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anatomia vegetal

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Caspary, e são denominadas "células de passagem" (Fig. 10). Estas 
células continuam a permitir a passagem de água e sais através da membrana 
plasmática, mesmo nestas reriões mais velhas das raízes, o que já não acontece 
mais, nas células endodérmicas que sofreram os espessamentos adicionais de 
parede. 
As raízes das plantas parasitas, geralmente, não apresentam endoderme, uma vez 
que a seleção do material a ser transportado nestas plantas, já foi feita pela 
endoderme da planta hospedeira. 
Figura 8 - Esquema de uma célula 
endoderme. 
http://www.botany.uwc.ac.za/ecotre
e/root/rootA.htm 
Figura 9 - Endoderme em U da 
raiz de Zea mays. 
http://www.botany.hawaii.edu/facult
y/webb/BOT410 
Figura 10 - Detalhe 
do cilindro vascular 
de Ranunculus sp. As 
setas indicam as 
células de 
passagem. 
Capturado da 
internet. 
 
3.3.2 Exoderme 
Algumas raízes apresentam uma ou mais camadas de células logo abaixo da epiderme 
ou do velame, diferentes das demais células da região cortical, formando uma 
exoderme (Fig. 7 e 11). Freqüentemente, a exoderme apresenta estrias de Caspary 
como a endoderme, mas comumente, as suas células apresentam uma camada de 
suberina recobrindo a parede celular. 
 
Figura 11 - Corte transversal da raiz de Smilax sp. 
http://www.botany.hawaii.edu/faculty/webb/BOT410 
3.4 Cilindro Vascular 
O cilindro vascular da raiz diferencia-se a partir do procâmbio e é formado por 
uma ou mais camadas de tecido não vascular, o periciclo mais os tecidos 
vasculares. 
O periciclo, camada(s) externa(s) do cilindro vascular, localiza-se logo abaixo da 
endoderme geralmente é unisseriado. Nas raízes jovens é constituído de 
parênquima ea as paredes de suas células são celulósicas e delgadas. Nas 
angiospermas e gimnospermas, o periciclo está relacionado com atividades 
meristemáticas. As raízes laterais são formadas a partir do periciclo que por esta 
razão também é denominado de camada rizogênica. 
Nas raízes que apresentam crescimento secundário, o felogênio e parte do câmbio 
vascular também originam-se no periciclo, como veremos mais adiante. Nas 
monocotiledôneas que não apresentam crescimento secundário, frequentemente, 
o periciclo torna-se esclerificado (lignificado) nas regiões mais velhas da raiz (Fig. 
8). 
Na raiz, ao contrário dos demais órgãos do vegetal, os tecidos vasculares não 
formam feixes vasculares. O xilema primário forma um maciço central, provido de 
projeções que se dirigem para a periferia do cilindro vascular, e o floema forma 
cordões que se alternam com as arestas do xilema, distribuidos próximos da 
periferia do cilindro vascular, internamente ao periciclo. Quando o xilema não 
ocupa todo o centro do cilindro vascular, forma-se uma medula parenquimática 
nesta região central, que pode vir a esclerificar-se nas regiões mais velhas da raiz. 
Nas raízes, o protoxilema, isto é, os primeiros elementos do xilema a 
amadurecerem, ocupam uma posição periférica, logo abaixo do periciclo. Assim 
dizemos que o protoxilema na raiz é exarco, isto é, com os pólos de protoxilema 
ocupando posição externa ao metaxilema. A maturação do xilema na raiz é 
centrípeta, porque acontece da periferia para o centro. No floema, o processo é o 
mesmo. Os pólos de protofloema ocorrem externamente ao metafloema. 
O local de diferenciação das primeiras células vasculares costuma ser referido 
como polo. Dependendo do número de pólos de protoxilema: um, dois, três ou 
mais, as raízes são classificadas em: monarcas, diarcas, triarcas ou poliarcas. O 
número de pólos de protoxilema, geralmente, é característico para os grandes 
grupos vegetais. 
As raízes de dicotiledôneas são, freqüentemente, diarcas, triarcas (Fig. 12), ou 
tetrarcas. A raíz primária de espécies de monocotiledôneas possue poucos pólos, 
como visto nas dicotiledôneas, mas as raízes adventícias são poliarcas e 
apresentam numeros pólos chegando a mais de 100, em Palmae. No entanto, 
apesar de o número de pólos de protoxilema ser característico para os grupos 
vegetais, a variação no número de pólos de protoxilema pode existir até mesmo 
em uma mesma raiz. Muitas vezes nas regiões apicais (mais jovens), o xilema 
apresenta um menor número de pólos de protoxilema, quando comparado às 
regiões distais (mais velhas). 
3.5 Raízes Laterais 
As raízes laterais são aquelas formadas próximas do meristema apical de uma 
outra raiz. Devido à sua origem profunda, a partir de divisões das células do 
periciclo, são ditas endógenas (Fig. 13). 
Nas angiospermas, as raízes laterais se iniciam a partir de divisões anticlinais e 
periclinais das células do periciclo, o que leva à formação de uma protuberância, 
o primórdio radicular, que gradualmente vai crescendo e penetrando no córtex até 
emergir na superfície da raiz (Fig. 13). Em muitas espécies, principalmente, nas 
plantas vasculares inferiores, a endoderme também participa do crescimento 
inicial da raiz lateral. Durante o crescimento do primórdio pelo córtex, o 
parênquima cortical vai sendo digerido por enzimas. Alguns autores, consideram 
ainda que a penetração do primórdio através do córtex é puramente mecânica, no 
entanto, os dois processos podem estar acontecendo simultaneamente. 
À medida que o primórdio cresce e atravessa o córtex, os tecidos da nova raiz vão 
se diferenciando e quando o primórdio atinge a superfície, os elementos 
vasculares da raiz mãe já estão conectados aos elementos vasculares da raiz 
lateral, estabelecendo assim a continuidade entre os tecidos vasculares das duas 
raízes (Fig. 13 - seta). 
 
Figura 12 - Detalhe do cilindro vascular da raiz de 
Ranunculus sp. 
http://www.botany.hawaii.edu/faculty/webb/BOT410 
Figura 13 - Raiz lateral de Zea mays. 
A seta indica conexão vascular com 
a raiz de origem.M = medula. Foto 
de Appezato-da-Glória, B. 
Anatomia Vegetal. Ed. UFV (2002). 
 
4. Estrutura Secundária 
O crescimento secundário da raiz consiste na formação de tecidos vasculares a 
partir do câmbio vascular e da periderme, a partir do felogênio. As raízes da 
maioria das monocotiledôneas, geralmente, não apresentam crescimento 
secundário. 
O câmbio vascular (ou apenas câmbio) inicia-se a partir de divisões de células do 
procâmbio que permanecem indiferenciadas entre o floema e o xilema primários. 
Assim, no início, o câmbio é formado de faixas (Fig. 14B), cujo número depende 
do tipo de raiz; duas faixas nas raízes diarcas; três nas triarca; etc.. Em seguida, 
as células do periciclo localizadas em frente aos pólos de protoxilema, começam a 
se dividir e, finalmente, o câmbio circunda todo o xilema. Neste estágio o câmbio 
apresenta o formato oval nas raízes diarcas; estrela de três pontas nas raízes 
triarca, e estrela de quatro pontas nas raízes tetrarcas. 
As regiões do câmbio localizadas em frente ao floema (derivadas do procâmbio), 
entram em atividade antes daquelas regiões do câmbio derivadas do periciclo. 
Com a formação do xilema secundário, o câmbio destas regiões, vai sendo 
deslocando para fora, até adquirir um contorno circular, quando visto em cortes 
transversais (Fig. 14C). A adição de tecidos vasculares secundários, vai provocar 
um aumento no diâmetro do cilindro vascular e, esse desenvolvimento leva a 
região cortical da raiz a apresentar modificações, para acompanhar esse 
crescimento. 
Na raiz a periderme tem origem profunda, também a partir das células do periciclo, 
que não foram envolvidas na formação do câmbio vascular começam a se dividir, 
para dar início à formação da periderme. O felogênio (meristema secundário), tem 
origem das células externas do periciclo e por divisões periclinais de suas 
células, produz súber (felema ou cortiça) em direção à periferia e feloderme (ou 
parênquima), em direção ao centro. A formação da primeira periderme provoca a 
separação da região cortical (inclusive a endoderme)