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02. REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO

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30 de janeiro de 2009
REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO
CONCEITO
	É o CONJUNTO HARMÔNICO de PRINCÍPIOS e REGRAS que compõe a disciplina do direito administrativo.
	Não há delimitação de quantos princípios compõe este conjunto. A doutrina não se decide sobre a origem de cada um deles, a decorrência, a quantidade, etc. Cada uma apresenta o que entende em sendo os princípios norteadores do sistema.
	Aqui serão analisados os mais pedidos nos concursos (toda questão aberta merece uma referência aos princípios administrativos na opinião da professora Fernanda Marinela) e também os mais aceitos na doutrina.
CRITÉRIO DE PONDERAÇÃO DOS INTERESSES
	Qual é o princípio que deve prevalecer? Qual o mais importante? Qual deverá vir primeiro? Quem responde as indagações é este critério de ponderação dos interesses. 
Na questão de mais de um princípio ser aplicável a um caso concreto, um não excluirá o outro, mas um será mais ponderado do que o outro. Existem graus de aplicação de um determinado princípio.
Decisão do STJ: 12 servidores foram nomeados para um cargo em que eles apenas ingressariam se houvesse concurso público. 20 anos depois, o STJ julga a questão, ponderando entre o princípio da legalidade (necessidade do concurso) ou da segurança jurídica (decisões estabilizadas) e princípio da boa-fé (presente na conduta destes servidores e dos terceiros que aceitaram estas decisões dadas).
O STJ vê a aplicação e ponderação dos princípios neste caso. A decisão foi dada pela predominância do princípio da segurança jurídica, afastando o princípio da legalidade rigorosa. Foram mantidos os servidores em seus cargos.
	Desta forma, alguns princípios serão restringidos, mitigados em razão e melhor aplicação de outros princípios. É preciso que se faça deste modo a escolha, pelo critério de ponderação dos interesses.
	
PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO E DA INDISPONIBILIDADE DESTE INTERESSE
	Celso Antonio Bandeira de Mello entende que estes princípios, da supremacia e da indisponibilidade do interesse público, são as pedras de toque do estudo do direito administrativo.
	
04 de março de 2009
Marçal Justen Filho diz que o princípio da supremacia deve se extinguir nos próximos anos. Isso porque entende o autor e uma corrente minoritária da doutrina que o Poder Público se utilizaria deste princípio para cometer abusos e ilegalidades, com a desculpa no fundamento da supremacia do interesse público. 
Esta teoria de Marçal Justen Filho, a TEORIA DA DESCONSTRUÇÃO DO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA, não é a posição que prevalece.
	Apagando-se este princípio da supremacia seria possível que as ilegalidades fossem desaparecidas? Não, apenas haveria desvio do problema com o princípio apagado. A doutrina majoritária diz que os abusos e ilegalidades persistiram do mesmo modo. É preciso que haja efetivo cumprimento deste princípio.
PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO
	Princípio da supremacia do interesse público é a superioridade do interesse público em face do interesse particular. Jamais é a sobreposição do interesse do administrador, mas sim do interesse público. Também não se trata do atendimento interesse do Estado enquanto máquina administrativa.
	Professor Celso Antonio Bandeira de Mello dedica um capítulo todo ao estudo do conceito de “interesse público”. Sintetizando, o INTERESSE PÚBLICO é o SOMATÓRIO dos INTERESSES INDIVIDUAIS representando o interesse majoritário da sociedade. 
	Também são estudadas as espécies de interesse público, subdividindo-o em:
	Havendo o conflito entre os interesses primário e secundário, sempre PREVALECERÁ O INTERESSE PÚBLICO PRIMÁRIO. O ideal seria que os interesses, primário e secundário, coincidissem. 
Nos exemplos dados acima, prevalece então que o tributo deverá ser pago da forma prevista na lei, mesmo que o Estado necessite de uma rápida arrecadação.
	O princípio da supremacia do interesse público não possui dispositivo específico. No entanto, ele está implicitamente presente em vários institutos e outros artigos legais ou da Constituição.
	Exemplo: o Poder Público pode desapropriar, pode requisitar que o imóvel particular seja utilizado para abrigar sem tetos que sofreram perda de seus bens com uma enchente. Em nome da supremacia do interesse público, ele pode agir deste modo. 
	Outro exemplo: o Poder Público pode se utilizar do poder de polícia para fechar determinado estabelecimento que não respeita as leis que regulam a utilização de som, perturbando os vizinhos. Ele exerce este poder fundamentado na supremacia do interesse público.
PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO
	O Poder Público, verificando que existe o interesse público, em nome da supremacia poderá proceder de qualquer forma, menos dispondo deste interesse.
	O exercício da função pública é agir em nome e no interesse do povo. O administrador exerce função pública em nome e interesse de toda a sociedade. Se o interesse então é de outrem, o administrador nunca poderá dispor do interesse público.
 	Este princípio não está também expresso nem na Constituição e nem em qualquer lei, mas está implícito em todo o ordenamento e nos institutos de direito administrativo.
	Exemplo: o administrador que contrata diretamente, mediante dispensa de licitação, quando não era o caso para tal disponibilidade. Abre mão do instrumento que assegura o interesse público, qual seja, a feitura da licitação. Do mesmo modo quando o administrador coloca uma pessoa em cargo em comissão ou temporário para burlar o concurso público, quando este era obrigatório para o referido cargo.
PRINCÍPIOS MÍNIMOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO
	Aqui serão analisados os princípios mais importantes e que são mais requisitados em concurso.
Art. 37, CF - A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (princípios mínimos da administração pública) e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (…)
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
O princípio da legalidade é previsto em diversos artigos na Constituição, tais como, o art. 5º (direitos e garantias fundamentais), art. 37 (regras gerais para a administração pública), art. 84 (atribuições do Presidente da República), art. 150 (sistema tributário constitucional).
	No tocante à legalidade, para o particular tudo poderá ser feito desde que não contrarie a lei. O particular deverá obedecer ao CRITÉRIO DE NÃO CONTRADIÇÃO À LEI.
	Mas, para o administrador a situação é diferente junto ao princípio da legalidade. Ele somente poderá fazer o que está previsto, expresso ou autorizado em lei. Para o administrador, para o direito público, há o CRITÉRIO DE SUBORDINAÇÃO À LEI.
	O critério de subordinação à lei não enseja o engessamento da atividade do administrador. A lei traz a previsão também da discricionariedade. A lei traz a liberdade do administrador junto a discricionariedade.
	STF diz que o princípio da legalidade deve ser interpretado em sentido amplo. Deve haver aplicação da lei e da Constituição, especialmente no tocante aos princípios que na Carta Maior estão dispostos. 
Se o ato administrativo viola a isonomia, o contraditório, a ampla defesa, ou qualquer outro princípio, deverá haver controle de legalidade em sentido amplo. Esse assunto será retomado quando do estudo da revisão dos atos administrativos.
O que significa princípio da RESERVA DE LEI? Este princípio aparece quando o constituinte separa uma matéria e dá para ela uma espécie normativa. O princípio da reserva de lei não se confunde com o princípio da legalidade.
O que é ESTADO DE DIREITO? É o Estado que é organizado por leis e a elas deve obediência. O princípio da legalidade é indispensável para a constituição de um Estado de Direito. Fica ele na base de todo o ordenamento.
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
Dois institutos que representam o princípio da impessoalidade