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Sondagem do tipo SPT – Considerações para a execução de 
estacas tipo hélice contínua 
 
Mirella Talitha Rocha 
Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, Brasil, mirellarocha@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Dentre os métodos de reconhecimento das propriedades e classificação dos distintos 
tipos de solo, o mais popular no Brasil, é a sondagem a percussão do tipo SPT, por ser uma 
ferramenta de investigação rotineira e econômica. Esse ensaio visa reconhecer o nível da água do 
lençol freático, permite a coleta de amostras do terreno, a diversas profundidades, possibilitando o 
conhecimento da estratigrafia do solo e a sua resistência. No presente trabalho foram escolhidas dez 
obras através de um banco de dados fornecido por uma empresa goiana de sondagens a percussão. 
Consiste em ensaios com quantidade de furos variados, localizados em diferentes lugares no estado 
de Goiás, com o objetivo de aplicar os métodos estatísticos para cálculo do coeficiente de variação e 
desvio padrão, entre os resultados encontrados no laudo de sondagem como: nível d’ água, limite de 
sondagem, cota do furo, e Nspt. Os cálculos estatísticos foram realizados em planilhas eletrônicas 
com o auxílio dos laudos de sondagens correspondentes as obras em estudo. Ainda foi possível 
prever para essas obras o coeficiente de variação da capacidade de carga da estaca hélice contínua, 
sendo esta determinada a partir do método Décourt e Quaresma. Os dados obtidos após os cálculos 
foram analisados comparativamente com a teoria. Os resultados encontrados mostram que esse 
ensaio por ser semi-empírico apresenta divergências em relação ao prescrito pela norma brasileira. 
Logo, esse tipo de ensaio sofre influência de diversos fatores, como: descuido com os 
equipamentos, mudanças dos procedimentos preconizados pela norma e variedade das condições do 
solo. Verificou-se, de modo geral, as análises estudadas para a região do estado de Goiás, não 
variaram de forma evidente. 
 
 PALAVRAS-CHAVE: Ensaio de sondagem, SPT, Cálculos estatísticos, Estaca hélice contínua. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A realização de projetos geotécnicos depende 
de informações adequadas sobre o solo. É 
necessário fazer análises em campo, para 
identificação das propriedades e classificação 
dos distintos tipos de solo discriminados por 
camadas. Então, para o desenvolvimento de 
projetos de fundações é preciso executar ensaios 
"in situ”, utilizando métodos de investigação de 
campo e sondagem, para obter as características 
de cada tipo de solo ou realizar em laboratório 
análises a partir de amostras deformadas e 
indeformadas. (QUARESMA et. al., 1998). 
 Neste tipo de investigação de campo, destaca 
o ensaio SPT (Standard Penetration Test) que 
norteia a maioria dos projetos de fundação. Este 
ensaio tem como vantagem a simplicidade do 
equipamento, o baixo custo e a obtenção de 
informações para serem aplicadas no projeto 
geotécnico. 
Com ensaios de sondagem executados por 
empresas legalmente registradas pelo CREA 
(Conselho Regional de Engenharia e 
Agronomia), os projetos poderão ser executados 
apesar dos métodos empíricos e semiempirícos 
divergirem e a resistência do solo variar muito 
em um terreno. 
Pela execução desse ensaio é possível a 
realização da avaliação da capacidade de 
suporte das camadas do subsolo sobre o qual se 
apoiará a estrutura de uma obra, a obtenção de 
informações sobre as características do terreno 
pelo projetista de fundações, como a 
profundidade equivalente de cada tipo de solo, a 
profundidade do lençol freático e através da 
análise do solo, o projetista deverá escolher o 
tipo de fundação ideal para a obra. Porém, os 
procedimentos de execução do ensaio 
normatizado pela NBR 6484 (ABNT, 2001), 
“Sondagem de Simples Reconhecimento com 
SPT – Método de ensaio” podem divergir na 
prática devido às variações nas técnicas 
empregadas durante a execução, nas geometrias 
dos equipamentos utilizados e entre outros. 
(CAVALGANTE et.al., 2006). 
Executando este ensaio com padronização, 
aumenta-se a precisão dos resultados, obtendo 
assim uma considerável confiabilidade em 
relação ao índice de resistência. 
 
1.1 Objetivos 
 
Esta pesquisa tem como objetivo analisar e 
organizar os dados de sondagens a percussão 
disponíveis para Goiás em 2012, verificando a 
sua importância para a escolha de fundações 
profundas do tipo hélice contínua nos terrenos, 
pois esta oferece uma solução rápida e prática 
para aplicação de estacas profundas e vem 
sendo bastante utilizada na região. 
 
 
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
 
Esta revisão conterá o seguinte tópico: 
problemas relacionados aos fatores 
intervenientes do ensaio. 
 
2.1 Fatores que influenciam na realização do 
ensaio SPT 
 
Em vista da variabilidade dos terrenos, tem-se a 
dificuldade em padronizar o ensaio in situ, por 
existir uma grande variação na geometria e nas 
técnicas de execução. 
Então, os fatores intervenientes no número 
de golpes SPT segundo Berberian (2005) são: 
 picos de sondagens causadas por 
pedregulhos e matacões; 
 faca do amostrador padrão cega ou quebrada; 
 sistema de soltura do martelo pode haver 
redução na energia de cravação e 
consequentemente aumentar o índice de 
resistência à penetração (Nspt); 
 Número de golpes/minuto (frequência); 
 Diferenças do nível d’ água fora e dentro do 
furo; 
 Diâmetro do furo; 
 Poropressão gerada pela presença do nível d’ 
água em solos finos,etc. 
Em relação às propriedades dos solos que 
afetam a resistência a penetração, Schnaid 
(2000) apresenta que em areias puras e siltes 
grossos de baixa compacidade e saturados o 
efeito dinâmico de cravação tende a causar 
localmente e próximo da ponta do amostrador o 
fenômeno, da liquefação, resultando em um 
índice baixo, cujo efeito é impossivel de 
quantificar. E já em argilas muito sensíveis o 
efeito de amolgamento causado pela própria 
penetração do amostrador tende a diminuir o 
Nspt. Por outro lado, grandes resistências 
poderão ser apresentadas no caso do amostrador 
ser bloqueado por um pedregulho ou quando 
um pedregulho penetra na faca do amostrador, 
obstruindo-a. 
Para os solos colapsíveis como exemplo, 
característico da cidade de Brasíla, o emprego 
de lavagem na operação de perfuração diminui 
sensivelmente o Nspt, podendo alcançar 
reduções até 50%. 
 
3 MATERIAIS E MÉTODOS 
 
Nesta pesquisa foram analisados alguns 
critérios determinados na norma NBR 6484 
(ABNT, 2001), como limite de sondagem; nível 
d'agua, cota do furo e índice de resistência à 
penetração (Nspt) a 10 metros de profundidade, 
através de relatórios de sondagens realizadas em 
2012. 
Então, foram selecionadas dez obras da 
região de Goiás para a realização das análises. 
Consiste em sete obras localizadas na cidade de 
Goiânia, uma em Rio Verde, uma na região de 
Aparecida de Goiânia e a outra em Brasília. 
Essas obras foram selecionadas por 
apresentarem seis furos ou mais em estudo, com 
a finalidade de oferecer melhores bases para as 
relações estatísticas. 
Foram realizados cálculos estatísticos, para 
obter os valores do desvio padrão e do 
coeficiente de variação relacionados com a cota 
do furo, limite da sondagem, nível d'agua, nível 
d’ água normalizado correspondente ao nível d’ 
água em relação ao ponto de referência da 
planta de locação, o Nspt e a capacidade de 
carga admissível pela estaca hélice contínua (a 
10 m de profundidade). 
A capacidade de carga da estaca hélicecontínua foi calculada através do método 
Décourt e Quaresma (1982) por ser amplamente 
utilizado nos escritórios de fundações e fornecer 
os valores de capacidade de carga através dos 
dados dos laudos de sondagens para aquisição 
dos valores Nspt. 
Portanto, os cálculos dos valores estatísticos 
e da capacidade de carga das estacas foram 
desenvolvidos em planilhas do Excel. 
As análises estatísticas foram concretizadas, 
pois geralmente o engenheiro projetista utiliza 
apenas a média dos furos ou o valor mais baixo 
e isso pode ressultar em fundações 
superdimensionadas. 
Após as análises serão discutidas a 
importância e influência das sondagens nos 
projetos de fundações. 
 
 
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISES DOS 
RESULTADOS 
 
Através dos cálculos de desvio padrão 
realizados foi possível obter o coeficiente de 
variação dado em porcentagem, dos ensaios em 
estudo que tem como resultado a variação dos 
dados obtidos em relação à média. 
No entanto, a Tabela 1 destaca os dados do 
ensaio realizado no bairro Jardins do Cerrado 
em Goiânia, sendo este composto por nove 
furos de sondagem utilizados para os cálculos 
de coeficientes de variação e em seguida são 
apresentadas as análises referentes a esta obra. 
Os resultados obtidos para o coeficiente de 
variação relacionados com a cota do furo, limite 
da sondagem, nível d'agua, nível d’ água 
normalizado e para Nspt a 10 m de 
profundidade para esta obra, estão apresentados 
na Tabela 2. 
Com esses resultados obtidos será verificada a 
dispersão estatística dos valores em relação à 
média, nas análises dos resultados do ensaio de 
sondagem. 
 
 
 
Tabela 1. Dados do ensaio a 10 m de profundidade. 
Furo Nspt 
Tipo de 
solo e 
consistência 
 
Cota 
do 
furo 
(m) 
 
Limite de 
sondagem 
(m) 
 
Nível 
d’ 
agua 
(m) 
01 51/21 
Silte 
arenoso 
(muito 
compacto) 
0,36 17,06 
 
-6,70 
 
02 7 
Silte 
arenoso 
(pouco 
compacto) 
0,65 17,10 -6,77 
03 17 
Silte 
arenoso 
(mediana
mente 
compacto) 
 
0,93 
 
 
16,03 
 
 
-6,30 
 
04 12 
Silte muito 
arenoso 
(compacto) 
 
1,33 
 
 
18,27 
 
 
-6,80 
 
 
05 35 
Silte 
arenoso 
(compacto) 
1,70 12,21 -7,00 
06 27/12 
Silte 
arenoso 
(muito 
compacto) 
 
1,67 
 
12,26 
 
-7,00 
 
07 33 
Silte 
arenoso 
(compacto) 
0,85 
 
17,27 
 
 
-6,90 
 
08 14 
Silte 
arenoso 
(mediana-
mente 
compacto) 
 
-1,56 
 
 
-1,56 
 
 
-7,30 
 
09 41 
Argila 
silto 
arenosa 
(dura) 
-3,19 -3,19 -8,40 
 
Tabela 2. Resultados do desvio padrão e coeficiente de 
variação para obra Jardins do Cerrado. 
Valores 
Cota 
do 
furo 
Limite de 
sondagem 
Nível 
d’ 
água 
Nível 
d’ 
 normalizado 
Nspt 
Desvio 
padrão 
 
 Coef. 
variação 
1,63 2,70 0,58 2,14 23,93 
537% 16% 8% 32% 72% 
 
 
4.1 Cotas do furo 
 
O coeficiente de variação encontrado em 
relação à posição das cotas de furos da obra em 
estudo foi igual a 537%. Pois, conforme o 
gráfico mostrado na Figura 1, a curva da cota do 
furo tem uma grande variação do ponto 7 para o 
8 e 9, já que para o furo 7 a cota do furo é de 
0,85 m acima do ponto de referência, e nos 
pontos 8 e 9, são respectivamente: -1,56 m e 
-3,19 m, localizados abaixo do referencial 
determinado na planta de locação dos 
respectivos furos. Após observar a curva 
indicando a profundidade do furo, é possível 
verificar que o terreno é muito íngreme e 
irregular o que gera essa grande diferença na 
posição do furo nesta obra. 
Como essa diferença dos níveis dos furos é 
grande e pode ocorrer em várias obras, deve se 
verificar no local se o terreno será modificado 
no decorrer da obra, já que pode ser necessária a 
realização do serviço de corte e aterro. Então é 
realmente interessante analisar se esse serviço 
de corte e aterro pode ser feito antes da 
execução do ensaio de sondagem, para não 
ocorrer essa grande discrepância nos valores. 
 
 
 
Figura 1. Comparativo entre os valores das cotas dos 
furos, nível d’água e nível d’ normalizado do ensaio 
Jardins do Cerrado. 
 
Entretanto, é necessário verificar a real 
necessidade de deixar parte do solo – o corte 
para ser analisado, já que com o passar de 
alguns dias do início da execução da obra, este 
solo deverá ser retirado do local. Embora os 
pontos ensaiados sejam descartados, caso vir 
ocorrer essa situação. Resultando em gastos 
desnecessários para a execução do ensaio em 
profundidades que serão desconsideradas ao 
escavar o terreno. 
Os valores obtidos dos coeficientes de 
variação para as outras nove obras em estudo 
estão mostrados na Tabela 3. 
 
Tabela 3. Resultados do coeficiente de variação para 
outras nove obras . 
Obra
a 
Cota 
do 
furo 
Limite de 
sondagem 
Nível 
d’ 
agua 
Nível d' 
àgua 
normalizado 
Nspt 
 
01 22% 13% 34% 19% 67% 
02 39% 7% 6% 8% 30% 
03 39% 8% 16% 40% 33% 
04 12% 1% 4% 15% 17% 
05 26% 3% 3% 4% 33% 
06 40% 9% 49% 57% 22% 
07 32% 10% 2% 21% 18% 
08 44% 19% 12% 16% 43% 
09 112% 8% 4% 13% 26% 
Obra
a
 (localização):01- Vila Abajá, 02-Setor Campinas, 
03-Setor Marista, 06- Parque Amazônia, 08- Eldorado, 
09-Chácara Retiro são em Goiânia; 04 – Vila Modelo 
em Rio verde; 05 – Asa Norte em Brasília; 07 – 
Chácaras Bela Vista em Aparecida de Goiânia. 
 
 
4.2 Limite de sondagem 
 
O limite de sondagem foi analisado para 
verificar se está de acordo com o preconizado 
nos itens 6.4.1 e 6.3.12 da NBR 6484 (ABNT, 
2001). 
Um fato que chamou muita atenção durante 
as análises dos ensaios em relação ao 
preconizado na norma, é que o limite de 
sondagem não está de acordo com o 
especificado nesta, apesar dos coeficientes de 
variação terem resultado em valores próximos 
de 10% para as dez obras. 
Ao averiguar os nove furos da obra Jardins 
do Cerrado, percebe-se que somente dois furos 
estão de acordo com a norma, constatando que 
para a norma ser atendida, o primeiro critério de 
paralisação por circulação de água determina 
que seja necessário um total de 30 ou mais 
golpes, para a penetração dos 15 cm iniciais do 
amostrador-padrão para amostragem de 3 
metros. Logo, se essa situação ocorrer deve se 
paralisar o ensaio. 
Em relação aos doze furos da obra no Setor 
Campinas, observa-se que apenas três furos 
estão conforme a norma, constatando que 
ocorreu o mesmo que na obra analisada 
anteriormente, mesmo o coeficiente de variação 
sendo igual a 7% representa se uma 
profundidade de paralisação com valores 
próximos neste ensaio. 
Provavelmente, para a realização deste 
ensaio o sondador já conhecia o tipo de solo do 
local, e antes do início do ensaio determinou em 
qual profundidade seria a parada para não ter 
que continuar a execução do SPT em 
profundidades maiores. Entretanto, se isso 
estiver ocorrendo de fato necessita verificar se a 
norma não precisa ser analisada, e alterar os 
critérios de paralisação para a variação de solo 
existente na região. 
Conforme Quresma et. al. (1998), a 
profundidade a ser atingida depende do porte da 
obra a ser edificada e consequentemente das 
cargas que serão transmitidas ao terreno. Tem-
se a norma brasileira NBR 6484 (ABNT, 2001), 
que fornece critérios mínimos para orientar a 
profundidade das sondagens. Porém, a 
resistência dos solos, o tipo de obrae as 
características do projeto podem exigir 
sondagens mais profundas ou critérios mais 
rígidos de paralisação. Para que se não perfure a 
mais ou a menos do que o necessário, é 
recomendável o acompanhamento do trabalho 
pelo profissional responsável pelo projeto de 
fundações. 
 
 
4.3 Nível d’ água 
 
Na sequência, foi analisado os dados referentes 
ao nível d’ água, percebe-se que os valores 
estão homogêneos referentes à obra do Jardins 
do Cerrado, devido o valor do coeficiente de 
variação ser de 8%. Na Figura 1 os dados estão 
demonstrando que para profundidades da cota 
do furo abaixo do nível de referência, os valores 
para a profundidade do nível d’ água são de 
7,30 m e 8, 40 m, afirmando que o lençol está 
mais distante da superfície. Através das 
informações do laudo de sondagem, nota-se que 
este ensaio foi realizado nos dias 17/07/2012 e 
18/07/2012, em Goiânia, em um período que 
não ocorre chuvas, correspondente a estação 
seca. Por isso, o lençol freático neste período 
tende a equilibrar, por ficar muitos dias sem 
chuva na região, mesmo o terreno sendo 
bastante irregular. 
E para as outras nove obras pode-se 
comparar também o nível d’ água com a linha 
do nível d’ água normalizado, sendo este 
calculado conforme a Equação 1, para obter a 
profundidade em relação a cota de referência 
0,0 m. 
 
|N.A|- CF (m) (1) 
 
Onde: 
|N.A|: nível d’ água, em módulo; 
CF: cota do furo ensaiado. 
 
Nota-se na Figura 1, quando menor for a cota 
do furo (nível abaixo de 0,0 m), maior será o 
valor da profundidade de água, por se encontrar 
em uma profundidade maior. E o coeficiente de 
variação do nível d’ água normalizado, 
aumentou de 8% para 32% acontecendo o 
mesmo nos outros ensaios, surgindo a incógnita 
se o nível d’ água está sendo medido de forma 
correta pelo sondador e se os equipamentos 
estão bem calibrados, já que o coeficiente 
aumentou para 90% dos ensaios nesta situação 
com exceção da obra na Vila Abajá, devido 
nesta o lencol freático está próximo da 
superficie do terreno, variando de 0,70 a 2,44 
m. Por isso, é importante conferir o nível d’ 
água normalizado para confirmar se a leitura do 
nível d’ água dos furos foi realizada 
corretamente e condiz com o naturalmente 
esperado. 
Como solução para variação deste 
coeficiente, pode estabelecer nas empresas que 
executam o ensaio SPT, a realização de ensaios 
simultâneos para a possível comparação dos 
dados coletados no local, e verificar se estão 
executando a lavagem após encontrar o nível d’ 
água, e não como pode vir ocorrer, ser feita 
desde o início do furo. 
É importante a criação de relações que 
facilitem para o crítico do laudo de sondagem a 
avaliação da consistência dos dados. Isto devido 
à disposição por parte da equipe de sondagem. 
Como por exemplo, tem-se em vista a relação 
entre o número de golpes para o 1º+2º segmento 
de 15 cm cada, como referência para o 
somatório de golpes para o 2º+3º segmento no 
laudo de sondagem, sendo este último dado 
como Nspt padronizado. Por isso, para o nível 
d’ água é interessante realizar-se mais de uma 
leitura e analisar o nível d’água normalizado 
para cada furo com a finalidade de facilitar a 
análise do relatório de sondagem. 
 
 
4.4 Variação do Nspt 
 
A análise correlacionada aos níveis das cotas do 
furo pode ter influenciado em um coeficiente de 
variação elevado, igual a 72% para o Nspt da 
obra do Jardins do Cerrado, apesar dos furos 
estarem localizados em um mesmo segmento, 
próximos um do outro, o solo é predominante 
um silte arenoso, porém o somatório dos 30 cm 
finais para os nove furos da obra em estudo 
sofreu grande variação de acordo com a Tabela 
1, fazendo com que surjam questionamentos em 
torno da seriedade da execução do ensaio. Essa 
sondagem parece padecer de displicência que 
pode vir desde: 
 erro humano na marcação; 
 falta de formação de profissionais com 
qualificação; 
 e contagem errônea da quantidade de golpes 
para a cravação do amostrador-padrão. 
Verificando os outros resultados, é possível 
constatar que as obras localizadas em Goiânia e 
Brasília possuem um solo mais heterogêneo, 
pois os coeficientes de variação quanto ao Nspt 
destas obras ficaram em torno de 30% a 72%. 
Pois, nos ensaios da Vila Abajá e Eldorado 
foram obtidos coeficiente de variação 
correspondente a 67% e 43%, respectivamente. 
Observa-se na obra localizada em Rio Verde, 
o coeficiente de variação do Nspt a 10 m de 
profundidade corresponde a 17%, através dos 
indícios das análises do solo verifica-se que o 
solo em Goiânia é mais instável do que da 
cidade de Rio Verde. Porém, a quantidade de 
pontos considerados é limitada a um local para 
esta cidade, não sendo possível confirmar se o 
solo é mais homogêneo. 
Para não ocorrer situações constrangedoras 
em relação a norma NBR 6484 (ABNT, 2001), 
é necessário o acompanhamento de um 
profissional no decorrer do ensaio, com isso o 
contratante estará evitando prejuízos que podem 
acarretar em várias etapas da obra no futuro, 
como por exemplo, problemas de recalques na 
fundação; aparecimento de trincas na estrutura; 
ou até vir romper os elementos estruturais 
isolados da fundação. 
 
 
4.5 Capacidade de carga 
 
Após a análise dos dados obtidos acima, foram 
realizados cálculos através do método Décourt e 
Quaresma (1982), referentes à capacidade de 
carga admissível da estaca para cada obra 
selecionada. 
Na Tabela 4 estão os dados correspondentes 
ao tipo de solo, Nspt máximo e mínimo e a 
capacidade de carga a 10 m de profundidade 
para as dez obras. 
 
Tabela 4. Dados das obras em estudo referentes a 10 m de 
profundidade. 
Localização Solo 
Nspt 
máx 
Nspt 
mín 
Cap. 
de 
carga 
(KN) 
Vila Abajá 
(Goiânia) 
Argila 
siltosa 
50 9 197,63 
Setor 
Campinas 
(Goiânia) 
Silte 
arenoso 
18 6 144,66 
Setor Marista 
(Goiânia) 
Silte 
arenoso 
21 10 187,34 
Vila Modelo 
(Rio Verde) 
Argila 
muito 
arenosa 
16 10 169,02 
Jardins do 
Cerrado 
(Goiânia) 
Silte 
arenoso 
51/21 7 255,43 
Asa Norte 
(Brasília) 
Argila 
arenosa 
23 10 163,90 
Parque 
Amazônia 
(Goiânia) 
Silte 
arenoso 
24 13 243,57 
Chácaras Bela 
Vista 
(Aparecida de 
Goiânia) 
Silte 
arenoso 
22 12 189,08 
Setor Eldorado 
(Goiânia) 
Argila 
arenosa/ 
Silte 
arenoso 
21 4 143,77 
Chácara 
Retiro 
(Goiânia) 
Silte 
arenoso 
24 9 199,52 
 
Os valores dos coeficientes de variação da 
capacidade de carga apresentados na Tabela 5, 
serão analisados e aplicados no pré-projeto. 
Verifica-se que os coeficientes de variação 
correspondentes à capacidade de carga são 
heterogêneos em relação a cada obra para a 
mesma região, pela dispersão dos dados em 
relação à média. 
Entretanto a obra localizada no Setor 
Eldorado, em Goiânia apresentou uma grande 
variabilidade no resultado, diferindo da média 
43%. 
Por isso, seria interessante realizar a 
fundação com estaca hélice contínua nessas 
obras, com exceção da obra no bairro Eldorado. 
Devido à busca por custo-benefício e segurança 
nas construções, seria prático realizar as estacas 
por terem diâmetros análogos para cada obra, o 
que torna bastante interessante. Pois, realizar 
estacas de vários diâmetros em uma mesma 
obra ocasiona em custos excessivos sem 
necessidade, porque precisaria de várias 
máquinas com trados de diferentes diâmetros,acarretando no aumento do preço de locação 
destes equipamentos. Obtém se essa análise 
pelos resultados dos coeficientes de variação 
serem abaixo de 30% para a maioria das obras 
em estudo, com valores da capacidade de carga 
análogos para estacas localizadas em diferentes 
posições no terreno. 
No entanto, de acordo com o relatório de 
sondagem do Eldorado, seria necessário fazer 
uma nova análise do solo para ratificar as 
propriedades do solo, com o objetivo de obter 
valores mais homogêneos para a capacidade de 
carga das estacas desta obra, aumentando a 
otimização para elaboração de projetos 
geotécnicos. 
As estacas hélice contínuas são utilizadas 
como fundações profundas, geralmente quando 
é necessária elevada capacidade de carga. Logo, 
essas estacas são escolhidas devido às 
características do terreno, custos envolvidos e 
preocupação com a vizinhança por apresentar 
melhor procedimento executivo para solos com 
nível d’água próximo a superfície. Já em 
relação aos custos depende da profundidade e 
diâmetro que estas estacas serão executadas. 
De acordo com Milititsky e Schnaid (1996), 
ensaios de resistência à penetração realizados 
em um mesmo lugar, segundo recomendações 
de normas e da boa prática da engenharia, 
podem resultar em valores desiguais devido ao 
próprio tipo de solo e aos fatores seguintes: 
 técnica de escavação e avanço do furo de 
sondagem; 
 equipamento do ensaio; 
 procedimento do ensaio. 
 
Tabela 5. Valores dos coeficientes de variação 
relacionados a capacidade de carga das 10 obras. 
Localização Coef. de variação (%) 
Vila Abajá (Goiânia) 18 
Setor Campinas 
(Goiânia) 
22 
Setor Marista (Goiânia) 17 
Vila Modelo 
(Rio Verde) 
14 
Jardins do Cerrado 
(Goiânia) 
21 
Asa Norte (Brasília) 24 
Parque Amazônia 
(Goiânia) 
13 
Chácaras Bela Vista 
(Aparecida de Goiânia) 
12 
Setor Eldorado (Goiânia) 43 
Chácara Retiro (Goiânia) 29 
 
O grande benefício em realizar sondagem 
com um número significativo de furos 
ensaiados para cada obra é obter dados 
suficientes para a efetivação de análises 
estatísticas como realizada nesta pesquisa e a 
vantagem é verificar antes da decisão os valores 
discrepantes que podem vir ocasionar 
problemas no futuro, que não podem ser 
demonstrados apenas no laudo de sondagem. E 
quanto menor a quantidade de pontos maior a 
dúvida em relação ao projeto e maiores serão as 
chances de superdimensionamento. 
Por fim, é importante considerar a 
setorização dos resultados de sondagem no 
momento do projeto de fundação para evitar 
que seja utilizado a média ou o menor valor da 
capacidade de carga da estaca. 
 
 
5 CONCLUSÕES 
 
Ressalta-se a grande importância do ensaio de 
sondagem a percussão com SPT, para a escolha 
adequada do tipo de fundação que será utilizado 
para qualquer tamanho de obra, com influência 
em requisitos de qualidade, custo e segurança. 
Observa-se que qualquer mudança 
estabelecida nas condições recomendadas pela 
norma brasileira - NBR 6484 (ABNT, 2001), 
por exemplo: o tipo de haste e martelo, o não 
uso de coxim de madeira, uso de cabo de aço 
em vez da corda de sisal, sistema mecanizado 
de acionamento do martelo, que altere o nível 
de energia incidente disponível para cravação 
do amostrador-padrão; amostrador quebrado; 
variação geométrica do martelo; a frequência do 
número de golpes (golpes/minutos); diferenças 
do nível d’água fora e dentro do furo; 
sobrecarga ao nível de amostragem; 
profundidade do ponto amostrado diferente do 
determinado, conforme Berberian (2005), todos 
esses fatores são intervenientes na determinação 
do número de golpes SPT. 
Verificou-se que os critérios de paralisação 
especificados, geralmente não são atendidos na 
prática, levando a ocasionar questionamentos e 
a veracidade do ensaio de Sondagem SPT, por 
ser empírico gera algumas dúvidas quanto ao 
modo de execução. 
Os dados referentes ao nível d’ água, por 
exemplo, é de suma importância para 
determinar qual tipo de fundação em 
determinado terreno será adequada. Já que o 
nível d’ água é um fator determinante, 
excluindo um número grande de fundações que 
não podem ser realizadas. Esta situação exige no 
mínimo o rebaixamento temporário do nível 
d’água local, podendo inclusive afetar a 
estabilidade da obra. Logo, aumenta-se a 
preocupação em executar um elemento 
estrutural na presença de água. 
O projetista deve ficar pré-disposto a 
escolher a pior situação para calcular o projeto, 
para trabalhar com mais segurança, porém 
baseando em dados duvidosos, caso o 
coeficiente de variação para a mesma obra 
variar muito. E ocasionará como produto uma 
fundação mais cara, devido às dúvidas sobre o 
terreno. 
Portanto, ao realizar as análises estatísticas 
as empresas podem processar um volume de 
dados com maiores informações a cerca do solo, 
melhorando significamente a qualidade dos 
serviços e otimizando as informações 
repassadas para os projetistas. Para isso, foi 
organizado um banco de dados que com outros 
já existentes poderá colaborar para o 
conhecimento e análise do solo goianiense, e 
gerar como produto novas recomendações para 
os ensaios. 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A autora agradece ao professor Arlam Carneiro 
Silva Júnior, pelo tempo dedicado no 
crescimento desta pesquisa, e incentivo. À 
instituição de ensino Pontifícia Universidade 
Católica de Goiás, pelo apoio financeiro 
concedido durante a realização desta. E às 
empresas e profissionais que forneceram os 
relatórios de sondagem de simples 
reconhecimento – SPT, para as devidas análises. 
 
REFERÊNCIAS 
 
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. 
(2001) NBR 6484: Solo – Sondagens de simples 
reconhecimento com spt - métodos de ensaio. Rio de 
Janeiro, RJ, 17p. 
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. 
(1983) NBR 8036: Programação de sondagens de 
simples reconhecimento dos solos para fundações de 
edifícios. Rio de Janeiro, RJ, 03p. 
Berberian, Dickran. (2005) Sondagens e ensaios in sito 
para engenharia. 6ª Ed. Revisada. São Paulo: 
Infrasolo. Vol. 1. 
Cavalcante, Erinaldo Hilário; Danziger, F. A. B.; 
Danziger, Bernadete Ragoni. (2006) O SPT e alguns 
desvios da norma praticados no Brasil. In: XIII 
Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e 
Engenharia Geotécnica, XIII COBRAMSEG, 
Curitiba. Anais do XIII Cobramseg. Vol. 2, p. 583-
588 
Décourt, L.; Quaresma, A. R. (1982) Como calcular 
(rapidamente) a capacidade de carga limite de uma 
estaca. Construção, São Paulo, revista semanal, nº 
1800, separata de 9 de agosto de 1982. 
Milititsky, J.; Schnaid, F. (1996) Avaliação crítica do uso 
do SPT em fundações. III Seminário de Engenharia 
de Fundações Especiais e Geotecnia. Vol 2, p. 169-
182. 
Quaresma, A.R.; Decourt, L.; Quaresma Filho, A.R.; 
Almeida, M.S.S.; Danziger, F. (1998) Investigações 
geotécnicas. In: Hachich, W.; Falconi, F.F.; Saes, J.L.; 
Frota, R.G.Q.; Carvalho, C.S.; Niyama, S. Fundações 
teoria e prática. Sao Paulo: Pini, p. 119-162. 
Schnaid, F. (2000). Ensaios de campo e suas aplicações 
na engenharia de fundações. Oficina de Textos. 189 
p.

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