A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
138 pág.
sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

Pré-visualização | Página 35 de 40

anorexia, dor abdominal, 
tenesmo, fezes aquosas com sangue e pus. 
 Ulceração intestinal. 
 
Diagnóstico 
Os Balantidium coli podem ser detectados a partir de exame directo das fezes com 
observação dos trofozoítos e quistos. 
 
 
Tricomoniose 
 Da família Trichomonadidae existem três espécies que parasitam o homem: o Trichomonas 
vaginalis (que infecta cavidades genitais e urinárias do homem e da mulher), o Trichomonas tenax 
(infecta a boca) e o Trichomonas hominis (infecta o intestino grosso). 
 
Trichomonas vaginalis 
 O Trichomonas vaginalis é um protozoário causador de infecções urogenitais. É um 
eucariota ancestral que possui quatro flagelos e uma membrana ondulante responsáveis pela sua 
motilidade. Este parasita é anaeróbio, não possuindo mitocôndrias mais sim hidrogenossomas, 
que estão envolvidos no metabolismo dos hidratos de carbono. 
O Trichomonas vaginalis é um parasita extracelular que adere ao 
epitélio a infectar; depende do hospedeiro para a síntese de nutrientes 
essenciais (nucleótidos, ácidos gordos e aminoácidos). Não forma 
quistos (só existe sob a forma de trofozoíto). A sua replicação dá-se por 
divisão binária longitudinal. 
O Homem é o hospedeiro natural deste parasita, que está 
espalhado por todo o mundo (mais de 170 milhões de casos). A sua transmissão dá-se por via 
sexual e vertical (durante o parto); ocasionalmente, infecções são transmitidas por fomitos. 
 
 
 
 
114 
Patogénese e Patologias 
A tricomoniose é uma DST considerada como uma uretrite não gonocócica. O 
agente responsável provoca uma inflamação e erosão das células escamosas do epitélio do 
tracto genital. 
Os homens são normalmente portadores assintomáticos, servindo de reservatórios 
para infecções na mulher. Eles, quando sintomáticos, apresentam: 
 Uretrite, com disúria e polaquiúria; 
 Prostatite. 
Muitas mulheres também são assintomáticas, ou podem apresentar doença aguda 
ou crónica: 
 Vaginite, associada com leucorreia, prurido, ardor e 
micção dolorosa. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico de tricomoniose pode ser feito com a observação microscópica a 
fresco ou corada (Giemsa) de esfregaços de corrimento vaginal ou uretral (sensibilidade: 60 
a 70%). Com maior sensibilidade (93%), pode-se efectuar uma cultura do parasita em 
meios especiais (meio de Kupferberg). 
Outros meios de diagnóstico que podem ser utilizados são: detecção de antigénios 
por imunofluorescência e ELISA (sensibilidade: 86%) ou hibridização com sonda 
oligonucleotídica específica para DNA de Trichomonas. 
 
 
 
 
 
115 
 
Protozooses do sangue e dos tecidos 
 
Toxoplasmose 
Toxoplasma gondii 
 O Toxoplasma gondii é um parasita intracelular ubiquitário cujo reservatório natural mais 
comum é o gato doméstico (e outros felinos). O Homem, outros mamíferos e aves podem-se 
tornar hospedeiros intermediários. 
 A transmissão dá-se pela ingestão de oocistos presentes no ambiente, provenientes das 
fezes dos gatos, por ingestão de quistos em carne crua ou mal cozida, por transplantação de 
órgãos e transfusões sanguíneas contaminadas e por infecção transplacentária. 
 
Patogénese e Patologias 
Ver imagem para mais 
detalhes. O hospedeiro 
definitivo do Toxoplasma gondii 
é o gato. Um gato infectado 
excreta oocistos imaturos que 
com o tempo passam a ser 
esporulados. Esses entram num 
hospedeiro intermediário como 
o homem por comida ou águas 
contaminadas na forma de 
oocisto; outros animais usados 
na alimentação humana 
também podem ser infectados 
e formar quistos em tecidos 
que podem ser ingeridos por 
nós. O tempo de incubação é de 
5 a 23 dias. Dentro do organismo humano eles podem tomar duas formas: taquizoítos 
(“tachi” de rápido), em células tecidulares; ou bradizoítos (“bradi” de lento), em quistos. Os 
parasitas podem passar pela placenta e infectar o embrião/feto. 
A infecção por Toxoplasma gondii pode ser assintomática e benigna. Caso contrário: 
 Toxoplasmose (infecção aguda), em indivíduos 
imunocompetentes, caracterizado por arrepios, febre, 
cefaleias, mialgias, linfadenites e fadiga (semelhante à 
mononucleose); 
 Toxoplasmose em indivíduos imunodeprimidos 
(transplantados e doentes com sida), cujos pacientes 
infectados podem expressar neurotoxoplasmose 
(meningoencefalite, encefalopatia), toxoplasmose visceral, 
febre e cefaleias; neste tipo de doentes, a toxoplasmose 
pode vir de uma reactivação de uma toxoplasmose 
latente, adquirida anteriormente; 
 Toxoplasmose congénita, que ocorre por primo-infecção 
materna durante a gravidez, com passagem 
 
 
 
116 
transplacentária dos taquizoítos para o feto. As 
manifestações clínicas são mais severas, quanto mais 
precoce for a contaminação fetal; infecções no primeiro 
trimestre podem causar morte in utero, parto prematuro 
ou toxoplasmose polivisceral (microcefalia, calcificação 
intracraniana, surdez, cegueira, hepatite, pneumonia). 
 
Prevenção e Diagnóstico 
As infecções por Toxoplasma gondii evitam-se se evitarmos consumir carnes mal 
cozinhadas (podem possuir quistos que não foram destruídos pelo calor), frutas ou 
legumes mal lavados ou se evitarmos aproximar de gatos de rua, especialmente os mais 
jovens. 
Os Toxoplasma gondii podem ser detectados por exame diagnóstico directo ou 
indirecto. O exame directo procura diversos componentes orgânicos por coloração Giemsa, 
Leishman, hematoxilina-eosina e coloração argêntica ou por PCR. No exame indirecto, 
pesquisam-se anticorpos IgM e IgG específicos (reacção de neutralização; reacção de Sabin-
Feldman; reacção de fixação do complemento; reacção de hemaglutinação; reacção de 
imunofluorescência; reacção imunoenzimática (ELISA) e/ou Imunoblot.) 
 
 
Malária ou Paludismo 
 Paludismos são doenças causadas por organismos do género Plasmodium. Existem 
centenas de espécies deste género; eles parasitam variados hospedeiros, sejam mamíferos, aves 
ou répteis. 
 Os Plasmodium são seres com um metabolismo aeróbio obrigatório muito activo e 
possuem ciclos alternados, entre um hospedeiro artrópode (reprodução sexuada) e um 
vertebrado (reprodução assexuada). Outra característica típica é a sua elevada mobilidade, sem 
que tenham quaisquer flagelos ou cílios. 
 As quatro espécies de Plasmodium que infectam humanos são o P. vivax, o P. ovale, o P. 
malariae e o P. falciparum. A sua transmissão dá-se pela picada da fêmea de mosquito Anopheles, 
por via sanguínea (ex. malária transfusional, toxicodependentes) e por via vertical (ex. malária 
congénita). 
Infecções com espécies de Plasmodium são responsáveis por 1 a 5 milhares de milhões de 
episódios febris e 1 a 3 milhões de mortes anualmente (85% das quais são em África). Os grupos 
com riscos acrescidos são as crianças, os bebés, as grávidas, os idosos, os doentes e os não-imunes. 
 
Ciclo de vida dos Plasmodium 
A infecção humana inicia-se com a picada de um mosquito Anopheles, o qual 
introduz esporozoítos de plasmódio via saliva no sistema circulatório. Esses esporozoítos 
são transportados para as células do parênquima hepático, onde ocorre a reprodução 
assexuada (esquizogonia) – ciclo exoeritrocitário, que dura durante 8 a 25 dias. Algumas 
espécies, como o P. vivax e o P. ovale podem estabelecer uma fase hepática dormente, no 
qual os esporozoítos (chamados de hipnozoítos) não se dividem, o que pode levar a 
recaídas meses a anos depois da doença inicial. Os hepatócitos eventualmente lisam, 
libertando os plasmódios (chamados de merozoítos nesta fase); estes já são capazes de 
parasitar os eritrócitos – ciclo eritrocitário. Replicam-se novamente nos eritrócitos, 
causando a sua ruptura. 
 
 
 
117 
Alguns merozoítos são capazes de iniciar uma reprodução sexuada no eritrócito. Se 
este for ingerido por um mosquito, este poderá infectar outros humanos. Ver imagem para 
mais detalhes.