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I I 
B I B L I O T E C A E V P H R O S Y N E - 1 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o 
T R A T A D O 
D A I M I T A ( ; Ä O 
" 
; · \ 
' o ' , . . . . . . . ·~ I 
. . , . . . 
' ( . - I J , -~----- - --------~ 
- - - , . • . _ _ _ . . . . a _ _ , - - - · . · ' ' • j 
I n s t i t u t o N a . c i ö - n a l d e Trivestiga~o C t e n t i f i c a 
DIONtSIO DE HALICARNASSO 
TRATADO DA IMITA<;XO 
ffO. q 
BIBLIOTECA EVPHROSYNE -1 lJs-CJ :v, Y-
Dionisio de Halicarnasso 
TRATADO 
DA IMITA~ÄO 
Editado por 
Raul Miguel Rosado Fernandes 
U.F.M.G •• BIBLIOTECA UNIVERSITARIA 
~111111111111111\lllllllllllllllllll 
390650910 
NÄO DANIFIQUE ESTA ETIQUETA 
19?' 
Instituto Nacional de lnvestiga~ao Cientffica 
Centro de Estudos Chissicos das Universidades de Lisboa 
LISBOA 
1986 
Com a colaborac;äo de: 
MARIA FILIPA MENESES CORDEIRQ 
ARNALDO MONTEIRO DO ESPJRITO SANTO 
lOSE SJLV/0 MORE/RA FERNANDES 
MANUEL AUGUSTO NAIA DA SILVA 
NOTA PR:EVIA 
Esta edir;iio e o resultado do trabalho do Seminario 
de Problematica da Literatura do Mestrado em Litera-
turas Classica.') (1982-1984) da Universidade de Lisboa. 
Os quatro capitulos introdut6rios foram redigidos, 
respectivamente, pelo orientador do Seminario, Professor 
Doutor Raul Miguel Rosado Fernandes, e pelos alunos 
Dr. lose Silvio Moreira Fernandes, Dr. Manuel Augusto 
Naia da Silva e Dr.a Maria Filipa Meneses Cordeiro. 
As notas ao texto ficaram a cargo do Dr. Arnaldo Mon-
teiro do Espirito Santo, tambem aluno deste Seminario. 
A tradur;ao - de que foi preparada uma versao provi-
s6ria por Arnaldo Espirito Santo para ser discutida nas 
sessöes do Seminario - e, na sua forma definitiva, da 
autoria do Prof. Rosado Fernandes. 
A apresentar;ao final beneficiou das pertinentes obser-
var;öes da Professara Doutora Maria H elena da Rocha 
Pereira, a quem deixamos aqui expresso o nosso reconhe-
cimento pelo Parecer dado ao INIC sobre a oportunidade 
de publicar;iio do De imitatione em portugues. 
9 
INTRODU{_;ÄO 
I 
CONCEP<;öES E FORMAS DE IMITAR: 
UM ENQUADRAMENTO 
PARA DIONtSIO DE HALICARNASSO 
1. Imita~äo em geral 
Mimesis {port. mimese), imitatio, imita9äo, eis um termo cuja 
riqueza semäntica passa despercebida ao Ieitor moderno, uma vez 
que desde ha muito tempo o acto de imitar passau a ser conotado 
com a reprodu~äo ou c6pia servil de um modelo. A pr6pria moda 
intelectual da actualidade repudia qualquer imita~äo, pois todos 
pensam atingir certa originalidade e pensam que a originalidade, 
embora potencialmente ligada a modelos, a arquetipos, aparece 
como que flutuante e ligada ao artista que a criou. Dai a criati-
vidade ser en tendida como original, sem que j amais se macule 
com qualquer ideia de imita~äo. Cremos que esta no~äo romäntica 
e recente, se atendermos a hist6ria do mundo, de originalidade, 
sempre existiu, s6 que existiu a paredes meias com a imita~äo, 
como processo em si, como forma de reproduzir artisticamente 
o real, ou como forma de aproveitar de modelos, para neles incluir 
algo de pessoal, inevitavelmente existente, quando provem de um 
artista criativo. Imitar significa, agora, para qualquer cultor das 
11 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a ( , ; a o 
a r t e s o m e s m o q u e p l a g i a r ; s i g n i f i c a v a c o n t u d o n a a n t i g u i d a d e 
e a t e a o s e c u l o X V I I I , a l g o d e d i f e r e n t e , d e f o r m a l m e n t e d i f e r e n t e , 
a i n d a q u e n a e s s e n c i a t u d o s e j a , a n t e s e a g o r a , p r o f u n d a m e n t e 
o m e s m o . S 6 o a c i d e n t a l m u d o u , c o m o m u d o u a m o d a , c o m o s e 
a l t e r a r a m o s p r e c e i t o s , q u e n o m u n d o m o d e m o p a r e c e m m e n o s 
e v i d e n t e s , c o m o o s v e l h o s c ä n o n e s . M u d o u a a t i t u d e , o q u e e s i g n i -
f i c a t i v o , m a s n ä o h a d u v i d a d e q u e o s a u t o r e s o u o s a r t i s t a s c o n t i -
n u a m a p e r t e n c e r a e s c o l a s , c o n t i n u a m a e s c o l h e r m o d e l o s , c o n -
t i n u a r i a m a i m i t a r , s e a p a l a v r a e a n o c ; ä o , s e o s i g n i f i c a n t e e o 
s i g n i f i c a d o e s t i v e s s e m e m u s o , s e o s r e a l i s t a s o u o s n e o - r e a l i s t a s 
s e r e o l a m a s s e m d o s s e u s m o d e l o s , s e o s c u l t o r e s d o n o u v e a u - r o m a n 
a f i r m a s s e m a p a t e r n i d a d e d o s e u d i s c u r s o , s e o s q u e s e g u e m c u i d a -
d o s a m e n t e a s e s t r u t u r a s n a r r a t i v a s d e u m J a m e s J o y c e a d m i t i s s e m 
q u e c l a r a m e n t e o i m i t a m , s e m q u e c o m i s s o o r e p r o d u z a m e d e l e 
f a c ; a m « C e n t ö e s » . T u d o i s s o p a s s o u ; f a l a - s e d e « r e e s c r i t a » , d e « i n t e r -
t e x t u a l i d a d e » , q u a n d o h a u m m o d e l o e v i d e n t e , c o m o e o c a s o d e 
H o m e r o p a r a o V l y s s e s d e J o y c e , o u d e H o r a c i o p a r a o R i c a r d o 
R e i s d e P e s s o a 
1
, m a s j a n ä o s e f a l a d e i m i t a 9 d o . N a a n t i g u i d a d e 
1 
A i m i t a < ; ä o t e m p r e o c u p a d o d e s d e s e m p r e o s e s t u d i o s o s d a a n t i g u i -
d a d e , e m b o r a o a c e r v o b i b l i o g n i f i c o n ä o s e j a d e s m e d i d o , c o m o a c o n t e c e 
c o m a l g u n s t e m a s q u e e n t r a r a m n a m o d a , o c a s o d a r e t 6 r i c a , p o r e x e m p l o . 
C i t a m o s o s t r a b a l h o s q u e s e r v i r a m d e f u n d a m e n t o a o n o s s o e s t u d o e q u e 
p o d e r ä o s e r d e u t i l c o n s u l t a a q u e m o q u i s e r a p r o f u n d a r . 
E . N o r d e n , D i e a n t i k e K u n s t p r o s a , D a r m s t a d t , 1 9 5 9 ( s o b r e e d . d e 1 9 0 9 
e 1 9 1 5 ) : e u m p i 0 1 1 1 e i r o d o s e s t u d o s d a t e o r i z a < ; ä o l i t e n i . r i a n a a n t i g u i d a d e , 
b e m c o m o n a I d a d e M e d i a e H u m a n i s m o . 0 p r o b l e m a d a i m i t a < ; ä o e a f l o r a d o 
f r e q u e n t e s v e z e s e c o m g r a n d e a u t o r i d a d e . 
E . S t e m p l i n g e r , D a s P l a g i a t i n d e r g r i e c h i s c h e n L i t e r a t u r , L e i p z i g e 
B e r l i m , 1 9 1 2 : o A . e s t u d a p o r m e n o r i z a d a m e n t e a n o < ; ä o d e p l a g i a t o t a l c o m o 
e l a e r a c o n c e b i d a p e l o s t e o r i z a d o r e s e c o m e n t a d o r e s g r e g o s , m a s n ä o s e 
l i m i t a a a n t i g u i d a d e , p o i s f a z f r e q u e n t e s e x c u r s ö e s p e l o s t e m p o s m o d e r n o s 
e p e l o H u m a n i s m o . E u m a e x c e l e n t e o b r a d e c o n s u l t a c o n c e b i d a c o m g r a n d e 
v i v a o i d a d e a p e s a r d o s e u p e s a d o a p a r a t o e r u d i t o . 
H . P e t e r , W a h r e i l u n d K u n s t , G e s c h i c h t s s c h r e i b u n g u n d P l a g i a t i m k l a s s i -
s c h e n A l t e r t u m , L e i p z i g e B e r l i m , 1 9 1 1 : t r a t a - s e d e u m e s t u d o s o b r e o v a l o r 
e m e t o d o s d o s h i s t o r i a d o r e s a n t i g o s , o b r a a i n d a h o j e v a l i d a p e l a s u a c r i t i c a 
e e r u d i < ; ä o . T e m u m c a p i t u l o ,o X I I I , i n t i t u l a d o P l a g i a t o , p p . 4 1 6 - 4 5 5 . 
J . B o m p a i i ' e , L u c i e n E c r i v a i n , I m i t a t i o n e t c r e a t i o n , P a r i s , 1 9 5 8 : o b r a d e 
f u n d o s o b r e L u o i a n o , o r l i g i n a l e i m i t a d o r , c o m i n U : m e r a s r e f e r e n c i a s a o f e n 6 -
m e n o d a i m i t a < ; ä o e m g e r a l , t a n t o e n t r e o s G r e g o s c o m o e n t r e o s R o m a n o s . 
1 2 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicamasso 
näo era assim, nos tempos antigos, se assim podemos dizer, tam-
bem näo. Vamos tentar mostn}...lo e examinar a opiniäo de alguns 
teorizadores da literatura atraves dos seculos. 
2. Mimese entre os Gregos 
Ja na antiguidade havia a noc;;äo de que a mimese ou imita9äo 
era expressa com varios matizes semänticos, conforme a posic;äo 
fiJos6fica do teorizador. Para P·latäo mimeisthai - que no fundo 
significa em grego «representar por mimica» a realidade, desde 
A primeira parte e dedicada inteiramente, pp. 13-153, a La Doctrine de la 
Mimesis. A informa~äo do A. e excelente, bem como e correcta a perspeotiva 
qrue nos da. 
W. Kroll, Studien zum Verständnis der Romischen Literatur, Estugard:a, 
1924: escrito IPQr este grande mestre da Hteratura latina, encontmmos o 
ess·encial sobre a imita~äo nas letras romanas, no cap. VII, Originalität und 
Nachahmung (Originalidade e Imita9ao). Introduz o Ieitor moderno neste 
aspecto da literatura latina, cujos maiores representantes nunca esconderam 
seguirem os >modelos gregos. 
Creative Imitation and Latin Literature, edited by Davd.d West & Tony 
Woodman, Cambridge, s.d. (1979): excelente recolha de artigos sobre a imita-
~äo na literatura latina, bern oomo na. literatur.a eruropeia que foi influen-
ciada pelos modelos romanos (ChatUcer, J. Donne e Shakespeare versus Ovidio). 
E Ullll livro estimulante pela forma despretenciosa, embora altamente critica 
e erudita, como apresenta os assuntos. Apontamos como essencial o artigo 
nwnero I de D. A. Russel, De imitatione, pp. 1-16, que com muita brevidade 
coloca o Ieitor moderno dentro de um problema que ele, moderno, tem difi-
ou1dades em compreender. 
AnibaJ. Pinto de Castro, Ret6rica e Teoriza9ao Literaria em Portugal, 
Coitmbra, 1973: .ainda que seja uma obra muito especializada, e extremamente 
importante para o conhecimento das ati1Judes e sensibil>idades dos teorizadores 
·portrugueses quanto a imita~äo, mUJito especia1mente da orat6ria religiosa. 
Obras genericas sobre literatura la:tina e ilmita~äo, fundamentais para 
quem desejar abarcar o problema em todas as sruas vertentes, säo: 
Gordon Wiilliams, Tradition and Originality in Roman Poetry, Oxford, 1968; 
Andree Thill, Alter ab illo- Recherehes sur l'imitation dans la poesie 
personneUe a l'epoque augusteenne, Paris, 1979. 
Quanto as influencias dos temas classicos na poesia portuguesa e, por 
consequencia, quanto as tais fontes de imita~äo de ,que se fala, e extrema-
mente util a leitrura de M. H. Rooha Pereira, Temas Classicos na Poesia 
Portuguesa, Lisboa, 1972, bem como da m·esma A., «A Aprecia~äo dos Tn1gicos 
13 
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D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a Imita~äo 
o c a n t o d o p a s s a r o a f a l a d e a l g u e m - e , p o r t a n t o , a m i m e s z s , 
r e l a c i o n a t r a n s c e n d e n t a l m · e n t e a a r t e h u m a n a c o m o a r q u e t i p o 
o u a I d e a , s o q u e a r e l a < ; ä o n ä o e p e r f e i t a , p o r q u e p e r f e i t o s 6 
o a r q u e t i p o . P l a t ä o e x e m p l i f i c a a t e o p r o c e s s o , d e u m a f o r m a 
c o m e z i n h a m a s e x t r e m a m e n t e e l u c i d a t i v a , n o q u e d i z r e s p e i t o a 
i m i t a < ; ä o d a r e a l i d a d e p a l p a v e l . N o l i v r o X d a R e p u b l i c a , q u a n d o 
d i s c u t e o s m a l e s q u e p o d e m v i r d a imita~äo p o e t i c a , o q u e o l e v a 
a e x o l u i r o s p o e t a s d a s u a c i d a d e i d e a l , i l u s t r a c o m o e x e m p l o 
d a c a m a o s t r e s t i p o s d e c a m a s q u e p o d e m e x i s t i r : « U m a q u e 
e a f o r m a n a t u r a l , e d a q u a l d i r e m o s , s e g u n d o e n t e n d o , q u e D e u s 
a c o n f . e c c i o n o u . ( . . . ) O u t r a , a q u e e x e c u t o u o m a r c e n e i r o . ( . . . ) O u t r a , 
f e i t a p e l o p i n t o r 
2
» . T u d o i s t o l e v a o f i l 6 s o f o a d e d u z i r q u e : « P o r 
c o n s e g u i n t e , a a r t e d e i m i t a r e s t a b e m l o n g e d a v e r d a d e 
3
» . A m a 
v o n t a d e d e P l a t ä o e e n o r m e , v i s t o c o n s i d e r a r q u e o s p o e t a s , p o i s 
e 0 c a s o q u e m a i s l h e i n t e r e s s a , n ä o p u d e r a m t e r f e i t o t u d o 0 q u e 
d e s c r e v e m e i m i t a m . T a l e o c a s o d e H o m · e r o , q u e e c r i t i c a v e l , 
p o r q u e d e t u d o f a l a s e m r t e r r e a l i z a d o t u d o ( o q u e n a t u r a l m e n t e 
t e r a d e s e r a d m i s s i v e l , a m e n o s q u e q u e i r a m o s s e g u i r a f a l a c i a 
p l a t 6 n i c a n i t i d a m e n t e m a x i m a l i s t a ) , e o q u e p a r a q u a l q u e r d e n 6 s 
s e r i a n o r m a l , p a r a P l a t ä o n ä o o · e . E s t a s i m p l e s d i s s o c i a < ; ä o e n t r e 
i m i t a < ; ä o e r e a l i d a d e l e v a - o a a f i r m a r s e m m a i s d e l o n g a s : « O c r i a d o r 
d e f a n t a s m a s , o i m i t a d o r ( . . . ) n a d a e n t e n d e d a r e a l i d a d e , m a s s 6 
d a a p a r e n c i a 
4
» . O r a a i l u s ä o e p e r i g o s a . . . e q u e m a p r o v o c a d e v e 
s e r p r o i b i d o d e e s t a r n a r e p u b l i c a i d e a l . 
J a A r i s t 6 t e l e s c o n s i d e r a , c o m o n a t u r a l i s t a q u e e , a i m i t a < ; ä o 
n a s s u a s d i v e r s a s f o r m a s , e s e m e s q u e c e r a r e l a < ; ä o i m i t a < ; ä o / · r e a l i -
d a d e , r e a l i d a d e q u e p o d e s e r a p r 6 p r i a n a t u r e z a d a s c o i s a s o u 
G r e g o s p e l o s P o e t a s e T e o r i z a d o r e s P o r t u g u e s e s d o S e c u l o X V I I I » , h M e m 6 -
r i a s d a A c a d e m i a d e C i e n c i a s d e L i s b o a ( C l a s s e d e L e t r a s ) , t o m o X X I V ( 1 9 8 5 ) , 
p p . 2 1 - 4 1 . 
A r e s p e i t o d e i n t e r t e x t u a l i d a d e , v i d . C a r l o s R e i s , T e c n i c a s d e A n d l i s e d o 
T e x t o L i t e r d r i o , C o i m b r a , 1 9 7 6 , p p . 2 8 1 - 2 8 3 ; q u a n t o a r e e s c r i t a , v i d . e n t r e o u t r o s , 
R . B a r t h e s , 0 G r ä o d a V o z , L i s b o a , s . d . ( 1 9 8 1 ) , p . 5 3 , p a s s i m ; M . A n g e n o t , 
G l o s s d r i o d a C r i t i c a C o . n t e m p o r a n e a , L i s b o a , s . d . ( 1 9 8 2 ) , s . v . r e e s c r i t a ( t e r m o 
d e g r a m . g e n e r a t i v a ) . 
2 
R e p . , X , 5 9 7 b , p . 4 5 5 (tradu~äo d e M . H . R o c h a P e r e i r a e r n P l a t ä o , 
A R e p u b l i c a , i n t r o d . , t r a d . e n o t a s d e . . . . ~isboa, G u l b e n k . i a n , s . d . ( 1 9 7 2 ) ) . 
3 R e p . , X , 5 9 8 b , p . 4 5 7 
4 R e p . , X , 6 0 1 b , p . 4 6 4 . 
1 4 
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Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnassodas aq;öes humanas e outras. Naturalmente que essa imita~äo 
e pr6pria de muitas artes, como a musica, o canto, a pintura 
(que servini como exemplo em Horacio para a pr6pria poesia, 
A.P., 361, ut pictura poesis) e, obviamente, da poesia. Ha contudo 
uma rela~äo directa com a realidade, que chega ao ponto de fazer 
afirmar a Arist6teles que a arte imita a natureza 5• Naturalmente 
que o imitar näo significa aqui copiar, mas sim fazer como ou 
fazer como a natureza faz, na medida em que o verbo mimeisthai 
que inegavelmente significa imitar, nem sempre pode ser tradu-
zido como tal, como e o caso da afirma~äo contida na Poetica 
em que o fil6sofo nos explica qual a diferen~a entre a tragedia 
e a comedia: «esta quer representar (mimeisthai) os homens piores, 
ao passo que a outra os quer representar melhores do que na 
realidade 6». E evidente que näo e possivel simplificar demasiada-
mente o processo imitativo, na medida em que säo varios os cami-
nhos seguidos por quem tenta reproduzir a realidade e comunica-la 
ao leitor, ao destinatario em geral, e na medida tambem em que 
a pr6pria inten~äo varia, näo sem que o poeta o queira fazer sentir 
a quem o le. A c6pia näo e servil e permite varia<;öes importantes 
ditadas pela percep~äo pessoaJ do narrador ou poeta: «Porque 
0 poeta e imitador, tal como 0 pintor ou qualquer outro artista 
plastico, necessario se torna que adopte sempre uma das tres 
maneiras de imitar: ou representa as coisas tais como foram e säo; 
ou tais como as dizem e parecem ser; ou entäo tais como deveriam 
ser 7 ». 
Ao contrario do que acontecia com Platäo, considera Arist6-
teles ~que existe uma rela~äo autentica entre o poeta e a realidade 
e que o resuJtado dessa rela~äo manifestado por um processo 
imitativo renecte näo uma palida imagem de uma ideia longinqua, 
mas uma uoluntas imediata, que vai ser sentida pelo destinatario. 
Por outro lado a mimese aristotelica dificilmente pode ser enten-
dida como simples c6pia, valor semäntico que mantera atraves 
dos seculos, sobretudo quando passar a ser divulgada pela cultura 
latina, que a vira a transmitir as literaturas ocidentais europeias. 
5 Physica, 194 a, 22. Vid. o comentario de Liberato Santoro, «Some 
Remarks on Aristotle's Concept of Mimesis», REA, LXXXII (1980), 35 e ss. 
6 Poetica, 1448 a, 17-19. 
7 Poetica, 1460 b, 8. 
rutru•. r'•culd•i• •• \.--- J ll'tHetaat _ 
-----
15 
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D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a I m i t a { : ä o 
P o u c o a p o u c o v i n i a f o r r n a r - s e a t e o r i a d a imita~äo q u e c o m -
p r e e n d e n i a imita~o « e m s i p r 6 p r i a » , i s t o e , c o m o transposi~äo 
d a r e a l i d a d e e n v o l v e n t e p o r m e i o d e u m c a t a l i z a d o r , q u e e o 
p r 6 p r i o a r t i s t a , q u e t r a n s m i t e o q u e a p r e n d e d o s h o m e n s , d a s 
c o i s a s . e d o s a c o n t e c i m e n t o s a o d e s t i n a t a r i o , p a r a q u e m e s c r e v e , 
p i n t a o u dan~a. M a s n ä o e e s t a a u n i c a f o r m a d e imita~äo, e m b o r a 
e m A r i s t 6 t e l e s s e j a a p r e v a l e c e n t e . N a s e p o c a s p o s t e r i o r e s v i r a 
a c r i a r - s e a t e o r i a d a imita~äo d e m o d e l o s , n o f u n d o , d o s c l d s s i c o s , 
d o s q u e s e ~eem n a c l a s s e , n a e s c o l a , p o r s e r e m u n i v e r s a i s . C o r n o 
s e d e v e c o m p o r t a r o a r t i s t a p a r a c o m o s m o d e l o s a i m i t a r , e o q u e 
s e e x p l i c a r a a s e g u i r . 
C o n t i n u a n d o a i n d a n a G r e c i a s e r i a p o s s i v e l o b s e r v a r a p e r m a -
n e n c i a d a t e o r i a d a m i m e s e p o r t o d a a e p o c a a 1 e x a n d r i n a , e e e s t a 
q u e p o r c e r t o i n f l u e n c i a r a H o n i c i o , t e o r i a q u e a n o s s o v e r s e 
a f a s t a r a c a d a v e z m a i s d o s m o l d e s p l a t 6 n i c o s p a r a s e g u i r a h u m a -
niza~äo q u e l h e i n j e c t o u A r i s t 6 t e l e s e , m a i s a i n d a , p a r a a t o r n a r 
c a d a v e z m a i s c o n c e b i v - e l e p e r c e p t i v e l e m m o l d e s p r a t i c o s . H a v i a 
a n~äo d e q u e o s t e o r i z a d o r e s p o d i a m i n f . l u e n c i a r o s a r t i s t a s , 
f a c t o d e q u e m u i t o s d u v i d a m o s n o s t e m p o s m o d e r n o s , a m e n o s 
q u e , t a l c o m o n o s t e m p o s i d o s , a r t i s t a e t e o r i z a d o r s e j a m u m a 
e a m e s m a c o i s a . Q u e r i n f l u e n c i e m o u n ä o , h a q u e o b s e r v a r n o 
e n t a n t o o s t e o r i z a d o r e s , p o 1 1 q u e p e l o m e n o s s ä o e l e s q u e r e f l e c t e m 
d o p o n t o d e v i s t a h i s t 6 r i c o a s c o r r e n t e s q u e e s t a v a m e m u s o n o 
s e u t e m p o . N a v : e r d a d e , u m a d a s o b r a s q u e p o s t e r i o r m e n t e v e i o 
a in~luenciar m u i t o d o p e n s a m e n t o t e 6 r i c o d a cria~äo l i t e r a r i a 
f o i u m a o b r a t a r d i a , d o s e c u l o I d . C . , a t r i b u i d a a u m L o n g i n o d e 
d i f i c i l identifica~äo p o r f a l t a d e p r o v a s c o n c l u d e n t e s , i n t i t u l a d a 
D o S u b l i m e , · e · q u e a l e m d e r e f l e c t i r a predisposi~äo a n t i g a p a r a 
p r i v i l e g i a r o s g r a n d e s m o d e l o s e o e s ü l o s u b l i m e d a e p o p e i a , d a 
t r a g e d i a o u d o d i s c u r s o p o l i ü c o , e m oposi~äo, p o r e x e m p l o , a o 
e s t t l o o b s c c e n u m ( a r e p r e s e n t a r f o r a d a c e n a ) d o r o m a n c e , n o s 
t r a n s m i t e i m p o r t a n t e s r e E l e x ö e s s o b r e o q u e e n t e n d e o a u t o r s e r 
a m i m e s e . D e s d e o s t e m p o s h e l e n i s t i c o s e m u i t o e s p e c i a l m e n t e 
d e s d e o d o m i n i o r o m a n o s e t i n h a come~ado a esb~r u m a t e n -
d e n c i a p a r a o r e t o r n o a o s g r a n d e s a u t o r e s d o p a s s a d o , t e n d e n c i a 
a q u e p o d e r i a m o s c h a m a r a r c a i z a n t e d o p o n t o d e v i s t a l i n g u i s t i c o 
e q u e s e v a i a c e n t u a r c a d a v e z m a i s e a t i n g i r o s e u a u g e c o m 
a s e g u n d a S o f i s t i c a d o s e c u l o I I d . C . 0 p s e u d o - L o n g i n o , e m b o r a 
1 6 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnasso 
näo seja um exemplo tipico desse arcaismo, nem por isso deixa 
de recomendar no seu tratado Do Sublime as diversas formas de 
atingir a suhlimidade do pensamento, tendo para isso presente 
a teoria plat6nica das tres fases da imitac;äo, em que o terceiro 
imitador bem Ionge ficava do arquetipo. Assim Longino aconselha 
«a imi tac;äo e a emulac;äo dos grandes prosadores e poetas dos 
velhos tempos 8 », mimesis e zelosis dos antigos modelos, portanto. 
Quanto aos modelos dignos de serem imitados, nada admira: 
ja ha muito se irnstitufra a ~pratica. Mas Longino acrescenta mais 
um dado, que e a zelosis, lat. remulatio, 0 despique ri.müativo ins-
pirado pelos ch1ssicos. Existe pois um novo conceito que implica 
quase que inveja e competic;äo, defeitos parece que saudaveis para 
atingir a sublimidade da composic;äo liteniria. Mais adiante Longino 
avanc;a mesmo a descric;äo dessa luta competitiva entre imitador 
e modelo, afirmando que Platäo näo teria atingido täo grandesbelezas se näo 1ives·se, tal como um atleta moc;o, «1utado oom toda 
a al1ma contra Homero, para ficar depois no primei,ro lugar 9». 
E pois com esta nota de imitac;äo que nos deixa Longino, que e, 
ao firne ao cabo, o tipo de imitac;äo que todos acabaräo por defen-
der, com matizes mais ou menos profundos, pelos s~eculos fora. 
Tambem Dionisio de HaHcamasso falara de mimesis junta-
mente com zelos, s6 que este ultimo näo seni concebido täo subli-
memente como o de Longino, sera sim «uma actividade do espirito 
que o move no sentido da admirac;äo daquilo que lhe parece ser 
belo 10». Ternos aqui uma emulac;äo ao alcance de muitos, sem 
a preocupac;äo aristocratica de um Longino, que certamente exagera 
no platonismo, e como plat6nico tudo coloca a distäncias s6 
atingiveis quase que pela fe, que näo pelo espirito do artista menos 
religioso. 
Ernbora näo encontremos grande novidade nas teorias expen-
didas por Dionis·io de Halicamasso, nem por i~sso temos de deixar 
de reconhecer que o canicter pratico dos seus ensinamentos e, 
dirfamos ate, das suas parabolas, nos da uma ideia concreta, muito 
longe da inspirac;äo plat6nica e, mantemos, religiosa, de Longino. 
2 
8 Do Sublime, XIII, 2. 
9 Do Sublime, XIII, 4. 
to Da I mita~äo, I, 3. 
17 
D i o n : i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a Imit~äo 
A h i s t 6 r i a d o c a m p o n e s q u e p a r a t e r f i l h o s b o n i t o s , q u e a s i p r 6 p r i o 
n ä o p o d e r i a m s a i r p o i s e r a f e i o , f a z v e r a m u l h e r q u a d r o s d e g e n t e 
b e l a , p a r a q u e a o p r o c r i a r t r a n s m i t i s s e e s s a m e s m a b e l e z a 
1 1
, e l u c i -
d a - n o s s o b r e a n e c e s s i d a d e d e c o n t e m p l a r e i m i t a r o s m e l h o r e s 
m o d e l o s d a a r t e q u e c u l t i v a m o s . A s s i m t a m b e m a h i s t 6 r i a d e 
Z e u x i s , o c e l e b r e p i n t o r g r e g o q u e e m C r o t o n a c o n s e g u i u r e c o l h e r 
d e v a r i o s m o d e l o s f e m i n i n o s e n u s o q u e e m c a d a u m h a v i a d e 
m a i s b e l o , m o s t r a - n o s , p e l a i m a g e m , q u e o i m i t a d o r t e m u m a 
fun~äo i n d i v i d u a l i m p o r t a n t e , q u e p r e s s u p ö e e s c o l h a e u o l u n t a s 
e e x i g e , p o r c o n s e g u i n t e , u m a interven~äo p e s s o a l q u e n ä o s e 
c o a d u n a c o m o s e r v i i l i s m o e a i d e i a d e c 6 p i a q u e e s t ä o n o f u n d a -
m e n t o d a s n~öes d e i m i t a 9 ä o - p l d g i o . P o d e r - s e - a i n f e r i r , i s s o s i m , 
q u e t o d a a imita~äo t e r i a d e s e r r e a l i s t a e q u e o r e a l i s m o s e r i a 
a c o n s t a n t e d a l i t e r a t u r a a n t i g a , o q u e n ä o e a c e i t a v e l , n a m e d i d a 
e m q u e a p r 6 p r i a i d e i a d e composi~äo t i r a d a · d e v a r i o s m o d e l o s 
p o d e r a t e r r e s u l t a d o s p e s s o a i s q u e n ä o r e f l i c t a m n e c e s s a r i a m e n t e 
o r e a l , t a n t o m a i s q u e o s c ä n o n e s e s t r e i t o s t a n t a s v e z e s i m p o s t o s 
s ä o , a n o s s o v e r , a p r i m e i r a e m a i s i m p o r t a n t e p r o v a d e q u e n ä o 
s e p r o c u r a e s s e n c i a l m e n t e a r e a l i d a d e , m a s a s v e z e s a t e , c o m o 
v i m o s e m A r i s t 6 t e l e s 
1 2
, m e l h o r a - 1 a o u p i o r a . ; l a . 0 f a c t o d e s e a c o n -
s e l h a r a r i v a l i d a d e e emula~äo m a i s n o s c o n v e n c e d e q u e o i n d i -
v i d u o t e m u m p a p e l i m p o r t a n t e n o p r o c e s s o d e m i m e s e e c o m o 
t a l d e v e r a s a i r d a c 6 p i a r e a J i s t a q u e , a l i a s , d i f i c i l m e n t e e x i s t e 
d e v i d o a o m o v i m e n t o e d r a m a d e t u d o o q u e n o s r o d e i a . 
N a e p o c a d e D i o n i s i o d e H a J i c a r n a s s o , s e c . I d . C . , a i n d a s e 
f a z i a s e n t i r o c a l o r d a p o l e m i c a e n t r e o a s i a n i s m o e o a t i c i s m o , 
q u e m a i s n ä o e d o q u e a d i s c u s s ä o e n t r e n e o t e r i s m o e a r c a i s m o , 
a s d u a s v e r t e n t e s d a s e m p r e n o v a e d a s e m p r e v e l h a q u e s t ä o e n t r e 
a n t i g o s e m o d e r n o s , c o m r e f . l e x o s e v i d e n t e s n o c i r c u l o d e e s c r i t o r e s 
l a t i n o s d a e p o c a f i n a l d a r e p u b l i c a , c o m o v e r e m o s , m a s q u e c o n t i -
n u a r a n a e p o c a i m p e r i a l , n a s d i v e r s a s f a s e s e m q u e A t e n a s p r o c u r a 
r e n a s c e r c u l t u r a l m e n t e p o r m e i o d o esfor~o d e t e o r i z a d o r e s l i t e -
r a r i o s e d e d e c a d e n t e s r e n o v a d o r e s n o c a m p o d a o r a t 6 r i a 
1 3
• Q u a n d o 
1 8 
n D a I m i t a r ; ä o , l i , 6 . 
1 2 V i d . p . 1 5 , n . 7 . 
1 3 V i d . E . N o : r d e n , D i e a n t i k e K u n s t p r o s e , v o l . I , p . 2 5 8 s s . 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnasso 
chega a Segunda Sofisica e esta dominada pelos mestres de Ret6-
rica e por especialistas em exercicios literarios (progymnasmata) 
que, apesar da repugnäncia que por tais actividades possamos 
sentir, näo deixaram de ter enorme releväncia no seu tempo, 
representantes que säo de um certo culto da forma e do empenho 
em executar os preceitos te6ricos das artes de bem falar. Naturai-
rnente que tinham os seus modelos e, como os tinham, täo-pouco 
lhes era estranha a imita~äo, como teoria e pnitica. Luciano e um 
contemporäneo condigno dessa epoca de gvande teoriza<;äo, sobre-
tudo no campo da ret6rica e, como e de esperar, toma uma posi<;äo 
no respeitante a mimese, tanto mais que se mostra incredulo quanto 
a inspira~äo, tal como demonstra na Discussäo com H esiodo 14• 
Desta sorte e a imita~äo que deve recorrer quem escreve seguindo 
os escritores antigos como modelos, se bem que utilizando expres-
söes correntes. Ernbora aticista, näo o e do ponto de vista grama-
tical, mas täo-s6 de espfrito, no r·espeito dos grandes nomes e 
modelos da antiguidade ateniense 15• 
Luciano e um, entre outros, dos que se movimentaram inte-
lectualmente durante essa epoca de decadencia, sem duvida, mas 
altamente produtiva e que preparou parte importante do que vini 
a ser o legado bizantino. E um mundo ligado ao paganismo que 
depois vini a desaparecer quando a religiäo cristä se implanta 
no imperio do Oriente. A sua influencia sobre a cultura ocidental 
exerceu-se fortemente, mas näo se pode comparar com a persis-
tencia dos ensinamentos colhidos na cultura latina que, sempre 
influenciada pela grega, conseguiu no entanto perpetuar-se na 
teoriza~äo liteniria ate aos nossos dias. 
3. «Imitatio» entre os Romanos 
Ernbora a sociedade culta romana estivesse informada da 
teoriza~äo liteniria logo a seguir a vit6ria romana sobre os Carta-
gineses, a verdade e que näo chegaram ate n6s autores em que 
14 Hesiodo, 7-9. 
15 J. Bompaire, Lucien .. . , pp. 100 ss. em que se ooupa da doutrina da 
mimesis na epoca de Luciano e em Luoiano. 
19 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a c ; ä o 
a t e o r i a d a i m i t a t i o a p a r e 9 a j a f o r m u l a d a . T e r n o s d e e s p e r a r p e l o 
f i n a l i z a r d a r e p u b l i c a p a r a e n c o n t r a r r n o s , t a l c o r n o n a G r o c i a d ar n e s r n a e p o c a , a l g u r n c o r p o d e d o u t r i n a e r n q u e s e d i g a o q u e 
p e n s a v a r n o s R o r n a n o s d o p r o c e s s o i r n i t a t i v o . E r n p r i n c i p i o n ä o 
v ä o p e n s a r m u i t o dif,er~entem,ente d o s G r e g o s , m~as t a r n b e r n n ä o 
e p o s s i v e l i g n o r a r q u e v ä o s e g u i r c a m i n h o s r n a i s p r a g r n a t i c o s e 
r n u i t o m a i s p e d a g 6 g i c o s , n ä o c o n t r a s t a n d o n e s t e a s p e c t o c o r n o 
p e n d o r g e n e r a l i z a d o d o R o m a n o e r n s e g u i r a p a s s o f i r m e p e l o s 
c a r n i n h o s d a p r a t i c a . H a u r n a n o 9 ä o c a d a v e z m a i s s e g u r a d o q u e 
s e p o s s a c h a r n a r b o a o u m a i r n i t a 9 ä o . E p r e c i s o l e r r n u i t o ~e t e r 
o u v i d o r n u i t o p a r a s e r u m b o m o r a d o r , d i z C i c e r o n o D e O r a t o r e 
1 6
, 
e H o r a c i o a c o n s e l h a a c o r n p u l s a r d i a e n o i t e o s e x e m p l a r i a G r c e c a 
1 7
, 
n ä o p o r q u e e s t e s s e j a r n g r e g o s , d i z D . A . R u s s e ! , m a s p o r q u e e r a m 
d e q u a l i d a d e 
1 8
• D e f a c t o a l e i t u r a d o s c l a s s i c o s e o p r i n c i p i o u n i -
v e r s a l m e n t e a d m i t i d o e a g o r a a c o n s e l h a d o d e f o r m a c a t e g 6 r i c a 
p e l o s t e o r i z a d o r e s e , n o s d o i s c a s o s i n d i c a d o s , a r t i s t a s i g u a l m e n t e . 
N o e n t a n t o h a f o r r n a s r n e n o s s u b t i s d e i r n i t a r , t a J . c o m o a c o n t e c e 
c o m o s o r a d o 1 : 1 e s m a i s f r a c o s q u e s 6 i m i t a m o q u e e f a c i l , a d v e r t e 
C i c e r o : « C o n h e c i f r e q u e n t e m e n t e m u i t o s o r a d o r e s , q u e p e r s i s t i a r n 
e r n i r n i t a r o u a s s u n t o s f a c e i s d e c o p i a r o u r n e s m o q u a s e d e f e i t o s 
b e r n c o n h e c i d o s . N a d a e r n a i s f a c i l d o q u e i r n i t a r a f o r m a d e v e s t i r 
d e a l g u e m , o u a s u a p o s i 9 ä o o u o s e u a n d a r 
1 9
» . E s s e s s ä o i r n i t a -
d o r e s a q u e m H o r a c i o c h a r n a d e g a d o s e r v i l , s e r u u m p e c u s 
2 0
, e 
c o n t r a o s q u a i s n ä o s e e s q u e c e d e a l e r t a r n a A r t e P o e t i c a o c a n d i -
d a t o · a b o a p o e s i a : « E t ä o - p o u c o p r o c u r a r a s , c o r n o s e r v i l . i n t e r p r e t e , 
t r a d u z i r p a l a v r a p o r p a l a v r a , n e r n e n t r a r a s , c o r n o i r n i t a d o r , e m 
q u a d r o r n u i t o e s t r e i t o d e o n d e t e i r n p e d i r ä o d e s a i r a t i r n i d e z e a 
e c o n o m i a d a o b r a 
2 1
» . 
N a v e r d a d e i m i t a 9 ä o n ä o s u p ö e s e r v i l i s m o , p o i s o s b o n s m o d e -
l o s s ä o , n a t e o r i a h o r a c i a n a , p u b l i c a m a t e r i e s p r i u a t i i u r i s 
2 2
, i s t o e , 
2 0 
1 6 I , 2 1 8 ; I I , 8 5 , 1 3 1 . 
1 7 A r t e P o e t i c a , 2 6 8 - 9 . 
1 8 D . A . R u s , s e l , a r t . c i t . , p . 1 . 
1 9 D e o r a t o r e , I I , 9 0 - 1 . 
2 o E p i s t . , I , 1 9 , 1 9 . 
2 1 A r t e P o e t i c a , 1 3 3 - 1 3 5 . 
2 2 A r t e P o e t i c a , 1 3 1 . 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnasso 
mat·eria a todos pertencente que seni legitima perten<;a do poeta, 
caso ele näo se Iimite a copiar. Havia na verdade espa~o bastante 
no esfon;o imitativo para que o autor nele pusesse algo de seu 
(priuati iuris). 
Um pouco mais pessimista quanto a possibilidade de preservar 
o poder criativo e Quintiliano, que aconselha a imitatio, porque 
«·e necessario que sejamos iguais ou diferentes dos bons. Raramente 
a natureza permite que a:lguem seja igual, frequenterneute e a 
imita~äo que o permite 23 ». Poucos podem por conseguinte igualar 
os modelos e tambem imitar somente näo basta. Se assim fasse, 
nada teria sido inventado. Ha qua~lidades do orador que a tecnica 
e a imita~äo por si s6s näo podem dar. Ha que ter inteligencia 
e a capacidade de compreender por que e o modelo escolhido 
täo bom. 0 bom orador näo segue a peugada de ninguem. Procura 
sim aproveitar da obra dos que o precederam para tentar ultra-
passar as suas deficiencias. Säo pois imitatio e cemulatio, como ja 
preconizavam os teorizadores gregos, as duas formas, segundo 
Quintiliano, de granjear capacidade criativa em rela~äo aos mode-
los e face aos destinatarios. 
Ao recolhermos a opiniäo de tres dos mais celebres criticos 
da antiguidade romana, procuramos apresentar as posi~öes basicas 
sobre o problema da imitac;äo, que näo exclui a ideia de imitac;äo 
servil. A fa1lta de qualidade na imitac;äo, certa consanguinidade 
que se manifesta nas escolas de retores, a pr6pria situa~äo politica 
de quebra da Hberdade em certas fases do imperio, tudo isso vai 
conrt:ribuir para a decadencia da oratöda, por um lado, e para a 
futiHza~äo e barroquismo da poesia, por outro. E evidente que 
por mais que procuremos näo e facil encontrar epoca em que mais 
se tenha abertamente imitado e que seja mais original do que o 
seculo de VirgiHo e de Horacio, o que prova a saciedade que näo 
foi devido a i,m,i ta~äo, conf.essada täo candidamen te por Horacio 
que ate dela se gaba, que a poesia, ou qualquer outro genero 
literario romano, se encaminhou para a decadencia que caracte-
rizou tantas ocasiöes da longa vida cultural do imperio. 0 espa~o 
23 De institutione oratoria, X, 2, 3. 0 capitulo 2 do liv,ro X trata da 
imita~äo e apresenta grandes 1semelhan~s com a teoria defendida po:r 
Dionisio de Halicarnasso, julga-se que por existir fonte comum. 
21 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a I m i t Q . f i i o 
p r i v a d o e c r i a t i v o p o d i a c o m e f e i t o p r e s e r v a r - s e d e n t r o d e u m a 
t e c n i c a q u e p e r m i t i a a i m i t a c ; ä o d e o l a r a d a , a o i n v e s d o q u e s e 
p a s s a c o m o s a u t o r e s d o s n o s s o s t e m p o s . I s s o n ä o i m p e d i a , c o n -
t u d o , q u e j a n a p r 6 p r i a a n t i g u i d a d e s e t i v e s s e m l e v a n t a d o p r o b l e -
m a s d e i n d o l e e t i c a e a r t i s t i c a c o m o o s q u e h o j e s ä o c o n h e c i d o s 
d a n o s s a s e n s i b i l i d a d e 
2 4
• 
4 . 0 « p l a g i o » n a a n t l g u i d a d e 
A i d e i a d e k l o p e ( f u r t o , p l d g i o ) o u d e p l a g i u m ( r o u b o d e g a d o , 
d e e s c r a v o s , p l d g i o ) j a e x i s t i a n a a n t i g u i d a d e a p a r d a d e m i m e s i s 
e d e i m i t a t i o . A o f i r n e a o c a b o , q u e m c o p i a v a d e m a i s r o u b a v a o 
m o d e l o . C o r n o e r n t o d o s o s r o u b o s h a v i a e v i d e n t e m e n t e g r a u s d e 
g r a v i d a d e d o c r i m e , t a n t o m a i s q u e o s c r i t i c o s , a o i m p u t a r e m - n o , 
n e m s e m p r e e s t ä o l i v r e s d e c e r t o f a c c i o s i s m o e s u b j e c t i v i s m o . 
S e j a c o m o f o r , i n t e r e s s a s a b e r q u e a n~äo d e p l a g i a t o e x i s t i a , 
e m b o r a d e u m a f o r m a m a i s d i f u s a , p o r v e z e s m a i s p e s s o a l e c o l e -
r i c a , n o r e s p e i t a n t e ao s a c u s a d o r e s , m a s s e m q u e u m a u t o r , p o r 
e x e r n p l o , d e h i s t 6 r i a , s e s e n t i s s e s e m p r e n a o b r i g a t o r i e d a d e d e c i t a r 
a s s u a s f o n t e s . D e r e s t o , e m t o d a s a s a r t e s s e p ö e o m e s m o p r o -
b l e m a d a d e p e n d e n c i a d e a r t i s t a s l i t e r a r i o s o u p l a s t i c o s d o s m o d e -
l o s q u e p o r v e n t u r a ' l h e s s ä o a t r i b u i d o s e n a d a i m p e d i u , c o m o j a 
s e d i s s e a p r i n c i p i o , q u e a r t i s t a s m o d e r n o s b u s c a s s e m m o d e l o s 
a n t i g o s , e s o b r e e l e s f i z e s s e m « v a r i a c ; ö e s » , s e m q u e p o r i s s o p e r -
d e s s e m a s u a o r i g i n a l i d a d e ( P e s s o a , J o y c e , e t c . ) . L e m b r a m o s a 
p r o p 6 s i t o a s p e c ; a s d e J . S . B a c h s o b r e t e m a s d e V i v a l d i , q u e n u n c a 
f o r a m c o n s i d e r a d a s p o r n e n h u m c r i t i c o , o u p o r q u a l q u e r c o l e g a , 
c o m o t e n d o s i d o f u r t a d a s a o c o m p o s i t o r i t a l i a n o . J u l g a m o s d e 
f a c t o q u e o t e r m o v a r i a 9 ö e s , q u e v e m d o ä m b i t o m u s i c a l , p o d e 
d e c e r t a f o r m a i l u s t r a r o q u e s e p r e t e n d i a c o m a i m i t a c ; ä o , s a b e n d o 
n 6 s t o d o s d e a n t e m ä o q u e q u a n t o m e n o s f o r e m a s v a r i a 9 ö e s , 
m a i s s e a p r o x i m a a o b r a a n a l i s a d a d o f u r t o e d o p l a g i a t o . 
P a r a c o l i g i r a s o p i n i ö e s a n t i g a s q u e a b o n a v a m o u n ä o a o r i g i -
n a l i d a d e d o s a r t i s t a s , s ä o d e e x c e p c i o n a l u t i l i d a d e o s c o m e n t a d o r e s 
2 4 
V i d . C . 0 . B r J n k , H o r a c e o n P o e t r y , v o l . I , C a m b r i d g e , 1 9 7 1 , c o m e n -
t a r i o a o v . 1 3 4 d a A . P . 
2 2 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnasso 
e os escoliastas. Tanto na Grecia como em Roma~ esses fil6~ogosl 
juntamente com os teorizadoresl expendem juizos sobre os grandes 
nomes da literatura 1 e por vezes fazem-no com algum veneno. 
Escapavam automaticamente a quaisquer criticas os chamados 
inventores dos generos liteniriosl como Homero para a epical 
modelo de todas as gera~öes vindouras 1 näo sabemos se por serem 
os primeiros (do ponto de vista escolar~ e 6bvio)~ se por se des-
conhecerem os seus antecedentes. Entre os inumeros exempJos 
ooligidos de aousa~öes de plagiato a varios autores da antiguidadel 
lembremosl s6 para exempHficar e sobretudo para mostrar que 
nem os grandes nomes estavam ao abrigo de acusa~öes desse genero, 
que Ateneu nos transmite a opiniäo do historiador Teopompo 
de Quiosl no seu Ataque a Escola de Platäo, que afirma perempto-
riamente: «Poder-se-ia descobrir que, em grande parte, os dialogos 
säo inuteis e falsos; na maior parte säo de autoria diversal sendo 
alguns tirados dos discursos de Aristipo e muitos tambem dos 
de Brison de Heraaleia 25». Corno vemos nem Platäo escapou a 
acusa~öes, o que :iJlustra o facto de que mesmo os antigos corriam 
os mesmos perigos que os nossos contemporäneosl ainda que hou-
vesse maior liberdade de imitar e ate a ideia clara de que imitar 
os grandes modelos era positivo. Nem assim contudo se deixavam 
os intelectuais da antiguidade de se mimosear uns aos outros com 
requintes identticos ao usadopelos arüstas do nosso tempo ... 
Assim näo admira que os difamadores de Virgilio, do genero 
de AuJo Gelio e de Macr6bio1 se comprazam em lhe apontar passos 
imitados de Homero e mal imitados I segundo eles I ou mesmo em 
dar a entender que de furta se trata~ como Macr6bio~ que depois 
de apresentar uma lista de passos imitados por Virgilio~ nos diz: 
«Ha outros passos de muitos versos que Maräo transferiu dos 
velhos poetas para a sua obra apenas mudando poucas palavras. 
E porque leva muito tempo a transcrever inumeros versos de ambosl 
assinalarei os livros antigos, para que quem o deseje possa rele-los 
e admirar-se ao conferir a semelhan~a entre os dois passos 26». 
25 Deipnosofistas, 508 c. 
26 Esta e, entre muitas, uma das a1usöes malevalas de Macr6bio, Satur-
nalia, 6,2,30. Mas tcxlo o livro 5 esta recheado de compara~öes {com Homero) 
e alusöes congeneres. A mesma atitude se encontra em Allio Gelio em diver-
sos passos das Noctes Atticre, 9,9,12-16 e passim. Vid. Rene Marache, La criti-
23 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a t ; ä o 
N a o e r a m o s a n t i g o s t ä o c e r i m o n i o s o s c o m a s acusa~öes d e 
p l d g i o , c o m o p o d e m o s s e n t i r n o v i t u p e r i o lan~ado p o r C i c e r o 
c o n t r a o s e u i l l e n o s t e r E n n i u s , t ä o l o u v a d o n o P r o A r c h i a , m a s 
n e m m e s m o a s s i m p o u p a d o n o B r u t u s : « M u i t a s c o i s a s d e N e v i o 
o u t o m a s t e , s e o c o n f e s s a r e s , o u s u r r i p i a s t e , s e o n e g a s 
2 7
» . 
I l u s t r a m e s t e s e x e m p l o s o q u e s e p a s s a v a n a a n t i g u i d a d e , 
a f i r n d e q u e o l e i t o r m o d e 1 : 1 n o n ä o s e conven~a d e q u e e n t ä o s e 
i m i t a v a s e m l i m i t e s , e m b o r a s e a p r e n d e s s e o p r o c e s s o n a e s c o l a . 
A imita~äo n o s t e m p o s a c t u a i s e m a i s c o m p l i c a d a , p o r q u e , t e n d o 
d e i x a d o d e s e r r e g r a , m a s d e f e i t o e c r i t i c a v e l v i c i o , e p o r v e z e s 
m e n o s f a c i l m e n t e d e t e c t a v e l . 
S e j a c o m o f o r , o s e n t i m e n t o d o s a n t i g o s e r a p o l a r i z a d o e n t r e 
a n e o e s s i d a d e d e s e g u i r o s b o n s m o d e l o s e o c r i t e r i o d e q u e a 
imita~äo d e v i a s e r f e i t a n ä o s 6 c o m o c o n h e c i m e n t o d o e s p i r i t o 
e d a f o r m a d a q u e l e s , m a s t a m b e m c o m a c o m p o n e n t e c r i a t i v a 
d o p r 6 p r i o a r t i s t a . N ä o s e m u d o u e s s e n c i a l m e n t e a a t i t u d e n o 
d e c o r r e r d o s s e c u l o s , c o m o p o d e m o s a v a l i a r p o r a l g u n s e x e m p l o s 
e s c o l h i d o s d o H u m a n i s m o e d a s e p o c a s p o s t e r i o r e s a t e a o s e c . X I X . 
5 . A « i m i t a « ; ä o » n a l i t e r a t u r a c r l s t ä 
S e r i a e r r a d o p e n s a r q u e o s g r a n d e s e s c r i t o r e s c r i s t a o s t i v e s s e m 
d a d o m e n o s i m p o r t ä n c i a a o s m o d e l o s q u e i m i t a v a m , b e m c o m o 
a s u a n o v a r e a l i d a d e r e l i g i o s a . M o d e l o e r e a l i d a d e e s p i r i t u a l e r a m 
d i c o t o m i a q u e o s p r e o o u p a v a , n a m e d i d a e m q u e a l g u n s , e d u c a d o s 
n a admira~äo d o s g r a n d e s c l a s s i c o s p a g ä o s , t i n h a m d i f i c u l d a d e 
e m d e l e s s e l i b e r t a r e m . E e s s e u m d o s a s p e c t o s m a i s m a r c a n t e s 
n a posi~äo n o v a d a s a u t o r e s c r i s t ä o s f a o e a o s v e l h o s e n o v o s 
m o d e l o s , f a c e a o p r a z e r p u r o I i t e r a r i o c o n t r a p o s t o a a c t i v i d a d e 
a r t i s t i c a a o servi~o d e u m a c a u s a e s p i r i t u a l . V a m o s c o n t e n t a r - n o s 
q u e l i t t e r a i r e d eI a n g u e l a t i n e e t l e d e v e l o p p e m e . n t d u g o u t a r c h a " i s a n t a u 
I J e s i e c l e d e n o t r e e r e , R e n n e s , 1 9 5 2 , q u e d e m o n s t r a s e r a a t i t u d e d e A u l a 
G e l i o e s p e c i a l m e n t e m o t i v a d a , q u a n t o a V i r g i H o , p e l a s u a p r e f e r e n c i a p e l o s 
e s c r i t o r e s a r c a i c o s . 
2 7 B r u t u s , 7 6 : « A N r e u i o u e l s u m p s i s t i m u l t a , s i f a t e r i s , u e l , s i n e g a s , 
s u r r i p u i s t i » . 
2 4 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnasso 
com os testemunhos de S. Agostinho e de S. Jer6nimo, que pensa-
mos exprimem o essencial dessa atitude recente e que tentava, 
em väo, cortar com o passado, tal como acontece geralmenie com 
as viragens revolucionarias. 
S. Agostinho aponta bem a aherac;äo, que se tinha dado no 
seu espirito quanto a tudo o que tinha aprendido da literatura 
pagä, e insiste na bondade das letras cristäs em relac;äo as que 
conhecera nos tempos em que andava no erro e desviado do bom 
caminho. Por isso, na sua paixäo de ne6fito, näo deixa de impres-
sionar o leitor moderno mais atento pela ingratidäo que revela 
para com a cultura que o tinha, por que näo dize-lo, amamentado. 
Lemos de facto nas Confissoes: «Na verdade eram de qualquer 
forma melhores, porque mais pr6ximas da verdade, as primeiras 
letras que me formaram e permitiram ter capacidade de ler, se 
algo de escrito encontro, e de eu pr6prio escrever o que quero. 
Säo melhores do que as outras, pelas quais era obrigado a aprender 
os errores de um tal Eneias, esquecido dos meus pr6prios errores, 
e a chorar a morte de Dido, porque se matou por amor, enquanto, 
pobre de mim, eu pr6prio permitia nesse tempo que, de olhos 
enxutos, eu estivesse de ti afastado, 6 Deus, minha vida! 28 » Eis a 
mudanc;a radical demodelos a imitar, e, como na antiguidade pagä, 
näo s6 se pretendia imitar a letra mas o espirito tambem, s6 que 
o espirito näo era mais profano, mas sim reHgioso e regido por 
um s6 livro, a Biblia. 
Mais conhecida pelas variac;öes que provocou atraves dos 
seculos e a atitude de S. Jer6nimo, que ele conta nas cartas, 
descrevendo de forma enternecedora o como tinha comec;ado a 
custo a abandonar o gosto das letras pagäs, forc;ado pelo seu amor 
a Cristo. Na Carta a Eust6quio conta-nos S. Jer6nimo que, depois 
de ter abandonado todos os bens do mundo e a pr6pria familia, 
näo conseguia deixar de ter ternura pela biblioteca que, com tanto 
carinho, tinha constituido, nem deixar de sentir prazer na leitura 
dos autores pagäos, como Plauto, no meio de uma noite de vigilia, 
influenciado por certo pela Senpente do mal. Sente-se doente na 
Quaresma e tem uma visäo, em que o seu ente culpado esta pre-
sente diante de um tribunal, e ai o Juiz supremo o interroga, 
28 Confissöes, I, 13, 20. 
25 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a Imita~iio 
f a z e n d o a p e r g u n t a h a b i t u a l q u a n t o a s u a cren~a (condi~äo). E e i s 
o d i a . l o g o : « A c a r i a d o q u a n t o a m i n h a condi~äo, r e s p o n d i q u e e r a 
c r i s t ä o . E n t ä o o q u e p r e s i d i a disse~me: ' E s t a s a m e n t i r . E c i c e r o -
n i a n o q u e t u e s , m a s n ä o c r i s t ä o ' ( . . . ) » . E S . J e r 6 n i m o e c a s t i g a d o , 
a t e q u e f a z a p r o m e s s a : « S e n h o r , s e a l g u m a v e z p o s s u i r o b r a s 
p r o f a n a s , o u m e s m o s e a s l e r , e c o m o s e t e r e n e g a s s e 
2 9
» . 
D e s d e e s t a a l t u r a a imita~äo l i t e r a r i a p a s s a u a t e r a n o v a 
c o m p o n e n t e c r i s t ä n a e s c o l h a d e m o d e l o s . E e v i d e n t e q u e p a s s a d o 
o f e r v o r d e S . J e r 6 n i m o , come~ou a o p e r a r - s e n a s l e t r a s o c i d e n t a i s 
u m a h a b i l combina~äo e n t r e a s l i t e r a t u r a s s a g r a d a s e p r o f a n a s , 
c o m o v i r a a s e r o c a s o d o H u m a n i s m o , c o m o r e t o r n o a o s t e x t o s 
e o a b a n d o n o d o s c o m e n t a d o r e s . 
6 . 0 « H u m a n i s m o » , O S s e c u l o s X V I I e X V I I I e O S i m i t a d o r e s 
0 m o v i , m e n t o h u m a n i s t a , q u e n a B u r o p a s e com~ a es~ 
n o s f i n s d o s e c u l o X I V e s e a c e n t u a n a e p o c a d o R e n a s c i m e n t o d o 
s e o u l o X V e X V I , c o n h e c e o s e u a u g e e m P o r t u g a l e n t r e 1 5 0 0 - 1 6 0 0 , 
d a t a n ä o i n a m o v i v e l m a s q u e f a c i l i t a a situa~äo d e s t e f e n 6 m e n o 
c u l t u r a l n o t e m p o . J a Louren~o V a l a f a z , n o p r e f a c i o a o l i v r o I I 
d a s E l e g a n t i r e 3 ( ) , cons~dera~öes s o b r e o p l a g i u m e p l a g i a r i u s ( p l a -
g i a d o r s e r a p a l a v r a d o s e c u J o X I X ) 
3 1
• N o e n t a n t o , d o p o n t o d e 
v i s t a d a i m i t a t i o j u l g a m o s s e r d e real~ar a q u e r e l a e n t r e C i c e r o -
n i a n o s , c h e f i a d o s p e l o C a r d e a l B e m b o , e A n t i c i c e r o n i a n o s , c h e f i a d o s 
p o r E r a s m o e J u s t o L i p s i o 
3 2
• A f r a s e d e acusa~äo a S . J e r 6 n i m o 
f o i i n v e r t i d a p e l o s h u m a n i s t a s q u e , p e l a b o c a d e E r a s m o , d i z e m 
« C h r i s t i a n u s s u m , n o n C i c e r o n i a n u s - e c r i s t ä o q u e S O U e n ä o 
c i c e r o n i a n o » . S e j a c o m o f o r a imita~äo e a c o n s e l h a d a , e s e g u i d a , 
p o r v e z e s m e s m o e p r e g a d a c o m a r d o r , c o m o e m J e r 6 n i m o V i d a , 
2 9 C a r t a X X I I a E u s t 6 q u i o , 3 0 ; S . J e r ö m e , L e t t r e s , v o l . I , P a r i s , B e i l e s 
L e t t r e s , p p . 1 4 4 - 1 4 5 . 
3 ( ) L o r e n z o V a l l a , E l e g a n t i r e , P a r i s , 1 5 3 2 . 
3 1 V i d . E . S t e m p l i n g e r , D a s P l a g i a t . . . p . 1 , n . 1 . 
3 2 V i d . E . N o r d e n , o b . c i t . , v o l . I l , p . 7 7 3 s s . E c o s d a q u e r e l a e m 
A . R e s e n d e , O r a 9 ä o d e S a p i e n c i a ( O r a t i o p r o r o s t r i s ) , L i s b o a , 1 9 5 6 ( P i n t o 
d e M e n e z e s ) , p . 4 2 ( e d i t a d a e m 1 5 3 4 ) , e m q u e R e s e n d e , p . 4 0 , r e c o r d a o s 
p r e c e i t o s h o r a c i a n o s d a imita~äo. ( V i d . n . 1 7 ) . 
2 6 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicamasso 
em 1527, que nos diz: «Atentai na maneira de adaptar a n6s os 
despojos e as insignias dos antigos. Deles tomamos ora a inven~äo 
brilhante dos temas, ora o encadeamento e o sentido das palavras 
e ainda as pr6prias palavras. E näo temos vergonha de falar as 
vezes pela boca de outrem. Quando praticais os vossos furtos 
em poetas conhecidos, deveis avan~ar com mais cautela. Näo vos 
esque~ais de ocultar o roubo, voltando noutra direc~äo o rasto 
das palavras, e assim enganai os leitores, alterando-lhe a ordern 33». 
As palavras de Vida recordam-nos que nem sempre foi nem 
e nitida a fronteira equivoca entre imita~äo e originalidade e que 
as repugnäncias eticas säo menos fortes quando se lan~a um movi-
mento Iiterario no meio de um entusiasmo que depois come~ara 
a esfriar. De facto, em 1561 Escaligero vem a aconselhar a imita~äo 
em termos mais brandos: «Primeiramente, para que escolhamos 
para imi tar os passos melhores; em segundo lugar, para que tudoo que for por n6s realizado seja por n6s minuciosamente pesado 
e examinado e meditado como se fosse obra alheia 34 ». 
Säo estas as atitudes que prevalecem e que väo ser respeitadas, 
naturalmente com variantes que reflectem sensibilidades diversas, 
no seculo XVII, em que V6ssio vai publioar em Ameste.ndäo e em 
1647 um tratado sobre a i·mita~äo, no qual se ocurpa em t·ra~ar 
erudita hist6ria da teoriza~äo sobre este a:ssunto, tanto no que 
respeita a Poetica como a Ret6rica, fornecendo grandes listas de 
autores que devem ser Iidos, näo ao acaso, mas quando tem algum 
ponto de contacto com a nossa sensibilidade: «Para imitar e neces-
sario quese leia o mais notavel, e por vezes s6 a ele; seguidamente 
o que for mais parecido; finalmente mesmo os que näo forem 
parecidos, mas que se distingam por um louvor qualquer. Nem 
sempre por n6s deve ser escolhido o melhor como modelo, mas 
näo raro um que näo seja täo bom, mas que melhor se adapte 
a nossa Capaeidade 35 ». 
33 Marci Hieronymi Vidre Cremonensis, De arte poetica lib. /I/, Roma, 
1527, 111, 213-220 (traduc;äo a publicar por Arnaldo do Espirito Santo). 
34 Julii Cresaris Scaligeri, Poetices libri septem, V, cap. I, 561, p. 214. 
35 Gerardi Joannis Vossii, De imitatione cum Oratoria, tum prcecipue 
Poetica deque recitatione ueterum liber, Amesterdäo, 1647, p. 5. Trata-se de 
uma obra extremamente ordenada, com um excelente indice de materias 
e com uma intenc;äo taxin6mica e pedag6gica evidente. 
27 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a 9 a o 
A s i n d i c a c ; ö e s d e V 6 s s i o e x p r i m e m u m a p o s i c ; ä o e q u i l i b r a d a 
e u m a a s s u n c ; ä o 6 b v i a q u a n t o a n e c e s s i d a d e d e i m i t a r . 0 s e c . X V I I I 
n ä o s e n i d i f e r e n t e , a i n d a q u e a p o l e m i c a p o e t i c a e r e t 6 r i c a s e 
a n i m e , n u m a e p o c a f e r t i l e m p a l a v r a s , q u e p a r a o m o d e r n o I e i t o r 
c a i u u m p o u c o e m d e s u s o , m a s q u e c o n t i n u a a s e r u m m a n a n c i a l 
d e e n s i n a m e n t o s p a r a t o d o s . A i m i t a c ; ä o e e s t u d a d a e a c o n s e l h a d a 
e m d i v e r s a s m e d i d a s e a r t e s p e l o s t e o r i z a d o r e s . E s c r e v e - s e c a d a 
v e z m a i s e m v e r n a c u l o , e a s s i m l i m i t a m o - n o s a e x e m p l o s p o r t u -
g u e s e s q u e n o s p a r e c e m s u f i d e n t e s , p o r q u e m u i t o i n f l u e n c i a d o s 
p e l a l t a l i a , p e l a F r a n c ; a e , p o r m e i o d e s t a s , p e l a B u r o p a e m g e r a l
3 6
, 
a l e m d e a p r e s e n t a r e m u m a t e n d e n c i a d e r e t o r n o a o s t e o r i z a d o r e s 
c l ä s s i c o s e v i d e n t e . E a s s ] m q u e L e v t ä o F e r r e i r a a f i r m a s e m r o d e i o s : 
« E a i m r i t a c ; ä o ( S e n h o r e s ) a a n t i g a m e s t r a d o s r a c i o n a i s e o s e u 
e x e r c i c i o e a e s c o l a o n d e a p r e n d e m o s t o d o s . C o m n e n h u m v i v e n t e 
s e m o s t r o u a n a t u r e z a m ä e m a i s a v a r a q u e c o m o h o m e m ; q u e r e n d o 
q u e c o m r i g o r o s o t r a b a l h o s e j a u m d i s c i p u l o d e o u t r o , n a q u i l o 
m e s m o e m q u e e l a e m e s t r a p r 6 d i g a e p r 6 v i d a d o s b r u t o s 
3 7
» . 
C o m e s t a i n t r o d u c ; ä o I i g a - s e o a u t o r , a e s c o l a a r i s t o t e l i c a e c o n t i n u a 
a d i s c r e t e a r s o b r e i m i t a r a o I i v r e e i m i t a r a o s e r v i l , r e p r o d u z i n d o , 
n a t u r a l m e n t e c o m a s p e c t o s i n d i v i d u a i s , a s t e o r i a s d o s a n t i g o s . 
A l i n g u a g e m b a r r o c a , i n f l u e n c i a d a p e l o i t a l i a n o T e s a u r o , r e p r e s e n t a 
b e m o e s t i l o d a e p o c a , b e m c o m o o s c o n c e i t o s , q u e s ä o o t e r m o 
q u e a p a r e c e n o t i t u l o : N o v a A r t e d e C o n c e i t o s , r e c o l h i d o s d a s 
l i c ; ö e s p r o f e r i d a s n a A c a d e m i a d o s A n 6 n i m o s d e L i s b o a e p u b l i c a d a 
e m 1 7 1 8 . L e i t ä o F e r r e i r a n ä o s 6 s e p r e o c u p a c o m o s m o d e l o s e 
f o r m a s d e i m i t a r c o m o t a m b e m c o m o s p r e c e i t o s a s e g u i r p a r a 
o b t e r a m u t a c ; ä o 
3 8
, q u e d i f e r e n c i e a o b r a i m i t a d a d o o r i g i n a l . 
T e r e m o s E i n a l m e n t e d e e s p e r a r m a i s a l g u n s a n o s p e l a o b r a 
d e F r a n c i s o o J o s e F r e i r e , C ä n d i d o L u s i t a n o , q u e n a s u a A r t e P o e t i c a 
d e 1 7 4 7 , p a r a e n c o n t r a r m o s u m t e x t o t e 6 r i c o v e r d a d e i r a m e n t e r e p r e -
s e n t a t i v o d o s e c u l o X V I I I p o r t u g u e s l i g a d o a o p e n s a m e n t o f r a n c e s 
3 6 V i d . A n i b a l P i n t o d e C a s t r o , R e t 6 r i c a e T e o r i z a 9 a o . . . , a p a r t i r d o 
c a p . I I , p p . 1 4 3 s s . 
3 7 F r a n c i s c o L e i t ä o F e r r e i r a , N o v a A r t e d e C o n c e i t o s , P r i m e i r a P a r t e , 
L i s b o a , 1 7 1 8 , p . 1 5 0 s s . ( e l i 9 a o s e t i m a § I , D a I m i t a 9 a o , q u i n t a e u l t i m a 
e s p e c i e d e e x e r c i c i o ) . N a p . 1 7 7 com~a a l i 9 a o o i t a v a e m q u e v a i e s t a d a r 
a s r e g r a s p a r a q u e a s i m i t a 9 8 e s n a o p a r e 9 a m f u r t o s , p . 1 7 9 . 
3 8 O b . c i t . , p . 1 8 5 s s . 
2 8 
Um Enquadramento para Dionisio de Halicarnasso 
e italiano, tenta despegar-se dos conceitos do barroco e procura 
a nivel da teoria como que um neo-classicismo. Assim Cändido 
Lusitano considera a imitac;äo nas suas duas vertentes. A primeira 
surge quando define a essencia da Poesia, ao afirmar: «que a 
essencia desta Arte e a imitac;äo das coisas, com as quais criam 
eles (poetas) novas imagens e se fazem deste modo criadores ( ... ), 
o que e certo ( ... ) e que consiste a essencia da Poesia na imitac;äo 
da natureza ( ... ) 39». 
Mais adiante dedica Cändido Lusitano dois capitulos a imita-
c;äo 40, em que repete a definic;äo ja dada e a desenvolve, ainda 
que as considerac;öes essenciais se reHrarn a imitac;äo da Naturr,eza. 
Os universais da imitac;äo, como podemos ver, tem sido man-
tidas sem que haja demasiadas ~ugas ou qualquer recusa a este 
prooesso que pelos vistos pode ser criativo. 0 soculo XIX dei~ara 
pouco a pouco os preceitos da imitac;äo, mas nem mesmo assim 
deixamos de ver em 1830 a posic;äo de Alfred de Musset, que con-
trasta com a atitude que cada vez mais se ira impor, quando o 
poeta frances muito claramente defende a imitac;äo dentro dos 
parametras tradicionais: «Pourquoi desavouer l'imitation, si eile 
est belLe? Bien plus, si eile est originale ene .. meme? Virgile est 
d'Homere et le Tasse est fils de Virgile. Il y a une imitation sale, 
indigne d'un esprit releve, c'est celle qui se cache et ,g.e renie, vrai 
metier de voleur; mais l'inspiration, quelle que soit la source est 
sacree 41 ». 
Nem mesmo esta declarac;äo lucida evitara que a imitac;äo 
como pnitica aberta caia em desuso, pois ja Byron comentava com 
grac;a que um Poeta facilmente poderia (com exclusäo de dinheiro) 
tudo pedir emprestado a outro, excepto os seus pensamentos, por-
que estes viräo sempre a ser reclamados 42 • 
Com efeitoa propriedade artistica passou a ser cada vez mais 
individualizada e aparentemente intocavel, o que naturalmente em 
39 Francisco Jose Freire, Arte Poetica ou Regras da Verdadeira Poesia, 
Lisboa, 1748, p. 16. 
4<l Ob. cit., cap. 5 e 6, pp. 25-32. 
41 Melanges de litterature et de critique, Paris, 1899, p. 14. Citado por 
E. Stemplinger, Das Plagiat, p. 162. 
42 E. Stemplinger, Das Plagiat, p. 2. 
29 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a f _ ; ä o 
n a d a a l t e r a a s d i s p o s i < ; ö e s a n t i g a s , q u e t ä o - p o u c o a d m i t i a m o f u r t o 
o u o p l a g i o . D e m o m e n t o t u d o o q u e e i m i t a d o , o u « i n f l u e n c i a d o 
p o r » , o u d a « e s c o l a d e » , e t c . , f o i c l a s s i f i c a d o c o m o t e n d o s i d o , 
c a s o h a j a a l g u m a m o d e l o i d e n t i H c a v e l , u m f e n 6 m e n o d a r e e s c r i t a , 
d a i n t e r t e x t u a l i d a d e , a d m i r a v e i s n e o l o g i s m o s , e m q u e s e r e f l e c t e 
t o d a a a m b i g u i · d a d e q u e p r e s s u p ö e a rela~äo d a c r i a t i v i d a d e c o m 
o s M o d e l o s q u e a t o r n a r a m p o s s i v e l . P e l o s v i s t o s a imita~äo c o n -
t i n u a , n e m o u t r a c o i s a s e r i a d e e s p e r a r , s 6 q u e a p a l a v r a f o i e n v o l -
v i d a p o r u m i n v 6 l u c r o s e m ä n t i c o q u e n o s f a z p e n s a r d u a s v e z e s 
a n t e s d e a e l a r e c o r r e r m o s c o m o p r o c e s s o l i t e r ä r i o . P r e f e r i m o s 
p o r i s s o d e i x a - l a d e b a n d a , n e m p e n s a r n e l a e , s e p o s s i v e l e q u a n d o 
f o r d i s s o o c a s o , r e e s c r e v e r . E i s c o m o a s p a l a v r a s s e r e n o v a m 
c o m o a s f o l h a s d u r a n t e a mudan~a d e esta~äo, j a d i z i a o v e l h o 
p o e m a h o r a d a n o . 
R . M . R O S A D O F E R N A N D E S 
3 0 
TI 
DIONiSIO DE HALICARNASSO 
1. Vida 
Dionisio nasceu em Halicamasso, na Asia M·enor, talvez entre 
60 e 55 a.C., e f.oi viver para Roma durante a realiza<;äo da 
187 .a OHmpiada, na altura em que Augusto tinha acabado de por 
termo a guerra civil (30 a.C.), Segundo nos informa no prefacio 
das Antiguidades Romanas, chegou a Roma com o firme prop6sito 
de escrev·er a hist6ria antiga da cidade, desde a funda<;äo ate a 
Primeira Guerra Ptl.nica, precisamente ate ao ponto em que Polibio 
a oome<;ara (264 a.C.). Dedicou os vinte e dois anos seguintes a 
reoolha minuciosa e exaustiva de todas as fontes disponiv·eis para 
oons·egui•r rea1izar com exito o projecto amhicioso a que se tinha 
devotado. 
Para garantir a sobrevivencia, exeroeu a actividade de mestre 
de ret6rica, o que lhe proporcionou estabeleoer estreitos contactos 
com os circulos culturais mais influentes de Roma, oomo era o caso 
do circulo dos Tuberöes, familia politicamente poderosa e versada 
no ~estrudo do Direito e da Hist6ria. Outros interlocutoDes e amigos 
soHdtavam frequenterneute as aprecia<;öes de Dionisio sobre assun-
tos mais ou menos polemkos que resuhavam ineV~itavelmente da 
critica literaria insevida nos seus Escritos Ret6ricos. E pouco mais 
se sabe das condi<;öes em que v.iveu em Roma. 
31 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a l m i t a f ä o 
2 . 0 H i s t o r i a d o r 
A f a c e t a d o h i s t o r i a d o r m a n i J i e s t a - - s e e s s e n c i a l m e n t e n a e l a b o -
va~äo d a s A n t i g u i d a d e s R o m a n a s , o b r a e m 2 0 liv~ros d e q u e r e s t a r n 
o s 1 0 p n i m e i r o s . D i o n i s i o , a d m i m d o r f e r v o r o s o d a v i r t u s r o m a n a , 
o o m p ö s u m a h i s t 6 d a q u e p r e t e n d i a o o n s t i t u i t r u m a introdu~äo a 
P o l i b i o . N o e n t a n t o , t a l i n t e n t o e n o o n i r o u p r o b l e m a s d e reaHza~äo 
p o r a b v a n g e a : - u m p e r i o d o h i 1 s t 6 r i c o q u e a i n d a h o j e s e m a n t e m 
n e b u l o s o . C o n H a n d o e x c e s s h n a m e n t e n o s a 1 1 1 a l i s t a s r o m a n o s a o a b o u 
p o r p~roduzürr u m a o b r a q U J e p e c a p e l 1 a q u a s e t o t a l a u s e n c : ü a d e 
s e n t i d o c r i m o o e p e l a utiHza~äo e m : g e r a d a d e d i s c u v s o s a m a n e i m 
h e l e n i s t i c a . E n e s t e a s p e c t o q u e , a p e s a r d e 1 r u d o , d e m o n s t r a a : s 
s u a s q u a l i d a d e s d e r e t o r a o r e a l i m r u m e x o e l e n t e e x e K i c i o d e 
imita~äo. A e x o e s s l i v a venera~äo p e l a p a t r c i a a d o p t i v a r e f l e c t e - s e 
n a s c a r a c t e r f s ü o a s m o r a l i z a n t e s e p o 1 i t : ü c a m e n 1 J e t e n d e n a i o s a s d e s t a 
o b D a q u e p o u o o i n t e r e s s e s U J s c i t o u n o s r s e u s c o m r p a t r i o t a s g r e g o s , 
a q u e m e r a d e s t i n a d a , r p o r p a r t i l h a r e m oonrvic~öes ~totalmente o p o s -
t a s a s s u a s , f a c t o a q u e n ä o . t e r a s i d o a 1 h e i o o t r a t a r - s e d a h i , s t 6 r i a 
d o p o v o s e u o c u p a n t e . N o e n t a n t o , o f u n d a m e n t a l e m D i o n f , s i o 
e t e r s i d o o p d m , e 1 ] } o g r e g o a e s o r e v e r s o b r e e s t e a s s u n t o c o m a 
d i m e n s ä o : e a m p l i t u d e q u e m e r e c i a . 
3 . 0 R e t o r 
F o i n o s d i v , e r s o s e s o n i t o s r e t 6 r i o o s q u e D i o n i l s i o m e l h o r m a n i -
f e s t o u a s s u a s q u a l i d a d e s d . e c r i t k o l i t e r a r i o . A a o t i v i d a d e d e ! I ' e t o r 
l e v o u - o , f r e q u e n t e s ve~es, a e s o r e v e r t n a t a d o s d e r e t 6 1 I ' i c a , o o r r e s -
pondent~e a n t i g o d a m o d e r n a c r i t i c a l i t e n i r i a , q u e e r a m e l a b o r a d o s 
o u p o r i n i o i , a t i v a p r o p r i a , o u p a r a s a t i s f a z e r soLicita~öes d e a m , i g o s 
e i n t e r l o o u t o r e s i n t e r e s s a d o s e m o o n h e c e r o s s e u s p o n t o s d e v i s t a 
s o b J 1 e q u e s t ö e s l h e r e : W i : a s d e m u t u o i n t e r e s s e . 
O s E s c r i t o s R e t 6 r i c o s d e D i o n i s i o o o n s t a m d e c i n c o t r a t a d o s 
e t r e s c a r t a s : S o b r e o s O r a d o r e s A n t i g o s , D i n a r c o , T u c i d i d e s , 
S o b r e a C o l o c a f a o d a s P a l a v r a s , D a I m i t a g a o , C a r t a a P o m p e i o 
e C a r t a s a E m e u . 
0 t r a t a d o s o b r e o s o r a d o r e s a n t i g o s e f o r m a d o p e l a r e u n i ä o 
d e d o i s e s t u d o s q u e c i J x m l a v a m ~separardamente, u m s o b r e L i s i a s 
3 2 
Dionisio de Halicarnasso 
e outro sobre Is6crates, aos quais se juntou um terceiro sobre Iseu. 
Segundo o plano de Dionisio, estes tres estudos sobre a primei~ra 
gerac;äo de orador;es deveria constituir o pdme:Lro volume de uma 
obra .maJ.s vasta sobre a antiga eloquenoi·a a:tica. 0 segundo volume 
abarcania os estudos sobre Dem6stenes, Esquines e Hiperides 
oradores da segunda gerac;äo. Deste volume possufmos apenas o 
esorito sobroe Dem6stenes, considerado rpor Dionisio como o orodor 
que deV>eria •ser tomado por modelo. 0 prologo que preoede o 
prime.iJro volume e de extrema importä:ncia para a hist6ria do 
at1cismo por oonter aquilo a que se pode11i.a chamar uma v·erda-
de1:m .cartade intenc;öes dos ati.cistas- a escola antiga- sujcitos, 
entäo, a violentos ataques por parte da escola moderna, os asiänicos. 
0 tratado sobre Dinarco e um estudo critico sobre o estHo 
deste orador de segundo plano que imi tou Lisias, Hiper~des e 
Dem6stenes, e cuja ohra oolocava problemas de autenticidade. 
A um pedido de Elio Tuberäo, Dionisio escreveu um t:mtado 
de cri tica Hter{wia sobre Tucidides, oonsiderado por ele o maior 
historiador grego. De facto, alem do ·seu valor historico intrinseco, 
este estudo revela.,se de exoopcional importäncia por conter refe-
rendas a um escrito de Dionisio em deEesa da H1osoEia politica. 
DefendendQ-ose dos que o ataoavam, em especial dos epicuristas, 
adopta a opiJniäo, herdada de Is6crates e partilhada pelos est6icos, 
segundo a qua! ~a ret6rica deveria servir a formac;äo moral do 
o11ador e näo ser apenas um mero formuhivio de receitas para 
fazer vingar as causas injustas. 
Sobre a Colocafäo das Palavras e um tratado de ret6rica 
prop11iamente dito que corresponde a um estudo m~inucioso e por-
menorizado sobre o sentido da 1ingua:gem entTe os antigos, va1ori-
zando, em particular, a intima associac;äo da musicalidade da 
pal,avra oom o seu signi.fioado. Considerado um dos melhores 
t11abalhos de Dionisio, este tratado oontem a:inda fragmentos doo 
li11ioos que de outro modo nunca teri:am chegado ate n6s. 
Do importante tratado sobre a imitac;äo oonservou-se apenas 
uma pequena parte. Na cart~a a Pompeio (oap. 3), Dionus.io afirma 
que este tratado ·cLeverüa ser constituido por tres livros: o primeko 
aborda11ia o problema da imitac;äo em geral; o segundo indicaria 
os pr,iJncipais autores a serem tomados oomo modelos; o terceko 
estabelecerua os prooeitos sobre a arte de imitar. Ent:retanto, tmns-
33 
3 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a 9 ä o 
o r e v . e u m a part~e s i g n i f i c a t i v a d o l i v r o I I s o b r e o s historiado~es. 
0 t e x : t o d o D a I m i t a f i i o c h e g a d o a t e n o s o o n s t a d o C o d e x P a r i -
s i l e n s i s 1 7 4 1 d o s e c . X . p , e n s a - s e q u e s e t r a t a d e u m f m g m e n t o 
a c v e s c e n t a d o e o o p i a d o n o s e c . V . 0 C o d e x V e n e t u s M a r o i a n u s 5 0 8 
( s e c . X V ) , o C o d e x M o n a o e n s i s n . o 1 7 0 e a E d i t i o P r i n o o p s d e 
H . S t · e p h a n u s d e 1 5 4 4 s ä o d e e x t r e m a i m p o r t ä n c i a p a r a a fixa~äo 
d o t e x t o d o T r a t a d o d a l m i t a f i i o . 
O s o u r t r o s ~estudos p e D d e r a m - s e o o m p l e t a m e n t e . A p e n a s t~emos 
n o t f c i a d e t r e s o b r a s c r i H c a s i n d i v i d u a l i l J a d a m e n t e c o n s a g r a d a s 
a L i s i a s , I s 6 o r a t e s · e D e m , 6 s t e n e s , d e u m e s c r i t o e m d e f e s : a d a 
f i l o s o f i a p o l i t l i c a e d e u m t r a t a d o s o b r e a s fi~as d e e s t i l o . 
N o q u e d i z 1 1 e s p e i t o a o o ! 1 I i e s p o n d e n c i a d e Dioni~s~o, a p r i m e i r a 
c a r t a a E m e u r e f u t a o s a r g u r n e n t o s d o s p e r i p a t e t i c o s q u e p r e t e n -
d i a m · e n o o n t r a r e m D e m o s t e n e s ' i n f l u e n c i a s d i r e c t a s d a R e t 6 r i c a 
d e A r i s t . Q t , e l e s . A s e g u n d a , e s c r i t a d e p o i s d a publica~äo d o T u c i d i d e s , 
t e n t a o o m p l e t a r a a n a 1 i s e d o e s t i l o d o h i s t o r i a d o r g , r e g o o o n t i d a 
n o t 1 1 a t a d o a ~e1e c o n s , a g 1 1 a d o . A C a r t a a P o m p e i o , a d m i r a d o r f e r v o -
v o s o d e P l a t ä o , p r e t e n d e r e s p a n d e r a o s e s c l a r e o i m e n t o s ~solioi.tados 
p e l o d e s t i n a : t a n i o s o b r e o r i t i c a s s e v e r a s q u e D i o n i s i o h a v i a f e i t o 
a l i n g u a g e m d o f i l 6 s o : 5 o g r e g o . A l e m d e a m e n i z a r o s e n t i d o d a s u a 
c r i t i o a a o e s ü l o , d e P 1 a t ä o , a p r o V 1 e i t a a o p o r t u n i d a d e p a r a a p r e -
s e n t a T o p l a n o d o D a I m i t a f i i o . 
N ä o e p o s s i v e l d e s c o b 1 1 i r n o s E s c r i t o s R e t 6 r i c o s u m a d o u t T i n a 
l i t e r a r : i t a . o o e r e n t e e s~ist.ematizada. M e n o s p r e z a r e s t e a J S p e c t o d a 
produ~äo d e D i o n i s i o e . o o m e t e r a i m p r u d e n c i a d e n ä o r e c o n h e c e T 
n e 1 e a evolu~äo q u e v · a i a p 1 1 e s e n t a n d o d e e s c r i t o p a r a e s c r i t o . 
E s t a evolu~äo e o , 1 1 e s u h a d o d e u m t r a b a l h o s e r i o e a t u m d o q u e 
s e p 1 1 o L o n g a p o r m a i s d e 2 2 a n o s , d u r a n t~e o s q u a ä s h o u v e c o n s -
t a r r l t r e s altena~öes d o s o b j e c t i v o s p r o g : r a m a t i o o s d a s e s o o l a s e t a m -
b e m d a p r a t i c a f o v e n s 1 e . E r n f , a o e d e posi~öes t~e6riea:s e x t r e m a s , 
a d o p t o u u m a posi~äo i n t e r m e d i a e n t r e a t k i s t a : s e a s i ä n i o o s . A s u a 
o b r a a H g u r a - s e d e · e x t r e m a i m p o r t ä n c i a p a r a o e s t u d o d a h i s t O . r i a 
d o a t i c i s m o e t a m b e m d a p r o p r i a evolu~äo d a r e t o r i o a n o s f i n a i s 
d o s e c . I a . C . 
3 4 
III 
0 TRATADO DA IMITA(:AO E A SUA ESTRUTURA 
Tres livros dedicou Dionisio de Halicarnasso ao problema da 
«imita<;äo» na antiguidade: do prim·eiro restarn alguns fragmentos, 
do segrundo, grande parte, nada se conservou do teroeko. Sobre 
diversos fragmentos, chegaram ate n6s panifrases de alguns comen-
tadores que a «Editio Stereotypa Editionis Prioris (MCMIV-
-MCMXXIX)» da Teubner, Estugarda, 1965, de qrue nos servimos, 
of,er·ooe ao leitor, e br<eves oomentarios ha registados, que, a 
mingua dos respectivos fragmentos, constituem noticia unica dos 
frags. IV, V, VIII e XI. 
0 primeiro livro aborda « a pr6pr<ia pesquisa aoerca da i1mita-
<;äo», ·Corno afirma o autor na frase em epi.g:r.afe, proven1ente de 
«A Garta a Pompeio». Mas apenas tres questöes nos säo apre-
sentadas: 
1-A defini<;äo daquilo que o autor entende por «Ret6Dioa» 
e dissecada no respectivo comentario, tendo ,em oonta o «genero» 
e as «diferen<;as» que a caracterizam, em ordern a um pos:ioiona-
mento claro em rela<;äo as outras cienci.Jas. 
2- Seguidamente, foca «as tres ooisas» («natureza», «aprendi-
zagem» e «exeroita<;äO»), isto e, OS factores que fu.zem emergJir 
«O mailis a:lto grau de destreza nos discursos politicos». Ao orador 
Dem6stenes, segundo a opiniäo do comentador, falta o ultimo 1dieles. 
35 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a 9 ä o 
3 - P o r f i r n , D i o n i s i o debru~a-se s o b r e o s c o n c e i t o s d e « : i , m i -
ta~äo» e «emula~äo». S e a r e s p e i t o d e «imita~äo» d i z q u e e l a 
« I i e f u n d e u m m o d e l o » , o c o m . e n t a d o r d o t e x t o , p o r s u a v e z , p r e c i s r a 
o c o n o e i t o , a c r . e s o e n t a n d o q u e « r e f u n d e a semelhan~a d o s p e . n s a -
m e n t o s » . E , p o i s , p o s s i v e l a H r m a r - s e q u e o u s o d a semelhan~ 
o o n s t i t u i o s e g r e d o d o b o m i m i t a d o r , o o m o , a l i a s , o h a v i a m d e 
a c e n t u a r , t a m b e m , o s n o s s o s d o u t r i n a d o r e s d e r e t 6 r i o a , a p a r t i r 
d o R e n a s c i m e n t o . 
0 s e g u n d o l i v· r o « t r a t a d o s a u t o r e s q u e s e d e v e m i m i t a r » . 
S ä o d e o d g e m g r e g a t o d o s o s m o d e l o s a p o n t a d o s , s e b e m q u e 
a H n g u a l a t i n a j a t e n h a a t i n g i d o o n i v · e l 1 i t e r a r i o , m a i s d e d o i s 
s e c u 1 o s a n t e s d e o a u t o r t e r c h e g a d o a R o m a e a i p e r m a n e c i d o 
d u r a n t e 2 2 a n o s . A p a r t i r d a ·enumera~äo f e i t a p o r D i o n i s i o , s a b e - s e 
q u e Q u i n t i l i a n o e l a b o r a r i a u m a o u t l i a l i s t a . 
Come~a o a u t o r g r e g o p o r j u s t i f i c a r a descri~äo q u e v a i f a z e r 
d o s d i v e r s o s m o d e l o s s u s c e p t i v e i s d e s e r e m i m i t a d o s . E p a r a H u s -
t r a r , : r e f e r e a l e n d a d a . m u l h e r d o c a m p o n e s q u e , s e n d o f e i a , o o n c e -
b e u f i l h o s b o n i t o s p o r c o n t e m p l a r o o i J s a s b e l a s e o c a / S O d e Zeu~is 
q u e p i n t o u a m u l h e r b e 1 a , o o m o r e s u l t a d o d a jun~äo d o s p o r m e -
n o r . e s m a i s b e l o s d e m u i t a s e v a r i a d a s m u l h e r e s . 
N o q u e c o n o e r n e a o s p o e t a s , c o n t a m - s e , c o m o t a i s , H o m e r o , 
H e s i o d o , A n t i m a o o , P a n i a s i s , P i n d a r o , S i m 6 n i d e s , E s t e s i o o r o e A l c e u . 
P . e l o r e a l o e o u p e l a a m p l i t u d e d a descri~äo, p a t r e c e a t d b u i r - - s e 
u m a · i m p o r t ä n o i · a e s p e c r a l a H o m e r o e a P i n d a r o . 0 a u t o r a c r e s -
c e n t a , a i n d a , q u e P a n i a s i s « r . e u n e a s q u a l i d a d e s » d e H e s i o d o e 
A n t i m a c o , q u e E s t e s k o r o s e e v r i d e n c i a p r e c i s a m e n t e n o s a s p e o t o s 
e m q u e o s o u t r o s p a r e c e m f r a q u e j a r , e q u e S i m 6 n i d e s s o b r e l e v a 
a P i n d a r r o q u a n t o a o « " D o m p a t e t i c o » . 
Da~analise d o s t r a g e d i 6 g m f o s - E s q u i l o , S 6 f o c l · e s e E u r i p i d e s -
f a c i l m e n t e s e p o d e o o n c l u i r u m c e r t o e s c a l o n a m e n t o : « O e s t i . l o 
s u b l i m · e » d o p r i m e i r o , « O m : e i o t e r m o d o e s t i l o c o m p 6 s i t o » d o 
s e g u n d o , « d a m u i t a g r a n d e z a . . . p a r a a v u l g a r i d a d e » d o t e r c e i r o . 
P o r o u t r o l a d o , a p e n a s M~enandro e c i t a d o e n t r · e o s c o m e d i 6 g r a f o s , 
d e q u e m « ' s ä o d e i m i t a r t o d a s a s q u a l i d a d e s e s t i l f s t i o a s . . . » 
Q u a n t o a h i s t o r : ü a d o r e s , o o n s t a m H . e r 6 d o t o , T u c i d i d e s , X e n o -
f o n t e , F i H s t o e T e o p o m p o d e Q u i o s . C o n s o a n t e o s a s p e c t o s e m 
c a r u s a , H · e r 6 d o t o e T u c i d i d e s o r a s e i g u a l a m , o r a s e s o b r e p ö e m 
3 6 
0 Tratado da Imitat;äo e a sua Estrutura 
wn ao outro. Filisto, por sua vez, procura seguir, quase sempre, 
na esteira de Tucidides, enquanto Teopompo de Quios chega a 
aprox.ti.mar.;Se de Is6crates, no que diz respeito a «Sua qualidade 
estilistica ». 
Tres grupos de fi.l6sofos säo apontados: os plitag6ricos; Xeno-
fonte e p},atäo; Aris·t6teles e os seus discipulos. Por motivos diver-
sos ou identkos, todos säo de imitar. 
Ao terminar a descri<;äo dos modelos mencionados, Dionisio 
re1eva a importäncia dos oradores, que, a seguir, apresenta. Mere-
oem a sua preferencia Lisias, Is6crates, Licurgo, Dem6stenes, Esqui-
nes, Hiperides e, mais acHante (no frag. X), um oomentado[" do 
texto reftme, ainda, Dinarco. 0 estilo de Lisias e objecto de an.alise, 
com algum relevo, nos frags. V e X, assim como no frag. IX, 
onde e oonfrontado com G6rgias, cujo estilo e paraf:r:aseado no 
frag. VIII. 0 mesmo Lisias e considerado ilnferior a H:i!perides 
quanto ao «omato da elocu~äo», o que näo seni de estranhar num 
orador tido oomo o prot6ti!po do a'ticLs,mo. Ainda relativamente 
a Hiperides, este a todos ultrapassa quanto a «Sagacidade da 
inrven~äo» (fmg. V). Dem6stenes, por sua vez, e confrontado com 
Esqu:Unes, a quem se superioriza pelo maior vigor. Um dos comen-
tadores do frag. X garante, tambem, que a arte de Dem6stenes esta 
na «concep~äo», ao passo que a de D:ünar~o reside na «elocu~äo». 
Ao dar por finda a descri~äo dos oradores, Dionisio de Halri-
camasso esclarece que achou por bem citar os modelos da antigui-
dade para, de todos, esco1her o que em cada um ha de melhor, 
em ordern a perfei~äo. 
Do teroeiro livro, apenas se sabe que «trarta de como se deve 
imitar», como oonsta na frase em epigrafe, porque näo chegou 
arte n6s qualquer fragmento. 
37 
IV 
ECOS DO TRATADO DA IMITA(:AO 
Näo e faoil discernir reflexos da «imirta9ä0» de Dionfsrio de 
Ha1icarnasso na literatura posterior. Se atentarmos em alguns 
teorizadores da Antiguidade, poderemos reconhecer ideias seme-
lhantes as de Dionfsio, por vezes, frases inteiras reproduzidas 
palavra por palavra. Que se pode concluir dai? Talvez tenham 
bebido numa fonte mais antiga de que se terta apToveitado o 
pr6prio Dionisio. Poils, como s,e pode ve11iHcar pelas suas obras 
de hist6ria, Dionis.io de Halicarnasso e sobretudo um compilador, 
nem sempre muito feliz, de inscri9öes, de lendas, de tradi9öes 
mais ou m~enos segum:s, ou seja, de tudo quanto lhe pare9a rela-
c1onar ... se com os acont,eoimentos que ele transmite. Por conse-
guinte, näo goza de grande fama nem como historiador, nem 
como estHista. 
Vejamos, por exemplo, Quintiliano. Muito do que ele nos diz 
sobre a imrita9äo foi decalcado sobre os fragmentos que nosrestarn 
de Dionisio de Halicarnasso 1, a ponto de a versäo do autor latino 
facilitar a compreensäo de certos passos mais obsouros do autor 
grego. Quintiliano, que na verdade conhecia perfeitamente a obra 
de Dionisio de Halicarnasso (menciona-o värias vezes, nos outros 
livros da Instituü;iio 2), no capitulo em que aoonselha a i:mita9äo 
1 Livro X da Institui9äo Orat6ria. 
2 IH.I.16; IX.III.89; IX,IV.88. 
39 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a l m i t a r ; a o 
c o m o m e t o d o p e d a g 6 g i c o , a p e s a r d e r e p e t i r p r e c e i t o s d o s e u p r e -
d e c c s s o r g r e g o , n ä o i n d i c a u m a s 6 v e z o n o m e d e D i o n i s i o . E n ä o 
f o i p a r a a f e c t a r o r i g i n a l i d a d e : o s A n t i g a s n ä o c o n h e c i a m e s s e t i p o 
d e p r e o c u p a < ; ä o . P e l a m e s m a o r d e r n d e i d e i a s , Q u i n t i l i a n o a p o n t a 
f r e q u e n t e m e n t e p a r a a u t o r e s c o n s a g r a d o s c o m o A r i s t 6 t e l e s , B r u t o , 
C e s a r , H o m e r o , H o n 1 c i o , O v i d i o e P l a t ä o , q u e e l e n o m e i a , c i t a e 
c o n v i d a a i m i t a r . 
P a r c o n s e g u i n t e , p o d e r i a m o s d e d u z i r q u e D i o n i s i o r e c o l h e u 
u m a t e o r i a m u i t o c o n h e c i d a , r e c h e o u - a d e c i t a < ; ö e s e d e e x e m p l o s 
a n t i g o s , a n i m o u - a c o m f a b u l a s d e m a s i a d o f a m i l i a r e s ( a r e p r e s e n -
t a < ; : ä o d a b e l c z a s o b r e n a t u r a l d e H e l e n a ) o u c o m a n e d o t a s d e g o s t o 
d i s c u t i v e l ( a s i m a g e n s d o c a m p o n e s ) , u n i u t o d o s o s p e d a < ; o s e 
o b t e v e a o b r a d e q u e n o sr e s t a r n o s f r a g m e n t o s p u b l i c a d o s . C o m 
e f e i t o , d e s a p a r e c i d o o T r a t a d o d a I m i t a c ; ä o , a p e r r a s n o s c h e g a r a m 
p a s s o s q u e o s a u t o r e s t r a n s m i t : i r a m u n s a o s o u t r o s , d u r a n t e s e c u l o s , 
c o m o l e g a d o s p r e c i o s o s . O r a , D i o n i s i o n ä o f a z i a m a i s d o q u e r e p e t i r 
u m a i d e i a j a d i s c u t i d a , s o b p e r s p e c t i v a s d i f e r e n t e s , p o r P l a t ä o e 
A r i s t 6 t e l e s . P o r i s s o , q u a n d o f a l a m o s d e r e p e r c u s s ö e s d e D i o n i s i o 
d e H a l i c a r n a s s o n a p o s t e r i d a d e , r e f e r i m o - n o s a o s p r i n c i p i o s t e 6 r i c o s 
d a i m i t a < ; ä o q u e e l e c o m p i l o u e c u j o e c o e p e r c e p t i v e l n o s t r a t a d o s 
d e p o e t i c a e d e r e t 6 r i c a , d e s d e a A n t i g u i d a d e a o R o m a n t i s m o . 
Q u i n t i l i a n o t o m o u , p o i s , a l g u n s p r i n c i p i o s c o l i g i d o s p o r D i o n i -
s i o e u s o u - o s h a b i l m e n t e n a s u a I n s t i t u i c ; i i o O r a t 6 r i a . P a r c o n -
s e g u i n t e , a i n f l u e n c i a d e D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o e v a s t a e , p o r 
i n t e r m e d i o d e Q u i n t i l i a n o , a t r a v e s s o u v a r i o s s e c u l o s . 
N ä o s , e t r a t a d e r e f e r i r a q u i t o d o s o s g r a n d e s t e 6 r i c o s q u e 
v i e r a n 1 d e p o i s ; f a l a r e m o s a p e r r a s d e a l g u n s q u e , n ä o s e n d o o s m a i s 
f a m o s o s , f o r a m , n o e n t a n t o , b a s t a n t e r e p r e s e n t a t i v o s n a s u a e p o c a 
e n o s e u m e i o . E s t e s a u t o r e s , q u e p r o c u r a v a m d e f i n i r n o r m a s 
p a r a u 1 n a l i t e r a t u r a n o v a , e s f o r < ; a v a m - s e p o r t o m a - l a d i g n a d a s 
l i t e r a t u r a s a n t i g a s , g r e g a e l a t i n a , q u e l h e s f o r n e c i a m o s m o d e l o s 
e a s r e g r a s . C o m e f e i t o , o s s e u s e n s i n a m e n t o s g i r a m s e m p r e a v o l t a 
d o e s t u d o c o m b i n a d o d a P o e t i c a e d a R e t 6 r i c a d e A r i s t 6 t e l e s e d a 
A r t e P o e t i c a d e H o r a c i o p e r s i s t e n t e m e n t e c o m e n t a d a s ; p o r o u t r a s 
p a l a v r a s , c o n s t r u i r a m a s u a d o u t r i n a c o m b a s e n a d o u t r i n a d e 
Q u i n t i H a n o . 
N a I d a d e M e d i a , n a d a d e i m p o r t a n t e o c o r r e u a n ä o s e r a 
s u b s t i t u i < ; ä o d e m o d e l o s . V e j a - s e , p o r e x e m p l o , c o m o S a n t o A g o s -
4 0 
Ecos do Tratado da Imita9äo 
tinho, cheio de remorsos, recorda o passado da sua alma pecadora 
e na:rra nas Confissoes, V, 1, 6 a decep~äo que lhe dera a Biblia 
«indigna de se confrontar com a grandiosidade de Cicero». 
Na mesma epoca, Säo Jer6nimo declarava numa carta a Eust6-
quio (XXII, 30): « ... e Plauto chegava-me as mäos. Mas se voltava 
a mhn e comegava a ler um profeta, o seu estilo inculto horro-
rizava-me». Corno se depreende, Santo Agostinho e Säo Jer6nimo, 
sob o veu de antipaganismo, nada mais fazem que repetir os 
principios chissicos imbuidos de cita~öes dos modelos biblicos. 
No seculo XIII, persistindo no mesmo paradoxo, Säo Tomas de 
Aquino reafirma os principios dos Antigas que simultaneamente 
oondena. 
Examinemos, agora, o que Quintiliano teni aproveitado de 
Dionisio: s~erve-se da complexa nomenclatura do seu antecessor 
que traduz em latim e a que acrescenta vanios termos. Veja-se que 
D1onfsio de Halicarnasso, quando elogi·a as qualidad·es de Homero 
no frag. VI, II descreve: o ethos, o pathos, o megethos e a oikono-
mia, enquanto Quintiliano, para qua1ificar o es:tilo homerico, amon-
toa uma enorm·e serie de vocabulos ( Inst. Orat., X, I, 46-51): 
sublimitas, proprietas, lcetus, pressus, iucundus, grauis, copia, bre-
vitas, amplificationes, digressus, poetica virtus, oratoria virtus, 
adfectus, similitudines. Quintiliano deveria ter restringido as suas 
palavras, pois parece querer ap1icar, a for~a, a sua cit~ncia em 
Homero que era, no entanto, mai~s conhecido pela sobriedade que 
por esse aglomerado confuso de termos. Arpresenta, tambem, um 
oatalogo de escritores onde figuram todos os que Dionisio indicara 
e, ainda, poetas al·exandrinos e autores romanos. Este costume de 
apresentar um repert6rio demodelos ilustres para serem seguidos, 
persistiu nas poeticas posteri.ores. 
Com ef·eito, Escaligero (1484-1558) 3 repete a mesma lista de 
Gregos ·e de Romanos e junta-lhes alguns contemporäneos italianos. 
3 Escaligero (1484-15558). Por meio da sua obra Poetices libri septem que 
constitui uma reelaborac;äo muito aumentada da poetica aristotelica, siste-
matiza a doutrina estetica italiana do sec. XVI. Este tratado foi publicado 
em 1561 e varias vezes reimpresso; difundiu, com especial impacto em Franc;a, 
as conclusöes da especulac;äo renascentista italiana acerca de determinadas 
questöes esteticas. 
41 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a r ; i i o 
0 g o s t o d a s u a e p o c a e s t a v a j a u m p o u c o m u d a d o e v e m o - l o 
d e f e n d e r a s u p e r i o r i d a d e d o s R o m a n o s s o b r e o s G r e g o s e a t a c a r 
c o m u m a e x c e s s i v a e n e r g i a , E r a s m o . 
A l g u n s s e c u l o s d e p o i ! s , M . V . L o m o n o s o v ( 1 7 1 1 - 6 5 ) 
4 
i n d i c a O S 
m~esmos n o m e s d o c l a s s i c i s m o a n t , i g o , a c r e s c e n t a a l g u n s a u t o r e s 
f~a:nceses, p o l a o o s e r u s s o s n o B r e v e M a n u a l d a A r t e d e B e m f a l a r , 
p u b l i c a d o e m S . P e t e r s b u r g o . 
P . F o n t a n i : e r 
5
, n o s e c u l o X I X , e n u m e r a m a i s c o n c i s a m e n t e 
o s c l a s s i c o s a n t i g o s , m a s d a a p r i m a z i a a o s e s c r i t o r e s f r a n c e s e s 
A o b r a d i v i d e - s e e m s e t e 1 i v r o s : 
1 - H i s t o r i c u s t r a t a d a o r i g e m e g e n e r o s d a s c o m p o s i < ; ö e s p o e t i c a s . 
D e f i n e a p o e s i a e o q u e a d i f e r e n c i a d a c i e n c i a e d a h i s t 6 r i a . 0 p o e t a , 
a o c o n t r a r i o d o h i s t o r i a d o r , r e p r e s e n t a a s c o i s a s n ä o c o m o s ä o , 
m a s t a m b e m c o m o p o d e r i a m s e r . A o i m i t a d o r c o m p e t e n ä o s 6 e n s i n a r 
c o m o t a m b e m d e l e i t a r . M a s a o i m i t a r t a m b e m c r i a , p o i s n a r r a n d o 
a s c o i s a s r e a i s t r a n s f i g u r a - a s c o m o s e f o r a u m s e g u n d o D e u s . 
2 - H y l e t r a t a d a m e t r i c a . 
3 - I d e i a e x a m i n a o s t e m a s e a s f i g u r a s r e t 6 r i c a s d a p o e s i a . 
4 - P a r a s c e v e e s t u d a o s c a r a c t e r e s e a e x p r e s s ä o . 
5 - C r i t i c u s e s t a b e l e c e u m a compara~äo e n t r e o s e s c r i t o r e s g r e g o s e o s 
l a t i n o s c o m p a r t i c u l a r i n c i d e n c i a s o b r e H o m e r o e V i r g i l i o : H o m e r o 
p a r e c e - l h e r u d e e p r i m i t i v o e n q u a n t o V i r g i l i o e e l e g a n t e e b e l o . 
6 - H i p e r c r i t i c u s c o n t e m u m a h i s t 6 r i a d a p oe s i a l a t i n a . 
7 - E p i n o m i a r e c a p i t u l a a l g u n s c o n c e i t o s g e r a i s e n o r m a s e s p e c i f i c a s 
d a composi~äo d a t r a g e d i a . 
4 M i h a i l V a s s i e l e v i t c h L o m o n o s s o v ( 1 7 1 1 - 6 5 ) . F o i s i m u l t a n e a m e n t e q u i -
m k o , f i s i c o , g r a m a t i c o , p o e t a e t e 6 r i c o d a l i t e r a t u r a . D a s s u a s o b r a s l i t e r a -
d a s h a a d e s t a c a r : E p i s t o l a s o b r e a s r e g r a s d a v e r s i f i c a 9 i i o r u s s a ; D i a l o g o 
c o m A n a c r e o n t e ( c i c l o p o e t i c o o n d e d i s c o r r e s o b r e o p r o b l e m a d a inspira~äo); 
A c e r c a d a u t i l i d a d e d o s l i v r o s e c l e s i d s t i c o s e B r e v e m a n u a l d a a r t e d e b e m 
f a l a r . E s t a u l t i m a p u b l i c a d a e m 1 7 4 3 s e g u e f i e l m e n t e o e s q u e m a d a s r e t 6 -
r i c a s c l a s s i c a s c o m a p r i m e i r a p a r t e r e s e r v a d a a inven~äo, disposi~äo e 
elocu~äo e a s e g u n d a a s f i g u r a s d e e s t i l o . 
s P i e r r e F o n t a n i e r , p u b l i c o u e m 1 8 1 8 a s F i g u r a s d o D i s c u r s o , u m d o s 
m a i s r e p r e s e n t a t i v o s t r a t a d o s d a r e t 6 r i c a f r a n c e s a d a e p o c a , s e n d o p o r i s s o 
a d o p t a d o c o m o m a n u a l o f i c i a l n a u n i v e r s i d a d e e p o r e l e e s t u d a r i a m a l g u m a s 
g e r a 9 ö e s d e h o m e n s d e l e t r a s . P o u c o s e s a b e d o s e u a u t o r , s e n ä o q u e t e r i a 
l e c c i o n a d o n u m c o l e g i o d a A r d e c h e . A p a r t i r d e 1 8 5 0 n a d a m a i s s e s a b e d e l e . 
4 2 
Ecos do Tratado da Imita9ao 
do secuJo XVII e a Shakespeare, que os romanticos haviam redes-
ooberto. 
Dionisio de Halicarnasso fala dos historiadores como dos 
outros escritores, poetas ou dramaturgos, tratando apenas da 
questäo estilistica; Quintiliano segue esse exemplo e acrescenta 
alguns nomes (o pr6prio Dionisio e PoHbio) ao catalogo do autor 
G11ego. EscaHgero, que conserva na sua poetica um capitulo para 
a histr6ria, teve a preocUipa~äo de dist:iJnguirr as fun~öes do poota 
das do historiador: na sua perspectiva, o pdmeiro, ao contrario do 
segundo, näo se H.mita a imitar as coisas como elas säo, po1s as 
apresenta tambem como elas podedam ser. Os te6ricos das epocas 
seguintes, baniram a hist6da dos trart:ados de Ret6rica. 
Outra caracteristica de Dionisio, quese reflecte em QuintHtiano, 
e a inexistencia de fronteiras entre a escultura, pintura, ret6rica 
e rpoesia. Ambos divagam de uma arte para a outra sem a menor 
transi~äo. Erssa perspectiva globalizante interrompeu-se do seculo 
XIV ao seoulo XVIII e recome~u no seculo XIX. 
Ern suma, a tese de Dionisio de Halicarnasso percorreu todas 
as epocas com diversas variantes e subsiste ainda um pouco nas 
actuairs teorias da cria~äo arHstica. 
43 
DIONlSIO DE HALICARNAS,SO 
TRATADO DA IMITAQAO 
LIVRO PRIMEIRO 
0 primeiro deles contem a propria pesquisa 
acerca da imita~äo. 
DIONISIO 
I 
A ret6rica e a actividade 1 da arte do discurso com credibili-
dade 2, utilizado na interven~äo pub1ica 3 e tem como finalidade 
o hem falar 4• 
A presente tradu9äo assenta no texto de H. Usener- L. Radermaoher, 
Dionysii Halicarnassei qw:e exstant, vol. VI, opuscula II, Estugar:da (1904-1929), 
1965, pp. 197-217. No texto portugues näo se distingue graficamente o texto 
de D. H. dos textos das muitas fontes utilizadas que o citam e o comentam, 
como e o caso de Doxopater e de outros A.A. que se seguem ao frag. I. 
Assim acontecera com todos os frags. As obras de teoria literaria de D. H. 
publicadas ja, com texto e tradw;äo, nas coleq;öes Loeb e Belles Lettres 
ainda näo compreendem este tratado, de que näo existe tradu9äo recente. 
0 texto da Institutio oratoria de Quintiliano, a que a seguir se recorre 
com frequencia, encontra-se publicado por L. Radermacher, Leipzig, Teubner, 
1907-1935; e, com tradu9äo, por H. E. Butler, Londres, Loeb, 1921-1922 (Reimp. 
1966-1969) e por J. Cousin, Paris, «les Beiles Lettres», 1975-1980. 
1 Actividade da arte pretende traduzir dynamis technike. Ern Arist6teles 
«le mot de techne est-il souvent rapproehe de celUJi de faculte (dynamis). 
La techne est une faculte de ceer ou plutöt elle guide et soutient par sa 
methode notre faculte creatrice» (Dufour, Aristote, Rhetorique, Paris, «Les 
Beiles Lettres», 1960, 2.a ed., t. I, p. 31). Para o conceito de techne em Arist6-
teles, vid. Eth. Nie., VI, 4, 1140a 6 ss. 
45 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a Imita~iio 
Do~opater i n W a l z 1 i r h e t o r i b u s t V I p 1 7 , 9 ( c f p r o l e g i n A p h t h o -
n i u m i n M o n t e f a l o o n t i . b i b L i o t h e c a C o i s l i n p 5 9 3 e t p r o l e g i n H e r m o -
g e n e r n t I V p 2 5 , 3 1 ) . P o s t e r i o r m e n t e , p o r e m , n o t e m p o d e C 6 s a r 
A u g u s t o , D i o n i s i o , p r o v e n i e n t e d e u r n a f u m i l i a d e H a l i c a r n a s s o , 
q u e f o i o g r a n d e m e s t r e d a n o s s a a r t e e s e u v e r d a d e i r o p a i , d e u 
d a r e t 6 r i c a u m a defi:ni~äo i n t e l i g e n t e e a d e q u a d a , q u . a n d o d i s s e : 
« A r e t 6 r i c a . . . b e r n f a l a r » . N a v e r d a d e , e s t a defini~äo e t i d a c o m o 
b o a e m u i t o s a b i a , p o i s n ä o d i z d e . m e n o s n e m d e m a i s e r e m a s 
c a r , a c t e d s t k a s p r 6 p r i a s d a s defini~öes, q u e r d i z e r , e c o n s t i t u i d a 
p o r g e n e r o · e p o r dif,wen~as g e n e r i c a s e e s p e c i f i c a s . A o d i z e r « a o t i -
v t i d a d e » , : i l n d i c o u o g e n e r o , p o r q u e u m a a c t h n i d a d e p o d e s e r c o m 
a r t e o u s e m a r t e . A o d i 2 1 e r « d a a r t e » , i n d i c o u a ·diferen~a. M a s 
a o r e s c e n t o u u m a s e g u n d a diferen~ a o d i z e r « C O m c r e d i b i l i d a d e » . 
D e p o i s , v i s t o q u e n ä o e a p e n a s o r e t o r q u e p o s s u i c r e d i b i l i d a d e 
m a s t a m b e m a m · e d i c i n a e a g e o m e t r i . a ( m e s m o n e s t a s m a t e r i a s 
a s demonstra~öes n ä o d e v e m s~er d e s p r o v l i d a s d e p e r s u a s ä o , p e l o 
o o n t n i r i . o , d e v e m s e r c o n v i n c e n t e s ) , e l e j u n t o u a l g o q u e e e s p e c i f i c o 
2 
B s t a d e f i n i < ; ä o a s s e n t a e m p r e s s u p o s t o s d e f i n i d o s p o r G 6 r g i a s , q u e , 
s e g u n d o P l a t ä o , F e d r o 2 5 7 B e s s . , b a s e o u a r e t 6 1 1 i c a n a o p i n i ä o , n a p e r s u a s ä o 
e n o v e r o s i m i l . A p e s a r d e v i v a m e n t e c r i t i c a d a p o r S 6 c r a t e s - P l a t ä o , e s t a t r i p l i c e 
f u n d a m e n t a < ; ä o d a r e t 6 r i c a f o i r e e l a b o r a d a p o r A r i s t 6 t e l e s e , a p a r t i r d e s t e , 
r e t o m a d a p o r D i o n . H a l k . C f . D u f o u r , A r i s t o t e , R h e t o r i q u e , P a r i s , « L e s B e l l e s 
L e t t r e s » , 1 9 6 0 , 2 . a e d . , t . I , p p . 5 - 1 4 . 
3 P o r i n t e r v e n 9 i i o p u b l i c a d e v e r i : a e n t e n d e r - s e a l e t r a a s s u n t o s p o l i t i c o s . 
E s t a e x p r e s s ä o i n c l u i t r e s g e n e r o s d e d i s c u r s o : j u d i c i a l ,d e l i b e r a t i v o e d e m o n s -
t r a t i v o . C f . L a u s b e r g , E l e m e n t e d e r L i t e r a r i s c h e n R h e t o r i k , M ü n c h e n , M a x 
H u b e r V e r l a g , 1 9 6 7 ( t r a d . p o r t . d e R . M . R o s a d o F e m a n d e s , E l e m e n t o s d e 
R e t 6 r i c a L i t e r d r i a , L i s b o a , F u n d a < ; ä o C a J o u s t e G u l b e n k i a n , 1 9 7 2 , 2 .
8 
e d . , p p . 7 5 
e 8 3 - 8 5 ) . V e r t a m b e m A r i s t 6 t e l e s , R h e t . , I , 3 , 1 3 5 8 a , 3 0 - 1 3 5 9 a , 2 9 . 
4 
S o b r e a defini~_;äo d e r e t 6 r i c a c f . A r i s t 6 t e l e s , R h e t . , I , 2 , 1 3 5 5 b , 2 5 - 3 4 : 
« S e j a , p o i s , a r e t 6 r i c a a f a c u l d a d e d e d e s c o b r i r e s p e c u l a t i v a m e n t e , e m c a d a 
c a s o , o q u e e p r 6 p r i o p a r a p e r s u a d i r » . A c t i v i d a d e d a a r t e e m D i o n . H a l i c . 
c o r r e s p o n d e e m A r i s t 6 t e l e s a f a c u l d a d e d e d e s c o b r i r e s p e c u l a t i v a m e n t e . 
N u m e n o u t r o c a s o , e s t a s u b j · a c e n t e a i d e i a d e q u e a r e t 6 r i c a e o c o n h e c i -
m e n t o e s p e c u l a t i v o d o s m e i o s q u e t o r n a m p o s s i v e l a produ~_;äo d o d i s c u r s o 
p e r s u a s i v o ( p i t h a n o s ) e , p o r t a n t o , c o m c r e d i b i l i d a d e , e m D i o n . H a l i c . , o m e s m o 
q u e o q u e e p r 6 p r i o p a r a p e r s u a d i r , e m A r i s t 6 t e l e s . D i o n . H a l i c . , a o r e s c e n -
t a n d o « e t e m c o m o f i n a l i d a d e o b e m f a l a r » , c o n f e r e a r e t 6 r i c a u m o b j e c t i v o 
a r t i s t i c o - l i t e r a r i o , a p e n a s i m p l i c i t o e m A r i s t 6 t e l e s . C f . D u f o u r , o p . c i t . , p . 3 1 . 
V i d . a i n d a A r i s t 6 t e l e s , R h e t . , I , 4 , 1 3 5 9 b , e C i c e r o , D e i n v . , I , V . 
4 6 
Dionisio de Halicamasso: Tratado da Imita9äo 
da ret6riea, algo que outra art~e näo pode possuir. E em que con-
siste esse algo? Consiste «na interven<;äo publica». Associado a 
defini<;äo esta ainda «e tem como finaHdade o bem falar», ja que 
toda a arte que näo tem como finalidade 0 bem e 0 belo e ma, 
falsa ou vä. 
prolegomena statuum Hermog t VII p 15,3 (et apud Spenge-
Hum Art script p 218, 7). E uns, ao contni:rio de outros, fazem 
a defin:i<;äo tomando oomo referenoia o 6dio e o prazer. Dionisio 
de Halicarnasso, que näo admi,tia a «gra<;a» de uns e detestava 
a <dnjuria» dos outros, deu-lhe uma defini<;äo adequada, ao dizer: 
«A ret6r:iea ... bem falar». 
epitome artis in Walzii eor:pore t III p 611. A ret611ica e a 
arte que consiste na aetividade do discurso utilizado na inter-
ven<;äo pubHca e tem como finalidade o falar com credibilidade 
segundo as circunstänoias. Ou, segundo Dionisio, «A ret6rica ... 
bem falar». 
Dm~opater in Aphthonium ibid t II p 104, 7. Define-a de novo 
Dionisio Tnicio assim: «A ret6rica ... bem falar». Mas tambem esta 
defini<;äo e ma, porque nela e dado como finalidade da ret6rica 
aqui1o que näo e s6 dela mas tambem de algumas outras artes, 
quando o que e precisü e que se näo deem varias finaHdades a 
uma ac<;äo nem uma s6 finalidade a mui tas. 
Maximus Planudes proleg rhet ibid t V p 213,22 (in Spengelii 
Art seript p 223, 29). Dionisio de Halicarnasso, assim: « Uma activi-
dade da arte do discurso com eredibi1idade utilizado na inter-
ven<;äo pubHoa e tem como finalidade o falar oom er~edibilidade 
segundo as circunstäncias». Mas pa11eoe definir a ret6rica melhor 
que os restantes o que assim a deHniu: «A !iet6riea e a arte que 
consist~e na aetividade do diseurso utilizado na interven<;äo publica 
e tem como objectivo o falar eom credibHidade segundo as eir-
euns täncias ». 
Sopater proleg in Hermog t V p 17, 17. Loliano propöe esta 
belissima defini<;äo de ret6rica: «Actividade da arte ... bem falar». 
Actividade e o genero; por isso acresoentou «do discurso». Depois, 
visto que tambem os fil6sofos Da~em disoursos, acreseentau «oom 
credibilidade». Com efeito, aqueles näo fazem discursos oom credi-
bilidade mas sim com ve11dade. Mas, porque tambem os medicos, 
muitas vez·es, exercem a actividade do discurso oom credibilidade, 
47 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a 9 i i o 
a c r e s o e n t o u « u t i 1 i z a d o n a i n t e r v e n < ; ä o p u b l i c a » . P a r a d i s t i n g u i r o 
d i s c u r s o v u 1 g a r q u e o s q u e n ä o t i v e r a m i n s t r u < ; ä o t a m b e m f a z e m 
e q u e e , a s v e Z i e s , u m d i s c u r s o c o m c r e d i h i l i d a d e , a c r e s c e n t o u 
« d a a r t e » : n a ve~dade, o s o~adores f a l a m c o m a r t e . 
p r o l , e g o m , e n a r h e t i b i d t I V p 2 5 , 6 . D i g a m o s a d e f i n i < ; ä o d a q u e -
l e s q u e a c o n s i d e r a m u m a a r t e . E e 1 a a s e g u i n t e : « A r e t 6 r i c a . . . 
b e m f . a l a r » . 
s c h o l i a i n A p h t h o n i u m i b i d t I I p 2 , 1 . 0 q u e e a r e t 6 r i c a ? 
« A a c t i v i d a d e . . . b e m f a l a r » . 
s y n o p s i s v h e t i b i d t 1 1 1 p 4 6 1 , 1 9 . A d e f i n i < ; ä o d e r e t 6 r i c a d i z 
q u e « · a '~et6rka e a a c t i v i J d a d e d a a r t e d o d i s c u r s o c o r n c r e d i b i l i -
d a d e » , p o r c a r u s a d a a r t e d o c a ! i p i n t e i r o e d e o u t r a s a c t i v i d a d e s 
e a r t e s m e c ä n i c a s . D i z « u t i l i : z ; a d o n a i n t e r v e n < ; ä o p u b l , i c a » p o r c a u s a 
d a g r a m a t i c a e d a d i . a l e c t i o a , a p d m , e i r a d a s q u a i s t r a t a d o r i t m o , 
d a i n t e n s i d a d e , d a e n t o a < ; ä o e d a e x p r e s s ä o p a t e t i c a d o s d i s c u r s o s ; 
a o u t r a t r a t a d e t o d a s a s o o i s a s . E · q u a n t o a « e · t e m c o m o f 1 i n a l i -
d a d e o b e m f a l , a r s e g u n d o a s c i r c u n s t a n c i a s » , e i s t o t o m a d o d a s u a 
p r 6 p d a f i n a l i d a d e . C o m e f . e i t o , n e r n s e m p r e o o r a d o r c o n v e n c e , 
c o m o , a l g u m a s v e z . e s , f a l h a o o b j . e c t i v o . E p r e c i s o , p o r t a n t o , q u e 
e l e l e v · e a t e a o f i r n o s p r i n c : i i p i o s d a p e r s u a s ä o . 
I I 
T r e s s ä o a s o o i s a s q u e n o s h ä o - d e p r o p o r c i o n a r o m a i s a l t o 
g r a u d e d e s t r e z a n o s d i s o u r s o s d e i n t e r v e n < ; ä o p u b l i c a , b e m c o m o 
e m q u a l q u e r a r t e o r u c i e n d a : u m a n a t u r e z a d o t a d a , u m e s t u d o 
a t u r a d o e u m a · e X ! e r o i t a < ; ä o d i 1 i g e n t e . E s s a s t r e s p a l a v r a s f o r m a m 
u m p e o n 
5
• 
5 E s t a e u m a d a s q u e s t ö e s q u e p e r c o r r e t o d a s a s r e f l e x ö e s d o s t e o r i z a -
d o r e s d a c r i a < ; ä o l i t e n i r i a d a A n t i g u i d a d e e q u e s e r e p e r c u t e n o s s e u s c o n g e -
n e r e s h u m a n i s t a s d o s e c s . X V I , X V I I e X V I I I . A o b r a l i t e r a r i a r e s u l t a d a 
a p r e n d i z a g e m d e r e g r a s e s u a a p l i c a < ; ä o ( p a p e l a t r i b u i d o a t e c h n e ) e d a l i v r e 
e x p a n s ä o d a s c a p a c i d a d e s n a t u r a i s ( p a p e ld a p h y s i s ) . C o m v a r i a < ; ö e s d e 
p o r m e n o r a s o l u < ; ä o a d o p t a d a p e l o s t e o r i z a d o r e s c l a s s i c o s f o i s e m p r e a d a 
c o m p l e m e n t a r i d a d e e n ä o d a o p o s i < ; ä o e n t r e a r t e e n a t u r e z a . C f . J . B o m p a i r e , 
L u c i e n e c r i v a i n , P a r i s , B r o c a r d , 1 9 5 8 , p p . 1 5 - 1 9 , q u e , e m n o t a s d e r o d a p e , 
r e f e r e o s p a s s o s d o s a n t i g o s m a i s s a l i e n t e s p a r a e s t a q u e s t ä o e t a m b e m 
b i b l i o g r a f i a a c t u a l i z a d a . 
4 8 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imitar;äo 
Syr.ianus in Hermogenis status p 4, 19 Rah (t IV p 40 adn 6 
WaJzH cf MorellH bibliothecre manuscriptre t I p 299). Dionis:io-
..o-Velho, seguindo o divino Platäo, diz, no primeiro livro Da i.mita-
9äo, que «tres säo as coisas ... formam um peon». Com efeito, 
oomo s·e prodUZJiria o conhooim·ento da vefldade e da justi~ e ainda 
mais a cü~ncia e a pnitica do belo no homem que aprende a falar 
a partir da fala, etc. 
soho1ia mixta Aldi et Walzii t IV p 41, 1. Mas tambem Dionisio 
de Halicarnasso sustenta que «essas tres coisas proporcionam o 
mais alto gmu de destreza nos disouPsos de interven~äo pubhlca 
bem como em qualquer arte ou ciencia: um estudo aturado, uma 
natureza dotada, uma exerci1Ja~äo di1igente». Ern virtude di·sso, 
Dem6stenes merece aprova~äo nos gener.os juditCial e deliberativo, 
mas menos no genero demonstrativo, porque, embo['a exacto, tern 
falta de pnitica. 
III 
A imita~äo e uma actividade que, segundo det·ei'Illlinados prin-
cipios te6ricos, refunde um modelo 6• 
A emula~äo, por sua vez, e uma actividade do espidto que 
o move no sentido da admira~äo daqruilo que lhe parrece ser belo 7• 
As tres palavras que no texto grego formam um peon säo: physis, 
mathesis, askesis (natureza, aprendizagem, exercita9äo). 
s Por mimesis, entenderam os antigos, no sentido filos6fico, a imita9äo 
do mundo real, ou seja, a recria9äo 1iter:kia de costumes, caracteres, com-
portamentos, ac9öes, etc. Sem perder de yista esta perspectiva, os teoriza-
dores da ret6rica reservaram o termo mimesis para designar a imita9äo 
de uma obra liteniria, nos seus mais variados aspectos de conteudo, esrtilo 
e linguagem. Condenada por Platäo, Rep., 597 e, 602 b-c, a teoria da imita9äo 
foi consagrada por Arist6teles, partkularmente na Poet., passim. Dos estudos 
mais completos sobre o assnnto, ficou-nos o de Quintiliano, De imit., no 
Livro X da I. 0., o qual se serviu de Dion. Halic. Sobre o alcance da im.ita9äo 
na teoria literaria da Antiguidade vid. D. A. Russel, «De imitatione» in David 
West and Tony Woodmann, Creative Imitation and Latin Literature, Cam-
bridge, Cambridge University Press, 1979, pp. 17-34; J. Bompaire, Lucien 
ecrivain, Paris, Brocard, 1958, pp. 21-32. 
7 A julgar por esta defini9äo, Dion. Halic. faz da em.ula9äo uma pre-
disposi9äo de espirito. Atente-se, porem, que uma defini9äo como esta, trun-
cada do contexto, pode näo ser represen!tativa do pensamento do seu autor. 
49 
4 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a l m i t a 9 ä o 
S y r i a . n u s i n H~ermog d e f o r m i s p 3 , 1 6 R a h ( t V I I p 8 6 5 , 8 
W a l z i i c f M o r e l l i i b i b l m a n u s c r p 3 0 3 ) . D i o n i s i o , n o l i v r o p r i m · e i f 1 o 
D a i m i t a 9 a o , d e f i n e a imita~äo d e s t a m a n e i r a : « A imita~äo . . . u m 
m o d e l o » . C o r n o d i z e m O S q u e s e l h e s e g u i r a m , e e l a u m d i s c u r s o 
o u ac~äo q u e c o n t e m u m a b e m s u c e d 1 d a semelhan~a d o m o d e l o . 
« A emula~äo, p o r s u a v e z . . . p a r e o e s e r b e l o » . 
M a x i m u s P l a n u d e s i b i d t V p 4 4 0 , 5 . D i o n i s i o d e f i n e a imita~äo 
d e s t a m a n e i r a : « A imita~äo . . . u m m o d e l o » . O s q u e s e l h e s e g u i r a m 
d e f i n e m - n a a s s i m : « A emu1a~äo, p o r s u a v · e z . . . p a r e o e s e r b e l o » . 
c f [ D i o n y s i u s ] a r t r h e t X 1 9 p 3 9 4 . N ä o d e v e m o s c o n s i d e r a r 
q u e o a f 1 c a i s m o : r : e s i d e n o c o n t e u d o d o s l i v f 1 o s , m a s s i m n o u s o d a 
semelhan~a. C o m ~ef.eito, a imita~äo n ä o e a utiHza~äo d o s p e n s a -
m e n t o s , m a s s i m o t r a t a m e n t o , o o m o a r r t e , s e m e l h a n t e a o d o s a n t , i g o s . 
E i m , i t a D e m o s t e r r e s n ä o a q u e l e q u e d i z o m e s m o q u e D e m o s t e r r e s , 
m a : s s i m o q u e d i z a m a n e i r a d e D e m o s t e n e s . E o m e s m o s e d i g a 
q u a n t o a P l a t ä o ~e a H o r n e : r : o . T o d a a imita~äo s e r e s u m e n i s t o : 
emula~äo d a a r t e q u e : r : e f u n d e a semelhan~a d o s p e n s a m e n t o s . 
Mai~s e x t e n s a s e n i a exposi~äo a c e r c a d a imita~äo q u e e m o u t r o 
l u g a r f a r e m o s . 
I V 
V i t a E p i p h a : n i i p 3 3 6 c P e t a u i i ( t I 2 5 , 2 0 D i n d ) . C o m e f e i t o , 
d i z i a D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o q u e a s p e s s o a s , e x a m i n a n d o - s e u m a s 
a s o u t r a s , p o d e m s e r m a i s b e l a s o u * * * S e o s m a u s s e J u n t a r e m 
a o s b o n s s e r ä o · e x p o s t o s n a m e s m a b a n c a . P o i s n e n h u m h o m e m 
q u e u s e u m a t u n k a r o t a c o n s e g u e p r o t e g e r o o o r p o . C o m e f e i t o , 
n a m a i o r p a r t e d a s v , e z e s e o a c a s o q u e n o s p r o p o r c i o n a a m a i o r 
p a r t e d o s d i s c u r s o s . E q u a n d o O S d i s c u r s o s s ä o e m m a ä . o r n u m e r o , 
m a i o r e a e x p e r i e n d a d e a s s u n t o s d i f e r e n t e s . 
P o r e m u l a c ; ä o d e v e e n t e n d e r - s e o e s f o r c ; o q u e l e v a o i m i t a d o r a i g u a l a r , 
s e n ä o a u l t r a p a s s a r , o p r 6 p r i o m o d e l o . F a l a n d o d a i m i t a c ; ä o , Q u i n t i l i a n o d i z : 
« S 6 p e l a i m i t a c ; ä o n ä o h a c r e s c i m e n t o » ( n i h i l a u t e m c r e s c i t s o l a i m i t a t i o n e ) 
( ' ! . 0 . , X , l i , 9 ) . E l o g o a c r e s c e n t a : « T a m b e m s e r ä o c e l e b r a d o s a q u e l e s q u e 
f o r e m c o n s i d e r a d o s c o m o t e n d o s u p e r a d o o s s e u s a n t e c e s s o r e s e e n s i n a d o 
o s s e u s s u c e s s o r e s » ( N a m e r i t h r e c q u o q u e l a u s e o r u m u t p r i o r e s s u p e r a s s e , 
p o s t e r a s d o c u i s s e d i c a n t u r ) ( 1 . 0 . , X , H , 2 8 ) . 
5 0 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imita9ao 
V 
SyPi:anus in Hermog de formis p 5, 25 Rah (t VII 2 p 868, 8 
Walzii cf Morelli bibl manuscr p 303). Foi ainda o pr6prio Dionisio 
que, na parte final do Hvro pri.meiro Da imitar;iio, ao tDatar do 
poder de esoolha e da capacidade nos discursos, disse que «O quinhäo 
mais importante da nossa capacidade Deside na natureza e näo e 
possivel que e1a exista em n6s com a qualidade que desejamos 
possuir; mas quanto a escolha, näo ha paroela que näo esteja 
nas nossas possibiLidades » 8 • 
E parece que o tratadista que abordou aque},es conceitos cuida-
dosamente tambem ele näo especirfioou a natureza qrue ha em n6s. 
schoHa mixta ibid. E ainda o pr6prio Dionisio, na parte final 
do quarto livro Da imitar;iio, diz que «do poder de escolha e da 
capacidadeo mais importante», etc. 
Nos proleg6menos de Siriano, ou seja, no tratado de Febd.mon 
dedicado a Herm6genes, que foi discutido por Rah (p 98,20-108, 2), 
e fd.cil convencermo-nos que muita materia foi extraida deste pri-
meiro livro de Dionisio. 
LIVRO SEGUNDO 
0 segundo trata das autores que se devem imitar: 
poetas, fil6sofos, historiadores e oradores. 
DIONJS/0 
VI 
I. Por isso, importa que oompulsemos as obras dos antigos 
para que dai sejamos orientados näo apenas para a materia do 
argumento mas tambem para o desejo de superar as particularida-
des dessas obras. Na verdade, pela observa9äo continuada, a mente 
8 Cf. nota 5. 
51 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a I m i t a r ; i i o 
d o L e i t o r v . a i a s s i m i l a n d o a s c a r a c t e r i s t i c a s d o g e n e r o , t a l c o m o 
a 1 e n d a d i z t e r a c o n t e c i d o c o m a m u l h e r d e u m c a m p o n e s . 
C o n t a • s e q u e u m c a m p o n e s , f e i o d e a s p e o t o , t i n h a r e c e i o d e s e 
t o r n a r p a i d e H l h o s semelhant~es a e 1 e . 0 m e s m o m e d o , p o r e m , 
e n s i n o u - 1 h e a a r t : e d e t e r H l h o s b o n i t o s . J u n t o u i m a g e n s b e l a s 
e h a b i t u o u a m u l h e r a c o n t e m p h i - l a s . D e p o i s , q u a n d o a e l a s e u n i u , 
c o n s e g u i u g e r a r a b e l e z a d a s i m a g e n s . D a m e s m a f o r r n a , c o m a s 
imita~öes d o s d i s c u r s o s s e g e r a a s i m : L l i t u d e , s e m p r e q u e a l g u e m 
p r o c u r a r i v a l i z a r o o m o q u e p a r e o e h a v e r d e m e l h o r e m c a d a u m 
d o s a n t i g o s e , c o m o q u e : r e u n i n d o d e v a : r i : a s n a s o e n t e s u m s 6 c a u d a l , 
o c a n a l i z a p a r a a s u a m · e n t : e 
9
• 
O c o r r e - m ' e c o n f i r m a r c o m u m e x e m p l o o q u e a c a b o d e d i z e r . 
Z e u x i s e r a u m p i n t o r m u i t o a d m i r a d o p e 1 o s h a b i t a n t e s d e C r o t o n a 
e e s t e s , q u a n d o e 1 e e s t a v a a p i n t a r u m n u d e H e l e n a , m a n d a r a m - n o 
v e r , n u a s , a s r a p a r i g a s d a c i d a d e , n ä o p o r q u e f o s s e m t o d a s b e l a s 
m a s p o r q u e n ä o e r a n a t u u a l q u e f o s s e m f e i a s s o b t o d o s o s a s p e c t o s . 
0 q u e e m c a d a u m a h a v i a d i g n o d e s e r p i n t a d o r e u n i u - o e l e n a 
figura~äo d e u m s 6 - o o 1 1 p o . A s s i m , a p a r t i r d a selec~äo d e v a r i a s 
p a r t e s , a a r t e r · e a l i z o u u m a f . o r m a u n i ! Q a , p e r f e i t a e b e l a 
1 0
• T a m b e m 
t u , d a m e s m a m a n e i m a , t e n s a p o s s i b i l t i d a d e d e p r o c u r a r n o t e a t r o 
f o r m a s d e a n t i g o s c o 1 1 p o s , d e o o l h e r o m e l h o r d o s e u e s p f d t o e , 
a o J u n t a r , e s a t u d o 1 i s t o o d o m d a erudi~äo, d e m o d e l a r n ä o u m a 
f i g u r a q u e s e : d e s g a s t a c o m o t e m p o , m a s s i m a b e l e z a i m o r t a l 
d a , a r t e . 
. . . S e a imita~äo t i v , e r p r e f e r e n c i a s e v i d e n t e s e c l a r a s p a r a o s 
q u e e s o u t a m . 
9 A absor~äo d a s v i r t u a l i d a d e s e x i s t e n t e s n o s m o d e l o s e s c o l h i d o s s u p ö e 
u m a l d t u r a c r i t i c a , u m a contempla~äo d o s m o d e l o s , a t i t u d e o p o s t a a d a q u e l e s 
q u e s e d e i x a m i m p r e g n a r i n c o n s c i e n t e m e n t e . S o b r e a i m p o r t a n c i a d a l e i t u r a 
n a t e o r i a d a imita~äo v i d . B o m p a i r e , L u c . e c r i v . , p p . 3 3 - 4 3 . C f . Q u i n t i l i a n o , 
I . 0 . , X , I , 1 9 : « A s s i m a l e i t u r a n ä o d e v e s e r c r u a m a s s i m a m a s s a d a c o m 
m u i t a repeti~äo e , c o m o q u e c o n f e c c i o n a d a , s e j a e n t ä o p a s s a d a a m e m 6 r i a 
e a imita~äo» ( i t a l e c t i o n o n c r u d a , s e d m u l t a i t e r a t i o n e m o U i t a e t u e l u t 
c o n f e c t a m e m o r i r e i m i t a t i o n i q u e t r a d a t u r ) . 
1 o A a n e d o t a d e Z e u x i s ( c . 2 2 2 - 1 8 9 a . C . ) t o m a a imita~äo n o s e n t i d o 
f i l o s 6 f i c o d e imita~äo d a r e a l i d a d e e n ä o n o s e n t i d o e s p e c i f i c a m e n t e r e t 6 r i c o . 
N o e n t a n t o , a s u a for~a s u g e s t i v a l e v o u o u t r o s t e o r i z a d o r e s a s e r v i r e m - s e 
d e l a a u d e e x e m p l o s d o m e s m o e s t i l o . C i c e r o d e s e n v o l v e - a I o n g a r n e n t e n o 
D e i n v . , I I , 1 . 
5 2 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imita{:äo 
II. Da poesia de Homero näo imites apenas uma determinada 
por~äo do seu corpo mas sim o todo, e procura rivalizar com 
os caracteres que nela se encontram, com as paixöes, com a subli-
midade, com a estrutura~äo e com todas as outras qualidades, 
transformadas em autentica imita~äo na tua obrn 11 • 
No entanto, importa ainda imi1tar outros naquilo em que sejam 
melhores. Com efeito, Hesiodo preooupa~ com o prazer que se 
obtem pela suavidade das pa:lavras e pela composi~äo harmoniosa 12• 
Antimaco, por sua vez, preocUJPa-se com o vigor, com a aspereza 
do dialogo agonistico e com a ahera~äo do que e habitua:l 13• 
11 Cf. Quintiliano, /. 0., X, I, 46-51. Homero vem sempre a cabe9a de 
qualquer lista, porque era considerado o poeta sem modelo que serviu de 
modelo a todos os outros. «Ele foi origem e exemplo pa.ra todas as partes 
do discurso» (Omnibus eloquentire partibus exemplum et ortum dedit) (Quin-
tiliano, ibid.). As qualidades essenciais de Homero (ethos, pathos, megethos, 
oikonomia) estäo reduzidas ao minimo em compara9äo com a lista que 
delas da Quintiliano: sublimitas, proprietas, lc:etus, pressus, iucundus, grauis, 
copia, breuitas, poetica uirtus, oratoria uirtus, adfectus, similitudines, ampli-
ficationes, exempla, digressus. A venera9äo por Homero levou Quintiliano 
a afirmar: «De :tal forma que e pr6prio de um grande escritor seguir-lhe 
as qualidades, näo para o superar, o que e impensavel, mas por escolha 
intelectual» (ut magni sit, uirtutes eius non remulatione, quod fieri non potest, 
sed intellectu sequi) (ibid.). A ideia de Dion. Halic. parece ser a mesma. 
12 Hesiodo (sec. VIII-VI1I a.C.) e tambem o segundo em Quintiliano, 
que dele refere «a leveza das palavras» (leuitas uerborum} CI. 0., X, I, 52). 
Vid. B. A. van Groningen, La Composition litteraire archa'i.que Grecque, 
Amsterdam, 1958. 
Edi9äo: F. Solmsen- R. Nerkel- W. L. West, OX!ford, Clarendon Press, 1970; 
P. Mazon, Paris, «Les Belles Lettres», 1951 (2.a ed., 1979); H. G. Evelyn- White, 
Loeb Class. Lib., Londres, 1936. 
13 Antimaco de C6lofon (t c. 350 a.C.), considerado precursor da poesia 
helenistica (A. Lesky, Hist6ria de la Literatura Griega, Madrid, Gredos, 1968, 
p. 669) e o terceiro tambem em Quintiliano (/. 0., X, I, 53): «Ern Antimaco 
merecem lauvor a for9a, a gravidade e um genero de discurso muito fora 
do comum» (Conitra in Antimaoho uis et grauitas et minime uulgare eloquendi 
genus habet laudem). Aiem de Quintiliano e de Dion. Halic. que volta a 
referir-se a Antimaco (De compos. uerb., 22), Plutarco emitiu sobre ele juizos 
cdtioos em Timol., 36 e De garrul., 21. 
Edi9äo: B. Wyss, Antimachi Colophonii Reliquic:e, Bedim, 1936. 
53 
D i o n i s i o d e H a l i ca r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a 9 ä o 
P a n i a s i s 1 1 e t i n e a s q u a l i d a d e s d e a m b o s , d i s t i n g u i n d o - s e e l e p r 6 p r i o 
n o t r a t a m e n t o e n a e s t r u t u r a c ; ä o q u e l h e e pr6pr~ia 
1 4
• 
T a m b e m P i n d a r o e d i g n o d e e m u l a c ; ä o p o r c a u s a d o v o c a b u -
l a r i o e d o s c o n c e h o s , d a m a g n i f k e n o i a , d a i n t e n s i d a d e , d a a b u n -
d ä n o i a d e o r n a t o s , d o v i g o r e d e u m a a m a r g u r a m i s t u r a d a d e p r a z e r ; 
e a i n d a p o r c a u s a d a d e n s i d a d e , d a m a j e s t a d e , d a s s e n t e n c ; a s , d a 
v i v r a d d a d e e p o r m e n o r d a s d e s o r i c ; ö e s , d a s f i g u r a s d e e s t i l o , d a 
e t o p e i a , d a a m p l i f i c a c ; ä o e d a e x a g e r a c ; ä o ; m a s , a c i m a d e t u d o , 
p o r c a u s a d o s c a r a c t e r e s v o l t a d a s p a r a a s a b e d o r i a , p a r a a p i e d a d e 
e p a r a a m a g n : i f i c e n o 1 a 
1 5
• 
D e S i m 6 n i , d e s d e v e s o b s e r v a r a s e l e c c ; ä o d o s v o c a b u l o s e o r i g o r 
d a o o m p o s i c ; ä o 
1 6
• A l e m d i s s o , o b s e r v a o m o d o c o m o s e l a m e n t a 
1 4 P a n i a s i s d e H a l i c a m a s s o ( t c . 4 5 0 a . C . ) , p r o v a v e l m e n t e t i o d e H e r 6 d o t o , 
e t a m b e m o q u a r t o d a l i s t a d e Q u i n t i l i a n o ( I . 0 . , X , I , 5 4 ) : « [ O s g r a m a t i c o s ] 
s ä o d e o p i n i ä o q u e P a n i a s i s , s e n d o u m m i s t o d e a m b o s [ d e H e s i o d o e A n t i -
m a c o ] , n ä o i g u a l a , n o d i s c u r s o , a s q u a l i d a d e s d e n e n h u m d e l e s , m a s q u e u m 
e s u p e r a d o p o r e l e q u a n t o a m a t e r i a e 0 o u t r o q u a n t o a composi~äo» 
( P a n y a s i n , e x u t r o q u e m i x t u m , p u t a n t i n e l o q u e n d o n e u t r i u s r e q u a r e u i r t u t e s , 
a l t e r u m t a r n e n a b e o m a t e r i a , a l t e r u m d i s p o n e n d i r a r t i o n e s u p e r a r i ) . 
V i d . R a d e r m a c h e r , M y t h o s u n d S a g e b e i d e n G r i e c h e n , V i e n a , 1 9 4 3 , 2 . a e d . 
Edi~äo: E . G . F . K i n k e l , E p i c o r u m G n e c o r u m f r a g m e n t a , L i p s i a , 1 8 7 7 . 
l 5 E n t r e P a n i a s i s e P i n d a r o ( c . 5 2 0 - c . 4 6 0 a . C . ) , Q u i n t i l i a n o i n t e r c a l a 
n a d a m e n o s q u e d e z p o e t a s , n o v e d o s q u a i s d a e p o c a h e l e n i s t i c a ( A p o l 6 n i o , 
T e 6 c r i t o , C a l i m a c o , e t c . ) , a m p l i a n d o o c ä n o n e d o s m o d e l o s r e s t r i n g i d o p o r 
A r i s t 6 f a n e s d e B i z ä n c i o e A r i s t a r c o d e S a m o s a o s e s c r i t o r e s a n t e r i o r e s a o 
s e c . I I I a . C . A o c o n t n i r i o d e Q u i n t i l i a n o , D i o n . H a l i c . f i c a - s e , p o i s , p e l o 
c l a s s i c i s m o g r e g o e m s e n t i d o r e s t r i t o . R e c o n h e c e n d o q u e P i n d a r o e o « p r i n c i p e 
d o s n o v e l i r i c o s » d o c ä n o n e , Q u i n t i l i a n o m e n c i o n a d e l e a s s e g u i n t e s q u a l i -
d a d e s : « T e m g r a n d i o s i d a d e n a inspira~äo, n a s f r a s e s , n a s f i g u r a s , n a q u e l a 
a b u n d ä n c i a t ä o f e l i z d e m a t e r i a s e d e p a l a v r a s , e r t a m b e m n a q u e l e c o m o 
q u e r i o d e e l o q u e n c i a » ( s p i r i t u m a g n i f i c e n t i a , s e n t e n t i i s f i g u r i s , b e a t i s s i m a 
r e r u m u e r b o r u m q u e c o p i a e t u e l u t q u o d a m e l o q u e n t i r e f l u m i n e ) ( I . 0 . , X , I , 6 1 ) . 
V i d . G . N o r w o o d , P i n d a r , B e r k e l e y , 1 9 4 5 ; M . U n t e r s t e i n e r , L a f o r m a z i o n e 
p o e t i c a d i P i n d a r o , M e s s i n a d ' A n n a , 1 9 5 1 ; J . D u c h e m i n , P i n d a r e p o e t e e t 
p r o p h e t e , P a r i s , 1 9 5 5 . 
Edi~öes: C . M . B o w r a , O x f o r d , 1 9 4 7 , 2 . a e d . ; A i m e P u e c h , « L e s B e i l e s 
L e t r r e s » , P a r i s , 1 9 4 9 - 1 9 5 8 ; A . T u r n y , O x f o r d , 1 9 5 2 ; J . S a n d y s , L o e b C l a s s i c a l 
L i b r a r y , L o n d r e s , 1 9 5 8 ; B . S n e l l , L i p s i a , T e u b n e r , 1 9 5 9 , 3 . a e d . 
1 6 E n t r e P i n d a r o e S i m 6 n i d e s ( c . 5 5 6 - c . 4 6 8 a . C . ) , Q u i n t i l i a n o i n s e r e 
E s t e s i c o r o e A k e u . A s s i m , a o r d e r n d o c ä n o n e d e D i o n i s i o e : P i n d a r o , S i m 6 -
n i d e s , E s t e s i c o r o , A l c e u ; a d o c ä n o n e d e Q u i n t i l i a n o e : P i n d a r o , E s t e s i c o r o , 
5 4 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imita9ao 
sem grandHoquencia mas em tom patetico, no que e considerado 
melhor do que o pr6prio Pindaro. Ve que Esteskoro se evidenciou 
mesmo nas qualidades de cada um dos poetas mencionados e como, 
sobretudo, lhes e superior naquilo em que eles deixam a desejar, 
refiro-me a magnificencia dos assuntos, nos quais observa os 
caract,eres e os valores das personagens, conforme os argurnentos 17• 
De Alceu examina a sublimi.dade, a brevidade e a suavidade 
oom veemencia, e ainda a linguagem fi·gurada e a clareza, que nele 
e rtlanta que em nada e prejudicadta por usar um d:iaJecto. E, antes 
de tudo, repara no canicter dos poemas politicos. Pois se alguem, 
em muHos passos, lhe retirasse a metvica, encontramia ret6rica 
poHtioa 18• 
Alceu, Sim6nides. De Sim6nides diz Quintiliano: «Sim6nides, menos inspirado 
aqui e ali, pode, no entanto, ser recomendado por um discurso que lhe e 
caracteristico e por uma certa alegria. Tem uma qualidade bem distinta 
que e a de provocar a com~o, a ponto de, neste particu:lar, alguns haver 
que o preferem a torlos os autores desse genero». (Simonides tenu:is alioqui, 
sermone proprio et iucunditate quadam commendari potest; prrecipua tarnen 
eius in commouenda miseratione uirtus, ut quidam in hac euro parte omnibus 
eius operis auctoribus prreferanrt:) (/. 0., X, I, 64). 
Vid. Br. Gentili, Simonide, Roma, 1959. 
Edi~äo: D. L. Page, Poetce Melici Grreci, Oxford, 1962; J. M. Edmonds, 
Lyra Grceca, Loeb Classical Library, Londres, 1922-1927. 
17 De Estesicoro (sec. VII- VI a.C.) diz Quintiliano: «Quanto ao valor 
do talento de Estesicoro, mostram-no as materias que tratou, porque canta 
as grandes guerras e os chefes mais distintos e, assim, sustenta na sua lira 
o peso da epopeia. Confere as suas personagens, tanto nas ac~öes como nas 
palavras, a dignidade que lhes e devida, e, se tivesse respeitado a medida, 
parece que teria podido emular com Homero a muito pouca distä.ncia. 
Mas e redundante e transborda, o que e digno de repreensäo, tal e o defeito 
da abundä.ncia» (Stesichorum, quam sit ingenio ualidus, materire quoque 
ostendunt, maxima bella et clarissimos canentem duces et epici carminis 
onera lyra sustinentem. Reddit enim personis in agendo simul in loquen-
doque debitam dignitatem, ac si tenuisset modum, uidetur remulari proximus 
Hornerum potuisset; sed redundat atque effunditur, quod est reprehenden-
dum, ita copire uitium est) (/. 0., X, I, 62). 
Vid. C. M. Bowra, Greek Lyric Poetry, Oxford, 1961, 2.a ed. 
Edi~äo: D. L. Page (n. 16); J. M. Edmonds, Lyra Grceca, Loeb Classical 
Library,Londres, 1922-1927. 
18 Alceu (c. 630- ? a.C.) foi considerado na Antiguidade como o poeta 
de Baco, das Musas e de Venus. Ao caracter dos seus poemas referem-se 
Cicero, Tusc., 4, 71, De nat. deor., I, 79 e Horacio, Carm., I, 32, 9. Cf. tambem 
55 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t Q . f ä o 
E n t r e m o s a g o r a n o c a p f t u l o d o s t r a g i c o s , n ä o p o r q u e n ä o h a j a 
v a n t a g e m e m a b o r d a r t o d o s o s p o e t a s , m a s p o r q u e n ä o h a o p o r t u -
n i d a d e d . e o s r e c o r o a r a t o d o s n a p r e s e n t e o b r a . D o s s e l e c c i o n a d o s 
b a s t a o q u e s e d i s s e . 
B s q u i J o f o i o p r i m e i 1 r o a u v i H z a r o e s t i l o s u b l i m e , d e t e n t o r d e 
m a g n i f i c e n c i a , c o n h e c e d o r d o q u e e a d e q u a d o a o s c a r a c t e r e s e a s 
p a i x ö e s , a d o r n a n d o - s e e m ! i n e n t e r n e n t e c o m u m a H n g u a g e m d e s e n -
t i d o p r 6 p r i o e H g u r a d o , s e n d o e l e m e s m o , e m m u i t o s p a s s o s , a r 1 : i f i c e 
e o m a d o r d e p a l a r v r m . s s o m e n t e s u a s e d e a s s u n t o s , m a i s v a r i a d o 
q u e E u r i p i d e s e S 6 f o c l e s n a apresenta~äo d a s p e r s o n a g e n s 
1 9
• 
Q u i n t i l i a n o , / . 0 . , X , I , 6 3 : « A l c e u m e r e c e s e r a g r a c i a d o c o m o p l e o t r o d e 
o u r o n a p a r t e d a o b r a e m q u e , a t a c a n d o o s t i r a n o s , m u i t o c o n t r i b u i p a r a 
o e s t u d o d o s c a r a c t e r e s ; n o d i s c u r s o e b r e v e , g r a n d i l o q u e n t e e e s f o r 9 a d o , 
e e m t u d o s e m e l h a n t e a u m o r a d o r . M a s b r i n c a e d e s c e p a r a o p l a n o d o s 
a m o r e s , s e n d o , c o n t u d o , m a i s a p t o p a r a t e m a s m a i s s u b l i m e s » ( A l c r e u s i n 
p a r t e o p e r i s ' a u r e o p l e c t r o ' m e r i t t o d o n a t u r , q u a t y r a n n o s i n s e c t a t u s m u l t u m 
e t i a m m o r i b u s c o n f e r t , i n e l o q u e n d o q u o q u e b r e u i s e t m a g n i f i c u s e t d i l i g e n s 
e t p l e r u m q u e o r a t o r i s s i m t i l i s ; s e d e t l u s i t e t i n a m o r e s d e s c e n d i t , m a i o r i b u s 
t a r n e n a p t i o r ) . D i o n . H a l i c . , p o r e m , i n s i s t e d e p r e f e r e n c i a n o s p o e m a s p o l i -
t i c o s d e A l c e u . 0 p r 6 p r i o Q u i n t i l i a n o a e l e s s e r e f e r e e m « t y r a n n o s i n s e c t a t u s » . 
D e f a c t o , a j u l g a r p e l o s s e u s p o e m a s , A l c e u , p e r t e n c e n t e a a r i s t o c r a c i a e 6 1 i c a , 
p a r t i c i p o u a c t i v a m e n t e n a l u t a c o n t r a a t i r a n i a q u e s e i m p l a n t o u r e p e t i d a s 
v e z . e s n a i l h a d e L e s b o s , a p 6 s a q u e d a d a reale~a. 
V i d . C . M . B o w r a , G r e e k L y r i c P o e t r y , O x f o r d , 1 9 6 1 , 2 . a e d . ; D . L . P a g e , 
S a p h o a n d A l c e u s , O x f o r d , 1 9 5 5 . 
E d i 9 ö e s : E . L o b e l - D . P a g e , P o e t a r u m L e s b i o r u m f r a g m e n t a , O x f o r d , 1 9 5 5 ; 
T h . R e i n a c h - A . P u e c h , A l c e e . S a p p h o . , « L e s B e l l e s L e t t r e s » , P a r i s , 1 9 3 7 
( R e i m p . 1 9 6 6 ) ; J . B d m o n d s , L y r a G r c e c a , L o e b C l a s s i c a l L i b r a r y , L o n d r e s , 
1 9 2 2 - 1 9 2 7 . 
1 9 P a r a a c r i t i c a l i t e n i r i a d e E . s q u i l o v i d . A r i s t 6 f a n e s , R ä s , 8 3 0 - 8 4 6 , 
9 0 7 - 1 0 6 2 . E . s q u i l o e c e n s u r a d o p o r t e r c r i a d o « p a l a v r a s g r a n d e s c o m o b o i s I 
c o m s o b r e c e n h o e p e n a c h o » ( v v . 9 2 4 - 9 2 5 ) , « C o r n o o L i c a b e t o I o u d o t a m a n h o 
d o P a r n a s s o » ( v v . 1 0 5 7 - 1 0 5 8 ) e , s o b r e t u d o , p o r i n v e n t a r p a l a v r a s d e s c o n h e c i d a s 
d o p u b l i c o , c o m o o c e l e b r e « g a l o - c a v a l o » ( v . 9 3 3 ) . C f . N u v e n s , 1 3 6 6 - 1 3 6 7 : 
« E U e n t e n d o q u e E s q u i l o e , m a i s q u e t o d o s O S p o e t a s , I c h e i o d e b a r u l h o , 
i n c o e r e n t e , g r a n d i l o q u o , c r i a d o r d e p a l a v r a s c o m o a b i s m o s » . ( A t r a d w ; ä o 
d o s v e r s o s d e A r i s t 6 f a n e s e d e M . H . R o c h a P e r e i r a , B e l a d e , C o i m b r a , 1 9 7 5 , 
3 . a e d . , p p . 3 5 5 - 3 6 3 ) . V i d . t a m b e m Q u i n t i l i a n o , I . 0 . , X , I , 6 6 , o n d e E . s q u i l o 
e c o n s i d e r a d o « t ä o s u b l i m e , g r a v e e g r a n d i l o q u o , q u e j a e d e f e i t o , m a s e m 
m u i t a s c o i s a s e r u d e e m a l t r a b a l h a d o » ( s u b l i m i s e t g r a u i s e t g r a n d i l o q u u s 
a d u i t i u m , s e d r u d i s i n p l e r i s q u e e t i n c o m p o s i t u s ) . 
5 6 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da lmitat;ao 
S6fodes distingue-se nos caracteres e nas paixöes, salvaguar-
dando a nobreza das personagens 20 • Ora a Eudpides agradou-lhe 
tudo o que fasse autentico e pr6ximo da actualidade da vida. 
E por :Lsso que em muitos passos se afasta do que e adequado 
e belo, e näo consegue obter, como o frizera S6focles, a nobreza 
e a magniticencia das personagens nos caracteres e nas paixöes. 
Pelo oontnirio, se algo ha de menos digno, de menos oorajoso 
e vulgar, e muito possivel ver entäo que o reproduz com rigor. 
S6focles e excessivo nas introdu<;öes ret6ricas 21 • Um e poetico 
Vid. W. B. Stanford, Aeschylus in his Style, Dublin, 1924; F. R. Earp, 
The Style of Aeschylus, Cambridge, 1948. 
Edi<;öes: U. V. Wilamowitz, Berlim, 1914 (reimp. 1958); G. Murray, Oxford, 
1955, 2.a ed.; P. Mazon, «Les Beiles Lettres», Pa11is, 1958, 7.a ed.; H. W. Smyth-
- R. Lloyd-Jones, Londres, Loeb, 1922-1926 (reimp. 1963). 
20 A synkrisis, ou seja, a critica comparativa dos tres grandes tnigicos, 
pöe em confronto, sobretudo, S6focles e Euripides, ao contrario do que 
fizera Arist6fanes. Ern Ras, 907-1062 e Nuvens, 1364-1372, o confronto e feito 
entre Esquilo e Euripides. Quintiliano (I. 0., X, I, 67-68) manteve no essencial 
a synkrisis de Dion. Halic.: «Ha Ieitores para quem a gravidade, o coturno 
[o pathos tnigico] e o som das palavras de S6focles parece ser mais sublime». 
(Quibus grauitas et cothurnus et sonus Sophocli uidetur esse sublimior). 
21 Euripides foi alvo da verve de Arist6fanes, nomeadamente em: Acar-
nenses, 400-484, por ter pinta.do com cores demasiado carregadas as miserias 
dos homens; As Mulheres que Celebram as Tesmof6rias, 5-21, por causa das 
suas teorias racionalizantes, e 385-422, por ter dado das mulheres uma imagem 
odiosa; Ras, 830-846, 907-1062, por ter introduzido na tragedia «coisas fami-
liares, de que nos servimos e nos rodeamos» (v. 959); Nuvens, 1371-1379, 
por, numa pe9a, contar como «Um irmäo violou ( ... ) sua irmä uterina» (v. 1372). 
(A tradu9äo dos versos de Arist6fanes e de M. H. Rocha Pereira, H elade, 
Coimbra, 1971, 3.a ed., pp. 357, 330). Quin!tiliano (I. 0., X, I, 68) revela as suas 
preferencias por Euripides: «[Euripides foi o que] mais se aproximou do 
genero orat6rio, na densirlade dos pensa.mentos ( ... ) e no dizer e no respander 
deve ser comparado aqueles que foram, no foro, eloquentes.De modo geral 
ele e adminivel na descri9äo das paixöes, mas facilmente se distingue quanto 
as personagens que se encontram em situa9äo digna de d6» (magis accedit 
oratorio generi, et sentenrtiis densus ( ... ) et dicendo ac respondendo cuilibet 
eorum qui fuerunt in foro diserti comparandus; in adfectibus uero omnibus 
mirus, turn in iis qui in miseratione constant facile prrecipuus est). 
Vid. Fr. Johansen, General Reflections in Tragic Rhesis, Copenhague, 1939. 
Edi9öes: G. Murra.y, Oxford, 1902, 1904, 1910; L. Meridier- L. Farmentier-
- H. Gregoire- F. Chapouthier, «Les Belles Lettres», Paris, 1923-1961; A. S. Way, 
Loeb Classical Library, Londres, 1912 (reimp. 1959). 
57 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i i a f a o 
n o v o c a b u l a r i o e , m u i t a s v e z e s , p r e c i p i t a n d o - s e d a m u i t a g r a n d e z a 
n o b o m b a s t i c o v a z i o , d e s c e , p o r e x e m p l o , p a r a a v u l g a r i d a d e d a 
v l i d a p r i v a d a , e m t o d a s a s f o r m a s . 0 o u t r o n ä o e s u b l i m e n e m 
h u m i l d e , m a s r e c o r r e a o m e i o t e r m o d o e s t i l o c o m p 6 s i t o . 
S ä o d e i m i t a r t o d a s a s q u a l i d a d e s e s t i l i s t i c a s d o s c o m e d i o -
g r a f o s . E i e s , c o m e f e i t o , o b s e r v a m a p u r e z a d o v o c a b u l a r i o , s ä o 
t r a n s p a v e n t e s , b r e v e s , s u b l i m e s , v e e m e n t e s , e p i n t a m f i e l m e n t e o s 
c o s t u m e s 
2 2
• D e M e n a n d r o d e v e t e r - s e e m c o n t a o m o d o c o m o t r a t a 
o s a s s u n t o s 
2 3
• 
I I I . D o s h i s t o r i a d o r e s e H e r 6 d o t o o q u e m e l h o r t r a b a l h a o 
a s p e c t o t e m a t i o o . T u c i d i d e s o r a l h e e s u p e r i o r n o a s p e c t o e s t i l i s t i c o 
o r a i n f e r i o r . M a s h a a s p e c t o s e m q u e s e i g u a l a m . C o m e f e i t o , a m b o s , 
e m v i r t u d e d o U S O ~exacto d a s p a l a v r a s , p r e s e r v a m 0 q u e e e s p e -
c i f i c o n o d i a l , e c t o q u e e s c o l h e r a m . A H e r 6 d o t o , p o r e m , s e c o n c e d e 
i n d i s c u t i v e l m e n t ' e o p r i m e i r o 1 u g a r n a c l a r e z a . E r n T u c i d i d e s e x i s t e 
a o o n d s ä o , e ' e m a m b o s a v i v a o i d a d e d a s descri~öes. N a descri~äo 
d o s c a r a c t e r e s e H e r 6 d o t o q u e d o m i n a , n a d a s p a i x ö e s e T u c i d i d e s . 
E m a i s u m a v e z e m n a d a s e d i s t i n g u e m u m d o o u t r o q u a n t o a 
e l e g ä n c i a e a s u b H m i d a d e , m a s a m b o s d o m i n a m e s t a s q u a l i d a d e s 
e o u t r a s d o m e s m o g e n e : r o . M a s q u a n t o a o v i g o r , a for~a, a i n t e n -
s i d a d e , a a b u n d ä n c i a e a vari~edade d e f i g u r a s , T u c i d i d e s e S u p e r i o r . 
P o r o u t r o l a d o , a c h a m o s H e r 6 d o t o d e I o n g e o m a i s n o t a v e l n o 
d e l e i t a r , n o p e r s u a d i ' r , n a g r a c ; a , n a s i m p l i c i d a d e , n a n a t u r a l i d a d e 
2 2 
A p r e c i a c ; a o i d e n t i c a e m Q u i n t i l i a n o ( 1 . 0 . , X , I , 6 5 ) : « A c o m e d i a a n t i g a 
n a o s 6 e q u a s e a u n i c a a m a n t e r a q u e l a c e l e b r e e p u r a g r a c ; a d e l i n g u a g e m 
a t i c a , c o m o e n o t a v e l p e l a m a i o r l i b e r d a d e d e e x p r e s s a o e s e d i s t i n g u e e m 
p r o f l i g a r o s v i c i o s » ( A n t i q u a c o m r e d i a c u m s i n c e r a . m i l l a m s e r m o n i s A t t i c i 
g r a t i a m p r o p e s o l a r e t i n e t , t u r n f a c u n d i s s i m r e l i b e r t a t i s e s t e t i n i n s e c t a n d i s 
u i 1 t i i s p r r e c i p u a ) . 
2 3 0 p a s s o e m q u e D i o n . H a l i c . a p r e c i a v a o s c o m e d i 6 g r a f o s g r e g o s 
c h e g o u a t e n 6 s m u i t o i n c o m p l e t o , a j u l g a r p e l o d e s e n v o l v i m e n t o q u e Q u i n t i -
l i a n o f a z d o a . s s u n t o . A l e m d e M e n a n d r o , a q u e m d e d i c a c e r c a d e v i n t e l i n h a s 
e c o n c e d e o p r i m e i r o l u g a r , Q u i n t i l i a n o f a l a d e F i l e m o n q u e « n a o p i n i a o 
d e t o d o s d e v e s e r c o n s i d e r a d o o s e g u n d o » ( c o n s e n s u t a r n e n o m n i u m m e r u i t 
c r e d i s e c u n d u s ) ( I . 0 . , X , I , 7 2 ) . V i d . A . B l a n c h a . r d , E s s a i s u r l a c o m p o s i t i o n 
d e s C o m c d i e s d e M e n a n d r e , P a r i s , 1 9 8 3 , c o m i n d i c a c ; a o d a s p r i n c i p a i s e d i c ; ö e s . 
5 8 
Dionisio de Halicamasso: Tratado da Imita9äo 
e na espontaneidade. Alt~m disso, tambem ele observa melhor o 
que e adequado a organiza~äo das materias e a cria~äo de perso-
nagens 24 • 
De Filisto e Xenofonte ... Xenofonte foi emulo de Her6doto 
nas qual,idades tematicas e estilisticas. No esbo<;ar dos temas näo 
e inferior a Her6doto quanto aos argumentos, a estrutura e a des-
cri<;äo das caracteres. No que respeita ao estilo, em oe1.1tos casos 
e semelhante, em outros, inferior. E selectivo e correcto no voca-
bulario, claro e porm~enorizado, suave e gracioso na composi~äo, 
a ponto de ser melhor do que Her6doto. Nunca logrou, porem, 
a1Jingi-r o sub1im~e nem a grandiloquencia, nem, de um modo geral, 
a composi~äo hist6rica. Com frequenoia näo vislumbrou o que era 
adequado as personagens, colocando, algumas vezes, na boca de 
partiou1ares e de barbaros discursos ~ilos6ficos, usando de um 
esülo m~ais adequado a dialogos do que a narra<;äo de feitos 
miHtares 25• 
24 0 mesmo tipo de synkrisis em Quintiliano, I. 0., X, I, 73: «Denso, 
breve e sempre contido e Tucidides; doce, brilhante e profuso e Her6doto. 
Aquele e melhor nas paixöes violentas, este nas paixöes acalmadas. Aquele 
nos discursos publicos, este na conversa9äo; aquele na fon;a, este no prazer» 
(Densus et breuis et semper instans sibi Thucydides, dulcis et candidus 
et fusus Herodotus: ille concitatis hic remissis adfectibus melior, ille contio-
nibus hic sermonibus, ille ui hic uoluptate). Sobre a critica liteniria de 
Her6doto na Antiguidade cf. ainda Plutarco, De Herodoti malignitate (Plu-
tarch's Moralia, XI, Londres, Loeb Class. Lib., 1%5). 
Para Her6doto vid. W. W. Haw- J. WeHs, A Commentary on Herodotus, 
Oxford, Clarendon Press, 1912; para Tucidides vid. A. Andrewes- J. K. Dover-
- A. W. Gomme, A Hist. Comment. on Thucydides, Oxford, Clarendon Press, 1970. 
Edi<;öes: Her6doto: C. Hude, Oxford, 1927, 2.a ed.; A. D. Godley, Loeb 
Class. Lib., Londres, 1920-24; Ph.-E. Legrand, «Les Beiles Lettres», Paris, 
1932-1954; Tucidides: C. F. Smith, Loeb Classical Libra.ry, Londres, 1923; 
J. de Romilly- L. Rodin, «Les Beiles Lettres», Paris, 1953-1962. 
25 Xenofonte voltani a ser referido no capitulo consagrado aos fil6sofos 
(Liv. Il, IV). A obra de Xenofonte, de facto, abrange temas hist6ricos e temas 
filos6ficos. Dai a sua dupla inser<;äo na critica liteniria da Antiguidade. 
E de notar a atitude pessoal de Quintiliano, I. 0., X, I, 75: «Näo me esqueci 
de Xenofonte, mas ele deve ser colocado entre os fil6sofos» (Xenophon non 
excedit mihi, sed inter philosophos reddendus est). 
Vid. L. Gautier, La Iangue de Xenophon, Geneve, 1911. 
59 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a 9 i i o 
F i l is t o e i 1 r n i t a d o r d e T u c i d i d e s , e x c e p t o n o c a n i c t e r 
2 6
• E r n T u c i -
d i d e s a l i b e 1 1 C 1 a d e e a p l e n i r t u d e d o p e n s a r n e n t o ; e r n F i l i s t o a s u b r n i s -
s ä o a t i r a n i a e o s e r v i < ; o d a arnbi~äo. F i l i s t o r . i v a l i z a c o r n T u c i d i d e s 
n o d e i x a r o s a s s u n t o s i n a c a b a d o s , d o r n e s r n o r n o d o q u e e l e . M a s , 
s o b r e t u d o , i r n i t a a d e s o r d e r n d e T u c i d i d e s n a estrutura~äo e a c a b a 
p o r t o r n a r a cornposi~äo d i f i c i l d e s e g u i r , p o r q u e r n i s t u r a o s f a c t o s 
q u e r e l a t a . M a s n ä o c o n s e g u e r i v a l i z a r c o r n o o b s o l e t o e o r e q u i n t e 
d o e s t i l o d e T u c i d i d e s . N o e n t a n t o , r e p r o d u z i u c o r n i n t e i r o r i g o r 
o e s t i l o c o n c i s o , d e n s o , v i g o r o s o e c o r n b a t i v o ; r n a s n ä o d o r n e s r n o 
m o d o a e l e g a n c i a , a r n a j e s t a d e , a a b u n d a n c i a d e e n t i r n e r n a s , n e r n 
a g r a v i d a d e , a s p a i x ö e s e a s f i g u r a s d e e s t i l o . E t o t a l r n e n t e d e s t i -
t u i d o d e e n v e r g a d u r a e d e el,eva~äo n a s d e s c r i < ; ö e s d o s l u g a r e s , 
d a s b a t a l h a s n a v a i s e t e r r e s t r e s , o u d a funda~äo d a s c i d a d e s . 
0 s e u d i s c u r s o n ä o e s t a a <a~ltura d a g r a n d e z a d o s f e i t o s . E t o d a v i a 
i n t e l i g e n t e n a s u a interpreta~äo. E r n a i s u t i l q u e T u c i d i d e s n o q u e 
r e s p e i t a a o s c o m b a t e s r e a i s . 
T e o p o r n p o d e Q u i o s e d i g n o d e ernula~äo p o r t e r s e g u i d o , e r n 
p r i m e i r o l u g a r , e s s e s m e s m o s p r i n c i p i o s d a h i s t 6 r i a ; e r n s e g u n d o , 
o s d a estrutura~äo ( p o i s a s u a o b r a e f a d l d e s e g u i r e c l a r a ) ; e , 
a i n d a , o s d a v a r i e d a d e n a descri~äo d o s f a c t o s 
2 7
• E e d i g n o d e 
Edi~öes: E . C . M a r c h a n t , O x f o r d , 1 9 0 0 - 1 9 2 0 ; P . M a s q u e r a y - J . H a t z f i e l d -
- P . C h a n t r a i n e - F . O l l i e r , « L e s B e l l e s L e t t r e s » , P a r i s , 1 9 3 0 - 1 9 6 1 ; C . L . B r o w n s o n -
- 0 . J . T o c L d - E . C . M a r c h a n t - W . M i l l e r - G . W . B o w e r s o c k , L o e l C l a s s . L i b . , 
L o n d r e s , 1 9 1 8 - 1 9 2 5 ( r e i m p . 1 9 6 1 - 1 9 7 1 ) . 
2 6 N o c ä n o n e d e Q u i n t i l i a n o , F i l i s t o o c u p a o q u a r t o l u g a r a s e g u i r a 
T e o p o m p o . D e l e d i z a / . 0 . , X , I , 7 4 : « F i l i s t o t a m b e m m e r e c e s e r s a l i e n -
t a d o d e e n t r e a m u l t i d ä o d e a u t o r e s , e m b o r a b o n s , q u e d e p o i s d e l e s [ T u c i -
d i d e s e H e r 6 d o t o ] v i e r a m . E i m i t a d o r d e T u c i d i d e s e , e m b o r a d e q u a l i d a d e 
m u i t o i n f e r i o r , e d e v e z e m q u a n d o m a i s c l a r o » ( P h i l i s t u s q u o q u e m e r e t u r 
q u i t u r b r e q u a m u i s b o n o r u m p o s t e o s a u c t o r u m e x i m a t u r , i m i t a t o r T h u c y d i d i 
e t u t m u l t o i n f i r m i o r , i t a a l i q u a t e n u s l u c i d i o r ) . D a s u a o b r a n a d a r e s t a . 
A S u d a c o n s a . g r a - l h e d u a s r e f e r e n c i a s b i o g r a f i c a s , p u b l i c a d a s e m F . J a c o b y , 
F . G r . H . , D r i t t e r T e i l , C , L e i d e n , B r i l l , 1 9 5 8 , p . 1 2 2 n . o 6 1 5 . 
V i d . G . d e S a n c t i s , S t u d i d i s t o r i a d e l l a s t o r i o g r a f i a g r e c a , Floren~a, 1 9 5 1 . 
2 7 P o l i b i o ( H i s t . , V I I I , 9 - 1 1 ) f a z a T e o p o m p o u m a l o n g a c r i t i c a d e c a n k -
t e r h i s t 6 r i c o , i n c i d i n d o p a r t i c u l a r m e n t e s o b r e a H i s t 6 r i a d e F i l i p e , d a q u a l 
c i t a o q u a d r a g e s i m o n o n o l i v r o , e r e f e r e - s e - l h e a i n d a e m H i s t . , X V I , 1 2 . 
Q u i n t i l i a n o ( / . 0 . , X , I , 7 4 ) c o n c e d e - l h e o t e r c e i r o l u g a r a s e g u i r a T u c i d i d e s 
e a H e r 6 d o t o : « T e o p o m p o e s t a m u i t o p r 6 x i m o d e s t e s e a s s i m c o m o e i n f e r i o r 
a o s a 1 . 1 1 t o r e s c i t a d o s d o p o n t o d e v i s t a h i s t 6 r i c o a s s i m t a m b e m e m a i s sem~ 
6 0 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imita9iiO 
emula~äo, sobretudo, devido aos principios da expressäo franca 
do pensamento sobre cada um desses factos e por näo esconder 
as causas secretas do que aconteceu ou foi dito, e por atingir com 
rigor a inten~äo dos que disseram ou fizeram. A sua qualidade 
estilistica e parecida com a de Is6crates, com a diferen~a de que 
e duro e muito veemente; mas quanto ao resto e semelhante o seu 
estilo. Na verdade, este e comum, claro, elevado, majestoso e pom-
poso, e oonsegue uma composi~äo que da prazer. E prejudicial, 
porem, a conserva~äo frequente das vogais em hiato, os periodos 
circulares demasiadamente elaborados e as figuras de estilo sempre 
iguais 28• Falhou tambem pela mediocridade tematica na introdu~äo 
das digressöes. Com efeito, algumas säo oontadas friamente e a 
desprop6sito, como, por exemplo, as hist6rias de Sileno 29 na Mace-
d6nia e do Dragäo 30 que combateu contra uma trirreme. 
lhante a um orador, uma vez que, antes de ter sido solicitado para o trabalho 
hist6rico, foi orador durante muito tempo» (Theopompus bis proximus ut 
in historia prredictis minor, ita oratori. magis similis, ut qui, antequa est 
ad hoc opus sollicitatus, diu fuerit auctor). Cf. Suda, in F. Jacoby, F. Gr. H., 
zweiter Teil, B, p. 526 n.0 115: «Teopompo de Quios, retor; filho de Dama-
sistrato; nasceu durante a anarquia de Atenas (404-403 a.C.), por altura da 
nonagesima Olimpiada (408-405 a.C.), tal como Eforo. Foi ouvinte de Is6crates 
e de Eforo. Escreveu um epitome das Hist6rias Helenicas- seguem as de 
Tucidides e Xenofonte, e säo em 11 livros desde a Guerra do Peloponeso-
e mais coisas». 
28 Cf. Lausberg, Elementos de Ret6rica Litertiria, Lisboa., Fundac;äo 
Calouste Gulbenkian, 1972, pp. 261-266, nomeadamente: «0 periodo (periodus, 
ambitus, circuitus, periodos; port. periodo), como 'construc;äo frasica ciclica 
(circular)' (oratio uincta atque contexta, connexa series, katestrammene lexis), 
consiste na uniäo de varios pensamentos (res) numa frase, de tal modo que 
seguidamente a um.elemento (protasis; port. pr6tase), que cria tensäo (pendens 
oratio), vem um elemento (apodosis; port. ap6dose), que dissolve a tensäo 
(sententüe clausula)». 
29 0 mito de Sileno era contado por Teopompo em Thaumasia (Prodi-
gios) segundo Eliano, U. H., III, 18 (in F. Jacoby, F. Gr. H., zweiter Teil, B, 
pp. 551-552 n.o 115). Numa conversa de Sileno com o rei Midas, aquele revelou 
a este a existencia de ilhas no oceano, cujos habitantes viviam em justic;a 
e felicidade. Referiram-se a esta especie de utopia Di6genes Laercio, Plutarco, 
F6cio, Porfirio, Ateneu, Teon, Servio, Eliano, Tertuliano e Apo16nio (cf. Jacoby, 
op. cit., pp. 547-552). Ern nenhum desses autores ha referencia ao mito de 
Sileno na Maced6nia. 
30 Segundo Eliano, Teopompo, numa digressäo a prop6sito do vale de 
Tempe, na Tessalia, refere a derrota infligidapor Apolo ao dragäo Piton, 
61 
I 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a l m i t a 9 i i o 
I V . D e e n t r e o s f i l 6 s o f o s d e v e m l e r - s e o s p i t a g 6 r i c o s , d e v i d o 
a g v a v i d a d e d o e s t i l o , a d e s c r i < ; ä o d o s c a r a c t e r e s e a formula~äo 
d a d o u t r i n a , e , a c i m a d e t u d o , d e v i d o a C a p a e i d a d e e x p o s i t i v a 
3 1
• 
C o m e f e i t o , s ä o g r a n d i l o q u e n t e s e p o e t i c o s n o e s ü l o e n ä o p r e j u -
d i c a m a c l a r e z a q u a n d o u s a m o d i a l e c t o c o m p 6 s i t o . D e v e m i m i -
t a r - s e , s o b r e t u d o , X e n o f o n t e 
3 2 
e P l a t ä o 
3 3
, p o r c a u s a d a descri~äo 
d o s c a r a c t e r e s , d o p r a z e r q u e p r o v o c a m e d a s u b l i m i d a d e . D e v e 
m a n u s e a r - s e A r i s t 6 t e l e s a f i r n d e s e i m i t a r a d e s t r e z a d a i n t e r p r e -
t a c ; ä o , a c l a r e z a , a s u a v i d a d e e a erudi~äo. E i s s o , s o b r e t u d o , q u e 
e p o s s i v e l i r b u s c a r a o b r a d e s s e h o m e m . R i v a l i z e m o s a i n d a e m 
c o m p u l s a r a o b r a d o s s e u s d i s c i p u l o s , q u e s ä o d i g n o s d e n ä o 
m e n o r a t e n c ; ä o 
3 4
• 
g u a r d a d e D e l f o s , q u a n d o a T e r r a a i n d a d e t i n h a e m s e u p o d e r o o r a c u l o , 
q u e a p a r t i r d e s s e m o m e n t o p a s s o u a p e r t e n c e r a A p o l o ( v i d . J a c o b y , F . G r . H . , 
z w e i t e r T e i l , B , p . 5 5 4 n .
0 
1 1 5 ) . D i o n . H a l i c . r e f e r e - s e a u m a d i g r e s s ä o e t i o l 6 -
g i c a d o m e s m o t i p o , p o s s i v e l m e n t e . S o b r e o V a l e d e T e m p e , v i d . F r a n c i s c o 
R e b e l o Gon~alves, « 0 V a l e d e T e m p e n o G r e g o e n o L a t i m » , E u p h r o s y n e , 
n . s . , v o l . I , 1 9 6 7 , p p . 2 3 - 6 9 . 
3 1 
S o b r e a e s c o l a p i t a g 6 r i c a v i d . G . S . K i r k - J . E . R a v e n , T h e P r e s o c r a t i c 
P h i l o s o p h e r s , C a m b r i d g e , C a m b r i d g e U n i v e r s i t y P r e s s , 1 9 5 7 ( t r a d . p o r t . d e 
C . A . L o u r o d a F o n s e c a , e o u t r o s , O s F i l 6 s o f o s P r t i - s o c r d t i c o s , L i s b o a , F u n d a -
< ; ä o C a l o u s t e G u l b e n k i a n , s . d . ) . 
3 2 C f . n o t a 2 5 . 
3 3 V i d . U . V . W i l a m o w i t z , P l a t o n . I . L e b e n u n d W e r k e , B e r l i m , 1 9 5 9 , 5 . a e d . ; 
A . K o y r e , I n t r o d u c t i o n a l a l e c t u r e d e P l a t o n , P a r i s , 1 9 4 5 ; P . M . S c h u h l , U c e u v r e 
d e P l a t o n , P a r i s , 1 9 5 4 . 
E d i < ; ö e s : J . B u r n e t , O x f o r d , 1 9 0 6 - 1 9 1 4 , 2 . a e d . ; M . C r o i s e t , A . C r o i s e t , 
L . R o b i n , L . M e r i d i e r , E . C h a m b r y , A . D i e s , A . R i v a u d , E . P l a c e s , J . S o u i l h e , 
« L e s B e i l e s L e t t r e s » , P a r i s , 1 9 2 0 - 1 9 6 1 ; H . N . F o w l e r , W . R . L a m b , P . S h o r e y , 
R . G . B u r y , L o e b , L o n d r e s , 1 9 1 4 - 1 9 3 5 ( r e i m p . 1 9 6 2 - 1 9 7 1 ) . 
3 4 V~id. W . D . R o s s , A r i s t o t l e , L o n d r e s , 1 9 2 3 ( t r a d . f r a n c . d e J e a n S a m u e l , 
A r i s t o t e , P a r i s - L o n d r e s , 1 9 7 1 ) ; J . M o r e a u , A r i s t o t e e t s o n e c o l e , P a r i s , 1 9 6 2 ; 
W . J a e g e r , A r i s t o t e l e s , B e r l i m , 1 9 5 5 , 2 . a e d . 
E d i < ; ö e s : I . B e k k e r , A c a d e m i a P r u S J s i a n a , B e r l i m , 1 8 3 1 - 1 8 7 0 ; G . M a t h i e u , 
B . H a u s s o u l l i e r , C h . M u y l e r , P . M o r a u x , P . L o u i s , R . M u g n i e r , H . C a r t e r o n , 
M . D u f o u r , A . W a r t e l l e , P a r i s , « L e s B e i l e s L e t t r e s » , 1 9 5 2 - 1 9 7 3 ; H . T r e d e n n i c k , 
E . S . F o r s t e r , H . P . C o o k e , D . J . F u r i e , P h . H . W i c k s t e e d , F . M . C o r n f o r d , 
W . K . C . G u t h r i e , H . D . P . L e e , W . S . H e t 1 t , A . L . P e c k , C . A r m s t r o n g , H . R a c k h a m , 
J . H . F r e e s e , W . R . R o b e r t s , L o e b , L o n d r e s , 1 9 6 0 - 1 9 7 2 ( r e i m p . ) . 
6 2 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da lmitac;äo 
E ja que apresentamos sumariamente o que havia a dizer 
acerca de outras leituras, resta-nos falar do que ha a extrair de 
cada um dos oradores. 0 que certamente e, para n6s, mais indis-
pensavel. 
V. 0 disourso de Lisias basta-se a si pr6prio pela visäo que tem 
do que e util e indispensavel a causa; evita a secura, mas e dema-
siado simples e humilde na narrac;äo. E, contudo, elegante, auten-
tico ·e agradavel pelo seu aticismo. Amplifica, mas näo sem arte, 
atingindo o objectivo imperceptivelmente, e causa elevado prazer 
que resulta da sua beleza, de tal modo que, lido, näo se considera 
dificil, sendo no entanto dificil para os que tentam rivalizar com ele. 
Sobretudo, resulta bem nas narrac;öes. Gra<;as ao genero humilde 
do seu estilo, as narrac;öes expöem os factos com clareza e rigor 35• 
35 0 estilo de Lisias volta a ser analisado mais adiante (II, X, pp. 68-69). 
Dion. Halic. faz ainda importantes observa<;öes criticas a Lisias em De 
rhetoribus antiquis. Lysias, 452-534 (Dionysii Halicarnassei qwe extant, edi-
derunt H. Usener et L. Radermacher, Stutgardire in redibus B. G. Teubneri, 
MCMLXV, vol. V, opusc. I, pp. 8-53). Plutarco dedica a vida de Lisias uma 
monografia em Vitce decem oratorum (Plutarch's Moralia, X, translated by 
H. N. Fowler, Loeb Classical Library, Londres, 1969, pp. 360-369). Quintiliano 
parece resumir os pontos de vista de Dion. Halic. quando diz: «Lisias, mais 
velho que estes [Dem6stenes, E.squines e Hiperides], e subtil e elegante; 
nada de mais perfeilto do que ele se pode desejar, se a um orador for sufi-
ciente o informar; nele nada e superfluo, nada e rebuscado, assemelhando-se 
a uma nascente pura mais do que a um rio caudaloso». (His retate Lysias 
maior, subtilis atque elegans et quo nihil, si oratori satis sit docere, qureras 
perfectius; nihil enim est inane, nihil arcessitum, puro tarnen fonti quam 
magno flumini propior) (!. 0., X, I, 78). Note-se, no enJtanto, que enquanto 
Dion. Halic. apresenta Lisias em primeiro lugar (mais ou menos de acordo 
com a ordern cronol6gica: Lisias, Is6crates, Licurgo, Dem6stenes, Esquines, 
Hiperides), Quintiliano coloca Dem6stenes (o princeps oratorum) a cabe<;a 
da lista, seguindo-se-lhe Esquines, Hiperides e, em quarto lugar, Lisias. 
Tanto Dion. Halic. como Quintiliano fogem a ordern do cänone alexandrino 
tal como foi reconstituido por Usener: Dem6stenes, Lisias, Hiperides, Is6cra-
tes, E.squines, Licurgo, Iseu, Antifonte, And6cides, Dinarco. 
63 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a Imita~ii.o 
0 d i s c u r s o d e I s 6 c r a t e s e e l e g a n t e m a s c o m g r a v i d a d e , e m a i s 
p a n e g i r i s t i c o d o q u e j u d i c i a l . C u l t i v a o o r n a t o c o m a a j u d a d a 
pormenoriza~äo e e p o m p o s o p a r a a l e m d o q u e a e f i c a c i a e a 
u t i l i d a d e e x i g i a m . N ä o e c o m b a t i v o , m a s c i r c u n s c r e v e a narra~äo 
d e n t r o d ep e r i o d o s e t e m p e r a i n t e i r a m e n t e a m a J e s t a d e p o r m e i o 
d e t l i t o t e s , real~ando a s i m p l i c i d a d e . . . D e l e d e v e i m i t a r - s e , s o b r e -
t u d o , a selec~äo e a d e n s i r l a d e d o v o c a b u l a r i o e o p o d e r d e m o n s -
t r a t i v o d e t o d a a concep~äo 3 t i . 
0 d i s c u r s o d e L i c u r g o e e m t u d o a m p l i f i c a n t e , d e f i n i d o , d i g n o , 
t o d o e l e a c u s a t 6 r i o , a u t e n t i c o e f r a n c o . N ä o e u r b a n o n e m a g r a -
d a v e l , m a s s i m v o l t a d o p a r a o f u n d a m e n t a l . D e s t e d e v e m p r o c u r a r 
a t i n g i r - s e , s o b r e t u d o , a s exagera~öes 
3 7
• 
0 d i s c u r s o d e D e m 6 s t e n e s e v i g o r o s o n a e x p r e s s ä o , c o m e d i d o 
n a descri~äo d o s c a r a c t e r e s , a d o m a d o o o m a s f o r m a s d e elocu~äo 
V i d . F . F e r c k e l , L y s i a s u n d A t h e n , W ü r z b u r g , 1 9 3 7 ; E . H e i t s c h , « R e c h t 
u n d T a k t i k i n d e r R e d e d e s L y s i a s » , M u s e u m H e l v e t i c u m , 1 8 , 1 9 6 1 , p . 2 0 4 . 
E d i < ; : ö e s : K . H u d e , O x f o r d , 1 9 5 2 ; L . G e r n e t , M . B i z o s , « L e s B e l l e s L e t t r e s » , 
P a r i s , 1 9 5 5 , 3 . a e d . ; W . R . M . L a m b , L o e b , L o n d r e s , 1 9 3 0 ( r e i m p . 1 9 6 7 ) . 
3
6 
D i o n . H a l i c . c o n s a g r o u a I s 6 c r a t e s u m t r a t a d o a p a r t e : D e r h e t o r i b u s 
a n t i q u i s . I s o c r a t e s , 5 3 4 - 5 8 5 , U s e n e r - R a d e r m a c h e r , v o l . V , o p u s c . I , p p . 5 4 - 9 2 
( c f . n o t a 3 5 ) . V e j a - s e t a m b e m P l u t a r c o , V i t r e d e c e m o r a t o r u m ( P l u t a r c h ' s 
M o r a l i a , X , L o e b C l a s s i c a l L i b r a r y , L o n d r e s , 1 9 6 9 , p p . 3 7 0 - 3 8 7 ) . Q u i n t i l i a n o 
f a z u m a a p r e c i a 9 ä o s e m e l h a n t e a d e D i o n . H a l i c . : « < s 6 c r a t e s , n u m g e n e r o 
d i f e r e n t e d e d i s c u r s o , e a p r i m o r a d o e e l e g a n t e , e , m a i s a d e q u a d o a p a l e s t r a 
d o q u e a o c a m p o d e b a t a l h a , p r o c u r o u t o d a a e s p e c i e d e e m b e l e z a m e n t o s 
d a a r t e d e d i z e r , e c o m r a z ä o , p o i s q u e s e c o n f r o n t o u c o m a u d i t 6 r i o s , n ä o 
c o m j u i z o s . N a , i n v e n < ; : ä o e d o t a d o d e f a c i l i d a d e e z e l o s o d a v i r t u d e ; n a c o m -
p o s i 9 ä o e t ä o d i l i g e n t e q u e a s u a d i l i g e n c i a c h e g a a s e r r e p r e e n s i v e l » . ( l s o c r a -
t e s i n d i u e r s o g e n e r e d i c e n d i , n i t i d u s e t c o m p t u s e t p a l r e s t r r e q u a m p u g n r e 
m a g i s a c c o m m o d a t u s o m n e s d i c e n d i u e n e r e s s e c t a t u s e s t , n e c i m m e r i t o : a u d i -
t o r i i s e n i m s e , n o n i u d i c i i s c o m p a r a r a t : i n i n u e n t i o n e f a c i l i s , h o n e s t i s t u d i o -
s u s , i n c o m p o s i t i o n e a d e o d i l i g e n s u t c u r a e i u s r e p r e h e n d a t u r ) ( ' ! . 0 . , X , I , 7 9 ) . 
V i d . L . R a d e r m a c h e r , « l s o c r a t i s d o c t r i n a e x i p s i s o r a t i o n i b u s p e t i t a » , 
i n A r t i u m s c r i p t o r e s , S i t z b . ö s t . A k . P h i l . - H i s t . , 1 9 5 1 ; E i n o M i k k o l a , l s o k r a t e s , 
H e l s i n k i , 1 9 5 4 . 
E d i < ; : ö e s : G . M a t h i e u , E . B r e m o n d , « L e s B e l l e s L e t t r e s » , P a r i s , 1 9 5 0 - 1 9 5 6 ; 
G . B . N o r l i n , V . H o o k , L o e b C l a s s i c a l L i b r a r y , L o n d r e s , 1 9 4 5 - 1 9 5 6 . 
3 7 V i d . F . B l a s s , D i e a t t i s c h e B e r e d s a m k e i t , L e i p z i g , 1 8 8 7 - 1 8 9 8 , 2 . a e d . ; 
0 . N a v a r r e , L a r h e t o r i q u e g r e c q u e a v a n t A r i s t o t e , P a r i s , H a c h e t t e , 1 9 0 0 . 
E d i 9 ö e s : F . D u r k b a c h , « L e s B e l l e s L e t t r e s » , P a r i s , 1 9 5 6 , 2 . a e d . ; J . 0 . B u r t t , 
L o e b C l a s s i c a l L i b r a r y , L o n d r e s , 1 9 5 4 . 
6 4 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imita9ao 
que escolhe, usando da ordena~äo no que importa, gracioso com 
gravidade e denso. E sobretudo por essas caracteristicas que os 
juizes säo influenciados 38• 
0 discurso de Esquines e menos vigoroso que o de Dem6s-
tenes, mas pomposo nas formas de elocu~äo que escolhe, tendendo 
ao mesmo tempo para a exagera~äo. Näo estando inteiramente 
dentro da tecnica, e conduzido pela faciJ.idade que lhe vem da 
pr6pria natureza. Muito vigoroso, grave, ampHficante, duro e, por 
isso mesmo, agradavel para quem o compudsa, mas violento quando 
analisado 39• 
38 Dion. Halic. volta a referir-se a Dem6stenes mais adiante (H, X 
e XI, p. 69) e ainda em De rhetoribus antiquis. Demosthenes, Usener-Rader-
maaher, vol. V, opusc. I, pp. 127-252. Quintiliano considera Dem6stenes o pri-
meiro dos oradores do seu cänone: «Segue-se o impressionante batalhäo dos 
oradores, visto que em Atenas uma unica epoca produziu dez, ao mesmo 
tempo. Deles o mais importante foi, de Ionge, Dem6stenes, que constituiu 
quase a lei da arte de dizer. Tamanho nele e o vigor, tudo e täo condensado 
e retesado por uma especie de nervos, de tal modo nada ha de superfluo, 
tal e a cadencia do seu discurso, que nada se encontra nele que falte ou 
que sobeje». (Sequitur oratorum ingens manus, ut cum decem simul Athenis 
retas una tulerit. Quorum Ionge princeps Demosthenes ac pa:me lex orandi 
fuit: tanta uis in eo, tarn densa omnia, ita quibusdam neruis intenta sunt, 
tarn nihil otiosum, is dicendi modus, ut nec quod desit in eo nec quod 
redundet inuenias) (1. 0., X, I, 76). Plutarco consagra a Dem6stenes um 
capi1tulo das Vitre decem oratorum (Plutarch's Moralia, X, t:ranslated by 
H. N. Fowler, Loeb Classical Library, Londres, 1%9, pp. 413-437). 
Vid. G. Ronnet, Etude sur le style de Demosthene dans les discours 
politiques, Paris, 1951. 
Edi9öes: S. H. Butcher, W. Rennie, OXJford, 1903-1931; M. Croiset, «Les 
Beiles Lettres», Paris, 1924-1925; J. H. Vmce, A.T. Murray, Loeb Classical 
Library, Londres, 1956. 
39 Sobre a vida e a critica literaria de :Esquines na Antiguidade, veja-se 
Dion. Halic., De rhetoribus antiquis (Usener-Radermacher, vol. V, opus. I, 
pp. 206, 247-248; 250, 254) e Plutarco, Vitre decem oratorum (Plutarch's Moralia, 
X, Loeb Classical Library, Londres, 1%9, pp. 389-395). De Esquines diz ainda 
Quintiliano, I. 0., X, I, 77: «Esquines e mais abundante, mais profuso e de 
aparencia tanto mais imponente quanto menos conciso. No entanto tem mais 
carne do que musculos». CPlenior Aeschines et magis fusus et grandiori 
similis, quo minus strictus est; carnis ltamen plus habet, minus lacertorum). 
Vid. Blass e Navarre, citados na nota 37. 
Edi9öes: F. Blass, Leipzig, 1908; C. D. Adamms, Loeb Classical Library, 1919; 
G. de Bude, V. Martin, «Les Beiles Lettres», Paris, 1927-1928. 
65 
5 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o : T r a t a d o d a Imita~äo 
H i p e r i d e s e s u b t i l m a s r a r a m e n t e a m p l i f i c a n t e . U l t r a p a s s a a 
L i s i a s n o o r n a t o d a elocu~äo e a t o d o s n a s a g a c i d a d e d a inven~äo. 
A t e m - s e e m t u d o a m a t e r i a e m j u i z o , f i x a - s e n oe s s e n c i a l d a ac~äo, 
c o n d u z - s e c o m m u i t a , i n t , e l i g e n c i a e e s t a c h e i o d e b e l e z a . E , p a r e -
c e n d o s i m p l e s , n ä o s e d e s v i a d o e s t i l o v e e m e n t e . C o m e s t e d e v e , 
s o b r e t u d o , r i v a l i z a r - s e n a b e l e z a e n a s i m e t r i a d a narra~äo, e a i n d a 
n o s o a m i n h o s q u e s e g u e a t e e h e g a r a o s f a c t o s 
4 0
• 
S e n d o e s t e s o s o r a d o r e s c a r a c t e r i z a d o s e a p r e s e n t a d o s p o r 
m i m , c a d a u m d e l e s , p o s s u i n d o a l g u m a q u a l i d a d e , c o n t r i b u i p a r a 
o e n r i q u e c i m e n t o d o s l e i t o r e s . F o i p o r i s s o q u e e u p e r c o r r i a s 
c a r a c t e r i s t i c a s d e t o d o s o s a t r a s m e n c i o n a d o s , p a r a e x e m p l i f i c a r 
u m a f o r m a d e l e i t u r a c u i d a d o s a , a p a r t i r d a q u a l s e j a p r o p o r c i o -
n a d a a p e r f e i c ; ä o , . e x i s t e n t e e m c a d a u m d e s s e s e s c r i t o r e s , a q u e l e s 
q u e o p t a r a m n ä o p o r c o m p u l s a r o s a n t i g o s n e g l i g e n t e m e n t e n e m 
p o r e s p e r a r i n c o n s c i e n t e m e n t e u m p r o v e i t o q u e v e m p o r a c n : ! s c i m o , 
m a s s i m c o n s c i e n t e m e n t e , e , s o b r e t u d o , a q u e l e s q u e e s t ä o d i s p o s t o s 
a e m b e l e z a r o d i s c u r s o c o m o s r e c u r s o s p r o v e n i e n t e s d e t o d o s 
o s a u t o r e s . E s s e s m e s m o s r e c u r s o s d e l e i t a m p e l a s u a p r 6 p r i a n a t u -
r e z a , m a s , s e f o r e m c a l d e a d o s c o m a a j u d a d a a r t e n u m u n i c o 
m o l d e d e u m s 6 c o r p o o r a t 6 r i o , o e s t i l o t o r n a - s e m e l h o r , g r a c ; a s 
a e s s a c o m b i n a c ; ä o . 
v r a 
P o r q u e d e s e j a n d o u m c e r t o p i n t o r r e p r e s e n t a r a b e l e z a s u p r e m a , 
m a n d o u r e u n i r a s m u l h e r e s b o n i t a s q u e h a v i a n a r e g i ä o e , i m i -
t a n d o d e c a d a u m a a s p a r t e s m a i s b e l a s , d e u m a o s o l h o s , d e 
4 0 S o b r e H i p e r i d e s v e j a - s e D i o n . H a l i c . , D e r h e t o r i b u s a n t i q u i s . H y p e r i d e s 
( U s e n e r - R a d e r m a c h e r , v o l . V , o p u s c . I , p . 3 0 5 ) e P l u t a r c o , V i t c e d e c e m o r a t o r u m 
( P l u t a r c h ' s M o r a l i a , X , L o e b C l a s s i c a l L i b r a r y , L o n d r e s , 1 9 6 9 , p p . 4 3 7 - 4 4 5 ) . 
E r n r e l a < ; ä o a H i p e r i d e s Q u i n t i l i a n o ( / . 0 . , X , I , 7 7 ) d i z a p e n a s : « S u a v e , a n t e s 
d e 1 t u d o , e s u b t i l e H i p e r i d e s , m a i s a p r o p r i a d o - p a r a n ä o d i z e r m a i s u t i l -
a s c a u s a s m e n o r e s » . ( D u l c i s i n p r i m i s e t a c u t u s H y p e r i d e s , s e d m i n o r i b u s 
c a u s i s - u t n o n d i x e r i m u t i l i o r - m a g i s p a r ) . 
V i d . B l a s s e N a v a r r e , c i t a d o s n a n o t a 3 7 . 
E d i < ; ö e s : F . G . K e n y o n , O x f o r d , 1 9 0 6 ; C . J e n s e n , L e i p z i g , 1 9 1 7 ; G . C o l i n , 
« L e s B e i l e s L e t t r e s » , P a r i s , 1 9 3 4 ; J . 0 . B u r t t , M i n o r A t t i c O r a t o r s , v o l . J l l , 
L o e b C l a s s i c a l L i b r a r y , L o n d r e s , 1 9 5 4 . 
6 6 
Dionisio de Halicamasso: Tratado da Imita~äo 
outra o nariz, de outra as sobrancelhas e de cada uma um aspecto 
(pois näo era possivel que todas fossem boni tas em tudo), conse-
giu realizar uma figura perfeita. Parece poder tira:r-se esta figura 
de Homero, pois ele, ao descrever Agamemnon, diz: 
Nos olhos e na cab~a e ele semelhante a Zeus que lan~a o raio, 
Na cintura a Ares, no peito a Posidon 41. 
Maximus Planudes, in collectaneis ab Aenea Piccolomini editis 
Rivista di filologia 11 157 c 47, diz que este passo foi provavel-
mente extraido do pr6prio livro de Dionisio, como A. Brinkmann 
advertiu. cf. p. 52, § 2. 
VII 
Dionysius ep ad Pompeium c 3-6, H. Usener- L. Radermacher, 
Dionysii Halicarnasei qure exstant, vol. VI opusculorum, Stutgar-
dire, in redibus G. G. Teubneri, MOMLXV, pp. 232-248. 
VIII 
Syrianus in Hermog de formis p 10,9 Rah (t VII 2 p 875,2 
ou Maximus Planudes ibid t V p 444, 12 Walzii cf More1lii bibl 
manuscr p 303). Para Dionisio de Halicarnasso, era preferivel que 
os que seguem um discurso poetico o dissessem e construissem 
com a combina<;äo de tropos, metaforas e ditirambos, a maneira 
do estilo do retor G6rgias. Com efeito, este foi o primeiro, como 
diz Dionisio de Halicarnasso no Jivro segundo Da imitafao, que 
transpös a elocu<;äo poetica e ditirämbica para os discursos de 
interven<;äo publica. 
Iohannes Siculus t VI p 102, 16 Walzii. 0 estilo figurado e a 
composi<;äo metaf6rica e ditirämbica e que faz,em o .discur.so poetico 
a maneir.a de G6rgias, que dizem ter sido o primeko a introduziT 
estes elementos nos di·scursos politioos 42 • 
41 Iliada, II, 447 ss. 
42 Cf. nota 35. 
67 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o : T r a t a d o d a I m i t a f ä o 
I X 
G 6 r g i a s t r a n s p 6 s o e s t i l o p o e t i c o p a r a o s d i s c u r s o s d e i n t e r -
v e n c ; a o p u b l i c a , p o r n a o c o n s i d e r a r o o r a d o r i g u a l a o s c i d a d ä o s 
p r i v a d o s . L i s i a s f e z o c o n t r a r i o d i s s o . C o m e f e i t o , p r o c u r o u s e g u i r 
u m a e x p r e s s a o d a r a p a r a t o d o s e g a s t a p e l o u s o , p o r c o n s i d e r a r 
q u e a l i n g u a g e m c o m u m e s e m o r n a m e n t o s e r a m a i s p r 6 p r i a p a r a 
p e r s u a d i r o c i d a d a o p r i v a d o . E , d e f a c t o , d i f i c i l m , e n t e a l g u e m 
e n c o n t r a r a e m L i s i a s o u s o d e u m e s t i l o t r 6 p i c o e m e t a f 6 r i c o . 
U s a n d o , o o n t u d o , a s p a l a v r a s m a i s c o m u n s e n ä o t o c a n d o n o o r n a t o 
p o e t i c o , f a z q u e o s f a c t o s s e m o s t r e m n a s u a d i g n i d a d e , a b u n d ä n -
c i a e g r a n d e z a . 
S y r i a n u s i b i d e m p 1 1 , 1 9 R a b ( d a i M a x i m u s P l a n a d e s W a l z i i 
t V p 4 4 6 , 3 ) . 0 m e s m o d i z a i n d a n o D a i m i t a < ; ä o q u e « G 6 r g i a s . . . 
g r a n d e z a » . 
X 
J u l g a . . . s e q u e h a u m c e r t o c a n i c t e r n a o p o e t i c o e n ä o a r t i s t i c o 
n o e s t i l o d e L i s i a s , e m u i t o s f i l 6 l o g o s s e r a o d e p a r e c e r q u e e l e e 
c o m p o s t o d e s c u i d a d a m e n t e e n ä o s e g u n d o a s r e g r a s d a t e c n i c a , 
m a s a n t e s e s p o n t ä n e a m e n t e e u m p o u c o a o a c a s o . M a s e l e e ~mais 
b e m o r n a m e n t a d o d o q u e q u a l q u e r o b r a q u e e s t a d e a c o r d o c o m 
a s r e g r a s , p o i s t o r n a p o e t i c o o n a o p o e t i c o , enla~a o q u e e s t a 
d e s l i g a d o e t e m a r t e n o p r 6 p r i o f a c t o d e n a o p a r e c e r O r n a m e n -
t a r - s e c o n 1 a r t e . 
S y r i a n u s i b i d e m p 1 2 , 4 R a b ( e M a x i m u s P l a n u d e s W a l z i i t V 
p4 4 6 , 1 3 ) . E a i n d a e l e p r 6 p r i o q u e , n o m e s m o l i v r o , c h a m a n a o 
p o e t i c o a q u i l o q u e p a r e c e s e r e s p o n t ä n e o . E s e , d e f a c t o , q u i s e s s e s 
m o s t r a r o q u e h a d e e s p o n t ä n e o , e r a m u i t o m e l h o r d e n o m i n a - l o 
' n ä o p o e t i c o ' d o q u e ' a m a n e i r a p o e t i c a ' . C o m e f e i t o , a c 1 1 e s c e n t a 
o s e g u i n t e a p r o p 6 s i t o d e L i s i a s : « J u l g a - s e . . . c o m a r t e » . 
S y r i a n u s i n H e r m o g d e f o r m i s I I 9 ( p 3 6 1 , 1 2 W ) p 8 7 , 1 6 R a b 
( e M a x i m u s t V p 5 4 5 , 1 1 ) . N a v e r d a d e , L i s i a s e m m u i t o s p a s s o s , 
c o m o d i z D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o , u s a d e u m a a r t e q u e n a o p a 1 . 1 e c e 
1 n a s e . A s e u r e s p e i t o p r o c l a m a D i o n i s i o c l a r a m e n t e n o D a i m i t a < ; ä o 
o s e g u i n t e : « T o r n a p o e t i c o o n ä o p o e t i c o , e n l a c ; a o q u e e s t a d e s -
6 8 
Dionisio de Halicarnasso: Tratado da Imita(iio 
ligado e tem arte no pr6prio facto de näo parecer ornamentar·se 
com arte». 
Tzetzes in Hermog in Crameri anedoctis Oxon t IV p 127,20. 
Falo da que e arte sem parecer que e, 
tal como era a arte do orador Lisias. 
Com efeito, o que ha de artistico em Dem6stenes esta na conoep~äo, 
enquanto a arte de Dinarco se revela apenas na elocu~äo. 
XI 
[Dionysius] artis rhetor X 6 p 381 R. Segundo a teoria plat6-
nica da im:ita~äo, s6 Demöstenes foge a acusa~äo de näo ser habil 
na neoessaria sequencia l6gica. Corno e de que modo, somos ins-
truidos no livro Da imita9ao. 
LIVRO TERCEIRO 
0 livro terceiro trata de como se deve imitar. 
DIONJS/0 
Näo chegou ate n6s qualquer fragmento, mas pertence aqui 
o epitome p 10, 11-20. Radermacher adverte que, nos exoertos de 
Longino, p 177,5 Bakii I 327,3 Sp, se le uma frase semelhante 
a esse passo: «Porque os melhores discursos, os que säo dignos 
de imita~äo, säo aqueles que näo tem as caracteristica.s de um s6 
mas de varios)}. 
69 
lNDICE ONOMASTICO E TEMATICO 
Agamennon, 67. 
Agonfstico (dW.ogo), 53~ 
S. Agostinho, 25,. 40. 
AgnuJdvet, 63, 6t, 65. 
Alceu, 36, 55. 
AmplificQ9io,. 54, 63, 64, 65, . 66. 
And6cides, 63 n.· 15. 
Antifon.tB, 63 D. 35. 
Antfmtu:o, 36, 53. 
Apolo, 62 n. 30. 
Apolindrio, 61 n. 29. 
Arcaismo, 18. 
Ares, 67. 
Arguml!llttos, SS. 
Aristipo, 23. 
Arist6fanu, 56 11. 19, SI a. 20. 
Arist6teles, 14, 15, 16, 34, 17, 48, 
46 n. 2 e 4, 49 n. 6, 62. 
Arqrdtipo, 14. 
Arte (tedme), 46, 41 n. 5, 63, 68, 69. 
A.sianismo, 18, )3, 34. 
Asklsis, 49 n. s. 
Atena, 18. 
Ateneu, 23, 61 n. 29. 
Aticismo, 18, l3, 34, 37, 62, 63. 
Augu.sto, 46. 
Aulo Graio, 23, ~ n. 26. 
Bach, J. S., 22. 
Bembo, canteal, 26. 
Bfbli4, 25. 
Bombdstico, SI. 
Br~55,SI. 
Brf.son. 8 B--'lli4. 21. 
Bruto, 48. 
Byron, 29. 
Cdndi.do Lusitano, 28, 29. 
Caracteres, 53, 55, 56, 57, 58, 59, 62, 
64. 
Centöes, 12. 
Cesar, 40. 
Chaucer, 13, n. 1. 
Cicero, 20, 24, 52 n. 10, 55 n. 18. 
«Ciceroniano», 26. 
Clarevz, 55, 58, 59, 62, 63. 
Compos~iio, 54, 60, 61. 
Compdsito (estllo), 58. 
Comum, 61. 
Conce~, 69. 
Concisäo, 58, 60. 
Costumes (cf. ethos, etopeia), 58. 
Credibilidtule, 45, 46, 47. 
Deleitar (prazer), 58, 61, 62, 63, 66. 
Delfos, 62 n. 30. 
Deliberativo (Senero), 46 n. 3, 49. 
Demonstrativa ('&enero), 46 n. 3, 49, 
64 (panegfrico). 
Dem6stenu, 33, 34, 35, 37, 50, 63 n. 35, 
64, 65, 69. 
Densid.tule, 60, 64, 65. 
Destrevz {deinotes), 48, 49, 62. 
Dilllectica, 48. 
Dialecto, 55, 58, 62. 
Dinarco, 33, 37, 63 n. 35, 69. 
Diagenes Wrcio, 61 n. 29. 
Ditirambo, 67. 
Donne, J., 13 n. 1. 
Dragio (P1ton em Deifos), 61. 
Dureza, 61, 65. 
71 
D i o n i s i o d e H a l i c a r n a s s o 
E l e g a n c i a , 5 8 , 6 3 , 6 4 . 
E l e v a f a o , 6 0 , 6 1 . 
E l i a n o , 6 1 n . 2 9 , 3 0 . 
E l o c u f a o , 3 7 , 6 4 , 6 6 , 6 9 . 
E m e u (~carta a ) , 3 2 , 3 4 . 
E m u l a 9 a o ( < e m u l a t i o ) , 1 7 , 2 1 , 3 5 , 4 9 , 
6 0 , 6 1 . 
E n i o , 2 4 . 
E n t i m e m a s , 6 0 . 
E p i c u r i s t a s , 3 3 . 
E r a s m o , 2 6 . 
E r u d i f a o , 6 2 . 
E s c a l i g e r o , 2 7 , 4 1 , 4 3 . 
E s p o n t a n e i d a d e , 5 9 . 
E s q u i l o , 3 6 , 5 6 , 5 7 n . 2 0 . 
E s q u i n e s , 3 3 , 3 7 , 6 3 n . 3 5 , 6 5 . 
E s t e s i c o r o , 3 6 , 5 5 . 
E s t i l o a d e q u a d o , 5 9 . 
E s t 6 i c o s , 3 3 . 
E s t r u t u r a 9 a o , 4 1 , 5 3 , 5 4 , 5 9 ( o r g a n . 
m a t e r i a s ) , 6 0 . 
E t h o s ( e t o p e i a ) , 4 1 , 5 4 . 
E u r i p i d e s , 3 6 , 5 6 , 5 7 . 
E x a g e r a f a o , 5 4 , 6 4 , 6 5 . 
E x e r c i t a f a o , 4 8 , 4 9 . 
F i g u r a s d e e s t i l o , 5 4 , 5 8 . 
F i l i s t o , 3 6 , 3 7 , 5 9 , 6 0 . 
F i l 6 l o g o s , 6 8 . 
F 6 c i o , 6 1 n . 2 9 . 
F o n t a n i e r , P . , 4 2 . 
F o r f a , 5 8 . 
F u r t o ( f u r t u m ) , 2 3 , 2 7 , 2 8 n . 3 7 , 3 0 . 
G 6 r g i a s , 3 7 , 4 6 n . 2 , 6 7 , 6 8 . 
G r a r ; a , 5 8 , 5 9 , 6 5 . 
G r a m d t i c a , 4 8 . 
G r a v i d a d e , 6 2 , 6 4 , 6 5 . 
H a r m o n i a , 5 3 . 
H e l e n a , 4 0 , 5 2 . 
H e r 6 d o t o , 3 6 , 5 8 , 5 9 . 
H e s i o d o , 1 9 , 3 6 , 5 3 . 
H i p e r i d e s , 3 3 , 3 7 , 6 3 n . 3 5 , 6 6 . 
H o m e r o , 1 2 , 1 4 , 1 7 , 2 3 , 2 9 , 3 6 , 4 0 , 4 1 , 
4 2 n . 3 , 5 0 , 5 3 , 5 5 n . 1 7 , 6 7 . 
7 2 
H o r d c i o , 1 2 , 1 5 , 1 6 , 2 0 , 4 0 , 5 5 n . 1 8 . 
H u m i l d e ( e s t i l o , g e n e r o ) , 5 8 , 6 3 . 
I d e a , 1 4 . 
I m i t a t i o ( i m i t a < ; ä o ) , 1 1 , 1 9 , 2 1 , 2 2 , 2 6 , 
S e r v i l e l i v r e , 2 8 , 3 5 . 
I n t e r t e x t u a l i d a d e , 1 2 , 3 0 . 
I n t e r v e n r ; a o p u b l i c a , 4 5 , 4 7 , 4 8 , 4 9 , 
6 8 . 
I . n v e n f a o , 3 7 , 6 6 . 
I n v e n t a r e s , 2 3 . 
I s e u , 3 3 , 6 3 n . 3 5 . 
I s 6 c r a t e s , 3 3 , 3 4 , 3 7 , 6 3 n . 3 5 , 6 4 . 
S . J e r 6 n i m o , 2 5 , 2 6 , 4 1 . 
J o y c e , J a m e s , 1 2 , 2 2 . 
J u d i c i a l ( g e n e r o ) , 4 6 n . 3 , 4 9 , 6 4 . 
K l o p e ( f u r t o , p h i g i o ) , 2 2 . 
L e i t a o F e r r e i r a , 2 8 . 
L e v e z a , 5 3 n . 1 2 . 
L i c u r g o , 3 7 , 6 3 n . 3 5 , 6 4 . 
L i n g u a g e m f i g u r a d a ( e p r 6 p r i a ) , 5 5 , 
5 6 . 
L i p s i o , J u s t o , 2 6 . 
L i s i a s , 3 2 , 3 3 , 3 4 , 3 7 , 6 2 , 6 6 , 6 8 , 6 9 . 
L i t o t e s , 6 4 . 
L o m o n o s o v , M . V . , 4 2 . 
L o n g i n o , 1 6 , 1 7 . 
L u c i a n o , 1 2 , n . 1 , 1 9 . 
M a c r 6 b i o , 2 3 . 
M a g n i f i c e n c i a , 4 1 , 5 4 , 5 6 . 
M a j e s t o s o , 6 0 , 6 1 , 6 4 , 6 5 . 
M a t h e s i s ( e s t u d o ) , 4 9 n . 5 . 
M e d i o c r i d a d e , 6 1 . 
M e g e t h o s , v i d . s . v . m a g n i f i c e n c i a . 
M e n a n d r o , 3 6 , 5 8 . 
M e t d f o r a , 6 7 , 6 8 . 
M i d a s , 6 1 n . 2 9 . 
M i m e s e (~mimesis, m i m e i s t h a i ) , 1 1 , 
1 2 , 1 5 , 1 6 , 1 7 , 2 2 , 4 9 n . 6 . 
M u s s e t , A l f r e d d e , 2 9 . 
fndice onomastico e tematico 
Narrar;iio, 59, 63, 64, 66. 
N aturalidade, 58. 
N atureza, vid. physis. 
N eo-realistas, 12. 
N eoterismo, 18. 
Nevio, 24. 
Obscamum (genus), 16. 
Oikonomia, vid. s.v. estruturar;iio.Ornato, 54, 64, 66, 68, 69. 
Ovidio, 13 n. 1, 40. 
Paixoes, 53, 56, 57, 58. 
Paniasis, 36, 54. 
Pathos (patetico), 41, 57 n. 20, 48, 55. 
Peon, 48, 49. 
Periodo, 61. 
Personagens, 59. 
Persuasiio, 46, 48, 58. 
Pessoa, F., 12, 22. 
Physis (natureza), 48 n. 5, 49 n. 5, 
51, 65. 
Pindaro, 36, 54, 55. 
Pitag6ricos, 37. 
Pldgio, plagiar (plagium), 12, 18, 22, 
24, 26, 30. 
Platäo, 14, 15, 17, 23, 34, 37, 40, 
46 n. 2, 49, SO, 62, 69 (teoria da 
imita~äo). 
Plauto, 41. 
Plutarco, 53 n. 13, 61 n. 29, 63 n. 35, 
64 n. 36, 65 n. 38 e 39, 66 n. 40. 
Poetico, 58, 62, 67, 68. 
Polibio, 31, 32, 43, 60 n. 27. 
Politica (ret6rica), 55, 67. 
Pompeio (carta a), 32, 33, 34. 
Pomposo, 61, 64, 65. 
Porfirio, 61 n. 29. 
Posidon, 67. 
Prazer, vid. deleitar. 
Progymnasmata, 19. 
Punica, Primeira Guerra, 31. 
Pureza (do vocabulario), 58. 
Quintiliano, 21, 35, 39, 40, 41, 43, 
45 n., 5, 49 n. 6, SO, n. 7, 52 n. 9, 
53 n. 11, 54 n. 14, 15, 16, 55 n. 16, 
17, 55 n. 18, 19, 57 n. 20, 21, 
58 n. 22, 23, 59 n. 24, 25, 60 n. 26, 
27, 63 n. 35, 64 n. 36, 65 n. 38, 
66 n. 40. 
Realismo, realistas, 12, 18. 
Reescrita, 12, 30. 
Resende, Andre de, 26 n. 32. 
Rigor, 63. 
Ritmo, 48. 
Russel, D. A., 20. 
Selecr;iio, 64. 
Servio, 61 n. 29. 
Shakespeare, 13 n. 1, 43. 
Sileno, 61. 
Simetria, 60. 
Sim6nides, 36, 54. 
Simplicidade, 58, 64, 66. 
Sofistica (segunda}, 16, 19. 
S6focles, 36, 56, 57. 
Suavidade, 55, 59, 62. 
Sublime (genero e sublimidade), 53, 
55, 56, 58. 
Subtil, 66. 
Tasso, 29. 
Techne (arte), 48 n. 5, 65 (tecnica), 
68. 
Tempe (vale de), 61 n. 30. 
Teon, 61 n. 29. 
Teopompo de Quios, 23, 36, 37, 60. 
Terra, 62 n. 30. 
Tertuliano, 61 n. 29. 
Tesauro, 28. 
S. Tomds de Aquino, 41. 
Tropos, 67, 68. 
Tuberi5es, 31, 33. 
Tucidides, 32, 33, 34, 36, 37, 58, 59, 
60, 61 n. 27. 
Urbano, 64. 
Vala, Louren~o. 26. 
Variar;oes, variedade, 22, 58, 60. 
73 
D i o n i s i o d e H a l i c a m a s s o 
V e e m e n c i a , 5 5 , 5 8 , 6 1 , 6 6 . 
V i d a , J e r 6 n i m o , 2 6 , 2 7 . 
V i g o r , 5 4 , 6 0 , 6 4 , 6 5 . 
V i o l e n t o , 6 5 . 
V i r g i l i o , 2 1 , 2 3 , 2 4 n . 2 6 , 2 9 , 4 2 n . 3 . 
V i v a l d i , 2 2 . 
V o c a b u l d r i o , 5 9 . 
V o l u n t a s , 1 5 , 1 8 . 
t \ ~,_,./ 
t ? > • . 
i _ . 
· , _ , , , , . R E - t T O . ru~ } F \ l i Y ~tD . . . . 
. r~ N~(f 
f r ; \ C j ) . . - . " ! J . , . . . _ ZQf'>.~----
\ ~ ~; ' . .:t~ . . ~ll.l.,. 
7 4 
V 6 s s i o , 2 7 , 2 8 . 
V u l g a r i d a d e , 5 8 . 
X e n o f o n t e , 3 6 , 3 7 , 5 9 , 6 1 n . 2 7 , 6 2 . 
Z e l o s i s ( z e l o s ) , 1 7 . 
Z e u s , 6 7 . 
Z e u x i s , 1 8 , 3 5 , 5 2 n . 1 0 . 
fNDICE DAS MATERIAS 
Pags. 
NOTA PREVIA . 9 
INTRODU<:AO . 11 
I- CONCEP<;OES E FORMAS DE I~MITAR: 
UM ENQUAtDRAMENTO PARA DIONtSIO DE HALICARNASSO 11 
1 - I mita~ao em geral . . . . . 11 
2- Mimese entre os Gregos . . . 13 
3- A «imitatio» entre os Romanos 19 
4 - 0 « pld.gio>> na antiguidade . . . 22 
5- A «imita~ao» ,na literatura crista . 25 
6-0 «Humanismo», os Seculos XVII e XVIII e os imitadores 26 
II- DIONtSIO DE HALICAR:NAJSSO 31 
1-Vida . . . . 31 
2-0 Historiador 32 
3-0 Retor. . . . 32 
Iltl-0 TRATA:DO DA IMITA(;AO E A SUA ESTRUTURA . 35 
IV-ECOS 00 TRATADO DA IMITA(;AO .. 
DIONtSIO DE HALICARNASSO, TRAT ADO DA IMITAt;AO 
Livro Primeiro. 
Livro Segundo . 
Livro Terceiro . 
1NDICE ONOMASTICO E TEMATICO 
39 
45 
45 
51 
69 
71 
75 
	0
	1
	2
	3
	4
	5
	6
	7
	8
	9
	10
	11
	12
	13
	14
	15
	16
	17
	18
	19
	20
	21
	22
	23
	24
	25
	26
	27
	28
	29
	30
	31
	32
	33
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	35
	36
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	38
	39
	40
	41
	42
	43
	44
	45
	46
	47
	48
	49
	50
	51
	52
	53
	54
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	57
	58
	59
	60
	61
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	66
	67
	68
	69
	70
	71
	72
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	74
	75

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