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anatomia vegetal

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Felogênio 
Como mencionado anteriormente, no caule e na raiz das plantas que apresentam 
crescimento secundário, a epiderme é substituída pela periderme, um tecido de 
revestimento de origem secundária (Fig. 12). Bons exemplos de formação de 
periderme são vistos nas plantas lenhosas entre as dicotiledôneas e gimnospermas. 
A periderme também se forma nas dicotiledôneas herbáceas, principalmente nas 
regiões mais velhas do caule e da raiz. Entre as monocotiledôneas, algumas 
espécies formam periderme, enquanto outras formam diferentes tipos de tecidos de 
revestimento secundário. 
O felogênio é o meristema que forma a periderme. Divisões periclinais de suas 
células iniciais produzem: o felema, súber ou cortiça em direção à periferia do 
órgão e o feloderma ou córtex secundário em direção ao centro do órgão (Fig. 12). 
O felogênio é formado por apenas um tipo de células iniciais. Em corte transversal, 
este meristema aparece, como o câmbio vascular, formando uma faixa estratificada, 
mais ou menos contínua, na circunferência do órgão. Esta faixa é formada por 
fileiras radiais de células, sendo que em cada fileira radial, apenas uma célula é a 
inicial do felogênio (a célula mais estreita) e as demais já são as suas derivadas 
imediatas. 
PARÊNQUIMA 
 
Profa. Dra. Neuza Maria de Castro 
 
1. Introdução 
As características apresentadas pelas células parenquimáticas levou os 
pesquisadores a acreditarem que o parênquima seja o tecido mais primitivo 
dos vegetais. A origem parênquima, ou seja, de grupos de células ligadas 
por meio de plasmodesmas, parece ter surgido pela prmeira vez nas 
algas Charophyceae. Os fósseis de plantas terrestres primitivas mostram 
que estes vegetais já apresentavam o corpo formado por parênquima e 
que este tecido já apresentava as caracter´sistica do parênquima 
encontrado nos musgos e nas hepáticas atuais. Acredita-se que durante a 
evolução o parênquima foi sofrendo modificações, dando origem aos 
diferentes tecidos que constituem o corpo do vegetal, se especializando 
para atender diferentes funções.. 
O parênquima é o principal representante do sistema fundamental de 
tecidos, sendo encontrado em todos os órgãos da planta, formando um 
contínuo por todo o corpo vegetal: no córtex da raiz, no córtex e na 
medula do caule e no mesofilo foliar. O parênquima pode existir ainda, 
como células isoladas ou em grupos, fazendo parte do xilema do floema e 
da periderme. Assim, o parênquima pode ter origem diversa, a partir do 
meristema fundamental do ápice do caule e da raiz, dos meristemas 
marginais das folhas e, nos órgãos que apresentam crescimento 
secundário, podem originar-se do câmbio vascular e do felogênio. 
2. Características do Tecido 
As células parenquimáticas, geralmente, apresentam paredes primárias 
delgadas, cujos principais componentes são a celulose, hemicelulose e 
as substâncias pécticas. Essas paredes apresentam os campos 
primários de pontoação atravessados por plasmodesmas, através dos 
quais o protoplasma de células vizinhas se comunicam. 
Algumas células parenquimáticas podem apresentar paredes bastante 
espessadas, como se observa, no parênquima de reserva de muitas 
sementes como, por exemplo, no caqui (Diospyros virginiana) (Fig. 1) e no 
café (Coffea arabica). Nestes tecidos de reserva, a hemicelulose da parede 
é a substância de reserva, que será utilizada pelo vegetal durante a 
germinação da semente e desenvolvimento inicial da plântula. 
 
Figura 1- Endosperma de Diospyrus. 
Parênquima de reserva com paredes 
celulares primárias espessas - as setas 
amarelas indicam a parede primária. 
http://botit.botany.wisc.edu/courses/botany 
As células parenquimáticas geralmente são vivas e apresentam vacúolos 
bem desenvolvidos. Essas células são descritas como isodiamétricas 
(Fig. 2) entretanto, sua forma pode variar. Quando isoladas são mais ou 
menos esféricas, mas adquirem uma forma definida por ação das várias 
forças, ao se agruparem para formar um tecido. 
O conteúdo dessas células varia de acordo com as atividades 
desempenhadas, assim podem apresentar numerosos cloroplastos, 
amiloplastos, substâncias fenólicas, etc. Como são células vivas e 
nucleadas, podem reassumir características meristemáticas, voltando a 
apresentar divisões celulares quando estimuladas. A cicatrização de 
lesões, regeneração, formação de raízes e caules adventícios e a união 
de enxertos, são possíveis devido ao reestabelecimento da atividade 
meristemática das células do parênquima. As células parenquimáticas 
podem ser consideradas simples em sua morfologia mas, devido à 
presença de protoplasma vivo, são bastante complexas fisiologicamente. 
No parênquima é comum a presença de espaços intercelulares formados 
pelo afastamento das células, espaços esquizógenos (Fig. 2). O tamanho 
e a quantidade desses espaços varia de acordo com a função do tecido. 
3. Tipos de Parênquima 
Dependendo da posição no corpo do vegetal e do conteúdo apresentado 
por suas células, o parênquima podem ser classificado em: 
3.1 Cortical e Medular: encontrado respectivamente no córtex e na 
medual de caules e raízes. 
3.2 Fundamental ou de Preenchimento: encontrado no córtex e medula do 
caule e no córtex da raiz. Apresenta células, aproximadamente, 
isodiamétricas, vacuoladas, com pequenos espaços intercelulares (Fig. 2). 
3.34 Clorofiliano: o corre nos órgãos aéreos dos vegetais, principalmente, 
nas folhas. Suas células apresentam paredes primárias delgadas, 
numerosos cloroplastos e são intensamente vacuoladas. O tecido está 
envolvido com a fotossíntese, convertendo energia luminosa em energia 
química, armazenando-a sob a forma de carboidratos. 
Os dois tipos de parênquima clorofiliano mais comuns encontrados no 
mesofilo são: o parênquima clorofiliano paliçádico, cujas células 
cilíndricas se apresentam dispostas perpendicularmente à epiderme e o 
parênquima clorofiliano lacunoso, cujas células, de formato irregular, se 
dispõem de maneira a deixar numerosos espaços intercelulares (Fig. 3). 
3.4 Reserva: o parênquima pode atuar como tecido de reserva, armazenando 
diferentes substâncias ergásticas, como por exemplo, amido (Fig. 4), proteínas, 
óleos, etc., resultantes do metabolismo celular. São bons exemplos de parênquimas 
de reserva, o parênquima cortical e medular dos órgãos tuberosos e o 
endosperma das sementes(Fig. 1). 
Figura 2- Raiz de Zea mays. 
Foto do Dept. de Botânica, 
USP São Paulo. 
Figura 3 - Folha de Camelia 
sp. Foto de Castro, N. M. 
Figura 4 - Parênquima de 
reserva do caule de 
Solanum tuberosum. Foto 
do Dept. de Botânica, 
USP. 
 
3.5Aquífero: as plantas suculentas de regiões áridas, como certas 
cactáceas, euforbiáceas e bromeliáceas possuem células parenquimáticas 
que acumulam grandes quantidades de água - parênquima aqüífero 
(Fig.5). Neste caso, as células parenquimáticas são grandes e apresentam 
grandes vacúolos contendo água e seu citoplasma aparece como uma 
fina camada próxima à membrana plasmática . 
3.6 Aerênquima: as angiospermas aquáticas e aquelas que vivem em 
solos encharcados, desenvolvem parênquima com grandes espaços 
intercelulares, o aerênquima, que pode ser encontrado no mesofilo, 
pecíolo, caule e nas raízes (Fig. 6) dessas plantas. O aerênquima 
promove a aeração nas plantas aquáticas, além de conferir-lhes leveza 
para a sua flutuação. 
3.7 Lenhoso: geralmente, o parênquima apresenta apenas paredes 
primárias, mas as células parenquimáticas do xilema secundário e, 
ocasionalmente, do parênquima medular do caule e da raiz podem 
desenvolver paredes secundárias lignificadas, formando o chamado 
parênquima lenhoso. 
3.7 Células de Transferência: em muitas partes da planta, grandes 
quantidades de material é transferida rapidamente à curtas distâncias, 
através de um tipo especial de células parenquimáticas