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1 
Unidade 1 - O Direito Internacional Contemporâneo 
1.1. Vertentes do Direito Internacional: o Direito Internacional Público e o Privado 
1.2. O Direito Internacional Público 
 1.2.1. Fundamentos e noções preliminares 
O estudo do fundamento do Direito Internacional Público visa determinar o motivo pelo qual as normas internacionais 
são obrigatórias. Há duas teorias: a voluntarista e a objetivista. 
 
O voluntarismo é uma corrente doutrinária cujo elemento central é a vontade dos sujeitos de Direito Internacional. Para 
o voluntarismo os Estados e organizações internacionais devem observar as normas internacionais porque expressaram 
livremente a concordância em fazê-lo. Repousa, portanto, no consentimento dos Estados, na vontade dos Estados. É 
também chamado de “corrente positivista”. 
Deve-se destacar que o principal fundamento dos tratados vem a ser um dos princípios da sociedade internacional: 
o Pacta Sunt Servanda, que poderíamos definir como aquilo que foi pactuado deve ser cumprido.Segue o artigo 26 da 
Convenção de Viena: “Artigo 26 – Todo tratado em vigor vincula as Partes e deve ser por elas cumprido de boa fé”. 
 
O objetivismo sustenta que a obrigatoriedade do Direito Internacional decorre da existência de valores, princípios ou 
regras que se revestem de uma importância tal que delas podem depender o bom desenvolvimento e a própria existência 
da sociedade internacional. Nesse sentido, tais normas, que surgem a partir da própria dinâmica da sociedade 
internacional e que existem independente da vontade dos sujeitos de Direito Internacional, colocam-se acima da 
vontade dos Estados e devem, portanto, pautar as relações internacionais, devendo ser respeitadas por todos. 
 
1.2.2. A sociedade internacional 
1.2.2.1. A globalização: complexidade da noção de sociedade internacional contemporânea 
Vamos abordar aqui as 3 principais características da Sociedade Internacional Contemporânea que a diferencia da 
sociedade que a precedeu. São elas: a universalização ou mundialização; os novos atores internacionais e a anarquia no 
cenário internacional. 
 
A universalização é caracterizada por um cenário internacional caminhando para a unidade, marcado pela eliminação 
das fronteiras. Um bom exemplo para essa tendência são os blocos econômicos (Mercosul, União Europeia). 
 
Os novos atores internacionais representam uma nova ordem mundial, na qual não existem apenas sujeitos 
internacionais, dotados de personalidade jurídica internacional; mas também pessoas que apresentam papel de destaque 
no cenário internacional. Exemplo: ex-chefes de estado, grupos terroristas. 
 
A anarquia no cenário internacional representa a atual estrutura harmônica, em que os Estados são soberanos e 
independentes. A atual sociedade é anárquica, ou seja, marcada pela ausência de um poder central que dite as regras, 
oriente e subordine os Estados. 
 
1.2.3. As pessoas internacionais 
Sujeitos de direito: todo ente que possui direitos e deveres perante determinada ordem jurídica. 
 Pessoas internacionais: os destinatários das normas jurídicas internacionais. 
Personalidade jurídica do Estado: originária. 
Personalidade jurídica das organizações: Derivada. 
Indivíduos e empresas: não têm personalidade jurídica . 
 
1.2.4. As fontes do Direito Internacional 
O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, na sua função de decidir de acordo com o Direito 
Internacional, aplicará as fontes da seguinte forma: 
- as convenções internacionais; 
- os costumes internacionais; 
- os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas; 
- as decisões judiciais e as doutrinas dos publicitários de maior competência das diversas nações. 
 
Unidade 2 - O Estado 
2.1. Elementos 
 2 
 2.1.2. Redimensionamentos da noção de soberania 
 2.1.3. Responsabilidade Estatal 
Os elementos essenciais da responsabilidade internacional são os mesmos estabelecidos para a responsabilidade civil, 
quais sejam: a) objetivos: ato ilícito, imputabilidade e dano, e b) subjetivos: nexo de causalidade. 
Todavia, em direito internacional não se busca a responsabilidade subjetiva, mas apenas e tão somente a objetiva, pela 
qual caracteriza-se o ato ilícito (autoria típica de violação de norma de direito internacional) e que pode ser levada a 
efeito tanto por um chefe de Estado ou de Governo, um diplomata, um ministro ou ainda e também um representante 
dos demais órgãos componentes do poder legislativo ou judiciário, incorrendo, assim, na possível imputação. 
 
 2.1.4. Imunidade Estatal 
A imunidade de jurisdição é entendida como “o privilégio reconhecido a certas pessoas estrangeiras, em virtude dos 
cargos ou funções que exercem, de escaparem à jurisdição, tanto civil quanto criminal, do Estado em que se 
encontram”[1]. Tem como fundamento a necessidade de ser assegurado o respeito à independência do Estado a que 
essas pessoas pertencem. 
As Convenções de Viena sobre relações diplomáticas (1961) e consulares (1963), promulgadas no Brasil pelos Decretos 
56.435/1965 e 61.078/1967, estabelecem prerrogativas e imunidades às pessoas e bens ali indicados. 
 
O Diplomata representa o Estado de origem junto à soberania local, e para o trato bilateral dos assuntos de Estado. 
A seu turno,o Cônsul representa o Estado de origem com o intuito de atender, no território em que atue, aos interesses 
privados de seus compatriotas que ali se encontrem ou aos nacionais que pretendam visitar aquele país, ou estabelecer 
negociações comerciais. 
 
Neste ponto, de acordo com a Convenção de Viena de 1961, os membros do quadro diplomático de carreira (in 
casu, brasileiro, do embaixador ao terceiro-secretário), e os membros do quadro administrativo e técnico oriundos do 
Estado acreditante (tradutores, contabilistas), usufruem de ampla imunidade de jurisdição penal, civil e tributária. 
 
Os locais da missão diplomática, bens e locais residenciais utilizados pelos diplomatas, arquivos e documentos são 
fisicamente invioláveis, não podendo ser objeto de busca, requisição ou qualquer medida de execução. 
 
Neste passo, as Missões Diplomáticas permanentes compreendem Embaixadas em Estados estrangeiros e Delegações 
Permanentes junto a Organismos Internacionais, como a ONU e a OMC, por exemplo. 
 
Os Cônsules e funcionários consulares, nos termos da Convenção de Viena de 1963, usufruem de inviolabilidade física 
e de imunidade ao processo penal ou cível, apenas no tocante aos atos de ofício.Vale destacar, que estes privilégios, 
assim limitados, não se estendem aos membros familiares e nem a instalações residenciais (salvo a residência do Cônsul 
quanto a isenção de impostos). 
Os locais consulares são invioláveis na medida estrita de sua utilização funcional, e gozam de imunidade tributária .São 
invioláveis, em qualquer circunstância e onde quer que se encontrem, os arquivos e documentos consulares. 
 
 A imunidade penal dos Cônsules, por ser limitada aos atos de ofício, autoriza, nos casos de crimes comuns, que sejam 
processados e punidos no local. Não são puníveis, pois, pelo Estado local, os crimes relacionados com a função 
consular, tais como fraudes em passaportes, guias de exportação, entre outros. 
 
 Somente o Estado acreditante, e ninguém mais, pode renunciar às imunidades de índole penal e civil de que usufruem 
os seus representantes diplomáticos e consulares.Em caso algum, o próprio beneficiário da imunidade dispõe do direito 
de renúncia. 
Obs: A imunidade diplomatica é mais ampla que a consular, enquanto aprimeira é absoluta em materia, civil, penal e 
tributária, a outra, é estendida apenas aos atos de ofício. 
Imunidade absoluta: atos deImpério 
Imunidade relativa: atos de gestão 
Não há imunidade absoluta de jurisdição com relação a matéria trabalhista. ( OJ 416) 
“Imunidade de jurisdição. Organização ou organismo internacional. As organizações ou organismos internacionais 
gozam de imunidade absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento 
jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. 
Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à cláusula de imunidade 
jurisdicional”. 
 
Por todo o exposto pode-se concluir que: 
(i) a atual jurisprudência brasileira consagrou posição que afasta a figura da imunidade absoluta do Estado estrangeiro, 
submetendo-o à jurisdição nacional quando pratica os denominados atos de gestão; 
(ii) tal relativização em nada modifica a situação da imunidade diplomática e consular prevista nas Convenções de 
Viena de 1961 e 1963; 
(iii) a imunidade de jurisdição relativa é aplicável ao processo de conhecimento, não sendo estendida ao processo de 
execução, salvo renúncia expressa e específica do Estado estrangeiro; (iv) é inviável, à luz do direito internacional, a 
 3 
adoção de medidas de constrição de bens afetados à missão diplomática, inclusive numerário depositado em contas 
correntes. 
 
A execução de bens de Estados estrangeiros somente é possível no caso de expressa renúncia por parte do executado. 
 
Imunidade diplomática ( Convenção de Viena) 
Os locais da Missão são invioláveis 
Os locais da Missão, em mobiliário e demais bens nêles situados, assim como os meios de transporte da Missão, não 
poderão ser objeto de busca, requisição, embargo ou medida de execução 
 
O Estado acreditante e o Chefe da Missão estão isentos de todos os impostos e taxas, nacionais, regionais ou 
municipais, sôbre os locais da Missão de que sejam proprietários ou inquilinos, excetuados os que representem o 
pagamento de serviços específicos que lhes sejam prestados. 
 
A pessoa do agente diplomático é inviolável. Não poderá ser objeto de nenhuma forma de detenção ou prisão. 
A residência particular do agente diplomático goza da mesma inviolabilidade e proteção que os locais da missão . 
 O agente diplomático gozará de imunidade de jurisdição penal do Estado acreditado. Gozará também da 
imunidade de jurisdição civil e administrativa, a não ser que se trate de: 
 a) uma ação real sôbre imóvel privado situado no território do Estado acreditado, salvo se o agente diplomático o 
possuir por conta do Estado acreditado para os fins da missão. 
 b) uma ação sucessória na qual o agente diplomático figure, a titulo privado e não em nome do Estado, como 
executor testamentário, administrador, herdeiro ou legatário. 
 c) uma ação referente a qualquer profissão liberal ou atividade comercial exercida pelo agente diplomático no 
Estado acreditado fora de suas funções oficiais. 
 
O agente diplomático não esta sujeito a nenhuma medida de execução a não ser nos casos previstos nas alíneas " a ", 
" b " e " c " do parágrafo 1 dêste artigo e desde que a execução possa realizar-se sem afetar a inviolabilidade de sua 
pessoa ou residência. 
 
 4. A imunidade de jurisdição de um agente diplomático no Estado acreditado não o isenta da jurisdição do Estado 
acreditante. 
O Estado acreditante pode renunciar à imunidade de jurisdição dos seus agentes diplomáticos e das pessoas que gozam 
de imunidade nos têrmos do artigo 37. 
 2. A renuncia será sempre expressa. 
 
 O agente diplomático gozará de isenção de todos os impostos e taxas, pessoais ou reais, nacionais, regionais ou 
municipais, com as exceções seguintes: 
 a) os impostos indiretos que estejam normalmente incluídos no preço das mercadorias ou dos serviços; 
 b) os impostos e taxas sôbre bens imóveis privados situados no território do Estado acreditado, a não ser que o 
agente diplomático os possua em nome do Estado acreditante e para os fins da missão; 
 c) os direitos de sucessão percebidos pelo Estado acreditado, salvo o disposto no parágrafo 4 do artigo 39; 
 d) os impostos e taxas sôbre rendimentos privados que tenham a sua origem no Estado acreditado e os impostos 
sôbre o capital referentes a investimentos em emprêsas comerciais no Estado acreditado. 
 e) os impostos e taxas que incidem sôbre a remuneração relativa a serviços específicos; 
 f) os direitos de registro, de hipoteca, custas judiciais e impôsto de selo relativos a bens imóveis, salvo o disposto 
no artigo 23. 
 
Os membros da família de um agente diplomático que com êle vivam gozarão dos privilégios e imunidade 
mencionados nos artigos 29 e 36, desde que não sejam nacionais do estado acreditado. 
 
Os membros do pessoal administrativo e técnico da missão, assim como os membros de suas famílias que com êles 
vivam, desde que não sejam nacionais do estado acreditado nem nêle tenham residência permanente, gozarão dos 
privilégios e imunidades mencionados nos artigos 29 a 35 com ressalva de que a imunidade de jurisdição civil e 
administrativa do estado acreditado, mencionado no parágrafo 1 do artigo 31, não se estenderá aos atos por êles 
praticados fora do exército de suas funções; gozarão também dos privilégios mencionados no parágrafo 1 do artigo 36, 
no que respeita aos objetos importados para a primeira instalação. 
 
Os membros do pessoal de serviço da Missão e Os criados particulares dos membros da Missão, que não sejam 
nacionais do Estado acreditado nem nêle tenham residência permanente, estão isentos de impostos e taxas sôbre os 
salários que perceberem pelos seus serviços. Nos demais casos, só gozarão de privilégios e imunidades na medida 
reconhecida pelo referido Estado. Todavia, o Estado acreditado deverá exercer a sua jurisdição sôbre tais pessoas de 
modo a não interferir demasiadamente como o desempenho das funções da Missão. 
 
OBS: A ruptura de relações diplomáticas ou consulares entre as partes, no que toca a tratado entre elas pactuado, nos 
termos da Convenção de Viena sobre direito dos tratados: 
não afeta as relações jurídicas estabelecidas por elas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações 
 4 
diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado . 
 
 2.1.5. Nacionalidade: 
A) NACIONALIDADE ORIGINÁRIA: 
jus soli ----O indivíduo tem a nacionalidade do terRitorio que nasceu.(continente americano) 
jus sanguinis ---- O indivíduo tem a nacionalidade de seus genitores, qualquer que seja o lugar de seu nascimento. 
( continente europeu) 
sistema misto----Os Estados não adotam rigidamente um só critério. 
 
OBS: Brasil, regra geral do jus soli ( art 12, I , a da CF) 
Art. 12. São brasileiros: 
I - natos: 
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a 
serviço de seu país; 
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República 
Federativa do Brasil; 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira 
competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a 
maioridade, pela nacionalidade brasileira; 
 
II - naturalizados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua 
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze 
anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira 
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão 
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. 
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta 
Constituição. 
 
 
B) FORMAS DE AQUISIÇÃO DE NACIONALIDADE 
 NACIONALIDADE ORIGINÁRIA: com o nascimento (jus soli ou jus sanguinis) 
NACIONALIDADE ADQUIRIDA: pela vontade da lei, por permissão da lei,pelo casamento e pela naturalização. 
 
a) pela vontade da lei: art. 69,§ 4 da CF ??????? 
b) por permissão da lei: os indivíduos a quem a lei se dirige precisa manifestar a sua vontade ) art, 12, II, a e b da CF) 
c) pelo casamento: 
d ) pela naturalização: No Brasil, a naturalização se concede por portaria do Ministro da Justiça. 
 
C) PERDA DA NACIONALIDADE: 
No Brasil: 
art 12, §4, da CF: Sera declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: 
 
II- adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: 
a) de reconhecimento de nacionalidade originaria pela lei estrangeira. 
b)de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro........ 
 
Obs.: O brasileiro nato, qualquer que seja a natureza e a circunstancia do delito, não pode ser extraditado, pelo Brasil, 
a pedido de governo estrangeiro. 
 
EFEITOS DA NATURALIZAÇÃO 
 
A naturalização não tem efeito retroativo, isto é, não isenta o naturalizado de obrigações anteriormente assumidas. 
É individual, quer dizer, que não atinge o conjuge, nem seus filhos. 
Confere ao naturalizado todos os direitos do nato, exceto os cargos privativos de brasileiros natos: Presidente e vice 
pres. da Republica, Presidente da Camara dos deputados, Pres. do SF, Ministro do STF, carreira diplomatica, oficial das 
forças armadas, Ministro do Estado de Defesa. 
 
 2.1.6. A condição do Estrangeiro: 
Legislação: LEI Nº 6.815, DE 19 DE AGOSTO DE 1980. 
Define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, cria o Conselho Nacional de Imigração. 
Tipos de vistos; 
Ao estrangeiro que pretenda entrar no território nacional poderá ser concedido visto: 
 I - de trânsito; ( por no max. 10 dias) 
 5 
 II - de turista; ( valido por 5 anos, permanencia total de 180 dias por ano) 
 III – temporário; 
 IV - permanente; 
 V - de cortesia; 
 VI - oficial; e 
 VII - diplomático. 
Parágrafo único. O visto é individual e sua concessão poderá estender-se a dependentes legais, observado o disposto no 
artigo 7º. 
 
Art. 7º Não se concederá visto ao estrangeiro: 
 I - menor de 18 (dezoito) anos, desacompanhado do responsável legal ou sem a sua autorização expressa; 
 II - considerado nocivo à ordem pública ou aos interesses nacionais; 
 III - anteriormente expulso do País, salvo se a expulsão tiver sido revogada; 
 IV - condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição segundo a lei brasileira; ou 
 V - que não satisfaça às condições de saúde estabelecidas pelo Ministério da Saúde. 
 
DEPORTAÇÃO 
Art. 57. Nos casos de entrada ou estada irregular de estrangeiro, se este não se retirar voluntariamente do território 
nacional no prazo fixado em Regulamento, será promovida sua deportação . 
Art. 63. Não se procederá à deportação se implicar em extradição inadmitida pela lei brasileira. 
Art. 64. O deportado só poderá reingressar no território nacional se ressarcir o Tesouro Nacional, com correção 
monetária, das despesas com a sua deportação e efetuar, se for o caso, o pagamento da multa devida à época, também 
corrigida. 
 
EXPULSÃO 
Art. 65. É passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem 
política ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne 
nocivo à conveniência e aos interesses nacionais . 
 
Parágrafo único. É passível, também, de expulsão o estrangeiro que: 
 a) praticar fraude a fim de obter a sua entrada ou permanência no Brasil; 
b) havendo entrado no território nacional com infração à lei, dele não se retirar no prazo que lhe for determinado para 
fazê-lo, não sendo aconselhável a deportação; 
c) entregar-se à vadiagem ou à mendicância; ou 
d) desrespeitar proibição especialmente prevista em lei para estrangeiro. 
 
Art. 66. Caberá exclusivamente ao Presidente da República resolver sobre a conveniência e a oportunidade da 
expulsão ou de sua revogação. 
Parágrafo único. A medida expulsória ou a sua revogação far-se-á por decreto. 
 
Art. 75. Não se procederá à expulsão: 
 I - se implicar extradição inadmitida pela lei brasileira; ou 
 II - quando o estrangeiro tiver: 
 a) Cônjuge brasileiro do qual não esteja divorciado ou separado, de fato ou de direito, e desde que o casamento 
tenha sido celebrado há mais de 5 (cinco) anos; ou 
 b) filho brasileiro que, comprovadamente, esteja sob sua guarda e dele dependa economicamente. 
 § 1º. não constituem impedimento à expulsão a adoção ou o reconhecimento de filho brasileiro supervenientes ao 
fato que o motivar. 
 § 2º. Verificados o abandono do filho, o divórcio ou a separação, de fato ou de direito, a expulsão poderá efetivar-
se a qualquer tempo. 
 
EXTRADIÇÃO 
Art. 76. A extradição poderá ser concedida quando o governo requerente se fundamentar em tratado, ou quando 
prometer ao Brasil a reciprocidade. 
 
 Art. 77. Não se concederá a extradição quando: 
 I - se tratar de brasileiro, salvo se a aquisição dessa nacionalidade verificar-se após o fato que motivar o pedido; 
 II - o fato que motivar o pedido não for considerado crime no Brasil ou no Estado requerente; 
 III - o Brasil for competente, segundo suas leis, para julgar o crime imputado ao extraditando; 
 IV - a lei brasileira impuser ao crime a pena de prisão igual ou inferior a 1 (um) ano; 
 V - o extraditando estiver a responder a processo ou já houver sido condenado ou absolvido no Brasil pelo mesmo fato 
em que se fundar o pedido; 
 VI - estiver extinta a punibilidade pela prescrição segundo a lei brasileira ou a do Estado requerente; 
VII - o fato constituir crime político; e 
 VIII - o extraditando houver de responder, no Estado requerente, perante Tribunal ou Juízo de exceção. 
 6 
 
§ 2º Caberá, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal, a apreciação do caráter da infração. 
 
Art. 78. São condições para concessão da extradição: 
I - ter sido o crime cometido no território do Estado requerente ou serem aplicáveis ao extraditando as leis penais 
desse Estado; e 
II - existir sentença final de privação de liberdade, ou estar a prisão do extraditando autorizada por Juiz, Tribunal ou 
autoridade competente do Estado requerente, salvo o disposto no artigo 82. 
 
Art. 79. Quando mais de um Estado requerer a extradição da mesma pessoa, pelo mesmo fato, terá preferência o pedido 
daquele em cujo território a infração foi cometida. 
 
 § 1º Tratando-se de crimes diversos, terão preferência, sucessivamente: 
 I - o Estado requerente em cujo território haja sido cometido o crime mais grave, segundo a lei brasileira; 
 II - o que em primeiro lugar houver pedido a entrega do extraditando, se a gravidade dos crimes for idêntica; e 
 III - o Estado de origem, ou, na suafalta, o domiciliar do extraditando, se os pedidos forem simultâneos. 
 
 § 2º Nos casos não previstos decidirá sobre a preferência o Governo brasileiro. 
 § 3º Havendo tratado ou convenção com algum dos Estados requerentes, prevalecerão suas normas no que disserem 
respeito à preferência de que trata este artigo. 
 
Art. 80. A extradição será requerida por via diplomática ou, quando previsto em tratado, diretamente ao 
Ministério da Justiça, devendo o pedido ser instruído com a cópia autêntica ou a certidão da sentença condenatória ou 
decisão penal proferida por juiz ou autoridade competente. 
 
Art. 83. Nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal 
sobre sua legalidade e procedência, não cabendo recurso da decisão. 
 Art. 88. Negada a extradição, não se admitirá novo pedido baseado no mesmo fato. 
 
É expressamente proibida pela CF a extradição, mas a entrega de brasileiro nato a autoridades estrangeiras é permitido. 
( TPI) 
 
DIREITOS E DEVERES DO ESTRANGEIRO 
O estrangeiro residente no Brasil goza de todos os direitos reconhecidos aos brasileiros, nos termos da Constituição e 
das leis. 
Sempre que lhe for exigido por qualquer autoridade ou seu agente, o estrangeiro deverá exibir documento 
comprobatório de sua estada legal no território nacional. 
Ao estrangeiro que se encontra no Brasil ao amparo de visto de turista, de trânsito ou temporário na condição de 
estudante, bem como aos dependentes de titulares de quaisquer vistos temporários é vedado o exercício de atividade 
remunerada. 
Ao estrangeiro titular de visto temporário e ao que se encontre no Brasil na condição de trabalhador de país limítrofe, é 
vedado estabelecer-se com firma individual, ou exercer cargo ou função de administrador, gerente ou diretor de 
sociedade comercial ou civil, bem como inscrever-se em entidade fiscalizadora do exercício de profissão 
regulamentada. 
Aos estrangeiros portadores do visto na condição de cientista, professor, técnico ou profissional de outra categoria, sob 
regime de contrato ou a serviço do Governo brasileiro, é permitida a inscrição temporária em entidade fiscalizadora 
do exercício de profissão regulamentada. 
O estrangeiro admitido na condição de temporário, sob regime de contrato, só poderá exercer atividade junto à entidade 
pela qual foi contratado, na oportunidade da concessão do visto, salvo autorização expressa do Ministério da Justiça, 
ouvido o Ministério do Trabalho. 
O estrangeiro registrado é obrigado a comunicar ao Ministério da Justiça a mudança do seu domicílio ou residência, 
devendo fazê-lo nos 30 (trinta) dias imediatamente seguintes à sua efetivação. 
O portador de visto de cortesia, oficial ou diplomático só poderá exercer atividade remunerada em favor do Estado 
estrangeiro, organização ou agência internacional de caráter intergovernamental a cujo serviço se encontre no País, ou 
do Governo ou de entidade brasileiros, mediante instrumento internacional firmado com outro Governo que encerre 
cláusula específica sobre o assunto. 
Ao titular de quaisquer dos vistos referidos não se aplica o disposto na legislação trabalhista brasileira. 
Prestar assistência religiosa a estabelecimento de internação coletiva sujeita o estrangeiro a pena de detenção e 
expulsão. (QC) 
 
Art. 106. É vedado ao estrangeiro: 
 I - ser proprietário, armador ou comandante de navio nacional, inclusive nos serviços de navegação fluvial e lacustre; 
 II - ser proprietário de empresa jornalística de qualquer espécie, e de empresas de televisão e de radiodifusão, 
sócio ou acionista de sociedade proprietária dessas empresas; 
 III - ser responsável, orientador intelectual ou administrativo das empresas mencionadas no item anterior; 
 7 
 IV - obter concessão ou autorização para a pesquisa, prospecção, exploração e aproveitamento das jazidas, minas e 
demais recursos minerais e dos potenciais de energia hidráulica; 
 V - ser proprietário ou explorador de aeronave brasileira, ressalvado o disposto na legislação específica; 
 VI - ser corretor de navios, de fundos públicos, leiloeiro e despachante aduaneiro; 
 VII - participar da administração ou representação de sindicato ou associação profissional, bem como de entidade 
fiscalizadora do exercício de profissão regulamentada; 
 VIII - ser prático de barras, portos, rios, lagos e canais; 
 IX - possuir, manter ou operar, mesmo como amador, aparelho de radiodifusão, de radiotelegrafia e similar, salvo 
reciprocidade de tratamento; e 
 X - prestar assistência religiosa às Forças Armadas e auxiliares, e também aos estabelecimentos de internação 
coletiva. 
 § 1º O disposto no item I deste artigo não se aplica aos navios nacionais de pesca. 
 § 2º Ao português, no gozo dos direitos e obrigações previstos no Estatuto da Igualdade, apenas lhe é defeso: 
 a) assumir a responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa das empresas mencionadas no item 
II deste artigo; 
 b) ser proprietário, armador ou comandante de navio nacional, inclusive de navegação fluvial e lacustre, ressalvado 
o disposto no parágrafo anterior; e 
 c) prestar assistência religiosa às Forças Armadas e auxiliares. 
 
Art. 107. O estrangeiro admitido no território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem se 
imiscuir, direta ou indiretamente, nos negócios públicos do Brasil. 
 
Unidade 3 
3.1. Os Tratados Internacionais 
3.2. Definição e conceitosUm tratado internacional é um acordo[1] resultante da convergência das vontades de dois 
ou mais sujeitos de direito internacional,[1]formalizada num texto escrito,[2] com o objetivo de produzir efeitos 
jurídicos[1] no plano internacional. Em outras palavras, o tratado é um meio pelo qual sujeitos de direito internacional – 
principalmente os Estados nacionais e as organizações internacionais – estipulam direitos e obrigações entre si. 
 
3.3. Classificação e fundamentos 
Quanto ao número de partes 
Os tratados podem ser bilaterais (duas Partes) ou multilaterais (mais de duas Partes). Alguns juristas distinguem, ainda, 
os tratados plurilaterais (mais de duas Partes), reservando o termo “multilateral” ao tratado com grande número de 
Partes. 
Quanto à natureza do objeto 
Alguns juristas classificam os tratados em normativos e contratuais, segundo produzam norma de conduta para as Partes 
(“tratado-lei”) ou apenas resultem num negócio jurídico (“tratados-contrato”).Outros negam validade a este tipo de 
distinção. 
O tratado por ter prazo determinado ou indeterminado para a sua efetivação. O tratado de prazo determinado fixa a data 
de inicio e indica também a data que o mesmo deveria ter o seu término. 
 
3.4. Condições de validade, efeitos e execução 
CAPACIDADE DAS PARTES 
A primeira condição de validade dos tratados internacionais no Brasil diz respeito à capacidade das partes. O Direito 
Internacional Público consagra como atores capazes de concluir tratados, não só apenas os Estados soberanos, mas 
também as organizações internacionais. 
 
Conjugação de Vontades 
No ordenamento jurídico brasileiro, os tratados internacionais são disciplinados diretamente na Constituição Federal. O 
art. 84, VIII, disciplina ser ato privativo do Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos 
internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional. Complementando esse artigo, diz o art. 49, I que é da 
competência exclusiva do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais 
que acarretem encargos ou compromisso gravosos ao patrimônio nacional.Outras Condições de Validade 
Há outras condições de validade para os tratados internacionais no Brasil, mas que na são tratadas de forma específica 
pelo ordenamento jurídico pátrio, sendo disciplinadas pela própria Convenção de Viena. 
Uma dessas condições é que o objeto dos tratados internacionais deve ser lícito e possível. Essa licitude envolve tanto o 
plano do direito como da moral. O artigo 53 da Convenção exige um respeito ao ius cogens que são os princípios 
gerais do Direito Internacional. 
Outra condição geral é a de que o consentimento de adesão de um Estado ao tratado deve ser mútuo e livre, ocorrendo 
de forma expressa e inequívoca. Existindo atos ilícitos como erro, dolo, corrupção e coação e sendo estes 
 8 
devidamente comprovados, o tratado será passível de nulidade ou anulabilidade. 
É importante destacar que a violação de disposições de direito interno sobre competência para concluir tratados também 
é causa de nulidade. No caso do Brasil, então, se o tratado não for referendado pelo Congresso Nacional, será inválido. 
 
3.5. Fases de elaboração 
FASES : 
A) EXTERNA: 
 NEGOCIAÇÃO 
 ASSINATURA: ( ART 84, VIII, CF) COMPETENCIA PRIVATIVA DO PRES. DA REPUBLICA 
 
B) INTERNA: 
 CN (COMP. EXCLUSIVA) : DECRETO LEGISLATIVO 
 RATIFICAÇÃO PELO PRES.REP. ( ATO DISCRICIONÁRIO) DECRETO EXECUTIVO 
 PROMULGAÇÃO 
 PUBLICAÇÃO 
 VIGENCIA 
 
OBS: comp. privativa: pode delegar, a exclusiva, não. 
 
3.6. A relação entre o direito interno e o direito internacional: dualismo e monismo 
Defende a teoria dualista que o Direito Internacional e o Direito Interno são dois sistemas jurídicos distintos e 
independentes, regulando o último as relações entre os Estados e, por conseguinte, não originando obrigações para os 
indivíduos. 
Já a teoria monista determina que o Direito é único tanto nas relações do Estado para com a sociedade, quanto nas 
relações entre Estados. Esta teoria ainda divide-se em duas correntes. A denominada Monismo internacionalista prevê 
que, existindo dúvida entre a aplicação de normas do Direito Internacional face o Direito Interno a norma internacional 
prevalecerá sobre a interna. A outra, chamada de Monismo nacionalista defende que nesta mesma situação, a primazia 
será do direito Interno sobre o Direito Internacional. 
A Constituição Federal é silente quanto à teoria adotada pelo Brasil. Contudo, o Supremo Tribunal Federal se 
posicionou no sentido da aplicação da Teoria Dualista moderada, recebendo o Tratado Internacional status de Lei 
Ordinária, por disposição constitucional, salvo os casos de Tratados sobre Direitos Humanos, cujo 2º do 
artigo 5º da CF lhes atribui eficácia de norma supralegal. 
 
3.6.1. A incorporação dos Tratados no Brasil 
Na atual regime jurídico brasileiro atual, os tratados em geral, para ingressarem na ordem jurídica interna, devem ser 
submetidos a um longo processo. Desde o início de sua formação até a incorporação, são identificadas seis 
fases: a) negociação; b) assinatura; c) mensagem ao Congresso; d) aprovação parlamentar mediante decreto 
legislativo; e)ratificação; f) promulgação do texto do tratado mediante decreto presidencial. 
 As duas primeiras fases (negociação e assinatura), por força do art. 84, inciso VIII, da CF, são de competência 
do Presidente da República. Contudo, em razão da possibilidade de delegação, quem as executa na prática são o 
Ministro das Relações Exteriores e os Chefes de Missões Diplomáticas. 
 Uma vez assinado, começa a fase interna de aprovação e execução do tratado, por meio uma mensagem do 
Presidente ao Congresso Nacional. Essa mensagem é um ato político em que são remetidos a justificativa e o inteiro 
teor do tratado. 
 Recebida a mensagem, formaliza-se a procedimento legislativo de aprovação. Iniciando-se na Câmara dos 
Deputados (tal como os projetos de lei de iniciativa do Presidente da República) e terminando no Senado, esse 
procedimento parlamentar visa à edição de um decreto legislativo, cuja promulgação é deflagrada pelo Presidente do 
Senado. 
 Conforme ensina Francisco Rezek, “o decreto legislativo exprime unicamente a aprovação”, razão pela qual ele 
não é promulgando na hipótese de rejeição legislativa ao tratado. Nesse caso, como bem registro aquele jurista, “cabe 
apenas a comunicação, mediante mensagem, ao Presidente da República”. (REZEK, Francisco. Parlamento e tratados: o 
modelo constitucional do Brasil. Revista de Informação Legislativa, v. 41, n.162, abr./jun. 2004). 
 Caso obtida a aprovação do Congresso, o decreto-legislativo será remetido ao Presidente da República para 
a ratificação. Contudo, uma vez ratificados, os tratados em geral ainda não surtem efeitos, quer na ordem interna, quer 
na ordem internacional. 
 Para produzirem efeitos perante o direito internacional, faz-se necessário o envio do instrumento ratificado pelo 
Presidente da República ao depositário do tratado, que o protocolará e enviará cópia aos outros Estados que integram o 
pacto internacional. 
 Para produzir efeitos na ordem interna, deve ocorrer apromulgação de Decreto do Poder Executivo (ato com 
força de lei) pelo Presidente. Segundo o Ministro Celso de Mello do STF, a edição desse ato presidencial acarreta três 
efeitos: a) promulgação do tratado; b) publicação oficial de seu texto; c) executoriedade do ato internacional que passa 
então a “vincular e obrigar no plano no plano do direito positivo interno”, tal como uma lei ordinária (STF, ADI nº 
 9 
1.480-3/DF, DJ 18/05/2001). 
 Por fim, cabem aqui duas observações: a) tratados em geral não podem versar sobre temas afetos à lei 
complementar, pois possuem força de leis ordinárias (STF, ADI nº 1.480-3/DF, DJ 18/05/2001); b) tratados revogam 
leis ordinárias anteriores; porém, esses diplomas internacionais não são revogados por leis posteriores. Estas últimas 
apenas afastam sua aplicação enquanto vigorarem. Caso revogada a lei posterior incompatível, o tratado volta a 
produzir efeitos. 
 
Incorporação dos tratados sobre Direitos Humanos 
EC nº 45/2003 introduziu o § 3º ao art. 5º da CF, cujo teor é o seguinte: “Os tratados e convenções internacionais 
sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três 
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. 
 
HIERARQUIA DOS TRATADOS 
 
REGRA GERAL: OS TRATADOS INTERNACIONAIS TEM O MESMO NIVEL QUE AS LEIS ORDINÁRIAS 
FEDERAL 
 
*** EXCEÇÕES: 
1) CTN 
2) DIREITOS HUMANOS; 
 EC= OS QUE FOREM APROVADOS, EM CADA CASA DO CN, EM 2 TURNOS, POR 3/5 DOS VOTOS. 
 NORMA SUPRALEGAL= QUANDO NAO SÃO APROVADOS COM O QUORUN ACIMA ( ESTÃO 
ACIMA DAS LEIS E NORMAS INFRA CONSTITUCIONAIS, POREM ABAIXO DA CF) 
 
OBS: SV N.25 – PACTO SAO JOSE DA COSTA RICA, QUE PROIBIU A PRISÃO DO DEPOSITÁRIO INFIEL 
 
3.7. Uma perspectiva contemporânea do direito internacional 
3.7.1. O jus cogens e o soft law 
A norma do jus cogens é aquela norma imperativa de Direito Internacional geral, aceita e reconhecida pela sociedade 
internacional em sua totalidade, como uma norma cuja derrogação é proibida e só pode sofrer modificação por meio 
de outra norma da mesma natureza. 
Um exemplo reconhecido de "jus cogens" é a Declaração Universal dos Direitos Humanosda ONU de 1948, que apesar 
de não ser uma norma formalmente cogente, já que não é um tratado, possui obrigatoriedade material, uma vez que foi 
votada na assembleia geral das nações unidas. 
 
Soft law é expressão usada para designar uma realidade bastante ampla e variada.Em um sentido mais genérico, refere-
se a qualquer instrumento regulatório dotado de força normativa limitada, isto é, que em princípio não é vinculante, não 
cria obrigações jurídicas, mas ainda assim pode produzir certos efeitos concretos aos destinatários. Às vezes a expressão 
identifica documentos cuja própria forma é “soft”, como memorandos de entendimentos e recomendações, às vezes 
conteúdos pouco constritivos, como normas e princípios formulados com cláusulas gerais e conceitos jurídicos 
indeterminados, outras vezes ainda regras que não podem ser impostas por mecanismos compulsórios de resolução de 
disputas. 
 
Unidade 4 - Organizações Internacionais 
 
4.1. Objetivo comum e cooperação entre as nações 
 4.1.1. Personalidade e capacidade jurídica 
Os Estados possuem personalidade jurídica originária, enquanto as organizações internacionais possuem personalidade 
jurídica derivada. Diz-se isso porque o Estado é antes de tudo uma realidade física, um espaço territorial sobre o qual 
vive uma comunidade de indivíduos. A organização internacional, por sua vez, depende da vontade conjugada de certo 
número de Estados para existir, ela é produto exclusivo de elaboração jurídica. 
OBS: Organizações Internacionais são entidades formadas por Estados e que são detentoras de personalidade jurídica 
de Direito Internacional. Isto significa que as ONGs, (Organização Não-Governamental), não são Organizações 
Internacionais, pois nenhum Estado está diretamente ligado a elas. São formadas por cidadãos ou empresas, como por 
exemplo, a Fundação Ayrton Sena, a Organização Roberto Marinho, etc. 
 
O que define se a organização é uma Organização Internacional de personalidade jurídica ou uma ONG é o seu 
Estatuto. 
O estatuto é um tratado internacional e adquire algumas características, e dentre elas sempre deve existir aquela que diz 
como os Estados vão aceitar ou não aquele tratado, e como comunicam uns aos outros que o aceitaram ou não. 
 10 
 
 
 
 
 
 4.1.2. Competências: 
Normativa: no exercício de sua função normativa, a OI vai emitir normativas regulamentares próprias de seu arcabouço 
jurídico interno, já que possui personalidade jurídica própria. 
 
- Operacional: é por meio dela que executará normas provenientes do seu próprio arcabouço jurídico. 
 
- Controle: fiscaliza e controla a execução de suas normas por parte dos Estados-membros. 
 
- Impositiva: faz com que possa a OI impor uma sanção a um Estado-membro, exercendo com autonomia a 
independência sua personalidade jurídica. 
 
 Espécies de Organizações Internacionais: 
I – Quanto à abrangência: regionais (ligadas a assuntos de determinado bloco regional. Ex: Mercosul) ou universais 
(atuação universal. Ex: OIT). 
II – Quanto à finalidade: gerais (cuidam de uma variedade de temas. Ex: ONU) ou especiais (cuidam de temas 
específicos. Ex: OIT, OMC, OMS). 
III – Quanto à natureza: intergovernamentais (os Estados não renunciam à sua soberania em favor da OI) ou 
supranacionais (os Estados-membros renunciam à parcela de sua soberania em favor de órgãos da OI. Ex: União 
Europeia). Essa classificação que depende do nível de autonomia concedida às OIs pelos Estados-membros. 
IV – Quanto à abertura a terceiros Estados: abertas (admite como membros Estados que não participaram de sua 
criação, independentemente de preenchimento de requisitos ou condições de validade), semiabertas (admite a 
participação de terceiros, mediante o preenchimento de requisitos ou condições especiais) ou fechadas (não admitem o 
ingresso de Estados que não participaram de sua constituição). 
 
IMUNIDADES E PRIVILÉGIOS ( situação se explica pelo fato da necessidade de garantir liberdade e segurança na 
missão desenvolvida) 
a) imunidade de jurisdição 
b) isenções fiscais 
c) garantia de livre comunicação 
d) inviolabilidade dos locais afetos à OI 
e) inviolabilidade de arquivos 
f) garantia de que os bens não serão expropriados ou confiscados. 
 
* tal previsão é extensiva aos representantes e funcionários da Organização para o exercício de suas atividades. 
** As OIs gozam de imunidade de jurisdição ABSOLUTA (em regra), com fundamento nos TRATADOS 
INTERNACIONAIS. Essa imunidade de jurisdição rege-se pelo que se encontra efetivamente avençado nos referidos 
tratados ou acordo sede (entre OI e o país em que ela se instala). 
*** O TST editou, em 2012, a OJ 416, que busca esclarecer a diferença entre a imunidade de jurisdição do Estado 
(relativa) e a das OIs (absoluta). 
**** Cabe, ainda, mencionar a forma como as organizações internacionais mantêm suas receitas para que possam 
cumprir suas atividades, seu quadro pessoal, enfim, seu funcionamento. A receita das organizações resulta, em sua 
maioria, da cotização dos Estados Membros. Observa-se que em relação a tal assunto, encontra-se o princípio da 
isonomia entre os Estados, não sendo as cotizações paritárias. Assim cada Estado contribui com uma porcentagem 
equivalente ao seu poder econômico. 
 
- Direito de legação 
Possibilidade de enviar uma missão diplomática para o território de seus membros e ate mesmo para os estados que na 
fazem pare dela, para a promoção da paz , da cooperação e da solidariedade. 
 
-Demandar reclamações internacionais 
Pode demandar em tribunais internacionais para que haja o restabelecimento de um direito seu que foi violado, ou 
mesmo de sofrer uma sanção no plano internacional. 
 
4.1.2.1. Os atos unilaterais e seus efeitos jurídicos 
São aqueles em que a manifestação de vontade de uma pessoa de direito vai produzir efeitos na Ordem Internacional. 
Quem pode formular Atos Unilaterais são os Estados e as Organizações Internacionais. O Indivíduo não poderá 
formulá-lo. 
Além da pessoa do direito, deve-se observar também se o órgão daquela pessoa é competente para formular Atos 
 11 
Unilaterais (neste caso, o Poder Executivo), que deverão por sua vez ter um objeto lícito e possível, além de não conter 
vícios de consentimento. Não poderão ferir a moral internacional nem a norma imperativa do DI (Jus Cogens). 
 
O Ato Unilateral tem sido considerado pelos modernos doutrinadores do DI como uma de suas fontes, embora não se 
encontre entre as fontes a serem aplicadas pela Corte Internacional de Justiça, conforme a enumeração do art. 38 do 
seu Estatuto (Estatuto da CIJ). É considerado fonte de 3º grau, uma vez que eles tiram o seu fundamento do Costume ou 
Tratado Internacional. 
 
Os atos unilaterais são praticados por uma só pessoa, por uma só parte. Constituem declaração de vontade de um só 
Estado, criando para ele obrigações; geram, contudo, direitos para outras pessoas. Exemplo é a concessão de asilo 
político concedido pelo governo brasileiro ao destituído presidente do Paraguai. Corresponde o ato unilateral ao que, no 
plano interno, é chamado de “declaração unilateral de vontade”, porém produz efeitos perante outros Estados. São os 
mais comuns: reconhecimento, protesto, notificação e renúncia. 
 
O “reconhecimento” é o ato pelo qual um Estado acata o direito de outro Estado; atende a um pedido deste. É o que 
aconteceu recentemente quando o Brasil reconheceu como legítimo o novo governo argentino, resultando da eleição de 
sua presidenta. A Argentina comunicou a posse da presidenta e pediu seu reconhecimento, sento atendida. 
 
O “protesto” é ato de sentido oposto ao do reconhecimento. Pelo protesto, um governo nega o direito ou a pretensão de 
outro. Manifesta sua não-concordância com o ato praticado por outro Estado. Foi o que aconteceu quando a Argentina 
invadiu as Ilhas Malvinas. A Inglaterra lavrou seu protesto, alegando sua soberania sobreaquelas ilhas. 
 
A “notificação” é a manifestação expressa e formal da vontade de um Estado; é um tipo de comunicação oficial. Pela 
notificação, um Estado emite sua opinião a respeito de problema ou ato de outro Estado. 
 
A “renúncia” é o ato pelo qual um Estado abre mão de um direito. 
 
Vamos citar alguns exemplos. Um país que deseje entrar em guerra contra outro, deverá fazer-lhe uma notificação, 
chamada “declaração de guerra”. Deve também fazer outra notificação, chamada “ruptura de relações diplomáticas”. 
Outro exemplo pode ser indicado: se um país tomar conta de um território abandonado, uma res nullius, deverá dar 
notificação a todos os demais países. É também considerado ato jurídico o silêncio. Assim, se um país ocupa um 
território abandonado, notifica outros países e estes não protestam, interpreta-se como aprovado o ato. Aplica-se 
também no plano internacional o princípio do direito romano em vigor no plano nacional: qui tacet cum loqui potuit e 
debuit consentire videtur = quem cala quando deve e pode falar, parece consentir. 
 
Os atos unilaterais praticados de forma continuada constituem o costume. Este aspecto é mais importante no plano 
internacional. No plano nacional, o costume é uma das fontes do direito, reconhecido na doutrina e pelo artigo 4º da Lei 
de Introdução ao Código Civil. Carece, porém, de menor importância no plano nacional, pois o direito interno é 
essencialmente legislado. No direito internacional, todavia, o costume é fonte primacial de direito, formando o direito 
consuetudinário. 
Os atos unilaterais e as resoluções das Ois embora não venham expressos no art 38 do ECIJ, são considerados 
pela doutrina como nova fonte de direito internacional. 
 
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DOS ATOS UNILATERAIS 
a) manifestação de vontade 
b) que seja realizado por um ou mais suj. de dir. internacional 
c)que a manifestação de vontade produza efeitos juridicos 
d)que sua eficacia ou validade não dependa de outros atos juridicos ( tratados, pe.) 
e) que o ato produzido esteja em conformidade com o dir. internacional. 
 
Os atos unilaterais se classificam em tácitos ( silencio) ou expressos( protestos, notificação, renúncia, etc) 
 
RESOLUÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS 
As manifestações desse suj. internacional ocorrem por meio de resoluções, que são produzidas para externar vários atos 
das Ois , tais como: uma recomendação, um convite, uma moção elogiosa, como tambem atribuir direitos e deveres 
para outros sujeitos. 
 
**As resoluções são normas originadas em uma OI e são obrigatórias para os Estados-membros, independente de 
qualquer ratificação de sua parte. 
*** A resolução caracteriza-se por ser unilateral. 
OBS 
 
1) As ONGs possuem personalidade jurídicas de natureza interna, isto é, não possuem personalidade jur. Internacional. 
 
1) Teoria Objetivista x Teoria Subjetivista 
A primeira defende que a personalidade jurídica esta fundamentada em uma norma de direito internacional, a segunda 
 12 
encontra amparo na idéia de manifestação da vontade dos Estados que resolvem cria-lo. 
 
 
 4.1.3. A O.M.C. 
A elevação dos níveis de vida, o pleno emprego, a expansão da produção e do comércio de bens e serviços, a proteção 
do meio ambiente, o uso ótimo dos recursos naturais em níveis sustentáveis e a necessidade de realizar esforços 
positivos para assegurar uma participação mais efetiva dos países em desenvolvimento no comércio internacional 
constituem os objetivos primordiais da OMC, conforme exposto em sua carta constitutiva. 
 
Esse organismo tem como atribuição administrar a implantação e operação de acordos comerciais multilaterais 
que moldam o novo sistema de comércio internacional; servir de foro para as negociações multilaterais; administrar 
todo um sistema de regras e procedimentos relativos à solução de controvérsias; administrar o mecanismo de Revisão 
de Políticas Comerciais (Trade Policy Review Mechanism) o qual através de revisões periódicas das políticas de 
comércio exterior dos membros busca dar transparência ao sistema multilateral de comércio. 
 
Entretanto, uma de suas funções merece especial destaque: funcionar como tribunal para os conflitos do comércio 
internacional, por intermédio do àrgão de Solução de Controvérsias, no qual os conflitos são resolvidos por meio de 
consultas entre os membros e as decisões são tomadas por um painel de especialistas4 e por um àrgão de Apelação. 
Qualquer país, membro ou não, pode ingressar um painel na OMC, buscando a solução de desentendimentos 
comerciais, bem como decisões sobre a real utilização e implementação das regras de comércio. 
 
Também imprescindível dizer que as negociações no âmbito da OMC seguirão o princípio do single undertaking - 
"compromisso único" - que obriga todos os membros a concordarem com todos os temas negociados e impede que os 
países escolham apenas os acordos de seus interesses. 
É regida por cinco princípios. 
O princípio da “não discriminação”, que garante tratamento igualitário a todos os membros no que se refere a 
privilégios comerciais e aos produtos importados e nacionais, os quais não podem ter privilégios em detrimentos dos 
importados; 
o princípio da “previsibilidade” de normas e do acesso aos mercados através da consolidação dos compromissos 
tarifários para bens e das listas de ofertas em serviços; 
o princípio da “concorrência legal” que visa coibir práticas desleais de comércio; 
o princípio da “proibição das restrições quantitativas” como proibições e quotas permitindo apenas quotas tarifárias 
desde que previstas nas listas de compromissos dos países; 
e por fim, o princípio do “tratamento especial e diferenciado para países em desenvolvimento” que pode ser 
interpretado como provisões visando aumentar as oportunidades de comércio para os países em desenvolvimento, 
cabendo aos países desenvolvidos providenciar acesso mais favorável aos seus mercados. 
 
DUMPING SOCIAL E A OMC 
 
O dumping social é o prejuízo causado aos trabalhadores de países em desenvolvimento, haja vista a não 
observância de padrões laborais básicos, além da utilização de artifícios ilegais como a de mão-de-obra 
escrava ou infantil, com o intuito de conter os gastos na produção, para que as transnacionais garantam 
uma maior competitividade de seus produtos no comércio internacional. Atualmente é a Organização 
Internacional do Trabalho - OIT que fiscaliza as violações aos direitos trabalhistas, todavia, a mesma só 
aplica coerções morais na tentativa de sujeitar seus membros a consolidarem o disposto em suas 
convenções Sem um meio eficaz para garantir a efetivação de direitos laborais resta claro a necessidade 
de atuação conjunta da aludida organização e da Organização Mundial do Comércio - OMC já que essa, 
além de coibir praticas comerciais desleais, também é apta a aplicar coerções sólidas, que atuariam como 
estímulo para o cumprimento das normas internacionais de trabalho. 
 
 4.1.4 A O.N.U. 
Origem: É uma organização intergovernamental criada para promover a cooperação internacional. Uma substituição à 
ineficiente Liga das Nações, a organização foi estabelecida em 24 de outubro de 1945, após o término da Segunda 
Guerra Mundial, com a intenção de impedir outro conflito como aquele. A organização é financiada com contribuições 
avaliadas e voluntárias dos países-membros. Seus objetivos incluem : 
 manter a segurança e a paz mundial, 
 promover os direitos humanos, 
 auxiliar no desenvolvimento econômico e no progresso social, 
 proteger o meio ambiente 
 e prover ajuda humanitária em casos de fome, desastres naturais e conflitos armados. 
 
Princípios : As Nações Unidas agem de acordo com os seguintes princípios:• A Organização se baseia no principio da igualdade soberana de todos seus membros; 
• Todos os membros se obrigam a cumprir de boa fé os compromissos da Carta; 
 13 
• Todos deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam 
ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais; 
• Todos deverão abster-se em suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao emprego da força contra 
outros Estados; 
• Todos deverão dar assistência às Nações Unidas em qualquer medida que a Organização tomar em 
conformidade com os preceitos da Carta, abstendo-se de prestar auxílio a qualquer Estado contra o qual as Nações 
Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo; 
• Cabe às Nações Unidas fazer com que os Estados que não são membros da Organização ajam de acordo com 
esses princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais; 
• Nenhum preceito da Carta autoriza as Nações Unidas a intervir em assuntos que são essencialmente da alçada 
nacional de cada país. 
 
Estrutura: Seis órgãos principais compõem as Nações Unidas: 
 a Assembleia Geral (assembleia deliberativa principal); (Para a aprovação da Assembleia Geral sobre questões 
importantes, é necessária a maioria de dois terços dos presentes e votantes.A Assembleia pode fazer 
recomendações sobre quaisquer matérias no âmbito da ONU, excetuando as questões de paz e segurança que 
estão sob consideração do Conselho de Segurança.) 
 o Conselho de Segurança (para decidir determinadas resoluções de paz e segurança);(O Conselho de 
Segurança é composto por 15 Estados-membros, sendo 5 membros permanentes -China,França, Rússia, Reino 
Unido e Estados Unidos- e por 10 membros temporários, atualmente a Áustria,Bósnia e 
Herzegovina,Brasil,Gabão,Japão,Líbano,México,Nigéria,Turquia e Uganda. Os cinco membros permanentes 
têm o poder de veto sobre as resoluções do Conselho, mas não processual, permitindo que um membro 
permanente impeça a adoção, mas não bloqueie o debate de uma resolução inaceitável por ele. Os dez 
membros temporários são mantidos em mandatos de dois anos conforme votado na Assembleia Geral sobre 
uma base regional. 
 O Conselho Econômico e Social (para auxiliar na promoção da cooperação econômica e social internacional e 
desenvolvimento); 
 o Secretariado(para fornecimento de estudos, informações e facilidades necessárias para a ONU), 
 e o Tribunal Internacional de Justiça (o órgão judicial principal). 
 Além desses, há órgãos complementares de todas as outras agências do Sistema das Nações Unidas, como 
a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo das Nações Unidas 
para a Infância (UNICEF). O chefe mais proeminente da ONU é o secretário-geral, cargo ocupado por Ban Ki-
moon desde 2007. 
 Conselho de segurança: 
 Ações: 
- Definição e execução de operações de paz em países que estão em processo de conflito militar; 
- Estabelecimento de sanções internacionais à países que adotam medidas que ameaçam a paz e a segurança no mundo 
ou em determinadas regiões; 
- Autorização de ações militares que visem o estabelecimento da paz. 
 
Conselho economico e social: composto por cinqüenta e quatro membros e destina-se ao estudo de questões relativas à 
saúde, economia, mulher, infância, trabalho etc. A ele estão subordinadas várias comissões, como a deDireitos 
Humanos, a FAO(Organização para a Agricultura e Alimentação), a OIT (Organização Internacional do Trabalho), 
a OMS (Organização Mundial da Saúde) e aUnesco (Organização das Nações Unidas para a educação, Ciência e 
Cultura). 
 
Secretariado: O secretário-geral da ONU, eleito pelo Conselho de Segurança mediante recomendação dos seus 
membros permanentes, tem o dever de atuar em todas as reuniões da Assembleia Geral, do Conselho de Segurança, do 
Conselho Econômico e Social e do Conselho de Tutela, além de desempenhar outras funções que lhe forem atribuídas 
por esses órgãos. 
 
A ONU utiliza seis línguas oficiais: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo 
 
 4.1.5. Integração Regional 
4.1.5.1. MERCOSUL 
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram, em 26 de março de 1991, o Tratado de Assunção, com vistas a criar o 
Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado de Assunção é a integração dos Estados 
Partes por meio da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, do estabelecimento de uma Tarifa Externa 
Comum (TEC), da adoção de uma política comercial comum, da coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais, 
e da harmonização de legislações nas áreas pertinentes. 
 
A configuração atual do MERCOSUL encontra seu marco institucional no Protocolo de Ouro Preto, assinado em 
 14 
dezembro de 1994. O Protocolo reconhece a personalidade jurídica de direito internacional do bloco, atribuindo-lhe, 
assim, competência para negociar, em nome próprio, acordos com terceiros países, grupos de países e organismos 
internacionais. O MERCOSUL caracteriza-se, ademais, pelo regionalismo aberto, ou seja, tem por objetivo não só o 
aumento do comércio intrazona, mas também o estímulo ao intercâmbio com outros parceiros comerciais. São Estados 
Associados do MERCOSUL a Bolívia (em processo de adesão ao MERCOSUL), o Chile (desde 1996), o Peru (desde 
2003), a Colômbia e o Equador (desde 2004). Guiana e Suriname tornaram-se Estados Associados em 2013. Com isso, 
todos os países da América do Sul fazem parte do MERCOSUL, seja como Estados Parte, seja como Associado. 
 
Na última década, o MERCOSUL demonstrou particular capacidade de aprimoramento institucional. Entre os inúmeros 
avanços, vale registrar: 
• a criação do Tribunal Permanente de Revisão (2002), 
• do Parlamento do MERCOSUL (2005), 
• do Instituto Social do MERCOSUL (2007), 
• do Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos (2009), 
• bem como a aprovação do Plano Estratégico de Ação Social do MERCOSUL (2010) 
• e o estabelecimento do cargo de Alto Representante-Geral do MERCOSUL (2010). 
 
Estados Partes: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai (desde 26 de março de 1991) e Venezuela (desde 12 de agosto de 
2012). 
Estado Parte em Processo de Adesão: Bolívia (desde 7 de dezembro de 2012). 
Estados Associados: Chile (desde 1996), Peru (desde 2003), Colômbia, Equador (desde 2004), Guiana e Suriname 
(ambos desde 2013). 
O Protocolo de Olivos estabelece mecanismos de solução de litígios entre os Estados-partes, dentre eles um 
procedimento arbitral ad hoc, com composição de um Tribunal composto de 3 (três) árbitros. 
O Protocolo de Olivos instituiu o duplo grau de jurisdição para solução de controvérsias no MERCOSUL, ao prever o 
direito de recurso a um tribunal permanente de revisão para os contenciosos do bloco. 
 
Princípios 
O MERCOSUL visa à formação de mercado comum entre seus Estados Partes. De acordo com o art. 1º do Tratado de 
Assunção, a criação de um mercado comum implica: 
• livre circulação de bens, serviços e fatores de produção entre os países do bloco; 
• estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial conjunta em relação a 
terceiros Estados ou agrupamentos de Estados e a coordenação de posições em foros econômico-comerciais 
regionais e internacionais; 
• coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados Partes; 
• compromisso dos Estados Parte em harmonizar a legislação nas áreas pertinentes, a fim de fortalecer o 
processo de integração. 
 
Segundo Rechsteiner ( 1996, p. 164) o princípio fundamentaldo direito processual civil internacional é a aplicação 
da lex fori, ou seja, a lei do local em que se desenvolve o processo. Em relação às regras de direito material, as 
normas a serem aplicadas são apontadas pelo direito internacional privado, o qual pode indicar tanto o direito interno 
quanto o estrangeiro . 
 
Existem também normas provenientes de tratados internacionais multilaterais e bilaterais. No âmbito do Mercosul, foi 
firmado o "Protocolo de Las Leñas" - de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, 
Trabalhista e Administrativa, concluído pelos governos da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai, em 27 de 
junho de 1992, promulgado pelo Decreto nº. 2.067, de 12 de novembro de 1996, publicado no DOU de 13.11.96 . 
De acordo com o art. 18 do Protocolo, as suas disposições são aplicáveis ao reconhecimento e à execução das sentenças 
e dos laudos arbitrais pronunciados nas jurisdições dos Estados Partes em matéria civil, comercial, trabalhista e 
administrativa, e serão igualmente aplicáveis às sentenças em matéria de reparação de danos e restituição de bens 
pronunciadas na esfera penal. 
Ainda de acordo com o art. 19, determina o protocolo que o pedido de reconhecimento e execução de sentenças e de 
laudos arbitrais por parte das autoridades jurisdicionais será tramitado por via de cartas rogatórias e por intermédio da 
Autoridade Central." 
Assim, há que prevalecer o entendimento no sentido de que a homologação de sentença estrangeira proveniente do 
Mercosul tem procedimento facilitado, o que, entretanto, não elide a necessidade de procedimento próprio perante o 
Superior Tribunal de Justiça. 
 
4.1.5.2. União Européia 
A UE (União Europeia) é um bloco econômico, político e social de 28 países europeus que participam de um projeto de 
integração política e econômica..Os países integrantes são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, 
Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, 
Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e 
 15 
Suécia. Macedônia, Cróacia e Turquia encontram-se em fase de negociação. Estes países são politicamente 
democráticos, com um Estado de direito em vigor. 
 
O tratados que definem a União Europeia são: o Tratado da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), o 
Tratado da Comunidade Econômica Europeia (CEE), o Tratado da Comunidade Europeia da Energia Atômica 
(EURATOM) e o Tratado da União Europeia (UE), o Tratado de Maastricht, que estabelece fundamentos da futura 
integração política. Neste último tratado, se destaca acordos de segurança e política exterior, assim como a confirmação 
de um Constituição Política para a União Europeia e a integração monetária, através do euro. 
 
Para o funcionamento de suas funções, a União Europeia conta com instituições básicas como o Parlamento, a 
Comissão, o Conselho e o Tribunal de Justiça. Todos estes órgãos possuem representantes de todos os países 
membros. ] 
Objetivos da União Europeia 
 
- Promover a unidade política e econômica da Europa; 
 
- Melhorar as condições de vida e de trabalho dos cidadãos europeus; 
 
- Melhorar as condições de livre comércio entre os países membros; 
 
- Reduzir as desigualdades sociais e econômicas entre as regiões; 
 
- Fomentar o desenvolvimento econômico dos países em fase de crescimento; 
 
- Proporcionar um ambiente de paz, harmonia e equilíbrio na Europa. 
 
Unidade 5 
5.1.A pessoa humana no direito internacional 
5.2.As três vertentes de proteção da pessoa humana 
Direitos humanos, direito humanitário e direito dos refugiados formam, juntos, as três vertentes de proteção da 
pessoa humana: o primeiro voltado à sua situação em geral; o segundo à sua proteção em circunstâncias de guerra; e, o 
terceiro, à garantia de asilo quando recluso de seu país. Comum mencionar, ainda, como vertentes específicas – diante 
de certas peculiaridades – o direito internacional penal e o direito de minorias, que na verdade fazem parte da vertente 
mais ampla, que é a dos direitos humanos. 
 
5.2.1. O Direito Internacional dos Direitos Humanos 
PESSOA HUMANA COMO SUJEITO DE DIREITO 
1948- DECLARAÇAO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ( Direitos fundamentais para todos os tipos de 
pessoas) 
 
A Segunda Guerra Mundial foi o fato histórico impulsionador decisivo do surgimento e da consolidação do Direito 
Internacional dos Direitos Humanos. 
 
PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: CRIAÇÃO DA ORGANIZAÇAO DAS NAÇÕES UNIDAS- ONU. 
 
O complexo de normas que integra o Direito internacional dos Direitos Humanos é composto, principalmente, 
pelaCarta das Nações Unidas (ou Carta da ONU / Carta de São Francisco), pela Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, peloPacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos 
Sociais e Culturais, bem como por diversas convenções internacionais. 
 
5.2.1.1. Os direitos humanos na contemporaneidade 
5.2.1.2.1. Sistema Regional 
 SISTEMA REGIONAL DE DH 
Por um lado, um sistema global, instituído no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e inaugurado por 
diversos tratados internacionais de proteção dos direitos humanos, que, por sua vez, criam organismos próprios para seu 
monitoramento, normalmente designados "comitês" .Por outro lado, alguns sistemas regionais, basicamente em número 
de três: europeu, interamericano e africano . 
Os três sistemas regionais fazem parte de sistemas de integração nacional com atribuição mais ampla que apenas a 
defesa dos direitos humanos: no caso da Europa, a organização matriz é o Conselho da Europa (CE), fundado em 1949; 
nas Américas, é a Organização dos Estados Americanos (OEA), fundada em 1948; e na África, a Organização da 
 16 
Unidade Africana (OUA), substituída pela União Africana (UA) em 2002. 
 
5.2.1.2.2. A Corte Interamericana de DDHH 
A Corte Interamericana é um dos três Tribunais regionais de proteção dos Direitos Humanos, conjuntamente com a 
Corte Europeia de Direitos Humanos e a Corte Africana de Direitos Humanos e dos Povos. É uma instituição 
judicial autônoma cujo objetivo é aplicar e interpretar a Convenção Americana. A Corte Interamericana exerce uma 
função contenciosa, dentro da qual se encontra a resolução de casos contenciosos e o mecanismo de supervisão de 
sentenças; uma função consultiva; e a função de ditar medidas provisórias. 
 
* A sede da Corte Interamericana está em San José da Costa RicA 
** A organização, procedimento e função da Corte estão regulados na Convenção Americana. Ademais, o Tribunal tem 
um Estatuto e um Regulamento expedido pela própria Corte. 
*** VIDE ESTATUTO DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 
**** A Corte Interamericana de Direitos Humanos tem competência para conhecer de qualquer caso relativo à 
interpretação e aplicação das disposições da Convenção Americana sobre Direitos humanos, desde que os Estados-
Partes no caso tenham reconhecido a sua competência. Somente a Comissão Interamericana e os Estados Partes da 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos podem submeter um caso à decisão desse Tribunal. 
 
5.2.2. O Direito Humanitário 
O Direito Internacional Humanitário, campo das ciências jurídicas com o objetivo de prestar assistência às vítimas de 
guerra, surgiu, efetivamente, com a primeira convenção de Genebra, em 1864. 
 
Tem a finalidade de amenizar o sofrimento alheio , buscando, ainda que em uma situação catastrofica, o minimo que se 
possa preservarem uma pessoa: a sua dignidade. Para tanto devem ser observados seus principios norteadores: 
humanidade, necessidade e proporcionalidade. 
 
 HUMANIDADE: Estabelece que em qualquer situação deve-se buscar conservar a dignidade da PH. 
 NECESSIDADE: determina que os bens civis não podem ser alvo de campanha militar nem objetos de ataques e 
retaliações. 
 PROPORCIONALIDADE: Verifica-se que as partes devem aplicar efetivo bélico de forma proporcional ao recebido 
pela parte adversa. 
 
O Direito Internacional Humanitário (ou Direito dos Conflitos Armados) é um ramo do Direito Internacional Público 
constituído por todas as normas convencionais ou de origem consuetudinária especificamente destinadas a regulamentar 
os problemas que surgem em período de conflito armado. 
Estas podem ser fundamentalmente de três tipos: 
 
O primeiro é constituído pelo chamado Direito de Genebra, isto é, pelas quatro Convenções de Genebra de 1949 para a 
protecção das vítimas de guerra e dos seus dois Protocolos Adicionais de 1977. Estes seis instrumentos jurídicos 
perfazem cerca de 600 artigos codificando as normas de protecção da pessoa humana em caso de conflito armado. Estes 
textos de Genebra foram elaborados (como aliás os próprios títulos das Convenções o comprovam) com o único 
objectivo de protecção das vítimas de guerra: tanto os militares fora de combate, bem como as pessoas que não 
participem nas operações militares (população civil). 
 
O segundo tipo de regras é chamado o Direito de Haia constituído pelo direito da guerra propriamente dito, ou seja 
pelos princípios que regem a conduta das operações militares, direitos e deveres dos militares participantes na 
conduta das operações militares e limita os meios de ferir o inimigo. Estas regras têm vista a necessidade de ter em 
conta necessidades militares das partes em conflito, nunca esquecendo porém os princípios de humanidade. O Direito 
de Haia encontra a maior parte das suas regras nas Convenções de Haia de 1899 (revistas em 1907), mas igualmente em 
algumas regras do Protocolo I Adicional às Convenções de Genebra de 12 de Agosto de 1949. 
 
O terceiro tipo de regras (ditas de Nova Iorque) prende-se com a protecção dos direitos humanos em período de 
conflito armado. São chamadas regras de Nova Iorque por terem na sua base a actividade desenvolvida pelas Nações 
Unidas no âmbito do direito humanitário. Com efeito é importante referir que em 1968 a Assembleia Geral das Nações 
Unidas adoptou a Resolução 2444 (XXIII) com o título "Respeito dos direitos humanos em período de conflito 
armado", o que constitui um marco, verdadeiro sinal da mudança de atitude desta organização no que diz respeito ao 
Direito humanitário. Se, desde 1945 a O.N.U. não se ocupou deste ramo do direito com a justificação de que tal 
indiciaria uma falta de confiança na própria organização enquanto garante da paz, o ano de 1968 pode ser considerado 
como o do nascimento deste novo foco de interesse. As Nações Unidas têm desde então vindo ainda a mostrar um 
grande interesse em tratar questões como as relativas às guerras de libertação nacional, e à interdição ou limitação da 
utilização de certas armas clássicas. 
 
5.2.3. O Direito do Refugiado 
DEFINIÇÃO 
 17 
De acordo com a Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados (de 1951), são refugiados as pessoas que se 
encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, 
nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar para 
casa. 
 
Posteriormente, definições mais amplas passaram a considerar como refugiados as pessoas obrigadas a deixar seu país 
devido a conflitos armados, violência generalizada e violação massiva dos direitos humanos. 
 
DIREITOS DOS REFUGIADOS 
Um refugiado tem direito a um asilo seguro. Contudo, a proteção internacional abrange mais do que a segurança física. 
Os refugiados devem usufruir, pelo menos, dos mesmos direitos e da mesma assistência básica que qualquer outro 
estrangeiro residindo legalmente no país, incluindo direitos fundamentais que são inerentes a todos os indivíduos. 
Portanto, os refugiados gozam dos direitos civis básicos, incluindo a liberdade de pensamento, a liberdade de 
deslocamento e a não sujeição à tortura e a tratamentos degradantes. 
 
De igual modo, os direitos econômicos e sociais que se aplicam aos refugiados são os mesmos que se aplicam a outros 
indivíduos. Todos os refugiados devem ter acesso à assistência médica. Todos os refugiados adultos devem ter direito a 
trabalhar. Nenhuma criança refugiada deve ser privada de escolaridade. 
 
SITUAÇÃO DOS CRIMINOSOS 
Qualquer pessoa que, após um um julgamento justo, é condenada devido a um crime de direito comum e foge do seu 
país para escapar da prisão não será reconhecida como refugiada. 
 
Mas pessoas condenadas por qualquer crime devido ao seu ativismo político – ou por razões éticas, raciais ou 
religiosas – podem ser consideradas refugiadas. 
 
5.2.4. Asilo 
A pratica deste instituto deve possuir em sua essência os valores fundamentais de liberdade e da proteçao a ser 
prodigalizada aos refugiados politicos e estrangeiros e as pessoas perseguidas por motivos politicos em legações, 
navios de guerra , acampamentos e aeronaves militares. 
 
O asilo pode se apresentar em duas modalidades: 
a) asilo diplomático: 
b) asilo territorial: 
 
ASILO TERRITORIAL 
* Na paratica quando um refugiado dirige-se a outro Estado, se este não quiser aceita-lo , tem duas alternativas: 
reconduzi-lo ao Estado de origem ou manda-lo para um terceiro Estado. 
**Princípio internacional de não devolução (non-refoulement) previsto na Convenção sobre o Estatuto dos 
Refugiados de 1951 e no respectivo Protocolo de 1967, ratificados pelo Brasil, que determina a impossibilidade de 
extradição do refugiado como meio para impedir que essas pessoas sejam devolvidas para países onde suas vidas ou 
liberdade estejam sendo ameaçadas. 
***No Brasil, o asilado não podera sair do pais sem a autorizaçao do governo, sob pena de importar a renuncia do asilo 
e impedir o seu reingresso nesta condição. 
 
ASILO POLÍTICO 
Também chamado de asilo diplomatico ou interno, indica a proteção concedida por um Estado fora da sua esfera 
territorial, e mais precisamente por agente de um Estado, operando dentro de um territorio estrangeiro a indivíduos que 
pedem essa proteçao. 
 
NATUREZA JURIDICA DO ASILO 
O direito ao asilo nos tempos modernos não pertence ao fugitvo, mas sim ao Estado, que pode concedê-lo ou recusá-
lo de acordo com as suas conveniências. ( art. 1 da Convenção da OEA sobre Asilo Territorial e art 2 da Conv. Da OEA 
sobre Asilo Diplomático). 
 
**** Legislação sobre refugiados no Brasil 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9474.htm 
 
OBSERVAÇÕES DE QUESTÕES DE CONCURSOS 
1) As três vertentes da proteção internacional da pessoa humana, a saber, os direitos humanos, o direito humanitário e o 
direito dos refugiados, foram consagradas nas conferências mundiais da última década de 90. Não obstante, a 
implementação dessas vertentes deve atender às demandas de cada região, mesmo que não haja sistemas regionais de 
proteção. 
 Ao ler a questão tendemos a marcá-la como incorreta, por referir que as vertentes “foram consagradas nas conferências 
mundiais da última década de 90”. Contudo, está correta a assertiva. 
 18 
A questão aqui envolve uma discussão interessante. 
Primeiramente, cumpre observar que, de fato, as três vertentes são: 
 direitos humanosdireito humanitário 
 direito dos refugiados 
Até aqui sem problemas. Vimos, contudo, que a vertente dos Direitos Humanos (stricto sensu) tem como referenciais a 
ONU, criada em 1945, e a OEA, fundada em 1948. 
Sabemos também que o Direito Humanitário surge em razão das Grandes Guerras Mundiais, surgindo na década de 50, 
após conferências realizadas em Genebra, Haia e Nova Iorque. 
Por fim, o Direitos dos Refugiados, tem como marco o período pós 2ª Guerra Mundial, com destaque para o Estatuto 
dos Refugiados, de 1951. Então, como pode estar correta a afirmação de que essas vertentes se consagraram nas 
conferências da década de 90? 
Justamente aqui está o diferencial da questão. Muito embora esses eixos tenham surgido anteriormente, foi com a 
Convenção de Viena de 1993 que esses eixos foram consagrados internacionalmente, conferindo impulso à 
internacionalização dos Direitos Humanos. A Convenção de Viena de 1993 é fundamental por consolidar os rumos dos 
Direitos Humanos e por fortalecer os sistemas internacionais de proteção. Portanto, está correta a assertiva. Notem que 
o enunciado não fala em "surgimento", mas em "consagração". 
 
 Características do refúgio: 
a) Instituto jurídico internacional de alcance universal; 
b) Aplicado a casos em que a necessidade de proteção atinge a um número elevado de pessoas, onde a perseguição tem 
aspecto mais generalizado; 
c) Fundamentado em motivos religiosos, raciais, de nacionalidade, de grupo social e de opiniões políticas; 
) É suficiente o fundado temor de perseguição; 
e) Em regra, a proteção se opera fora do país; 
f) Existência de cláusulas de cessação, perda e exclusão (constantes da Convenção dos Refugiados); 
g) Efeito declaratório; 
h) Instituição convencional de caráter universal, aplica-se de maneira apolítica; 
i) Medida de caráter humanitário. 
 
Características do asilo político: 
a) Instituto jurídico regional (América Latina); 
b) Normalmente, é empregado em casos de perseguição política individualizada; 
c) Motivado pela perseguição por crimes políticos; 
d) Necessidade de efetiva perseguição; 
e) A proteção pode se dar no território do país estrangeiro (asilo territorial) ou na embaixada do país de destino (asilo 
diplomático); 
f) Inexistência de cláusulas de cessação, perda ou exclusão; 
g) Efeito constitutivo; 
h) Constitui exercício de um ato soberano do Estado, sendo decisão política cujo cumprimento não se sujeita a nenhum 
organismo internacional; 
i) Medida de caráter político. 
 
5.2.5. O tribunal Penal Internacional 
O Tribunal Penal Internacional (TPI) é uma corte permanente e independente que julga pessoas acusadas de crimes 
do mais sério interesse internacional, como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ela se baseia 
num Estatuto do qual fazem parte 108 países. 
 
O TPI é uma corte de última instância.( subsidiario, complementar). Ele não agirá se um caso foi ou estiver sendo 
investigado ou julgado por um sistema jurídico nacional, a não ser que os procedimentos desse país não forem 
genuínos, como no caso de terem caráter meramente formal, a fim de proteger o acusado de sua possível 
responsabilidade jurídica. Além disso, o TPI só julga casos que ele considerar extremamente graves. 
Em todas as suas atividades, o TPI observa os mais altos padrões de julgamento justo, e suas atividades são 
estabelecidas pelo Tratado de Roma de 1998. 
 
FUNCIONAMENTO: 1 DE JULHO DE 2002 
 
* jurisdição internacional , permanente, subsidiaria, complementar. 
-Subsidiaria: 
 
**TRIBUNAIS AD HOC 
são temporários 
 
art 5, §4 CF : O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
 19 
 
ESTRUTURA: 
O Tribunal é uma instituição independente. Embora não faça parte das Nações Unidas, ele mantém uma relação de 
cooperação com a ONU. O Tribunal está sediado na Haia, Holanda, mas pode se reunir em outros locais. Ele é 
composto por quatro órgãos: a Presidência, as divisões judiciais, o escritório do promotor e o secretariado. 
 
O Tribunal pode exercer jurisdição sobre genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Estes crimes 
estão definidos em detalhes no Estatuto de Roma. 
O Tribunal possui jurisdição sobre os indivíduos acusados destes crimes (e não sobre seus Estados, como no caso 
da CIJ). Isto inclui aqueles diretamente responsáveis por cometer os crimes, como também aqueles que tiverem 
responsabilidade indireta, por auxiliar ou ser cúmplice do crime. Este último grupo inclui também oficiais do Exército 
ou outros comandantes cuja responsabilidade é definida pelo Estatuto. 
 
O Tribunal não possui jurisdição universal. Ele só pode exercer sua jurisdição se: 
 
• O acusado é um nacional de um Estado Parte ou de qualquer Estado que aceite a jurisdição do Tribunal; 
• O crime tiver ocorrido no território de um Estado Parte ou de qualquer Estado que aceite a jurisdição do Tribunal; 
• O Conselho de Segurança das Nações Unidas tenha apresentado a situação ao Procurador, não importando a 
nacionalidade do acusado ou o local do crime; 
• O crime tiver ocorrido após 1° de julho de 2002 (princípio da legalidade); 
• Caso o país tenha aderido ao Tribunal após 1° de julho, o crime tiver ocorrido depois de sua adesão, exceto no caso de 
um país que já tivesse aceito a jurisdição do Tribunal antes da sua entrada em vigor. 
 
COMPETÊNCIA 
 
A) CRIME DE GUERRA 
B) CRIME DE GENOCÍDIO 
C) CRIME CONTRA A HUMANIDADE 
D) CRIME DE AGRESSÃO 
 
** O Tratado de Roma estipula a maioridade penal: 18 anos. 
 
OBSERVAÇÕES: 
* A diferenciação entre crimes contra a Humanidade e crimes de guerra gerou bastante discussão. A ideia remonta aos 
Tribunais de Nuremberg e Tóquio, eis que a elaboração dos Estatutos para os referidos tribunais foram elaborados sob o 
impacto dos crimes bárbaros cometidos pela potência do Eixo, especialmente a Alemanha e o Japão, onde imaginaram-
se os crimes contra a humanidade cometidos apenas em tempo de guerra. Vinculação que foi removida, eis que as 
condutas de assassinato, extermínio, escravidão, deportação e outros atos desumanos cometidos contra a população 
civil, também podem ser perfeitamente observadas em épocas de paz. 
 
**De forma a ilustrar é interessante verificar as duas principais características dos Crimes Contra a Humanidade e dos 
Crimes de Guerra: os primeiros podem ser cometidos tanto em tempo de guerra como em tempos de paz e podem ser 
praticados contra civis de mesma nacionalidade dos criminosos; já o segundo, referem-se às condutas executadas 
apenas durante as hostilidades armadas internas ou internacionais e reside no fato de que são cometidos contra civis de 
nacionalidade diferentes das dos perpetradores. 
 
*** Em se tratando de reservas, o Estatuto veda. O receio de admitir reservas, deu-se, para evitar que os países menos 
desejosos de cumprir os seus termos pretendessem excluir (por meio de reserva) a entrega de seus nacionais ao 
Tribunal, com a alegação que tal ato violaria a proibição constitucional de extradição de nacionais. Assim, nota-se que o 
impedimento da ratificação com reservas é uma ferramenta eficaz para a perfeita atividade e funcionamento do 
Tribunal. 
 
CRIMES DE GENOCIDIO 
 Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "genocídio", qualquer um dos atos que a seguir se enumeram, 
praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal: 
 a) Homicídio de membros do grupo; 
 b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membrosdo grupo; 
 c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial; 
 d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo; 
 e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo. 
 
CRIMES CONTRA A HUMANIDADE 
Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crime contra a humanidade", qualquer um dos atos seguintes, 
quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo 
conhecimento desse ataque: 
 a) Homicídio; 
 20 
 b) Extermínio; 
 c) Escravidão; 
 d) Deportação ou transferência forçada de uma população; 
 e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de direito 
internacional; 
 f) Tortura; 
 g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer 
outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável; 
 h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, 
étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3o, ou em função de outros critérios 
universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com qualquer ato referido neste 
parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal; 
 i) Desaparecimento forçado de pessoas; 
 j) Crime de apartheid; 
 k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem 
gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. 
 
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DOS CRIMES 
 
 1. Os elementos constitutivos dos crimes que auxiliarão o Tribunal a interpretar e a aplicar os artigos 6o, 7o e 8o do 
presente Estatuto, deverão ser adotados por uma maioria de dois terços dos membros da Assembléia dos Estados Partes. 
 2. As alterações aos elementos constitutivos dos crimes poderão ser propostas por: 
 a) Qualquer Estado Parte; 
 b) Os juízes, através de deliberação tomada por maioria absoluta; 
 c) O Procurador. 
 
 EXERCÍCIO DE JURISDIÇAO 
 O Tribunal poderá exercer a sua jurisdição em relação a qualquer um dos crimes a que se refere o artigo 5o, de acordo 
com o disposto no presente Estatuto, se: 
 a) Um Estado Parte denunciar ao Procurador, nos termos do artigo 14, qualquer situação em que haja indícios de 
ter ocorrido a prática de um ou vários desses crimes; 
 b) O Conselho de Segurança, agindo nos termos do Capítulo VII da Carta das Nações Unidas, denunciar ao 
Procurador qualquer situação em que haja indícios de ter ocorrido a prática de um ou vários desses crimes; ou 
 c) O Procurador tiver dado início a um inquérito sobre tal crime, nos termos do disposto no artigo 15. 
 
OBS: A JURISDIÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL É DESENCADEADA ("TRIGGER") PELO 
PRINCÍPIO DA COMPLEMENTARIDADE, SEGUNDO O QUAL a admissibilidade de caso depende da falha na 
persecução penal doméstica de crime da competência material do tribunal, por incapacidade efetiva ou falta de vontade 
do Estado com jurisdição sobre o mesmo; 
 
O Procurador poderá, por sua própria iniciativa, abrir um inquérito com base em informações sobre a prática de crimes 
da competência do Tribunal. 
 O Procurador apreciará a seriedade da informação recebida. Para tal, poderá recolher informações suplementares junto 
aos Estados, aos órgãos da Organização das Nações Unidas, às Organizações Intergovernamentais ou Não 
Governamentais ou outras fontes fidedignas que considere apropriadas, bem como recolher depoimentos escritos ou 
orais na sede do Tribunal. 
 
PRINCIPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL ACEITOS PELO TPI 
 
1. Nullum crimen sine leqe 
 Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, nos termos do presente Estatuto, a menos que a sua 
conduta constitua, no momento em que tiver lugar, um crime da competência do Tribunal. 
2. Nulla poena sine lege 
 Qualquer pessoa condenada pelo Tribunal só poderá ser punida em conformidade com as disposições do presente 
Estatuto. 
3. Não retroatividade ratione personae 
 Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, de acordo com o presente Estatuto, por uma conduta 
anterior à entrada em vigor do presente Estatuto. 
 Se o direito aplicável a um caso for modificado antes de proferida sentença definitiva, aplicar-se-á o direito mais 
favorável à pessoa objeto de inquérito, acusada ou condenada. 
 
*Imprescritibilidade 
 Os crimes da competência do Tribunal não prescrevem. 
 
QUESTAO DE CONCURSO 
Línguas Oficiais e Línguas de Trabalho 
 21 
 1. As línguas árabe, chinesa, espanhola, francesa, inglesa e russa serão as línguas oficiais do Tribunal. As sentenças 
proferidas pelo Tribunal, bem como outras decisões sobre questões fundamentais submetidas ao Tribunal, serão 
publicadas nas línguas oficiais. A Presidência, de acordo com os critérios definidos no Regulamento Processual, 
determinará quais as decisões que poderão ser consideradas como decisões sobre questões fundamentais, para os efeitos 
do presente parágrafo. 
 2. As línguas francesa e inglesa serão as línguas de trabalho do Tribunal. O Regulamento Processual definirá os 
casos em que outras línguas oficiais poderão ser usadas como línguas de trabalho. 
 3. A pedido de qualquer Parte ou qualquer Estado que tenha sido admitido a intervir num processo, o Tribunal 
autorizará o uso de uma língua que não seja a francesa ou a inglesa, sempre que considere que tal autorização se 
justifica. 
 
Penas Aplicáveis 
 1. Sem prejuízo do disposto no artigo 110, o Tribunal pode impor à pessoa condenada por um dos crimes previstos 
no artigo 5o do presente Estatuto uma das seguintes penas: 
 a) Pena de prisão por um número determinado de anos, até ao limite máximo de 30 anos; ou 
 b) Pena de prisão perpétua, se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o 
justificarem, 
 2. Além da pena de prisão, o Tribunal poderá aplicar: 
 a) Uma multa, de acordo com os critérios previstos no Regulamento Processual; 
 b) A perda de produtos, bens e haveres provenientes, direta ou indiretamente, do crime, sem prejuízo dos direitos 
de terceiros que tenham agido de boa fé. 
 
 ***As penas privativas de liberdade serão cumpridas num Estado indicado pelo Tribunal a partir de uma lista de 
Estados que lhe tenham manifestado a sua disponibilidade para receber pessoas condenadas. 
 
**** O Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional, estabelece uma diferença entre entrega e 
extradição, operando a primeira entre um Estado e o mencionado tribunal e a segunda, entre Estados. 
 
TPI = Julga Pessoas 
CortE Internacional de Justiça= Julga Estado 
A Corte Interamericana de Direitos Humanos já decidiu que a lei da anistia de 1979, editada pelo Brasil, é 
manifestamente incompatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos. 
VIDE ESTATUTO DE ROMA NA INTEGRA: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4388.htm 
 
Unidade 6 
6.1. Solução de controvérsias internacionais 
6.1.2. Mecanismos de pressão 
6.2. Diferentes mecanismos de solução pacífica: jurisdicionais e não jurisdicionais 
1.1 – Meios Diplomáticos 
 
a) Negociações Diretas: A negociação direta entre as partes varia segundo a gravidade do problema.Podem ser 
bilaterais (entre duas pessoas de Direito Internacional Público, ex.: dois Estados), ou multilaterais (quando interessam a 
mais Estados). É a que geralmente apresenta os melhores resultados e caracteriza-se por grande informalidade, sempre 
conduzidas segundo os usos e costumes internacionais. Tais negociações podem chegar à vários resultados, como a 
desistência, quando um Estado renuncia à sua reivindicação; aquiescência, quando um Estado reconhece a 
reivindicação do outro; e transação, quando os Estados fazem concessões recíprocas. 
 
b) Sistemas consultivos: A consulta consiste numa troca de opiniões entre dois ou mais Estados interessados num 
litígio internacional para que possam alcançar uma solução que agrade a todos. Tal método figura no continente 
americano, mais precisamente no âmbito da OEA. 
 
c) Mediações: A mediação consiste na interposição de um (mediação individual) ou mais Estados (mediação coletiva), 
entre outros Estados para se solucionar pacificamente um litígio, podendo ser oferecida ou solicitada, sendo que seu 
oferecimento ou recusa não deve ser considerado ato inamistoso. Em regra geral, apresenta-se como facultativa. O 
mediador participa ativamente das negociações, mas não procura impor sua vontade, procedendo com intuitos 
desinteressados. 
d) Bons ofícios: Os bons ofícios são a tentativa amistosa de um ou vários Estados de abrir via às negociações das partes 
interessadas ou de reatar as negociações que foram rompidas. Sendo assim, o terceiro Estado seria um simples 
intermediário que coloca em presença os Estados litigantes para os levar entrar em negociações, ao contrário da 
mediação, embora na prática seja difícil distinguir entre ambos. 
 
Não necessariamente precisa ser um Estado que ofereça bons ofícios: o serviço pode ser oferecido por um alto 
funcionário de organização intergovernamental, como o Secretário Geral da ONU, por exemplo. 
 22 
 
e) Congressos e conferências: Por fim, recorre-se a um congresso ou conferência internacional quando, segundo 
Accioly, “a matéria ou assunto em litígio interessa a diversos Estados, ou quando se tem em vista a solução de um 
conjunto de questões sobre as quais existem divergências”. 
 
1.2 - Meios Jurídicos 
 
a) Comissões de inquérito: As comissões internacionais de inquérito (ou de investigação) são comissões criadas para 
facilitar soluções de litígios internacionais ou para elucidar fatos controvertidos, tendo como função específica 
investigar os fatos sobre os quais versa o litígio, mas sem se pronunciarem sobre as responsabilidades, ou seja, o 
relatório não é obrigatório. 
 
Em geral, as convenções que estipulam tais comissões prevêem a instituição de uma comissão permanente para que já 
se tenha previamente um organismo para se submeter a controvérsia que venha a surgir. 
 
b) Conciliação: Na conciliação, um órgão que tem confiança comum dos Estados litigantes, após procedimentos com 
certa formalidade, apresenta suas conclusões sobre a questão litigiosa, na forma de relatório opinativo, no qual irá 
propor um acordo entre os litigantes e um prazo para que estes se pronunciem. Difere dos procedimentos de 
investigação pela possibilidade de os conciliadores emitirem opiniões valorativas e formularem sugestões aos Estados 
litigantes, embora os Estados não sejam obrigados a aceitarem a solução proposta. 
 
c) Soluções arbitrais: A arbitragem é o meio de solução pelo qual os litigantes elegem um árbitro ou um tribunal para 
dirimir o conflito. Estes são geralmente escolhidos através de um compromisso arbitral que estabelece as normas a 
serem seguidas e onde as partes contratantes aceitam previamente a decisão a ser tomada, que deve ser apresentada 
como sentença definitiva, salvo se o contrário foi previsto no respectivo compromisso, ou se é descoberto um fato novo 
que poderia determinar a modificação da sentença. 
 
O compromisso arbitral deve conter, no mínimo, o objeto do litígio, o compromisso de submeter a questão à arbitragem 
e o método de formar o Tribunal e o número de árbitros. 
 
A sentença arbitral é passível de anulação quando houver corrupção, excesso de poder da parte dos árbitros, quando 
uma das partes não tiver sido ouvida, quando houver erro na motivação da sentença, quando tiver sido violado algum 
outro princípio fundamental do processo etc. A anulação é invocada livremente pelas partes. 
A sentença será dada no prazo determinado pelo compromisso, embora o tribunal tenha competência para estender este 
prazo. Vale lembrar que as deliberações do Tribunal são secretas. 
 
Celso de Albuquerque Mello discorre sobre três tipos de arbitragem: 
 
1º) Realizada por chefes de Estado: Incomum nos dias de hoje. Os árbitros são os chefes de Estado, todos em pé de 
igualdade, sem que haja um superior. 
 
2º) Realizada por comissões mistas: Inicialmente a comissão era formada de dois membros, cada um indicado pelas 
partes litigantes. Posteriormente essa “comissão mista diplomática” é substituída por uma outra (“comissão mista 
arbitral”), que é formada de comissionários de número ímpar e tem o superárbitro para desempatar, geralmente 
escolhido entre os nacionais de terceiro Estado. A vantagem é que a questão é resolvida pelos próprios interessados e as 
decisões são legalmente motivadas. 
 
*3º) Realizada por Tribunal: A maioria dos juízes não é nacional das partes contratantes. Tem sido considerada a forma 
mais avançada e é também a mais utilizada., por assegurar maior imparcialidade à decisão. 
 
Atualmente a arbitragem pode ser empregada em assuntos de menor importância, que não necessitam ser submetidos à 
CIJ, bem como em assuntos que as partes desejarem uma solução rápida. 
 
O tribunal arbitral desaparece com a resolução do litígio. 
 
d) Soluções judiciárias 
d1) A Corte Internacional de Justiça: 
A solução judiciária consiste em se submeter o litígio a um tribunal judiciário, composto de juízes independentes, 
com investidura pretérita ao litígio e subsiste à sua solução, e difere da solução arbitral também pelo fato de seus 
componentes não serem escolhidos pelas partes litigantes, e sua grande diferença em relação às outras formas de 
soluções de litígios internacionais, segundo Guido F. da Silva Soares, reside na institucionalização de um organismo 
com funções claras e determinadas, fixadas em instrumentos internacionais solenes, com jurisdição e competência 
permanentes. Essa sua permanência no tempo, assegurada pela presença de um corpo de juízes nomeados pelos Estados 
para mandatos definidos, a existência de um secretariado fixado com sede conhecida, entre outros elementos, permite a 
formação de uma jurisprudência mais definida do que os casos julgados por árbitros, tanto em relação às normas de sua 
competência quanto a questões de fundo. “Aos poucos, novos tribunais permanentes vão surgindo com o objetivo de 
 23 
adjudicar ampla gama de problemas” (Accioly). 
 
Em 1920 instituía-se com sede em Haia uma Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI) integrada por 15 juízes 
para um mandato de nove anos, mas acabou extinta com a eclosão da Segunda Guerra. Com a instituição da ONU, foi 
rebatizada de Corte Internacional de Justiça (CIJ), sendo o principal órgão judiciário dessa organização, e continua 
sediada em Haia. 
 
Um Estado litigante tem o direito de indicar um juiz de sua nacionalidade para compor a CIJ em determinados casos, e 
a manifestação da vontade dos Estados é essencial para que se já invocada a jurisdição da CIJ. 
 
Em tese, a solução de litígio por intermédio da CIJ tem a vantagem sobre a simples arbitragem, segundoAccioly, de 
envolver o Conselho de Segurança na implementação da sentença. 
 
Devido ao veto concedido aos países de cúpula da ONU, vem se questionando a imparcialidade da CIJ. 
 
 
2.1.3 - Meios Políticos: As soluções dadas pelas Organizações Internacionais. 
 
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança 
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI, 
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho 
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem 
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e 
indicar mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU. 
 
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão 
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA. 
 
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as 
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e 
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa. 
 
6.2.3. As cortes internacionais 
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança 
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI, 
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho 
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem 
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar 
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU. 
 
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão 
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA. 
 
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as 
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e 
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa. 
 
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança 
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI, 
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho 
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem 
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar 
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU. 
 
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão 
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA. 
 
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as 
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e 
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa. 
 
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança 
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI, 
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho 
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem 
 24 
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar 
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU. 
 
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão 
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA. 
 
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as 
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e 
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa. 
 
A Carta da ONU determina, em seu art. 33, que nas controvérsias “de ameaça à manutenção de paz e da segurança 
internacional”, as partes litigantes deverão chegar à solução pacífica por qualquer um dos modos existentes no DI, 
(supramencionados) ou por qualquer outro meio. Se a lide não for resolvida, as partes deverão submetê-la ao Conselho 
de Segurança, que, nos casos de ameaça à paz, pode fazer recomendações e também decidir sobre as medidas a serem 
tomadas. A Assembléia Geral tem a competência de fazer recomendações, criar comissões de bons ofícios e indicar 
mediadores, geralmente o Secretário Geral da ONU. 
 
No âmbito da OEA, temos o sistema consultivo como modo de solução pacífica dos litígios internacionais. A Comissão 
Interamericana de Solução Pacífica dos Litígios é o órgão de conciliação e investigação da OEA. 
 
Uma inovação trazida pelas organizações intergovernamentais diz respeito às formas de sua atuação, que mesclam as 
formas tradicionais de soluções e prevenções de litígios internacionais, refletindo a pouca preocupação com a forma, e 
mais com a os resultados de uma atuação coletiva eficaz para a solução de uma disputa. 
 
Tudo sobre a CIJ . Vide http://www.cedin.com.br/wp-content/uploads/2014/05/Aspectos-Gerais-da-Corte-Internacional-
de-Justi_a.pdf 
 
6.2.4 A arbitragem internacional 
 
Unidade 7 
7.1. A cooperação judiciária internacional 
Cooperação internacional é o ato de mútua ajuda entre duas ou mais Estados-Nação para a finalidade de um objetivo 
comum, que pode ser das mais diversas espécies: políticos, culturais, estratégicos, humanitários, econômicos. 
 
 7.1.2. A importância da cooperação para a efetividade do Direito 
 7.1.3. Alguns tratados de cooperação judiciária internacional 
 7.1.4. A Carta Rogatória e a Homologação de Sentença estrangeira 
São as solicitações de assistência judicial dirigidas às autoridades judiciais estrangeiras para a obtenção de informação 
ou provas ou para a prática de diligências. 
 
Com a emenda constitucional nº 45 de 2004 transferiu-se a competência para homologação de sentença estrangeira e 
concessão de exequatur em carta rogatória ao Superior Tribunal de Justiça. Competência que pertencia ao Supremo 
Tribunal Federal desde a Constituição de 1934. 
 
Ao analisar um pedido de homologação de sentença o STJ não pode realizar análise de mérito, mas apenas observar 
se as formalidades do art. 15 e 17 da LINDB e art. 5º da Resolução nº 9 do STJ foram cumpridas. 
 
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no 
Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes 
. 
De fato, o STJ tem negado a homologaçãode sentenças estrangeiras que versem sobre matérias que só poderiam ser 
julgadas pelas autoridades judiciárias brasileiras , p ex. considerando que "só à autoridade judiciária brasileira 
compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil" (art. 12, § 1º, LINDB), a deliberação do juiz 
estrangeiro acerca de bem imóvel situado no Brasil, além de sua incompetência para tanto, implica em inegável 
ofensa à autoridade do Poder Judiciário Brasileiro, ferindo, por conseguinte, a soberania nacional . 
 
7.2. A competência internacional 
 
 25 
Unidade 8 
8.1. O direito internacional privado e o conflito de leis no espaço 
Entende-se como conflito de leis no espaço qualquer relação humana ligada a duas ou mais ordens jurídicas cujas 
normas não são coincidentes.[14] O juiz ou o intérprete da lei, diante de um caso de conflito de leis no espaço, assiste 
portanto à concorrência de duas ou mais leis - produzidas por países (ou províncias) diferentes - sobre a mesma questão 
jurídica. 
Dentre os elementos de conexão , cada país escolhe os que melhor lhes convêm para compor o DIPr nacional. Por 
exemplo, o DIPr brasileiro elegeu a lex domicilii para reger o começo e o fim da personalidade, o nome, 
a capacidade e os direitos de família; outros países preferem a lex patriae. O Brasil emprega a lex rei sitae para 
reger os bens; outros Estados podem recorrer à mobilia sequuntur personam. 
 
COMPETENCIA INTERNACIONAL 
 
a) COMPETENCIA CONCORRENTE (ART 21 E 22NCPC) 
Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: 
 – o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; 
II – no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; 
III – o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. 
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que 
nele tiver agência, filial ou sucursal. 
 
OBS: LINDB, Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui 
tiver de ser cumprida a obrigação. 
 
Art. 22 Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações: 
I – de alimentos, quando: 
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de 
benefícios econômicos; 
II – decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil; 
III – em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. 
 
COMPETENCIA EXCLUSIVA ( ART 23 NCPC) 
 
Art. 23 Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: 
I – conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
II – em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de 
bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do 
território nacional; 
III – em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil, 
ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. 
 
DECISOES ESTRANGEIRAS A RESPEITO DO TEMA DO ART. 23 SAO IMPOSSIVEIS DE SEREM 
HOMOLOGADAS PELO STJ. 
 
 
8.2. Fundamento do Direito Internacional Privado 
8.3. Fontes formais e materiais 
8.4. Objeto do Direito Internacional Privado: o conflito de leis no espaço 
LINDB 
Art. 7º. A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o 
nome, a capacidade e os direitos de família. 
● Lex domicilii como critério fundamental do estatuto pessoal, introduzindo o princípio domiciliar como 
elemento de conexão para determinar a lei aplicável. 
● O começo e o fim da personalidade (as presunções de morte, o nome, a capacidade e os direitos de família, que 
constituem o estado civil, ou seja, o conjunto de qualidades que constituem a individualidade jurídica de uma 
pessoa, terão suas questões resolvidas através do direito domiciliar, de acordo com o que determina o art. 7º da 
LICC. 
 
§ 1º. Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às 
 26 
formalidades da celebração. 
 
§ 4º. O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio, e, se este for 
diverso, a do primeiro domicílio conjugal. 
Obs: No caso de duas pessoas casarem aqui, domiciliadas no Brasil, e possuírem bens em diversos países, a lei 
brasileira não poderá se aplicar em relação a estes, em Estados onde impera a lex rei sitae, por respeito à mesma. 
 
§ 8º. Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se 
encontre. 
 
Art. 8º. Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem 
situados. ( lugar da situação dos bens- lex rei sitae) 
É importante ressaltar que a lex rei sitae regulará apenas os bens móveis ou imóveis considerados individualmente 
(uti singuli), pertencentes a nacionais ou estrangeiros, domiciliados no país ou não; enquanto que os bens uti 
universitas, como p. ex. o espólio e o patrimônio conjugal, são regidos pela lei reguladora da sucessão (lex domicilii do 
autor da herança), excetuando-se as hipóteses de desapropriação de imóvel de tutelado ou da massa falida, ocasiões em 
que os bens uti universitas também poderão ser disciplinados pela lex rei sitae. 
 
 
§ 1º. Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se 
destinarem a transporte para outros lugares. 
 
§ 2º. O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa apenhada. 
Importante salientar que pouco importará a localização do bem dado em penhor, pois pela lei este estará situado no 
domicílio do possuidor (fictio iuris) no momento de ser constituído o direito real de garantia, resguardando assim a 
segurança negocial, e garantindo direitos de terceiros. 
 
Art. 9º. Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituirem . 
EXCEÇÕES 
a) quando se tratar de contrato de trabalho, o mesmo deverá obedecer à lei do local da execução do serviço ou trabalho. 
O art. 6º da Convenção de Roma, de 1980, afirma que em se tratando de contrato individual de trabalho, a aplicação da 
lei escolhida não poderá privar o trabalhador da proteção que lhe for conferida pela lei: a) do país onde o trabalhador, ao 
executar o trabalho, habitualmente exerce seu ofício; b) do Estado em cujo território se encontra situada a empresa que 
contratou o empregado, que não realiza de modo habitual seu trabalho no mesmo país. 
b) nas hipóteses dos contratos de transferência de tecnologia, pois nesses casos verificarse-á competência absoluta do 
direito pátrio interno, em consonância com o art. 17 da LICC e com os princípios de direito internacional econômico 
defendidos pelo Brasil, por tratarse de normas de ordem pública, garantindo interesses nacionais. 
c) nos atos relativos à economia dirigida ou aos regimes de Bolsa e Mercados, que serão subordinados à lex loci 
solutionis (place of performance), filiando-se à lei do país de sua execução. 
 
§ 1º. Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada, 
admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aosrequisitos extrínsecos do ato. 
Isto significa que a lei da constituição do local da obrigação mantém-se, pois admitidas serão suas peculiaridades, como 
a validade e a produção de seus efeitos, enquanto a lei brasileira será competente para disciplinar os atos e medidas 
necessárias para a execução da mesma em território nacional, tais como a tradição da coisa, forma de pagamento ou 
quitação, indenização nos casos de inadimplemento, etc. 
Em relação aos contratos não exeqüíveis no Brasil, mas aqui acionáveis, não se aplicará o disposto no art. 9º, § 1º, da 
LICC, mas sim o locus regis actum, ou seja, a lei local é que regerá o ato. 
 
§ 2º. A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente . 
Assim, de acordo com a LICC, a obrigação contratada entre ausentes será regida pela lei do país onde residir o 
proponente, não importando o momento ou local da celebração contratual, aplicando-se a lei do lugar onde foi feita a 
proposta. Em relação aos contratos entre presentes, no que diz respeito ao direito internacional, serão regidos pela lei do 
lugar em que foram contraídos, desconsiderando-se a nacionalidade, domicílio ou residência dos contratantes. 
 
Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, 
qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. 
 
§ 1º. A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou 
dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus . 
 
§ 2º. A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder. 
 
Art. 1. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei do 
Estado em que se constituírem. 
 
 27 
§ 1º. Não poderão, entretanto. ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos 
aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira. 
 
§ 2º. Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham constituído, dirijam 
ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptiveis de desapropriação. 
 
§ 3º. Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes 
diplomáticos ou dos agentes consulares. 
 
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser 
cumprida a obrigação. 
Admite-se assim que o estrangeiro, aqui domiciliado ou não, possa comparecer, como autor ou réu, perante o tribunal 
brasileiro quando haja alguma controvérsia de seu interesse, desde que sua capacidade para estar em juízo obedeça à lex 
domicilii e com a ressalva da lex fori no que diz respeito a preceito de ordem pública (art. 7º da LICC). 
 
§ 1º. Só à .autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações, relativas a imóveis situados no Brasil. 
Nas hipóteses de o imóvel estar localizado em países diversos, cada Estado será competente para julgar ação relativa à 
parcela do bem que se encontrar em seu território. 
 
 
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de 
produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. 
 
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência. 
Nos casos em que desconhecer a norma estrangeira, já que não é obrigado a conhecê-la e nem tem o dever de prová-la, 
é permitido ao juiz, pelo art. 14 da LICC, reclamar a prova do direito estrangeiro de quem a alega, tendo o juiz o dever 
de inteirar-se das normas mesmo quando não fornecida pelas partes. 
 
Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes requisitos: 
a) haver sido proferida por juiz competente; 
b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia; 
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que ,foi proferida; 
d) estar traduzida por intérprete autorizado; 
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. 
Parágrafo único. Não dependem de homologação as sentenças meramente declaratórias do estado das pessoas. 
 
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a 
disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei. 
 
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no 
Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. 
 
 
8.4.1 Métodos de solução 
 8.4.1.1. Harmonização 
 8.4.1.2. Método conflitual 
 8.4.1.3. A questão da autonomia da vontade na solução de conflitos de leis no espaço 
8.5. A aplicação da lei estrangeira 
 
Unidade 9 
9.1. A proteção internacional do meio ambiente 
 9.1.2. Princípios internacionais 
 9.1.3. Principais instrumentos de proteção do meio ambiente 
 9.1.3.1. Convenção-quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima e o Protocolo de 
Quioto. 
 
 28 
Unidade 10 
10.1. Proteção internacional dos espaços: domínio público internacional 
 10.1.1. Mar 
 10.1.2. Águas interiores e Mar territorial 
 10.1.3. Zona contígua, Zona econômica, Plataforma continental e Alto-mar 
 10.1.4. A Convenção de Montego Bay e a lei 8617 de 4 de janeiro de 1993 
10.2. Espaço aéreo 
 10.2.1. Princípios elementares 
 10.2.2. Normas convencionais 
 10.2.3. Espaço extra-atmosférico

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