FICHAMENTO A constituição na vida dos povos
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FICHAMENTO A constituição na vida dos povos


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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
Fichamento da Obra: A Constituição na vida dos povos: da Idade Média ao século XXI
Dourados, MS.
2017
A CONSTITUIÇÃO NA VIDA DOS POVOS
As características da Constituição foram definidas e afirmadas, por meio de um longo processo histórico: O Constitucionalismo. Teve raízes na Idade Média. E cuja última etapa iniciou-se com a publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.
O conhecimento dos fundamentos do constitucionalismo implica, antes de tudo, a verificação das circunstâncias, despertaram a consciência do ser humano que necessitam de convivência, que por sua vez, implica a necessidade de uma organização dotada de um governo. A diferença que caracteriza os grupos humanos, é que estes se constituem e se modificam pela vontade de seus integrantes, sofrendo influência de desejos, interesses e convicções de todo o grupo ou algum de seus membros. 
É preciso ter em conta, porém, que o constitucionalismo, apesar de impulsionado sempre pelos mesmos objetivos básicos, teve características diversificadas, segundo as circunstâncias de cada Estado. Com efeito, surgindo num momento em que a doutrina econômica predominante era o liberalismo, incorporou-se o constitucionalismo ao acervo de ideias que iriam configurar o liberalismo político. 
O Constitucionalismo, expandiu-se como ponto de convergência das lutas a favor dos direitos e da liberdade do indivíduo. Dessa forma, em alguns Estados o constitucionalismo foi o instrumento de afirmação política de novas classes econômicas, já em outros, foi a expressão de anseios intelectuais, nascidos de um romantismo político sem caráter utilitarista. Naqueles, em consequência, o constitucionalismo teve caráter verdadeiramente revolucionário, consagrando mudanças estruturais e implicando limitações ao governo e ao Estado. Nos demais teve um sentido quase simbólico, gerando as monarquias constitucionais, cujo absolutismo perdeu o caráter pessoal para adquirir um fundamento legal.
A CONSTITUIÇÃO EM DIFERENTES SENTIDOS: SOCIOLÓGICO, POLÍTICO E JURÍDICO
Sentido Sociológico
Trata da constituição sob o aspecto da relação entre os fatos sociais dentro estado. Estudar a constituição no sentido sociológico é verificar de que elementos tais coisas se compõe e de que modo esses elementos estão organizados para formar uma unidade. A partir da consideração de fatos que passavam a ter nova significação nas relações sociais, os juízes começaram a introduzir importantes mudanças nas concepções do direito de família. Ao analisarem os casos de homens que se separavam da primeira esposa informalmente, não seguindo as formalidades da lei, para regularizar a separação do casal.
O reconhecimento desse fato e das injustiças que decorriam da aplicação automática da lei com rigoroso formalismo, como se todos conhecessem os preceitos legais e pudessem obedece-los, levou a formação de uma jurisprudência favorável aos reconhecimentos dos direitos da companheira, legitimando seu direito nos bens do companheiro, mesmo sem o segundo casamento sendo formalizado, modificando a própria legislação. Desse modo, a partir do reconhecimento do fato social pelos juízes, acabaram ocorrendo mudanças na jurisprudência e na legislação, finalmente com a Constituição de 1988, ambos passaram a ter reconhecimento jurídico, expresso e pacifico, consagrado em norma constitucional, o que solucionou muitos conflitos sociais, evitando muitas injustiças e colocando no mundo jurídico, como parte da normalidade, uma pratica social, que se tornará mais frequente e que, em parte, já era sancionada pela sociedade. 
Sentido Político
Busca-se o fundamento da Constituição na decisão política fundamental que antecede a elaboração, aquela decisão sem a qual não se organiza ou funda um Estado. Seja qual seja a concepção que se tenha do direito, ou dando-lhe o sentido de norma costumeira ou entendendo-o como regra posta do Estado, o fator político estará sempre presente, influindo sobre a formação do direito, suas mudanças e aplicação.
Em relação a Constituição dos Estados, as dimensões jurídicas e política são facilmente perceptíveis por estarem sempre presentes, no tocante as normas constitucionais, seu alcance e sua aplicação, são muitas as possibilidades de conflito entre as exigências jurídicas e as conveniências políticas. 
A constituição, atuando em circunstancias políticas diferentes, pretende também a mudança de regime político e a implantação de uma nova organização social. A predominância dessa concepção política fica muito evidente quando se faz a simples verificação das principais mudanças ocorridas na constituição francesa.
O que se pode concluir é que a orientação adotada pelos franceses levou a definição de uma concepção política de constituição, embora a forma seja de lei. A constituição seria uma espécie de manifesto político formal e solene, definindo um regime político, organizando o poder público e fixando regras de participação do povo no exercício do poder político. 
Sentido Jurídico
A atribuição de sentido jurídico à palavra \u201cconstituição\u201d, levando os significados moderno da expressão, começou a ser feita na Inglaterra medieval, quando na ocorrência de conflitos entre poderosos, se alega que os costumes antigos deveriam ter força de lei, impedindo decisões em sentido contrário. 
Como resultado desse processo foram acumulados, costumes, instituições, leis, decisões sobre conflitos de direitos, elementos que, no seu conjunto compunham a ideia de constituição da sociedade. Esse conjunto, reconhecido pelos que tinham o poder de decidir e acatado pelo povo, foi sendo aceito como um sistema de regras legais superiores, costumeiras em sua maioria, mas parcialmente escritas. Assim se chegou à Constituição jurídica, que nos seus primórdios, foi quase que exclusivamente costumeira. 
A partir do século XVI, começaram a surgir, com forma semelhante as antigas legislações, mas com inspiração na realidade social, e não apenas na vontade e nos interesses dos governantes e dos grupos mais poderosos. 
Um ponto extremamente importante, referente a origem histórica da Constituição em sentido jurídico, é a constatação de que ela teve por base a realidade social e não uma doutrina política ou a proposta de algum teórico. Evidentemente fazem parte dessa as crenças, o apego a determinados valores e as ideias, bem como as considerações racionais do povo e dos governantes, fatores que levaram a consolidação de certos costumes e a adoção reiterada de determinadas orientações na decisão de conflitos. 
O século XVIII foi importante para o desenvolvimento da ideia jurídica de Constituição. Manteve-se a convicção da existência de direitos naturais, mas na sequência das lutas contra a interferência política da igreja católica estabeleceu-se a separação entre o poder espiritual e o temporal. 
Em primeiro lugar afastou-se a ideia de que a constituição da sociedade deveria ser necessária e exclusivamente o produto de costumes longamente reiterados, pois passou-se a dar importância a valores fundamentais, relacionados com os direitos naturais. 
Os criadores da primeira Constituição escrita estavam conscientes da necessidade de afirmação de um conjunto de preceitos fundamentais, dotados de forca jurídica, para a garantia da liberdade, mas também tinham consciência de que novas regras jurídicas deveriam ser criadas em função das novas circunstancias políticas e dos conflitos de interesses. Por esse motivo procuraram conferir a pessoas e instituições diferentes, de um lado, a atribuição de fixar novas regras, e de outro a de efetuar ou garantir a aplicação das regras jurídicas estabelecidas. Daí colocaram na própria constituição a separação tripartida dos Poderes, então reconhecida como indispensável, para que a ordem política e as relações sociais ficassem subordinadas ao Direito. Assim se definiu a Constituição em sentido jurídico. 
ETAPAS HISTÓRICAS DO CONSTITUCIONALISMO