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AULA 8: Tratados Internacionais Nível de obrigatoriedade das fontes + Tratados Costume Internacional Princípios gerais do direito Atos de organizações internacionais Declarações escritas Declarações orais - Atos Unilaterais 1. Fontes: Como se cria o direito internacional? 2. Sujeitos: Quem cria o direito internacional? 3. Solução de Controvérsias: Como quem cria o direito internacional resolve as controvérsias? Fonte do Direito: Discussão de fonte como criação do direito, como se cria o direito “A teoria das fontes, em suas origens modernas, reporta-se à tomada de consciência de que o direito mã é essencialmente um dado, mas uma construção elaborada no interior Francisco de Vitória → consulta da coroa espanhola em relação aos bárbaros (índios) poderia matar, escravizar apresentar a fé e conversão forçada ele analisa a bíblia para esses questionamentos Hugo Grotius → realismo portugal e espanha poderiam ou não dividir o mar dois campos, direito natural e direito das nações Lista de Fontes (Artigo 38 do ECIJ) As fontes primárias de direito internacional aceitas e codificadas, presentes no Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ECIJ) desde a década de 20, são: 1. Convenções Internacionais (Tratados). 2. Costume Internacional (como prova de uma prática geral aceita como direito). 3. Princípios Gerais do Direito (reconhecidos pelas nações civilizadas). ● Meios Auxiliares: Decisões judiciais e doutrina dos publicistas mais qualificados. ● Outras Fontes (adicionadas posteriormente): O curso também abordará atos unilaterais de estados e atos de organizações internacionais (resoluções), que surgiram após a criação do Estatuto do ECIJ e são temas de controvérsia. ● Direito Interno: Possui uma hierarquia de fontes (pirâmide), com a Constituição no topo. ● Direito Internacional: Não existe hierarquia jurídica. Há a horizontalidade das fontes; tratados, costumes e princípios estão no mesmo nível. Distinção entre Importância Política e Jurídica é fundamental separar a importância política da relevância jurídica dos instrumentos. Por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem imensa importância política e histórica, mas não é uma fonte jurídica de direito em si, porque os estados a adotaram justamente para não ter um dever jurídico direto. Distinção entre Fonte e Norma Fonte é o meio de formalização (ex: a Convenção de Viena); norma é o imperativo abstrato ou orientação específica para o comportamento (ex: "Todo tratado em vigor obriga as partes")[ Fontes formais reconhecidas pelo DIP → Corte do direito internacional de justiça Artigo 38 Lista de Fontes (Artigo 38 do ECIJ) As fontes primárias de direito internacional aceitas e codificadas, presentes no Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ECIJ) desde a década de 20, são: 4. Convenções Internacionais (Tratados). 5. Costume Internacional (como prova de uma prática geral aceita como direito). 6. Princípios Gerais do Direito (reconhecidos pelas nações civilizadas). ● Meios Auxiliares: Decisões judiciais e doutrina dos publicistas mais qualificados. ● Outras Fontes (adicionadas posteriormente): O curso também abordará atos unilaterais de estados e atos de organizações internacionais (resoluções), que surgiram após a criação do Estatuto do ECIJ e são temas de controvérsia. ● Direito Interno: Possui uma hierarquia de fontes (pirâmide), com a Constituição no topo. ● Direito Internacional: Não existe hierarquia jurídica. Há a horizontalidade das fontes; tratados, costumes e princípios estão no mesmo nível. Distinção entre Importância Política e Jurídica é fundamental separar a importância política da relevância jurídica dos instrumentos. Por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem imensa importância política e histórica, mas não é uma fonte jurídica de direito em si, porque os estados a adotaram justamente para não ter um dever jurídico direto. Distinção entre Fonte e Norma Fonte é o meio de formalização (ex: a Convenção de Viena); norma é o imperativo abstrato ou orientação específica para o comportamento (ex: "Todo tratado em vigor obriga as partes")[ Definição de Tratado (Convenção de Viena) Tratado é um acordo internacional que possui as seguintes características essenciais: ● Concluído por escrito (não existe tratado oral). ● Concluído entre estados ou entre estados e organizações internacionais (não envolve sociedade civil ou empresas). ● Regido exclusivamente pelo direito internacional. ● Que exige ratificação (o ato de double check em que o estado se compromete formalmente). No sistema internacional todas as fontes estão no mesmo nível, que costumes, princípios→ não há hierarquia Mas custume não é documento mas comportamento, então garantir a precisão ? Isso porque as discussões ocorrem diferente no campo política Tratado: acordo internacional por meio de um documento escrito concluído entre Estados o ente estado e organizações internacionais e regido pelo direito internacional, quer conste um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos qualquer que seja sua denominação específica. DIFERENCIAL: Ratificação (FORÇA OBRIGATÓRIA) ● carta ● telégrafo ● nota diplomática Negociação + Assinatura + Ratificação + Entrada em vigor → execução Texto: Preâmbulo Cláusulas → normas Reserva →cada Estado tem seu procedimento interno para aceitar os tratados → é específica para o estado que a faz e pode suprimir um artigo, dar sentido a um termo ou incluir um procedimento (como a inclusão do procedimento de saída dos EUA da OMS) O nome dado ao documento é irrelevante para sua natureza jurídica. Tratados podem ser chamados de carta (ex: Carta da ONU), convenção (ex: Convenção de Genebra), acordo (ex: Acordo de Paris), protocolo (ex: Protocolo de Kyoto), ajuste, ou memorando. O que define se é um tratado é sua estrutura: ser um documento escrito, regido pelo direito internacional, e que prevê ratificação. Procedimento Interno: O processo de incorporação de um tratado no direito interno (como a autorização do Congresso ou o prazo para submissão) é regido pelo direito nacional de cada estado e não pelo direito internacional. O processo interno de incorporação (assinatura pelo Presidente, autorização do Congresso, e ratificação/incorporação) é regido pelo direito interno e pode levar muito tempo, como exemplificado pelo caso da ratificação do protocolo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos no Brasil. ● Busca de Tratados: Foram listados sistemas de busca de tratados, incluindo o Sistema Concórdia (MRE), a base de legislação do Planalto e o Sistema de Tratados da ONU. Princípio do Single Undertaking: Utilizando o exemplo do GATT/OMC (Organização Mundial do Comércio), foi destacado que, no sistema da OMC, todos os acordos (Anexo 1A, 1B, 1C etc.) são considerados um único tratado. Isso significa que os estados devem aceitar todos os documentos ou não aceitar nenhum, e é proibido apresentar reservas. A única exceção são os acordos plurilaterais do Anexo 4 (como compras governamentais). AULA 10: Costumes e Princípios O costume não é um documento escrito, mas sim uma prática geral aceita como direito. → é repetida por é entendido que é um comportamento obrigatório ● Elemento Objetivo: A prática reiterada ou repetida. ● Elemento Subjetivo (Opinio Juris): A convicção de que aquele comportamento é obrigatório. Prática: como a cortesia de presidentes ligarem após uma eleição ou a prática de não ficar parado à esquerda do metrô). Uma prática não gera uma expectativa de cumprimento obrigatório e sua violação não acarreta repercussão jurídica. Costume: Geralmente, a certeza de que algo é um costume só ocorre no momento da violação, quando as outras partes se insurgem e procedimentos de solução de controvérsias confirmam a regra. os estados podem tudo, desde que seja permitido pelo direito — são custumepq quando houve violações à uma intervenção, só há certeza quando há violação Costumes podem ser: ● multilateral – princípio pacta sunt servanda ● bilateral ● regional – salvo-conduto na América Latina para asilados), ou multilateral costume pode cair em desuso juridicamente o ele não é inferior juridicamente a um tratado mas politicamente costume é inferior pq o tratado dá uma seguridade Os costumes formavam a maior parte do direito internacional, mas após a Segunda Guerra Mundial, os estados passaram a preferir codificar os costumes em tratados, como é o caso da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. Não há hierarquia – tratados, costumes e princípios estão no mesmo nível. Mas, o tratado oferece maior segurança e previsibilidade por ter momentos de início e fim definidos, o que é politicamente relevante. Se o Direito Internacional fosse uma culinária, o Tratado seria uma receita escrita, medida e assinada por todos os chefs (estados), com um processo formal para validação (ratificação). Já o Costume seria uma técnica culinária transmitida oralmente e repetida por gerações (prática), que se torna obrigatória porque todos os chefs acreditam que é a maneira “certa” de cozinhar aquele prato (opinio juris), e se alguém o fizer de outra forma, será imediatamente contestado pela comunidade gastronômica. Costumes ● Definição ● Distinção entre usos e costumes ● Alcance ● Extinção Relação com normas convencionais ● Princípios gerais ● Definição ● Distinção entre regras e princípios ● Função Princípios Gerais do Direito. As três são consideradas fontes primárias do direito internacional, conforme previsto no Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ECIJ) Princípio como Tipo de Norma: ◦ Regra: Norma com orientações muito específicas, que inclui detalhes e exceções, deixando pouca margem para interpretação no caso concreto (Exemplo: cláusula da nação mais favorecida do GATT, apesar de ser chamada de princípio). ◦ Princípio: Norma com pautas genéricas, que exigem interpretação e integram o ordenamento (Exemplo: princípio da boa-fé no direito contratual ou o princípio da precaução). Princípios → há duas perspectivas é um tipo de norma - determinado comportamento e a genéricas que é necessário interpretação para aplicação → há diferença permanece no nível de detalhe Princípio como Lógica Geral da Regulação: É a lógica que dá sentido à interpretação do sistema (Exemplo: Princípio da Nação Mais Favorecida, que é a lógica de que “tudo que você oferecer para um, você vai oferecer para outro”). ● Função Integrativa: Os princípios são usados para fornecer soluções por analogia em casos não regulamentados diretamente, preenchendo as lacunas do direito. ● Escopo: Em geral, o Brasil considera como fontes tanto os princípios do direito interno quanto os princípios do direito internacional. AULA 11: Atos unilaterais e decisões de organizações soft law Atos Unilaterais de Estados O ato unilateral de estado se resume a promessas ou declarações unilaterais. Não se trata de atos como denúncias de tratados ou tarifas, que são meros fatos com repercussões jurídicas. → atos de Estado para indivíduos e não para outros Estados → Os únicos casos em que a Corte Internacional de Justiça considerou uma promessa de estado como fonte de obrigação foram os casos da França contra a Austrália e Nova Zelândia, envolvendo testes nucleares. Aos ou Decisões de Organizações Internacionais ● Não existe uma regra geral que determine se as decisões de organizações internacionais são obrigatórias ou apenas recomendatórias. Interpretação → ler o tratado constitutivo ou o documento que cria o regime para inferir se a decisão tem natureza obrigatória (fonte) ou facultativa (recomendação). Exemplos: ● Assembleia Geral da ONU: As resoluções são geralmente recomendatórias, pois o Artigo 10 da Carta prevê que a Assembleia “poderá fazer recomendações”. ● Conselho de Segurança da ONU: As resoluções são obrigatórias, pois o Artigo 25 estabelece que os membros "concordam em aceitar e executar as decisões" ● MERCOSUL: As normas de certos órgãos (como o Conselho Mercado Comum) têm caráter obrigatório. → não há um mecanismo geral para a incorporação desses atos no direito interno, exceto para as resoluções do Conselho de Segurança que impõem sanções (congelamento de bens). AULA 12: Sujeito - Estado Para quem é feito o direito internacional? Regime internacional forte → principal ator é o Estado obrigatoriedade → dever precisão → detalhe e previsibilidade delegação → sujeitos Sujeito: A definição de sujeito de direito é aquele que possui aptidão genérica (personalidade) para adquirir direitos e contrair obrigações A visão clássica de sujeito era restrita àquele que podia celebrar tratados, o que inicialmente se aplicava apenas aos Estados Deliberação e implementação → a capacidade de um sujeito não decorre influência mas de quem a sociedade concorde a quem tem capacidade jurídica Personalidade - aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obrigações - capacidade jurídica - e a medida jurídica da personalidade (Sá pereira) ou a manifestação do poder de ação implícito no conceito de personalidade → no plano interno aos poucos se tem mais autonomia para organizar os atos → no plano externo Personalidade jurídica pessoal natural e pessoa jurídica → dependendo da cultura jurídica de cada Estado determinar quem é pessoa jurídica Ator Político – influência/ sem capacidade para entrar, sair ou regular acordos Personalidade Jurídica – responsabilidade obrigatória Entendimentos ● Clássico: ○ apenas Estados ○ organizações internacionais ● Atualizado (não há consenso) ○ indivíduos ○ empresas ○ ONGs ● Regimes fortes (Jurisdicizados) quebram a lógica vestfaliana (Estado como único ator) ao permitir a existência de instituições fortes que podem deliberar, criar novas normas, monitorar e resolver controvérsias sem depender do veto ou da vontade exclusiva do Estado. Ex: União Europeia ● Regimes Fracos os mecanismos são controlados pelos estados e servem apenas como fóruns de negociação (como o exemplo da aliança de extrema-direita sobre direitos reprodutivos). A maioria das instituições internacionais se enquadra nesta categoria, necessitando da tradução e incorporação das decisões pelo Estado. Convenção sobre Direitos e Deveres dos Estados de 1933 (montevidéu) Art 1O Estado como pessoa de Direito Internacional deve reunir os seguintes requisitos: – população permanente (povo) – território determinado – governo próprio (soberania interna) – capacidade de entrar em relações com os demais Estados (soberania externa) Território O território é o espaço de ação soberana exclusiva e inclui solo, águas, ar e subsolo. As regras atuais definem o mar territorial (soberania clássica) → Não há Estado sem território Perda de Território: Um estado pode não ter mar (ex: Bolívia, Paraguai), mas não pode existir sem solo. A perda temporária de território não extingue o estado (ex: Polônia na Segunda Guerra Mundial), mas a perda geográfica irrecuperável de solo levaria ao fim do estado sob as regras atuais (ex: Tuvalu). Povo Povo é a definição mais adequada, pois é o conjunto de pessoas que detém um vínculo político-jurídico de caráter permanente com o Estado, participando da formação de sua vontade. População é um conceito demográfico inadequado. → Nação é um conceito antropológico (comunidade unida por vínculos étnicos, históricos e culturais). Os estados modernos, como o Brasil, são multiculturais e não nações Caso da Palestina - A Palestina, sob o colonialismo britânico, existiu como entidade territorial após a dissolução do Império Turco-Otomano. - O movimento político palestino defende a desocupação*de um território estatal pré-existente (século XX), e não a criação deum novo. - Utiliza argumentos históricos baseados no Império Romano Antigo (antes de 500 d.C.). - O conceito moderno de território como espaço de ação soberana é uma invenção do Direito Internacional surgida após a Paz de Vestfália (1648). ● Sujeito: Está mais associado a um papel burocrático e a um reconhecimento formal atribuído pelo direito internacional. Possui aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obrigações. O Estado é o sujeito mais clássico. Organizações internacionais, se tiverem personalidade jurídica, também são sujeitos. ● Ator: Não tem necessariamente o mesmo peso que o sujeito. Atores, como empresas (exemplo da indústria fóssil nas negociações do clima) ou empresários influentes, não são sujeitos de direito internacional. Eles são altamente influentes no processo, mas a comunidade internacional não lhes deu a capacidade jurídica de assinar tratados. Muitas vezes, esses atores não querem ser sujeitos para evitar as regras de publicidade e transparência. ● Delegação de Autoridade: A discussão de sujeitos está ligada à delegação de autoridade nos regimes internacionais. Quanto mais o Estado controla o que é decidido (regime Westfaliano clássico), menos delegação de autoridade o regime possui, tornando-o mais fraco em termos de instituições e jurisdicização. Reconhecimento de Governo ● É o ato pelo qual um Estado declara se reconhece a legitimidade dos novos ocupantes do poder. ● Doutrinas Latino-Americanas: O Brasil e outros países adotaram a prática de não emitir nota de reconhecimento, seguindo a Doutrina Estrada (evitar o julgamento da legitimidade alheia). A Doutrina Tobar (anterior) previa o não reconhecimento apenas em caso de revolução e não eleições regulares. Reconhecimento de Estado ● É um ato livre que reconhece a existência de um novo estado. Pode ser expresso ou tácito (implícito, como ao celebrar um tratado). ○ É declaratório (a maioria do Direito Internacional sustenta isso), ou seja, o Estado já existe e não depende do reconhecimento formal dos outros para sua existência política. ○ É constitutivo, ou seja, o reconhecimento é um elemento necessário para a existência do Estado. → Embora seja juridicamente declaratório, na prática, a falta de reconhecimento compromete drasticamente a capacidade de existência do Estado no cenário global moderno (exemplo da Somalilândia, que tinha apenas um memorando de entendimento com a Etiópia até o final do ano passado). A discussão sobre as Fontes do Direito Internacional (DIN) se concentra nos modos de criação do direito, e as fontes são tradicionalmente classificadas em **fontes primárias** e **meios auxiliares** (ou fontes que auxiliam na interpretação). RESUMO Fontes Primárias Clássicas ● Convenções Internacionais (Tratados) ● Costume Internacional ● Princípios Gerais do Direito . Meios Auxiliares ● Decisões judiciais ● Doutrina dos publicistas mais qualificados. ● Fontes Não Clássicas ou Controversas ● Atos Unilaterais dos Estados: ● Atos (ou Decisões) de Organizações Internacionais ➔ Fonte é o meio de formalização da entrada da norma na vida (exemplo: a Convenção de Viena sobre direito dos tratados é uma fonte). ➔ Norma é o imperativo abstrato ou orientação específica para o comportamento (exemplo: "Todo tratado em vigor obriga as partes"). AULA 13 e 14: Organizações Internacionais e Individuos As OIs são o primeiro ente que não é Estado a ser amplamente aceito como sujeito de direito internacional. ● Distinções Organização internacional não é sinônimo de regime internacional ou instituição internacional. Uma OI é uma estrutura formal, que pode abrigar vários regimes (como o buquê de galhos da ONU, que tem muitos regimes) ou apenas um (Organização Internacional do Café). A regulação de um regime é pensada a partir da lógica temática. ● Atribuição de personalidade Jurídica Uma OI é estabelecida por tratado (mesmo que chamado de Carta, Constituição ou Artigos de Acordo). A personalidade jurídica pode ser dada de forma expressa (com uma cláusula no tratado) ou tácita. A OI pode: ● celebrar tratados ● participar de mecanismos de solução de controvérsia ● exercer proteção funcional sobre seus funcionários e ter direito de legação (enviar diplomatas). Além disso, a vontade da organização é descolada da vontade dos membros (exemplo: a aprovação da Palestina como membro da ONU não obriga todos os membros a reconhecerem a Palestina como Estado). Estrutura ● Órgão máximo de tomada de decisão ● secretariado ● Plenária de todos os membros – conselho ● Órgão executivo com parte dos membros – conselho ● Órgão de solução de controvérsias Opinião Consultiva para ela fazer tudo que está na carta ela precisa de personalidade juridica sendo a carta, entende-se implicitamente Âmbito interno (nacional): ● assinatura de acordo sede capacidade de ter direitos e assumir obrigações Âmbito externo (internacional) ● proteção diplomática ● proteção internacional Regras de Tomada de Decisão (Delegação de Autoridade): ● Unanimidade: Implica que a decisão não é tomada se houver discordância de apenas um membro; é característica dos regimes mais vestefalianos. (todos concordem, ou seja, todos têm o poder de veto) ● Maioria: Mais delegação de autoridade, pois o Estado aceita o processo mesmo podendo perder a votação. (maioria dos membros presentes e que votem) ● Consenso: Ninguém se opõe, mas pode gerar espaço para abuso político em regimes como a OMC. Membros (força vinculante) ● Membros plenos fazem parte do tratado e votam) ● Observadores podem apenas ouvir e, às vezes, falar, mas não têm direitos/deveres plenos), independentemente da nomenclatura (associado, terceiro, convidado). ● Não membro de nenhuma forma Os indivíduos são sujeitos? O indivíduo é a fonte de maior controvérsia sobre ser sujeito de direito internacional Visão Clássica (Positivista): Esta visão defende que o indivíduo não é sujeito de direito internacional. O conceito tradicional de sujeito era restrito àqueles que tinham capacidade de celebrar tratados, o que classicamente se aplicava apenas aos Estados. Visão Sociológica (Emergente): Devido aos desenvolvimentos no campo dos Direitos Humanos e do Direito Penal Internacional, surge uma escola de pensamento que defende uma definição mais ampla de sujeito. Argumenta-se que a definição de sujeito no plano internacional deve seguir o modelo do direito interno.. ● Sujeito ativos de direitos ex: julgamento no TPI ● Sujeitos passivo de deveres ex: titular de direitos no plano dos direitos humanos Direito de voz já é quebra do regime westfaliano ● Função Política: A possibilidade de indivíduos apresentarem relatórios sombra ou denúncias quebra o monopólio da voz do Estado sobre o que ocorre em seu território. Atos Unilaterais: Outros atores, como empresas e ONGs, apesar de serem relevantes e influentes (atores políticos), não são reconhecidos como sujeitos de maneira ampla, diferentemente do indivíduo, cujo envolvimento é mais formalizado em regimes de proteção AULA 15: Solução de controvérsias Revisão Membros originários Membros ascensão Relações com outras organizações regimes independentes relatórios conjuntos relatórios de dados → regra de tomada de decisão = consenso Diretor geral Exemplo OMC → indivíduos em postos chave não aparecem como sujeitos ativos passivos *os acordos da OMC estabelecem direitos e obrigações sobre os Estados ex: dumping - vender o preço abaixo dos outros concorrentes para prejudicá los → o procedimento explica como o Estado deve agir quando isso ocorre para buscar medidas não cita diretamente as empresas → Menções dos indivíduos e empresas só aparecem em apelações no órgão de solução de controvérsias empresas não aparecem diretamente mas juntos com os membros da organização O Caso Específico da OMC (Organização Mundial do Comércio) O sistemamultilateral de comércio foi usado como um exemplo prático de Organização Internacional: ● Evolução do Regime: O regime de comércio começou sem uma organização internacional (o GATT) na década de 40 e só veio a ter uma (a OMC) na década de 90, num processo de reforma. A tentativa inicial de criar a Organização Internacional do Comércio (OIC) fracassou devido à rejeição interna nos Estados Unidos. ● Membros: Os membros da OMC não são apenas estados. Membros são entidades com independência de política aduaneira, como a União Europeia, Hong Kong e Chinese Taipei. ● Decisão e Estrutura: A OMC tem órgãos como a Conferência Ministerial (órgão máximo, a cada dois anos) e o Conselho Geral, que veste três chapéus, incluindo o Órgão de Solução de Controvérsias. A regra padrão de tomada de decisão é o consenso. ● Indivíduos e Empresas: Os acordos da OMC não fazem referência a pessoas ou empresas; eles estabelecem direitos e obrigações apenas para os estados. Empresas só podem aparecer indiretamente, fornecendo informações como especialistas por meio de uma decisão do Órgão de Apelação (que foi uma válvula de escape no sistema member driven). ● Solução de Controvérsias → forma de delegação Rule making - criação de normas implementação Solução de controvérsias Tratado de Tordesilhas - não é tratado moderno Quem são as partes do conflito? Mediador em geral é só 1 Categoria Mecanismos Característica Principal Meios Diplomáticos Negociação (ou Consulta) Apenas as partes envolvidas; mecanismo clássico do sistema Vestfaliano. Meios Políticos Inquérito (Averiguação de Fatos) Terceiro estabelece a verdade dos fatos, sem opinar sobre a política (ex: comissão de inquérito sobre armas químicas no Iraque). Bons Ofícios Terceiro aproxima as partes num terreno neutro, mas não propõe soluções (ex: o papel do Papa). Mediação Terceiro apresenta propostas que não são obrigatórias, cabendo às partes aceitá-las, modificá-las ou rejeitá-las. Conciliação Envolve geralmente um grupo ou comissão; pode envolver inquérito e reapresentar propostas ao longo do tempo. Meios Jurisdicionais Arbitragem A decisão do terceiro é obrigatória; os estados ainda podem escolher os árbitros. Corte A decisão do terceiro é obrigatória; os estados não podem escolher os juízes. → antes o uso da força era um mecanismo regular da relação dos Estados, até o surgimento da carta da nações unidas, houveram tentativas de convencimento a não usar a força O Órgão de Solução de Controvérsias – OSC) O sistema de solução de controvérsias da OMC é um exemplo de alta delegação de autoridade: ● No sistema GATT anterior, a decisão sobre a adoção de um relatório de disputa exigia consenso, permitindo que o estado perdedor bloqueasse o resultado ● Consenso Negativo A OMC reverteu essa regra, exigindo consenso para não adotar uma decisão. Na prática, conclui que quem perdeu e quem ganhou não foi adotado, todos os membros têm que concordar em não adotá-lo. ● O Bloqueio do Órgão de Apelação O caráter mais técnico do sistema dependia do Órgão de Apelação, cujos membros precisam de consenso para serem indicados. Os Estados Unidos bloquearam novas indicações por anos (sob Trump e Biden), paralisando o órgão. ● Bypasses (Contornos) Para contornar o bloqueio, os membros da OMC começaram a recorrer a mecanismos paralelos de arbitragem e a outros mecanismos políticos (bons ofícios, conciliação, mediação). ● Fluxograma: O processo inicia-se com o pedido de consultas (negociação), seguido pelo estabelecimento de um Painel (natureza de arbitragem) e, teoricamente, recurso ao Órgão de Apelação. QUESTÃO 1 O artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ECID) é amplamente considerado o principal instrumento de identificação das fontes formais do Direito Internacional Público (DIP). De acordo com esse artigo e a doutrina majoritária, qual das alternativas abaixo apresenta corretamente a relação entre as fontes do DIP? Assinale a alternativa CORRETA. A. As decisões judiciais e os ensinamentos dos publicistas mais qualificados constituem fontes primárias e obrigatórias, com o mesmo peso dos tratados internacionais e do costume internacional na resolução de litígios. → tratados e costume são fontes primárias (ERRADA) B. O costume internacional e os princípios gerais do direito são considerados fontes subsidiárias, devendo ser aplicados apenas na ausência de tratados internacionais ou para a interpretação destes. C. A ordem de indicação no artigo 38 do Estatuto da Corte indica a hierarquia jurídica entre as fontes ali citadas. → horizontalidade das fonte (ERRADA) D. Os atos unilaterais dos Estados (como o reconhecimento, o protesto ou a notificação) são listados explicitamente no Artigo 38 do ECIJ como fontes formais autônomas do DIP. → Atos unilaterais surgiram como modo de criação do direito após o Estatuto da CIJ (ERRADA) E. Os tratados internacionais, o costume internacional e os princípios gerais do direito são considerados as fontes primárias e principais do Direito Internacional, aplicadas pela CIJ sem hierarquia estrita entre elas. CERTA QUESTÃO 2 Em relação ao conceito de Sujeitos do Direito Internacional Público (DIP) as entidades que possuem personalidade jurídica internacional, ou seja, são capazes de ter direitos e deveres sob o DIP - assinale a alternativa INCORRETA: A. O Estado soberano é o sujeito primário e mais tradicional do Direito Internacional, caracterizado pela tríade território, população e governo, além da capacidade de entrar em relações com outros Estados. (CERTA) B. Os indivíduos são considerados sujeitos de Direito Internacional, uma vez que DIP lhes confere direitos (ex: direitos humanos) e lhes impõe deveres (ex: responsabilidade por crimes internacionais, como no Tribunal Penal Internacional). de acordo com uma corrente mais sociológica do direito internacional. (CERTA) C. As Organizações Internacionais Governamentais, como a Organização das Nações Unidas (ONU),também são sujeitos do DIP, mas possuem uma personalidade jurídica limitada pelos seus tratados constitutivos e pelos objetivos que lhes foram designados pelos Estados-membros. (CERTA) D. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) é um exemplo de organização civil não governamental (ONG) que, em razão da importância de sua atuação, tem personalidade jurídica internacional plena e ilimitada, como um Estado.(ERRADA) E. O movimento de um povo pela sua autodeterminação é reconhecido pelo DIP na medida em que um Estado criado com base nesse movimento não depende do reconhecimento de outros para existir. (CERTA) QUESTÃO 3 Considere as três afirmações abaixo, relativas aos métodos de solução de controvérsias internacionais: I. Os meios diplomáticos (como negociação, inquérito, mediação, conciliação e bons oficios) e os meios jurisdicionais (arbitragem e solução judicial) são métodos de solução pacífica que se distinguem fundamentalmente pelo caráter obrigatório ou não da decisão final para as partes. CERTA II.A Corte Internacional de Justiça (CIJ), por ser principal órgão judicial da ONU, possui jurisdição obrigatória automática sobre todos os Estados-membros da Organização, exceto quando o assunto envolver questões de fronteira. ERRADA XIII. A negociação é o meio mais comum e preferencial para a solução pacifica de controvérsias do sistema vestifaliano. CERTA Assinale a alternativa CORRETA: a) Somente as afirmações I e I1 estão corretas. b) Somente as afirmações II e III estão corretas c) Somente as afirmações I e III estão corretas. d) As afirmações I, II e III estão corretas. e) Somente a afirmação I está correta. QUESTÃO 4 O artigo "The Concept of Legalization" define a jurisdicização da política internacional como uma forma particular de institucionalização, caracterizada por três dimensões centrais e independentes.Com base na definição proposta pelos autores,qual das afirmações a seguir descreve CORRETAMENTE um desses componentes ou a natureza fundamental do conceito de legalização? A. O componente delegação drefere-se ao grau em que as regras são de fato implementadas domesticamente pelos Estados, avaliando, portanto, os efeitos e a eficácia das normas.(ERRADA) B. De acordo com essa teoria, ou há ou não há, jurisdicização (este requerendo que as três dimensões sejam maximizadas), não se admitindo variações ou gradientes. (ERRADA) C. O componente obrigatoriedade refere-se ao quanto vinculados pelo conjunto de normas que criaram, submetendo seu comportamento à análise sob os procedimentos e o discurso do Direito Internacional. (CERTA) D. O componente precisão estende-se ao conteúdo substantivo das regras, sendo este o fator principal que determina se um acordo é legalmente obrigatório ou não. (ERRADA E. As três dimensões são interconectadas e não podem variar independentemente, de modo que a alta obrigatoriedade exige um alto nível de delegação para que sistema funcione. (ERRADA) LEIA O SEGUINTE ATO INTERNACIONAL PARA AS PERGUNTAS 5 A 8 QUESTÃO 5 Assinale a alternativa que CORRETAMENTE indica a razão pela qual o ato internacional citado é um tratado internacional: A. Acordo De Paris. B. Sendo Partes da Convenção-G Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima doravante denominada "Convenção` C. A título de contribuições nacionalmente determinadas à resposta global à mudança do clima todas 10, 11 e13, com vistas à consecução do objetivo deste Acordo conforme estabelecido no Artigo 2° D. Este Acordo estará aberto a assinatura e sujeito a ratificação, aceitação ou aprovação de Estados e organizações regionais de integração econômica que sejam Partes da Convenção. E. As disposições do Artigo 16 da Convenção sobre a adoção de anexos e emendas aos anexos da Convenção devem ser aplicadas mutatis mutandis a este Acordo. QUESTÃO 6 Assinale a alternativa com a interpretação CORRETA de quem pode ser parte do ato internacional: A. Somente os Estados-membros das Nações Unidas que também são signatários do Protocolo de Quioto são elegíveis para se tornarem Partes do Acordo de Paris. B. Podem ser partes, exclusivamente, os Estados soberanos e as Organizações Internacionais de integração econômica regional, desde que estas últimas sejam formalmente reconhecidas pela Assembleia Geral da ONU. C. Somente os Estados soberanos que sejam Partes da CQNUMC (Convenção-Quadro) podem se tornar Partes do Acordo de Paris, sendo vedada a participação de qualquer Organização Internacional.. D. Podem ser Partes apenas os Estados soberanos reconhecidos pela ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em virtude de seu status sui generis no Direito Internacional. E. Podem ser Partes do Acordo de Paris os Estados e as Organizações de integração econômica regional, como a União Europeia, mas o tipo de participação destas depende do fato de seus membros serem ou não também partes do Acordo. Artigo 20 O presente Acordo estará aberto para assinatura e sujeito a ratificação, aceitação ou aprovação pelos Estados e organizações regionais de integração econômica que sejam Partes da Convenção.(..) No caso das organizações regionais de integração econômica com um ou mais Estados-membros que sejam Partes do presente Acordo, a organização e os seus Estados-membros decidirão sobre suas respectivas responsabilidades para o cumprimento de suas obrigações ao abrigo deste Acordo. QUESTÃO 7 Sobre o funcionamento do mecanismo de solução de controvérsias do Acordo de Paris, assinale a alternativa CORRETA: A. Mecanismo de Facilitação e Cumprimento do Acordo de Paris o órgão com competência para a solução de controvérsias no Acordo e tem natureza penalizadora (punitive). → falicitadora B. O mecanismo adotado pelo Acordo de Paris é o mesmo da Convenção-Quadro. C. O Acordo de Paris não possui um mecanismo de solução de controvérsias próprio, remetendo obrigatoriamente as disputas entre as Partes à Corte Internacional de Justiça (CIJ), que opera sob as normas da Convenção-Quadro. D. Diferentemente da Convenção-Quadro, o sistema utiliza o Mecanismo de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) como principal ferramenta para arbitrar disputas de relacionadas a emissões de gases de efeito estufa, E. O comité de Paris é um órgão jurisdicional com poder para emitir sentenças finais e vínculo amantes mas sua jurisdição é limitada apenas a disputas que envolvam o financiamento climático entre países QUESTÃO 8 Assinale a alternativa INCORRETA com relação à estrutura decisória do Acordo de Paris: A. A Conferência das Partes da Convenção-Quadro atua também como Reunião das Partes do Acordo Decisório, órgão maior de tomada de decisão do Acordo de Paris. B. A Reunião das Partes deve promover facilitar a entrada em vigor do Acordo e também o fórum onde são realizadas a assinatura e a ratificação iniciais do Acordo pelos novos Estados Partes. C. A Reunião das Partes tem a função de receber e considerar as informações submetidas pelas Partes sobre suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), bem como a comunicação de adaptação de cada pais. D. É função da Reunião das Partes revisar periodicamente metodologia de elaboração de NDCs emitir orientações para garantir que design e comunicação das NDCs futuras reflitam a ambição progressiva de cada Parte. E. O Acordo de Paris não têm órgãos cuja função seja tomar decisões, por não se tratar de uma organização internacional. QUESTÃO 9 Com relação ao nível de jurisdicização do Acordo de Paris, assinale a alternativa CORRETA: A. Ainda que a obrigatoriedade do Acordo seja alta, por se tratar de um tratado, o nível de precisão é mais baixo, já que cada Parte pode definir o seu nível de compromisso com os objetivos do regime e delegação de autoridade também é de baixa a moderada, B. O Acordo cria um regime com alta obrigatoriedade, mas baixa precisão e delegação de autoridade,. em razão da inexistência de mecanismos de solução de controvérsias C. Embora o Acordo seja marcado por um nível de precisão bastante alto e médio de obrigatoriedade o maior problema do acordo é não permitir a participação de empresas como partes decisórias. D. O Acordo é marcado por características do nivel mais baixo de jurisdicização, por não criar expressamente uma organização internacional. E. É possível notar alta obrigatoriedade, precisão e delegação de autoridade no arranjo institucional criado pelo Acordo. QUESTÃO 10 Os EUA têm barrado a nomeação de novos juízes para o colegiado desde 2016, ainda no mandato de Barack Obama. Com isso, em 2019, o tribunal deixou de operar, por falta de quórum. As nomeações precisam ser feitas por consenso entre os países-membros. (...) A alternativa que CORRETAMENTE indica uma perspectiva que permite compreender o objeto da notícia a partir dos temas estudados durante semestre: A. O modelo de análise da juridicização dos regimes internacionais permite compreender como as instituições podem ser mais fortes ou fracas, restringindo ou não o exercício do poder pelos Estados e leva à compreensão do porquê alguns Estados reagem às estruturas criadas, como no caso noticiado. B. Dos temas estudados, o único que pode ser utilizado para discutir a notícia é o relativo à definição de sujeitos de direito internacional, porque eventuais controvérsias entre os Estados seriam resolvidas mais facilmente com a participação de indivíduos atuando de forma neutra. C. As discussões em torno da definição dos elementos do Estado são mais adequadas, porque há uma sobrerrepresentação chinesa na organização, já que não apenas China, mas também territórios chineses participam da organização, ocasionando um desequilíbrio em seu favor. D. A relevância do costume internacional, enquanto prática reiterada pelos Estados no sistema internacional ao longo do tempo,é uma perspectiva que contribui para a compreensão do tema, por possibilitar pensar nas tradições do sistema. E. A tensão descrita no texto é uma questão que requer a discussão da implementação prática das normas criadas pelos Estados em organizações internacionais e, portanto, envolve o modelo que analisa a jurisdicização dos regimes internacionais Tratado - Mercosul O Tratado de Assunção (1991) criou o Mercosul com composição fechada a quatro Estados da América do Sul, sem admitir organizações internacionais como Partes. Artigo 20 Seu órgão central é o Grupo Mercado Comum, encarregado de supervisionar a implementação e coordenar políticas (Artigos 9, 10 e 11). O Tratado não instituiu um tribunal ou sistema jurisdicional próprio, prevendo solução de controvérsias preferencialmente por negociação diretaArtigo 3. A estrutura institucional completa e os mecanismos arbitrais foram criados posteriormente por outros protocolos. O Tratado tem baixo grau de precisão e baixa delegação institucional, configurando baixo nível de juridicização. Acordo de Paris O Acordo de Paris é aberto a Estados e organizações regionais de integração econômica (Art.20). Sua estrutura decisória é exercida pela Conferência das Partes atuando como Reunião das Partes do Acordo (Art.16), responsável por supervisionar a implementação e as NDCs. Ele não cria tribunal próprio, remetendo as controvérsias ao mecanismo da Convenção-Quadro (Art.24). O Comitê de implementação e cumprimento é facilitador, não acusatório e não punitivo (Art.15). As obrigações centrais são de procedimento, não de resultado. Sua precisão é baixa e sua delegação institucional também baixa, configurando baixo nível de juridicização. Jurisdicização (Legalization) ABBOTT et al. (2000) Legalization no texto é um falso cognato; não significa tornar legal algo que era proibido. Refere-se ao grau do aspecto jurídica ou de institucionalização de um regime, que pode ser medido por três dimensões: OBRIGAÇÃO: é a vinculação do Estado ou outros atores com o compromisso ou regra. Alta: Obrigação incondicional; linguagem e outros indícios de intenção de ser legalmente vinculado. ★ Tratado político: condições implícitas na obrigação. ★ Reservas nacionais sobre obrigações específicas; obrigações contingentes e cláusulas de escape. Baixa: Negação explícita da intenção de ser legalmente vinculado. PRECISÃO: é a definição das regras do nível de ambiguidade a conduta que exige, autoriza ou prescreve. Alta: Regras determinadas: apenas questões estreitas de interpretação. ★ Questões de interpretação substanciais, mas limitadas. ★ Grandes áreas de discrição. Baixa: Impossível determinar se a conduta está em conformidade. DELEGAÇÃO: é autorização de terceiros para implantar, implementar e aplicar regras. → O nível de delegação costuma ser baixo, sendo a União Europeia o exemplo máximo de alta delegação. a. Resolução de Disputas: Alta: Tribunais: decisões vinculativas de terceiros; jurisdição geral; acesso privado direto; podem interpretar e complementar regras; tribunais nacionais têm jurisdição. ★ Tribunais: jurisdição, acesso ou autoridade normativa limitada ou consensual. ★ Conciliação, mediação. Baixa: Negociação política pura. b. Elaboração e Implementação de Regras: Alta: Regulamentos vinculativos; aplicação centralizada. ★ Regulamentos vinculativos com consentimento ou opção de exclusão. ★ Políticas internas vinculativas; legitimação da aplicação descentralizada. ★ Projetos de convenções; monitoramento e publicidade. Baixa: Fórum para negociações. As dimensões da legalização variam em grau e podem ser combinadas de diversas formas, criando uma continuidade de tipos ideais: Hard Law: quando as três propriedades (obrigação, precisão e delegação) são maximizadas. Soft Law: diversas combinações de normas que resultam em diferentes graus de intensidade ➔ Os níveis de jurisdicização só aumentam quando se quebra a lógica westfaliana. Assim, os regimes são resultado da vontade política dos Estados no momento da negociação. A escolha por um regime com alta ou baixa obrigatoriedade, precisão e delegação reflete os interesses políticos dos negociadores. Exemplos: Declaração de DH e FMI foram criados no mesmo período de tempo, mas possuem características de jurisdicização diferentes. Então não é o tempo que define tratado ou regimes mas a escolha política do Estados e suas intenções de vincular-se em diferentes graus. ➔ Nesse sentido, há uma grande diversidade nos regimes internacionais, os regimes não interferem um ao outro por causa da anarquia internacional . Se o Direito Internacional fosse uma culinária, o Tratado seria uma receita escrita, medida e assinada por todos os chefs (estados), com um processo formal para validação (ratificação). Já o Costume seria uma técnica culinária transmitida oralmente e repetida por gerações (prática), que se torna obrigatória porque todos os chefs acreditam que é a maneira “certa” de cozinhar aquele prato (opinio juris), e se alguém o fizer de outra forma, será imediatamente contestado pela comunidade gastronômica. Reconhecimento de Governo Reconhecimento de Estado O Caso Específico da OMC (Organização Mundial do Comércio) O Órgão de Solução de Controvérsias – OSC)