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A importância do projeto luminotécnico janeiro/2013 
 
A importância do projeto luminotécnico. 
 
Lucéia Maria Molena Ambrózio - luceiadesigner@gmail.com 
Curso de Especialização em Iluminação e Design de Interiores 
Instituto de Pós-Graduação e Graduação – IPOG 
 
Resumo 
A iluminação de um local, seja uma área interna ou externa, é de grande importância, sendo 
amplamente discutida. Devido essa importância a definição de um bom projeto luminotécnico 
é essencial para um que se alcance o resultado desejado. Assim, este trabalho tem como 
objeto de estudo o não conhecimento dos benefícios e da importância dos projetos de 
iluminação pelo mercado. Este assunto foi levantado ao se observar que as pessoas não se 
preocupam com o projeto de iluminação, seja de suas residências, comércios ou indústrias. 
Além disso, este estudo mostra a importância e necessidade de se formar profissionais 
qualificados para que cada vez mais um bom projeto luminotécnico seja implantado. Foi feita 
uma pesquisa bibliográfica para explanar a importância da luz e sua influência, para definir 
e situar o lighting designer, para ressaltar a importância de um projeto luminotécnico e para 
apontar o desconhecimento generalizado do mercado sobre o propósito dos projetos 
luminotécnicos. Este estudo confirmou a hipótese inicial do desconhecimento da importância 
dos projetos luminotécnicos por parte dos usuários, mas mostrou que este mercado está em 
crescimento, inclusive com uma melhor preparação do profissional da área através de cursos 
que mesclam teoria com a prática. 
Palavras-chave: Projeto luminotécnico. Luz. Profissional de iluminação. 
 
 
1. Introdução 
Para Silva (2004), luz é o que nos faz ver, fazendo parte de nossas vidas. Juntas, a iluminação 
natural e a artificial são de extrema importância para transmitir mensagens e bem estar aos 
indivíduos. Ambientes residenciais, comerciais, industriais, esportivos, hospitalares, dentre 
outros, são iluminados pela tecnologia da luz elétrica que nos dias atuais conta com diferentes 
fontes de luz artificial: lâmpadas incandescentes, fluorescentes, descarga de gases e LEDs 
(diodos emissores de luz). A importância da harmonia e aproveitamento da luz natural e 
artificial, tornou-se necessário para concretização de projetos luminotécnicos. Sendo assim, o 
presente estudo se concentra no projeto luminotécnico. Objetivou diagnosticar sua 
importância sob o ponto de vista dos profissionais em atuação no mercado. O problema que 
deu origem ao estudo foi o desconhecimento do mercado consumidor da iluminação sobre a 
importância do desenvolvimento de um projeto luminotécnico. 
 
Considerando a importância, a influência e os efeitos que a luz artificial tem na vida dos seres 
humanos, no nosso bem-estar, no nosso desempenho, na nossa saúde, na nossa fisiologia e 
psicologia pretendo analisar as questões que envolvem o projeto luminotécnico como: Porque 
fazer um projeto da luz? O que é um projeto luminotécnico? Como é visto o projeto 
luminotécnico no mercado? Qual a sua demanda? Assim este trabalho tem como principal 
interesse compreender o que o mercado conhece sobre os propósitos dos projetos 
2 
 
luminotécnicos. Acredita-se que a pesquisa possa oferecer esclarecimentos sobre a 
importância de um projeto luminotécnico e do profissional denominado lighting designer. 
 
 
 
2. A luz artificial e sua importância 
Tanto a iluminação natural como a artificial ou o resultado de ambas, em áreas internas ou 
externas, é fator muito relevante, sendo amplamente discutida. Luz é o que se vê e nos faz 
ver, representa segurança, beleza, funcionalidade, modela espaços e cria ambientes, fazendo 
parte de nossas vidas. A primeira luz artificial foi o fogo, descoberto por nossos antepassados 
até que Thomas Alva Edson viabilizou a primeira lâmpada comercial, as lâmpadas 
incandescentes (SILVA, 2004). Atualmente, a iluminação responde por 19% do uso da 
eletricidade, sendo que entre 50 e 100 bilhões de euros são gastos com eletricidade por ano 
(IEA;WRI, 2012). 
 
A sociedade começa a ter consciência da luz e sua efetiva capacidade de transformar locais 
em meados do século XX, nesse momento, o homem compreende que a possibilidade de 
transformação de espaços e locais através da luz passa ainda pela compreensão dos 
fenômenos estéticos e poéticos que esse material traz consigo (LANONE, 2000). 
 
Há mais de trinta anos, confirmou-se que o olho humano exposto por um período, sob 
diferentes condições de iluminação, sofrerá de uma fadiga física maior que um trabalhador 
braçal no final de um dia (SILVA, 1976). Ainda segundo Silva (1976), muitos são os 
malefícios causados por uma má iluminação, com grande ofuscamento e pobre em 
intensidade, dentre eles, neurológicos como dores de cabeça e problemas sérios na visão. 
 
Há uma tendência em pensarmos que os objetos já possuem cores definidas, mas na verdade, 
a aparência de um objeto é resultado da iluminação incidente sobre o mesmo. Segundo Torres 
(2009 apud MANAIA, 2012; p.74), para atingir a função primária da iluminação, a 
visibilidade, é necessário para a percepção visual entender e utilizar as funções da luz, com 
base em suas qualidades, como intensidade, cor, forma e movimento. Lovisetti (2009 apud 
MANAIA, 2012; p.72) expõe que a luz além de nos revelar as formas, ela nos traz várias 
formas de emoções, sendo complementado por Manaia (2012) que entende a luz como uma 
transformadora de sensações. 
 
A influência da luz no afeto e humor dos indivíduos foi evidenciada por Lima e San Martin 
(2009) onde mostraram a preocupação de pesquisadores desenvolverem padrões e conceitos 
para identificar e estudar a influência da iluminação nas pessoas, ou seja, a influência da 
percepção lumínica. Esses autores propuseram um modelo de conduta para a investigação da 
qualidade lumínica baseado no modelo criado pela IESNA (Illuminating Engineering 
Societyof North America). Este modelo considera a influência dos diversos fatores para se 
alcançar a qualidade lumínica, como por exemplo: 
 
- Necessidades humanas 
o Conforto visual; 
o Comunicação social; 
o Humor; 
o Saúde; 
o Emoções; 
o Julgamento estético. 
3 
 
- Arquitetura 
o Forma; 
o Composição; 
o Estilo; 
o Código de padrões. 
- Sistema de iluminação 
o Tipo de lâmpada; 
o Temperatura de cor; 
o IRC (Índice de Reprodução de Cores); 
o Tipo de luminária. 
- Diferenças individuais 
o Idade; 
o Matutino / Vespertino; 
o Profissão; 
o Problemas de visão. 
- Resultados individuais 
o Maior atenção; 
o Maior acertos nas tarefas; 
o Melhor desempenho. 
 
Considerando os diferentes conceitos, a percepção lumínica pode ser avaliada e comparada, 
mostrando que conforme o tipo de iluminação, as respostas obtidas na avaliação do espaço 
são diferentes (LIMA & SAN MARTIN, 2009). 
 
Mesmo com plena importância, o mercado despertou para a influência da iluminação 
recentemente, sendo que existe um desconhecimento generalizado sobre intuito ou objetivos 
dos projetos, como o bem-estar das pessoas (STILLER, 2002b). Devido a essa importância 
dos efeitos da luz artificial na vida dos seres humanos, as questões que envolvem o projeto 
luminotécnico merecem especial atenção. 
 
 
3.Projeto luminotécnico 
O projeto luminotécnico ou projeto de iluminação é um conjunto de muitas variáveis que se 
complementam. É uma conjunção dos fatores que influenciarão a iluminação do ambiente 
(SILVA, 2009). Em decorrência disso, o especialista em iluminação precisa ter amplos 
conhecimentos, em várias áreas, já que no entender de Costa(2005), a luz é uma ciência 
multidisciplinar (Figura 1). 
 
A utilização da luz envolve não só o campo das ciências exatas aplicadas, como 
também o das ciências humanas como fisiologia, a psicóloga, a segurança, a arte... 
Desta forma, o estudioso em iluminação deverá dedicar-se não só ao formulísmo 
matemático, mas também aos efeitos comportamentais do indivíduo frente a um 
sistema de iluminação, ou seja, dos efeitos sobre o indivíduo e o ato de ver (COSTA, 
2005). 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Devido a essa multidisciplinaridade, a 
necessidade de desenvolver um bom projeto luminotécnico e por profissionais especializados, 
torna-se cada vez mais necessária, pois, apesar de que essa consciência vem sendo adquirida 
cada vez mais, atualmente 75% de toda a iluminação de escritórios, por exemplo, é baseada 
em iluminação ineficiente e desatualizada. Um bom projeto luminotécnico envolve gestão e 
utilização do espaço, portanto, pode melhorar o desempenho de uma organização em 15% 
(PASCOALINI e LELLIS, 2011). 
 
Tal é a importância da luz na arquitetura, que em 1999 foi fundada a Associação Brasileira de 
Arquitetos de Iluminação (AsBAI, 2012), com o intuito de congregar os profissionais da luz, 
os desenhistas de iluminação, criando assim determinadas normas de conduta e valorizando a 
categoria (SILVA, 2004). Esteves, Torres e Chamixaes definem o papel do lighting designer 
em uma citação: 
 
Ser lighting designer é construir arquitetura com luz; poder contribuir para valorizar 
qualidades essenciais dos ambientes internos e urbanos; proporcionar conforto e bem 
estar para as pessoas nos diversos cenários da vida, porque luz, assim como a própria 
arquitetura, nada mais é que a conjunção entre técnica e arte (ESTEVES; TORRES; 
CHAMIXAES, 2011). 
 
Para Solano (2009), lighting design vai além da luminotécnica, sendo uma combinação da luz 
natural com a artificial. Segundo Brandston (2010), o lighting designer tem a sensibilidade e a 
habilidade de juntar competência com a qualidade dos equipamentos, e para alcançar seu 
objetivo, o sistema precisa ser feito sob medida de acordo com a realidade de cada caso. 
 
Latreille (2010) mostrou que o cenário é bem diferente do que deveria ser, quando apenas 
20% das pessoas que ela entrevistou (donos de lojas de roupas femininas) contrataram um 
especialista em iluminação para desenvolver projetos para economizar energia, e a maioria 
contrataria um arquiteto, o que 
significa que não há um 
conhecimento do profissional de 
iluminação. Segundo Tormann 
(2010), as pessoas ainda não 
conhecem o profissional de 
iluminação com formação acadêmica 
e pós-graduação e, além disso, por ser 
algo recentemente 
admitido, o valor cobrado muitas 
vezes não é aceito. 
Figura 1 – Iluminação como ciência multidisciplinar 
Fonte: Costa, 2005. 
5 
 
 
Outro órgão existente é a Comissão Internacional de Iluminação (CIE), criado em 1900, com 
o intuito de estudar os problemas técnicos e científicos da iluminação. No Brasil, os 
representantes são a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Associação 
Brasileira da Indústria de Iluminação (ABILUX). Cada vez maior é o comprometimento do 
projeto com as questões ambiental e energética sem negligenciar, porém, a técnica, o conforto 
visual e a estética, sendo assim, a iluminação se torna uma combinação da arte e ciência 
inserida no processo do projeto de arquitetura (HARON, 2012). 
 
Hoje já há uma preocupação por parte dos centros acadêmicos e dos fabricantes com a 
eficiência energética do conjunto lâmpada-luminária para se obter maiores resultados em 
economia e bem-estar do ser humano (COSTA, 2005). 
 
Como mostrado por Silva (2009), projetos de iluminação podem ser focados de acordo com 
seus aspectos técnicos como: quantidade de luz, cálculos e softwares, mas, na realidade e na 
prática, é muito mais do que números e fórmulas, pois luz é também emoção. Por isso ele 
conclui que temos a luz razão e a luz emoção, e que as duas se entrelaçam em um bom 
projeto, já que os projetos de iluminação não são projetados para os aspectos concretos da 
obra, como paredes, portas, mas sim para seus usuários, que são imbuídos de emoções 
(SILVA, 2009). 
 
A luz natural e/ou artificial tem ainda a capacidade de trazer em sua forma de expressão 
possibilidades de novas leituras dos espaços arquitetônicos. Hoje é inadmissível pensar em 
conceber espaços separadamente da iluminação (BRANDONI, 2006; p.22).Uma boa 
iluminação pode transformar completamente um espaço, dando vida ao ambiente, além de 
iluminá-lo. A iluminação ajuda a criar uma ambientação específica e possibilita que a 
atmosfera mude apenas pelo posicionamento do interruptor (GIBBS, 2010). Ser um projetista 
de iluminação para Tormann (2010) é: 
 
Ser projetista de iluminação é ser responsável por direcionar o olhar do outro. É ser 
um alfabetizador visual. É oferecer conforto luminoso para todos que quiserem nos 
contratar e usufruir deste prazer necessário (TORMANN, 2010). 
 
Com toda essa influência, a iluminação certa pode aumentar as vendas de um 
estabelecimento, como afirma Bull (2008) utilizando como exemplo os supermercados: 
 
Tão importante quanto as promoções, identidade com o público-alvo e o layout, a 
iluminação também influencia nas vendas do varejo. Se for bem planejada e alinhada 
à estratégia da loja, ela torna-se uma poderosa ferramenta de marketing. Bem 
iluminado, um produto atrai os olhares. Uma luz errada, ao contrário, distorce cores e 
afasta seu cliente da gôndola. O ideal é que a luz usada nos diferentes espaços do 
supermercado reproduza o mais próximo possível as cores e texturas reais daquilo que 
se pretende vender (BULL, 2008). 
 
A arquiteta e diretora da Opus Design (empresa que realiza projetos para o varejo) Kátia 
Bello, declara que “A iluminação tem poder quase cênico em uma loja”, o que evidencia a 
importância de um bom projeto luminotécnico (BULL, 2008). No mercado competitivo onde 
nos encontramos a maioria dos profissionais atuantes não têm formação acadêmica, mas sim 
prática. Há interesses comerciais em jogo, mas os projetos de luz artificial nos seus aspectos 
tanto tecnológico como psicológico, devem ser mais estudados, observados e planejados para 
atender as necessidades, anseios e o bem-estar das pessoas. 
 
6 
 
 
3.1Objetivos de um projeto luminotécnico 
O básico de um projeto luminotécnico é iluminar. Diferentes variáveis dão versatilidade ao 
sistema de iluminação, ou seja, através da iluminação viabilizar tudo que se possa fazer 
naquele ambiente (SILVA, 2009). Os objetivos a serem alcançados são: 
 
- Segurança: luz é essencial tanto para segurança pública como para realizarmos atividades 
insalubres e de alto risco (SILVA, 2009). ACLT (Consolidação das Leis do Trabalho) no 
Capítulo V, art 175, menciona que “em todos os locais de trabalho deverá haver iluminação 
adequada, natural ou artificial, apropriada à natureza da atividade” (COSTA, 2005). Na 
mesma seção, os §§ 1º e 2º referem-se à quantidade e qualidade da iluminação, mencionando 
que o Ministério do Trabalho estabelecerá os valores mínimos a serem observados (COSTA, 
2005). 
 
- Funcionalidade: a iluminação atende ao exercício da função de cada espaço, sendo 
específica de cada ambiente e segue a norma 5413 da Associação Brasileira de Normas 
Técnicas: “Esta Norma estabelece os valores de iluminâncias médias mínimas em serviço 
para iluminação artificial em interiores, onde se realizem atividades de comércio, indústria, 
ensino, esporte e outras” (ABNT, 1992). 
A arquiteta Stiller (2012apud O Globo, 2012), reforça a importância da iluminação paraatingir o objetivo de uma determinada função do ambiente: 
 
Para cada espaço há uma luz específica. Cada uma delas é responsável pela 
transmissão de determinada sensação, como, por exemplo, a de tranquilidade, de 
dinamismo ou de intimidade. Tudo vai depender da função que cada ambiente exerce 
(O GLOBO, 2012). 
 
- Boa iluminação: iluminar de maneira adequada e com dinamicidade; 
 
- Beleza: a beleza e a funcionalidade andam juntas, tem ambientes que exigirão mais de 
uma do que de outra. A beleza muitas vezes é representada pelas funções espaciais da luz 
e dentre essas funções, Torres (2009) ressalta: 
a) Destacar: através de contraste de luminância para mais ou para menos, teremos um 
isolamento visual da área; 
b) Separar: a luz pode recortar um ambiente de outro e se comunicar através de variações 
e isso acontece pelas quantidades distintas da iluminação; 
c) Conectar: os ambientes podem ser separados fisicamente e possuírem linguagens 
similares através da luz; 
d) Definir hierarquias: a hierarquia espacial pode ser reconhecida passando pela 
orientação da luz que altera a percepção como alongar ou encurtar e 
e) Luz e Movimento: pela atração que temos pela luz, se desejarmos orientar o 
movimento, com ritmos que provocam variações, podemos definir paradas e locais de 
contemplação. 
 
- Imitação da natureza: a iluminação artificial tende a imitar a luz natural, pois o nosso 
ciclo vital está intimamente ligado a luz do Sol. Quanto mais próximo a luz artificial for 
da natural, melhor o ser humano se sentirá em ambientes fechados. 
 
- Economia: segundo Stiller (2000), o primeiro passo para o processo analítico de 
concepção de um projeto inclui entre outro pontos a identificação das condições 
financeiras do cliente. A economia de energia também é um dos requisitos almejados em 
7 
 
um projeto luminotécnico, Latreille (2010) mostra que cerca de 80% se preocupam em 
economizar energia e apenas 20% não pensam em economizar energia, pensando 
unicamente na beleza do espaço interno e fazer com que os clientes se sintam 
confortáveis e também em deixar os produtos visíveis para tornar seus produtos mais 
visíveis. 
 
Para Tormann (2010) para que um projeto realmente seja considerado um projeto de lighting 
design, ele deve estar alicerçado nos seguintes pilares: 
 
- Primeiro o cuidado e atenção: pensar nas possibilidades e soluções eficientes específicas 
de cada projeto e que sejam possíveis de serem realizadas. 
- Seguido pela observação do contexto e cultura onde o projeto esta inserido: buscar se 
familiarizar com o usuário que será inserido naquele ambiente, para trabalhar dentro da 
realidade local, agregando valor àquela cultura através da iluminação. 
- Depois fazer um projeto coerente ao orçamento para que ele possa ser realizado 
integralmente. 
- Por fim, a escolha dos equipamentos como: abertura e desenho de facho, alcance em 
metros da luz, potencia de luz, entre outros; de acordo com os fatores mencionados 
acima. 
Esses itens confirmam a gama de conhecimentos e diferentes áreas que precisam ser 
empregadas para que um projeto luminotécnico seja coerente e que atinja seus objetivos que 
vão muito além de somente iluminar. 
 
 
4. O perfil do mercado 
A falta de valorização da iluminação pelos clientes é uma opinião comum a diferentes 
profissionais da área (SOLANO, 2009). Segundo Solano (2009), a não valorização dos 
projetos de iluminação é devido a uma questão cultural: 
 
...ainda temos de convencer os clientes, constantemente, de que o trabalho é 
importante e que merece ser valorizado. Ainda não esta claro na cabeça deles que um 
bom projeto pode trazer ganhos substanciais, tanto em economia de energia como na 
produtividade do trabalho (SOLANO, 2009). 
 
Outro ponto que influencia o mercado luminotécnico é a falta de formação do profissional de 
iluminação e da ausência da regulamentação da profissão, além disso, o cenário brasileiro 
apresenta na maioria das vezes, profissionais com muita prática mas sem aprendizado teórico 
ou outros com muita formação teórica e nenhuma prática. Apesar de que fora dos grandes 
centros populosos ainda não existe a cultura de se contratar um profissional de iluminação, o 
mercado existe e vem aumentando a cada dia, fazendo com que profissionais com níveis de 
formação cada vez mais altos sejam requisitados, principalmente em virtude dos avanços 
tecnológicos e dos altos custos dos equipamentos de iluminação, bem como a sua manutenção 
(TORMANN, 2010). Tormann comenta que: 
 
Penso que há muita demanda de trabalho, mas os profissionais e o mercado de 
trabalho estão mais preocupados em resolver o agora e não a sustentabilidade do 
mercado e do profissional qualificado. É difícil o reconhecimento deste profissional 
fora dos grandes centros, pois as grandes indústrias estão nas grandes capitais 
brasileiras (TORMANN, 2010). 
 
8 
 
Mesmo em grandes empresas ou clientes de grande porte, a necessidade do projeto de 
iluminação para eficientização do consumo de energia por exemplo, algumas vezes ainda não 
é bem aceito e por isso, ainda há a necessidade de se convencer os clientes, constantemente, 
da importância de um projeto luminotécnico e que merece ser valorizado (SOLANO, 2009). 
 
Esforços veem sendo feitos para melhorar o cenário da formação do profissional em 
iluminação no Brasil, criando uma cultura da iluminação, como por exemplo a criação da 
ABIL (Associação Brasileira de Iluminação). Tormann que é sócio-fundadora da ABIL, 
afirma que: 
 
A ABIL é uma associação, cultural e social, sem fins lucrativos, que surgiu para 
desenvolver conhecimento da luz no âmbito nacional, criando assim uma cultura da 
luz. Nossa missão é oferecer cursos, organizar palestras, organizar simpósios e 
mostras, que visam à divulgação da produção mundial das técnicas e arte de iluminar. 
Editar ou reeditar publicações nacionais e estrangeiras. Disponibilizar informações 
sobre assuntos luminotécnicos e afins de maneira mais eficaz. Tudo isso para 
mobilizar ideias, compartilhar experiências, produzir uma cultura da iluminação e 
consolidar a profissão (TORMANN, 2010). 
 
De acordo com a última pesquisa do perfil de mercado feita pela Abilux (MAIO, 2006), a 
maioria das 604 empresas que existiam formalmente naquele ano, o estado de São Paulo 
figurava no levantamento como principal pólo da indústria da iluminação, sendo 58% das 
indústrias localizadas na Grande São Paulo e 17% no Interior de São Paulo, ou seja, 75% do 
total de indústrias. Os outros 25% estão distribuídos em 7 Estados: Rio Grande do Sul, Santa 
Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco (Figura 2), o que mostra 
a discrepância na distribuição e consequente conhecimento/desconhecimento entre as regiões 
brasileiras. 
 
 
 
 
 
 
 
Em um dado mais atual, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) mostra que 70% da 
indústria de iluminação do Brasil está concentrada no Estado de São Paulo, sendo que a 
região sudeste concentra também a maior parte do mercado consumidor (IPT, 2010). 
 
Apesar do desconhecimento de lighting designers, o setor de iluminação esta crescendo, como 
pode ser percebida na maior feira de iluminação do continente asiático e a segunda maior do 
Figura 2 – Distribuição geográfica da indústria de iluminação no Brasil 
Fonte: Maio, 2006. 
9 
 
mundo, a Guangzhou – International Lighting Exibition – GILE. Este evento mostrou o 
aumento do interesse nessa área em 2011 em comparação com o ano de 2010, tanto em 
publico total quanto em visitantes locais e estrangeiros, expositores e em área total do evento, 
como demonstrado na Tabela 1 (GOBI, 2011). 
 
 
 2010 2011 Crescimentoem % 
Publico total 72 mil 100 mil 40 
Expositores 2 mil 2,9 mil 45 
Visitantes estrangeiros 15,7 mil 19,9 mil 26 
Visitantes locais 56 mil 80,5 mil 44 
Área 135 mil m² 210 mil m² 56 
 
 
 
 
Para Nitzsche (Maio, 2011) que é lighting designer, a quantidade de fornecedores da área de 
iluminação se multiplicou nos últimos seis anos. Quanto ao mercado e aos clientes, Nitzsche 
afirma que cada vez mais, pessoas não ligadas à área consideram importante ter uma 
consultoria ou projeto de iluminação e que está crescendo o número de clientes finais 
requisitando um projeto de iluminação. 
 
Stiller (2002a) também demonstra o aumento do conhecimento do mercado de iluminação e 
sobre o profissional especializado: 
 
O mercado está descobrindo que um espaço bem iluminado é muito mais agradável, 
mais produtivo e mais lucrativo do que uma área sem iluminação correta. E posso dar 
o exemplo da rede O Boticário: depois da renovação de todas as suas lojas, que são 
mais de 2 300 em todo o Brasil, houve aumento médio de vendas, por loja, de 27%. 
Isso é muito, porque se trata de um segmento estável. Acho que, aos poucos, os 
empresários estão descobrindo isso. De modo geral, o mercado está altamente 
propício ao avanço da profissão (STILLER, 2002a). 
 
 
5. Método adotado 
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica para seleção de artigos de revistas, livros, sites e 
teses relacionados à iluminação e a importância de um projeto de iluminação. Os dados 
buscados foram: 
- A influência da luz nas pessoas; 
- Definir e situar o lighting designer; 
- A importância de um projeto luminotécnico na visão dos profissionais e acadêmicos; 
- O conhecimento ou não do mercado sobre o propósito dos projetos luminotécnicos. 
 
 
6. Conclusão 
Com a pesquisa cujos dados foram extraídos de fontes textuais sobre o tema, conclui-se que a 
sociedade desconhece ou quando não, há resistências aos profissionais especializados em 
iluminação ou lighting designers. É amplamente ressaltada a importância física ou psicológica 
da luz nos seres vivos. Podendo gerar diferentes ambientes ou sensações com simples 
mudanças na iluminação, trazendo bem-estar ou não as pessoas. Devido a essa influência e as 
Tabela 1 – Crescimento da Guangzhou International Lighting Exhibition 
Fonte: Gobi, 2011. 
10 
 
consequências que esse elemento propícia, o planejamento com diretrizes é imprescindível 
para culminar em um bom projeto de iluminação, atingindo os objetivos demandados para o 
ambiente. Sendo assim, a iluminação, artificial e natural deve ser projetada juntamente com a 
arquitetura, assumindo um papel estratégico na qualidade de vida, condições de trabalho e de 
ambiente, tornando ainda mais seguras e confortáveis as nossas vidas sendo um direito 
indiscutível das pessoas. 
 
O reconhecimento da importância de um projeto luminotécnico cresce a cada dia, mas ainda 
não está presente na maioria dos seus usuários, por decorrência de uma cultura simplista, o 
convencimento tende a ser feito a cada projeto. A maioria dos profissionais da área como 
engenheiros, arquitetos, designer de interiores e decoradores não possuem conhecimentos 
específicos em iluminação, por esse motivo deixam de orientar seus clientes. O meio 
acadêmico já disponibiliza vários cursos para especializações na área, é só uma questão de 
tempo para o despertar acontecer de forma mais ampla. A normatização do lighting designers 
também contribuirá muito para reconhecimento do mercado como um todo. As feiras do 
setor, os eventos, as associações, os cursos, palestras, simpósios, mostras, as mídias escritas e 
faladas contribuem para disseminar a cultura da iluminação. 
 
Um projeto de iluminação ou projeto luminotécnico coerente engloba variáveis de diferentes 
áreas, como exemplos a segurança, matemática, economia, arte, psicologia e fisiologia, essa 
multidisciplinaridade requer profissionais especializados em iluminação. O crescimento do 
mercado exigente com relação a qualidade, tanto dos produtos quanto dos profissionais, no 
segmento da iluminação, ou seja, fornecedores e clientes informados querem profissionais 
mais completos, que tenham desenvoltura artística e técnica, prática e teórica estão sendo 
cada vez mais requisitados, para um melhor explorar toda gama de possibilidades que a luz 
propicia, com comprometimento e responsabilidades. 
 
Devido a capacidade de possibilitar saúde, conforto, beleza, funcionalidade, segurança, e toda 
a harmonia que um ambiente precisa, a importância do profissional de iluminação está se 
mostrando cada vez mais evidenciada e com isso, já são encontrados grandes esforços para a 
regulamentação e o reconhecimento desse profissional. É ainda mais difícil que essa 
valorização do profissional ocorra fora dos grandes centros, visto que a grande maioria das 
grandes indústrias de iluminação está nas grandes capitais brasileiras. 
 
Os especialistas da área devem se fazer ouvidos pelo mercado, sendo participativos em 
eventos, associações entre outros, se fazerem presentes quando procurados, também através 
de bons trabalhos desenvolvidos, posicionando-se como profissionais da área, solicitando 
dados, especificando através dos conhecimentos adquiridos, exigindo, enfim plantando a 
semente a cada dia, em cada fornecedor, em cada cliente, é principalmente do especialista a 
responsabilidade de mudar a visão que o mercado possui. Assim os usuários, profissionais das 
áreas relacionadas, fabricantes, lojistas irão tomando consciência de que existem profissionais 
com conhecimento específico e apurado em projetos luminotécnicos (lighting designers) e 
que o mercado exige isso, por estar sempre em evolução. 
 
 
7. Referências 
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interiores. 1992. Disponível em: http://www.abnt.org.br/. Acesso em 2 de julho de 2012. 
 
11 
 
AsBAI. Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação. Disponível em 
http://www.asbai.org/. Acesso em 2 de julho de 2012. 
 
BRADSTON, Howard. Aprender a ver: A Essência do Design da Iluminação. 2010. 
Tradução Paulo Sérgio Scarazzato. 1º Edição. São Paulo: De Maio, 2010. 
 
BRONDANI, Sergio Antonio. A percepção da Luz Artificial no Interior de Ambientes 
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BULL, Patricia. Iluminação certa eleva as vendas. 2008. Yoshimura, arquitetura de varejo. 
Disponível em: <http://www.yoshimuraarquitetura.com.br/yav4luz.pdf>. Acesso em 02 de 
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