Botânica 2 cp 1 e 2
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Botânica 2 cp 1 e 2


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UNIVERSIDADE LÚRIO
FACULDADE DE ENGENHARIA E CIÊNCIAS 
NATURAIS
Ciências Biológicas
BOTÂNICA II
- 1 -
Noções de Taxonomia e Sistemática
Reino Plantae
João Camargo
1.1 Taxonomia e Sistemática \u2013 Classificação Binomial de Lineu
Os principais objectivos da Taxonomia e da Sistemática são identificar, dar 
nome e descrever organismos, inventariá-los em grupos, recuperar 
informações, organizar sistemas de classificação que mostrem os parentescos 
entre organismos e, finalmente, entender os processos evolutivos.
A classificação biológica desenvolvida pelo botânico sueco Lineu permitiu 
sistematizar, organizar e estabelecer relações entre os seres vivos. O sistema 
de classificação biológica também é conhecido por taxonomia (taxon+nomos 
= grego para conhecimento de grupos) ou sistemática. Lineu foi o primeiro a 
fornecer reconhecidamente uma sistematização científica abrangente das 
espécies presentes na biosfera.
Houve a necessidade de harmonizar o conceito de espécie e de universalizar os nomes das espécies, 
pois os diferentes nomes dados às espécies nos diversos países e regiões muitas vezes geravam 
grandes confusões entre cientistas que procuravam comunicar as suas descobertas ou simplesmente 
trocar informações. A definição de Lineu do que era uma espécie biológica resumia-se em \u201cum 
grupo de organismos semelhantes derivados de uma geração progenitora também semelhante\u201d. 
Actualmente a definição assume uma definição mais lata: \u201cGrupo de organismos semelhantes 
capazes de se cruzar em condições naturais, produzindo descendência fértil\u201d.
Lineu adoptou, na sua obra Systema Naturae, a nomenclatura binomial criada por 
Gaspard Bauhin para definir o nome científico das espécies: foi criado um código 
com duas palavras \u2013 a primeira designa o género, a segunda a espécie (também 
conhecida por epíteto específico).
Partindo desta unidade básica, Lineu criou o seu sistema de classificação: subindo 
a escala abaixo, cada degrau da escala é uma categoria taxonómica mais 
específica (mais pequena). 
As espécies que têm muitas semelhanças estruturais (fenotípicas), são reunidas em categorias 
superiores designadas géneros; os géneros com maiores semelhanças são agrupados em famílias e 
estas em ordens, e assim por diante.
O nome científico no sistema binomial actualmente vigente é composto pelo nome do 
género e da espécie, em latim ou latinizados, e escritos como tal em itálico ou sublinhado. 
Espécie Equus caballus
Género Equus
Família Equidae
Ordem Perissodactyla
Classe Mammalia
Filo Chordata
Reino Animalia
A primeira letra da primeira palavra (género) deve ser escrita em maiúscula, a primeira 
letra da segunda palavra (designada por epíteto ou restritivo específico ) deve ser escrita em 
minúscula. Pode abreviar-se o género, por exemplo S. tuberosum, em que o S. significa 
Solanum.
Solanum tuberosum = batata
Existem subdivisões de todas as categorias taxonómicas: subespécies, subgéneros, 
superifamílias, etc.. Podem aparecer no nome científico uma palavra entre parênteses, 
designando um subgénero, por exemplo: Drosophila (Sophora) melanogaster; ou no final, 
em letra minúscula, designando uma subespécie, como Homo sapiens neanderthalensis. À 
frente da designação específica deve escrever-se o nome ou abreviatura do taxonomista que 
atribuiu aquele nome à espécie descoberta (ex: Canis familiaris Lin. - registado por Lineu 
(Lin.)).
Com a publicação do livro a Origem das Espécies, de Charles Darwin, rapidamente 
disseminou-se a teoria da evolução das espécies, que levou a que as semelhanças entre as 
espécies fossem interpretadas pela sua proximidade em termos evolutivos, contrastando 
com a perspectiva fixa e imutável defendida por Lineu. A classificação passou a ser 
utilizada por muitos cientistas como forma de reflectir as relações de parentesco das 
espécies entre si \u2013 a classificação passava a ser utilizada, como Darwin havia sugerido, como 
uma genealogia. Estas genealogias designam-se, em termos de sistemática, por filogenias, e 
são representadas por árvores filogenéticas que, de modo semelhante às árvores 
genealógicas, apresentam a relação das espécies entre si, apontando que espécie é \u201cpai\u201d, 
quais são \u201cirmãs\u201d, \u201cprimos\u201d, etc.. Numa árvore filogenética o ponto comum a todas as 
espécies é a espécie ancestral relacionada com todas. Ao subirmos pela árvore, encontramos 
bifurcações: o ponto comum de que bifurcam os ramos é o ancestral comum aos ramos que 
dele descendem (neste caso a árvore representa um táxon monofilético).
1ª Árvore Filogenética conceptual de Darwin
1.2 Reinos
Inicialmente, Lineu dividiu a Natureza apenas em três reinos: Planta, Animal e Mineral. 
Rapidamente cientistas como Burdach, Lamarck e Trevinarus propuseram o termo 
\u201cBiologia\u201d como o estudo dos seres vivos, excluindo os minerais para a Geologia. Manteve-
se no entanto a divisão entre plantas e animais. Passaram a ser considerados animais todos 
os seres que se nutriam a partir da matéria de outros seres vivos (heterotróficos), enquanto 
os vegetais eram aqueles que produziam o seu próprio alimento (autotróficos). Com o 
desenvolvimento da Biologia e de instrumentos como o microscópio, pôde ser observada a 
inexistência de núcleo e de organelos por parte das bactérias, contrapondo as células 
procarióticas às células eucarióticas (de todos os outros seres vivos). Criou-se, devido a esta 
grande diferença estrutural, um terceiro reino: Monera.
Em 1969 Robert Whittaker acrescentou à base de quatro reinos criada por Herbert 
Copeland (Animal, Planta, Protista e Monera), o reino dos Fungos. As biólogas Lynn 
Margulis e Karlene Schwartz redefiniram o reino Protista de modo a incluir todas as algas 
(em Whittaker eram excluídas as algas multicelulares de grande porte, incluídas no reino 
das Plantas). 
Esta divisão é geralmente a mais utilizada pela comunidade científica na actualidade, 
estando os vírus numa categoria aparte.
Temos assim:
\u2212 Reino Animal: seres eucarióticos, multicelulares e heterotróficos; durante a fase 
embrionária, todos os membros do Reino Animal passam por um estado chamado de 
blástula, onde ocorre um esfera celular oca;
\u2212 Reino Planta: seres eucarióticos, multicelulares e autotróficos fototróficos com 
capacidade de fotossíntese; durante a sua fase embrionária, os embriões multicelulares 
que recebem o seu alimento directamente da planta-mãe;
\u2212 Reino Fungo: seres eucarióticos unicelulares ou multicelulares, heterotróficos, 
semelhantes às algas na organização e reprodução;
\u2212 Reino Protista: protozoários (eucarióticos, unicelulares e heterotróficos) e algas 
(eucarióticas, autotróficas fototróficas com capacidade de fotossíntese, unicelulares ou 
multicelulares);
\u2212 Reino Monera: procarióticos e unicelulares microscópicos; inclui as cianobactérias, 
capazes de fotossíntese; inclui os grandes grupos arqueobactérias e eubactérias.
Vírus: não têm células, sendo constituídos por moléculas de ácido nucleico envolvidas 
por moléculas de proteínas; só se conseguem reproduzir no interior de células animais, 
plantas, fungos ou bactérias, pelo que são parasitas intracelulares.
MONERA PROTISTA FUNGI PLANTAE ANIMALIA
Tipo de células 
(organelos)
Procariótica sem 
organelos 
membranares 
(mitocôndrias, 
cloroplastos)
Eucariótica com 
núcleo e 
mitocôndrias, por 
vezes cloroplastos
Eucariótica com 
núcleo e 
mitocôndrias. 
Parede celular 
com quitina
Eucariótica com 
núcleo, 
mitocôndrias e 
cloroplastos. 
Parede celular 
celulósica
Eucariótica com 
núcleo e 
mitocôndrias, sem 
cloroplastos e sem 
parede celular
Organização 
celular
Unicelulares, 
solitários ou 
coloniais