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Pena_Privativa_de_Liberdade_e_Regimes_de_Cumprimento

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de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das atividades discentes. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.258, de 2010)
§ 3o  Nos demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias de intervalo entre uma e outra. (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)
Ressalvadas as hipóteses de cursos previstas no parág. 2°., do art. 124, as saídas temporárias devem respeitar um limite mínimo de concessão entre uma e outra. Ex.: o condenado que sai para o Natal, não pode sair para o Ano Novo. Respeita-se, com isso, um limite de 45 dias entre uma saída temporária e outra.[114: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 307.]
Revogação da Saída Temporária
Art. 125. O benefício será automaticamente revogado quando o condenado praticar fato definido como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições impostas na autorização ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso.
Relembrando: fato definido como crime doloso não depende de trânsito em julgado para que o benefício da saída temporária seja revogada. Se o condenado for punido por falta grave, após o devido processo legal, deve ter o benefício da saída temporária revogado. O mesmo ocorrerá se o condenado desrespeitar as condições do benefício (não frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres, por exemplo), ou, ainda, não aproveitarem o curso que pediram para fazer.
Parágrafo único. A recuperação do direito à saída temporária dependerá da absolvição no processo penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da demonstração do merecimento do condenado.
Se o preso for absolvido no processo penal ou no processo administrativo que apura a multa ou voltar a demonstrar merecimento, deve voltar a receber o direito às saídas temporárias. 
Saída Temporária Através de Monitoração Eletrônica
Conforme o art. 146-B da LEP o juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica quando: II - autorizar a saída temporária no regime semiaberto; O monitoramento eletrônico pode ou não ser uma medida deferida pelo juiz. Não se trata de um direito subjetivo do preso, segundo Nucci.[115: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 326.]
O preso em regime fechado por receber remição
Regras do regime aberto
a) Autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado - requisitos do regime aberto 
Prevê o art. 36 do CP que “O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. § 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de folga. § 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso, se frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada”. 
b) Pressupostos - aceitação de programa e das condições impostas pelo Juiz 
     Como pressuposto o art. 113 da LEP prevê que o ingresso do condenado em regime aberto supõe a aceitação de seu programa e das condições impostas pelo Juiz. O regime aberto baseia-se na autodisciplina. Por isso, o condenado deve por si só respeitar as regras do regime para poder nele ingressar. 
Conforme o art. 114 da LEP somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: 
I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente;
Este inciso deve ser interpretado com equilíbrio. A inexistência de trabalho não é suficiente para vedar o ingresso do apenado no regime aberto. [116: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 297.]
II - apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime.
Parágrafo único. Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei. Prevê o art. 117 da LEP: “Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: I - condenado maior de 70 (setenta) anos; II - condenado acometido de doença grave; III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; IV - condenada gestante”.
Condições Gerais ou Obrigatórias e Especiais do Regime Aberto
Conforme o art. 115 da LEP, o Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias:
I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;
II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;
III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;
IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado.
Além das condições previstas neste art. 115, consideradas gerais e obrigatórias pelo legislador, pode o juiz impor outras condições denominadas especiais. Segundo a doutrina, podem ser “a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção; b) recolher-se à habitação em hora fixada”. Estas duas condições são também previstas ao condenado que entra no livramento condicional, conforme o art. 132, parág. 2º. da LEP. Podem ser impostas pelo juiz condições previstas à Suspensão Condicional da Pena – art. 78, parág. 2º. do CP. [117: MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução penal. 11ª. ed. rev. e atual. até 31 de março de 2004 por Renato N. FABBRINI. São Paulo: Atlas, 2004, p. 460 e 465.]
Art. 116. O Juiz poderá modificar as condições estabelecidas, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da autoridade administrativa ou do condenado, desde que as circunstâncias assim o recomendem.
A previsão deste dispositivo é de adaptar o regime aberto às necessidades do condenado. Portanto, se o condenado mudar o turno do emprego, tiver que fazer viagens profissionais, o juiz poderá adaptar as condições para que o condenado não perca a oportunidade profissional de que dispõe para poder se integrar com maior facilidade à sociedade. Pode ocorrer, ainda, de que as condições impostas estejam muito frouxas, criando sensação de impunidade perante o meio social onde vive o condenado. Assim, caberá também a alteração das condições impostas pelo magistrado.[118: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Vol. 2. 6ª. ed. refor. e atual. São Paulo: RT, 2012, p. 298.][119: MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução penal. 11ª. ed. rev. e atual. até 31 de março de 2004 por Renato N. FABBRINI. São Paulo: Atlas, 2004, p. 466.]
Local de cumprimento do regime aberto – Casa de Albergado
No regime aberto a execução da pena será em casa de albergado ou estabelecimento adequado. No regime aberto a pena será cumprida em casa de albergado, conforme previsão dos artigos 93 a 95 da Lei de Execuções Penais. [120: Art. 93. A Casa do Albergado destina-se ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime aberto, e da pena de limitação de fim de semana. Art. 94. O prédio deverá situar-se em centro urbano, separado dos demais estabelecimentos, e caracterizar-se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga. Art. 95. Em cada região haverá, pelo menos, uma Casa do Albergado, a qual deverá conter, além dos aposentos para acomodar os presos, local adequado para cursos e palestras. Parágrafo único. O estabelecimento terá instalações para os serviços de fiscalização e orientação dos condenados.]
Cumprimento em Residência Particular
É possível cumprir o regime aberto em residência particular ao invés de Casa de Albergado nas hipóteses previstas no art. 117 da LEP: Somente