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06. ATOS ADMINISTRATIVOS

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08 de maio de 2009
ATOS ADMINISTRATIVOS
INTRODUÇÃO
	Fatos são acontecimentos cotidianos que acontecem no mundo em que vivemos. Exemplo: nascimento de uma pessoa. Mas, quando este acontecimento atinge a órbita jurídica ele ganha o status de fato jurídico. Exemplo: do nascimento surge uma nova personalidade, que terá filiação, possuirá direitos, se submeterá a deveres.
	Dentro da órbita do direito, se o acontecimento atingir mais especificamente a seara do direito administrativo, se estará diante do fato administrativo. Exemplo: falecimento de um servidor público é um fato administrativo. Extingue-se a relação do servidor com o Estado, abre-se a vaga do cargo, e em conseqüência um concurso público deverá ser realizado para o preenchimento dele.
	Diferentemente do fato, o ato é essencialmente uma manifestação de vontade. Exemplo: duas pessoas voluntariamente se casam. E, se esta exposição da vontade atingir a órbita do direito, esta manifestação de vontade será chamada de ato jurídico. Exemplo: pessoa quer adquirir uma casa e celebra um contrato de compra e venda.
	Mudando o exemplo, sendo o Estado o sujeito que manifesta a vontade de adquirir uma casa, deverá produzir este ente o ato da desapropriação. Neste caso, o ato de vontade atinge mais especialmente a seara do direito administrativo, sendo caracterizado como um ato administrativo.
FATOS E ATOS DO ESTADO/DA ADMINISTRAÇÃO
	Todo ato praticado pelo Estado é um ato administrativo? Nem todos os atos produzidos pelo Estado são considerados como atos administrativos. Existe categoria diversa de acontecimentos que não são caracterizados como atos administrativos.
	Atos ajurídicos, denominados por Diógenes Gasparini, são também conhecidos como fatos administrativos que se caracterizam por serem condutas materiais da administração pública, e por não conter qualquer manifestação de vontade, mas sendo na verdade meros trabalhos dos agentes públicos (exemplo: aulas ministradas por um professor em uma escola pública; dirigir um veículo da administração, uma ambulância; um ofício digitado pela secretária). Apesar destas condutas não gerarem efeitos específicos, não significa que não possam gerar direitos. VERDADEIRO.
	Professora Fernanda Marinela diz que o simples dirigir, o simples digitar, o simples lecionar não manifesta vontade. Estas condutas são meros atos materiais, são acontecimentos, fatos desprovidos de vontade, sem qualquer conteúdo decisório. E estes atos materiais geram sim direitos, não específicos, não obstante existirem outros direitos envolvidos. 
Exemplos: no caso do servidor que conduz o veículo da administração, ultrapassar um sinal vermelho e depois colidir em um carro particular; de sua conduta (fato administrativo) advirá para o lesado um direito à indenização decorrente do prejuízo; enquanto a secretária digita o ofício (fato jurídico), está gerando o seu direito de ao final do mês auferir sua remuneração; etc.
	Estas condutas ajurídicas ou fatos administrativos não possuem finalidade própria (vontade).
	Se quem pratica o ato é a administração, então este ato é chamado de ato da administração. É ela quem manifesta a vontade na edição destes atos. Pode ser um ato regido pelo direito público ou pelo direito privado.
	Todos os atos administrativos são praticados pela administração? NÃO, existem atos administrativos que são produzidos fora da administração pública. Exemplo: ato de cortar a energia elétrica, por uma concessionária, empresa de direito privado, é também considerado um ato administrativo regido pelo direito público.
Atos
 administra
tivos
Atos da administração
Os atos da administração, regidos pelo direito público são chamados 
de
 
ATOS ADMINISTRATIVOS
.
	Serão abordadas neste estudo apenas as características dos atos administrativos, ou seja, os atos realizados dentro ou fora da administração que são regidos pelo direito público. Os atos da administração regidos pelo direito privado são tratados pelo direito civil.
CONCEITO DE ATO ADMINISTRATIVO
	Ato administrativo é a manifestação de vontade do Estado ou de quem o represente (concessionárias e permissionárias) que tem o condão de criar, modificar ou extinguir direitos, sempre perseguindo o interesse público.
	Esta manifestação de vontade, por perseguir sempre o interesse público, deverá ser regida pelo regime jurídico público.
	O ato administrativo está na base da pirâmide do ordenamento jurídico, complementando a ordem legislativa. Todo ato administrativo passará pelo controle de legalidade do poder judiciário.
	Este conceito acima dado é conceito amplo de ato administrativo, que consegue abarcar praticamente todos os atos administrativos. Pode ser o ato punitivo, complementar, geral, individual, etc.
	Hely Lopes Meirelles faz a diferenciação do conceito de ato administrativo em sentido estrito, dizendo o ato administrativo possuir duas características essenciais: concretude e unilateralidade.
	Só é ato administrativo em sentido estrito o ato que seja unilateral e concreto. Para Hely Lopes Meirelles, contratos (bilaterais), atos exercidos no poder regulamentar (abstratos), entre outros, não são considerados como atos administrativos em sentido estrito.
ELEMENTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
 
	Aqui serão expostos os elementos dos atos administrativos da doutrina majoritária. Mas, a doutrina minoritária, a exemplo de Celso Antonio Bandeira de Mello, será exposta em certos tópicos (ver material de apoio com a comparação – ainda não colocaram no site o esquema comparativo). 
A doutrina majoritária chama de elementos ou requisitos de validade do ato administrativo. Há utilização dos requisitos da lei da ação popular (art. 2º, lei 4717/1965), que enumera as condições de validade: forma, motivo, finalidade, objeto e competência.
       
Art. 2º, lei 4717/1965 - São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de:
        
a) incompetência;        
b) vício de forma;        
c) ilegalidade do objeto;
d) inexistência dos motivos;
e) desvio de finalidade.
        
Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas:
        
a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou;
        
b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;
        
c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo;
        
d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido;
        
e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.
	
DOUTRINA MAJORITÁRIA
 	Já o doutrinador Celso Antonio Bandeira de Mello diz que nem todos estes requisitos são verdadeiramente elementos do ato administrativo. Para ele, elemento é algo indispensável, como a condição de existência para o ato jurídico. Menciona o autor apenas o ato jurídico pura e simplesmente. Exemplo: é preciso que haja o sujeito capaz que exteriorize a sua vontade para haver um ato jurídico existente.
	Para que o simples ato jurídico se transforme em ato administrativo, para Celso Antonio, serão necessários os preenchimentos dos pressupostos de existência do ato administrativo. Exemplo: assunto da exteriorização da vontade tem de ser ligada ao direito administrativo; o agente tem de ser um agente público porque a exteriorização não vem de qualquer pessoa.
	Ademais, outros requisitos deverão ser preenchidos depois de que o ato administrativo exista (preenchidos os pressupostos de existência), devendo ser cumpridos os pressupostos de validade.
SUJEITO COMPETENTE/ COMPETÊNCIA 
Para ser sujeito