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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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BRUNO PENA & ADVOGADOS ASSOCIADOS S/S 
Rua 1, n.º 928 - Ed. Wall Street - Setor Oeste - Goiânia - Goiás - CEP.: 74.115-040 
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS. 
 
 
 
 
 
“Somos todos escravos da lei, 
para que possamos ser livres.” 
Marco Túlio Cícero 
 
 
 
 
A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TRABALHADORES 
POLICIAIS CIVIS - COBRAPOL, pessoa jurídica de direito privado inscrita no 
CNPJ/MF sob o n.º 37.050.804/0001-05, com sede no SCS, n.º 30, Quadra 01, 
Bloco G, sala 703 - Edifício Baracat - Brasília - Distrito Federal - CEP.: 70.309-900, 
neste ato representado por seu Presidente, JÂNIO BOSCO GANDRA, brasileiro, 
casado, agente de polícia, portador da Cédula de Identidade RG. n.º 4663527 
(SSP\AM), inscrito no CPF/MF sob o n.º 111.916.352-87, com domicilio na sede da 
Confederação; por seus advogados devidamente constituídos [procurações em 
anexo (Doc.1)], bem como atos constitutivos e documentos pessoais dos 
outorgantes (Doc.2)], vem, perante esta Egrégia Corte de Justiça, com fundamento 
no inciso IX, do artigo 103 da Constituição da República Federativa do Brasil; no 
inciso VII do artigo 60, e alínea “a” do inciso VIII do art. 46, ambos da Constituição 
do Estado de Goiás; bem como no inciso I, do artigo 9º-B do RITJGO, com o 
respeito de costume, propor a presente 
 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 
com pedido de 
TUTELA DE URGÊNCIA CAUTELAR 
 
da Lei Estadual n.º 19.275 de 28 de abril de 2016, aprovada pela Assembleia 
Legislativa do Estado de Goiás, sancionada pelo Governador do Estado de Goiás, 
que cria os cargos de escrivão de polícia substituto e agente de polícia substituto, 
nas respectivas carreiras da Delegacia-Geral da Polícia Civil e altera a Lei Estadual 
n.° 16.901, de 26 de janeiro de 2010, pelos motivos de fato e de direito a seguir 
expostos. 
U R G E N T E 
PEDIDO LIMINAR 
BRUNO PENA & ADVOGADOS ASSOCIADOS S/S 
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1. DOS FATOS: 
 
 A presente ação direta de inconstitucionalidade, tem como 
principal fundamento a manifesta ilegalidade contida nas determinações do texto da 
Lei Estadual n.º 19.275 de 28 de abril de 2016, que ao criar os cargos de escrivão de 
polícia substituto e agente de polícia substituto, nas respectivas carreiras da 
Delegacia-Geral da Polícia Civil, alterando a Lei Estadual n.° 16.901, de 26 de 
janeiro de 2010; por desvio de finalidade da norma, e ainda por ferir: a) o princípio 
da irredutibilidade de subsídios, prevista no artigo 92, inciso XVII, e artigo 95, II, 
ambos da Constituição do Estado de Goiás, bem como no artigo 37, inciso XV, da 
Constituição Federal; b) o princípio da isonomia, uma vez que cria cargos na carreira 
da Polícia Civil, sem identificar sua função específica, o que levaria a situação de 
servidores desenvolvendo a mesma função, mas com remuneração distinta, sendo 
uma muita aquém da outra; c) os critérios de remuneração estabelecidos nos incisos 
I, II e III, do §1º, do artigo 94, da Constituição do Estado de Goiás; e d) o direito à 
aposentadoria, prevista no inciso XVI, do artigo 95, da Constituição do Estado de 
Goiás, uma vez que ao prolongar a carreira que antes era de 20 anos, para 24 
anos, diminuirá a possibilidade de o servidor se aposentar no topo da carreira. 
Ademais, a título de argumentação, importante registrar que a Lei, ora 
em discussão, se justifica no argumento de hipotético aumento do efetivo de 
policiais, para reforço dos trabalhos de Segurança Pública em nosso Estado. 
Contudo, não há, em verdade, criação de novas vagas para incremento dos quadros 
de Agentes e Escrivães da Polícia Civil do Estado de Goiás, mas tão somente um 
remanejamento de vagas, com a condenável finalidade de reduzir os gastos com a 
Segurança Pública, com a contratação de mão de obra barata, para a prestação de 
serviço público de tamanha importância, quando a imperiosa necessidade é que 
medida inversa fosse tomada. 
Vejamos. A Lei Estadual n.° 16.901/2010, com a antiga redação dada 
pela Lei Estadual n.º 17.902, de 27 de dezembro de 2012, previa em seu artigo 99, 
inciso IV, 490 (quatrocentos e noventa) cargos de Escrivão Policial de 3ª classe; 
assim como em seu artigo 100, inciso IV, 936 (novecentos e trinta e seis) cargos 
de Agente de Polícia de 3ª classe. Contudo, com a nova redação dada pelo artigo 
2º da Lei Estadual sob análise, ao artigo 99, inciso IV, esse quantitativo passou a ser 
de apenas 270 (duzentos e setenta) cargos de Escrivão Policial de 3ª classe; e 
ao artigo 100, inciso IV, esse quantitativo passou a ser de apenas 656 (seiscentos e 
cinquenta e seis) cargos de Agente de Polícia de 3ª classe. Ou seja, a 
alteração legislativa, imposta pela Lei Estadual, ora em discussão, representou 
uma diminuição de 220 (duzentos e vinte) cargos de Escrivão Policial de 3ª 
classe; e de 280 (duzentos e oitenta) cargos de Agente de Polícia de 3ª Classe. 
Acontece, que a mesma Lei Estadual (que encontra-se sob análise 
desta Ação Direta de Inconstitucionalidade) que alterou a Lei Estadual n.° 
16.901/2010, para modificar o inciso IV, do artigo 99, para reduzir em 220 
(duzentos e vinte) cargos, o efetivo de Escrivão Policial de 3ª classe; e 
modificar o inciso IV, do artigo 100, para reduzir em 280 (duzentos e oitenta) 
cargos, o efetivo de Agente de Polícia de 3ª classe; criou 220 (duzentos e vinte) 
cargos de Escrivão de Polícia Substituto, e 280 (duzentos e oitenta) cargos de 
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Agente de Polícia Substituto, através da inclusão do inciso V, ao artigo 99, e da 
inclusão do inciso V, ao artigo 100, ambos da Lei Estadual n.° 16.901/2010. 
O que demonstra, de forma cristalina, que a bem da verdade, a 
malfada Lei Estadual, não acrescenta um único novo cargo ao efetivo da Polícia 
Civil, se limitando, tão somente, a um manejo legislativo, com o único objetivo de 
diminuir a remuneração dos policiais civis, e assim reduzir os gastos do Governo do 
Estado de Goiás com a Segurança Pública. 
Como dito acima, a Lei ora impugnada tem como intenção, tão 
somente, a redução dos subsídios dos Policiais Civis do Estado. Uma vez que serão 
reduzidos os cargos de Agente e Escrivão de Polícia de 3ª Classe, para contratação, 
de Agente e Escrivão de Polícia Substitutos, a uma remuneração, muito abaixo, dos 
policiais que encontram-se já em efetivo serviço público, tornando notório o desvio 
de finalidade da presente Lei. 
Destarte, o artigo 4º da norma legal impugnada, prevê um subsidio de 
R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) aos Policiais Civis Substitutos, o que é 
astronomicamente menor do que o adotado hoje aos policiais em início de carreira 
(3ª classe). 
O Estado quer, através da norma em exame, impingir um subsidio 
menor a um Policial que já tem seus subsídios previstos em Lei. Isto fará com que 
ocorra a paradoxal existência de funcionários que exercem as mesmas atribuições, 
no mesmo local de trabalho, com as mesmas ferramentas e grau de instrução, 
todavia, com subsidio quase 50% inferior aos demais. 
De outro lado, estende indevidamente em mais quatro anos, arrastando 
para baixo o piso de uma carreira que já é, por sua natureza, estressante e que 
causa inúmeros problemas de saúde, sem adentrar à questão de que estão 
hodiernamente submetidos a iminente risco de morte em prol da ordem pública e da 
repressão ao crime, zelando pelo fiel e