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Anna Maria Marques Cintra 
Maria de Fátima Gonçalves Moreira Tálamo 
Marilda Lopes Ginez de Lara 
Nair Yumiko Kobashi 
Para entender as 
linguagens 
documentárias 
Esta obra apresenta os aspectos fundamen­
tais das linguagens documentárias: sua nature­
za, sua estrutura e suas funções. Aborda, de ma­
neira especial, as questões lingüísticas e lógicas 
que fundamentam sua elaboração. Incorpora, 
nesta segunda edição, um novo item - a Intro­
dução - em que se ressaltam o caráter sistêmico 
das linguagens documentárias e seus aspectos 
culturais. Além disso, foi inteiramente revista, 
de modo a eliminar imperfeições. 
Cada vez mais as linguagens documentárias 
vêem se mostrando como importantes ferramen­
tas de organização e distribuição de informação. 
Elas já são hoje consideradas imprescindíveis 
para agregar valor à informação especializada, 
na medida em que, por seu intermédio, a tarefa 
de organizar tematicamente a informação tor­
na-se mais consistente. 
Mas além de seu caráter organizacional, as 
linguagens documentárias viabilizam o compar­
tilhamento de informações produzidas por dife­
rentes instituições. Decorre daí o fato de os sis­
temas ou redes cooperativos de informação não 
prescindirem de algum tipo de vocabulário con­
trolado para a constituição de seus dispositivos 
informacionais, sejam eles de uso local ou 
disponibilizados para públicos amplos, através 
de redes eletrônicas. 
A utilização crescente de linguagens docu­
mentárias baseia-se na evidência de que, sem 
uma linguagem compartilhada, não é possível a 
comunicação entre serviços de informação e seus 
usuários. Em vista disso, as linguagens docu­
mentárias se oferecem como instrumentos po­
derosos de socialização da informação. E a in­
fom1ação, na medida em que está diretamente 
relacionada ao conhecimento, tem papel deci­
sivo na mudança dos destinos da humanidade. 
Espera-se que sua leitura contribua para apri­
morar a formação daqueles que já atuam ou 
atuarão profissionalmente no vasto campo da or­
ganização e transferência da informação. 
Anna Maria Marques Cintra 
Maria de Fátima Gonçalves Moreira Tálamo 
Marilda Lopes Ginez de Lara 
Nair Yumiko Kobashi 
1PARA ENTENDER 
AS 
LINGUAGENS 
DOCUMENTARIAS 
2J edição revista e an1pliada 
! editora polis
2002 
Copyright CD 2002 das autL)ras 
Capa: Ivone Cludzal 
1/ustraçiio da capa: Ben Nicholson, Agosto de 1956 (Vaid'Orcia). 
Rcvi5,fo: N3.ir Yumiko Kobashi e Marcos Frederico 
Editoraç5.o eletrônica: Editora Pulis 
Ficli,1 catalugr,ític;1 
CI1'-:TR,\ .'\11,1 M,1ria t'l ;1[. Paril cnkmkr ns lingu;igc11s ducu­
mrnt;íri;1s. 2cd r-cv. e ampl.. - 5:ill l',rnlo l'ulis, 2002. 
ISBN 83-7228-00 12-X 
1 Linguc1gcns ducurncnLíri;is. I. Título. 
Direi tos rtscn·,1dos pcb 
EL)]TORA POLIS lTDA 
CDD - 025.4 
CDU - 025.4 
Rua Car.1n1Lirll, 1196 - Sa(1dc - 04138-00:2 - Szio Pnulo SP 
Tcl.: ( 11 )5 :
""
Nt-7 6tl 7 e ( 11):275-7 5 tl6 - F,lX ( 11)l75- 75 8 6 
e-mail: polis(éê cdi tom polis .com. \Jr
O .scnticlo Ili/Oi 11w1rn llln:1 eFiclência. 
Ed,,v:1rJ Lopes 
Sumário 
Apresentação 9 
Introdução 13 
... � .. 
1. Conhecimento, informação e linguagem 19 
1.1 Conl1ecimcnto e informZJçiio 19
1 2 Linguagem: car.JclerísticZJs gcrZJis 26 
2. Linguagens documentó.rias 33
21 NZJtun-zZJ, especificicbde e fun\'Õcs 3.3
2 2 ConfigurZJçi'io d.Js linguagens documentárias 42 
3. Sistem<.1 nocional 49 
3.1 Rdüçõcs hierárquirns 55 
3 .1. 1 Relaç,1o genérica 5 8 
3 12 Rebçi'ío pürtitiva 61 
3 2 Relações ni'ío-lmrárquicas ou seqi.lfnci.Jis 62 
4. Relaçôes lingüísticas e docurnent,1ç,1o 6 7 
4.1 PolisscmiZJ e ambigL1icbdc 70
4.2 Sinonímia 74 
4.3 1-!iponírniJ 11 
Bibliografia 8 7 
7 
Apresentação 
O homem vive entre os c.:1mpos scmiológicos No seu 
cotidiano, c1minha de um p,1r<1 oulro, consciente ou incons­
cientemente. Enreda-se nas construções :1rquitetônic:1s, p:1s­
Si1 por escull ums (Zis vezes sem ver), ouve "sons" perdidos 
de músicas ou de grilos, restos de conversi.1S - agressiv,1s ou 
c:irinliosos. C1da um desses campos pelos quais ele transiL1 
diari,1mentc tem seu código específico. E ele trans-ita nu Sêll­
lido primeiro: vüi através de (trans) um crnninho (ito) que 
as gerações passadas conslruíram parn ele e que su,1 própria 
condiçR.o de humano lhe pl:Tmi�e "receber" de v6rios mudos: 
cm um dos pólos, não "percebendo" a cxlcnsZio do mundo 
cm que vive; no oulro pólo, "pcrccbcm!o" tal cxtensZio, apro­
priando-se dele e mm!ificmdo-o, construindo novo mundo, 
novos mundos. Re-conslruinclo-sc no faur. 
l:sscs Ci1mpos scmiológicos, com seus cóLhgos próprios, 
muilos deles nZio-vcrbnis, cntrd.:.1çil111-se e manifcst:1111, na 
vcrcbde, n conc!içfü> da sociedade naquele momento históri­
co. Essa inter-rcbçiio cnlrc os c;_impos, essa "costura" é 1Ta­
liz,1da pelo código vcrbill, pelo signo verld, pclzi p,1bvra Ou 
SCJ<L os cnmpos semiológicos -;iiu m,111ifcst:1�:ões sócio­
cul ur;ús de uma dacb sociedade. Emliorn com suas espe-
9 
cificidzidcs, eles revelam a cu]t ura cbquela sociedade, n;:iquc­
la et<1pa de desenvolvimento. E a culturn é lransmitidâ, pre­
dominantemente, peln palnvra Por isso, só a palavrZJ lem ..1 
condiç5o de penetrar lodos eles, de "interpenetr;í-los". 
Esse é um cios motivos porque se afirma a import5ncizi 
da pzilavra Su.:i condiç:io dt." plasticidade permite-lhe ser o 
suporte do conhecimento. Sem conhecimento, o homem per­
manece sempre muito próximo do pólo dos que não perce­
bem a exlens.'io do mundo em qllc vivem, cm que circulnm. 
E aí está um dos aspectos d.:i import."lnci.:i di.l informaçéfo. 
Nesse sentido, parece que a infonnaç5o cumpre papel de­
cisi1'0 na 111uclança lias clcst.irws da humanidade, uma Fez 
que ela está clirctarnmtc li.gacía ao conhecimento e ao dc­
scm•olvirncnto de cada wna elas áreas elo sabcr,já que todo 
co11/1ecirncnto começa por algum tipo ele i1forrnaçiio e se 
constitui cm i11formaçc'io ( .. )E para que o conhecimento ela
sociec/J.de não se perca e possa ser compartilhado, ele é re­
gistrado num claclo suporte: l.ivm, imaw111, fulo, disco ele. 
passanclo a se constituir num documento. 
A informaç5.o n3o é \1111 e/ado. Ela se constrói no encon­
tro de duas din5rnic.:1s: .:i din5mica de quem "emite", di: quem 
"rrnmci.:i" (o cnunci,Hlor) e a din.Rrnic.:1 de quem "recebe" o 
cnunci.:ido (o enunciütáriLl). Eb ocorre sempri: num espaço 
onde as posições de quem "fob" e de qllem "ouvi:" s,10 
intcrcambiadas, num jogo de forças perm;rnente. 
Aí começa a linguagem clocumcntária. Corno conseguir 
que o conhecimento �1eumuléiJo niio se perca, que se lenha 
acesso .:i rlc, de tal modo que 11.10 seja necessó.rio "reinvent.1r 
a roda" é:1 rnda gernç5o? A memória coletiva, a tr,msmissão 
10 
oral da cultura são aspectos fundament,lis, mas como, nas 
nrcas científicas, fazer conhecer o conteúdo de aproximadn­
mC'nte 60.000 revistas científicas e cerca de um milh5o de 
artigos individu,1is? Esses dados, citados neste livro, rcvebrn 
;:i estimativa de 1960. Certamente a produçi'io cienlífica é mui­
to maior. 
Ninguém ousaria pensar que é possível conhecer to(b �1 
produçi'io de um;:i determinacb área cio so.ber. Mas é nccess.:í­
rio, pelo menos, ter acesso ;:i seus o.v;:inços e po.rlir deles 110. 
construçJo do novo conhecimento. Eis aí, de novo, ;:i lingua­
gem documentária. 
Os desafios s5o numerosos. Num mundo cm que, <10 
(JllC parece, o homem "nJo diz", ,iprnns "é dito" pelas p,1la­
vr;is; em que se tem, prcdomini.mtfmente, "a voz do dono" 
f n."io o homem como "dono da voz"; cm qne os discurSl)S 
ele rnúscar.:i circulam corno mcrc.:idori.J.s de maior valor, como 
trabalkir zi linguagem clocumentúria? Afinzil, el;i pressupõe, 
por nm ];:ido, a irnportf1ncia da divulgaçJo cb i1'.form<1ção 
p;:irn que o homem assuma sua própriavoz; por outro lado, 
ela pressupõe o sujeito que v;Ji "püssür" o conhecimento 
cirntífico, cbborndo na linguagem polissfrnic1, para outra -
a linguagem d.ocumc11tciria. 
A pal,1v1'i1 carreg.:i J. próticJ social cb sociedadf, enfrixc1 os 
valores de um determin;:1do momento histórico. É sub-n'/ll fria 
Atuél, sem que tenhamos consciência de seu papel. Este s10eito 
ri11e v,1i "!rndm:ir" o texto científico p:.ira c1 linguagem c/ocu-
111cntiÍria rnrrcga consigo essa formaçJo. T<1mbérn o stijeito 
que cbborou o texto científico. N;_1 condiçJo de Sl�jeito, cad.:i 
um tcri.'í seu universo de v,1lorcs, que lhe foi tr,msmiticlo peL1 
culturJ. Como cvit.:ir os desvios nessa lr<1duçã.o? 
1J 
Como dizfm as autoras, de um sistema de relações que 
se caracteriza pela virtualidude, a LN (Língua Nutural), usa­
da pelo sqjcito do texto cirntífico e pelo sujcilo que f"ar:i. a 
··trnduçifo" (e ;1indt1 pelo sujeito que "receber,/' a informaç/io,
é bom não esquecer) 1x1ss;1-sf para um sistema de rebçõcs
11.10-virt uni - a LD (Lingu,1gem D0cumenl.íri;1J
i\1Ias, cliferc11tcmc11le ela LN, o sistema ele relações elas LNs 
niio € virtuaL hem como seus mecanismos ele articulaçiio 
s,10 cxtrcma111c11tc precários, cmfncc claCJucles existentes nas 
línguas, cm geral. Hcn, ao cont drio, elementos dessa li11gua­
ge111 cspccí(ica são selecionados ele universos cletcnninilclos 
e seu sistcnlél clt: rclilç6cs { construíâo, sendo inclispcns.ivd, 
para ui i/iz;-í-la, a o:ist(;ncia de rt'gras cxplfcitns. Por esse 
motirn, as LYs siio linguugrns CtJnstruíclas. 
O mundo contemporâneo se dcsnucl.1 cm sua comple­
xidade: todos os povos lutam paru ter vez e voz no concerto 
das n,1çõcs. A constituiç.10 de ptJ]os hcgcmônicos consolida­
se a partir uo conhecimento. [ ;1 linguagem clocwncntâria jogi..l 
p;:_1pd decisivo nessa re.1lid,1dc. 
O des,1fiu é grande. .r\s pi1bvrns, "suspensas no ,:ir", pu­
rarn su,1 da11(,:;:_1. i\ll;1s ,1s ,1Llll)réls desse livro, com cifr1ei,1 e 
cornpdfnciJ, top,1111 o dcsnl"io. E vcnctm. t ler p;1rn crer.
12 
Alaria 1lparccida Bacce,ga 
Profrssora Livrc-d,.>ernll' 
da E,,:ol,1 dt: Con1trnic;1çÕêS ,, ,·\t'les 
d;:i llnivcrsid, de (k São Pm!lo 
Introducão 
) 
Se no 1x1ss,Klo :1s diCcffntes form.1s de nomc,1r o �1rco-íris 
entre povos, ou .:is rebções diversas entre língu:1s p:ir:1 dizer 
"cu estou com dor de c1beç:1" eram percebidas como c,1sos par­
t iculn rcs ou idiotismos, hoje, sJo en t endi(lé1s como 111�1-
nifrsL:içõcs naturais, gera(bs pelas diferenças de signific.:.mll' e 
de subst.ínci:1 semJnlic.1, um.1 vez que o signifiG1do compôe, 
indíssociavelmenle, i.1 tmid.1de numa cfod,1 língu:1 
Com ef'cito, enq11,mto n:1 nossa cultura distinguimos 
sele cores no :1 rco-íris, entre os brct:'ios e os gauleses esse 
11(1mcro cai pJr.:.1 quntro, por exemplo, 11;1 zon:1 onde distin­
guimos :1zul e verde, des idcnt ific:1111 ,1pcn:1s o ºgl:is" E, de 
form:1 semelh:rnte ?1 noss.1 expressJo ''Eu tenho um:1 dor de 
c:1bcç:1" correspondem cm fr:111cês ou em it:ili:1110 outr:1s rc-
1.:içõcs: "J'ai 111;:il ?! b U:te" ou "J'vli dt1olc il c:1po". 
Ev1denlementc, cm muitos rnsos pode-se ter .1 ilus:'io de 
mer:1 t r:rnsposiçiio de ncimcs ou t roc:1 de significan lcs, corno 
cm "ciio: dog/chien". EntrcL111lo, a esses sig11ific.1 11tcs corres­
pondem signific,1dos rcbcion:1clos ,1 tocb expcriêncin cultu­
r:11 dos fol.:intes de c.:.1(1::! língun, o que Icv:ir:í, irrcmedi,1vcl-
111cnle, .1 signific1dos diferentes, portanto ,1 signos diferentes. 
Pode-se, pois, dizer que cada língua néltural - LN - ana­
lisa os dados da experiência segundo padrões que dependem 
da trmliç.:'io culturéll e do momento social do povo que a fala. 
Isso fziz com que possamos dizer que cada LN f, J. rigor, umé1 
ilnálise da sociedade, cio homem particip.:i.nte de um grupo e 
de suJ. cultura. 
MJ.rtinet (1969) diz: "Urna línguu é um instrumento 
de comunicação segundo o qual de modo vc1rióvel de comu­
nicbcle p,ffél comunicbcle se anc1lis3 3 experiênciJ. hurnAnél em 
unidzides provi<lc1s de conteúdo semâ.nlico e de expressão 
fônica e em unidades clistintiv.:is sucessivas". 
Mils isso n3o permite dizer que rn1rnél. mesmn comuni­
cbde as cstruturéls lingüístic1s sc;jarn homogêneéls. focilmcntc 
obscrvzt-sc que as pessoas de umi1 mesmél comunidade lin­
gt"ríslica nno falam do mesmo modo. Entretanto, desde que 
essc1s difrrcn�·as scjc1m tais que n3o impeço.ma comunicação, 
dizemos q11e estamos diante de uma mesma língua. 
Seguramente, se fizéssemos uma an6.lise cios sons pro­
duzidos pelas pessoas de um grupo culturztlmente homogê­
neo e de mesma língu:1, encontrnrí.Jmos inúmeré.lS difercn­
ç.::is No entonto, essüs diferenças de timbre, de intcnsicL::ide, 
de c1ltur:1 etc., n5o s3o, freqüentemente, sentidas nem pelo 
emissor, nem pelo receptor, nem tampouco como impeditivas 
de comunicnção. 
/\ "posiç3o" rebtivc1 do signo explicitc1 a noção de valor. 
O.llémdo dizemos que umc1 peça ele abbastro Vi1le x, dizemos
que cb pode ser trocada por um outro ol�jeto de nal ureza
diferente dinheiro, ouro ele. Portanto seu poder de trocc1 esló
condicionado a relações fixéls existcn tes entre ele e objetos dc1
14 
mesma natureza, como outras peçns de nlabastro, prove­
nientes de outros lugnres. 
Na LN, o elemento ele troca é o signo lingüístico, que 
associa um significante (imagem ncúslicJ.) a um significado 
(conceito). Seu poder de troca esUí ligé!do ao falo de poder 
servir para designilr urna realidade lingüística que lhe é es­
tranha (reillidnde atingic!J. por intermédio de seu significado, 
mas que n3.o é seu significado). Méls esle poder significativo 
que constitui o signo é eslrilamenle condicionéldo pelas re­
lações que o unem aos oulros signos da língua, de sorle que 
n.10 se pode escolhê-lo sem o recolocilr numa rede de relações 
intra-lingüísticas. 
Com os limites próprios de umél linguagem construída, 
as linguagens clocumenUirias � LDs � se valem de quase to­
dos os conceitos apresentados para a LN, constituem sisternns 
onde as unicb.des se organizam cm rel,1ç·õcs de dependência. 
No entanto, n3.o se pode dizer que s�jil.m signos, urnn 
vez que faltürn a suas unidades caraclerísticüs bi\sicas ele sig­
no: significante e significado articulados segundo pmlrões 
sócio-culturais com clisponibilidaclcs virtuais de significaç3.o. 
Também n.'io dependem nem da lradiç3.o cultural, nem 
do momento social e sim de convenções cstélbclccidas no cem­
junto do próprio sistema que é, por isso, est:ílico e homogêneo. 
N3.o se processa com essas Iinguügens uma cornunicél­
ção no sentido estrilo. Processa-se, antes, urna decodificação 
purél e simples, à rn,meira de códigos csUílicos. 
Ivlas, a utilização de unidades retiradas da LN, dá às LDs 
um carMer parlicubr que as lorna, de certa forma, diferen­
tes dos sistemos esltilicos. Na sua utilizaçôo h;:í, como que 
uma contnrninüção da mobilidade da LN, passnda via esco-
15 
lbzis lexicais que se tr<1nsform<1m cm unidzidcs clocu­
mcntárié.ls. Assim, JS LDs n5o se livrarn completamente de 
interferências culturais que acahnm por exigir um trabalho 
qu<'.1se permanente de atu,1lizaçiio. 
O c.1rátcr sistémico fica garuntido com zi impossibilidade 
de se ler uma unicbdc cm scpar;)do. De foto, c.:lll.1 unid;-1de só 
pode ser ''lida" 11,1 sua relação com élS demziis unicbdcs com­
ponentes do sistema. 
Por serem sistemas cunstruíclos, ns LDs sfio cconômic.1s. 
Só que 11;10 se trata da ,1plicaçZio cio princípio de cconomiu da 
LN e sim de t1rn,1 r.1cion,1liz.:içJo de escollws e de procedimen­
tos, que pcrrnit:1111 um,1 utilizac_:;.1.0 eficaz do sistcm.1. 
;\s rcluçê5cs pé1r,1digrnáticas e sintagmáticil.s também 
ocorrem, só que de forma basl:mtc rcstritn, especi,1lmentr 
n;_is construçôes dos sinlélgm,1s. 
No cnL:rnto, n.is LDs fic.:1 evidenteo poder de troc.i di1S 
unidades, num,1 posiçi'io bastante próxim,1 d,1 LN. Cad,1 uni­
d;idc don1111cntária clcsign,1 t1m<1 re;:i]idadc drntro do sistema 
construído, o que lornü. evidente o v.ilor e él possihilid,1de de 
troca, de representação. 
!)e toda fornw, as LDs sfio trihut,irias da LN, n;i rncdidd 
cm que silo construíd.is a p;_irtir deb. Embora haja um esfor­
Çl) de ncutraliz.içZio de tTi-lÇOS que fazem da LN um sistema 
aberto, hetcrogrneo e multiforme, ,is l.Ds ac;1ham por assirni­
J:cir nlgum;_1s particul.iridades, um:1 vez que se vokm de uni­
dades chi l.N e sfio m:mipubd,1s, freqüentemente por seres que 
têm nc1 LN c1lgo, nutur;1lrnc11tc. incorpora.do ci su,1 existência. 
/\ funç;10 da I.D {: trnt;ir o conhecimento dispondo-o 
como infornwç.'iu Em outr:1s p.il:nTns, compete i1s Ll)s trans­
formar estoques ele conhecimentos cm informilções a.dcqu.1-
16 
cbs nos diferentes segmentos sociais. É esse partilhamento 
que esló. na b.Jse do cm6.ter público da inforrnaçi'i:o e que não 
pode ser obtido nu a.usência de 11rna LD. De f,.1to, duranle 
muito tempo acreditou-se que a disponibilização dos esto­
ques seria. suficiente pari1 .:1 sua socialização. Mas, allu:il­
menle, o fundamenl,11 é a existência de uma forma de or­
g;rnizüção que güranta o partilk1rnento. Ess;:i org;:iniz.:1ç,10 é 
,, LD. 
Coya.ud (1972) c1ponti1va, na rebç:i.o entre a Lingüísti-­
ca e n Documentação, ilquilo que consider.wa ser 11111 gr;in­
de defeito: por 11111 belo, os teóricos cb Lingúíslirn ac1hav;im 
lrab;ill1,111do sobre questões ahstrnt;is, ficarnlo inlciramcnle 
ausentes inf'orrna�:õcs sobre as línguas concrct;is. A seu ver 
os lingüistas poderiam ser divididos cm dois grupos: os teó­
ricos que pendiam pziri-1 ;i lógica, p,1r<1 a busca de L111ivl'Tsais 
dü li11g1wgem, ignor;indo mesmo i.lS línguas concretas; e os 
especialistas numu dada língua que ,1rnbarn por se fechar 
nclu e por força de um terminologia prôprÍ3 chcg�1Varn ao 
limite da inconrnnic;ibi!iclade, até mesmo com o grupo lcó­
nco. Entre estes dois extremos 11,wia um v,1zio. 
Evidentemente que esto quest}o nem é l,fo simples, nem 
li'io clara. De todn forma, parecem faltar lrahal11os de rnrá­
lcr extcnsiLll1é11 que poss;:irn f.1zcr de for111a produtiv.:1 a lign­
çJo de teorias conlemporé1neas com prMicas soci,lis. 
Conhecer primeiro os meandros cb linguc1gern p,1rcce 
ser pré-requisito, r;iúi.o pela qu;il fori1111 introduzidos nesse 
livro conceitos qur pcr111Íli1111 ;iprof'undar conhecírncnlos Ji.1 
,1c11mulaclos. 
Oo ponto de vist;i cb lingu,1gcrn três aspectos rncrecnn 
dest;ique: ;i de111,1rc;içJo, a signific1çJo e a comunic.1ção. 5,°io 
l 7 
esses aspectos que, segundo Kristevo (1969:14), permitem 
dizer que todas élS µr6.ticas human;_is sJo tipos de linguagens. 
Quanto us linguagens documentários, é necessário que 
scjJ.rn vislAs, simultJ.ne:uncnte, como sistemas e como prá­
ticas sociois com lod;_is as suas implicações que vão de seu 
aspecto moteriol, consubstanciado cm codeias ele unidades, ?! 
sua 11::-ilurcz,1 comunicativa que pressupõe acordo entre su­
jeitos que dela se valem. !\!esse sentido, urna LO n:'io se apre­
sent<1 como uma construçil.o univcrsol, segue princípios (mi­
cos, mas reflete práticas soci<1is distintas relacion;:ic!as 1150 só 
às nccessicbdcs cspecífic<1s de informação dos v{trios scg­
rn enlos sociais mas também aos vjrios consensos que os 
rnracteriz:1m. 
O livro orgonizil-sc, além d.1 Introcluçi:io, em quatro ca­
pítulos O primeiro trnz considerações, como o título sin<1li­
z<1, sobre conhecimento, informnção e linguilgcm vcrb.Jl ou 
natural - LN. O segundo enfoca asµeclos importantes das 
linguagens JocumenUírias - LDs. O terceiro discute relüções 
intervenientes nas linguagens document.:írias e o qumto re­
lomi:l conceitos de se111ilntic;1 lingüístirn que têm µapel f un­
d<1rnenlal n<1 construçi'io de LDs. 
18 
1 
Conhecimento, informação e 
linguagem 
.. � ... 
1 .1 CONHECIMENTO E INFORivl:\Çi\O 
Em est:ido dicionário informação significa "aç3o ou efei­
to de informar", "instruçâo", "indagélçJo", "investigc1ção", 
"notícia". 
O significêido de i1!formaç/ío implic.J a presençi-1 de serné.ls 
que envolvem apresentaçJo, representação ou criação de idéia, 
segundo uma forma. Em sumi1, a informação constitui, ela 
mesmc1, um conhecimento potencialmente tro.nsmissível. 
Sob outro ângulo, pode-se dizer que a i,formação rela­
ciom1-se ,?i identifirnção de um ''sinal" e supõe umil "forma" 
p;:1ssívrl de ser interprelé:1dé.1 como mensagem. 
De outr;:i ótirn, ainda, sabe-se que a i,�formação se cons­
titui, ni.l sociedade modern<1, em ingrediente indispensável do 
dia-<1-dia dc1s pessoas, graças, de modo especial, aos veículos 
de comunicação de mass<1 
Entretanto, é em sentido específico de algum tipo de co­
nhecimento produzido no nível do mundo científico e 
tecnológico que interessa fazer considerações. 
Dü mesma forma que a informação acontece nos dois 
19 
cxtn-mos do circuito da comunicnção, o conhecimento Jcon­
tece no extremo do emissor, responsável peb criaçiio cm si e 
no extremo do receptor, onde se e.ló. il recepção du inform<1ção 
criach 
Neste sentido, 1x.1rcce indiscutível que il infonnaç.io cum­
pre p:ipel decisivo na mudanç:i dos destinos dü llllmanicbde, 
uma vez que ela está, dirct1mcnte, ligada ao conhecimento e 
;10 desenvolvimento ck cadn um.:i das ,Ín'as do saber, )<"i que 
todo conhfcirnento começi.1 por algum tipo de infonn;1çôo e 
se constitui em inforrnilçi'io. 
A purtir da déc1cb de 1970, a noção de informaçiio, hem 
como os lermos que ;1 represcntnm tomam vulto, seja 11;1 
constituiçJ.o dos discursos, seja n.1 crinç.:io de disciplinas cs­
pecífico1s. ;\credita-se mesmo que a sua expansifo represente, 
na sociedade ocidt'nl�1l, um elos maiores sucessos de uma p:i­
lavra no século XX. 
i\ utilizaçJo rccorrrntt' da p<1bvra gerou, como é natu­
ral, urn<.1 variaç5o conceit u<1l. Assim, fab-se do conceito de 
informação em diferentes áreas de conhecimento, podendo a 
rel<1ção infon11;1ção/conhecimento ser observadJ ;1 partir de 
trfs aspectos que se complcmcnt;1m: 
• engu;rnto o conhecimento é estruturado, coerente e
frcgiientemcnle univcrs,1!, il inforrn:1ção é atomizada,
fra.gmenladc1 e p,1rticular;
• cngu;mto o conhecimento é ele duração significc1.tiv.1,
a informação é lcrnporáriil, transitória, U1lvcz mes­
mo efêmera;
• enquanto o Clll1hccimcnto é um estoque, �1 inforrné1-
ção t um fluxo de mensagens.
20 
Com efeito, o estoque de conhecimentDs é alterado com 
o input ele novas informações, em virtude ele adições, reestru­
turnç·ões ou mudanç<1s.
l'vlas, para que o conhecimento <ln sociedade não se perc.1 
e possa ser compartilhé!do, ele é registrado num do.do su­
porte: livro, imagem, foto, disco etc., passando ;-1 se consti­
tuir um documento. 
O desenvolvimento científico e tecnológico tem 
proporcionado ;'i sociccbde um.1 massn enorme de inforrn;-1-
1;:ôes ger,1doras de conhecimentos, portanto de documentos, 
que precisam ser tratados ,1dequadamc11te para que h,�j;i n.io 
só a sua divulgaçJo, como também .:.1 criaçJo de novos co­
nhecimentos, cumprindo ;1ssim a rotina natur.:.11 d,1 própri.:.1 
ciência. 
Daí o papel fundilmcntal da {irea de documentuçiio, 
respons;ívcl pela tri,1gem, orgzrnização e c011scrv.:.1çJo cb in­
formaçc°io, bem como pela viabi!i7.élç:io a seu acesso. 
Hé'í que se considerar que i'l massa considerável de docu­
mentos em papel que constitui volume consider.ível vêm se 
jtmLmdo, de forma t<1mbém crescente, documentos cm ou­
tros suportes como disco, fotogr;if'i.1, fit.1 111;1gnétic1, vídeo etc. 
Scgt111do Waddington (1975), é pr:1ticamcnte impossível 
cbr uma imagem do mundo moderno, ciue chegue próxim.1 
da cxzitidiio, cm termos Jc conhecimentosacunll!bdos. En­
trel,mto, pode-se chegar a ter uma idéia parci,.1! do probk­
n1:1, qunnclo se consideram os estudos sobre o crescimento 
d:1 inlormziçJo científica e técnica nos últimos dois séculos, 
;Jl r,1vés só das publicações Je rcvistc1s especializadas desses 
,luis campos. 
As dui.15 primeirns revistils inteiramente dedicadas ;'i ciên-
2]
eia começaram em 1665: The Philosophical Transactions of 
thc Royal Society of London e Journal eles Sçavants (frança). A 
partir de 1760, houve uma implcmcntaç5o de publicações 
desta natureza que, pouco él pouco, prt1ticamcntc duplica­
r,1m i1 cada quinze anos. 
Sabe-se que ;:i.té meados da segunda metade do século 
XX. for.::1111 fund.::idas mais de ·100.000 rcvistns cicniífirns. No
entanto, n5o se sabe qu;:inLJs dcsapareccr;im e, hoje, é pratiGl-
111.ente impossível dizer o número ddns. Para se ter uma idéia,
em 1938, c;ilculou-se ern 33.000 o número de revistas cien­
tíficns publicadas, sendo que no final dos ;inos "J 960, ele atin­
gi;i cerca de 60.000, com um milh5o de artigos in<lividun.is
por ,u10 Estimava-se, cm 1996, que havia 200 000 perió­
dicos em circulação, número que continun crescendo pri11ci­
p,.1lmentc <1 pürlir de sua difusão em formato eletrônico
Os cbdos s.'i:o, sem dúvidn, imprecisos, méls suficientes 
para demonstrar a dimensão do probkrna ct�jo desdobra­
mento pode ser observado por meio da criação de revist;:i.s 
secundárias e terciárias, do fenômeno da "redcscoberlé1" cien­
tífic1, da tendência.:) cspeci,1liz<1ção e d;i rApida obsolescência 
da informaçno 
Com efeito, i1 primeira revisla secundária, n�ja fun�·Jo 
é resumir e sintetizar os artigos publicados nas revisL:is pri­
mártas, surgiu na A.lcm,111ha em 1714. De b par<1 có, esse 
tipo dr periódico veio aumcnt.:rndo, cheg,rndo mesmo é1 mul­
tiplicar-se com, praticamente, ,1 mesma taxél exponencial d,1s 
revistas prím:.irias. Em 1960, czilcu!ou-se em 1.900 o nú­
mero desL1s revist.1s secumtirias. 
O volume de revist<ts sccund.:í.rias levou à cri,içJo de re­
visléls tercüírias que informavam sobre as revist<1s de sín-
22 
tese. Sob essa mesmi'l perspectiva, criou-se o Sistema Uni­
versal de lnformaçiio Científica (UNIS!ST), com o patrocínio 
dé1s Nações Unidns, com .:, tarefa central de arm.:1zené1r toda 
a informJção científirn em um comJmlJdor central, dotado 
de um sistema de busca. 
O terceiro desclobré1mento diz respeito il um frnômeno 
muito comum hc�je: é mnis fócil redescobrir J.lgo que saber 
se zilguérn jtí o descobriu antes. /\creditam alguns que este 
fenômeno cb "rcdescobcrt:1" poss:1 tornar-se um dos princi­
pais fotores limit:.H.lores da li.1xa de .:iv;_rnc,:o da ciênciil na so­
ciedade contemporé'\nc:1. H;:í, por vezes, um dispêndio enor­
me de recursos ln1111anos e materíélis p,1rzi drscohrir o j6 
descoberto 
/\ trndênciil fi rspccic1liJ;:.1dc constituiu um;_1 c.1r;_1eterís­
tica muito presente 11,1s décad.:is p�1ss,1<las, chegando mesmo 
:1 motivar filósofos e cduc1dorcs p,1r;_1 discutir ;1 questão da 
intcrdisciplinaricbcle. Nos úllimos anos, embora oinda per­
sista, com s;_1liência, esln c.:iracterística, assish:-sc a urna for­
te reaçilo à alta especialidade, de modo pélrticular com os 
movimentos denominados pós-modernos. 
;\ velocicbde de procliH;,"ío ele inforrn.:içilo tem como con­
scqiif'ncia quase imcdiat:1 ,1 obsolcscênciil de conhecimentos. 
De .Soll:1 Pricc discutiu isto cm krrnos cio que ck chzunou de 
coeficiente de irncdialismo: se ,1 qu;:mlicfade de infor111.1ç'i'10 
dobra cm quinze anos, rb sCTin ,r\ no início deste período e 
lA no fim do mesmo período O acdscimo de A é A e o 
coeficiente de imecli<1tismo é i\./21\ = 1/2. lslo é, ao c.1bo de 
quinze ;_mos, 50% chs i11forrn;1\·õrs disponíveis ser3o fruto 
de descohcrL1s rcaliLi1cli1s durc111lc o pcríudo cm qucst.:io (Pricc, 
·1965)
'.)� __ ) 
Não é difícil perceber que em áreas de awmço muito 
veloz, como n computaç.10, o período de duplicaçJo não é 
15 anos, mas muito menor, talvez 4, o que ampli,� b.1stante 
o índice de obsolescfnci.J.
/\.ssim, cieiro esl{i que ninguém pode, nem mesmo numn 
área de especiulidadc, avenl urar-se a "conhecer" ludo o que se 
publica. f'vfas também é cbro que uma pessoa pode conseguir 
informações p,nciais em níveis satisfolórios, gri..lps aos meios 
desenvolvidos pnrn gu:irda e rccuperaç.10 e.la informaçiio. 
As necessidades, 11.:üurülmrnte, v.:iriam de um domínio 
parJ. outro, de um grupo para outro, segundo o eslé.Ígio de 
Jcst'nvolvimenlo da .íreo., a n.:itureza cios usu.:ít·ios, seus ob­
jetivos A.pesar dessas variações, é preciso que as informa­
ções srj;:im confiAvcis, atuais e inwcfoltamcnle disponíveis. 
Para se chrgar i.l isso é indispens,1vel um trabalho sistc­
míltico que se compõe de um conjunto de opernções cm ca­
dei,1, isto é, operações marcadas por íntima relação entre cada 
urna das etapas: .:is últinrns oper;-1ções estão ligadas .:)s pri­
meiras e as primeiras v.10 conduzindo às últimas. 
Numa extrc111id�1de da rnciciJ. estJo os documentos que 
seriio [ralados e, na outra, os resultados desse processo ex­
pressos em produtos docume11l,írios cio tipo: rdcrêncii.ls, des­
crições de documentos, publicações secuncli5ri.:is e terciéÍrias. 
O processo começa peln opcraçi=io ele coleta Jc dados que 
se constillli num procedimento ele alimcntaçi'io, por meio do 
con1unto de documentos que p,1ss;1rn a intcgri1r umJ. unida­
Jc ele informc.1çfio 
A primeiri1 rJ.se que se decompõe em éllgumJ.s eli.1p�1s 
sucessiv,1s (loc;ilizaçâo de documentos, triagem e escolha, 
procedimentos de üquisiç<lo propriamente ditos) exige pro-· 
24 
fissionais atualizados em relação à evolução <lo conhecimento 
e à produção no domínio considerado, o que supõe que a 
unidndr dr informação esteja bem integra.da no circuito cien­
tífico nacion:.11 e internacional, formal e informal. 
Quando se trüta de publicações disponíveis no merca­
do, a coktn npóia-sc em fontes identificáveis e acessíveis: dc­
pósilo leg.Jl, bibliografias nacionais, G1ti.Í]ogos de editores, ou 
c:1tólogos coletivos, índices, repertórios, bibliografids de toda 
espécie. Mas, quando se trata de localizm um.:i lilerntura dita 
sublcrrânca, é fund,1mcntdl que se poss.J dispor de umél rede 
de perrnul;1 e de aquisição sistern.ítica, o que implica inte­
gração no circuito científico da ,írc�1. 
A scgundn fase do processo consiste cm opernções de 
controle e registro do materi,11. Nesta fase, é frito o tratü­
mcnto intelcctlwl dos documentos, por meio <le descriç,10 lii­
bliogrófica. descrição do conteúdo, cstoc�1gem, busca e difu­
são. Todüs essas opt.>rações visam cncontrnr, de imedi,ito, a 
informnção necessúria pari1 responder à dcrnand,1. 
i\ tmefo inicial consiste cm proceder à idrntific1ção do 
documento, o que é feito por intermédio de urna dcscriç5o hi­
bliogrMiG1 ou de u1Lílogo que explicita Slli.1S c:11-;_1cteríslicas for­
m.:i.is: autor. título, fonte, formato, língua, data da ecliçJo etc. 
Em scguicb, é frit:1 a descrição do conteúdo, dcnomina­
cb análise clocumcnlária. Esta etap.:i. recobre oper<1ções de des­
crição das informac,-õcs que trazem o documento, e i1 trndu­
ç.3.o dessas informações 11u111<1 formubçâo aceiLí.vel pelo 
sistema adolado. 
Daí nasce il rclé1ção cb ciência da inforrnaçZín com a lin­
guagem nnturnl, rclnr,10 que p1-ccisc1 ser ;111<1lis;1da do iln­
gulo dil guarda e da recuperação dos documentos, por meio 
25 
de sistemas que fazem a representação dJ inform;:içiio que 
veiculam conhecimento. 
Não só o volume de documentos constituídos cm lin­
guagem natural, corno também a nJ.turezJ. da linguagem 
verbal, justificam um;i reflex."io e specífica 
1.2 LINCUAGEM: CAR,-\CTERÍSTlCAS GERAIS 
A linguagem, enquanto ol�jeto de reflexão, perde-se no 
tempo; entrelirnto,enquanto objeto de uma ciência, é relati­
vamente recente. 
O rnrcJ.tcr científico deu à lingungem um.1 f"orp t"1l que, 
hoje, pode-se dizer que da é tornadiJ como chave ele acesso 
do home m moderno .:'is leis do funcionamento social 
(Kristeva, 1969). 
Embora, desde sempre, da tenha sido considcrad.:1 na 
sué.l articulação hornt'm/socicd"1dc, hoje, busca-se um isola­
mento metodológico na tentativa de vê-b corno ol�cto par­
ticulJ.r em si mesmél. O homem como que se distancia, se 
descola dn Jinguagrm que o constitui e obriga-se n "dizer o 
modo como diz". (Kristeva, I 969, p. 14) 
Neste esforço de m:lis e melhor conhecer .:1 lingw1gcm, 
os primeiros aspectos que se sobressaem s3o ,1 dcrnarcaç.10, 
a significação e .:1 comunic.:1ção. 
Em primeiro lugar, é preciso dizer que todJ.s as pdti­
c;:1s humanas s:io tipos dt' linglli1gcns, j;í qut' cbs têm :1 fun­
ç5o de c.lcm,irc1r, significar e comunicar. Entrd:111to, como 
c1ssi11:1b Barlhes (1964), C]lli1lqucr sistem:1 scmiológico repas­
sa-se de linguagem verbal. 
26 
Ao longo <los tempos, a concepção <le linguagem foi se 
modificando, à mercê do saber constituído e <la ideologia rei­
nante. J\lé o século XVIII, predominou uma concepção teoló­
gica que colocava cm primeiro plano sua origem e as regras 
universais da sua lógica. O século XIX foi marc1do por uma 
concepçô.o liisloricisla que via a linguagem como um pro­
cesso cm cvoluç.:io alr.Jvés dos tempos. Hoje predominam as 
concepções <la linguagem corno sistema ern funcionamento. 
J\ prática da linguagem é marcc1dc1 por umc1 tendência 
n.Jtural do homem: compreender, governar e modificar o 
mundo. Com efeito, o homem busca, incansavelmente, e11-
ccmtr,1r um.:i ordem para as coisas, j.5. que um mundo caóti­
co seria incompreensível, insuportável; por isso ele busca 
encontrar, em meio n aparência caóliG1, uma ordem mesmo 
que sul�jacenle, uma estruluré1 capaz de explicar JS coisns. 
Nél sua busca ref1exiva, o homem trabalha com umn es­
trutura que é, a um só tempo, estMica e dini'imica, isto é, que 
permite .J fixaç.:io de cada c1parência dentro do esquema geral 
de referência, ao mesmo tempo em que deixa esp,1ço para que 
essa mesn1,1 aparência su1ja num outro ponto do quadro, a 
partir de outras relações, repelindo o mesmo processo. 
/\ssim, situa-se numa ponta a .:_1preensão e, na outra, a 
compreensz"i.o O primuro esforço, o de fixaçô.o, equivale ,1 
uma Céltalogaçô.o do mundo. O segundo, o de coordenação, 
equivale a uma hierarquizaç.'io do mundo 
E dentre :1s coisas a conhecer, provavelmente, seja a lin­
gu.:1gem verbal uma das mais 111trigilntcs, jó. que ela se foz 
presente no dia-,1-dia, de forma inalienável, participando do 
processo e do produto deste conhecer. 
Como é feita <le palavras, a grande maioria dos dados 
27 
de que o homem dispõe, daquilo que forma seu intelecto, 
p.::in:cc importante pensar a p;:ilavrn, unidade recoberta por 
inúmeras dificuldades, entre élS quais pode-se cit;:ir o fato de 
nem todJs as línguas possuírem escrita e, portanto, ;:i idcn­
tificaçiio da 1x1lavr;:i com o espaço em branco ser, cm alguns 
cé:lsos, inviável. 
f!usser (1963, p. 22) lenta atingir um nível de explirn­
ção pélra a palavra, construimlo uma imagem que tenta ex­
pressar él passogem das sensações para a lingu.::igern. Diz ck: 
"Há, ap;_irenternente, um,1 insU\ncia entre sentido e intelec­
to, que transforma dado cm p3!.:lVrél. O intelecto sensu stricto 
é uma tecel<1gem que usa pabvr;:is como fios. O intelecto 
smsu lato tem uma ante-s<1la n:1 qual funciona uma fü1çi-'io 
que tr,rnsform,1 o.lgod.'io bruto (dados dos sentidos) em fios 
(p,1lavras). A maioriz1 Uél m:1 téria-prima, porém, jA vem cm 
forma de fios." 
Para ele, :10 se dd"inir realid<1de como conjunto de dados, 
se estéí concebendo que .1 vid.i do homem se passa numa du­
pli:1 realidade: por um lado, ,� re.:1lid<1dc cbs palavrns; por ou­
tro, a rei1lidack dos dac.los brutos ou imediatos. Co11siderc1ndo 
que os e.lodos brutos oliqj;:im o intelecto nJ. forma de p,1la­
vrJs, pode-se dizer que a rco.lidacJc se f;iz com p;1bvrns e p<1-
bvr.1s in statu nasccncli. 
Na prcítica da linguilgcm !1é.llural, sabe-se que ;is p:1la­
vras chegam até ,1s pessoo.s por intermédio cios sentidos de 
forma org,rniz;i(b, isto é, si'io agrupadas ele acordo com re­
gras preestahclecicJas, formando frnses. 
De um bdo, entJo, ;1 língua pode ser vist;:i como um 
sistema cuj;is unidades se articul:1m nu pbno da expressão e 
do conteúdo, planos que se unificam como o ímico modo de 
28 
ser do pensamento, a sua realidade e a sua rc<1lizaçô.o. As­
sim, a língua integra o universo mais amplo da linguagem e 
atua corno elemento fundamental na comunicaç5o social. 
Da mcsrnél forn,il que não há socied;-i<le sem linguagem, 
nzio há sociedélde sem comunicação. "Tudo o que se produz 
como linguagem tem lugm· nél trnc.:1 soci;1l para ser comuni­
cado" (Flusser, 1963, p. 12). 
Nél comunicação, ohserva-se que todo f,1Lmte assume 
o cluplo pélpcl de destinador e destinaUírio Jc mensagem, pois
�10 mesmo tempo cm que é capaz de emiti-Ias, sabe decifrá­
Lis. Ou sejél, na situação natur;1l de cornunicaçJ.o, o fa!.,mtc
n;:io emite mensagem que ele nôo sc:ja capaz ele decifrar.
Assim se introduz o fobntc no complexo domínio do 
sL�jcito, isto é, no universo ela sua constituiçJ.o e da sua rrla­
ç;fo com o outro. Na rclé1Çi10 consigo mesmo e com o outro 
fabnlc, opera com o ato de nomrnr que é frito com ,1 língua, 
exterior élo indivíduo e submissa a umél espécie de contrato 
soci;1] firmado, n,:lluralmente, para garantir J comunicação . 
.r\ língua é, pois, um sisternél de signos e regras com­
binütórias que, de fato, nzi:o se rrnliza completamente na fola 
ele nenhum sujeito. Ele, só existe completamente na massa, 
no co11JU1lto de uma socied,1c!c. Mas t;imbérn é um sislemél 
ele relações virtuais cm permanente disponibi!i(bclc para o 
folante. 
Enqu,mto realizaçzi:o, pode-se dizer que, qu.:mdo as pa­
bvL1s s.'io percebidas, percebe-se uma realid,xle ordenada, 
um cosmo, o que permite di7.er que a língua é também o 
coi'.junto de frases percebidas e perceptíveis 
Por outro lado, as p;1bvr;1s sJo aprccmlidas e compreen­
didas como símbolos, isto é, como tendo significado, por-
29 
que, por meio de um <lcordo entre vários contratantes, elas 
substituem algo, apontam para algo, são "procuradoras" de 
algo. 
É, pois, <l partir de um acordo entre st�jeitos que os sinélis 
são apreendidos e compreendidos, reJ.lizando, em sociedmle, o 
GHi.'íter simbólico cl.J. língua, condição do pensamento. 
Tradicionalmente, são distinguidéls as palavras él pü.rtir 
de seus significJ.dos em substantivos, acljetivos, verbos etc. A 
mesma tradiçJ.o ensina que substantivos significam "subs-
15.ncias", que acljetivos signific.J.m "qualidades", que verbos 
signifirnm "processos modific.J.nclo substilnciéls", que prepo­
sições e conjunções significam "relações" entre substâncias 
Essa classif'irnç:ão, nJ.o obstante ser enfatizada, oferece 
pontos de conflito muito evidentes. A.ntes de mais nada, ela 
pressupõe umél realidade absolut<l, um universo uniforme­
mente ordeno.do, urna estrutura rígida de mundo, e'.Spclhada 
na estrutura da língua. É mais ou menos como na concep­
ção platônica em que o fenomen.J.l espelha a estrutura do 
mundo cl<ls idéias. 
Se <l realid.J.de rn,iis ampla mostrn línguas como o chinês 
e, de resto, as língu;is ,iglutinadas f assil{1bicas onck esta divi­
são não faz sentido, <l. presença mais imedi3ta da língu.J. m.J.­
lern3 mostra reéllidades que põem cm cheque esta divisão. 
Enquanto n<l. frase "Isto é uma caixa grande", "caixa" e 
"grande" são expressões .J.utênticas, respectivamente,das sig-
11ifiu1ç:ões substâncii.l e qualidade, n,1 frnse "Isto é um cai­
xão" a qualicl.J.de como que vem engolicl.J. pela substância. J{J 
nil frase "Viver é luti.lr" observam-se processos assumidos 
como substil.ncias. 
Os exemplos poderiam ser multiplicados, 1jara mostrar 
30 
que a cla.ssifirnção absoluta n3o corresponde à re<1lidade. 
Entrclémto, é preciso éldmitir que a classificação tradicional, 
mesmo com possíveis defeitos, oferece vantagens, na medi­
da cm que e!J. permite ver a língua corno um sistema de 
símbolos apontando parél <1lgo, ou significando <1lgo. Na 
rez1lidade, a línguél não se constitui num cortjunto de símbo­
los equivJkntcs, rnc1s, antes, num conjunto de símbolos 
hiern.rquicamcnte difcrenciJc!os. O signific<1clo de c;1cla sím­
bolo só se torna compreensível dentro do conjunto do siste-
1m1 inteiro. 
A língua não é funçJo do sL0eito falante nem sucessão 
de pé1lavr,1s correspondentes ü outras equiv,1lentcs. É um sis­
tem,1-estrulura de valores e formns. Os sistcmJs de v.Jlores 
nfio sZío construções p<1rticubres de um indivíduo; s.10, ,m­
ies, o resultado de todo um contexto socioh1stórico que de­
terrnin.:i ;.1s condições de produç.10 do discurso. 
31 
2 
Linguagens documentárias 
2. N:\TLIREZA, ESPECIFICIDADE E FLIN<_:ÔES
llrn rJpido retrospecto sohre a ií.re.i da documentaç,.fo 
moslr,1 que, nas décadas de 1950 e 1960, com o crescimento 
do conlwcirncnto científico e tecnológico, houve dificuldades 
para arm.izenar e rccuper:ir informações. A soluç:'io foi en­
contrada com uma mud:inça do enfoque e da nmccituaçJo 
da recupcro.ç3o da informa1,::'io. Com efeito, foi 3.Jxrndonada 
él JKrspecliva preferencial de rccuper.:içõ:o bibliogrófica e nor-­
malização cli1ssiricatória e descritivo., buscando-se a cons­
trução de linguagens próprias. 
Vem dest.1 époc,1 a ulilizaç.'io de Linguagens Docu­
rnent,írias - LDs, par:1 ,1 recupernçi'io Ja informaçZio. Essas 
lingu,1gens sJo, pois, construícbs para indexaç:10, arma­
ZfI1<1rnento e rccupcraç:'io da i11formdçiio e correspondem ,1 
sistemas de símbolos destinados a "tu.1duzir" os conteúdos 
dos documentos 
Como decorrênciil destil 111 ucbn�·a de conu:il uaçZio da 
6rea, houve grande concentraçJo cm cst udos de Lingüística 
e de Eslillística, especi,1lmente para viabilizor ,1 ;mtomc1çi:i.o 
do tratamento cfa informc1ç,10. 
Com os estudos de Ling i.iístirn esprrava-se resolver pro-
33 
blemas de vocabuljrio, tendo em vista a construçno de ins­
trumentos nrnis adequndos Estes estudos lev.::m:im a an;'íli­
ses de conteúdos e.la Linguagem N;:itural - LN, a buscas de 
métodos de padronizaçõ.o relativos à pass<1gem d.1 LN p<1rn a 
LlJ, ;.io estabelecimento de mecanismos para é1 est rut urciç3o 
de campos scrn.5.nticos, df c;:impos associativos e de c.1tego­
ri;_1s funcionc1is. 
/\ EstAtística, por su;:i vez, foi tom.1dc1 como instrumento 
de apoio, tendo cm vist.1 determinar freqüênciéls de descri­
tores, mapeamento Jc ocorrências e <111iÍ!ise de citações, o que 
levou élO desenvolvimento da Bibliomctria. 
No .1mplo universo da linguagem, éls LDs possuem um 
status muito p;:irticul,ir: por meio delas pode-se representar, 
de 111z111cira sintética, as informações materiéilizacbs nos 
textos. 
Tal como a LN, as LDs são sistem,,s simbólicos instituí­
dos que visam facilitélr a cornunicaç3o. Sua funçJo cnrnuni­
Céltiv.:.i, entretanto, é restrita a contextos document;'írios, ou 
sej.:i, ns L.Ds devem torn;_ir possível a comtmirnç5o usu,-írio­
sistema. 
Grande pc1rte das discussões teóricas sobré' LDs inserem­
sr no 5mbito cb /\nólise Documrntjria que, por su,1 vez, se 
define corno uma atividade mclodo!ógicé1 específicé1 no inte­
rior d.1 Documcntaç5.o, que trata d.:.i análise, síntese e repre­
scntaç.10 da inform.:içâo, com o objetivo de recuperá-la e 
clisseminá-b. 
Nesse contexto, as LDs são, pois, instrumentos inter­
mediários, ou instrumentos de comutação, através dos quais 
se realiza a "tr;.idução" d<.1 síntese dos textos e das perguntas 
dos usuários. Estél "tradução" é feita em unidades infor-
34 
macionais ou conjunto de unidades aptas a integrar siste­
mas documenti'írios. !\ formalização d<1s perguntas dos usuá­
rios é feitzi rn.1 linguagem do próprio sistema. É por esta ra­
zão que as LDs podem ser concebidas como instrumentos de 
comutação documentária. 
Ivl3s, diferentemente da LN, o sistema de relações das 
LDs não é virtual, hem corno seus rneGmismos de articub­
çii:o s.10 extremamente precários, em frice daqueles existen­
les nas língu.:is em geral. Bem uo contréÍrio, elementos dessa 
linguagem específica sBo selecionados de universos determi­
n.:1dos e seu sistema c.le rclaçües é construído, sendo indis­
pens:i.wl, para utilizj-Ja, n existência de regras explícitas Por 
esse motivo, as LDs são linguagens construídas. 
C.:ida LD específirn representa, por outro Indo, um pon­
to de vist.1 p;:irticubr sobre a rcalidé1de. Como sistem.:i de 
rclaçües construído, o signific1do c.le cada um de seus ele­
mentos vai estar direL'..1mente subordinado às definições cor­
respondentes .:ios elementos colocados nas posições supe­
riores do sistema. 
Segundo Gardin, uma LO é um conjunto ele termos, pro­
vidos mi n-10 de regras sintiitici.1s, utilizadas pnra represen­
tar conteúdos de documentos técnico-científicos com fins de 
clé1ssific.1ção ou busc;1 relrospectivn de inform.:içõcs (Gardin 
ct al, ]968). 
Para o autor, umél. LD deve integrnr três ekrnentos 
b;isicos: 
• um léxico, identificado como urna list.::i de elementos
descritores, devidnmente filtrados e depurndos;
• urna rede paradigrn.:ítica pnra traduzir certzis relações
essenciais e, geralmente estáveis, entre descritores. Essa
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rcclc lógico-sem5.ntirn, corresponde i'1 org;:mizaç3o clos
descritores numa forma que, lato sensu, poder-se-ia 
chamar classificaçJo; e 
• uma rede sint<1grn;Hiu-1 destinada a express.:ir as re!u­
ções contingentes cntrc os descritores, rcluções que s<"i.o
v,ílidas no contexto particllbr onde aparecem. A cons­
truç.:io de "sinlagm.1s" é feita por meio de regrns sin­
táticas destinadas J. coorden.:ir os termos ciue dão conl,1
do tema.
Embora 11.1 LN haja diferl'nça conceitua] clara entre lé­
xico, vocabul.írio, nomencblura e terminologia, observurn­
se usos sinonírnicos dC' léxico e voc,1bul:.írio por um lado, e 
nomencbt ura e lerminologi,1 por outro. 
Nas LJJs, por sua vez, é bastante freqi"icntc o uso 
inJiscriminziclo destas p,1lavr;1s, o que pode compromder o 
próprio conceito ele reprcsent,içiio clocumcntária, na medida 
cm que a cada lermo deveria corresponder urna funç.:io dife­
rente dentro du linguagem. 
Entret.1nto, cadél urna dess.:is pnlavras remele ,1 conceitos 
específicos, o que nos permite dizer que cada umn tem 
c;ir;iclcrísticJs e funções própri,1s, fator suficiente p;_ir�1 im­
pedir sua lltilizé1çôo indiscriminadél. 
Embor�1 mesmo nos L'St udos das ciênci.1s d.:i linguagem 
h;�j;1, eventualmente, refcrênci..1 a léxico e vocahul,írio como 
conjunto de pabvr,1s de uma língua CHI de um autor, de um,1 
arte otl de um meio social, a rigor, léxico design,1 o conjunto 
de unidades re.:iis e virtu,1is que formam a língua de uma 
comtmid,HJc, algo como um depósito de dcrnentos cm C'sla­
do irlua.l e dt' regras que permitem a construçi'io ck novas 
unidmlcs, ncccssJri;1s para a atividade lrnm,rna da fala. 
36 
Já vocabulário refere-se ao conjunto de ocorrênciéJs que 
integrom um determinado corpus discursivo, como uma 
lista de unicbdes d.::i fzt!a (Duhois ct al., 1973) Assim, pode­
se fribr no voc;ilnil,írio que encontr,1mos no trilbalho de 
Cu11ha, rebtivc1mcntc i1s ocorrências rcgistmdas nos discur­
sos sobre polílicn colonial de 1\driano J\11oreiro (Cunb.::i, 1990), 
ou no vocabul6rio médico, a partir de lcva11larncnlo cm 
dcterminacbsobras médirns, por exemplo. 
Em termos de L!Js, nâo foz. sentido folar nC'm cm léxico, 
nem cm vocabulário nas :1cepções d,1 Lingüístirn, uma vez 
que esses ekmcntos s.10 específicos da LN. As LDs, lingu:1-
gcns construícbs que s:io, com finalidades espccffic1s de 
rcprcscntaç:io Jocument;'iria, nJo sJo suíicicntcmcntc ,1rli­
cubdns, 11cm se constituem cm unidades geradoras de no­
vos elementos. 
Também !l:i.o inlegr,rn1 vocabulírios propriamcnlc di­
los porque suo formadas de 1x1bvr;1s preferenciais, comhi­
n,1ndo pabvr�1s de vornbul,írios de dctermi11aclos domínios e 
palavras utiliz:-icfas pelos us11Jrios. Desta forma, englolx11n 
vúrios voc:ibul.írios, representativos ele vúrios discursos /\s­
sim qu:rndo :1 p,1bvr�1 vocabutírio rdffr-sc ?t LD, eleve ser 
entendida segundo esta úllim:1 :1cepçiio, que privilegi:1 um,1 
constituição a partir de origens diferentes 
Urna 11oml'ncliltura, por sua vez, como sugere ,1 própri;1 
p,1l,1vra, diz respeito ú açZio de cl1arnm algo por seu nome. 
,·\ssim, se constitui cm list:1 de nomrs que- st1põem biuní­
vocidade dn rcbçJo significudo-signilic,rnte (Dubois ct ai., 
1973). T1lvez se poss,1 melhor car<.1ctcrizar uma nomencb­
luri-1 como ctiquctils que dcsign;irn coisas ou conceitos pré­
cxislcnlcs, como a nomcnclatur,1 d,1 QuímiG1, por exemplo, 
37 
fül qual, independentemente de um sistema nocional porti­
cular, algo se cbamél ouro, nitrogênio ou potássio.
Diferentemente de um.1 nomenclatura, uma terminologia
refere-se élO conjunto de termos de um.1 área, termos rclacio­
n.:1dos e definidos rigorosamente para designar as noções que 
lhe são úteis (idem, ibidem). Assim, por exemplo, a termino­
logia da educação hrnsileira pode ser encontrada no Glossá­
rio de termos em educaç3o (Br.1sil, Ministério da Edurnção e 
Cultura, 1980). Trata-se de um sisternél de termos orgt1nizc1-
dos a partir de noções particulares. 
É bom lembrar que todo conhecimento Lécnico-cienlí­
fico desdobra-se num universo de linguzigem. ,\ lingua­
gem condiciona o conhecimento objetivo, determina os li­
mites e su.:1 formulação (Grangcr, 1974). As linguagens 
construídas exigem formulações rigoros,1s de sentido <"i me­
did.1 que a próprin ;:itividade se encontro subordinoda lt 
articulação da linguagem. Desse modo, c1 atividade termi­
nológica é parte constitutiva da ativid.1de lécnico-científirn 
e diz respeito, dirct.J.mentc, a um conjunto de termos 
organizados. 
Tod.Js as defi nições c1nalísadas anteriormente ifv,1111-
nos a concluir que as LDs nfío se confundem com léxicos, 
vocc1bul6.rios, nomenclaturas e terminologias, embora in­
corporem elementos dl' todos eles. É importante que ess.J 
difcrenciüção sejJ. feita, para melhor delimitélr suas carnctc­
rístirns em f,1ce d.1 funçZio que devem desempcnl 1c1r 11;1 re­
presentação da informaçâo documentária. 
A represenl<1çi'io documentári;i é obtida por meio de um 
processo que se inici,1 pela éln,íli�e do texto, com o objdivo 
ele identific;.1r conteúdos pertinentes em função diJS finali-
38 
dades do sistema - e da representação desses conteúdos -
numa forma sintética, padronizada e unívoca. 
A síntfsf f i1 representnç3.o documentárias <1dvindas do 
processo de .:mzilise podem apresent.:i.r-se, geralmente, sob 
du:-is formas: o resumo, que é feito sem n intermcdiélÇJO de 
um;_1 LD e o índice, que , para maior qualidade, deve ser ela­
borado a partir de uma LD. 
A opcr.:iç.10 de traduç3.o de textos cm LN para um.:1 LD 
denomina-se indexaçJo. lnfrente .:io processo de index;içJo 
c,t3.o oper.1çcJes de cbssificaç5o. 
As várias Cases do processo an,1lítico apresent.:1111 uma 
complexicfadc considerável, pois n.1.0 se trata de adquirir os 
documentos e armazenéÍ-los numa ordem lógic;i /\ docu­
mcnU1çZio é memória, seleção de idéias, reagrupamento de 
noções e de conceitos, síntfse de dados Trata-se de tri,1r, de 
av::1!i.Jr, de analisar, de "trnduzir", de encontrar respost;:is para 
necessidades específicas. 
A utilizaç3o da LN neste processo leva, seguri.lmente, ;'i 
incompreensão e ?1 confus.10, devido a fenômenos nilturaís 
como il redundânci.:i., a ;1mhigüidade, i1 polissemi;1 " ;1s va­
riações idioletais. 
A condiçZio p.:ira se obter resultados positivos na busc;1 
de inf"ormaç,'io é que i1 pcrguntil e é1 resposta sejam /"ormub­
lbs no mesmo sistema. J\ssirn, é neccssé'írio converter t1111,� 
pergunta frita cm LN par.:i o sistcm.:i cm que foi traduzido o 
conteúdo do documento, isto é, parn uma LD. 
Dito de outro modo, uma LD é utilizadi1 na entrada do 
sistema, quando o documento é analisado p<.1ra registro. Seu 
conteúdo é idcntiricado e "trnduzido", de acordo com os ter­
mos da LI) utilizada e segundo él política de indcx.Jçiio 
39 
estabelecida. É da mesma forma utilizado à saída do sistema, 
quando, a partir da solicit.1ção da informação pelo usuiírio, 
é feita a reprcscnt .. 1çJo para busca. Assim, seu pedido é an.1-
lisat.lo, seu conteúdo identific.1do e devidamente "lr:1duzido" 
nos termos cb l.D ulilizé1da. 
Para realiwr lêlis funções de intermediaçi'io, as LDs de­
vem ser construídas <lc tal forrn;1 qur seja possível o contro­
le sobre o vocabulcírio. Tal controle é necess;_frio pnrJ que, ;1 
rnda tmidé1de preferencial integrnda numa LD, correspondo 
um conceito ou noçJo Essa correspondênci;1 só é assegura­
da por intermédio das terminologias de espcci.:1lid.::1Je. 
Vale Jernbr<lr que, isolad.:1s, élS palavras nJo lrrn signifi­
rndo ou lêm tod,)s os signiCirndos possíveis. É só no discur­
so, ou sc_:j;1, no uso, que as p;1bvrns .:1ssumcm signific1dos 
p3rliculares. Como, vi,1 de regrn, os ckmcnlos das LDs sJo 
desvincubdos dos contextos omk ilj).lIYcem, pode-se correr 
o risco de que as p;1]avras que as inlegr;im ;1ssum.:.H11 todos
ou nenhum significado. Por meio das terminologias de espc­
c:i,1licfade, .is p,.1bvras pass,1rn a ser lermos, assumindo sig­
nificados vincut1dos ;1 sistemas dt' conceitos delcrrnin,1dos.
CDnfrre-sc, desse modo, rdáênci.::i /is p,11Jvr:1s, CJlll' passam
a signilicnr segundo delcrmin.:idos sistemas nocion;lis, ,1.s­
scgur;1mlo interprcl,1ções pertinentes.
1\s LDs m;iis c,rnbecidas são os tcsauros e os sistemas 
de cbssilirnç:êio lJihliogré'lfirn (Gomes, 1990). 1\s clifcrcnç;_1s 
cnt re esses dois tipos de l.Ds residem no 111:1ior ou menor 
grau de reproduç5o das rebçõcs presentes nc1 LN e no uni­
verso de conhccirncnlo que prclendem cobrir. 
Os pnmóros sistemas ck classific;1ç:êio bibliográfica co­
nhecidos são de natureza enciclopéclico, corno a CDD - Dei-vcy 
40 
Decimal Class(fication, a CDU - Classificação Decimal Univer­
sal C: él LC - Lilm.uy of Congrcss, f visam cohrir lodo o C:speclro 
do conhccimcnlo. Sislcm;-is posteriores como ,is cbssificaçõcs 
faccladas desenvolvidas a p.:irlir do CRG - Class1fication 
Rcscarch Group, com base 11;1 Colon ClassU"ication, de R;-in­
g,malhan, visam a domínios parlicubres. l)s les,1uros, por 
seu lado, originaram-se de cbssificações fa.celadas com um;:i. 
prcocupaç3o adicio11;1l: ;:i do controle Jo voc;1bulúrio. 
Historicamenle, verifica-se conlínua progressão das L.Ds 
a c,1minho dé1 cspeci,1lização. Conseqt"ienlcmenlc, ab;.rndona­
se ,1 prelensii.o de cobrir lodo o universo do conhccimenlo 
para vollnr-se a domínios c;.1da vez m;.1is específicos. 
Todns as LDs, cnlrelanlo, si'io ulili1.adas para rcprcsen­
ti1r o conlet'1do dos lcxlos, rn;-is 1130 os lexlos eks mC:smos. 
A funçJo ele represcnl;1çJo deve ser entendida, neste conlcx­
lo, como sendo de nalurezil eminenlemenle rcfcrenci.::il: ;is 
unid;1dcs de umJ LD devem ser utilizadas como índices reb­
livos a assunlos lr,1L1dos nos lcxtos, nJo lendo, porl;mto, ,1 
funç.:io de subslituí-los. 
Os produtos oblidos por meio d;i intcrmedia�:Jo d,1s LDs 
s3o, desse modo, gcncr:díz,111lcs. 1"130 se rcprcscnlao texto 
individual, 111,1s :1 cl:isse ck ;1ssu11lo Z1 qu,11 ele se refere. /\ 
m,iior ou menor espcciticid:1ck cio assunto a ser representado 
depende cb m,iior ou menor correspondência d,1 Ln com o 
sislcma nocional dos domínios de cspccialilbde. /\ssim, por 
mlcrméclio de um sislem,1 de clnssificaç.:io enciclopédico, tC'x­
los muito específicos sJn cbssificados cm classes de assunto 
mais gcr,.1is; a rcprcse11t,1çiio cll cspecificidilclc dos assunlos 
de L1is Lexlos é mais \'i,ívcl com o uso de uma UJ voltada, 
cspccificomcntc, porn o domí1110 correspondcnlc. 
41 
Os estudos das LDs têm avançado progressivamente, nc1 
direção dc1 definiç3o dos constil uintes e de sué:ls in terrebções, 
ger;mdo vári.is lingu.igcns, de acordo com o domínio de es­
pecialidade. lsto, por um bdo, permite que a :í.rca se libere 
do monopólio das classificações universais; por outro, tem 
mostrado inúmeros problemcJ.s ligados n falta de rigor na 
construção de LDs. Tais problemas referem-se n clefiniç3o do 
conjunto de termos que comporJo c1 lista de descritores; n 
orgzrniznç:io dos termos nurn.1 rede pnradigrnátirn (úrvores 
d.1ssificatórias ou refações vertic.Jis) péirél reunir descritores;
ao estabelecimento clé1 rrde sintagméltica (rclc1ções horizon­
tais entre descritores e mecanismos de sintaxe) para permi­
tir maior possibilidade de reprcsenlução de novos conceitos e
a agilizaç3o na recupcraç3o de assuntos; à definiç3o das cha­
ves de acesso ao sistemo (compatibilizaçi:io ele linguc1gem
usuário/sistema).
2.2 CONFICUR!\C,:/\0 0/\S LINGUA.CENS D0CUJ'v1ENTÁRIA':i 
1\s LDs mais consistentes para a representação docu­
rncn Uiria dispõem de um vocahul;1rio que integra elementos, 
de um bdo, d:1 linguagem de especicJ.lidade e das termino­
logic1s e, lk outro, da LN que é a linguagem dos usuários. 
Essas unicbdes, acornp;rnhadas ou n.:io de urna notação, 
constituem o ''léxico" cbs LDs, denominadas, diferentemente, 
conforme o sistema e a époccJ., corno: pabvrzis-cbavc, descri­
tores, c.1beçzill10s de assunto etc. 
O vocabul6rio Jocumenló.rio tem por objetivo reunir 
unidades depuradas de tudo aquilo que possa obscurecer o 
42 
sentido: ambigüidade de vocábulo ou de construção, 
sinonímiél, pobreza informJ.tiva, redundâncizi etc. Além dis­
so, ek é fixado de tal f'ormJ. que seu uso, hem como su;:is 
relações estrut11r.:i.is szio codifirndos e não podem mudor ao 
sabor dos usuArios. Assim, chegJ.-se J. um instrumento re­
btivamente est;.ívd. 
Toda LD tem, também, uma sintJ.xe. Ela é bJ.stanle ru­
dimentar nos sistem<1s de cbssifirnção bibliográfiG1 (/ldd no­
tes, na CDD; uso ele + / , : na CDU, por exemplo) e m.iis 
desenvolvida nos tesauros, com 3 utilizaçzi.o de operc1dores 
boolcJ.nos. O esquema sintático de t1ma LO permite n deli­
miL1ção mais precisi.1 de um üssunto, por meio dzi combin.1-
çAo de seus elementos. 
Nos sistemas de classifiG1ç.10 convencionais, 11.1011,í gr.111-
de preoctqx1çâo com o controle do voc.1b1116.rio. J� freqüente a 
utiliz.:içno de frnses, como ocorre, por exemplo, na CDU. J(í 
nos tcsauros, a funçé'1o de controle do vocabul.írio está m.iis 
presente. Par.:i este fim, as LDs incorporam procedimentos de 
normnlizaç.'io grc1m.:1tical e sem5ntic.:i.. A normalização grzi­
matirnl refere-se à forma de apresentaçi10 dos seus elemen­
tos quanto .:10 gêm:To (geralmente masculino), <10 número 
(uso de singular ou plural) e ,10 gr.:1t1 (Par.:i. rnnis informa­
ções, ver Comes, 1990) ;\ norm;_ilizc1çi'i.o scmântirn procura 
garantir a univocicbck na rqJresentnção dos conceitos de éÍrens 
dr cspeci:1lidade, pm meio d.:1s relaçl>cs lógico-scmântic1s. 
O co1�junto noc:ion:11 b6sico é .:i.prcscntado cm hierar­
quias (na vertical), cm torno das quais se ngregam ;-1s uni­
d.:idcs informacionais que se relacionam liorizont .. 1lmente. 
Nenhuma llnidzide pode figurar n11ma LD sem que est�ji.l re­
lacionada a uma outrn unidade d.i mesma linguagem. 
43 
Nos t sauros, os dif'ercntes lipos de relações rnlrc as uni­
dades sZio 111.:iis clar.::nnente .:1prcsentados enquanto sistemas 
de classificaç.:io bibliogri.fficn, n5o raras vezes é1malgarnam, 
numa mesma hierarquia, rebções de natureza diferente. 
As varinçõrs na form,1 de ;1prcsent.1ção dns LDs devfm­
se ,1 m;iior Oll menor incorpornçi10 dos difcrrntcs Lipos ele 
rcbções existentes rntre .1s paléJvr:1s n;1 LN e rnlrc os termos 
de espccialid;cick. T;ris v:iri,1çôes exprimem, télmbém, o llli.lÍl)r 
Oll menor .:-1primornmento d.1 funç:io de reprcsenlaç5o 
documcntúrio. 
Algumas LDs foram construídas visimdo, principéllmcn­
te, il organização dos documentos rn1s fstnntes, sendo que 
sua funçJo de rcpresent.:içJo deve ser difcrenci:1da: a rcpre­
senlação nesse caso (.kvc ser entendidü como ,1 identiricaçi'io 
de documentos com cbsses genérirns de assuntos lradicio­
tlillmentc reconhecidos. 
A. estruturn b,ísic:1 de um.:1 LD é d:id:i por rebçõcs hie­
r{irquirns, que podem ser gcnéric;is, específirns ou parlilivns. 
( rebções genéricas r relações p.1rtit iv.1s Sfr.10 t rati::idas no Cil­
pítu lo 3). O vértice de c:1cb liieLirquia é o gêmro ou o 
todo A.s suhdivisües sucessivas 11�1 liier.:irqui,1 constituem os 
rspécirs e/ou :1s p;1rlcs, qur podem, nov,1rncnle, se subdivi­
dir. As rebçc>cs hier,írcp1iG1s provêem as unidéldcs supcror­
Je11ndas e ,1s unidades subordin:1LL1s. Uni(bdcs subordinad,1s 
,w mesmo vértice, quirndo no mesmo nível d.:i cadri,1, drno­
rninam-sc coordcnad;1s. 
Nos sistcmns de cbssific;1ção bibliogrMica, ,1 estrutura 
hicr;írquicJ é d:i(b pela not;1çc10 (decirmil, no c.::iso cb CDD e 
da CDU). O vértice d:is c;1deias hierJ.r(Juic,1s é constiluído J)l)l" 
disciplinas cunvcncion:lis que se subdividem sucessivamen-
44 
Nos lesauros, os diferentes tipos de rebções enlre as uni­
dades são mais claramenlc apresent.1dos enquo.nlo sistemas 
de cl;issifiG1ç3o bibliográfica, n:fo r;_iras vezes amalgam;1m, 
num;_\ mesma hicr:irquia, rcbçõcs ele natureza difrrenle. 
As variações na form;_1 de ;�presenlaçi'io das Ll)s devem­
se ,1 m,1ior ou menor incorporação dos difrrentes tipos de 
rcbçõcs cxistentes cnlre as palavras na LN e enlre os lermos 
de cspeci;1lidade. ·1:lis variações exprimem, também, o maior 
ou menor aprimor:1mcnlu da função de rcprcscnlaç.10 
documenlóri,1. 
Algum;_1s LDs for;1m conslruícbs visando, principzilmcn­
h:, A urg,miz,1çô:o dos clucumcnlos n.is cslantcs, sendo que 
sua funçôo de rcprcsentaç-:io deve ser dih:Tcnci,1da: ,1 rcpre­
scnlaçJo nesse caso deve ser cnlendid,1 crnno ;1 idenlif"ic1çJo 
ck documentos com classes genéric.is de assunlos lri1dicio­
n,1lmcnle reconhecidos. 
;\ e:=;trulura lxísic;1 de uma LIJ é daLb pur rebçôes hie­
rárqlliG1s, que podem ser genériG1s, especffiG1s ou p;:irtitivas. 
(rd,1ções gcnéricns e rel:1ções p;irlil1v;1s scri'io lr;Jt<1Lbs no ca­
píl ulo 3). O vértice de cada liiernrquia é o gênero ou o 
todo. i\S subdivisões sucessivas n;-i liier,1rquia constitt1cm ;1s 
espécies e/ou ;:1s p,nles, que podem, ntJv;1rncnle, se subdivi­
dir. i\S relaçêks 1I icr6rquirns provêcm ;1s unid,1dcs st1pcrnr­
dcn�1di1s e as unicbdcs stliJordinndas. Unid;1des suhordin,Hbs 
<10 mesmo vértice, quandu no mesmo nívL·I c..b cncki;1, deno­
minam-se coordenadas 
Nos sistemas de classificnç3o bibliogrMica, a cslrnlura 
hier6rquica é dada pelei notaçzio (decimal, no caso d,1 CDD e 
da (DU). O vértici.> c.bs c1dcias Iiicrárquic<1s é constituído por 
disciplinas convencion;iis que se subdividem succssiv.imcn-
44 
te. /\ indicação dos assuntos é feit;:i por meio ela notação nu­
mérica ou ;:ilfa-numérica, conforme o tipo de sistema. 
A organiz,1ção b6sica dos lesauros também é hicr:1rq11i­
c;1, existindo l,mtos vértices, que cqLiivalem a cbsses, quantos 
forem os aspectos escolhidos p.1ra org:mizar o domínio deespeci,1lic.bde. Nos tesauros mais modernos, tais vértices s?io 
denornin<.1dos Top Tcrms e não constil uem descritores, mas 
idcntific;1111 ,1s classes escolhicbs par,1 reunir os descritort's. 
Vi:1 de regra, são utilizadas not;içôes numéricas :1pcn:1s p.:ira 
apresentar as hiernrqui:1s b;isirns e suas princip;ús subdivi­
sões. Ji1is notaçc"ies, entrclzmlo, rar<.1rnenlc s5o utilizad,1s [Klri.l 
descrever o conteúdo dos textos 1\ lig<.1ç.°10 lógico-liicr:.írqui­
rn fntre descritores é, no u1so dos tesauros, mais cLir:1, uma 
vez que é ide11tific1c.b pelos códigos TG crermo Genérico ou 
·rtrmo Geral), T[ ('[ermo Específico). Alguns tes:1uros utili­
zam, t1mhém, os códigos TCI' (Termo Genérico l\1rtitivo) e
T[P crermo Específico P;:irtitivo) para aprcsc11l.:.1r ,1s rebçõcs
hier,írquirns do tipo todo/1xirte.
As LDs ;1prescnt;1m, aincb, unidades que si.io rebcion;_1-
lbs ele form;1 n?io-liicrúrquic:1. As rcbções n::io-hinárquicas 
são, norm:1lmente, de11orninad,1s ;issocialivJs, muilo cml)l)­
r;i ni.io se poss:1 afirm:1r que :is rcl.içôes hier:'IrquiG1s também 
n:io o sc_j;m1. É preciso kmbr;ir, enlrcl:rnto, que :1s relações 
hier;írquic.1s representam :1ssociaçõcs m:iis esl:.íveis entre ti:T­
mos, cnqu.into que .1s relações nôo-hicr:.írquicas ex pressam 
outro gênero de proxirnic.bde entre os lermos Os rel;1cion:1-
mcntos não-hier,írquicos indicam ;1 ligaç,10 entre termos que 
est?io cm campos semânticos distintos, porém próximos. Cacb 
termo relacionado pode se constituir no ponto de partid<1 p,ir:1 
uma fomíli:1 de lermos aparentados. 
45 
A porlir das noções de geral/particular e de todo/parte, 
él aniílisc e.li-is rel.:1.çôcs liier{irquirns mostra, pelo menos, três 
tipos característicos: as rel;:1çõcs genéricas, as relações espe­
cífirns e é1S relações partitiv.1s que, como os nomes indic:un, 
marcam rebçõcs de oêncro llOrlanto o lohais ou ªL'r"i· c; 1·D_ t"> ' n t, n ., t: 
laçôes ck espécie, logo parliculan."s e relações de parir de um 
todo. 
i\s rel;ições genéricas definem-se como rebções liirr.:í.r­
quiG1s, basczidéls 11;1 idcnticbclc parci:11 do conjunto de Glrac­
terístic.1s cbs noc,_·ões superorclenacbs e subordinadas 11el.1s 
envolvidas. O gênero, nesse sentido, é entcnclido como no­
ção supcrordenada que cornporl;1 <-1s mesm,1s Cé1ractrríslic1s 
das noções subon!in,1d;is, a p:irlir dela. 
. J ,í as rebções específicas definem-se como reL\:Ões 
liier,írquicas su!Jordinacbs que, rilém de comp.1.rtilli,1r UZ!s 
mesmas ciraclerístiG1s da noção que lhes f superorden;:ida, 
Ziprcscnt.1, pelo menos, uma rnré1cterística .1. mais que as 
diferencia. 
l·\ noç,10 genfric1 impõe-se, portanto, como cortjunçJo 
de carnctcrístiG1s comuns, enqwmto que 3 noção espccffirn 
eslé1belece uma diajun�<fo, ,3 p,1rtir cb con_1t111çiio clé1da. 
/\ noção espccífic;i é, port;-rnto, urn.1 noçi:io subordinada 
que indicé1 a existência de uma dífercnçZl, cm f;Ke de um 
conjunto de carncterístic;is comuns. /\o mesmo tempo, aprc­
scnt1 élS car,1Clcrísliu1s comuns e, pelo menos, um,1 rnr.:1cte­
ríslica que a di/"crrnci,1 da noçJo gcnérirn 
Assim, por exemplo, ;io subdividir o conjunto dos mél­
míferos cm racion�1is e irrncil)n<1is, afirtné1-se, simultanea­
mente, a exislf'nci;1 de uma diferença. (r,3cion;1l e irr,1cional) 
sobre um plano comum ou semelhzmte (mamíferos) 
52 
A (marnikro) 
Supcrordcnação 
1 
(so.:melhança) 1 
h e 
(racional) (irracio,wl) 
,._ _______ ____. 
Coordc.:n:içiio 
Fig 2 - [squc111.1 iÍL' rel.içãv senérica. 
NoçClO gen0rica 
1 Subordinação 
(diferenças) 
No�ões l:spccíficas 
Na rebçiio genfric:1, a supcrordena�:.10 caminh;:i cbs di­
ferenças para ,is semelhanças, ou sej,1, da espécie para o gê­
nero e, invers.1.mcntc, ;i subordi11;1ç."io cami11k1 das semclhan-­
v1s p;:ir;1 as diferenps, a partir d;:is primeiras, islo é, do gênero 
JJi.lI\J éJS espécies. 
Exemplificmdo: ;i noç5o de "embarcaçii.o" subclivide-se, 
segundo o "tipo", cm noções mais cspecífirns como a de iate, 
jangada, canoél, navio, chata etc Em rclaçJu é1 essas últimé1s, 
a noçJo específic1 "embarcação" é ;i noç3o s11perorclrn,1da. É 
<1 p .. 1rlir dessas relé1ções que se pode afirmar que iate é uma 
espécie de "cmharrnção; que ·'embarcaç;:io" {: um gênero; e 
que iate e canoa são noções coorden:id.is. 
.1,í a rcbç}o p:irliliva é um lipo de rclaç,10 hicrárquirn, 
n;:i qual a noção superordenada refere-se a um objeto consi­
der:1do corno um todo e as noções subonlin,1das a o�jctos 
consider,-1dos como suas pi1rles_ Em relaç.:io a "navio", a no­
ç3o de "casco" é um.:i noçJo específic.1 1x1rtiliva, denotando 
que n,1vio é umél noçfio rd"crentc ao Lodo (supcrorclenud.1.) e 
quc ,;G1sco" é urn.1 noç.'Jn rcCcrl'nte o. parte (subordinad.1). 
Do mesmo modo, él noç3o "convés" denota uma subdivisão 
53 
te. A. indico.ção dos o.ssuntos é feita por meio da notaç5o nu­
mérica ou alfo-nurnérica, conforme o tipo de sistema. 
J\ orgnnizaç5o b;.ísica dos tesauros também é hierúrqui­
c,1, existindo t;mlos vértices, que equivalem a ci,Jsses, qu;rnlos 
forem os aspectos escolhidos para orga.nizar o <lomínio de 
CSJ)('Cié.1licbde. Nos tes;rnros mais modernos, tais vértices s:=io 
denominados Top 'frrn1s e n5o constituem descritores, mos 
ic.knlificam .:is cbsses escolhi<las para reunir os descritores. 
Vi:i. de regra, são utilizadas notações numéricas apcn.is par.i 
;1presrnlm as hier.irquias b.1sirns e stws principais su!Jdivi­
sôcs. "fois notações, entretanto, r:1ramentc silo utilizadas para 
descrever o conteúdo dos textos. J\ ligaçJo lógico-hier:irqui­
GJ entre Jescritorcs é, no rnso dos tesü.uros, mc1is cbra, umél. 
vez que é idcnlifiG1d.:.1 pelos códigos TG crermo Genérico ou 
·1crmo Ccr:1!), TE (Termo Específico). Alguns lesauros tilili­
z;im, li.m1bé111, os códigos TCP (Termo Genérico P.:.1rlitivo) e
TU' /Termo Específico Partitivo) 1x1ri.l aprcsenlm ,1s relnçôcs
hicr.:írquirns do tipo lodoip.:.1rtc.
As LDs aprrsenUun, c1inJa, unidades que s.iio relé1ciona­
das de forma nzio-hierzírquica. As rebções n50-hicr.:1rquic;.1s 
sã.o, norrn;:ilrnenlc, dcnomin<1cbs ;1ssoci.:.1Livas, muito cmho-­
ra n5o se possa afirmar que ,1s relações hiedrquicas também 
n:io o sej,1111. É prCL:iso km\Jr;1r, enlrcLrnto, que i!S rcbções 
llicr.:irquic;1s representam .:1ssociac;ões mnis esti.Ívcis entre ler­
mos, cnqu.1nlo que ,1s relações n.10-hierúrquic;is expressam 
outro gênero de proximidmk entre os lermos. Os rcbcion.:1-
mcnlos n,10-liirr{irquicos indirnm a ligaçJo entre termos que 
esl3o cm campos semânticos distintos, porém próximos C1eb 
lermo relacionado pode se constituir no ponlo de partid,1 p�1r,1 
uma fomília de lermos aparentados. 
45 
Nos sistemas de classificação bibliográfica, os relacio­
namentos não-hierárquicos, quando ocorrem, são erronea­
mente ''enrnixados" nas hierarqt1ias. É só nos tesauros que 
estas rebçõcs são explicitamente identificadas pelo código TR 
(Termo Relacionado). 
Adicionalmente, é1S LDs apresentam relações de equiva­
lência. Este tipo de relacionc1mento entre os termos permite 
a compatibilidade entre a linguagem do sistema e a do usu{i­
rio, operando no nível da sinonímia. Desse modo, criam-se 
as remissivas, indicc1cbs nos tesc1.uros pelas expressões USE 
(Use) e l!P (Usado Para), quase inexistentes nos sistemas de 
cbssificziç3o bibliogr6fica. As relações de equivalência reme­
tem o conjunto dos não-termos ou não-descritores para o 
conjunto dos termos ou descritores /\ finalidade dessas re­
missivas é encaminhar o usu(irio para os termos preferidos 
pelo sistem,1. Constitui-se, desse modo, um.1 chave de aces­
so ao sistema. 
O co1"Dunto de relações que constitui a estrutura do 
tesauro é "um elemento importante para que ele possa cum­
prir sua funç3o: ela permite ao usu(irio (indexador ou 
consulente) encontrar o(s) tcrmo(s) mais adcquado(s),mes­
mo si::m Si.lbcr, de início, o nome específico pc:ir;1 representar 
a idéia ou o conceito que ele procura. A p;1rtir de um termo 
que o l1Sllé1rio conhece, o tesauro, através de sua estrutura, 
mostra diversos outros que podem ser ti'io oportunos ou 
mnis do que aquele que lhe veio à mente" (Gomes, 1990, 
p.16).
Vale ressaltar, ;1inda, que no uso das LDs, podem ser 
construídns novns relações entre os termos a partir do con­
junto de operadores sintfiticos disponíveis, como, por exem-
46 
pio, as adcl notes, na CDD; + / : ::, no caso da CDU; opera­
dores booleanos, no caso dos tesauros. 
Uma vez elaboradas e postas em uso, as LDs mais 
desenvolvidas como os tcsa11ros, sJ:o permanentemente atuéJ­
lizildils, mediante operações de supressão de termos em de­
suso, re.:i.grupamento de descritores em funçiio ela existência 
de palavras raramente utilizadas e/ou adiçi'io de termos no­
vos. Só .:i.ssim as 1.Ds se rnJ.ntêm como instrumentos dinf\­
rnicos capazes de incorporar os avanços do conhecimento e 
as modific.Jções de significado de lermos jú existentes. 
47 
3 
Sistema nocional 
:\ todo e qualquer rnmpo de conhecimrnlo corresponde 
um conjunto Jc noções que lhe é próprio i\s .:íreas cspe­
cializad;is J,1 experiênci.1 humané:l elevem ler seu universo 
nocional dcvicbmenle identificado J partir de um dado pon­
to de vista, püra que seja possível organizó.-lo de forma sis­
temMicé!, 011 s�ja, inler--relacionada. Só a organização no­
cional de um;.1 5rrn permite ;:i ulilizaç5o de instrnrnentos 
eficazes para o tratZimento e recupcrnç5o cb informê!ç.:'io. 
A aus�ncio. de um sislemél de noções devidamente siste­
m�1lizado, invi;::ibilizo. o empreendimento de dar formZI a um 
conjunto de pahwms, nJ medida em que esharrn, neccss;::iria­
mentc, cm dificuldades é!dvincbs cb folta de comprecnsiio ou 
da compreensão incorretJ d�1s possibilicbdcs de relacionamen­
to entre terrnüs. 
Consickrzrnclo que as LDs, normalmente, funcionam a 
partir do controle do "vocabulário" ela áreZI, pode-se facil­
mente depreender que o sistemZI nocional de umcJ área cons­
titui-se em um pur5metro básico, ou em umJ viga-meslrn 
de sustentaçJo das LDs. 
1\ssirn, na pró.tirn, êl aus0nciu de um sistema nocional 
compromete não só a indexação, mas também, é) economia 
49 
da próprio ntivicbde documentiiria, fragmenl;:111do-a com 
q11estões relativils ao significado e à compreensão dos ler­
mos. Além disso, nJo raro, as respostas às questões formu­
ladas submetem-se a varinções, segundo o entendimento 
CJllC cada indexador lem da .:írea, ou segundo o humor no 
morncnlo cbquek qt1e opera com a inforrnnçào, o que, fa­
talmente, introduz deformações, descaracteriznn<lo os ins­
lrumentos docurnent.:írios. 
Desta mancirc1, faz-se necessiirio estabelecer, a priori, 
que ,1 utilização ele qualquer LO supõe é1 explicitac,:Jo nocional 
da ;írca i1 que se refere e é1 su;i organiznç5o na f'orrnc1 de um 
sistema. 
Segundo a norma ISO 108 7, um sislcma nocion;il ckfi-
11e-sc como um '·conjunlo estrulurndo de noçôcs que rcflele 
as relações cslahclecidéls entre ,is noçôcs que o compõem e 
no qual cada noç5o é dctcrrninnda pela sua posiçào no siste­
ma". Nii.o hast;i, porlnnto, recuperar as noções, enurnernn­
do-,1s. É preciso ir além e estc1beleccr suc1s posições relativas, 
o que se oblém por meio da cklerminaç5o dc1s relaçôes que
.1.s associam.
J\ noção ou o co11ccito, por suo vez, define-se corno 
·'unidade de pcns;imento constituído por propriedades co­
muns :1 um.:i cbssc de objetos"(ISO 108 7). Emborn n.10 estc­
j.:1rn lig .. 1déls é1 línguas específicas, ;is noções s5o express<1s
por termos e símbolos, sendo influenci;idas pelo contexto
sócio-cultt1r.:il.
i\s noções, devidamente relacionadé1s, constituem, pois. 
o :1rcabouço fundarnent:1! parn ;:i organiz:iç5o de uma áreé1,
na medicb em que pl)ssihililam um ponto de vislé1 rnuteric1-
lizmlo no sistemc1 de noções, para o trabalho documfntário.
50 
As relações entre as noções materializam o sistema de 
noções, que se express;:im, documentariamente, em relações 
hierárquicas e relações não-bierórquicJ.s. 
As relações hierárquicas são aquelas que se definem en­
tre noções subordinadas em um ou viírios níveis (]SO 108 7) 
Dilo de outra forma, as relações bied.rquic;:1s são aquelas 
que acontecem entre termos de um conjunto, onde cada ter­
mo é superior ao termo seguinte, por uma característica de 
natureza normativa 
No conjunto das relações hierárquicas, hú que se levar 
em conta o conceito de ordem e de subordinação i\ ordem 
deve ser observnd;:i como urn;:i superordennçiio que consiste 
na possibilid;:ide de subdivisão de uma noção hirr2írquica mais 
alla em um certo número de noções de nível inferior, chil­
madas noções subordinadas. É este processo de subdivis.'io 
que se denomina subordinc1c;ão. Invers<1rnente, a noçiio su­
bordinada é a noç5o que, num "sistem;i hierárquico", pode 
ser agrupada com uma cm mais noções do mesmo nível (no­
ções coordenadas entre si), pi.lra formar urna noção de nível 
superior (ISO 108 7), ou seja, umc1 superordenação . 
Supen>nknaç:10 
r 
. ·\ 
> l 
b f ..._. - - - - - - - _.,..
1 S" 'º"' ü,c,çáo 
Fig 1 - Esqurma de rdaçôi:5 hierárquicas.
51 
, \ 1'·" 111 .J.1:-. 11oi;ões de geral/pnrticular e de todo/parte, 
a ,::mj!ise dns 1Tlações hicrúrquicas mostra, pelo menos, três 
tipos c;1racterísticos: as relações genfricas, as relações espe­
cífirns e as relações p<1rtitiw1s que, como os nomes indic.:un, 
mé11rcam rcb<;ões de gênero, portanto glolx1is ou gerais, re­
];1\·ôcs de espécie, logo particulares f relações de parte> de t1111 
l\1du. 
As relaçêSes genC'ricas definem-se como relações hier,ír­
quicas, baseadíl.s na identid;1dc parcial do conjunto de carac­
tfríslicas das noções supfrorden.:1d.1s f subordinadas nelas 
envolvidds. O gênero, nesse sentido, é entendido como no­
çJ.o superordcnada que comporta as mesmas carc1clerístic1s 
dDs noçc"5cs subordin.:1das, i1 p,irtir dela 
Jj as reiaç("5cs t?specíficas definem-si? como relações 
hicrúrquirns subordina<l;:is que, .:ilém de cornpmti\11ar c_fas 
mcsm.:is característic;1s da noçi.i.o que lhes é supcronlcnada, 
e1prescnL:i, pelo menos, urna car,1ctcrística a mais que as 
di fercncia. 
J\ noç.'io genérica impõe-se, portanto, como conjunçJo 
de car;1cteríslicas comuns, enqtwnlo que a noçJo espccífirn 
esta!Jekce urna disjunç.'io, a partir d,1 co11il111çiio dada. 
A noç,10 cspecífic1 é, pl)rtrn1 to, uma noção subordi nnda 
que indica a cxislênciél de uma diferença, cm focc de um 
corüunlo de características comuns. 1\0 mesmo tempo, ;.1prc­
senta as características comuns e, pelo menos, uma caracte­
rísticél que a di!crcnci,1 da noçi'io genérica. 
Assim, por exemplo, ao subdividir o conjunto dos rna­
mífcros cm racion:1is e irracionais, élfirmél-se, sirnultanca­
mcnte, a existênci;i de uni;1 difcrenp (r;1cionc1I e irr,,cional) 
sobre um plano comum ou scmclh.:rntc (mamíferos). 
52 
Supcrordcnação 1 scmel lwni;a) 
/\ (mamíkrn) 
r (racional) (irracional) 
.-----------. Coordcnai;ão 
Fig 2 - Es,1uc11w de rclaçiio genérica.
Noçiio genérica 
1 Subordinação ( di fcrcnças) 
Na relação genérica, a superordenação caminha d.1s di­ferenças para as semelhanças, ou seja, dil espécie pélr,1 o gê­nero e, inversamente, a subordinaçJo caminha das semelhan­ças pdra as diferenças, a partir das primeiras, isto é, do gênero para as espécies Exemplificando: a noçJo de "embarcaçJo" subdivide-se, segundo o "lipo", em noções m,lis específicas como a de iate,
jangada, canoa, navio, chata ele. Em relação a essas últimas, a noçJo específica "embarcação" é a noçJo superordenmb. É a p.Jrlir dessas relações que se pode afirmar que iate é uma espécie de "embarc1çJo;que "embJrcaçJo" (, um género; e que iate e canoa sã.o noções coordenadas .J,í a relação partitiva é um tipo de relação hier{irquirn, na qual a noç3o superordeno.da refere-se a um ol<jeto consi­der,1do como um todo e as noções subordinadas a objetos considerados como suas pürles. Em rclaçiío a "n,wio", a no­i.·ão de "casco" é uma noção específica partitiva, denot.:rndo que n,wio é uma noçôo referente ao todo (superordcna(b) e que "casco" é 11111a noçJo referente Zi parle (subordinada). Do mesmo modo, a noção "convés" denota urna subdivisão 
53 
por partes da noção "navio". Relacionadas por coordenação, 
as noções "convés" e "quilha" são denominaci.J.s noções 
coordenadas. 
Supc,rordcnaçJo 
r 
Navio 
b e d 
quilha convc's maslio ,._ _______ _. 
CDorcknação 
Noçfio gcnL�rica partiliva 
1 (todo) Subordinação 
Noção partitiva 
(partl'.S) 
Fig, 3 - Esc1w·ma ele rclaç5o partitiva. 
As relações não-hierárquicas, por sua vez, definem-se 
pela neg;:üiva. Elas recobrem o conjunto de relações que nzi.o 
são passíveis de serem descritas como hierárquicas. 
É evidente a insuficiência dessa abordagem. No ent.:m­
to, concretamente, pouco se pode a ela acrescentél.r. Se as re­
lações hierárquicas supõem ordem e subordinação lógicas, 
;is 11.10-hieré'írquicas não podem supor, ex;itél.menle, essas ca­
racterísticas. 
As relações que não se submetem a uma hierarquia são 
aquelas que aprescntél.m entre si conligiiiclade espaciôl ou 
temporal. Por esta razão, tais relações t.::imbém são chama­
das de relações seqüenciais 
Consideram-se relações sequenna1s as de oposiç5o, él.S 
de Cilusa-efeito, as de contradição e outrns menos evidentes 
como aquelas eslabelccid;is entre as etél.pas de um processo, 
54 
Exemplificando: 
ANIMAIS 
Mnmíferos 
Aves 
Répteis 
Balráquios 
Peixes 
/\NUvlJ\15 
Carnívoros 
I lcrbívoros 
Cada umél dess;:is construções delimita e conforma as 
noções ou conceitos a serem representados, refletindo esco­
lhas de determinadc1s propriedades, tal como numa árvore 
de Porffrio. "O lwrnern é necessariamente mortal somente 
numa éÍrvore de Porfírio pJ.rticularrnente fornhzadiJ. no pro­
blenrn d;:i dur;:ição diJ. vidü" (Eco, 1984, p 51 ). 
Refletindo Uiis princípios de organização, a configura­
ção das LDs é fruto da organização empírica das proprieda­
des das palavras (e não das coisas), est;mdo fundament;:ida 
em postulados sócio-culturais. A.s cldsses, assim obtidas, re­
presentmn, portanto, ponlos de vist[l determinados sobre os 
JSSLmlos. 
3.1. 1 Relaçc'io genfrica 
lima rebçJo genérica supõe uma noç5o fundamental 
que inclui noções específicas que, por suu vez, nrnntém com 
ela rebções hierárquicas (Boutin-0.uesnel ct al., 1985). 
Por exemplo, a noção de árFore agrupc1 noções mais es­
pecífirns de folhas e de con(feras; por su;::i vez, as con(feras 
são, segundo a persistência das folhas, caducas e não-caclu­
cas (idem, ibiclcm). 
Desse modo, "as relações genéricas indicam que todo 
58 
conceito que pertence à categoria do conceito específico (a 
espécie) é parte da extensão do conceito [ltnplo (o gênero). 
Um conceito específico possui todas as rnracterísticas do ccm­
cei to mais amplo, mais, pelo menos, uma C[lrélcterística dis­
tintiva adicional que serve para diferenciar conceitos especí­
ficos no mesmo nível de élbstração" (ISO 704). 
;\ extcnsZío ele urna noção corresponde ao ''conjunto de 
indivíduos aos qu.:lis uma noção pode ser aplicada (Boutin­
O.uesnel ct al., 1985) e diz respeito à "totalidc1de de todas as 
espécies que pertencem ao mesmo nível de abstração ou à
totalidade dos objetos que têm todas as cü.racterísticas do 
conceito"(ISO 704). 
A noção de extensão vem sempre associada à de intcnsão 
ou comprccnsc'i.o. lntensão de uma noção é o corüunto de rn­
racterísticas que compõem esta noç3.o (Boutin-Quesnel d. al., 
1985 ). ;\ intens3.o de um conceito diz respeito 21 toL1lidade 
das característirns deste conceito ( 150 704 ). Portanto, quan­
to maior a intensão do conceito, menor sua extensão e vice­
versa. Ou seja, qu.Jnto maior o número de características 
que compõem um. conceito, menor é o número de objetos 
que compdrtilhü.m destü.s características (lei dô correlação 
reversa). 
í\ validade de uma relaç.'io genéric.:i pode ser constat[lda 
por meio de um esquema lógico do tipo "lodos,'ulguns". 
INSETOS 
/ 
ALGUNS sAo TODOSS/\0 
�
G,\Fi\NHOTOS 
59
O esquema precedente (JB!CT, 1984, p. 26; ISO 2 788-
1986, 1989, p. 605) indica que olguns membros da classe 
''Insetos" szio conhecidos como "g::ifanhotos", enq uJ.nto que 
todos os "gafanhotos" são "insetos", por definiç5o e inde­
pendentemente do contexto. Isso porque a cbssificaç:io t em 
por base as c<lracteríslicas que sZío necessárias e suficientes 
paro distinguir noções. O co1�junto de objetos ao qual se ,:ll"ri­
bui rnracteríslicas ou propriec.bdes comuns, ou sc:jél, ao qual 
foi a plic.:i.da �1 mesma car<lcterístic;i de divisão, form;i a classe. 
!'elo teste de cbsse, gMélnte-se que o lermo ''gafanho­
tos" não sejél indevic.lamrnte subordinado ;'i classe de ''prn­
gas", conforme o esquemn abaixo: 
PK/\G.'\S 
/ �
:\LCiUMAS sAo AI.GUNSS,\O 
G1\FANHOTOS 
Podem existir, tcxbvi.:i., casos especiais nos quais o cc1mpo 
"controle de prng.:1s" clctcrmin.:i. ,1 subordinnçi10 de "gaf.:i.nho­
tos" .:i. "pr;igas", atmdcndo a objel ivos mui lo específicos (idem, 
ibide111). 
Conforme jj mrncion.:i.do, uma seqtiêncié! de conci:itos 
subordinéldos forma uma si:qüênci,1 vertic.:i.l, enqu,rnto que 
noções diferencia(bs no mesmo nível de abstração formam 
uma seqi_'1ência horizontal, denornin,1da coordenação. 
A coorden.:1ç.:io resulL1, pois, d;1 üSSl)CÍ:iç:io entre noções 
obtidas por intermédio di.1 divisão J. partir de um.:1 mesma 
60 
rnr.:1cterístic.:1. São, portanto, coordenacbs às noções obtidas 
a partir de "máquina", resultante da subdivisão por tipo: má­
quina de moer carne, de costura, de fresar, de macarrJo etc. 
3.1.2 Relação partitiva 
A rclilçii:o partitiva expressa i1 relaçfio entre o todo e su,1s 
partes. É preciso observar que a relaçõ.o partitiva nõ.o se con­
lunde com ;:i relaçõ.o genérica, embora geralmente elas sejam 
representadas do mesmo modo. 
Na relaç."ío partiliv:i, o conceito dé.1 parte deprnde do ccm­
ceito do lodo e não pode ser definido previ,1menlc à ddiniçJo 
do conceito elo todo. Não podemos definir ·'um motor de au­
tomóvel", ;mtcs de definirmos "um .Jutomóvel" (ISO 704). 
r\s direl rizes parc1 a clabor;:içôo de tesa uros da UNESCO 
rcc()nhecem quatro tipos principc1is de cbsses que represen­
lilm relücionamcnto todo/parte: sislern;:is e órgãos do cor­
po, localidades gcogriificas, disciplinas ou ó1-e,1s de estudo e 
estruturos soci2is hier;::irquiz;:1d;_1s (IBICT, 1984) 
Os conceitos que est.:io em urna relação partitiva podem 
formar séries horizontais e verticilis similares às séries hori­
zontais e verticais forméldas por relações genéricas (ISO 704), 
como no exemplo: 
SlSTt::M,\ NERVOSO 
.'ilSTEM,\ NE!Z\/050 CENTR,\L 
Ct:REIWO 
,\\EJJUL-\ ESPINHAL 
1h111tc IHICT. "\',)�4. p . .'.:'J 
No1:to g�n.'ric1 partiliva 
No,·õcs parlilivas 
Tais relações i:stii.o presentes nos sistemas de cbssific1-
ÇJO bibliogriífic:.i como a CDD e a CDU. 
61 
Também os relacionamentos enumerativos podem ser 
considerados como uma modéllidade de relação partitivél, na 
medida em que indicam "a conexão existente entre uma 
categoria geral de objetos ou ;:icontccimentos expressos me­
di.:mte um substzmtivo comum e um caso individu;:il de tal 
rntegoria, que constitui um exemplo ou classe de um só 
elemento, representado por um nome próprio", como em: 
Fonte: (IS() 27HH) 
REC!C)ES MONT:\i\'liOS:-\5 
/\ndcs 
1 lima laia 
Neste c:1so, Andes e Himolaia são subordinodos hiernr­
quicé1mente, porque, mesmoque não sejüm tipos nem par­
tes de "regic1cs mont;:inlioszis", representam exemplos ou 
casos específicos do termo genérico (idem, ibidem). 
3 .2 REL\ÇÕES N:\0-HJERÁRO.UICAS OU SEQÜENC!1\IS 
As reloçcJcs sequcnc1,:us sJo relações que apresentam, 
como vimos, umd dependência resultante de um;:i conti­
güidade espaci;:iJ ou tcmporc1! (13outin-O.ucsncl et a!., 1985), 
do tipo causa/efeito, ;:mtes/depois, esquerdaídireita, acim;_1/ 
abaixo, produtor/produto, m;:iterial/produto 
Tais re!J.ções podem, também, representar estágios de 
um processo de desenvolvimento ou de produção, procedi­
mentos legais, procedimentos odministrativos. Conceitos 
deste tipo, com ;:ilgumo freqüência, representam ações que 
62 
podem ser subdivididas em ações partitiv;:is, tomando lugar 
consecutivamente ou simult;:meamente (ISO 704). 
/\ orande dificuld,:ide para definir as relações associativas 
LJ 
não-hierárquicas provém do foto de que toc!J.s as pabvras, 
termos ou conceitos podem se relacionar entre si em algum 
momento. Isto porque élS ,:issociaçõcs dependem, em larga 
medidél, do universo de referência considerado. 
As ,:issoci,:ições entre termos pertencentes a c,:itcgorias 
diferentes são dadas ,:i partir do universo de referência indivi­
dual. Paro. o controle de vocabulário, entretanto, é essencial 
conhecer e explicitar determinados universos de referência 
Tais referências só podem estar asscntacfos em princí­
pios funcionais, como reconhece Dahlbcrg, parn quem um 
rebcionamcnto funcional é "aquele em que um termo que 
denote éltividéldc ou operação se liga, conceitualmente, a 
um;:i enticL:ide 011 propriedade" (apud IHJCJ, 1984, p. 31 ). 
Assim sendo, zi delimitação das nssociüções entre os termos 
deve se ligar à estrutura conceituai de domínios específicos, 
operacionalizada pcln terminologia, n::i quéll os conceitos de­
vcrJ.o estar mape;:1dos e definidos. Esrnpa-se, dcst:1 m,:ineirn, 
do virtualicli.1de associativa passível de ser descnc1dcadn cm 
IN; confere-se, por outro lado, consistência aos procedi­
mentos pürél a dctcrminaçfio das ;1ssocinções cm domínios 
específicos. 
Como ressalt.:1 o documento do !BICT, '111,10 existe pes­
quisa suficiente parn cleterminélr as bases teóric1s d,1s re­
lações associativas" (IBICT, 1984, p. 31) Em foce desse pro­
blema, a nrnior parte das recomencbções existentes nos 
milnuais e normds par;i construçi"io de LDs s.:io resultantes 
d;:i przítíc,:i (idem, ibidem). 
63 
q) CoisiJ/seu contra-agente:
INSETOS li'!SETICIDA5 
r) .f\lividude/produto:
TEAR TECIDO 
s) Pessoas ou coisns/suzis origens:
HR,.\SILEIROS BR:\SIL 
:\UTOMÓVEL
t) Ass,>ei.1ç;io implícili1:
Hr\LANÇO DE PAG:-\J\IIENTO
li'!DL!STRL-\ 
AUTOMOHll .ÍST!Ct\ 
COivlÉRClO ll\:TERN.·\CION,\I. 
Ohs.: Esl,1 .:issoci,1çiiu indt1i, segundo iV!ol la, lod,1s ,1qucl<1s que Jl;J() s,· 
conform;ir,1m ,1os l'Xl'lllplos ankriormcnk rcfrridos (idem, ibidem ). 
u) Expressões sinc.1l cgorem6l ic.1s/subst.1ntivos nclos incluídos:
PEIXES fÓSSEIS PEIXES 
FLORES DE P.Al'EL FLORES 
v) lntcrfoccta:
NÍVEL DE ATJ\'IDADE ECO,\JÔivUCA POLÍTICA Iv!Oi\:ET.ÁR!A 
Obs: l'ulític.:i tvlonctCtria (B) é- ;1ssl>ci,1d,1 ;i Nível de Alivid,1dc Económica 
(..-\) '·porque .\j�í liavi;1 sido ilssociado il B, prcvi.1mc11lc, pelo foto de,-\ ser 
lltnil d.:is c;.1r.1clcríslicils de B, e sem que B sc_ja, ncccssari;1111cnlc u111<1 d,1s 
,·arad,rísl icis de .-\" (,\\olla, J 98 7, p. 49). 
66 
4 
Relações lingüís ticas e 
documentacão 
Urn.1 vez estabelecido um sistcmzi nocional, existem 
condições para estabelecer relações entre termos. O rigor 
com que tais relações se propõem determin.1 o grau de con­
trole de uma linguagem construída. Dito de outro modo, 
urna linguagem construída é produto de uma operação nas 
pabvras que ilS tr;insforma em termos. De foto, d linguil­
gem construída neutraliza as diferenças existentes na re­
lação entre a pabvra e seus significados em LN. Nela n5o 
podem coexistir, por exemplo, duas ou mais palavrns que 
se refiram a um mesmo conceito, ou uma palavra para 
designar vários conceitos, sem que o futo seja suficiente­
mente registrado, e seja devic.bmente control<1do. Por essa 
razão as linguagens document;_1rii.1S integram vornbuli.írios 
controlados. 
Para Girilcteriz<1r o que vem iJ ser o controle do voca­
bulário, é preciso entender como se comporta a significaçõ.o. 
Bilkhtin ( 1981) observa que, no plano ideológico, a palavra 
é uma unicbde "neutra", isto é, apta a se .:idequar a dife­
rentes padrões culturais. E isso ocorre, porque ela é por­
tadora ele umi.1 gama de significação que a torna capaz ele 
67 
produto e produtor, instrumento e processo. É import<1nle 
salientar que tais relo.çõcs não podem ser definido.s em toda 
sua cxlenSélO. 
De certo modo, a difirnld.Jde de definir as relações n5o­
hierórquicas encontra-se enunci,1da na sua denominação 
usual: rdo.ções associativas. A. impropriedade do termo "as­
sociação" deve-se, neste caso, c10 fato ele que qualquer que 
sc:ja J. niJ.lureza da rebção, ela é, em certo grau, associo.livo.. 
O probkrno. cnl3.o continuarin: haveria relações associativos 
hier.írquicas e rebções associativas n.10-hierárquicas 
Por isso é preciso restabelecer o contexto que a v:11ide, 
ou seja, irnbgo.r a sua naturez:1. O exemplo trcrnscrito .:1b:1i­
xo, da Norma ISO 108 7, ilustr<1 este aspecto. 
REL.·\(,':',0 ASSOCl1\TJV;\ 
DOENÇ,\ TR.·\:\"51\-\TTIJ);\ 5EXLl,\LME:s.'T[ 
Sífilis 
Li11fngra11ulomalosr inguin,il 
,\LI EN:\Ç".\O /\lENTAL 11\!CLI R,\VEl. 
Demência 
[sq11izofrc1iia 
PsicoSl' 111,mbcn depressiva 
Fig. 4 - MoliJ1os rm;iÍicos juridicam,'nlc aceitos para o c/i1.·ôrcio. 
3.1 RF.LAÇÔE.S l llER:\RQUIC-\S 
/\ m,1cro-organização d.:1 maior parte das LDs funda-se 
na organização lógico-hierárquica de suas unidades. A deli­
mito.çilo de classes de .issunto é feité1 .i pé1rtir de pontos de 
vista determinJ.dos. Tais pontos de vista., por sué1 vez, eslJo 
55 
baseados em postulados df signifirndo ou cunvenções cul­
turais e ideológicas. 
Esse é o caso dos sistemas de cbssific.:1ç3o bibliogr.:ffic::i 
corno él [)[\'VEY DECII'vlJ\L CLASSIFIC.,\TION, CDD e él CL,\551fl­
CAÇ:\O DECIM.,\L UNIVERS.,\L, CDU. Esses sistcm.1.s secubres 
s5o atualizados por ediçôes periódiec1s que buscam solucionJr 
problemas d,1 conternpor.:.rneicbde, já que eles foram org;rni­
z.:1dos, na sua form,1 inici;i.l cm 1 O cbsses principi.lis que co­
briam, consensu.:1lmcnte, o conhccimc11to de entJo. Tais cbs­
ses, por suzi vez, subdividem-se sucessivamente. 
A organizaçJo lcígico-hierárquic:1 r t,1mbém .:1 base dJ 
organizaç5o dos tcsauros. Corno jj mencion.:ido, os tesauros 
têm sua origem llél Colon Classification de Ranganathan e nas 
experiências posteriores dcscnvolvid.:is pelo Classification 
Rcsearch Gruup, referentes à estruturação do conhccirncnl"o, 
a pnrtir da noçJo de ''faceta", ou seja, dn noçiio que privile­
gia determinados pontos de vista no arranjo dos domínios e 
subdomínios porhcul.:ires, em função de objetivos específicos 
do sistema document.:írio em questi1o. A fonte ele rderênci.:i 
para a construção cbs hier:1rquizis, neste caso, é .:i estrut ur.:::i 
leórico-concei t ual de domínios específicos, determinzinc..lo-se 
cortjuntos de termos do domínio nuckar - n ,írea de especia­
liz.::ição propriamente dila-, e domínios periféricos, ou é.Írcas 
complernentzires, conforme necessidac..les ohjetiv.:is do siste­
ma em questão. 
No caso dos sistemas de classificaçzio e dos tes:1uros, é.l 
organização dzi macro-hierarquia e das liier.:irquias subse­
qüentes depende, porlémto, dos princípios ou carc1cterísticé.ls 
de divisão :idoL1dos :1 L"ilUé.l passo, vnriando conforme objeti­
vos dclerminzidos:a CDD e .:i CDU pretendem rcf crir-se .:io 
56 
universo global de conhecimento, tendo-se curvodo, para 
tanto, ,'is referências post ubcbs por 13.:icon par.:::i a orgJniza­
çào do conhecimento; já os tesauros voltam-se para domí­
nios cmb vez m.:iis p:1rticubrrs, sendo construídos cm fun­
c..·Jo de universos muito delerminmlos. SJo, por essa raz3.o, 
mais flexíveis quanto Zl estruturaçJo do esquema classi­
ficalório básico e rn;i.is ,1dequ,1dos ao :itendimcnto das neces­
sidades i11formc1tiv.:1s de domínios especié.llizados. 
;\ flexibilidade dos tcsauros vincub-se a um princípio 
c.le utilicbde Desse modo, pode-se construir, pzira lll1l cam­
po p.:irt icubr do conhecimento, tantos tesauros quantos fo­
rem necess;írios. Cada um deles procurariÍ org.:mizar um dado 
universo nocional, de .:1cordo com o ponto de vist:i que se 
imprirne ao domínio, para responder a diferentes necessicb­
dcs. Para a ISO 704, "um ol�jcto cspccífirn pode ser visto de 
diferentes pontos de vist<.1 por disciplinas diferentes". 
1\ssim, por exemplo, '·cm termodinfünirn as caracterís­
tic.::1s essenciais do conceito 'líquidu' sõ.o aqueb.s que indirnm 
que ele é 'umn substância cm cstaclv condensado, intermediário 
entre sólido e gasoso"' (idem, ibidem)_ "Em hidrornecânica, as 
rnractcrístic.:is rssrnci,1is do conceito 'líquido' s3o que ele é 
uma subsU1ncia que é 'inco111press(vcl'1 'cle11sa e capaz ele.fluir'" 
(idem, ibidem). 
No exemplo d,1 ISO, .:is Glr�ictcrístic::is (propriecbdcs) pri­
vilegiadas n:1 dcfi11içã.o de "líquido" em termoclinJ.mic.:i ou 
em hidromecJnic.:i, determinnm .:i definiçJo, implicando, por­
tanto, modos específicos de abordagem do .:::issunto e, conse­
qüentemente, construção e.las hierarquias. 
DcsL1 form.:i, é pussível construir t,rntas hiernrquias 
quantas diferentes conjunções realiz.:::irmos entre as p.:11.:::ivras. 
57 
1 1•,,, 1d\ 1s • 111 pnst ulados de significado ou convenções cul-
l I ir,1is e ideológic.:is. 
Esse é o Glso dos sistcrn<1s de classificaçJ'o bibliográfica 
como a DEWEY DECIMAL CL\SSIFICATION, CDD e él CL\SSIFl­
C.'\ÇÃO DECIJvtAL ll.NIVEJ:1.S;\L, CDU. Esses sislenrns secubres 
s3o ,1tu<1liz<1dos por ediçõt:s pcriódic.1s que busrnm solucionar 
problemas cb conlcrnpor,:meidadc, jó que eks foram orgc111i­
zados, na sua formc1 inicial em 10 classes principais que co­
briam, consensualmt:ntt:, o conhecimento de entJo. T.::iis clas­
ses, por sua vez, subdividem-se succssiv.1menlc. 
A organiz.-içJo lógico-hierárquica é larnbém a lx1se tb 
organização dos tes;1uros. Como jó. mencionado, os tes;1uros 
lêm su,1 origem n;i Co/011 Class(fication de �.mg�1natilan e nas 
experiências posleriorcs dcsenvolvicbs pelo Class(fication 
Rcscarch Grou 11, referentes c1 esln1l uraçno do conhecimento, 
a p,:,rtir do noçJo de "faceta", ou s�jo., da noçiio qlle privile­
gia determinados pontos de vista no c11-rc1njo dos domínios e 
subdomínios p,1rticubres, em funç5o de objetivos específicos 
do sislema document,írio em queslJo. A fonte de referência 
parn a conslrução cbs biernrquias, neste ciso, é a estrulura 
tcórico-conccitu.1.l de domínios específicos, dctermin,1ndo-se 
coqjuntos de termos do domínio 11uclcc1r - ,1 círea de especi�1-
lizaç5o propri,1menlc Jit;i -, e domínios periféricos, 0t1 .ire.JS 
complcment.:1res, conforme neccssicbdes ol�jetiv;:is do sisle­
mn em questão. 
No c1so dos sistemas de classific;1ç5o e dos tesat1ros, a 
org.::mizaçâo dn m;:icro-hicrarquia e das liicrarqui;is subse­
qücnlcs depende, port<1nlo, dos princípios ou características 
de <livisiio adolados ,1 c:idn passo, variando conforrnc objeti­
vos determino.dos: a CDD e a CDU pretendem referir-se <10 
56 
t m1vcrso global de conhecimento, tendo-se curvado, para 
l .. mto, Zls referências postubdas por Bacon para a organiza­
ç:1o do conhecimento; _j;í os tesauros voltam-se para domí­
nios cada vez mais particulares, sendo construídos cm fun­
ç:'ío de universos muito determinados. 55:o, por essa razJo, 
mais f1cxívcis quanto à estruturação do esquema classi­
ficatório b .. isico e mais adequndos ao ,1lcndimento das neces­
sidades informativas de domínios especializados. 
A f1exibilidade dos tesauros vincula-se a um princípio 
de utilidéldc. Desse modo, pode-se construir, pélra um cam­
po parlicular do cu11liccimcnlo, tanlos les�1uros quanlos fo­
rem necessários. Cada um deles procurnrú organizar um dado 
universo nocional, de acordo com o ponto de vista que se 
imprime ao domínio, para responder él diferentes necessicb­
clcs. Para a ISO 704, "um objeto específico pode ser visto de 
difcrcntcs pontos de vista por disciplinas difcrcntes". 
Assim, por exemplo, "cm tcrmodinfimica élS caractcrís­
liG1s essenciais do conceito 'líquido' são aquelas que indico.m 
que ele é 'umo. subst,focia cm estado conclensacio, intermecliário 
entre sólido e gasoso"' (iclcm, ibidem). "Em hidromecfinica., as 
caro.cterísticas essenciais do conceito 'líquido' sJo que ele é 
uma subsUincia CJUe l 'incomprcss(i:eL 'c/cnsa e capaz defluir"' 
(idem, ibiclcm). 
No exemplo da 150, c1s características (propriedades) pri­
vilcgiéldas na clefiniç3:o de ''líquido" cm tcrmodinJmica ou 
cm hidromcdinica, determinam a dcfiniç.10, implicando, por­
tanto, modos específicos de abordagem do assunto e, consc­
qücntcmcntc, construçi'iu das hierarquias. 
DcsL1 forma, é possível construir tantas hicrarquio.s 
quantas diferentes conjunções rcalizo.rmos entre as palavras. 
57 
Exemplificando: 
/\Nl1\1./\IS 
Mnmífrros 
J\ves 
Répteis 
Batráquios 
Peixes 
---
/\NIM1\IS 
Carnívoros 
l ierhívoros 
Cnda um.::i clessns construções delimita e conforma as 
noções ou conceitos u serem representados, refktindo esco­
lhi.is de determinadas propriedades, tal como numa Jrvore 
de Porfírio. "O homem é nccessarimnente mort.11 somente 
num.1 árvore de Porfírio particularmente fornliz.:ida no pro­
blema da dur;iç3.o da vida" (Eco, 1984, p. 51 ). 
Refletindo tais princípios de organização, a conrig ura­
ção das LDs é fruto do organizaç3.o empírica das proprieda­
des das pabvr�1s (e n;io das coisas), est�mdo fundamentada 
em postulados sócio-culturais. As classes, assim obtid;:is, re­
presentam, portanto, pontos de vista determinados sobre os 
assuntos. 
3.1.1 Rclaçiio ,gcnéricc1 
Uma rel.J.ção genérico supõe uma noção fundamental 
que inclui noções cspecífic.:1s que, por sua vez, mantl'm com 
ela relações hierjrquicas (Boutin-Ouesncl ct ai., 1985). 
Por exemplo, a noção de úrvorc .::tgrupa noções mais es­
pecíficas de folhas e de con(leras; por sua vez, as coníferas 
são, segundo a persistência das folb.1s, caducas e não-cadu­
cas (idem, ibiclcm) 
Desse modo, "as rebções genéricas indicam que todo 
58 
conceito que pertence à rntegoria do conceito específico (a
espécie) é parte da extensão do conceito amplo (o gênero).
Um conceito específico possui todas as c.:iracterísticas do con­
ceito mais amplo, mais, pelo menos, uma característica dis­
tintiva adicional que serve para diferenciar conceitos especí­
ficos no mesmo nível de abstração" (ISO 704). 
A extcnsJo de urna 1wç,Io corresponde ao "coruunto de
indivíduos .:ios quais uma noção pode ser aplicada (Boutin-
0.uesnel ct al., 1985) e diz respeito à "totc1lidade de todas as
espécies que pertencem ao mesmo nível de c1bstr;:1ção ou à
totalidade dos objetos que têm todas as característicc1s do
conceito"(ISO 704). 
A noção de extensão vem sempre associada à de intcnsão
ou compreensão. lntensão de uma noç3o é o conjunto de ca­
racterísticzis que compõem esta noção (Boutin-Quesnel ct al., 
1 985). A intensão de um conceito diz respeito ú totalidade
dr1s características deste conceito (ISO 704). Portanto, quan­
to maior a intensão do conceito, menor suaextensão e vice­
versa. Ou se:jo, quanto maior o número de características
que compõem um conceito, menor é o número de objetos
que compartilham destas características (lei da correlação
reversa). 
A validaJe dr umo relação genérica pode ser constatCida
por meio de um esquc111C1 lógico do tipo "Lodos/Cilguns".
INSF.TOS 
/ 
;\LCUNS si,o TODOS Si,O 
�
G,\lº/\NHOTOS 
59 
O esquema precedente (IBICT, 1984, p. 26; 150 2 788-
1986, 1989, p. 605) indica que alguns membros da cbsse
"Insetos" são conhecidos como "gafanhotos", cnqu;:into que
todos os ·' gafanhotos" são "insetos", por definiç3o e inde­
pendentemente do contexto. Isso porque a classificaç.:10 tem
por b;:isc> as caraclerístic.::1s que szio necessárias e suficirntes
para distinguir noções. O conjunto de objetos ao qual se c1lri­
bui cc1r;:ictcrísticas ou propriedades comuns, ou S('.j.'.1, ao qual
foi :1plicada a mesma célractc>ríslirn de divisão, formé1 é1 cbsse.
Pelo leste ele classe, garante-se que o lermo "g<1fonho­
tos" não seja indevicfamentc subordinado A classe de "prn­
g::is", conforme o esquema abaixo:
PRAGAS 
/ 
ALGU1vfAS SAO i\LGUNSS.'\O 
�
CiAl:,\NHOTOS 
Podem existir, todaviél, rnsos especiais nos quais o campo
"controle de prag.1s" cletcrminc1 :1 subordinaç:io ck "gnfanlio­
tos" a "pragas", éltendemlo a ol�jelivos muito específicos (idem,
ibidem). 
Conforme jií mcncion:1do, umu seqi
.
1ência de conceitos
st1bordinaclos forma 11111a seqüênci,1 vertic.11, cnqwmlo que
noções difrrenciad:1s no mesmo nível t.!e abslr.1ção Corrnarn
urn.1 scqúência horizontal, clenomin:1clé1 coordenação. 
A coorclcn;ição resulta, pois, da üssocic1ç:'io cntri.> noções
obtidas por intermédio da divis3o a partir de umü mesma
60 
;\ experiência na elaboração de LDs permitiu rnumernr 
vários lipos de associação, segundo ü sua natureza. Entretan­
to, a ocorrência e utilidade desta ou daquela .:lssociação depen­
de do modo de org,rnização dos domínios de especi�1lidade. 
Confrontando-se ;:is recomend;-iç('5cs do IBJCT e aquelas 
�1presrntadél.s por Lmcaster (1987) e por Molla ('] 987), ob­
serv::i-sc grande v�iricdack de rcla1;:ôes mJ.rcadas por diferen­
tes pontos de visL1. Abaixo estão reunidos exemplos dcsti­
n<1dos a cscbrecer ns complexas relações entre termos, cuj.1 
:1ssociaçiio resulla ele contigiiicl,1de temporal ou espacinl: 
<1) RcbçJo de 1\tribui(io: 
l::CONOMI,\ NÍVEL DE ,\Tl\'11):\DE ECONÔJ\·llC-\ 
b) Discíplinil ot1 c.1rnµo de csludot objetos ou fenêimcnos cs­
tudi1dos:
ENTOMOLOGI,\ 
ESlÍ:TICA 
PAClfJSMO 
1;-...:snos 
MELEZ.\ 
p,\Z 
e) Processo ou opt'r;1çiio/seu ngentc ou instrumento: 
CONTROLE DA T[MPERATUIU 
ILUM[ 1r\(,\O 
AUTOI·d .. ·\�:.�o 
.\QUI:CíMENTO 
POLÍTICA MONI:T.-\RL·\ 
c\J Relação de [nl1ui?ncia: 
l'OLÍTJCA I\\ONET.-\RIA 
e) ivL:itérié:l-prima,rproduto: 
n:\LIXIT·\ 
f) Coiso, élplirnção
r\lt·\STECJ;\:\ENTO DE ,\CU-\
64 
TERMOS.JAIOS 
L: \PADA'i 
COMJ'LIT·\DORE:i 
COi\rnUSTÍVUS 
L·\X\.'i DE JURO.'i 
.-\LU '1ÍNIO 
IRRIGAÇÃO 
g) Aç3o/resultado da ação
TECELAGE1\l
PINTURA (Arte) 
CR[SCIMENTO ECONé\v!ICO
TECIDOS 
MURAIS 
DESENVOLV!MEN·ro 
ECONÔ1vl!CO 
h) C:n1s.1lidade ou cous,vconscqliência:
CRESCI1\lt.:i\:TC) ECON, M[CO
iJ Efrilo/c;1usa: 
FEBRE 
j) Ocpend[·nci;i c;1usol:
DOE 1 .r\5 PATOGÊ IJCr\S
kJ 1\tividade/,1gcntc: 
·1:-\Br\GIS1V\O 
1) Alividi1dc/propried:1de
COlffE
m) 1\livicbdes complementares:
COMPRA
n) Opnslos:
\'][");\
1:Ml'RECO
o) ;\ç:1o. seu paciente:
EXTRJ\l)IÇ-\0
l'ESC:\
DE5ENVOLVIMENTO 
EC01 'ÔMICO 
JNFECÇ-\0 
,\CENTES P.-\TOCÍ:N!COS 
FUMO 
LISJNr\BILlDADE 
VENDA 
;\lORT[ 
CRIJ\\INU505 
PléSCADU 
p) Coiso ou nlivicbde,suas propriedades ou agentes
VI.::NEi\'.05 
CRL\f\(:\ Slll'EIWOT\D,-\ 
65 
TOX!n\D[ 
l!SINA.BIUDADE 
INTl:UCÊ1 1C!A 
4 
Relações lingüísticas e 
documentação 
...... 
Uma \/ez estabelecido um sistema nocional, existem 
condições parn. estabelecer relações entre termos. O rigor 
com que tais rebções se propõem determina o grnu de con­
trole de urna linguagem construídd. Dito de outro modo, 
uma linguagem construícfa é produto de uma operaç5o m1s 
palavras que as transforma em termos. De fato, a lingua­
gem construída neutraliza as diferenças existentes na re­
laç5o entre a palavra e seus significados em LN. Nela não 
podem coexistir, por exemplo, duils ou mais palnvras que 
se refiram a um mesmo conceito, ou uma p,1!J.vra para 
designar vários conceitos, sem que o fato seja suficiente­
mente registrado, e seja devidamente controlado. Por essa 
rnz5o as linguagens document/irias integram vornbulé.hios 
controlados. 
Para rnracteriz<1r o que vem a ser o controle cio voca­
bultirio, é preciso entender corno se comporta a significaçi.io. 
Bakhtin ( 1981) observa que, no pbno ideológico, a palavra 
é umd unidade "neutra", isto é, apta a se .Jdequélr a dife­
rentes padrões culturilis. E isso ocorre, porque ela é por­
tadorn de uma gama de significação que a torna capaz de 
67 
LD LN 
Stc ... .. Sdo. Stc ... .. sdol 
... .. sdo2 
... .. sdo3 
É preciso entender, port.1nto, que é intrínseco ií. p;:i_lavra 
signifiGJr de 111,1neir:i própri;:i_ .1 c;:i_da ocorrênci.1. Esse n.'i.o e 
lllll defeito. É ,rntes uma G1r.1etcrístic;:i_ irnporlimtíssimn p,1r;1 
,1 inlcrprcl<1ç.'i.o dl) mundo. Ni'io se pode exigir que a LN de­
cline d:i su;-i funç.'i.o t:imbém inlcrprcL1liva e criildora para 
e.xcrcil;:ir �1pc11:1s a runç.'io informativa. i\s LDs, ,10 contró.rio,
porque s3o ebboracbs p:1ra o exercício estrito da funç.'i.o in­
forrnntiv:1 , compreendem unicbdcs c.1pnzcs de representar
inforrnziçJo. ,\.!Jo é suficiente que l:iis unicbcks signifiquem.
É ncccss,írio que ebs signifiquem de 111<1ncira determinillh
Portanto, qunndo se ,1firm:1 que ;:is lingu,1gcns docu­
mcnl,íri,1s supõem o controk do voca!Jul.írio, afirma-se, si­
multar 1carnc11tl': 
,1) il exislêncii1 de mcc111isrnos inlnprclativos próprios, 
uma vrz qur nJo se pode utilizar o mcc:1nismo 
inlcrprcL1livo d,1 LN p:ira determinar significados Lbs 
unil!ddes dcsli11;1d,1s ,) reprcsenl,1çJo d,1 i11forrn<1çJo; 
b) ;1 possibilil.bdc de se produzir linguagens de 11,llurc­
z,1 mcmossêmica que participam cb ebboraç3o de LDs.
Em Lice da nc1lurez�1 plurissl:'mica da LN, a elahora­
ç3o de LDs supõe alterar ;:i fonte de significaç.10, isto
é, alterar ;i possibilidade de significar, orientando-a
par,1 a necessid:idc de fix;:ir significados. Este processo
69 
permite a transformação da unidade de significnç3o 
em unidade de informaç3o; 
c) a existêncio de um vornbulário próprio de uma LD
que comporta, prefcrenci.:ilmente, unidades de lingu::i­
gens de especialidade, isto é, termos, também deno­
minados "vocabulários especializados". O vocabulá­
rio ger.:il que se compõe de palavrns, se, por um lado,
é mais rico que o primeiro, por outro, do ponto de
visla do tratamento da informoçâo, é m<1is limit<1do.
4.1 POL155Ei'v1IA E AMBIGÜJDADE 
Par.J a Lingüístic.::i, a pabvra é sempre fonte de signifi­
cação J\1J.s h6 que se distinguir a plurissignifirnç5o corno 
[cnômeno geral, decorrente da organizaç5o sintático-semJ.n­
tica de enunci::idos, e J. polissemia, fenômeno específico da 
árc<1 vocabulo.r. 
A ambigüidnde, por sun vez, é cntenclid�1 como i1 possi­
bilidade de uma comunicaç3o lingi.iístirn prestar-se a mais 
de uma interpretaç3o e ocorre em funç3o, tanto da pluris­
signifie:1ç3o como da polissemia. 
De [ato, a ambigiiidmk pode ser conseqüência, nél i'írea 
vocabular, da polissemiJ ou da homonímia e, no pbno n1Z1is 
geral, de deficiências na utiliz<1ção de példrões sintático­
sem5nticos. 
Peb polissemia, como foi mencionado élnteriormente, 
observa-se que umapalavra pode comportar mais de um 
significado, como em "I-Iojc trabnlhei muito conz ar-condicio­
nado", onde o enunü:idor tanto pode estar dizendo que tra-
70 
normalmente, com os mernnismos interpretativos habituais 
e nos ncostumamos com signifirndos repetitivos. Isso diz 
respeito .::i.os nossos h.:í.bitos e n5o uo sislcmn lingü[slico. 
Por estarem num sistrma relacionnl, as p,-1lavrns de­
vem ser ohservacl;is cm oposiçé'io um,1s ;)s outros. Em si 
mesma, por exemplo, .:i palavra ''all:1'' pode ser incorrcla­
mL'.11te interpret<1<.fo como ambígua, j;1 que pode estar nsso­
ci:1eb .1 signifirnções difrrcn tes, como: crizmç�1 alta e mulher 
alta. O mesmo pode-se :1firmAr cm rclaçé'io .1 pabvr,1 "b:1i­
xo", um,1 vez que ''criança baixa" e "mulher baixa" ;iprc­
scnb.1111 igu,1lrnente significações divcrs<1s A .:imbigi.iidade 
(bs pal.:.1vr.1s inexiste se :1s observamos como oposiç::io. fic,1 
evidente, desse mo<lo, que '·cri,mp b;:1ix;1"/"cri,111ça alta" é 
11111n oposiçJo ,m,ílog:1 à oposiçZio '·nndher b:lixa"/''nrnlhcr 
,11la". !\ signiCic-1ç;:io, nesse caso, denomin,1-sc oposicion,il e 
possibilita delcrmin,1r o sentido, propondo limites par::i :1 
indelerminaçJo original. 
E.sl:imos diélnlc, cnt.::io, de dois fenômenos que devem
ser objeto Lbs opera�-t'5es de dabor�1çJo de linguagens doc11-
mcrll,1ri,1s: a polissemic1 e a monossemia. A polissemia é rcs­
ponsúvcl pcb p:1ssagcm de umil significaç:io 3 outr,1, c..lc modo 
que <1s u11id,1des scj,1111 G1p,11.es de represcnlnr ,1 informélçZio. 
;\ infornuçJo, ao contrúrio di.l signific:ic)io geral, deve ser 
dctcrminnd:1. Para que da o s�ja, <1 signifiu1çifo que a reprc­
senl.:1 nfio pode ser de nat111Y2a polissi?mirn. í\ monossemizi, 
por su,1 vez, desej:ivd n;1s LDs, é obtida por meio de redes 
rcbcionélis e definições dos termos. Isto quer dizer que, :io 
contré1rio dél LN, onde ;1 riquezil vincula-se él polisscmi,1, a 
fix:1ç5o de rd,içõcs e definições prcc1s:1s é seu princípio 
organizador ckment:ir e lx:ísico. 
72 
/\ssim, .:10 oper.ir com LDs, devemos .inalisá-las, tendo 
t·m vista desvcnd.ir o modo pelo qu.:11 ncbs .is signiíic<1ções 
siio orgilnizadas. 
i\ rigor, n5o se destja que um termo se enriqueça. Exi­
ge-se que ele expresse conceitos c.lcterminodos ... ·\ definiç3.o 
deve propor um�1 cxprcssZío (sinl.:1gm:1 ou p<1hvra) sem<1nli­
c.:1menle equiv,1lenle .� unidade a ser dcfiniclii. N,10 se deve 
descrever, por exemplo, o objeto concreto ferro ou úgua, 111;1s 
o f'tmcion<1rnenlo lingüíslico <lo lermo m1n1 sistema nocional
em quesliio, l;il como Fe e H_,O, respectivamente, p,1rn o vo­
cabulário J.i Química
O turno, larnbém, define-se por suas relações com ou­
lros termos. Extraindo o lermo do lug,11' que ocup,1, o qual 
lhe confere sei I valor, privamo-nos do único meio possível par.:1 
definir suzi cxistênci,1 li11giústic;1, rigoros;1 o suticicnle par.:1 ga­
rantir seu f11ncion;_ime11lo como unidade <le inform<1çi10. 
Sendo ;1ssim, Fc e 1120 pass:rn1 ,1 ler signifirndos fixa­
dos e determinados Integram um vocaht1lário espcciillizado 
(técnico ou científico) Seus corrcl,ll os ferro e {igu;.1 integram 
o vocabu!.:í.rio geral d<1 LN, no qual podem ;1ssu111ir signifi­
cações <.hvcrsas. Por exemplo, ferro, em relaçiio ,10 objeto, ;i 
conceito etc
Por vezes , observ,1-se confus,}o cnlrL· ,1mbigi"iic!mlc e 
polissemia A nrnbigiiidadc lcxic<1l impõe-se por rncío d,1 
polisscmin e da hornonímio. Na lingu,1gcm uocumcnl,íria, a 
:1mbigüidade {: Lrnlada com o auxílio de moc!ifirndores que 
contexhwlizam o sentido. Ex.: planta (botJnica), planta (ar­
quiteturéi); comp<1nlii.1. (empres:J), comp.inliia (1xssoa). 
[rn princípio, cm LN, a ambigüicbde é focilrncntc resol­
vida pelo contexto. O mesmo 11.10 ocorre com a polissemiJ. 
7� _) 
;\ visEio ingêmlé1 que identifiG1 ;:imbigüidade e polissemia, 
acaba por acreditar que apenas a ambigüidade leva c1 inde­
terminação do s,ntido. Ela é, ele fato, o fenômeno maisª!-'ª­
rente e o menos grave. A armadilha é acreditar que J pa­
lavr<1 tenha um único significé)do. Nega-se a polissemi<1 como 
fenômeno global e estalielccem-se operé)dores de sentido que 
pouco têm a ver com o rnrnpo nocional, isto é, substitui-se 
o conceito ou a noçi'io própria dos vocabulários especializ;:idos
pelas indeterminações do vocabulário geral.
Para nn1tralizar c.1 polissemia, é preciso bnçm mão de 
dois recursos: ebhoração de redes rebcion<1is e estabeleci­
mento de definições e notas de escopo, srmpre que as redrs 
sr mostri.lt-crn insuficientes para <1 interpretação tmívoca d3 
significação. Té)is recursos impõem operadores de sentido, 
isto é, elementos que conduzem o indexador a intcrprel.J.r 
adequad.:uncnte, cm conformicléide com o sistema nocional 
cm questão . 
4.2 SINONÍMI1\ 
A sinonímia é uma relação de equivalênci.1 entre, ao me­
nos, duas pJ.IAvras. Por meio clcb nJo st' afirma i1 identidade 
entre L)S demcnlos envolvidos na relação. Isto é, x equivzile i1 
y indica que x pode, cm detcrminaJo.s circunstJncias, subs­
tituir '>1- i\. equivalência é um recurso norrnaliz;:idor impor­
tante parü o. compreensão de uma linguagem documcntiíria. 
De um lado, permite normalizar a polissemia, indicando que 
várias pulavras, umn vez que compartilham signific1dos pró­
ximos, expressam-sr por um mesmo descritor. De outro, 
74 
assumir sentidos ou valores diferentes, dependendo do con­
lexto. 
/\ssirn, a despeito de seus semas básicos que constitunn 
o que se poderia chamar de núcleo "duro" de significaç5o da
p;:ilavr,1, ela como que se amolda a cada realidade contfxtu,1!,
permitindo diferentes focalizações.
Desta forma, é impróprio dizer que um;:i cbda palavr;1 
tem o significado y, embora s(-:ja viável, a p,1rtir de um sig­
nific;:ido b:ísico, ,1í"irrn,ir que ela .1ssume vó.rios senlidos ou 
v,1lores, dependendo de contextos. N?ío é por acaso, pois, que 
i1 LN se propõe como esp:1ço para o exercício dn li1)Cnbdc. O 
sujeito folante nôo é ;:ipenas um reprodulur de sentido. A.o se 
<1poss:1r dil linguagem, ele rxcrcila o ato de signif"ic1r, que 
supõe liberdade de escolh,1. 
Esta é umn das riJZCJes pelas quais a L r se define, inv.J­
riavclmente, pela Sllil dinarnicicbdc, jó. que, é1 cada momen­
to, cb se lransform.J, evolui. É o instrumento de represen­
taç5o da renlid,1de que deve ser carnctcrizodo corno mCilliplo 
e plurissigniíicalivo. 
!\s unicbcles conslit ulivos das linguagens conslruídas, 
ilO conldrio, significam de m,111eir,1 precisa. Contrapõem-se
,'is unidades ÔJ LN, jusléirnente por imporem significados fi­
xos, de rnaneir;:i coercitiva. /\o contr,írio da pal,nT,1 polis­
sêmic;:i do vou1bu]3rio geral d,1 LN, o lamo do voG1bul.írio 
especializado das linguagens construídas tende a se compor­
tar de m,meira uniforme, com pequenos variZJções, isto é, 
nele as rebçõcs cnlre forma si0nificZJnte r sionifie1dc) l•"n-� . . V � � 
demo ser unívocas. Diz-se, nesse caso, que o termo, ao ccrn­
tr,írio do pabvra polissêmic1, é de naluru,1. monossêmica 
Em diagram:1: 
68 
LO 
Sle. .. Sdo. Stc .. 
.. 
LN 
selo! 
sdo2 
sdo3 
t preciso entender, porlanto, qur é rnlrínscco i1 p;:ilé!vra 
significar de m,111eira própria a cada ocorrênci,1. Esse 1150 e 
um dcfeilo. t ,111tes uma caraeteríst ica impurL111tíssirn,1 p,1ri1 
:1 inlcrprelaçJu do mundo. NJ.o se pode exigir que i1 LN de­
cline d,1 su,1 funç:io tom!Jém i11lerpret,1liva e cri,1dora pnra 
cxerciL1r apen,1s a funçôo inlormaliva. As LDs, ao conlri'írio, 
porque s:io cbbo1\1cbs para o exercício estrito da funçôo in­
form,1liva, compreendem unidades capazes de representar 
informaç5o. NJ.o é suf"icicnlc que tais unidades signifiquem. 
í:: nccess,írio que elas signifiquem de maneir,1 dctcrminé!d,1. 
Port:mlo , qu,mdo se ,1firma que ;:is linguagens docu­
mcnliíriils supõem o conlrolcdo voc;:ibul;írio, afirma-se, si­
m ui l :mc,1mcn te: 
a) a cxislência de mcrnnismos inlcrprclalivos próprios,
uma vez que 11,10 se pode utilizar o mecanismo
inlcrprcL1livo cb LN p,1ra delerminar significados das
unidades dcslinacbs i1 reprcscntz1çJ.o da inform.:iç5o;
b) a possibilidade de se produzir linguagens de nature­
za rnonossêmica que p,irtic1p:1111 da ebburaç5o de LDs.
Em L1.ce da naturcz:1 plurissêmica da LN, a clahora­
\·5o de LDs supõe alterar a fonte de signiíic:iç?i.o, islo
é, alterar a possibilicLide ck significar, oricnl;imJo-�1
par,1 ,1. necessidade de fixar signií icados. Esle processo
69 
permite a transformação da unidade de significação 
em unidade de informuç5o; 
c) a existência de um voc:1bulc1rio próprio de urna LD
que comporl.i, JJrefcrcncialmente unidades de linoua-, ,·, 
gens de especialidélde, isto é, lermos, também deno-
minc1dos "vocabulzírios espccialin1dos". O vocabulá­
rio geral que se compõe de palavras, se, por um lado,
é mais rico que o primeiro, por outro, do ponto de
vista do tratamento da inforrnZJ.ção, é mais limitado.
4.1 POLIS5EiV1I/\ E AJ\lBIGÜJD/\DE 
Para a Lingiiística, a pZ1lavra é sempre fonte de signifi­
caçi10. J\1c.1s hó que se distinguir a plurissignificaç5o como 
fenômeno geral, decorrente da organização sintMico-semân­
tica de enunciados, e a polissemia, fenômeno específico da 
área vocabular. 
A .:i.mbigüidadc, por su.:i. vez, é entendida como a possi­
bilidade de uma comunicoçiio lingiiístic:1 prestar-se a mais 
de urna interpretação e ocorre em função, tanto da pluris­
significação como da polissemia 
De fnto, a ambigüidade pode ser conseqüência, na área 
voc;ibular, da polissemia ou da homonírnia e, no plano rnnis 
ger.11, de deficiências na utilização de pzidrõcs sintMico­
semânticos. 
Pela polissemia, como foi mencionado anteriormente, 
observa-se que uma palavra pode comporlnr mais de um 
significado, como em "Hoje trabalhei muito conz ar-condicio­
nado", onde o enunciador Urnto pode estar dizendo que tra-
70 
balhou em aparelhos de ar-condicionado, quanto cm ;1111-
bienlc refrigerado ou aquecido por ar-condicionado. Ou 11él 
fr.:1sc "O cachorro do meu vizinho uivou ;_1 noite toda", onde 
ele pode estar dizendo que o cachorro pertence ao vizinho, 
ou que o vizinho é um cachorro. 
-n-1mbém a hornonímia, que consiste cm uma mesm.:1
formd significante remeter a duas realid.Jdes vocabulares di­
versas, sej.:i.rn unidades com idcntid.:i.de ftmica (]10111ofonin) 
ou identidade orMica (homoçzrafia), 1Jo<lc Qernr ambi{),üidn-u ,., ,...., e.. 
de. Por exemplo, num;i frase corno "O mestre entn:gou a ca­
deira ao coleoa" o sionificanlc "cadeirn" t;:rnto lJOde remeter ..:-, , D 
i\ palavra c;1deira = objeto para sentnr, quanto a cadeirn =
cátedra de um docente. 
Pelas deficiências no uso de pdclrõcs sintáticos, eviden­
ciam-se também :11nbigüidadcs, geralmente, resolvidas em 
LN com modiriG1çõcs de colocaç:10, como em "Os juízes cn­
c:1ravam os réus cnigrnMicos", onde tanto él signific;iç:10 pode 
ser relélliva à atitude dos juízes, quanto ;_10 estzido dos réus. 
;\ colocação dos sintagmzis, ou a seleção de padrões sintMi­
cos pode, entretanto, des:1mbigüi7-.:1r a frase "Os JUÍ7-es cnig­
mólicos encnravarn os réus" ou ''l)s juízes encaravam os réus 
que eram (estavam) cnigm,ílicos. 
Num,1 linguagem clocumcnt:íria, tanto a polissemia, 
qu;_mlo a ambigüidade devem ser neutralizadas, par.:1 que 
seja gnranlidn a rnonosscmi:1 entre a formd do significante e 
a elo significado. 
A ambigúid.1de evidencia, de maneira inequívoca, a di­
veroêncin entre ,1 a1J,.1rência e a realidéldc cio sistema e nos " t 
permite dizer que :1 aparênci:1 ni'io é sempre a pista inter-
1xctativa mais segura. Levados pela aparência, operamos, 
71 
A visão ingênua que identifica ambigüidade e polissemia, 
acaba por élcreditar que apenas a arnbigüidnde leva à inde­
terminaçJo do sentido. Eb é, de frlto, o fenômeno mais apa­
rente e o menos grave. /\ arn1adilha é acreditar que a pél­
lavra tenha um único si!.?.nif'icado Ncaa-se a lJolissemia como �J V 
fenômeno glob,11 e esL1belccem-se operadores de sentido que 
pouco têm ;:i ver com o c.1111po nocional, isto é, substilui-se 
o conceito ou a noção própria elos vornbulúrios especié1lizados
pebs indeterminações do vocabulário geral
Para neutralizar a polissemi;:i, é preciso lançar m.:'io de 
dois recursos: clahornçi'io de redes relacionais e cst;:ibeleci­
mento ele definições e notas de escopo, sempre que éJS redes 
se mostrnrcm insuficientes para a interpretaçZio unívorn da 
signific1.ção. Tais recursos impõem opcr;idorcs de sentido, 
isto é, elementos que conduzem o indexador a interpretar 
c1dequadarncnle, em conformidade com o sistema nocion.11 
em questão. 
4.2 SINONÍMli\ 
:\ sinonímia é urna relação de equivalência entre, ao me­
nos, duas palavras. Por meio dela não se élfirma a idcnticbdc 
entre os elementos envolvidos na relação. Isto é, x rquiv,1lc a 
y indica que x pode, cm deterrnina(bs circunsUi.nci<1s, subs­
tituir y. A equivnlência é um recurso normalizador impor­
tante para a compreensi.'io de tuna linguagem documentúria. 
De um lado, permite normalizar a polissemi<1, indicando que 
v.:irias p:1bvras, urn<1 vez que cornpmtilham significados pró­
ximos, expressam-se J)l)r um mesmo descritor. De oulro, 
74 
permite compatibilizar a linguagem dos usuá
rios cu111 ,1 1111
guagem do sistema, funcionando, assim, com
o operador de
sentido. 
É importmte enlendê-la sempre como conse
qüência do
contexto. Este folor caracteriza <1 equivalênci
a como urna ope­
raçi.'io relativamente arbilrária, mas isso é p
ouco importan­
te, urna vez que a arbilrmie<lade esteja regi
strada.
De fato, ;:i transformaç5o da unidade de sig
nificaç5o cm
unidade de informação é .J carnclcrística fund
amental do con­
lrole ele vocabulário, jj que numa linguage
m construída, a
cada unidade de informação deve correspo
nder um único
sentido referencial. 
No entanlo, c1 existência Je sinônimos ou qu;
:ise sinôni-
mos nos lcvJ a considerar rebções de equ
ivalência para o
trabalho documcntiírio. 
A arande irn1)ortância das relações de e
quivalência
LJ 
advém do falo que elas intensificüm o proce
sso de controle
sohre a variaç.:io de signifirndo, permilindo
 maior rigor no
tratamento da informação e eficácia na s
ua recuperação.
Como os outros gêneros de rebções mencio
n�1das anlerior­
mente, as relações de equivalênciu introduz
em p;1rârnelros
pma o uso da linguagem determinadas po
r um gru po.
No sentido estrilo, a sinonímia pode sn de
finida corno
identidade de significaçJo entre elementos le
xicais, porém, a
existência de sinonímia ;:ibsolut<1 é controver
sa, sendo G.1usa
de debates entre lexicólogos. Alguns alltorc
s ;iclmitcm sua
existênci<1 para o caso da cqllivalência entre d
u.Js línguas f un­
cionais, como cm gaivolas - nome popula
r/Larus - nome
científico; outros, <10 contrário, tratam ta
is equivalências
como quase-sinonímia 
75 
Entre lingüistas é mais freqüente n ;:iceit.1ção do concei­
to de qu.1se-sinônimo, ou de para-sinônimo, uma vo. que 
péirecc muilo pouco provável que, cm LN, dui.ls palavras 
portadoras de exatamente o mesmo significado poss.:im so­
b1Yvivcr. 
Entre documenl.:ilislas, larnhérn, silo utilizados os ccm­
ccilos de sinônimo e qw1se-sinônimo. Enquanto sinônimo 
indica cad;i um dos termos de urn;1 lín"ll,1 dad,1 que desio-� . V 
na1T1 urn,1 rncsma noçJo, 111;1s que se situ,1111 cm níveis da 
língt1a ou de conccplu,1liz,1çJo clifcrentcs, ou que se empre­
gam cm silunç-õcs de comunic.1(10 diferentes; qu,1sc-sin611i­
mos cksign,1rn fonn;1s que nJo são inlcrc.1rnhiávcis cm to­
dos os enunciados reblivos ;_1 um mesmo domínio:\ v,1ri,1da g:1m,1 ck qu,1se-sinônirnos, talvez, poss;� ser 
rcsumicb cm ;1lguns tipos: 
pabvras pertrnccnles ,1 c.fr1ktos diferentes (dialetos 
regionais, soci;iis, eLírios etc.), como pcsquis<1 (Br,1-
sil)/lnvcslig,1çJo (Porl ugal); aviJo/acroplnno; 
- palavr,1s pcrlcncenlcs a diferentes estilos ou regis­
tros, como dor de cahcç;1/ccfoléi;1; gnivoL1S/brídcos;
:kido clorídrico (química), ,ícic.lo muri:ítico (conslru­
ç,10 civil);
p;:ibvrns que gu,1rcbm ,1pen,1s u111;1 difrrcnç;1 cmoliv;1
ou Vi.1lor:1tivd, como países cm vii.lS de dcsenvolvimcn­
to/p,1Íses subdesenvolvidos;
- palavras que têm su,1 ocorrêncin limil:1cla, n,1 medida
cm que só aparecem com outr,1s, como "de lx1rbc,1r"
que vem com 15.minas: gilctcs/lfimin,1s de barbct.1r;
- p,1bvrns cujos s ignificados sJo. ele foto, muito pró-
76 
ximos e se intcrsect;::im, co1T10 belo/bonito; casa/resi­
dência; L::ilecimenlo lrnorl e. 
Na claboraçZío de LDs é fundamental urn trabalho espe­
cífico com sinônimos e quase-sinônimos, um;i vez que 
css:1s
lingu.:igcns lêm por funçifo compalihilizar pelo meno
s du;1s
oulr.1s linglwgcns: a de especialidade ou c.b litt:r,llur
.:i em
questzio e i1 do usuário, por meio de Lermos preferencia
is.
Num.:i accpçZío mé,is ampb, corno é o caso da sinonímia
utiliz,1d,1 né1 clabor,1ç3o de tes;:iuros, dois Lermos sJo sinô
ni­
mos quando têm a possibilicbdc funcional de se suhs
lilt1í­
rem um ao oulro, podendo comprccmlcr tanto :1 sinoní
mia
<1hsoluta (L)l110 i.l q11<1se-sinonímia. ;\ sinonírniü ni.ls I.Ds
 é de
c1rAter C'minenlcrnentc pref'rrcncial e visa n:meler o 11st1
:.í.rio
de um lermo n3o-prcfercnci;il, p;1ra um lermo sdccion
.:1do,
ou preferencial. 
4.3 Hll'ONÍMI!\ 
Do ponto ele visla c.b Lingúíslic.1, a cslrill l!l·:1ç.'i.o llicri.'ir­
quirn de t1rn voc1buli.Írio pode ser dacb sob dois modos: 
por 
11111;1 rrbç:'í.o de liiponímia ot1 por meio d:1 rchç6o p;1rle 
1lodo
No nível das relações de sentido o probkrn,1 lb signifi­
l-,HJio pode ser vislo sob diversos ic"\11gulos, ou s\j,1, n p
;1rtir
lk diversas categorias. 
/\ categoria denominada hiponími;i opcrr1 com :1 no(JO
 
de ínclus.'io, a mcsm,1 noç.'io que per mite reunir lmicb
dcs
11uma classe. r\ssim, rosa e cral'LJ esL'io incluíclas cm flor
, ou
1•.ilo e lccfo csl.'i.o incluídos cm a11i111.-il, ou cscarlalt' csUí
 in-
,, 
1·\11íc.lo em vermelho. 
77 
Enh·c lingüistas é m<1is freqüente n aceitação do concei­
to de quase-sinônimo, ou de para-sinônimo, uma vez que 
parece muito pouco provável que, em LN, duas palélvras 
portadoréJS de o:aL1mente o mesmo significado possam so­
breviver. 
Entre documcntJ!istJs, tan1bém, s.10 ulilizi'!dos os con­
ceitos de sinônimo e quase-sinônimo. Enquanto sinônimo 
indirn Cé1CÍí1 um dos termos de uma língu.:i dadu que desig­
nam urna mesma noçJo, mas que se situam em níveis da 
líng t1é1 ou de CO!lcept twlizé1ç5o difo-rentes, ou que se emprc­
g�1m cm sit u::içocs de comunic;:1çiio diferentes; qu ,1se-sinôni­
mos dcsign,1111 form.:is que n<':io sfío intcrcamhii-1vcis em to­
dos os enunciados relativos a um mesmo domínio 
A v,1r iad,1 g;im,1 de qu,1se-sinéinimos, til!vcz, possa ser 
resumidn cm i!lguns tipos: 
- 1x1!avras pertencentes a dialetos diferentes (dialetos
reg ionais, soci,1is, cL:irios etc.), como pesquisn (Bré1-
sil)/!nvestigaç;10 (Portug:1!); aviiio/c1eroplnno;
- p,1lilvras pertencentes ,1 diferentes estilos ou regis­
t rns, como dor ele caheça/ceL1léi,1; gi1ivot,1s/brícleos;
,kido clorídrico (química). ,kido muri,ílico (constru­
çJo civil);
- p:iL1vr,1s qu e gué!rdan1 apenas um;1 difcre11çé1 cmotiv,1
ou v;ilorativ:1, como p�1íses cm vias ele clesenvoJvirn cn­
to/paísfs subdesenvolvidos;
pé!l,1vrns que têm su:1 ocorrência limit;1da, na medicb
t'l11 qul' só é1p,1reCt'rn com out rns, como "de b;irl icnr"
que vem com L1111i11<1s: gilctcs,: Jilmin:-1s de barbc�1r;
- p.1Javré1S cujos signifirndos são, de f.:ito, muito pró-
76 
ximos e se intersectam, como belo/bonito; cas;i/rrsi 
dência; falecimento/morle 
Na eJabnra\·Jo de LDs é fundamenlc1l um tr.:1b.:1lho espe­
cífico com sinônimos e qunsc-sinônimos, um;i vez que essas 
linguagens têm por Cunçifo compatibíli1ar pelo rnt'nos duas 
outrns linguagens: a de especialidade OLI da Jiteralnrn em 
quest3o e c1 do usui.Írio, por me io de lermos prefcrencié1is. 
Nu mil .:icepçi'io rnnis :1mpl.:i, como é o caso da sinonímia 
ulilizilda na ebboraçôo de tcsauros, dois lermos s5o sinôni­
mos qu,mdo têm a possibilid.:ide f uncion .. iJ ele se substituí­
rem um :10 oul ro, podendo compreender tanlo a sinonímia 
ilhsoluL1 como a qu;1se-sinonímic1. A sinonímia rn1s Ll)s é de 
c::ir,:Hcr eminentemente preferencial e visa remeter o usu,.írio 
de um lermo 11Zío-prcfere11ci<1l, para um termo selecionado, 
ou preferencial. 
4.3 Hll'ONÍiv1l/\ 
Do ponto de vista da Lingi1íslirn, a cstrul uraçJo llier.:ír­
q11irn de um voc;ibul,hio poJe ser dada sob dois modos: por 
um,1 rcbçi'io de hiponími:1 ou por meio dél rebção parle ·todo. 
No nível dc1s rcbçõcs de sentido o problema d:1 sig nif'i­
c;içc10 pode ser visto sob diversos ângulus, ou scj,1, a p�irtir 
de clivers3s categorias. 
/\. rnlcgoría denominada hiponímia opera com a no1;.-Jo 
de inclusi'io, a mcsrn:1 noç<'fo que permite reunir unidades 
nunrn classe. :\ssim, rosa e cranJ esU:io inclu ídas cm.flor, ou 
,gato e lciio estilo incluídos em ,111i1na/ 1 ou escarlate estéi in­
cluído cm l·'Cl'lllclho. 
77 
A inclusão tem a ver, pois, com a inserção de um dado 
elemento numa classe. Isso dito de outra forma, indica que 
a hiponímia expressa ";i relação existente entre um lexema 
müis específico ou subordinüdo, e um lexema mais geral ou 
superorden,1clo, tal como é exemplificacl.1 por 1x1res corno 
'vaca': 'animal', 'rosa': 'flor' etc." (Lyons, 1977, p. 235).
Nesta reliição há que se consiclerélr dois termos: o supe­
rior, denominado por Lyons ('! 9 77) Superordem1do, e o in­
ferior, Hipônimo. 
Os termos constitutivos de uma classe são, p01s, co­
h1pô111mos. Entretanto, é necessário observm que nem toda 
classe dispõe de um superordenado. E mais: él existênciél de 
um superordenado encabeçando uma cbssc pode v.::iri<1r de 
língua para língua. 
I.yons menciona <l existênci,1, em grego clássico, de uma
form.:1 superordenada p.::ira abranger todus as profissões e ofí­
cios, desde Si1patciro, médico, passando por tocador de flau­
t.:1 e timoneiro. Em inglês e em português não há pi1bvra 
que possa encabeçar conjunto tão v;:iriado. Neste caso, tem­
se umn lacuna lcxico.l. 
A hiponímia pode ser drfinida., também, em termos de 
implirnç3o unilnter.:11 e representa uma rebção transitiva, de 
tal modo que, se 'x' é hipônimo de \1' e 'y' é hipônimo de 
'z', então 'x' é liipônim.o de 'z'. 
Exemplo: vaca --........ � mü.mífero animal 
v.ica -----1 ... � animal 
;\ hiponímia é, ninda, uma propositur.::i analítica, sendo 
que a leitura e compreensão do significüdo dos hipônimos 
78 
podem ser feitos segundo a fórmula 'x é um<1 espéne 
(ou
tipo) de y ': o gato é uma espécie de animal.
;\ relação de hiponímia/hiperonímia (ou subordinação/
superorden<1ção) permite verificar que um termo pertenc
e,
ou suhordin<1-se a um outro mais geral, o gênero, mas n
ão
permite identificar em que os termos subordinados se ll
íie-
renciam entre si. 
Por outro lado, em virtude da polissemia, uma mesma
palavra pode aparecer em vúrios pontos da hicnirqui<1. Palm
er
(1976) menciona corno exemplo .::i palavra c111imal que po
de
ser usada cm três pontos cb cadeia:
1. em contraste com ''vegetc.11", incluindo, nrste caso aves1
peixes, insetos, mamíferos;
2. no sentido de "mamífero", contrapondo-se a ans, pci­
xcs e insetos, mas incluindo seres humanos e bichos;
3. no sentido de "bicho", opondo-se <l sen:s humanos.
Assim,a palavra animal pockri.Í surgir três vezes na
classificação hierárquica da natureza, como mostra Pa.lme
r
(p 91): 
Cn111 l'iclo l-"S Se111 l'id" 
;:we pei.,l": inseto wrinwl 
humano wtiowl 
Os cxrm pios poderiam ser mui ti plicados. No entanto, 
parece ser suficiente levar em conta que, em r<1zão da 
79 
A inclusiio tem a ver, pois, com a inserção de um déldo 
elemento numa cbsse. Isso dito de outra forma, indica que 
a hiponímia expressa "a relação existente entre um lexema 
nrnis específico ou subordinado, e um lexema mais geral ou 
superordenado, tnl corno é exemplificada por pares como 
'vaca': ';:mimai', 'roso': 'flor' etc." (Lyons, 1977, p. 235). 
Nesta relação há que se considerar dois termos: o supe­
rior, denominado por Lyons ( 19 77) Superorden;:ido, e o 111-
frrior, Hipônimo. 
Os termos constitutivos ele uma classe são, pois, co­
hipônimos. Entretanto, é necessário obscrvnr que nem toda 
classe dispõe de um superordenndo. E mnis: a existência de 
um superorden<1do encabeçando urna cbsse pode variar de 
língua para líng11a. 
Lyons mencionzi a existência, em grego clóssico, de uma 
form.:1 supcrorclcnada p;:ira abranger tod.:1s as profissões e ofí­
cios, desde snpatciro, m�dico, passando por tornclor de flau­
to e timoneiro. Em inglês e cm português nJo há palavra 
que possa encabeçJr co1""0unto tão variado. Neste caso, tem­
se uma lacuna lexic;:11. 
A hiponímia pode ser definida, também, em termos de 
implicação unilateral e representa urna relação transitiva, de 
tal modo que, se 'x' é hipônimo de 'y' e 'y' é hipônirno de 
'z', então 'x' é hipônimo de 'z'. 
Exn11plo: varn -----1... mi1mífero .. animal 
VaCi1 __ ....,.... animal 
A hiponímiil é, ninda, uma propositura analítica, sendo 
que a leitura e compreensão cio significa.do dos hipônimos 
78 
podem ser feitos segundo a fórmula 'x é uma espé
cie (ou
tipo) de y': o galo é uma espécie de animal.
J\ relnçào de biponímin/hiperonímia (ou suborclin
aç5o/
superordcnação) permite verificar que um termo 
pertence,
ou subordinél-se a um outro mais gernl, o gênero, m
as não
permite identificar cm que os termos subordinados 
se dife-
rcncium entre si. 
Por outro lado, em virtude da polissemia, uma mcsmi1
palavra pode aparecer cm v.:írios pontos da hierarquia. Pal
mer
( 1976) menciona como exemplo a pulavra animal qu
e pode 
ser usada em três pontos d;:i cadeia:
1. em contraste com ''vegetal", incluindo, neste caso él\'cS,
peixes, insetos, 111c1111ífcros;
1. 110 sentido de "mamífero", contrélpondo-se a aves, pei­
xes e insetos, mi1S incluindo Sl'rcs lwmil!WS t' /Jichos;
3. no sentido de "bicho", opondo-se i1 seres liwnanos.
Assim, n palavra animal podcr.:í surgir três vezes na
cbssifiG1ção hierárquic1 da natureza, como mostra Palmer 
(p. 92): 
CuJ/1 t·idu 
/� 
vcg(:t�I cminwl 
\"S 
��
ave pc:ixc inseto wii11wl 
humano <I/IÍ/11(1/ 
Sem ,·id(I 
Os exemplos poderiam ser rnultiplirndos. No entanto, 
parece ser suficiente levar em conta que, em razJo da 
79 
polissemia, um termo corno do pode, por ser o genérico da 
cbsse, ser tomado como superonknado c corno hipônirno, 
respeit:1dC1s, naturalmente, as situoções conlextuois. 
Ci/,) 
>�
ceio n1del" Cflc/1orro 
RcsL1 observar que além da noç:1 0 Je inclus5o, ,1 
hiponírnio contém implíciL1, tnmbfo1, a rcbç::io lógica de ccm­
seqi"iênci:1, j;,1 que i!O dizer "Isto é uma rosa", lcm-sc, ncccs­
sariDmcnte, o pressuposto ''Jslo é uma flor". Ou scj:1, a fr,1se 
que contém o liipônimo pressupõe, nccessari;1mentc, o 
superorde1rndo. O inverso, cvidcnlcrncnte, nJo é venl.ldciro . 
.Se os membros de uma clilsse s.'io cspccificndos com "lo­
dos", ocorre o inverso: "Todas as flores s,10 belas" inclui 
"Todas c1s rosas sfio belas", mas o inverso 11,10 é verdackiro . 
Pode-se dizer que ;i rcfoç.'io de liiponímia representa um;i 
op1:raçiio de conjunçiio cm foce do termo supcrorckn;ido, bem 
como de disjun�·,10, tomando-se a série de lermos obtidos ;i 
J)i.lrtir Ja divisJo n-:1liz;1d,1.
Como 11il LN, nzis LDs a s11pcrordcn,1ç,10/subordin,1ç5o 
representa um c.1so de implicaçJo tmiblcral, onde o lermo 
supcrordcnado implirn termos subordinzidos, denominados 
liipônimos. 
Em lermos do léxico, o sentido de um hipônimo (: pro­
duto do sentido de um nome superordcnndo e de um 
rnodificélJor :1qjetivé-1l IY,Jl ou potencial, que responde ;i per­
gunlns do seguinte tipo: 'que espécie de .. !'; 'que tipo dr .. 7'. 
80 
Por exemplo: - "Que espécie de animal era?" 
- "Ern um elefante."
Dito de outro modo, é\ resposta ;i perguntas desse gêne­
ro - e oulT,1s similares, do tipo 'como .. ?', 'de que maneira 
... ?' _ se dilo a partir da introdução de uma diferença, que 
produz i.1S subclasses. 
Os co-hipônimos - ou os termos coon.len;1dos que tor­
mam uma mesma série - contrast.::i.m em sentido, sendo que 
a naturcz,1 do contraste pode ser explicada em termos de di­
ferentes modificações adjetivais (Lyons, 19 77). 
Pode-se dizer que as modificações füijctiva1s no léxico 
· .. t· ,' L · ou 1Jro1xied.:ides corresponde111, nas LDs, a ca1 c1C e, ts 1c;is 
que rc:1liz.::i.m a indivic.luaçfio de termos. Do ponto do vista 
extrnsion;_i], 05 termos que se subordinam a 11m s11peror­
c.lenado contêm todas as rnractcrístirns que identific;im a 
cl<1.sse, mais um;i que os distingue dos demais . 
/\ rclaç;io de hiponímia colocadi1 pela lingiíístic.:i. permi­
te explicar, nas LDs, v;írios tipos de rclacion.::imentos to111a­
dos como hierúrquicos que não cabem cknlro da cl.:i.ss1hca-
ÇEio oênero ·'esJJécie (e t3o pouco nas relc1çõcs todo/parte, 
e:, 
parte/pmte) 
Há casos, por exemplo, em que dois ou mais termos 
enconlrnm-se em conlr.:.1sle e nõ.o existem, no léxico, pala­
vras (ou term.os, no c.:i.so das LDs) que lhes sej:_1111 superor­
cknac.Jos e, a n.10 ser que se utilizem elernenll)S de natureza 
diferente, provenientes de outras parles do discurso, não é 
possível reuni-los. 
cidade, médias � Tamanho das cidade,cidades pequenas � 
rncgalópolcs 
81 
polissemia, um termo como cão pode, por ser o genérico da 
clo.sse, ser tomado como superordenéldo e como hipônimo, 
respciL1d.is, na! uralmcnle, as situações contcxt lli.1Ís. 
Cúo 
Rcsl:1 observur gue il!Lçm da noç;'io de inclusJo, a 
hiponímia conlém implíciLJ, também, J rebç;1o lógica de con­
scqi'1ênci<1, _j;i que ,10 dizer ·'Islo é uma rosn", lcm-se, neccs­
s<1riamcnle, o prcss11posto "lslo é ll111é1 flor". Ou scj;i, a fr,1sc 
que Cllntém o hipônimo prcssupõe, neccssari,1mentc, o 
superordenado O inverso, evidentemente, nJo é vcrd<1deiro. 
Se os membros de uma classe siio especificados com '·to­
dos", ocorre o invcrso: "1c)do.s :is flores sJo lxbs" inclui 
""füdas �is rosas s,10 belas", 111,1s o inverso n.'io é verJildeiro. 
Pode-se dizer qut: a rebçiio ele hiponímia representa um;i 
opcr:.iç.10 de corvunçiio cm face do lermo superordrnndo, bem 
corno de Lfi�junçJo, lomarnlo-se a série de termos o!Jtidos a 
p<1rlir da divisiio rcaliz;ich 
Corno na L , n.is lDs a superordrnnç:1o,'subordinaçJo 
representa um ciso de i111plic.1çc10 unilateral. onde o lermo 
superordcn,1do implica termos subordinados, dl'nomin.:idos 
liipônimos. 
Em lermos do kxico, o sentido de um liipônimo € prn­
du lo do se:ntido de um nome supcrordrn�1do e de um 
111odifiG1dor a<.tjcliv,1! real ou potcncid!, que responde ,1 per­
guntas do seguinte lipo: ·que espécie de ... ?'; 'que tipo de ... ?'. 
80 
Por exemplo: - "Que espécie de animal era?" 
- "Era um elefante."
Dito de outro modo, a resposta a pcrgunt.:is desse gêne­
ro_ e outr;1s similares, do tipo 'como ... ?', 'de que maneira 
... 7' _ se dão 3 p.:irt ir cb. introdução de uma difercnç.J, q uc 
produz as subclasses. 
Os co-hipônimos - ou os t·ermos coordenados que J-or­
m,1m uma mesma série - contrastam em sentido,sendo que 
a natureza do contraste pode ser explicado. em lermos de di­
ferentes modificações nqjetivo.is (Lyons, 1977). 
Pode-se dizer que as modificações aqjelivnis no léxico 
· -- ct·e -'1s11·cíl.s ou 1no1)riedndescorrespondem, nas LDs, il caia 1 . , . . 
. que rc.1lizi1m a individuaçôo de termos. Do ponto do vista.
extcnsional, os termos que se subordinam a um superor­
clenado contêm todJs Js CJ.rJcterísticas que idcntificm1 a 
cbssc, mais uma que os distingue dos (km.1.is 
J\ relaçi'io de hiponímia colocad.:i pela lingC1ístirn permi­
te explirnr, nas LDs, v6rios tipos de rcbcionamentos to�1n­
dos corno hier:irquicos que não cnbem dentro da dass1f1ca­
ç;ío gênero'espécie (e tJo pouco n.1s relações todo;parte, 
pa.rtc/purte). 
. IM casos, por exemplo, em que dois ou mms termos
1:ncontram-se cm contraste e n5o existem, no léxico, p;:Jia­
vrc1s (ou termos, no c.:1so di!s LDs) que lhes se:jcim superor­
den:iJos e, iJ não ser que se utilizem elementos de nal urez;, 
diferente, provfnifntes de outras p.1rtes do discurso. n5o é 
possível rrnni-los. 
cidades núlias --------=---- Tamanho das cidadescidade; pcquc11:1s � 
mcgalopoks 
81 
Este é um caso de relação quase-pJ.radigmática (ou uma 
quase-hiponímia), uma vez que se utilizJ. um3 expressão 
m;_iis geral ("tamzmho") pü.ra reunir os diferentes tipos de 
cidil.de. 
Aqui, entretanto, n3o é Véfüdu a aplicação du fórmula 
"x é um gênero de y". A. frase obtida da sua aplicação não é 
natural ou é inaceiUvel. A. estrut urnç3o do voczibulário, 
neste cziso, é feita por outrns pülavrzis ou sintzigrnas que 
desempenham o mesmo papel de "que gênero de .. " (ou que 
espécie de ... ). 
"Comparáveis ,'is questões Que gênero ele animal era?1 e 
Era uma Faca ou outra espécie de ani111al?1 s3o Como é que ele 
obteve isso -- comprando-o ou roubando-o? e Ele comprou isso 
ou arranjou-o de algum outro modo?" (Lyons, 1977, p.237) 
ou ainda, no caso ele aqjetivos "Quando clizes que o teu 
vesticlu é carmim, queres dizer que é em tons de vermelho ou de 
outra cor? i-'..ssim como podemos dizer /1 vaca é um animal 
ele um certo g(�nero, também podemos dizer .. . Comprar algu­
ma coisa (; obtê-la ele uma determinada maneira e Um objeto 
camwn é um objeto vermelho de uma certa maneira" (iclcm, 
ibidem). 
Em resumo, responde-se, nestes casos, a perguntas do 
tipo ''corno" e "de que maneira", muito emborn elas n.'io 
possam, também, ser zimplamente empregadas com suces­
so. A hiponímia, na verdade, pode manifestzir-se de muit3s 
111dllC!ri1S. 
Isto explica porque não é possível aplicar, muitas ve­
zes, o esquema lógico "todos/alguns" sugerido pelos ma­
nuais de elaborJ.ç3o de vornbuló.rios documentários. 
82 
O exemplo anteriormente mencionado: 
INSETOS 
/ � 
ALGUNS TODOS SÃO 
� / 
GAFANHOTOS 
sugere o esquema como meio para a validação de um rela­
cionamento aenérico indicando que alguns membros da clas-ê) , 
se "insetos" são conhecidos como "gafanhotos", enquanto 
que todos os "gafanhotos" são "insetos", por definição e in­
dependentemente do contexto (IBICT, 1984, p. 26; ISO 2 788, 
1986, 1989, p. 605). 
Entretanto, ele n5o funcionariél no exemplo ;_mterior, re­
lativo a 'cidades'. A língua, nn verdade, n3o é rigidamente 
estruturada em termos lógicos. 
As diferentes séries formadas a pzirtir de um mesmo 
termo podem ser vistas como o resultado de diferentes mo­
dos de rezilizar é1 coqjunção, oriunda dos diferentes pontos 
tomados como orioem cb subdivis5o eiou das diferentes ca-i:) 
racterísticas tom.1dZJ.s para .:1 construção de cadJ. hierarquia. 
Esse aspecto relaciona-se com. a adoção das categorias 
aristotélicas de predicuç5o - substância, modo, quuntidade, 
qualidade etc. e suas Jtua!izZJ.ções nos seus desenvolvimen­
tos subseqüentes. Em Documentação, por exemplo, Ranga­
nathan utilizou cinco categorias para agrupm os assuntos: 
personalidade, matéria, energia, espaço e tempo. 
P;:ira i.l. úrea de Ciência e Tecnologia, o Classification 
Rcscarch Group - CRG sugeriu que os termos fossem agrupa-
83 
Este é um caso de relação quase-paradigmática (ou uma 
qunse-hiponímia), uma vez que se utiliza umn expressão 
mais geral ("t.:imanho") para reunir os diferentes tipos de 
cid.1de. 
Aqui, entreL:mto, nno é válida a aplicação da fórmula 
"x é um gênero de y". A. frase obtidn da sun aplicação não é 
nc1l ural ou é inilceitável. A. estruturnção do vocabulúrio, 
neste rnso, é feita por outras pnbvras ou sintagrn3s que 
desempenhéirn o mesmo papel de "que gênero de ... " (ou que 
espécie de . ) 
"Comparáveis às questões Que gênero ele animal era.?, e 
Era uma vaca ou outra espécie de animal?, são Co1110 é que ele 
obtcFe isso - comprando-o ou roubando-o'? e Ele comprou isso 
ou arranjou-o ele algum outro modo?" (Lyons, 1977, p.23 7) 
... ou ilinda, no caso de .:1cijelivos "Quando clizes que o teu 
vestido é carmim, c1ueres dizer que é em tons de vermelho ou ele 
outra cor? Assim corno podemos dizer A vaca é um animal 
de um certo gênero, também podemos dizer . . . Compr-ar algu­
ma coisa é obtê-la de uma determinada maneira e Um ol�jeto 
carmim é um objeto vermelho ele uma certa maneira" (iclem , 
ibidem). 
Em resumo, responde-se, nesles casos, .:i perguntas do 
tipo ''como" e ''de que mémeira", muito emborn elas nJo 
possam, tnrnbém, ser J.mplamente empregadas com suces­
so. ;\ hiponímia, na verdade, pode manifcsl,ir-se de muit.Js 
maneiras. 
lslo explica porque niio é possível aplicar, muitas ve­
zes, o esq ucma lógico ··todos/Dlguns" sugrrido pelos ma­
nuais de claboraç5o de vocabuL:írios documentários. 
82 
O exemplo anteriormente mencionado: 
INSETOS 
/ 
ALGUNS TODOS SÃO 
� / 
GAFANHOTOS 
sugere o esquema como meio parn a validação de um reb­
cionnmento genérico, indicando que alguns membros da clé.1s­
se "insetos" são conhecidos como "gafanhotos", enquanto 
que todos os "gafanhotos" são "insetos", por definiç5o e in­
dependentemente do contexto (IBICT, 1984, p. 26; ISO 2 788, 
1986, 1989, p. 605). 
Entfftanto, ele não funcionaria no exemplo anterior, re­
lativo J. 'cidndcs'. i\ língua, na verdade, não é rigidomente 
estruturada em termos lógicos. 
As diferentes séries formadas a portir de um mesmo 
termo podem ser vistas como o resultado de diferentes mo­
dos de realizar a conjunção, oriunda dos diferentes pontos 
tomados como origem da subdivisão e/ou das diferentes ca­
racterísticas tomadas para a construção de cada hierarquié.1 
Esse aspecto relaciona-se com a adoção das categorias 
aristoté]iG1s ele predicaçJo - substância, modo, quantir.bdc, 
qui1lidzic!e etc. e suas at uzilizações nos seus desenvolvimen­
tos subseqüentes. Em Documentação, por exemplo, Ranga­
nJ.than utilizou cinco G1tegorias para .:igrup.:ir os assuntos: 
pcrsona.lidade, matéria, energia, espa.ço e tempo. 
Para a área. de Ciênci�1 e Tecnologi.:i, o Class{fication 
Research Group - CRC sugeriu que os termos fossem agrupa-
83 
1 /1,, •,11 · 1 1 ide, .1s seguintes categoriéls fundamentais: substância 
[1wud tlo), órgão, constituinte, estrutura, forma, propriedade, 
objeto da ação (materi.:iis brutos, materiais não tratados), 
ação, operação, procc-ssos, agente, cs1x1ço e tempo. Barbar;:i 
Kylc, também integnrnle do CRG, distinguiu as artes, as ati­
vidades, os objetivos, os objetos, as idéias, as abstroções. 
J\imb na ,Írea de Documentação, Shera & Egan ( 1969) 
propuseram as rntegori;is agente, aç5o, modo, objeto, o�jcto 
de açâo, tempo, espaço e produto. Grolier (1962), por seu 
lado, sugeriu categorias const.:rntes de tempo, espaço, aç.:io e 
GltcQorias variáveis: subst.1.ncia ói-aão analítico sintético, \ ·' / t, f , 
propriedade, forma e organização. 
Na ú1-c;1 da Lingüística vzile ress,1ltar os "casos concep­
tuais" de Pottier (1974): c.1usalivo instrumental ziorntivo 
I• I ("} / 
nominntivo, erg;itivo, ,1cusalivo, associ;:llivo, locativo, dativo, 
Iieneficiativo, finalidnde. 
De um modo ou outro, todas essas noções ou focel,1s 
remonlnm às cl assificações ziristolélica e knntiana. /\ 
estruturação do vocabulário cm kÍreas distintas definir;-1 as 
noções funcionais mais generalizantes a serem adotadzis Por 
outro Indo, tal estruturziç.10, dada cm função ele relações de 
hiponími;:i e quase-hiponímia, pode ser rcalizil.da por meio 
de um peq11cno n(uncro ele lexemas (noções gencralizzinte s, 
categorias, facetas) com sentido muito ger;:il. 
Pode-se afirmzir, com Lyons, que nem sempre é possí­
vel estrulur;u hierzirquiczimente os kxcmas em termos de 
hiponímia, dé1cb zi ausência de kxiczilizoção, em algumas lín­
guas. Não hó, em português, por exemplo, nenhum lexema 
que seja superordenaclo zi todos os nomes abstr.:ilos, ou a 
todos os nomes concretos. O que se encontr.1, ao contr:írio, 
84 
__ -___
são conjuntos de le.xemzis muito gerais - '"pessoa' (ou 'indi­
víduo'), ',mimai', 'peixe', 'ave', 'inseto', 'coisa', 'lugar', 'subs­
tâ.ncia', 'rn;itéria', 'qw,lidadc', 'cs tndo' etc. - que s5o 
superorden,idos em rcbçfüi a subconjuntos maiores ou me­
nores desU1s subclasses de nomes" (Lyons, 1977). 
Em resumo, pzira o autor não existe ordenação bieu.í.r­
quico a pzirtir de um lexema superordenndo único, foto que 
se estende ;1 diversas parles do discurso, pois, além dos no­
mes, isso se aplica oos verbos e aos ac\jetivos. 
Entrclanlo, se nos casos de hiponímia pode-se élfir111<1r 
que existe umzi relaçJo paradigmáticzi de sentido cnlre os 
lexemas, na ausência de superordcnados pziradigmMicos p;irn 
a reunião de lexemas pode ocorrer um.:i relzição qtwse­
paradigmática (idem, ibidem). 
/\ssirn, pmzi reunir os zidjctivos 'vermelho', 'nmzirelo', 
'azul' etc., pode-se utilizar: 'cor'; para fobr de 'redondo', 
quadrado', 'oblongo': 'forma'. 
Mas h() casos cm que n.10 hi.Í, no vocabulário, lexemas
]Jélr<l oroanizar hicr;irquic.1mcnte os termos. Trat.:i-se dast"> ' / 
''lacunds lcxirnis", dcvid;1s, na m<1ior parte cbs vezes, n fato-
1-cs culturais. 
Urna !clcuna lexical pode ser descrita como um "buraco 
no modelo", ou sejél, J. i.lUsêncii.l de um lexema num cbdo 
lugar da estrutura ele um campo lexiczil" (Lyons, 1977) 
A rcbção hiponímia/supcrordenac,'<'io corresponde, em
lóoicn ;) rebç.:i.o aênero/csJJfrie (ou esJJécie/Qêncro). O con-� , D , . • .. J 
junto desse tipo de relücionamento é denominado, via de re-
grJ., relacion,1rncnto genérico. 
85 
dos segundo as seguintes cntcgorias fundamentais: substânci<1 
(produto), órgão, constituinte, estrutura, forma, propriedade, 
oqjeto da ação (materiais brutos, materiais não tratados), 
élÇifo, opcraç5o, processos, <1gcnte, espnço e tempo. Barbara 
Kyle, também intcQrante do CRG dislinauiu as <1rtes as élti-..._., I LJ • • I 
vidndes, os objetivos, os objetos, as idéias, as nbstrações. 
J\jnda na área de Documentação, Shera & Egan (1969) 
propuseram os categorias agente, �1ç3o, modo, objeto, objeto 
de açi'io, tempo, espnço e produto. Crolier (1962), por seu 
lado, sugeriu rntegorias constantes de tempo, esparo, aç5o e 
categorias variáveis: subst<'lnci<1, órg5.o, <1nalítico, sintético, 
propriedade, forma e organizaçi'io. 
Na ,í.rea da Lingiiístic<1 vnle rrssaltar os "casos concep­
tuais" de Pollier ( 1974): c.:rnsativo instrumental <1aenlivo , , i:"> , 
nominativo, erc:ativo, ncusalivo ossocialivo Iocotivo clativcJ 
1...1 I • f 1 I 
benefici<1tivo, finalidzide 
De um modo ou outro, tocbs cssns noções ou facetns 
remontam i'ts clnssificações aristotélica e kantiana. A 
estruturação do vocabulário cm óreas distintas clefinir,í as 
noções funcion;Jis mais gencrnlizanlcs a serem adot.:idas. Por 
outro bdo, L:il estruturaçâo, dnda em funç5.o de relações de 
liiponírnia e q11ase-hiponírnia, pode ser realizacb por meio 
de um pequeno ní1mcrn de lexem:1s (noções gencr<1liz.111les, 
calegori<1s, facetas) com sentido muito oer;:il. . � 
Pode-se afirmar, com Lyons, que nem sempre é possí­
vel estrutur<1r hiernrquic;imenle os lexemas em termos de 
hiponímii'l, dad.1 n ausência de IexicnlizaçJo, em algumas lín­
guns. N,10 há, cm português, por exemplo, nenhum lexema 
que seja supernrcknndo a todos os nomes abstratos, ou a 
todos os nomes concretos. O que se encontra, no contrário, 
84 
sJo conjuntos de lexemas muito gerais - '"pessoa' (ou 'indi­
víduo'), 'animal', 'peixe', 'ave', ' inseto', 'coisa', 'lugar', 'subs­
t5.ncia', 'matéria', 'qualidade', 'estado' etc. - que sJo 
superordenados em rebç5o a subconjuntos maiores ou me­
nores clest1s subclasses de nomes" (Lyons, 1977) . 
Em resumo, para o autor ni'io existe orden.1çi'io hieri.Í.r­
quica a partir de um lexema superordenado único, foto que 
se estende a diversas partes cio discurso, pois, além dos no­
mes, isso se aplic.1 aos verbos e aos acUetivos. 
Entrd.Jnlo, se nos casos de hiponímin pode-se afirmar 
que existe uma relaçJo paradigméilirn de sentido entre os 
lexemas, na ausência de superordenados p.1radigmáticos p;1ra 
a reuni,10 de lexem::is pode ocorrer um.J relnç.'fo qu;ise-
lJaradiomiilica (idem, ibidem)." 
Assim, pnr.::i reunir os adjetivos 'vermelho', 'amarelo',
'azul' ele., pode-se utilizar: 'cor'; para falar de 'redondo',
qtwdr<1do', 'oblongo': 'forma'. 
Mas há casos em que niio há, no voc;1buJjrio, lexemas 
para org,rnizar, hicr<1rquicamenle, os lermos Tralc1-se das 
"lacunns lcxirnis", devidas, na moior pc1rte das vezes, a fato­
res culturais. 
Urna lncuna lexic1l pode ser descrita como um ''buraco 
no modelo", ou seja, a m1sência de um lexema num dado 
lugar da estrutura de um campo lexical" (Lyons, 1977) 
J\ relnção hiponími.:i/superordenaç5o corresponde, em
Jóoirn à rebçzio aênero/es1Jécie (ou es1Jécie/Qênero) O cem-
,:-, 1 Ô 
LJ 
junto desse tipo de rebcionamcnto é denominado, via de re-
erra relacionamento o.enérico. 
t-) I lJ 
85 
dos segundo as seguintes categorias fundamentais: substância 
(produto), órgão, constituinte, estrutura, forma, propriedade, 
objeto da Jção (materiais brutos, materiais não trntados), 
ação, opcraçiio, processos, c1gente, espaço e tt>mpo. Bi.irb,1ra 
Kyle, também integrante do CRG, distinguiu as artes, as iJti­
vidades, os ol�jetivos, os ol�jetos, as idéias, as abstrações. 
1\i11da n;i {1rea de DlKUmcntação, Shera & Eg:m ( 1969) 
propuseram as categorias agente, üção, modo, objeto, objeto 
de aç3o, tempo, esp,1ço e produto. Grolier (196'.2.), por seu 
lüdo, sugrriu categori.1s const.:rntes de tempo, csp,1ço, ,1çJo e 
rntegorias varióveis: suhstnncia, órgão, iJnalítico, sintético, 
propric-d;-1de, forma e org.:rnização. 
Na área du Lingüístirn vale ress3ltnr os "c3sos concep­
tw1is" de Pottier (1974): causativo, instrumental, agentivo, 
nomirn1livo, ergativo, ac11s3tivo, ;:issociativo, locativo, (lé.itivo, 
beneficialivo, finalidade. 
De 11m modo ou outro, todas essas noções ou focetas 
remontam Às classificações aristotélica e Lrnt iana. /\ 
estrulurélção do vocabul{irio cm áreus distintas definirá él.S
noções funcion<1is mais generalizantes n serem adot..1das. Por 
outro bdo, tal estrutur.:iç.'io, dada cm funç5o de relações de 
hiponímia e quase-hiponírnia, pode ser rcalizod.:i por meio 
de um pequeno número de lcxern:1s (noçoes generali7.é.ll1tcs, 
Gitegorii1s, ÜJCetas) com senlido muito geral. 
Pode-se .:ifirm<lr, com Lyons, que nem sempre é possí­
vt'l estruturar hierarquicamente os lexern;is cm termos de 
liiponírnia, d,1d.'l n ausência de lexic;1Iização, cm algumns lín­
guas. Nifo há, em português, por exemplo, nenhum lexcmé.1 
que sej.1 superorden<ldo a todos os nomt's abstr.:ltos, ou a 
todos os nomes concretos. O que se encontrél, ao contrório,84 
são conjt1ntos de lexemas muito gerais - '"pessoa' (ou 'indi­
víduo'), 'animal', 'peixe', 'i.1ve', 'inseto', 'coisa', 'lugiJr', 'subs­
ti.1ncii1', 'm.:itérin', 'qualid.:ide', 'estado' etc. - que são 
supcrorden<ldos em relaçJo a subconjuntos maiores ou me­
nores destas subclasses de nomes" (Lyons. 1977). 
Em resumo, para o ;rntor não existe ordenação hier!1r­
quica n pürlir de um lexema supcrordcnado único, fato que 
se estende a diversas p<lrtes do discurso, pois, além dos no­
mes, isso se o.plica aos wrbos e aos adjetivos. 
Enlrelanlo, se nos casos de hiponírnia pode-se afirmar 
que existe urna rcl.:içJo p.::iri.!digmática de sentido entre os 
lexemas, na ;rnsênci,1 de supcrorden.:1dos par<ldigrnfiticos par.:i 
i.l reuniJo de lexem:-is pode ocorrer um.1 rclaç.'io qu:-ise­
paradigrnMic.:i (idem, i/Jidcm). 
Assim, p.:ir:-1 reunir os <ldjetivos 'vermelho', '3111,irelo', 
'ilztil' etc., pode-se utiliz.:1r: 'cor'; para fobr de 'redondo', 
quadr.::ic!o', 'oblongo': ·forma'. 
Mas hú c3sos em que n3o h!1, no vocabulório, lexemas 
para organizar, hierzirquicamcnte, os termos. Tr.::it.::1-se das 
"l<-Kllni1s lcxicnis", devidas, na rno.ior parle d.:.is vezes, a fato­
res cullur,1is. 
Urna bcuna lcxirnl pode ser descrita como u111 "buraco 
no modelo", ou seja, n ausência de um lexema num dado 
lug.:1r da eslruturn ele um campo lexical" (Lyons, 'J 977). 
A rebção hiponími.:i/superordenação corresponde, cm
I<wici1 ,'i relação ofnero/es•Jécie (ou es1Jécie/gê11cro). O con-;::, · 1 D t 1.. 
junto desse tipo de rcbcionarnento é drnornin<ldo, via de re-
nra rclacionamenlo Qenérico. 
C) I lJ 
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