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Pena_Privativa_de_Liberdade_e_Regimes_de_Cumprimento

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a sentença final condenatória (prisão temporária - Lei. n. 7.960/90 e prisão preventiva - art. 311 do CPP). O tempo de prisão anterior à sentença penal condenatória é descontado da pena recebida no momento da sentença penal condenatória. Exemplo: João esteve preso durante um ano em flagrante. Ao final do processo foi condenado a seis anos. Deve cumprir somente cinco anos de pena. 
Somente a pena privativa de liberdade implica em detração
Com o advento da Lei n. 12.403/2011 o Código de Processo Penal foi modificado e atualmente há duas modalidades de prisão provisória: a) prisão temporária - Lei. n. 7.960/90; b)prisão preventiva - art. 311 do CPP conforme Capez. A prisão em flagrante, segundo Aury Lopes não é mais classificada como prisão cautelar pela doutrina pois ela não pode perdurar após o ato de prisão. Segundo o autor a medida é pré-cautelar eis que pode ser adotada por policiais ou particulares e depende de exame a ser feito pelo juiz sobre a validade ou não do ato. Se alguém for preso em uma das hipóteses do art. 302 do CPP, deve-se lavrar o auto e após o juiz examinar deve optar por uma das medidas do art. 310 do CPP: I- relaxa a prisão; II - converte-a em preventiva; III – concede liberdade provisória ao preso. Portanto, não pode mais o sujeito permanecer meses ou anos preso em razão do flagrante. O art. 319 do CPP prevê agora nove providências cautelares evitando-se o encarceramento antes do processo. Entre as medidas estão o “comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades” (inc. I). [144: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 428.][145: LOPES JR. Aury. Direito processual e sua conformidade constitucional. 9ª. ed. rev. e atual., São Paulo: Saraiva 2012, p. 796.][146:    “Art. 310.  Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente: I - relaxar a prisão ilegal; ou  II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. Parágrafo único.  Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogação”.][147: “Art. 319.  São medidas cautelares diversas da prisão: I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações; III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução; V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos; VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais; VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração; VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; IX - monitoração eletrônica.§ 4o  A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com outras medidas cautelares”.]
Segundo Capez não cabe a detração em relação a maioria das medidas previstas no art. 319 do CPP pois o CP fala em prisão provisória no art. 42 e não de providências acautelatórias de natureza diversa da prisão. O autor ressalta que o art. 321 do CPP prevê que as medidas cautelares diversas da prisão somente são aplicadas pelo juiz quando não há motivos para decretar a prisão preventiva conforme o art. 321 do CPP. O autor destaca que não se pode comparar prisão preventiva com liberdade monitorada eletronicamente que é uma das previsões do art. 319 do CPP. A autor admite caber detração da medida de internação prevista no inciso VII do art. 319 do CP: “internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração”. Neste caso o próprio art. 42 do CP admite. [148: “Art. 321.  Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282 deste Código”.][149: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 429.]
Para Nucci as medidas que tiverem maiores limitações devem ser compensadas pela detração penal.[150: NUCCI, Guilherme de Souza. Código de processo penal comentado. 11ª. ed. rev. e ampl. São Paulo: RT, 2002, p. 682. ]
Somente o juiz que executa a pena e não o que condenou o réu pode aplicar a detração
Conforme o art. 66, III, c da LEP cabe ao juiz da execução penal aplicar a detração penal.[151: Art. 66. Compete ao Juiz da execução: III - decidir sobre: c) detração e remição da pena;][152: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 431.]
Prisão Provisória
Tempo que a pessoa responde quando está presa em razão da preventiva ou temporária.[153: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 431.]
Não Cabe Detração em Pena de Multa
Não é possível pois atualmente a Lei n. 9.268/96 proibiu a conversão da pena de multa em detenção.
Não Cabe Detração Quando a Sentença Penal estiver Suspensa – Sursis
O período que o réu ficou preso provisoriamente (preventiva ou temporariamente) não desconta do período de prova - sursis. Só descontará caso haja a revogação do sursis e o réu tenha que cumprir a pena no regime fixado na sentença.[154: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 431-2.]
Cabe Detração cabe em Penas Restritivas de Direitos
É possível. Ex.: “A” condenado a 8 meses de detenção e tem a pena substituída por 8 meses de pena restritiva de direito. Pode descontar do período a ser substituído o período de prisão provisória.[155: CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 16ª. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 432.]
Tempo de Prisão Provisória em Outro Processo Torna Possível a Detração
“É possível descontar o tempo de prisão provisória de um processo, cuja sentença foi absolutória, em outro processo de decisão condenatória?” Sim. No entanto, o crime pelo qual o réu foi condenado tem que ter sido praticado antes da prisão provisória efetuada no processo em que o réu foi absolvido. Ex.: “A” comete um estelionato em 20 de março de 1990 o qual responde em liberdade. Em 13 de maio de 1990 comete um furto motivo que enseja prisão preventiva de “A”. Contudo “A” é absolvido do crime de furto e condenado pelo estelionato. Pode descontar o período de detração em relação ao estelionato mesmo tendo sido preso provisoriamente por furto. Essa posição é aceita por Capez e Nucci. [156: CAPEZ, Fernando. Curso de