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Diário da Fábrica

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Diário da Fábrica 
O início do texto consiste em um diário de 1934 no qual uma operária narra os 
seus dias na indústria. Ao longo da narrativa é possível notar que o trabalho é exaustivo, 
mal remunerado e completamente perigoso, onde os operários encontram-se em 
condições precária . As passagens “...com todas as lâmpadas apagadas, menos as de 
vigilância que não iluminam nada.” e “...as chamas chegam a lamber as mãos e os 
braços.” comprovam essas condições. Os operários trabalham em equipe onde homens, 
mulheres e crianças possuem as mesmas funções, apesar de não terem a mesma 
capacidade física. Apesar de todo o sofrimento que são submetidos, os operários não 
possuem uma visão comum sobre o trabalho e dessa maneira não se rebelam, uma vez 
que acreditam que essa é a única maneira de ganhar a vida. 
A operária que escreve o diário afirma sempre estar esgotada e por isso acaba 
esquecendo os verdadeiros motivos de estar na fabrica e se deixando levar pelo ato de 
não pensar, pois assim não sofreria mais. Acredita ainda, que se não existisse o 
domingo, dia em que é possível descansar, ela viraria uma besta de carga, dócil e 
resignada. Só o sentimento da fraternidade, a indignação pelas injustiças infligidas a 
outros permanecem intactos. A partirdessas ideias a operaria se mostra indignada, 
porém cai na realidade que o trabalho deve ser feito, e faze-lo com raiva só pioraria a 
situação. 
A operária sente-se como uma escrava, tanto que ao entrar em um ônibus 
publico, não acredita que aquilo corresponde a sua realidade, que só deveria andar a pé. 
Acredita que os seus colegas não sabem que são escravos, mas sabem o que é justo e 
injusto, em um mundo que tudo é injustiça. O sentimento da dignidade pessoal tal qual 
o fabricou a sociedade está desfeito. O tempo é um peso intolerável. 
O operário se mata sem nenhum resultado, nem subjetivo, nem objetivo, que 
corresponda ao sofrimento que sofre. Ai é que se sente realmente escravo,humilhado até 
o mais intimo de si. 
 
O mistério da fabricação 
Uso de cada peça:1) a maneira como se ajusta as outras 
 2) a sucessão das operações por que passa 
 3) O uso final do conjunto 
 
O operário entra de greve pelo motivo principal: depois de de ter vivido sempre 
dobrado e suportando, aguentando tudo em silencio durante meses e anos, ousar, 
finalmente, levantar-se. Ficar de pé. 
A racionalização 
A definição da palavra é vaga. Designa certos métodos de organização 
industrial, mais ou menos racionais, que reinam atualmente nas nossas fabricas, sob 
diversas formas. Há de fato, vários métodos de racionalização e cada chefe de empresa 
os aplica a seu modo. Mas todos se apóiam na ciência no sentido de que os métodos de 
racionalização são apresentados como métodos organização cientifica de trabalho. A 
ciência passa a intervir na produção e na invenção e aperfeiçoamento das maquinas e 
com as descobertas de processos que permitiam utilizar as forças da natureza. 
Houve uma segunda revolução industrial. A primeira se define pela utilização 
cientifica da matéria inerte e das forças da natureza. A racionalização surge como um 
aperfeiçoamento da produção. O próprio movimento operário, seja sindicalismo ou 
organizações operarias que precederam aos sindicatos, tampouco pensou em tratar 
amplamente os diferentes aspectos do problema de um regime aceitável. 
A sociedade burguesa está atacada de uma mania única: a monomania da 
contabilidade. Para ela nada tem valor se não pode ser registrado em francos e centavos. 
É mais fácil reclamar do número marcado numa folha de pagamento do que analisar os 
sofrimentos suportados no decorrer de uma jornada de trabalho. Por isso a questão dos 
salários faz com que muitas vezes reivindicações vitais sejam esquecidas. Pois bem, 
isso é uma lacuna extremamente grave para o movimento operário, porque há muito 
mais do que a questão dos lucros e da propriedade em todos os sofrimentos suportados 
pela classe operária em consequência da sociedade capitalista. Portanto, há duas 
questões a distinguir: a exploração da classe operária que se define pelo lucro 
capitalista, e a opressão da classe operária no local de trabalho, que se traduz em 
sofrimentos prolongados, conforme o caso, 48 horas ou 40 horas por semana, mas que 
podem ir ainda além da fábrica ocupando as 24 horas do dia. A solução ideal seria uma 
organização do trabalho tal que cada fim de tarde saíssem ao mesmo tempo o maior 
numero possível de produtos bem feitos e de trabalhadores felizes, o que não existe o 
que existe na verdade e exatamente o contrario. 
 Aí está o verdadeiro problema, o mais grave problema que a classe 
operária tem: encontrar um método de organização do trabalho que seja aceitável ao 
mesmo tempo para a produção, para o trabalho e para o consumo. Para caracterizar o 
atual regime da indústria e as mudanças introduzidas na organização do trabalho fala-se 
quase que indiferentemente de racionalização ou de taylorização. Quando se fala de 
taylorização, indica-se a origem do sistema, porque foi Taylor quem encontrou o 
essencial, quem deu o impulso e marcou a orientação deste método de trabalho. Embora 
Taylor tenha batizado seu sistema de “organização científica do trabalho”, ele não era 
um cientista. A cultura que tinha correspondia muito isso, nunca fez estudos superiores 
de engenharia, também não era exatamente um operário embora tenha trabalhado na 
fabrica. Por nascer em família relativamente rica poderia ter vivido sem trabalhar, mas 
pelos princípios puritanos, que não permitia ociosidade, estudou e uma doença nos 
olhos o fez para e trabalhar, fez curso de operador mecânico e com seu aprendizado 
conseguiu emprego de torneiro em uma empresa onde subiu de cargo e ao ser o 
contramestre disse “Agora estou do outro lado da barricada, vou fazer o que devo 
fazer”, ao ser questionado por ex-colegas de trabalho sobre a diminuição de tarifas por 
conhecer o trabalho. 
Em suma a grande preocupação era evitar qualquer perda de tempo de trabalho, 
otimizar o tempo com movimentos rápidos que eram cronometrados de acordo com o 
método primeiramente estudar cientificamente os melhores procedimentos a empregar 
em qualquer trabalho, estudando os tempo decompondo cada trabalho em movimentos 
elementares. Os contra-mestres egípcios tinham chicotes para levar os operários a 
produzirem, Taylor substituiu o chicote pelos laboratórios, com a cobertura da ciência. 
Um dos métodos da ação sindical, nessa época, consistia em limitar a produção 
para impedir o desemprego e a redução de tarifas por peças. Taylor conseguiu tirar do 
operário a escolha de seu método e a inteligência de seu trabalho, transferindo estas para 
a seção de planejamento e estudos o que mostra que Taylor não procurava um método 
de racionalizar o trabalho, mas um meio de controle dos operários, e se achou ao mesmo 
tempo o meio de simplificar o trabalho. 
O grande argumento de Taylor foi de que esse sistema servia aos interesses do 
publico, isto e, dos consumidores. Do ponto de vista do efeito moral sobre os operários, 
a taylorizaçao provocou, evidentemente, a desqualificação dos operários, bem como, o 
isolamento dos trabalhadores. E através dos meios mais grosseiros, usando como 
estimulante, ao mesmo tempo, a sujeição e a isca da gratificação, um método de 
domesticação. 
Experiência da vida de fabrica 
As linhas que se seguem provem duma experiência de vida de fabrica antes de 
1936. Podem surpreender a muita gente que não tem contato direto com os operários. 
A fabrica poderia encher a alma com o poderoso sentimento de vida coletiva 
dada pela participação no trabalho de uma grande fabrica, pois não e possível se sentir 
pequeno dentro da multidão