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Fichamento  As mudanças no ciclo de vida familiar

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FICHAMENTO DO TEXTO:
As mudanças no ciclo de vida familiar: Uma estrutura para terapia familiar
As autoras propõe um debate acerca as mudanças observadas nas estruturas familiares, partindo da discursão do papel da terapia familiar a respeito do ciclo de vida dentro do que poderia ser considerado dentro dos parâmetros de uma “normalidade” e da própria noção de família. Dentro desta perspectiva, é abordado uma noção de ciclo de vida que visa o relacionamento intergeracional na família, observando assim, os sintomas e as disfunções no funcionamento das relações individuais e familiares em relação ao contexto passado e atual das mesmas. Segundo as autoras pouco se é notado pelos terapeutas a noção de ciclo de vida, porém, com as mudanças ela ganha maior evidência, atraindo debates sobre as transformações dramáticas nos padrões de ciclo de vida e seus impactos nas relações familiares. 
	Os pontos de transição e as mudanças geradas através deles, são considerados pelas autoras com um grande motivador de estresse familiar, gerando sintomas relativos a interrupções ou deslocamento no ciclo de vida para uns de seus membros. Nesse sentido a terapia familiar tende a ampliar as possibilidades de vivência destas transições, auxiliando a reorganização da família e a prosseguir seu desenvolvimento.
 Para melhor compreender a dinâmica do ciclo de vida familiar, o texto apresenta a família como um sistema que se move através do tempo, apresentando características emocionais pautada nos relacionamentos entre seus membros, sendo esses insubstituíveis. Deste modo, na falta de um membro, poderá um outro preencher seu papel e funcionalidade, entretanto, não o substitui em vínculo emocional. As autoras abordam o deslocamento cultural e temporal da “família”, expressando as mudanças nas gerações atuais, nas quais o individualismo crescente têm, de certo modo, contribuído para desvinculação com as gerações passadas. Porém segundo pesquisas realizadas, apontam que eventos de um ciclo de vida possuem um efeito continuado sobre o desenvolvimento familiar durante um longo período de tempo. Assim, os efeitos do ciclo de vida familiar tende intervir nas futuras gerações, e nos padrões vivenciados pelas mesmas. Os sintomas estressores possam ser herdados para a próxima geração de acordo com seu desenvolvimento no ciclo de vida familiar.
O ciclo de vida de cada geração receberá influencias culturais, políticas, econômicas e sociais de cada época; assim como as fases por elas vivenciadas. O texto expõe as mudanças da geração passada e o impacto em nosso momento atual com o índice menor da natalidade e um crescente aumento na expectativa de vida, as mudanças do papel da mulher na sociedade e o aumento crescente de divórcios e recasamentos, afetam a noção de família, e esta tem sofrido diversas modificações, de acordo com as novas configurações familiares. 
Peça central na mudança nos padrões de ciclo de vida das famílias se dá pela mudança do papel social do feminino, antes as mulheres eram tidas como centrais no funcionamento familiar, reservado a ela o lugar de cuidado como mãe e esposa, e as fases de seu ciclo estavam ligados a criação de seus filhos. A atual geração de jovens mulheres tem insistido em sua primeira fase do ciclo familiar, a criar seus próprios objetivos de vida, deixando a casa de seus pais e estabelecendo seus anseios pessoais e carreira profissional. Já na próxima fase, a mulher recém casada, tende a estabelecer duas carreiras, a ter filhos mais tardiamente e também em número reduzido em comparação com as gerações antecessoras, ou ainda optando em não exercer a maternidade. Com base no texto, a fase “panela de pressão” quando os filhos estão menores, ocorre com maior frequência os divórcios, motivados muitas vezes pelas mulheres. Já na fase seguinte, a com filhos adolescentes, o índice de divórcios cresce ainda mais. É durante essa fase que a “crise do meio da vida” tem maior demanda de trabalho terapêutico e principalmente por mulheres. A terceira idade, a fase mais longa de um ciclo familiar a mulher vivencia com mais frequência sozinha por ter uma expectativa de vida maior do que os homens. 
O texto explana a vivência de cada fase dos estágios do ciclo de vida familiar, iniciando primeiramente com a fase “saindo de casa- jovens solteiros” tal fase é vivenciada pelos filhos e notoriamente percebida pelos pais, se trata do momento de transição pelo qual o jovem se distancia da estabilidade familiar em prol de seus objetivos pessoais, e de uma identidade pessoal, afastando-se das origens e desenvolvendo relacionamento íntimos com seus iguais, identificando com seu trabalho e responsabilidade financeira. A segunda fase é conhecida como “O novo casal”, sendo a união de famílias ao casamento. Com isso se estabelece um comprometimento com um novo sistema familiar e ocorre um realinhamento com o relacionamento familiar afim de incluir o conjugue, na elaboração de um terceiro sistema com a junção de duas pessoas que já possuía seus esquemas familiares próprios. A terceira fase, “Com filhos pequenos” se torna uma fase importante na aceitação de um novo integrante familiar, ajustando o sistema conjugal, para um sistema familiar com a chegada do filho, unindo-se para realização de tarefas relacionadas a criação e educação da criança, momento de ligação com avós e tensão com a divisão das responsabilidades. A quarta fase, “famílias com adolescentes”, é um estágio do ciclo familiar que corresponde conflito na abertura do sistema e na mudança de relacionamento entre progenitor e filho em prol da independência dos filhos típica da idade. Com essa fase foca-se também nas questões profissionais e conjugais do meio da vida, outro aspecto correspondente a esta fase é a preocupação em cuidar da geração mais velha. O quinto estágio “lançando os filhos e seguindo em frente”, diz da aceitação da entrada e saída dos membros familiares, lidando com o “ninho vazio” e se reconfigurar na relação dual dos conjugues. Momento de desenvolver relações maturacionais com os filhos e a entrada de netos, lidando também com a perda dos avós. Por último, é descrita a fase “família no estágio tardios de vida”, no qual há um declínio fisiológico, aceitando as mudanças nos papeis geracionais, focando a estrutura na geração do meio, fase de aprendizado das experiências e ligação com a perda, reflexão e integração da própria vida. 
Entretanto as mudanças do ciclo de vida familiar ocorrem continuamente, e já não se pode traçar com tanta certeza as fases esperadas de cada família. Segundo estatísticas apresentada pelo texto, apresentam mudanças que impactam diretamente na noção de ciclo de vida, nas quais a um aumento de casais que moram juntos sem se unir a um matrimonio, e também aqueles que tem filhos sem estar casados. Ainda considerando que a pesquisa aponta que 6% da população é homossexual, 12% das mulheres não querem se casar, 25% não querem de modo algum terem filhos, que 50% terminarão seu casamento em divórcio e 20% em um segundo divórcio. Isso tudo leva a crer que um ciclo de vida “normal” não cabe mais em uma perspectiva tão mutante como se apresenta.
Nesse contexto, faz-se necessário que os terapeutas se atentem a tais mudanças em nosso cenário cultural, de modo a reconhecer a extensão destas mudanças e as variações em relação ao conceito de normalidade, abrindo mão dos conceitos antiquados pautados numa cultura americana e nuclear, para aderirem a realidade atual e contextual que vivemos. Compreendendo o sistema familiar como um sistema aberto e continuamente mutável.