Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Para arquitetar uma democracia... 
Desde o início da República, os brasileiros assistem a distância aos processos 
políticos do país - muitas vezes regados a corrupção. Um grande erro, diria 
Aristóteles, pois segundo ele só se constrói uma organização social e política justa 
com participação dos cidadãos. Este é o caminho para uma vida eudaimônica 
 
(Artigo publicado na Revista Filosofia Ciência e Vida no 73 agosto 2012) 
 
 
"Política, futebol e Religião não se discutem”; “Não 
gosto de Política”; “É tudo igual, as mesmas caras e 
nenhuma proposta nova”. Em ano de eleição, o 
Brasil volta a ouvir de seus eleitores lugares-
comuns como os dessas frases, que expressam, 
por um lado, o cansaço em relação aos escândalos 
por corrupção, sempre presentes nos noticiários, e, 
por outro, que denotam a falta de interesse e de 
cultura política que possibilitem uma ação concreta 
diante da indignação. Essa falta de informação e de 
cultura política, em parte resultados de uma 
Educação cada vez mais sucateada e do descrédito 
nos políticos – o que leva a uma sensação de 
“homogeneização corrupta” que envolve as mais 
variadas siglas partidárias, ou seja, a ideia de que 
todos são ladrões e vão continuar repetindo os 
erros de seus antecessores, e que, portanto, nada 
vai mudar –, a centralização das atividades 
administrativas e das decisões políticas em palácios 
fechados e inatingíveis, mesmo que somente ao 
imaginário da população, fazem desta uma esfera 
da vida que pouco ou nada diz à sociedade brasileira no dia a dia. As frases supracitadas 
revelam também o desinteresse do brasileiro, de modo geral, em relação às questões que 
envolvem a participação política. O cenário político brasileiro e o que cada termo do 
vocabulário político realmente significa demonstram o enorme disparate entre o real e o ideal, o 
que é e o que deveria ser, o modo como se faz a administração da “coisa pública” no Brasil. 
É preciso pensar na crítica ao individualismo para que os homens possam 
sair do caos no qual nossa época mergulha. Uma das faces desse caos 
é, em nosso país, a grande descrença e a falta de norte para os 
brasileiros em relação às instituições políticas, principalmente aos 
candidatos que apresentam novamente seus mesmos rostos e seus 
“projetos” que, como por milagre, resolveriam todos os problemas que 
assolam a nação. Somado a isso, o verdadeiro show do chamado “horário 
eleitoral gratuito” torna o processo eleitoral um palco de stand up comedy. 
E como conciliar o individualismo que assola a era atual e a política 
brasileira? 
O individualismo está presente naqueles que se dizem “representantes 
dos anseios da população”, os próprios políticos. Ao cometerem atos 
ilícitos com dinheiro público, não estão considerando o mal que fazem 
àqueles que não terão esses recursos à disposição. Porém, o 
individualismo não atinge somente candidatos a cargos administrativos, 
mas também a sociedade brasileira. Alienados e desinteressados, em parte somos todos 
 
 
Rodrigo dos Santos 
Manzano é graduado em 
Filosofia pela UNIFAI e 
professor de filosofia do 
SESI-SP e da rede 
pública do Estado de 
São Paulo 
vítimas de um processo que nos fez ficar à margem da construção de nossa história política. O 
brasileiro está extremamente imerso nesse cenário de “apolitismo”. Ele o internaliza e acredita 
ser mais certo ficar distante desse processo. 
 
 
O BRASILEIRO ESTÁ EXTREMAMENTE IMERSO NESSE CENÁRIO DE 
“APOLITISMO”. ELE O INTERNALIZA E ACREDITA SER MAIS CERTO FICAR 
DISTANTE DESSE PROCESSO 
 
Mas afinal, o que é a Política? O que é a democracia? O que é a República? Palavras como 
essas são muito próximas de nós. Na verdade, a Política deve prestar um serviço à sociedade, 
e não um desserviço, como vemos muitas vezes na cultura brasileira. Porém, a ausência ou a 
deturpação da ideia de autoridade, de participação política, de fiscalização tornam o cenário 
lastimável. O individualismo impede que as pessoas se unam para lutar por condições 
melhores e para cobrar de seus representantes as ações para as quais foram eleitos. Nesse 
quadro, o filósofo grego Aristóteles, um dos principais pensadores das instituições políticas e 
das melhores maneiras de administrar a pólis grega, nos ajuda muito na reflexão que será 
desenvolvida daqui por diante. 
 
 
A vida moderna, aliada a uma falta de cultura política, leva os brasileiros a um individualismo que inviabiliza a 
participação na construção de sua democracia 
 
DEMOCRACIA EM ATENAS 
A estrutura política ocidental é basicamente 
composta por ideias advindas das 
civilizações grega e romana, com alguns 
arremates dados pelos iluministas, os 
grandes idealizadores da democracia 
representativa. Porém, a ideia de 
democracia, bem como a própria palavra, 
desenvolveu- se na Grécia antiga, com o 
surgimento da pólis, a Cidade-Estado. As 
cidades-Estado tinham administração 
própria e autonomia, sem subordinação a 
um poder centralizado. Atenas foi a maior 
representante desse regime político. Um 
dos principais líderes que guiou Atenas ao 
sucesso democrático foi o estadista 
Péricles. Sob seu governo, os atenienses discutiam todos os assuntos na Ágora, a praça 
pública, e a política era interesse de todos os homens livres que viviam na cidade-Estado. Os 
assuntos eram discutidos, votados, decididos de maneira direta, sem necessidade de 
representantes. Os atenienses procuravam fazer com que todos estivessem atentos aos 
assuntos da administração da cidade-Estado. A democracia – literalmente, governo do povo 
(demo – povo, cracia – governo) – se fazia de maneira efetiva naquela cidade, principalmente 
pelo revezamento das atividades públicas por meio do voto direto, realizado na própria ágora. 
Em rápida comparação, sabemos que é impossível em uma realidade como a nossa, com uma 
nação tão grande e com tantos habitantes, contar com um processo político tão direto, como a 
das antigas Cidades-Estado gregas. Nem mesmo para os processos eleitorais municipais 
poder- se-ia adotar tal prática, porque até mesmo nos municípios pequenos temos centenas ou 
milhares de eleitores. Soma-se a isso o fato de que a cidadania ateniense estendia-se aos 
homens livres somente. Mulheres, crianças e escravos estavam excluídos desse processo. 
 
 
O INDIVÍDUO DEVE BUSCAR A PARTICIPAÇÃO NA PÓLIS, POIS SÓ PODE 
TER A CHAMADA EUDAIMONIA SE INTERNALIZAR A PRIORIDADE QUE A 
PÓLIS DEVE TER EM SUA VIDA 
 
 
O bicheiro Carlinhos Cacheoira, 
protagonista de escândalos 
ligados a parlamentares 
Ex-ministro da Casa Civil, 
José Dirceu foi acusado de 
liderar com o mensalão 
Porém, o que vale notar é a noção que se buscava 
desenvolver na cultura grega, principalmente nas cidades-
Estado que adotavam a democracia: a necessidade de 
participação política. Tanto é assim que aqueles que não 
faziam parte da Política, da administração da cidade -
Estado, eram malvistos. O tão usual termo pejorativo “idiota” 
surge na Grécia antiga, idiotés¸ aquele que se preocupa 
somente com sua própria vida, com os assuntos pessoais, 
com sua vida particular. A palavra deriva do 
substantivo idiós, que em português significa “próprio”. Para 
os gregos, ser um idiotés era fugir da natureza humana, o 
que significava não utilizar a própria razão. 
Desse cenário surge a análise aristotélica. Sua filosofia 
política defende a democracia desenvolvida em Atenas, pois 
essa forma de governo é a única, segundo o filósofo, capaz 
de proporcionar o pleno desenvolvimento da potencialidade 
social e política dos seres humanos. 
A POLÍTICA DE ARISTÓTELES 
“Toda Cidade é um tipo de associação, e toda associaçãoé estabelecida tendo em vista algum 
bem (pois os homens sempre agem visando a algo que consideram ser um bem); por 
conseguinte, a sociedade política, a mais alta dentre todas as associações, a que abarca todas 
as outras, tem em vista a maior vantagem possível, o bem mais alto dentre todos.”¹ 
Vimos que o núcleo da vivência social grega era a cidade-Estado. Tudo se estruturava em 
função do bom andamento dela. A palavra para designar Cidade-Estado em grego é pólis, da 
qual deriva o termo que conhecemos por “política”. Assim, Política é a arte de viver em 
sociedade, de tomar decisões que visem o bem da sociedade, pois, segundo Aristóteles, os 
homens se associam visando um bem comum. Esse bem comum se articula com a Ética 
aristotélica, pois a finalidade maior da vida dos seres humanos, de acordo com o filósofo, é a 
felicidade. 
 
 
Um dos principais estadistas da Grécia 
Antiga, Péricles estimulava a discussão 
dos problemas das Cidades na Ágora 
 
Os cidadãos livres das Cidades-Estados gregas tinham participação efetiva e direta nas decisões. Aqueles que se 
preocupavam apenas com suas vidas eram considerados os idiotés¸de onde surgiu o termo idiota 
 
Aristóteles afirma que Ética e Política caminham juntas. A Ética é a 
condição necessária para que a Política possa tornar-se realidade, e, ao 
mesmo tempo, a Política é a Ética visando o bem não apenas de um 
indivíduo, mas sim de um grupo, ou, para ser mais abrangente, do grupo 
de pessoas que habitam a mesma pólis. Dessa maneira, Aristóteles dá 
primazia à pólis, e não ao indivíduo, dentro de seu sistema político. O 
indivíduo deve buscar, acima de tudo, a participação na administração 
da pólis, pois esse é um dos objetivos de todo homem. O homem só 
pode ter a chamada eudaimonia, a felicidade virtuosa, se internalizar a 
prioridade que a pólis deve ter em sua vida. Essa ideia permite que 
compreendamos a definição de homem concebida por Aristóteles, que é 
a de um animal político (zoon polítikos). 
“Fica evidente, pois, que a Cidade é uma criação da natureza, e que o 
homem, por natureza, é um animal político (isto é, destinado a viver em 
sociedade), e que o homem que, por sua natureza e não por mero 
acidente, não tivesse sua existência na cidade, seria um ser vil, superior 
ou inferior ao homem. (...) Assim, por natureza a Cidade é anterior à 
família e ao indivíduo, uma vez que o todo necessariamente é anterior à 
parte.”² 
Como podemos constatar, Aristóteles observou que o homem só se 
desenvolve plenamente, só pode ser homem, dentro da cidade. Uma vez que a cidade é 
anterior a ele, o homem só desenvolve sua natureza se integrar-se a uma sociedade. Para 
Aristóteles, a integração dos homens é algo natural, inerente a eles. Aquele que não procura 
viver integrado aos demais abandona sua própria natureza e por isso ou diminui a si mesmo ou 
sente-se superior aos outros. Nos dois casos, acaba excluindo-se do convívio. Aristóteles 
 
INELEGÍVEL até 2027, o 
ex-senador Demóstenes 
Torres foi acusado de 
falta de Decoro 
Parlamentar por usar o 
cargo para beneficiar os 
negócios de Carlinhos 
Cachoeira. Com tantos 
escândalos de corrupção 
no país, ele entra para a 
história como o segundo 
senador cassado 
teoriza e dá pleno significado à noção de idiotés trabalhada na cultura grega como termo que 
designava os que se alienavam da Política. Para o estagirita (nascido em Estagira), quem 
evitava os assuntos da administração pública não podia nem sequer ser chamado de humano. 
 
 
Para Aristóteles, o homem só desenvolve sua natureza integrando-se na sociedade. Para isso, é fundamental a 
participação efetiva nas decisões políticas. 
 
 
 
ARISTÓTELES DIZ QUE O SIMPLES FATO DE OS HOMENS ASSOCIAREM-SE 
NÃO LHE DÁ NENHUMA VANTAGEM EM RELAÇÃO AOS DEMAIS SERES 
VIVOS, COMO AS ABELHAS, POR EXEMPLO 
 
 
“O povo assistiu àquilo bestializado” 
Abaixo, temos alguns trechos do artigo publicado no Diário Popular do Rio de Janeiro, no dia 18 de novembro de 1889. Ao 
lermos o pequeno artigo de Aristides Lobo, escrito em forma de carta, percebemos como o processo que pôs fim à 
monarquia no Brasil foi muito mais um artifício visando os interesses das elites, uma vez que a mesma estava atrapalhando 
os interesses destas, do que propriamente um anseio da população. Vemos também que, ao contrário até mesmo da 
Revolução Francesa, que foi uma revolução burguesa, mas que contou com a participação do povo, a instauração do 
regime republicano no Brasil foi apenas mais um evento para a população, sem importância. Até mesmo o próprio autor 
demonstra certa frustração, por ter sido apenas um espectador do evento. Lobo deduz que houve sim uma mudança de 
sistema, porém, não que o povo seria determinante nesta, uma vez que a República brasileira é fruto da elite. Assim, 
imortalizou-se a frase, que parece resumir a participação do brasileiro na Política até hoje “O povo assistiu àquilo 
bestializado”: 
“Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de Novembro, primeiro ano de República; mas não posso 
infelizmente fazê-lo. O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era (...). 
Como trabalho de saneamento, a obra é edificante. Por ora, a cor do Governo é puramente militar, e deverá ser assim. O 
fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, 
surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada. Era um fenômeno 
digno de ver-se. (...) Bom, não posso ir além; estou fatigadíssimo, e só lhe posso dizer estas quatro palavras, que já são 
históricas (...)”. 
 
O desenvolvimento da razão também tem grande 
importância nesse cenário. Os gregos eram os 
grandes defensores, no mundo antigo, do uso da 
razão, principalmente pelo fato de terem criado a 
Filosofia. A razão era o fator que dava origem à 
associação. Aristóteles diz que o simples fato de os 
homens associarem-se não lhe dá nenhuma 
vantagem em relação aos demais seres vivos, 
citando as abelhas como exemplo. Porém, os 
animais não têm o discurso, não produzem voz, ou 
seja, não emitem sons que possuem sentido. Os 
homens têm voz, fala e produzem discursos porque 
desenvolveram a razão. A razão é a condição sine 
qua non para que as comunidades humanas 
possam não só se desenvolver, mas terem vínculos 
efetivos, permanentes, capazes de levar o homem a 
seu pleno desenvolvimento e a seu fim último, a felicidade. 
A noção de felicidade de Aristóteles é bastante interessante e muito oportuna nesta nossa 
reflexão: o homem só pode ser feliz, virtuoso, se viver em comunidade, se vencer a barreira do 
individualismo. Vencer o individualismo significa necessariamente ter participação política. 
“Ora, o homem que não consegue viver em sociedade, ou que não necessita viver nela porque 
se basta a si mesmo, não faz parte da Cidade; por conseguinte, deve ser uma besta ou um 
deus. Assim, há em todos os homens uma tendência natural a uma tal associação; aquele que 
fundou no princípio foi o maior dos benfeitores. Pois o homem, quando atinge esse grau de 
perfeição, é o melhor dos animais, mas, quando está separado da lei e da justiça, ele é o pior 
dentre todos. A injustiça armada é a mais perigosa; o homem está provido por natureza de 
armas que devem servir à prudência e á virtude, as quais, todavia, ele pode usar para fins 
opostos. Eis por que o homem sem virtude é a mais cruel e perversa das criaturas, a mais 
entregue aos prazeres dos sentidos e seus desregramentos. Mas a justiça é o liame entre os 
homens nas Cidades, pois a administração da justiça, a qual é a determinação do que éjusto, 
é o princípio da ordem na sociedade política.”³ 
Para Aristóteles, então, a justiça só pode se realizar na sociedade. A Ética aristotélica é 
baseada na ideia de equilíbrio. Excesso ou falta de algo levam ao vício, e a virtude está no 
 
Segundo Aristóteles, o homem só pode alcalçar a 
chamada eudaimonia, ou a felicidade virtuosa, por 
meio da participação da administração da pólis 
meio-termo. Assim, quando o filósofo afirma que o homem que renega a sociedade é ou uma 
fera ou um deus, está querendo dizer que ele deixa o estado de equilíbrio, passando aos 
extremos, e fugindo da natureza para a qual existe, a humanidade. Podemos concluir que a 
verdadeira justiça encontra-se no bem comum. Daí a necessidade de todos participarem das 
decisões políticas. 
Aristóteles, em Política, faz uma análise das formas de governo existentes até então. Conclui 
que, na prática, a democracia é a melhor, apesar da possibilidade de desvio, pois possibilita a 
participação de todos os cidadãos. A justiça é a virtude da Política e os homens tornam- se 
justos envolvendo-se com os assuntos da pólis. A sociedade o domestica, não em sentido 
negativo, mas no de humanizá-lo. Sem a sociedade, o homem torna-se um verdadeiro animal, 
um ser injusto, refém do egoísmo. Mesmo marcado pelas ideias correntes de sua época, os 
preconceitos da cultura grega, Aristóteles mostra a importância da sociedade no processo de 
formação do ser humano, no pleno desenvolvimento deste, e como tudo isso se articula com a 
Política. Participar da Política era, para o filósofo, a única maneira de garantir a justiça e de 
assegurar a formação de uma organização social e política justa. 
 
BRASIL, UM PAÍS DE IDIOTAS? 
Após a análise que fizemos, confrontando 
com a pífia cultura de participação política 
desenvolvida no Brasil, somos obrigados a 
responder “sim” à pergunta feita acima. O 
processo de alienação política ao qual o 
povo brasileiro foi submetido no 
desenvolvimento da história da nação 
obteve êxito. A definição de Política não 
deixa de ser deturpada no senso comum, 
pois as pessoas entendem que esse 
conceito se limita simplesmente a 
discussões e atividades partidárias. 
Quando nos lembramos do artigo escrito 
por Aristides Lobo e sua imortal frase para 
definir a proclamação da República “E o 
povo assistiu àquilo bestializado” (ver box 
página 68), vemos o disparate que existe entre o conceito de República, que significa coisa 
pública, do povo, e o que se estruturou no Brasil, relegando a população a segundo plano no 
processo de instituição das organizações políticas. 
Pode ser um exagero dizer que a democracia brasileira é uma farsa, mas não deixa de ser 
verdade que nossa democracia ainda é muito falha. Sabemos que o cenário de corrupção 
assola a nação em todas as esferas governamentais. Cabe à população brasileira sair de seu 
estado letárgico na questão política, vencendo a apatia para finalmente começar a construir a 
verdadeira República, a verdadeira democracia. Precisamos ter consciência de que aqueles 
que exercem cargos de administração estão a serviço da população, e que cabe a esta tirá-los 
do poder quando não representam seus anseios, não realizam aquilo para o qual realmente 
foram eleitos: administrar a “coisa pública”. O que houve com o ânimo que tanto motivou as 
massas contra a ditadura civil-militar? Que as levou às ruas na campanha por eleições diretas 
– a Diretas Já! – e no processo que levou ao impeachment do então presidente Fernando 
Collor de Melo? Por que sempre vemos os mesmos candidatos, muitas vezes acusados de 
casos de corrupção e de envolvimento com interesses que não são os da população, e por que 
eles continuam se elegendo? 
 
Se a sociedade brasileira já viveu momentos como os da 
Diretas Já (1984), hoje apenas mostra ânimo para defender 
seus times de futebol, para o carnaval ou para votar em 
programas de reality shows 
Sabemos que um processo de “despertar” político não se dá do dia para a noite. Em um país 
no qual a Educação é sucateada, professores são mal pagos, a Cultura é relegada, a situação 
torna-se pior ainda. Porém, está na hora de sair da cultura “carnaval e futebol” e acordar para 
as questões políticas. Por que defendemos tão ferrenhamente nossos times, mas não nossos 
direitos? Precisamos reconhecer que Política não é só voto e que a única saída para modificar 
essa situação é a união da população e a luta para que as medidas tomadas pelos 
governantes sempre visem o bem comum. Afinal, todo poder emana do povo. 
¹ARISTÓTELES, Política, Brasília: Editora Universidade de Brasília 
²ARISTÓTELES, apud. 
³ARISTÓTELES, apud.