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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE LETRAS Prática de Leitura e Produção de Textos Professora: Graça Faria Aluna: Maria Beatriz Macedo Soares INTERTEXTUALIDADE A intertextualidade pode ser definida como a presença um texto em outro, constituindo um diálogo entre eles. Segundo Kristeva (1974), qualquer texto se constrói como um mosaico de citações e é a absorção e transformação de um outro texto. Koch (2007) divide o fenômeno da intertextualidade em duas vias: a intertextualidade lato sensu, e a stricto sensu. A primeira abrange o sentido amplo – presente em todo e qualquer discurso; e a segunda é mais restrita – ocorre quando em um texto está inserido um outro (intertexto) anteriormente produzido. A intertextualidade stricto sensu se divide em: intertextualidade temática, estilística, explícita e implícita. Seguem abaixo um texto que contém intertextualidade e seu respectivo texto fonte. ORAÇÃO DOS PROGRAMADORES: Sistema Operacional que estais na memória, Compilado seja o vosso programa, Venha à tela os vossos comandos, Seja executada a nossa rotina, Assim na memória, como na impressora. Acerto nosso de cada dia, rodai hoje Informai os nossos erros, Assim como nós informamos o que está corrigido, Não nos deixai entrar em looping, Mas livrai-nos do Dump, Amém. No texto “Oração dos Programadores” ocorre a intertextualidade estilística, visto que o autor do texto imitou um estilo de texto, uma oração bíblica, transformando-a em outro texto, uma “oração” repleta de jargões da informática, com o objetivo de provocar humor entre o público que trabalha ou utiliza redes de computadores. O primeiro texto pode ser classificado também como paródia, mantendo o esqueleto, isto é, características que remetam à produção original, do texto fonte “Oração do Pai Nosso”, mas modificando o sentido, colocando-se num contexto de cunho humorístico. A estrutura (ou esqueleto) mantida(o) pelo novo texto são os verbos flexionados na segunda pessoa do plural, como por exemplo “estais” e “livrai-nos”. Percebe-se que nas partes transformadas do texto, o autor busca manter a rima com o intertexto, o que nota-se no trecho “Assim como nós informamos o que está corrigido” que mantém a rima com o original “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É notório também que a paródia manteve o ritmo da oração.Oração do Pai Nosso Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. REFERÊNCIAS http://www.novomilenio.inf.br/humor/0004h054.htm Koch, Ingendore G. Villaça. Intertextualidade : diálogos possíveis / Ingendore G. Villaça Koch, Anna Christina Bentes, Mônica Magalhães Cavalcante. – São Paulo : Cortez, 2007.