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� EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO FEDERAL DA _ VARA DO TRABALHO DA COMARCA DE SANTO ANDRÉ – SP. JACINTO MAURO VASSALLO, brasileiro, convivente, filho de Dinancy dos Santos Vassalo, portador do RG sob o nº. 18.724.392-x, emitido pela SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o número 07259369833, residente à Rua Condor, n. 348, Recreio da Borda de Campo, Santo André/SP, por suas advogadas e bastante procuradoras que esta subscreve, constituído nos termos do incluso instrumento de mandato, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, propor a presente RECLAMATÓRIA TRABALHISTA DE INDENIZAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE DOENÇA OCUPACIONAL c/c PEDIDO DE LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO E MANUTENÇÃO DE CONVÊNIO MÉDICO Em face da empresa ISS SERVIÇOS DE LOGISTICA INTEGRADA LTDA, inscrita no CNPJ nº. 57.497.539/0001-15, estabelecida na Rua Ambrosio Molina, bairro Eugenio Mello, São José dos Campos/SP, CEP 12.247-902 e, BRIDGESTONE DO BRASIL IND. E COM. LTDA, inscrita CNPJ nº. 57.497.539/0001-15, Avenida Queiroz dos Santos, nº. 1717, bairro Casa Branca, Santo André/SP, ante os motivos de fato e de direito, que a seguir passa a expor e ao final requerer: I- Da Comissão de Conciliação Prévia Quanto a prévia submissão da causa à Comissão de Conciliação Prévia, instalada e mantida nos termos do art. 625-A e seguintes da CLT, exibe-se o reclamante como mera faculdade. Ademais, o artigo 625-D, ao mesmo tempo em que trata da submissão prévia, não fixa qualquer hipótese de não atendimento ao seu comando, de modo que, também por isto, resta claro tratar-se de mera faculdade pela lei ao reclamante. Diante do exposto, inadmissível a extinção do feito sem julgamento de mérito em razão da ausência de submissão da causa à Comissão de Conciliação Prévia devendo, pois prosseguir na forma da lei. II – Da Justiça Gratuita O reclamante por ser pessoa pobre nos termos da lei, requer seja concedido os benefícios da Justiça Gratuita (doc. anexo), por não ter condições de, sem prejuízo do seu sustento e de sua família, arcar com o ônus do seu direito de ação, caso esta lhe seja desfavorável. III- DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA O Reclamante foi admitido pela Primeira Reclamada para trabalhar para a Segunda Reclamada, e durante todo o contrato de trabalho laborou na sede da Segunda Reclamada. Por este motivo requer seja reconhecida a responsabilidade subsidiária da Segunda Reclamada, eis que foi a tomadora dos serviços do Reclamante. DOS FATOS –DO CONTRATO DE TRABALHO O reclamante foi admitido pela reclamada em 10.04.2013, para exerce a função de auxiliar de logística. O reclamante laborava no horário das 6hrs00min às 14rs00min, de Segunda à Sábado. Todavia, foi dispensado doente, em 14.03.2017. Percebia como salário o valor de R$ 1.148,40 (mil cento e quarenta e oito reais e quarenta centavos), sendo que sua última remuneração foi 1.322,54 (mil trezentos e vinte e dois reais e cinquenta e quatro centavos), conforme termo de rescisão do contrato de trabalho em anexo. 1.2 - DAS ATIVIDADES DESEMPENHADAS NA RECLAMADA Trabalho repetitivo que utiliza muita força e habilidade para sua realização O reclamante na realização de sua função, faz-se necessário retirar pneus dos caminhões e berços, armazenar em paletes e disponibilizar em plataformas, limpar pneus utilizando produto químico. O autor cumpria as atividades de forma ininterrupta e excessiva, em condições não favoráveis, que nada contribuíam com o conforto ergonômico obrigatórios nas atividades laborais, conforme disposto na NR-17 que trata da Ergonomia, item 17.1: “17.1 – Esta Norma Regulamentadora visa restabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psico – fisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente”. Ora Excelência, conforme visto anteriormente, a Norma Regulamentadora nº. 17 prescreve que o trabalho é que deve ser adaptado aos trabalhadores, e não, como no caso vertente, que estes é que tenham que se submeter às condições agressivas em que o trabalho é exercido. Como se admitir que o labor realizado pelo autor nas dependências da Ré, onde se expunha diariamente a riscos efetivos de acidente e de adoecimento, atende ao desiderato da NR-17 que é “proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente” aos trabalhadores. Em razão de suas atividades diárias e devido a cumprimento de longas e exaustivas jornadas de trabalho, em atividades com padrões inadequados às normas de Ergonomia e da Medicina do Trabalho, o Reclamante adquiriu Síndrome do Manguito Rotador por esforço excessivo e repetitivo, em sua função de Auxiliar de Logística. O reclamante informa que quando foi contratado pela empresa não apresentava qualquer tipo de problema de saúde, sendo que se encontrava em boas condições de saúde, que após alguns anos começou a ter complicações e fortes dores no braço esquerdo. Que devido as longas e exaustivas jornadas de trabalho a partir de 2013 passou o obreiro a sentir fortes dores nos ombros quando exercia sua função de Auxiliar de Logística, sendo que nesta função o mesmo tinha que trazer material do estoque até a linha de produção; que o mesmo tinha que carregar as caixas diariamente que continham materiais muitos pesados, que alimentavam sua própria produção, que produziam os equipamentos, que trabalhavam sempre em pé, que quase nunca podiam descansar. Do ruído do local de trabalho Não bastasse, o reclamante ficava exposto a ruído acima de 80 Db, conforme Perfil Profissiográfico Previdenciário em anexo. PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO 10/04/2013 a 06/10/2017 83,8 dB 27/09/2013 81,1 dB 26/09/2014 84,3 dB 31/08/2015 84,7 dB 29/07/2016 84,9 dB 08/11/2016 84,9 dB 1.3 – DA DOENÇA OCUPACIONAL – EQUIPARAÇÃO A ACIDENTE DE TRABALHO Conforme observa-se nos exames e relatórios em anexo, o autor apresenta vários e sérios problemas de saúde, tais como: 1º. COLUNA CERVICAL: TRANSTORNOS DOS DISCOS CERVICAIS [ M 50 ]: resultantes dos desgastes que vem sofrendo, por carregar peso na sua jornada de seu trabalho, como dores contínuas e fortes, que o impedem de manter uma vida normal diante de suas necessidades habituais e laborais. cervicalgia por abaulamento duscal C5, C6, C7: que lhe causa dor e desconforto constantes. A fisioterapia sem sucesso, é prova da severidade patológica, sendo encaminhado para cirurgia porém, devido a vários problemas internos do seu convênio médico, não conseguiu marcá-la até o presente momento, tendo que suportar o desconforto crescente físico mental que esta ansiedade de impotência lhe causa. ESPONDILOLISTESE: sendo esta um deslizamento de um corpo vertebral no sentido anterior, posterior ou lateral em relação à vértebra de baixo, o qual ocasiona dor ou sintomatologia de irritação de raiz nervosa e grande irritabilidade ao desconforto. Uncoartrose: é um desgaste nos processos unciformes das vértebras cervicais, ocasionadas pelo conjunto de alterações provocadas pela artrose da coluna cervical, levando à diminuição do diâmetro dos forames intervertebrais (espaços por onde passam as raízes nervosas). Quanto aos sintomas, estes são muitos e contínuos: Perda de amplitude articular na região do pescoço, enrijecimento da musculatura adjacente, Dor nos braços com sensação de formigamento, perda da força muscular (pescoço e braços). 2º. MEMBROS SUPERIORES: Síndrome do manguito rotador - tendinopatia do supraespinhal: lesão do músculo localizado no ombro, mais especificamente na face dorsal superior, sendo componente do grupo de quatro músculos que formam o manguito rotador, responsável pela rotaçãodo ombro. Esta lesão, que além de provocar dor, impede a liberdade dos membros superiores, que se desenvolve e se agrava mais, especificamente, àqueles que carregam sobrecarga de peso e que se submetem a esforços repetitivos, como é o caso de requerente. FRATURA DO 5º METACARPO DA MÃO ESQUERDA. O Autor, desiquilibrou-se e caiu da escada, seu estado debilitado e dores, constantes, na coluna, associado ao seu mal estar físico, contribuiu sua queda, que lhe ocasionou fratura do 5º metacarpo. Assim, para maiores clareza e observância de seus fundamentos, segue tabela abaixo com as respectivas informações, médicos e datas diagnosticadas: Data / Medico 20.02.2017 Dr. Júlio César R. Barros Neurologista/neurocirurgia CRM 65067 exame Encaminhamento para Equipe de Coluna de Operação conclusão 20.09.2016 Dr. James Chen CRM:47985 ULTRASSONOGRAFIA DO OMBRO ESQUERDO Tendinopatia do supraespinha 30.03.2016 Dra. Eloisa Amaral da Silva CRM 59848 Ressonância Magnética a coluna Cervical Barras disco-osteofitárias posteriores nos níveis C4-C5 e C5-C6 e com predomínio centrolateral e foraminal medial direito em C3-C4. - Abaulamento posterior do disco intervertebral no nível C6-C7 -Uncoartrose bilateral nos níveis C3-C4, C4-C5 e C5-C6 15.01.2016 Dr.Edgar Santiago Valesin Filho Ressonância Magnética a coluna Cervical 31.10.2016 Dr. Júlio Cesar R Barros, Neurologista /Neurocirurgia CRM 65067 Relatório médico Consulta com Equipe de referência em coluna (URGENTE) 29.11.2016 Dr. Clemente A. B. Peretra (Neurocirurgia CRM12576) Relatório médico Tem diagnóstico M 50.2, 27.10.2016 Dr. Clemente A. B. Peretra (Neurocirurgia CRM12576) Relatório médico Barras discoosteofitárias post níveis c4-c5 e c5- c6 + unconastrose bilat dos níveis c3-c4 e c4-c5 e c5 – (CERVICALGIA) 08.11.2016 Sergio Fusari Medico do Trabalho CRM 81530 Relatório Médico Cervicalgia por abaulamento discal C5-C6-C7 31/10/2016 Dr. Júlio César R. Barros CRM: 65067 Solicita consulta com equipe de referência em coluna da operadora, Hospital Vital. URGÊNCIA 10/06/2016 Dr. Sergio Meleiro CRM 153204 Cervicalgia, comprimindo saco dural. Fisioterapia ineficiente. Afastamentar-se cid: M50 e M54.2 16/12/2015 Dra. Priscila CARNEIRO HIRAI CRM: 105119 Dexa Citoneurim (5000) = Tratamento dos sinais e sintomas de neuropatias inflamatórias 30/10/2015 Dr. Jefferson P. Mello Fº Cirurgia Geral CRM 115943 Ser dispensado por 35 dias de suas atividades profissionais. 18/9/2015 Dra. Priscila CARNEIRO HIRAI CRM: 105119 Dexa Citoneurim (5000) = Tratamento dos sinais e sintomas de neuropatias inflamatórias. 11/08/2015 Dra. Eloisa Amaral da Silva CRM 59848 Abaulamento posterior do disco intervertebral no nível C6-C7. Uncoartrose nos níveis C3-C4, C4-C5,C5-C6. 07/08/2015 Dra. Priscila CARNEIRO HIRAI CRM: 105119 Paciente foi submetido a retirada de material de sintese (placa de 4 MTC) em 17/6/2015. Apresentando edema local e dor para ADM (pp flexão). Solicito afastamento de suas atividades laborais por 60 dias. 20/05/2015 Dra. Priscila CARNEIRO HIRAI CRM: 105119 Paciente encontra-se no pos-operatório tardio (cirurgia em setembro 2014) de osteossíntese de fratura do 4 metacarpo da mão esquerda. SEM CONDIÇÃO DE RETORNO AS SUAS ATIVIDADES LABORAIS. Certo que tais moléstias foram decorrentes da execução de suas funções na empresa em que labora, as quais exigem muito esforço físico repetitivo, hiperextensão ou hiperflexão da coluna, em sua integralidade, aumentam muito o risco de tornar o segurado incapaz para realizar toda e qualquer atividade. Instar ressaltar que as alterações existentes em sua coluna são causadas por aumento de sobrecarga por anos de labor e toda vez que um disco vertebral se degenera, ele perde sua capacidade de absorção de impacto, transformando o menor impacto em maior dor, além da compressão das vertebras. Na verdade qualquer alteração nos discos ou nas articulações leva a alterações na biomecânica da coluna e movimentos que deveriam ser suaves e bem distribuídos ficam alterados - sobrecarregados - causando as mais diversas alterações degenerativas. FUNDAMENTOS JURÍDICOS 2.1 DO ALTO FALTOSO DA RECLAMADA O reclamante é de origem humilde, necessitando do trabalho para sustento próprio e de sua família. O agente, no caso de lesão à saúde, deve responder pelas despesas de tratamento e lucros cessantes, até o fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido vier a sofrer (artigo 949 do CC). Deveras, além das despesas médicas, o obreiro deve ser indenizado pelos lucros cessantes: remuneração que deveria receber não fosse a doença incapacitante. Ao ingressar no quadro de funcionários da reclamada, o reclamante não possuía nenhuma lesão corporal ou perturbação funcional encontrando-se apto e plenamente capaz, gozando de ótima saúde. O reclamante não efetuou exame físico, nem treinamento específico para o exercício da função (artigo 168, parágrafo segundo da CLT). Com efeito, a atividade desempenhada pelo reclamante exigia esforços físicos acentuados, movimentos repetitivos e desgastantes, posições inadequadas e forçadas e em temperaturas agressivas, que resultam em doenças ortopédicas em toda a extensão dos membros superiores e inferiores, bem assim na parte neurológica e psicológica (depressão), acelerando o eventual processo de envelhecimento que sofre todo o corpo. 2.2 – DA RESPONSABILIDADE E MÉRITO A reclamada faltou com o seu dever de segurança ao permitir que o trabalho causasse dano à saúde do reclamante, expondo-o aos riscos advindos da função sem a devida proteção (ambiente inadequado sem os meios de segurança necessários). O empregador deve proteger seus funcionários contra males desta espécie, bem como zelar pelo respeito e aplicação das normas de segurança do trabalho (Constituição Federal, CLT, Previdência Social, etc.). O entendimento de nossos Tribunais em casos semelhantes é pelo conhecimento da culpa da empregadora, senão vejamos: DOENÇA OCUPACIONAL – INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – CABIMENTO – Verificando-se que a empresa não adotou as medidas necessárias à prevenção contra acidentes ou doenças ocupacionais - de forma a propiciar aos empregados condições adequadas de segurança no desempenho de suas atividades – tem-se caracterizada a culpa patronal. Neste quadro, obriga-se a empresa ao pagamento de indenização por danos morais, em função do sofrimento físico causado ao trabalhador, como também do balo emocional resultante das limitações causadas pela doença, ainda que temporárias. (TRT-6 204022011506 Relator: Ivanildo da Cunha Andrade, Data de publicação: 03.10.2012). Considera-se risco ocupacional a probabilidade de consumação de um dano à saúde ou à integridade física do trabalhador, em função de sua exposição a fatores de riscos no ambiente de trabalho (IN/INSS n.100/2003 – artigo 401). Pelo prisma da teoria do risco criado ou risco profissional, em havendo contrato de trabalho cuja norma exija que o empregador preserve a integridade física do empregado, zelando por sua saúde e segurança, se torna imperiosa a aplicação da Responsabilidade Objetiva, vez que necessária, apenas e tão somente, a demonstração do dano e do nexo da causalidade, sendo a culpa decorrente do procedimento afeto a natureza da atividade de risco criada pela reclamada, neste caso, esforço repetitivo, trabalho penoso, condições difíceis de trabalho, entre outros. O risco da atividade é sempre do patrão, e estedeve pautar-se no sentido de proteger à saúde do empregado, oferecendo-lhe um ambiente de trabalho saudável e sem risco. Nesse norte, verifica-se que a atividade da reclamada expôs o reclamante aos riscos dela advindos, fazendo presumir a eventual culpa pelo dano causado ao empregado. Não se trata de admitir a teoria da responsabilidade objetiva, simplesmente. O que se pretende dizer é que o risco já se encontra “previsível e intrínseco” na natureza da atividade da empresa, em condições normais de exercício. Frise-se que nestes casos a responsabilidade do patrão é presumida, a teor da súmula 341 do STF. O simples fato de a função oferecer risco ergonômico significa que a reclamada deveria cuidar melhor da segurança e da saúde do reclamante. Não obstante a adoção da Teoria do Risco encontra-se ainda no caso em comento explicitado: a ação/omissão (descumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho; condições plenas de trabalho, segurança, conforto higiene, exposição a agente de risco físico e ergonômico, ausência de EPI) e os danos com incapacidade funcional dos órgãos afetados, assim como o nexo de causalidade (causa/efeito) entre a ação e a omissão e o dano . Nesse sentido, o reclamante postula a aplicação da Teoria do Risco Criado/Responsabilidade Objetiva, com a inversão do ônus da prova, ou sucessivamente a Teoria da Culpa – faces as omissões quanto às cautelas devidas. A responsabilidade da Reclamada, consubstanciada no dever de reparar o dano é notória e imperativa. O Código Civil pátrio assim o quer, quando regula em seu artigo 186, “verbis”: “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência violar ou causar prejuízo a outrem fica obrigado a reparar o dano”. Logo, a exigência legal foi obedecida na sua íntegra, razão pela qual se impõe à Reclamada o dever legal de ressarcir o dano que causou ao reclamante, pessoa simples, humilde, trabalhadora, que trará consigo, para o resto da vida, os dissabores do fato de que foi vítima, fruto do comportamento negligente e censurável da reclamada, que resultou nas doenças de que hoje é portador. 2.3- DO DANO MORAL Irrefutável e concreto, portanto, o abalo moral experimentado pelo reclamante, ao deparar com sua invalidez, resultada pela lesão sofrida em virtude da doença ocupacional que foi acometida e ainda por todo abalo psicológico que seus efeitos geraram. Não se pode olvidar que as dores suportadas pelo reclamante, bem como as inconveniências pertinente (DEBILIDADE), hão de ser reconhecidas por este juízo para valoração da obrigação de indenizar da reclamada. É de se observar, Excelência, que a invalidez do reclamante, a levou, indubitavelmente, a um estado de sofrimento implacável de forma constante, que interferiu e interfere intensamente no seu comportamento psíquico, causando-lhe angústia, aflição, dor e longos momentos de autotortura psicológica, penalizando todos que estão à sua volta (parente, amigos, desconhecidos, médicos, ...). O abalo moral do reclamante consiste tanto na dor íntima, quanto nas dores físicas suportadas; tendo sensações múltiplas de desconforto, desamparo, de baixa consideração como pessoa, haja a vista a DEBILIDADE PERMANENTE, bem como o efeito depressivo de quem vive ativamente do seu labor e resta IMPEDIDO DE EXERCER SUAS ATIVIDADES HABITUAIS. À luz da Constituição Federal vigente, dano moral é a agressão à dignidade humana, assim: “Artigo 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) X- São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização por dano material ou moral decorrente de sua violação”. No tange à prova do Dano Moral, esta decorre inexoravelmente da gravidade do próprio fato ofensivo (perda capacidade laborativa), de sorte que, provado o fato, provado está o dano moral. Quanto ao valor da indenização, cumpre esclarecer que a soma em dinheiro neste caso servirá apenas para compensar o mal infligido, pois não há retorno ao “status quo ante”. Portanto, ao arbitrar a indenização por dano moral, a Justiça Trabalhista deve atuar como guardiã, não somente dos direitos do reclamante, mas, também, da sociedade. Em assim sendo, o reclamante sugere o montante fixado em R$ 100.000,00 (cem mil reais), concedidos de uma só vez, a título de indenização pelo dano moral, tendo como base a capacidade financeira da reclamada, os padecimentos causados (perda da capacidade laborativa), assim como, as circunstâncias traumáticas e irreversíveis suportadas pelo reclamante. 2.4 DO DANO MATERIAL A busca por uma indenização pode ser compreendida como uma compensação, pois indenizar significa reparar o dano causado à vítima, e se possível, restaurar o estado anterior. Entretanto, como na causa em debate a modificação fática do mundo exterior é impossível face à irreversibilidade dos acontecimentos, só resta ao reclamante ser compensada por todos os danos, material e moral, sofridos em decorrência do acidente de trabalho ocorrido na reclamada. Deveras, o direito à indenização pode ser compreendida como uma compensação, pois indenizar significa reparar o dano causado à vítima, e se possível, restaurar o estado anterior. Entretanto, como na causa em debate a modificação fática do mundo exterior é impossível face à irreversibilidade dos acontecimentos, só resta ao reclamante ser compensada por todos os danos, material e moral, sofridos em decorrência do acidente do trabalho ocorrido na reclamada. Deveras, o direito à indenização por danos materiais é garantido a todo cidadão pela Constituição Federal de 1988, porque o legislador constituinte assim o fez expressamente no artigo 5º, inciso V e X, e para fazer jus a esse direito deve ser demonstrado à existência de ofensa injusta com repercussão patrimonial. E, se o reclamante não pode mais desempenhar sua atividade profissional, pela lógica deixará de auferir seus ganhos para sempre, assim, evidente está à repercussão patrimonial e o dever de indenizar. Assim, não há dúvidas quanto a incapacidade do reclamante, pois se encontra impossibilitada para o exercício de suas funções. Ante a perda da capacidade laborativa, o reclamante está a suportar prejuízos materiais, haja vista a sua incapacidade de prover rendimento para si e seus familiares, donde nasceu seu direito à indenização ora pleiteada, nos termos dos artigos 402, 949 e 950, parágrafo único, do Código Civil. Em que pese ao quantum indenizatório, de acordo com o entendimento de nossos Tribunais, a indenização o Reclamante – enquanto substitutiva dos proventos alimentícios, vez que o mesmo encontra-se incapacitado para o trabalho, deverá, ser ad eternum, ou seja, deverá ser paga até o último dia de sua vida. Contudo, para fins de se calcular o valor da indenização e, como pleiteia o pagamento a uma só vez nos moldes do parágrafo único do artigo 950 do CC, a indenização deverá ser calculada tomando-se em conta a idade que o reclamante provavelmente viverá, e no que diz respeito ao quantum indenizável, aplicar-se-á o valor por ele recebido antes do acidente e de sua prematura INVALIDEZ. Assim sendo, considerando: A remuneração REAL percebida pelo reclamante que, consiste no valor de R$ 1.435,67 (mil quatrocentos e trinta e cinco reais e sessenta e sete centavos), ressaltando, inclusive, que em se tratando de trabalhadorformalmente registrado em CTPS, perceberia inclusive 13º salário e férias, o que também deve ser levado em consideração; b) Considerando, ainda, sua incapacidade aos 50 anos, e, sua expectativa de sobrevida de 29,8, conforme tabela do IBGE de 2013, que atribui E(x)=74,9 anos para ambos os sexos. Passa-se a explanação dos valores a serem considerados para efeito do quantum indenizatório: I-Expectativa de vida de 29,8 anos, multiplicado por 13 meses=387,4 meses. II- 387,4 meses x 528,22 (50% da renda mensal) = R$ 204.632,42 Em recente decisão do Tribunal Superior do Trabalho fora proferida decisão, a qual conferiu o direito da trabalhadora à indenização por danos morais – lucros cessantes – pensão mensal, devido ao reconhecimento da patologia, decorrente de doença ocupacional, senão vejamos: “ACÓRDÃO: Processo nº. RR-0011312-73.2013.5.11.0005 Complemento Processo Eletrônico Relator Min. Mauricio Godinho Delgado Recorrente(s) ESTER MENEZES DA ROCHA, Recorrido(s) SEMP TOSHIBA AMAZONAS S.A. DECISÃO – por unanimidade: I) dar provimento ao agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista; II) conhecer do recurso de revista, quanto ao tema “doença ocupacional – indenização por danos materiais – lucros cessantes – pensão mensal – nexo de causalidade – valor”, por violação do artigo 944 do código Civil, e, no mérito, dar-lhe provimento, no aspecto, para condenar a Reclamada ao pagamento de indenização por danos matérias a título de lucros cessantes, a partir do 16º dia do afastamento previdenciário até a alta médica, e, a partir da alta, convertam-se os lucros cessantes em pagamento de pensão mensal, considerando-se, como termo final do pensionamento, a expectativa de sobrevida da obreira (limite do pedido fl.16 dos autos eletrônicos), em parcelas vencidas e vincendas, no importe de 100% da última remuneração percebida pelo obreiro, levando em conta os reajustes salariais da categoria, incluindo, ainda, os valores relativos ao 13º salário e férias com o terço constitucional (pedido as fl.15 dos autos eletrônicos). Os valores do FGTS não devem ser incluídos na base de cálculo da pensão, pois não faziam parte da renda habitual da trabalhadora. Determina-se, ainda, diante da capacidade econômica da reclamada, a inclusão da pensão mensal conferida a autora na folha de pagamento. Juros incidem a partir da propositura da reclamação trabalhista, em face da exegese dos artigos 36, § 1º da lei nº. 8.177/91 e 883 da CLT. Correção monetária incide na forma da Súmula 381/TST, no tocante aos danos materiais. EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. PROCESSO SOB A EGIDE DA LEI 13.015/2014. DOENÇA OCUPACIONAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. LUCROS CESSANTES. PENSÃO MENSAL. NEXO DE CAUSALIDADE. VALOR. Demonstrado no agravo de instrumento que o recurso de revista preenchia os requisitos do artigo 896 da CLT, dá-se provimento ao agravo de instrumento, para melhor analise da arguição de violação do artigo 944 do Código Civil suscitada no recurso de revista. Agravo de instrumento provido. RECURSO DE REVISTA. PROCESSO SOB A EGIDE DA LEI 13.015/2014.1. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DO TRIBUNAL REGIONAL POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. SUMULAS 184 E 297/TST.2. DOENÇA OCUPACIONAL. DANOS MORAIS. VALOR DA INDENIZAÇÃO. PRINCIPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE OBSERVADOS. Inviável o processamento do recurso de revista, se não preenchidos os requisitos do artigo 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido nos temas. 3. DOENÇA OCUPACIONAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. LECROS CESSANTES. PENSÃO MENSAL. NEXO DE CAUSALIDADE. VALOR. As lesões acidentárias podem causar perdas patrimoniais significativas ao trabalhador. Em primeiro lugar, quanto aos próprios gastos implementados para sua recuperação (além daqueles previdenciariamente acobertados, se for o caso). Em segundo lugar, podem produzir restrição relevante ou, ate mesmo, inviabilização da atividade laborativa do empregado, conforme a gravidade da lesão sofrida. Tais perdas patrimoniais traduzem dano material, que envolve desse modo, duas dimensões, segundo o Direito Civil: aquilo que efetivamente se perdeu (dano emergente) e aquilo que razoavelmente se deixou ou deixar-se-á de ganhar (lucro cessante: por exemplo, redução ou perda da capacidade laborativa0”. Portanto, nos termos do artigo 950, parágrafo único, do Código Civil, requer o reclamante o pagamento da indenização por danos materiais, de uma só vez, no valor de R$ 204.632,42 (duzentos e quatro mil seiscentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos). 2.5 DA ESTABILIDADE O obreiro possui estabilidade de 12 meses a contar da data de cessação do auxílio doença acidentário. O artigo 118 da lei 8.213/91 estabelece: in verbis: “O segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio doença acidentário. Independentemente de percepção de auxílio acidente”. Além disso, sobre a estabilidade decorrente do acidente de trabalho, transcreve-se, abaixo, a Súmula 378 do TST: “Súmula 378 do TST –. Estabilidade provisória. Acidente do trabalho. Artigo 118 da lei 8213/91. Portanto, ao ser reconhecido mediante perícia médica e conformado com os exames e laudos médicos acostados aos autos, ter sido o reclamante vítima de doença ocupacional, e diante da demissão sem justa causa da mesma são devidos o período de 12 meses de trabalho (lei nº. 8.213/91 artigo 118), condenando a reclamada em indenização compensatória nos salários vencidos e vincendos, férias + 1/3, natalinas, aviso prévio e FGTS + 40%. 2.6 DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Trata-se de ação INDENIZAÇÃO POR ACIDENTE DE TRABALHO POR EQUIPARAÇÃO, razão pela qual requer a observância do artigo 5º, da Instrução Normativa 27 do TST, de 16 de fevereiro de 2005, quando dispõe que passam a ser devidos os honorários advocatícios oriundos de sucumbência no âmbito do processo do trabalho, em todas as ações onde não se discuta relação de emprego. Ainda, destaca-se que no XV CONAMAT (Congresso Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), em 2010, foi aprovado o reconhecimento de honorários advocatícios nas reclamações trabalhistas desprovidas de assistência sindical, como mostra a ementa abaixo: “ACESSO À JUSTIÇA. ASSISTÊNCIA JURIDICA NTEGRAL E GRATUITA. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS EM AÇÕES TRABALHISTAS SEM ASSISÊNCIA SINDICAL. (...) Em sua conclusão a tese indica a generalização da prática da condenação judicial dos empregadores vencidos ao pagamento de honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, resultando na real extensão da garantia da gratuidade judiciária, desestimulando a prática de o trabalhador litigante judicial declarar a pobreza par alcançar a dispensa de eventuais despesas judiciais, mas obriga-se a conceder a seu advogado uma porção dos direitos trabalhistas resgatados na ação, bem como resultaria na oneração das condenações judiciais trabalhistas como forma de estímulo a que o patronato observe a legislação trabalhista, e ainda resultaria no desuso progressivo do jus postulandi com o aumento da percepção popular de quem sempre valeria contar com advogado nas lides trabalhistas”. Para tanto a presente ação não versa sobre a relação de emprego, e sim do acidente do trabalho por equiparação. Desta forma, pugna-se pela condenação da reclamada ao pagamento dos honorários advocatícios. 2.7 DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PELA RECLAMADA Nos termos do artigo 355 e 359 do CPC, subsidiariamente aplicável em matéria trabalhista, a reclamada deverá ser instada a juntar os seguinte documentos: Atas confeccionadas pela CIPA; O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA; O Programa de Controle Médico de SaúdeOcupacional – PCMSO; o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP; o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT; todos os exames periódicos realizados ao longo do contrato de trabalho; o contrato social com últimas alterações; os três (03) últimos balanços averbados na JUCEA; Análise Ergonômica; todos os cartões de ponto de todo o período laborativo, sob pena de confissão ficta, quanto aos horários informados na inicial; todos contracheques e ficha financeira do reclamante, todos os referidos documentos com seus planos de ação devidamente executados e comprovados documentalmente, bem como seja juntado o exame admissional do reclamante e o prontuário médico. Necessária a apresentação dos documentos supracitados, no sentido de comprovar as atividades desempenhadas pelo reclamante durante o contrato de trabalho, bem como evidenciar a capacidade financeira da reclamada para que possa ser quantificado os valores a serem arbitrados. 3.DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto, requer a Vossa Excelência: Seja a reclamada citada, nos termos do artigo 221, inciso I e artigo 223, do CPC, para querendo apresentarem a defesa que lhes aprouverem, no prazo legal, sob pena de serem considerados revéis. Que a presente ação seja JULGADA TOTALMENTE PROCEDENTE, condenando a reclamada a indenizar: Por dano moral, com valor sugerido de R$ 100.000,00 (cem mil reais), concedidos de uma só vez, conforme os termos do parágrafo único do artigo 950, do Novo Código Civil, e que em sendo rejeitado esse quantum que seja arbitrado por Vossa Excelência o quantum indenizatório extrapatrimonial, consoante o artigo 289, do CPC; Por dano material, no valor de R$ R$ 204.632,42 (duzentos e quatro mil seiscentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), concedidos de uma vez só, conforme os termos do parágrafo único do artigo 950, do novo Código Civil, devidamente corrigidos e com aplicação dos juros legais. Que a indenização seja acrescida de juros legais de 1% (um por cento) ao mês, mais a correção monetária legal, conforme índices legais, e também a correção salarial concedido a sua categoria; Requer que a reclamada junte aos autos os seguintes documentos: Atas confeccionadas pela CIPA; O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA; O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO; o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP; o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT; todos os exames periódicos realizados ao longo do contrato de trabalho; o contrato social com últimas alterações; os três (03) últimos balanços averbados na JUCEA; Análise Ergonômica; todos os cartões de ponto de todo o período laborativo, sob pena de confissão ficta, quanto aos horários informados na inicial; todos contracheques e ficha financeira do reclamante, todos os referidos documentos com seus planos de ação devidamente executados e comprovados documentalmente, bem como seja juntado o exame admissional do reclamante e o prontuário médico. Protesta e requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a de oitiva de testemunhas, bem como da reclamada. Requer a intimação de todos os atos processuais exclusivamente em nome do patrono, LEOMAR SARANTI DE NOVAIS – OAB/SP 290.279 e ZENAIDE ALVES FERREIRA – OAB/SP 233.129, com escritório profissional na Rua Adolfo Bastos, 481, sala 1, Vila Bastos, Santo André – SP, CEP 09041-900, fone (11) 4901-1134 ou pelo e-mail-: ferreira.novais@yahoo.com, sob pena de nulidade, nos termos do artigo 236 §1º do Código de Processo Civil. Concessão de assistência judiciária gratuita, nos termos do artigo 5º, inciso LXXIV, da CF, e nos termos do artigo 4º, da lei nº. 1.060/50 e 7.510/86, por ser pobre no sentido da lei, não podendo dispor de recursos para demandar sem prejuízo do sustento próprio e da família. A condenação em honorários advocatícios, conforme fundamentação acima. Sendo reconhecido o nexo causal ou concausal entre a patologia do obreiro e o labor, requer a expedição de CAT pela reclamada, bem como indenização pela estabilidade acidentária, conforme fundamentação acima; Por fim, dá-se à presente o valor de R$ 304.632,42 (trezentos e quatro mil seiscentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos). Termos em que, Pede deferimento. Santo André, 28 de setembro de 2017. ___________________________ _______________________________ LEOMAR SARANTI DE NOVAIS ZENAIDE ALVES FERREIRA OAB/SP290.279 OAB/SP 233.129 R. Adolfo Bastos, 481, sala 01, Vila Bastos , Santo André/São Paulo tel.(11)49011134 e-mail. ferreira.novais@yahoo.com