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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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nos Microrganismos 
Mutações 
As mutações são alterações não reparadas na sequência nucleotídica de um gene. 
Podem ter origem espontânea (10-8/par de nucleótido/geração) ou podem ser induzidas 
(ex. por radiações, químicos mutagénicos, etc.). 
Podem ser de vários tipos: mutações pontuais (microinserções, microdelecções, 
duplicação e substituição), translocações, macroinserções, macrodelecções, inversões, 
transições e transversões. Há mutações que são silenciosas, nonsense ou de “frame-shift”. 
 
Recombinação Genética 
A recombinação genética dá-se quando há transferência de material genético de 
uma célula dadora para uma receptora – parassexualidade, originando um novo genótipo 
na célula receptora. A recombinação genética pode ser feita de diversas formas. 
 
Conjugação 
A conjugação é uma 
forma de recombinação genética 
unidireccional que se dá quando 
uma bactéria cede material ge-
nómico a uma bactéria receptora 
a partir de um tubo de 
conjugação que se forma entre as 
duas a partir de um pilus de con-
jugação (fímbria). Normalmente 
há a transferência de plasmídeos 
aos quais se dá o nome de plasmídeos conjugativos. 
 
Transdução 
Na transdução o DNA bacteriano é transferido de uma linhagem para outra 
por meio de um bacteriófago. A transdução pode ser generalizada, em que 
fragmentos ao acaso do DNA bacteriano clivado (ciclo lítico) que têm o mesmo 
tamanho do genoma do fago são empacotados como se fossem DNA do fago, sendo 
depois transferidos para futuras células receptoras; ou pode ser especializada, em 
que quando o DNA viral se desintegra do DNA hospedeiro, leva consigo DNA deste 
que é empacotado e transferido (ciclo lisogénico). 
 
Importância dos Bacteriófagos 
Na Fagotipagem: caracterização de uma bactéria pela identificação 
da sua susceptibilidade a determinados bacteriófagos. 
 
 
 
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Na Biologia molecular: pela criação de vectores de clonagem no DNA 
bacteriófago, que serão transferidos para as bactérias alvo. 
Na Fagoterapia: em que visa aproveitar a capacidade dos 
bacteriófagos para eliminar bactérias altamente patogénicas ou 
multi-resistentes. 
Na Conversão fágica: em que o DNA do fago dá capacidade à 
bactéria de produzir novas proteínas. 
 
 
 
 
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Infecção bacteriana: Resposta/Mecanismos de defesa 
 
Simbiose 
 Do grego sýn, juntamente + bíosis, modo de vida, simbiose está relacionado com o modo 
que os organismos de relacionam. Pode ser do tipo comensalismo, em que o organismo recolhe o 
seu alimento sem necessitar de ajuda, do tipo mutualismo, em que dois organismos agem em 
benefício recíproco e do tipo parasitismo, onde numa relação entre dois seres vives apenas há 
benefício unilateral. 
Mecanismos de Defesa não Específicos 
(barreiras de defesa constitutivas) 
Barreiras de Defesa 
 A pele é a maior barreira de defesa no nosso organismo contra microrganismos invasores; 
não é só uma barreira física, mas também uma barreira química devido a secreções com 
compostos com actividade anti-microbiana (ácidos orgânicos como o lactato, ácidos gordos como 
o ácido oleico, lisozimas). A descamação contínua, o grau de desidratação/humidade locais, o pH e 
as bactérias da flora normal também ajudam a afastar agentes invasores. 
 Mas temos também outras barreiras de defesa no nosso organismo. No tracto 
gastrointestinal abundam secreções tóxicas (secreções gástricas, bílis) para os agentes invasores e 
mucosas que os afastam. O epitélio ciliado e o muco ajudam a eliminar os microrganismos do 
tracto respiratório. O tracto urogenital também é difícil de invadir devido aos pH acídicos dessa 
região. 
Ainda é de lembrar que nos tecidos epiteliais encontram-se macrófagos prontos a actuar. 
 
2ª Linha de Defesa: Resposta Inflamatória 
 Quando os organismos invasores conseguem finalmente penetrar nas nossas barreiras, é 
activada a resposta inflamatória, onde células fagocitárias que foram chamadas ao local da 
invasão por citocinas pro-inflamatórias fagocitam os invasores. Outros mecanismos da resposta 
inflamatória também são activados. 
 A 2ª linha de defesa não se fica só pela resposta imunitária. Há enzimas que actuam 
directamente na destruição dos organismos invasores: a lisozima, que actua no peptidoglicano da 
parede celular da bactéria e a lactoferrina, que sequestra ferro, essencial para a multiplicação e 
crescimento das bactérias. Ainda se pode referir a presença de IgA revestindo as superfícies do 
epitélios, o que impede a aderência das bactérias. 
 
Flora Normal 
 Não fazendo inteiramente parte dos mecanismos de defesa do ser humano, a flora normal 
desempenha um papel importantíssimo nas nossas defesas. Na pele e nos diversos tractos existe 
uma flora normal de microrganismos, constituída maioritariamente por bactérias (fungos, 
particularmente leveduras, e os protozoários encontram-se em número muito reduzido), que 
competem, com vantagem, com as outras bactérias patogénicas. 
 As bactérias residentes na flora normal, que dependem de factores como a idade, o sexo, a 
dieta, a higiene, etc., desenvolveram características especiais que lhes permitiram adaptar-se aos 
locais onde sobrevivem e se multiplicam, sem causar qualquer dano. Elas oferecem várias 
vantagens: sintetizam vitaminas (K, B12) em excesso que são absorvidas pelo hospedeiro, libertam 
lixos metabólicos e produtos com actividade anti-bacteriana, regulam a acidez do meio e 
 
 
 
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estimulam o tecido linfóide do intestino e o sistema imunitário por produzirem anticorpos 
“cruzados” que são eficazes em bactérias patogénicas. Mas as bactérias da flora normal também 
podem trazer desvantagens: há o perigo de infecções oportunistas, pois quando há quebra/perda 
do equilíbrio/diminuição das resistências, estas bactérias são as primeiras a tirar partido da 
situação (perfuração intestinal, extracção dentária, infecções, etc.). Desequilíbrios da flora normal 
podem causar doenças dependendo do local onde tal ocorreu. 
 O número de organismos pertencentes à flora normal varia muito com o local onde se 
encontram. Mas num indivíduo saudável, não deverá haver qualquer flora normal no sangue, no 
líquido cefalorraquidiano, no SNC, nos músculos, nos parênquimas, etc. 
 
Mecanismos de Defesa Específicos 
(barreiras de defesa induzidas) 
 Os mecanismos de defesa específicos surgem em resposta dirigida a determinado 
microrganismo. É considerada a 3ª Linha de defesa: a resposta imunitária (imunidade adquirida). 
 
Alterações dos Mecanismos de Defesa 
 Alterações locais como a interrupção da continuidade (feridas, escoriações), a 
interferência com o efeito de varrimento dos epitélios ciliados (obstrução brônquica e urinária, 
corpos estranhos) e modificações da flora normal (por efeito de antibióticos) podem acarretar em 
alterações gerais. Essas alterações gerais são a diminuição/disfunção dos neutrófilos (diminuição 
da fagocitose e alterações do complemento (C3)) e a diminuição da imunidade humoral – Igs de 
opsonização7. A diminuição da imunidade celular pode ser congénita (alteração dos neutrófilos) ou 
adquirida (diabetes, imunossupressores, SIDA). 
 
Fuga aos Mecanismos de Defesa 
Redução da expressão antigénica 
Devido ao crescimento intracelular de bactérias onde estão ao abrigo do “ataque” 
do sistema imunitário ou devido à perda dos antigénios membranares próprios. 
 
Imitação das células do hospedeiro 
Devido à expressão de moléculas de superfície semelhantes ou à aquisição de 
cobertura por moléculas da célula do hospedeiro. 
 
Variação de expressão de antigénios 
Devido ao acumular gradual de mutações ou a mutações abruptas. 
 
Secreção de enzimas (proteases) 
Enzimas essas que são capazes de clivar IgA em fragmentos (Fab e Fc) de semi-vida 
encurtada incapazes de aglutinar bactérias. 
 
Infecção 
 A infecção ocorre se: 
 As bactérias residentes num determinado local