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percepcao e alimentacao

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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E PROMOÇÃO DA SAÚDE: UMA
ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE PAIS, MÃES E EDUCADORES DE
INSTITUIÇÕES INFANTIS
Karla Monique Cordeiro da Silva1
Raquel de Aragão Uchôa Fernandes2
Fabiane Alves Regino3
Celiane Gomes Maia da Silva4
RESUMO
O mundo está vivendo um momento de transição nutricional, onde estão ocorrendo transformações nos padrões e
hábitos alimentares dos diferentes grupos, impulsionado por diversos fatores, como crescimento econômico, a
modernização e a globalização dos fast food, além de outros padrões arriscados de consumo referentes à
alimentação. Sendo assim, torna-se necessário pensar em estratégias que atuem no sentido de promover uma
alimentação mais equilibrada e saudável. Diante disso, é importante que a escola e também os/as/e
pais/mães/responsáveis estimulem o consumo de uma alimentação qualitativa e quantitativamente adequada para
o crescimento e desenvolvimento da criança. Dessa forma, o objetivo desse trabalho foi de realizar um
levantamento sobre a alimentação dessas crianças e a partir desse levantamento, verificar o significado ou
percepção, por parte dos pais/mães e ou responsáveis que possui filhos/as matriculados/as em escolas de
educação infantil sobre a importância dos bons hábitos alimentares. Para isso, realizou-se, um levantamento por
entrevistas acerca do perfil alimentar de crianças em algumas escolas da rede particular de ensino infantil na
cidade de Recife e em seguida aplicou-se um questionário com os pais e mães, ou responsável das crianças.
Percebeu-se então com essa pesquisa, que a realidade das escolas não está dentro dos padrões adequados de uma
alimentação saudável para seus/suas estudantes e que os/as e pais/mães/responsáveis precisam ainda, colocar em
prática o discurso de uma alimentação saudável.
PALAVRAS-CHAVE: Alimentação. Saúde. Crianças
1 INTRODUÇÃO
O mundo vive um momento de transição nutricional, onde vem ocorrendo
transformações nos padrões e hábitos alimentares dos diferentes grupos sociais, o que
modifica comportamentos e práticas que estão entre os aspectos mais antigos e enraizados em
várias culturas, processo que acaba exercendo influência direta sobre o comportamento das
pessoas. (CANO, et al., 2005).
1 Graduanda em Economia Doméstica (UFRPE) – karlinha_monique29@otmail.com
2 Economista Doméstica (UFV-MG), Mestre em Extensão Rural (UFV-MG), Professora Assistente do
Departamento de Ciências Domésticas (UFRPE) – aragaouchoa@hotmail.com
3 Economista Doméstica (UFV-MG), Mestre em Ciências Sociais (UFBA), Professora Assistente do
Departamento de Ciências Domésticas (UFRPE) - famestrado@yahoo.com.br
4 Nutricionista (UFPE), Mestre em Nutrição (UFPE), Doutora em Nutrição (UFPE), Professora Adjunta do
Departamento de Ciências Domésticas (UFRPE) - celianemaia@yahoo.com.br
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Este processo tem origem nas mudanças em curso na sociedade, mudanças estas que
apresentam em meio a seus principais elementos, um padrão de transição nutricional global
que impulsiona, entre diferentes aspectos, a epidemia da obesidade. Quadro acelerado e
impulsionado por fatores como o crescimento econômico, a modernização e a globalização
dos fast foods, além de outros padrões arriscados de consumo referentes à alimentação.
Fatores como a estabilidade econômica proporcionada pela industrialização, vários fatores
sociais, tais como, a constante diminuição de tempo para tarefas domésticas, provocada
principalmente pelo aumento do número de mulheres que trabalham fora dos domicílios, o
crescente número de pessoas que moram sozinhas, aumento da distância entre a unidade
doméstica e local de trabalho. O fator renda que exerce uma forte influência na escolha dos
alimentos e acaba determinando a quantidade e qualidade dos itens que chegam à mesa da
população brasileira menos privilegiada (FERNANDES, 2008; SANTOS, 1995, 2003), entre
outras questões que de forma combinadas vem contribuindo para alterações nos padrões de
consumo alimentar.
Diante deste quadro é necessário pensar em mudanças que atuem no sentido da
promoção da saúde e de uma alimentação mais equilibrada, no sentido de valorizar os modos
de vida saudáveis e do monitoramento da situação alimentar e nutricional da população
brasileira (CANO, et.al., 2005). Daí a importância da promoção da condição de Segurança
Alimentar e Nutricional para todos/as cidadãos/ãs e que a mesma seja compreendida como a
garantia de que por meio de políticas públicas adequadas, o Direito Humano à Alimentação
(DHA) seja efetivamente assegurado, o como salienta Flávio Valente (2002), é, antes de tudo,
um dever do Estado e da sociedade.
Isso posto, o presente trabalho teve como objetivo realizar um levantamento sobre
alimentação, dessas crianças matriculadas na rede particular de ensino infantil na cidade de
Recife e verificar o significado ou percepção, por parte dos seus/suas pais/mães e ou
responsáveis sobre a importância dos bons hábitos alimentares. Será considerado o processo
de implementação da portaria de nº. 1.010, de oito de maio de 2006, nessas escolas, levando
em conta a qualidade de vida através de uma alimentação saudável, a fim de analisar as
práticas alimentares das crianças na escola e em casa e o discurso presente na orientação dos
cardápios por parte das escolas e dos pais/mães/responsáveis, considerando as preferências e o
grau de aceitação dos alimentos pelas crianças que freqüentam as escolas, identificando assim
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a influência da família na alimentação da escola, destacando a importância da alimentação de
qualidade nessa fase da vida.
2 REVISÃO DE LITERATURA
O consumo alimentar no Brasil está relacionado diretamente a fatores sócio-
econômicos, e a fome atualmente é resultante não só da pouca disponibilidade de alimentos
para os grupos de baixa renda, mas também da redução da qualidade dos alimentos,
excessivamente industrializados e, neste caso, de fácil acesso a esta parcela da população.
Muitas vezes com um custo menos elevado e demandando menos tempo para seu preparo
acabam por tornarem-se, algumas vezes, os substitutos principais de refeições fundamentais
para toda a família. Isto se evidencia na prevalência de anemia e obesidade como grandes
problemas de saúde pública, atingindo todos os estratos sociais (CORREA, et. AL., 2008).
Onde se tem observado que nos últimos anos vem ocorrendo uma grande preocupação,
por parte das famílias em relação aos hábitos alimentares, principalmente os dos/as filhos/as
durante a fase da infância, já que o mau hábito alimentar acarreta inúmeros problemas à saúde
e são formados principalmente neste período (GOMES, 2005). Paralelo a todo esse processo,
a família foi passando por transformações importantes que se relacionaram com o contexto
sócio-econômico-político do país (PEQUENO, 2008).
Um grande exemplo disso são as mulheres irem à busca de realização profissional,
passando a ter uma dupla jornada de trabalho, se dando principalmente a constituição de um
modelo de sociedade patriarcal, onde as mulheres passam a assumir as tarefas domésticas
mesmo quando contribuem com o orçamento familiar. Neste caso, enquanto trabalhadoras no
espaço público permanecem responsáveis pelo trabalho doméstico, ainda que tenham menos
tempo para cuidar da casa e dos/as seus/suas filhos/as, deixando esses/as por mais tempo em
instituições de ensino, que compartilha cada vez mais o papel de socialização e educação das
crianças, que antes cabia quase que exclusivamente às famílias, e, sob a égide das mulheres e
mães. Todos esses aspectos ressaltados anteriormente contribuem para a mudança dos hábitos
alimentares na infância que se justifica, entre outros fatores, pela infância ser vista como um
dos períodos que é demanda maior atenção com relação à composição das refeições que
constitui a dieta alimentar. Por ser a fase onde
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