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Seja bem Vindo! 
 
Curso 
Farmacologia Aplicada a 
Odontologia 
CursosOnlineSP.com.br 
 
 Carga horária: 60hs 
 
 
Conteúdo Programático: 
 
História da Farmacologia 
Introdução à Farmacologia 
Farmacologia aplicada ao atendimento 
O tratamento da dor em Odontologia 
Anestésicos locais 
Anestésicos gerais em Odontologia 
Analgésicos, profissão e doping 
Analgésico não opioides e apioides 
Profissão: Odontologia e Farmácia 
O doping esportivo 
Bibliografia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A história da farmacologia 
 
A maioria das pessoas pensa que a automedicação diz respeitoapenas 
ao ser humano. No entanto, diversas pesquisas já comprovaram queos animais 
também se automedicam. As borboletas monarcas, por exemplo,utilizam 
plantas medicinais para tratar seus filhotes doentes, antes mesmode eles 
nascerem. 
 
 
 
 
 
 
O emprego de produtos naturais para curar doenças e alterar asfunções 
mentais não é recente. Na época em que se escreveu o papiro de Erbers 
(cerca de 1550 a.C.), eram conhecidas mais de 700 receitas paradiversos 
males. 
Muitos ingredientes incorporados naquelas preparações como sangue de 
lagarto, cabelo de virgem, excretos de moscas, entre outros, são esquisitos se 
levarmos em conta os padrões modernos. 
 
O estudo amador das plantas e produtos animais foi muito extenso e, 
consequentemente, rendeu grandes frutos. 
Remédios folclóricos e outros medicamentos como ópio (morfina),beladona 
(atropina), cila e dedaleira (digitais), casca da quina (quinina equinidina), folhas 
de coca (cocaína) e ma huang (efedrina) resistiram aotempo e hoje fazem parte 
de uma lista de substâncias que auxiliam notratamento de doenças. 
Uma grande barreira ao uso eficaz dessas drogas foi o elevadonúmero de 
materiais, geralmente presentes nas formulações farmacêuticas,como, por 
exemplo, a teriaga, o remédio mais popular do século XV, quecontinha mais de 
cem componentes diferentes. 
Aureolus Paracelsus (1493 – 1541) foi o primeiro a reconhecer que amescla 
indiscriminada de numerosas substâncias simplesmente diluía oscompostos 
eficazes por acaso presentes inicialmente. 
A ênfase conferida por Paracelsus aos agentes simples foi aprimorada por 
Felice Fontana (1720 – 1805), que deduziu de suas próprias experiências que 
cada droga bruta contém um “principio ativo” que, quando administrado, produz 
efeito característico no organismo. Uma das maiores atitudes científicas do 
século XIX foi o isolamento e a avaliação objetiva de tais princípios ativos. 
Em 1803, um jovem farmacêutico alemão Frederick Serturner (1780 – 1841) 
extraiu do ópio o alcaloide morfina e, desta forma, isso marcou o início da 
química farmacêutica e resultou numa revolução em biologia experimental. 
A disponibilidade de drogas recém-purificadas e a padronização depreparações 
biológicas existentes estimularam pioneiros como FrançoisMagendie (1783 
– 1855) e Claude Bernard (1813-1878) a utilizar agentesfarmacológicos como 
sondas no estudo de processos fisiológicos. 
O uso do curare por Bernard para o esclarecimento da 
ligaçãoneuromuscular constitui apenas um exemplo dos sucessos obtidos com 
estaabordagem. 
Rudolf Buchhein (1820 – 1879) e Oswald Schmiedeberg (1838 –1921) foram os 
dois pesquisadores que maior responsabilidade tiveram em firmar a 
Farmacologia como ciência por direito legitimo. 
Buchhein organizou o primeiro laboratório exclusivamente dedicado à 
Farmacologia e formou o primeiro professor de sua disciplina, Schmiedeberg, 
aluno de Buchehein, fundou a primeira revista científica de Farmacologia. 
Schmiedeberg ajudou a espalhar a aceitação da Farmacologia pelo mundo. 
Um protegido de Schmiedeberg foi John Abel (1857 – 1938) considerado 
o pai da Farmacologia norte-americana. Inicialmente tida comociência 
experimental obscura, a Farmacologia expandiu-se tanto que o assunto se 
tornou importante área de estudo para todos os profissionais da saúde. 
Apresenta, igualmente, certos interesses para o publico leigo. 
Na odontologia, o impacto da Farmacologia foi formalmente reconhecido pela 
Associação Odontológica Norte-Americana em 1934 com a publicação da 
premeira edição de Accepted Dental Remedies. 
 
 
 
 
 
 
A Farmacologia é uma das poucas ciências médicas em que não é clara a 
divisão entre o básico e o clínico. A concepção da Farmacologia é extensa e, 
por isso, são reconhecidas diversas subdivisões: 
Farmacodinâmica é o estudo da atividade biológica que um fármaco exerce 
sobre um sistema vivo. Inclui estudo do mecanismo de ação do fármaco e os 
processos exatos que são afetados por ele. 
Esse ramo da Farmacologia preocupa-se também com a influência da estrutura 
química sobre a ação do fármaco (relação estrutura-atividade). 
A Farmacocinética trata da magnitude e da passagem do tempo do efeito do 
fármaco. Tenta explicar esses aspectos da ação do fármaco levando em 
consideração a dose e a absorção, distribuição e destino das substâncias 
químicas nos sistemas vivos. 
Farmacoterapeutica é a seleção adequada de um agente em que o efeito 
biológico sobre um organismo vivo é o mais apropriado para tratar de um 
estado doentio particular. 
Exige consideração de, entre muitas outras coisas, dose, duração da terapia e 
efeitos colaterais do tratamento pelo fármaco. 
A prática de Farmácia compreende a preparação e dispensação de 
medicamentos. Embora hoje em dia raramente os farmacêuticos se 
incumbam de preparar efetivamente os produtos medicamentosos, eles 
podem ser fonte útil de informações sobre fármacos, tanto para o clínico quanto 
para o paciente. 
Toxicologia é o aspecto da Farmacologia que trata de venenos, suas ações, 
sua detecção e tratamento das condições produzidas por eles. A importância 
da toxicologia para a vida moderna é continuamente ressaltada por novas 
descobertas de riscos químicos no meio ambiente. 
A Farmacognosia foi essencial na época em que as drogas, em sua maioria, 
eram extraídas de plantas. Significa literalmente “reconhecimento de 
fármacos”, trata das características de plantas e procura identificar 
aquelas que possuem atividade farmacológica. 
Os fármacos utilizados atualmente são, em sua maioria, sintetizados 
quimicamente. Mas a fotoquímica, especialmente a síntese de estruturas 
químicas complexas por parte das plantas, continua sendo de grande 
interesse. 
Após uma descrição de como se classifica o estudo dos fármacos é apropriado 
discutir o que significa a palavra “fármaco”, em geral usada como sinônimo de 
droga. Para o Farmacologista, fármaco é qualquer agente químico que tem 
efeito sobre os processos associados com a vida. 
Essa definição é obviamente muito ampla e inadequada para muitos grupos 
que definem o termo mais restritamente para melhor servir às suas 
necessidades particulares. 
O terapeuta, por exemplo, considera como fármacos aqueles produtos 
químicos que são eficazes para tratar os estados nosológicos, ou seja, de um 
agrupamento de doenças. 
Os órgãos do governo preocupam-se com a receita originada pelos impostos 
incidentes sobre a venda de certas substâncias ou com os problemas de 
saúde pública associados com o seu uso, como o fumo e o álcool, que são 
considerados, por lei, “não drogas”. 
Enquanto os farmacologistas há muito tempo têm reconhecido esses agentes 
como drogas potentes, eles estão isentos das restrições governamentais. 
Há outras substâncias que obtiveram tal status não por motivos de saúde 
publica. Exemplos desses sãoo cloro e o flúor adicionados aos 
suprimentos de água da comunidade e os iodetos misturados com o sal de 
cozinha. 
Em nosso curso, os fármacos estudados incluirão quase que 
exclusivamente as substâncias que apresentam aplicação terapêutica 
conhecida. Mesmo assim, o número potencial de agentes a serem 
estudados é elevado. 
 
Introdução à Farmacologia 
Neste tópico você irá aprender sobre os conceitos que envolvem a 
Farmacologia. 
Farmacologia é a ciência que estuda os medicamentos. Medicamentos são 
toda substância que tem ação profilática, terapêutica e auxiliar de diagnostico. 
 
A ação profilática, isto é, a prevenção de doenças, se faz, por exemplo, 
por meio de vacinas. 
 
A ação terapêutica, ou seja, de cura ou alívio das enfermidades, se faz, por 
exemplo, com uso de antibióticos, anti-hipertensivos, etc. 
Como auxiliar de diagnóstico é possível citar, por exemplo, o contraste, 
que é uma substância empregada em exames radiológicos para facilitar o 
diagnóstico. 
Droga é toda substância capaz de alterar os sistemas fisiológicos ou estados 
patológicos, com ou sem benefícios para o organismo. No primeiro caso 
incluem-se os medicamentos: entre as drogas que não trazem benefícios 
pode-se citar, por exemplo, a maconha. 
 
Vale a pena, ainda, conceituar: 
 
Remédio – todo meio utilizado para combater um estado patológico, por meio 
de medicamentos, ações físicas (por exemplo, massagem) e psíquicos 
(por exemplo, terapia). 
Fármaco – substância quimicamente definida que apresenta ação benéfica no 
organismo. 
Princípio ativo – substância quimicamente ativa, responsável pela ação do 
medicamento representado pelo nome genérico. 
Veículo – substância líquida que dá volume à fórmula, não apresentando 
ação farmacológica. 
Excipiente – substância sólida ou pastosa que dá volume à fórmula, também 
sem ação farmacológica. 
 
Os medicamentos têm um nome genérico dado de acordo com a Denominação 
Comum Brasileira, que por sua vez segue a Denominação Comum 
Internacional, determinada pela OMS – Organização Mundial de Saúde, 
correspondente ao seu princípio ativo e um nome comercial, dado pelo 
fabricante. Neste curso, será apresentado o nome genérico e pelo menos um 
nome comercial entre parênteses, por exemplo: 
 
Amiodarona, VO ( Ancoron). 
Amiodarona é o princípio ativo: VO é a abreviatura da via de 
administração (via oral); Ancoron é o nome comercial (esse nome foi 
escolhido aleatoriamente pelo fabricante, pois outros fabricantes dão outros 
nomes comerciais a esse princípio ativo, como Atlansil e Miodaron). O 
mesmo procedimento será usado nos demais exemplos. 
Quando o princípio ativo em questão não se encontra disponível no mercado 
em sua forma pura, mas sim associado a outros, o nome comercial refere-se a 
essa associação. 
 
Prescrição médica 
 
 
 
 
 
 
 
Os medicamentos têm sempre sido utilizados ao longo do tempo, conforme nos 
comprova a história. Ultimamente, no entanto, o número de medicamentos 
cresceu muito. Houve um aumento de princípios ativos e um aumento 
exacerbado de produtos comerciais, ou seja, para cada principio ativo existem 
vários medicamentos produzidos por laboratórios distintos, sob nomes 
diversos. 
Por exemplo, o antibiótico Ampicilina, composto apenas pela ampicilina 
pura, é vendido no mercado com 45 nomes comerciais diferentes, dados por 
seus 40 fabricantes. Para a Ampicilina associada existem mais de 46 nomes, 
perfazendo um total de 91 nomes comerciais. 
Toda essa variedade com relação aos medicamentos obriga o médico, a 
farmácia e a enfermagem a se atualizarem constantemente. A farmácia, por 
sua vez, sob a responsabilidade de um farmacêutico, deve estar sempre apta a 
prestar esclarecimentos sobre medicamentos. 
A administração de medicamentos é função da enfermagem e depende da 
prescrição do médico e das orientações do farmacêutico. 
 
Há prescrições autolimitadas, ou seja, a ordem tem um limite. 
Exemplo: 
Petidina 10 mg IM agora 
Ou, então: 
Nifedipina 10 mg 8/8 h por 3 dias 
 
Outras são de ordens contínuas, isto é, são prescrições que devem ser 
seguidas até que sua suspensão seja autorizada. 
Exemplo: 
Vitamina C 500 mg a refeições 
 
Também se inclui neste caso o “se necessário”, por exemplo: 
Metoclopramida 10 mg VO, se necessário, até 8/8 h. 
 
A prescrição tecnicamente correta deve incluir: 
- nome do medicamento 
- dose exata 
- via de administração e sua frequência. 
 
Em hospitais, os medicamentos sujeitos a controle especial, uma vez 
prescritos e administrados ao paciente, devem ser registrados em 
formulários próprios, nos quais são adotados o nome do paciente, o horário de 
administração, o nome do medicamento, a dose e o nome do médico que faz a 
prescrição. 
 
Atenção: só poderão ser fornecidos mediante receita médica. 
 
Deve-see também fazer um controle rígido das prescrições administrativas, da 
entrada e saída desses medicamentos, e apresentação periódica dos 
formulários à farmácia, para que sejam submetidos à fiscalização pelos 
órgãos de saúde. 
 
 
Das responsabilidades legais 
 
As responsabilidades legais relacionadas com o preparo e a 
administração de medicamentos são norteadas pelo Código de Ética dos 
Profissionais de Enfermagem, que entrou em vigor com a resolução Cofen nº 
160, de 12 de maio de 1993. 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo III – das responsabilidades 
Art. 16 – Assegurar ao cliente uma assistência de enfermagem livre de danos 
decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência. 
 
Art. 17 – avaliar atenciosamente sua competência técnica e legal e somente 
aceitar encargos ou atribuições quando capaz de desempenho seguro para 
si e para a clientela. 
 
Capítulo IV – Dos deveres 
Art. 24 – Prestar à clientela uma assistência de enfermagem livre de riscos 
decorrentes de imperícia, negligência e imprudência. 
 
Capítulo V – Das proibições 
Art. 47 – administrar medicamentos sem certificar-se da natureza das drogas 
que os compõem e da existência de risco para o cliente. 
Art. 48 – prescrever medicamento ou praticar ato cirúrgico, exceto os previstos 
na legislação vigente e em caso de emergência. 
 
Art. 50 – executar prescrições terapêuticas quando contrárias à segurança do 
cliente. 
 
Noções sobre medicamentos 
Produto farmacêutico é aquele que contém um ou mais medicamentos 
convenientemente manufaturados. Por exemplo: lasix, Binotal, Agariol. 
 
Forma farmacêutica 
Forma farmacêutica é a maneira física pela qual o produto farmacêutico 
se apresenta (comprimido, suspensão, emulsão, etc.). Por exemplo: lasik 
comprimido, Binotal suspensão, Agarol emulsão. 
 
Forma farmacêutica 
Fórmula farmacêutica é a descrição do produto farmacêutico, ou seja, informa 
quais os ativos e em que quantidade. Por exemplo: 
 
LASIX COMPRIMIDO 
Furosemida 40 mg. 
Excipiente q.s.p. 200 mg. 
 
Kabikinase 250.000 UI injetável 
Estreptose 250.000 UI 
L – glutamato de sódio anidro 28 mg. 
Fosfato dibásico de sódio anidro 1,7 mg. 
Albumina humana 20% 32 mg. 
Veículo q.s.p.q.s.q - significa a quantidade suficiente para, o que, no caso quer dizer que é 
preciso acrescentar água até ser completado o volume de 100 ml. 
Ação dos medicamentos 
Os medicamentos podem ser de ação local ou sistêmica. 
 
Ação Local 
Diz-se que um medicamento tem ação local quando age no próprio local onde 
é aplicado (na pele ou na mucosa), sem passar pela corrente sanguínia, ou 
quando age diretamente no sistema digestivo. São medicamentos de ação 
local, entre outros: 
- pomadas e loções – aplicadas na pele; 
- óvulos vaginais, colírios e alguns contrastes radiológicos – 
aplicados na mucosa; 
- alguns antiácidos que neutralizam a ação do suco gástrico e são eliminados 
sem serem absorvidos. 
 
Ação Sistêmica 
Diz-se que um medicamento tem ação sistêmica quando seu princípio 
ativo precisa primeiro ser absorvido e entrar na corrente sanguínea para, só 
depois, chegar ao local de ação. Exemplos: 
 
1 – o paciente toma um comprimido de ácido acetilsalíco Somente depois de 
ter absorvido no estômago e entrar na corrente sanguínea é que esse princípio 
ativo chegará ao local de ação – a cabeça –, aliviando a dor do paciente. 
2- O paciente recebe uma injeção de furosemida. Ao ser injetada na veia do 
paciente, a droga entra na corrente sanguínea, chegando ao rim, onde 
exercerá sua ação. 
 
 Nesses dois exemplos, a ação do medicamento não se dá no local de 
aplicação: a droga tem de ser transportada pela corrente sanguínea até o local 
onde irá agir. 
 
 
 
Vias e métodos de administração e formas farmacêuticas 
Como vimos, usualmente emprega-se os termos fármaco, medicamento e 
droga como sinônimos. No entanto, essas denominações têm significados 
distintos: 
Fármaco - é toda substância química capaz de modificar funções biológicas, 
com finalidade terapêutica ou não. Esse termo abrange, pois, agentes 
terapêuticos e tóxicos. 
Pró-farmaco – é a substância originalmente inativa, mas que adquire atividade 
farmacológica ao ser administrada ao organismo. 
Medicamento – é o produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou 
elaborado, com finalidades profilática, curativa, paliativa, contraceptiva ou 
diagnóstica. Pode conter fármaco(s) e adjuvante(s), reunidos em forma 
farmacêutica específica. 
O medicamento é dito magistral quando é preparado mediante manipulação 
em farmácia, a partir de fórmula constante de prescrição médica. Medicamento 
oficial corresponde à formulação descrita em farmacopeia ou qualquer outro 
texto oficial. 
Vias de administração são estrurturas orgânicas com as quais o fármaco toma 
contato para iniciar aquele série de processos. 
As vias denominam-se: 
Enterais – quando o fármaco entra em contato com qualquer segmento do trato 
digestivo (via sublingual, oral e retal). 
Parentais – não utilizam o tubo digestivo. 
Esse termo não deve ser confundido com o método de administração por 
injeção, como frequentemente se observa em prescrições de medicamentos. 
As vias parentais diretas compreendem as acessadas por injeção (intravenosa, 
intramuscular, subcutânea e outras) a as indiretas são as que não precisam de 
injeção (cutânea, respiratória, conjuntival, intracanal etc). 
Geralmente, cada via pode ser abordada por diversos métodos de 
administração (injeção, instilação, deglutição, fricção, etc) nela se usando 
variadas formas farmacêuticas ( comprimidos, cápsulas, drágeas, soluções, 
xaropes, cremes, pomadas e outras). 
 
 
ENTERAIS PARENTAIS INDIRETASªª 
 DIRETASª 
Oral intravenosa cutânea 
Bucal intramuscular respiratória 
Sublingual subcutânea conjuntival 
Retal intradérmica geniturinária 
 intra-arterial intracanal 
 intracardíaca 
 intratecal 
 peridural 
 intra-articular 
ª O acesso se faz por injeção. ªª O acesso a não precisa de injeção. 
 
Fármacos administrados por essas diferentes vias podem ter efeitos locais e 
sistêmicos. Assim, um agente administrado por via oral pode absorver-se 
e produzir efeitos à distância. Outro, introduzido pela mesma via, mas não 
absorvível, exerce efeitos locais na luz do tubo digestivo. 
As vias cutâneas e mucosa são preferencialmente usadas para obtenção 
de efeitos locais de fármacos, o que não impede que, em sendo absorvidos, 
exerçam efeitos sistêmicos. 
Outra confusão comum é chamar as vias de tópicas ou sistêmicas. Na 
realidade, empregam-se diferentes vias para administrar fármacos com 
finalidade tópica ou sistêmica. 
 
Via enterais. 
Via oral: consiste na administração pela boca de uma forma farmacêutica 
que, após deglutição, chega ao trato gastrintestinal (TGI). A partir da via oral, a 
absorção pode ocorrer na boca, no intestino delgado e, em menor extensão, no 
estômago e intestino grosso. 
É via mais comum de administração de medicamentos face à 
comodidade de aplicação, menor custo das preparações e atingimento 
gradual de concentração plasmáticas, o que minimiza a intensidade de 
efeitos adversos. 
Também pode ser empregada para a obtenção de efeitos locais de fármacos 
inabsorvíveis, utilizadas nos controle de alterações localizadas no lúmen 
gastrintestinal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando se desejam efeitos sistêmicos, a administração oral não é adequada 
para fármacos que se absorvem mal pela mucosa digestiva, pois são insolúveis 
com alimentos, sofrem metabolismo de primeira passagem ou são muito 
irritantes para a mucosa digestiva. 
Também não deve ser usada quando há êmese ou impossibilidade de 
deglutição. Sabor ou odor desagradáveis do fármaco igualmente dificultam 
a ingestão. 
As formas farmacêuticas empregadas por essa via compreendem comprimidos, 
cápsulas, drágeas, suspensões, emulsões, elixires, xaropes e soluções. Os 
métodos de administração incluem deglutição e sondagem gástrica. 
A via bucal é utilizada principalmente para administração de fármacos de 
efeitos locais. Faz-se necessário associá-los a compostos que tenham 
aderência maior à mucosa que reveste a cavidade oral, devido à ação diluidora 
da saliva. 
As formas farmacêuticas se constituem predominantemente por soluções, 
géis colutórios, orobases, dentifrícios, vernizes e dispositivos de liberação 
lenta. Os métodos de administração incluem aplicação, fricção, instilação, 
irrigação, aerossol e bochecho. 
A colocação sob a língua – via sublingual – permite a retenção dos fármacos 
por tempo mais prolongado. Propicia a absorção rápida de pequenas 
doses de alguns fármacos, devido ao rico suprimento sanguíneo e à pouca 
espessura da mucosa absortiva. 
A drenagem sanguínea dessa zona é feita predominantemente por veias 
linguais, tributárias da jugular interna e ainda pela maxilar interna, cujo sangue 
é transportado para a jugular externa. 
Portanto, o farmáco absorvido passa diretamente à corrente circulatória, ao 
contrário das substâncias absorvidas no trato gastrintestinal, as quais são 
conduzidas primeiramente ao fígado. 
A via retal é utilizada em pacientes que têm vômitos, estão inconscientes 
ou não sabem ingerir (como as crianças pequenas). Suas maiores limitações 
de uso são o incômodo na administração e a difícil absorção. 
 
Vias parenterais 
O termo parenteral provém do grego para (ao lado) e enteros(tubo digestivo), 
significando a administração de medicamentos “ao lado do tubo digestivo” ou 
sem usar o trato gastrintestinal. Portanto, todas as vias, que não as enterais, 
são denominadas parenterais. 
A via Intravenosa propicia efeito imediato e níveis plasmáticos inteiramente 
previsíveis. Tem biodisponibilidade de 100%. É indicada em emergências 
médicas e doenças graves em que há necessidades de doses acuradas e 
rápido início de efeito. 
Também é usada em presença de baixo sanguíneo periférico (choque), o 
que impede adequadas perfusão e distribuição do fármaco, bem como para 
infusão de substâncias irritantes por outras vias ou em grandes volumes. 
 
É falsa a ideia de que os processos patológicos curam mais depressa 
graças ao emprego da via intravenosa. 
 
Apresenta inconvenientes como necessidade de assepsia e pessoa treinada, 
incomodidade para o paciente, menor segurança – já que efeitos agudos e 
intensos podem ser também adversos – maior custo das preparações 
injetáveis e efeitos indesejáveis locais (febrite, infecção, trombose). 
Soluções aquosas puras podem ser injetadas intravenosamente de forma 
intermitente ou por infusão contínua usada quando níveis plasmáticos mais 
diminuídos e constantes se fazem necessários. 
Enquanto o primeiro método tem a desvantagem das múltiplas punções, 
exigindo a viabilidade permanente de uma veia, o segundo apresenta a 
vantagem da fácil suspensão na ocorrência de reações indesejadas. 
Em geral, a injeção intermitente deve ser executada lentamente, com 
monitorizarão dos efeitos apresentados pelo paciente. Injeções em bolo 
(administração muito rápida) são feitas para obviar a imediata ligação do 
fármaco a proteínas plasmáticas. 
Com elas, há o perigo de se alcançarem imediatas e altas 
concentrações, indutoras de efeitos adversos não relacionados ao fármaco e 
sim à chegada de soluções muito concentradas a alguns tecidos. As reações 
mais comuns são respiração irregular, queda da pressão sanguínea e 
arritmias cardíacas. 
Outro perigo da injeção intravenosa é a introdução acidental de material 
particulado ou de ar na veia, acarretando embolização a montante, e 
eventualmente fatal. Por tudo isso, a via intravenosa é considerada a menos 
segura, devendo ser reservada para situações específicas. 
A via intramuscular é considerada mais segura que intravenosa. A absorção 
intramuscular depende de fluxo sanguíneo local e grupo muscular utilizado. 
Observa-se que a absorção de alguns fármacos é maior no músculo 
deltoide do que no glúteo. 
As soluções utilizadas são aquosas, oleosas e suspensões. Todas devem ser 
administradas pelo método da injeção profunda, para que sejam ultrapassados 
pele e tecido subcutâneo. Para tanto, necessita-se de agulha de bisel longo (22 
a 25G). O volume administrado não deve ultrapassar 10 ml. 
Podem ocorrer efeitos adversos locais como dor, desconforto, dano 
celular, hematoma, abcessos estéreis ou sépticos e reações alérgicas. As 
manifestações sistêmicas se devem ao fármaco e não à via em si. 
 
Injeção Subcutânea 
É uma medicação injetada nos tecidos adiposos (gordura), abaixo da pele. 
Move-se mais rapidamente para a corrente sanguínea do que por via oral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A injeção subcutânea permite uma administração medicamentosa mais lenta e 
gradual que a injeção intramuscular e também provoca um mínimo traumatismo 
tecidual, comportando pequeno risco de atingir vasos sanguíneos de grande 
calibre e nervos. 
A heparina e a insulina, por exemplo, são geralmente administradas via 
subcutânea. Os locais mais comuns de injeção subcutânea são a face externa 
da porção superior do braço, face anterior da coxa, tecido frouxo do abdômen 
inferior, região glútea e dorso superior. A injeção é realizada através de 
uma agulha relativamente curta. 
É contraindicada em locais inflamados, edemaciados, cicatrizados ou cobertos 
por mancha, marca de nascença ou outra lesão. Também podem ser 
contraindicadas em pacientes com alteração nos mecanismos de coagulação. 
 
Áreas de injeção subcutânea 
 
Dicas de modo de aplicação: 
- Selecione um local de injeção apropriado; 
- Limpe o local da injeção com um chumaço de algodão com álcool, iniciando 
pelo centro do local e movendo para fora em movimento circular. Permita que a 
pele seque sempre antes de injetar a medicação para evitar uma sensação de 
picada pela introdução de álcool nos tecidos subcutâneos; 
- Com a sua mão não dominante, agarre a pele ao redor do ponto de injeção 
firmemente para elevar o tecido subcutâneo, formando uma dobra de gordura 
de 2,5cm; 
- Segurando a seringa com a sua mão dominante, insira a bainha da agulha 
entre os dedos anular e mínimo da sua outra mão enquanto agarra a pele ao 
redor do ponto de injeção. Puxe para trás a seringa com a sua mão dominante 
para descobrir a agulha, agarrando a seringa como um lápis. Não toque a 
agulha; 
- Posicione a agulha com o bisel para cima; 
- Insira a agulha rapidamente em um único movimento. Libere a pele do 
paciente para evitar a injeção da medicação em um tecido comprimido e irritar 
as fibras nervosas; 
- Após a injeção, remova a agulha delicadamente (mas de forma rápida) na 
mesma angulação utilizada para a inserção; 
- Cubra o local com um chumaço de algodão com álcool e massageie 
delicadamente (a menos que você tenha injetado uma medicação que 
contraindique a massagem, como a heparina e a insulina) para distribuir a 
medicação e facilitar a absorção. 
 
Agulhas indicadas: 10 x 6 / 7 ; 20 x 6; 20 x 7. 
- Insira a agulha em ângulo de 45 ou 90 graus em relação à superfície 
epidérmica, dependendo do comprimento da agulha e da quantidade de tecido 
subcutâneo no local. 
 
Injeção Intradérmica 
 
Usada principalmente com fins de diagnóstico como em testes para alergia ou 
tuberculina, as injeções intradérmicas indicam quantidades pequenas, 
geralmente 0,5ml ou menos, dentro das camadas mais externas da pele. 
Por haver baixa absorção sistêmica dos agentes injetados via 
intradérmica, esse tipo de injeção é usado principalmente para produzir um 
efeito local. A face ventral do antebraço é o local mais comumente utilizado por 
ser facilmente acessível e livre de pelos. 
 
Dicas de modo de aplicação: 
- Limpe a superfície ventral do antebraço com algodão embebido em álcool e 
espere a pele secar; 
- Enquanto segura o antebraço do paciente em sua mão, puxe a pele, 
esticando com seu polegar; 
- Com a sua mão livre, segure a agulha em um ângulo de 15 graus em relação 
ao antebraço do paciente com a bisel da agulha virado para cima; 
- Insira a agulha aproximadamente 0,3 abaixo da epiderme em locais a 5 cm de 
intervalo. Interrompa quando o bisel da agulha estiver sob a pele e injete o 
antígeno lentamente. Você deve encontrar alguma resistência ao fazer isso e 
deve ocorrer a formação de um vergão enquanto você injeta o antígeno; 
- Retire a agulha na mesma angulação em que tenha sido inserida. 
 
Injeção Intra-articular 
 
Uma injeção intra-articular deposita as medicações diretamente na cavidade 
articular para aliviar a dor, ajudar a preservar a função, prevenir contraturas e 
retardar a atrofia muscular. 
As medicações geralmente administradas via intra-articular incluem 
corticosteróide, anestésicos e lubrificantes. É contraindicada em pacientes com 
infecção articular, fratura ou instabilidade articular ou infecção fúngica 
sistêmica. 
 
Injeção Intravenosa ou Endovenosa 
 
É a administração de uma droga diretamente na veia,a fim de obter uma ação 
imediata do medicamento. A medicação poderá ser administrada em qualquer 
veia periférica acessível, mas com preferência para: 
 
- Dobra do Cotovelo: Basílica, Mediana e Cefálica; 
- Antebraço; 
- Dorso das mãos. 
 
A medicação poderá ser administrada ainda em veias profundas por meio de 
cateteres endovenosos introduzidos por punção ou flebotomia. 
 
 
Essa via é utilizada em casos de emergência na qual o paciente se encontra 
inconsciente, como por exemplo, nos casos de Crise Hipoglicêmica, em que a 
conduta seria a administração de Glicose 50% por via intravenosa. 
 
Dicas de modo de aplicação: 
 
Após o preparo da medicação, pedir ao paciente para abrir e fechar a mão 
diversas vezes com o braço voltado para baixo (para melhorar a visualização 
das veias); 
 
- Escolher a veia, garrotear sem compressão exagerada, acima do local 
escolhido; 
- Pedir ao paciente para fechar a mão e manter o braço imóvel; 
- Fazer uma antissepsia ampla no sentido de baixo para cima; 
- Expelir todo o ar da seringa; com a mão esquerda, esticar a pele, fixar a veia 
e segurar o algodão embebido em álcool; 
- Colocar o bisel voltado para cima, segurar o canhão da agulha com o dedo 
indicador da mão direita e a seringa com os demais dedos; 
- Introduzir a agulha e, após o refluxo de sangue na seringa, pedir para o 
paciente abrir a mão e com a sua mão esquerda retirar o garrote; 
- Administrar a medicação, retirar a agulha e comprimir com algodão embebido 
em álcool, sem massagear. 
 
Via Intra-arterial 
 
É raramente empregada, por dificuldades técnicas e riscos que oferece. 
 
A justificativa de uso tem sido obter altas concentrações locais de fármacos, 
antes de ocorrer sua diluição por toda a circulação. Uma variante dessa é a via 
intracardíaca, hoje em desuso, desde que foi substituída pela punção de 
grandes vasos venosos para administrar fármacos em reanimação 
cardiorrespiratória. 
Vias Indiretas 
 
Via Cutânea 
 
A pele apresenta efetiva barreira à passagem de substâncias. No entanto 
medicamentos podem ser administrados por via cutânea para obtenção 
fundamentalmente de efeitos tópicos. Sob certas circunstâncias produzem 
efeitos sistêmicos, terapêuticos ou tóxicos. 
A absorção depende da área de exposição, difusão do fármaco na derme (alta 
lipossolubilidade), temperatura e estado de hidratação da pele. As formas 
farmacêuticas comumente empregadas são soluções, cremes, pomadas, 
óleos, loções, unguentos, geleias e adesivos sólidos, esses destinados à 
absorção transcutânea para obtenção de efeitos sistêmicos. 
As mucosas ricamente vascularizadas permitem fácil absorção de princípios 
ativos. Fármacos administrados diretamente sobre a mucosa têm ação local 
ou, se captadas pela circulação sanguínea, sistêmica. 
 
Via Respiratória 
Estendendo-se desde a mucosa nasal até os alvéolos, pode ser usada 
para obtenção de efeitos locais ou sistêmicos. Os medicamentos são 
administrados por inalação, estando sob a forma de gás ou contidas em 
pequenas partículas líquidas ou sólidas, geradas por nebulização ou 
aerossóis. 
As maiores vantagens desta via consistem em administração de pequenas 
doses para rápida ação e minimização de efeitos adversos sistêmicos. 
A Crise Asmática, quadro que acomete pacientes com Sistema 
Respiratório comprometido, requer a administração do Bromidrato de 
Fenoterol, nome comercial Berotec diluído em Soro Fisiológico ou água, feitos 
através de inalação com oxigênio, como conduta emergencial. 
 
Via Conjuntival e Geniturinária 
São usualmente empregadas para obtenção de efeitos locais. As formas 
farmacêuticas incluem soluções, comprimidos ou óvulos vaginais, geleias, 
cremes e pomadas. 
Via Intracanal 
 
Via de uso odontológico exclusivo para obtenção de efeito local de fármacos 
junto ao canal radicular e zona pulpar. Apesar dos dentes estarem incluídos na 
cavidade oral, considera-se a via intracanal como parenteral pelo fato do 
fármaco estar sendo administrado em área pulpar, não mais considerada como 
pertencente ao trato digestivo. 
A cavidade pulpar recebe irrigação de vasos sanguíneos e linfáticos, possuindo 
também terminações nervosas. Dependendo do estado da doença dentária, 
tamanho molecular do fármaco e extensão da preparação biomecânica, os 
medicamentos podem alcançar a corrente sanguínea. 
 
Formas Farmacêuticas 
 
Neste tópico você irá aprender sobre as Formas Farmacêuticas, que são 
preparações constituídas por um ou mais fármacos, associados a 
substâncias auxiliares de formulação, denominadas adjuvantes. 
Diferentes formas farmacêuticas de um fármaco ou a mesma forma produzida 
por laboratórios industriais diversos são registradas junto ao Ministério da 
Saúde, constituindo assim as especialidades farmacêuticas. 
Os adjuvantes são desprovidos de atividade terapêutica, mas podem 
influenciar velocidade e extensão de absorção do fármaco, alterando, desse 
modo, sua biodisponibilidade. Visam facilitar a administração do 
medicamentoo, garantir precisão de dose e mascarar odor e sabor 
desagradáveis. 
Uma especialidade farmacêutica com o mesmo fármaco, em dose e forma 
farmacêutica idênticas, é considerada bioequivalente quando suas 
biodisponibilidades não diferem significativamente em condições padronizadas. 
Portanto, possuem igual eficácia e segurança e a prescrição de qualquer uma 
delas trará benefício similar ao paciente. 
Apenas aquelas testadas quando à sua bioquivalência in vivo podem ser 
trocadas livremente sem afetar o resultado terapêutico. Uma especialidade não 
bioequivalente pode apresentar ineficácia comparativamente a outra, em 
função de proporcionar concentrações subterapêuticas. 
 
 
As formas farmacêuticas podem ser classificadas em líquidas e sólidas, 
de liberação imediata (como comprimidos, xarope, solução, cápsula, etc.) e 
controlada (como drágea, comprimido revestido, de implantação ou retarde, 
patch cutâneo). 
As formas de liberação controlada visam à obtenção de níveis 
plasmáticos mais constantes do fármaco e ao prolongamento do intervalo entre 
as doses. 
 
Formas farmacêuticas líquidas 
 
Apresentam-se como soluções, xaropes, emulsões ou suspensões que contêm 
um ou mais fármacos em veículo apropriado. Podem ser usados por diferentes 
vias de administração. 
 
Soluções 
São preparações que contêm um ou mais fármacos dissolvidos em água. 
Podem ser administradas por vias enterais ou parentais. 
 
Soluções de uso oral 
Podem ser administradas em gotas, colheres ou dosificadores especiais. 
Soluções a serem usadas em gotas possuem concentração mais elevada do 
fármaco, exigindo maior precisão de dosagem, sobretudo em crianças. 
Porr esse motivo, recomenda-se a utilização de conta-gotas padronizado. A 
medida da dose deve ser feita com o conta-gotas na posição vertical. 
Na prescrição de doses medidas em colheres, quando estas não 
acompanharam a embalagem do medicamento, deve-se observar a seguinte 
correspondência volumétrica: colheres das de café, chá, sobremesa e sopa 
correspondem a volumes de 2, 5,10 e 15 ml, respectivamente. 
Os dosificadores especiais devem ser utilizados conforme indicado na bula do 
medicamento. Quando se tratar de colher plástica com medida no cabo, o 
mesmo deve ser mantido na posição vertical para medir a dose. 
Independentemente da especialidade farmacêutica, dosificadores do tipo 
seringa podem ser adquiridos para facilitar a administração de líquidos a 
crianças. A escala de medidadeve ser rigorosamente observada para 
garantir adequação de dose. 
 
Soluções de uso conjuntival. 
São estéreis e requerem cuidados especiais de utilização como lavagem 
prévia cuidadosa das mãos e ausência de contato do conta-gotas ou da 
extremidade do frasco aplicador com os olhos, pálpebras ou outro material. 
Para instilar gotas no saco conjutival, afasta-se as pálpebras e movimenta-se o 
olho em todas as direções. 
O frasco deve ser conservado em local fresco (nunca em geladeira) e ao abrigo 
da luz. Após abertura, o prazo de validade dos colírios é curto, em torno de 15 
dias. Logo, a data de início do uso deve ser escrita na embalagem, 
desprezando-se os que têm validade ultrapassada. 
 
Soluções de uso respiratório 
 
Para aplicá-las podem-se usar os seguintes dispositivos: 
- nebulizador pressurizado (nebulímetro, aerossol dosificador ou aerossol 
dosimetrado); 
- micronebulizador ultrassônico; 
- micronebulizador com pressão positiva intermitente; 
- micornebulizador com compressão de ar ou gás; 
- micronebulizador manual. 
 
À exceção de micronebulizadores acoplados a sistemas ultrassônicos ou de 
pressão positiva, os demais podem aumentar a eficácia por meio de 
nebulização em aerocâmeras (spacers) que permitem reinalação do produto. 
Essas são particularmente úteis em pacientes fracos, com difícil entendimento 
ou em crianças menores de 5 anos. 
Aerossóis dosimentrados contêm, em geral, 15 ml de solução do fármaco, 
pressurizada em hidrocarboneto volátil. A cada compressão, liberam uma 
unidade de dose da medicação. 
 
Aerossóis produzem partículas com diâmetros que variam de 0,5 a 35 cm. 
Somente as soluções com 1 a 5 micrometros chegam ao trato 
respiratório inferior. Perda no próprio dosificador, deposição de partículas na 
via aérea superior, presença de secreções brônquicas que impedem sua 
penetração, fluxo inalatório aumentando na asma aguda fazem com que 
somente 13% ou menos da dose contida em um jato cheguem a bronquíolos 
terminais. 
Recomenda-se a seguinte técnica de utilização: bocal é colocado a 3-4 cm dos 
lábios; o paciente expira profundamente; o jato do aerossol é emitido no início 
da inspiração mantendo a boca aberta; a respiração é sustada por 10 
segundos, permitindo que as partículas progridam até os bronquíolos terminais. 
 
A fim de evitar superdosagem devem ser usados um a dois jatos por vez. 
 
Para inalação, antiasmáticos são diluídos em solução fisiológica, com 
melhor distribuição do fármaco. Diluição em água destilada é 
desaconselhada porque essa pode desencadear broncoconstrição. 
Desvantagens desse método são contaminação dos nebulizadores, irritação e 
secura da boca e libertação de somente 1-5% da dose administrada no 
trato aéreo inferior. 
Soluções em gotas devem ser usadas na cavidade nasal sem contato do 
conta-gotas com a mucosa. 
 
Colutórios 
 
São soluções de aplicação tópica em cavidade bucal e porção superior da 
faringe, administradas por meio de bochechos e gargarejos. De modo geral, 
contêm em sua composição substâncias anticépticas. Essas soluções não 
devem ser deglutidas. 
 
 
 
 
 
Soluções injetáveis 
 
São destinadas à administrarão parenteral. Sua produção requer cuidados de 
higiene especiais, resultando em produto estéril e apirogênico, A utilização de 
soluções injetáveis requer cuidados de assepsia rigorosos para evitar 
problemas de contaminação e infecções graves ao paciente. 
As soluções devem apresentar-se límpidas e transparente, isentas de resíduos 
ou cristais. Devem ser incolores, a menos que sabidamente o fármaco seja 
colorido. Tonalidade rosada de solução de anestesio local com epinefrina 
indica degradação do vasoconstritor. 
 
Xaropes 
São preparações líquidas aquosas viscosas graças a grande quantidade de 
açúcar (sacarose, em geral). Os xaropes podem conter um ou mais fármacos, 
bem como adjuvantes, tais como corantes e aromatizantes. Devem ser 
conservados em frascos bem fechados. Seu uso prolongado pode propiciar 
maior índice de cáries e afetar o controle metabólico de pacientes com 
diabete melito. 
 
Elixires e tinturas 
São fármacos dissolvidos em álcool e água, geralmente agradáveis ao paladar. 
O conteúdo alcoólico. Essas preparações devem ser dadas com cuidado aos 
alcoolistas e não podem ser ingeridas por pacientes em uso de dissulfiram. 
Os elixires podem ser diluídos em pequenas quantidades de água para 
diminuir o conteúdo alcoólico. Tinturas devem ser conservadas ao abrigo 
de luz e de altas temperaturas. 
 
Emulsões 
São preparações obtidas pela dispersão de duas fases líquidas que não se 
misturam (água e óleo). Classificam-se em sistemas óleo e água (O/A), em que 
a fase dispersa é aquosa. 
As fases são mantidas dispersas uma na outra geralmente com auxilio 
de um terceiro componente emulsificante. O fármaco pode estar contido 
na fase oleosa ou aquosa da formulação. 
Emulsões possuem viscosidade variável, de acordo com a quantidade de fase 
dispersa, podendo ser bastante líquidas até altamente viscosas, como os 
cremes. 
Utilizam-se por vias oral ou parenteral. Aplicadas sobre a pele, são 
denominadas cremes, loções ou leites, de acordo com a viscosidade. Para uso 
injetável, devem ser estéreis e apirogênicas. 
Devem ser conservadas em local fresco e ao abrigo da luz. As emulsões 
de uso tópico devem ser retiradas das embalagens do tipo pote com auxilio de 
uma espátula limpa, já que facilmente podem contaminar-se com micro-
organismos presentes na pele humana, servindo-lhe de meio de cultura. A 
contaminação em emulsões determina separação das fases e aparecimento de 
odor rançoso. 
 
Suspensões 
São dispersões de particulares sólidas do fármaco em um líquido aquoso no 
qual ele é insolúvel. São usadas por vias oral e parenteral. Suspensões 
para uso parenteral são geralmente espontâneas, isto é, preparadas para 
uso imediato. Devem ser estéreis e o tamanho das partículas sólidas não 
pode ser maior que 100 um. 
Quando a suspensão está em repouso, partículas sólidas podem-se depositar 
no fundo do frasco. Por isso, antes de retirar a dose desejada, é indispensável 
agitar vigorosamente o frasco até a redispersão completa das partículas 
sólidas no líquido, o que vai assegurar a obtenção da dose adequada. 
 
Vernizes 
Contêm fármaco misturado a veículo que endurece quando em contato 
com saliva ou água. Sua aplicação é feita sobre dentes limpos e secos. 
Recomenda-se ao paciente que evite alimentos duros e higienização logo 
após a aplicação para que o produto permaneça mais tempo em contato 
com os dentes. 
 
Formas farmacêuticas sólidas 
Pós e granulados 
Pós são misturas de fármaco com adjuvantes em forma seca, finamente 
divididos. O tamanho da partícula determina a facilidade de dissolução do 
fármaco. 
Podem ser administrados por via oral, misturados a líquido ou alimentos, 
ou por via oral, misturados a líquidos ou alimentos, ou por via parenteral. Tem 
rápido início de ação pela facilidade de dissolução. Sua administração tópica se 
faz por aplicação com espalhamento do pó. 
Quando dispersos em um gás, constituem aerossóis, mantidos sob pressão 
em frasco e sistema de aplicação apropriados e sistema de aplicação 
apropriados. 
Para aplicação, deve-se manter o frasco em posição vertical. No caso da via 
bucal, deve-se introduzir a extremidade do frasco na cavidade de modo a dirigir 
o jato para região desejada.Devido à pressão das embalagens, os aerossóis devem ser mantidos em 
locais frescos. 
Granulados são utilizados quando o fármaco é instável em meio aquoso 
(solução ou suspensão). No momento da utilização, prepara-se a mistura, 
adicionando-se determinada quantidade em água e agitando-se. Podem 
administrar-se por vias oral ou parenteral. 
Pós e granulados devem ser guardados em locais secos e ao abrigo da luz. No 
momento da utilização, prepara-se a mistura extemporânea. O rótulo deve 
especificar o prazo de validade do produto. 
 
Para evitar problemas de armazenagem, geralmente pós e granulados são 
aviados em envelopes ou frascos que contêm dose unitária. 
 
Comprimidos 
São formas farmacêuticas sólidas obtidas por compreensão da mistura de 
pós, contendo fármacos(s) e adjuvantes. Cada unidade possui dose 
determinada de fármaco. 
Em geral, são administrados por via oral e ingeridos preferencialmente intactos, 
com copo de água para facilitar sua desintegração no trato gastrintestinal. 
Outros devem permanecer cavidade bucal com a finalidade de exercer ação 
local ou permitir a absorção direta do fármaco (comprimidos sublinguais). 
Comprimidos vaginais devem ser posicionados o mais profundamente possível 
na cavidade vaginal com auxílio de aplicadores apropriados. Alguns 
comprimidos podem ser implantados subcutaneamente (implantes). 
Por liberarem o fármaco lentamente na corrente circulatória, são considerados 
formas farmacêuticas de liberação controlada. 
Suas vantagens são facilidade de utilização, dosificação precisa por unidade 
posológica, facilidade de conservação e mascaramentos de sabores e odores 
desagradáveis. 
Devido à utilização inadequada de adjuvantes ou problemas na tecnologia 
de preparação, podem apresentar liberação incompleta ou insignificante do 
principio ativo, levando à ausência de efeito farmacológico. 
Estudos de bioequivalência entre comprimidos do mesmo fármaco, porém 
fabricado em diferentes laboratoriais, são imprescindíveis para definir eficácia e 
segurança, possibilitando a eventual troca de uma especialidade farmacêutica 
por outra, sem prejuízo para o paciente. 
Comprimidos revestidos caracterizam-se por terem superfície recoberta por 
uma ou mais camadas de substâncias diversas, como resinas naturais ou 
sintéticas, gomas, açúcares, substâncias plastificantes, ceras e corantes. 
 
Quando o recobrimento é muito fino,denomina-se película, e os 
comprimidos resultantes, peliculados. 
O revestimento objetiva facilitar a deglutição, mascarar sabor ou odor 
desagradáveis, proteger o fármaco da ação de luz ou agentes 
atmosféricos, impedir a degradação no estômago, possibilitando sua 
absorção em intestino (comprimidos revestidos gastrorresistentes) e prevenir 
incompatibilidades. 
Esses comprimidos não devem jamais ser quebrados ou mastigados, sob o 
risco de perda do efeito terapêutico ou intoxicação. Devem ser guardados 
em suas embalagens originais, em locais secos e ao abrigo da luz. 
Comprimidos mastigáveis contêm flavorizantes e adoçantes que lhes dão 
aspectos e gosto agradáveis. Não devem ser deglutidos em forma intacta 
Comprimidos efervescentes devem ser desintegrados em solução antes da 
administração, liberando dióxido de carbono sob forma de bolhas. 
 
Drágeas 
São recobertas por uma camada gastrorresistente e diversas camadas de 
açúcar, visando proteger o fármaco da degradação estomacal e liberá-lo no 
suco intestinal. Como os comprimidos revestidos, não devem ser quebrados 
ou mastigados e devem ser mantidas em suas embalagens originais, em 
locais secos e ao abrigo da luz. 
 
Cápsulas 
São preparações de consistência sólida, constituídas por invólucro de gelatina 
dura ou mole, de forma e capacidade variáveis, contendo determinada 
quantidade de fármaco nas formas sólida (pós ou granulados) líquida ou 
pastosa. 
Podem ser utilizadas por via oral, vaginal e retal. Devem ser conservadas 
em abrigo de luz e umidade, pois há o risco de invólucro desmanchar. 
Cápsulas de administração oral devem ser ingeridas intactas com água. 
 
Supositório 
São formas farmacêuticas sólidas em temperatura ambiente, as quais se 
fundem ou dissolvem à temperatura do corpo. São Administradas por via retal e 
vaginal para terapias local ou sistêmica. 
Com este ltimo fim, os supositórios são utilizados na impossibilidade de uso da 
via oral (crianças, pacientes com êmese ou em como) ou quando o fármaco 
causa repugnância ao paciente. 
Apresentam-se em diversos tamanhos para o uso em diferentes idades, 
com doses especificas. Estocam-se em locais frescos e em regiões de 
temperatura ambiente. 
 
Óvulos 
Têm formato adequado para aplicação vaginal. Devem fundir-se à temperatura 
corporal, liberando o fármaco para sua ação tópico. São aplicados o mais 
profundamente possível na cavidade vaginal. 
 
Formas farmacêuticas semissólidas. 
São preparações destinadas à aplicação em pele ou certas mucosas, 
visando a ação local ou penetração percutânea. Podem ter efeitos emoliente ou 
protetor. Preparação de uso oftalmológico ou para tratamento de lesões 
externas da pele devem ser estéreis. 
 
Pomadas e pastas 
São constituídas de base monofásica na qual podem ser dispersos fármacos 
sólidos ou líquidos. Aplicam-se por fricção até desaparecimento sobre a pele. 
Pomadas vaginais são administradas com aplicadores especiais que 
acompanham a embalagem do produto, devendo ser lavados abundantemente 
após o uso. 
Pomadas oftálmicas necessitam dos mesmos cuidados de uso descritos 
para os colírios. 
Quando contêm grande quantidade de sólidos em dispersão, são denominadas 
pastas. 
 
Géis 
São constituídos de líquidos estruturados a partir de agentes gelificastes. 
Géis hidrofóbicos usualmente contêm parafina líquida gelificada com polietileno 
ou óleos gordurosos gelificados com sílica coloidal, sabões de alumínio ou 
zinco. 
Géis hidrofílicos são preparações obtidas pela incorporação de agentes 
gelificantes (derivados de celulose, polímeros carboxivinílicos, entre outros) a 
água, glicerol propilenoglicol. 
A apresentação denominada orabase enquadra-se na forma de gel, sendo uma 
base emoliente para uso odontológico, constituída por pectina, gelatina e 
caraboximetilcelulose sódica em base polietileno e óleo mineral. 
Géis de uso odontológico podem ser aplicados por meio de moldeiras 
(2,5 ml), cotonetes (5 ml) e escova dental (uma gota). 
 
Farmacologia aplicada ao atendimento 
O tratamento da dor em Odontologia. 
A intensidade da dor dental pode suplantar a das originadas em outras 
estruturas orgânicas ou dependentes de patologias diversas. Melzack compara, 
mediante um índice de dor total, as sensações advindas de 
procedimentos dentais e outras condições. 
 
Comparação entre dor dental e outras condições dolorosas 
Condição dolorosa Índice de dor total* 
Dismenorreia 17,5 
Artrite 18,8 
Dental leve (exodontia simples) 19,5 
Pós-herpética 22.6 
Dental moderada (pós-operatório)0000 23,2 
Pós-amputação 25,0 
Câncer 26,0 
Dor lombar 26,3 
Dental Intensa (após cirurgia bucofacial) 32,4 
* Índice de dortotal, obtido mediante o questionário de dor de McGill. 
 
Sendo a dor uma sensação subjetiva, o profissional só consegueavaliá-la a 
partir da descrição que o paciente faz. Como o mesmo estímulo nociceptivo 
podem produzir variados graus de dor em diferentes indivíduos, o dentista pode 
considerar que o paciente exagera sua queixa em relação ao estímulo 
aplicado. 
Esse preconceito motiva, às vezes, que a dor seja subtratada. Pouca 
valorização da queixa do paciente, desconhecimento do embasamento 
famacológico da prescrição analgésica e temor demasiadodos riscos 
medicamentosos levam ao subtratamento. 
No sentido de corrigir o primeiro aspecto, o dentista deve-se conscientizar 
de que, para o sucesso da terapêutica, é importante valorizar a percepção de 
dor referida pelo paciente, a qual pode ser maior ou menor do que a antecipada 
pelo dano tecidual existente. 
A correção dos demais aspectos se inicia pela adequada compreensão e 
caracterização do fenômeno dor, elementos fundamentais para o 
embasamento terapêutico. 
Difícil e variada tem sido a definição de dor. Por isso, a Associação 
Internacional para o Estudo da Dor propôs sua conceituação “como uma 
experiência sensorial e emocional desagradável, relacionada com lesão 
tecidual real ou potencial, ou descrita em termos deste tipo de dano”. Aqui se 
pressupõe a existência de dois componentes: a sensação dolorosa 
propriamente dita ou nociepção e a reatividade emocional à dor. 
 
A nociepção se refere à atividade do sistema nervoso aferente induzida 
por estímulos nocivos. 
Esses compreendem estímulos exógenos (mecânicos, químicos, físicos e 
biológicos) e endógenos (inflamação, exposição de dentina, isquemia 
tecidual). 
Sua recepção em nível periférico se dá em estruturas específicas, situadas nas 
terminações nervosas livres e denominadas nocieceptores. Em tecidos 
normais, esses não respondem a estímulos leves. 
Porém, na presença de inflamação, podem ser sensibilizados 
(hiperalgesia) por prostaglandinas e dopamina, tendo como mediadores 
AMP cíclico e cálcio, em que a concentração aumenta nos terminais 
nervosos. Isso os torna mais receptivos à ativação por bradicinina e 
histamina, substância endógenas indutoras de dor. 
Em sequência, os estímulos são conduzidos através de vias nervosas 
periféricas sensitivas até o sistema nervoso central, onde, em nível talâmico e 
cortical, se faz a integração da sensação dolorosa. 
O cérebro modula a dor, mediante vias eferentes inibitórias, de modo que a 
sensação resulta desses dois processos antagônicos. Toda atividade nervosa 
está vinculada à presença de neurotransmissores e neuromoduladores em vias 
aferentes (substância P, GABA, colecistocinina, somatostina, encefalinas). 
Assim, a clonidina, agonista alfa-adrenérgico, produz significante analgesia 
em humanos, quando administrados no líquido celorraquidiano. Preservadores 
de serotonina, como antidepressivos tricíclicos, modulam impulsos 
descendentes do cérebro, reduzindo dor neuropática. 
Dos compostos gabaérgicos, somente baclofeno produz analgesia, podendo 
ser usado para tratar neuralgia do trigêmeo não responsiva a outros 
agentes. 
Prostaglandinas provavelmente exercem um papel na doença periodontal. 
O tecido lesado e o fluido crevicular de doentes periodontais contêm maiores 
quantidades de prostaglandinas que os de pacientes sadios. O uso de 
inibidores de prostaglandinas tem sido associado com diminuição de perda 
óssea, pensando-se que esses autocóides estejam envolvidos na mobilização 
de cálcio do osso e de outros tecidos. 
 
Uma exceção à sequência descrita consiste na dor induzida por mecanismos 
neuropáticos, correspondente a lesões no sistema nervoso central e 
periférico. Pode ter natureza intensa e está frequentemente associada a 
outras alterações sensitivas (disestesias). 
Um exemplo de dor sem nocicepção é a presente em membro amputado 
(dor do membro fantasma), em que a neurofisiologia vem sendo 
gradativamente reconhecida. Em Odontologia, tem sido descrita a presença de 
dor de dente fantasma, dor da arnela dentária (resto de raiz incluso na gengiva) 
e síndrome da mordida fantasma. 
A dor de dente fantasma segue-se usualmente a extirpações da polpa, 
apicectomias ou extrações dentárias. Caracteriza-se por dor dentária 
permanente, não aliviada por tratamentos endodônticos, apicectomias ou 
exodontias. Rizotomia do trigêmeo e descompressão microvascular pode, 
inclusive, exacerbar a dor. 
Dor da arnela dentária constitui seqüela de exodontia e pode ser causa de 
rejeição ao uso de prótese. A síndrome da mordida fantasma corresponde à 
sensação associada à inabilidade de adaptar-se a alterações na oclusão 
dentária. Varia de leve parestesia a vívida sensação da parte amputada. Pode 
ocorrer em confecção de extensas próteses dentárias e início de tratamento 
ortodôntico. 
A reatividade emocional à dor corresponde à interpretação afetiva dessa 
sensação, de caráter individual e influenciada por estados ou traços 
psicológicos, experiências prévias e condições culturais, sociais e ambientais. 
Esses fatores são capazes de filtrar, modular ou distorcer a sensação 
dolorosa, que é a aproximadamente igual em todos os indivíduos que têm as 
vias nervosas íntegras. 
Se um paciente associa suas primeiras experiências de tratamento 
odontológico com dor, isso poderá afetar seu comportamento em futuros 
atendimentos, em que o medo se confundirá com dor. Isso pode levá-lo a 
negligenciar tratamento dentário, agravando patologias existentes. 
O manejo dessas patologias provavelmente acarretará mais dor, o que 
funcionará como reforço negativo, exigindo medidas analgésicas mais intensas. 
Qualquer abordagem terapêutica da dor deve necessariamente levar em conta 
os componentes acima referidos. Assim, melhores resultados são obtidos 
quando o objetivo não é apenas eliminar a sensação dolorosa, mas sim dar 
alívio ao paciente que tem dor. 
Dentro desse contexto, não deve ser esquecido o controle de 
manifestações interrelacionadas à dor, tais como ansiedade, depressão, 
distúrbios do sono, anorexia, lassidão, alterações neurovegetativas 
 
DOR 
Terapia para 
componentes 
 orgânicos 
 
Terapias para 
 sintomas 
 intercorrentes 
 
Terapia para 
componentes 
 afetivos 
 
(taquicardia, hipertensão arterial, midriase) espasmos musculares alterações 
de certos reflexos. 
A caracterização da dor é importante para a seleção da conduta analgésica a 
ser adotada. Assim, a dor pode ser classificada segundo critérios 
temporais (aguda e crônica) topográficos (localizada e generalizada; 
tegumantar e visceral) fisiopatológicos (orgânica e psicogênica) e de 
intensidade (leve, moderada e intensa). 
A dor aguda em Odontologia provém de dentina exposta ou inflamação. A 
dor dentinária é súbita e desencadeada por estímulos como ar, frio e presença 
de açúcares hipertônicos, acometendo entre 8% e 30% da população adulta, 
especialmente dos 20 aos 40 anos. 
Normalmente aconselha-se que haja movimentos de fluido nos túbulos 
dentinais, o qual estimula fibras nociceptivas localizadas no lado pulpar dos 
microtúbulos. A exposição de dentina ocorre por perda de esmalte, 
cemento ou gengiva, aumentando a sensibilidade com idade ou após irritação 
crônica. 
A abordagem terapêutica consiste no bloqueio físico do movimento do fluido 
intratubular, alcançado por aplicação de nitrato de potássio, fluoreto de sódio e 
cloreto de estrôncio sob a forma de dentifrícios. Esses produtos,usados ppo 
quatro ou oito semanas, mostram-se significativamente superiores ao placebo 
quando foram medidas a sensibilidade tátil e ao frio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A dor proveniente de processo inflamatório tem curso mais prolongado devido 
a estímulos mais sustentados em nociceptores periféricos, determinado a 
liberação de mediadores locais indutores de dor. Pode acompanhar-se de 
edema, isto é, um aumento de temperatura local ou perda de função. Por 
vezes, apesar da origem inflamatória, esses sinais estão ao mesmo tempo, 
ausentes, sendo a dor um fenômeno isolado e, como tal, devendo ser 
manejado. 
Dor crônica, de menor frequência em Odontologia, inclui odontalgia atípica, dor 
facial psicogênica, neuralgia deibática ou pós-herpática, dor facial atípica, 
distúrbios temporomandibulares, fibromialgia e outras. Sua etiologia não 
está bem esclarecida. Geralmente aceita-se uma relação entre dor e 
depressão. 
É comum a divisão em dor orgânica – frequentemente de causa conhecida, 
bem descrita e localizada pelo paciente, responsiva às medidas terapêuticas – 
e dor psicogênica para a qual não se encontra causa, é pouco definida, mal 
situada e não facilmente aliviada com analgésicos convencionais. Muitas 
vezes, os profissionais reagem negativamente a pacientes que apresentam 
a última condição, não a encarando como queixa real. Essa atitude é contrária 
à ideia de que se trata como um modo o paciente que tem dor. Provavelmente, 
aqui se adequarão as abordagens 
Dor visceral caracteriza-se geralmente por ser de maior intensidade, 
intermitente, ou seja, que acontece em intervalos, às vezes com exacerbações 
(dor em cólica) e mais responsiva a analgésicos opioides. 
Dor tegumentar, que inclui a dor dental, associada ou não a processo 
inflamatório periférico, costuma ser de leve a moderada intensidade, contínua e 
mais responsiva a analgésicos não opioides. No entanto, pode-se ter dor dental 
de caráter cruciante, geralmente associada a processos pulpares ou 
perirradiculares, em que o manejo exige analgesia eficaz. 
Quanto à intensidade, as dores podem ser leves, moderadas ou intensas, o 
que pode ser caracterizado mediante modelos experimentais de dor. 
Dores leves devem ser preferencialmente tratadas com analgésicos não 
apioides. Para dores moderadas ou leves não responsivas às primeiras 
medidas, utilizam-se associações de analgésicos opioides e não opioides. 
Para as intensas ou moderadas não responsivas, empregam-se 
analgésicos opioides. Essa abordagem sequencial, indicada pela Organização 
Mundial de Saúde, é utilizada inclusive no tratamento da dor cancerosa. A 
eficácia analgésica é mais bem avaliada por ensaios clínicos controlados por 
placebo e duplo-cegos. 
Os resultados são mais bem evidenciados em casos de dor moderada a 
intensa, uma vez que as leves não permitem a adequada discriminação 
entre tratamento e placebo. O controle do efeito placebo é importante porque 
esse ocorre em aproximadamente 1/3 dos pacientes com dores moderadas. 
Isso não deve ser interpretado como o paciente tendo dor fictícia. Ao contrário, 
espelha o papel que fatores psicológicos têm sobre percepção e descrição da 
dor e até sobre condução de estímulos dolorosos. 
 
Modelos de dor dental usados na determinação da eficácia analgésica 
clínica 
Modelo 
 
Resposta ao 
placebo 
 
% pacientes sem 
dor pós-
operatória 
 
Sensibilidade 
ao ensaio 
Extração 
 
alta 
 
30-50 
 
baixa 
Cirurgia 
Óssea e 
Periodontal 
 
moderada 
 
 
10-20 
 
 
Boa (analgésico não 
apioide) 
 
Impactação de 
3º molar 
 
baixa 
 
 
<5 
 
 
Moderada(analgésico 
opioide+ não opioide) 
Excelente 
(analgésico opioide) 
 
 
Princípios gerais no tratamento da dor 
 
No manejo terapêutico da dor, deve-se atentar para os seguintes princípios 
gerais: 
- identificar a origem da dor, bem como sua intensidade; 
- se possível, eliminá-la com agentes específicos; 
- se o tratamento for sintomático, iniciar com analgésicos menos potentes e 
com menores efeitos adversos; 
- utilizar esquemas de administração apropriados por tempo adequado; 
- usar doses equianalgésicas; 
- na vigência de falha terapêutica, reavaliar doses e intervalos entre 
administração antes de substituir o agente escolhido; 
- frente à necessidade de substituição, usar a sequência de analgésicos 
não opioides, associações de opioides e não opioides e, finalmente, 
opioides; 
- não empregar analgésicos na base de ”se necessário” em situações 
comprovadamente dolorosas, pois é mais fácil tratar a dor inicial que a já 
instalada; 
- monitorar efeitos adversos; 
- não usar placebo para diagnosticar dor psicogênica. 
Fármacos utilizados no tratamento da dor produzem alívio na maioria dos 
pacientes, desde que bem administrados convenientemente. A falha 
terapêutica deve ser bem avaliada, antes que se façam correções de 
esquemas ou substituições de analgésicos. 
É preciso não esquecer a ixixtência de pacientes se “beneficiam” da dor, 
perpetuando-a e exigindo tratamentos mais enérgicos (analgésicos mais 
potentes e injetáveis), em função de outros tratamentos associados à doença 
ou distúrbios de personalidade. 
O agravamento da doença básica e o aparecimento de complicações clínicas 
podem aumentar a intensidade da dor, necessitando de reajuste do esquema 
terapêutico proposto. 
Outra explicação para a falha terapêutica é o emprego de analgésicos na 
base de “se necessário” em situações de maior trauma cirúrgico. Isso se 
deve a que salicilatos e correlatos inibem a hiperalgesia, justificando a melhor 
resposta clínica obtida com tratamento precoce. 
O tratamento da dor instalada (analgesia) é mais difícil, pois já foram 
desencadeados mecanismos envolvidos na sensibilidade dolorosa, 
intensificando a dor. Preferem-se administrações a intervalos fixos durante o 
período em que se prevê a ocorrência de dor importante. 
O uso de analgesia prévia ao estímulo nocigênico (como em 
procedimentos cirúrgicos), visando minimizar a dor pós-operatória, estaria 
justificado pela descoberta da sensibilização central. 
Segundo essa teoria, os estímulos de nociceptores periféricos provocariam 
a liberação, em sinapses medulares, de neurotransmissores de longa ação 
que, por sua vez, aumentariam a excitabilidade dos neurôniosmedulares, 
perpetuando a dor. 
 
Abordagem terapêutica da dor 
A dor pode ser prevenida e tratada. Em quaisquer dessas circunstancia, se 
está realizando analgesia, o que significa um estado em que o indivíduo não 
sente mais dor. 
Também se pode manejá-la por meio da anestesia, que significa a perda da 
sensação dolorosa, associada ou não a perda da consciência. 
 
 SÍTIOS DE AÇÃO AGENTES 
Córtex cerebral 
 
Analgésicos opioides 
 
Substância cinzenta 
periaquedutal Núcleo arqueado 
hipotalâmico hipófise 
 
Analgésicos opioides 
 
Núcleo da rafe bulbares 
Núcleo caudal bulbar 
 
Analgésicos opioides 
 
Como dorsal da medula 
espinhal 
 
Analgésicos opioides 
 
Fibra nervosa periférica 
 
Anestésicos locais 
 
Nociceptores 
 
Analgésicos não opioides 
 
 
 
Analgésico e anestésico atuam em diferentes locais, desde o nociceptor 
periférico até o córtex cerebral, passando por estruturas de condução 
nervosa de dor. 
As medidas terapêuticas podem ser específicas (tratamento primário ouetiológico, como uso de antimicrobianos ou antineoplásticos, ressecção 
cirúrgica de tumor ou drenagem de abscesso) ou sintomáticas. 
Essas são divididas em medicamentos (neurolíticas, anestésicas e 
analgésicas) e não medicamentosas (técnicas psicológicas, fisioterápicas, 
neurocirúrgicas, acupuntura, hipnoterapia, estimulação elétrica percutânea). 
 
O tratamento etiológico deve ser feito sempre que possível. 
MEDICAMENTOSAS 
 
NÃO MEDICAMENTOSAS 
 
Neurolíticos 
 
anestésicos 
Gerais 
Locais 
 
psicológicos 
relação com paciente 
psicoterapia 
Técnicas comportamentais 
 
analgésicos 
não opioides 
opioides 
fisioterápicos 
aplicação local de calor ou frio 
imobilização/repouso 
exercícios moderados 
Coadjuvantes 
ansiolíticos 
neurocirúrgicas 
antidepressivos 
relaxantes musculares 
 
neurocirúrgicas 
neurectomia 
rizotomia 
cordotomia 
 
 
agentes específicos 
Carbanazepina 
outra 
acupuntura 
(neuralgia do trigêmio) 
Fenitoína 
(neuralgia do trigêmeo) 
Baclofeno 
 
hipnoterapia 
Estimulação elétrica percutânea 
 
 
Em processos infecciosos dentais, a dor associada será eliminada com o 
tratamento antimicrobiano apropriado. Nesses casos, o analgésico (medida 
sintomática) é apenas coadjuvante, podendo ser administrado no período que 
precede a remissão da infecção. 
O manejo sintomático está condicionado ao diagnóstico estabelecido, bem 
como ao comportamento do paciente frente à dor, o que origina diferenças de 
respostas ao emprego de medidas medicamentosas ou não. 
 
Anestésicos locais 
Este tópico tem como objetivo tecer considerações sobre os anestésicos 
locais, enfocando os aspectos relativos à Farmacologia, às principais 
reações adversas, ao uso dos vasoconstrictores, às indicações e 
contraindicações e o uso durante a gravidez. 
A anestesia local é definida como um bloqueio reversível da condução 
nervosa, determinando perda das sensações sem alteração do nível de 
consciência. 
A procura por substâncias que pudessem amenizar a sensação dolorosa 
vem desde a antiguidade, onde já se conhecia o ópio (suco da papoula). Antes 
da descoberta dos anestésicos, também eram utilizados, asfixia temporária do 
paciente na qual se provocava uma isquemia cerebral e um desmaio 
momentâneo (se necessário dava-se uma pancada na cabeça do paciente, 
atordoando-o). 
Nessa última opção, caso esse procedimento não resolvesse, o paciente 
era vigorosamente imobilizado pelos membros por quatro auxiliares e o 
cirurgião poderia realizar o seu esperado trabalho. 
 
Albert Nieman, em 1860, utilizou o primeiro anestésico local na Medicina 
e Odontologia que foi a cocaína, isolada da Erytroxycolon coca. No ano de 
1880, Von Srep desenvolveu um estudo de suas propriedades 
farmacológicas. 
Os benefícios da cocaína foram bastante apreciados e logo passou a ser 
administrada com eficácia em vários procedimentos médicos e 
odontológicos. Várias pesquisas tiveram início à procura de substitutos 
sintéticos para a cocaína, tendo Ein Horn, em 1905, sintetizado a procaína, que 
deu início à descoberta dos anestésicos locais utilizados até hoje. 
Atualmente, os anestésicos locais mais utilizados em Odontologia são aminas 
terciárias com propriedades hidrofílicas e lipofílicas, sintetizados na década de 
40. 
 
Farmacologia 
Pode-se dividir a molécula do anestésico local em três partes: um grupamento 
amínico secundário ou terciário, que confere às moléculas 
hidrossolubilidade. 
Outro, aromático que concede às moléculas propriedades lipofílicas, que são 
essenciais para a sua penetração nas fibras nervosas. Por último, unindo essas 
duas partes, uma cadeia intermediária que é importante em dois aspectos. 
Primeiramente, fornece a separação espacial necessária entre as extremidades 
lipofílica e hidrofílica e também a ligação química entre os dois grupamentos, 
servindo como base para a classificação dos anestésicos locais em dois 
grupos: os ésteres (-COO) e as amidas (-NHCO-). 
A cadeia intermediária é de grande relevância, já que há grandes diferenças no 
grau de alergenicidade, na potência e no metabolismo, quando comparamos os 
dois grupos de fármacos. 
A anestesia local determina abolição de funções autonômicas e sensitivo-
motoras. O comprometimento da condução em fibras periféricas obedece à 
determinada sequência, em que primeiramente se bloqueiam as autonômicas, 
depois as responsáveis pelas sensibilidades térmica, dolorosa e tátil, a seguir 
as relacionadas à pressão e vibração e, por último, as proprioceptivas e 
motoras. 
Essa sequência depende do diâmetro, porção e da mielinização das fibras 
nervosas. A recuperação das funções nervosas se dá na ordem inversa. 
 
Um bom agente anestésico deve apresentar baixa toxicidade sistêmica; 
não ser irritante aos tecidos e também não causar lesão permanente às 
estruturas nervosas. O tempo para início da anestesia deve ser o mais curto 
possível e a duração de ação suficiente para a realização do procedimento 
cirúrgico, com ação reversível. 
Estudos apontam que os anestésicos locais, além de realizarem o bloqueio da 
condução nervosa, também interferem na função de todos os órgãos nos quais 
ocorrem condução ou transmissão de impulsos nervosos. 
Assim sendo, exercem ação sobre o sistema nervoso central (SNC), gânglios 
autonômicos, função neuromuscular e em todos os tipos de fibras musculares. 
No SNC, o estímulo é seguido de depressão idêntica à causada pelos 
anestésicos gerais, nos quais doses extremamente altas prejudicam a função 
respiratória, podendo levar a óbito por asfixia. 
A duração da anestesia é determinada pelo grau de ligação protéica. Os 
anestésicos que apresentam grande afinidade ao componente protéico do 
nervo têm menos probabilidade de se difundirem do local da injeção e serem 
absorvidos pela circulação sistêmica. 
Apesar dessas drogas serem bases fracas, as preparações farmacêuticas (sais 
de hidrocloreto) são levemente ácidas, com pH variando de 4,5 a 6,0 nos 
tubetes odontológicos, sendo que essa acidez aumenta a estabilidade das 
soluções anestésicas. 
Uma vez injetados nos tecidos, com pH mais alcalino (pH = 7,4), há 
tamponamento ácido, liberando base em forma não-ionizada, passível de ser 
absorvida. Devido à instabilidade e reduzida solubilidade, quando em 
solução, são comercializados na forma de sais hidrossolúveis, geralmente 
cloridratos. 
 
Farmacocinética 
É de relevância no que se refere à absorção, que essas substâncias, quando 
injetadas nos tecidos moles exerçam uma ação farmacológica nos vasos 
sanguíneos da área. Todos apresentam algum grau de vasoatividade, sendo 
na maioria vasodilatadoras. 
A exceção é a cocaína, que também é a única substância que tem uma 
significativa absorção pelo trato gastrintestinal, quando administrada por via 
oral. 
Após absorvidos pela corrente sanguínea, os anestésicos locais são 
distribuídos para todos os tecidos do corpo, apresentando uma meia-vida que 
vai de alguns minutos a algumas horas, dependendo da droga 
empregada. 
Os órgãos e áreas altamente perfundidos, como o cérebro, fígado, rins, 
pulmões e baço, apresentam inicialmente maiores níveis sanguíneos do 
anestésico do que aqueles menos perfundidos. 
Quanto à biotransformação, há uma relativa diferença entre os 
anestésicos do tipo éster e os do tipo amida. Enquanto os primeiros são 
hidrolisados por colinesterases plasmáticas, os segundos por enzimas 
microssomais hepáticas,tendo uma maior duração de efeito que aqueles. 
Faz-se exceção a tetracaína em que o efeito é mais prolongado. 
O metabolismo do anestésico local é importante, pois a toxicidade geral da 
droga depende do equilíbrio entre a velocidade de absorção para a corrente 
sanguínea no local da injeção e a velocidade em que ela é removida do 
sangue, através dos processos de absorção tecidual e metabolismo. 
No que diz respeito à excreção, os rins são os órgãos excretores primários 
tanto para os anestésicos locais quanto para seus metabólitos. Doenças renais 
significativas representam uma contraindicação relativa à administração de 
anestésicos locais, já que os rins podem ser incapazes de eliminar do sangue o 
anestésico original ou seus principais metabólitos, resultando em um ligeiro 
aumento dos níveis sanguíneos desse composto e um aumento no potencial de 
toxicidade. 
 
Anestésicos locais mais utilizados em Odontologia 
Dentre os anestésicos locais comercializados, os mais utilizados na 
Odontologia são a lidocaína, a prilocaína, a mepivacaína e a bupivacaína. 
Incluem-se ainda a articaína, a ropivacaína e a levobupivacaína, sendo estas 
duas últimas, alternativas mais seguras para a bupivacaína, por apresentar 
menos toxicidade sistêmica. 
A lidocaína é considerada o anestésico padrão em Odontologia, com o qual 
todos os outros anestésicos são comparados. Foi o primeiro agente anestésico 
do grupo amida a ser sintetizado, em 1943, por Nils Lofgren. 
Sua ação é iniciada por volta de dois a três minutos e tem eficácia em uma 
concentração de 2%. Sua dose máxima recomendada é de 7,0mg/Kg em 
adultos, não excedendo 500mg ou 13 tubetes anestésicos. 
É encontrada comercialmente nas concentrações de 1% e 2%, com ou sem 
vasoconstrictor. Para aplicação tópica sua concentração pode ser de 5%. 
 
 
Prilocaína 
 
Estudos apontam que a Prilocaína foi sintetizada pela primeira vez em 1953 
por Lofgren e Tegnér, tendo sido descrita apenas em 1960. Apresenta 
uma potência e toxicidade duas vezes maior que a lidocaína e um início de 
ação mais retardado, por volta de 2 a 4 minutos. 
A dose máxima recomendada é de 6,0 mg/kg, não excedendo 400mg ou 
7 tubetes anestésicos na concentração de 4%, no paciente adulto. A 
concentração odontológica eficaz é de 4%. Esse anestésico não apresenta 
formulação tópica. 
A técnica infiltrativa oferece pouco tempo de anestesia pulpar, enquanto o 
bloqueio regional fornece uma anestesia pulpar de até 60 minutos. 
Comercialmente, só é encontrado na concentração 3% e tendo a felipressina 
como vasoconstrictor. Formulações genéticas podem ser encontradas na 
concentração de 4%, sendo estas as que provêm melhores resultados. 
 
Mepivacaína 
É amplamente utilizada no campo odontológico, sendo classificada como um 
anestésico de duração intermediária. Foi preparada por A. F. Ekenstam, 
em 1957, e introduzida na odontologia em 1960. Apresenta potência e 
toxicidade duas vezes maior que a lidocaína, tendo o seu início da ação por 
volta de um minuto e meio a dois minutos. 
A dose máxima é de 6,6 mg/kg, não devendo ultrapassar 400mg ou 11 tubetes 
anestésicos. A concentração odontológica eficaz é de 2% (com vasoconstritor) 
e de 3% (sem vasoconstritor). 
Uma de suas vantagens é que esta substância consegue ter um tempo maior 
de anestesia do que os outros anestésicos sem o uso do vasoconstrictor. É 
sintetizada apenas por laboratórios especializados em artigos odontológicos. 
No Brasil, dentre os anestésicos de longa duração, somente o cloridrato 
de bupivacaína está disponível comercialmente. Apresenta potência quatro 
vezes maior que a lidocaína e uma toxicidade quatro vezes menor. Inicia sua 
ação por volta de seis a dez minutos. Apresenta uma dose máxima 
recomendada de 1,3mg/ kg, não devendo ultrapassar 90mg ou 10 tubetes. 
Quanto ao tempo de duração, a anestesia mandibular pode persistir de cinco 
a nove horas. Os estudos sobre sua toxicidade mostram que ocorrem 
devido à superdosagem ou por injeção acidental do anestésico nos vasos 
sanguíneos, não sendo essas reações diferentes das que ocorrem com os 
outros anestésicos locais. 
Em tubetes anestésicos é encontrado na concentração de 0,5%, porém em 
ampolas de 20ml podem ser encontrados nas concentrações de 0,25%, 0,50% 
e 0,75% (com ou sem vasoconstritor). É o anestésico mais utilizado em 
recintos hospitalares. 
 
Articaína 
A articaína foi aprovada para uso nos Estados Unidos em abril de 2000, tendo 
como nome comercial Steptocaine 4% com 1:100.000 de epinefrina. Sua 
dose máxima recomendada é 6,6mg/Kg, não ultrapassando 500mg ou 6 
tubetes (Mikesell et al., 2005; DEF, 2004). Vasoconstritores 
Os vasoconstritores são importantes componentes das soluções 
anestésicas. No passado, atribuíam-se várias desvantagens a eles, porém, 
muitas delas decorriam em função do uso inadequado: injeções 
intravasculares, concentrações elevadas, aplicações rápidas e grandes 
volumes, levando à intoxicação relativa. 
Estudos apontam que quase nenhuma solução anestésica teria efeito sem 
o emprego dos vasoconstrictores, tendo como principal vantagem a absorção 
lenta do sal anestésico, que reduz a toxicidade deste, aumenta a duração da 
anestesia, possibilita o uso de quantidades menores de solução, além de 
aumentar o efeito anestésico. 
As substâncias vasoconstritoras podem pertencer a dois grupos 
farmacológicos: aminas simpatomiméticas e análogos da vasopressina. As 
mais comuns são a adrenalina/epinefrina, a noradrenalina/noraepinefrina, a 
fenilefrina e o octapressin/felipressina. 
A adrenalina é também uma substância endógena, produzida pelas supra-
renais quando o SNC é ativado. Essa substância tem a capacidade de se ligar 
aos receptores e α e β dos órgãos inervados pelo simpático e de produzir a 
célebre “reação de alarme”, descrita por Cânon, na década de 40, que prepara 
o animal para a luta ou fuga. 
Normalmente, os vasoconstritores associados aos anestésicos locais não 
produzem efeitos farmacológicos, além da constrição arteriolar localizada. 
Uma das maiores polêmicas que existe em relação aos vasoconstritores, 
é o de usá-los ou não em pacientes cardiopatas, uma vez que a adrenalina 
eleva a pressão sistólica e a frequência cardíaca, causando palpitações e dor 
torácica. 
A felinefrina não provoca estímulo cardíaco direto, mas pode elevar de forma 
significativa as pressões sistólica e diastólica. Como consequência destas 
alterações, através do reflexo vagal, provoca-se a queda da frequência 
cardíaca. 
A noradrenalina eleva as pressões sistólica e diastólica epraticamente não 
interfere com a frequência cardíaca. Por induzir vasoconstrição mais 
acentuada, o dano tecidual é maior, o que leva alguns autores 
desaconselharem o uso deste vasoconstrictor. 
A felipressina ou octapressin é uma análoga sintética da vasopressina, ormônio 
produzido pela neurohipófise e também conhecida como hormônio antidiurético 
ou ADH. 
Além disso, a felipressina não apresenta efeitos diretos sobre o 
miocárdio, mas é um potente vasoconstritor coronariano, o que pode levar a 
crises de angina com isquemia miocárdica, em pacientes com alguma 
deficiência na circulação coronariana. 
Caso aconteça alguma complicação com o paciente não será pelo 
vasoconstrictor do anestésico, mas sim pelas catecolaminas endógenas 
liberadas na circulação, já que a quantidade liberada, em uma situação de 
estresse, é muito acima da contida em um tubete odontológico, tornando-se 
irrisória a quantidadeali presente. 
Como contraindicações no uso de vasocontritores, estudos citam angina 
pectóris instável, infarto do miocárdio recente (até 6 meses), acidente 
vascularcerebral recente, cirurgia de revascularização miocárdica recente, 
arritmias refratárias, insuficiência cardíaca congestiva intratável ou não-
controlada, hipertireoidismo não controlado, diabete melitus não controlado, 
feocromocitoma e hipersensibilidade a sulfitos. 
 
As complicações quando ocorrem, podem ser divididas em psicogênicas e não 
psicogênicas. As primeiras independem do anestésico e estão relacionadas ao 
estado de estresse do paciente. As ocorrências mais comuns são a lipotímia e 
a hiperventilação. As não psicogênicas são raras, estando relacionadas à 
técnica de administração inadequada, superdosagem ou a uma reação alérgica 
ao anestésico. 
Grande parte dos eventos considerados alérgicos decorre de reações 
tóxicas aos anestésicos locais diretamente no Sistema Nervoso Central e 
cardiovascular. Os anestésicos locais podem desencadear reações alérgicas 
dos tipos I (hipersensibilidade imediata) e IV (dermatite de contato). 
 
Os do tipo éster causam reações do tipo IV, enquanto os do tipo amida podem 
causar ambos os tipos de hipersensibilidade. As manifestações clínicas 
sugestivas de hipersensibilidade mediada por IgE incluem prurido, urticária, 
broncoespasmo e angioedema. Na maioria dos casos, esses eventos ocorrem 
até uma hora após a exposição. 
Outras ocorrências tais como dispnéia, hipertensão arterial ou síncope, 
poderiam ser eventualmente mediadas por IgE, entretanto, podem envolver 
outros mecanismos. Deve-se ter cuidado com os pacientes asmáticos 
alérgicos, principalmente, os dependente de corticósteróides, pois geralmente 
apresentam alergia aos sulfitos encontrados nas soluções contendo aminas 
simpatomiméticas, sendo nesse caso indicadas soluções com felipressina 
Uma enfermidade que pode acometer o paciente quando do uso dos 
anestésicos locais e que os cirurgiões-dentistas não estão habituados a lidar a 
observar como rotina, é a meta-hemoglobinemia. Trata-se de uma cianose que 
ocorre na ausência de anormalidades cardíacas e/ou respiratórias, 
podendo ser congênita ou adquirida. 
Os anestésicos que mais causam a meta-hemoglobinemia são a prilocaína, a 
articaína e a benzocaína (uso tópico), os quais devem ser evitados em grandes 
cirurgias, portadores de insuficiência cardíaca, respiratória ou doenças 
metabólicas e em gestantes, por causa do risco do feto vir a contrair a doença. 
O paciente se apresenta letárgico, com os leitos ungueais e as mucosas 
cianóticas, dificuldades respiratórias e a pele em tom cinza pálido. O seu 
tratamento se dá através da administração intravenosa de azul-de-metileno a 
1% (1,5mg/Kg), podendo a dose ser repetida a cada quatro horas até a cianose 
ser debelada. 
 
Uso em gestantes 
Alguns aspectos devem ser observados quando da utilização de anestésicos 
locais em gestantes, dentre eles: técnica anestésica, quantidade da droga 
administrada ausência/presença de vasoconstritor e os efeitos citotóxicos. 
O anestésico local pode afetar o feto de duas maneiras: diretamente (quando 
ocorrem altas concentrações na circulação fetal) e indiretamente (alterando o 
tônus muscular uterino ou deprimido os sistemas cardiovascular e respiratório 
da mãe). 
A lidocaína é o anestésico mais apropriado para as gestantes, segundo a 
literatura pesquisada. Prilocaína e articaína não devem ser usadas por 
poderem levar à meta-hemoglobinemia, tanto na mãe quanto no feto. 
A bupivacaína apresenta a maior cardiotoxidade, maior penetrabilidade nas 
membranas do coração e maior resistência após eventual parada 
cardíaca. Em relação à mepivacaína, mais pesquisas devem ser 
realizadas já que seus riscos para o feto não são bem detalhados, 
portanto, seu uso é desaconselhado. 
Quanto ao uso dos vasoconstrictores em gestantes, quando os benefícios 
superarem os riscos, os mesmos devem ser utilizados. Sem 
vasoconstrictor, o anestésico pode não ser eficaz, além de seu efeito passar 
mais rapidamente. 
A dor resultante pode levar o paciente ao estresse, fazendo com que jhaja 
liberação de catecolaminas endógenas em quantidades muito superiores 
àquelas contidas em tubetes anestésicos e, consequentemente,mais 
prejudiciais. 
A felipressina deve ser evitada em pacientes grávidas por ser derivada 
da vasopressina e, teoricamente, ter capacidade de levar à contração 
uterina. 
Noradrenalina na concentração 1:25.000 e 1:30.000 não devem ser usadas, 
tendo em vista o grande número de complicações cardiovasculares e 
neurológicos causados por essa substância, sendo a concentração 
1:50.000 a mais indicada. 
A anestesia em Odontologia, apesar da segurança atualmente garantida 
pelos anestésicos, merece receber cuidados especiais na observação do 
estado de saúde do paciente, da correta seleção do agente anestésico, do 
manuseio e conservação dos tubetes anestésicos e, principalmente 
conhecimento adequado das técnicas anestésicas disponíveis e suas 
variações. 
O cirurgião-dentista deve estar sempre atento à dosagem do anestésico 
local utilizado e aos sinais e sintomas apresentados pelo paciente durante 
a realização da anestesia. 
O grau de toxicidade de um anestésico vai depender do tipo de droga utilizada 
e do estado de saúde do paciente. A ocorrência de reação alérgica por 
anestésicos locais é bastante rara, mas o paciente pode relatar história 
pregressa de alguma reação interpretada como hipersensibilidade. Apenas 1% 
das reações adversas que ocorrem em função de uma anestesia representam 
este tipo de reação. 
A articaína juntamente com a prilocaína são os anestésicos que mais 
apresentam casos de parestesias mandibulares, sendo os únicos 
comercializados na concentração de 4%. Também apresentam um risco 5x 
maior de causar neuropatias e podem levar também à meta-hemoglobinemia. 
A articaína consegue prover um efeito semelhante, estatisticamente, 
quando comparada aos outros anestésicos locais. 
A mepivacaína 3% sem vasoconstritor é recomendada em pacientes nos quais 
não se indicam um vasocontritor e também em procedimentos que não 
requeiram anestesia pulpar de longa duração ou com grande profundidade 
(Malamed, 2004). Mendonça et al. (2003) verificaram que a mepivacaína foi a 
droga mais utilizada nos procedimentos realizados na Clínica 
Integrada da Universidade de Feira de Santana-BA. A maioria dos casos ficou 
dentro da dose máxima recomendada pela literatura e apenas dois pacientes 
apresentaram reações adversas. 
Os agentes anestésicos novos (ropivacaína e levobupivacaína) podem ser 
considerados mais seguros que a bupivacaína, lembrando que essa segurança 
não é de 100%. A ropivacaína apresenta menos reações neurotóxicas e 
cardiotóxicas que a levobupivacaí. A American Dental Asssociation e a 
American Heart Association (1964) recomendam que ao paciente cardíaco se 
dê anestesia adequada ao ato cirúrgico que deverá ser realizado, pois os 
benefícios de uma boa anestesia superam em muito os riscos causados pela 
anestesia sem vasoconstritor, onde a absorção da base. 
Em cardiopatas, consideram-se 54μg de adrenalina como dose limite por 
sessão (3 a 6 tubetes com concentrações respectivas de 1:100.000 e 
1:200.000) (Ferreira, 1999). Uma vez associado o vasoconstrictor, a 
toxicidade sistêmica desaparece. 
Estudos sugerem que o uso da clonidina como alternativa mais segura 
para a adrenalina, umavez que clonidina apresenta vantagens 
hemodinâmicas em relação à adrenalina. A felipressina sendo uma análoga 
sintética da vasopressina torna-se um potente vasoconstrictor coronariano, 
mesmo sem apresentar efeitos sobre a musculatura miocárdica. 
Em indivíduos normais, isso não causaria problema nenhum, mas em 
pacientes que apresentam alguma deficiência da circulação coronariana, a 
literatura tem mostrado que, mesmo em pequenas doses, a vasopressina pode 
desencadear uma crise de angina neste paciente, com isquemia 
miocárdica. 
Poucos estudos foram realizados até o presente momento para avaliar a 
sua dose crítica, o que deixa ainda dúvidas sobre seus reais efeitos no 
coração. Pacientes portadores de diabetes mellitus, esclerose múltipla e que 
fazem tratamento quimioterápico, apresentam um risco mais alto de toxicidade 
sistêmica causada pelos anestésicos locais. 
 
No tocante ao uso dos anestésicos locais em gestantes, conforme a literatura, 
a substância mais apropriada é a lidocaína a 2% (De Castro et al., 2002). 
Todavia, estudos confirmam a necessidade de estar sempre atento à dose 
máxima de drogas administradas, quer sejam bases anestésicas, quer sejam 
vasoconstritores. 
Nos casos de tratamento invasivo não-emergencial deve-se postergar para 
após o nascimento da criança. Caso não seja possível adiar, deverá ser 
realizado, preferencialmente no segundo trimestre da gravidez. 
 
Anestésicos gerais em Odontologia. 
Este tópico tem como objetivo tecer considerações sobre os anestésicos 
gerais, no entanto lembramos que o manuseio de tal substâncias deve ser feito 
por um profissional da área médica. 
A anestesia geral pode ser definida como a paralisia controlada, irregular e 
reversível de células do sistema nervoso central, determinando a perda da 
consciência do paciente. 
É possível que essa paralisia seja devida a fatores, químicos ou físicos 
(elétricos ou térmicos) embora atualmente sejam utilizados comumente meios 
químicos para obtenção da anestesia geral. 
Para produzir a anestesia geral, o agente anestésico deve ser introduzido 
no corpo, atingir a corrente sanguínea e, através dela, chegar às zonas 
susceptíveis do sistema nervoso central. 
Quando alcança certas concentrações nesses locais, começa a exercer 
um efeito depressor sobre as células. Na medida em que aumenta a 
concentração da droga, a depressão torna-se mais acentuada, até atingir a 
inconsciência. 
Além de uma concentração suficiente do agente anestésico, são essenciais 
outros fatores para produção e manutenção de uma anestesia geral 
satisfatória; entre esses fatores, um nível suficiente de oxigênio para manter as 
necessidades metabólicas do paciente, bem como a efetiva eliminação de 
dióxido de carbono. 
A legislação brasileira impede que o cirurgião-dentista pratique essa forma de 
anestesia. No entanto, pode se valer desse recurso para melhor atendimento 
de seus pacientes, desde que seja aplicada por médico e em ambiente 
hospitalar. 
 
Os diversos meios pelos quais a anestesia geral é produzida devem ser 
controláveis até certo ponto, de maneira que se possa regular o alcance da 
depressão do sistema nervoso central e, por conseguinte, a paralisia celular. 
Essa depressão deve ser reversível, uma vez que a recuperação plena do 
paciente é de vital importância. 
Quando um anestésico geral é administrado e passa para a corrente sanguínea 
em quantidade suficiente, através dela alcança o sistema nervoso central, 
deprimindo-o da seguinte maneira: 
 
1. Cérebro (córtex cerebral): memória, juízo e consciência; 
2. Cerebelo (gânglios basais): coordenação muscular; 
3. Medula espinhal: impulsos motores e sensoriais; 
4. Centros medulares: centros respiratórios e circulatórios. 
O cérebro deprimido produz a perda de memória ou amnésia, dificuldade 
no exercício pleno do juízo, confusão dos sentidos e finalmente inconsciência. 
No entanto, o paciente reage a estímulos dolorosos com movimentos 
musculares mais ou menos coordenados. 
Com a depressão do cerebelo, há perda da coordenação muscular e o paciente 
pode realizar apenas movimentos confusos, em resposta a estímulos 
dolorosos. Com o aumento da depressão pela anestesia geral, a medula 
espinhal perde a capacidade de transmitir impulsos motores e sensoriais, não 
havendo resposta muscular aos estímulos dolorosos. Com a depressão dos 
centros medulares cessam a respiração e a circulação. 
 
INDICAÇÕES 
Em Odontologia a anestesia geral está indicada frente a circunstâncias de duas 
naturezas: em relação às características do paciente e/ou das intervenções a 
realizar. 
Quanto aos pacientes geralmente é usada para aqueles: 
- Excessivamente temerosos; 
- Que apresentam reações acentuadas aos anestésicos locais; 
 - Com constrições bucais (trismo, anquilose); 
 - Incapacitados física ou mentalmente; 
 - Crianças não cooperadoras. 
 
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 
A anestesia geral pode ser introduzida no organismo de várias maneiras: 
por inalação, pelas vias endovenosa, intramuscular, oral e retal. 
A eficácia e a segurança resultante da utilização dessas vias depende do 
grau de controle que possa ser exercido pelo anestesista. As vias inalatória e 
endovenosa podem ser mais adequadamente controladas e, por isso, são as 
mais amplamente usadas. 
A intramuscular, a oral e a retal oferecem um controle mais limitado e por isso 
são usadas principalmente como pré-medicação para induzir a narcose basal. 
- Via de inalação 
Nessa via o agente anestésico é administrado sob a forma de gás, vapor ou 
líquido, que chega aos pulmões através da árvore tráqueobronquial. O agente 
anestésico é então absorvido pelos alvéolos pulmonares e desses passa 
para a corrente sanguínea através da membrana alveolar. 
Esse intercâmbio depende da relação ou da concentração do anestésico 
entre os alvéolos pulmonares e a corrente sanguínea. Quando a relação é 
maior nos alvéolos, o intercâmbio se faz dos pulmões para a corrente 
sanguínea e, se é maior nesta, a ordem é inversa. 
Em outras palavras, quando a concentração de um anestésico atinge 
níveis maiores nos alvéolos pulmonares, passa destes para a corrente 
circulatória. Ao contrário, quando é interrompida a administração e o paciente 
respira oxigênio ou ar ambiente, a concentração do anestésico cai 
precipitadamente e a passagem se dá então da corrente sanguínea para os 
alvéolos pulmonares. 
 
Os seguintes agentes anestésicos inalantes são comumente utilizados: 
- Halotano (Fluothane, Halothane) - Este agente provoca perda da consciência 
rápida e suave, com anestesia progressiva e recuperação rápida. Cerca de 
20% da dose captada pelo organismo são metabolizados pelo fígado e o 
restante é expirado. 
Seu emprego simultâneo com a adrenalina ou a noradrenalina pode induzir 
taquicardia ventricular ou fibrilação, devido à interferência no sistema de 
transmissão do miocárdio, podendo ocasionar severas arritmias cardíacas. 
Quando for necessário usar um anestésico para produzir vasoconstrição local, 
o cirurgião-dentista deve ser cauteloso na escolha, evitando as soluções que 
contenham os agentes incompatíveis com o Halotano. Além desse cuidado 
a dose de vasoconstritores deve ser reduzida ao mínimo possível. 
Outro efeito do Halotano a ser considerado é o hipotensor, uma vez que 
provoca redução da pressão arterial durante a indução anestésica. Esse efeito, 
no entanto, é favorável ao cirurgião, uma vez que propicia um campo 
operatório com menor sangramento. 
 
- Enflurano (Etrane) - Mostraações similares ao halotano. Estimula as 
secreções tráqueobronquial e salivar. 
- Metoxifluorano (Pentrane) – O mais potente dos anestésicos inalantes. 
- Óxido nitroso ( N2 0 ) – O gás hilariante é um anestésico fraco, usado 
normalmente na proporção de cerca de 70% de gás e 30% de oxigênio. 
Muitos pacientes experimentam dores intensas no período pós-anestésico 
imediato, sendo em alguns casos desproporcional ao ato cirúrgico, Isso 
deve-se usualmente ao emprego de barbitúricos em associação aos 
anestésicos, pois os barbitúricos em doses hipnóticas tendem a diminuir o 
limiar de dor, devido ao bloqueio de neurônios inibitórios, resultando assim 
um efeito de hiperalgesia. 
 
- Via endovenosa 
É a via mais direta para induzir a inconsciência, uma vez que o agente 
anestésico é levado diretamente para a circulação venosa. 
Para a administração da droga por essa via são usadas duas técnicas: 
Gota intermitente – O agente anestésico é injetado lentamente na corrente 
circulatória, até atingir o grau de anestesia desejado. A partir desse momento, 
pela observação cuidadosa e constante do paciente, doses adicionais são 
ministradas para manutenção do nível adequado da anestesia. 
Gota contínua – O anestésico é empregado em concentrações menores 
que na técnica anterior, por meio de gotejamento constante na circulação 
venosa. A velocidade desse gotejamento aumenta ou diminui de acordo com 
a necessidade de manutenção de um nível adequado de anestesia. 
A inalação e a via endovenosa são os métodos mais usados para a 
Odontologia. Oferecem ao anestesista um controle bastante exato do grau de 
depressão do sistema nervoso central. 
Uma vez que a maioria das intervenções odontológicas são eletivas e 
realizadas em paciente ambulatórios, é essencial que o anestesista utilize um 
método que lhe permita controlar constantemente o grau de depressão do 
sistema nervoso central. 
 
- Via intramuscular 
Neste método a droga é injetada nos músculos, de onde é absorvida pela 
circulação para produzir o efeito desejado. Este método oferece ao anestesista 
um controle mínimo sobre a droga administrada e, por isso, é mais usado para 
a medicação pré-anestésica. 
Em Odontologia algumas situações que requerem apenas uma anestesia 
de curta duração – como é o caso da drenagem de um abscesso – pode ser 
empregada a ketamina (Ketalar), droga marcadamente diferente de outros 
anestésicos gerais. 
A anestesia produzida pelo Ketalar promove ações que parecem não se 
enquadrar na classificação convencionalmente aceita de estágios e planos 
de anestesia. Caracteriza-se por profunda analgesia e um peculiar estado de 
inconsciência. 
O paciente mais parece desconectado do ambiente que o cerca do que 
adormecido, pois os seus olhos mantêm-se abertos e o olhar fixo. Os reflexos 
protetores da tosse, espirro e vômito permanecem ativos, evitando a aspiração. 
Dispensa a entubação uma vez que o masseter e outros músculos da 
região não relaxam a ponto de criarem obstáculo mecânico à passagem do ar. 
 
- Via oral 
Neste método o paciente ingere uma dose de anestésico geral 
previamente calculada que, absorvida pela mucosa gástrica, passa para a 
circulação. Como no caso anterior, não permite ao anestesista outro controle 
da depressão além daquele obtido com base em experiência prévia. Essa via é 
amplamente usada para a pré-medicação. 
 
- Via retal 
Ainda que seu uso não seja comum na prática odontológica, tem seu lugar na 
Anestesiologia. O agente anestésico deve ser absorvido pela mucosa retal 
para passar para a circulação. 
 
ANESTESIA POR INALAÇÃO 
São conhecidos cinco métodos distintos para a inalação do anestésico: 
 
- Gota aberta – Emprega uma compressa de gaze ou máscara 
adequada, na qual o anestésico volátil é gotejado. Este penetra através da 
máscara, sendo vaporizado e aspirado pelo paciente. 
- Gota semiaberta – É quase o mesmo que o anterior, com a diferença 
que se utiliza de um envoltório sobre a máscara, que tem a finalidade 
de aumentar a concentração do vapor anestésico na região, restringindo 
a entrada de ar atmosférico, porém, ao mesmo tempo diminuindo a 
eliminação de dióxido de carbono. 
- Insuflação – Este método vale-se de uma sonda ou cânula que serve para 
transportar o vapor do anestésico geral mais ar ou oxigênio, sob pressão, para 
as vias aéreas superiores. 
-Semifechado – é aplicado usando um aparelho de anestesia, mediante o 
qual, por meio de vaporizadores, tubos de respiração e máscara, são liberados 
volumes controlados de agente anestésico e oxigênio. Nesta técnica as 
exalações, ou pelo menos parte delas, são eliminadas na atmosfera, 
permitindo uma eficiente eliminação de dióxido de carbono. 
- Fechado (entubação) – Neste método as exalações não são dispersas 
na atmosfera. Por meio da entubação do paciente é possível fazer a máquina 
de anestesia e da parte externa do sistema respiratório um circuito 
contínuo. Para que isso ocorra é preciso usar uma maneira de eliminar o 
dióxido de carbono, impedindo o acúmulo prejudicial desse gás no organismo. 
Isso é conseguido guiando as exalações e as inalações para um composto 
químico capaz de absorver o dióxido de carbono da mistura anestésico-
oxigênio. Esse composto, a cal sódica, está acondicionado em um frasco que 
faz parte do sistema mecânico. 
A cal sódica consiste em uma mescla de hidróxido de cálcio e hidróxido 
de sódio. Este último confere atividade química inicial à cal sódica e o hidróxido 
de cálcio aumenta a capacidade de reação do composto. 
Em presença da umidade combina-se com o dióxido de carbono para formar 
ácido carbônico o qual, por sua vez, reage com o hidróxido de sódio. Essa 
reação química elimina o dióxido de carbono das exalações. 
Os métodos semifechado e fechado oferecem a vantagem de aumentar a 
tensão de oxigênio e melhor controlar o grau de ventilação pulmonar ou a 
concentração dos gases anestésicos. Sua principal desvantagem está na 
necessidade de um aparelho mecânico usualmente caro. 
 
ENTUBAÇÃO DO PACIENTE 
A manutenção de uma via de passagem do ar é sem dúvida o fator mais 
importante na administração de um anestésico geral. A livre ingestão de 
oxigênio e a eliminação do dióxido de carbono são essenciais na 
prevenção da hipóxia, usualmente uma grave complicação. 
A manutenção dessa via durante a anestesia geral para qualquer tipo de 
cirurgia oral é as vezes difícil, pois a operação é realizada dentro de condutos 
de ar, e o sangue, o muco ou corpos estranhos resultantes das manipulações 
dentro da cavidade bucal podem cair até a orofaringe ou a laringofaringe. Além 
disso, o operador pode exercer graus variados de pressão sobre a 
mandíbula, criando uma obstrução parcial. 
O método ideal para manter a passagem do ar livre é mediante o uso de uma 
cânula adequada, que atinge a traqueia através da laringe, e que pode ser 
introduzida pela boca (entubação orotraqueal), pelo trato nasal (entubação 
nasotraqueal) ou diretamente na traqueia (traqueostomia). 
A entubação nasotraqueal é mais apropriada ao trabalho do cirurgião-
dentista, uma vez que possibilita que a boca fique livre para execução do 
procedimento odontológico. Quando não for possível, como em casos de 
traumatismos da região nasal, pode ser usada a entubação orotraqueal, 
apesar das limitações decorrentes da presença da cânula na boca do paciente. 
Emcasos particulares, como de grandes traumas, o anestésico pode ser 
administrado por uma abertura da parede anterior da traquéia (traqueotomia) 
pela qual é inserida a cânula, caracterizando então a traqueostomia. Esse 
método é empregado quando a traqueotomia foi previamente realizada por 
médico otorrinolaringologista, cirurgião plástico ou geral. 
 
A entubação apresenta vantagens e desvantagens. 
Vantagens: 
- Aumenta a margem de segurança; 
- A anestesia é uniforme; 
- A ventilação é direta e controlada; 
- Previne a penetração de corpos estranhos nas vias digestiva e respiratória. 
Desvantagens: 
- Requer indução mais profunda; 
- Pode traumatizar dentes, faringe e laringe; 
- Consome mais tempo do anestesista. 
 
Assim, apesar de existirem desvantagens, verifica-se que a entubação é 
conveniente por permitir que a livre ingestão de oxigênio e a eliminação do 
dióxido de carbono sejam mais eficientes para prevenção de acidentes. 
A entubação tornou-se um procedimento mais factível desde a introdução 
dos relaxadores musculares na Anestesiologia. Antes era necessária a 
anestesia profunda com éter ou agentes endovenosos para conseguir um grau 
de relaxamento suficiente para permitir a entubação. 
Atualmente com o emprego dos relaxantes musculares, o paciente pode ser 
mais facilmente entubado em uma etapa de anestesia cirúrgica superficial. 
A extubação realizada após a intervenção cirúrgica não deve ser uma manobra 
descuidada, uma vez que não é um procedimento inócuo e pode levar a 
sequelas graves se não for bem conduzida. 
Em Odontologia deve ser realizada na etapa anestésica mais superficial 
possível, quando já retornou o reflexo da tosse e o paciente pode limpar a 
árvore traqueobronquial. Em uma etapa anestésica mais profunda, o paciente 
pode aspirar sangue ou muco. 
 
FASES E ETAPAS DA ANESTESIA GERAL 
As fases, as etapas e os sinais da anestesia geral foram classicamente 
estabelecidos por Arthur Guedel, em 1920, quando divulgou uma terminologia 
claramente descritiva, pela qual era possível reconhecer a intensidade da 
anestesia geral. 
A terminologia usada atualmente, decorrente dos avanços técnicos e 
farmacológicos, é arbitrária e variável segundo os vários textos, porém, deve 
implicar em um significado fisiológico. 
Uma fase pode ser definida como uma parte do procedimento integral, 
com limitações relativas ao tempo e às circunstâncias. 
Considera-se que a anestesia geral deve ser dividida em três fases distintas: 
indução, manutenção e reversão. 
A fase de indução compreende todos os procedimentos anestésicos, incluindo 
a medicação prévia, até que o paciente esteja suficientemente anestesiado 
para que o cirurgião-dentista possa iniciar o seu trabalho. Terá uma duração 
distinta segundo as drogas empregadas e a intensidade da anestesia requerida 
para o caso. 
A fase de manutenção começa quando a anestesia é bastante profunda 
para permitir a execução da intervenção, e continua até que seja completada. 
A fase de recuperação vai desde a finalização das manobras cirúrgicas 
até que o paciente volte a encontrar-se em harmonia com o ambiente 
que o cerca e possa controlar convenientemente as suas faculdades. 
Estas três fases são claramente delimitadas, podendo-se reconhecer a 
qualquer momento e circunstância em qual fase da anestesia está o 
paciente. 
As etapas referem-se ao grau de depressão do sistema nervoso central 
produzida pelo anestésico geral. Serão consideradas três etapas: preparação, 
cirúrgica e depressão respiratória. 
Etapa de preparação – É também chamada de indução ou de analgesia. 
A denominação de preparação é mais correta uma vez que indução é 
uma fase da anestesia geral como já visto e não uma etapa, além de poder 
ocorrer pouco ou nenhum efeito analgésico, de acordo com o agente usado. 
Nesta etapa o paciente ainda está em harmonia com o meio ambiente e 
mantém a capacidade de obedecer a ordens. Começa com a primeira pré-
medicação, às vezes na noite anterior à intervenção cirúrgica e continua até 
que o paciente perca a harmonia com o meio ambiente. Mesmo que haja 
depressão cortical ainda não existirá a anestesia propriamente dita. 
Etapa cirúrgica – Nesta etapa a depressão do sistema nervoso central 
atinge uma intensidade em que o paciente não mais oferece resposta a 
estímulos dolorosos. 
Esta etapa caracteriza-se pela paralisia da medula espinhal e 
consequente incapacidade de transmissão de impulsos motores e sensoriais. É 
composta de três planos distintos de anestesia (superficial, moderado e 
profundo) que se caracterizam pelo grau de depressão dos centros medulares 
de respiração e circulação. 
No plano superficial o grau de depressão do sistema nervoso central já não 
permite reação a estímulos dolorosos, porém, a respiração natural é bastante 
para manter uma oxigenação adequada e uma eliminação do dióxido de 
carbono eficiente. 
O plano moderado esas condições são afetadas, sendo necessário o aumento 
da oxigenação, enquanto que no plano profundo há necessidade de medidas 
adicionais tanto para manutenção da oxigenação como para eliminação de 
dióxido de carbono 
Etapa de depressão respiratória – Pelo conceito atual da anestesia, 
especialmente em Odontologia, não é necessário e nem desejável levar o 
paciente a esse estado, interrompendo a função respiratória. Quando isso 
acontece, não se deve considerar como uma etapa adicional da anestesia e 
sim como uma sobredose. 
 
ENCAMINHAMENTO DO PACIENTE AO HOSPITAL 
O cirurgião-dentista deve encaminhar o paciente ao hospital no qual é 
credenciado, de maneira a possibilitar seu contato com o hospital e com o 
anestesista, que necessita avaliar previamente as condições de saúde desse 
paciente. 
Esse encaminhamento deve ser feito sempre por escrito e deve conter as 
seguintes informações: 
- Tipo de intervenção ( asséptica ou séptica ) 
- Entubação desejada 
- Previsão de duração da intervenção 
- Horário preferido 
- Nomes dos auxiliares. 
 
Essas informações são importantes para o estabelecimento da agenda do 
centro cirúrgico. 
Grande parte das anestesias gerais requeridas para trabalhos 
odontológicos, cirúrgicos ou não, é realizada em “pacientes-ambulatórios”, isto 
é, que se internam apenas para esse atendimento e, uma vez 
recuperados da anestesia retornam para suas residências, continuando o 
tratamento no consultório do profissional. 
Nesses casos a internação geralmente acontece na noite anterior ao dia do 
atendimento, quando o paciente começa a receber atenção profissional do 
anestesista e da enfermagem. 
 
CUIDADOS DA ENFERMAGEM 
À enfermagem compete às seguintes providências: 
- Suspensão da alimentação sólida por 12 horas. 
- Esvaziamento intestinal. 
- Tricotomia e remoção de cosméticos. 
- Retirada de jóias, aparelhos protéticos removíveis, etc. 
- Fornecimento de roupas próprias do hospital. 
 
A suspensão da alimentação sólida tem por finalidade reduzir o risco de 
regurgitação do conteúdo estomacal, que pode atingir as vias aéreas do 
paciente anestesiado, uma vez que o reflexo protetor laríngeo está abolido pela 
anestesia. 
 
MEDICAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA 
O médico anestesista realizará uma avaliação cuidadosa da saúde geral do 
paciente. Essa avaliação possibilitará a seleção da medicação pré-anestésica, 
assim como do método de anestesia a usar e do anestésico a empregar. 
Nessa escolha, além do estado físico do paciente, influem condições 
outras como suaidade e o tipo de trabalho a ser realizado pelo cirurgião-
dentista. 
 
Ao anestesista cabe prescrever a medicação pré-anestésica, a qual tem as 
seguintes finalidades ou objetivos: 
- Reduzir ou aliviar a ansiedade do paciente. 
- Permitir maior concentração de oxigênio. 
- Reduzir a incidência e a gravidade de acidentes. 
 
O cirurgião-dentista por sua vez, em grande número de casos, necessita 
também prescrever medicação pré-operatória. Frente aos vários casos que 
requerem anestesia geral usualmente o cirurgião pode prescrever os seguintes 
medicamentos: 
- Antibióticos 
- Hemostáticos 
- Anti-inflamatórios 
- Vitaminas 
- Proteínas 
 
ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO-DENTISTA NO CENTRO CIRÚRGICO 
Uma vez no interior de centro cirúrgico hospitalar, o cirurgião deve realizar ou 
determinar as seguintes providências: 
- Assepsia do operador 
- Assepsia do campo operatório 
- Posição do paciente 
- Posição do operador e dos auxiliares 
- Abertura da cavidade bucal 
- Tamponamento da faringe. 
 
Apesar da entubação deve ser feito o tamponamento da faringe com 
compressas de gaze, visando a bloquear a passagem de sangue, muco ou 
corpos estranhos, como fragmentos de dentes ou de materiais odontológicos. 
 
MEDIDAS PÓS-OPERATÓRIAS 
Uma vez terminado o procedimento odontológico, o paciente passa pela fase 
de reversão da anestesia, é extubado e encaminhado para o setor de 
recuperação do centro cirúrgico. O cirurgião-dentista deve ainda 
determinar as seguintes medidas pós-operatórias: 
- Prescrição de medicamentos 
- Prescrição de dietas 
- Visitas ao paciente 
- Curativos 
- Alta hospitalar. 
Analgésicos, profissão e doping 
 
Analgésico não opioides 
Os analgésicos não opioides têm propriedades analgésicos, antitérmica e 
antiinflamatória, relacionadas à inibição do sistema enzimático da cicloxigenase 
(cox-1 e cox-2) que converte ácido araquidônico em prostaglandinas, 
tromboxanos e prostaciclina. 
As prostaglandinas, especialmente PGE, sensibilizam o nociceptor periférico às 
ações de histemina e bradicinina. A primeira promove a reação inflamatória 
local e a última estimula as terminações nervosas, levando à nocicepção. 
Assim, salicilatos e outros anti-inflamatórios não esteroides evitam a 
sensibilização (hiperalgesia) dos receptores de dor. 
Outros representantes (paracetamol, cetorolaco e dipirona) mostram efeitos 
analgésicos e antitérmicos, mas não anti-inflamatórios, nas doses terapêuticas. 
Isso pode relacionar-se à sensibilidade diferenciada das enzimas em diferentes 
tecidos. 
A dipirona tem provavelmente maior efeito inibitório sobre cicloxigenases 
cerebrais do que sobre as existente em outros tecidos. A pouca atividade anti-
inflamatória do parecetamol tem sido atribuída ao fato de ser fraco inibidor da 
cicloxigenase em presença de altas concentrações de paróxidos encontradas 
em sítio de inflamação. Além disso, não inibe a ativação de neutrófilos, como o 
fazem outros analgésicos não opioides. 
A inibição da indução de hiperalgesia (antiagelsia) por salicilatos ou anti-
inflamatórios não esteroides pode justificar a melhor resposta clínica obtida 
com tratamento precoce. 
O tratamento da dor instalada (analgesia) é mais difícil, pois já foram 
desencadeados mecanismos envolvidos na sensibilidade dolorosa, 
intensificando a dor. Sendo assim, devem ser estabelecidos esquemas 
dedoses fixas em vez do regime “se necessário”. 
Os analgésicos não opioides disponíveis podem ser vistos. 
 
Classificação dos analgésicos não opioides 
DERIVADOS DO ÁCIDO SALICÍLICO 
ácido acetilsalicílico 
"simples" - "revestido" - "tamponado" 
Diflunisal 
Derivados não acetilados:trissalicilato de colina e magnésio, salicilato de sódio, 
salsalato, ácido salicilsalicílico 
 
DERIVADO DO PARA-AMINOFENOL 
Paracetamol 
 
DERIVADO DA PIRAZOLONA 
Dipirona ( metamizol) 
 
NOVOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES 
Fenoprofeno, ibuprofeno, cetoprofeno, naproxeno, flurbiprofeno, oxaprozina 
Cetorolaco, diclofenaco Ácido mefenâmico, flufenâmico, meclofenâmico, 
tolfenâmico, etofenâmico Piroxicam, meloxicam, tenoxicam 
 
SELEÇÃO DO FÁRMACO 
Todos os representantes têm comprovada eficácia no tratamento de dores 
leves a moderadas, como demonstrado em estudos duplo-cegos contra 
placebo. Suas indicações para diferentes procedimentos odontológicos 
aparecem no quadro a seguir: 
Indicação de analgésicos segundo o procedimento 
PROCEDIMENTO ANALGESIA 
EXODONTIA medidas gerais 
 ácido acetilsalisílico ou 
 paracetamol 
 
CIRURGIA ÓSSEA OU Codeína+paracetamol 
PERIODONTAL E Ácido acetilsalisílico 
ABORDAGENS ENDODÔNTICAS Propoxífenoo 
IMPACTAÇÃO DO 3º MOLAR Codeína + paracetamol 
 AINE 
 
OUTRAS CIRURGIAS (hospital) morfina, meperidina 
 
Utilizam-se, preferencialmente, ácido acetilsalisílico e outros analgésicos anti-
inflamatórios. Ácido acetilsalisílico, em função de disponibilidade, baixo custo 
e experiência adquirida com seu uso, é considerado exemplo do grupo. 
Porém, em doses equilibradas, todos se equivalem. Assim, a seleção de 
um representante não é regida por eficácia, mas por outros critérios: 
 
- toxicidade relativa; 
- diferenças farmacocinéticas que influenciam a comodidade de esquemas 
terapêuticos; 
- experiência acumulada pelo profissional; 
- respostas positivas previamente apresentadas pelos pacientes. 
 
Na comparação entre diferentes salicilatos, observa-se que o ácido 
acetilsalicílico “revestido”, de desintegração entérica, propicia menores 
efeitos adversos gastrintestinais. 
Como sua absorção é mais demorada e errática, não é aconselhado para uso 
analgésico esporádico em doses únicas. A forma “tamponada” acelera a 
absorção gástrica por aumentar a capacidade de dissolução das partículas 
sólidas, com obtenção de picos séricos mais precoces. 
No entanto, seu pequeno efeito tamponante não evita os efeitos irritativos. Os 
salicitatos não acetilatos apresentam menores comprometimentos 
gastrintestinal e potencial alergênico. 
Diflunisal tem vida mais longa, propiciando intervalos de 12 horas entre doses. 
Seu custo é maior, não tem efeito antipirético, é isento de toxidade auditiva e 
produz menores comprometimentos gastrintestinal e antiplaquetário. 
 
 
Seu pico de efeito só ocorre após 3 horas 
Na prática clínica, ácido acetilsalicílico e paracetamol são usados 
indiferentemente, à exceção de pacientes com contraindicações à primeira, 
como doença ulcerosa péptica, gastrite, refluxo gastroesofágico, hepatopatia 
grave, hemofilia, deficiência de vitamina K e tratamento prolongado com 
anticoagulantes ou antiplaquetários. 
O uso deve ser cauteloso em crianças desidratadas e febris, pois são mais 
suscetíveis à intoxicação por salicilato e ao aparecimento de síndrome de 
Reye na vigência de varicela ou influenza. 
As característicasfarmacológicas de ambos os fármacos são: 
Comparação entre características farmacológicas de ácido acetilsalisílico e 
paracetamol 
CARACTERISTICAS PARACETAMOL ÁCIDO ACETILSALICÍLICO 
analgesia 
efeito ainti-inflamatório 
antipirese 
efeito antiplaquetário 
irritação digestiva 
início de ação 
meia-vida 
dose equianalgesica 
dose analgésica máxima 
 
+ 
- 
+ 
- 
- 
30 min 
2-4h 
500mg 
Não estabelecida 
+ 
+ 
+ 
+ 
+ 
30 min 
2,5-8,5h 
500mg 
1.300 mg 
 
Outros AINE têm sido considerados alternativas intermediárias entre ácido 
acetilsalisílico e analgésico opioides no manejo da dor em inúmeras situações 
clinicas. Atualmente, diclofenaco injetável tem largo emprego nesse 
contexto, apesar de serem raros os ensaios clínicos comparativos. 
Em uma metanálise, compararam-se efeitos de analgésico não opioides 
(paracetamol e diflunisal) anti-inflamatório não esteroides (flubiprofeno, 
ibuprofeno e detorolaco) e associação de paracetamol (600mg) e codeína (60 
mg) sobre dor desencadeada por exodontia de terceiro molar impactado. 
Os resultados apontam para mesma eficácia entre associação e os AINE, 
analisados coletivamente. Entretanto, doses específicas de diflunisal (1g) e 
ibuprofeno (400mg) mostraram-se mais eficazes do que paracetamol/codeína. 
Dipirona, por seus efeitos potenciais graves, foi banida do comércio em vários 
países desenvolvidos. 
Cetorolaco, potentes analgésicos com moderada eficácia anti-inflamatória, 
tem sido usado na dor pós-operatória como alternativa para analgésicos 
apiOides, embora seu inicio de ação ocorra em torno de 45 minutos. 
 
Seu uso só se justifica por via intramuscular 
É frequente a introdução no mercado de novos representantes, 
acompanhados de articulada promoção comercial que inclui, muitas vezes, 
artigos de qualidade, escritos por cientistas de renome. 
No entanto, tais artigos não se direcionam à eficácia e à efetividade, mas a 
mecanismos de ação, efeito adversos isolados e outros. Consistentes estudos 
comparativos com alternativas tradicionais são imprescindíveis para a 
adequada seleção de medicamentos. 
 
Prescrição 
Doses convencionais de analgésicos não-opioides produzem um efeito 
máximo (teto), de modo que incrementos das doses não determinam analgesia 
adicional, concorrendo apenas para aumentar a toxicidade. 
Como há variação individual de respostas a diferentes dosagens, uma forma de 
não induzir efeitos tóxicos é adotar valores máximos que não excedam de 1,5 
a 2 vezes as doses inicialmente recomendadas. 
Doses únicas de ácido acetilsalicílico superiores a 1.300 mg não têm maior 
eficácia analgésica, porém, concorrem par os efeitos adversos. Doses 
analgésicas de ácido acetilsalicílico são menores do que as anti-inflamatórias. 
Para crianças, a dose de ácido acetilsalicílico varia de 10 a 20 mg/kg de peso 
corporal, administrada a cada 4 horas. A dose máxima diária não deve exceder 
a 3.600 mg. Em relação a paracetamol, a dose única infantil varia de 60 a 120 
mg e o tratamento não deve exceder a 5 dias. 
A via de administração usual é a oral, pois reúne biodisponibilidade adequada e 
comodidade de uso. Além disso, os processos que requerem os empregos 
desses analgésicos não exigem, em geral, vias parenterais. No entanto, há 
disponibilidade de formas injetáveis de dipirona, cetorolaco,piroxicam e 
diclofenaco. 
No caso dos salicilatos, a absorção se inicia na cavidade gástrica, mas é 
preponderante no intestino delgado. Por isso, a presença de alimentos ou 
antiácidos contribui favoravelmente para a rapidez de absorção, uma vez que 
acelera o esvaziamento gástrico e a dissolução das formas sólidas. 
Dependendo do fabricante, os comprimidos de ácido acetilsalicílico “simples” 
podem desintegrar-se com mais dificuldade, modificando a 
biodisponibilidade. 
As diferenças farmacotécnicas podem acarretar consequências clínicas, 
mas não há ensaios controlados que tenham mostrado a predominância de 
efeito de uma marca sobre a outra. 
O ácido acetilsalicílico em solução tamponada (Alka-Seltzer) atinge o pico 
sérico mais rapidamente e pode ser a forma mais adequada quando a 
administração é única. Não desejável em uso prolongado, devido ao alto teor 
de sódio e à alcalinização urinária, que resulta em aumento da excreção do 
ácido acetilsalicílico, com redução da salicilemia. 
As formas sólidas tamponadas diminuem o tempo necessário à 
dissolução, acelerando o início de efeito, mas em menor grau que a 
soluções. O ácido acetilsalicílico “revestido” demora mais a fazer efeito, pois só 
se dissolve ao atingir o intestino delgado e a absorção pode ser errática. A via 
retal tem sido usada no controle da hipertermia, mas a absorção é menor e 
variável. 
Os intervalos entre doses analgésicas de ácido acetilsalicílico são de 4 horas, 
pois ele tem meia-vida aproximada de 2,5 horas. O diflunisal pode ser 
administrado a cada 12 horas. Os espaçamentos entre doses de outros 
analgésicos não-opioides são determinados por suas meia-vidas, havendo os 
que podem ser ingeridos a cada 12 ou 24 horas, o que favorece a comodidade 
de administração. 
Relembrando que o alívio da dor é mais eficaz quando os analgésicos 
são dados precocemente, recomenda-se seu uso antes que desapareça o 
efeito anestésico local nas situações em que dor pós-operatória é 
esperada. 
A duração de tratamento deve ser tão breve quanto possível no manejo das 
dores agudas, já que os efeitos adversos são proporcionais às doses e ao 
tempo de uso. 
 
Seguimento 
Efeitos positivos na dor aguda expressam-se por alívio subjetivo revelado pelo 
paciente e por dados objetivos, como melhoras de sono e desempenho 
funcional (mastigação, articulação da palavra, abertura da boca, por 
exemplo), diminuição de espasmos musculares, desaparecimento de posturas 
antálgicas e de outras manifestações dependentes da localização e intensidade 
da dor. 
Na dor crônica, são indicativos de eficácia percepção subjetiva de melhora da 
dor e aumento de bem-estar, diminuição de deterioração física, manutenção de 
desempenho funcional, familiar e social e desaparecimento de sintomas 
relacionados à dor, como ansiedade, irritabilidade, depressão e distúrbios do 
sono. 
 
Nas situações dolorosas crônicas, a analgesia pode aparecer somente 
após algum período de uso 
Clinicamente, após exodontia de terceiro molar impactado, a dor atinge 
intensidades de moderada a intensa, em torno de 5 horas, e deve diminuir em 
3 a 5 dias. Presença de dor persistente, não consistente com a história natural 
do processo, requer reavaliação do procedimento para se determinar a causa 
da dor e ser redefinir a abordagem terapêutica. 
As falhas de tratamento requerem modificação de esquemas de 
administração. Não havendo resposta satisfatória aos esquemas terapêuticos 
corretos, o fármaco inicial deve ser substituído por analgésico não opióde 
pertencente a outra subclasse, pois há pacientes que respondem mal a um e 
muito bem a outro agente. Nas dores moderadas não responsivas, a 
alternativa de acrescentar opioides fracos deve ser considerada (codeína, 
propoxifeno). 
Outro motivo de substituição do fármaco previamente selecionado é o 
aparecimento de efeitos adversos. Esses são comuns a todos os 
analgésicos não opioídes, mas há diferenças de frequência e intensidade. 
A administração única de um analgésico comum não se associa à reação 
adversa importante. Tratamento de curta duração com salicilatos pode induzir 
efeitos adversos agudos, comopirose, anorexia, náusea, dispepsia 
(frequentes) e sangramento gastrintestinal, gastrite e erosões gástricas 
(raras), decorrentes da inibição do efeito citoprotetor gástrico das 
prostaglandinas. 
Reações de hipersensibilidade (urticária, angioedema, broncoespasmo, rinite e 
choque) são prevalentemente descritas em pacientes de meia-idade com 
urticária crônica, asma e pólipos nasais, mas são raras em crianças. 
O uso de ácido acetilsalicílico é fator de risco para ocorrência da síndrome de 
Reye (encefalopatia e dano hepático graves) em crianças e adolescentes, 
durante surtos de varicela ou quadros virais por influenza. 
O broncoespasmo precipitado por ácido acetilsalicílico e demais AINE 
afeta 20-25% dos adultos com asma, podendo acontecer com doses tão 
pequenas quanto a 80 mg. A frequência com que os ataques aparecem, 
embora a intolerância seja cruzada, varia com os diferentes representantes. 
Assim, nesses pacientes não se substitui ácido acetilsalicílico por outros 
antiinflamatórios não-esteroides. 
O paracetamol é inócuo para a maioria dos pacientes. Porém, é melhor 
administrar a metade de um comprimido e observar o paciente por um período 
de duas a três horas. Outra alternativa é usar nesses casos salicilatos não-
acetilados ou propoxifeno. 
Essa reação parece não ser de origem imunológica e depender da inibição da 
rota de síntese das prostalglandinas, estimulando a conversão de ácido 
araquidônico a leucotrienos (via da lipoxigenase), envolvidos em 
broncoconstrição, permeabilidade da mucosa e aumento das secreções. 
Essa teoria não está comprovada, mas é reforçada pelo uso de zileutom 
(bloqueado da 5-lipoxigenas) que evitou sinais e sintomas ocasionados por 
ácido acetilsalicílico. 
Tratamento prolongado, mesmo em doses terapêuticas, leva a 
manifestações crônicas, como zumbidos, úlceras gástricas, comprometimentos 
renal e hepático. Essas manifestações são comuns a todos os analgésicos 
não-opioides. 
Ingestão de ácido acetilsalicílico (500mg) por indivíduos sadios duplica 
aproximadamente o tempo médio de sangramento por um período de 4 a 7 
dias. Este efeito decorre de impedimento da agregação plaquetária, devido à 
inibição irreversível da cicloxigenas plaquetária, com consequente redução de 
tromboxano. 
A2 (agregante plaquetário) e PGE2, só recuperada ao se produzirem novas 
plaquetas. Simultaneamente, o ácido acetilsalicílico inibe a cicloxigenase em 
célula endotelais, limitando a síntese de prostaciclina (PGI), agente que faz 
antiadesividade plaquetária. 
Esse efeito potencialmente diminuiria a eficácia antitrombótica da droga. A PGI 
mais rapidamente se recompõe, em função do rápido turnover das células 
endoletiais, predominando, pois, a ação antiplaquetária do ácido acetilsalicílico. 
Isso acontece em doses analgésicas e inflamatórias. Já baixas doses 
causam menos inibição de prostaciclina, aumentando a resposta final de 
antiadesão plaquetária. No entanto, mesmo sendo antiagregante plaquetário, 
quantidades analgésicas de ácido acetilsalicílico só induzem hemorragia em 
pacientes em uso concomitante de anticoagulantes ou trombolíticos ou com 
outras tendências hemorrágicas. 
Nesses pacientes, recomenda-se, quando possível, a suspensão do tratamento 
com ácido acetilsalicílico uma semana antes do procedimento cirúrgico. 
Baixas doses de ácido acetilsalicílico podem ser dadas a gestantes, pois não 
se comprovaram efeitos teratogênicos. Porém, seu uso prolongado na gravidez 
tem sido associado a conceptos de baixo peso ao nascimento. 
Assim sendo, o ácido acetilsalicílico deve ser suspenso antes da época 
prevista par ao parto, a fim de evitar prolongamento do trabalho de parto, 
aumento do risco de hemorragia pós-parto e mortalidade perinatal. 
Ingestão de altas doses de ácido acetilsalicílico é a causa mais comum de 
intoxicação letal por drogas em crianças. 
 
Ingestão de altas doses de ácido acetilsalicílico é a causa mais comum de 
intoxicação letal por drogas em crianças 
Ácido acetilsalicílico é irritativo para pele e mucosas. Por destruir células 
epiteliais e induzir edema celular e escamação, não deve ser usado sobre a 
mucosa oral. 
O paracetamol é considerado seguro em doses terapêuticas, induzindo 
menor ulceração e sangramento digestivos. A hepatotoxicidade relacionada a 
metabólito ativo e outros fatores depende da dose ingerida e apresenta 
considerável variação individual. 
É rara em doses terapêuticas, pois o limiar de toxicidade se situa entre 10 e 15 
gramas diários. A suscetibilidade a esse efeito fica aumentada no consumo de 
álcool. Em pacientes alcoolistas, a hepatotoxicidade do paracetamol 
chegou a 40% nos que usavam menos de 4g diários e a 20% nos que ingeriam 
de 4g a 6g ao dia. 
Dipirona induz agranulocitose e aplasia medular, variando a razão de risco de 
0,8 a 23,7, na dependência do país onde os dados foram coletados. Em 
levantamento de agranulocitose associada a drogas, realizado na Holanda, a 
dipirona foi o agente causal individualmente mais relacionado a agranulocitose 
ou neutropenia, com relato de 19 casos. 
Em Buenos Aires, no período de 1963 a 1976, foram referidos 34 casos de 
agranulocitose associada à dipirona, prescrita para situações como faringites, 
artralgias e dores abdominais. Beria e colaboradores verificaram alto consumo 
de medicamento por crianças de 3 a 4,5 anos de idade em uma região do sul 
do Brasil, incluindo dipirona e estimulantes do apetite. 
Esses foram, na maioria das vezes, prescritos por médicos. Comentando 
a controvérsia ainda existente sobre o assunto, Fuchs sugere que o uso de 
dipirona no Brasil deve ser restrito. 
Em estudo de caso e controle realizado no Brasil com o objetivo de avaliar o 
risco de tumor de Wilms em recém-nascidos de mulheres que usavam vários 
medicamentos durante a gravidez, encontrou-se forte associação com a 
ingestão de dipirona. 
Por vezes, as reações adversas são exacerbadas por associações 
medicamentosas. Assim, o risco de sangramento aumenta com a interação de 
ácido acetilsalicílico com anticoagulantes orais. Ácido acetilsalicílico junto com 
hipoglicemiantes orais acentua a hipoglicemia. 
Comprometimento renal tem sido associado a misturas analgésicas. 
Concomitância de mais de um analgésico não opioide soma os efeitos 
indesejáveis. 
As interações medicamentosas também podem ser vantajosas, a exemplo da 
associação de analgésicos opioides e não opioides. Cafeína, presente em 
muitas preparações comerciais, é coadjuvante analgésico fraco. 
Embora ensaios clínicos controlados tenham evidenciado maior efeito de 
ácido acetilsalicílico e paracetamol quando cada um deles é associado a 
65 mg de cafeína, o significado clínico dessa resposta é discutível. 
A associação de dois analgésicos não opioides não está indicada, pois há 
evidências de que competem entre si pela ligação a proteínas 
plasmáticas, aumentando a velocidade de depuração daquele que permanece 
na forma não-conjugada. Além disso, não há efeito analgésico adicional e 
observa-se aumento gastrintestinais e renais. 
Outros fármacos, tais como ansiolíticos, antidepressivos e miorrelaxantes 
centrais, podem reforçar o efeito dos analgésicos, sendo indicados quando 
as manifestações por eles controladas estão presentes. 
 
 
Analgésicos Opióides 
O ópio é extraído da papoula, planta que contém cerca de 25 alcalóides, 
dos quais morfina, codeína e papaverina permanecem em uso clínico. Há 
registro de seu emprego desde 2.000 a.C. Tanto os derivados naturais doópio quanto substâncias sintéticas, capazes de ligação aos vários 
receptores específicos, são denominados opioides. 
Analgésicos opioides são indicados no tratamento de dores agudas moderadas 
e intensas, não responsivas a analgésicos menos potentes ou que, por sua 
natureza, não são a eles suscetíveis. Também são eficazes no controle da dor 
crônica, sendo tolerância e dependência física fatores limitantes do uso 
prolongado. 
Pelo receio desses efeitos, os profissionais que prescrevem e administram 
opioides como analgésico o fazem frequentemente de forma inadequada, em 
relação a doses e intervalos de administração. Estudos demonstram que 
cerca de 70% de pacientes clínicos ou cirúrgicos, hospitalizados e sob 
esquema terapêutico com opioides, ainda referiam dor na vigência de 
tratamento. 
Estudos apontam três níveis de barreiras que condicionam inadequado 
tratamento: deficiência de conhecimento farmacológico, dificuldades 
culturais e de atitude e influência da regulação legal de opioides. 
Embora tolerância e dependência física possam ocorrer em qualquer indivíduo 
submetido cronicamente a um opioide com finalidade analgésica, o uso 
compulsivo que leva a comprometimento físico e social só é visto 
ocasionalmente. 
Muitos pacientes podem ser fisicamente dependentes, sem serem adictos, 
suportando a retirada do opioide sem maiores dificuldades. Por outro lado, em 
pacientes terminais com dor, o potencial de abuso passa a ter secundária 
importância. Também em situações de dor intensa (pós-operatória), a 
preocupação primordial deve ser o alívio imediato e eficiente da dor. 
Opioides abrangem agonistas puros, agonistas, parciais 
(agonistas/antagonistas mistos) e antagonistas, bom como peptídesos 
endógenos com atividade opioide, ainda não explorados como agentes 
terapêuticos. O quadro abaixo lista os representantes disponíveis para uso 
clínico. São assinalados agonistas fortes, leves e moderados. Antagonistas 
puros são importantes antídotos usados no tratamento da intoxicação aguda. 
 
 
Classificação dos analgésicos opioides com emprego terapêutico 
AGONISTAS FORTES 
Morfina 
Meperidina ou petidina 
Fentanil 
alfentanil 
sulfentanil 
metadona 
levorfanol 
hidromorfona 
oximorfona 
AGONISTAS LEVES A MODERADOS 
Codeína 
Oxicodona 
AGONISTA FRACO 
Propoxífeno 
AGONISTAS PARCIAIS(AGONISTAS/ATAGONISTAS) 
Nalorfina 
Pentazocina 
Profadol 
ANTAGONISTAS 
Naloxona 
Levalorfano 
Naltrexona 
Esses fármacos ligam-se a receptores opioides endógenos (mu1 e 2, kappa, 
sigma, delta, epsilon), localizados em sistema nervoso central e órgãos 
periféricos. Sua interação com esses receptores mimetiza as resposta a 
ligantes endógenos (endofirnas, encefalina e dinorfinas). A par desses 
peptídeos, sugere-se que também morfina, codína e outros derivados ocorram 
naturalmente em tecidos de mamíferos. 
Nociceptina ou orfanina FQ estárelacionado a opioides, mas que se liga a 
receptor diferente. Injetado intracerebroventricularmente, parece induzir 
hiperalgesia em vez de analgesia. Apenas os receptores MU, KAPPA E DELTA 
têm importância clínica. 
A diversificada afinidade dos vários analgésicos opioides pelos receptores 
justifica as diferença de efeitos observados entre eles. 
Receptores opioides e os efeitos propostos como resultantes de sua interação 
com agonistas 
Receptor 
 
Agente Agonistas 
 
Efeito proposto 
 
Um 
 
um-1 
 
 
Morfina, fentanil 
analgesia supramedular, aumento da 
liberação de prolactina, redução de 
aceticolina, miose, euforia 
 
um-2 
 
 
 
 
 
Morfina, fentanil 
 
 
 
 
 
analgesia medular, depressão 
respiratória, redução do trânsito 
gastrintestinal, liberação do 
hormônio de crescimento, inibição 
de liberação de dopamina 
Kappa 
K1 
K2 
K3 
 
Butorfanol zero 
levorfanol,nalorfina 
 
disforia, efeitos psicotomiméticos, 
analgesia desconhecido 
analgesia supramedular, sedação 
 
Sigma pentazocina Disforia, midríase, delírio, alucinações, 
Taquicardia 
 
delta Etorfina levorfanol 
 
analgesias medular e supramedular, 
aumento do hormônio do 
crescimento, aumento de dopamina 
Epsilon Beta-endorfina Desconhecido 
 
Morfina e agonistas opioides atuam quase exclusivamente nos receptores 
MU. Assim, a afinidade relativa da morfina por MU é 200 vezes maior que o 
receptor KAPPA. 
Agonistas/ antagonistas têm afinidade baixa ou intermediária pelos vários 
receptores, sendo os efeitos farmacológicos o resultado de um padrão 
complexo de ações. Muitos são agonistas parciais em KAPPA e DELTA e 
antagonistas em MU. Naloxona é antagonista puro nos três receptores. 
A ação analgésica relaciona-se com a depressão de mecanismos centrais 
envolvidos na nocicepção (redução da transmissão medular de impulsos 
periféricos e reforço dos sistemas eferentes inibitórios) e, sobreturo, com 
inferência na interpretação afetiva da dor. Substância cinzenta 
periaquedutal e núcleos talâmicos e bulbares são áreas ricas em receptores 
opioides. O sistema límbico também tem alta concentração desses 
receptores opioides. 
O sistema límbico também tem alta concentração desses receptores e parece 
mediar a resposta afetiva aos opioides e a euforia, sensação irreal de bem-
estar responsável em grande parte pelo potencial de abuso. 
Nos últimos anos, tem sido proposta a existência de efeitos analgésicos 
periféricos de opioides, mediados pela interação de agonistas parciais com 
receptores específicos, bloqueados por antagonistas puros. Ao menos em 
parte, a ação analgésica se produz por inibição da liberação de substância P 
em, sistemas nervoso central e periférico. 
Os opioides podem exercer ações inibitórias nos neurônios através de 
hiperpolarização, consequentemente à alterada condutância a potássio ou a 
cálcio. 
Clinicamente, os opioides não eliminam a sensação dolorosa e sim minimizam 
o sofrimento que a acompanha. Com frequencia os pacientes referem que a 
dor, embora ainda presente, é mais tolerável. 
Os efeitos analgésicos são razoavelmente seletivos em doses 
convencionais, sem compremetimento de tato, visão audição ou funcionamento 
intelectual. Entretanto, o aumento da dosagem acarreta muitos efeitos 
indesejáveis, com acentuação de algumas que já ocorrem nos esquemas 
usuais. 
Analgésicos opioides atuam predominantemente em sistema nervoso central e 
trato gastrintestinal, embora também exerçam efeitos emoutros tecidos: 
 
Propriedades farmacológicas dos agentes opioides 
Sítios de Ação Efeitos 
Sistema Nervoso Central 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pupila 
 
Sistema Cardiovascular 
 
Trato gastrintestinal 
 
 
 
Trato biliar 
 
Analgesia, tonturas, alterações de humor, 
obnubilação, apatia, Euforia (em indivíduos com 
dor) náuseas e vômitos, diminuição atividade física 
e distoria (na ausência de dor), depressão do 
reflexo de tosse, tolerância e dependentes 
psicológica e física Neuroendócrinos: inibição da 
liberação de hormônio de Crescimento fator 
liberador de corticotrofina, LH,FSH E 
ACTHaumento da liberação de prolactinaem doses 
tóxicas:depressão respiratória e de consciência, 
rigidez torácica, convulsõesMiose acentuada 
(pupilas puntiformes) 
 
Miose acentuada (pupilas puntiformes) 
 
Hipotensão postural e síncope, bradicardia 
 
Estômago:redução de secreção clorídrica e 
motilidade gástrico com aumento do tempo de 
esvaziamentoIntestino delgado: redução de 
secreções biliares, Pancreáticas e intestinais, 
retardo na digestão, aumento do tono e diminuição 
de peristaltismo, constipação intestinal 
contração do esfíncter de Oddi, aumento da 
pressão no ducto biliar comum 
 
Ureteres e bexiga 
útero 
 
pele 
 
 
 Aumento de tono, inibição do reflexo miccional 
Prolongamento do trabalho de parto 
 
Vasodilatação prurido 
 
 
Algumas propriedades farmacológicas dos opioides são aproveitadas 
terapeuticamente (antitussígena, antidiarréica, sedativa) e outras (euforia) 
levam a emprego não médico. 
 
Profissão: Odontologia e farmácia. 
Neste tópico iremos tratar de duas profissões que correspondem ao uso de 
fármacos, são elas Odontologia e Farmácia. 
 
ODONTOLOGIA - BACHARELADO 
Odontologia é a ciência voltada para o estudo e o tratamento dos dentes, da 
boca e dos ossos da face. O dentista cuida da saúde e da estética da boca. 
Restaura, extrai e limpa dentes, projeta e instala próteses e realiza cirurgias. 
Também previne a cura de doenças da gengiva, da bochecha e da língua. 
Existem diversas especialidades, como a periodontia (tratamento da gengiva) 
e a dentística restauradora, voltada para as características anatômicas, 
funcionais e estéticas dos dentes. 
Esse profissional, que em geral faz carreira em consultório particular, costuma 
iniciar-se na profissão dividindo o espaço de atendimento, por causa dos 
altos custos dos equipamentos. Para exercer a profissão é preciso 
registrar-se no Conselho Regional de Odontologia. 
Em 2008, o órgão aprovou a inclusão de seis práticas integrativas e 
complementares à saúde bucal. A partir de 2009, os cirurgiões-dentistas 
podem tratar seus pacientes com acupuntura, fitoterapia, terapia floral, 
hipnose, homeopatia e laserterapia. 
 
O mercado de trabalho 
Assim como ocorre na Medicina e em outras carreiras na área de Saúde, a 
maior parte das faculdades de Odontologia está localizada no sudeste e sul do 
país. Portanto, nessas regiões, a concorrência é acirrada. Já no Norte, no 
Nordeste e no Centro-Oeste há carência desse profissional, o que assinala a 
má distribuição de cirurgiões-dentistas pelo país. 
Dados apontam que essa distribuição mudou bastante o perfil do profissional, 
em especial nos grandes centros. Ele deixou de exclusivamente autônomo, 
trabalhando em um consultório particular, para buscar vagas no setor público. 
Há levantamentos que mostram que 60% dos cirurgiões-dentistas têm algum 
vínculo com o setor público, portanto, este é o maior empregador nos últimos 
anos 
Contando com o Sistema Único de Saúde (SUS), o total de cirurgiões-
dentistas no setor público chega a 70 mil. Em junho de 2010, o Ministério da 
Saúde editou uma portaria que dá direito a atendimento odontológico em 
hospitais públicos a pessoas com necessidades especiais ou portadoras de 
deficiência. 
Serão criadas novas vagas para esse atendimento e profissionais 
especializados em pediatria, geriatria e doenças bucais devem ser os mais 
requisitados. Na área privada, o mais comum é o formado primeiro trabalhar 
como funcionário em clínicas odontológicas, principalmente nas populares, 
para depois abrir o próprio consultório. 
Para o autônomo, as áreas mais aquecidas são a dentística restauradora, 
a endodontia, a odontopediatria e a implantodontia. Nesses casos, as capitais e 
as grandes cidades são os melhores mercados. Com o envelhecimento da 
população, a odontogeriatria também apresenta boas perspectivas. 
O salário inicial é de R$ 1.530,00 , mais 40% de insalubridade para jornada de 
20 horas semanais, de acordo com o sindicato dos odontologistas do Estado 
de São Paulo. 
 
O curso 
A formação básica inclui disciplinas da área de saúde e Ciências Biológicas, 
como anatomia, patologia, fisiologia, histologia, microbiologia, imunologia e 
bioquímica. 
As matérias profissionalizantes incluem radiologia, materiais dentários, 
dentística, endodontia, periodontia, cirurgia e traumatologia, próteses, 
odontopediatria, ortodontia, entre outras. 
No segundo ano, o aluno começa a treinar restaurações e demais 
procedimentos em aulas práticas de laboratório, utilizando um manequim 
odontológico. A partir do terceiro, passa a atender pacientes na clínica da 
faculdade. É obrigatória a apresentação de um trabalho de conclusão de curso. 
 
Duração média: 
O curso de Odontologia tem duração média (5) cinco anos 
 
Área de atuação. 
- Clínica geral: restaurar e extrair dentes. Implantar próteses. 
- Dentística restauradora: restabelecer a forma e a função dos dentes, 
clarear e corrigir sua estética. 
- Endodontia: tratar alterações na polpa e na raiz dos dentes. 
- Estomatologia: diagnostica e trata doenças da boca. 
- Implantodontia: realizar cirurgias e próteses isoladas, parciais ou completas 
(dentaduras) nos maxilares, utilizando implantes. 
- Odontogeriatria: cuidar da saúde bucal do idoso. 
- Odontologia legal: fazer exame e perícia judicial e elaborar atestados e 
laudos técnicos. Identificar cadáveres pela arcada dentária. 
- Odontologia para pacientes especiais: Atender pacientes com 
necessidades especiais (pacientes em situação de risco ou que apresentam 
psicopatologias ou patologias físicas). 
- Odontologia em saúde coletiva: atuar em planos de saúde e 
cooperativas e na montagem de programas de assistência social. 
- Odontologia do trabalho: atender pacientes em que a atividade profissional 
traz risco à saúde bucal. 
- Odontopediatria: tratar problemas bucais e dentes de crianças. 
- Ortodontia: alterar a mordedura e a posição dos dentes com aparelhos. 
- Patologia bucal: fazer exame laboratorial para identificar doenças. 
- Periodontia: cuidar das gengivas e dos ossos que dão sustentação aos 
dentes, fazendo cirurgias, raspagens e outros procedimentos no entorno dos 
dentes. 
- Prótese dentária. projetar e confeccionar próteses de dentes danificados 
ou substituir os destruídos, restabelecendo funções na mordedura e na 
mastigação. 
- Radiologia: diagnosticar problemas na boca, na face e nos maxilares por 
meio de imagens de raios X. 
- Traumatologia e cirurgia bucomaxilofacial: diagnosticar traumatismos, lesões 
e anomalias na boca, na face e no sistema estomatogmático (os órgãos 
que envolvem o sistema de mastigação, como maxilar, mandíbula e gengiva) e 
fazer cirurgias, implantes, transplantes e enxertos para recuperá-lo. 
 
FARMÁCIA BACHARELADO 
É o estudo da composição e dos processos produtivos de medicamentos, 
cosméticos e alimentos industrializados. O farmacêutico pesquisa e 
prepara medicamentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal, examina 
e testa substâncias e princípios ativos que entram em sua composição e 
observa as reações provocadas no organismo. 
Registra novas drogas, distribui e comercializa os produtos e verifica se 
chegam ao consumidor dentro das normas sanitárias. Em laboratórios de 
análises clínicas, pesquisa, registra e realiza exames clínico-laboratoriais e 
toxicológicos para auxílio do diagnóstico e acompanhamento de doenças. 
Em famácias, distribui medicamentos e prepara fórmulas personalizadas. Na 
indústria alimentícia, controla a qualidade das matérias-primas e do produto 
final, estudando e estabelecendo métodos para evitar e detectar adulterações 
e falsificações, a fim de impedir danos à saúde pública. 
 
O mercado de trabalho 
As oportunidades de trabalho para o farmacêutico têm se ampliado. Além dos 
tradicionais postos em indústrias demedicamentos e insumos farmacêuticos, 
que absorvem boa parte dos profissionais formados, as farmácias e 
drogarias em todo o país continuam contratando para cumprir a exigência de 
ter ao menos um farmacêutico em seu quadro. 
O Brasil é o país com o maior número desses estabelecimentos no mundo - 
são 79.010 farmácias e drogarias, segundo o Conselho Federal de Farmácia. 
Nas indústrias farmacêuticas, o profissional pode atuar na área administrativa e 
lidar, por exemplo, com o registro de medicamentos e a farmacovigilância, 
além das áreas técnicas, produtivas, de pesquisa e desenvolvimento. 
Crescem as oportunidades também na indústria cosmética e na 
manipulação em farmácias especializadas. Ainda no ambiente corporativo, o 
farmacêutico encontra trabalho nas indústrias químicas, de alimentos e de 
biotecnologia. Nesses casos, as vagas concentram-se mais em São Paulo, 
mas há oportunidades no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Na Região Norte, 
demandam profissionais as empresas de fitoterápicos (medicamentos à base 
de plantas). 
Já no Nordeste, existem polos industriais nos segmentos de alimentos e 
medicamentos. Estudos apontam que as farmácias de hospitais do setor 
público antes tinham apenas um farmacêutico. Agora, além de ampliarem as 
equipes, elas estão aperfeiçoando o trabalho e são um campo interessante de 
atuação. 
Clínicas e hospitais de atendimento a pacientes com câncer contratam o 
profissional para administrar os medicamentos de quimioterapia. Ainda no setor 
público, há concursos para atuar nas equipes do Programa de Saúde da 
Família e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA). 
 
Salário inicial: 
O salário inicial oscila de R$ 1.410,00 (em hospitais, laboratório de análises 
clínicas e clínicas de saúde) a R$ 1.685,00 (em farmácias, drogarias, 
etc.), segundo o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. 
 
O curso 
As matérias das áreas de biologia, física e química acompanham o aluno 
durante todo o curso. Nos três primeiros anos, você estuda química orgânica, 
inorgânica, analítica, parasitologia, microbiologia, imunologia e anatomia. 
Entre as disciplinas profissionalizantes estão fisiopatologia, toxicologicas, 
análise e controle de qualidade, quimica farmacêutica, farmacologia, tecnologia 
farmacêutica e de cosméticos. 
As aulas práticas, em laboratório, ocupam grande parte da carga horária. O 
estágio é obrigatório, assim como o trabalho de conclusão de curso. Fique de 
olho: Algumas instituições oferecem o curso de Farmácia e Bioquímica. 
 
 
 
Duração média: 
O curso tem duração média (5) cinco anos. 
 
Área de atuação. 
- Análises clínicas e toxicológicas: Analisar material biológico, como sangue, 
fezes e urina, para detectar doenças provocadas por agentes infecciosos, 
alimentos, produtos químicos ou drogas. 
- Atenção farmacêutica: Orientar pacientes em drogarias, laboratórios e 
indústrias farmacêuticas que mantêm ativo o Serviço de Atendimento ao 
Cliente (SAC). 
- Área ambiental: Controlar a qualidade da água, do solo e do ar em 
determinadas regiões. 
- Biologia molecular: Pesquisar e realizar análises laboratoriais envolvendo 
técnicas de biologia molecular para diversos exames, como o de paternidade. 
- Cosmetologia: Formular cosméticos e produtos de higiene emindústrias 
e farmácias de manipulação. Atuar no controle de qualidadedesses 
produtos. 
- Farmácia clínica: Acompanhar pacientes internados e submetidos a 
tratamentos longos. Assessorar médicos e enfermeiros. 
- Farmacovigilância: Analisar medicamentos e cosméticos para saber se 
estão cumprindo o que prometem e se atendem às necessidades dos 
consumidores. 
- Medicamentos: Pesquisar e testar princípios ativos e a aplicação de novas 
drogas nas indústrias farmacêuticas. 
- Pesquisa clínica: Observação clínica de pacientes que recebem 
medicamentos novos no mercado. 
- Vendas: Comercializar medicamentos em drogarias e vender para hospitais e 
postos de saúde. Preparar remédios individualizados, conforme prescrição 
médica. 
- Vigilância sanitária: Analisar e controlar produtos industrializados, sejam eles 
medicamentos ou cosméticos, insumos para laboratórios ou alimentos 
frescos ou em conserva. 
 
 
O Doping esportivo. 
Doping é o uso de qualquer droga ou medicamento que possa aumentar 
o desempenho dos atletas durante uma competição. Neste tópico, iremos tratar 
sobre o doping no esporte e saber como o uso de remédios pode interferir na 
vida profissional de um atleta profissional. 
O uso de medicamentos por alguns atletas, além de trazerem riscos a saúde, é 
antiético, pois nesse caso, não há igualdade de condições entre os atletas. 
A pioneira nas punições por uso de doping foi a Associação Internacional 
de Federações de Atletismo (IAAF). Em 1928 a Associação baniu os primeiros 
atletas por doping. 
 
Atualmente, existe uma lista de medicamentos proibidos. Essas drogas 
são agrupadas nas seguintes classes: 
- Estimulantes – agem direto sobre o sistema nervoso central, fazendo o 
mesmo efeito da adrenalina. As substâncias são: pseudoefedrina, efedrina, 
anfetamina, cocaína e cafeína. 
- Analgésicos Narcóticos – atuam no sistema nervoso central, diminuindo 
a sensação de dor. As substâncias são: morfina, codeína, propoxifeno, 
petidina. 
- Agentes anabólicos – agem aumentando o tamanho dos músculos. 
- Diuréticos – atua aumentando a produção e a excreção, causando a perda de 
peso. São usados também para o mascaramento de doping. As substâncias 
são: triantereno, hidroclorotiazínicos, furosemide. 
- Betabloqueadores: agem diminuindo a pressão arterial e ajudam a manter 
estáveis as mãos do atleta. É usado em competições como o tiro. As 
substâncias são: propranolol e atenol. 
- Hormônios peptídeos e análogos: aumentam o volume e a potência dos 
músculos. As substâncias são: Hormônio do crescimento, eritropoetina, 
corticotropina. 
Alguns cientistas apontam que, atualmente, existe a possibilidade de doping 
genético. Através da alteração genética, se pode, por exemplo, aumentar 
a produção de hormônios. 
Desde 1968 foram utilizados pela primeira vez os testes antidoping nos Jogos 
Olímpicos. 
 
Em 1999 foi fundada a World Anti-Doping Agency (WADA), para o combate da 
prática do doping pelos atletas. Essa Agência Mundial criou um código mundial 
antidoping (CMAD), que é utilizado pela maioria das Federações 
Internacionais e pelo Comitê Olímpico Internacional. 
 
Casos de doping 
No dia 6 de setembro de 2010, o site R7 Esportes, publicou uma matéria sobre 
uma caso de doping devido a um mal uso de um remédio para dor de dente. 
Segundo a matéria, a velocista jamaicana Shelly-Ann Fraser, campeã 
olímpica em Pequim-2008 e mundial em Berlim-2009 nos 100 m, foi suspensa 
por seis meses nesta quarta-feira (6) pela IAAF (Associação Internacional 
das Federações de Atletismo), após ser flagrada em exame antidoping no fim 
de maio. 
Como foi previamente suspensa em junho, Fraser já está afastada das pistas 
há mais de três meses. Cumprido o restante da punição, estará livre para voltar 
a competir a partir de 8 de janeiro de 2011. 
A atleta de 23 anos testou positivo para Oxicodona, medicamento para 
combater as dores, na etapa de Xangai da Liga de Diamante da IAAF, em 
maio. Após o doping ser anunciado, Fraser admitiu que tomou remédio para 
aliviar dor de dente. 
Em Julho de 2008, a revista Veja publicou uma reportagem sobre os casos de 
doping no esporte. A revista apresentou 14 principaisquestões sobre o tema, 
mostrando como o uso de remédios pode prejudicar o destino de um esportista 
sério. 
 
Qual é a definição de doping no mundo esportivo? 
Considera-se doping, na definição oficial dos comitês e federações esportivas, 
a utilização de substâncias ou métodos capazes de aumentar artificialmente o 
desempenho esportivo, sejam eles potencialmente prejudiciais à saúde do 
atleta, à saúde de seus adversários ou contrários ao espírito da competição. 
 
Quais serão as regras para os exames em Pequim? 
As regras estão descritas num documento do COI divulgado em abril. Elas 
valem dos dias 27 de julho (abertura da Vila Olímpica) até 24 de agosto (data 
da cerimônia de encerramento). As principais normas são: 
- Todos os atletas estão sujeitos aos testes, sem aviso prévio; 
- O não comparecimento aos testes em duas ocasiões separadas durante os 
Jogos (ou em uma ocasião nos Jogos e outra em até 18 meses após) será 
considerada violação das regras antidoping; 
- A posse de qualquer substância proibida da lista será considerada violação 
das regras; 
- Os testes também poderão ser aplicados em ocasiões anteriores às 
competições, como os treinos. 
 
Houve mudanças em relação aos Jogos de Atenas? 
A principal mudança é o aumento do número de testes realizados. Em 2008 
serão realizados 4.500 (cinco primeiros colocados de cada prova, mais dois 
testes aleatórios). O número é 25% maior do que o registrado em 2004 (3.600 
no total) e 90% maior do que os exames realizados na Olimpíadas de 
2000, em Sydney. O COI informou também que os testes deste ano serão mais 
avançados. Por precaução, contudo, o comitê não divulgou mais detalhes 
das mudanças. Em Atenas, a posse de apenas algumas substâncias 
específicas era considerada violação das regras. Já neste ano, a posse de 
qualquer substância que esteja listada é ato ilícito. 
 
Quando são feitos os exames? Quem os realiza? 
Os exames são feitos pelo COI, em cooperação com a Agência Mundial 
Antidoping (Wada, na sigla em inglês) e o Comitê Organizador dos Jogos 
Olímpicos de Pequim (Bocog, na sigla em inglês). Os atletas poderão ser 
selecionados para fazer o teste em qualquer momento, em qualquer local (na 
Vila Olímpica ou fora dela), antes ou depois de uma competição. 
 
Como são feitos os testes entre os competidores? 
Os testes são feitos a partir de amostras de urina ou sangue do atleta. Os 
exames de urina são normalmente usados para detectar tipos de hormônios 
sintéticos que melhoram a performance esportiva. Já os testes de sangue são 
adotados para a detecção de outros tipos de substâncias proibidas. 
 
Os exames são feitos somente quando há suspeitas? 
Não. A seleção dos atletas é aleatória, não determinada por possíveis 
suspeitas. Existe o controle em competiçã, realizado imediatamente após o 
término de uma prova, e o controle fora de competição, que pode ser 
efetuado a qualquer momento fora do período dos Jogos. As drogas 
controladas nos dois tipos de testes não são as mesmas. O exame em 
competição inclui todas as classes de substâncias e métodos proibidos. Já os 
testes que são feitos fora das competições são mais específicos e incluem 
apenas algumas substâncias, como os anabolizantes. Existe um terceiro tipo 
de teste, realizado imediatamente antes de uma competição, que é 
característico do ciclismo e de alguns esportes de inverno, como o esqui e 
a patinação. Esse tipo de controle é feito com exame de sangue. 
 
Quais tipos de drogas são mais usadas pelos atletas? 
Registros do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) mostram quais eram as 
substâncias mais consumidas em escala mundial em 2005. Atualmente as 
porcentagens podem ser diferentes. As principais substâncias usadas pelos 
atletas, porém, continuam as mesmas. O levantamento analisou os casos de 
139.836 atletas. Desse total, 2.958 tiveram resultados positivospara doping: 
43,4% usaram anabolizantes; 
14,2%, beta-2 agonistas (que aumenta a massa muscular e diminui a gordura); 
11,8%, estimulantes; 
11,7%, canabinóides (alucinógenos ou depressores, como a maconha) 
7,6%, glucocorticosteróides (que garantem reserva energética e ajudam a 
equilibrar os níveis psíquicos e físicos dos atletas) 
5,7%, diuréticos e outros agentes mascarantes; 
3,8%, hormônios; 
1,8%, outros. 
 
E no caso do hipismo, há exames para os cavalos? 
Sim, já que os animais também podem ser dopados com substâncias 
estimulantes. Um dos casos mais conhecidos aconteceu em Atenas, em 2004. 
O irlandês Cian O'Connor ganhou o ouro no concurso individual de hipismo. O 
exame de seu cavalo, Waterford Crystal, acusou uso de uma substância 
proibida. Com isso, a medalha de ouro ficou com o brasileiro Rodrigo Pessoa, 
que havia terminado a prova em segundo lugar. 
Quais cuidados o atleta deve tomar antes dos Jogos? 
Conforme o COB, a maioria dos produtos denominados suplementos 
alimentares não tem segurança garantida – portanto, não deveriam ser 
usados. Um estudo realizado pelo Laboratório de Controle de Doping de 
Colônia, na Alemanha, mostrou que alguns desses produtos não apenas não 
contêm o que deveriam conter como também podem possuir em sua 
formulação precursores de hormônios e testosterona. Isso pode resultar em 
reprovação no exame antidoping. Por isso, atletas de alto rendimento devem 
apenas utilizar produtos tradicionais, preferencialmente testados previamente. 
Produtos medicinais, por exemplo, oferecem riscos, já que podem 
esconder substâncias que aparecem na lista de itens proibidos pelo COI. Além 
disso, de acordo com as regras do comitê, é um dever do atleta informar ao 
seu médico pessoal ou farmacêutico sobre o consumo de quaisquer 
medicamentos, de forma a evitar possíveis punições. 
 
E os que tomam remédios contra doenças crônicas? 
Atletas hipertensos, por exemplo, muitas vezes não podem ficar sem diuréticos. 
Da mesma forma, atletas com diabetes precisam continuar usando 
insulina, e os asmáticos também não podem dispensar o uso de seus 
medicamentos. Nesses casos, é preciso avisar sua confederação para solicitar 
uma permissão especial, que poderá ser concedida após a análise do 
diagnóstico e da indicação de um determinado medicamento. 
 
Quais são as substâncias proibidas nas Olimpíadas? 
Há uma lista extensa de substâncias que não podem ser usadas pelos atletas 
olímpicos. Para orientar esse controle, definindo o que pode ou não ser usado 
pelos atletas, a Wada publica todos os anos em seu site (www.wada-ama.org) 
a lista completa de drogas e métodos proibidos. 
 
Quais são as punições para um atleta que é flagrado? 
As conseqüências previstas pelas normas do COI são: Desqualificação: o 
atleta perde o lugar conquistado na prova que disputou dopado; ele fica sem as 
medalhas, os pontos e eventuais prêmios. 
Inelegibilidade: o atleta fica barrado por um período determinado de participar 
de qualquer competição. 
 
Suspensão provisória: o atleta fica barrado temporariamente de participar 
de qualquer competição. Esse período vale até a decisão final do julgamento 
sobre o caso. Em caso de condenação, o prazo pode ser prorrogado. 
Além da punição por parte do comitê organizador, cada país pode punir seus 
atletas de acordo com as próprias legislações e regras esportivas. 
 
As drogas avançaram bastante. Os testes também? 
Ao anunciar as regras antidoping para os Jogos de Pequim, o alemão 
Thomas Bach, vice-presidente do COI, reconheceu que o avanço das drogas é 
muito grande. Bach, no entanto, preferiu manter sigilo sobre as novas técnicasde combate ao problema. "Nós reagimos a isso", limitou-se a dizer na ocasião. 
 
Quais foram os casos mais famosos em Olimpíadas? 
O episódio mais marcante foi protagonizado pelo velocista canadense Ben 
Johnson. Ele foi recordista mundial nos 100 metros rasos em Seul, em 1988, 
mas teve a medalha cassada depois da descoberta de uso de anabolizantes. 
Outro caso famoso foi o da americana Marion Jones, que ganhou cinco 
medalhas em Sydney-2000. Os três ouros e dois bronzes foram retirados 
depois que ela admitiu ter competido dopada. A velocista ainda foi condenada 
a seis meses de prisão pela Justiça dos EUA. Entre os brasileiros não há 
casos de atletas flagrados nas Olimpíadas; Rebeca Gusmão, protagonista 
do episódio mais recente no país, foi flagrada nos Jogos Pan-Americanos de 
2007, no Rio de Janeiro. Está suspensa por dois anos. Outro atleta que 
perderá a chance de disputar os Jogos é um nadador chinês, Ouyang 
Kunpeng. Flagrado no início de maio, foi banido para sempre das piscinas. 
 
BIBLIOGRAFIA 
FERREIRA, C.B.M & WANNMACHER, L. Farmacologia clinica para 
Dentistas. 2º edição. Editora Guanabara – São Paulo: 1999. 
NEILDLE, E. A ., KROEGER D.C., YAGIELA, A.J. Farmacologia e 
Terapêutica para Dentistas. Editora Guanabara Koogan S.A. São Paulo: 1980. 
PAIVA, L. C. A. & CAVALCANTI , A.L. Anestésicos locais em 
odontologia: uma revisão de literatura. Universidade Estadual da Paraíba - 
UEPB, Curso de Odontologia, Campina Grande, PB:2005. 
DESTRUTI, ARONE & PHILIPPI – Introdução à farmacologia. 7ª Edição. 
Editora Senac. São Paulo: 1999. Por http://esportes.r7.com/esportes-
olimpicos/noticias/jamaicana-campea- 
PORTAL VEJA.COM. Perguntas & Respostas: doping nas Olimpíadas 
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/doping/index.sht

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