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06. ATOS ADMINISTRATIVOS

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parecer é apenas uma orientação, uma opinião.
 
ATO NEGOCIAL 
O ato negocial é aquele que apresenta uma coincidência de vontades entre a vontade do poder público e a vontade do particular. 
Não significa necessariamente que com a conjugação de vontades firmou-se um negócio jurídico. Exemplos de atos negociais: permissão, autorização, licença; são atos unilaterais e não bilaterais e não são considerados como negócios jurídicos (que pressupõe ato bilateral). 
ATO PUNITIVO
Ato punitivo é aquele que tem em seu conteúdo uma pena, uma punição. 
É exercício de qual dos poderes da administração? Poder disciplinar edita atos punitivos, mas podem também ser editados no exercício do poder de polícia.
FORMAÇÃO, VALIDADE E EFICÁCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
ATO PERFEITO 
O ato administrativo será perfeito quando já percorreu todo seu ciclo de formação. Ex: nomeação de dirigente de agência reguladora. O Senado Federal se manifesta, o Presidente da República se manifesta e o ato se torna perfeito. Não interessa se preencheu ou não requisitos. Basta ter concluído, percorrido seu ciclo de formação.
Para Hely Lopes esse ato perfeito é diferente, é o ato que não tem qualquer defeito. Hoje, inclusive para a doutrina moderna, o ato perfeito é aquele que concluiu o seu ciclo de formação.
ATO VÁLIDO 
O ato é válido quando preencheu os requisitos requeridos pela lei. Significa que atendeu às condições de validade para a edição do ato administrativo. 
ATO INEFICAZ 
Há eficácia quando existe a condição para a produção de efeitos do ato administrativo. O ato é eficaz quando está pronto para produzir efeitos.
É possível que seja o ato administrativo perfeito, válido e ineficaz? SIM. Exemplo de ato válido, perfeito e ineficaz: art. 61, p. único, da lei 8666/1993 – publicação é a condição de eficácia do contrato. Desta forma, um contrato administrativo pode ser perfeito (quando cumpriu a sua trajetória), ser válido (quando cumpriu os seus requisitos) mas, não ser eficaz enquanto não for publicado.
Art. 61, lei 8666/1993
Parágrafo único.  A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
	É possível que seja o ato administrativo perfeito, inválido e eficaz? SIM. Exemplo: no caso de o Poder Público nomear particular para um cargo de Juiz sem que ele tenha prestado concurso público. Particular assume o cargo, pratica atos em virtude deste ato, recebe salário por eles. Até serem declarados como inválidos, reconhecida a ilegalidade de seus atos e de sua nomeação, os atos produzem efeitos até a declaração de invalidade. É um ato que não cumpre os requisitos legais de investidura de cargo, mas produz efeitos, enquanto perfeito, até que seja declarada a sua invalidade. 
	E também é possível que seja o ato administrativo perfeito, inválido e ineficaz? SIM. Exemplo: quando o administrador assina o contrato administrativo sem licitação (não percorreu o caminho e os requisitos – sendo, portanto, inválido) e também não publicou o contrato para que fossem os efeitos surtidos (sendo ele também ineficaz).	
	Efeitos do ato administrativo
	Dentro de um mesmo ato administrativo é possível que sejam produzidos tanto efeitos típicos como efeitos atípicos. 
	
Efeitos típicos
O efeito principal é o efeito típico do ato administrativo. São os efeitos esperados e desejados pela administração quando da edição do ato administrativo. Exemplo: na investidura de um servidor, o efeito típico é o preenchimento de cargo; na demissão do servidor, o efeito típico é a vacância do cargo.
Efeitos atípicos
	Mas, o ato administrativo também produzirá juntamente com os efeitos típicos também seus efeitos atípicos. Os efeitos atípicos poderão ser sub-divididos em efeitos atípicos reflexos/secundários e efeitos atípicos preliminares/ prodrômicos. 
	b.1) Efeitos atípicos reflexos/secundários
O efeito atípico reflexo/secundário atinge terceiros sem que haja a vontade do Estado em proceder deste modo. É o efeito secundário, que não é esperado e nem desejado pela administração.
Exemplo: desapropriação pelo poder público do imóvel de José. Mas, José tinha locado o seu imóvel para Maria por muito tempo. Quando o Estado desapropria o imóvel do José, o objeto principal era atingir José, o efeito típico era da desapropriação do imóvel. Mas, a desapropriação atinge também Maria, indiretamente, mesmo sem o Estado querer. E aí acontece o efeito atípico do ato administrativo.
b.2) Efeitos atípicos preliminares/prodrômicos
 
Mas é possível que o efeito atípico seja preliminar. Exemplo: nomeação de dirigente de agência reguladora – pré-aprovação do Senado Federal e nomeação do Presidente da República do indicado. A perfeição ocorre depois da manifestação do Chefe do Executivo. 
O Presidente da República terá de se manifestar sobre a escolha do Senado Federal? Surge para o Presidente a obrigação de manifestar-se sobre a aprovação ou não sobre a indicação feita pelo Senado Federal. Acontece esta manifestação antes da perfeição do ato de nomeação do dirigente. E é um efeito atípico preliminar.
Manifestação do Presidente 
(efeito atípico)
Preenchimento do cargo 
(efeito típico)
	O ato estará perfeito com as duas manifestações de vontade dadas. Tudo o que acontecer antes do aperfeiçoamento do ato administrativo é chamado de efeito atípico preliminar. 
Esta obrigação de manifestação ocorre no ato composto e no ato complexo, segundo a doutrina. Mas ocorre de modo muito mais aparente no aperfeiçoamento de atos complexos.
O efeito atípico preliminar possui o sinônimo de EFEITO PRODRÔMICO (baseado na doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello). 
	Os efeitos prodrômicos do ato administrativo são espécies de efeitos típicos do ato. FALSO. Os efeitos prodrômicos são espécies de efeitos atípicos, como visto anteriormente.
	Nos atos administrativos podem-se identificar dois efeitos: típicos e os prodrômicos; os típicos são aqueles específicos de determinados atos; e os prodrômicos são aqueles contemporâneos à emanação do ato. VERDADEIRO. Entende-se “contemporâneo” como “dentro da trajetória”/ dentro “do círculo de formação” da edição do ato administrativo.
	Os efeitos não típicos que se produzem independentemente da vontade do agente emissor, também denominados efeitos prodrômicos, não seriam suprimíveis. VERDADEIRO. O efeito prodrômico não pode ser modificado e nem deve/pode ser suprido pelo agente emissor. 
EXTINÇÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS
Cumprimento do objeto ou cumprimento dos efeitos do ato
O cumprimento do objeto ou dos efeitos do ato administrativo ensejará a extinção do ato administrativo. Exemplo: término de construção da escola pela construtora contratada através de um contrato administrativo.
Desaparecimento do objeto/sujeito do ato administrativo
Existem alguns exemplos clássicos de desaparecimento do objeto do ato administrativo:
Enfiteuse de terrenos de marinha: os terrenos de marinha foram demarcados por volta de 1850. Independente do que ocorre com o mar ou com a maré, o terreno ficou demarcado daquela forma. Se por acaso o mar avançar sobre o terreno onde tinha a casa de um enfiteuta, há extinção da enfiteuse por desaparecimento do objeto. 
Morte do servidor público: servidor público morre e haverá extinção da relação, do ato administrativo com a administração, pelo desaparecimento do sujeito.
Renúncia
A extinção do ato administrativo poderá dar-se pela renúncia do direito que o embasava. Exemplo: particular fecha seu bar e renuncia à sua permissão de uso de bem público, do ato administrativo, para colocar cadeiras na calçada.
Extinção por ato do poder público
a. Cassação