Prévia do material em texto
A CULTURA DA CENOURA Daucus carota É uma planta herbácea da família das Apiáceas, a mesma da salsa, do coentro, do funcho e da mandioquinha-salsa. As partes comercializadas são as raízes, uma das fontes vegetais mais ricas em vitamina A . INTRODUÇÃO Cenoura é cultivada em todo território nacional. Por ano, ocupa área equivalente a 30 mil hectares, com a produção de 900 mil toneladas de raízes . Está entre as 10 hortaliças mais plantada no País. É conhecida cientificamente como Daucus carota L. ASPECTOS ECONÔMICOS ASPECTOS ECONÔMICOS É nativa do Afeganistão (Ásia Central) Centro de Origem: Oriente Médio Cultivada pelo homem há cerca de 2000 anos ORIGEM ORIGEM Por volta do século XI os mouros levaram a cenoura para a Europa Ocidental (Mediterrâneo) Século XII : China e Índia No início do século XVII: Seleção de tipos carotênicos (alaranjados) = Europa (Holanda) Agricultores holandeses cruzaram diversas variedades até obter um tipo laranja, a cor da família real do país . 1721: Quatro variedades de raízes alaranjadas (Holanda) geraram as cultivares atuais “Early half long” “Half long” “Scarlet horn” “Long orage” ORIGEM Tipos cultivados constituem dois grupos: D.carota var.atrorubens (cenouras orientais) D carota var. sativus (cenouras ocidentais )–raizes alaranjadas ou carotênicas) As cenouras domesticadas se cruzam livremente com as silvestres, ampliando a variabilidade genética. CULTIVARES CULTIVARES D.carota var.atrorubens (cenouras orientais) D. carotavar. sativus (cenouras ocidentais–raízes alaranjadas ou carotênicas) DIVERSIDADE Caule pouco perceptível Folhas formadas por folíolos recortados Atinge 50 cm de altura Parte utilizável é a raiz tuberosa, lisa, reta, sem ramificações de formato cilíndrico ou cônico Bienal Alógama ASPECTOS BOTÂNICOS ANATOMIA DA RAIZ ANATOMIA DA RAIZ Umbela composta -conjunto de flores que partem os pedicelos, iguais, do eixo central, com formato de um guarda-chuva; Umbela central ou primária (aparece na extremidade do talo principal; Sucessivas ramificações Polinização entomófila -abelhas INFLORESCÊNCIA Esquizocarpo: É um tipo de fruto seco indeiscente FRUTOS E SEMENTES Vitamina A -necessidades diárias supridas com 100 g olhos, pele e mucosas. Cor alaranjada -beta-caroteno -precursor da vit. A . Sais minerais: P, Cl, K, Ca e Na Vitaminas do Complexo B, Regula o sistema nervoso e aparelho digestivo. Fibras Ajuda a prevenir a cegueira Diminui os níveis de colesterol no sangue Protege contra o câncer Estimula o sistema imunológico Ameniza os sintomas da TPM ASPECTOS NUTRICIONAIS in natura Matéria prima para indústrias: minimamente processada (mini-cenouras, cubos, ralada, em rodelas) processada na forma de seleta de legumes, alimentos infantis e sopas instantâneas Cozimento: aumenta o valor nutritivo da cenoura -quebra as membranas que envolvem o beta-caroteno. Para converter o beta-caroteno em vit A -pequena quantidade de gordura, porque a vitamina A é solúvel em gordura, e não em água. Consumo exagerado: pigmentos na pele USOS Áreas de clima ameno A temperatura é o fator climático mais importante para a produção de raízes. A alta umidade relativa do ar e temperaturas elevadas: favorece o desenvolvimento de doenças nas folhas durante a fase vegetativa da cultura. CLIMA 10º a 15º C : favorecem o alongamento e o desenvolvimento de coloração característica nas raízes. Superiores a 21 ºC : estimulam a formação de raízes curtas e de coloração deficiente. Existem cultivares de verão: formam boas raízes sob temp. de 18 a 25 ºC Acima de 30ºC : o ciclo vegetativo é reduzido o que afeta o desenvolvimento das raízes e a produtividade. Temperaturas baixas associadas a dias longos induzem o florescimento precoce : prejudica a qualidade das raízes TEMPERATURA De 8 a 35 ºC: germinação das sementes A velocidade e a uniformidade de germinação variam com a temperatura dentro destes limites. De 20 a 30 ºC: faixa ideal para uma germinação rápida e uniforme Emergência de 7 a 10 dias após a semeadura. TEMPERATURA Alta umidade relativa do ar associada a temperaturas elevadas favorece o desenvolvimento de doenças nas folhas durante a fase vegetativa da cultura UMIDADE 1950: cultivares de outono-inverno Hoje: agrupadas segundo a classificação termoclimática: Européia -cultivares de outono-inverno Nantes (francesa) e Forto (holandesa) -semeaduras na primavera-verão Cenouras cilíndricas e ótimo aspecto e sabor Resistentes ao florescimento precoce Exige temp. amena e pouca chuva (suscetibilidade a queima- das-folhas) Cultivares híbridas em estudo CULTIVARES Adaptação a alta temperatura e pluviosidade Resistência a queima-das-folhas Se expostas à baixas temperaturas –florescimento ‘Brasília’ e derivadas: mais utilizada em várias regiões produtoras ‘Alvorada’ : Melhor qualidade em terra Formato cilíndrico Maior teor de carotenóides Resistência a nematóides Resistência a queima-das-folhas CULTIVARES BRASILEIRAS CULTIVARES BRASILEIRAS Brasil : Regiões de altitude com possibilidade de frio (RS) e em locais quentes através do método de vernalização Clima frio: florescimento 90% da produção PRODUÇÃO: 800 quilos por hectare e máximas de 1.200 quilos por hectare de sementes PRODUÇÃO DE SEMENTES PASSO 1 :ESCOLHA DA MODALIDADE DE PLANTIO Há diferentes sistemas de produção de cenoura uti l izados no Brasil. O mais apropriado para agricultura familiar é o de Plantio a campo aberto em canteiro com o uso de sistema de irr igação por aspersão convencional. CANTEIROS: dimensões variam de 0,80 a 1 m de largura e de 15 a 20 cm de altura. Os canteiros devem estar distanciados uns dos outros em cerca de 30 cm. Em solos argilosos, no período das chuvas, a altura dos canteiros deve ser maior para facilitar a drenagem. PRODUTIVIDADE: Varia de acordo com o cl ima: no inverno fica entre 30 e 40 toneladas por hectare; no verão oscila entre 20 e 30 toneladas por hectare. PLANTIO DA CENOURA PASSO 2 :ANÁLISE , PREPARO , CORREÇÃO E ADUBAÇÃO DO SOLO PREPARO E CORREÇÃO DO SOLO: O preparo e a correção do solo envolvem a operação de l impeza da área, a aração, a gradagem e o levantamento dos canteiros Na operação do encanteiramento, deve-se evitar o uso excessivo do rotoencateirador por causar a destruição da estrutura do solo e propiciar a compactação do subsolo, que deformam e prejudicam o desenvolvimento e crescimento das raízes Calagem e Adubação do Solo: de acordo com a análise do solo PLANTIO DA CENOURA PREPARO E CORREÇÃO DO SOLO PASSO 3 : ESCOLHA DO CULTIVAR PREFERÊNCIAS DO MERCADO CONSUMIDOR BRASILEIRO : Raízes de cenoura bem desenvolvidas, Coloração alaranjada intensa, lisas, uniformes, Comprimento de 15 a 20 cm Diâmetro de 3 a 4 cm, Sem defeitos PLANTIO DA CENOURA PASSO 3 : ESCOLHADO CULTIVAR CARACTERISTICAS DETERMINANTES PARA ESCOLHA DA CULTIVAR: Cada cultivar tem características próprias quanto ao formato das raízes, Resistência às doenças Quanto à época de plantio. Permite produzir cenoura durante ano todo na mesma região, desde que se plante a cultivar apropriada às condições de clima predominante em cada época. PLANTIO DA CENOURA ESCOLHA DO CULTIVAR PASSO 3 : ESCOLHA DO CULTIVAR USO DE CULTIVARES HÍBRIDAS: pela exigência de tecnologias de altos custos, somente é recomendado para grandes áreas, tendo em vista que esse sistema de plantio, preferencialmente utiliza sementes peletizadas e semeadeira de alta precisão, em virtude de gastar menos sementes por área, diminuindo o alto custo desse insumo agrícola. A vantagem competitiva das sementes híbridas: a padronização das raízes; ganhos de produtividades na cultura da cenoura. PLANTIO DA CENOURA CULTIVARES DA SAKATA CARACTERÍSTICAS Coloração laranja intensa Alto teor de vitamina A Maior rendimento no lavador VANTAGENS Melhor sabor, coloração e textura Alto teor de Betacaroteno CULTIVARES SAKATA - FERRACINE CULTIVARES SAKATA CARACTERÍSTICAS Cenoura de verão com qualidade de cenouras de inverno Excelente coloração interna e externa de raízes Ausência de ombro verde Alto nível de resistência a Mj (nematoide) VANTAGENS Maior segurança de plantio em épocas de transição Melhor apresentação das raízes Segurança na produção CULTIVARES SAKATA –NATIVA PASSO 4 : SEMEADURA O cult ivo da cenoura dispensa a produção de mudas : SEMEADURA DIRETA Em l inha contínua, nos sulcos de 1 a 2 cm de profundidade e distanciados 20 cm, uns dos outros. DISTRIBUIÇÃO DAS SEMENTES: Pode ser feita manualmente ou com o emprego de semeadeira manual ou mecânica. ATENÇÃO NA PROFUNDIDADE DE SEMEIO: se o semeio for muito profundo (maior que 2 cm), as plântulas podem não emergir. se o semeio for muito super ficial (menor que 1 cm), há o r isco de ocorrer falhas na germinação, devido ao secamento da camada superficial do solo ou por ocasião de chuvas pesadas ou irr igação em excesso PLANTIO DA CENOURA SEMEADURA MANUAL SULCOS PARALELOS SULCOS PERPENDICULARES Semeadura manual é mais trabalhosa, menos eficiente e implica maior gasto de sementes, ou seja, em torno de 6 kg/ha. As semeadeiras mecânicas apresentam a vantagem de, simultaneamente, abrir os sulcos, distribuir as sementes e cobrir os sulcos com grande eficiência, propiciando um menor gasto de sementes, ou seja, de 2 a 3 kg/ha. SEMEADURA MECÂNICA SEMEADURA MECÂNICA PASSO 5: TRATOS CULTURAIS Os tratos culturais são o conjunto de operações realizadas após a semeadura, visando à formação e ao desenvolvimento das plantas DESBASTE: O desbaste tem a finalidade de reduzir a densidade de população de plantas. O objetivo é diminuir a concorrência por água, luz e nutrientes. Deve ser feito de uma só vez, aos 25 ou 30 dias após a semeadura, deixando espaço de 5 a 10 cm entre as plantas. Essa variação de espaçamento deve levar em consideração a cultivar, a época de plantio e o clima. CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS: O período crítico de interferência das plantas invasoras na cultura ocorre, em geral, da terceira até a sexta semana após a emergência ADUBAÇÃO DE COBERTURA: De acordo com a análise do solo ! PLANTIO DA CENOURA A cultura da cenoura é suscetível às doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nematóides. . DOENÇAS QUEIMA DAS FOLHAS É a doença mais comum da cenoura. Agentes causais: Alternaria dauci, Cercospora carotaee Xanthomonas campestris pv. carotae . Os três patógenos podem ser encontrados na mesma planta, e até em uma única lesão. Sintoma: Necrose das folhas Controle: Cultivares/hibridos resistentes ou tolerântes -Brasília, Kuroda e Kuronan Químico: 3 patógenos estão presentes -produtos à base de cobre intercalados com outros fungicidas ditiocarbamatos PRINCIPAIS DOENÇAS QUEIMA DAS FOLHAS TOMBAMENTO DE PLÂNTULAS Agente Causal : Alternaria dauci , A . radicina, Pythium sp . , Rhizoctonia solani e Xanthomonas campestr ispv.carotae. Pré-emergência: falhas no estande. Pós-emergência (tombamento) : as plântulas com encharcamento na região do hipocóti lo rente ao solo, provocando reboleiras de plantas tombadas ou mortas. Controle: Sementes sadias de boa qualidade, Rotação de cultura (por dois anos), Adequada profundidade de plantio e Manejo adequado da irrigação Controle Químico PRINCIPAIS DOENÇAS PODRIDÃO DAS RAIZES AGENTES CAUSAIS: Fungos: Sclerotium rolfsii, Sclerotinia sclerotiorum Bactéria: Erwinia carotovora SINTOMAS: Pré-colheita Crescimento reduzido com as folhas superiores amareladas, Podridão mole nas raízes Pós-colheita, Podridões secas e moles CONTROLE: Evitar solos que acumulam água, Em período chuvoso, levantar mais os canteiros, Manejo de irrigação adequado. Na colheita/lavagem, as raízes deverão ficar secas antes da embalagem e do controle químico PRINCIPAIS DOENÇAS PODRIDÃO DAS RAÍZES NEMATÓIDES AGENTES CAUSAIS : Meloidogyne incognita , M. javanica , M. arenaria e M. hapla SINTOMAS: Plantas -crescimento reduzido e amarelecimento nas folhas semelhante ao sintoma de deficiência mineral. Raízes -tamanhos reduzidos com deformações devido a intensa formação de galhas CONTROLE: Rotação de cultura Resistência genética –‘Alvorada’ PRINCIPAIS DOENÇAS NEMATÓIDES PRINCIPAIS PRAGAS As principais pragas da cultura da cenoura são as lagartas, principalmente a lagarta rosca (Agrotis ssp.). Controle: Praticas culturais Preparo de solo, incorporação dos restos culturais e eliminação das plantas daninhas, especialmente gramíneas Ação de inimigos naturais como parasitóides e predadores (micro-himenópteros) Poucos os inseticidas registrados Pouco recomendável para a cultura. PRINCIPAIS PRAGAS Lagarta rosca (Agrotis spp.) COLHEITA 80 a 120 dias depois da semeadura Ponto de colheita : Amarelecimento e secamento das folhas mais velhas Arqueamento para baixo das folhas mais novas Manualmente ou semi-mecanizado, acoplando-se uma lâmina cortante no sistema hidráulico do trator. Deve-se arrancar somente a quantidade possível de ser preparada no mesmo dia. COLHEITA Colheita Manual e Mecanizada Após o arranquio: Parte aérea é destacada (quebrada) da raiz Pré-seleção eliminando as raízes com defeitos. Lavadas, selecionadas, classificadas e acondicionadas. Classificadas conforme o comprimento e a % de raízes com defeitos PÓS-COLHEITA Pequenos produtores: máquinas simples para lavar as raízes a seleção e a classificação são feitas manualmente. Os grande produtores: possuem máquinas que lavam, secam e classificam. A seleção e o acondicionamento são feitos manualmente PÓS-COLHEITA MÁQUINAS Quanto ao comprimento: Classe 10 = raízes com 10 a menos de 14 cm de comprimento; Classe 14 = raízes com 14 a menos de 18 cm de comprimento; Classe 18 = raízes com 18 a menosde 22 cm de comprimento; Classe 22 = raízes com 22 a menos de 26 cm de comprimento e Classe 26 = raízes com mais de 26,5 cm de comprimento. CLASSIFICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO E PADRONIZAÇÃO EXIGÊNCIA MÍNIMA DE QUALIDADE Ausência de defeitos graves EXIGÊNCIA MÍNIMA DE QUALIDADE COMERCIALIZAÇÃO E AGREGAÇÃO DE VALOR A comercialização de cenoura é realizada em diferentes canais, podendo ser vendida na porteira a intermediários, feiras livres, associações ou cooperativas de produtores, no Ceasa, no atacado e varejo, em sacolões e supermercados. É um produto de alto valor agregado que permite retornos econômicos pela sua segmentação de mercado. A cenoura in natura é vendida: Em embalagem de isopor (bandeja) com três raízes, Coberta com película de plástico, cenoura minimamente processada Cenoura processada conhecida como cenourete e catetinho. COMERCIALIZAÇÃO E AGREGAÇÃO DE VALOR COMERCIALIZAÇÃO E AGREGAÇÃO DE VALOR EMBALAGENS EMBALAGENS Principal hortaliça usada no processamento: Rodelas, palito, cubo, ralada Farinha Polpa Minicenoura (cenourete e catetinho) Seleta de legumes Alimentos infantis Sopas instantâneas PROCESSAMENTO MATÉRIA-PRIMA