvolvimento da sociedade, não se pode 
falar em escolha de profissão por parte dos indivíduos, pois a estrutura da 
sociedade que vai determinar o que cada um vai fazer ou que prestígio social e 
poder vai ter. A igreja aparece com força absoluta, principalmente a católica, 
reafirmando que tudo que acontece é por força divina. O que importa são os 
laços de sangue, há uma estagnação social e as tarefas são transmitidas 
familiarmente. 
A palavra vocação só se conceitua no sentido religioso, que seria um 
chamado divino, impondo uma missão para os indivíduos. O trabalho ainda é 
visto como uma atividade para a manutenção e sobrevivência da espécie 
humana. 
A terra, segundo Huberman (1986) era de propriedade da nobreza e do 
clero, que a arrendava aos senhores, que, por sua vez, arrendava aos servos. 
A ideia de escolha profissional só ganha relativa importância quando o 
modo de produção capitalista instala-se definidamente. Com a passagem do 
feudalismo para o capitalismo começa o surgimento de importantes mudanças 
no modo de produzir e reproduzir a existênciahumana. Segundo Braverman 
(1981), a nova ordem social, engendrada pelo capitalismo, só aparece quando 
algumas características fundamentais dominam o processo de produção. 
Em primeiro lugar, o trabalhador é excluído da propriedade de todos os 
meios de produção, assim sua sobrevivência só é alcançada por meio da 
venda de sua força de trabalho, e isto acontecerá apenas se ele não tiver 
nenhuma possibilidade de sobreviver de forma autônoma. 
Em segundo lugar, passa a ser crucial que o trabalhador não tenha 
nenhum tipo de relação jurídica que o mantenha preso a qualquer modo de 
servidão, o trabalhador agora é livre e pode vender sua capacidade de 
trabalho. 
E, em terceiro lugar, o objetivo primordial do trabalho (produção) não é 
mais característico da satisfação das necessidades humanas, como resultado, 
passa-se a produzir para o mercado, visando o capital empregado (lucro), 
característico desse modo de produção. 
24 
 
 
Assim, as teorias e práticas na área da orientação profissional só 
avançam no modo capitalista de produção, que mais a frente, na chamada 
Revolução Industrial, aparecerá a divisão técnica do trabalho. Nesse período a 
questão da seleção e, consequentemente, a escolha profissional, passam a ser 
consideradas muito importantes, para que se tenha o homem certo no lugar 
certo, visando à produtividade. 
 
A posição do indivíduo no capitalismo não é mais determinada, 
pelos laços de sangue. Agora, esta posição é conquistada pelo 
indivíduo segundo esforço que despende para alcançar esta 
posição. Se antes esta posição era entendida em função das 
leis naturais referendadas pela vontade divina, agora, ao 
contrário, o indivíduo pode tudo, desde que lute, estude, 
trabalhe, se esforce, e também (por que não?) seja um pouco 
aquinhoado pela sorte (BOCK, 1989, pag.15). 
 
Nesse momento o conceito de vocação muda, pois não se pode mais 
falar no sentido religioso, como era no período feudal. A revolução burguesa 
falava sobre a ideia de igualdade entre os homens, mas como explicar as 
desigualdades entre os seres humanos, numa sociedade que questiona a 
determinação religiosa? Assim, surge o conceito de vocação biológica para 
justificar essas diferenças no meio da sociedade. 
 
Se o indivíduo não se deu bem na vida (não obteve, segundo 
os parâmetros da sociedade, riqueza, prestígio, poder, etc.), a 
justificativa para tal gira em torno da má escolha de sua 
profissão, portanto, da não identificação de sua ‗‘verdadeira 
vocação‘‘, ao invés de se proceder a uma análise da realidade 
socioeconômica para entender a situação. (BOCK, 1986, p. 
173) 
 
Assim, a ideia da liberdade de escolha profissional tem como base 
inicial, o capitalismo, que coloca o trabalho para além da sobrevivência 
pessoal. Com certeza, só se pode mencionar a questão da opção num caso em 
que o indivíduo não pode mais sobreviver de forma autônoma e necessita 
vender sua força de trabalho. Só a partir desse momento, se concebe a ideia 
de que o indivíduo escolhe seu caminho dentro das condições em que vive e 
em função de suas vontades e aptidões. 
25 
 
 
As teorias em orientação profissional serão desenvolvidas seguindo 
essa perspectiva, ou seja, compreendendo que a escolha profissional é um 
fenômeno, que acontece em um determinado momento na história da 
humanidade. 
 
4 DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL 
 
Com a Revolução Francesa, em 1789, passa-se a ter possibilidades de 
se pensar em algum tipo de liberdade de escolha, pois essas, já não eram mais 
determinadas pelo nascimento, por castas ou pelas famílias, mas sim, pela luta 
de igualdade dos direitos entre os homens. 
Depois, com a Revolução Industrial, ocorre uma significativa mudança 
do modo de produção agrário para o industrial, mudando completamente o 
cenário nas relações de trabalho. No qual, exige-se uma qualificação humana 
diferenciada para os vários tipos de ocupações, nesse momento surge os 
primeiros sinais de uma necessidade da orientação profissional. Com o objetivo 
de selecionar, detectar trabalhadores aptos para a realização ou não de 
algumas tarefas, buscando uma eficácia industrial, ou seja, o homem certo 
para cada ocupação. 
Com toda essa mudança, o capitalismo sofre um disparo, fazendo surgir 
uma nova era, onde o que importava era o lucro. Assim descobre-se que a 
maioria da população não tem qualificação, sendo necessário o aparecimento 
de alguma forma de capacitação para tornar essa população apta para os 
novos trabalhos. A partir, desses acontecimentos a escolha profissional passa 
a ter um destaque importante para o homem, que agora é livre para oferecer 
seu trabalho. 
Em 1909 acontece a publicação do primeiro livro sobre Orientação 
Profissional, ‗‘Escolhendo uma Profissão‘‘, de Frank Parsons, e também o 
surgimento do primeiro Centro de Orientação Profissional, criado pelo mesmo. 
Este último possuía o objetivo de identificar aptidões, buscando uma boa 
adaptação através da comparação dos perfis do indivíduo e do requisitado pela 
ocupação, ou seja, a adaptação depende do equilíbrio entre as características 
do indivíduo e as exigências das funções (SPARTA, 2003). 
26 
 
 
A demanda pelo serviço de orientação profissional amplia-se, com a 
primeira Guerra Mundial, em 1917, com isso surge à necessidade de 
recrutamento de novos membros para o exército e com isso o incentivo ao uso 
de testes como os de inteligência, aptidões, habilidades, interesses e 
personalidade. 
A orientação Profissional teve seu início associada à psicometria, porém, 
essas teorias não supriam as questões ligadas às práticas, tiveram um papel 
importante nessa época, desenvolvendo-se mais elaboradas para tentar 
cumprir seu objetivo. 
De acordo, com dados colhidos no artigo de Sparta (2003), até esse 
momento o desenvolvimento da Orientação Profissional era diretivo, mas após 
o surgimento da teoria de Carl Rogers, aproximadamente em 1940, que era 
centrada na pessoa, a orientação profissional passa a seguir outros caminhos, 
dando lugar para o surgimento de outras teorias mais subjetivas. 
 
5 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL 
 
De acordo com Sparta (2003), a Orientação Profissional brasileira teve 
como marco inicial, sua origem em 1924, com o Serviço de Seleção e 
Orientação Profissional para os alunos do Liceu de Artes e Ofícios de São 
Paulo, sob o comando do engenheiro suíço Roberto Mange. A Orientação 
Profissional nasceu ligada à Psicologia Aplicada, a qual vinha se 
desenvolvendo no país na década de 1920, que se coloca junto à Medicina, à 
Educação e à organização do trabalho. 
No Brasil, a orientação profissional surgiu com a intenção de preencher 
as exigências do mercado industrial, com a missão de operar para sustentar 
sociedade. Posteriormente foi sendo transformada para atender as 
necessidades da nova sociedade pós-industrial que vive em constante 
mudança. 
A Orientação Profissional não satisfeita em reproduzir ou manter as 
exigências sociais almeja ser um agente de transformação social. Para tal, está 
engajada política, social e eticamente na sociedade (SPARTA, 2003). 
 Nas décadas de 1930 e 1940, foi inserida no Serviço de Educação do 
Estado de São Paulo, por iniciativa de Lourenço Filho. Em 1942, a lei 
27 
 
 
Capanema, sobre a organização do ensino secundário, estabeleceu a atividade 
de orientação educacional e colocou como o auxílio na escolha profissional dos 
estudantes. 
Conforme explica Sparta (2003), em 1944 foi criada a Fundação Getúlio 
Vargas, no Rio de Janeiro, estudava a organização racional do trabalho e a 
influência da psicologia sobre a mesma. 
Já em 1945 e 1946, com assistência do governo brasileiro,de acordo 
com a autora foi oferecido o curso de Seleção, Orientação e Readaptação 
Profissional, ministrado pelo psicólogo e psiquiatra espanhol Emilio Mira y 
López, com o objetivo de formação de técnicos brasileiros em áreas de atuação 
específicas. Em 1947, foi fundado o Instituto de Seleção e Orientação 
Profissional (ISOP), junto à Fundação Getúlio Vargas, na cidade do Rio de 
Janeiro, Instituto que técnicos e estudiosos da Psicologia Aplicada, muitos 
deles formados pelo curso ministrado por Mira y López, o primeiro diretor do 
Instituto. 
Na década de 1950, começaram a surgir diferentes teorias sobre a 
escolha profissional. Em 1951 foi publicado o livro Ocupacional Choice, de 
Cinzberg & outros. Essa obra originou a primeira teoria do desenvolvimento 
vocacional, que enfatiza a questão da escolha profissional não ser um 
acontecimento específico que ocorre num momento específico da vida, mas 
sim um processo evolutivo que ocorre entre os últimos anos da infância e os 
primeiros anos da vida adulta. Segundo a autora, dois anos após essa teoria, 
foi publicada a teoria do desenvolvimento vocacional de Donald Super. Tal 
teoria definiu a escolha profissional como um processo que ocorre ao longo da 
vida, da infância até a velhice. Ocorre através de diferentes estágios do 
desenvolvimento vocacional e da realização de diversas tarefas evolutivas. Em 
1959, foi publicada a Teoria Tipológica de John Holland. Para esta autora, os 
interesses profissionais refletem a personalidade do indivíduo. Dessa forma, 
podem servir de base para a definição de diferentes tipos de personalidade, 
cujas características definem diferentes grupos de trabalho e correspondem a 
diferentes ambientes de trabalho. 
Nas décadas de 1950 e 1960, de acordo com a mesma autora, foram 
publicadas as teorias psicodinâmicas da escolha profissional, baseadas na 
teoria psicanalítica e na teoria de satisfação das necessidades, bem como, nas 
28 
 
 
teorias de tomada de decisão, que estavam inicialmente mais preocupadas 
com o momento da escolha do que como processo em si. No Brasil, a OP 
desde sua concepção esteve ligada à Psicologia, pautada no enfoque clínico e 
foi muito influenciada pela Psicanálise, ou seja, norteou-se principalmente pela 
estratégia clínica de orientação vocacional do psicólogo argentino Rodolfo 
Bohoslavsky, e foi introduzida no Brasil na década de 1970 por Maria 
Margarida de Carvalho. 
Silva et al, (2008) salienta que a estratégia clínica de Bohoslavsky e o 
processo de interação grupal desenvolvido por Carvalho deu origem a um 
modelo brasileiro de orientação profissional, utilizado até os dias de hoje no 
Brasil. Essa pesquisadora propôs os processos grupais como forma alternativa 
ao modelo psicométrico e como forma de promoção da aprendizagem da 
escolha. O enfoque clínico permanece, mesmo considerando as décadas de 
1980 e 90, as quais foram décadas em que muito se pesquisou a respeito da 
OP em relação à escolha vocacional e adolescência. No final da década de 90 
do século XX, o foco de interesse das pesquisas sobre Juventude, Educação e 
Trabalho se exacerbou, devido às mudanças ocorridas no mundo que rodeia o 
trabalho, novas perspectivas foram abertas para a OP que cada vez mais vem 
se consolidando como agente de transformação social. 
Como afirma Soares (1999), no Brasil a Orientação Profissional pode ser 
realizada por psicólogos e pedagogos, mas infelizmente a formação de 
orientadores profissionais brasileiros ainda não possui regulamento ou lei para 
se determinar conteúdos mínimos a serem realizados. Fica a formação a cargo 
de universidades e cursos livres, a falta de uma lei mais rigorosa da profissão 
acaba desfazendo boas iniciativas e não oferece poder para que a ABOP 
(Associação Brasileira Orientação Profissional) possa fiscalizar os cursos 
oferecidos em território nacional. 
29 
 
 
CAPÍTULO II 
 
EJA - EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS 
 
 
1 BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E 
ADULTOS 
 
Desde o período colonial, a educação brasileira, tinha uma natureza 
especifica direcionados as crianças e adultos, incluindo indígenas que 
submetiam a uma intensa ação cultural e educacional. Com a saída dos 
jesuítas do Brasil em 1759, a educação de adultos entra em crise e fica sob a 
responsabilidade do Império a organização e emprego da educação. A 
identidade da educação brasileira foi sendo marcada então pela Teoria do 
Poder que limitava a educação às classes mais ricas. As aulas administradas 
(latim, grego e filosofia), eram direcionadas especialmente aos filhos dos 
colonizadores portugueses (brancos e masculinos), excluindo-se assim as 
populações negras e indígenas. (STEPHANOU; BASTOS, 2005) 
Dessa forma, a história da educação brasileira foi sendo demarcada por 
uma situação pessoal que era o conhecimento claro de maneira exclusiva 
pelas classes dominantes. 
O ponto de início traz a situação em que se iniciou a educação brasileira. 
É importante lembrar que a partir da constituição Imperial de 1824 procurou-se 
dar uma maior importância para a educação, garantindo a todos os cidadãos a 
instrução primaria. No entanto, essa lei, infelizmente ficou só no papel. Havia 
uma grande discussão em todo o Império de como inserir as chamadas 
camadas inferiores (homens e mulheres pobres livres, negros escravos, livres e 
libertos) nos processos de formação formais. 
A partir do Ato Constitucional de 1834, ficou a responsabilidade das 
províncias a instrução primária e secundária de todas as pessoas, mas que foi 
designada especialmente para jovens e adultos, mas a educação de jovens e 
adultos nesta época era carregada de princípio missionário e caridoso, onde o 
letramento destas pessoas era um ato de caridade das pessoas letradas às 
pessoas perigosas e degeneradas. 
30 
 
 
―Era preciso iluminar as mentes que viviam nas trevas da ignorância 
para que houvesse progresso‖ (STEPHANOU; BASTOS, 2005. p.261). 
A alfabetização de jovens e adultos passa a ser um ato de solidariedade, 
não sendo vista como direito. A ideia da pessoa analfabeta tomou força com o 
período que preconizava a República. Em 1879, a Reforma Leôncio de 
Carvalho caracterizava o analfabeto como dependente e incompetente. 
Posteriormente em 1881, a Lei Saraiva com a ideia da Reforma de 
Leôncio de Carvalho restringindo o voto as pessoas alfabetizadas. Rui 
Barbosa, em 1882, solicita que os analfabetos são considerados, assim, como 
crianças, incapazes de pensar por si próprios. Instala-se uma grande onda de 
preconceito e exclusão da pessoa analfabeta. 
Com início do século XX houve uma grande mobilização social que 
pretendia exterminar o analfabetismo, onde em 1915 foi criada a Liga Brasileira 
contra o Analfabetismo que pretendia lutar contra a ignorância para estabilizar 
a grandeza das instituições republicanas. 
Na Associação Brasileira de Educação (ABE), as discussões giravam 
em torno de uma luta contra o analfabetismo, para que as pessoas que não 
eram alfabetizadas procurassem se alfabetizar, pois era necessário tornar a 
pessoa analfabeta um ser produtivo que contribuísse para o desenvolvimento 
dos pais. Na década de 1940, o Brasil alcançou a marca de 72% de 
analfabetos. 
Em 1934, foi criado o Plano Nacional de Educação que previa o ensino 
primário integral obrigatório e gratuito as pessoas adultas. Esse foi o primeiro 
plano na historia da educação brasileira que previa um tratamento especifico 
para a educação de jovens e adultos. (STEPHANOU; BASTOS, 2005). 
Foi a partir da década de 1940 e com grande força na década de 1950 
que a Educação de Jovens e Adultos volta a pautar a lista de prioridades 
necessáriasdo país. No ano 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estudos 
Pedagógicos (INEP) e a partir de suas pesquisas e estudos, foi fundado em 
1942 o Fundo Nacional do Ensino Primário com o objetivo de realizar 
programas que ampliasse e incluísse o Ensino Supletivo para adolescentes e 
adultos. 
Em 1945, este fundo foi regulamentado, estabelecendo que 25% dos 
recursos fossem empregados na educação de adolescentes e adultos. 
31 
 
 
Com o Golpe Militar, em 1967 foi lançado o Mobral, Movimento Brasileiro 
de Alfabetização, que, no inicio visava atender analfabetos de 15 a 30 anos, 
onde o foco era ensinar a ler e a escrever. 
Para Bello: 
 
O Projeto MOBRAL permite compreender bem essa fase 
ditatorial por que passou o país. A proposta de educação era 
toda baseada aos interesses políticos vigentes na época. Por 
ter de repassar o sentimento de bom comportamento para o 
povo e justificar os atos da ditadura, esta instituição estendeu 
sobre seus braços a uma boa parte das populações carentes, 
através de seus diversos programas. (1993, p.38). 
 
O Mobral cresceu na década de 1970, e em 1985 teve seu fim, e assim 
deu lugar à Fundação Educar, com o intuito de apoiar técnica e 
financeiramente as iniciativas de alfabetização existentes. 
Na década de 1990 que a Educação de Jovens e Adultos consegue 
colocar em vigor uma nova política, onde ganha novos métodos para trabalhar 
com criatividade, a fim de fazer com que jovens e adultos que tiveram uma 
vaga passagem pelas escolas, tenham uma nova oportunidade de inserir-se na 
educação e, assim permanecendo,venham a ganhar cultura, conhecimento e 
incluírem-se no mercado de trabalho. 
Assim para Mello: 
 
A universalização do ensino elementar, a garantia de domínio 
dos códigos básicos de leitura e escrita e a superação de 
fracasso escolar terão que ser por nós enfrentados de forma tal 
que o propósito conteúdo do ensino, receba tratamento 
adequado ao mais pleno desenvolvimento cognitivo. Não se 
trata mais de alfabetizar para o mundo no qual a leitura era 
privilégio de poucos ilustrados, mais sim para contextos 
culturais nos quais a decodificação da informação escrita é 
importante para o lazer, o consumo e o trabalho. Este é um 
mundo letrado, no qual o domínio da língua é também pré-
requisito para a aquisição da capacidade de lidar com códigos 
e, portanto, ter acesso a outras linguagens simbólicas e não 
verbais, com as da informática e as das artes. (1993, p.28) 
 
É claro verificar e perceber que a EJA pretende formar pessoas com 
níveis de conhecimentos similares ao da educação do ensino regular. Mas, 
com tantas dificuldades, se verifica que os problemas para ter resultados da 
Educação de Jovens e Adultos com qualidade, têm relações a métodos e se 
32 
 
 
incluem os problemas como a qualificação de professores, a falta de materiais 
para se adequar e tantas outras coisas que os alunos necessitem, e acabam 
não conseguindo acompanhar os estudos. 
E assim chega-se ao século XXI com uma alta taxa de pessoas que não 
tem a capacidade sobre a leitura, a escrita e as operações matemáticas 
básicas, como cita os autores Stephanou e Bastos: 
 
Quase 20 milhões de analfabetos considerados absolutos e 
passam de 30 milhões os considerados analfabetos funcionais, 
que chegaram a frequentar uma escola, mas por falta de uso 
de leitura e da escrita, tornaram à posição anterior. Chegam 
ainda à casa dos 70 milhões os brasileiros acima dos 15 anos 
que não atingiram o nível mínimo de escolarização obrigatório 
pela constituição, ou seja, o ensino fundamental. Somam-se a 
esses os neo analfabetos que, mesmo frequentando a escola, 
não conseguem atingir o domínio da leitura e da escrita‖. 
(2005p. 273). 
 
Esse histórico fornece um fundamento para análise da situação atual da 
educação brasileira, é preocupante o número de pessoas que lêem um texto 
simples e não entendem o sentido apresentado pelo autor. Assim pode-se 
observar que essa é a herança de todo o tratamento que a educação brasileira 
sofreu ao decorrer da historia. 
Todos os projetos e planos apresentados visaram o avanço que se 
organizou destes planos, pois criavam projetos e mais projetos e sem ter, 
muitas vezes, o tempo necessário para surgir efeito, eram desfeitos ou 
trocados por outros projetos. 
Com esses fatos históricos torna-se possível analisar as ações 
educativas atuais, através da historia, verificar qual busca deu certo em nosso 
contexto e o que foi apenas uma tentativa em vão. 
Como profissionais da educação ou como pessoas sujeitas da historia 
que esta envolvida na educação como um ato político, tem que nos perguntar: 
que educação quer vivenciar? O que queremos com a Educação de Jovens e 
Adultos? Qual sua intenção? Queremos uma educação que agrade somente 
para dar condições às pessoas ao mercado de trabalho ou queremos pessoas 
também que possam pensar sobre a situação social e do país? Queremos 
pessoas que pensem, criticam ou pessoas que são se interessem pelos seus 
33 
 
 
direitos, ou como o de ter uma vida digna, a que e a quem a educação, de 
forma especifica esta servindo?(STRELHOW, 2010) 
Como pessoas capazes de mudar a situação em que se encontra, de 
mudar um sistema de pensamento, de modificar toda uma realidade, todos tem 
a responsabilidade de querer e ser pessoas que pensam e que a partir da 
educação possam fazer algo, e que possam também refletir sobre sua ação 
como pessoa capaz de exercer seus direitos da história. 
 
1.1 A Educação de Jovens e Adultos no Brasil 
 
Com a Lei Federal nº 9.394/96 (LDB) Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional, a EJA passa a ser modalidade de educação básica nas 
etapas de Ensino Fundamental e Médio, que tem como fundamento não só 
alfabetizar os jovens e adultos, mas sim dar oportunidades de escolarização no 
ensino regular, assim que possa proporcionar a eles uma educação para se 
desenvolver seu sistema crítico e inseri-los no contexto social atual. 
E em janeiro de 2003 o Ministério da Educação (MEC) anunciou que a 
alfabetização de jovens e adultos seria a predileta do novo governo federal, e 
assim foi criada a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, 
com o objetivo de extrair o analfabetismo durante o mandato do governo José 
Inácio Lula da Silva. E para executar esse objetivo foi lançado o Programa 
Brasil Alfabetizado, por meio do qual o MEC contribuirá com os órgãos públicos 
estaduais e municipais, instituições de ensino superior e organizações. 
Atualmente apresenta medidas para poder alcançar os objetivos do 
analfabetismo por meio do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), 
lançado em abril de 2007. 
Conforme pesquisas realizadas pelo MEC, os objetivos a serem 
alcançados pelo Programa consideram os jovens e adultos de 15 a 29 anos e, 
de acordo com essa perspectiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento da 
Educação (FNDE), os municípios e os estados inseridos recebem apoio 
financeiro para orientar para capacitar os alfabetizadores antes do inicio das 
aulas e durante todo o período do curso de alfabetização, de acordo com as 
normas do programa determinados pelas Resoluções n°45 e 65 de 2007. 
34 
 
 
Com essa formação para os professores são condições importantes 
para a melhoria dos processos de ensino e de aprendizagem, que devem se 
adequar ao trabalho com jovens, adultos e idosos. 
Aos municípios tem a responsabilidade de encontrar e mobilizar os 
analfabetos, selecionar os professores e coordenar e supervisionar sua 
capacitação inicial e em serviço. 
Com esses resultados pode-se observar um futuro promissor para a 
EJA. E que a preocupação do governo federal e na nova formulação de 
medidas para extinçãodo analfabetismo, de acordo com as bases teóricas de 
documentos e metas a serem alcançadas. 
A existência da leitura e da escrita todos tem direitos, sem exceção, pois 
é essencial para todos, e ainda prossegue uma enorme quantidade de 
brasileiros acima de 15 anos ou mais que não a domina. 
Para que isso seja transformada, exige esforços de todos, em especial 
do governo, na realização de políticas sociais e algumas ações que possam 
promover uma educação de qualidade, para que se atinjam todos os 
brasileiros, principalmente a classe mais pobre, pois são os mais excluídos 
quando se trata de educação, e é essencial para que essas ações possam 
eliminar a pobreza, pois esse é o motivo principal de causas do analfabetismo. 
(KRENCZYNSKI, 2008) 
Para Freire: 
 
Mudar é difícil, mas é possível, que vamos programar nossa 
ação politica-pedagógica, não importa se o projeto com o qual 
nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de 
crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de 
formação de mão de obra técnica. (2000, p.81). 
 
Para que a educação seja plena e esse cidadão possa ter sucesso são 
indispensáveis outros fatores como: a garantia de emprego, ter acesso aos 
bens sociais como saúde, moradia, lazer, entre outros. 
Segundo Colavito (2014), Saber ler e escrever é ser livre, é ter 
autonomia de sua própria vida, é poder ir e vir, se realizar, tornar-se sujeito de 
sua própria historia, se aperfeiçoando tecnologicamente e, poder fazer parte do 
mercado de trabalho e crescer a cada vez mais. 
35 
 
 
Na realização de tudo isso e com propostas de garantir um bom futuro, 
para fazer parte da sociedade tanto como cidadão, quanto um bom profissional 
que essas pessoas voltam a procurar a escola, por meio da EJA. 
A maior parte que procura a EJA tem entre 15 e 29 anos, procurando a 
melhoria de trabalho, outros para o primeiro emprego, outros estão fazendo 
para aumentar o processo que trará o diploma escolar. Segundo Paulo Freire: 
 
Alfabetização é mais que o simples domínio mecânico de 
técnicas para escrever e ler. Com efeito, ela é o domínio 
dessas técnicas em termos conscientes. É entender o que se lê 
e escreve o que se entende. Implica uma auto formação da 
qual se pode resultar uma postura atuante do homem sobre 
seu contexto. Para isso a alfabetização não pode se fazer de 
cima para baixo, nem de fora para dentro, como uma doação 
ou uma exposição, mas de dentro para fora pelo próprio 
analfabeto, apenas ajustado pelo educador. Isto faz com que o 
papel do educador seja fundamentalmente diálogos com o 
analfabeto sobre situações concretas, oferecendo-lhes os 
meios com que os quais possa se alfabetizar. (1989, p.72). 
 
Em qualquer fase da vida, o ingresso à educação é um direito de todos e 
a certeza de que os cidadãos se tornem participativos de uma sociedade que é 
sua por direito, só basta adquirir o conhecimento para que agregue os direitos 
da população. 
 
2 DIMENSÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS 
NO BRASIL E SUA REGULAMENTAÇÃO LEGAL 
 
Para Oliveira (1999), o jovem que retorna a EJA busca a certificação de 
que teoricamente o colocaria no mercado de trabalho e teria o seu lugar na 
sociedade garantido, tendo com isso o resgate da autoestima e passando a ser 
visto como um cidadão. O adulto já inserido no mundo do trabalho traz consigo 
uma história mais longa e acumula reflexões sobre o mundo externo. Para 
tanto, a maioria das iniciativas de EJA, até então, surgiram com a participação 
do estado devido à necessidade do mesmo prestar contas à comunidade 
internacional sobre os índices de analfabetismo, tornou-se fundamental 
encontrar soluções imediatas para resolver o problema instalado e erradicar o 
36 
 
 
analfabetismo. As manifestações populares que surgiram contribuíram para tais 
iniciativas de iniciativas do Estado. 
 
Por isto a educação de adultos convertera-se num requisito 
indispensável para ―uma melhor organização e reorganização 
social com sentido democrático e num recurso social da maior 
importância‖,... E devemos educá-los porque essa é a obra de 
defesa nacional, porque concorrerá para todos melhor saibam 
defender a saúde, trabalhar mais eficientemente, viver melhor 
em seu próprio lar e na sociedade (PAIVA, 1987 p. 179). 
 
Conforme a autora, as iniciativas de tentar solucionar o problema do 
analfabetismo no Brasil, contribuiu também para mostrar a faltas de políticas 
publicas que visassem o cumprimento das obrigações do analfabeto, facilitando 
para que a cada governo fossem implantadas mais políticas que melhorassem 
essa questão social. 
Segundo Rossi (1980), como meio de melhorar a questão social, devido 
à falta de políticas públicas, ocorreram movimentos populares que 
apresentavam: luta por seus direitos civis, promoção da conscientização 
cidadã, valorização cultural com ênfase nos aspectos culturais locais e a busca 
da solução de problemas locais de interesse do grupo. Em primeiro lugar, a 
certificação da conclusão de determinado grau de ensino. Em segundo lugar a 
ideia de empregabilidade. Formalmente com um certificado o jovem ou adulto 
pode inserir-se no mercado de trabalho. Em terceiro lugar, o reconhecimento 
social que o levaria para a elevação e afirmação de sua autoestima. Esses 
quatro aspectos remetem-se à ideologia capitalista no campo da crença 
pedagógica da teoria do capital humano. 
De acordo com o autor, os movimentos populares contribuíram para uma 
educação inserida na classe adulta, cuja mesma poderia obter um certificado e 
se inserir no mercado de trabalho e ter um reconhecimento por parte da 
sociedade elevando sua autoestima, sem deixar de oferecer mais capacidade 
de fortalecer o capitalismo, incluindo esses trabalhadores na sociedade com a 
garantia de que os mesmos possam se expandir no mercado. 
 
2.1 Regulamentação Legal 
 
37 
 
 
O surgimento da educação básica de adultos, conforme Proposta 
Curricular para o 1º. Segmento do Ensino Fundamental ocorreu a partir da 
década de 30, quando inicia a consolidação do sistema público de educação 
elementar no país, na categoria de ensino supletivo. O ensino supletivo, 
implantado em 1971, foi outro marco importante na história da educação de 
jovens e adultos do Brasil. De acordo com Vieira: 
 
Durante o período militar, a educação de adultos adquiriu pela 
primeira vez na sua história um estatuto legal, sendo 
organizada em capítulo exclusivo da Lei nº 5.692/71, intitulado 
ensino supletivo. O artigo 24 desta legislação estabelecia com 
função do supletivo suprir a escolarização regular para 
adolescentes e adultos que não a tenham conseguido ou 
concluído na idade própria. (2004, p.40). 
 
Conforme a citação acima foi durante o período militar que se iniciou a 
regulamentação do ensino para jovens e adulto, que na época denominava-se 
Ensino Supletivo. 
 
A mudança de ensino supletivo para educação de jovens e 
adultos não é uma mera atualização vocabular. Houve um 
alargamento do conceito ao mudar a expressão de ensino para 
educação. Enquanto o termo ―ensino‖ se restringe à mera 
instrução, o termo ―educação‖ é muito mais amplo 
compreendendo os diversos processos de formação (SOARES, 
2002, p. 12). 
 
De acordo com a autora, o termo referido à educação traz uma 
fundamentação mais relevante para o ensino de jovens e adultos, 
compreendendo que seu significado torna-se mais amplo para a formação dos 
alunos. 
A Constituição de 1988 trouxe avanços para a EJA: o ensino 
fundamental, obrigatório e gratuito, passou a ser garantia constitucional para 
aqueles que não tiveram acesso na idade apropriada. 
A lei 9.394/96 definiu as responsabilidades das ações da educação 
básicapara os governos estaduais e municipais e as ações voltadas para a 
educação superior e de nível médio como competência do governo federal. 
Em janeiro de 2003 o MEC anunciou que a alfabetização de jovens e 
adultos seria uma prioridade do novo governo federal. Para isso, foi criada a 
38 
 
 
Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, cuja meta é 
erradicar o analfabetismo durante o mandato do governo José Inácio Lula da 
Silva. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por 
meio do qual o MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e 
municipais, instituições de ensino superior e organizações sem fins lucrativos 
que desenvolvam ações de alfabetização. 
Na atualidade, são propostas medidas progressivas de erradicação do 
analfabetismo através do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), 
lançado em abril de 2007. 
Conforme publicado pelo FNDE, página Brasil Alfabetizado, o Programa Brasil 
Alfabetizado está direcionado ao desenvolvimento de projetos com as 
seguintes ações: Alfabetização de jovens e adultos e formação de 
alfabetizadores. A partir do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), 
lançado em abril de 2007, o programa Brasil Alfabetizado mudou seu conceito. 
O PDE prevê a erradicação do analfabetismo e o progressivo atendimento a 
jovens e adultos no primeiro segmento de educação de jovens e adultos, até 
2017. (RUMMERT; VENTURA, 2007). 
 
3 AS POLÍTICAS PÚBLICAS E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E 
ADULTOS 
 
A grande problemática em relação á EJA, no domínio do Estado 
brasileiro, tem se tornado mais complexa na última década devido aos 
processos das relações existentes entre as forças emergentes da consolidação 
do capital, podendo se destacar a implantação de políticas neoliberais que 
contribuíram para o surgimento da reforma do Estado e as estratégias de 
reestruturação produtiva. 
Diante deste cenário, pretende-se evidenciar que os atuais programas 
para a Educação de Jovens e Adultos trabalhadores desenvolvidos pelo MEC 
as quais consistem em atender às necessidades de sociabilidade do próprio 
capital. Desta forma, as políticas educativas com caráter compensatório 
reiteram, a partir de reordenamentos econômicas dos quais derivam o 
desemprego estrutural e novas formulações ideológicas centradas no 
empreendedorismo e na empregabilidade, a subalternidade das propostas de 
39 
 
 
educação para a classe trabalhadora. Neste contexto, serão abordados os 
programas Brasil Alfabetizado e Fazendo Escola no conjunto das políticas de 
governo para a educação, procurando-se evidenciar o quanto esse tipo de 
política reafirma o caráter seletivo e excludente do sistema público educacional 
no Brasil. 
 ―O direito à educação é um direito prioritário porque é o direito mais 
fundamental para a vida humana com dignidade, liberdade, igualdade, 
criatividade.‖ (MONTEIRO, 1999 apud FME, 2007, p. 129). O autor afirma que: 
 
A educação é mesmo o maior dos poderes do homem sobre o 
homem. O direito à educação é um direito novo a uma 
educação nova, com educadores novos e em escolas novas... 
direito a toda a educação, isto é, a todos os níveis e formas de 
educação, segundo as capacidades e interesses individuais e 
tendo em conta as possibilidades e necessidades sociais … e a 
uma educação que proporciona todas as aprendizagens 
necessárias ao pleno desenvolvimento da personalidade 
humana, com suas dimensões afetiva, ética, estética, 
intelectual, profissional, cívica, por meio de métodos que 
respeitam a dignidade e todos os direitos dos educandos 
(MONTEIRO, 1999 apud FME, 2007, p. 126-127). 
 
3.1 Políticas Públicas para a EJA no Brasil 
 
A Constituição Brasileira de 1988 reconheceu o direito de todos à 
educação, ao afirmar o ensino fundamental, obrigatório e gratuito, 
independentemente da idade. 
Na década de 1990, a LDB 9.394/96, o Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério 
(FUNDEF) e a reforma da Educação Profissional, por meio do Decreto 
2.208/97, redefiniram os rumos da política educacional, o que significou 
expressivo retrocesso no âmbito da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O 
período compreendido entre 2003 e 2006, referente ao primeiro governo de 
Luiz Inácio Lula da Silva, traz para a EJA um maior destaque do que o obtido 
nos governos anteriores da Nova República. Entre essas iniciativas, podem ser 
destacados o Projeto Escola de Fábrica, o Programa Nacional de Inclusão de 
Jovens – PROJOVEM – e o Programa de Integração da Educação Profissional 
ao Ensino Médio para Jovens e Adultos – PROEJA. Além desses, merecem 
40 
 
 
destaque o Programa Brasil Alfabetizado e, também, o Fazendo Escola, ambos 
implementados pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e 
Diversidade – SECAD. 
O Programa Brasil Alfabetizado implementado em 2003, para ―erradicar‖ 
o analfabetismo no Brasil, tem por finalidade ―capacitar alfabetizadores e 
alfabetizar cidadãos com 15 anos ou mais que não tiveram oportunidade ou 
foram excluídos da escola antes de aprender a ler e escrever‖. Segundo o 
Ministério da Educação, o período estipulado para e alfabetização é de até oito 
meses, com uma carga horária estimada entre 240 e 320 horas. 
O Programa Fazendo Escola - O Programa de Apoio aos Sistemas de 
Ensino para atendimento à Educação de Jovens e Adultos, instituído em 2003, 
com objetivo de ―contribuir para enfrentar o analfabetismo e baixa escolaridade 
em bolsões de pobreza do País onde se concentra a maior parte da população 
de jovens e adultos que não completou o Ensino Fundamental‖. O programa ―é 
desenvolvido pelo MEC em conjunto com os governos estaduais e municipais, 
por meio da transferência, em caráter suplementar, de recursos administrados 
pelo FNDE. 
Novas mudanças nos critérios para a distribuição dos recursos 
financeiros para o Programa Fazendo Escola ocorrem em 2005. Na nova 
proposta, todos os municípios que registravam alunos matriculados na EJA 
passam a receber algum recurso. Entretanto, tal repasse passa a assumir 
valores diferenciados, estabelecidos de acordo com um novo índice criado – 
Índice de Fragilidade Educacional de Jovens e Adultos (IFEJA), a partir do qual 
se passa a definir os valores repassados aos municípios. O que se deve 
destacar nesse processo é o fato de que o Ministério da Educação, por meio do 
FNDE, cria uma fórmula para ampliar o ―apoio aos sistemas de ensino para 
atendimento à EJA‖ a todos os estados e municípios do Brasil sem que isso 
signifique a ampliação dos recursos destinados à EJA (RUMMERT, VENTURA, 
2007). 
 
Apesar de a Constituição definir a educação como um direito 
de todos, o que observamos são programas fragmentados com 
problemas de concepção pedagógica e metodológica. Neste 
âmbito, muitos programas surgem como alternativas 
assistencialistas de combate a exclusão social, com propostas 
pedagógicas que sugerem uma forma universalizada de 
41 
 
 
trabalho sem levar em conta as peculiaridades locais de cada 
comunidade, ou seja, contextos e conteúdos que abrangem a 
diversidade étnica e cultural de nosso país desconsiderando as 
características locais das comunidades escolares. A 
alfabetização de adultos por si só não resolve (GADOTTI; 
ROMÃO, 2006). 
 
De acordo com os autores, no cenário atual, apesar de existirem leis que 
regulamentam o ensino e os direitos à educação para jovens e adultos, a 
sociedade vê a juventude e o adulto analfabeto como sinônimo de problema e 
motivo de preocupação. O adulto analfabeto defronta-se com a sociedade 
letrada e necessita de, no mínimo, saber enfrentar a tecnologia da 
comunicação para que, como cidadão, saiba lutarpor seus direitos, pois ao 
contrário, torna-se vítima de um sistema excludente e pensado para poucos. 
Com um público específico que traz consigo sequelas de experiências 
frustradas ao longo da vida, o adulto chega à EJA com uma bagagem cultural 
diversificada, habilidades inúmeras, conhecimentos acumulados e reflexões 
sobre o seu mundo. 
 
4 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A EDUCAÇÃO PARA JOVENS E 
ADULTOS (EJA) 
 
Segundo a Lei Federal nº 9.394/96 (LDB), garantida pela Constituição de 
1988na Constituição Federal a EJA passou a ser uma modalidade de educação 
básica nas etapas de Ensino Fundamental e Médio, inserida na meta do 
Estado brasileiro de erradicar o analfabetismo juntamente com a de 
proporcionar à população cuja faixa etária não se adéqua mais ao ensino 
fundamental e Ensino Médio, a complementação de sua formação escolar. 
Atendendo assim a grande demanda de jovens e adultos que tem o desejo de 
voltar a estudar, garantindo o direito à educação gratuita para todos os 
indivíduos aos que a ela não tiveram acesso na denominada idade própria. 
O público que procura a EJA é variado e vai de pessoas de mais idade 
que buscam maior instrução até jovens que estão alguns anos atrasados e 
desejam concluir o ensino básico. Com o objetivo de compreender o significado 
do retorno à escola, na constituição da identidade e na construção dos projetos 
de vida, Oliveira (1996) investigou os processos de alfabetização de 
42 
 
 
adolescentes e adultos de ambos os sexos, com idade entre 15 e 65 anos. 
Evidenciou-se que o retorno à escola significa um marco decisivo no 
restabelecimento dos seus vínculos com o conhecimento escolar, libertando-os 
do estigma do analfabetismo e dos sentimentos de inferioridade. 
O grupo familiar constitui o grupo de participação e de referência 
fundamental, e é por isso que os valores desse grupo constituem bases 
significativas na orientação do jovem adulto, quer a família atue como um grupo 
positivo de referência quer opere como grupo negativo de referência. 
De acordo com Lucchiari (1997), o ser humano necessita de projetos 
para viver e para construí-los é necessário fundir o presente, relembrar o 
passado e projetar o futuro. Para que isto ocorra, se faz necessária uma 
conscientização de si mesmo, buscando informações no mundo externo, e 
retornando à família. 
A realidade brasileira vem se manifestando por novos contextos e novos 
desafios que exigem um desenvolvimento mais amplo da Orientação 
Profissional, a fim de uma adaptação as mudanças sociais, com o intuito de 
obter resultados importantes para a sociedade. Esses novos contextos e 
desafios fazem parte de um mercado de trabalho versátil e exigente, criação e 
elaboração de profissões. 
De acordo com Lucchiari, a tarefa da Orientação Profissional é: 
 
Facilitar o momento da escolha ao jovem, auxiliando-o a 
compreender sua situação específica de vida, na qual estão 
incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. É a partir 
dessa compreensão que ele terá mais condições de definir a 
melhor escolha, a escolha possível no seu projeto de vida. 
(1993, p.12). 
 
São vários os fatores que interferem em nossas vidas e escolhas, por 
muitas vezes é feita uma escolha possível em um determinado momento da 
vida, sem se ter muita consciência das influências sofridas. Assim, as 
influências sobre a escolha de uma profissão estão envolvidas em um contexto 
mais amplo e determinante no caminho do individuo, de ordem social, política e 
econômica que implicam em uma série de situações que determinam essa 
escolha, principalmente para aqueles que pertencem a uma classe menos 
favorecida da sociedade. 
43 
 
 
Segundo Bastos (2005), entre a escolha de uma profissão realizada e a 
efetivação da mesma, existe certa distância, devido a fatores determinantes 
que podem interferir na realização do curso ou da profissão desejada. 
Diante desse público da EJA, acrescentam-se as dificuldades 
enfrentadas para a volta a escola, como a idade, o trabalho, o cansaço e na 
maioria dos casos, com família formada, tornando-se mais difícil pensar em 
outra profissão ou até mesmo curso superior, como a faculdade. 
Partindo desses pressupostos, os profissionais de psicologia dentro da 
Orientação Profissional, devem levar em conta todo o contexto social, 
econômico e político de um individuo. Sendo assim, os modelos de Orientação 
Profissional devem se ampliar para atender a um público cada vez mais 
diversificado. 
 
Atualmente, na realidade, os beneficiados com os modelos e 
processos de Orientação Profissional são os jovens de classe 
mais favorecida, faltando estudos e desenvolvimento de 
pesquisas para as classes mais pobres, que se encontram nas 
escolas públicas ou fora dela e que suas necessidades vão 
além de escolher um curso superior. (RIBEIRO, 2003, p.143) 
 
Segundo Costa (2007), há duas implicações quando se tenta restringir a 
Orientação Profissional a um determinado público. A primeira questão diz 
respeito a direcionar a escolha profissional para os cursos de nível superior, 
sendo importante destacar que escolher um curso ou profissão não significa 
especificamente ingressar em uma faculdade. Segunda questão se refere à 
ideias preconcebidas de que o aluno de uma classe menos favorecida não tem 
direito a escolher, devido a sua condição ser carente e, portanto vitimado pela 
situação econômica. 
Abade (2005) também ressalta a necessidade de pensar em 
desenvolver práticas de Orientação Profissional para contextos desfavorecidos 
da sociedade, ao invés de direcioná-las a jovens de classe elitizada, que de 
certa forma já possuem uma condição melhor de estudo e de vida. 
Mas o mais importante nesse contexto é saber quem são esses 
indivíduos, o que procuram quais seus projetos de vida e assim, tentar 
compreendê-los com sua historia, sua família, amigo e meio socioeconômico e 
44 
 
 
cultural, levando em conta momentos passados e presentes da atual escolha 
ou reescolha profissional. 
De acordo com Bohoslavsky (2007), quando o individuo procura a 
Orientação Profissional, demonstra possuir expectativas e preocupações em 
relação ao futuro. Nesse momento é importante compreender quais referências 
esse individuo possui e, assim, entenderemos que o individuo toma esse outro, 
o orientador, como uma referência, algo que ele pode estar sendo privado pela 
sua condição social, é nesse momento que o vinculo com o orientador se 
estabelece, favorecendo um desenvolvimento e resultado melhor do trabalho. 
Geralmente, os indivíduos que procuram a Orientação Profissional são 
jovens com identidade pessoal em formação, em busca da identidade 
profissional. Talvez esse seja o ponto certo para reivindicar um investimento 
nos indivíduos de classes menos favorecidas. Auxiliar a formar sua identidade 
pessoal e profissional através desse processo, por meio do autoconhecimento 
e conhecimento de sua realidade; ajudar esse sujeito a refletir e escolher, 
reconhecendo-se como agente transformador de sua própria realidade. 
 
A Orientação Profissional tem por finalidade a ampliação da 
consciência do individuo sobre a realidade, instrumentando-o 
para agir, no sentido de transformar resolver as dificuldades 
que essa realidade lhe apresenta, possibilitando uma reflexão 
acerca dos aspectos psicológicos, econômicos e sociais que 
influenciam a escolha; discutir a relação home-trabalho; 
informar sobre as profissões e possibilitar autoconhecimento 
relacionado à escolha. Justifica-se e ressalta-se, assim, a 
importância do trabalho de Orientação Profissional em escolas 
públicas, tendo em vista as desigualdades sócio-econômicas 
que o Brasil apresenta, trazendo para aquele contextouma 
reflexão e possível mudança de tais condições. (MULLER; 
SCHMIDT; DULCE 2009, p.39). 
45 
 
 
CAPÍTULO III 
 
METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA 
 
 
1 METODOLOGIA 
 
A presente pesquisa foi embasada na abordagem sócio-histórica, que 
segundo Bock (2006), parte da conjectura de que os indivíduos são 
multideterminados, porém, ao mesmo tempo, têm possibilidades de mudar as 
condições históricas e sociais nas quais vivem, podendo fazê-lo com a 
finalidade de mantê-la ou modificá-la. 
A problemática de pesquisa se resumiu na seguinte indagação: Analisar 
se a participação num processo de Orientação Profissional ancorado em um 
referencial teórico-metodológico consistente é capaz de desencadear no 
orientando a construção de um projeto de futuro mais assertivo e consciente, 
de maiores possibilidades, frente à escolha profissional disponível em sua 
realidade concreta. 
O objetivo dessa pesquisa foi conhecer e confrontar a opinião dos 
alunos concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) 
em relação à ampliação do conhecimento acerca das possibilidades 
relacionadas ao projeto de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho 
antes e após participarem da Orientação Profissional. 
 
A tarefa da orientação profissional tem por objetivo facilitar o 
momento da escolha profissional, auxiliando-o a compreender 
sua situação específica de vida, na qual estão incluídos 
aspectos pessoais, familiares e sociais. E é a partir dessa 
compreensão que o indivíduo terá mais condições de definir 
qual a melhor escolha, a escolha possível (LUCCHIARI, 1993, 
pag.12). 
 
A pesquisa: A Importância da Orientação Profissional no Ensino de 
Jovens e Adultos (EJA) foi submetida na Plataforma Brasil no dia 30 de junho 
de 2015, obtendo aprovação pelo Comitê de Ética no Unisalesiano com o 
parecer: 1.256.875, no dia 03 de outubro de 2015. (ANEXO A) 
46 
 
 
Os dados foram analisados por meio do método qualitativo, que segundo 
Rey (2005), defende o caráter construtivo interpretativo do conhecimento, o 
que de fato implica compreender o conhecimento como produção e não como 
apropriação linear de uma realidade que se nos apresenta. Quando se afirma 
esse caráter, deseja-se enfatizar que o conhecimento é uma construção, uma 
produção humana, e não algo que está pronto para conhecer uma realidade 
ordenada de acordo com categorias universais do conhecimento. 
A pesquisa foi realizada com os alunos do terceiro ano da EJA, com 
faixa etária variando entre 19 e 46 anos de idade, no período noturno, em sala 
de aula, sendo desenvolvida em três etapas, a primeira foi o levantamento de 
dados sobre as características e conhecimentos dos alunos da EJA em relação 
ao autoconhecimento, informação profissional e mercado de trabalho. Na 
segunda etapa foi realizado o processo de Orientação Profissional de acordo 
com os temas citados acima. Na terceira etapa realizou-se um levantamento de 
dados referente ao conhecimento obtido durante o processo de Orientação 
Profissional. O critério de inclusão usado para a participação na pesquisa foi 
que os alunos estivessem matriculados na EJA e tivessem idade acima de 18 
anos. O critério de exclusão foi que não deveriam participar os alunos que não 
estivessem matriculados no 3º ano do ensino médio da EJA e com idade 
inferior a 18anos. 
De acordo com Rey (2005), a pesquisa representa um espaço 
permanente de comunicação que terá um valor fundamental para os processos 
que envolvem os sujeitos pesquisados nos diferentes momentos de sua 
participação. O sujeito que participa da pesquisa não se expressará por causa 
da pressão de uma exigência instrumental externa a ela, mas devido uma 
necessidade pessoal que se desenvolverá, crescentemente, no próprio espaço 
onde está sendo realizada a pesquisa, por meio de diferentes sistemas de 
relação constituídos no processo. 
O local para a realização da pesquisa foi uma escola pública a qual 
ministra o Ensino Fundamental – Ciclo II – Ensino Médio, nos três períodos, 
sendo matutino, vespertino e noturno e Ensino para Jovens e Adultos (EJA) no 
período noturno na cidade de Promissão. 
 O presente estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de 
campo, que segundo Gonsalves: 
47 
 
 
 
É o tipo de pesquisa que pretende buscar a informação 
diretamente com a população pesquisada. Ela exige do 
pesquisador um encontro mais direto. Nesse caso, o 
pesquisador precisa ir ao espaço onde o fenômeno ocorre, ou 
ocorreu e reunir um conjunto de informações a serem 
documentadas. (2001, p.67). 
 
 Os principais instrumentos utilizados na pesquisa foram: o questionário 
1, o processo de Orientação Profissional e o questionário 2, que aconteceu 
durante cinco encontros semanais com duração de 01h10minh cada encontro. 
O primeiro encontro iniciou-se com a apresentação do Termo de 
Consentimento Livre (APÊNDICE), o qual foi devidamente preenchido e 
assinado por todos os participantes. Em seguida foi aplicado o Questionário 1 
(ANEXO B), composto de perguntas abertas e fechadas, com o objetivo de 
levantar dados que caracterizassem o perfil da população estudada e identificar 
aspectos sobre o autoconhecimento, informação profissional, mercado de 
trabalho e projetos para o futuro. 
 
Questionário é um instrumento associado ao estudo de 
representações e crenças conscientes do sujeito, diante do 
qual esse sujeito constrói respostas mediadas por sua 
intencionalidade. Tanto para estudar representações 
conscientes do sujeito, como para conhecer aspectos que ele 
(a) possa descrever diretamente, o questionário é um 
instrumento interessante, no entanto, devemos ter em conta 
que as respostas de uma pessoa a um questionário estão 
mediadas pelas representações sociais e pelas crenças 
dominantes no cenário social em que se aplica o instrumento. 
(REY, 2005, p.41). 
 
Após todos responderem ao questionário, foram compartilhadas através 
de slides e apresentadas pelas orientadoras informações sobre a definição de 
Orientação Profissional. Nesse dia compareceram 45 alunos e foi explicado a 
eles como seria realizado o processo de OP durante os cinco encontros, 
descrevendo de forma clara e objetiva que eles participariam de um processo 
com três módulos, sendo o autoconhecimento, a informação profissional e o 
mercado de trabalho, enfatizando que no último encontro seria a devolutiva 
desse processo. 
48 
 
 
O segundo encontro iniciou-se com o 1° Módulo da OP, cujo tema foi o 
autoconhecimento, onde foi aplicada uma dinâmica de autoconhecimento 
denominada ―Gráfico da Minha Vida‖ (ANEXO D) e discussão e reflexão acerca 
dos resultados da dinâmica. 
O objetivo desse encontro foi conhecer os alunos e reunir o grupo para 
que eles pudessem interagir e se conhecerem também. 
Segundo Lucchiari (1993), o trabalho em grupo tem alcançado melhores 
resultados na prática profissional, pois é importante que o jovem tenha um 
sentimento de igualdade em relação aos outros para assim poder sentir-se 
pertencente ao grupo; compartilhar sentimentos de dúvida, confusão em 
relação à escolha e insegurança possibilita uma maior interação e cada 
indivíduo auxilia um ao outro no conhecimento que cada membro busca de si 
mesmo. 
De acordo com a citação acima, as técnicas de grupo focalizadas em um 
determinado assunto, como o que foi feito na referente pesquisa, mais 
precisamente na área educacional, são muito eficientes para aprofundar o 
conhecimento dos participantes. 
No terceiro encontro passou-se para o 2º Módulo da OP, com a temática 
da Informação Profissional. Nesse dia foi feita uma apresentação através de 
slides sobre informações dos programas oferecidospelo governo para 
universidades como o Exame Nacional do Ensino Médio: (ENEM), Programa 
Universidade Para Todos (PROUNI), Fundo de Financiamento Estudantil 
(FIES) e Escola da Família. 
O objetivo desse encontro foi apresentar aos alunos da EJA informações 
que eles não tinham conhecimento a respeito dos programas do governo. ―A 
comunicação será via em que os participantes de uma pesquisa se converterão 
em sujeitos, implicando-se no problema pesquisado a partir de seus interesses, 
desejos e contradições‖ (REY, 2005, p.14). 
No quarto encontro ingressou-se para o 3º Módulo da OP, cuja temática 
foi o Mercado de Trabalho, sendo apresentado em slides os seguintes temas: 
Entrevista de Emprego, juntamente com um vídeo ilustrativo de como não se 
comportar em uma entrevista de emprego, Como Elaborar Um Currículo, 
Empreendedorismo e Habilidades Sociais. 
Dornelas, afirma que: 
49 
 
 
 
O empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria 
um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos 
calculados. Caracteriza a ação empreendedora em todas as 
suas etapas, ou seja, criar algo novo mediante a identificação 
de uma oportunidade, dedicação e persistência na atividade 
que se propõe a fazer para alcançar os objetivos pretendidos e 
ousadia para assumir os riscos que deverão ser calculados. 
(2001, p. 37). 
 
 Conforme citação do autor, o empreendedorismo é uma ação que 
permite ao indivíduo criar algo, dedicar-se e persistir naquilo que está ao 
alcance de seus objetivos e assumir os riscos existentes para que se consiga 
atingir suas metas. 
Para Caballo (1991), ―habilidades sociais se referem às seguintes 
capacidades: iniciação e manutenção de conversações; falar em grupo; 
defender os próprios direitos; solicitar favores; recusar pedidos; fazer e aceitar 
cumprimentos; expressar as próprias opiniões, mesmo os desacordos; 
expressar justificadamente quando se sentir molestado ou desagradado; saber 
desculpar-se ou admitir falta de conhecimento; pedir mudança no 
comportamento do outro e saber enfrentar as críticas recebidas. Essas 
situações onde estas respostas podem ocorrer são as mais variadas, podendo 
ocorrer no ambiente familiar, de lazer e de trabalho.‖ 
O quinto e último encontro da Orientação Profissional foi realizado para 
concluir o processo com o Questionário (ANEXO C) com perguntas abertas e 
fechadas, relacionadas ao processo de OP, para averiguar se eles 
conseguiram assimilar os conteúdos aplicados durante os encontros, com o 
objetivo de receber deles uma resposta ao processo que foi desenvolvido e 
concluir ou não, se houve um processo de aquisição de ideias e reflexões 
desejáveis, de modo que pudessem ampliar a compreensão acerca de um 
projeto de futuro a partir da Orientação Profissional. 
 
A comunicação é o espaço privilegiado em que o sujeito se 
inspira em suas diferentes formas de expressão simbólica, 
todas as quais serão vias para estudar sua subjetividade e a 
forma como o universo de suas condições sociais objetivas 
aprece constituída nesse nível (Rey, 2005, p.14). 
 
50 
 
 
O último encontro visou ainda propiciar aos orientandos a devolutiva final 
e individual com o objetivo de conceder a eles informações mais precisas e 
esclarecê-las individualmente para que cada aluno pudesse pontuar, refletir e 
discutir sobre tudo o que apreendeu durante o processo e evidenciar junto a 
eles a importância da Orientação Profissional nessa fase em que se 
encontram, saindo do Ensino Médio e com uma percepção mais abrangente 
para enfrentar as dificuldades e fazerem uma escolha mais assertiva. 
 
A comunicação é uma via privilegiada para conhecer as 
configurações e os processos de sentido subjetivo que 
caracterizam os sujeitos individuais e que permitam conhecer o 
modo com as diversas condições objetivas da vida social 
afetam o homem. Por isso o intermédio da comunicação, não 
conhecemos apenas diferentes processos simbólicos 
organizados e recriados nesse processo, estamos tentando 
conhecer outro nível diferenciado da produção social, acessível 
ao conhecimento somente por meio do estudo diferenciado dos 
sujeitos que compartilham um evento ou uma condição social 
(REY, 2005, p.13-14). 
 
Conforme o autor, a comunicação é um meio singular de se conhecer os 
sujeitos e suas condições de vida social que o afetam, portanto o objetivo 
desse último encontro foi alcançado, pois devido à comunicação com os alunos 
individualmente, observou-se que os mesmos apreenderam os conteúdos 
aplicados no processo e através da comunicação puderam organizar e 
expressar como as informações recebidas foram relevantes para o auxílio em 
suas escolhas profissionais. 
 
1.1 Abordagem Sócio Histórica 
 
Segundo Oliveira (2009), a abordagem sócio-histórica se baseia, 
principalmente, nas ideias de Vigotski, o qual é considerado um dos mais 
importantes estudiosos da Psicologia Soviética do início do século XX. Seus 
estudos foram influenciados pelo contexto histórico no qual ele viveu, pois seu 
objetivo foi o desenvolvimento do indivíduo e da espécie humana, como 
resultado de um processo sócio histórico. 
Assim, seu foco principal foi entender o homem em sua totalidade, 
tentando compreender como se constitui o sujeito inserido em uma 
51 
 
 
determinada cultura. Para ele, o ser humano não nasce pronto para viver em 
sociedade, ou seja, precisa de condições adequadas em seu meio que lhe 
proporcionem um aprendizado satisfatório, no qual possa viver e se 
desenvolver em seu meio social. 
Charlot afirma que: 
 
Dessa forma, a atividade do homem ao mesmo tempo em que 
afeta o mundo social afeta a si próprio. No entanto, ao ser 
afetado pelo mundo, o aparato psicológico do sujeito não 
registra mecanicamente o que viveu, ou seja, o homem não é 
mero reflexo de suas experiências sociais, mas ao contrário, 
apropria-se do mundo e transforma o que viveu em uma 
experiência única e singular. A forma como cada ser humano 
pensa, sente e age, é singular, mas, constitui-se pelo social. 
Podemos dizer, assim, que o mundo interno-externo. Objetivo-
subjetivo se complementam constituindo-se em uma totalidade. 
Ao mesmo tempo o homem constitui o social e é constituído 
por este. (2000, p.51) 
 
 Conforme o autor, o indivíduo não é apenas o reflexo de suas 
experiências, mas sim um ser ativo que se apropria do mundo transformando 
suas vivências em uma experiência única, pois a maneira como cada indivíduo 
pensa, sente e age é singular, porém também se constitui pelo social. 
Bock ressalta que: 
 
O fenômeno psicológico na psicologia sócio-histórica se 
desenvolve ao longo do tempo e afirma que este não pertence 
a natureza humana, não é preexistente ao homem e reflete a 
condição social, econômica e cultural em que vivem os 
homens. (2001, p.22) 
 
 Assim, o indivíduo não se desenvolve apenas pelo aspecto biológico, 
pois este necessita conviver em um meio social para sobreviver, se constitui ao 
realizar suas necessidades. 
Segundo Bock: 
 
A perspectiva sócio-histórica não se reconhece como 
meramente ideológica a possibilidade de escolhas das classes 
subalternas. Ao contrário, entende-se que nisso reside a 
possibilidade de mudança, de alteração histórica, ao 
reconhecer que o indivíduos podem, de certo modo, intervir 
sobre as condições sociais, por meio de ações pessoais e / ou 
coletivas. (2006, p.69) 
52 
 
 
Entende-se, dessa forma, que na perspectiva sócio-histórica não há 
determinação social absoluta, mas que o indivíduo tem a possibilidade de lutar 
para mudar a sua realidade social. 
Sendo possível assim, a partir de novas experiências e relações, 
apropriar-se de novas habilidades, entender os significadose adquirir novos 
sentidos, acerca dessa condição de existência no mundo, ressignificando essa 
relação indivíduo-sociedade, estabelecendo novas estratégias de atuação no 
mundo que o modifiquem e que na mesma medida possibilitem a reconstrução 
do real desse indivíduo, superando a lógica de uma determinação social 
absoluta. 
 
1.2 Significados e Sentidos 
 
As categorias sentido e significado, mencionadas neste estudo, auxiliam 
para a compreensão do processo de construção do indivíduo, enquanto ser 
biológico, social e cultural. Significados e sentidos estão presentes na 
constituição do real pelos sujeitos, aparecem na sua conceituação da 
experiência concreta, por meio do discurso, compreendem, portanto, a sua 
dimensão subjetiva da realidade, e essas duas categorias se articulam, porém 
para entendê-las é necessário que se compreenda o significado de cada uma 
separadamente. 
Para Vigotsky: 
 
O sentido é sempre uma formação dinâmica, fluída, complexa, 
que tem várias zonas de estabilidade variada. O significado é 
apenas uma dessas zonas de sentido que a palavra adquire no 
contexto de algum discurso e, ademais, uma zona mais 
estável, uniforme e exata. (2000, p.165) 
 
A relação entre o pensamento e a linguagem é feita através do 
significado. Vigotsky afirma que: 
 
O significado da palavra só é um fenômeno de pensamento na 
medida em que o pensamento está relacionado à palavra e 
nela materializado, e vice-versa fenômeno de discurso apenas 
na medida em que o discurso está vinculado ao pensamento e 
focalizado por sua luz. É um fenômeno do pensamento 
53 
 
 
discursivo ou da palavra consciente, é a unidade da palavra 
com o pensamento. (2000, p.398) 
 
Alfredo (2006) ao estudar os sentidos e significados constituídos em 
espaços e/ou situações de escolha na escola, indica a conclusão semelhante, 
ressaltando que há pouca reflexão sobre a escolha profissional mesmo nas 
escolas que existem espaços favoráveis à atividade da escolha. A ausência de 
reflexão apresentada pela autora caracteriza-se fundamentalmente pelo fato de 
que o trabalho e os múltiplos determinantes socioeconômicos que mobilizam as 
atividades humanas estão ausentes, levando a abordagem da profissão de 
forma descontextualizada, o que a autora chama de profissão coisa. A autora 
ainda indica como consequência desse processo à falta de apropriação pelos 
sujeitos do processo e história como o sujeito que escolhe. 
O foco de interesse residiria, portanto na escolha culminada, numa 
escolha estanque e estratificada, condicionada as determinações objetivas, e 
não uma escolha entendida como processo, que concentra todas as 
representações subjetivadas pelo jovem acerca da sua realidade objetiva 
constituídas ao longo da sua existência que é um permanente vir a ser, e que 
por isso pode ser revista, reatualizada, reconfigurada de acordo com suas 
novas singularizações, podendo assim tornar-se uma escolha mais 
individualizada e autônoma. 
Por isso a escolha das dimensões de sentidos e significados como 
possibilidade de explorar o conteúdo subjacente ao discurso dos jovens 
orientandos participantes da pesquisa se faz necessária e adequada para a 
compreensão do que constituem como escolha profissional. 
As categorias sentidos e significados permitem conhecer os sentidos 
pessoais contidos nos depoimentos dos jovens e de uma forma mais ampla, os 
significados sociais que revelam conteúdos que permeiam a compreensão 
coletiva acerca desses processos, reproduzidos na fala dos orientandos 
investigados. 
De forma mais singular, os sentidos representam a compreensão 
individual de cada jovem, a sua dimensão subjetiva estando alinhada à sua 
história de vida, suas representações, conjunto de crenças e valores pessoais, 
à cultura a qual pertence, que ao se relacionar com o mundo externo se 
54 
 
 
objetiva em forma de ações, decisões no mundo real, imbuindo assim os seus 
processos de escolha também. 
 
2 ANÁLISE DE DADOS 
 
Com a aplicação do Questionário 1 (ANEXO B) foi possível coletar 
dados sobre os alunos da 3ª Etapa da EJA como informações sobre: sexo, 
idade, estado civil, filhos, necessidades educacionais especiais, o motivo pelo 
qual o sujeito abandonou os estudos, o que o incentivou a retornar aos 
estudos, trabalho, conhecimento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), 
do Programa Universidade para Todos (PROUNI) e do Programa de 
Financiamento Estudantil (FIES), se têm conhecimento acerca do que podem 
fazer após a conclusão da EJA, se têm planos para o futuro profissional e se 
possuem interesse por receber Orientação Profissional. 
Os dados foram demonstrados abaixo por meio de gráficos: 
 
Tabela 1: Demonstrativo de gênero, faixa etária, estado civil, filhos e 
necessidade educativa especial dos alunos participantes. 
Feminino 58% 
Masculino 42% 
19 a 25 anos 70% 
26 a 30 anos 19% 
31 a 46 anos 11% 
Casado 44% 
Solteiro 56% 
Têm filhos 52% 
Não têm filhos 48% 
Possui necessidade educativa especial 0% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 2: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos 
abandonaram os estudos. Nesse item, os alunos puderam assinalar mais de 
uma resposta. Obs: um aluno destacou que não abandou os estudos, só 
reprovou e foi transferido para a EJA, devido à idade. 
Porque abandonou os estudos? 
Trabalho 40% 
Filhos 22% 
Pouca maturidade 22% 
Casamento 9% 
Falta de interesse em continuar os estudos 5% 
Dificuldade de acompanhar o curso 2% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
55 
 
 
Tabela 3: Demonstrativo conforme motivo(s) pelo(s) qual(is) os alunos 
retornaram aos estudos. Nesse item os alunos foram orientados a assinalar 
todas as opções condizentes com seus motivos. 
Porque buscou a EJA? 
Buscar melhores oportunidades de trabalho 44% 
Deseja fazer uma faculdade 23% 
Deseja conseguir o diploma 23% 
Deseja fazer um curso técnico 6% 
Foi orientado pelo empregador 4% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 4: Demonstrativo de alunos que trabalham e que não trabalham, 
destacando que a maioria trabalha. 
Está empregado? 
Sim 52% 
Não 48% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 5: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o ENEM, 
predominando o maior número que não sabe. 
Você sabe o que é o Enem? 
Sim 40% 
Não 60% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 6: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Prouni, 
destacando-se que a maioria não tem conhecimento. 
Você sabe o que é o Prouni? 
Sim 35% 
Não 65% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 7: Demonstrativo de alunos que têm conhecimento sobre o Fies. 
Você sabe o que é o Fies? 
Sim 50% 
Não 50% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 8: Demonstrativo de alunos que sabem o que podem fazer após a 
conclusão dos estudos. 
Ao concluir os estudos, você sabe o que pode fazer? 
Sim 83% 
Não 17% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 9: Demonstrativo de alunos que tem planos para o futuro profissional. 
Você faz planos para o seu futuro profissional? 
Sim 98% 
56 
 
 
Não 2% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 10: Demonstrativo de alunos que desejam receber Orientação 
Profissional, ressaltando-se que a maioria deseja. 
Você gostaria de receber orientação profissional? 
Sim 98% 
Não 2% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Após a aplicação do Questionário1 (ANEXO B), iniciou-se o processo de 
OP, que ocorreu em um período de cinco encontros semanais. No quinto 
encontro aplicou-se o Questionário 2 (ANEXO C), com o objetivo de coletar 
dados referentes ao resultado do processo. Os dados obtidos são 
representados abaixo, por meiodas tabelas: 
 
Tabela 11: Demonstrativo de alunos que tinham participado de algum tipo de 
Orientação Profissional antes. 
Você já participou de orientação profissional antes? 
Sim 8% 
Não 92% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 12: Demonstrativo referente a opinião sobre o processo de Orientação 
Profissional. 
O que você achou da orientação profissional? 
Muitas informações que não sabíamos 32% 
Abriu minha visão para o futuro 28% 
Muito bom 20% 
Muito interessante 12% 
Foi esclarecedor 8% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 13: Demonstrativo referente a participação no processo de Orientação 
Profissional. 
Como foi para você participar da OP? 
Foi interessante ter autoconhecimento 28% 
Foi ótimo o acesso às informações 24% 
Foi uma experiência boa e diferente 20% 
Houve vergonha no início, porém tirei muitas dúvidas 16% 
Foi legal expor os pensamentos 12% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 14: Demonstrativo sobre dúvidas, após o processo de OP, ressaltando-
se que os que ficaram com dúvidas foi em relação ao mercado de trabalho da 
área escolhida. 
Você ficou com dúvidas? 
57 
 
 
Sim 8% 
Não 92% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 15: Demonstrativo referente a algum conteúdo ou informação que 
poderia ter sido abordado no processo de OP. 
Faltou algum conteúdo que poderia ter sido abordado? 
Não 100% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 16: Demonstrativo do fato mais importante para a elaboração da 
escolha profissional. 
O que você considerou mais relevante para sua escolha profissional? 
O último contexto 40% 
Todo conteúdo 28% 
Informações profissionais 16% 
Motivação para continuar estudando 12% 
Penso apenas em ter uma oportunidade 4% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 17: Demonstrativo sobre considerar importante que as escolas tenham 
algum tipo de OP. 
Acha importante as escolas terem OP? 
Sim 100% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 18: Demonstrativo sobre o que mudou na forma de pensar após 
participar do processo de OP. 
O que mudou na sua forma de pensar após a participação na OP? 
Incentivo para continuar estudando 32% 
O que eu achava quase impossível, na verdade não é 20% 
O jeito de pensar sobre o futuro profissional 20% 
Motivação para alcançar meus objetivos 16% 
Que nunca é tarde para recomeçar 12% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 19: Demonstrativo sobre fazer curso ou faculdade após terminar o ano. 
Você pretende fazer algum curso ou faculdade quando terminar a 
EJA? 
Sim 80% 
Não 20% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 20: Demonstrativo sobre possíveis cursos e faculdades que os alunos 
pretendem fazer. 
Se sim, qual? 
Pedagogia/Direito/Geografia 55% 
Agronomia/Engenharia da computação 21% 
Fisioterapia/Enfermagem 10% 
58 
 
 
Educação Física/Psicologia 8% 
Eletricista Industrial/Informática 7% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 21: Demonstrativo sobre a possibilidade de mudar de 
profissão/ocupação futuramente. 
Você pretende mudar de profissão/ocupação futuramente? 
Sim 73% 
Não 27% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 22: Demonstrativo referente à mudança de emprego ou ocupação: 
Se sim, para qual? 
Para área que eu conseguir me formar 48% 
Alguma superior a minha 40% 
Gerente na empresa que trabalho 4% 
Monitora de criança 4% 
Músico 4% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 23: Demonstrativo sobre pensamentos e sentimentos em relação à vida 
profissional. 
Quais são seus pensamentos em relação à vida profissional? 
Ter sucesso na escolha profissional 40% 
Ser reconhecido no mercado de trabalho 24% 
Ter uma vida melhor 24% 
Desenvolver meu potencial 12% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tabela 24: Demonstrativo referente aos projetos para o futuro profissional 
O que você espera para seu futuro profissional? 
Emprego e segurança 32% 
Estabilidade 24% 
Salário digno 24% 
Estar bem preparado para o mercado de trabalho 12% 
Futuro melhor 8% 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 
 
Os resultados obtidos inicialmente por meio do questionário 1 (ANEXO 
B) nessa pesquisa foram: reconhecimento da falta de informações referentes 
aos programas do governo, ao mercado de trabalho, cursos e faculdades, bem 
como foi possível refletir sobre assuntos importantes que não eram expressos 
como: a timidez ao falar em público, sentimento de insegurança em relação ao 
59 
 
 
futuro, desmotivação em relação ao projeto de futuro e possibilidade de dar 
continuidade aos estudos, dúvidas sobre a escolha profissional, entre outros. 
O processo de reflexão e tomada de consciência permitido pelo trabalho de 
Orientação Profissional, desencadeou nos jovens participantes a possibilidade 
projetarem novas escolhas, ao afirmarem que a Orientação os ampliou a visão 
sobre o futuro, também a aquisição de novas informações e a motivação para 
alcançar objetivos, o incentivo para a continuação dos estudos, a possibilidade 
de alcançarem o que achavam impossível, a forma como pensavam sobre o 
futuro profissional e a compreensão de que não é tarde para pensar e reverter 
essa lógica que os limitava numa condição de meros coadjuvantes, podendo 
perceberem-se como protagonistas da sua própria história. 
 Assim como afirmam Mandelli, Soares e Lisboa (2011), 
 
Nesse sentido, a OP, por caracterizar-se como uma prática que 
objetiva auxiliar as pessoas a conscientizarem-se dos 
caminhos possíveis, escolhendo a partir de uma apropriação de 
seu contexto e dos fatores que influenciam a escolha, pode 
sensibilizar o jovem para a construção de seu projeto de vida. 
Se o jovem não for o agente desse projeto, ficará alheio a seus 
próprios planos de vida. A OP com jovens de baixa renda e, 
consequentemente, de baixa escolaridade vida orientar para a 
ressignificação ou mesmo para a construção de um projeto de 
vida, compreendendo suas possibilidades e vislumbrando 
caminhos para a realização desse tipo de projeto. (2011, p. 53) 
 
Nesse sentido pode-se concluir que a teoria e a prática da Orientação 
Profissional, embasada na abordagem sócio histórica contribuiu para dar voz a 
esse público, suprindo parte das necessidades demonstradas pelos próprios 
sujeitos participantes da pesquisa, podendo ser esta uma forma de incentivo 
aos alunos da EJA para que se tornem agentes transformadores da sociedade 
em que estão inseridos. 
Durante o processo notou-se como é importante proporcionar momentos 
de reflexão em grupo, pois os orientandos ficaram livres para expressar-se ou 
não, a interação dos grupos foi satisfatória, pois a maioria relatou sobre suas 
vivências passadas e presentes, enfatizando o que esperam para seu futuro 
profissional e pessoal. O trabalho em grupo facilitou a comunicação entre os 
orientandos e os pesquisadores, possibilitando uma interação mais participativa 
60 
 
 
e produtiva, levando-os a expressar melhor suas dúvidas, angústias, 
frustrações em relação ao seu projeto de futuro. 
 
Acreditamos que tal modalidade permite ao jovem perceber-se 
como sujeito inserido em um espaço social concreto, sendo 
constituído e constituinte desde. A dinâmica do próprio grupo 
permite ao sujeito questionar-se, confrontar-se, numa constante 
construção e desconstrução de idéias e conceitos que se 
ampliam ao do processo de aprendizagem. O grupo possibilita 
ainda a troca e o compartilhamento de idéias, apreensões, 
medos, informações, perspectivas e sonhos presentes no 
presente da escolha (MIRANDA et al 2005, p.1). 
 
Como resultado final após a aplicação do questionário 2 (ANEXO C) 
observou-se que o processo contribuiu para que os alunos desenvolvessemmais segurança, tranquilidade, autonomia e uma posição mais ativa, 
motivando-os a terem uma visão mais ampla sobre seus projetos futuros, 
apesar de alguns não terem definido uma escolha. Os orientandos relataram o 
que significou o processo, com frases como: ―me fez pensar em outras áreas 
que nem imaginava que pudesse atuar‖; ―vi que fazer uma faculdade não está 
tão longe quanto eu imaginava‖, ―todos têm possibilidades para estudar‖; 
―nunca é tarde demais‖. 
Os temas de empreendedorismo e Habilidades Sociais também 
ajudaram àqueles que pensavam em abrir um negócio próprio, pois muitos 
deles tinham dúvidas de como começar e como deveriam reagir frente às 
dificuldades. Falar sobre Habilidades Sociais proporcionou para os orientandos 
refletirem sobre suas inibições, pois muitos sentiram vergonha em falar perante 
o grupo e as orientadoras. 
De uma forma mais detalhada, considera-se que os resultados obtidos a 
partir das respostas dos orientandos, evidenciaram que inicialmente 
desconheciam as possibilidades de escolha disponíveis, as políticas públicas 
que favorecem o ingresso do aluno na educação de nível superior, não 
concebiam estreita relação entre trabalho e escolarização, uma vez que 
apresentam uma realidade de evasão, já que são alunos que por razões 
diversas, abandonaram os estudos anteriormente. 
Lisboa (2011) afirma que conciliar trabalho e estudos é uma dificuldade 
e, por isso, o abandono dos estudos para trabalhar é uma prática comum entre 
61 
 
 
os jovens de baixa renda. Realidade essa verificada entre essa população que 
abandonou os estudos porque precisava trabalhar, justificativa apontada por 
40% dos jovens participantes da pesquisa. 
Silva (2003) é um dos que estuda, em sua dissertação de mestrado, a 
questão da escolha profissional, considerando a diferença que as populações 
da escola pública e da privada apresentam nesse processo. É interessante a 
observação de SILVA de que os alunos de escola particular indicam em seus 
projetos o ingresso na universidade, enquanto os alunos das escolas públicas 
falam do ingresso no mercado de trabalho, visando o sonho da universidade 
distante. Notou-se entre os alunos participantes da pesquisa que a maior parte 
deles – 44% – retornou aos estudos pela EJA com o objetivo de buscar 
melhores oportunidades de trabalho, e não tendo como prioridade a 
continuidade dos estudos ingressando no ensino superior. 
Segundo Ribeiro (2003), esse procedimento de Orientação Profissional 
mostrou-se eficiente, pois proporcionou aos alunos a oportunidade de um 
espaço para refletir e elaborar seu projeto de futuro, ampliando o conhecimento 
sobre as possibilidades de estudo. 
 
Na perspectiva sócio-histórica não se reconhece como 
meramente ideológica a possibilidade de escolha das classes 
subalternas. Ao contrário, entende-se que nisso reside a 
possibilidade de mudança, de alteração histórica, ao 
reconhecer que os indivíduos podem, de certo modo intervir 
sobre as condições sociais, por meio de ações pessoais e / ou 
coletivas (BOCK, 2006, p.69). 
 
Ao serem questionados acerca do conhecimento sobre as políticas de 
incentivo ao estudante, como Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, o 
Financiamento Estudantil – FIES e o Programa Universidade para Todos – 
PROUNI, a maior parte dos alunos – como já descrita na apresentação dos 
dados – afirmou desconhecimento acerca desses Programas Governamentais, 
realidade esta, que foi superada com a Orientação Profissional, que lhes 
possibilitou o contato com novas possibilidades, constatada com a perspectiva 
de continuação dos estudos levantada pelo questionário 2 após a intervenção 
em OP, em que 80% dos jovens referiu a intenção fazer cursos ou faculdade 
após a conclusão do ensino médio. 
62 
 
 
Mandelli, Soares e Lisboa em um estudo com jovens de baixa renda, 
constataram que, 
os jovens pesquisados, quando provocados a refletir sobre 
suas possibilidades de mudança, manifestaram interesse em 
melhorar suas condições de vida mediante o aumento da 
escolarização e da qualificação, mas colocaram-se como os 
únicos responsáveis pelas mudanças possíveis, sem perceber 
a complexidade da situação. (2011, p. 52) 
 
 
 
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO 
 
Diante da pesquisa realizada observou-se a relevância desse estudo, 
dado o destaque que a Orientação Profissional representou para o público da 
EJA, por se apresentarem como pessoas desmotivadas, com pouco acesso a 
informações e restritas concepções de escolha profissional. 
O impacto da intervenção foi identificado, pois a maioria dos alunos 
relatou que nunca tinha participado de nenhum processo de OP antes, bem 
como, revelou o desconhecimento das políticas públicas que incentivam o 
ingresso no ensino superior, além de suas motivações pela EJA estarem 
inicialmente estritamente enfocadas numa melhor posição no mercado de 
trabalho, já após o processo de OP, verificou-se que passaram a considerar a 
continuação dos estudos como parte do seu projeto de futuro e a considerar a 
ideia dos estudos como alavanca para conquistarem melhores posições no 
mercado de trabalho. 
Com essa demanda, notou-se uma necessidade da proposta de OP para 
esse público, com o objetivo de ampliar a percepção que possuem em relação 
a suas escolhas, possibilidades de reescolhas e constituição do seu projeto de 
futuro, estimulando a construção de uma relação mais autêntica com suas 
escolhas profissionais, reconfigurada e mais alinhada à sua realidade de vida e 
motivações pessoais. 
63 
 
 
CONCLUSÃO 
 
A partir da experiência relatada, conclui-se que o processo de 
Orientação Profissional desenvolvido com esse público alcançou a relevância 
esperada, pois constatou-se a hipótese inicial de que a participação num 
processo de Orientação Profissional ancorado em referencial teórico-
metodológico consistente é capaz de desencadear ao orientando a ampliação 
da sua auto percepção e a construção de um projeto de futuro mais assertivo, 
consciente, e de maiores possibilidades, respaldado em informações 
abrangentes acerca da relação estudo-trabalho. 
Verificou-se que os alunos tiveram a oportunidade de refletir sobre suas 
escolhas, motivações e projetos de vida, esclarecer dúvidas, apreender 
informações profissionais, ampliando sua percepção diante das possibilidades 
existentes e percebendo-se também como parte desse processo, alterando e 
redefinindo escolhas, inclusive passando a ressignificar a relação com o 
estudo, considerando a sua continuidade, pode-se cotejar dessa forma, que, a 
Orientação Profissional possibilitou a esses jovens a perspectiva da superação 
da sua condição material atual, uma vez que seus discursos revelaram que 
após a Orientação obtiveram incentivo para continuar estudando, alteraram sua 
percepção sobre o futuro, perceberam a possibilidade de alcançar o que lhes 
parecia impossível e adquiriram motivação para alcançar seus objetivos. 
Ademais, faz-se relevante pontuar que notou-se que o processo de 
Orientação foi insuficiente quanto ao número de encontros, diante à demanda 
apresentada e a necessidade de mais aprofundamento, que possibilitasse 
também a incorporação de outros temas advindos dos processos individuais de 
cada orientando, bem como aqueles que viessem a surgir no contexto grupal. 
Considera-se que a população atendida pela EJA é um público menos 
privilegiado dentro da sociedade, levando em conta que o governo investe 
pouco nessa perspectiva, o que se confirma pela inexistência da Orientação 
Profissional como garantia dessa população no período de formação escolar. 
Além de também da fragilidade no âmbito científico, em que notou-se a 
escassez de produçãotécnico-científica voltada à essa população, 
especialmente no tocante à Orientação Profissional. Essa realidade fomenta 
64 
 
 
notadamente a necessidade de se propor novas intervenções e estudos 
dedicados a esse público menos favorecido. 
Por esta razão e tendo como referência o lugar que o trabalho ocupa na 
constituição do ser humano e na configuração da nossa sociedade, conclui-se 
a constatação da necessária continuidade das intervenções e projetos em OP 
que permitam ao jovem estudante da EJA pensar sobre sua escolha 
profissional, possibilitando a construção de um projeto de futuro mais maduro e 
consciente, percebendo-se como sujeito interventor e construtor desse 
processo. 
 
65 
 
 
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72 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICES 
 
 
73 
 
 
APÊNDICE A – Termo de Consentimento 
 
COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA – CEP / UniSALESIANO 
 (Resolução nº 466 de 12/12/12 – CNS) 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
 
I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE OU RESPONSÁVEL LEGAL 
1. Nome do Paciente: 
 
Documento de 
Identidade nº 
Sexo: 
 
Data de Nascimento: 
Endereço: Cidade: U.F. 
Telefone: CEP: 
 
1. Responsável Legal: 
Documento de 
Identidade nº 
Sexo: Data de Nascimento: 
Endereço: Cidade: U.F. 
Natureza (grau de parentesco, tutor, curador, etc.): 
 
II – DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA 
1. Título do protocolo de pesquisa: A Importância da Orientação Profissional 
no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) 
2. Pesquisador responsável: Liara Rodrigues de Oliveira 
Cargo/função: 
Psicóloga/docente 
Inscr.Cons.Regiona
l: 06/85631 
Unidade ou Departamento do 
Solicitante: Departamento de 
Psicologia 
3. Avaliação do risco da pesquisa: (probabilidade de que o indivíduo sofra algum 
dano como conseqüência imediata ou tardia do estudo). 
 
 
SEM RISCO RISCO MÍNIMO RISCO MÉDIO RISCO MAIOR 
4. Justificativa e os objetivos da pesquisa (explicitar): 
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que 
pretende atender uma demanda de jovens e adultos, que não tiveram acesso ao 
ensino básico ou não o concluíram na idade própria por diversos motivos, que 
procurama escola principalmente para conseguir emprego ou se manter 
empregado e se estabelecer no mercado de trabalho. 
 
A tarefa da orientação profissional tem por objetivo facilitar o 
74 
 
 
momento da escolha profissional, auxiliando o individuo a 
compreender sua situação específica de vida, na qual estão 
incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. E é a partir 
dessa compreensão que o indivíduo terá mais condições de definir 
qual a melhor escolha, a escolha possível (LUCCHIARI, 1993, 
p.12). 
 
Tendo em vista a alta competitividade no mercado de trabalho que requer 
profissionais cada vez mais competentes e com a necessidade de se manter 
nesse mercado, torna-se fundamental que a pessoa saiba como planejar o seu 
futuro profissional, pensar no rumo que deve seguir e saber como preparar o seu 
projeto de vida. Devido a essa grande concorrência profissional e poucas 
oportunidades de trabalho dos dias atuais, surge então a motivação para a 
importância da Orientação Profissional com o intuito de proporcionar um espaço 
para discussão e reflexão sobre os aspectos da vida profissional, social e cultural, 
investigar quais os limitadores da carreira e proporcionar condições para que a 
própria pessoa faça ou reafirme sua escolha, levando em conta a satisfação 
pessoal, os aspectos financeiros e o atual mercado de trabalho. 
Diante disso, o estudo da disciplina de Orientação Profissional no Curso de 
Psicologia propiciou o aprendizado sobre a importância da Orientação para a 
escolha profissional na vida dos alunos. Sendo assim foi elaborada essa proposta 
de pesquisa, com o objetivo de conhecer a opinião dos jovens a partir da 
participação em um programa de orientação profissional aplicado aos alunos do 
ensino médio do EJA. O local foi escolhido por se tratar de uma instituição de 
ensino pública, a qual possui um público numerosamente significativo ao 
interesse desta pesquisa em realizar tais atividades, e que ao mesmo tempo, não 
contam com a atuação de profissionais nessa área, por não ser uma disciplina 
presente na grade curricular. 
O presente projeto vem de encontro às exigências das Diretrizes 
Curriculares para os cursos de Psicologia, e abrange temas variados como: o 
autoconhecimento, a influência da família e da sociedade, a personalidade, os 
interesses e os valores articulando a teoria e a prática. 
Essa pesquisa tem por objetivo conhecer e confrontar a opinião dos alunos 
concluintes do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em relação 
à ampliação do conhecimento acerca das possibilidades relacionadas ao projeto 
de futuro, escolha profissional e mercado de trabalho antes e após participarem 
75 
 
 
da Orientação Profissional. 
 
Facilitar a escolha significa participar auxiliando a pensar, 
coordenando o processo para que as dificuldades de cada um 
possam ser formuladas e trabalhadas. Coordenar o processo 
porque, como profissionais estamos habilitados para isso. O 
desenvolvimento do processo dependerá dos grupos, já que eles 
apresentam características específicas. (LUCCHIARI,1993, p.12) 
 
5. Procedimentos que serão utilizados e propósitos, incluindo a 
identificação dos procedimentos que são experimentais: O estudo será 
desenvolvido por meio de uma pesquisa de campo e analisado através método 
qualitativo, onde serão aplicados dois questionários um antes e outro após o 
processo de Orientação Profissional, para verificar informações, pensamentos e 
sentimentos que os sujeitos da pesquisa têm acerca da vida profissional, da sua 
realidade social, política e cultural. 
 
6. Desconfortos e riscos esperados: O sujeito da pesquisa corre o risco de ter 
sua identidade exposta, para que isso não ocorra sua identidade será preservada. 
O sujeito também corre o risco de ter suas dúvidas ampliadas, dentre as inúmeras 
opções de cursos e possibilidades que poderá ter acesso. 
7. Benefícios que poderão ser obtidos: Os benefícios que os participantes 
poderão obter são: autoconhecimento, informações sobre profissões, cursos 
técnicos, faculdades, o que poderá auxiliá-los em decisões futuras mais 
conscientes e maduras. 
8. Procedimentos alternativos que possam ser vantajosos para o indivíduo: 
Terão oportunidade de ampliar as possibilidades de prosseguimento nos estudos, 
por meio das reflexões proporcionadas a respeito de seus interesses e aptidões. 
Colaborando assim para o desenvolvimento do seu pensamento crítico sobre a 
escolha profissional, mercado de trabalho, relacionado a valores, importância e 
necessidade ou não desta opção para os mesmos. 
9. Duração da pesquisa: Cinco meses. 
10. Aprovação do Protocolo de pesquisa pelo Comitê de Ética para análise 
de projetos de pesquisa em / / 
 
III - EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AO PACIENTE OU SEU 
REPRESENTANTE LEGAL 
76 
 
 
1. Recebi esclarecimentos sobre a garantia de resposta a qualquer pergunta, a 
qualquer dúvida acerca dos procedimentos, riscos, benefícios e outros assuntos 
relacionados com a pesquisa e o tratamento do indivíduo. 
2. Recebi esclarecimentos sobre a liberdade de retirar meu consentimento a 
qualquer momento e deixar de participar no estudo, sem que isto traga prejuízo à 
continuação de meu tratamento. 
3. Recebi esclarecimento sobre o compromisso de que minha identificação se 
manterá confidencial tanto quanto a informação relacionada com a minha 
privacidade. 
4. Recebi esclarecimento sobre a disposição e o compromisso de receber 
informações obtidas durante o estudo, quando solicitadas, ainda que possa afetar 
minha vontade de continuar participando da pesquisa. 
5. Recebi esclarecimento sobre a disponibilidade de assistência no caso de 
complicações e danos decorrentes da pesquisa. 
Observações complementares. 
 
IV – CONSENTIMENTO PÓS ESCLARECIDO 
 
Declaro que, após ter sido convenientemente esclarecido (a) pelo pesquisador 
responsável e assistentes, conforme registro nos itens 1 a 5 do inciso IV da 
Resolução 466, de 12/12/12, consinto em participar, na qualidade de 
participante da pesquisa, do Projeto de Pesquisa ―Habilidades Sociais em 
alunos concluintes do curso de Psicologia do Centro Universitário Católico 
Salesiano Auxilium - Lins.‖ 
 
________________________________ Local, / / 
 Assinatura 
 
 
 
 
___________________________________ 
 Testemunha 
 
Nome: 
 
Endereço: 
 
Telefone: 
 
R.G.: 
 
 
77 
 
 
 
___________________________________ 
 Testemunha 
 
Nome: 
 
Endereço: 
 
Telefone: 
 
R.G.: 
 
 
78 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXOS
79 
 
 
ANEXO A – FOLHA APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA 
 
CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - 
UNISALESIANO/SP 
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP 
 
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA 
Título da Pesquisa: A Importância da Orientação Profissional no Ensino de 
Jovens e Adultos (EJA) 
Pesquisador: Liara Rodrigues de Oliveira 
Área Temática: 
Versão: 1 
CAAE: 48528615.5.0000.5379 
Instituição Proponente: MISSAO SALESIANA DE MATO GROSSO 
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio 
 
DADOS DO PARECER 
 
Número do Parecer: 1.256.875 
 
Apresentação do Projeto: 
Clara, objetiva e impactante para a área de pesquisa, além de poder trazer 
importantes contribuições para a educação e áreas afins. 
Objetivo da Pesquisa: 
Claros e bem dimensionados. 
Avaliação dos Riscos e Benefícios: 
Os riscos e benefíciosestão descritos a contento. 
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa: 
Nada a considerar. 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - 
UNISALESIANO/SP 
Continuação do Parecer: 1.256.875 
80 
 
 
Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória: 
Todos os termos estão de acordo com a s exigências da Resolução 466/12 
Recomendações: 
Nada a recomendar 
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações: 
Projeto aprovado 
Considerações Finais a critério do CEP: 
 
Endereço: Rodovia Teotônio Vilela 3821 CEP: 16.016-500 
Bairro: Alvorada 
UF: SP Município: ARACATUBA 
Telefone: (18)3636-5252 Fax: (18)3636-5252 email- 
claudialopes@salesiano-ata.br 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - 
UNISALESIANO/SP 
Continuação do Parecer: 1.256.875 
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados: 
Tipo Documento Arquivo Postagem Autor Situação 
Informações 
básicas do projeto 
PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P 
ROJETO_500324.pdf 
30/06/2015 
21:05:17 
 Aceito 
Projeto Detalhado 
Brochura/ 
Investigador 
Projeto versão final.doc 30/06/2015 
21:04:21 
 Aceito 
Outros Anexo IV-maria José. docx 26/06/2015 
21:13:13 
 Aceito 
Outros Declaração Termo de compromisso 
pesquisador responsavel.pdf 
24/06/2015 
15:35:11 
 Aceito 
Outros Declaração coleta de dados.pdf 24/06/2015 
15:34:44 
 Aceito 
Outros anexo 1.pdf 24/06/2015 
15:34:23 
 Aceito 
Outros anexo IV-Rosangela.docx 21/06/2015 
22:10:35 
 Aceito 
Outros anexo IV-Elaine.docx 21/06/2015 Aceito 
81 
 
 
22:09:52 
Outros anexo IX.docx 21/06/2015 
22:09:20 
 Aceito 
Outros questionário 2.docx 21/06/2015 
22:08:16 
 Aceito 
Outros questionário 1.docx 21/06/2015 
22:07:45 
 Aceito 
Outros anexoV.docx 21/06/2015 
22:05:36 
 Aceito 
Outros anexo VIII.docx 21/06/2015 
22:05:09 
 Aceito 
Outros anexo VII.docx 21/06/2015 
22:04:18 
 Aceito 
Outros anexo VI.docx 21/06/2015 
22:03:49 
 Aceito 
Informações 
básicas do projeto 
PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P
ROJETO_500324.pdf 
18/06/2015 
16:06:38 
 Aceito 
Informações 
básicas do projeto 
PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P
ROJETO_500324.pdf 
29/04/2015 
01:04:18 
 Aceito 
Folha de Rosto folha de rosto assinada.docx 29/04/2015 
00:52:39 
 Aceito 
TCLE / Termos 
de 
Assentimento / 
Justificativa de 
Ausência 
Termo de 
consentimento.
doc 
16/04/2015 02:58:51 Aceito 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM - 
UNISALESIANO/SP 
Continuação do Parecer: 1.256.875 
 
Situação do Parecer: 
Aprovado 
 
Endereço: Rodovia Teotônio Vilela 3821 CEP: 16.016-500 
Bairro: Alvorada 
UF: SP Município: ARACATUBA 
82 
 
 
Telefone: (18)3636-5252 Fax: (18)3636-5252 email-
claudialopes@salesiano-ata.br 
 
Necessita Apreciação da CONEP: 
Não 
 
 
ARACATUBA, 02 de Outubro de 2015 
________________________________ 
Assinado por: 
CLAUDIA LOPES FERREIRA 
(Coordenador) 
 
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ANEXO B – QUESTIONÁRIO 11 
 
1. Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 2. Idade ______________ 
 
3. Estado civil: ( ) solteiro(a) ( ) casado(a) ( ) separado(a) ( ) outro 
_______________ 
 
4. Você tem filhos? ( ) sim ( ) não Se sim, quantos filhos? 
________________ 
 
5. Apresenta alguma necessidade educativa especial? ( ) sim ( ) não 
Se sim, qual? 
_______________________________________________________________ 
 
6. Por que você abandonou os estudos? 
( ) pouca maturidade/responsabilidade 
( ) precisava trabalhar 
( ) dificuldade de acompanhar o curso 
( ) a escola não era próxima da residência ou do meu local de trabalho 
( ) não havia interesse em continuar os estudos 
( ) casamento 
( ) filhos 
( ) falta de apoio da família 
( ) achava que não era necessário 
Outros motivos: __________________________________________________ 
 
7. Buscou a EJA para retornar os estudos, pois: 
( ) quer conseguir o diploma 
( ) buscar melhores oportunidades de trabalho 
( ) foi orientado pelo empregador 
 
1 CALDEIRA, D.L; YOSHIDA, E. A; PASSOS, G. O. A Orientação Profissional em EJA. Um 
caminho para autoestima do aluno. Brasília, DF. Ab. 2014, p. 32. Acesso em 18 de out, 2015. 
Disponível em: 
http://bdm.unb.br/bitstream/10483/7853/7/2014_DanielaCaldeira_ErikaShibata_GabrielaPassos
.pdf 
84 
 
 
( ) quer auxiliar na educação de filhos ou parentes 
Outros motivos: __________________________________________________ 
 
( ) Deseja fazer um curso técnico? 
Qual?________________________________________________ 
 
( ) Deseja fazer uma faculdade? 
Qual? _________________________________________________ 
 
8. Você trabalha? ( ) sim ( ) não 
Se sim, em quê você trabalha? 
________________________________________________________ 
 
9. Você sabe o que é o ENEM? ( ) sim ( ) não 
 
10. Você sabe o que é o PROUNI? ( ) sim ( ) não 
 
11. Você sabe o que é o Fies? ( ) sim ( ) não 
 
12. Quando você concluir seus estudos, você sabe o que pode fazer? ( ) 
sim ( ) não 
 
13. O que você pretende fazer ao concluir os estudos (EJA)? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
14. Você faz planos para o seu futuro profissional? ( ) sim ( ) não 
 
15. O que você espera (sonha) do seu futuro profissional? 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
 
 
85 
 
 
16. Você gostaria de receber algum tipo de orientação profissional? ( )sim 
( )não 
Que tipo de informação? 
_______________________________________________________________ 
 
 
 
 
86 
 
 
ANEXO C- QUESTIONÁRIO 2 
 
1. Você já tinha participado de algum tipo de Orientação Profissional antes? ( ) 
sim ( ) não 
 
2. O que você achou do processo de Orientação Profissional? 
_______________________________________________________________ 
 
3. Como foi para você participar e poder falar sobre suas escolhas? 
_______________________________________________________________ 
 
4. Você ficou com dúvidas? ( ) sim ( ) não Quais? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
5. Faltou alguma informação ou conteúdo que poderia ter sido abordado na 
Orientação? ( ) sim ( ) não O que? 
_______________________________________________________________ 
 
6. O que na Orientação você considera ter sido mais relevante para a 
elaboração da sua escolha profissional? 
_______________________________________________________________ 
 
7. Acha importante que as escolas tenham algum tipo de Orientação 
Profissional? ( ) sim ( ) não 
 
8. Após participar do processo de Orientação Profissional, o que mudou na sua 
forma de pensar? 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
9.Você pretende fazer algum curso ou faculdade quando terminar esse último 
ano do ensino médio? 
87 
 
 
( ) sim ( ) não Se sim, qual? 
_______________________________________________________________ 
 
10. Você pretende mudar de profissão/ocupação futuramente? ( ) sim ( ) não 
Se sim, para qual? 
_______________________________________________________________ 
 
11. Quais são seus pensamentos e sentimentos em relação a sua vida 
profissional? 
_______________________________________________________________ 
 
12. O que você espera (sonha) para o seu futuro profissional? 
_______________________________________________________________ 
 
88 
 
 
ANEXO D - O GRÁFICO DA MINHA VIDA2 
 
OBJETIVOS: 
 
Dar a todos os participantes uma oportunidade de fazer um feedback de sua 
vida. Todos poderão expressar suas vivências e sentimentos ao grupo. 
 
MATERIAL: Folhas de papel em branco, lápis ou caneta. 
 
PROCESSO: 
O animador do grupo inicia explicando os objetivos do exercício. A seguir, 
distribuirá uma folha em branco para cada participante. Todos procurarão 
traçar uma linha que, através de ângulos e curvas, represente fatos da própria 
vida. Os fatos podem limitar-se a um determinado período da vida: por 
exemplo, os últimos três meses ou o último ano. 
 
O gráfico pode expressar vivências e sentimentos do tipo religioso, familiar, 
grupal ou social. 
 A seguir, um a um irá expor ao grupo seu próprio gráfico, explicando os pontos 
mais importantes. Terminado o exercício, seguem-se os comentários e 
depoimentos dos participantes. 
 
 
2
 Dinâmicas de grupos – Passei Direto. Disponível em: 
<https://www.paseidireto.com/arquivo/5426283/dinamicas-de-grupos/13>. Acesso em: 18 out. 
2015. 
89 
 
 
ANEXO E – AUTORIZAÇÃO

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