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1001 Questoes Comentadas ProcPenal Cespe

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controle legal do 
procedimento). 
403. Correto. Na gravação clandestina um dos interlocutores grava a 
conversação, logicamente, sem a autorização do outro (não há a 
figura do terceiro). Tal gravação telefônica, segundo o STJ, não é 
considerada ilícita, nem ilícito é sua utilização, como meio 
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probatório, mesmo quando realizada sem autorização judicial. O 
Supremo Tribunal Federal tem anuído à posição perfilhada pelo 
Tribunal da Cidadania (STJ), prevalecendo o entendimento de 
que as gravações telefônicas são, como regra, meios lícitos de 
prova, mesmo que sem prévia ordem judicial. 
404. Errado. A Lei 11.690/2008 deu nova redação ao art. 157, 
“caput”, do CPP, que define como provas ilícitas as obtidas em 
violação a normas constitucionais ou legais. Frise-se, são provas 
ilícitas as que violam diretamente ou indiretamente a 
Constituição Federal. Ilegítimas são as provas que violam 
normas processuais (por exemplo, reconhecimento judicial do 
acusado realizado com inobservância das formalidades do art. 
226 do CPP). 
405. Errado. A acareação poderá ser realizada tanto na fase 
investigatória (inquérito policial) quanto em juízo (fase judicial). 
Na fase investigatória, poderá ser ordenada pela autoridade 
policial, “ex offício”, ou, então, provocada via requisição do juiz 
ou do Ministério Público. O próprio investigado, seu defensor e o 
ofendido podem requerer à autoridade policial a realização de 
acareações, que poderá deferir ou não o pedido. Durante o 
processo criminal propriamente dito, a acareação poderá ser 
determinada pelo juiz – de ofício ou a requerimento das partes. 
Uma vez requerida a acareação, poderá ser indeferida pela 
autoridade judiciária competente. Portanto, não é direito 
subjetivo do acusado, visto que tanto o delegado de polícia 
quanto a autoridade judiciária poderão indeferir o pedido. 
Ademais, estabelece o art. 230 do CPP que a referida diligência 
“só se realizará quando não importe demora prejudicial ao 
processo e o juiz a entenda conveniente”. 
406. Errado. O prequestionamento é o mesmo do recurso especial. É 
inadmissível o recurso extraordinário quando não ventilada na 
decisão recorrível a questão federal suscitada (Súmula 282 do 
STF). Vale lembrar que não cabe recurso extraordinário para 
simples reexame da prova (Súmula 279 do STF).  
407. Errado. Algumas diligências policiais prescindem de autorização 
judicial. Outras, porém, exigem prévia ordem de autoridade 
judiciária. A questão coloca que a diligência foi realizada sem 
autorização judicial, porém sem especificar a diligência adotada. 
Assenta, também, que houve apreensão de instrumentos de 
crime que não investigava. A manutenção de determinados 
objetos, por si só, já importa em prática criminosa, o que 
dispensa, muitas vezes, prévia autorização judicial para 
apreendê-los (na hipótese de, ocasionalmente, serem 
encontrados, não definidos, portanto, no mandado de busca e 
apreensão). Registre-se, a questão não delimitou a natureza dos 
instrumentos apreendidos (armas sem registro, material para 
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fabricação de entorpecentes etc.). Supondo-se que foram 
apreendidos instrumentos que, por si só, já importam em prática 
delituosa, a ausência de mandado judicial não invalida o 
inquérito, tampouco o processo em curso. Nada impede que 
agente seja investigado em face dos instrumentos encontrados. 
Questão mal formulada!!! 
408. Correto. A confissão não terá caráter absoluto, mesmo quando 
prestada em juízo e na presença de advogado. Para a sua 
apreciação, o julgador deverá confrontá-la com as demais provas 
do processo, verificando se entre ela e estas há compatibilidade 
ou concordância (CPP, art. 197). “Não se pode jamais considerá-
la exclusivamente para efeito de uma condenação, sem confrontá-
la com outros elementos, que possam confirmá-la ou contraditá-la” 
(STJ, HC 50.304/RJ, DJ 25/09/2006). 
409. Errado. São proibidas de depor as pessoas que, em virtude de 
função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, 
salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o 
seu testemunho (CPP, art. 207). Exemplos: padre, psicólogo, 
advogado etc. Se vierem a depor, com a anuência da parte 
interessada, estarão sujeitos a compromisso, visto que não 
constam no rol do art. 208 do CPP. 
410. Correto. Vítimas, testemunhas, acusados ou investigados, 
podem identificar terceira pessoa. O reconhecimento de pessoas 
pode ocorrer tanto na fase policial quanto na fase judicial, 
devendo cumprir as formalidades previstas no art. 226 do CPP. 
411. Correto. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por 
haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá 
suprir-lhe a falta. Desaparecidos os vestígios materiais, a inicial 
acusatória deverá estar instruída com prova da existência do 
delito, que poderá ser demonstrada por qualquer meio de prova 
lícito e legítimo. 
412. Errado. Primeiramente, convém salientar que a Lei 11.690/2008 
aboliu a exigência de que dois peritos oficiais realizem o exame 
de corpo de delito (CPP, art. 159). A regra, agora, é que a perícia 
seja realizada por um perito oficial (exceção: tratando-se de 
perícia complexa, poder-se-á designar a atuação de mais de um 
perito oficial). Inaplicável, pois, a Súmula 361 do STF! Na falta 
do perito oficial, o exame será realizado por duas pessoas 
idôneas, portadoras de diploma de curso superior 
preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem 
habilitação técnica relacionada com a natureza do exame (CPP, § 
1º, do art. 159). 
413. Errado. O exame de corpo de delito direto é realizado a partir da 
análise dos vestígios deixados pela infração penal (necropsia no 
cadáver, por exemplo). 
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414. Errado. A Lei 11.690/2008, alterando o art. 159 do CPP, 
facultou ao ofendido e a outros o direito à formulação de 
quesitos e à indicação de assistente técnico (§ 3º), o que se 
restringe à fase judicial (não se aplica à fase investigatória, 
portanto). Importante: observar o que estabelece o art. 159, § 5º, 
II (CPP). 
415. Errado. O magistrado não está adstrito ao laudo pericial, 
podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte (CPP, art. 
182). Há doutrinadores, porém, que sustentam que a referida 
faculdade é limitada, encontrando ressalva na afirmação dos 
peritos acerca da existência do corpo de delito. 
416. Errado. A confissão admite retratação, consoante prescreve o 
art. 200 do CPP. Caberá ao julgador confrontar a confissão e a 
retratação posterior com os demais meios probatórios carreados 
aos autos. Mesmo havendo retratação, a confissão originária não 
perderá seu valor como prova. 
417. Errado. A confissão será divisível, conforme estabelece o art. 200 
do CPP. Poderá o magistrado aceitar, por exemplo, a autoria do 
delito, porém refutar a excludente de antijuridicidade levantada. 
418. Errado. A confissão tem valor relativo no ordenamento jurídico 
vigente, podendo ser afastada por outros elementos probatórios. 
O juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, 
verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou 
concordância (CPP, art. 197). 
419. Errado. O réu tem direito ao silêncio e à não auto-incriminação 
(“nemo tenetur se detegere”). Nos termos do art. 186 do CPP, 
antes de iniciar o interrogatório, o magistrado deverá advertir o 
réu de seu direito de permanecer calado e de não responder 
indagações que lhe forem formuladas. O silêncio, que não 
importará confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da 
defesa. 
420. Errado. O art. 5º da Lei 9.296/96 fixa