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Redação e leitura para universitários

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na instrução formal, por meio de leituras e outras atividades culturais que permitem 
a aquisição de conceitos. Ex. ética não é etnia; submissão não é sublimação; catarse não é 
catalepsia; romanceiro não é romantismo; eutanásia não é ortotanásia; grafema não é 
grafismo etc. 
 
b. Conhecimento informal - é o conhecimento adquirido por meio de experiências no convívio 
social. Ex: fazer matrícula, ir ao dentista, assistir a um filme, jantar em um restaurante, 
conversar ao telefone celular, digitar um texto, enviar um e-mail etc. 
 
 Esses conhecimentos parciais, que trazemos na memória sem muito nos apercebermos 
deles, são chamados de "esquemas" e, se nosso interlocutor também os tem, a comunicação torna-
se muito mais fácil, permitindo grande economia de palavras. Lembremos quantas seriam 
necessárias para explicar "congestionamento", "assalto", "sequestro", "velório", "excursão", 
"vestibular", "cursinho", "assembleia", "mesa-redonda", "congresso" e muitas outras típicas da 
cultura do nosso tempo. 
Essas considerações nos levam a pensar na dificuldade de leitura de alguém com repertório 
vocabular mínimo, com insuficiente número de esquemas mentais advindos da pouca cultura e do 
pouco convívio social, realidade com que se defronta um grande número de professores de 
Português. Se o seu aluno não sabe o que é mesa-redonda, shopping center, congresso acadêmico, 
evento, habeas corpus, liminar, mandato, mandado de segurança, ultrassom, trapézio, picadeiro, 
progressão prisional, anorexia, UTI, ENEM, PCC etc., por exemplo, não poderá compreender ideias 
de textos que contêm essas palavras como tópicos de parágrafos e será incapaz de entender 
metáforas. 
O moderno professor de leitura deve saber levar em conta os conhecimentos prévios de 
seus alunos, não só do ponto de vista linguístico e textual, aspectos em que pode e deve auxiliá-los, 
fornecendo conhecimentos teóricos em aula, mas de seus conhecimentos de mundo, suas 
experiências no meio em que convivem, nas comunidades a que pertencem, no local em que 
moram. A compreensão de um texto sobre criminalidade, por exemplo, é diferente por parte de 
alunos de elite e de alunos de periferia, assim como um texto sobre comportamento será lido de 
maneira diferente por pré-adolescentes e por adultos. No caso de universitários, a cobrança pode e 
deve ser maior, uma vez que a leitura de jornais e revistas de grande circulação deve estar 
incorporada ao seu dia-a-dia, ampliando seu leque de informações. Além disso, suas vivências em 
sociedade são, naturalmente, muito mais diversificadas. 
 
 
Referência 
 
THEREZO, Graciema Pires. Redação e leitura para universitários. Campinas, São Paulo: Alínea, 2007. 
p 21-29.