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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO DE PRIVADO
Unidade I
O Direito Internacional Público surgiu a partir do fim da Guerra dos 30 anos. Uma guerra de
cunho religioso entre católicos e protestantes (1648) em que se formaram os Estados por meio do
tratado de Paz da Vestfália, que se tornou um divisor de águas na história do Direito Internacional
Público, reconhecendo o princípio da igualdade absoluta entre os Estados. Antes disso não havia
igualdade entre os Estados, uma vez que a igreja estava acima de todos.
Com o tratado, nasce a soberania nacional. Os Estados passam a ser igualmente soberanos e capazes
de criar e executar suas próprias leis dentro de seus territórios, respeitando a soberania dos demais.
Trata-se de um sistema normativo totalmente autônomo, que regula as relações entre os Estados
soberanos que compõem a sociedade internacional, determina direitos e deveres na esfera
internacional desses Estados, das pessoas e de instituições que adquiriram personalidade por meio
de acordos. Trata ainda de direitos principalmente humanos e visa promover paz, justiça e
desenvolvimento.
A norma internacional é constituída a partir de atos unilaterais, que dão origem aos tratados ou
costumes, e os Estados considerados mais fortes determinam os precedentes. Elas são imperativas, e
a Convenção de Viena de 1969 determina a nulidade de tratados que violem qualquer norma
imperativa de direito internacional. 
 
A teoria atual e predominante sobre o fundamento do Direito Internacional Público é pacta sunt
servanda(o pacto faz lei entre as partes), os acordos devem ser cumpridos levando em conta a
vontade dos estados além dos princípios jurídicos superiores que norteiam o direito internacional
público.
Como já mencionado, as fontes do direito internacional estão no artigo 38 do Estatuto da Corte
Internacional de Justiça, que é o Tribunal da Organização das Nações Unidas, e que não devem ser
confundidas com os fundamentos norteadores.
Sabemos que a formação do Direito Internacional Público é dada pelos Estados e organizações
internacionais, e essa formação surge de duas maneiras: Originária, que se trata da formação do
próprio Estado, como aqueles que tiveram sua origem e soberania determinadas pelo Tratado de
Vestfália; Derivada; que nasce dos Estados, por exemplo a Organização das Nações Unidas –
ONU, que vem pela Carta da ONU em 1945. Depois dela, outras organizações surgiram para tratar
de temas específicos. 
Direito Internacional Humanitário: Também conhecido por Direito Internacional dos Conflitos
Armados, aplicado tão e somente a conflitos armados, é composto pelas leis das Convenções de
Genebra e Haia e tem finalidade de proteger pessoas em tempos de conflitos armados. Essas leis
dizem respeito aos países em guerra, países neutros, indivíduos envolvidos, a relação entre eles e a
proteção dos civis.
Direito Internacional Penal: Trata de assuntos criminais na ordem mundial, o Tribunal Penal
Internacional (TPI) é um foro permanente destinado a julgar crimes graves de ordem internacional,
praticados por Estados Soberanos através de seus representantes da função executiva e trata de uma
das maiores conquistas da ONU na promoção da paz e reconhecimento do Direito Internacional dos
direitos humanos.
Direito Internacional do Trabalho: Seus princípios constam na Carta da ONU que cria a
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e suas convenções servem de referência mundial no
assunto. Sua finalidade é estabelecer critérios básicos de proteção ao trabalhador, regular a proteção
no âmbito internacional, assegurar padrões de dignidade e bem-estar social e direitos humanos dos
trabalhadores em escala mundial.
Direito Internacional Ambiental: Trata das alterações climáticas, desmatamento, desertificação,
extinção de espécies, biodiversidade, emissão de gás carbônico, produção de resíduos, água,
acidentes ambientais e desenvolvimento sustentável são assuntos que trata o Direito Ambiental.
Direito Internacional Econômico: Trata da regulação e da conduta de Estados, de organismos
internacionais e de empresas privadas que trabalham no âmbito econômico internacional, pode ser
chamado como um direito da organização da economia internacional, é um subsistema normativo,
que objetiva regrar a atividade econômica, por meio da organização da economia global, visando o
desenvolvimento da humanidade e a criação de bem-estar.
Direito Internacional Marítimo: É o ramo do Direito Internacional que aborda as questões relativas
ao mar, nas áreas da navegação, disputas fronteiriças, utilização e exploração de recursos naturais,
resolução de acidentes, seguros etc., tem importância fundamental porque o comércio internacional
é movimentado principalmente por vias marítimas.
Direito Internacional Virtual: Talvez seja o ramo mais recente do direito internacional público, surge
com as práticas virtuais. Lei dos crimes cibernéticos estabelece que condutas provenientes da
tecnologia são crimes, como a invasão de equipamentos eletrônicos tais como notebooks,
computadores e celulares alheios, entre outras práticas. Atualmente não existe uma Lei geral
internacional, Europa e Estados Unidos saíram na frente para criar suas próprias leis, o Brasil está
caminhando a passos lentos, porém buscando regulamentar o uso do meio virtual. Este ramo do
direito ainda carece de leis que regulamente em nível mundial.
Os fundamentos do Direito Internacional Público são a obrigatoriedade e a eficácia. A doutrina traz
duas correntes para definir estes fundamentos, a voluntarista e a objetivista. Na corrente
voluntarista, defende-se que a obrigatoriedade advém do consentimento dos Estados, desta forma,
um tratado nada mais é do que o consentimento expresso pelos Estados de forma escrita. A segunda
corrente é a objetivista que trata da obrigatoriedade como fato decorrente de princípios e normas
internacionais serem superiores ao ordenamento interno de cada Estado. Uma terceira corrente,
mais moderna, define obrigatoriedade pelo pacta sunt servanda que significa que acordos devem
ser mantidos, ou seja, as partes devem cumprir o que tenha sido acordado. Essa norma está na
Convenção de Viena de 1969 que versa sobre o direito dos Tratados, e na mesma convenção,
menciona as limitações de autonomia de vontade dos Estados, em que não são permitidas anulação
ou revogação em tratados internacionais firmados por estes.
Quanto à coercibilidade, já vimos que os tratados são acordos de vontades firmados entre os
Estados, que versam sobre os mais diversos assuntos como comércio, trabalho, paz, direitos
humanos, entre outros. Vimos também que os tratados são regidos pela Convenção de Viena, e esta
estipula as regras para a formalização dos tratados; e que o princípio da boa-fé ou pacta sunt
servanda é um dos fundamentos de obrigatoriedade, o que faz entender que o tratado obriga as
partes a cumpri-lo de boa-fé. Considerando que o tratado é a tradução da vontade dos Estados
signatários, fica implícito seu cumprimento, o que não exatamente obriga os Estados a colocar o
tratado acima de seu ordenamento interno. Algo que costuma acontecer é o rompimento das
relações diplomáticas, embargos econômicos e comerciais por parte dos outros Estados como
sanção àquele que descumpriu ou feriu as regras do tratado.
Podemos afirmar que a sociedade internacional decorre do relacionamento dos Estados
internacionais e se caracteriza por sua universalidade que ocorre após a Segunda Guerra Mundial,
quando acontece a descolonização e abrange todos os atores da terra, pois engloba até mesmo o
espaço. Podemos identificá-la como uma sociedade aberta, pois não possui um número determinado
de participantes. Caso surja um novo membro internacional, este ingressará e participará das
relações desta sociedade. Alguns doutrinadores preferem diferenciarsociedade de comunidade uma
vez que comunidade é uma união espontânea de interesses próprios enquanto sociedade é uma
reunião de atores que possuem entre si relações baseadas em interesses e por conveniência.
A sociedade internacional não é institucional, não possui poder legislativo ou executivo e por isso é
descentralizada, já que não existe uma autoridade que possa impor suas decisões ou que obrigue os
Estados a determinadas regras. Assim, as relações jurídicas internacionais são horizontais, o que não
quer dizer que não exista um sistema de sanção, pois com a constituição da ONU, criaram-se
normas de conduta para os seus membros e, ainda que a vontade e o consentimento sejam o
estimulante da sociedade internacional, a ideia de descentralização, de certa forma, acaba sendo
incompatível já que esaas normas são capazes de conduzir as atividades da sociedade internacional.
Mesmo sabendo que a sociedade internacional é descentralizada, temos que o Direito Internacional
é conceituado como um conjunto de normas que regulam as relações dos sujeitos que compõem a
sociedade internacional. Essas normas são imperativas e a Convenção de Viena determina nulo
qualquer tratado que violar essas normas imperativas de Direito Internacional.
No Brasil, a Emenda Constitucional n.º 45/2004 acrescentou o § 3º ao art. 5º da Constituição, o que
prevê que tratados e convenções internacionais são equivalentes às emendas constitucionais, mas se
preenchidos dois requisitos: que tratem de matéria de direitos humanos e que sejam aprovados pelo
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos de seus membros. Desta forma,
poderá até mesmo revogar norma constitucional anterior, desde que em benefício dos direitos
humanos. E nessa mesma linha, de acordo com o artigo 60, § 4º, IV da Constituição Federal, que
diz que normas que tratam de direitos individuais não podem ser suprimidas, e passa a ser cláusula
pétrea.
Unidade II
A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, concluída em 23 de maio de 1969 e ratificada
pelo Brasil em 2009, conceitua tratado como um acordo internacional concluído por escrito entre
Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou
mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica.
Podemos compreender que os tratados internacionais possuem como condições de validade a
capacidade das partes, a habilitação dos agentes signatários, objeto lícito e possível e o mútuo
consentimento.
Conforme visto no art. 38 do Estatuto da CIJ, o costume internacional foi definido como uma
prática geral aceita como sendo o direito, ou seja, os costumes são as normas gerais consagradas
com o longo do uso e consagradas na norma internacional como obrigatórias.
Em relação à diferenciação entre uso e costume, Silva (2018, Locais do Kindle 4729-4743),
apresenta que: O costume é, desta forma, norma jurídica obrigatória. Se não for cumprido, acarreta
uma sanção, que é a ação de responsabilidade internacional. Já o uso não tem essa característica,
pois é prática não obrigatória para os sujeitos internacionais e que, quando violada, não acarreta
sanções, como decidido pela Corte no Caso Haya de la Torre, abaixo: É certo que existe uma prática
segundo a qual o Agente diplomático solicita imediatamente o salvo-conduto e este lhe é concedido:
mas essa prática, que se explica por motivos de conveniência, não gera obrigação para o Estado
territorial.
Os princípios gerais de direito têm a finalidade de preencher lacunas do Direito, sendo elemento
subsidiário para a decisão da CIJ, apresentando-se ou como princípios gerais comuns à ordem
interna e internacional, como o pacta sunt servanda, o princípio da boa-fé e do direito adquirido ou
como princípios gerais de Direito Internacional.
Trata-se, a priori, das decisões judiciais originárias da própria Corte Internacional de Justiça – CIJ,
mas inclui, ainda, decisões judiciais de outros tribunais internacionais, decisões arbitrais, pareceres
da CIJ, laudos e relatórios dos diversos mediadores das comissões de conciliação internacional,
apesar de, segundo o artigo 59 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, a decisão não ser
obrigatória senão para as partes em litígio e em relação a esse caso específico, ou seja, os tribunais
internacionais não são obrigados a seguir as decisões judiciais anteriores.
Em relação às decisões da Corte, são estritas ao que fora requerido pelas Partes e, por se tratar de
uma fonte de Direito Internacional, baseado no princípio do voluntarismo, suas decisões precisam
ser condizentes (DAMASCENO, 2018, p. 403). 
Todavia, uma vez que a jurisdição da CIJ é voluntária, os Estados não a buscariam se ela inovasse
no Direito Internacional e se criasse normas em suas decisões. Em realidade ela dirime um conflito,
determina se há ou não violação e qual é a medida que deve ser tomada pelo Estado condenado.
A Doutrina no Estatuto da Corte, artigo 38, reflete um pensamento eurocêntrico quando afirma que
válida é a doutrina dos juristas mais qualificados, os quais seriam, é claro, os europeus. Atualmente,
é muito difícil obter-se o consenso doutrinário, pelo fato de haver muitos novos entes na Sociedade
Internacional, por isso, a doutrina é raramente invocada na CIJ. Quando é citada, restringe-se aos
votos vencidos, nos quais a doutrina é denominada “opinião geral” ou “doutrina dominante.
Acerca da analogia e equidade, de acordo com Silva (2018), ambos institutos não se tratam de
fontes de direito, todavia, tratam-se de métodos de raciocínio jurídico utilizados em caso de
existência de lacunas nas normas ou inexistência de normas que disciplinem a matéria. O autor
ainda ressalta que não são obrigatórias para os sujeitos de Direito Internacional e sua utilização é
extremamente reduzida.
Rousseau (apud SILVA, 2018) define equidade como aplicação dos princípios de justiça a um
determinado caso. Trata-se de um meio pelo qual o aplicador do direito cria a regra e decide a
controvérsia sem a preocupação de obedecer ao sistema positivo dado, levando em consideração a
justiça, como valor absoluto (SILVA, 2018).
Por outro lado, a analogia se trata da aplicação de norma jurídica a ser utilizada para uma situação
semelhante. Todavia, a analogia não consta no enunciado do Art. 38 da CIJ. Silva (2018) afirma que
não é possível construir pela analogia restrições à soberania dos Estados, nem obrigar um Estado ou
ente da Sociedade Internacional a submeter-se a determinado juízo internacional.
Em determinados casos, os atos unilaterais dos Estados, incluindo as declarações feitas por
representantes da administração pública, podem originar obrigações jurídicas internacionais
(SHAW, 2010). 
O Art. 38 (1) do Estatuto da CIJ não prevê atos unilaterais em seu rol, porém eles podem constituir
fontes de obrigação. Cretella Neto (2012) exemplifica que quanto ao Direito do Mar, o mesmo se
formou por meio de atos unilaterais e regulamentação por parte de cada Estado individualmente,
criando-se inúmeras noções jurídicas tais como zona contígua, de mar territorial, zona econômica
exclusiva etc.
Acerca das decisões das organizações internacionais, segundo Silva (2018), são normas originárias
de uma organização internacional que se tornam obrigatórias para os seus Estados-membros
independentemente de sua ratificação. As organizações internacionais não possuem meios para
garantir a eficácia de suas decisões, estas se originam do princípio da boa-fé, havendo organizações
internacionais mais eficazes do que outras.
Segundo Silva (2018), o Estado é o contingente humano a viver sob alguma forma de regramento
dentro de certa área territorial.
De acordo com Varella (2009), entre os sujeitos de Direito Internacional, o Estado é o único que
possui capacidade jurídica plena, ou seja, habilidade de munir-se de direitos, de poderes e de
obrigações. Conforme afirmamSilva e Damasceno (2019, p. 210): “(...) os meios encontrados para
as relações cotidianas entre dos Estados (...) são encontradas na reivindicação destes da titularidade
da soberania”.
Nesse sentido, ao se analisar o conceito de Estado, segundo Azambuja (2001) é possível identificar
a existência de três elementos essenciais, sendo eles a população, o território e soberania.
Segundo Damasceno e Silva (2015, p. 28) os Estados possuem como um dos seus elementos
constitutivos a chamada soberania, desdobrada em enfoque interno (sendo poder de decisão
máximo dentro do seu território) e externo (sendo homólogo aos outros Estados, estando em par de
igualdade e podendo se autoadministrar, sem a interferência destes), porém os Estados não podem
ser absolutamente independentes uns dos outros, abrindo mão de parcela de sua soberania a fim da
concretização de interesses em comum.
Segundo Silva (2018), reconhecimento de Estado é o ato pelo qual os Estados já existentes
constatam a existência de um novo membro da Sociedade Internacional, realizado, via de regra, a
pedido do Estado que surgiu, o qual notifica as potências da Sociedade Internacional, requerendo o
reconhecimento. São requisitos para o reconhecimento do Estado: i) Possuir governo independente
e autônomo na conduta dos negócios estrangeiros (requisito volátil) (SILVA, 2018); ii) O governo
deve ter autoridade efetiva dentro de seu território, congregando as forças ali existentes (SILVA,
2018); iii) Deve possuir território delimitado (SILVA, 2018).
Quanto às características, o reconhecimento do Estado é: i) É ato unilateral (manifestação da
vontade de um único ente da Sociedade Internacional) (SILVA, 2018); ii) É ato irrevogável, mas
não é perpétuo (SILVA, 2018); iii) Se o Estado perder os elementos que o caracterizam como tal,
deixará de sê-lo. Exemplo: A Ilha de Nauru não terá mais território daqui a algum tempo, dada a
exploração de minerais ali existente (SILVA, 2018); iv) É ato discricionário. O Estado faz o
reconhecimento quando bem entende (SILVA, 2018); v) É ato retroativo, tendo em vista a teoria de
que o reconhecimento é apenas uma constatação (SILVA, 2018).
Segundo Silva (2018) a sucessão de Estados ocorre quando um Estado sofre transformações que
atingem seus elementos constitutivos – território e povo – por meio da mudança da soberania sobre
eles exercida.
Unidade III
Fronteiras são faixas de terra localizadas entre países e são estabelecidas de diversas formas, seja
por ocupação, por acordo, por conquista, e, historicamente, são formadas por fatores relacionados à
língua (idioma), cultura e etnia da população que ocupa esses espaços terrestres.
Os limites são estabelecidos por acordos ou tratados entre dois ou mais Estados em que determinam
o fim de um território e o início do outro. Podem ser naturais, como rios, mares, montanhas ou
artificiais, que são os muros ou linhas imaginárias, instituídos com o intuito de determinar o que
pertence a cada Estado.
O domínio marítimo do Estado é compreendido em águas interiores, mar territorial, zona
econômica exclusiva, plataforma continental, solo marítimo, estreitos e canais. A Convenção das
Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) – ratificada pelo Brasil em 22 de dezembro de
1988 - regula todos esses conceitos e determina quais são suas extensões e o domínio dos Estados.
A Lei n. 8.617/93 determina os limites marítimos brasileiros de acordo com a CNUDM e a
determina a extensão do mar territorial brasileiro em 12 milhas marítimas.
O mar territorial consiste na faixa de mar em volta da costa e compreende as águas internas. Sua
medida é contada em 12 milhas marítimas ou 22 quilômetros a partir da linha base. O Estado possui
direitos soberanos sobre o território, exerce sua jurisdição e aplica suas leis para uso e exploração
como lhe for conveniente. Possui direitos como a pesca, a exploração e extração do leito e subsolo,
o transporte de pessoas e mercadorias de um porto a outro, porém existe uma limitação com relação
às embarcações estrangeiras civis ou militares, de modo que a passagem destas não seja uma
ameaça e nem viole lei do Estado, que deve conceder o chamado “direito de passagem inocente”,
isentar navios de guerra de jurisdição local, mas poderá cumprir sua jurisdição penal para efetuar
prisão, dar instruções a bordo de navios estrangeiros em passagem.
No Brasil, a plataforma continental se confunde com a Zona Econômica Exclusiva. Na verdade, a
ZEE engloba a plataforma continental, uma vez que a primeira possui 200 milhas marítimas e a
segunda deve se restringir a essa medida. Portanto, nesse caso, ambas estão localizadas na mesma
área de domínio do Estado costeiro.
A Convenção de Chicago (1944) estabelece o regime internacional para o transporte aéreo civil e
consequentemente cinco regras para voos internacionais;
A Antártica possui uma condição muito particular. Localizada no Polo Sul, formada por ilhas e
coberta de gelo, faz fronteira com muitos países e três oceanos: Pacífico, Atlântico e Índico. O
Tratado da Antártica, assinado pelos Estados Unidos e outros 11 países em 1959, declarou o
território um local neutro de utilização somente para fins pacíficos.
Podemos entender que nacionalidade é uma questão de dependência do indivíduo perante o Estado
ao qual pertence, e que o Estado determina a nacionalidade pelo nascimento, concede a
naturalização para estrangeiros e estabelece em que circunstâncias se perde a nacionalidade. É a
condição jurídica e política de um indivíduo em relação ao Estado. O indivíduo adquire sua
nacionalidade ao nascer (naturalidade) ou ao se naturalizar (naturalização). A Declaração Universal
dos Direitos Humanos determina que todo indivíduo tem direito a uma nacionalidade. No Brasil, a
nacionalidade é discutida no artigo 12 na Constituição Federal.
O nacional é o indivíduo submetido à soberania do Estado; possui direitos e deveres e é protegido
pelo seu país perante os demais países do mundo. No Brasil, o nacional é o brasileiro nato ou
naturalizado.
O asilo político é uma condição em que um estrangeiro perseguido por um Estado é acolhido por
outro Estado, sem a necessidade de cumprir requisitos de ingresso, já que em muitas vezes o
candidato ao asilo ingressa sem nenhuma documentação.
A extradição é o ato em que o Estado entrega um indivíduo acusado ou condenado à justiça do
Estado reclamante para julgá-lo e puni-lo de acordo com suas leis, desde que garantidos os direitos
humanos do extraditado. O objetivo principal é evitar que o indivíduo deixe de pagar por seus
crimes, por isso normalmente a extradição acontece com base em tratados entre as partes. Quando
não existe, é feita por meio de uma declaração de reciprocidade entre os países que estão tratando a
extradição.
O pedido formal de extradição é encaminhado pelo Estado requerente ao Ministério das Relações
Exteriores, que passa para o Supremo Tribunal Federal decidir a respeito. Este primeiramente faz a
prisão do extraditando, que terá direito de defesa garantido, porém, sem análise do mérito, o seu
processo será analisado e então se a extradição for negada, o acusado será solto e o Estado
requerente comunicado da decisão, se deferida, o Estado requerente deverá aceitar algumas
condições que garantam os direitos do extraditado. Formado o compromisso, terá 60 dias para
retirá-lo. Caso contrário, o indivíduo será colocado em liberdade sem renovação do processo de
extradição.
A expulsão de um estrangeiro residente se configura por retirá-lo do território nacional por
cometimento de delito ou infração por meio de um processo que visa a defesa e a ordem interna.
Não deve ser entendida como pena, mas uma medida de prevenção, mesmo que o estrangeiro tenha
sido condenado. Essa medida não é arbitrária, ela é aplicada à estrangeiros que provoquem ameaça,
perigo ou inconveniência aos interessesdo Estado que o expulsa. Em geral, ofensas à dignidade do
Estado, desordem, espionagem, conspiração e ingresso de forma ilícita.
A diferença entre a expulsão e a extradição é simples, a primeira acontece quando o crime é
cometido no território nacional. A segunda quando o crime é cometido em outro país e este solicita
o envio do estrangeiro para que seja processado, julgado e condenado de acordo com as leis do país
requerente.
A deportação do estrangeiro que estiver em território nacional de forma irregular se dá de forma
compulsória sem o envolvimento do governo. É feita pelas autoridades locais, no Brasil, pela
Polícia Federal, que decide pela deportação caso não seja um caso que possa ser regularizado. Por
exemplo, o estrangeiro que necessita de visto antes de ingressar e não o fez, ou aquele que
permaneceu além do prazo de seu visto e não possua motivo plausível para renová-lo. Diferente da
expulsão, não há cometimento de nenhum crime, basta que esteja irregular em sua entrada ou
permanência no território nacional para que seja deportado e seu retorno é permitido, desde que
regularize a documentação para reingresso.
A Convenção de Viena, sobre o direito dos Tratados, dá direito às organizações internacionais de
celebrar tratados com outros Estados e outras organizações internacionais.
Falamos até agora das organizações internacionais. Dentre elas, existem as organizações de
integração, também chamadas de organizações de integração regional, que podemos entender como
uma organização constituída por Estados de uma determinada região. Grandes exemplos dessas
organizações são a OEA – Organização dos Estados Americanos, a União Europeia e o Mercosul.
Essas organizações são formadas com a finalidade de se integrarem em um bloco e cooperarem
entre si para alcançar objetivos comuns econômicos principalmente.
Já as organizações de cooperação também podem ser de constituição regional ou até mesmo
internacional. Sua forma de cooperação é voltada para determinado assunto, por exemplo educação,
cultura, ciência e economia. A OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico é uma organização para cooperação e desenvolvimento econômico, seus membros
cooperam entre si para estimular investimentos e conseguir reformas econômicas, além de outros
temas comerciais, sociais e ambientais.
A OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica é composta de oito países latinos
com o objetivo de incentivar o desenvolvimento sustentável e a inclusão social na Região
Amazônica. O tratado tem por princípio a pesquisa científica e o compartilhamento de informações
de modo amplo e internacional. Seu objetivo é fortalecer as capacidades tecnológicas e científicas
para pesquisa da Floresta Amazônica e a criação de ações e modelos de desenvolvimento
sustentável e a minimização dos impactos ambientais.
A Organização das Nações Unidas se originou logo após o fim da Segunda Guerra Mundial por
meio da Carta da ONU assinada em junho de 1945 com o principal propósito de manter a paz e a
segurança entre as nações, fomentar relações amistosas com base no respeito e na igualdade de
direitos, cooperar para a solução de problemas econômicos, culturais e humanitários, preservar os
direitos humanos e a liberdade. Hoje possui 193 países-membros, sendo 51 deles chamados
originários, que são aqueles que participaram da assinatura da Carta da ONU. O Brasil é um deles, e
os demais países são chamados membros admitidos ou eleitos, que são aqueles que passaram a
integrar a organização após sua constituição.
Unidade IV
A Sociedade Internacional é formada pelos destinatários diretos do Direito Internacional, isto é,
pelas entidades as quais as normas jurídicas internacionais atribuem direitos e impõem obrigações”.
Tais sujeitos, segundo Silva (2018) seriam: Estado, Organização internacional, Pessoa humana, e
Santa Sé.
A primeira Organização Internacional criada foi a Comissão Central para a Navegação do Reno, em
1815, integrada pela Suíça, Alemanha, França Bélgica e Holanda. Tinha por objetivo regulamentar a
navegação pelo Rio Reno, com sede em Estrasburgo, na França.
A relação entre o Vaticano e Santa Sé é uma relação entre Estado e governo. A Santa Sé é a união:
da Cúria Romana, que é a reunião da congregação que auxilia o Papa em seu ministério, dos
tribunais encarregados do Poder Judiciário e do secretariado encarregado do trabalho administrativo
(Secretaria Apostólica); e, do Papa. A Santa Sé, como pessoa internacional, possui os direitos de
legação e convenção. O Vaticano possui uma nacionalidade própria, a qual, segundo Pena Marinho,
configura-se num jus domicilii combinado com jus laboris. Têm sua nacionalidade: a) os Cardeais
residentes na cidade do Vaticano ou em Roma; b) os que residem de um modo permanente na
Cidade do Vaticano.
Segundo Damasceno (2019), para a Teoria Realista das Relações Internacionais o indivíduo busca
de poder e os Estados atuam da mesma forma, ou seja, o Estado busca do seu próprio interesse,
definido em termos de poder. O poder, neste viés, é entendido em termos dos recursos materiais
necessários para prejudicar fisicamente ou coagir outros Estados.
Ao contrário da visão pessimista da Teoria Realista, segundo Damasceno (2019), a tradição Liberal
das Relações Internacionais acredita no progresso humano na sociedade civil moderna alcançada
por meio da economia capitalista. Nesse sentindo, a Teoria Liberal entende que a natureza humana é
boa, sendo possível às pessoas uma melhora de suas condições morais e materiais, viabilizando o
progresso social e a paz duradoura. Sustenta, assim que o comportamento humano mau que gera
injustiça e a guerra surgem em virtude de instituições sociais inadequadas ou corruptas e
desentendimentos entre os líderes. Dessa forma, a expansão da liberdade humana, alcançada por
meio das democracias e através do capitalismo podem até mesmo eliminar a injustiça, a guerra e a
agressão.
Uma terceira perspectiva teórica sobre as Relações Internacionais é encontrada na Teoria Radical.
Os radicais, assim como anarquistas e marxistas, entendem o Estado como um problema,
distinguindo, portanto, de forma dramática dos realistas e dos liberais. Os radicalistas apresentam
uma teoria anticapitalista por meio da perspectiva do mundo contemporâneo, entendendo que as
mudanças que ocorreram pós 1989, em realidade, em pouco alteraram a Sociedade Internacional,
que, para estes, continua dividido entre Estados ricos e poderosos e Estados altamente dependentes
de outro lado. Dessa forma, o “novo” arranjo torna a Sociedade Internacional mais insegura.
Em relação à Corte Internacional de Justiça – CIJ, com sede em Haia (Países Baixos), tratada nos
artigos 92 a 96 da Carta da ONU, e com funcionamento regulado pelo Estatuto da Corte
Internacional de Justiça. É considerada o principal, mas não o único, órgão judiciário da ONU, uma
vez que seus Estadosmembros têm a possibilidade de submeter litígios a outros tribunais
internacionais (art. 95) e mesmo um Estado não-membro da ONU poderá submeter-lhe a solução de
um litígio internacional.
Segundo Araújo Júnior e Oliveira (2017, pp.92-93), o Tribunal Internacional do Direito do Mar, da
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, conhecida como a Convenção de
Montego Bay de 1982, efetivouse com o objetivo precípuo de velar pela Convenção e,
consequentemente, pelo meio ambiente marinho. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito
do Mar de 1982, conhecida como Convenção de Montego Bay de 1982, que repisou os conceitos de
sustentabilidade apresentados pela Conferência de Estocolmo de 1972, adaptando-os ao meio
ambiente marinho, representa um dos maiores avanços no âmbito do Direito Internacional, bem
como no âmbito do Direito Ambiental Internacional e, não se poderia deixar de mencionar, no
âmbito dos DireitosHumanos, pois até esse instrumento internacional, nunca tantos países haviam
se juntado para a elaboração de um documento tão grandioso.
Segundo Silva (2018) a proposta mercosulina de integração, instituída entre Argentina, Brasil,
Paraguai e Uruguai a partir do Tratado de Assunção de 26.03.1991, visa promover a inserção mais
competitiva dos quatro países no mercado internacional. Ao contrário das tentativas anteriores de
integração, da ALALC e da ALADI, o Tratado de Assunção apresenta propostas mais estruturadas e
consistentes, aumentando, assim, a possibilidade de êxito dessa nova tentativa diante da realidade
atual. Os países membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. E os países associados:
Chile, Equador, Bolívia, Peru, Colômbia, Guiana e Suriname.
De acordo com a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, uma pessoa é considerada
representante de um Estado para a adoção ou autenticação do texto de um tratado ou para expressar
o consentimento do Estado em obrigar-se por um tratado se a prática dos Estados interessados ou
outras circunstâncias indicarem que a intenção do Estado era considerar essa pessoa seu
representante para esses fins e dispensar os plenos poderes. Ademais, a Convenção de Viena sobre o
Direito dos Tratados entende que, em virtude de suas funções e independentemente da apresentação
de plenos poderes, são considerados representantes do seu Estado, os Chefes de Estado, os Chefes
de Governo e os Ministros das Relações Exteriores para a realização de todos os atos relativos à
conclusão de um tratado.
Assim, de acordo com nossa constituição, os principais órgãos que mantêm relações internacionais
são: Chefe de Estado – representado pelo Presidente da República; Ministro das Relações
Exteriores; Diplomatas.
	Unidade I
	Unidade II
	Unidade III
	Unidade IV

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