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Unidade 1 - O Direito Internacional Contemporâneo
1.1. Vertentes do Direito Internacional: o Direito Internacional Público e o Privado
1.2. O Direito Internacional Público
1.2.1. Fundamentos e noções preliminares
O estudo do fundamento do Direito Internacional Público visa determinar o motivo pelo qual as normas internacionais
são obrigatórias. Há duas teorias: a voluntarista e a objetivista.
O voluntarismo é uma corrente doutrinária cujo elemento central é a vontade dos sujeitos de Direito Internacional. Para
o voluntarismo os Estados e organizações internacionais devem observar as normas internacionais porque expressaram
livremente a concordância em fazê-lo. Repousa, portanto, no consentimento dos Estados, na vontade dos Estados. É
também chamado de “corrente positivista”.
Deve-se destacar que o principal fundamento dos tratados vem a ser um dos princípios da sociedade internacional:
o Pacta Sunt Servanda, que poderíamos definir como aquilo que foi pactuado deve ser cumprido.Segue o artigo 26 da
Convenção de Viena: “Artigo 26 – Todo tratado em vigor vincula as Partes e deve ser por elas cumprido de boa fé”.
O objetivismo sustenta que a obrigatoriedade do Direito Internacional decorre da existência de valores, princípios ou
regras que se revestem de uma importância tal que delas podem depender o bom desenvolvimento e a própria existência
da sociedade internacional. Nesse sentido, tais normas, que surgem a partir da própria dinâmica da sociedade
internacional e que existem independente da vontade dos sujeitos de Direito Internacional, colocam-se acima da
vontade dos Estados e devem, portanto, pautar as relações internacionais, devendo ser respeitadas por todos.
1.2.2. A sociedade internacional
1.2.2.1. A globalização: complexidade da noção de sociedade internacional contemporânea
Vamos abordar aqui as 3 principais características da Sociedade Internacional Contemporânea que a diferencia da
sociedade que a precedeu. São elas: a universalização ou mundialização; os novos atores internacionais e a anarquia no
cenário internacional.
A universalização é caracterizada por um cenário internacional caminhando para a unidade, marcado pela eliminação
das fronteiras. Um bom exemplo para essa tendência são os blocos econômicos (Mercosul, União Europeia).
Os novos atores internacionais representam uma nova ordem mundial, na qual não existem apenas sujeitos
internacionais, dotados de personalidade jurídica internacional; mas também pessoas que apresentam papel de destaque
no cenário internacional. Exemplo: ex-chefes de estado, grupos terroristas.
A anarquia no cenário internacional representa a atual estrutura harmônica, em que os Estados são soberanos e
independentes. A atual sociedade é anárquica, ou seja, marcada pela ausência de um poder central que dite as regras,
oriente e subordine os Estados.
1.2.3. As pessoas internacionais
Sujeitos de direito: todo ente que possui direitos e deveres perante determinada ordem jurídica.
Pessoas internacionais: os destinatários das normas jurídicas internacionais.
Personalidade jurídica do Estado: originária.
Personalidade jurídica das organizações: Derivada.
Indivíduos e empresas: não têm personalidade jurídica .
1.2.4. As fontes do Direito Internacional
O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, na sua função de decidir de acordo com o Direito
Internacional, aplicará as fontes da seguinte forma:
- as convenções internacionais;
- os costumes internacionais;
- os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas;
- as decisões judiciais e as doutrinas dos publicitários de maior competência das diversas nações.
Unidade 2 - O Estado
2.1. Elementos
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2.1.2. Redimensionamentos da noção de soberania
2.1.3. Responsabilidade Estatal
Os elementos essenciais da responsabilidade internacional são os mesmos estabelecidos para a responsabilidade civil,
quais sejam: a) objetivos: ato ilícito, imputabilidade e dano, e b) subjetivos: nexo de causalidade.
Todavia, em direito internacional não se busca a responsabilidade subjetiva, mas apenas e tão somente a objetiva, pela
qual caracteriza-se o ato ilícito (autoria típica de violação de norma de direito internacional) e que pode ser levada a
efeito tanto por um chefe de Estado ou de Governo, um diplomata, um ministro ou ainda e também um representante
dos demais órgãos componentes do poder legislativo ou judiciário, incorrendo, assim, na possível imputação.
2.1.4. Imunidade Estatal
A imunidade de jurisdição é entendida como “o privilégio reconhecido a certas pessoas estrangeiras, em virtude dos
cargos ou funções que exercem, de escaparem à jurisdição, tanto civil quanto criminal, do Estado em que se
encontram”[1]. Tem como fundamento a necessidade de ser assegurado o respeito à independência do Estado a que
essas pessoas pertencem.
As Convenções de Viena sobre relações diplomáticas (1961) e consulares (1963), promulgadas no Brasil pelos Decretos
56.435/1965 e 61.078/1967, estabelecem prerrogativas e imunidades às pessoas e bens ali indicados.
O Diplomata representa o Estado de origem junto à soberania local, e para o trato bilateral dos assuntos de Estado.
A seu turno,o Cônsul representa o Estado de origem com o intuito de atender, no território em que atue, aos interesses
privados de seus compatriotas que ali se encontrem ou aos nacionais que pretendam visitar aquele país, ou estabelecer
negociações comerciais.
Neste ponto, de acordo com a Convenção de Viena de 1961, os membros do quadro diplomático de carreira (in
casu, brasileiro, do embaixador ao terceiro-secretário), e os membros do quadro administrativo e técnico oriundos do
Estado acreditante (tradutores, contabilistas), usufruem de ampla imunidade de jurisdição penal, civil e tributária.
Os locais da missão diplomática, bens e locais residenciais utilizados pelos diplomatas, arquivos e documentos são
fisicamente invioláveis, não podendo ser objeto de busca, requisição ou qualquer medida de execução.
Neste passo, as Missões Diplomáticas permanentes compreendem Embaixadas em Estados estrangeiros e Delegações
Permanentes junto a Organismos Internacionais, como a ONU e a OMC, por exemplo.
Os Cônsules e funcionários consulares, nos termos da Convenção de Viena de 1963, usufruem de inviolabilidade física
e de imunidade ao processo penal ou cível, apenas no tocante aos atos de ofício.Vale destacar, que estes privilégios,
assim limitados, não se estendem aos membros familiares e nem a instalações residenciais (salvo a residência do Cônsul
quanto a isenção de impostos).
Os locais consulares são invioláveis na medida estrita de sua utilização funcional, e gozam de imunidade tributária .São
invioláveis, em qualquer circunstância e onde quer que se encontrem, os arquivos e documentos consulares.
A imunidade penal dos Cônsules, por ser limitada aos atos de ofício, autoriza, nos casos de crimes comuns, que sejam
processados e punidos no local. Não são puníveis, pois, pelo Estado local, os crimes relacionados com a função
consular, tais como fraudes em passaportes, guias de exportação, entre outros.
Somente o Estado acreditante, e ninguém mais, pode renunciar às imunidades de índole penal e civil de que usufruem
os seus representantes diplomáticos e consulares.Em caso algum, o próprio beneficiário da imunidade dispõe do direito
de renúncia.
Obs: A imunidade diplomatica é mais ampla que a consular, enquanto aprimeira é absoluta em materia, civil, penal e
tributária, a outra, é estendida apenas aos atos de ofício.
Imunidade absoluta: atos deImpério
Imunidade relativa: atos de gestão
Não há imunidade absoluta de jurisdição com relação a matéria trabalhista. ( OJ 416)
“Imunidade de jurisdição. Organização ou organismo internacional. As organizações ou organismos internacionais
gozam de imunidade absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento
jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados.
Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à cláusula de imunidade
jurisdicional”.
Por todo o exposto pode-se concluir que:
(i) a atual jurisprudência brasileira consagrou posição que afasta a figura da imunidade absoluta do Estado estrangeiro,
submetendo-o à jurisdição nacional quando pratica os denominados atos de gestão;
(ii) tal relativização em nada modifica a situação da imunidade diplomática e consular prevista nas Convenções de
Viena de 1961 e 1963;
(iii) a imunidade de jurisdição relativa é aplicável ao processo de conhecimento, não sendo estendida ao processo de
execução, salvo renúncia expressa e específica do Estado estrangeiro; (iv) é inviável, à luz do direito internacional, a
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adoção de medidas de constrição de bens afetados à missão diplomática, inclusive numerário depositado em contas
correntes.
A execução de bens de Estados estrangeiros somente é possível no caso de expressa renúncia por parte do executado.
Imunidade diplomática ( Convenção de Viena)
Os locais da Missão são invioláveis
Os locais da Missão, em mobiliário e demais bens nêles situados, assim como os meios de transporte da Missão, não
poderão ser objeto de busca, requisição, embargo ou medida de execução
O Estado acreditante e o Chefe da Missão estão isentos de todos os impostos e taxas, nacionais, regionais ou
municipais, sôbre os locais da Missão de que sejam proprietários ou inquilinos, excetuados os que representem o
pagamento de serviços específicos que lhes sejam prestados.
A pessoa do agente diplomático é inviolável. Não poderá ser objeto de nenhuma forma de detenção ou prisão.
A residência particular do agente diplomático goza da mesma inviolabilidade e proteção que os locais da missão .
O agente diplomático gozará de imunidade de jurisdição penal do Estado acreditado. Gozará também da
imunidade de jurisdição civil e administrativa, a não ser que se trate de:
a) uma ação real sôbre imóvel privado situado no território do Estado acreditado, salvo se o agente diplomático o
possuir por conta do Estado acreditado para os fins da missão.
b) uma ação sucessória na qual o agente diplomático figure, a titulo privado e não em nome do Estado, como
executor testamentário, administrador, herdeiro ou legatário.
c) uma ação referente a qualquer profissão liberal ou atividade comercial exercida pelo agente diplomático no
Estado acreditado fora de suas funções oficiais.
O agente diplomático não esta sujeito a nenhuma medida de execução a não ser nos casos previstos nas alíneas " a ",
" b " e " c " do parágrafo 1 dêste artigo e desde que a execução possa realizar-se sem afetar a inviolabilidade de sua
pessoa ou residência.
4. A imunidade de jurisdição de um agente diplomático no Estado acreditado não o isenta da jurisdição do Estado
acreditante.
O Estado acreditante pode renunciar à imunidade de jurisdição dos seus agentes diplomáticos e das pessoas que gozam
de imunidade nos têrmos do artigo 37.
2. A renuncia será sempre expressa.
O agente diplomático gozará de isenção de todos os impostos e taxas, pessoais ou reais, nacionais, regionais ou
municipais, com as exceções seguintes:
a) os impostos indiretos que estejam normalmente incluídos no preço das mercadorias ou dos serviços;
b) os impostos e taxas sôbre bens imóveis privados situados no território do Estado acreditado, a não ser que o
agente diplomático os possua em nome do Estado acreditante e para os fins da missão;
c) os direitos de sucessão percebidos pelo Estado acreditado, salvo o disposto no parágrafo 4 do artigo 39;
d) os impostos e taxas sôbre rendimentos privados que tenham a sua origem no Estado acreditado e os impostos
sôbre o capital referentes a investimentos em emprêsas comerciais no Estado acreditado.
e) os impostos e taxas que incidem sôbre a remuneração relativa a serviços específicos;
f) os direitos de registro, de hipoteca, custas judiciais e impôsto de selo relativos a bens imóveis, salvo o disposto
no artigo 23.
Os membros da família de um agente diplomático que com êle vivam gozarão dos privilégios e imunidade
mencionados nos artigos 29 e 36, desde que não sejam nacionais do estado acreditado.
Os membros do pessoal administrativo e técnico da missão, assim como os membros de suas famílias que com êles
vivam, desde que não sejam nacionais do estado acreditado nem nêle tenham residência permanente, gozarão dos
privilégios e imunidades mencionados nos artigos 29 a 35 com ressalva de que a imunidade de jurisdição civil e
administrativa do estado acreditado, mencionado no parágrafo 1 do artigo 31, não se estenderá aos atos por êles
praticados fora do exército de suas funções; gozarão também dos privilégios mencionados no parágrafo 1 do artigo 36,
no que respeita aos objetos importados para a primeira instalação.
Os membros do pessoal de serviço da Missão e Os criados particulares dos membros da Missão, que não sejam
nacionais do Estado acreditado nem nêle tenham residência permanente, estão isentos de impostos e taxas sôbre os
salários que perceberem pelos seus serviços. Nos demais casos, só gozarão de privilégios e imunidades na medida
reconhecida pelo referido Estado. Todavia, o Estado acreditado deverá exercer a sua jurisdição sôbre tais pessoas de
modo a não interferir demasiadamente como o desempenho das funções da Missão.
OBS: A ruptura de relações diplomáticas ou consulares entre as partes, no que toca a tratado entre elas pactuado, nos
termos da Convenção de Viena sobre direito dos tratados:
não afeta as relações jurídicas estabelecidas por elas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações
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diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado .
2.1.5. Nacionalidade:
A) NACIONALIDADE ORIGINÁRIA:
jus soli ----O indivíduo tem a nacionalidade do terRitorio que nasceu.(continente americano)
jus sanguinis ---- O indivíduo tem a nacionalidade de seus genitores, qualquer que seja o lugar de seu nascimento.
( continente europeu)
sistema misto----Os Estados não adotam rigidamente um só critério.
OBS: Brasil, regra geral do jus soli ( art 12, I , a da CF)
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a
serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República
Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira
competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze
anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
Constituição.
B) FORMAS DE AQUISIÇÃO DE NACIONALIDADE
NACIONALIDADE ORIGINÁRIA: com o nascimento (jus soli ou jus sanguinis)
NACIONALIDADE ADQUIRIDA: pela vontade da lei, por permissão da lei,pelo casamento e pela naturalização.
a) pela vontade da lei: art. 69,§ 4 da CF ???????
b) por permissão da lei: os indivíduos a quem a lei se dirige precisa manifestar a sua vontade ) art, 12, II, a e b da CF)
c) pelo casamento:
d ) pela naturalização: No Brasil, a naturalização se concede por portaria do Ministro da Justiça.
C) PERDA DA NACIONALIDADE:
No Brasil:
art 12, §4, da CF: Sera declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
II- adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originaria pela lei estrangeira.
b)de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro........
Obs.: O brasileiro nato, qualquer que seja a natureza e a circunstancia do delito, não pode ser extraditado, pelo Brasil,
a pedido de governo estrangeiro.
EFEITOS DA NATURALIZAÇÃO
A naturalização não tem efeito retroativo, isto é, não isenta o naturalizado de obrigações anteriormente assumidas.
É individual, quer dizer, que não atinge o conjuge, nem seus filhos.
Confere ao naturalizado todos os direitos do nato, exceto os cargos privativos de brasileiros natos: Presidente e vice
pres. da Republica, Presidente da Camara dos deputados, Pres. do SF, Ministro do STF, carreira diplomatica, oficial das
forças armadas, Ministro do Estado de Defesa.
2.1.6. A condição do Estrangeiro:
Legislação: LEI Nº 6.815, DE 19 DE AGOSTO DE 1980.
Define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, cria o Conselho Nacional de Imigração.
Tipos de vistos;
Ao estrangeiro que pretenda entrar no território nacional poderá ser concedido visto:
I - de trânsito; ( por no max. 10 dias)
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II - de turista; ( valido por 5 anos, permanencia total de 180 dias por ano)
III – temporário;
IV - permanente;
V - de cortesia;
VI - oficial; e
VII - diplomático.
Parágrafo único. O visto é individual e sua concessão poderá estender-se a dependentes legais, observado o disposto no
artigo 7º.
Art. 7º Não se concederá visto ao estrangeiro:
I - menor de 18 (dezoito) anos, desacompanhado do responsável legal ou sem a sua autorização expressa;
II - considerado nocivo à ordem pública ou aos interesses nacionais;
III - anteriormente expulso do País, salvo se a expulsão tiver sido revogada;
IV - condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição segundo a lei brasileira; ou
V - que não satisfaça às condições de saúde estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
DEPORTAÇÃO
Art. 57. Nos casos de entrada ou estada irregular de estrangeiro, se este não se retirar voluntariamente do território
nacional no prazo fixado em Regulamento, será promovida sua deportação .
Art. 63. Não se procederá à deportação se implicar em extradição inadmitida pela lei brasileira.
Art. 64. O deportado só poderá reingressar no território nacional se ressarcir o Tesouro Nacional, com correção
monetária, das despesas com a sua deportação e efetuar, se for o caso, o pagamento da multa devida à época, também
corrigida.
EXPULSÃO
Art. 65. É passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem
política ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne
nocivo à conveniência e aos interesses nacionais .
Parágrafo único. É passível, também, de expulsão o estrangeiro que:
a) praticar fraude a fim de obter a sua entrada ou permanência no Brasil;
b) havendo entrado no território nacional com infração à lei, dele não se retirar no prazo que lhe for determinado para
fazê-lo, não sendo aconselhável a deportação;
c) entregar-se à vadiagem ou à mendicância; ou
d) desrespeitar proibição especialmente prevista em lei para estrangeiro.
Art. 66. Caberá exclusivamente ao Presidente da República resolver sobre a conveniência e a oportunidade da
expulsão ou de sua revogação.
Parágrafo único. A medida expulsória ou a sua revogação far-se-á por decreto.
Art. 75. Não se procederá à expulsão:
I - se implicar extradição inadmitida pela lei brasileira; ou
II - quando o estrangeiro tiver:
a) Cônjuge brasileiro do qual não esteja divorciado ou separado, de fato ou de direito, e desde que o casamento
tenha sido celebrado há mais de 5 (cinco) anos; ou
b) filho brasileiro que, comprovadamente, esteja sob sua guarda e dele dependa economicamente.
§ 1º. não constituem impedimento à expulsão a adoção ou o reconhecimento de filho brasileiro supervenientes ao
fato que o motivar.
§ 2º. Verificados o abandono do filho, o divórcio ou a separação, de fato ou de direito, a expulsão poderá efetivar-
se a qualquer tempo.
EXTRADIÇÃO
Art. 76. A extradição poderá ser concedida quando o governo requerente se fundamentar em tratado, ou quando
prometer ao Brasil a reciprocidade.
Art. 77. Não se concederá a extradição quando:
I - se tratar de brasileiro, salvo se a aquisição dessa nacionalidade verificar-se após o fato que motivar o pedido;
II - o fato que motivar o pedido não for considerado crime no Brasil ou no Estado requerente;
III - o Brasil for competente, segundo suas leis, para julgar o crime imputado ao extraditando;
IV - a lei brasileira impuser ao crime a pena de prisão igual ou inferior a 1 (um) ano;
V - o extraditando estiver a responder a processo ou já houver sido condenado ou absolvido no Brasil pelo mesmo fato
em que se fundar o pedido;
VI - estiver extinta a punibilidade pela prescrição segundo a lei brasileira ou a do Estado requerente;
VII - o fato constituir crime político; e
VIII - o extraditando houver de responder, no Estado requerente, perante Tribunal ou Juízo de exceção.
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§ 2º Caberá, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal, a apreciação do caráter da infração.
Art. 78. São condições para concessão da extradição:
I - ter sido o crime cometido no território do Estado requerente ou serem aplicáveis ao extraditando as leis penais
desse Estado; e
II - existir sentença final de privação de liberdade, ou estar a prisão do extraditando autorizada por Juiz, Tribunal ou
autoridade competente do Estado requerente, salvo o disposto no artigo 82.
Art. 79. Quando mais de um Estado requerer a extradição da mesma pessoa, pelo mesmo fato, terá preferência o pedido
daquele em cujo território a infração foi cometida.
§ 1º Tratando-se de crimes diversos, terão preferência, sucessivamente:
I - o Estado requerente em cujo território haja sido cometido o crime mais grave, segundo a lei brasileira;
II - o que em primeiro lugar houver pedido a entrega do extraditando, se a gravidade dos crimes for idêntica; e
III - o Estado de origem, ou, na suafalta, o domiciliar do extraditando, se os pedidos forem simultâneos.
§ 2º Nos casos não previstos decidirá sobre a preferência o Governo brasileiro.
§ 3º Havendo tratado ou convenção com algum dos Estados requerentes, prevalecerão suas normas no que disserem
respeito à preferência de que trata este artigo.
Art. 80. A extradição será requerida por via diplomática ou, quando previsto em tratado, diretamente ao
Ministério da Justiça, devendo o pedido ser instruído com a cópia autêntica ou a certidão da sentença condenatória ou
decisão penal proferida por juiz ou autoridade competente.
Art. 83. Nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal
sobre sua legalidade e procedência, não cabendo recurso da decisão.
Art. 88. Negada a extradição, não se admitirá novo pedido baseado no mesmo fato.
É expressamente proibida pela CF a extradição, mas a entrega de brasileiro nato a autoridades estrangeiras é permitido.
( TPI)
DIREITOS E DEVERES DO ESTRANGEIRO
O estrangeiro residente no Brasil goza de todos os direitos reconhecidos aos brasileiros, nos termos da Constituição e
das leis.
Sempre que lhe for exigido por qualquer autoridade ou seu agente, o estrangeiro deverá exibir documento
comprobatório de sua estada legal no território nacional.
Ao estrangeiro que se encontra no Brasil ao amparo de visto de turista, de trânsito ou temporário na condição de
estudante, bem como aos dependentes de titulares de quaisquer vistos temporários é vedado o exercício de atividade
remunerada.
Ao estrangeiro titular de visto temporário e ao que se encontre no Brasil na condição de trabalhador de país limítrofe, é
vedado estabelecer-se com firma individual, ou exercer cargo ou função de administrador, gerente ou diretor de
sociedade comercial ou civil, bem como inscrever-se em entidade fiscalizadora do exercício de profissão
regulamentada.
Aos estrangeiros portadores do visto na condição de cientista, professor, técnico ou profissional de outra categoria, sob
regime de contrato ou a serviço do Governo brasileiro, é permitida a inscrição temporária em entidade fiscalizadora
do exercício de profissão regulamentada.
O estrangeiro admitido na condição de temporário, sob regime de contrato, só poderá exercer atividade junto à entidade
pela qual foi contratado, na oportunidade da concessão do visto, salvo autorização expressa do Ministério da Justiça,
ouvido o Ministério do Trabalho.
O estrangeiro registrado é obrigado a comunicar ao Ministério da Justiça a mudança do seu domicílio ou residência,
devendo fazê-lo nos 30 (trinta) dias imediatamente seguintes à sua efetivação.
O portador de visto de cortesia, oficial ou diplomático só poderá exercer atividade remunerada em favor do Estado
estrangeiro, organização ou agência internacional de caráter intergovernamental a cujo serviço se encontre no País, ou
do Governo ou de entidade brasileiros, mediante instrumento internacional firmado com outro Governo que encerre
cláusula específica sobre o assunto.
Ao titular de quaisquer dos vistos referidos não se aplica o disposto na legislação trabalhista brasileira.
Prestar assistência religiosa a estabelecimento de internação coletiva sujeita o estrangeiro a pena de detenção e
expulsão. (QC)
Art. 106. É vedado ao estrangeiro:
I - ser proprietário, armador ou comandante de navio nacional, inclusive nos serviços de navegação fluvial e lacustre;
II - ser proprietário de empresa jornalística de qualquer espécie, e de empresas de televisão e de radiodifusão,
sócio ou acionista de sociedade proprietária dessas empresas;
III - ser responsável, orientador intelectual ou administrativo das empresas mencionadas no item anterior;
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IV - obter concessão ou autorização para a pesquisa, prospecção, exploração e aproveitamento das jazidas, minas e
demais recursos minerais e dos potenciais de energia hidráulica;
V - ser proprietário ou explorador de aeronave brasileira, ressalvado o disposto na legislação específica;
VI - ser corretor de navios, de fundos públicos, leiloeiro e despachante aduaneiro;
VII - participar da administração ou representação de sindicato ou associação profissional, bem como de entidade
fiscalizadora do exercício de profissão regulamentada;
VIII - ser prático de barras, portos, rios, lagos e canais;
IX - possuir, manter ou operar, mesmo como amador, aparelho de radiodifusão, de radiotelegrafia e similar, salvo
reciprocidade de tratamento; e
X - prestar assistência religiosa às Forças Armadas e auxiliares, e também aos estabelecimentos de internação
coletiva.
§ 1º O disposto no item I deste artigo não se aplica aos navios nacionais de pesca.
§ 2º Ao português, no gozo dos direitos e obrigações previstos no Estatuto da Igualdade, apenas lhe é defeso:
a) assumir a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa das empresas mencionadas no item
II deste artigo;
b) ser proprietário, armador ou comandante de navio nacional, inclusive de navegação fluvial e lacustre, ressalvado
o disposto no parágrafo anterior; e
c) prestar assistência religiosa às Forças Armadas e auxiliares.
Art. 107. O estrangeiro admitido no território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem se
imiscuir, direta ou indiretamente, nos negócios públicos do Brasil.
Unidade 3
3.1. Os Tratados Internacionais
3.2. Definição e conceitosUm tratado internacional é um acordo[1] resultante da convergência das vontades de dois
ou mais sujeitos de direito internacional,[1]formalizada num texto escrito,[2] com o objetivo de produzir efeitos
jurídicos[1] no plano internacional. Em outras palavras, o tratado é um meio pelo qual sujeitos de direito internacional –
principalmente os Estados nacionais e as organizações internacionais – estipulam direitos e obrigações entre si.
3.3. Classificação e fundamentos
Quanto ao número de partes
Os tratados podem ser bilaterais (duas Partes) ou multilaterais (mais de duas Partes). Alguns juristas distinguem, ainda,
os tratados plurilaterais (mais de duas Partes), reservando o termo “multilateral” ao tratado com grande número de
Partes.
Quanto à natureza do objeto
Alguns juristas classificam os tratados em normativos e contratuais, segundo produzam norma de conduta para as Partes
(“tratado-lei”) ou apenas resultem num negócio jurídico (“tratados-contrato”).Outros negam validade a este tipo de
distinção.
O tratado por ter prazo determinado ou indeterminado para a sua efetivação. O tratado de prazo determinado fixa a data
de inicio e indica também a data que o mesmo deveria ter o seu término.
3.4. Condições de validade, efeitos e execução
CAPACIDADE DAS PARTES
A primeira condição de validade dos tratados internacionais no Brasil diz respeito à capacidade das partes. O Direito
Internacional Público consagra como atores capazes de concluir tratados, não só apenas os Estados soberanos, mas
também as organizações internacionais.
Conjugação de Vontades
No ordenamento jurídico brasileiro, os tratados internacionais são disciplinados diretamente na Constituição Federal. O
art. 84, VIII, disciplina ser ato privativo do Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos
internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional. Complementando esse artigo, diz o art. 49, I que é da
competência exclusiva do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais
que acarretem encargos ou compromisso gravosos ao patrimônio nacional.Outras Condições de Validade
Há outras condições de validade para os tratados internacionais no Brasil, mas que na são tratadas de forma específica
pelo ordenamento jurídico pátrio, sendo disciplinadas pela própria Convenção de Viena.
Uma dessas condições é que o objeto dos tratados internacionais deve ser lícito e possível. Essa licitude envolve tanto o
plano do direito como da moral. O artigo 53 da Convenção exige um respeito ao ius cogens que são os princípios
gerais do Direito Internacional.
Outra condição geral é a de que o consentimento de adesão de um Estado ao tratado deve ser mútuo e livre, ocorrendo
de forma expressa e inequívoca. Existindo atos ilícitos como erro, dolo, corrupção e coação e sendo estes
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devidamente comprovados, o tratado será passível de nulidade ou anulabilidade.
É importante destacar que a violação de disposições de direito interno sobre competência para concluir tratados também
é causa de nulidade. No caso do Brasil, então, se o tratado não for referendado pelo Congresso Nacional, será inválido.
3.5. Fases de elaboração
FASES :
A) EXTERNA:
NEGOCIAÇÃO
ASSINATURA: ( ART 84, VIII, CF) COMPETENCIA PRIVATIVA DO PRES. DA REPUBLICA
B) INTERNA:
CN (COMP. EXCLUSIVA) : DECRETO LEGISLATIVO
RATIFICAÇÃO PELO PRES.REP. ( ATO DISCRICIONÁRIO) DECRETO EXECUTIVO
PROMULGAÇÃO
PUBLICAÇÃO
VIGENCIA
OBS: comp. privativa: pode delegar, a exclusiva, não.
3.6. A relação entre o direito interno e o direito internacional: dualismo e monismo
Defende a teoria dualista que o Direito Internacional e o Direito Interno são dois sistemas jurídicos distintos e
independentes, regulando o último as relações entre os Estados e, por conseguinte, não originando obrigações para os
indivíduos.
Já a teoria monista determina que o Direito é único tanto nas relações do Estado para com a sociedade, quanto nas
relações entre Estados. Esta teoria ainda divide-se em duas correntes. A denominada Monismo internacionalista prevê
que, existindo dúvida entre a aplicação de normas do Direito Internacional face o Direito Interno a norma internacional
prevalecerá sobre a interna. A outra, chamada de Monismo nacionalista defende que nesta mesma situação, a primazia
será do direito Interno sobre o Direito Internacional.
A Constituição Federal é silente quanto à teoria adotada pelo Brasil. Contudo, o Supremo Tribunal Federal se
posicionou no sentido da aplicação da Teoria Dualista moderada, recebendo o Tratado Internacional status de Lei
Ordinária, por disposição constitucional, salvo os casos de Tratados sobre Direitos Humanos, cujo 2º do
artigo 5º da CF lhes atribui eficácia de norma supralegal.
3.6.1. A incorporação dos Tratados no Brasil
Na atual regime jurídico brasileiro atual, os tratados em geral, para ingressarem na ordem jurídica interna, devem ser
submetidos a um longo processo. Desde o início de sua formação até a incorporação, são identificadas seis
fases: a) negociação; b) assinatura; c) mensagem ao Congresso; d) aprovação parlamentar mediante decreto
legislativo; e)ratificação; f) promulgação do texto do tratado mediante decreto presidencial.
As duas primeiras fases (negociação e assinatura), por força do art. 84, inciso VIII, da CF, são de competência
do Presidente da República. Contudo, em razão da possibilidade de delegação, quem as executa na prática são o
Ministro das Relações Exteriores e os Chefes de Missões Diplomáticas.
Uma vez assinado, começa a fase interna de aprovação e execução do tratado, por meio uma mensagem do
Presidente ao Congresso Nacional. Essa mensagem é um ato político em que são remetidos a justificativa e o inteiro
teor do tratado.
Recebida a mensagem, formaliza-se a procedimento legislativo de aprovação. Iniciando-se na Câmara dos
Deputados (tal como os projetos de lei de iniciativa do Presidente da República) e terminando no Senado, esse
procedimento parlamentar visa à edição de um decreto legislativo, cuja promulgação é deflagrada pelo Presidente do
Senado.
Conforme ensina Francisco Rezek, “o decreto legislativo exprime unicamente a aprovação”, razão pela qual ele
não é promulgando na hipótese de rejeição legislativa ao tratado. Nesse caso, como bem registro aquele jurista, “cabe
apenas a comunicação, mediante mensagem, ao Presidente da República”. (REZEK, Francisco. Parlamento e tratados: o
modelo constitucional do Brasil. Revista de Informação Legislativa, v. 41, n.162, abr./jun. 2004).
Caso obtida a aprovação do Congresso, o decreto-legislativo será remetido ao Presidente da República para
a ratificação. Contudo, uma vez ratificados, os tratados em geral ainda não surtem efeitos, quer na ordem interna, quer
na ordem internacional.
Para produzirem efeitos perante o direito internacional, faz-se necessário o envio do instrumento ratificado pelo
Presidente da República ao depositário do tratado, que o protocolará e enviará cópia aos outros Estados que integram o
pacto internacional.
Para produzir efeitos na ordem interna, deve ocorrer apromulgação de Decreto do Poder Executivo (ato com
força de lei) pelo Presidente. Segundo o Ministro Celso de Mello do STF, a edição desse ato presidencial acarreta três
efeitos: a) promulgação do tratado; b) publicação oficial de seu texto; c) executoriedade do ato internacional que passa
então a “vincular e obrigar no plano no plano do direito positivo interno”, tal como uma lei ordinária (STF, ADI nº
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1.480-3/DF, DJ 18/05/2001).
Por fim, cabem aqui duas observações: a) tratados em geral não podem versar sobre temas afetos à lei
complementar, pois possuem força de leis ordinárias (STF, ADI nº 1.480-3/DF, DJ 18/05/2001); b) tratados revogam
leis ordinárias anteriores; porém, esses diplomas internacionais não são revogados por leis posteriores. Estas últimas
apenas afastam sua aplicação enquanto vigorarem. Caso revogada a lei posterior incompatível, o tratado volta a
produzir efeitos.
Incorporação dos tratados sobre Direitos Humanos
EC nº 45/2003 introduziu o § 3º ao art. 5º da CF, cujo teor é o seguinte: “Os tratados e convenções internacionais
sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”.
HIERARQUIA DOS TRATADOS
REGRA GERAL: OS TRATADOS INTERNACIONAIS TEM O MESMO NIVEL QUE AS LEIS ORDINÁRIAS
FEDERAL
*** EXCEÇÕES:
1) CTN
2) DIREITOS HUMANOS;
EC= OS QUE FOREM APROVADOS, EM CADA CASA DO CN, EM 2 TURNOS, POR 3/5 DOS VOTOS.
NORMA SUPRALEGAL= QUANDO NAO SÃO APROVADOS COM O QUORUN ACIMA ( ESTÃO
ACIMA DAS LEIS E NORMAS INFRA CONSTITUCIONAIS, POREM ABAIXO DA CF)
OBS: SV N.25 – PACTO SAO JOSE DA COSTA RICA, QUE PROIBIU A PRISÃO DO DEPOSITÁRIO INFIEL
3.7. Uma perspectiva contemporânea do direito internacional
3.7.1. O jus cogens e o soft law
A norma do jus cogens é aquela norma imperativa de Direito Internacional geral, aceita e reconhecida pela sociedade
internacional em sua totalidade, como uma norma cuja derrogação é proibida e só pode sofrer modificação por meio
de outra norma da mesma natureza.
Um exemplo reconhecido de "jus cogens" é a Declaração Universal dos Direitos Humanosda ONU de 1948, que apesar
de não ser uma norma formalmente cogente, já que não é um tratado, possui obrigatoriedade material, uma vez que foi
votada na assembleia geral das nações unidas.
Soft law é expressão usada para designar uma realidade bastante ampla e variada.Em um sentido mais genérico, refere-
se a qualquer instrumento regulatório dotado de força normativa limitada, isto é, que em princípio não é vinculante, não
cria obrigações jurídicas, mas ainda assim pode produzir certos efeitos concretos aos destinatários. Às vezes a expressão
identifica documentos cuja própria forma é “soft”, como memorandos de entendimentos e recomendações, às vezes
conteúdos pouco constritivos, como normas e princípios formulados com cláusulas gerais e conceitos jurídicos
indeterminados, outras vezes ainda regras que não podem ser impostas por mecanismos compulsórios de resolução de
disputas.
Unidade 4 - Organizações Internacionais
4.1. Objetivo comum e cooperação entre as nações
4.1.1. Personalidade e capacidade jurídica
Os Estados possuem personalidade jurídica originária, enquanto as organizações internacionais possuem personalidade
jurídica derivada. Diz-se isso porque o Estado é antes de tudo uma realidade física, um espaço territorial sobre o qual
vive uma comunidade de indivíduos. A organização internacional, por sua vez, depende da vontade conjugada de certo
número de Estados para existir, ela é produto exclusivo de elaboração jurídica.
OBS: Organizações Internacionais são entidades formadas por Estados e que são detentoras de personalidade jurídica
de Direito Internacional. Isto significa que as ONGs, (Organização Não-Governamental), não são Organizações
Internacionais, pois nenhum Estado está diretamente ligado a elas. São formadas por cidadãos ou empresas, como por
exemplo, a Fundação Ayrton Sena, a Organização Roberto Marinho, etc.
O que define se a organização é uma Organização Internacional de personalidade jurídica ou uma ONG é o seu
Estatuto.
O estatuto é um tratado internacional e adquire algumas características, e dentre elas sempre deve existir aquela que diz
como os Estados vão aceitar ou não aquele tratado, e como comunicam uns aos outros que o aceitaram ou não.
10
4.1.2. Competências:
Normativa: no exercício de sua função normativa, a OI vai emitir normativas regulamentares próprias de seu arcabouço
jurídico interno, já que possui personalidade jurídica própria.
- Operacional: é por meio dela que executará normas provenientes do seu próprio arcabouço jurídico.
- Controle: fiscaliza e controla a execução de suas normas por parte dos Estados-membros.
- Impositiva: faz com que possa a OI impor uma sanção a um Estado-membro, exercendo com autonomia a
independência sua personalidade jurídica.
Espécies de Organizações Internacionais:
I – Quanto à abrangência: regionais (ligadas a assuntos de determinado bloco regional. Ex: Mercosul) ou universais
(atuação universal. Ex: OIT).
II – Quanto à finalidade: gerais (cuidam de uma variedade de temas. Ex: ONU) ou especiais (cuidam de temas
específicos. Ex: OIT, OMC, OMS).
III – Quanto à natureza: intergovernamentais (os Estados não renunciam à sua soberania em favor da OI) ou
supranacionais (os Estados-membros renunciam à parcela de sua soberania em favor de órgãos da OI. Ex: União
Europeia). Essa classificação que depende do nível de autonomia concedida às OIs pelos Estados-membros.
IV – Quanto à abertura a terceiros Estados: abertas (admite como membros Estados que não participaram de sua
criação, independentemente de preenchimento de requisitos ou condições de validade), semiabertas (admite a
participação de terceiros, mediante o preenchimento de requisitos ou condições especiais) ou fechadas (não admitem o
ingresso de Estados que não participaram de sua constituição).
IMUNIDADES E PRIVILÉGIOS ( situação se explica pelo fato da necessidade de garantir liberdade e segurança na
missão desenvolvida)
a) imunidade de jurisdição
b) isenções fiscais
c) garantia de livre comunicação
d) inviolabilidade dos locais afetos à OI
e) inviolabilidade de arquivos
f) garantia de que os bens não serão expropriados ou confiscados.
* tal previsão é extensiva aos representantes e funcionários da Organização para o exercício de suas atividades.
** As OIs gozam de imunidade de jurisdição ABSOLUTA (em regra), com fundamento nos TRATADOS
INTERNACIONAIS. Essa imunidade de jurisdição rege-se pelo que se encontra efetivamente avençado nos referidos
tratados ou acordo sede (entre OI e o país em que ela se instala).
*** O TST editou, em 2012, a OJ 416, que busca esclarecer a diferença entre a imunidade de jurisdição do Estado
(relativa) e a das OIs (absoluta).
**** Cabe, ainda, mencionar a forma como as organizações internacionais mantêm suas receitas para que possam
cumprir suas atividades, seu quadro pessoal, enfim, seu funcionamento. A receita das organizações resulta, em sua
maioria, da cotização dos Estados Membros. Observa-se que em relação a tal assunto, encontra-se o princípio da
isonomia entre os Estados, não sendo as cotizações paritárias. Assim cada Estado contribui com uma porcentagem
equivalente ao seu poder econômico.
- Direito de legação
Possibilidade de enviar uma missão diplomática para o território de seus membros e ate mesmo para os estados que na
fazem pare dela, para a promoção da paz , da cooperação e da solidariedade.
-Demandar reclamações internacionais
Pode demandar em tribunais internacionais para que haja o restabelecimento de um direito seu que foi violado, ou
mesmo de sofrer uma sanção no plano internacional.
4.1.2.1. Os atos unilaterais e seus efeitos jurídicos
São aqueles em que a manifestação de vontade de uma pessoa de direito vai produzir efeitos na Ordem Internacional.
Quem pode formular Atos Unilaterais são os Estados e as Organizações Internacionais. O Indivíduo não poderá
formulá-lo.
Além da pessoa do direito, deve-se observar também se o órgão daquela pessoa é competente para formular Atos
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Unilaterais (neste caso, o Poder Executivo), que deverão por sua vez ter um objeto lícito e possível, além de não conter
vícios de consentimento. Não poderão ferir a moral internacional nem a norma imperativa do DI (Jus Cogens).
O Ato Unilateral tem sido considerado pelos modernos doutrinadores do DI como uma de suas fontes, embora não se
encontre entre as fontes a serem aplicadas pela Corte Internacional de Justiça, conforme a enumeração do art. 38 do
seu Estatuto (Estatuto da CIJ). É considerado fonte de 3º grau, uma vez que eles tiram o seu fundamento do Costume ou
Tratado Internacional.
Os atos unilaterais são praticados por uma só pessoa, por uma só parte. Constituem declaração de vontade de um só
Estado, criando para ele obrigações; geram, contudo, direitos para outras pessoas. Exemplo é a concessão de asilo
político concedido pelo governo brasileiro ao destituído presidente do Paraguai. Corresponde o ato unilateral ao que, no
plano interno, é chamado de “declaração unilateral de vontade”, porém produz efeitos perante outros Estados. São os
mais comuns: reconhecimento, protesto, notificação e renúncia.
O “reconhecimento” é o ato pelo qual um Estado acata o direito de outro Estado; atende a um pedido deste. É o que
aconteceu recentemente quando o Brasil reconheceu como legítimo o novo governo argentino, resultando da eleição de
sua presidenta. A Argentina comunicou a posse da presidenta e pediu seu reconhecimento, sento atendida.
O “protesto” é ato de sentido oposto ao do reconhecimento. Pelo protesto, um governo nega o direito ou a pretensão de
outro. Manifesta sua não-concordância com o ato praticado por outro Estado. Foi o que aconteceu quando a Argentina
invadiu as Ilhas Malvinas. A Inglaterra lavrou seu protesto, alegando sua soberania sobreaquelas ilhas.
A “notificação” é a manifestação expressa e formal da vontade de um Estado; é um tipo de comunicação oficial. Pela
notificação, um Estado emite sua opinião a respeito de problema ou ato de outro Estado.
A “renúncia” é o ato pelo qual um Estado abre mão de um direito.
Vamos citar alguns exemplos. Um país que deseje entrar em guerra contra outro, deverá fazer-lhe uma notificação,
chamada “declaração de guerra”. Deve também fazer outra notificação, chamada “ruptura de relações diplomáticas”.
Outro exemplo pode ser indicado: se um país tomar conta de um território abandonado, uma res nullius, deverá dar
notificação a todos os demais países. É também considerado ato jurídico o silêncio. Assim, se um país ocupa um
território abandonado, notifica outros países e estes não protestam, interpreta-se como aprovado o ato. Aplica-se
também no plano internacional o princípio do direito romano em vigor no plano nacional: qui tacet cum loqui potuit e
debuit consentire videtur = quem cala quando deve e pode falar, parece consentir.
Os atos unilaterais praticados de forma continuada constituem o costume. Este aspecto é mais importante no plano
internacional. No plano nacional, o costume é uma das fontes do direito, reconhecido na doutrina e pelo artigo 4º da Lei
de Introdução ao Código Civil. Carece, porém, de menor importância no plano nacional, pois o direito interno é
essencialmente legislado. No direito internacional, todavia, o costume é fonte primacial de direito, formando o direito
consuetudinário.
Os atos unilaterais e as resoluções das Ois embora não venham expressos no art 38 do ECIJ, são considerados
pela doutrina como nova fonte de direito internacional.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DOS ATOS UNILATERAIS
a) manifestação de vontade
b) que seja realizado por um ou mais suj. de dir. internacional
c)que a manifestação de vontade produza efeitos juridicos
d)que sua eficacia ou validade não dependa de outros atos juridicos ( tratados, pe.)
e) que o ato produzido esteja em conformidade com o dir. internacional.
Os atos unilaterais se classificam em tácitos ( silencio) ou expressos( protestos, notificação, renúncia, etc)
RESOLUÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
As manifestações desse suj. internacional ocorrem por meio de resoluções, que são produzidas para externar vários atos
das Ois , tais como: uma recomendação, um convite, uma moção elogiosa, como tambem atribuir direitos e deveres
para outros sujeitos.
**As resoluções são normas originadas em uma OI e são obrigatórias para os Estados-membros, independente de
qualquer ratificação de sua parte.
*** A resolução caracteriza-se por ser unilateral.
OBS
1) As ONGs possuem personalidade jurídicas de natureza interna, isto é, não possuem personalidade jur. Internacional.
1) Teoria Objetivista x Teoria Subjetivista
A primeira defende que a personalidade jurídica esta fundamentada em uma norma de direito internacional, a segunda
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encontra amparo na idéia de manifestação da vontade dos Estados que resolvem cria-lo.
4.1.3. A O.M.C.
A elevação dos níveis de vida, o pleno emprego, a expansão da produção e do comércio de bens e serviços, a proteção
do meio ambiente, o uso ótimo dos recursos naturais em níveis sustentáveis e a necessidade de realizar esforços
positivos para assegurar uma participação mais efetiva dos países em desenvolvimento no comércio internacional
constituem os objetivos primordiais da OMC, conforme exposto em sua carta constitutiva.
Esse organismo tem como atribuição administrar a implantação e operação de acordos comerciais multilaterais
que moldam o novo sistema de comércio internacional; servir de foro para as negociações multilaterais; administrar
todo um sistema de regras e procedimentos relativos à solução de controvérsias; administrar o mecanismo de Revisão
de Políticas Comerciais (Trade Policy Review Mechanism) o qual através de revisões periódicas das políticas de
comércio exterior dos membros busca dar transparência ao sistema multilateral de comércio.
Entretanto, uma de suas funções merece especial destaque: funcionar como tribunal para os conflitos do comércio
internacional, por intermédio do àrgão de Solução de Controvérsias, no qual os conflitos são resolvidos por meio de
consultas entre os membros e as decisões são tomadas por um painel de especialistas4 e por um àrgão de Apelação.
Qualquer país, membro ou não, pode ingressar um painel na OMC, buscando a solução de desentendimentos
comerciais, bem como decisões sobre a real utilização e implementação das regras de comércio.
Também imprescindível dizer que as negociações no âmbito da OMC seguirão o princípio do single undertaking -
"compromisso único" - que obriga todos os membros a concordarem com todos os temas negociados e impede que os
países escolham apenas os acordos de seus interesses.
É regida por cinco princípios.
O princípio da “não discriminação”, que garante tratamento igualitário a todos os membros no que se refere a
privilégios comerciais e aos produtos importados e nacionais, os quais não podem ter privilégios em detrimentos dos
importados;
o princípio da “previsibilidade” de normas e do acesso aos mercados através da consolidação dos compromissos
tarifários para bens e das listas de ofertas em serviços;
o princípio da “concorrência legal” que visa coibir práticas desleais de comércio;
o princípio da “proibição das restrições quantitativas” como proibições e quotas permitindo apenas quotas tarifárias
desde que previstas nas listas de compromissos dos países;
e por fim, o princípio do “tratamento especial e diferenciado para países em desenvolvimento” que pode ser
interpretado como provisões visando aumentar as oportunidades de comércio para os países em desenvolvimento,
cabendo aos países desenvolvidos providenciar acesso mais favorável aos seus mercados.
DUMPING SOCIAL E A OMC
O dumping social é o prejuízo causado aos trabalhadores de países em desenvolvimento, haja vista a não
observância de padrões laborais básicos, além da utilização de artifícios ilegais como a de mão-de-obra
escrava ou infantil, com o intuito de conter os gastos na produção, para que as transnacionais garantam
uma maior competitividade de seus produtos no comércio internacional. Atualmente é a Organização
Internacional do Trabalho - OIT que fiscaliza as violações aos direitos trabalhistas, todavia, a mesma só
aplica coerções morais na tentativa de sujeitar seus membros a consolidarem o disposto em suas
convenções Sem um meio eficaz para garantir a efetivação de direitos laborais resta claro a necessidade
de atuação conjunta da aludida organização e da Organização Mundial do Comércio - OMC já que essa,
além de coibir praticas comerciais desleais, também é apta a aplicar coerções sólidas, que atuariam como
estímulo para o cumprimento das normas internacionais de trabalho.
4.1.4 A O.N.U.
Origem: É uma organização intergovernamental criada para promover a cooperação internacional. Uma substituição à
ineficiente Liga das Nações, a organização foi estabelecida em 24 de outubro de 1945, após o término da Segunda
Guerra Mundial, com a intenção de impedir outro conflito como aquele. A organização é financiada com contribuições
avaliadas e voluntárias dos países-membros. Seus objetivos incluem :
manter a segurança e a paz mundial,
promover os direitos humanos,
auxiliar no desenvolvimento econômico e no progresso social,
proteger o meio ambiente
e prover ajuda humanitária em casos de fome, desastres naturais e conflitos armados.
Princípios : As Nações Unidas agem de acordo com os seguintes princípios:• A Organização se baseia no principio da igualdade soberana de todos seus membros;
• Todos os membros se obrigam a cumprir de boa fé os compromissos da Carta;
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• Todos deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam
ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais;
• Todos deverão abster-se em suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao emprego da força contra
outros Estados;
• Todos deverão dar assistência às Nações Unidas em qualquer medida que a Organização tomar em
conformidade com os preceitos da Carta, abstendo-se de prestar auxílio a qualquer Estado contra o qual as Nações
Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo;
• Cabe às Nações Unidas fazer com que os Estados que não são membros da Organização ajam de acordo com
esses princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais;
• Nenhum preceito da Carta autoriza as Nações Unidas a intervir em assuntos que são essencialmente da alçada
nacional de cada país.
Estrutura: Seis órgãos principais compõem as Nações Unidas:
a Assembleia Geral (assembleia deliberativa principal); (Para a aprovação da Assembleia Geral sobre questões
importantes, é necessária a maioria de dois terços dos presentes e votantes.A Assembleia pode fazer
recomendações sobre quaisquer matérias no âmbito da ONU, excetuando as questões de paz e segurança que
estão sob consideração do Conselho de Segurança.)
o Conselho de Segurança (para decidir determinadas resoluções de paz e segurança);(O Conselho de
Segurança é composto por 15 Estados-membros, sendo 5 membros permanentes -China,França, Rússia, Reino
Unido e Estados Unidos- e por 10 membros temporários, atualmente a Áustria,Bósnia e
Herzegovina,Brasil,Gabão,Japão,Líbano,México,Nigéria,Turquia e Uganda. Os cinco membros permanentes
têm o poder de veto sobre as resoluções do Conselho, mas não processual, permitindo que um membro
permanente impeça a adoção, mas não bloqueie o debate de uma resolução inaceitável por ele. Os dez
membros temporários são mantidos em mandatos de dois anos conforme votado na Assembleia Geral sobre
uma base regional.
O Conselho Econômico e Social (para auxiliar na promoção da cooperação econômica e social internacional e
desenvolvimento);
o Secretariado(para fornecimento de estudos, informações e facilidades necessárias para a ONU),
e o Tribunal Internacional de Justiça (o órgão judicial principal).
Além desses, há órgãos complementares de todas as outras agências do Sistema das Nações Unidas, como
a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo das Nações Unidas
para a Infância (UNICEF). O chefe mais proeminente da ONU é o secretário-geral, cargo ocupado por Ban Ki-
moon desde 2007.
Conselho de segurança:
Ações:
- Definição e execução de operações de paz em países que estão em processo de conflito militar;
- Estabelecimento de sanções internacionais à países que adotam medidas que ameaçam a paz e a segurança no mundo
ou em determinadas regiões;
- Autorização de ações militares que visem o estabelecimento da paz.
Conselho economico e social: composto por cinqüenta e quatro membros e destina-se ao estudo de questões relativas à
saúde, economia, mulher, infância, trabalho etc. A ele estão subordinadas várias comissões, como a deDireitos
Humanos, a FAO(Organização para a Agricultura e Alimentação), a OIT (Organização Internacional do Trabalho),
a OMS (Organização Mundial da Saúde) e aUnesco (Organização das Nações Unidas para a educação, Ciência e
Cultura).
Secretariado: O secretário-geral da ONU, eleito pelo Conselho de Segurança mediante recomendação dos seus
membros permanentes, tem o dever de atuar em todas as reuniões da Assembleia Geral, do Conselho de Segurança, do
Conselho Econômico e Social e do Conselho de Tutela, além de desempenhar outras funções que lhe forem atribuídas
por esses órgãos.
A ONU utiliza seis línguas oficiais: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo
4.1.5. Integração Regional
4.1.5.1. MERCOSUL
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram, em 26 de março de 1991, o Tratado de Assunção, com vistas a criar o
Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado de Assunção é a integração dos Estados
Partes por meio da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, do estabelecimento de uma Tarifa Externa
Comum (TEC), da adoção de uma política comercial comum, da coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais,
e da harmonização de legislações nas áreas pertinentes.
A configuração atual do MERCOSUL encontra seu marco institucional no Protocolo de Ouro Preto, assinado em
14
dezembro de 1994. O Protocolo reconhece a personalidade jurídica de direito internacional do bloco, atribuindo-lhe,
assim, competência para negociar, em nome próprio, acordos com terceiros países, grupos de países e organismos
internacionais. O MERCOSUL caracteriza-se, ademais, pelo regionalismo aberto, ou seja, tem por objetivo não só o
aumento do comércio intrazona, mas também o estímulo ao intercâmbio com outros parceiros comerciais. São Estados
Associados do MERCOSUL a Bolívia (em processo de adesão ao MERCOSUL), o Chile (desde 1996), o Peru (desde
2003), a Colômbia e o Equador (desde 2004). Guiana e Suriname tornaram-se Estados Associados em 2013. Com isso,
todos os países da América do Sul fazem parte do MERCOSUL, seja como Estados Parte, seja como Associado.
Na última década, o MERCOSUL demonstrou particular capacidade de aprimoramento institucional. Entre os inúmeros
avanços, vale registrar:
• a criação do Tribunal Permanente de Revisão (2002),
• do Parlamento do MERCOSUL (2005),
• do Instituto Social do MERCOSUL (2007),
• do Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos (2009),
• bem como a aprovação do Plano Estratégico de Ação Social do MERCOSUL (2010)
• e o estabelecimento do cargo de Alto Representante-Geral do MERCOSUL (2010).
Estados Partes: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai (desde 26 de março de 1991) e Venezuela (desde 12 de agosto de
2012).
Estado Parte em Processo de Adesão: Bolívia (desde 7 de dezembro de 2012).
Estados Associados: Chile (desde 1996), Peru (desde 2003), Colômbia, Equador (desde 2004), Guiana e Suriname
(ambos desde 2013).
O Protocolo de Olivos estabelece mecanismos de solução de litígios entre os Estados-partes, dentre eles um
procedimento arbitral ad hoc, com composição de um Tribunal composto de 3 (três) árbitros.
O Protocolo de Olivos instituiu o duplo grau de jurisdição para solução de controvérsias no MERCOSUL, ao prever o
direito de recurso a um tribunal permanente de revisão para os contenciosos do bloco.
Princípios
O MERCOSUL visa à formação de mercado comum entre seus Estados Partes. De acordo com o art. 1º do Tratado de
Assunção, a criação de um mercado comum implica:
• livre circulação de bens, serviços e fatores de produção entre os países do bloco;
• estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial conjunta em relação a
terceiros Estados ou agrupamentos de Estados e a coordenação de posições em foros econômico-comerciais
regionais e internacionais;
• coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados Partes;
• compromisso dos Estados Parte em harmonizar a legislação nas áreas pertinentes, a fim de fortalecer o
processo de integração.
Segundo Rechsteiner ( 1996, p. 164) o princípio fundamentaldo direito processual civil internacional é a aplicação
da lex fori, ou seja, a lei do local em que se desenvolve o processo. Em relação às regras de direito material, as
normas a serem aplicadas são apontadas pelo direito internacional privado, o qual pode indicar tanto o direito interno
quanto o estrangeiro .
Existem também normas provenientes de tratados internacionais multilaterais e bilaterais. No âmbito do Mercosul, foi
firmado o "Protocolo de Las Leñas" - de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial,
Trabalhista e Administrativa, concluído pelos governos da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai, em 27 de
junho de 1992, promulgado pelo Decreto nº. 2.067, de 12 de novembro de 1996, publicado no DOU de 13.11.96 .
De acordo com o art. 18 do Protocolo, as suas disposições são aplicáveis ao reconhecimento e à execução das sentenças
e dos laudos arbitrais pronunciados nas jurisdições dos Estados Partes em matéria civil, comercial, trabalhista e
administrativa, e serão igualmente aplicáveis às sentenças em matéria de reparação de danos e restituição de bens
pronunciadas na esfera penal.
Ainda de acordo com o art. 19, determina o protocolo que o pedido de reconhecimento e execução de sentenças e de
laudos arbitrais por parte das autoridades jurisdicionais será tramitado por via de cartas rogatórias e por intermédio da
Autoridade Central."
Assim, há que prevalecer o entendimento no sentido de que a homologação de sentença estrangeira proveniente do
Mercosul tem procedimento facilitado, o que, entretanto, não elide a necessidade de procedimento próprio perante o
Superior Tribunal de Justiça.
4.1.5.2. União Européia
A UE (União Europeia) é um bloco econômico, político e social de 28 países europeus que participam de um projeto de
integração política e econômica..Os países integrantes são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia,
Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia,
Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e
15
Suécia. Macedônia, Cróacia e Turquia encontram-se em fase de negociação. Estes países são politicamente
democráticos, com um Estado de direito em vigor.
O tratados que definem a União Europeia são: o Tratado da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), o
Tratado da Comunidade Econômica Europeia (CEE), o Tratado da Comunidade Europeia da Energia Atômica
(EURATOM) e o Tratado da União Europeia (UE), o Tratado de Maastricht, que estabelece fundamentos da futura
integração política. Neste último tratado, se destaca acordos de segurança e política exterior, assim como a confirmação
de um Constituição Política para a União Europeia e a integração monetária, através do euro.
Para o funcionamento de suas funções, a União Europeia conta com instituições básicas como o Parlamento, a
Comissão, o Conselho e o Tribunal de Justiça. Todos estes órgãos possuem representantes de todos os países
membros. ]
Objetivos da União Europeia
- Promover a unidade política e econômica da Europa;
- Melhorar as condições de vida e de trabalho dos cidadãos europeus;
- Melhorar as condições de livre comércio entre os países membros;
- Reduzir as desigualdades sociais e econômicas entre as regiões;
- Fomentar o desenvolvimento econômico dos países em fase de crescimento;
- Proporcionar um ambiente de paz, harmonia e equilíbrio na Europa.
Unidade 5
5.1.A pessoa humana no direito internacional
5.2.As três vertentes de proteção da pessoa humana
Direitos humanos, direito humanitário e direito dos refugiados formam, juntos, as três vertentes de proteção da
pessoa humana: o primeiro voltado à sua situação em geral; o segundo à sua proteção em circunstâncias de guerra; e, o
terceiro, à garantia de asilo quando recluso de seu país. Comum mencionar, ainda, como vertentes específicas – diante
de certas peculiaridades – o direito internacional penal e o direito de minorias, que na verdade fazem parte da vertente
mais ampla, que é a dos direitos humanos.
5.2.1. O Direito Internacional dos Direitos Humanos
PESSOA HUMANA COMO SUJEITO DE DIREITO
1948- DECLARAÇAO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ( Direitos fundamentais para todos os tipos de
pessoas)
A Segunda Guerra Mundial foi o fato histórico impulsionador decisivo do surgimento e da consolidação do Direito
Internacional dos Direitos Humanos.
PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: CRIAÇÃO DA ORGANIZAÇAO DAS NAÇÕES UNIDAS- ONU.
O complexo de normas que integra o Direito internacional dos Direitos Humanos é composto, principalmente,
pelaCarta das Nações Unidas (ou Carta da ONU / Carta de São Francisco), pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos, peloPacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos
Sociais e Culturais, bem como por diversas convenções internacionais.
5.2.1.1. Os direitos humanos na contemporaneidade
5.2.1.2.1. Sistema Regional
SISTEMA REGIONAL DE DH
Por um lado, um sistema global, instituído no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e inaugurado por
diversos tratados internacionais de proteção dos direitos humanos, que, por sua vez, criam organismos próprios para seu
monitoramento, normalmente designados "comitês" .Por outro lado, alguns sistemas regionais, basicamente em número
de três: europeu, interamericano e africano .
Os três sistemas regionais fazem parte de sistemas de integração nacional com atribuição mais ampla que apenas a
defesa dos direitos humanos: no caso da Europa, a organização matriz é o Conselho da Europa (CE), fundado em 1949;
nas Américas, é a Organização dos Estados Americanos (OEA), fundada em 1948; e na África, a Organização da
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Unidade Africana (OUA), substituída pela União Africana (UA) em 2002.
5.2.1.2.2. A Corte Interamericana de DDHH
A Corte Interamericana é um dos três Tribunais regionais de proteção dos Direitos Humanos, conjuntamente com a
Corte Europeia de Direitos Humanos e a Corte Africana de Direitos Humanos e dos Povos. É uma instituição
judicial autônoma cujo objetivo é aplicar e interpretar a Convenção Americana. A Corte Interamericana exerce uma
função contenciosa, dentro da qual se encontra a resolução de casos contenciosos e o mecanismo de supervisão de
sentenças; uma função consultiva; e a função de ditar medidas provisórias.
* A sede da Corte Interamericana está em San José da Costa RicA
** A organização, procedimento e função da Corte estão regulados na Convenção Americana. Ademais, o Tribunal tem
um Estatuto e um Regulamento expedido pela própria Corte.
*** VIDE ESTATUTO DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
**** A Corte Interamericana de Direitos Humanos tem competência para conhecer de qualquer caso relativo à
interpretação e aplicação das disposições da Convenção Americana sobre Direitos humanos, desde que os Estados-
Partes no caso tenham reconhecido a sua competência. Somente a Comissão Interamericana e os Estados Partes da
Convenção Americana sobre Direitos Humanos podem submeter um caso à decisão desse Tribunal.
5.2.2. O Direito Humanitário
O Direito Internacional Humanitário, campo das ciências jurídicas com o objetivo de prestar assistência às vítimas de
guerra, surgiu, efetivamente, com a primeira convenção de Genebra, em 1864.
Tem a finalidade de amenizar o sofrimento alheio , buscando, ainda que em uma situação catastrofica, o minimo que se
possa preservarem uma pessoa: a sua dignidade. Para tanto devem ser observados seus principios norteadores:
humanidade, necessidade e proporcionalidade.
HUMANIDADE: Estabelece que em qualquer situação deve-se buscar conservar a dignidade da PH.
NECESSIDADE: determina que os bens civis não podem ser alvo de campanha militar nem objetos de ataques e
retaliações.
PROPORCIONALIDADE: Verifica-se que as partes devem aplicar efetivo bélico de forma proporcional ao recebido
pela parte adversa.
O Direito Internacional Humanitário (ou Direito dos Conflitos Armados) é um ramo do Direito Internacional Público
constituído por todas as normas convencionais ou de origem consuetudinária especificamente destinadas a regulamentar
os problemas que surgem em período de conflito armado.
Estas podem ser fundamentalmente de três tipos:
O primeiro é constituído pelo chamado Direito de Genebra, isto é, pelas quatro Convenções de Genebra de 1949 para a
protecção das vítimas de guerra e dos seus dois Protocolos Adicionais de 1977. Estes seis instrumentos jurídicos
perfazem cerca de 600 artigos codificando as normas de protecção da pessoa humana em caso de conflito armado. Estes
textos de Genebra foram elaborados (como aliás os próprios títulos das Convenções o comprovam) com o único
objectivo de protecção das vítimas de guerra: tanto os militares fora de combate, bem como as pessoas que não
participem nas operações militares (população civil).
O segundo tipo de regras é chamado o Direito de Haia constituído pelo direito da guerra propriamente dito, ou seja
pelos princípios que regem a conduta das operações militares, direitos e deveres dos militares participantes na
conduta das operações militares e limita os meios de ferir o inimigo. Estas regras têm vista a necessidade de ter em
conta necessidades militares das partes em conflito, nunca esquecendo porém os princípios de humanidade. O Direito
de Haia encontra a maior parte das suas regras nas Convenções de Haia de 1899 (revistas em 1907), mas igualmente em
algumas regras do Protocolo I Adicional às Convenções de Genebra de 12 de Agosto de 1949.
O terceiro tipo de regras (ditas de Nova Iorque) prende-se com a protecção dos direitos humanos em período de
conflito armado. São chamadas regras de Nova Iorque por terem na sua base a actividade desenvolvida pelas Nações
Unidas no âmbito do direito humanitário. Com efeito é importante referir que em 1968 a Assembleia Geral das Nações
Unidas adoptou a Resolução 2444 (XXIII) com o título "Respeito dos direitos humanos em período de conflito
armado", o que constitui um marco, verdadeiro sinal da mudança de atitude desta organização no que diz respeito ao
Direito humanitário. Se, desde 1945 a O.N.U. não se ocupou deste ramo do direito com a justificação de que tal
indiciaria uma falta de confiança na própria organização enquanto garante da paz, o ano de 1968 pode ser considerado
como o do nascimento deste novo foco de interesse. As Nações Unidas têm desde então vindo ainda a mostrar um
grande interesse em tratar questões como as relativas às guerras de libertação nacional, e à interdição ou limitação da
utilização de certas armas clássicas.
5.2.3. O Direito do Refugiado
DEFINIÇÃO
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De acordo com a Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados (de 1951), são refugiados as pessoas que se
encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião,
nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar para
casa.
Posteriormente, definições mais amplas passaram a considerar como refugiados as pessoas obrigadas a deixar seu país
devido a conflitos armados, violência generalizada e violação massiva dos direitos humanos.
DIREITOS DOS REFUGIADOS
Um refugiado tem direito a um asilo seguro. Contudo, a proteção internacional abrange mais do que a segurança física.
Os refugiados devem usufruir, pelo menos, dos mesmos direitos e da mesma assistência básica que qualquer outro
estrangeiro residindo legalmente no país, incluindo direitos fundamentais que são inerentes a todos os indivíduos.
Portanto, os refugiados gozam dos direitos civis básicos, incluindo a liberdade de pensamento, a liberdade de
deslocamento e a não sujeição à tortura e a tratamentos degradantes.
De igual modo, os direitos econômicos e sociais que se aplicam aos refugiados são os mesmos que se aplicam a outros
indivíduos. Todos os refugiados devem ter acesso à assistência médica. Todos os refugiados adultos devem ter direito a
trabalhar. Nenhuma criança refugiada deve ser privada de escolaridade.
SITUAÇÃO DOS CRIMINOSOS
Qualquer pessoa que, após um um julgamento justo, é condenada devido a um crime de direito comum e foge do seu
país para escapar da prisão não será reconhecida como refugiada.
Mas pessoas condenadas por qualquer crime devido ao seu ativismo político – ou por razões éticas, raciais ou
religiosas – podem ser consideradas refugiadas.
5.2.4. Asilo
A pratica deste instituto deve possuir em sua essência os valores fundamentais de liberdade e da proteçao a ser
prodigalizada aos refugiados politicos e estrangeiros e as pessoas perseguidas por motivos politicos em legações,
navios de guerra , acampamentos e aeronaves militares.
O asilo pode se apresentar em duas modalidades:
a) asilo diplomático:
b) asilo territorial:
ASILO TERRITORIAL
* Na paratica quando um refugiado dirige-se a outro Estado, se este não quiser aceita-lo , tem duas alternativas:
reconduzi-lo ao Estado de origem ou manda-lo para um terceiro Estado.
**Princípio internacional de não devolução (non-refoulement) previsto na Convenção sobre o Estatuto dos
Refugiados de 1951 e no respectivo Protocolo de 1967, ratificados pelo Brasil, que determina a impossibilidade de
extradição do refugiado como meio para impedir que essas pessoas sejam devolvidas para países onde suas vidas ou
liberdade estejam sendo ameaçadas.
***No Brasil, o asilado não podera sair do pais sem a autorizaçao do governo, sob pena de importar a renuncia do asilo
e impedir o seu reingresso nesta condição.
ASILO POLÍTICO
Também chamado de asilo diplomatico ou interno, indica a proteção concedida por um Estado fora da sua esfera
territorial, e mais precisamente por agente de um Estado, operando dentro de um territorio estrangeiro a indivíduos que
pedem essa proteçao.
NATUREZA JURIDICA DO ASILO
O direito ao asilo nos tempos modernos não pertence ao fugitvo, mas sim ao Estado, que pode concedê-lo ou recusá-
lo de acordo com as suas conveniências. ( art. 1 da Convenção da OEA sobre Asilo Territorial e art 2 da Conv. Da OEA
sobre Asilo Diplomático).
**** Legislação sobre refugiados no Brasil
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9474.htm
OBSERVAÇÕES DE QUESTÕES DE CONCURSOS
1) As três vertentes da proteção internacional da pessoa humana, a saber, os direitos humanos, o direito humanitário e o
direito dos refugiados, foram consagradas nas conferências mundiais da última década de 90. Não obstante, a
implementação dessas vertentes deve atender às demandas de cada região, mesmo que não haja sistemas regionais de
proteção.
Ao ler a questão tendemos a marcá-la como incorreta, por referir que as vertentes “foram consagradas nas conferências
mundiais da última década de 90”. Contudo, está correta a assertiva.
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A questão aqui envolve uma discussão interessante.
Primeiramente, cumpre observar que, de fato, as três vertentes são:
direitos humanosdireito humanitário
direito dos refugiados
Até aqui sem problemas. Vimos, contudo, que a vertente dos Direitos Humanos (stricto sensu) tem como referenciais a
ONU, criada em 1945, e a OEA, fundada em 1948.
Sabemos também que o Direito Humanitário surge em razão das Grandes Guerras Mundiais, surgindo na década de 50,
após conferências realizadas em Genebra, Haia e Nova Iorque.
Por fim, o Direitos dos Refugiados, tem como marco o período pós 2ª Guerra Mundial, com destaque para o Estatuto
dos Refugiados, de 1951. Então, como pode estar correta a afirmação de que essas vertentes se consagraram nas
conferências da década de 90?
Justamente aqui está o diferencial da questão. Muito embora esses eixos tenham surgido anteriormente, foi com a
Convenção de Viena de 1993 que esses eixos foram consagrados internacionalmente, conferindo impulso à
internacionalização dos Direitos Humanos. A Convenção de Viena de 1993 é fundamental por consolidar os rumos dos
Direitos Humanos e por fortalecer os sistemas internacionais de proteção. Portanto, está correta a assertiva. Notem que
o enunciado não fala em "surgimento", mas em "consagração".
Características do refúgio:
a) Instituto jurídico internacional de alcance universal;
b) Aplicado a casos em que a necessidade de proteção atinge a um número elevado de pessoas, onde a perseguição tem
aspecto mais generalizado;
c) Fundamentado em motivos religiosos, raciais, de nacionalidade, de grupo social e de opiniões políticas;
) É suficiente o fundado temor de perseguição;
e) Em regra, a proteção se opera fora do país;
f) Existência de cláusulas de cessação, perda e exclusão (constantes da Convenção dos Refugiados);
g) Efeito declaratório;
h) Instituição convencional de caráter universal, aplica-se de maneira apolítica;
i) Medida de caráter humanitário.
Características do asilo político:
a) Instituto jurídico regional (América Latina);
b) Normalmente, é empregado em casos de perseguição política individualizada;
c) Motivado pela perseguição por crimes políticos;
d) Necessidade de efetiva perseguição;
e) A proteção pode se dar no território do país estrangeiro (asilo territorial) ou na embaixada do país de destino (asilo
diplomático);
f) Inexistência de cláusulas de cessação, perda ou exclusão;
g) Efeito constitutivo;
h) Constitui exercício de um ato soberano do Estado, sendo decisão política cujo cumprimento não se sujeita a nenhum
organismo internacional;
i) Medida de caráter político.
5.2.5. O tribunal Penal Internacional
O Tribunal Penal Internacional (TPI) é uma corte permanente e independente que julga pessoas acusadas de crimes
do mais sério interesse internacional, como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ela se baseia
num Estatuto do qual fazem parte 108 países.
O TPI é uma corte de última instância.( subsidiario, complementar). Ele não agirá se um caso foi ou estiver sendo
investigado ou julgado por um sistema jurídico nacional, a não ser que os procedimentos desse país não forem
genuínos, como no caso de terem caráter meramente formal, a fim de proteger o acusado de sua possível
responsabilidade jurídica. Além disso, o TPI só julga casos que ele considerar extremamente graves.
Em todas as suas atividades, o TPI observa os mais altos padrões de julgamento justo, e suas atividades são
estabelecidas pelo Tratado de Roma de 1998.
FUNCIONAMENTO: 1 DE JULHO DE 2002
* jurisdição internacional , permanente, subsidiaria, complementar.
-Subsidiaria:
**TRIBUNAIS AD HOC
são temporários
art 5, §4 CF : O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
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ESTRUTURA:
O Tribunal é uma instituição independente. Embora não faça parte das Nações Unidas, ele mantém uma relação de
cooperação com a ONU. O Tribunal está sediado na Haia, Holanda, mas pode se reunir em outros locais. Ele é
composto por quatro órgãos: a Presidência, as divisões judiciais, o escritório do promotor e o secretariado.
O Tribunal pode exercer jurisdição sobre genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Estes crimes
estão definidos em detalhes no Estatuto de Roma.
O Tribunal possui jurisdição sobre os indivíduos acusados destes crimes (e não sobre seus Estados, como no caso
da CIJ). Isto inclui aqueles diretamente responsáveis por cometer os crimes, como também aqueles que tiverem
responsabilidade indireta, por auxiliar ou ser cúmplice do crime. Este último grupo inclui também oficiais do Exército
ou outros comandantes cuja responsabilidade é definida pelo Estatuto.
O Tribunal não possui jurisdição universal. Ele só pode exercer sua jurisdição se:
• O acusado é um nacional de um Estado Parte ou de qualquer Estado que aceite a jurisdição do Tribunal;
• O crime tiver ocorrido no território de um Estado Parte ou de qualquer Estado que aceite a jurisdição do Tribunal;
• O Conselho de Segurança das Nações Unidas tenha apresentado a situação ao Procurador, não importando a
nacionalidade do acusado ou o local do crime;
• O crime tiver ocorrido após 1° de julho de 2002 (princípio da legalidade);
• Caso o país tenha aderido ao Tribunal após 1° de julho, o crime tiver ocorrido depois de sua adesão, exceto no caso de
um país que já tivesse aceito a jurisdição do Tribunal antes da sua entrada em vigor.
COMPETÊNCIA
A) CRIME DE GUERRA
B) CRIME DE GENOCÍDIO
C) CRIME CONTRA A HUMANIDADE
D) CRIME DE AGRESSÃO
** O Tratado de Roma estipula a maioridade penal: 18 anos.
OBSERVAÇÕES:
* A diferenciação entre crimes contra a Humanidade e crimes de guerra gerou bastante discussão. A ideia remonta aos
Tribunais de Nuremberg e Tóquio, eis que a elaboração dos Estatutos para os referidos tribunais foram elaborados sob o
impacto dos crimes bárbaros cometidos pela potência do Eixo, especialmente a Alemanha e o Japão, onde imaginaram-
se os crimes contra a humanidade cometidos apenas em tempo de guerra. Vinculação que foi removida, eis que as
condutas de assassinato, extermínio, escravidão, deportação e outros atos desumanos cometidos contra a população
civil, também podem ser perfeitamente observadas em épocas de paz.
**De forma a ilustrar é interessante verificar as duas principais características dos Crimes Contra a Humanidade e dos
Crimes de Guerra: os primeiros podem ser cometidos tanto em tempo de guerra como em tempos de paz e podem ser
praticados contra civis de mesma nacionalidade dos criminosos; já o segundo, referem-se às condutas executadas
apenas durante as hostilidades armadas internas ou internacionais e reside no fato de que são cometidos contra civis de
nacionalidade diferentes das dos perpetradores.
*** Em se tratando de reservas, o Estatuto veda. O receio de admitir reservas, deu-se, para evitar que os países menos
desejosos de cumprir os seus termos pretendessem excluir (por meio de reserva) a entrega de seus nacionais ao
Tribunal, com a alegação que tal ato violaria a proibição constitucional de extradição de nacionais. Assim, nota-se que o
impedimento da ratificação com reservas é uma ferramenta eficaz para a perfeita atividade e funcionamento do
Tribunal.
CRIMES DE GENOCIDIO
Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "genocídio", qualquer um dos atos que a seguir se enumeram,
praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal:
a) Homicídio de membros do grupo;
b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membrosdo grupo;
c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial;
d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo;
e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo.
CRIMES CONTRA A HUMANIDADE
Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crime contra a humanidade", qualquer um dos atos seguintes,
quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo
conhecimento desse ataque:
a) Homicídio;
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b) Extermínio;
c) Escravidão;
d) Deportação ou transferência forçada de uma população;
e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de direito
internacional;
f) Tortura;
g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer
outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável;
h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais,
étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3o, ou em função de outros critérios
universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com qualquer ato referido neste
parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal;
i) Desaparecimento forçado de pessoas;
j) Crime de apartheid;
k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem
gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DOS CRIMES
1. Os elementos constitutivos dos crimes que auxiliarão o Tribunal a interpretar e a aplicar os artigos 6o, 7o e 8o do
presente Estatuto, deverão ser adotados por uma maioria de dois terços dos membros da Assembléia dos Estados Partes.
2. As alterações aos elementos constitutivos dos crimes poderão ser propostas por:
a) Qualquer Estado Parte;
b) Os juízes, através de deliberação tomada por maioria absoluta;
c) O Procurador.
EXERCÍCIO DE JURISDIÇAO
O Tribunal poderá exercer a sua jurisdição em relação a qualquer um dos crimes a que se refere o artigo 5o, de acordo
com o disposto no presente Estatuto, se:
a) Um Estado Parte denunciar ao Procurador, nos termos do artigo 14, qualquer situação em que haja indícios de
ter ocorrido a prática de um ou vários desses crimes;
b) O Conselho de Segurança, agindo nos termos do Capítulo VII da Carta das Nações Unidas, denunciar ao
Procurador qualquer situação em que haja indícios de ter ocorrido a prática de um ou vários desses crimes; ou
c) O Procurador tiver dado início a um inquérito sobre tal crime, nos termos do disposto no artigo 15.
OBS: A JURISDIÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL É DESENCADEADA ("TRIGGER") PELO
PRINCÍPIO DA COMPLEMENTARIDADE, SEGUNDO O QUAL a admissibilidade de caso depende da falha na
persecução penal doméstica de crime da competência material do tribunal, por incapacidade efetiva ou falta de vontade
do Estado com jurisdição sobre o mesmo;
O Procurador poderá, por sua própria iniciativa, abrir um inquérito com base em informações sobre a prática de crimes
da competência do Tribunal.
O Procurador apreciará a seriedade da informação recebida. Para tal, poderá recolher informações suplementares junto
aos Estados, aos órgãos da Organização das Nações Unidas, às Organizações Intergovernamentais ou Não
Governamentais ou outras fontes fidedignas que considere apropriadas, bem como recolher depoimentos escritos ou
orais na sede do Tribunal.
PRINCIPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL ACEITOS PELO TPI
1. Nullum crimen sine leqe
Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, nos termos do presente Estatuto, a menos que a sua
conduta constitua, no momento em que tiver lugar, um crime da competência do Tribunal.
2. Nulla poena sine lege
Qualquer pessoa condenada pelo Tribunal só poderá ser punida em conformidade com as disposições do presente
Estatuto.
3. Não retroatividade ratione personae
Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, de acordo com o presente Estatuto, por uma conduta
anterior à entrada em vigor do presente Estatuto.
Se o direito aplicável a um caso for modificado antes de proferida sentença definitiva, aplicar-se-á o direito mais
favorável à pessoa objeto de inquérito, acusada ou condenada.
*Imprescritibilidade
Os crimes da competência do Tribunal não prescrevem.
QUESTAO DE CONCURSO
Línguas Oficiais e Línguas de Trabalho
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1. As línguas árabe, chinesa, espanhola, francesa, inglesa e russa serão as línguas oficiais do Tribunal. As sentenças
proferidas pelo Tribunal, bem como outras decisões sobre questões fundamentais submetidas ao Tribunal, serão
publicadas nas línguas oficiais. A Presidência, de acordo com os critérios definidos no Regulamento Processual,
determinará quais as decisões que poderão ser consideradas como decisões sobre questões fundamentais, para os efeitos
do presente parágrafo.
2. As línguas francesa e inglesa serão as línguas de trabalho do Tribunal. O Regulamento Processual definirá os
casos em que outras línguas oficiais poderão ser usadas como línguas de trabalho.
3. A pedido de qualquer Parte ou qualquer Estado que tenha sido admitido a intervir num processo, o Tribunal
autorizará o uso de uma língua que não seja a francesa ou a inglesa, sempre que considere que tal autorização se
justifica.
Penas Aplicáveis
1. Sem prejuízo do disposto no artigo 110, o Tribunal pode impor à pessoa condenada por um dos crimes previstos
no artigo 5o do presente Estatuto uma das seguintes penas:
a) Pena de prisão por um número determinado de anos, até ao limite máximo de 30 anos; ou
b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o
justificarem,
2. Além da pena de prisão, o Tribunal poderá aplicar:
a) Uma multa, de acordo com os critérios previstos no Regulamento Processual;
b) A perda de produtos, bens e haveres provenientes, direta ou indiretamente, do crime, sem prejuízo dos direitos
de terceiros que tenham agido de boa fé.
***As penas privativas de liberdade serão cumpridas num Estado indicado pelo Tribunal a partir de uma lista de
Estados que lhe tenham manifestado a sua disponibilidade para receber pessoas condenadas.
**** O Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, estabelece uma diferença entre entrega e
extradição, operando a primeira entre um Estado e o mencionado tribunal e a segunda, entre Estados.
TPI = Julga Pessoas
CortE Internacional de Justiça= Julga Estado
A Corte Interamericana de Direitos Humanos já decidiu que a lei da anistia de 1979, editada pelo Brasil, é
manifestamente incompatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos.
VIDE ESTATUTO DE ROMA NA INTEGRA: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4388.htm
Unidade 6
6.1. Solução de controvérsias internacionais
6.1.2. Mecanismos de pressão
6.2. Diferentes mecanismos de solução pacífica: jurisdicionais e não jurisdicionais
1.1 – Meios Diplomáticos
a) Negociações Diretas: A negociação direta entre as partes varia segundo a gravidade do problema.Podem ser
bilaterais (entre duas pessoas de Direito Internacional Público, ex.: dois Estados), ou multilaterais (quando interessam a
mais Estados). É a que geralmente apresenta os melhores resultados e caracteriza-se por grande informalidade, sempre
conduzidas segundo os usos e costumes internacionais. Tais negociações podem chegar à vários resultados, como a
desistência, quando um Estado renuncia à sua reivindicação; aquiescência, quando um Estado reconhece a
reivindicação do outro; e transação, quando os Estados fazem concessões recíprocas.
b) Sistemas consultivos: A consulta consiste numa troca de opiniões entre dois ou mais Estados interessados num
litígio internacional para que possam alcançar uma solução que agrade a todos. Tal método figura no continente
americano, mais precisamente no âmbito da OEA.
c) Mediações: A mediação consiste na interposição de um (mediação individual) ou mais Estados (mediação coletiva),
entre outros Estados para se solucionar pacificamente um litígio, podendo ser oferecida ou solicitada, sendo que seu
oferecimento ou recusa não deve ser considerado ato inamistoso. Em regra geral, apresenta-se como facultativa. O
mediador participa ativamente das negociações, mas não procura impor sua vontade, procedendo com intuitos
desinteressados.
d) Bons ofícios: Os bons ofícios são a tentativa amistosa de um ou vários Estados de abrir via às negociações das partes
interessadas ou de reatar as negociações que foram rompidas. Sendo assim, o terceiro Estado seria um simples
intermediário que coloca em presença os Estados litigantes para os levar entrar em negociações, ao contrário da
mediação, embora na prática seja difícil distinguir entre ambos.
Não necessariamente precisa ser um Estado que ofereça bons ofícios: o serviço pode ser oferecido por um alto
funcionário de organização intergovernamental, como o Secretário Geral da ONU, por exemplo.
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e) Congressos e conferências: Por fim, recorre-se a um congresso ou conferência internacional quando, segundo
Accioly, “a matéria ou assunto em litígio interessa a diversos Estados, ou quando se tem em vista a solução de um
conjunto de questões sobre as quais existem divergências”.
1.2 - Meios Jurídicos
a) Comissões de inquérito: As comissões internacionais de inquérito (ou de investigação) são comissões criadas para
facilitar soluções de litígios internacionais ou para elucidar fatos controvertidos, tendo como função específica
investigar os fatos sobre os quais versa o litígio, mas sem se pronunciarem sobre as responsabilidades, ou seja, o
relatório não é obrigatório.
Em geral, as convenções que estipulam tais comissões prevêem a instituição de uma comissão permanente para que já
se tenha previamente um organismo para se submeter a controvérsia que venha a surgir.
b) Conciliação: Na conciliação, um órgão que tem confiança comum dos Estados litigantes, após procedimentos com
certa formalidade, apresenta suas conclusões sobre a questão litigiosa, na forma de relatório opinativo, no qual irá
propor um acordo entre os litigantes e um prazo para que estes se pronunciem. Difere dos procedimentos de
investigação pela possibilidade de os conciliadores emitirem opiniões valorativas e formularem sugestões aos Estados
litigantes, embora os Estados não sejam obrigados a aceitarem a solução proposta.
c) Soluções arbitrais: A arbitragem é o meio de solução pelo qual os litigantes elegem um árbitro ou um tribunal para
dirimir o conflito. Estes são geralmente escolhidos através de um compromisso arbitral que estabelece as normas a
serem seguidas e onde as partes contratantes aceitam previamente a decisão a ser tomada, que deve ser apresentada
como sentença definitiva, salvo se o contrário foi previsto no respectivo compromisso, ou se é descoberto um fato novo
que poderia determinar a modificação da sentença.
O compromisso arbitral deve conter, no mínimo, o objeto do litígio, o compromisso de submeter a questão à arbitragem
e o método de formar o Tribunal e o número de árbitros.
A sentença arbitral é passível de anulação quando houver corrupção, excesso de poder da parte dos árbitros, quando
uma das partes não tiver sido ouvida, quando houver erro na motivação da sentença, quando tiver sido violado algum
outro princípio fundamental do processo etc. A anulação é invocada livremente pelas partes.
A sentença será dada no prazo determinado pelo compromisso, embora o tribunal tenha competência para estender este
prazo. Vale lembrar que as deliberações do Tribunal são secretas.
Celso de Albuquerque Mello discorre sobre três tipos de arbitragem:
1º) Realizada por chefes de Estado: Incomum nos dias de hoje. Os árbitros são os chefes de Estado, todos em pé de
igualdade, sem que haja um superior.
2º) Realizada por comissões mistas: Inicialmente a comissão era formada de dois membros, cada um indicado pelas
partes litigantes. Posteriormente essa “comissão mista diplomática” é substituída por uma outra (“comissão mista
arbitral”), que é formada de comissionários de número ímpar e tem o superárbitro para desempatar, geralmente
escolhido entre os nacionais de terceiro Estado. A vantagem é que a questão é resolvida pelos próprios interessados e as
decisões são legalmente motivadas.
*3º) Realizada por Tribunal: A maioria dos juízes não é nacional das partes contratantes. Tem sido considerada a forma
mais avançada e é também a mais utilizada., por assegurar maior imparcialidade à decisão.
Atualmente a arbitragem pode ser empregada em assuntos de menor importância, que não necessitam ser submetidos à
CIJ, bem como em assuntos que as partes desejarem uma solução rápida.
O tribunal arbitral desaparece com a resolução do litígio.
d) Soluções judiciárias
d1) A Corte Internacional de Justiça:
A solução judiciária consiste em se submeter o litígio a um tribunal judiciário, composto de juízes independentes,
com investidura pretérita ao litígio e subsiste à sua solução, e difere da solução arbitral também pelo fato de seus
componentes não serem escolhidos pelas partes litigantes, e sua grande diferença em relação às outras formas de
soluções de litígios internacionais, segundo Guido F. da Silva Soares, reside na institucionalização de um organismo
com funções claras e determinadas, fixadas em instrumentos internacionais solenes, com jurisdição e competência
permanentes. Essa sua permanência no tempo, assegurada pela presença de um corpo de juízes nomeados pelos Estados
para mandatos definidos, a existência de um secretariado fixado com sede conhecida, entre outros elementos, permite a
formação de uma jurisprudência mais definida do que os casos julgados por árbitros, tanto em relação às normas de sua
competência quanto a questões de fundo. “Aos poucos, novos tribunais permanentes vão surgindo com o objetivo de
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adjudicar ampla gama de problemas” (Accioly).
Em 1920 instituía-se com sede em Haia uma Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI) integrada por 15 juízes
para um mandato de nove anos, mas acabou extinta com a eclosão da Segunda Guerra. Com a instituição da ONU, foi
rebatizada de Corte Internacional de Justiça (CIJ), sendo o principal órgão judiciário dessa organização, e continua
sediada em Haia.
Um Estado litigante tem o direito de indicar um juiz de sua nacionalidade para compor a CIJ em determinados casos, e
a manifestação da vontade dos Estados é essencial para que se já invocada a jurisdição da CIJ.
Em tese, a solução de litígio por intermédio da CIJ tem a vantagem sobre a simples arbitragem, segundoAccioly, de
envolver o Conselho de Segurança na implementação da sentença.
Devido ao veto concedido aos países de cúpula da ONU, vem se questionando a imparcialidade da CIJ.
2.1.3 - Meios Políticos: As soluções dadas pelas Organizações Internacionais.
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI,
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e
indicar mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU.
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA.
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa.
6.2.3. As cortes internacionais
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI,
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU.
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA.
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa.
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI,
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU.
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA.
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa.
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI,
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem
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tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU.
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA.
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa.
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI,
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU.
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA.
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa.
Tudo sobre a CIJ . Vide http://www.cedin.com.br/wp-content/uploads/2014/05/Aspectos-Gerais-da-Corte-Internacional-
de-Justi_a.pdf
6.2.4 A arbitragem internacional
Unidade 7
7.1. A cooperação judiciária internacional
Cooperação internacional é o ato de mútua ajuda entre duas ou mais Estados-Nação para a finalidade de um objetivo
comum, que pode ser das mais diversas espécies: políticos, culturais, estratégicos, humanitários, econômicos.
7.1.2. A importância da cooperação para a efetividade do Direito
7.1.3. Alguns tratados de cooperação judiciária internacional
7.1.4. A Carta Rogatória e a Homologação de Sentença estrangeira
São as solicitações de assistência judicial dirigidas às autoridades judiciais estrangeiras para a obtenção de informação
ou provas ou para a prática de diligências.
Com a emenda constitucional nº 45 de 2004 transferiu-se a competência para homologação de sentença estrangeira e
concessão de exequatur em carta rogatória ao Superior Tribunal de Justiça. Competência que pertencia ao Supremo
Tribunal Federal desde a Constituição de 1934.
Ao analisar um pedido de homologação de sentença o STJ não pode realizar análise de mérito, mas apenas observar
se as formalidades do art. 15 e 17 da LINDB e art. 5º da Resolução nº 9 do STJ foram cumpridas.
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no
Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes
.
De fato, o STJ tem negado a homologaçãode sentenças estrangeiras que versem sobre matérias que só poderiam ser
julgadas pelas autoridades judiciárias brasileiras , p ex. considerando que "só à autoridade judiciária brasileira
compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil" (art. 12, § 1º, LINDB), a deliberação do juiz
estrangeiro acerca de bem imóvel situado no Brasil, além de sua incompetência para tanto, implica em inegável
ofensa à autoridade do Poder Judiciário Brasileiro, ferindo, por conseguinte, a soberania nacional .
7.2. A competência internacional
25
Unidade 8
8.1. O direito internacional privado e o conflito de leis no espaço
Entende-se como conflito de leis no espaço qualquer relação humana ligada a duas ou mais ordens jurídicas cujas
normas não são coincidentes.[14] O juiz ou o intérprete da lei, diante de um caso de conflito de leis no espaço, assiste
portanto à concorrência de duas ou mais leis - produzidas por países (ou províncias) diferentes - sobre a mesma questão
jurídica.
Dentre os elementos de conexão , cada país escolhe os que melhor lhes convêm para compor o DIPr nacional. Por
exemplo, o DIPr brasileiro elegeu a lex domicilii para reger o começo e o fim da personalidade, o nome,
a capacidade e os direitos de família; outros países preferem a lex patriae. O Brasil emprega a lex rei sitae para
reger os bens; outros Estados podem recorrer à mobilia sequuntur personam.
COMPETENCIA INTERNACIONAL
a) COMPETENCIA CONCORRENTE (ART 21 E 22NCPC)
Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
– o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
II – no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
III – o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que
nele tiver agência, filial ou sucursal.
OBS: LINDB, Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui
tiver de ser cumprida a obrigação.
Art. 22 Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I – de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de
benefícios econômicos;
II – decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil;
III – em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.
COMPETENCIA EXCLUSIVA ( ART 23 NCPC)
Art. 23 Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I – conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II – em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de
bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do
território nacional;
III – em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil,
ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.
DECISOES ESTRANGEIRAS A RESPEITO DO TEMA DO ART. 23 SAO IMPOSSIVEIS DE SEREM
HOMOLOGADAS PELO STJ.
8.2. Fundamento do Direito Internacional Privado
8.3. Fontes formais e materiais
8.4. Objeto do Direito Internacional Privado: o conflito de leis no espaço
LINDB
Art. 7º. A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o
nome, a capacidade e os direitos de família.
● Lex domicilii como critério fundamental do estatuto pessoal, introduzindo o princípio domiciliar como
elemento de conexão para determinar a lei aplicável.
● O começo e o fim da personalidade (as presunções de morte, o nome, a capacidade e os direitos de família, que
constituem o estado civil, ou seja, o conjunto de qualidades que constituem a individualidade jurídica de uma
pessoa, terão suas questões resolvidas através do direito domiciliar, de acordo com o que determina o art. 7º da
LICC.
§ 1º. Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às
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formalidades da celebração.
§ 4º. O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio, e, se este for
diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
Obs: No caso de duas pessoas casarem aqui, domiciliadas no Brasil, e possuírem bens em diversos países, a lei
brasileira não poderá se aplicar em relação a estes, em Estados onde impera a lex rei sitae, por respeito à mesma.
§ 8º. Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se
encontre.
Art. 8º. Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem
situados. ( lugar da situação dos bens- lex rei sitae)
É importante ressaltar que a lex rei sitae regulará apenas os bens móveis ou imóveis considerados individualmente
(uti singuli), pertencentes a nacionais ou estrangeiros, domiciliados no país ou não; enquanto que os bens uti
universitas, como p. ex. o espólio e o patrimônio conjugal, são regidos pela lei reguladora da sucessão (lex domicilii do
autor da herança), excetuando-se as hipóteses de desapropriação de imóvel de tutelado ou da massa falida, ocasiões em
que os bens uti universitas também poderão ser disciplinados pela lex rei sitae.
§ 1º. Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se
destinarem a transporte para outros lugares.
§ 2º. O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa apenhada.
Importante salientar que pouco importará a localização do bem dado em penhor, pois pela lei este estará situado no
domicílio do possuidor (fictio iuris) no momento de ser constituído o direito real de garantia, resguardando assim a
segurança negocial, e garantindo direitos de terceiros.
Art. 9º. Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituirem .
EXCEÇÕES
a) quando se tratar de contrato de trabalho, o mesmo deverá obedecer à lei do local da execução do serviço ou trabalho.
O art. 6º da Convenção de Roma, de 1980, afirma que em se tratando de contrato individual de trabalho, a aplicação da
lei escolhida não poderá privar o trabalhador da proteção que lhe for conferida pela lei: a) do país onde o trabalhador, ao
executar o trabalho, habitualmente exerce seu ofício; b) do Estado em cujo território se encontra situada a empresa que
contratou o empregado, que não realiza de modo habitual seu trabalho no mesmo país.
b) nas hipóteses dos contratos de transferência de tecnologia, pois nesses casos verificarse-á competência absoluta do
direito pátrio interno, em consonância com o art. 17 da LICC e com os princípios de direito internacional econômico
defendidos pelo Brasil, por tratarse de normas de ordem pública, garantindo interesses nacionais.
c) nos atos relativos à economia dirigida ou aos regimes de Bolsa e Mercados, que serão subordinados à lex loci
solutionis (place of performance), filiando-se à lei do país de sua execução.
§ 1º. Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada,
admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aosrequisitos extrínsecos do ato.
Isto significa que a lei da constituição do local da obrigação mantém-se, pois admitidas serão suas peculiaridades, como
a validade e a produção de seus efeitos, enquanto a lei brasileira será competente para disciplinar os atos e medidas
necessárias para a execução da mesma em território nacional, tais como a tradição da coisa, forma de pagamento ou
quitação, indenização nos casos de inadimplemento, etc.
Em relação aos contratos não exeqüíveis no Brasil, mas aqui acionáveis, não se aplicará o disposto no art. 9º, § 1º, da
LICC, mas sim o locus regis actum, ou seja, a lei local é que regerá o ato.
§ 2º. A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente .
Assim, de acordo com a LICC, a obrigação contratada entre ausentes será regida pela lei do país onde residir o
proponente, não importando o momento ou local da celebração contratual, aplicando-se a lei do lugar onde foi feita a
proposta. Em relação aos contratos entre presentes, no que diz respeito ao direito internacional, serão regidos pela lei do
lugar em que foram contraídos, desconsiderando-se a nacionalidade, domicílio ou residência dos contratantes.
Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido,
qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
§ 1º. A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou
dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus .
§ 2º. A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
Art. 1. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei do
Estado em que se constituírem.
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§ 1º. Não poderão, entretanto. ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos
aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira.
§ 2º. Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham constituído, dirijam
ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptiveis de desapropriação.
§ 3º. Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes
diplomáticos ou dos agentes consulares.
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser
cumprida a obrigação.
Admite-se assim que o estrangeiro, aqui domiciliado ou não, possa comparecer, como autor ou réu, perante o tribunal
brasileiro quando haja alguma controvérsia de seu interesse, desde que sua capacidade para estar em juízo obedeça à lex
domicilii e com a ressalva da lex fori no que diz respeito a preceito de ordem pública (art. 7º da LICC).
§ 1º. Só à .autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações, relativas a imóveis situados no Brasil.
Nas hipóteses de o imóvel estar localizado em países diversos, cada Estado será competente para julgar ação relativa à
parcela do bem que se encontrar em seu território.
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de
produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência.
Nos casos em que desconhecer a norma estrangeira, já que não é obrigado a conhecê-la e nem tem o dever de prová-la,
é permitido ao juiz, pelo art. 14 da LICC, reclamar a prova do direito estrangeiro de quem a alega, tendo o juiz o dever
de inteirar-se das normas mesmo quando não fornecida pelas partes.
Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes requisitos:
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que ,foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
Parágrafo único. Não dependem de homologação as sentenças meramente declaratórias do estado das pessoas.
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a
disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei.
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no
Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
8.4.1 Métodos de solução
8.4.1.1. Harmonização
8.4.1.2. Método conflitual
8.4.1.3. A questão da autonomia da vontade na solução de conflitos de leis no espaço
8.5. A aplicação da lei estrangeira
Unidade 9
9.1. A proteção internacional do meio ambiente
9.1.2. Princípios internacionais
9.1.3. Principais instrumentos de proteção do meio ambiente
9.1.3.1. Convenção-quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima e o Protocolo de
Quioto.
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Unidade 10
10.1. Proteção internacional dos espaços: domínio público internacional
10.1.1. Mar
10.1.2. Águas interiores e Mar territorial
10.1.3. Zona contígua, Zona econômica, Plataforma continental e Alto-mar
10.1.4. A Convenção de Montego Bay e a lei 8617 de 4 de janeiro de 1993
10.2. Espaço aéreo
10.2.1. Princípios elementares
10.2.2. Normas convencionais
10.2.3. Espaço extra-atmosférico