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Dicionario Financeiro_Completo

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brasileiras. O aumento dos juros tem conseqüências recessivas para a economia brasileira, pois limita os gastos dos agentes em consumo e investimento, assim como ocorreu na economia americana. 
Por fim, as principais empresas brasileiras exportadoras têm suas vendas bastante prejudicadas, com a diminuição de encomendas e cancelamento de novos contratos. Suas receitas são fortemente comprometidas em uma situação do gênero. Provavelmente, a empresa deverá diminuir sua produção, cortando empregos e investimentos. 
Os setores na economia estão todos interligados. Uma redução na produção de um determinado setor, afeta inúmeros outros responsáveis pelo fornecimento de matérias primas e insumos para o setor prejudicado. Esse fato mais a elevação dos juros que se fizer necessária colocam a economia brasileira também em recessão.
Rendimentos real e nominal
Se um investidor aplica R$ 100 e consegue um rendimento de 10% no mês, ele coloca no bolso R$ 110, certo? Errado. Esse ainda é o rendimento bruto nominal, ou seja, sem descontar os impostos e a inflação. No mercado financeiro, no entanto, o que interessa mesmo ao investidor são apenas os juros reais, porque indicam quanto realmente será colocado no bolso.
Para descobrir o rendimento líquido real do investimento, é preciso antes calcular o valor do rendimento líquido nominal, que é encontrado descontando do rendimento bruto – no nosso exemplo, 10% - os impostos a serem pagos. Essas taxas variam de acordo com as aplicações efetuadas. Descontando 20% de Imposto de Renda, por exemplo, sobre os 10%, o investidor achará um rendimento líquido nominal de 8%.
Sabendo, então, esse valor, o investidor já pode calcular seu rendimento líquido real. Para isso, basta descontar a inflação do período. Isso porque, se a inflação sobe e os preços dos bens e serviços acompanham, o dinheiro precisa crescer na mesma proporção para não se desvalorizar.
Descontando a inflação
O economista Décio Munhoz, membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, lembra que a inflação que deve ser levada em conta, nesse caso, é a medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Supondo que a inflação seja de 2%, basta diminuir esses 2% do rendimento líquido nominal de 8%. O rendimento líquido real fica em 6%.
Essa cálculo só é usado para aproximações, para números pequenos e para fins didáticos, já que o mercado financeiro trabalha com fatores de correção, explica o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando de Holanda Barbosa.
"Em uma conta envolvendo pequenos valores, o ganho aproximado é bem próximo do valor real. Mas 1% ou 2% de grandes valores é muito dinheiro", explica o economista.
 
Confira as diferenças:
Rendimento bruto nominal – Representa quanto um investimento rendeu sem descontar os impostos e a inflação.
Rendimento líquido nominal – É encontrado descontando do rendimento bruto nominal os impostos a serem pagos.
Rendimento líquido real – É o dinheiro que vai realmente para o bolso do investidor. Para calcular, basta descontar do rendimento líquido nominal a inflação do período de investimento.
 
Veja agora a regra matemática utilizada para o cálculo
Para descobrir exatamente o rendimento real de um investimento, o caminho é um pouco mais complexo. 
Vamos experimentar fazer essa conta, então, com os nossos números, lembrando que eles são fictícios:
 
Outros caminhos
Há outras formas de se chegar a esse mesmo resultado.
Se o rendimento líquido nominal for menor que a inflação no perído da aplicação, o investidor estará perdendo seu poder de compra. Se o problema for contínuo, o economista de Brasília diz que, normalmente, os investidores começam a migrar para aplicações mais rentáveis.
Rendimento líquido X Rendimento bruto
Ao investir seu dinheiro num fundo de investimento ou mesmo quando aplica na Bolsa de Valores, o investidor nem sempre está ciente do quanto ele está ganhando. Em alguns casos, o agente financeiro divulga a rentabilidade bruta e, em outros, a líquida. Por isso, é importante estar atento e questionar na hora em que se vê os rendimentos.
A diferença entre os dois tipos de rendimento. “O bruto é o total apresentado sem a dedução de impostos, encargos ou contribuições sociais. Já o líquido é o que realmente vai para o bolso do investidor”.
Confira os exemplos e acompanhe o cálculo de incidência de impostos sobre as aplicações em Bolsa e nos fundos de investimentos.
Os impostos, encargos e contribuições mencionados pelo professor diferem para cada tipo de investimento. Para o investidor pessoa física que aplica em renda fixa, há desconto de 20% de imposto de renda e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decrescente até chegar a isenção, após 30 dias sem movimentação. Confira a tabela completa de incidência do IOF.
Para os que aplicam em renda variável, o desconto é de 10% de Imposto de Renda e 0,30% de CPMF e as taxas (0,035% de emolumentos, pagos à Bolsa, sobre o valor de compra e, depois, sobre o de venda, além da corretagem, que é variável no mercado.
No caso dos fundos de investimento, além de todos os tributos citados acima, conforme o tipo de aplicação, pode incidir ainda a cobrança das taxas de performance e de administração, que variam de acordo com a instituição financeira.
O extrato de aplicação do cliente já mostra os valores com a rentabilidade líquida, ou seja, já descontados taxas e impostos. “No entanto, não são todos que fazem isso. O cliente precisa ficar atento. Quanto mais detalhada a informação, melhor”,
A rentabilidade da cota, aquela divulgada pelos gestores e veículos de comunicação, geralmente é bruta, ou seja, sem os descontos de impostos. “Mas já descontadas taxas de administração e performance, quando existentes”.
Vale ressaltar que o desconto da CPMF, 0,30%, só é realizado quando é feito algum tipo de movimentação, retirada ou saque. “Se o dinheiro for mantido, aplicado, não há cobrança de CPMF. Agora, no momento do saque, é feita a cobrança”, 
Uma observação a ser feita para os investidores de bolsa: nas negociações de day trade, compra e venda da ação no mesmo dia, os emolumentos caem para 0,025% e não há cobrança de CPMF.
Selic e CDI
Um fundo DI acompanha a rentabilidade do CDI, certo? Entretanto, ao analisar a carteira de um destes fundos, o que se encontra, muitas vezes, são títulos públicos federais. Os títulos, por sua vez, costumam ter como indexador a Selic diária, que é diferente da Selic meta. Confuso? Nem tanto, se entendermos o significado destes termos. 
A taxa básica de juros da economia brasileira, definida nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), é conhecida como Selic meta. Nos encontros mensais, os membros do Copom discutem uma série de fatores que afetam a economia, a fim de estabelecer qual será a taxa básica daquele período. 
“Eles examinam expectativas de inflação, taxas de juros dos países desenvolvidos, preços do petróleo, entre outras variáveis, e definem uma taxa de juros, com o objetivo de cumprir a meta de inflação para o ano”, .
Na reunião de fevereiro, o Copom optou por manter a Selic em 16,5% ao ano, com o objetivo de evitar que a inflação de 2004 ultrapasse a meta de 5,5%. “A taxa estabelecida pelo Comitê, porém, é uma meta, um alvo. No dia-a-dia, a Selic costuma ser um pouco maior ou menor do que a definida na reunião”, 
A Selic diária, portanto, é um pouco diferente dos juros estabelecidos pelo Copom. Divulgada pelo próprio Banco Central (BC), ela é uma taxa média das operações com títulos públicos no dia. Estas negociações são registradas no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que dá origem ao nome da taxa. 
Um dos fatores que pode influenciar a taxa diária é a liquidez do mercado. Quanto mais dinheiro há em circulação, maior a procura por títulos públicos federais e, portanto, menor a taxa oferecida pelo BC. Em 18 de fevereiro, por exemplo, a Selic meta era 16,5%, já a Selic do dia era 16,33%