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Inadimplemento das obrigações de fazer e não fazer

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Inadimplemento da obrigação de fazer 
As obrigações de fazer podem ser inadimplidas porque a prestação tornou-se impossível sem culpa do devedor, ou por culpa deste, ou ainda por que, podendo cumpri-la, recusa-se, porém a fazê-lo. 
Pelo sistema do Código Civil, não havendo culpa do devedor, tanto na hipótese de a prestação ter-se tornando impossível como na de recusa de cumprimento, fica afastada a responsabilidade do obrigado.
Decorrendo o inadimplemento de culpa do devedor, pode o credor pedir a resolução da obrigação acrescida de perdas e danos.
Quando a prestação é fungível, o credor pode optar pela execução específica, requerendo que ela seja executada por terceiro, á custa do devedor (CC art. 249). Os arts. 634 a 637 do CPC descrevem todo o procedimento a ser seguido, para que o fato seja prestado por terceiro. O custo da prestação de fato será avaliado por um perito e o juiz mandará espedir edital de concorrência pública, para que os interessados em prestar o fato formulem suas propostas (Carlos Roberto Gonçalves).
E, em caso de manifesta urgência, poderá o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, pleiteando depois, contra o devedor inadimplente, o ressarcimento das despesas feitas (CC art. 249, parágrafo único). Permitido será que o credor providencie a tutela específica da obrigação sem autorização do juiz. Permite-se a autotutela, visto que a atuação do poder judiciário ser morosa e, retardaria a consecução do direito do credor.
Quando a obrigação é infungível, não há como compelir o devedor, de forma direta, a satisfazê-la. Há, no entanto, meios indiretos, que podem ser acionados, cumulativamente com o pedido de perdas e danos. Neste caso, a “astreintes” (Multa pecuniária) servirá também de instrumento coercitivo para cumprimento da obrigação, tem por escopo compelir o devedor a cumprir em tempo razoável com a obrigação, tal multa não exclui o direito a perdas e danos. Podem, ainda, ser requeridas ou determinadas de ofício medidas práticas para efetivação da tutela específica, como busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividades nociva, se necessário com requisição de força policial. (Maria Helena Diniz).
Quando o inadimplemento de uma obrigação de fazer infungível se dá por um excludente de responsabilidade (força maior ou caso fortuito), o devedor deverá resolver os valores pagos. Já quando o inadimplemento decorre de culpa do devedor devesse avaliar se trata de inadimplemento absoluto, no qual a obrigação não pode mais ser cumprida por não ser mais útil ao credor deverá, portanto, devolver os valores pagos acrescido de perdas e danos, ou de mora se o cumprimento da obrigação ainda for útil ao credor, neste caso poderá-se se aplicar pena diária pelo descumprimento ou resolução obrigacional acrescida de perdas e danos.
Quando se trata de obrigação intuito personae, ocorre um óbice legal para o cumprimento dela. Se o ato somente puder ser praticado por pessoa específica, impossível será obter medida judicial que coercitivamente lhe faça cumprir a obrigação. Cabe neste caso, apenas cominação de pena pelo desfazimento da obrigação.
Da impossibilidade de cominação de pena pecuniária
Há na doutrina aqueles que defendam a não aplicação de pena pecuniária, pois não pudesse coagir o devedor a prestar o fato, tão somente pelo fato de fazer com que, seu patrimônio responda pelas perdas e danos decorridos do não cumprimento em tempo da obrigação. Esta pena poderá ser aplicada somente no caso de obrigações em dinheiro.
Possibilidade de pena pecuniária nas obrigações intuito personae
Quando falasse em descumprimento de obrigação intuito personae a aplicação de pena pecuniária pelo inadimplemento se faz necessária para incentive o devedor a cumpri-la. Tem por escopo assim, induzir coercitivamente o devedor ao cumprimento da obrigação. Caberá neste caso resolução dos valores pagos acrescida de perdas e danos e, multa diária (Fabio Figueiredo).
Inadimplemento na Obrigação de não fazer
Se o devedor realiza o ato, não cumprindo o dever de abstenção, pode o credor exigir que ele o desfaça, sob pena de ser desfeito à sua custa, além da indenização de perdas e danos. O ato também poderá ser desfeito por terceiros, que deverá responder por perdas e danos. Incorre o devedor em mora desde o dia em que executa o ato de que deveria abster-se. 
A mora, nas obrigações de não fazer, é presumida pelo só descumprimento do dever de abstenção, independente de qualquer intimação.
Pode, ainda, o descumprimento da obrigação de não fazer resultar de fato alheio à vontade do devedor, impossibilitando a abstenção prometida. Tal como ocorre nas obrigações de fazer, “extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar” (CC, art. 250).
Prescreve o art. 642 do mencionado diploma que, “se o devedor praticou o ato, a cuja abstenção estava obrigado pela lei ou pelo contrato, o credor requererá ao juiz que lhe assine prazo para desfazê-lo”.
Desse modo, o juiz mandará citar o devedor para desfazer o ato, no prazo que fixar. Se este não cumprir a obrigação, o juiz mandará desfazê-lo à sua custa, responsabilizando-o por perdas e danos (CPC, art. 643).
Se não for possível desfazer o ato, ou quando o credor assim preferir, a obrigação de não fazer será convertida em perdas e danos (CPC, art. 643, parágrafo único).( Carlos Roberto Gonçalves)
Todavia, na hipótese de haver urgência, o credor está autorizado a desfazer ou mandar desfazer, independentemente de prévia autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido (CC, art. 251, parágrafo único) em razão dos danos e gastos suportados com o inadimplemento culposo de obrigação de não fazer ( Maria Helena Diniz).

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