Prévia do material em texto
FACULDADE TEOLÓGICA NACIONAL
DISCIPLINA
TEOLOGIA BÍBLICA DO
ANTIGO TESTAMENTO
2
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
CONCEITO GERAL
Teologia é a ciência que trata do nosso conhecimento de Deus, e das coisas divinas. A
teologia abrange vários ramos, vejamos:
Teologia exegética - Exegética vem da palavra grega que significa extrair. Esta
teologia procura descobrir o verdadeiro significado das Escrituras.
Teologia Histórica - Envolve o Estudo da História da Igreja e o desenvolvimento da
interpretação doutrinária.
Teologia Dogmática- É o estudo das verdades fundamentais da fé como se nos
apresentam nos credos da igreja.
Teologia Bíblica - Traça o progresso da verdade através dos diversos livros da
Bíblia e descreve a maneira de cada escritor em apresentar as doutrinas mais
importantes.
Teologia Sistemática - Neste ramo de estudo os ensinamentos concernentes a
Deus e aos homens são agrupados em tópicos.
3
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
INTRODUÇÃO
O Antigo Testamento é a parte preparatória de Deus para revelações maiores e mais
profundas ao homem. Por isso é especial. Deus providenciou uma revelação e mostrou
seus diferentes métodos:
Sonhos - Joel 2:28 E háde ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a
carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os
vossos jovens terão visões.
Jeremias 23:32 Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o
SENHOR, e os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas
leviandades; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e não trouxeram proveito
algum a este povo, diz o SENHOR.
Visões - Atos 7:31 Então Moisés, quando viu isto, se maravilhou da visão; e,
aproximando-se para observar, foi-lhe dirigida a voz do Senhor, ( Uma Visão espiritual
)
Aparições - Isaías 6:1 No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi tambémao Senhor
assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.
Histórico - A Melhor forma de revelação de Deus ao homem sem dúvida é através da
história. Através da convivência com Deus, através das experiências com Ele.
OS PERÍODOS HISTÓRICOS DA TEOLOGIA DO VELHO TESTAMENTO
Assim como os apóstolos do NT com suas epístolas, eram de muitas maneiras, os
intérpretes dos Atos e dos Evangelhos, assim também a teologia do AT poderia
semelhantemente começar com os profetas por um motivo bem semelhante. No
entanto, mesmo para o fenômeno da profecia bíblica, havia a realidade sempre
presente da história de Israel. Toda a atividade salvífica de Deus em tempos anteriores
tinha que ser reconhecida e confessada antes de alguém poder ver mais firme a
revelação adicional de Deus. Devemos, portanto, começar onde começou: na história
— história verdadeira e real.
A Era Pré-patriarcal
Sem dúvida, Abraão ocupou um lugar de destaque no auge da revelação. O texto
avança da extensão desde a criação e descreve a tríplice tragédia do homem como
4
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
resultado da queda, do Dilúvio e da fundação de Babel para a universalidade da nova
provisão da salvação da parte de Deus para todos os homens, através da
descendência de Abraão.
A palavra principal é "Benção" repetida da parte Deus — que existia apenas no estado
embrionário. No inicio, trata-se da "Bênção" da ordem criada. Depois, é a "Bênção" da
família e da Nação, em Adão e Noé. O auge veio na quíntupla "Bênção" para Abraão em
Gênesis 12:1-3, que incluía bênçãos materiais e espirituais.
A Era Patriarcal
Esta era foi tão significativa que Deus Se anunciava como "Deus dos patriarcas", ou
"Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó". Além disto, os patriarcas eram considerados
"profetas" (Gn 20:7; SI 105:15). Aparentemente era porque pessoalmente recebiam a
palavra de Deus. Freqüentemente, a palavra do Senhor "veio" a eles de modo direto (Gn
12:1; 13:14; 21:12; 22:1) ou o Senhor "apareceu" a eles numa visão (12:7; 15:1; 17:1; 18:1)
ou em aparição de Anjos (22:11,15).
Os períodos de vida de Abraão, Isaque e Jacó formam outro tempo distintivo no fluxo
da história. Estes três privilegiados da revelação viram, experimentaram e ouviram
tanto, ou mais, durante o conjunto de dois séculos representado pelas vidas
combinadas deles, do que todos aqueles que viveram durante os milênios anteriores!
Como conseqüência, podemos, com toda a segurança, delinear Gênesis 12-20 como
nosso segundo período histórico no desdobrar da teologia do AT, exatamente como foi
feito por gerações posteriores que tinham o registro escrito das Escrituras.
A Era Mosaica
Israel foi então chamado "reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:6). Deus, com
todo o amor, delineava os meios morais, cerimoniais e civis de se cumprir tão alta
vocação. Viria no ato primário do Êxodo, com a graciosa libertação de Israel do
Egito, operada por Deus, a subseqüente obediência de Israel, em fé, aos Dez
mandamentos, a teologia do tabernáculo e dos sacrifícios, e semelhantes detalhes do
código da aliança (Êxodo 24-7:8) para o governo civil.
Toda a discussão quanto a ser um novo povo de Deus se derivava de Êxodo Capítulos
1 à 40;
Levítico 27-2; e Números 1-54. Durante esta era inteira, o profeta de Deus foi Moisés
— um profeta sem igual entre os homens (Deuteronômio 34-10).De fato, Moisés foi o
padrão para aquele grande Profeta que estava para vir, o Messias. ( Deuteronômio
16:15-18 )
5
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A Era Pré-Monárquica
Uma das partes da promessa de Deus que recebeu uma descrição detalhada foi a
conquista da terra de Canaã.
Esta história se estende ao longo do período dos juizes para incluir a teologia das
narrativas da arca da aliança em 1 Samuel 4-7 os tempos se tornaram tão distorcidos
e tudo parecia estar em tantas mudanças subseqüentes devido ao declínio moral do
homem e à falta da revelação da parte de Deus. De fato, a palavra de Deus se tornara
"rara" naqueles dias em que Deus falou a Samuel (1 Samuel 3:1). Conseqüentemente,
as linhas de demarcação não se escrevem tão nitidamente, embora os temas centrais
da teologia e os eventos-chave sejam bem registrados historicamente.
A história de Josué, Juízes e até Samuel e Reis, são momentos significantes na
história da revelação deste período, são usualmente reconhecidos pela maioria dos
teólogos bíblicos de hoje.
O melhor que se pode dizer do período pré-monárquico é que era um tempo de
transição. o surgimento de exigência de um rei para reinar sobre uma nação que se
cansou da sua experiência em teocracia conforme ela era praticada por uma nação
rebelde.
Depois da Lei até Davi não há avanço teológico. Neste período, Deus é revelado como
Santo, como Espírito Santo, como Eterno. A vida de Cristo é mais precisamente
predita, nos sacrifícios, e ofertas e no propiciatório.
A Era Monárquica
O pedido do povo no sentido de lhe ser dado um rei, quando Samuel era juiz (1 Sm 8-
10). e até o reinado de Saul nos preparam negativamente para o grandioso reinado de
Davi (1 Sm 11 —2 Sm 24:1 Reis l-2.)
A história e a teologia se combinavam para enfatizar os temas de uma dinastia real
continuada, e um reino perpétuo com um domínio e alcance que se tornaria universal
na sua extensão e influência. Mesmo assim, cada um destes motivos régios foi
cuidadosamente vinculado com idéias e palavras de tempos anteriores: uma
"descendência"" um "nome" que "habitava" num lugar de "descanso", uma "bênção"
para toda a humanidade, e um "rei" que agora reinava sobreum reino que duraria para
sempre.
Este período é caracterizado historicamente pela prática desenfreada do pecado e
declínio de Israel.
6
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Os quarenta anos de Salomão foram marcados pela edificação do templo e por outro
derramamento de revelação divina. A Sabedoria. Assim, a lei mosaica pressupunha a
promessa patriarcal e edificava sobre ela, assim também a sabedoria de Salomão
pressupunha a promessa Abraão-Daví como a lei de Moisés. O conceito-chave era "o
temor do Senhor" — uma idéia que já começou na era patriarcal (Gn 22:12; 42:18;
Dt.10:12; Josué.24:14).
Agora que a "casa" de Davi e o templo de Salomão tinham sido estabelecidos, sendo
assim, os profetas poderiam agora focalizar sua atenção sobre o plano e reino de Deus
no seu alcance mundial. Infelizmente, porém, o pecado de Israel também exigiu boa
parte da atenção dos profetas.
Com essas revelações o mundo deveria esperar até que chegasse a " Plenitude dos
Tempos " , Gálatas 4:4; Pedro 1:10-12.
Questões Importantes Sobre Revelação
1) Distinção entre revelação e apreensão: A compreensão vinha a medida que o
homem ponderava a revelação feita.
2) Revelação Parcial: Algumas coisas foram reveladas, mas não foram explicadas. A
explicação pode vir mais tarde, ou não vir jamais, Deut. 29:29. Também no Novo
Testamento há coisas reveladas mas não explicadas: Nascimento de Jesus através da
Virgem Maria, Trindade, Dupla Natureza de nosso Senhor.
3) Revelação Universal: A revelação foi feita com o objetivo de se estender a
humanidade toda: "Em ti serão bendita todas as nações", Deus disse a Abraão.
(Gênesis 12:3)
DIVISÕES DA TEOLOGIA DO VELHO TESTAMENTO
As divisões naturais incluem as grandes doutrinas a serem discutidas:
A Doutrina da Criação
A Doutrina de Deus
A Doutrina do Homem e do Pecado
A Doutrina da Salvação.
7
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A DOUTRINA DA CRIAÇÃO
A Constatação de um princípio
claramente definido, tanto nas referências
cosmológicas quanto bíblicas, podem
desencadear novas e fascinantes
descobertas que confirmem ainda mais,
as sábias palavras das Escrituras.
Podemos dizer que a “Ciência e a religião são como duas janelas na mesma casa,
através de ambas contemplamos as obras do Criador.
Teorias Referente a Criação
Teoria da Grande Explosão ("BIG BANG"). A partir do estudo de Einstein. sobre a
Teoria da Relatividade, outros cientistas acreditam que o Universo era uma bola
imensa de hidrogênio que se expandiria indefinidamente e alcançaria distâncias quase
infinitas. Eles imaginam que, em algum tempo indecifrável. houve uma grande explosão
desta imensa bola de hidrogênio. Daí, surgiram os mundos, as galáxias. Na tentativa de
definir as origens do Universo, procuram determinar a sua idade, sugerindo a cifra de
12 bilhões de anos. De fato, esta teoria acredita na eternidade da matéria, mas a Bíblia
a refuta, quando declara que tudo em algum tempo começou a existir, "No princípio,
criou Deus os céus e a terra.
A teoria do Panteísmo . O Panteísmo declara que Deus e a Natureza são a mesma
coisa e estão inseparavelmente ligados. A idéia básica desta teoria é que o Senhor
não cria nada, mas tudo emana e faz parte dEle. Entretanto, a revelação bíblica não
aceita, de modo algum, este ensinamento, pois o Criador não é parte do Universo, e ,
sim, este foi criado por Ele. (Gênesis 1:1)
A Teoria Evolucionista. Criada por Charles Darwin, ensina que a matéria é eterna,
preexistente. A partir daí, mediante processos naturais e por transformação gradual, os
seres passaram a existir. Entretanto, a Bíblia declara que Deus criou todas as coisas,
Imagem meramente ilustrativa
8
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
isto é, tudo teve um começo. As provas diretas da criação, além da Ciência, estão
expostas na Bíblia Gn 1.1.
Teoria da Criação, a partir do nada ( Catastrófica ). Esta é talvez, a mais difundida,
ensinada e pregada no meio evangélico. Declara que Deus criou tudo "do nada",
mediante o poder de sua palavra. Utiliza-se como base, para a afirmação desta idéia, o
texto de Hebreus 11.3, o qual diz que "os mundos foram criados pela palavra de
Deus, de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente’.
Ora, entendemos que aquilo qual não é aparente, não quer dizer "do nada", mas pode
referir-se à coisas imateriais.
Gênesis1: 1 No princípio criou Deus os céus e a terra.
Uma leitura atenta nos trará importantes informações, sobre a origem do Universo, com
poucas palavras este verso nos traz três dados importantes:
1 - O Tempo da Criação
2 - O Ato da Criação
3 - O Autor da Criação
O Tempo da Criação
Quando tudo começou ?
João 1: 1 - 2 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus. Ele estava no princípio com Deus.
Provérbios 8: 23 Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da
terra.
O Princípio é o espaço existente antes da criação
O Ato da Criação
No original hebraico o termo "Criar" aparece como "Bara" termo este que na Bíblia só é
empregado para designar atos especiais de Deus. Seu significado mais amplo é trazer
a existência o que antes não existia. Somente Ele possui este poder.
9
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Salmo 8: 3 - 4 Quando vejo os Teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que
preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para
que o visites?
O Autor da Criação
A Suprema precisão com que todos os astros se movem e sua disposição no universo
demonstra que tudo isto não apareceu por acaso.
Salmo 19: 1 Os céusdeclaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das
suas mãos.
Salmo 119: 90 - 91 A tua fidelidade dura de geração em geração; tu firmaste a terra, e
ela permanece firme. Eles continuam até ao dia de hoje, segundo as tuas ordenações;
porque todos são teus servos.
A DOUTRINA DE DEUS
Atributos da Personalidade de Deus
1º Aspecto de sua personalidade INTELECTO
Isaías 11: 2 Repousarásobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de
INTELIGÊNCIA, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de
temor do Senhor.
- Escolhe Atos 20: 28 - Ensina João 14: 26
- Instrui Atos10:19–20 - Fala Apoc. 2: 7
2º Aspecto de sua personalidade VOLIÇÃO
I Cor. 12: 11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo
particularmente a cada um como quer.
10
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
- Testifica João 15: 26 - Envia Atos 13: 2, 4
- Impede Atos 16 ; 6-7 - Intercede Rom. 8: 26
- Revela II Pe. 1: 21
3º Aspecto de sua personalidade SENSIBILIDADE
Rom. 15: 30 Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito,
que combateis comigo nas vossas orações por mim a Deus.
- Ama II Tim. 1: 7 - Entristece Ef. 4: 30
Portanto qualquer ser que pensa, que ama, que quer, é uma pessoa.
Os Atributos
Vida: Deus tem vida em si mesmo; Apocalipse 7:17 Porque o Cordeiro que estáno meio
do trono os apascentará,e lhes serviráde guia para as fontes das águasda vida; e Deus
limparáde seus olhos toda a lágrima.
Deus é vida ( Jo.5:26; 14:26 ) e o princípio de vida ( At.17:25,28 ).
Sábio:Capacidade de agir, julgar corretamente e prudentemente. Tiago 3:17 Mas a
sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada,
tratável,cheiade misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. (
Jó 9:14 ; João 11:8-9 )
H.B. Smith define a sabedoria de Deus como o Seu atributo através do qual Ele produz
os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis.
Inteligente: Capacidade de compreender facilmente.
11
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Outros Atributos
- Tem Propósito Efésios 3:11
- Tem Emoções Salmos 103:13
- ÉLivre Efésios 1:11
- ÉAtivo João 5:17
Atributos de Sua Grandeza
Auto-Existência:Deus existe por Si mesmo. Ele nunca teve início, portanto Deus é
absolutamente independente de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e
perpetuidade de Seu Ser. Deus é a razão de sua própria existência ( João 5: 26; Salmo
36: 9 ).
Eterno: A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade. Deus
é Eterno (Salmos 90: 2; Deuteronômio 33: 27 ). A eternidade de Deus significa que
Deus transcende a todas as limitações de tempo ( II Pedro 3: 8 ) Ele é o Eterno EU
SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de toda a sucessão de
momentos, e tem a totalidade de sua existência num único presente indivisível
(Is.57:15).
Imutabilidade: É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em
Deus. A base de Sua imutabilidade sua perfeição porque toda mudança tem que ser
para melhor ou pior e sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio,
mais santo, mais justo, mais misericordioso, e nem menos. ( Deuteronômio 32: 4; Tiago
1: 17 ). O próprio Deus jamais mudará de opinião, mas fará conforme seu plano
predeterminado (Isaías 46:9,10).
Onipresença: Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo ou tudo está em sua
presença
O Panteísmo ensina que tudo é Deus
Os Materialistas ensina que Deus está distribuído em todo o espaço
12
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Imensidão : A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada imensidade.
Deus é imenso ( Isaías 66: 1; Jeremias 23: 24 ).
Onisciência:Atributo pelo qual Deus, única, conhece-se a Si próprio e a todas as
coisas possíveis e reais. Seu conhecimento não é progressivo ou fragmentado e Nem
precisa de observar ou de raciocinar para adquirir conhecimento ( Jó 37: 16;
Isaías .40:28 ).
Presciência :Significa conhecimento prévio do futuro. Não é dedução ou previsão (
Mateus 6:8 ).
Onividência:Significa que tudo está ao alcance de Sua visão, isto é, das coisas que
existiram no passado, que existem no presente e existirão no futuro.
Onipotência: É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para fazer
qualquer coisa que Ele queira, não significa o exercício para fazer aquilo que é
incoerente com a natureza ( Romanos 7: 15 ). Entretanto há muitas coisas que Deus
não pode realizar. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar-se a Si mesmo (
Números 23: 19; Hebreus 6: 18; Tiago 1: 13; ).
Outros Atributos
- Perfeito Salmo 18:30
- Infinito I Reis 8:27
- Soberano Neemias 9:6
- Incompreensível Jó 37:5
Demais atributos e estudo dos Nomes de Deus estaremos analisando na Matéria
Teologia Sistemática de Deus.
13
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A DOUTRINA DO HOMEM E DO PECADO
Têm surgido as mais variadas teorias acerca da origem do homem. De um modo geral,
elas não conseguem anular a ligação do ser humano com a Terra. Entretanto, a única
fonte realmente autorizada, acerca da origem da humanidade, é a Bíblia
Sagrada. Os dois primeiros capítulos de Gênesis nos oferecem, de modo plausível e
coerente, a verdadeira história das origens, inclusive a do homem.
A CRIACAO DO HOMEM
Gênesis 1: 26-27 A Bíblia nos informa
sobre a criação do homem; uma forma
simples que podemos perder a grandeza
desse ato.
Gênesis 2: 7. A Bíblia detalha o que se
passou em Gênesis l: 26. A Bíblia utiliza
muito essa forma acerca dos grandes
acontecimentos, ou seja, informa primeiro
de forma geral e depois descreve melhor,
em mais detalhes, esse mesmo fato.
Imagem meramente ilustrativa.
Espírito - Alma - Corpo
O homem é diferente e superior a todas as criaturas que Deus criou, Podemos afirmar
isso, porque de nenhuma outra criatura a Bíblia informa que foi criada à imagem e
semelhança de Deus. A Bíblia nos mostra que os anjos forma criados espíritos; foram
feitos espíritos por criação, por composição. Deus fez os anjos espíritos. Hebreus 1: e
14; Salmo 104:4
Corpo
"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra": a que parte se refere? o corpo.
Deus pegou do pó da terra e formou um corpo: mas esse corpo não era um homem,
era um boneco de terra.
14
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Espírito
Mas o versículo continua: "e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida". Se Deus não
tivesse soprado, aquele boneco de terra estaria lá até hoje. Deus pegou aquele boneco
e soprou algo de dentro Dele. Quando Deus soprou, aquele boneco recebeu vida, uma
vida que saiu de dentro de Deus.
A palavra fôlego no hebraico, é a mesma palavra usada para espírito.
Alma
Vemos no final de Gênesis 2: 7; "e o homem se tomou alma vivente" Quando o
Espírito de Deus tocou aquele boneco de terra, foi manifesta a vida no homem. O que
manifesta a vida no homem, é a nossa alma, a nossa personalidade. Deus soprou nas
narinas o Espírito que iria trazer vida na alma e no corpo. A vida no espírito vem direto
de Deus.
Com o espírito conheço a Deus, com a minha alma conheço meu intelecto, as
emoções, as vontades, e com o corpo conheço o mundo físico, material. Estudaremos
em mais detalhes durante a matéria Teologia Sistemática do homem.
AS FACULDADES DISTINTAS DO HOMEM
As Faculdades do Corpo: São Cinco as faculdades, as quais se manifestam através
do corpo: visão, audição, olfato, paladar e tato. Ainda que sejam distintas umas das
outras, elas não atuam independentes do comando da alma. São denominadas de
instintos naturais ou sentidos corporais, os quais recebem impressões do mundo
exterior, transmitidas ao cérebro, através do sistema nervoso.
E dai que partem as ordens para todas as partes do corpo. Os sentidos físicos
obedecem às leis naturais que estão impressas no ser humano. São elas que regem
as atividades do corpo.
As Faculdades da Alma: São três as faculdades principais ou qualidades da alma,
pelas quais ela se manifesta: intelecto, sentimento e vontade.
O INTELECTO é a parte da alma que pensa, raciocina, decide, julga e conhece.
O SENTIMENTO faz o homem um ser emotivo. Ele não é uma máquina insensível,
pois pode sentir todas as grandes emoções, como alegria, gozo, paz, prazer,
tristeza, descontentamento, pesar e dor.
15
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A VONTADE se expressa como resultante das influências do intelecto e dos
sentimentos. Ela não age sozinha. Não há vontade livre ou independente. Ela
obedece às forças emotivas e intelectuais da alma.
As Faculdades do Espírito Habitando no Homem: Duas faculdades principais se
destacam com abrangência sobre outras qualidades im portantes, as quais são: Fé e
Consciência. Elas identificam o ser religioso do h omem. Podemos chamar de natureza
espiritual, da qual o ser humano é dotado especialmente para uma perfeita comunhão
com Deus.
TENTAÇÃO E QUEDA DO HOMEM
A Terminologia do Pecado
As palavras empregadas no V.T. para descreverem o pecado são tão notáveis como o
registro de sua historia.
1. (Chata) Pecar, errar o alvo.
2. (Pasha) Transgredir. Significa primariamente ir além, rebelar-se, transgredir.
3. (Rasha)Ser ímpio basicamente significa ser solto ou mal ligado; ser ruidoso ou
maldoso.
4. (Ra ‘a’)Ser mau. Com o significado de quebrar, danificar por ‘meios violentos, A
palavra veio a significar aquilo que causa dano, dor ou tristeza e dai, o mal moral.
5. (Avah’) Ser perverso. O termo significa entortar ou torcer, daí perverter ou ser
perverso. Perverter a lei de Deus ou andar pelo tortuoso em oposição ao, caminho reto
de Deus, Gen.
Outros termos
Ramah = Enganar
Ma´al = Transgredir
Pathah = Seduzir
Kasal e nabhel = Ser insensato
Tame ‘eba’ash= Ser impuro
16
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A PROPENSÃO PARA O PECADO
Propenso, mas não destinado. Como ser racional, o homem, em seu primeiro estado de
inocência desconhecia o pecado. A possibilidade para o pecado surgiu com a tentação.
De fato, ele não havia ainda desenvolvido o seu caráter moral. Esta propensão para a
transgressão não significa que o homem, inevitavelmente, estivesse destinado a pecar.
Esta tendência baseava-se unicamente em seu Livre-arbítrio. Ele poderia,
conscientemente, manter-se fiel aos limites do conhecimento que o Criador lhe deu, ou,
então, rebelar-se contra esta lei, e partir para o outro lado.
A QUEDA DO HOMEM, ATRAVÉS DO PECADO
A queda de Adão e Eva é apresentada, literalmente, na Bíblia, de modo explícito. Não
foi um relato teórico ou figurativo, mas histórico. Por isso, entendemos que o pecado de
nossos primeiros pais foi um ato involuntário de sua própria vontade e determinação. E
claro que a tentação veio de fora, da parte de Satanás, que os instigou a desobedecer à
ordem de Deus. Concluímos, pois, que a essência do primeiro pecado está na
desobediência do homem à vontade divina e na realização de sua própria vontade. O
seu pecado foi uma transgressão deliberada ao limite que Deus lhe havia colocado.
AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA
O Pecado afetou a vida física e psíquica do homem. Paulo escreveu aos Romanos:
"Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte" (Rm 5.12). A morte
física se tornou, então, a conseqüência natural da desobediência de Adão, e a espiritual
se constituiu na eterna separação de Deus. O Criador foi enfático no Jardim: "Porque
no dia em que dela comeres, certamente morrerás"(Gn 2.17).
O pecado afetou a vida espiritual do homem. "O saláriodo pecado é a morte" (Rm 6.23).
Adão não morreu no mesmo dia em que pecou, mas perdeu, a possibilidade de viver e
também perdeu a imagem de Deus em sua vida. Isto implicou, no rompimento da
comunhão com o Criador, e causou-lhe a "morte espiritual", no momento exato que
pecou.
17
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO
OS 2 PASSOS PARA A SALVAÇÃO
Mat. 4: 17 Daí por diante passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei - vos, porque é
chegado o reino dos céus.
Mat. 18: 3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos
tornardes como crianças de modo algum entrareis no reino dos céus.
Cristo chegara ao mundo, vindo do seio do Pai. Podia descrever as glórias do céu para
comover os homens. Mas a sua mensagem era a mesma: Arrependimento e
Conversão.
Arrependimento O verdadeiro arrependimento envolve a pessoa toda, todo o seu ser,
toda a sua personalidade. Arrependimento não é apenas mudança de pensamento.
João 3:3 ...Em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o
reino de Deus.
Nascer do novo significa "um novo ser uma nova pessoa ou seja uma nova
personalidade".
Estudaremos o arrependimento em cada um dos poderes da personalidade:
Intelecto, Sensibilidade, Volição.
Conversão Conversão é uma palavra usada para exprimir o ato do pecador,
abandonando o pecado, para seguir a Jesus.
A conversão pode e deve repetir-se todas as vezes em que o homem pecar e afastar-
se de Deus, porque ela consiste no ato de abandonar o pecado e aproximar-se de
Deus.
Emprega-se, geralmente, a palavra conversão para significar aquela primeira
experiência do homem, abandonando o pecado paras seguir a Cristo.
18
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
OS 3 ELEMENTOS BÁSICOS PARA A SALVAÇÃO
Rom. 3: 24 - 25 E são justificados gratuitamente pela sua Graça , pela redenção que
háem Cristo Jesus. Deus o propôs para propiciação pela Fé no seu Sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos sob a tolerância
de Deus.
Os elementos básicos estabelecidos para salvação conf. escrito pelo Apóstolo Paulo
aos Romanos são:
1o. A Graça Tito 2: 11 Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos
os homens.
Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de Deus. (
Favor não merecido )
A graça de Deus aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de
Cristo pagou toda a pena do pecado. Por conseguinte, ele pode justamente perdoar o
pecado sem levar em conta os merecimentos ou não merecimentos.
A graça manifesta-se independente das obras dos homens.
A graça é conhecida como Fonte da Salvação.
2o. O Sangue I Jo. 1: 7 O sangue de Jesus Cristo , seu Filho, nos purifica de todo
pecado.
Em virtude do sacrifício de Cristo no calvário, o crente é separado para Deus, seus
pecados perdoados e sua alma purificada. Sangue é conhecido como a Base da
Salvação .
3o. A Fé Ef. 2: 8 - 9 Pois é pela graça que sois salvos, por meio da
Fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se
glorie.
19
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Pela fé reconhece o homem a necessidade de salvação, e pela mesma fé é ele levado
a crer em Cristo Jesus.
Heb. 11: 6 Ora, sem Fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele
que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que égalardoador dos que o buscam.
A Fé conduz-nos ao Salvador, a Fé coloca a verdade na mente e Cristo no coração.
A Fé é a ponte que dá passagem ao mundo espiritual, por isso concluímos que a Fé
é o Meio para a Salvação .
A NATUREZA DA SALVAÇÃO
Vejamos os 3 aspectos da Salvação
1o. Justificação Justificar é um termo judicial que significa absolver, declarar justo. O
réu, ao invés de receber sentença condenatória, ele recebe a sentença de absolvição.
Esta absolvição é dom gratuito de Deus, colocado a nossa disposição pela fé.
Essa doutrina assim se define: "Justificação" é um ato da livre graça de Deus pelo qual
ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos somente
por nos ser imputada a justiça de Cristo, que se recebe pela Fé.
Justificação é mais que perdão dos pecados, é a remoção da condenação.
Deus apaga os pecados, e, em seguida, nos trata como se nunca tivéssemos cometido
um só pecado.
Portanto Justificação é o Ato de Deus tornar justo o pecador
2o. Regeneração Regenerar significa: Restaurar o que esta destruído.
Quando se trata do ser humano, Regeneração é uma mudança radical, operada pelo
Espírito Santo na alma do homem.
Esta Regeneração, atinge, portanto todas as faculdades do homem ou seja: Intelecto,
Volição e a Sensibilidade.
20
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
O homem regenerado não faz tanta questão de satisfazer à sua própria vontade
como de satisfazer à de Deus. Na Regeneração, ele passa a pensar de modo
diferente, sentir de modo diferente e querer de modo diferente: tudo se transforma.
II Cor. 5: 17 Portanto, se alguémestáem Cristo, Nova Criatura é;as coisas velhas já
passaram, tudo se fez novo.
3o. Santificação Santificar é tornarsagrado, separar, consagrar, fazer santo.
A Palavra santo tem muitos significados:
Separação Representa o que está separado de tudo quanto seja terreno e humano.
Dedicação Representa o que está dedicado a Deus, no sentido ser sua
propriedade.
Purificação Algo que separado e dedicado tem de ser purificado, para melhor ser
apresentado.
Consagração No sentido de viver uma vida santa e justa.
Diante do exposto, podemos estabelecer o seguinte:
Santificação é um processo O crente precisa esforçar-se para progredir em
santificação.
II Cor.7: 1 Ora, amados, visto que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a
impureza tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santificação no
temor de Deus.
Os meios divinos de santificação
O Sangue de Cristo I Jo.1: 7 O sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de
todo o pecado.
O Espírito Santo Fil. 1: 6 Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós
começou boa obra a aperfeiçoaráaté o dia de Jesus Cristo.
A Palavra de Deus Jo. 17: 17 Santifica-os na verdade a tua palavra é a verdade.
21
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Introdução à Teologia do Antigo Testamento
1. Conceito e Definição
O conceito de Teologia do Antigo Testamento está enlaçado ao conceito de
“teologia”. Por definição, se entendermos “teologia” como sendo “o estudo de Deus e
de sua revelação ao homem”, conseqüentemente a Teologia do Antigo Testamento
será “o estudo de Deus e de sua revelação ao homem no Antigo Testamento”. Ao
considerarmos que “do” refere-se à “pertencendo a”, o substantivo “teologia” estaria
subordinado ao Antigo Testamento, levando-nos a considerar uma “teologia que
pertence singularmente ao Antigo Testamento”. Entretanto, o título “Antigo
Testamento”, possuiu uma identidade especial, pois se reconhece o “Antigo
Testamento” como uma unidade na Escritura Sagrada na qual os cristãos combinam
e contrastam com o Novo Testamento. Portanto, Teologia do Antigo Testamento “é o
estudo de Deus e de sua revelação ao povo eleito segundo os escritos desse
mesmo povo e que, por conseguinte, se difere da revelação de Deus por meio de
Cristo”.
É sabido, porém, que o Antigo Testamento é um conjunto de 39 livros no cânon
cristão, escritos em épocas distintas por diferentes hagiógrafos. Quanto à literatura,
o Antigo Testamento possui diversificadas características literárias que vão desde a
prosa até ao gênero apocalíptico. Conseqüentemente, uma Teologia do Antigo
Testamento deve contemplar todas essas extensões quer sejam temporais, culturais
ou literárias.
Não somos escusados de frisar de que a Teologia do Antigo Testamento se insere
dentro da divisão da Teologia conhecida como Teologia Bíblica. Esta por sua vez, se
ocupa também da Teologia do Novo Testamento. O propósito da Teologia Bíblica,
segundo Ladd “é de expor a teologia encontrada na Bíblia em seu próprio contexto
histórico, com seus principais termos, categorias e formas de pensamentos”. Isto
posto, uma teologia bíblica do Antigo Testamento deve considerar os graus de
desenvolvimento da revelação divina no Antigo Testamento e ser mais descritiva do
que prescritiva, isto é, descrever o conteúdo teológico do Antigo Testamento e, não
diretamente ocupar-se de sua aplicação, atualização ou acomodação bíblica.
O encadeamento lógico dessas proposições leva-nos a seguinte definição: “Teologia
do Antigo Testamento é a disciplina da Teologia Bíblica que estuda a pessoa,
atributos, revelação de Deus, e sua aliança com o povo eleito considerando a
progressividade da revelação, os escritos e estilos literários do cânon judaico do
Antigo Testamento”.
22
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Embora redundante, urge ressaltar que a Teologia do Antigo Testamento difere-se
do estudo denominado de Introdução ao Antigo Testamento. Enquanto o primeiro se
ocupa da teologia bíblica nos livros veterotestamentário, o segundo trata dos
aspectos pertinentes ao cânon, texto, data, autoria, composição, estrutura e
comentário descritivo de cada livro sem deter-se em sua teologia específica. As duas
disciplinas formam uma díade e são igualmente necessárias para a compreensão
das Escrituras.
2. Definição e Conceito Segundo Alguns Teólogos
O Dr. Asa Routh Crabtree define a Teologia do Antigo Testamento como: A Teologia
do Velho Testamento é o estudo dos atributos de Deus e o propósito das suas
atividades na história e na vida do povo de Israel, de acordo com a doutrina da
revelação divina nos livros sagrados deste povo.
R. K. Harrison, professor de Antigo Testamento do Wycliffe College, define a
disciplina nos seguintes termos: A Teologia do Antigo Testamento esforça-se para
expor, do modo mais ordenado possível, as grandes declarações da verdade divina
que ocorrem nesses escritos. Tais afirmações podem incluir revelação direta ou
proposicional da parte de Deus a respeito da Sua natureza e Seus propósitos,
proclamações feitas por profetas e outros de temas ou aspectos específicos da Torá
e do seu significado para os receptores.
Segundo Paul Francis Porta, a Teologia Bíblica do Antigo Testamento enfatiza a
importância teológica de diversos livros ao revelarem-se no desenrolar gradual da
mensagem redentora. Outros autores que tratam da Teologia do Antigo Testamento
preferem definir Teologia Bíblica em vez de considerar especificamente o título, pois
existem muitas controvérsias a respeito do tema. Ralph L. Smith afirma que a
literatura básica da disciplina nos últimos 50 anos tem demonstrado pouca
concordância quanto à natureza, tarefa e metodologia dessa disciplina. De acordo
com John McKenzie, na obra “A Teologia do Antigo Testamento” a Teologia bíblica é
a única disciplina ou subdisciplina no campo da teologia que carece de princípio,
métodos e estrutura que recebam aceitação geral. Nem mesmo existe uma definição
geral de seu escopo.
23
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Concernente a definição, escopo e metodologia, o teólogo Gerhard von Rad, afirma
que a Teologia do Antigo Testamento ainda é uma ciência jovem, uma das mais
jovens dentre as ciências bíblicas. (...) Predomina a característica de não ter ainda
havido um acordo perfeito quanto ao domínio que lhe é próprio.
Essa falta de consenso entre os teólogos a respeito do assunto têm suscitado
calorosas disputas. Um exemplo vislumbra-se no “Prefácio da Quarta Edição” de von
Rad onde ele justifica o seu método diacrônico e responde ao teólogo W. Eichrodt e
F. Baumgärtel as críticas ao seu método. Conseqüentemente, a delimitação e
definição do tema conduzem a outra controvérsia não menos importante: o método
empregado para se chegar a uma Teologia do Antigo Testamento.
3. Excurso sobre os Métodos de Teologia do Antigo Testamento
De acordo com o teólogo K.H. Harrison uma teologia do Antigo Testamento para ser
formulada com sucesso precisa considerar:
O significado que as palavras e os escritos tinham para aqueles que os receberam
originalmente;
Deve estar firmemente baseada numa tradição tão fiel ao texto original quanto
possível, considerando os problemas de transmissão textual e o fato de algumas
palavras hebraicas ainda terem significados desconhecidos;
Manter o devido equilíbrio entre um método de investigação histórico e objetivo e o
conceito de uma revelação autorizada e definitiva de Deus em forma escrita;
Por fim, o pensamento dos escritores do Antigo Testamento não deve restringir-se
aos interesses que dizem respeito à religião ou à vida dos hebreus antigos.Deve
considerar parte da revelação contínua de Deus que chega ao seu ponto culminante
na proclamação neotestamentária da Sua graça redentora em Cristo.
Segundo o teólogo Kaiser Jr. a teologia do Antigo Testamento é a disciplina mais
exigente dos estudos vétero-testamentários, e que o escopo dessa disciplina tem
desencorajado a maioria dos estudiosos, até mesmo aqueles que estão no fim das
suas carreiras acadêmicas.
24
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
O MÉTODO SEGUNDO KAISER
Uma das primeiras preocupações de Walter Kaiser é discutir se de fato existe a
possibilidade de uma teologia do Antigo Testamento. Para analisar esta questão, o
autor faz uma apresentação das posições adotadas por grandes teólogos do AT
neste século, como Walter Eichrodt, Theology of the Old Testament (Londres: SCM,
1961) e Gerhard von Rad, Teologia do Antigo Testamento, 2 vols. (SP: ASTE, 1986).
Eichrodt fez um ataque violento contra o historicismo. Alegava que a coerência
interior do AT e do NT tinha sido reduzida a um tênue fio de conexão histórica e
seqüencial, causal, entre os dois testamentos, que resultava de uma causalidade
externa.
Já von Rad não somente negava qualquer fundamento histórico genuíno para a
confissão de fé de Israel, como também tinha mudado o objeto do estudo teológico
de uma focalização sobre a palavra de Deus e sua obra para os conceitos religiosos
do povo de Deus. O objeto e enfoque da teologia do Antigo Testamento tinham sido
mudados da história como evento e da palavra como revelação para uma
abordagem tipo história da religião.
Assim, Kaiser vai mostrar que a natureza da teologia do AT não é somente uma
teologia que está em conformidade com a Bíblia inteira, mas é aquela que se
descreve e se contém na Bíblia. Essa teologia expressa uma vinculação real com os
períodos históricos que compreendem a história de Israel, onde cada contexto
antecedente e mais antigo se torna a base para a teologia que vem a seguir. Dessa
maneira, para Kaiser, na teologia do Antigo Testamento a estrutura está colocada
historicamente e seu conteúdo se encontra exegeticamente controlado. Como
conseqüência, a teologia do AT em Kaiser tem um centro e conceitualização
unificadas e traduzidas nas descrições, explanações e conexões do texto sagrado.
Ao procurar identificar as teologias do AT, Kaiser vai trabalhar com quatro
variáveis:
1. A teologia estrutural, que descreve o esboço básico do pensamento e da crença
do AT em unidades tiradas por empréstimo da teologia sistemática, da sociologia, ou
de princípios selecionados, e depois arma seus relacionamentos com conceitos
secundários. Eichrodt e Th. C. Vriezen, An Outline of Old Testament Theology
(Newton, Mass.: Charles T. Branford Co. 1970) pode sem enquadrados na teologia
25
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
estrutural. Para Kaiser, essa teologia não tem autonomia, existindo apenas como
função heurística da teologia sistemática.
2. A teologia diacrônica que expõe a crença dos sucessivos períodos e das
estratificações da história de Israel, colocando a ênfase sobre as tradições
sucessivas da fé e da experiência da comunidade religiosa. Von Rad é seu grande
expoente. Para Kaiser, não estamos diante de uma teologia do AT, mas diante de
uma história da religião de Israel.
3. A teologia lexicográfica, que limita sua investigação a um grupo ou a grupos de
personalidades bíblicas, analisando seu vocabulário teológico especial, como por
exemplo, os sábios, o eloísta, o vocabulário sacerdotal, etc. Gerhard Kittel, editor, G.
W. Bromiley, trad., Theological Dictionary of the New Testament, 10 vols. (Grand
Rapids: Eerdmans, 1964-74); Peter F. Ellis, The Yahwist: the Bible's First Theologian
(Notre Dame: Fides Publishers, 1968).
4. E por fim a teologia de temas bíblicos, que leva sua busca além do vocabulário de
personagens, para abranger uma constelação de palavras que gira ao redor de um
tema chave. Aqui se coloca o próprio Kaiser.
O enquadramento da teologia do AT
Outra questão colocada por Kaiser é a que se refere ao enquadramento da teologia
do AT. Deve-se incluir material alheio ao cânone, como apócrifos, textos da
biblioteca de Qumran ou comentários do Talmude? Para Kaiser a utilização de
material alheio ao texto debilitaria o propósito de discutir a feição integral da teologia
dentro de uma corrente da revelação. Toma como exemplo a pregação de Jesus
que, considera Kaiser, trabalhou apenas com os textos enquadrados no cânone
judaico.
Assim, para Kaiser, a teologia deve ser bíblica e não precisa repetir cada detalhe do
cânone para ser autêntica e exata. O método deve sintetizar os detalhes que
parecem discrepantes, a fim de termos, então, uma única teologia bíblica embalada
sob a etiqueta de dois testamentos.
O que move a teologia do AT?
26
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
O texto pede para ser entendido e colocado num contexto de eventos e significados.
Os estudos históricos colocam o exegeta em contato com os fluxos de eventos no
tempo e no espaço. As análises gramaticais e sintáticas identificam a coleção de
idéias no período histórico sob investigação. Assim, as raízes históricas da
mensagem em seu desenvolvimento e o julgamento das avaliações normativas do
texto traduzem o propósito e o papel da teologia bíblica.
A motivação maior é entender o texto enquanto texto colocado num contexto de
significados. É assim, considera Kaiser, que a teologia bíblica sua grande
contribuição, especial e peculiar.
E o centro canônico, existe ou não?
Kaiser levanta algumas perguntas: existe uma chave para uma organização
metódica e progressiva de assuntos, temas e ensinos do Antigo Testamento? Os
escritores do AT tinham consciência dessa organização quando acrescentavam algo
a essa corrente histórica da revelação?
E conclui que as respostas a seus questionamentos definirão o destino e a direção
da teologia do AT. Caso seja impossível responder positivamente as duas
perguntas, então, somos obrigados a falar de diferentes teologias do AT, no sentido
de variedade ou de linhas de continuidade que acontecem dentro de tendências de
diversidade. Mas para Kaiser isso não acontece: os escritores bíblicos reivindicam a
posse da intencionalidade divina na sua seletividade e interpretação daquilo que foi
registrado e nós não podemos negar essa realidade.
Por isso Kaiser defende a realidade do centro canônico. Considera, porém, que a
maioria dos teólogos erra ao definir um centro apriorístico, externo, e tentar
enquadrar o conteúdo do AT nele. A metodologia deve partir de uma exegese
cuidadosa, evitando todo e qualquer encaixe precipitado.
Até a década de 70, a maioria dos teólogos considerava que a história era o veículo
da revelação divina no AT. Aquilo que se conhecia de Deus era conhecido através
da história. Outros, no entanto, argumentavam que a revelação verbal tinha tanto
direito quanto a história de ocupar o centro do palco teológico. A fé de Israel, assim
como a teologia bíblica, tinha de Ter como seu objeto não os atos de Deus na
história, mas aquilo que o povo confessava, não importa a veracidade primeira dos
acontecimentos. A essa afirmação, um teólogo católico, Roland de Vaux, História
antiga de Israel, 2 vols. (Madri, Cristiandad, 1975) - id., Instituciones del Antiguo
27
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Testamento (Barcelona, Herder, 1976) argumenta: "A interpretação da história dada
é verdadeira e tem origem em Deus ou não édigna da fé de Israel e da nossa".
O mais importante, para Kaiser, é a conexão entre a reivindicação divina - o ter
anunciado muito antes de ter acontecido o curso dos eventos - e o fato de que isso
estava de acordo com seu plano e propósito. E os escritores bíblicos tinham a
palavra divina e o juramento divino de promessa.
Esse é o centro canônico que Kaiser vai devolver em sua obra, depois de uma
ampla e bem defendida exposição metodológica. Trabalhando a partir dessa
metodologia, Kaiser constrói sua teologia bíblica, organizando o cânone a partir das
promessas de Deus ou daquelas passagens onde considera que Deus acrescentou
seu compromisso ou juramento.
A DIVISÃO EM PERÍODOS DA HISTÓRIA CANÔNICA DA SALVAÇÃO
ATRAVÉS DA TEOLOGIA DA ALIANÇA
Gerhard Von Had expõe que as diversas fontes têm diversas maneiras de interpretar
a aliança (p.138-139), no entanto, todas concordam que a aliança está intimamente
ligada à lei, isto é, o homem faz parte dela no cumprimento e na obediência da lei
(esta lei não é necessariamente a lei do Sinai, e sim uma lei dada por Deus em suas
alianças com o homem [Noé, Abraão], e visava à obediência deste). Neste capítulo,
Von Had trata da divisão da história em períodos de salvação, ou aliança no
exateuco.
Os pontos positivos são as explicações do autor quanto à forma e a maneira que na
Antigüidade uma aliança era feita.
Os pontos negativos consistem na linguagem um tanto difícil do autor que não
clareia suas idéias.
I. A HISTÓRIA DAS ORIGENS
Por causa dos relatos da criação não serem de documentos antigos, pode-se “dizer
que, antes dos séculos VII e VI, Javé nunca foi venerado como Criador”. Parece que
o Israel antigo não continha nada a respeito dessa teologia até que ela encontrou um
paralelo com a história da salvação. Para que a história da salvação pudesse existir,
a história da criação não poderia basear-se em mitos cananeus, e sim em uma
realidade histórica. Baseados em sua própria história, definiram a noção da criação,
pois “Javé criou o mundo e criou também Israel”. O alcance da concepção da
28
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
criação com isso teve grande êxito. A criação é tida como ação histórica de Javé e é
inserida no tempo e no espaço.
Os hinos prestam grande auxílio teológico pois são declarações do A.T. sobre a
criação do mundo e do homem. Entretanto, sobre a Criação detalhada, existem
apenas duas fontes que fazem declarações específicas e de caráter histórico sobre
a Criação: código sacerdotal (Gn 1.1-2) e narrativa javista (Gn 2.4b-25). Em muitos
aspectos essas narrativas são diferentes, entretanto, ambas afirmam o homem
(homem-mulher) como o ponto máximo da criação. As diferenças consistem no fato
de que P se preocupa com o mundo e com o homem no mundo enquanto que J se
preocupa mais com o homem, seu anseio e seu relacionamento.
Não há no AT uma profunda reflexão teológica sobre o pecado. Existem sempre os
chamados pecados ocasionais. Entretanto, Von Had analisa as velhas narrativas do
pecado sob os ângulos teológicos, antropológicos e o que parte da história da
cultura.
A história das nações parte da era pós-dilúvio, com os descendentes dos 3 filhos de
Noé. Se por um lado esse fator contribuía para união dos povos, o evento “Babel”
traz uma imagem totalmente negativa de separação. Depois de Babel, o abismo
entre Deus e os homens aumenta ainda mais com a dispersão e a confusão de
línguas. Podemos ver que depois da queda do homem no jardim, segue-se uma
evolução de pecados e juízos, no entanto o homem sempre é preservado,
denotando assim a graça de Deus.
Pontos positivos: A forma como Israel lê a criação resulta numa união com o ato de
salvação. A questão das origens também se torna relevante, visto que para o Israel,
a criação se tornou história.
Pontos negativos: As diversas fontes por vezes confundem-se com a linguagem do
autor. Também a questão do pecado ficou um tanto sem base.
29
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
II. A HISTÓRIA PATRIARCAL
“O Deus que atua em todas as circunstâncias da história patriarcal é Javé”. No
entanto, o nome de Javé ainda era desconhecido nesta época. Javé se fez
conhecido pelo nome a partir de Moisés. Depois disso Israel se apropria dos fatos
passados e reconhece neles a mão de seu Deus Javé. Também se apropria das
promessas, conforme J e E, que contém um duplo conteúdo: a garantia da posse da
terra prometida e a promessa de uma posteridade inumerável. A primeira promessa
era esperada a curto prazo; no Sinai foi garantido a posse definitiva da terra de
Canaã, que era bênção exclusiva do povo de Israel, pois por detrás da história e das
promessas aos patriarcas, Javé foi trazendo vida ao povo. A fé dos patriarcas
demonstrada nas narrativas tinha um significado interessante para o povo. Fé era
“firmar-se em Javé”. Com isso Deus se revelava ao seu povo, não escatológico, mas
contemporâneo.
Pontos positivos: O povo era guiado por uma fé simples, baseada nas promessas
feitas aos patriarcas. Essa questão da fé era muito interessante, principalmente seu
significado.
III. A SAÍDA DO EGITO
O fato de Javé conduzir seu povo para fora do Egito se torna uma verdadeira
confissão de fé para a história desse povo. Israel viu nessa saída a garantia para
seu futuro como povo. Nos períodos de tribulação reportava-se a esses
acontecimentos para amenizarem as dificuldades na sua crença. A libertação do
Egito e os milagres que se seguiram são uma verdadeira amostra da glória de Javé.
Essa confissão desses fatos “adquiriu uma dimensão toda especial ao fundir-se com
o mito da criação”. Entretanto, o povo ainda não tinha uma noção mais apurada de
“eleição”. Isto só acontece no Deuteronômio.
Como já mencionamos, Javé só se deu a conhecer na época de Moisés. Neste
contexto, claramente se vê que Javé tem uma comunicação a fazer, não a respeito
de si mesmo, mas de seu propósito para com Israel. A revelação do nome Javé
também traz junto um pouco de sua personalidade (Deus compassivo, clemente,
longânime, misericordioso, fiel, “Êx 34.6” e ainda: Zeloso “Êx 34.14”). “Portanto,
houve uma época em que o nome de Javé podia ser interpretado num sentido ou
noutro”.
30
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Antigamente também o nome tinha uma íntima ligação com o seu portador. Era
crença determinante a relação do portador com seu nome e seus deuses. Quanto ao
nome Javé, este deveria ser respeitado e santificado. Não poderia usar-se esse
nome abusivamente. Somente em ritos cultuais fazia-se menção dele. Isso implicava
em reconhecer o caráter único e exclusivo do culto de. O nome de Javé não aceita
sincretismo religioso. Quando isso acontece, ele é profanado.
Pontos positivos: A questão do nome de Javé é tratada esplendidamente por Von
Had nesse. O fato do ocultamento desse nome e da proibição de seu uso, o
preservou de muitas interpretações errôneas.
IV. A REVELAÇÃO DE DEUS NO SINAI
Von Had trata das revelações de Deus dadas no monte Sinai. Para tanto, trabalha
com os significados dos mandamentos, rompendo com o decálogo. Essa tradição
sinaítica do decálogo pode ser localizada nas tradições de Cades. Por isso, o que
Von Had defende é que o decálogo chegou até nos com uma série de modificações
que se adaptaram e aprimoraram-se visando a compreensão da vontade de Javé
por Israel.
Em alguns manuscritos mais antigos, o primeiro mandamento e a questão de
imagens, não ocorria. “A antiga escola crítica considerava dispensável falar a seu
respeito, pois estava persuadidade que o culto de Javé, pelo menos nos tempos
antigos, utilizava imagens”. Von Had se prende bastante nesse capítulo na pesquisa
histórica.
Após esse capítulo, Von Had trata do Deuteronômio: que, para ele “não é a
interpretação da vontade de Javé senão para uma época precisa e, do ponto de
vista histórico, bastante tardia”. A partir disso segue tratando das suas exortações,
bem como suas leis.
A doença no exateuco era vista como castigo divino pela desobediência. Isto levava
o povo a crer que somente em Deus estava a cura das doenças; Ele era o médico.
Pontos positivos: O decálogo para Von Had é um conjunto de leis que valoriza a
vida. Quando olhamos para o povo de Israel, parece que esta não era a
interpretação correta, até que Jesus fez nessas leis seus midraxes.
31
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
V. A TRAVESSIA DO DESERTO
Este relato é pertencente a várias tradições. O objetivo destas é demonstrar a
presença atuante de Javé no meio de seu povo, sendo por livramento ou provações.
Este narrativa se divide em duas partes: o êxodo do povo e o anjo de Javé.
VI. PONTOS DE VISTA SOBRE MOISÉS E SEU OFÍCIO
Também Von Had coloca os diversos pontos de vista o que as tradições Javista,
Eloísta e o Código sacerdotal tinham sobre Moisés e seu ofício.
Para os Javistas, Moisés está em segundo plano. É apenas um homem inspirado a
serviço de Javé.
Para os Eloístas, isso já muda de figura. Moisés está envolvido em todos os fatos
marcantes. Moisés é instrumento vital para a libertação do povo.
Para o Código sacerdotal, Moisés é visto como aquele que pode falar com Deus. Ele
é o único apto para isso.
VII. A DÁDIVA DA TERRA DE CANAÃ
São relatos diferenciados que, entretanto, demonstram que Deus, apesar de tudo o
que aconteceu ao seu povo, não faltou com nenhuma de suas promessas.
Os Períodos Históricos da Teologia do Velho Testamento
Assim como os apóstolos do NT com suas epístolas, eram, de muitas maneiras, os
intérpretes dos Atos e dos Evangelhos, assim também a teologia do AT poderia
semelhantemente começar com os profetas por um motivo bem semelhante. No
entanto, mesmo para o fenômeno da profecia bíblica, havia a realidade sempre
presente da história de Israel. Toda a atividade salvífica de Deus em tempos
anteriores tinha que ser reconhecida e confessada antes de alguém poder ver mais
firme a revelação adicional de Deus. Devemos, portanto, começar onde começou: na
história — história verdadeira e real.
A Era Pré-patriarcal
Sem dúvida, Abraão ocupou um lugar de destaque no auge da revelação. O texto
avança da extensão desde a criação e descreve a tríplice tragédia do homem como
resultado da queda, do Dilúvio e da fundação de Babel para a universalidade da
nova provisão da salvação da parte de Deus para todos os homens, através da
descendência de Abraão.
32
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A palavra principal é "Benção" repetida da parte Deus — que existia apenas no
estado embrionário. No inicio, trata-se da "Bênção" da ordem criada. Depois, é a
"Bênção" da família e da Nação, em Adão e Noé. O auge veio na quíntupla "Bênção"
para Abraão em Gênesis 12:1-3, que incluía bênçãos materiais e espirituais.
A Era Patriarcal
Esta era foi tão significativa que Deus Se anunciava como "Deus dos patriarcas", ou
"Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó". Além disto, os patriarcas eram considerados
"profetas" (Gn 20:7; SI 105:15). Aparentemente era porque pessoalmente recebiam
a palavra de Deus. Freqüentemente, a palavra do Senhor "veio" a eles de modo
direto (Gn 12:1; 13:14; 21:12; 22:1) ou o Senhor "apareceu" a eles numa visão (12:7;
15:1; 17:1; 18:1) ou na personagem do Anjo do Senhor (22:11,15).
Os períodos de vida de Abraão, Isaque e Jacó formam outro tempo distintivo no
fluxo da história. Estes três privilegiados da revelação viram, experimentaram e
ouviram tanto, ou mais, durante o conjunto de dois séculos representado pelas vidas
combinadas deles, do que todos aqueles que viveram durante os milênios
anteriores! Como conseqüência, podemos, com toda a segurança, delinear Gênesis
12-50 como nosso segundo período histórico no desdobrar da teologia do AT,
exatamente como foi feito por gerações posteriores que tinham o registro escrito das
Escrituras.
A Era Mosaica
Israel foi então chamado "reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:6). Deus,
com todo o amor, delineava os meios morais, cerimoniais e civis de se cumprir tão
alta vocação. Viria no ato primário do Êxodo, com a graciosa libertação de Israel do
Egito, operada por Deus, a subseqüente obediência de Israel, em fé, aos Dez
mandamentos, a teologia do tabernáculo e dos sacrifícios, e semelhantes detalhes
do código da aliança (Êxodo 21-23) para o governo civil.
Toda a discussão quanto a ser um novo povo de Deus se derivava de Êxodo 1-40;
Levítico 1-27; e Números 1-36. Durante esta era inteira, o profeta de Deus foi Moisés
— um profeta sem igual entre os homens ( Números 1-36 ). De fato, Moisés foi o
padrão para aquele grande Profeta que estava para vir, o Messias. ( Deuteronômio
16:15-18 )
33
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A Era Pré-Monárquica
Uma das partes da promessa de Deus que recebeu uma descrição detalhada foi a
conquista da terra de Canaã.
Esta história se estende ao longo do período dos juizes para incluir a teologia das
narrativas da arca da aliança em 1 Samuel 4-7 os tempos se tornaram tão
distorcidos e tudo parecia estar em tantas mudanças subseqüentes devido ao
declínio moral do homem e à falta da revelação da parte de Deus. De fato, a palavra
de Deus se tornara "rara" naqueles dias em que Deus falou a Samuel (1 Samuel
3:1). Conseqüentemente, as linhas de demarcação não se escrevem tão
nitidamente, embora os temas centrais da teologia e os eventos-chave sejam bem
registrados historicamente.
A história de Josué, Juízes e até Samuel e Reis, são momentos significantes na
história da revelação deste período, são usualmente reconhecidos pela maioria dos
teólogos bíblicos de hoje.
O melhor que se pode dizer do período pré-monárquico é que era um tempo de
transição. O surgimento de exigência de um rei para reinar sobre uma nação que se
cansou da sua experiência em teocracia conforme era praticada por uma nação
rebelde.
Depois da Lei até Davi não há avanço teológico. Neste período, deus é revelado
como Santo, como Espírito Santo, como Eterno. A vida de Cristo é mais
precisamente predita, nos sacrifícios, e ofertas e no propiciatório.
A Era Monárquica
O pedido do povo no sentido de lhe ser dado um rei, quando Samuel era juiz (1 Sm
8-10). e até o reinado de Saul nos preparam negativamente para o grandioso
reinado de Davi (1 Sm 11 —2 Sm 24:1 Reis l-2.)
A história e a teologia se combinavam para enfatizar os temas de uma dinastia real
continuada, e um reino perpétuo com um domínio e alcance que se tornaria
universal na sua extensão e influência. Mesmo assim, cada um destes motivos
34
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
régios foi cuidadosamente vinculado com idéias e palavras de tempos anteriores:
uma "descendência"" um "nome" que "habitava" num lugar de "descanso", uma
"bênção" para toda a humanidade, e um "rei" que agora reinava sobre um reino que
duraria para sempre.
Este período é caracterizado historicamente pela prática desenfreada do pecado e
declínio de Israel.
Os quarenta anos de Salomão foram marcados pela edificação do templo e por outro
derramamentode revelação divina. A Sabedoria. Assim, a lei mosaica pressupunha
a promessa patriarcal e edificava sobre ela, assim também a sabedoria salomônica
pressupunha a promessa abraâmico-davídica como a lei mosaica. O conceito-chave
era "o temor do Senhor" — uma idéia que já começou na era patriarcal (Gn 22:12;
42:18; Já 1:1, 8-9; 2-2).
Agora que a "casa" de Davi e o templo de Salomão tinham sido estabelecidos,
sendo assim, os profetas poderiam agora focalizar sua atenção sobre o plano e reino
de Deus no seu alcance mundial. Infelizmente, porém, o pecado de Israel também
exigiu boa parte da atenção dos profetas.
Com essas revelações o mundo deveria esperar até que chegasse a " Plenitude dos
Tempos " , Gálatas 4:4; Pedro 1:10-12.
Divisões da teologia do Velho Testamento
As divisões naturais incluem as grandes doutrinas a serem discutidas:
A Doutrina da Criação
A Doutrina de Deus
A Doutrina do Homem e do Pecado
A Doutrina da Salvação.
A Doutrina da Criação
A Constatação de um princípio claramente definido, tanto nas referência
cosmológicas quanto bíblicas, podem desencadear novas e fascinantes descobertas
que confirmem ainda mais, as sábias palavras das Escrituras.
35
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Podemos dizer que a " Ciência e a religião são como duas janelas na mesma casa,
através de ambas contemplamos as obras do Criador.
Teorias Referentes à Criação
Teoria da Grande Explosão ("BIG BANG"). A partir do estudo de Einstein. sobre a
Teoria da Relatividade, outros cientistas acreditam que o Universo era uma bola
imensa de hidrogênio que se expandiria indefinidamente e alcançaria distâncias
quase infinitas. Eles imaginam que, em algum tempo indecifrável. houve uma grande
explosão desta imensa bola de hidrogênio. Daí, surgiram os mundos, as galáxias.
Na tentativa de definir as origens do Universo, procuram determinar a sua idade,
sugerindo a cifra de 12 bilhões de anos. De fato, esta teoria acredita na eternidade
da matéria, mas a Bíblia a refuta, quando declara que tudo em algum tempo
começou a existir, "No princípio, criou Deus os céus e a terra.
A teoria do Panteísmo . O Panteísmo declara que Deus e a Natureza são a mesma
coisa e estão inseparavelmente ligados. A idéia básica desta teoria é que o Senhor
não cria nada, mas tudo emana e faz parte dEle. Entretanto, a revelação bíblica não
aceita, de modo algum, este ensinamento, pois o Criador não é parte do Universo, e,
sim, este foi criado por Ele. (SI 6)
A Teoria Evolucionista. Criada por Charles Darwin, ensina que a matéria é eterna,
preexistente. A partir daí, mediante processos naturais e por transformação gradual,
os seres passaram a existir. Entretanto, a Bíblia declara que Deus criou todas as
coisas, isto é, tudo teve um começo. As provas diretas da criação, além da Ciência,
estão expostas na Bíblia Gn 1.1.
Teoria da Criação, a partir do nada ( Catastrófica ). Esta é talvez, a mais
difundida, ensinada e pregada no meio evangélico. Declara que Deus criou tudo "do
nada", mediante o poder de sua palavra. Utiliza-se como base, para a afirmação
desta idéia, o texto de Hebreus 11.3, o qual diz que "os mundos foram criados pela
palavra de Deus, de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente’.
Ora, entendemos que aquilo qual não é aparente, não quer dizer "do nada", mas
pode referir-se à coisas imateriais.
36
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A Doutrina de Deus
Atributos da Personalidade de Deus
1º Aspecto de sua personalidade INTELECTO
Isaías 11: 2 Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de
INTELIGÊNCIA, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e
de temor do Senhor.
- Escolhe Atos 20: 28 - Ensina João 14: 26
- Instrui Atos10:19–20 - Fala Apoc. 2: 7
2º Aspecto de sua personalidade VOLIÇÃO
I Cor. 12: 11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo
particularmente a cada um como quer.
- Testifica João 15: 26 - Envia Atos 13: 2, 4
- Impede Atos 16 ; 6-7 - Intercede Rom. 8: 26
- Revela II Pe. 1: 21
3º Aspecto de sua personalidade SENSIBILIDADE
Rom. 15: 30 Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do
Espírito, que combateis comigo nas vossas orações por mim a Deus.
- Ama II Tim. 1: 7 - Entristece Ef. 4: 30
37
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Os Atributos
Vida: Deus tem vida em si mesmo; Apocalipse 7:17 Porque o Cordeiro que está no
meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da
vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima.
Deus é vida ( Jo.5:26; 14:26 ) e o princípio de vida ( At.17:25,28 ).
Sábio: Capacidade de agir, julgar corretamente e prudentemente. Tiago 3:17 Mas a
sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada,
tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. (
Jó 9:14 ; João 11:8-9 )
H.B. Smith define a sabedoria de Deus como o Seu atributo através do qual Ele
produz os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis.
Outros Atributos
- Tem Propósito Efésios 3:11
- Tem Emoções Salmos 103:13
- É Livre Efésios 1:11
- É Ativo João 5:17
Atributos de Sua Grandeza
Auto-Existência: Deus existe por Si mesmo. Ele nunca teve início, portanto Deus é
absolutamente independente de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e
perpetuidade de Seu Ser. Deus é a razão de sua própria existência ( João 5: 26;
Salmo 36: 9 ).
Eterno: A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade. Deus
é Eterno (Salmos 90: 2; Deuteronômio 33: 27 ). A eternidade de Deus significa que
Deus transcende a todas as limitações de tempo ( II Pedro 3: 8 ) Ele é o Eterno EU
SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de toda a sucessão de
38
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
momentos, e tem a totalidade de sua existência num único presente indivisível
(Is.57:15).
Imutabilidade: É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em
Deus. A base de Sua imutabilidade sua perfeição porque toda mudança tem que ser
para melhor ou pior e sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais
sábio, mais santo, mais justo, mais misericordioso, e nem menos. ( Deuteronômio
32: 4; Tiago 1: 17 ). O próprio Deus jamais mudará de opinião, mas fará conforme
seu plano predeterminado (Isaías 46:9,10).
Onipresença: Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo ou tudo está em sua
presença
o O Panteísmo ensina que tudo é Deus
o Os Materialistas ensina que Deus está distribuído em todo o espaço
Imensidão: A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada
imensidade. Deus é imenso (Isaías 66: 1; Jeremias 23: 24 ).
Onisciência: Atributo pelo qual Deus, única, conhece-se a Si próprio e a todas as
coisas possíveis e reais. Seu conhecimento não é progressivo ou fragmentado e
Nem precisa de observar ou de raciocinar para adquirir conhecimento ( Jó 37: 16;
Isaías .40:28 ).
Presciência: Significa conhecimento prévio do futuro. Não é dedução ou
previsão ( Mateus 6:8 ).
Onividência: Significa que tudo está ao alcance de Sua visão, isto é, das
coisas que existiram no passado, que existem no presente e existirão no
futuro.
Onipotência: É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para
fazer qualquer coisa que Ele queira, não significa o exercício para fazer aquilo que é
incoerente com anatureza (Romanos 7: 15). Entretanto há muitas coisas que Deus
39
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
não pode realizar. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar-se a Si mesmo
(Números 23: 19; Hebreus 6: 18; Tiago 1: 13).
Outros Atributos
- Perfeito Salmo 18:30
- Infinito I Reis 8:27
- Soberano Neemias 9:6
- Incompreensível Jó 37:5
A Doutrina do Homem e do Pecado
Têm surgido as mais variadas teorias acerca da origem do homem. De um modo
geral, elas não conseguem anular a ligação do ser humano com a Terra. Entretanto,
a única fonte realmente autorizada, acerca da origem da humanidade, é a Bíblia
Sagrada. Os dois primeiros capítulos de Gênesis nos oferecem, de modo plausível e
coerente, a verdadeira história das origens, inclusive a do homem.
A CRIACAO DO HOMEM
Gênesis 1: 26-27 A Bíblia nos informa sobre a criação do homem; uma forma
simples que podemos perder a grandeza desse ato.
Gênesis 2: 7. A Bíblia detalha o que se passou em Gênesis l: 26. A Bíblia utiliza
muito essa forma acerca dos grandes acontecimentos, ou seja, informa primeiro de
forma geral e depois descreve melhor, em mais detalhes, esse mesmo fato.
Espírito - Alma - Corpo
O homem é diferente e superior a todas as criaturas que Deus criou, Podemos
afirmar isso, porque de nenhuma outra criatura a Bíblia informa que foi criada à
imagem e semelhança de Deus. A Bíblia nos mostra que os anjos forma criados
espíritos; foram feitos espíritos por criação, por composição. Deus fez os anjos
espíritos. Hebreus 1: e 14; Salmo 104:4
40
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Corpo
"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra": a que parte se refere? o corpo.
Deus pegou do pó da terra e formou um corpo: mas esse corpo não era um homem,
era um boneco de terra.
Espírito
Mas o versículo continua: "e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida". Se Deus não
tivesse soprado, aquele boneco de terra estaria lá até hoje. Deus pegou aquele
boneco e soprou algo de dentro Dele. Quando Deus soprou, aquele boneco recebeu
vida, uma vida que saiu de dentro de Deus.
A palavra fôlego no hebraico, é a mesma palavra usada para espírito.
Alma
Vemos no final de Gênesis 2: 7; "e o homem se tomou alma vivente" Quando o
Espírito de Deus tocou aquele boneco de terra, foi manifesta a vida no homem. O
que manifesta a vida no homem, é a nossa alma, a nossa personalidade. Deus
soprou nas narinas o Espírito que iria trazer vida na alma e no corpo. A vida no
espírito vem direta de Deus.
Com o espírito conheço a Deus, com a minha alma conheço meu intelecto, as
emoções, as vontades, e com o corpo conheço o mundo físico, material.
Estudaremos em mais detalhes durante a matéria Teologia Sistemática do homem.
AS FACULDADES DISTINTAS DO HOMEM
As Faculdades do Corpo: São Cinco as faculdades, as quais se manifestam
através do corpo: visão, audição, olfato, paladar e tato. Ainda que sejam distintas
umas das outras, elas não atuam independentes do comando da alma. São
denominadas de instintos naturais ou sentidos corporais, os quais recebem
impressões do mundo exterior, transmitidas ao cérebro, através do sistema nervoso.
E dai que partem as ordens para todas as partes do corpo. Os sentidos físicos
41
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
obedecem às leis naturais que estão impressas no ser humano. São elas que regem
as atividades do corpo.
As Faculdades da Alma: São três as faculdades principais ou qualidades da alma,
pelas quais ela se manifesta: intelecto, sentimento e vontade.
O INTELECTO é à parte da alma que pensa, raciocina, decide, julga e conhece.
O SENTIMENTO faz o homem um ser emotivo. Ele não é uma máquina insensível,
pois pode sentir todas as grandes emoções, como alegria, gozo, paz, prazer,
tristeza, descontentamento, pesar e dor.
A VONTADE se expressa como resultante das influências do intelecto e dos
sentimentos. Ela não age sozinha. Não há vontade livre ou independente. Ela
obedece às forças emotivas e intelectuais da alma.
As Faculdades do Espírito: Duas faculdades principais se destacam com
abrangência sobre outras qualidades importantes, as quais são: Fé e Consciência.
Elas identificam o ser religioso do homem. Podemos chamar de natureza espiritual,
da qual o ser humano é dotado especialmente para uma perfeita comunhão com
Deus.
TENTAÇÃO E QUEDA DO HOMEM
A Terminologia do Pecado
As palavras empregadas no V.T. para descreverem o pecado são tão notáveis
como o registro de sua historia.
1. (Chata) Pecar, errar o alvo.
2. (Pasha) Transgredir. Significa primariamente ir além, rebelar-se, transgredir.
3. (Rasha) Ser ímpio basicamente significa ser solto ou mal ligado; ser ruidoso ou
maldoso.
4. (Ra ‘a’) Ser mau. Com o significado de quebrar, danificar por ‘meios violentos, A
palavra veio a significar aquilo que causa dano, dor ou tristeza e dai, o mal moral.
42
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
5. (Avah’) Ser perverso. O termo significa entortar ou torcer, daí perverter ou ser
perverso. Perverter a lei de Deus ou andar pelo tortuoso em oposição ao,
caminho reto de Deus.
A PROPENSÃO PARA O PECADO
Propenso, mas não destinado. Como ser racional, o homem, em seu primeiro estado
de inocência desconhecia o pecado. A possibilidade para o pecado surgiu com a
tentação. De fato, ele não havia ainda desenvolvido o seu caráter moral. Esta
propensão para a transgressão não significa que o homem, inevitavelmente,
estivesse destinado a pecar. Esta tendência baseava-se unicamente em seu Livre-
arbítrio. Ele poderia, conscientemente, manter-se fiel aos limites do conhecimento
que o Criador lhe deu, ou, então, rebelar-se contra esta lei, e partir para o outro lado.
A QUEDA DO HOMEM, ATRAVES DO PECADO
A queda de Adão e Eva é apresentada, literalmente, na Bíblia, de modo explícito.
Não foi um relato teórico ou figurativo, mas histórico. Por isso, entendemos que o
pecado de nossos primeiros pais foi um ato involuntário de sua própria vontade e
determinação. E claro que a tentação veio de fora, da parte de Satanás, que os
instigou a desobedecer à ordem de Deus. Concluímos, pois, que a essência do
primeiro pecado está na desobediência do homem à vontade divina e na realização
de sua própria vontade. O seu pecado foi uma transgressão deliberada ao limite que
Deus lhe havia colocado.
AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA
O Pecado afetou a vida física e psíquica do homem. Paulo escreveu aos Romanos:
"Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte" (Rm 5.12). A
morte física se tornou, então, a conseqüência natural da desobediência de Adão, e a
espiritual se constituiu na eterna separação de Deus. O Criador foi enfático no
Jardim: "Porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2.17).
O pecado afetou a vida espiritual do homem. "O salário do pecado é a morte" (Rm
6.23). Adão não morreu no mesmo dia em que pecou, mas perdeu, a possibilidade
43
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
de viver e também perdeu a imagem de Deus em sua vida. Isto implicou, no
rompimento da comunhão com o Criador, e causou-lhe a "morte espiritual", no
momento exato que pecou.
A Doutrina da Salvação
OS 2 PASSOS PARA A SALVAÇÃO
Mat. 4: 17 Daí por diante passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei - vos, porque
é chegado o reino dos céus.
Mat. 18: 3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdese não vos
tornardes como crianças de modo algum entrareis no reino dos céus.
Cristo chegara ao mundo, vindo do seio do Pai. Podia descrever as glórias do céu
para comover os homens. Mas a sua mensagem era a mesma: Arrependimento e
Conversão.
Arrependimento O verdadeiro arrependimento envolve a pessoa toda, todo o seu
ser, toda a sua personalidade. Arrependimento não é apenas mudança de
pensamento.
João 3:3 ...Em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o
reino de Deus.
Nascer do novo significa "um novo ser uma nova pessoa ou seja uma nova
personalidade".
Estudaremos o arrependimento em cada um dos poderes da personalidade:
Intelecto, Sensibilidade, Volição.
Conversão Conversão é uma palavra usada para exprimir o ato do pecador,
abandonando o pecado, para seguir a Jesus.
44
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A conversão pode e deve repetir-se todas as vezes em que o homem pecar e
afastar-se de Deus, porque ela consiste no ato de abandonar o pecado e aproximar-
se de Deus.
Emprega-se, geralmente, a palavra conversão para significar aquela primeira
experiência do homem, abandonando o pecado paras seguir a Cristo.
OS 3 ELEMENTOS BÁSICOS PARA A SALVAÇÃO
Rom. 3: 24 - 25 E são justificados gratuitamente pela sua Graça, pela redenção que
há em Cristo Jesus. Deus o propôs para propiciação pela Fé no seu Sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos sob a
tolerância de Deus.
Os elementos básicos estabelecidos para salvação conf. escrito pelo Apóstolo Paulo
aos Romanos são:
1o. A Graça Tito 2: 11 Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a
todos os homens.
Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de Deus.
(Favor não merecido )
A graça de Deus aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação
de Cristo, pagou toda a pena do pecado. Por conseguinte, ele pode justamente
perdoar o pecado sem levar em conta os merecimentos ou não merecimentos.
A graça manifesta-se independente das obras dos homens.
A graça é conhecida como Fonte da Salvação.
2o. O Sangue I Jo. 1: 7 O sangue de Jesus Cristo , seu Filho, nos purifica de todo
pecado.
Em virtude do sacrifício de Cristo no calvário, o crente é separado para Deus, seus
pecados perdoados e sua alma purificada. Sangue é conhecido como a Base da
Salvação.
45
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
3o. A Fé Ef. 2: 8 - 9 Pois é pela graça que sois salvos, por meio da
Fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém
se glorie.
Pela fé reconhece o homem a necessidade de salvação, e pela mesma fé é ele
levado a crer em Cristo Jesus.
Heb. 11: 6 Ora, sem Fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que
aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o
buscam.
A Fé conduz-nos ao Salvador, a Fé coloca a verdade na mente e Cristo no coração.
A Fé é a ponte que dá passagem ao mundo espiritual, por isso concluímos que a Fé
é o Meio para a Salvação.
A NATUREZA DA SALVAÇÃO
Vejamos os 3 aspectos da Salvação
1o. Justificação Justificar é um termo judicial que significa absolver, declarar justo. O
réu, ao invés de receber sentença condenatória, ele recebe a sentença de
absolvição.
Esta absolvição é dom gratuito de Deus, colocado a nossa disposição pela fé.
Essa doutrina assim se define: "Justificação" é um ato da livre graça de Deus pelo
qual ele perdoa todos os nossos e nos aceita como justos aos seus olhos somente
por nos ser imputada a justiça de Cristo, que se recebe pela Fé.
Justificação é mais que perdão dos pecados, é a remoção da condenação.
Deus apaga os pecados, e, em seguida, nos trata como se nunca tivéssemos
cometido um só pecado.
Portanto Justificação é o Ato de Deus tornar justo o pecador
46
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
2o. Regeneração Regenerar significa: Restaurar o que esta destruído.
Quando se trata do ser humano, Regeneração é uma mudança radical, operada pelo
Espírito Santo na alma do homem.
Esta Regeneração, atinge, portanto todas as faculdades do homem ou seja:
Intelecto, Volição e a Sensibilidade.
O homem regenerado não faz tanta questão de satisfazer à sua própria vontade
como de satisfazer à de Deus. Na Regeneração, ele passa a pensar de modo
diferente, sentir de modo diferente e querer de modo diferente: tudo se transforma.
II Cor. 5: 17 Portanto, se alguém está em Cristo, Nova Criatura é; as coisas velhas já
passaram, tudo se fez novo.
3o. Santificação Santificar é tornar sagrado, separar, consagrar,
fazer santo. A Palavra santo tem muitos significados:
Separação Representa o que está separado de tudo quanto seja terreno e humano.
Dedicação Representa o que está dedicado a Deus, no sentido ser sua
propriedade.
Purificação Algo que separado e dedicado tem de ser purificado, para melhor
ser apresentado.
Consagração No sentido de viver uma vida santa e justa. Diante do exposto,
podemos estabelecer o seguinte:
Santificação é um processo O crente precisa esforçar-se para progredir em
santificação.
47
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
II Cor.7: 1 Ora, amados, visto que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a
impureza tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santificação no
temor de Deus.
Os meios divinos de santificação
O Sangue de Cristo I Jo.1: 7 O sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo o
pecado.
O Espírito Santo Fil. 1: 6 Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou
boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo.
A Palavra de Deus Jo. 17: 17 Santifica-os na verdade a tua palavra é a verdade.
HISTÓRIA DAS FORMAS - GÊNEROS LITERÁRIOS
1. HISTÓRIA DAS FORMAS ("FORMGESCHICHTE")
É o padrão da exegese moderna. Em geral todo método exegético moderno aborda os
seguintes tópicos:
a) critica textual - se os manuscritos originais desapareceram ou nunca foram
encontrados, como se sabe se o texto atual corresponde ao original? Até que ponto é
fiel? Em 1008, foi encontrado um manuscrito básico para a edição da melhor bíblia
hebraica que se tem hoje. Está no museu de Leningrado. Mas, questiona-se: por
quanto tempo o livro foi sendo recopiado, e foi adquirindo erros de escrita? Muitas
vezes, vários manuscritos (cópias) de um mesmo livro trazem palavras diferentes. E por
que tanta fé neste manuscrito?
O manuscrito mais antigo (até pouco tempo) do AT era composto de fragmentos de um
papiro do I ou II século a.C. Os beduínos acharam às margens do Mar Morto, vários
manuscritos datando do II século a.C. e há alguns, como o livro de Isaías, cujo texto é
quase completamente igual ao que temos. A Bíblia original (copiada) data do século II
d.C. Os rabinos tinham muito cuidado em transmitir a doutrina, e procuravam unificar os
48
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
textos. Os textos velhos eram colocados em lugares onde ninguém podia mais usá-los,
chamados gezidas. Numa destas gezidas foi encontrado um documento do ano 800,
aproximadamente, do qual aquele de 1008 é cópia. A diferença entre ambos é
pouquíssima. Ora, se a nossa Bíblia é a tradução daquele manuscrito, considerado
autentico, aquela Bíblia é a melhor.
b) 'sitz in leben'- Há livros que antes de serem escritos, foram passados oralmente porvárias gerações. Cada manuscrito que serviu para a composição de um texto tem uma
história diferente. Por isso eles dividem as perícopes e estudam as tradições e fontes
delas. E como o manuscrito chegou a esta fonte? Deste estudo se deduz a 'sitz in
leben' (situação na vida) deste manuscrito no gênero literário. A 'sitz in leben' que este
gênero literário tem na comunidade; a 'sitz in leben' desta comunidade na história.
c) história da redação - Por que há certas palavras a mais ou a menos nos Evangelhos?
Isto varia com a 'sitz in leben' do manuscrito. Quem determina isto é a critica literária.
Tudo isto dentro do estudo da história das formas.
2. PRINCIPAIS GENEROS LITERÁRIOS DA BÍBLIA
Dividem-se assim os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia:
a) Narrativo: histórico e didático
b) Legislativo
c) Sapiencial
d) Profético
e) Cânticos (Poesias)
a) narrativo-didático: mito, saga, legenda, conto, fábula, alegoria, parábola
l. mito - conto que se passa com deuses, ou cujos personagens são os deuses. Têm
tonalidade solene e são originários de círculos politeístas. A mitologia babilônica, por
exemplo, muito influenciou no povo de Israel, que sempre foi monoteista. Isto se vê nos
salmos 103, 6-9; 17, 8-16; 88, ll e nos proféticos: Job 26, l2. Nos livros históricos, a
influência é mais velada. Mas a árvore da vida do Gênesis já existe num poema de
49
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
Gilgames (de origem Babilônica): um herói perguntou a um seu antepassado que era
deus, onde ficava a árvore da vida. Ele a encontrou no fundo do mar, e levou um ramo
para plantar. Tendo sede, foi beber num poço e uma serpente levou o seu ramo. A
história do dilúvio tem uma similar na cultura babilônica. É o caso de uma deusa que
era amada ao mesmo tempo por um deus e por um homem. Então para matar o
homem, o deus mandou o dilúvio.
O importante a se notar nisso tudo é que, ao ser transcrita para o livro sagrado, o autor
purifica a lenda, tirando as características politeístas e servindo-se da cultura popular
para levar uma mensagem. A árvore da vida, na bíblia, significa que o homem foi criado
para não morrer. Na sabedoria babilônica, explicam que o mundo nasceu de uma briga
dos deuses. O deus vencido foi partido ao meio. De uma metade fez o deus vencedor o
céu; de outra fez a terra. Depois pediu a um deus artista que fizesse o homem com o
sangue apodrecido do deus vencido. Por isso, o homem e o mundo são maus do
principio. O autor sagrado aproveita-se destes elementos, mas purificando-os e
adaptando-os. A tradicional briga dos anjos com Lucifer existe num mito fenício sob a
forma de uma briga de deuses. A linguagem mítica da bíblia, o antropomorfismo de
Deus... tudo isto tem origem desta inspiração na literatura exterior a Israel.
2. saga - contos que se ligam a lugares, pessoas, costumes, modos de vida dos quais
se quer explicar a origem, o valor, o caráter sagrado de qualquer fenômeno que chama
a atenção. A saga se chama etiológica quando procura a causa de um fenômeno. Por
exemplo, para explicar a existencia de uma vegetação pobre e espinhosa na região sul
ocidental do Mar Morto, surgiu a lenda de Sodoma e Gomorra, a chuva de enxofre... A
origem de várias estátuas de pedra, formadas pela erosão é explicada pela história da
mulher de Ló, que foi transformada em estátua. A narrativa de Caim e Abel é outra,
para explicar a origem de uma tribo cujos integrantes tinham um sinal na testa.
Explicavam que Deus colocara um sinal em Caim para que ninguém o matasse, e daí
este sinal ficou para a descendência. O próprio nome de Caim é inventado, porque a
tribo tinha o nome de cainitas e eles deduziram que seu fundador devia chamar-se
Caim.
50
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
A saga se chama etimológica quando é para explicar um nome. Existe na Palestina
uma Ramat Leqi (montanha da queixada). Para explicar a origem deste nome eles
inventaram a estória de Sansão, um homem muito forte, que lutara contra muitos
inimigos usando uma queixada, e os vencera. Depois ele jogou a queixada naquele
monte, que ficou c conhecido como monte da queixada. 0 caso das filhas de Ló (Gen,
19) é uma história difamatória contra os amonitas e moabitas, tradicionais inimigos de
Israel. (Amon e Moab significam 'do pai'). Outras sagas da Bíblia: a de Noé embriagado;
a briga de Labão com Jacó (Gen 31). A saga se chama heróica quando tem por
finalidade engrandecer a vida dos heróis do passado. O valor da saga está na riqueza
popular (folclórica) que ela traz. Nem sempre há lição em cada uma. Mas a fartura de
detalhes que ela traz mostra a mentalidade do povo. Seu valor é maior para a critica
literária.
3. legenda - distingue-se da saga porque se refere a pessoas ou objetos sagrados e
querem demonstrar a santidade destes por meio de um fato maravilhoso. Legendas na
Bíblia há em Num 16,1 - 17,15: histórias a respeito de Moisés; Dan l, 2, 3, 4: sonhos de
Daniel; Os milagres de Elias contra os sacerdotes de Baal; Gen 28,10: Jacó sonha com
os anjos (pedra de Betel). É comum nas legendas referir-se à lei ou objeto de culto. A
imolação de Isaac, que não deu certo, é para reprimir um costume dos cananeus de
imolar crianças, costume proibido pela lei de Moisés. A serpente de bronze (Num 21) se
refere a uma serpente de bronze mandada fazer pelo rei Manassés, que foi destruída
por Javé. A circuncisão (Gen 17) é explicada assim: Deus apareceu a Abraão para
fazer aliança com ele e o pacto era a circuncisão de todos os meninos no oitavo dia.
Jos 5, 9 e Ex 12 e 13 falam da origem da Páscoa.
4. parábolas, fábulas, alegorias - parábola é uma história comparativa, de sentido global
(ex: II Sam 12, 1-4); fábula é a narrativa que faz os seres inanimados ou os animais
falarem (ex: Juízes, 9,7); alegoria é uma história comparativa em que cada elemento
tem um significado particular (ex: Is 5, 1-7). Há ainda o apólogo, quando se trata da
animação de objetos.
51
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
b) narrativo-histórico
Difere do didático porque pretende contar um fato acontecido realmente. Há três tipos:
1. popular, onde ninguém sabe o fim da lenda e o começo da história. É uma história
primitiva, baseada em histórias que corriam na boca do povo, um misto de elementos
verídicos e legendários acrescentados. Os livros Josué e Juízes (550 a.C.) estão nesta
categoria.
2. epopéia (nacional-religiosa) são histórias retiradas da catequese do povo. Se bem
que tenham elementos acrescentados, todavia a mensagem pode ser considerada
autêntica. O exemplo mais típico deste gênero é a narração epopéica da passagem do
mar vermelho (Ex.14). A fuga de Israel do Egito está ligada a um fato acontecido no
tempo de Ramsés II. Ele foi um faraó que empreendeu grandes conquistas,
principalmente à procura de escravos para trabalhar. Entre os povos submetidos havia
um grupo de judeus. Mais tarde, fraquejou a vigilância, e muitos fugiram, inclusive
muitos judeus. Então eles empreenderam a fuga pelo deserto e se aproveitaram de
uma região onde havia um braço de mar que secava durante a maré baixa para sair do
território egípcio.
Esta narrativa na Bíblia é contada com todos aqueles retoques conhecidos. Mas se
analisarmos bem, veremos que na própria Bíblia, há duas citações do mesmo fato, e
cada uma conta diferente. São as duas tradições: a javista, mais antiga e mais
verdadeira, afirma que o vento soprou durante toda a noite e fez o mar recuar; a
sacerdotal, mais recente, modificoua narração para a divisão das águas em duas
muralhas por onde todos passaram em seco. Há uma certa contradição nestas duas.
Mas o que se deve concluir daí é que os soldados os perseguiram na fuga e eles
passaram na maré baixa. Quando os soldados chegaram, a maré já subira e não dava
passagem. Enquanto isso, eles se adiantaram ainda mais. Ao transcrever isto na Bíblia,
o autor sagrado quer mostrar o fato da presença de Deus em ajuda de seu povo,
através dos elementos da natureza.
52
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
3. historiográfico - é o trabalho dos escribas encarregados de escrever as crônicas dos
anais dos reis. A partir destas crônicas vários livros foram escritos. 0 I Reis, cap. 11,
vers.41 cita os anais de Salomão; em 14, 19 afirma que o restante está nos livros das
crônicas dos Reis de Israel. São documentos de maior credibilidade, porque são mais
históricos. Somente a partir do livro dos Reis, é que são usados documentos escritos na
época. Antes era apenas história popular.
c) Legislativo
É representado na Bíblia principalmente no Pentateuco. Tem muito em comum com os
outros povos vizinhos e herdou muito deles. Há passagens na Bíblia que são repetições
do código de Hamurábi. Os povos orientais são muito ricos neste tipo de literatura.
Quanto aos tipos de leis, há três: 1. leis causídicas: pormenorizadas conforme as
situações; 2. leis apodíticas: universais; 3. leis rituais.
d) Sapiencial
Originou-se também dos povos vizinhos, principalmente a partir do Exílio. São de
origem profana e não religiosa, pois as suas fontes também não eram religiosas. 0 povo
oriental é pensador por natureza e a sabedoria é uma virtude muito difundida e
apreciada. A sabedoria bíblica não difere muito da sabedoria oriental em geral.
e) Profético
Também tem origem fora de Israel. Os povos da época tinham seus profetas. Eles
moravam nos palácios dos reis e eram os que dialogavam com os deuses. É preciso
notar que naquela época profeta não era sinônimo de adivinho, como às vezes se
identifica. Eles manifestavam ao povo a vontade de Deus com sermões, com sinais,
exortações e oráculos.
53
Faculdade e Seminário Teológico Nacional
Ensino à Distância
f) Salmos
Também tem influência externa (fora de Israel). Não são todos de Davi. Apareceram
conforme as necessidades. Foram compostos sem seqüência ou cronologia. São
cantos de louvor, de súplica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHAMPLIN, Russel N. O Antigo Testametno interpretado São Paulo: Hagnos, 2001
FRANCISCO, Clayde T. Introdução ao Velho Testamento. Trad. Antônio N. Mesquita.
Rio de Janeiro: Juerp. 1995.
KAISER Jr., Walter. Teologia do Antigo Testamento .São Paulo: Vida Nova, 1980.
VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova,
2004.
VON RAD, G. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: ASTE, 1974.