Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DIREITO CONSTITUCIONAL
Parte II
Módulo III
TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
(visão sistêmica)
Categoria de direitos
- Humana – PH – pessoa humana direitos individuais
PESSOA 
(dimensões)- Política – PP – pessoa política direitos políticos
O homem é um ser político. Num estado democrático, o cidadão participa do processo político, basicamente escolhendo seus governantes ou sendo escolhido como mandatário político.
- Social – PS – pessoa social direitos sociais
	“LIBERDADES”
	MODELO DE ESTADO
	IMPÕE AO ESTADO DEVER DE...
	
	Liberdades clássicas, negativas (pelo dever de abstenção imposto ao Estado) ou formais (folha de papel) (PH) (PP)
Isonomia formal
	Estado liberal clássico (“laissezfaire...”)
	Este modelo impõe ao Estado o dever de abstenção. O estado se abstém de qualquer tipo de intervenção.
	Estado aparelhado é mero espectador da atividade social e econômica. Ele não intervém, apenas observa o que está acontecendo, garantido apenas os direitos das pessoas (que já os titularizavam).
	Liberdades concretas, positivas ou reais (Constitucionalismo social).
Isonomia material 
	Estado intervencionista (Estado “providência) (“Welfarestate”)
	Prestação positiva
	Constituição Alemã da República de Weimar (1919) – marco constitucional – consagra nova categoria de direito ligados a participação do homem na vida econômica e social. CONSTITUCIONALISMO SOCIAL: se caracteriza pela constitucionalização dos direitos sociais e surgimento de novo modelo de estado que passa a ter dever de intervir no processo econômico e social para tentar diminuir a diferença social (intervenção em favor do hipossuficiente).
A CF/88, em seu TÍTULO II, classifica o gênero direitos e garantias fundamentais em importantes grupos:
Direitos e deveres individuais e coletivos;
Direitos sociais;
Direitos de nacionalidade;
Direitos políticos;
Partidos políticos;
GERAÇÕES
KarelVašak propõe que haveria “gerações” de direitos – porque os direitos fundamentais, naquelas 3 concepções, não apareceram todos no mesmo momento histórico. 
LIBERDADE1ª GERAÇÃO
Liberdades clássicas – direitos civis e políticos. 
(final do século XVIII)
Os direitos humanos de 1ª geração marcam a passagem de um Estado autoritário para um Estado de Direito e, nesse contexto, o respeito às liberdades individuais, os quais dizem respeito às liberdades públicas e ais direitos políticos, ou seja, direitos civis e políticos a traduzir o valor da liberdade.
“Os direitos de primeira geração ou direitos de liberdade têm por titular o indivíduo, são oponíveis ao Estado, traduzem-se como faculdades ou atributos da pessoa e ostentam um subjetividade que é seu traço mais característico; enfim, são direitos de resistência ou de oposição perante o Estado”.
Textos básicos:
- Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão – 1789
- Declaração Universal dos Direitos do Homem – ONU – 1948
- Pacto internacional dos Direitos Civis e Políticos – ONU – 1966 (assinado) /1992 (aprovado pelo congresso)
- Convenção americana sobre Direitos Humanos – 1969 (assinado) /1992 (promulgado) (OEA)
IGUALDADE2ª GERAÇÃO
Direitos sociais (lato sensu)
A partir de 1919 (século XIX) - Revolução industrial Europeia.
Essa perspectiva de evidenciação dos direitos sociais, culturais e econômicos, nem como dos direitos coletivos, ou de coletividade, correspondendo aos direitos de igualdade (substancial, real e material e não meramente formal) mostra-se marcante em alguns documentos, destacando-se: 
Textos básicos:
- Constituição do México, de 1917;
- Constituição de Weimar, de 1919, na Alemanha, conhecida como a Constituição da primeira república alemã;
- Tratado de Versalhes, 1919 (OIT);
- No Brasil, a Constituição de 1934;
- Pacto internacional sobre Direitos Econômicos Sociais e Culturais (ONU) – 1966-1992
FRATERNIDADE3ª GERAÇÃO
Direitos de formulação coletiva ou difusa
(fundados na solidariedade).
Os direitos fundamentais da 3ª geração são marcados pela alteração da sociedade por profundas mudanças na comunidade internacional (sociedade de massa, crescente desenvolvimento tecnológico e cientifica), identificando-se profundas alterações nas relações econômico-sociais.
Novos problemas e preocupações mundiais surgem, tais como a necessária noção de preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores. O ser humano é inserido em uma coletividade e passa a ter direitos de solidariedade ou fraternidade.
Os direitos de 3ª geração são direitos transindividuais que transcendem os interesses do indivíduo e passam a se preocupar com a proteção do gênero humano, com altíssimo teor de humanismo e universalidade.
ACRÉSCIMO: 
4ª GERAÇÃO
Surge a partir de Norberto Bobbio – Acesso universal ao uso de novas tecnologias ligadas a engenharia genética.
- Avanços da engenharia genética – fertilização in vitro
- Direito fundamental à busca da identidade genética
- STF – relativização da coisa julgada – RE 363.889 direito fundamental a busca da identidade genética. 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE DECLARADA EXTINTA, COM FUNDAMENTO EM COISA JULGADA, EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE ANTERIOR DEMANDA EM QUE NÃO FOI POSSÍVEL A REALIZAÇÃO DE EXAME DE DNA, POR SER O AUTOR BENEFICÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA E POR NÃO TER O ESTADO PROVIDENCIADO A SUA REALIZAÇÃO. REPROPOSITURA DA AÇÃO. POSSIBILIDADE, EM RESPEITO À PREVALÊNCIA DO DIREITO FUNDAMENTAL À BUSCA DA IDENTIDADE GENÉTICA DO SER, COMO EMANAÇÃO DE SEU DIREITO DE PERSONALIDADE. 1. É dotada de repercussão geral a matéria atinente à possibilidade da repropositura de ação de investigação de paternidade, quando anterior demanda idêntica, entre as mesmas partes, foi julgada improcedente, por falta de provas, em razão da parte interessada não dispor de condições econômicas para realizar o exame de DNA e o Estado não ter custeado a produção dessa prova. 2. Deve ser relativizada a coisa julgada estabelecida em ações de investigação de paternidade em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético a unir as partes, em decorrência da não realização do exame de DNA, meio de prova que pode fornecer segurança quase absoluta quanto à existência de tal vínculo. 3. Não devem ser impostos óbices de natureza processual ao exercício do direito fundamental à busca da identidade genética, como natural emanação do direito de personalidade de um ser, de forma a tornar-se igualmente efetivo o direito à igualdade entre os filhos, inclusive de qualificações, bem assim o princípio da paternidade responsável. 4. Hipótese em que não há disputa de paternidade de cunho biológico, em confronto com outra, de cunho afetivo. Busca-se o reconhecimento de paternidade com relação a pessoa identificada. 5. Recursos extraordinários conhecidos e providos.
	
Aqui, atualmente, inclui-se o direito a inclusão digital (acesso universal as tecnologias ligadas à comunicação de dados – internet, etc.).
OBS.: “DIMENSÕES” e não “GERAÇÕES” porque uma não substitui a outra; – Há atual preferência doutrinária sobre a expressão “dimensões” ao invés de “gerações”, no sentido de que uma nova “dimensão”não abandonaria as conquistas da dimensão anterior e, assim, a expressão se mostraria mais adequada nesse snentido de proibição de evolução reacionária.
1ª Dimensão – Direito à vida
2ª Dimensão – Direito à existência digna (saúde, assistência social, dignidade do trabalho, lazer, etc.)
3ª Dimensão – Direito a viver e um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
DISPOSIÇÃO DOS TEMAS NO TITULO II
1- Ordenação lógica – tratou no titulo 2º em capítulos próprios destas 3 projeções (sistematizou no titulo 2º estas dimensões dos direitos fundamentais).
2- Anteposição dos direitos fundamentais das pessoas às regras de organização do estadoe dos poderes.
DIREITOS X GARANTIAS
O que são direitos e o que são garantias na concepção de Rui Barbosa?
“DIREITOS” – Disposições declaratórias (imprimir existência) Disposições que imprimem existência estes direitos.
“GARANTIAS” – “Elementos assecuratórios” (sistema de proteção dos direitos) Que garante/defende os direitos antes declarados, limitam o poder.
MODELOS básicos do sistema do art. 5º:
1º modelo: Direitos e Garantias juntos no mesmo inciso
Ex.: IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
- Liberdade de criação artística (declaratório do direito)
- Proibição de censura (garantia)
Ex.2: XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;  
- casa asilo inviolável (declaração do direito)
- proibição de entrar... (garantia)
2º modelo: O direito é enunciado em um inciso e suas garantias, como elementos assecuratórios se encontram em outros incisos (em incisos separados):
DIREITO: 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
GARANTIA: LXII = CPP 306
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
GARANTIA: LXV = CPP 310, I
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
• DIREITOS – Declaratórias – inciso 61
• GARANTIAS – Assecuratórias – incisos 62 / 65 CPP, 306 / CPP, 310, I
• REMÉDIOS – (“Ações constitucionais”) – instrumentos processuais 
HC (68)
MS (69)
-------------- Mandando de SegurançaColetivo (70)
Ação Popular (73)
Direito de Petição (34,a)
--------------
Mandado de Injução – (71) – (mandado de injunção coletivo) – Lei 13.300 23-06-2016*
Habeas Data – (72)
• MANDADOS CONSTITUCIONAIS DE CRIMINALIZAÇÃO
Quando a garantia se torna inoperante, só resta a utilização de um remédio constitucional (expressão doutrinaria para o restabelecimento do direito ilegalmente restringido). Os remédios constitucionais ou ações constitucionais são tecnicamente instrumentos processuais, instrumentos de ativação jurisdicional de um direito restringido ou na iminência de o ser. Todos eles estão previstos em incisos do art. 5º, o que significa dizer que encontramos na enunciação de todos os incisos do art. 5º direitos, garantias e remédios. Os remédios clássicos são: os que havia antes de 88 (em preto) e os que foram introduzidos pela CF/88 (vermelho). 
G
arantias
 formais (“garantias”)
G
arantias
 instrumentais (“remédios”)A expressa “remédios” é doutrinaria (não está no texto constitucional); no texto da CF a expressa garantias está sendo usada em sentido lato, pois garantia na CF envolve as garantias estrito sensu ou formais (elementos assecuratórios) e por outro lado temos os remédios (garantias instrumentais) que correspondem na doutrina os remédios. 
“
Garantias
”
Latosensu
DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS (DDIC)
Art. 5º caput:
Vida
liberdade (lato senso)
igualdade
segurança
propriedade
O art. 5º, no caput, dá extraordinária valia a um principio constitucional: principio da isonomia formal e material (tratamento igualitário das pessoas perante a lei e acesso ao direito). Nosso sistema constitucional se sustenta em duas pilastras: principio federativo (no âmbito organizacional) e o principio da igualdade (isonomia).
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
Quem são os DESTINATÁRIOS destes direito/garantias? Não só as pessoas físicas; também pessoas jurídicas, ou mesmo entidades ou complexos patrimoniais sem personalidade jurídica (ex.: espólio, massa falida...). Portanto, os destinatários – conceito amplo – não fica restrito as pessoas físicas, embora se fale em direitos individuais e coletivos.
....garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País... (interpretação?)
Ex.: atleta que esteja no Brasil p/ participar das olimpíadas (não é residente) e sofra prisão ilegal. Posso impetrar habeas corpus em seu favor? SIM. Mas o caput do art. 5º se refere a estrangeiro residente no Brasil. Esqueça o que está escrito aqui, pois embora sejam palavras da CF, na verdade, a forma como está escrito não está correto, pois o qualificativo “residente no país” não se liga a estrangeiro, e se reporta ao sujeito composto, “brasileiro e estrangeiros”, de sentido de que (interpretação teleológica – no sentido da norma) quando se fala residente no país, o que reside no pais é o direito, não o brasileiro ou estrangeiro a exercitabilidade do direito do brasileiro ou estrangeiro nos limites de nossa soberania. 
STF – (decisão de 1957 – CF 1946) – direitos exercitáveis nos limites da nossa soberania.
STF – recente decisão – A interpretação não pode ser literal. “Residentes” não é elemento normativo em si mesmo, mas “ponto para a delimitação da aplicação da constituição.” (“sistema internacional de proteção dos D.H.).
LIBERDADES DE AÇÃO (expressão doutrinária)
- INDIVIDUAL : direito exercitável individualmente. 
- COLETIVA: a liberdade de ação coletiva corresponde a um direito enunciado no art. 5º que não tem condições lógicas de ser exercitado individualmente, senão coletivamente. Ex.: liberdade de associação; direito de reunião. 
►PERGUNTA MAGISTRATURA: Há inúmeros incisos no art. 5º, como p. ex.: liberdade de expressão de pensamento, que não pode ser SUPRIMIDA por EC. No entanto, este rol pode ser ALTERADO; não posso suprimir, mas posso aumentar ou restringir eventual exceção que seja posta no texto constitucional. 
► 4ª CATEGORIA: MANDADOS CONSTITUCIONAIS DE CRIMINALIZAÇÃO
Ordens do constituinte para que o legislador criminalize, e imponha certo rigor, a determinadas condutas que violem direitos relevantes.
Exs.:
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;SEGURANÇA
 XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;    
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
Art. 7º, X - X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
Art. 227, §4º - § 4º A lei punirá SEVERAMENTE o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.
STF: “Significativo elenco” de mandados constitucionais de criminalização. 
Obrigatoriedade de o legislativo criminalizar condutas que ofendem determinados bens ou valores relevantes. 
Assim, os direitos e garantias fundamentais não podem ser considerados apenas como “proibições de intervenção” (função garantia da CF / elementos limitativos), mas expressam também um “postulado de proteção” do indivíduo no plano da segurança pessoal. 
Observância do princípio da proporcionalidade/razoabilidade, que impõe tanto proibição do excesso, como proibição da proteção insuficiente. 
Mandado de criminalização impõe ao legislador um certo rigor - 42 / “severamente” – 227, §4º (proibição da proteção insuficiente).Explícitos (exemplos acima)
Implícitos – XI – II – D
i
reito Penal sancionador
MCR
NATUREZA DO ROL DE DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS DO ART. 5º
Art. 5º ...
Inc. I
LXXVIII + EC 45/2004
§ 1º 
§ 2º - “norma de encerramento”
(recurso de técnica legislativa) - ao encerrar a enumeração a própria norma de encerramento diz ser desta ou daquela natureza.
► Parágrafo 2º: 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Os direito e garantias expressos não excluem outros que sejam decorrentes: 
- Do regime constitucional
- Dos princípios adotados ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte (redação original 88, antes não havia a parte final).
Logo, existem em nosso sistema, direitos e garantias de status constitucional expresso e implícito (com status constitucional, de tal maneira que sua violação importará em uma inconstitucionalidade).
expressos (explícito)
implícitos (“liberdade
s decorrentes ou residuais”)
Direitos e garantiasconstitucionais
Logo, trata-se de enumeração exemplificativa pela “norma de encerramento”. (modelo: 9ª emenda a const. EUA).
EMENDA IX, CF EUA   
A enumeração de certos direitos na Constituição não poderá ser interpretada como negando ou coibindo outros direitos inerentes ao povo.
Essa parte final do §2º tem explicação histórica:
Havia ao tempo da ditadura militar lei que enumeravam casos, além dos previstosna Constituição, de inelegibilidade, e este dispositivo dizia que pessoa que havia sido condenada ou estava sendo condenada, com o simples fato do recebimento da denúncia, importava em sua inelegibilidade. 
LC 5/70 – Art. 10, I, n X Princípio do estado de inocência*. 
*Norma de tratado (art. XI da DUDH como ferramenta para identificar, na constituição, o poder como decorrente de outros (ampla defesa, p. ex.).
Caso concreto em que sujeito teve candidatura negada diante da existência de processo em seu desfavor. Indignado, ajuizou ação para possibilitar sua candidatura, alegando a inconstitucionalidade desta lei. Perante a constituição da época, não estava como expresso o princípio da presunção de inocência, o que, no entanto, alegou ser um princípio constitucional implícito e face dos regimes e princípios que ela adota. Assim, diante do princípio da ampla defesa (expresso), valeu-se do tratado (Declaração Universal dos Direitos do Homem) do qual o Brasil já era signatário, como se fosse uma ferramenta para identificar na CF o princípio do estado de inocência como principio constitucional implícito. Portanto, teria a partir dai o padrão para alegar a inconstitucionalidade.
Artigo 11.º.
Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume–se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
TRE não reconheceu. Recorreu ao TSE, que se reúne e decidem 3 x 3. Presidente desempata e vota 4 x 3 pela inconstitucionalidade. Ou seja, TSE reconheceu a existência como principio implícito. Levado ao STF, que por 7X4 e cassou a decisão do TSE, declarando a inelegibilidade (ou seja, não deu pela inconstitucionalidade).
Hoje, depois de 88, o princípio do estado de inocência é um principio expresso. Essa ideia do advogado de se valer do tratado como uma ferramenta p/ identificação na CF de direito e garantia implícitos veio para o texto constitucional: §2º, art. 5º - “...dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.
PRINCIPIOS IMPLICITOS
Todos, sem exceção,daqueles que tinham sido reconhecidos pelo STF, por esse longo e histórico período de consolidação como implícitos, foram explicitados (“constitucionalizados” expressamente). Hoje, porém, outros já foram reconhecidos e consagrados.
Exemplos de direitos e garantias implícitos (ou decorrentes) reconhecidos/consagrados na CF/88 (tem status constitucional e se lei ordinária os contradisser será tida como inconstitucional):
1) “NEMO TENETUR SE DETEGERE” (Ninguém pode ser obrigado a se revelar)
Existe em nossa CF um direito expresso: Direito ao “silêncio” – “direito de o preso permanecer calado” – expresso no inc. LXIII 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
“Esse privilégio contra a autoincriminação traduz o direito público subjetivo assegurado, em verdade, não só ao preso, mas a qualquer pessoa, que, na condição de indiciado ou de réu, deva prestar depoimento perante órgãos do Poder Legislativo (sendo plenamente invocável perante as comissões parlamentares de inquérito), do Poder Executivo ou do Poder Judiciário.
Ou seja, o direito ao silencio é expresso em relação ao acusado preso. Porém, esse dispositivo sofreu processo de interpretação extensiva. Num primeiro momento, por interpretação lógica: se o acusado preso tem este direito, porque não tem este direito o acusado solto? O problema é que a partir de determinado momento o STF estava garantindo o direito às pessoasde modo a dar interpretação a esta redação de forma extremamente extensiva, transformando tecnicamenteo direito de permanecer calado no privilegio contra auto-incriminação. 
Extensão:
a) Lógica: Assegurado ao acusado “solto”...
b) STF: “privilégio contra a autoincriminação”- insere-se no alcance concreto da cláusula do devido processo legal 
Se à acusação que compete provar a culpa do acusado, não cabe a este, de nenhuma forma, colaborar de qualquer maneira para produzir prova contra si próprio (extensão inserida no alcance da cláusula do devido processo legal).
Essa orientação do STF contraria de forma absoluta o instituto na própria origem (tratava-se de situação restrita) (inclusive o pacto de são Jose da Costa Rica). A origem do direito de permanecer calado é da 5ª emenda da constituição americana: 
(...) “nem ser obrigado em qualquer processo criminal a servir de testemunha contra si mesmo;” (...)
Para oPacto de San Jose da Costa Rica – art. 8º, n. 2, alínea g (limite na origem):
2.      Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa.  Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:
(...)
g.        direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada;
Diante desta interpretação extensiva feita pelo STF, acabou por criar um “privilégio” à redação original do art. 186, CPP (posteriormente alterada pela lei 10.792/2003)
Art. 186(redação original).  Antes de iniciar o interrogatório, o juiz observará ao réu que, embora não esteja obrigado a responder às perguntas que Ihe forem formuladas, o seu silêncio poderá ser interpretado em prejuízo da própria defesa.
Art. 186(redação alterada). Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas.        (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa.        (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
Absurdo diante da imposição desta interpretação: redação do art. 306 CTN (Lei 11705/2008) ...aplicação da lei condicionada à vontade do motorista...??? Ministro: Marco Aurélio Belizze (voto explicita o absurdo da redação original desta lei):
“Quanto ao direito de não se autoincriminar (ninguém está obrigado a produzir provas contra si), Bellizze observou que em nenhum outro lugar ele ganhou contornos tão rígidos como no sistema nacional. Para o ministro, a interpretação de tal garantia tem sido feita de maneira ampliada. Nem mesmo em países de sistemasjurídicos avançados e com tradição de respeito aos direitos humanos e ao devido processo legal, como nos Estados Unidos, a submissão do condutor ao exame de alcoolemia é considerada ofensiva ao princípio da não autoincriminação. 
Quanto ao ônus da prova afirmou que se “trata-se de um exame pericial de resultado incerto. O estado tem o ônus de provar o crime, não se lhe pode negar meios mínimos de fazê-lo”, asseverou. “Condicionar a aplicação da lei à vontade do motorista é interpretação que leva ao absurdo”, emendou. 
Situação alterada pela Lei 12.971/2014 que dispôs no § 2o  que a verificação da capacidade psicomotora alterada poderá ser obtida além de mediante teste de alcoolemia ou toxicológico, por exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos, observado o direito à contraprova.   
Em contrapartida, o Congresso Nacional tem tido atuação legislativa no sentido de certa forma a contrapor esta orientação do STF:
Presunção de paternidade (Lei 12.004/2009 e súmula 301 STJ) (presunção juris tantum = relativa);
Identificado perfil genético (Lei 12.654/2012) – O STF vai decidir sobre a constitucionalidade no RE 973.837 (repercussão geral em 27/06/2016).
Alguns tribunais (MG) já declararam esta norma inconstitucional (de forma errônea, uma vez foi declara pela 5ª câmara, desrespeitando ao principio do pleno - SV 10). Por via de exceção chegou a STF (RE), que reconheceu a repercussão geral.
(A suprema corte dos EUA decidiu essa questão, por sua constitucionalidade, em fev/2016).
	ATENÇÃO (acompanhar julgamento):
NEMO TENETUR SE DETEGERE Art. 305 CTB
06/08/16 – RE 971.959- PLENÁRIO VIRTUAL - Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada.  
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=971959&classe=RE&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M
Existe um questionamento em alguns tribunais, que já declaram a inconstitucionalidade do art. 305 do CTB, que estabelece a figura típica: 
Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
No caso discutido nos autos, um condutor fugiu do local em que colidiu com outro veículo e foi condenado, com base no artigo 305 do CTB, a 8 meses de detenção, pena substituída por restritiva de direitos. Em recurso, o TJ/RS decidiu pela absolvição, sob o entendimento de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si.
Segundo o acórdão, o dispositivo do CTB é inconstitucional, pois a simples presença no local do acidente representaria violação da garantia de não autoincriminação, prevista no artigo 5º, inciso LXIII, da CF. Na decisão ficou ressalvado que a não permanência, no caso dos autos, não representou omissão de socorro, prevista no artigo 304 do Código de Trânsito.
O MP estadual interpôs recurso extraordinário argumentando que o dispositivo constitucional não representa obstáculo à imputação do crime de fuga, pois os direitos à não autoincriminação e ao silêncio permaneciam incólumes.
Sustenta que a permanência do condutor no local em que ocorreu o acidente não se confunde com confissão de autoria ou reconhecimento de culpa, mas visa proteger a administração da justiça, já que é determinante para a apuração dos fatos e identificação dos envolvidos. Destaca, ainda, o dever de cidadania de prestar auxílio a quem porventura venha a ser injuriado por ocasião de um acidente.
*Já havia ADC 35. 
2) “NON BIS IN IDEM”
Origem: 5ª emenda EUA – ninguém poderá pelo mesmo crime ser duas vezes ameaçado em sua vida ou saúde; (o mesmo fato não pode ser tomado duas vezes em desfavor do acusado). 
O principio impede a dupla valoração negativa do mesmo fato. 
Reconhecimento do principio pelo STF - Pacto de San Jose da Costa Rica (Art. 8º, 4) e principio da legalidade penal (XXXIX):
4.     O acusado absolvido por sentença passada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos.
Lei de Crimes Hediondos
“(...) a polêmica se concentra na possibilidade de incidência ou não da causa de aumento de pena descrita no art. 9°, da lei 8.072/90. Alguns doutrinadores, entendiam que a causa de aumento de pena prevista na lei de crimes hediondos representaria um bis in idem, pois serviria como elementar do tipo penal e posteriormente como causa de aumento de pena. Os tribunais, principalmente, o STF entendia no sentido de não haver a duplicidade, pois elementar do tipo penal e circunstância de causa de aumento de pena tem natureza jurídica distintas.
Atualmente, como a nova lei revogou o art. 224, do CP, não haverá mais necessidade de permanecer a discussão, não havendo incidência da causa de aumento de pena descrita no art. 9°, da lei 8.072/90.”
Lei 11.343/2006, art. 42 – dosimetria da pena e quantidade de droga:
- Circunstancia judicial (1ª fase) – art. 42
- Causa especial de diminuição de pena - §4º do art. 33
Art. 42.  O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.
Art. 33, § 4o  Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.
Não pode tomar duas vezes a quantidade da droga 2 vezes: ou aplica na 1ª fase ou na 3ª.
Quanto à aplicação da reincidência como agravante: 
O STF já apreciou a questão da reincidência e a norma do CPP foi recepcionado.
STF – RE453000 – “é constitucional a aplicação da reincidência como agravante em processo criminal. Não viola o non bis in idem porque não alcança o delito pretérito, mas o novo ilícito. 
3) PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO (?)
	►Existência do principio no cível
	►Existência do principio no penal
	
Há duas correntes:
A) SIM – Decorrente DPL (LIV) e “recursos” (LV).
B) NÃO – Vigora no sistema, mas “não como postulado constitucionalmente consagrado”, razão por que “o legislador pode derrogá-lo em hipóteses especiais”.
Art. 34, Lei 6830/80 – só embargos ao mesmo juiz...
1991 – c/ fundamento em F. Manoel
2011 – reiterado – validade da opção legislativa sem qualquer referencia, no acórdão, como sendo fundada na razoabilidade. 
	
Evolução STF
A) NÃO há garantia constitucional (2001);
B) Hoje: “O direito ao duplo grau de jurisdição integra o sistema pátrio de Direitos e Garantias Fundamentais” (decorrente – ampla defesa / recursos).
Convenção Americana de Direitos Humanos – art. 8º, 2, h - “Direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior”.
Como conciliar com a competência originaria (julgamento único)?
	Este art. dispõe que se o valor da causa for ate 50 ORTN (um pouco mais de R$2000,00, julgada a ação o juiz rejeitando os embargos, a parte vai querer recorrer mas este art diz que cabe recurso, mas é ao próprio juiz (não é a uma instancia superior = embargos infringentes ao mesmo juiz). Portanto, este dispositivo impede aceso à superior instancia. 
Esta questão chegou em 1991 ao STF, o qual decidiu que o art. 34 tinha sido recepcionado peloa CF/88, fundamentando pela lição de Frederico marques p/ dizer que não existe constitucionalmente o princ do duplo grau de jurisdição. 
As duas ultimas decisões que enfrentaram esta questão (2009 e 2011) manteve sua jurisprudência, dizendo que o art. 34 da lei foi recepcionado e que não houve revogação tácita deste dispositivo por colidência do principio do duplo grau.
Assim, reiterou que no cível não há o principio do duplo grau de jurisdição.
	STF naqueles casos em que admitiu embargos em razão de 4 votos vencidos claramente tomoudecisão política: criou fato p/ dizer que houve segundo julgamento (mesmo que pelo mesmo órgão).
STF: quando julgou a questão do depositário infiel, 
4) MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO: reconhecido como instrumento constitucional implícito.
5) PRNCÍPIO DA RAZOABILIDADE / PROPORCIONALIDADE
Ex.: É criada lei criminalizando a conduta de fumar em local proibido, impondo pena de reclusão de 6 a 20 anos.
“Não parece razoável que alguémpelos simples fato de fumar em local proibido sofra pena de reclusão de 6 anos; além disso,a pena em abstrato deste delito é a mesma do delito de homicídio. Assim, além de não ser razoável, não parece proporcional.”esta lei seria inconstitucional.
	RAZOABILIDADE
	PROPORCIONALIDADE
	- Origem: no conceito de Devido Processo Legalsubstantivo / material do direito norte-americano(não basta assegurar no processo amplitude da defesa – devido processo legal objetivo / formal, tem que verificar antes se a lei que prevê a conduta criminosa tida por violada é ou não na sua concepção razoável).
- Desenvolvimento: Por meio de precedentes sucessivos (commun Law), sem preocupação de sistematização do Devido Processo Legal – duas fases sucessivas, não excludentes:
a) Estritamente processual (regularidade ‘do processo’);
b) Devido processo legal substantivo (regularidade da lei) – possibilitar o controle do arbítrio do legislador pela exigência da razoabilidade da lei (proibição do excesso): logo, é instrumento para a aferição da própria constitucionalidade da lei – princípio constitucional implícito, decorrente do principio explicito da cláusula do Devido Processo Legal.
	- Origem: na Alemanha, como mecanismo de controle da discricionariedade dos atos administrativos do Poder Público.
- Desenvolvimento: dogmático; 
Principio inerente ao Estado de direito (art. 1º caput e 5º §2º).
Apesar de sua origem distinta, os dois princípios se fundamentam nos mesmos “valores subjacentes – a ideia de justiça como valor supremo inerente a todo o ordenamento jurídico – “justa medida, “bom senso”- revelando equilíbrio, ponderação, etc. 
A tal ponto que a doutrina moderna afirma: “os conceitos são próximos o suficiente para serem intercambiáveis” princípio da proporcionalidade razoável
Luiz Roberto Barroso o princípio é “mais fácil de ser sentido do que ser conceituado”...
STF: vem afirmando a existência deste principio como coeficiente de constitucionalidade.
A doutrina reconhece que o princípio da proporcionalidade é constituído de 3 subprincípios ou elementos:
Adequação (idoneidade / pertinência): o meio escolhido há de ser apto a atingir o objetivo pretendido.
Necessidade (exigibilidade): só será válida a restrição de direito se não for possível adotar outra medida menos restritiva que seja capaz de atingir o mesmo objetivo, de alcançar o mesmo resultado.
Proporcionalidade em sentido estrito: juízo exercido somente depois de verificada a adequação e necessidade da medida restritiva de direito. Confirmada a configuração dos dois primeiros elementos, cabe averiguar se os resultados positivos obtidos superam as desvantagens decorrentes da restrição a um ou a outro direito. Traduz a exigência de que haja um equilíbrio, uma relação ponderada entre o grau de restrição e o grau de realização do princípio contraposto. 
“O STF já deixou assente que o principio da proporcionalidade (da razoabilidade ou da proibição do excesso) tem sua sede material no princípio do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV), considerado em sua acepção substantiva, não meramente formal. Assim, segundo o entendimento da Corte, dentro da perspectiva de um Estado Democrático de Direito, no qual todas as leis têm que ir ao encontro dos anseios do povo, o princípio do devido processo legalnão se limita a assegurar a observância do processo na forma descrita na lei, mas impede também a permanência no ordenamento de leis desprovidas de razoabilidade.
O STF tem dado aplicação, em reiteradas decisões no âmbito do controle de constitucionalidade das leis, ao princípio constitucional da razoabilidade. Embora haja referência à sua utilização para realização do controle de atos executivos e jurisdicionais, tem a Suprema Corte utilizado o postulado da proporcionalidade principalmente como parâmetro para aferição da constitucionalidade de leis, pronunciado a inconstitucionalidade daquelas que contêm limitações inadequadas, desnecessárias ou desproporcionais.”
APLICABILIDADE IMEDIATA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS - ARTIGO 5º, §1º, CF
As normas definidoras dos Direitos e Garantias Fundamentais têm aplicação imediata.
Porém, há normas constitucionais relativas a direitos e garantias fundamentais que não são autoaplicáveis, isto é, que carecem de regulamentação para a produção de seus integrais efeitos (eficácia limitada). - “Densidade normativa baixa”. Exemplos:
Art. 7º, XI – “na forma da lei” – normas prevendo de forma programática a efetivação do direito.
Mesmo no art. 5º - inc. XXVIII
Crítica inicial: 
a) Formal (de técnica legislativa): há direitos e garantias fundamentais (gênero) e sua divisão em 3 espécies. E onde ela estaria incluída, uma vez que se trata de regra de parágrafo? Fosse a intenção do legislador a aplicação dessa regra a todos (gênero), deveria ser uma regra disposta ao final do titulo, aplicável a todos os capítulos; portanto houve um erro de técnica, mas que pela redação não restam dúvida da intenção de abarcar todos os direito e garantias fundamentais.
b) Substantiva – “o constituinte rendeu-se aos encantos do positivismo normativista”(natureza das coisas? É factível?) – Torquato Jerdim. – mistura de imediatidade com integralidade.
A norma de eficácia plena é capaz de produzir de forma imediata a intergralidade de seus efeitos. A norma de eficácia limitada também é aplicada de forma imediata, mas a plenitude (integralidade) de seus efeitos só se alcança de forma mediata (a imediatidade ou mediatidade está na integralidade dos efeitos; a aplicabilidade em qualquer caso é imediata). 
INTERPRETAÇÃO ATUAL
Todas têm aplicação imediata (como, aliás, todas as normas constitucionais) – porém algumas não produzem todos os efeitos de forma integral (depende de complemento do legislador).
Sentido do §1º: ainda que não tenha produção de efeitos integrais por si, a integralidade poderá ser alcançada por meio de um “remédio”, previsto em inciso do próprio art. 5º, qual seja, o Mandado de Injunção (conclusão possível após o STF ter alterado a sua jurisprudência, passando a conferir efeito concreto às decisões concessivas da injunção). 
*Natureza jurídica da sentença do mandado de injunção corrente concretista: o Mandado de Injunção assegura concretamente ao impetrante ao exercício de norma de eficácia limitada. 
Leitura correta do §1º, do artigo 5º, da CF:
As normas definidoras dos Direitos e Garantias Fundamentais têm aplicação imediata integral.
ou por si, se plenas;
ou não plenas, por meio do mandado de injunção;
*Natureza jurídica da sentença do MI – Dizer o Direito
	CORRENTE CONCRETISTA
Para esta corrente, o Poder Judiciário, ao julgar procedente o mandado de injunção e reconhecer que existe a omissão do Poder Público, deverá editar a norma que está faltando ou determinar que seja aplicada, ao caso concreto, uma já existente para outras situações análogas.
É assim chamada porque o Poder Judiciário irá "concretizar" uma norma que será utilizada a fim de viabilizar o direito, liberdade ou prerrogativa que estava inviabilizada pela falta de regulamentação.
I – Quanto à necessidade ou não de concessão de prazo para o impetrado, a posição concretista pode ser dividida em:
a) Corrente concretista direta: o Judiciário deverá implementar uma solução para viabilizar o direito do autor e isso deverá ocorrer imediatamente (diretamente), não sendo necessária nenhuma outra providência, a não ser a publicação do dispositivo da decisão.
b) Corrente concretista intermediária: ao julgar procedente o mandado de injunção, o Judiciário, antes de viabilizar odireito, deverá dar uma oportunidade ao órgão omisso para que este possa elaborar a norma regulamentadora. Assim, a decisão judicial fixa um prazo para que o Poder, órgão, entidade ou autoridade edite a norma que está faltando.
Caso esta determinação não seja cumprida no prazo estipulado, aí sim o Poder Judiciário poderá viabilizar o direito, liberdade ou prerrogativa.
II – Quanto às pessoas atingidas pela decisão, a corrente concretista pode ser dividida em:
a) Corrente concretista individual: a solução "criada" pelo Poder Judiciário para sanar a omissão estatal valerá apenas para o autor do MI.
Ex: na corrente concretista intermediária individual, quando expirar o prazo, caso o impetrado não edite a norma faltante, a decisão judicial garantirá o direito, liberdade ou prerrogativa apenas ao impetrante.
b) Corrente concretista geral: a decisão que o Poder Judiciário der no mandado de injunção terá efeitos erga omnes e valerá para todas as demais pessoas que estiverem na mesma situação. Em outras palavras, o Judiciário irá "criar" uma saída que viabilize o direito, liberdade ou prerrogativa e esta solução valerá para todos.
Ex: na corrente concretista intermediária geral, quando expirar o prazo assinalado pelo órgão judiciário, se não houver o suprimento da mora, a decisão judicial irá garantir o direito, liberdade ou prerrogativa com eficáciaultra partes ou erga omnes.
POSIÇÃO ADOTADA NO DIREITO BRASILEIRO
Qual é a posição adotada pelo STF?
A Corte inicialmente consagrou a corrente não-concretista. No entanto, em 2007 houve um overruling (superação do entendimento jurisprudencial anterior) e o STF adotou a corrente concretista direta geral (STF. Plenário. MI 708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/10/2007).
A Lei nº 13.300/2016 tratou sobre o tema?
SIM. Aumentando a polêmica em torno do assunto, a Lei nº 13.300/2016 determina, como regra, a aplicação da corrente concretista individual intermediária. Acompanhe:
Primeira providência é fixar prazo para sanar a omissão:
Se o juiz ou Tribunal reconhecer o estado de mora legislativa, será deferida a injunção (= ordem, imposição) para que o impetrado edite a norma regulamentadora dentro de um prazo razoável estipulado pelo julgador.
Segunda etapa, caso o impetrado não supra a omissão:
Se esgotar o prazo fixado e o impetrado não suprir a mora legislativa, o juiz ou Tribunal deverá:
• estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados; ou
• se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los.
Exceção em que a primeira providência poderá ser dispensada:
O juiz ou Tribunal não precisará adotar a primeira providência (fixar prazo) e já poderá passar direto para a segunda etapa, estabelecendo as condições, caso fique comprovado que já houve outro(s) mandado(s) de injunção contra o impetrado e que ele deixou de suprir a omissão no prazo que foi assinalado nas ações anteriores.
Em outras palavras, se já foram concedidos outros mandados de injunção tratando sobre o mesmo tema e o impetrado não editou a norma no prazo fixado, não há razão lógica para estipular novo prazo, devendo o juiz ou Tribunal, desde logo, estabelecer as condições para o exercício do direito ou para que o interessado possa promover a ação própria.
Em suma:
Desse modo, em regra, a Lei nº 13.300/2016 determina a adoção da corrente concretista intermediária (art. 8º, I). Caso o prazo para a edição da norma já tenha sido dado em outros mandados de injunção anteriormente propostos por outros autores, o Poder Judiciário poderá veicular uma decisão concretista direta (art. 8º, parágrafo único).
E quanto à eficácia subjetiva, a Lei nº 13.300/2016 adotou a corrente individual ou geral?
Em regra, a corrente individual.
• No mandado de injunção individual, em regra, a decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes (art. 9º).
• No mandado de injunção coletivo, em regra, a sentença fará coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos pelo impetrante (art. 13).
Excepcionalmente, será possível conferir eficácia ultra partes ou erga omnes
A Lei nº 13.300/2016 afirma que poderá ser conferida eficácia ultra partes ouerga omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração (art. 9º, § 1º).
Essa possibilidade se aplica tanto para o MI individual como para o coletivo (art. 13).
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
1- Universalidade – Declaração Universal dos Direitos do Homem, I e II
Indistintamente, a todos se protege. 
Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. 
Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Diante desta característica, também é admissívelafirmar ser possibilidade de impetração de HC em favor de um estrangeiro não residente no Brasil cuja liberdade de locomoção esteja sendo restringida, uma vez que os direitos fundamentais, dentre eles os remédios constitucionais, são de uso universal.
2- Relatividade – não se pode, aprioristicamente, afirmar que algum direito tenha caráter absoluto.
Se houver um conflito desta natureza e for possível a redução proporcional, ou seja, se puder ceder a parte de um e ao mesmo tempo ceder a parte de outro, fazendo redução proporcional dos dois, esta seria a melhor solução (conciliando os direitos que se encontram em conflito. Mas muitas vezes isso não é possível, caso em que haverá o prevalecimento de um direito sobre o outro. 
Ora, se nesse caso, houver o prevalecimento de um sobre o outro, o outro estará nulificado, a qual só é logicamente possível se eu aceitar a premissa da relatividade. 
Conflitos “Técnica da ponderação”: “concordância prática”. 
Se não for possível a “redução proporcional”, haverá prevalência de um direito sobre o outro (o que só é possível em razão da relatividade).
“Na solução de conflito entre direitos fundamentais, deverá o intérprete buscar a conciliação entre eles (adoção do princípio da harmonização), considerando as circunstâncias do caso concreto, pesando os interesses em jogo, com o objetivo de firmar qual dos valores conflitantes prevalecerá. Não existe um critério para solução de colisão entre valores constitucionais que seja válido em termos abstratos; o conflito só pode ser resolvido a partir da análise das peculiaridades do caso concreto, que permitirão decidir qual direitos deverá sobrepujar os demais, sem, contudo, anular por completo o conteúdo destes.
Ex.:Art. 5º, inciso X:
Liberdade de informação
Direitos da personalidade
X
Podemos ter algumas diretrizes, mas a decisão será sempre casuística pela ponderação dos valores.
Decisão casuística, orientada pelo prevalecimento do interesse público na divulgação da informação (o que contribui para um debate de interesse geral), que não se confunde com “curiosidade pública”.
Direito da personalidade
Direito à privacidade
Direito
à intimidade
Obs.: Decisão da corte européia de direitos humanos – caso envolveu a princesa Caroline de Mônaco – entendeu que mencionar fatos da vida pessoal de uma pessoa só pelo fato dela ser celebridade atende a curiosidade pública; o que justifica a violação da intimidade da pessoa é o interesse público.DEMAIS QUESTÕES
Relativização do princípio do estado de inocência para fins eleitorais;
Lei da ficha limpa passou a gerar a inelegibilidade em razão de uma condenação em 2º grau, seja de improbidade administrativa, seja criminal; Interposta ADI questionando a validade constitucional desta lei, o STF deu pela constitucionalidade – fez ponderação (princípios éticos de moralidade administrativa deram sustentação a esta relativização x estado de inocência).
Há relativização de direitos fundamentais na própria constituição? Existe algum caso na redação original na CF que o principio do estado de Inocêncio foi claramente excepcionado?
Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
2º - Para autorizar a prisão após a decisão de 2º grau, mesmo antes do trânsito em julgado. 
Questão inciso III: proibição da tortura; / CP, aborto legal; 
Nem mesmo o direito à vida é absoluto constitucionalidade legal de pesquisas com células-tronco embrionárias.
Se ate o bem mais relevante que é a vida é relativo, é claro que não posso afirmar que nenhum direito fundamental pode ser considerado como absoluto.
EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Eficácia vertical
Eficácia horizontal
Eficácia privada
Eficácia “externa
”
ESTADO 
PARTICULAR
PARTICULAR 
PARTICULAR
Doutrina tradicional: os direitos fundamentais são elementos “limitativos”, ou seja, a sua enunciação limita o poder; destinam-se a proteger os indivíduos contra as ações do estado e de seus agentes – eficácia vertical.
Eficácia “Horizontal” – eficácia dos direitos fundamentais nas relações jurídico-privadas.
“Discute-se quanto à incidência, ou não, dos direitos fundamentais nos negócios celebrados entre particulares, haja vista que nestes, em regra, prepondera o princípio da autonomia da vontade. Trata-se do exame da chamada eficácia horizontal (privada ou externa) dos direitos fundamentais.
Há certos casos em que a própria constituição deixou clara a incidência dos direitos fundamentais nas relações jurídico-privadas, como na hipótese dos direitos dos trabalhadores (art. 7º, CF), que tem como destinatários empregados e empregadores privados ou no caso do inciso V do art. 5º, que assegura o direito de resposta proporcional ao agravo (o sujeito passivo será o órgão de imprensa, privado).
Ademais, mesmo naquelas situações em que não há uma expressa imposição constitucional, o entendimento doutrinário dominante é que os direitos fundamentais aplicam-se, também, às relações privadas. Segundo essa orientação, não podem os particulares, com amparo no princípio da autonomia da vontade, afastar livremente os direitos fundamentais.
Enfim, o entendimento dominante em nosso país é que não só o Estado deve respeitar os direitos fundamentais, mas também os particulares, nas relações entre si. Desse modo, os direitos fundamentais vinculam o Estado – incluindo o legislador, os órgãos administrativos e o Poder Judiciário – bem como os particulares.”
Toda a ordem jurídica deve ser interpretada à luz do direito constitucional (mais especificamente, a partir dos direitos fundamentais): “constitucionalização do direito infraconstitucional” (um dos pontos do neoconstitucionalismo) (caso lüth).[2: A provocação para a decisão proferida pelo Tribunal teve origem no recurso constitucional interposto por Erich Lüth, que se opunha à condenação que lhe havia sido imposta por um tribunal estadual (Landgericht) pelo fato de haver se expressado publicamente, por diversas vezes, convocando um boicote aos filmes de VeitHarlan, por seu suposto passado nazista, tendo considerado a Justiça ordinária, com base no parágrafo 826 do BGB (Código Civil Alemão), que a exortação de Lüth ao boicote seria contrária à moral e aos costumes, razão pela qual ele foi condenado a omitir-se de novas convocações a favor do boicote sob ameaça de uma pena de multa ou até mesmo de prisão[2]. A decisão da Justiça ordinária seria, entretanto, reformada pelo Tribunal Constitucional, sob o fundamento de que o direito fundamental à liberdade de opinião irradiava sua força normativa sobre o Direito ordinário, no caso o Direito Civil, impondo-se aos tribunais ordinários a necessidade de emprestar prevalência ao significado dos direitos fundamentais, mesmo nas relações entre particulares. ]
Aqueles princípios constitucionais atuam como limites (eficácia direta*) à autonomia das associações privadas, prevenindo situações de arbítrio. 
*prevalece que tem eficácia direta. Eficácia indireta ou mediata: os direitos fundamentais são aplicados de maneira reflexa, tanto em uma dimensão proibitiva e voltada para o legislador, que não poderá editar lei que viole direitos fundamentais, como, ainda, positiva, voltada para que o legislador implemente os direitos fundamentais, ponderando quais devam aplicar-se às relações privadas. | Eficácia direta ou imediata: alguns direitos fundamentais podem ser aplicados às relações privadas sem que haja a necessidade de “intermediação legislativa” para sua concretização. 
►Precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: 
RE 160.222-8: entendeu-se constituir “constrangimento ilegal” a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie;
RE 158.215-4: entendeu-se violados o principio do devido processo legal e o da ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito de ampla defesa;
RE 161.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês não empresa “Air France”, mesmo realizando atividades idênticas. Determinação da observância do principio da isonomia.
RE 175.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao principio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo);
HC 12.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$18.700,00 para R$86.858,24. Violação ao principio da dignidade da pessoa humana (lembrando que o STF editou a SV 25/2009 que trata da ilicitude da prisão civil de depositário infiel).
REsp 249.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao principio da dignidade da pessoa humana;
RE 201.819: exclusão de membro de sociedade se a possibilidade de sua defesa – 
violação do devido processo legal, contraditório e ampla defesa (Gilmar Mendes).
Obs.: 
	*Blog Eduardo Gonçalves: 
EFICÁCIA DIAGONAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
Todos sabemos que os direitos fundamentais surgiram numa ideia de limitação do poder absoluto do Estado e proteção do indivíduo, conferindo-se direitos básicos e garantias a qualquer pessoa. Nesta relação Estado-indivíduo, diz-se que há uma eficácia vertical dos direitos fundamentais, pois nesta relação há um poder “superior” (o Estado) e um infinitamente “inferior” (o indivíduo), certo que não estão em posições iguais, sendo evidente a proeminência de força do Estado.
Após a evolução da teoria dos direitos fundamentais, passou-se a reconhecer que os direitos fundamentais não incidem apenas em relações desiguais, porém também em relações particulares em que há uma igualdade de armas. Aqui, surge a eficácia horizontal dos direitos fundamentais que é justamente incidência e observância de todos os direitos fundamentais nas relações privadas (particular-particular). 
Esta eficácia horizontal já foi reconhecida mais de uma vez pelo STF: “As violações a direitos fundamentais não ocorrem somente no âmbito das relações entreo cidadão e o Estado, mas igualmente nas relações travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os direitos fundamentais assegurados pela Constituição vinculam diretamente não apenas os poderes públicos, estando direcionados também à proteção dos particulares em face dos poderes privados.”
Todavia, é necessário lembrarmos que as relações privadas nem sempre se apresentam de forma igualitária, sendo bastante comum encontrar situações em que os particulares estão em posições bastante desiguais. Os maiores exemplos estão nas relações de trabalho e de consumo onde o poder econômico das pessoas jurídicas pode ocasionar violações aos direitos fundamentais dos trabalhadores/consumidores, estes que são a parte fraca da relação.
Foi justamente a partir destas relações que o autor Sergio Gamonal desenvolveu a teoria da eficácia diagonal dos direitos fundamentais que consiste na necessária incidência e observância dos direitos fundamentais em relações privadas (particular-particular) que são marcadas por uma flagrante desigualdade de forças, em razão tanto da hipossuficiência quanto da vulnerabilidade de uma das partes da relação. 
Trata-se de uma eficácia diagonal por que, em tese, as partes estão em situações equivalentes (particular-particular), mas, na prática, há um império do poder econômico, razão por que se defende a observância dos direitos fundamentais nestas relações.
A este respeito, o TST já tem aplicado a eficácia diagonal dos direitos fundamentais nas relações trabalhistas para combater atos discriminatórios.
Portanto, gravem que a eficácia diagonal dos direitos fundamentais é a incidência dos direitos fundamentais em relações privadas marcadas pela desigualdade entre os particulares, especialmente onde se verifique um contraponto entre o poder econômico e a vulnerabilidade (jurídica ou econômica).
*Este é um tema que certamente será cobrado em provas subjetivas e orais de alto nível!
DIREITOS SOCIAIS
(“Prestacionais”)
Sentido amplo do termo (art. 6º, caput); estão elencados no capítulo (em especial os direitos ligados às relações de trabalho) e também esparsos no texto (saúde, educação, etc). 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. 
Portanto, seu sentido é abrangente e o seu tratamento constitucional não está restringido a este capitulo.
Os direitos sociais - direitos de 2ª geração - impõe ao estado um dever de prestação positiva (“constituem as liberdades positivas, de observância obrigatória em um Estadi Social de Direito) – por isso “liberdades concretas”. 
CONCRETIZAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS E A OPONIBILIDADE DA CLÁUSULA DA RESERVA DO POSSÍVEL.
Ex.: entre os direitos sociais está disposto que assegura-se ao trabalhador, além do salário, a participação no lucro da empresa. 
Os direitos sociais submetem-se a um processo gradual de concretização por duas razões:
Previsão em normas programáticas (portanto, de eficácia limitada, exigindo integração legislativa).
Ex.: direito de participação no lucro nas empresas.
A sua implementação, de regra, é onerosa, dependendo da disponibilidade de recursos financeiros e orçamentários (teoria dos “custos”dos direitos).
Imaginemos no caso em que a CF estabelece que deve ser assegurada matrícula na creche; e a obrigação primária no tocante a educação infantil é primordial do município. Admitindo que prefeito assuma prefeitura com déficit absurdo no numero de vagas, de tal maneira que não é possível para resolver este problema “da noite para o dia”. Então estabelece planificação, de modo a ampliar de modo gradual o número de vagas no decorrer de seu mandato.
Nesse caso, o prefeito esta opondo a chamada cláusula da reserva do possível. A oponibilidade desta clausula é sempre feita pelo administrador / pelo Estado, pela qual estará demonstrando, de maneira razoável e objetiva, essa oponibilidade. 
Exs. 
- Direito à saúde (acesso universal); 
- Direito à educação (vaga em unidade educacional); 
Se comprovada, objetivamente, a incapacidade econômico-financeira da pessoa estatal, dela não se poderá exigir, razoavelmente, a imediata concretização. Assim, a oponibilidade da cláusula da reserva do possível, que condiciona o processo de concretização.
Significado: implantação dos direitos na medida do possível, ou seja, na medida das disponibilidades financeiras. 
A cláusula da reserva do possível se assenta remotamente no principio do Direito Romano: “Ad impossibilenemotenetur”. 
Princípio dentro dos direitos das obrigações que vem desde o direito romano que diz que ninguém pode ser obrigado a se revelar (ninguém será obrigado a se obrigar ao impossível) – ora, isso poderia ser primordialmente fundamento para cláusula da reserva do possível. .
Modernamente: direito alemão – os direitos prestacionais estão sujeitos à reserva do possível no sentido daquilo que o individuo, que mantenha racional, pode esperar do Estado. O indivíduo só pode requererexigirdo estado uma prestação que se dê nos limites do razoável. 
Atualmente, fundamenta-se a CRP por expressa previsão na Convenção Americana DH – art. 26 “desenvolvimento progressivo” (na implantação dos direitos sociais – na medida dos recursos disponíveis):
DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS
Artigo 26.  Desenvolvimento progressivo
Os Estados Partes comprometem-se a adotar providências, tanto no âmbito interno como mediante cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros meios apropriados. 
Fática
:
inexistência 
absoluta
 de recursos.
Jurídica
:
ausência de autorização orçamentária para determinado gasto em particular. 
 Ver art. 167, I e II:
Cláusula da Reserva do Possível
Art. 167. São vedados:
I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais;
Na origem:
Há muito tempo, já na vigência da CF que tem esta norma programática (sistema universal de saúde), tudo isso começou com o problema do HIV; quando se descobriram as primeiras drogas para combater o vírus, de custo elevadíssimo. 
STF teve que fazer opção entre os princípios constitucionais inconciliáveis no caso concreto: um terá que prevalecer em detrimento do outro – não há dúvida que a escolha deve ser pelo direito a vida; pois se não fornecer o medicamento a pessoa irá a óbito. Então, que a prefeitura compra e forneça este medicamento (extraindo da norma constitucional a máxima eficácia).
Hoje, este entendimento esta deturpado.
Porém, se o poder público, mediante indevida manipulação de sua atividade político-administrativa e financeira, criar obstáculos para inviabilizar a concretização (estabelecendo outras prioridades e contrariando a previsão constitucional)?
Ex.: educação 
•Art, 205: direito de todos e dever do estado e da família.
• Art. 208, IV: educação infantil, creche e pré-escola, até 5 anos. 
• Art. 211, §2º - atuação prioritária do município.
Questionado o administrador, poderia ele, nesse caso, invocar validamente a CRP?
STF estabelece que: as normas constitucionais, mesmo as programáticas, não podem ser interpretadas como “promessas constitucionais inconseqüentes”; têm eficácia jurídica, do que decorre a necessidade da preservação, em favor dos indivíduos, de um mínimo existencial(mínimo necessário a sobrevivência – que se liga ao princípio da dignidade da pessoa humana) que (conclusões técnicas):
1 – Limita a discricionariedadepolítico-administrativa (há programas constitucionais vinculantes que devem ser desenvolvidos).
Nesse sentido, existem na CF regras que determinam a vinculação de verbas orçamentárias para educação / saúde.
2 – Orienta o estabelecimento de diretrizes orçamentárias.
P. ex.: tem que colocar no orçamento verba necessária para minimizar problema da falta de drogas. 
3 – Legitima a intervenção do Poder Judiciário, para assegurar a implementação de políticas públicas (assim superado a ortodoxia do poder da separação dos poderes).
E por meio dos instrumentos adequados, o poder judiciário vem atuando e limitando a discricionariedade administrativa limitando o cumprimento de programas constitucionais.
Obs.: Ver súmula 65 do TJSP:
Súmula 65: Não violam os princípios constitucionais da separação e independência dos poderes, da isonomia, da discricionariedade administrativa e da anualidade orçamentária as decisões judiciais que determinam às pessoas jurídicas da administração direta a disponibilização de vagas em unidades educacionais ou o fornecimento de medicamentos, insumos, suplementos e transporte a crianças ou adolescentes. 
CNJ resolução – diretriz para os TJs de especialização dos magistrados na área da saúde:
	Preocupado com a crescente judicialização da saúde, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu oferecer ferramentas para auxiliar o trabalho dos magistrados. Na 18ª Sessão Virtual, encerrada no último dia 30 (30/08/2016), o plenário aprovou, por maioria, resolução que dispõe sobre a criação e a manutenção de comitês estaduais de saúde, bem como a especialização em comarcas com mais de uma vara de fazenda pública.
O ato normativo visa dar efetividade à Resolução 107/2010 do CNJ, que criou o Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Saúde e instituiu os comitês estaduais de saúde como instâncias adequadas para encaminhar soluções e garantir a melhor forma de prestação jurisdicional em área tão sensível.
Com quatro artigos, a nova resolução, relatada pelo conselheiro Arnaldo Hossepian, determina os critérios para a formação dos comitês. Os colegiados devem ser compostos por magistrados de primeiro e segundo graus; gestores da área da saúde e demais participantes do sistema de saúde e de Justiça (Ministério Público, Defensoria Pública, advogados públicos ou um representante da Ordem dos Advogados do Brasil), além de dois integrantes do conselho estadual de saúde: um que represente os usuários do sistema público e, outro, os usuários do sistema suplementar de saúde.
Atribuições - Entre as atribuições dos comitês está a de auxiliar os tribunais na criação dos Núcleos de Apoio Técnico do Judiciário (NAT-JUS), constituídos de profissionais da saúde, para elaborar pareceres acerca da medicina baseada em evidências.
Os magistrados serão indicados pela presidência dos tribunais, de preferência entre aqueles que exerçam jurisdição em matéria de saúde pública ou suplementar, ou que tenham destacado saber jurídico na área. Às cortes, caberá ainda a criação de sítio eletrônico que permita acesso ao banco de dados, que será criado e mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, com pareceres, notas técnicas e julgados na área da saúde, para consulta pelos magistrados e demais operadores do direito.
Especialização – Os tribunais estaduais e federais, nas comarcas ou seções judiciárias onde houver mais de uma vara de fazenda pública, promoverão a especialização de uma delas em matéria de saúde pública. O mesmo deve ser seguido nas cortes que contam com mais de uma câmara de direito público.
Posicionamento STF:
Quanto ao fornecimento de medicamentos
RE 566471 RN (caso paradigma)
Julgamento vai definir:
•Tese1: o dever de o Estado fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possuir condições financeiras para adquiri-lo. 
•Tese 2: o fornecimento de medicamento não registrado na ANVISA
•Tese 3: possibilidade de bloqueio de verbas publicas para garantia de fornecimento de medicamentos. 
	Recurso Extraordinário (RE) 566471 – Repercussão Geral; Relator: ministro Marco Aurélio; Estado do Rio Grande do Norte x Carmelita Anunciada de Souza 
O recurso extraordinário discute a responsabilidade solidária dos entes federados no dever de prestar assistência à saúde. O RE foi interposto contra acórdão da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que obrigou o Estado a fornecer medicamento de alto custo à paciente carente, conforme prescrição médica. A decisão determinou o fornecimento do medicamento pelo governo estadual e o financiamento solidário de 50% do valor pela União.
O Estado do Rio Grande do Norte alega, em síntese, que sob o prisma do princípio da reserva do possível, os recursos do Estado seriam o limite para a concessão de medicamentos; que o direito à saúde se mostraria como direito social, que deve ser apartado dos direitos fundamentais por depender de concessão particularizada do legislador infraconstitucional, dependendo de reserva orçamentária; e que no caso do medicamento requerido não estar previsto na relação do Programa de Dispensação de Medicamentos em Caráter Excepcional, o ônus recairia unicamente sobre o ente da federação demandado, entre outros argumentos.
Em discussão: saber se ofende os artigos 5º, 6º, 196, e 198 (parágrafos 1º e 2º) da Constituição Federal o acórdão que condenou o recorrente a fornecer medicamento de alto custo que não consta do programa de dispensação de medicamentos em caráter excepcional.
PGR: pelo conhecimento e desprovimento do recurso.
Paradigma da educação / creche
RE n. 639337 – STF determinar com fixação de multa diária o fornecimento de vaga em creche - município de SP
	CRIANÇA DE ATÉ CINCO ANOS DE IDADE - ATENDIMENTO EM CRECHE E EM PRÉ-ESCOLA - SENTENÇA QUE OBRIGA O MUNICÍPIO DE SÃO PAULO A MATRICULAR CRIANÇAS EM UNIDADES DE ENSINO INFANTIL PRÓXIMAS DE SUA RESIDÊNCIA OU DO ENDEREÇO DE TRABALHO DE SEUS RESPONSÁVEIS LEGAIS, SOB PENA DE MULTA DIÁRIA POR CRIANÇA NÃO ATENDIDA - LEGITIMIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DAS “ASTREINTES” CONTRA O PODER PÚBLICO - DOUTRINA - JURISPRUDÊNCIA - OBRIGAÇÃO ESTATAL DE RESPEITAR OS DIREITOS DAS CRIANÇAS - EDUCAÇÃO INFANTIL - DIREITO ASSEGURADO PELO PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL (CF, ART. 208, IV, NA REDAÇÃO DADA PELA EC Nº 53/2006)- COMPREENSÃO GLOBAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL À EDUCAÇÃO - DEVER JURÍDICO CUJA EXECUÇÃO SE IMPÕE AO PODER PÚBLICO, NOTADAMENTE AO MUNICÍPIO (CF, ART.211, § 2º)- LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DA INTERVENÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO EM CASO DE OMISSÃO ESTATAL NA IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PREVISTAS NA CONSTITUIÇÃO - INOCORRÊNCIA DE TRANSGRESSÃO AO POSTULADO DA SEPARAÇÃO DE PODERES - PROTEÇÃO JUDICIAL DE DIREITOS SOCIAIS, ESCASSEZ DE RECURSOS E A QUESTÃO DAS ESCOLHAS TRÁGICAS” - RESERVA DO POSSÍVEL, MÍNIMO EXISTENCIAL, DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E VEDAÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL - PRETENDIDA EXONERAÇÃO DO ENCARGO CONSTITUCIONAL POR EFEITO DE SUPERVENIÊNCIA DE NOVA REALIDADE FÁTICA - QUESTÃO QUE SEQUER FOI SUSCITADA NAS RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO -PRINCÍPIO “JURA NOVIT CURIA” - INVOCAÇÃO EM SEDE DE APELO EXTREMO - IMPOSSIBILIDADE - RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. POLÍTICAS PÚBLICAS, OMISSÃO ESTATAL INJUSTIFICÁVEL E INTERVENÇÃO CONCRETIZADORA DO PODER JUDICIÁRIO EM TEMA DE EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSIBILIDADE CONSTITUCIONAL
A educação infantil representa prerrogativa constitucional indisponível, que, deferida às crianças, a estas assegura, para efeito de seu desenvolvimento integral, e como primeira etapa do processo de educação básica, o atendimento em creche e o acesso à pré-escola (CF, art. 208, IV). 
Essa prerrogativa jurídica, em conseqüência, impõe, ao Estado, por efeito da alta significação social de que se reveste a educação infantil, a obrigação constitucional de criar condições objetivas que possibilitem, de maneira concreta, em favor das crianças até 5 (cinco) anos de idade” (CF, art. 208, IV), o efetivo acesso e atendimento em creches e unidades de pré-escola, sob pena de configurar-se inaceitávelomissão governamental, apta a frustrar, injustamente, por inércia, o integral adimplemento, pelo Poder Público, de prestação estatal que lhe impôs o próprio texto da Constituição Federal
A educação infantil, por qualificar-se como direito fundamental de toda criança, não se expõe, em seu processo de concretização, a avaliações meramente discricionárias da Administração Pública nem se subordina a razões de puro pragmatismo governamental
Os Municípios - que atuarão, prioritariamente, no ensino fundamental e na educação infantil (CF, art. 211, §2º)não poderão demitir-se do mandato constitucional, juridicamente vinculante, que lhes foi outorgado pelo art. 208, IV, da Lei Fundamental da República, e que representa fator de limitação da discricionariedade político-administrativa dos entes municipais, cujas opções, tratando-se do atendimento das crianças em creche (CF, art. 208, IV), não podem ser exercidas de modo a comprometer, com apoio em juízo de simples conveniência ou de mera oportunidade, a eficácia desse direito básico de índole social
Embora inquestionável que resida, primariamente, nos Poderes Legislativo e Executivo, a prerrogativa de formular e executar políticas públicas, revela-se possível, no entanto, ao Poder Judiciário, ainda que em bases excepcionais, determinar, especialmente nas hipóteses de políticas públicas definidas pela própria Constituição, sejam estas implementadas, sempre que os órgãos estatais competentes, por descumprirem os encargos político-jurídicos que sobre eles incidem em caráter impositivo, vierem a comprometer, com a sua omissão, a eficácia e a integridade de direitos sociais e culturais impregnados de estatura constitucional. 
DESCUMPRIMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DEFINIDAS EM SEDE CONSTITUCIONAL: HIPÓTESE LEGITIMADORA DE INTERVENÇÃO JURISDICIONAL
O Poder Público quando se abstém de cumprir, total ou parcialmente, o dever de implementar políticas públicas definidas no próprio texto constitucionaltransgride, com esse comportamento negativo, a própria integridade da Lei Fundamental, estimulando, no âmbito do Estado, o preocupante fenômeno da erosão da consciência constitucional. 
A inércia estatal em adimplir as imposições constitucionais traduz inaceitável gesto de desprezo pela autoridade da Constituição e configura, por isso mesmo, comportamento que deve ser evitado. É que nada se revela mais nocivo, perigoso e ilegítimo do que elaborar uma Constituição, sem a vontade de fazê-la cumprir integralmente, ou, então, de apenas executá-la com o propósito subalterno de torná-la aplicável somente nos pontos que se mostrarem ajustados à conveniência e aos desígnios dos governantes, em detrimento dos interesses maiores dos cidadãos
A intervenção do Poder Judiciário, em tema de implementação de políticas governamentais previstas e determinadas no texto constitucional, notadamente na área da educação infantil (RTJ 199/1219-1220), objetiva neutralizar os efeitos lesivos e perversos, que, provocados pela omissão estatal, nada mais traduzem senão inaceitável insulto a direitos básicos que a própria Constituição da República assegura à generalidade das pessoas. 
A CONTROVÉRSIA PERTINENTE À “RESERVA DO POSSÍVEL” E A INTANGIBILIDADE DO MÍNIMO EXISTENCIAL: A QUESTÃO DAS “ESCOLHAS TRÁGICAS”
A destinação de recursos públicos, sempre tão dramaticamente escassos, faz instaurar situações de conflito, quer com a execução de políticas públicas definidas no texto constitucional, quer, também, com a própria implementação de direitos sociais assegurados pela Constituição da República, daí resultando contextos de antagonismo que impõem, ao Estado, o encargo de superá-los mediante opções por determinados valores, em detrimento de outros igualmente relevantes, compelindo, o Poder Público, em face dessa relação dilemática, causada pela insuficiência de disponibilidade financeira e orçamentária, a proceder a verdadeiras escolhas trágicas, em decisão governamental cujo parâmetro, fundado na dignidade da pessoa humana, deverá ter em perspectiva a intangibilidade do mínimo existencial, em ordem a conferir real efetividade às normas programáticas positivadas na própria Lei Fundamental. 
A cláusula da reserva do possível, que não pode ser invocada, pelo Poder Público, com o propósito de fraudar, de frustrar e de inviabilizar a implementação de políticas públicas definidas na própria Constituição, encontra insuperável limitação na garantia constitucional do mínimo existencial, que representa, no contexto de nosso ordenamento positivo, emanação direta do postulado da essencial dignidade da pessoa humana. 
A noção de mínimo existencial, que resulta, por implicitude, de determinados preceitos constitucionais (CF, art. 1º, III, e art. 3º, III), compreende um complexo de prerrogativas cuja concretização revela-se capaz de garantir condições adequadas de existência digna, em ordem a assegurar, à pessoa, acesso efetivo ao direito geral de liberdade e, também, a prestações positivas originárias do Estado, viabilizadoras da plena fruição de direitos sociais básicos, tais como o direito à educação, o direito à proteção integral da criança e do adolescente, o direito à saúde, o direito à assistência social, o direito à moradia, o direito à alimentação e o direito à segurança. Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, de 1948 (Artigo XXV). 
A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO OBSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO E AO INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE DIREITOS PRESTACIONAIS
O princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive.
A cláusula que veda o retrocesso em matéria de direitos a prestações positivas do Estado (como o direito à educação, o direito à saúde ou o direito à segurança pública, v.g.) traduz, no processo de efetivação desses direitos fundamentais individuais ou coletivos, obstáculo a que os níveis de concretização de tais prerrogativas, uma vez atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou suprimidos pelo Estado. 
Em conseqüência desse princípio, o Estado, após haver reconhecido os direitos prestacionais, assume o dever não só de torná-los efetivos, mas, também, se obriga, sob pena de transgressão ao texto constitucional, a preservá-los, abstendo-se de frustrar - mediante supressão total ou parcial - os direitos sociais já concretizados. 
LEGITIMIDADE JURÍDICA DA IMPOSIÇÃO, AO PODER PÚBLICO, DAS ASTREINTES”
Inexiste obstáculo jurídico-processual à utilização, contra entidades de direito público, da multa cominatória prevista no § 5º do art. 461 do CPC (art. 536, §1º, CPC/15). A astreinte, que se reveste de função coercitiva, tem por finalidade específica compelir, legitimamente, o devedor, mesmo que se cuide do Poder Público, a cumprir o preceito, tal como definido no ato sentencial.
Promoção de medidas de execução de obras em estabelecimentos prisionais
RE 592.581 
Tese: é licito ao poder judiciário impor à administração pública obrigação de fazer consistente - dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos ,
	 “É lícito ao Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da Constituição Federal, não sendo oponível à decisão o argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes”.
►Súmulas TJSP (importantes p/ provas de múltipla escolha):
- S. 37: decorrente de decisão do STF – RE 855.178[3: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DIREITO À SAÚDE. TRATAMENTO MÉDICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES FEDERADOS. CONSONÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDA COM A JURISPRUDÊNCIA CRISTALIZADA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REAFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA EM REPERCUSSÃO GERAL - RE 855.178-RG/PE,REL. MIN. LUIZ FUX.RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE TRÂNSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 10.10.2014.1. Esta Suprema Corte, ao julgamento do RE 855.178-RG/PE, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 16.3.2015, submetido à sistemática da repercussão geral, reafirmou a jurisprudência no sentido da responsabilidade solidária dos entes federados pelo dever de prestar assistência à saúde, destacando que o polo passivo da ação pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente, ou conjuntamente. 2. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos moldes do assinalado na decisão agravada, não diverge da jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal. 3. A existência de precedente firmado pelo Plenário desta Suprema Corte autoriza o julgamento imediato de causas que versem sobre o mesmo tema, independentemente da publicação ou do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes.4. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada.5. Agravo regimental conhecido e não provido.]
Súmula 37: A ação para o fornecimento de medicamento e afins pode ser proposta em face de qualquer pessoa jurídica de Direito Público Interno. 
- S. 63;
Súmula 63: É indeclinável a obrigação do Município de providenciar imediata vaga em unidade educacional a criança ou adolescente que resida em seu território. 
- S. 64;
Súmula 64: O direito da criança ou do adolescente a vaga em unidade educacional é amparável por mandado de segurança. 
- S. 66;
Súmula 66: A responsabilidade para proporcionar meios visando garantir o direito à saúde da criança ou do adolescente é solidária entre Estado e Município. 
- S. 67;
Súmula 67: Não se admite denunciação da lide em relação à União tratando-se de ações relacionadas ao fornecimento de medicamentos e insumos de competência da Justiça da Infância e da Juventude. 
- S. 68 – definição de competência . ex. comarca do interior tem vara da fazenda e da infância. Será competente ao MS o juízo da infância e da juventude. (pacificado)
Súmula 68: Compete ao Juízo da Infância e da Juventude julgar as causas em que se discutem direitos fundamentais de crianças ou adolescentes, ainda que pessoa jurídica de direito público figure no pólo passivo da demanda.
	CONCLUSÃO:
	Cláusula da reserva do possível: “Essa cláusula ou princípio implícito, tem como conseqüência o reconhecimento de que os direitos sociais assegurados na CF devem, sim, ser efetivados pelo Poder Público, mas na medida exata em que isso seja possível. Entretanto, a não efetivação, ou efetivação parcial, de direitos constitucionalmente assegurados somente se justifica se, em cada caso, for possível demonstrar a impossibilidade financeira (ou econômica) de sua concretização pelo Estado. 
	Princípio da garantia do mínimo existencial: atua como limite à clausula da reserva do possível. Quer dizer que a dificuldade estatal decorrente da limitação dos recursos financeiros disponíveis não afasta o dever do Estado de garantir, em termos de direitos sociais, um mínimo necessário para a existência digna da população. 
Portanto, corolário do princípio da dignidade da pessoa humana, o postulado constitucional (implícito) da garantia do mínimo existencial não permite que o Estado negue – nem mesmo sob a invocação da insuficiência de recursos financeiros – o direito a prestações mínimas, capazes de assegurar, à pessoa, condições adequadas de existência digna, com acesso efetivo ao direito de liberdade e, também, a prestações positivas estatais viabilizadoras de plena fruição de direitos sociais básicos.
	O STF tem reiterado em seus julgados que o caráter programático das normas sociais inscritos no texto da Carta Política não autoriza o Poder Público a invocar de forma irresponsável a “reserva do possível, fraudando justas expectativas nele depositadas pela coletividade, SALVO nos casos em que possa ser objetivamente demonstrado que inexiste disponibilidade financeira do Estado do Estado para tornar efetivas as prestações positivas dele reclamadas, ou que falte razoabilidade à pretensão individual ou coletiva deduzida em face do Poder Público.
“A verdade é que o STF confere tamanha relevância ao desiderato constitucional de tornar efetivos os direitos sociais fundamentais que, em inúmeros casos, tem determinado até mesmo o bloqueio de verbas públicas do ente federado, em favor de pessoas hipossuficientes, a fim de lhes assegurar o fornecimento gratuito de medicamentos, como corolário dos direitos à saúde e à vida.”ESCOLHAS TRÁGICAS.
FUNDAMENTALIDADE E PROIBIÇÃO DO RETROCESSO
(Princípio do não-retrocesso social / effetcliquet)
1- PREMISSA LÓGICA: os direitos sociais, em sentido amplo, são direitos fundamentais, que se ligam o principio da dignidade da pessoa humana, não podendo, assim, ser nem suprimidos ou reduzidos por emenda constitucional.
- Questão subjudice – ADI 3653 – EC 28/2000 - Art. 7º, XXIX da CF – a hipótese não é tão relevante, mas se eu posse reduzir ou suprimir este direito, (o que importa é a tese), outro, como o terço das férias poderiam ser suprimidos também por EC. Essa ADI em relação a EC 28 ainda não foi julgada.
(Questão atual – flexibilização direitos constitucionais trabalhistas?)
2- O “núcleo essencial” já efetivado por medida legislativa deve ser considerado como constitucionalmente garantido (irreversibilidade), ou seja, se uma lei, integrando a norma constitucional de eficácia limitada, concretizar determinado direito, ele se considera incorporado ao patrimônio da pessoa, e não pode mais ser suprimido ou reduzido.
Caso concreto: 
A norma programática de eficácia limitada do art. 7º, XI da CF – participação nos lucros da empresa, que deve ser regulado na forma da lei. Sabemos que antes que sobreviesse a lei, este direito não estava tecnicamente concretizado. Portanto, uma lei integradora e uma norma de eficácia limitada. E assim que integralizada, a plenitude de seus efeitos (aplicação integral) ficou na dependência da lei. 
Na hipótese de sobreviruma lei e estabelecer que maneira se dá essa participação concreta dos trabalhadores no lucro da empresa, pelo sustentado pelo principio da proibição do retrocesso, a partir deste momento (que sobreveio a medida legislativa), esse direito estabelecido na lei passa a ser considerado constitucionalmente garantido. O legislado perde sua discricionariedade e se auto-limita, poiso que foi constituído passa a ser irreversível (impossibilidade de retrocesso). O que foi assegurado pela lei se considera incorporado ao patrimônio das pessoas e não mais pode ser suprimido ou reduzido.
Assim, não pode revogar a lei 10.101/2000(Dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências).
Art. 7
º
, XI
Lei 10.101/2000
Direito concretizado
Portanto, a liberdade (discricionariedade) do legislador tem como limite o núcleo essencial já realizado, ou seja, só poderia haver uma alteração da lei 10.101 para ampliar o direito, nunca para reduzir ou suprimir o direito. 
STF – Extensão do princípio da proibição do retrocesso:
• Inconstitucionalidade do art. 5º da Lei 12.034/09 – impressão do voto.
Isso atingiria o sigilo do voto. E o STF declarou a inconstitucionalidade do dispositivo usando este argumento:
“O segredo do voto foi uma conquista, impossível de retroação” (irreversibilidade dos direitos adquiridos).
Ou seja, seria um retrocesso a conquista política. 
O argumento nem seria necessário, pois o caráter secreto do voto faz parte de clausula pétrea (art. 60,§4º, II da CF) e assim, não poderia ser suprimido ou reduzido nem por EC. Ou seja, nem seria necessário usar o argumento do retrocesso em face da explicitude da clausula pétrea. 
Em que pese fosse possível fundamentar o acórdão nesta questão, o STF utilizou-se do principio da proibição do retrocesso. Ou seja, esta prestigiando e estendendo o princípio para além de sua concepção original (que se dava apenas aos princípios sociais; estendendo-o aos direitos políticos).•Art. 2º da Lei 13.165, 29/09/2015 (Art. 59-A da Lei 9.504/97). Vetado – veto rejeitado (veto político parcial).
Art. 59-A.  No processo de votação eletrônica, a urna imprimirá o registro de cada voto, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.
Parágrafo único.  O processo de votação não será concluído até que o eleitor confirme a correspondência entre o teor de seu voto e o registro impresso e exibido pela urna eletrônica
A Presidência da República vetou este artigo. A presidente não fundamentou o veto como jurídico – o veto não foi baseado em razão de inconstitucionalidade e sim, em razão de conveniência política.
Fundamentação do veto pelo TSE: não há recursos suficientes para aparelhar todas as urnas.
A presidente vetou esta parte. O pressuposto lógico do veto parcial é que tenha havido sanção expressa. Esse veto não é a última e definitiva palavra em nosso sistema pois veto é devolvido ao Congresso Nacional, o qual rejeitou o veto e promulgou o dispositivo, que se encontra vigente e eficaz.
	CONCLUSÃO:
	Esse princípio da vedação do rerocesso (effetcliquet) visa a impedir que o legislador venha a desconstituir pura e simplesmente o grau de concretização que ele próprio havia dado às normas da Constituição, especialmente quando se cuida de normas constitucionais que, em maior ou menor escala, acabam por depender dessas normas infraconstitucionais para alcançarem sua plena eficácia e efetividade. Significa que, uma vez regulamentado determinado dispositivo constitucional, de índole social, o legislador não poder, ulteriormente, retroceder no tocante à matéria, revogando ou prejudicando o direito já reconhecido ou concretizado.
Obs.: Defende-se que o procedimento poderia ser impugnado perante o Poder Judiciário, invocando-se a sua inconstitucionalidade.
Obs.2: A este princípio está adstrito tanto o legislador infraconstitucional, como o legislador constituinte derivado (na elaboração de emendas à CF).
DIREITO DE NACIONALIDADE
Divisão do estudo:
A) TEORIA GERAL (CONCEITUAL)
B) DIREITO BRASILEIRO DE NACIONALIDADE
A) TEORIA GERAL (CONCEITUAL)
	
“João da Silva, natural de Busdapeste, republica da Hungria, brasileiro nato, teve registrada sua candidatura a Presidência da República”. 
Há contradição nesta frase ou seria possível ocorrer tal situação? Nesta frase há dois conceitos diversos: nacionalidade e naturalidade, conceitos estes que não se confundem.
São 15 conceitos a serem enfrentados, dentre os quais então os de nacionalidade e naturalidade:
1) Nacionalidade – vínculo jurídico-político
Palavra chave: vínculo.
A nacionalidade é o vinculo jurídico-político que liga um individuo a um determinado Estado, fazendo deste individuo um integrante da (assim chamada pela teoria geral do Estado) dimensão pessoal daquele estado (“povo”).
Portanto, a nacionalidade é sempre um vínculo. 
2) Naturalidade – identificação do local do nascimento
Se alguém nasceu em Santos, esta pessoa é natural de Santos, porque a naturalidade identifica local de nascimento. E não se confunde naturalidade com nacionalidade. 
3) Nacional
	“São todos aqueles que o Direito de um Estado define como tais; são todos aqueles que se encontram presos ao Estado por um vínculo jurídico que os qualifica como seus integrantes”.
Em primeiro lugar, quem é nacional? É o indivíduo que integra a dimensão pessoal de um Estado(tem o vinculo da nacionalidade). Agora, quem é o nacional brasileiro? 
4) Nacional brasileiro
É aquele que:
Em razão do fato natural do nascimento em determinada circunstancias (brasileiro nato), ou
Em razão de um processo voluntario de naturalização (brasileiro naturalizado);
se vincula a dimensão pessoal da República Federativa do Brasil. 
5) Cidadão brasileiro – nacional eleitor (nacionais, natos ou naturalizados, no gozo dos direitos políticos e participantes da vida do Estado).
A cidadania em relação a nacionalidade apresenta um plus, poisum pressuposto da cidadania é ter a nacionalidade.Para ser cidadão brasileiro, a pessoa precisa ser antes um nacional brasileiro. 
A nacionalidade é um pressuposto necessário, porém não suficiente para a cidadania. Pois para ser cidadão brasileiro a pessoa precisa ser nacional brasileiro, o que significa dizer que todo cidadão brasileiro é um nacional brasileiro, mas nem todo nacional é um cidadão brasileiro. 
Cidadão brasileiro é o nacional eleitor. 
A partir deste momento este nacional se torna um cidadão brasileiro. Assim, uma pessoa que tenha 13 anos, que nasceu no Brasil e os pais são brasileiros,é um cidadão brasileiro? Não. É um nacional brasileiro, pois cidadania é o atributo que o nacional brasileiro alcança por meio do alistamento eleitoral. 
Exceção? (a ser visto)
Obs.: Aos 16 anos a pessoa pode votar; mas ainda não pode ser votada.O fato dele só poder votar retira dela condição de cidadão? Não. Adquirido este direito mínimo e já o qualifica como cidadão brasileiro. 
Obs.: se um estrangeiro se naturaliza, ele tem a obrigação de se alistar eleitor? Tanto quanto. E ele só se tronará um cidadão brasileiro quando fizer o alistamento eleitoral (terá 1 ano para fazer o alistamento eleitoral a partir do momento que se concretiza sua naturalização)
6) Cidadania
Cidadania é o atributo que o nacional brasileiro alcança por meio do alistamento eleitoral.
“Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição de um país.”
7) Estrangeiro
Atenção: dois sentidos no texto.
Art. 12, I, b –sentido espacial– além dos limites da nossa soberania;
Art. 12. São brasileiros:I - natos: b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
Art. 12, II, b–sentido pessoal – utilizado no sentido do não nacional
Art. 12. São brasileiros:II - naturalizados:b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
Conceito técnico de estrangeiro: o não nacional (processo de exclusão mental) – “são as pessoas a que o Direito do Estado não atribui a qualidade de nacionais”.
Portanto a CF usa a expressão estrangeiro tanto no sentido espacial, quanto no sentido pessoal (o não nacional).
8) Povo
Conjunto dos nacionais; (todas as pessoas que tem vínculo com a República Federativa do Brasil);
“Critério político” (conjunto dos cidadãos conjunto dos eleitores)mais estrito: conjunto dos eleitores.
A expressão povo aparece seguidamente no texto constitucional:
- preâmbulo;
- art. 1º, parágrafo único 
...
Existe uma divergência nos manuais que parece superável no texto constitucional:
Quando a CF quer se referir ao conjunto de eleitores, utiliza a expressão (art. 2º ADCT) eleitorado. Logo, povo, é o conjunto dos nacionais.
9) Eleitorado – conjunto de eleitores;
Art. 2º, ADCT - No dia 7 de setembro de 1993 o eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república ou monarquia constitucional) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que devem vigorar no País.
10) População – critério demográfico;
Número de habitantes, ou seja, conjunto de residentes no território, que se submetem à ordenação jurídico-político do Estado.
Porém, 18, §3º e 4º; 45, §1º; 
SENTIDO TÉCNICO: conceito demográfico.População significa o número de habitantes, ou seja, o conjunto de todos aqueles que residem no território do estado (os que se submetem a ordenação jurídico-político do estado).
O que se afere em um senso? A população. 
Os estrangeiros são contados no senso demográfico? Sim. Portanto, a população alcança os estrangeiros. 
Embora este seja um consagrado sentido técnico; a nossa CF tem algumas impropriedades:
- Art. 45, §1º:
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistemaproporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados.
Aqui deveria ser eleitorado; não amplamente população. Assim, por mais estranho que seja, os estrangeiros são contados para proporcionalidade de deputados.
- Art. 18, §3º:
§3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
Votar em plebiscito é um direito político.Então, quem vota são os eleitores, e não a população. 
Na verdade o constituinte quis deixar claro que todos tinham que votar, e usou equivocadamente a expressão população (atécnica).
População
Povo
Cidadão
11) Polipátrida – multinacionalidade;
O nosso sistema constitucional nunca proibiu polipátrida e hoje expressamente autoriza.
É aquele que tem mais de uma nacionalidade. Ou seja, ele se vincula a dimensão pessoal de mais de um Estado.
12) Apátrida
Indivíduo que, em razão das circunstâncias do seu nascimento, não se vincula a nenhum dos critérios que lhe determinariam uma nacionalidade. 
Porém:
DUDH – art. 15 (é um direito fundamental) – porem não estabelece nenhuma regra concreta para assegurar isso.
Artigo 15° 
1.Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 
2.Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
Convenção Americana de Direitos Humanos – art. 20, 2 – estabelece regra de que toda pessoa tem direito a nacionalidade do estado em cujo território tiver nascido se não tiver direito a outra – ou seja, vigora o critério do direito de solo (ius soli).
Artigo 20.  Direito à nacionalidade
1.        Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2.        Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido, se não tiver direito a outra.
3.        A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade nem do direito de mudá-la.
Decreto 4246/2002 – Convençãosebre o Estatuto dos apátridas;
Decreto 8501/2015 – Convenção para a redução dos casos de apátrida – art. 1º, 1 - Universalizando a regra que estava na convenção America.
1.   Todo Estado Contratante concederá sua nacionalidade a uma pessoa nascida em seu território e que de outro modo seria apátrida
Não pode existir a figura do apátrida pelas convenções internacionais, embora isso aconteça na prática.
OBS.: expressão “HEIMATLOS” – Todos os manuais, no conceito de apátrida, trazem esta expressão. Essa expressão é da língua alemã e quer dizer 
HEIMAT = pátria;
LOS = sufixo de privação;
Ou seja, é tradução de apátrida em alemão.
13) Nação – conceito sociológico:
Comunidade de pessoas com identidade sócio-cultural (etnia, língua, costumes).
Situações que identificam a existência de uma nação,que às vezes, até ocupando determinado território, sem que exerça soberania.
Exemplo: Reino da Espanha (até Pirineus franceses) Bascos – tem identidade que os diferenciam de todos os outros europeus (falam língua própria).
Exemplo: Povo hebreu – judeus / israelitas (língua – hebraico / religião); 
O povo pode tanto ocupar um território formando um estado, como não (ciganos). 
14) Estado
Poder soberano de um povo que ocupa um território com certas finalidades.
15) País – art. 5º, caput, art. 225, §1º, III
A expressão identifica um território habitado por uma coletividade, constituindo uma realidade histórica e geográfica com designação própria.
Conceito de país = Nação + território.
Ex.: “País basto”- dentro do reino da Espanha (mas não tem soberania o identificando como Estado).
Nome do país: Brasil (origem do fitônimo).
Nome do Estado: 
Império do Brazil;
E.U. Brazil;
Brasil
República Federativa do Brasil
A totalidade do que está escrito seria inalterável pelo exercício de reforma constitucional, consagrando esta expressão que nos identifica.
Língua portuguesa é o idioma oficial (vernáculo).
Obs.: Estados que não falam vernáculo português ou espanhol na America do sul: Guiana (inglês); Suriname (holandês) e Guiana Francesa (francês).
16) Pátria (art. 142)
País onde nascemos; terra dos pais; termo exprime sentimento cívico. 
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
B) DIREITO BRASILEIRO DE NACIONALIDADE
Critérios básicos para atribuição da nacionalidade prim
ária no direit
o comparado
IUS SOLI
IUS SANGUINIS
O nascido no território do Estado (nos limites espaciais da soberania) – independentemente da nacionalidade dos pais.
O descendente do nacional, independentemente da sua
 
naturalidade
. (ou seja, independentemente de onde venha nascer)
Nacional é:	
Critérios básicos dos Estados de:
Imigração 
(pacto e convenção)
Emigração
	NACIONALIDADE BRASILEIRA
	
	Resulta de
	Brasileiro
	Art. 12
	
	Primária (de origem ou originária)
	Fato natural do nascimentoem determinadas circunstancias
	Nato
	I
	
	Secundária(impropriam / “adquirida”)
	Fato voluntário (processo de naturalização)
	Naturalizado
	II
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; Critérioius soli;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;Critérioius sanguinis;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; Critério ius sanguinis;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. 
O direito de nacionalidade PRIMÁRIA (brasileiros natos) é material e formalmente constitucional. 
Assim, a lei ordinária pode criar outro caso de brasileiro nato além daqueles previstos na CF? Não, pois o direito de nacionalidade é formalmente constitucional, podendo o fazer apenas por EC.
Diferentemente, porém, a nacionalidade SECUNDÁRIA,a qual a CF delega à lei a disciplina dos brasileiros naturalizados. 
Portanto, o que é formalmente constitucional é a nacionalidade primária. Existem casos de nacionalidade secundaria previstas em norma formalmente constitucional (alínea b), mas também deve/pode ser tratada por lei ordinária. 
Obs.: Há casos de distinções estabelecidas entre brasileiros natos e naturalizados, o que, no entanto, obrigatoriamente deverão estar contidas em normas formalmente constitucionais. 
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, SALVO NOS CASOS PREVISTOS NESTA CONSTITUIÇÃO.
1. BRASILEIRO NATO (aquisição originária)
►Critério do ius soli
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de paisestrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;
“Na República Federativa do Brasil” = no TERRITÓRIO da República Federativa do Brasil (em sentido jurídico, ou seja, no limite espacial da soberania);
“Ainda que de pais estrangeiros”;
EXCEÇÃO (não será brasileiro):
“Desde que”
a) Ambos(mãe e pai) estrangeiros;
b) Pelo menos um deles à serviço de seu país;
	Nessa hipótese, adotou a Constituição o critério ius soli (origem territorial), considerando nato aquele nascido no território brasileiro, independentemente da nacionalidade dos ascendentes.
A constituição, porém, estabelece uma exceção ao critério ius soli, excluindo da nacionalidade brasileira os filhos de pais estrangeiros que estejam a serviço de seu país. 
QUESTÃO: 
Se a serviço de terceiro país? 
Existem dois posicionamentos antagônicos (interpretação literal e interpretação teleológica): 
INTERPRETAÇÃO LITERAL: incide a regra (será brasileiro nato).
A interpretação literal faz a análise do pronome possessivo “seu”. Incide a exceção “se estiver a serviço de seu país”.Então, pela literalidade incide a regra, será brasileiro nato. 
INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA: incide a exceção (não será brasileiro).
O método teleológico busca entender a razão de ser da norma, a qual é essas pessoas estarem tratando de interesses de países alheios, que não do Brasil, integrando, portanto, a exceção da norma. 
Um destes posicionamentos é absolutamente prevalecente na doutrina: INTERPRETAÇÃO LITERAL – partindo do princípio de interpretação, que as normas restritivas não devem ser interpretadas de forma ampliativa. 
Se a serviço de organismo internacional de que a República Federativa do Brasil seja parte?
Neste caso, incide a regra, pois aquele argumento teleológico que os excluem por tratarem de interesses outros que não os nossos, aqui não se aplicam, pois, se tratam de interesses da ONU, consequentemente tratam de interesses do Brasil, que faz parte da ONU. 
Consensual: Se o Brasil for integrante daquele órgão, consequentemente estão tratando de nossos interesses. 
►Critério do iussanguinis + serviço
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
Nascidos “no estrangeiro” (fora dos limites da nossa soberania):
Pai ou mãe brasileiro(a) basta um;
A serviço diplomático (historicamente) ou serviço público de qualquer natureza prestado aos órgãos da administração centralizada ou descentralizada ou qualquer pessoa pública de direito interno (U/E/DF/M).
Interpretação extensiva/ampliativa: pois não se restringe no texto o serviço diplomático e se deu a cláusula amplitude máxima (para que estas pessoas ficassem em situação indefinida).
	Nessa hipótese, o legislador constituinte adotou o critério ius sanguinis, combinado com um requisito adicional, qual seja, a necessidade de que o pai ou a mãe brasileiros (ou ambos, evidentemente), natos ou naturalizados, estejam a serviço da República Federativa do Brasil (critério funcional).
►(C.1) Critério do iussanguinis + registro (bastante, hipótese restabelecida pela EC 54/2007, que havia sido suprimida pela ECR 3/94 – ver ADCT, art. 95 e Resolução CNJ 155/2012)
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente; 
Pai ou mãe brasileiros, basta um;
Registro consular;
Não precisa vir residir, nem “optar”.
ECR 3/94 (suprimiu a hipótese de tal maneira que ficou restrita a possibilidade somente àqueles que estivessem a serviço do Brasil) – EC 54/2007 (restabeleceu e deu efeito retroativo para pegar todas as pessoas que tinham ficado entre a EC de 94 até 2007).
Obs.: registra a criança no consulado brasileiro. A embaixada cuida dos interesses do Brasil e o consulado cuida dos interesses dos nacionais. 
► (C.2) Critério ius sanguinis + vínculo territorial + “opção”
c) (...) ou, ainda que não sejam registrados, venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; 
Nascido no estrangeiro;
Pai ou mãe brasileiro(a), basta um.
Ausência de registro consular;
Residência no Brasil – fato gerador na nacionalidade (traslado do assento estrangeiro – art. 8º, Res. CNJ 155/2012)Brasileiro nato sob condição;[4: Art. 8º O traslado de assento estrangeiro de nascimento de brasileiro, que não tenha sido previamente registrado em repartição consular brasileira, deverá ser efetuado mediante a apresentação dos seguintes documentos:a) certidão do assento estrangeiro de nascimento, legalizada por autoridade consular brasileira e traduzida por tradutor público juramentado;b) declaração de domicílio do registrando na Comarca ou comprovante de residência/domicílio, a critério do interessado. Na falta de domicílio no Brasil, o traslado deverá ser efetuado no 1o Ofício do Distrito Federal;c) requerimento assinado pelo registrado, por um dos seus genitores, pelo responsável legal ou por procurador; ed) documento que comprove a nacionalidade brasileira de um dos genitores.§ 1º Deverá constar do assento e da respectiva certidão do traslado a seguinte observação: "Nos termos do artigo 12, inciso I, alínea "c", in fine, da Constituição Federal, a confirmação da nacionalidade brasileira depende de residência no Brasil e de opção, depois de atingida a maioridade, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira, perante a Justiça Federal".]
“Opção”, em qualquer tempo, após a maioridade (ato personalíssimo):Declaração unilateral de vontade de conservar a nacionalidade brasileira que, condicionada a esta manifestação, a CF atribui a fixação da residência. É “confirmativa” da nacionalidade, não “formativa”;
Como o efeito depende exclusivamente da vontade do interessado, a hipótese é chamada de “nacionalidade potestativa”, uma vez que, manifestada a opção, não se pode recusar o reconhecimento da nacionalidade ao interessado. 
A exigência da “opção” é uma condição suspensiva da nacionalidade, a partir da maioridade:
“Dessarte, o menor, nascido no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, que venha a residir no Brasil ainda menor, será, durante a menoridade, considerado brasileiro nato, sem restrições, porque ele, enquanto for menor, não tem como efetuar a opção. Assim que ele atingir a maioridade, passa a estar suspensa a sua condição de brasileiro nato, ou seja, a partir da data em que atingiu a maioridade, enquanto ele não manifestar a sua vontade, não será considerado brasileiro nato.
Obs.: COMPETÊNCIA: - Juiz federal – art. 109, X
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;
“O STF firmou entendimento de que, embora seja potestativa, sua forma não é livre: a opção há de ser feita em juízo, em processo de jurisdição voluntária, que finda com a sentença que homologa a opção e lhe determina a transcrição, uma vez acertados os requisitos objetivos e subjetivos dela.”
18
Condição suspensiva da nacionalidade
Opção “confirmativa”
Uma vez realizada, gera efeitos 
extunc
.
Fatogerador (dia da fixação da resid
ê
ncia)
Questão: A EMANCIPAÇÃO (CC, art. 5º, p.ú, I) faz incidir a condição suspensiva?
Não, pois o art. 12 da CF refere-se a “atingida a maioridade” e a emancipação não antecipa a maioridade, mas sim faz cessar a incapacidade. 
2. BRASILEIRO NATURALIZADO
 Tácita (?) – art. 69, §4º c/c 189;
 Expressa (Lei 6815/80):
Ordinária (Art. 12, II, a)
Comum – Art. 112, Lei – condições;
Originário – Art. 12, II, a, 2ª parte;
Extraordinária – Art. 12, II, b;
A nacionalidade secundaria decorre de ato voluntario. 
►Quanto a naturalização tácita:
Quando foi proclamadaa República e promulgada a Constituição da Primeira República, esta trazia regra que determinava que,promulgada a constituição começaria prazo de 6 meses para que estrangeiros que estivesse no Brasil manifestasse vontade de permanecer estrangeiro, de forma que os que assim não fizesse estariamautomaticamente naturalizados.
Assim, a grande naturalização, feita deforma tácita, decorreu desta constituição de 1981.
Naturalizaçã
o tácita dos estrangeiros que nã
o
 se manifestaram
Promulgação da 
Constituição de 1981
6meses
Atualmente, a aquisição da naturalização DEVE ser sempre expressa:
Naturalizaçãoordinária
 - comum
;II - naturalizados:
Naturalização
extra
ordinária
 / quinzenária
;a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.  
Naturalizaçãoordinária
 - originários
;§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. 
►Naturalização ordinária COMUM
Processo administrativo – requerimento de naturalização ao Ministro da Justiça; 
Nessa hipótese, é concedida a naturalização aos estrangeiros, residentes no país, que cumpram os requisitos previstos na lei brasileira de naturalização.
Requisitos que a lei estabelece p/ viabilizar o processo de naturalização – art. 112 da lei do estrangeiro (lei 6815/80):
Art. 112. São condições para a concessão da naturalização:         
I - capacidade civil, segundo a lei brasileira;
II - serregistrado como permanente no Brasil;
III - residência contínua no território nacional, pelo prazo mínimo de quatro anos, imediatamente anteriores ao pedido de naturalização;
IV - ler e escrever a língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando;
V - exercício de profissão ou posse de bens suficientes à manutenção própria e da família;
VI - bom procedimento;
VII - inexistência de denúncia, pronúncia ou condenação no Brasil ou no exterior por crime doloso a que seja cominada pena mínima de prisão, abstratamente considerada, superior a 1 (um) ano; e
VIII - boa saúde.
§ 1º não se exigirá a prova de boa saúde a nenhum estrangeiro que residir no País há mais de dois anos.
§ 2º verificada, a qualquer tempo, a falsidade ideológica ou material de qualquer dos requisitos exigidos neste artigo ou nos arts. 113 e 114 desta Lei, será declarado nulo o ato de naturalização sem prejuízo da ação penal cabível pela infração cometida.  
§ 3º A declaração de nulidade a que se refere o parágrafo anterior processar-se-á administrativamente, no Ministério da Justiça, de ofício ou mediante representação fundamentada, concedido ao naturalizado, para defesa, o prazo de quinze dias, contados da notificação.    
     
Não existe direito subjetivo a naturalização ordinária. A concessão ou não da naturalização é ato discricionário; não existe direito subjetivo que se contraponha ao ato da autoridade que zela necessariamente pelos interesses nacionais – art. 121 da lei.
Art. 121. A satisfação das condições previstas nesta Lei não assegura ao estrangeiro direito à naturalização.
Celso de Mello – “a concessão da naturalização é faculdade exclusiva do Poder Executivo. A satisfação das condições, exigências e requisitos legais não assegura ao estrangeiro direito à naturalização. A outorga da nacionalidade brasileira secundária a um estrangeiro constitui manifestação de soberania nacional, sendo faculdade discricionária do Poder Executivo”
Se Requerimento deferido pelo Ministro da Justiça: assina portaria de naturalização, a qual é publicada no Diário Oficial. A partir deste momento ele é brasileiro naturalizado? Ainda não. A vista desta portaria é expedido certificado de naturalização; documento que é encaminhada ao domicilio do naturalizando, mas encaminhado ao juiz federal da 1ª vara. 
Essa intervenção do poder judiciário se dá apenas ad solenitatem. O juiz federal vai marcar uma audiência e na presença do Procurador da República, esta pessoa irá se apresentar perante o juiz federal, mais uma vez demonstrará capacidade de ler texto na língua portuguesa, será lavrado termo de audiência, o qual será assinado pelo estrangeiro e entregue o certificado de naturalização, e apenas a partir de então será considerado brasileiro naturalizado. 
O brasileiro naturalizado é obrigado a se alistar eleitor? Sim. A partir de que momento começaria correr o prazo para que se alistasse eleitor? O termo inicial é a entrega do certificado e terá o mesmo prazo de 1 ano para fazer o alistamento eleitora.
►Naturalização ordinária ORIGINÁRIA
Alteração do requisito temporal;
No caso dos estrangeiros originários de países de língua portuguesa, exigem-se apenas:
residência por um ano ininterrupto; e
idoneidade moral;
►Naturalização extraordinária / quinzenária;
São três os requisitos para aquisição da nacionalidade extraordinária:
residência ininterrupta no Brasil há mais de 15 anos;
ausência de condenação penal;
requerimento do interessado;
De alguma forma posso falar em direito subjetivo a naturalização? Sim. Nesta hipótese (alínea b)possui o interessado direito subjetivo à nacionalidade brasileira, desde que preenchidos os pressupostos. Ou seja, nesta espécie de naturalização, ao contrário da ordinária, não há discricionariedade para o Chefe do Poder Executivo.
Cumpridos os 15 anos de residência no Brasil sem condenação penal, efetivado o requerimento, o Chefe do Poder Executivo não poderá negar a naturalização.
HIPÓTESES CONSTITUCIONAIS DE TRATAMENTO DIFERENCIADO ENTRE BRASILEIROS NATOS E NATURALIZADOS
1) CARGOS – Art. 12, §3º
Cargos:
Eletivos;
Efetivos (de provimento em caráter efetivo); 
Em comissão; 
Rol taxativo:
Linha
sucessória
;§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
Linhasubstitutiva;II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa
Ratio? – Linha sucessória / Substitutiva – Basicamente razão de segurança nacional; 
Na constituição anterior, extenso rol. Na vigente, poucos casos – enumeração taxativa. 
Questão: Brasileiro naturalizado pode ser ministro de qualquer tribunal superior do Brasil? Verdadeiro. Supremo não é tribunal superior. 
Brasileiro naturalizado pode ser ministro do STJ? Qualquer pergunta que fizerem sobre cargos do poder judiciário: todos os cargos do poder judiciário são acessíveis ao brasileiros naturalizados, exceto ministro do STF.
Obs.: Tribunais Superiores:
STJ – Todos cargos são acessíveis ao brasileiros naturalizados - Mínimo 33 - (104)
TST – Todos cargos são acessíveis ao brasileiros naturalizados (111-A) (27)
TSE – 7 ministros (119) – esses 7 ministros, 3 são ministros do STF; 2 do STJ e 2 advogados;
STM (123) – 15 ministros:
10 cargos deste tribunal não sã
o acessíveis a brasileiros naturalizados pela origem.3 – marinha;
4 – exercito;
3 – aeronáutica;
5 – civis;
Assim, algumas posições dos tribunais superiores não podem ser ocupadas por brasileiros naturalizados, não por exigência do próprio cargo, mas por exigência da origem.
Obs.: Art. 144, CF - A taxatividade é das forças armadas. Brasileiro naturalizado pode ser capitão da PM em SP, por exemplo, pois a oficialidade das policiais militares e dos corpos de bombeiros pode ser ocupada por brasileiros naturalizados.
Obs.: Ministro de estado da defesa:
EC 23 - LC 97/99 – cria o cargo de ministro da defesa, que comanda as forcas armadas. Assim, se os cargos de oficiais dasforcas armadas são privativos de brasileiros natos, assim também deveria ser o de ministro da defesa.
Assim, também DEVERIAM ser cargos exclusivos de brasileiros natos (PORÉM , NÃO SÃO):
Ministro das relações exteriores (chefe dos diplomatas);
Ministro da justiça (segurança jurídica);
2) FUNÇÃO NO CONSELHO DA REPÚBLICA
Art. 89, VII – “seis cidadãos brasileiros natos”
- Essa expressão que esta ai no texto não é pleonástica? Ou esta correta tecnicamente? Esta correta. Brasileiro + nato + cidadão. 
- Brasileiro naturalizado pode de alguma forma integrar o Conselho da República. Falso ou verdadeiro? Verdadeiro, conforme o inciso IV, V e VI.
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.
3) Art. 222 (EC. 36)–DIREITO DE PROPRIEDADE DE EMPRESA JORNALÍSTICA E DE RADIODIFUSÃO SONORA E DE SONS E IMAGENS 
Discriminado: naturalizado que não tenha completado 10 aos de naturalizado (a contar da entrega formal da certidão de naturalização).
Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País.
4) EXTRADIBILIDADE – Art. 5º, LI
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
Possibilidade de extradição:
BRASILEIRO NATO não será extraditado em NENHUMA circunstância. É imune a extradição. NUNCA.
BRASILEIRO NATURALIZADO: SIM, em determinadas circunstancias.
EXTRADIÇÃO: (*ATENÇÃO: projeto de lei em votação que trata acerca de extradição)
É um instrumento de cooperação internacional, aplicável ao estrangeiro e ao naturalizado em determinadas circunstâncias. 
Fala-se em extradição ativa naquilo que o Estado requer a um outro Estado e extradição passiva é aquela que é requerida ao Brasil. 
Exemplo: Nacional alemão que comete crime na Alemanha e foge para o Brasil. Contra essa pessoa na justiça da Alemanha existe uma ordem de prisão que tanto pode ser uma prisão por uma condenação, como pode ser uma prisão processual (cautelar), pouco importa. Nestes casos, o governo da Alemanha, tomando conhecimento que esta pessoa está no Brasil, vai solicitar ao Brasil que prenda esteindivíduo e o entregue às autoridades alemãs. 
Fala-se que a extradição será instrutória quando a prisão ainda é uma prisão processual / cautelar,e extradição executória se já existe a sentença condenatória. 
PROCEDIMENTO:
Estatuto do estrangeiro – Lei 6815/80 – Arts. 76 a 84 (arts. 80 a 83 com redação da lei 12.878/13).
Art. 76. A extradição poderá ser concedida quando o governo requerente se fundamentar em tratado, ou quando prometer ao Brasil a reciprocidade.
E se não houver um tratado bilateral, isso impede a extradição? 
Segundo a lei nova, se o pedido se fundamentar em tratado, a solicitação vai diretamente ao Ministério da Justiça que faz apenas exame dos pressupostos formais e encaminha esse processo (estando presentes os pressupostos) ao STF. A partir deste momento, o procedimento é judicial (supremo que vai decidir sobre a questão da extradição). 
Se não houver o tratado a via será diplomática e será direcionado Ministério das Relações Exteriores, que encaminha ao Ministro da Justiça, que encaminha ao STF. 
Fase administrativa – exame dos pressupostos formais.
Fase judiciária: Art. 102, I, g, CF
*Competência da turma após ER 45/2011
Art. 82(recepcionado em parte): prisão cautelar do extraditado pelo ministro relator – condição de procedibilidade (mas exame da necessidade / razoabilidade) garantia da efetividade da decisão.
Art. 81. O Ministério das Relações Exteriores remeterá o pedido ao Ministério da Justiça, que ordenará a prisão do extraditando colocando-o à disposição do Supremo Tribunal Federal. (Renumerado pela Lei nº 6.964, de 09/12/81)
Art. 81.  O pedido, após exame da presença dos pressupostos formais de admissibilidade exigidos nesta Lei ou em tratado, será encaminhado pelo Ministério da Justiça ao Supremo Tribunal Federal.      (Redação dada pela Lei nº 12.878, de 2013)
Parágrafo único.  Não preenchidos os pressupostos de que trata o caput, o pedido será arquivado mediante decisão fundamentada do Ministro de Estado da Justiça, sem prejuízo de renovação do pedido, devidamente instruído, uma vez superado o óbice apontado.     (Redação dada pela Lei nº 12.878, de 2013)
O ministro da justiça não poderia mais mandar prender; mas a prisão do extraditando continua existindo, mas sendo decretada pelo ministro relator do STF.
Art. 82 – MJ representará ao STF pela prisão do extraditando – ADI 5325 – PGR – inconstitucionalidade / porque ofende o principio acusatório. 
Interpol (lista de procurados internacionais – solicita a prisão dessa pessoa para posteriormente haver o pedido de extradição);
Interrogatório – defesa (?)
Art. 82.  O Estado interessado na extradição poderá, em caso de urgência e antes da formalização do pedido de extradição, ou conjuntamente com este, requerer a prisão cautelar do extraditando por via diplomática ou, quando previsto em tratado, ao Ministério da Justiça, que, após exame da presença dos pressupostos formais de admissibilidade exigidos nesta Lei ou em tratado, representará ao Supremo Tribunal Federal.       
§ 1o  O pedido de prisão cautelar noticiará o crime cometido e deverá ser fundamentado, podendo ser apresentado por correio, fax, mensagem eletrônica ou qualquer outro meio que assegure a comunicação por escrito.       
§ 2o  O pedido de prisão cautelar poderá ser apresentado ao Ministério da Justiça por meio da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), devidamente instruído com a documentação comprobatória da existência de ordem de prisão proferida por Estado estrangeiro.      
§ 3o  O Estado estrangeiro deverá, no prazo de 90 (noventa) dias contado da data em que tiver sido cientificado da prisão do extraditando, formalizar o pedido de extradição.      
§ 4o  Caso o pedido não seja formalizado no prazo previsto no § 3o, o extraditando deverá ser posto em liberdade, não se admitindo novo pedido de prisão cautelar pelo mesmo fato sem que a extradição haja sido devidamente requerida.   
Procedimento: a pessoa é presa; começa com o interrogatório do extraditando (carta de ordem) e tem prazo de 10 dias para efetuar sua defesa. 
Sistema belga ou sistema da contenciosidade limitada: estabelece / restringe o que é matéria útil na defesa a extradição. O art. 77 da lei que estabelece quais são as causas impeditivas da extradição e, portanto, correspondem a defesa própria no pedido de extradição. 
1º ponto a ser analisado: Essa conduta aqui no Brasil seria também crime? 
Isso se chama requisito da dupla tipicidade. Se o fato for típico lá, mas não for típico aqui, não será concedida a extradição (“se o fato que motivar o pedido não for considerado crime no estado requerente” ou se tiver pena de prisão igual ou inferior a 1 ano, ainda que haja dupla tipicidade, não concede a extradição).
2º ponto: verificar se eventualmente não ocorreu qualquer forma de prescrição segundo as duas lei (do Brasil e do pais requerente) – defesa técnica.
3º ponto: crime político ou de opinião - Art. 5º, LII.
Crimepolítico está sob reserva jurisdicional (diferentemente da definição da hediondez, que está sob reserva legal). Assim, quem diz se o crime é ou não político é o STF. Estando a matéria sob reserva jurisdicional, se o supremo entender que se trata de crime político ou de opinião, será fator obstativo da extradição. 
Crime político para fins extradicionais será o “preponderantemente político” – motivação ideológica (contraria a forma pela qual as instituições naquele estado estão sendo geridas); com o fim de atingir instituições do Estado (ou pessoas que as representem), porque geridas segundo ideologia contrária. São excluídos desta qualificação as condutas violentas, de terrorismo, etc.
Exemplos:
Extradição n. 700 - Alemão que era detentor de segredos de estado na Alemanha no tocante à pesquisa e armamentos nucleares entregou tudo que sabia por motivação ideológica ao governo do Iraque e fugiu par o Brasil. O governo da Alemanha pediu a extradição ao Brasil, que negou a extradição porque os ministros do STF entenderam que se tratou de motivação ideológica.
Chileno praticou atos de terrorismo com fundamento ideológico. STF concedeu a extradição. 
Crime de opinião: “Manifestação de pensamento contrário aos valores que informam a ordem social e política do país requisitante”(Manuel Gonçalves FFilho)
Para nós, manifestar o pensamento, mais do que não ser um crime, é um direito constitucionalmente assegurado.Seria um contra-senso autorizar extradição. Além desta previsão constitucional, não haveria dupla tipicidade; 
STF:
- Indefere: negada a extradição – decisão que vincula o governo;
- Defere: vincula ou não o governo? Entrega obrigatória? (Extradição 1.085)
	Sim (4 ministros)
	Não – discricionária (4 ministros)
Condição de refugiado: a concessão obsta o pedido extradicional. 
Brasileiro nato: 
Impossível a extradição. Possibilidade de aplicação do art. 7, do CP – caso de extraterritorialidade.
Brasileiro naturalizado: 
Relevância do aspecto temporal:
Ex.: sujeito pratica crime na Alemanha; vem para o Brasil e se naturaliza. Ocorre que as investigações na Alemanha conseguem hoje identificar aquela pessoa como sendo autora do crime e expede ordem de prisão. Alguma chance do governo da Alemanha conseguir a extradição? Sim, pois cometeu o crime antes da naturalização. 
Se depois da naturalização vai viajar, mata alguém e volta. Neste caso não pode ser extraditado. 
Se comete o crime depois da naturalização: será extraditado apenas no caso de cometer crime de tráfico. 
Hoje não seria extraditado, pois exige “na forma da lei”. Nesse caso, o sistema extradicional não é o belga, mas o da contenciosidade plena. Por esse sistema o STF terá que verificar se as provas que sustem aquela condenação são adequadas e suficientes. Aqui se estabelece esta diferença pois diz “comprovado” envolvimento.
Portanto, o sistema brasileiro é o belga, com uma exceção. 
Porém, procedimento que ainda não existe.
Norma constitucional de eficácia jurídica limitada. 
PERDA DE NACIONALIDADE
§4º - ECR 3/94
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tivercancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
I – BRASILEIRO NATURALIZADO: cancelamento da naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional por sentença judicial. 
Lei 818/49 – o inciso não se refere à declaração de nulidade do ato de naturalização em caso de falsidade ideológica / material dos requisitos para concessão:
Art. 35. Será nulo o ato de naturalização se provada a falsidade ideológica ou material de qualquer dos requisitos exigidos pelos arts. 8º e 9º.          
§ 1º A nulidade será declarada em ação, com o rito constante dos artigos 24 a 34, e poderá ser promovida pelo Ministério Público Federal ou por qualquer cidadão.
§ 2º A ação de nulidade deverá ser proposta dentro dos quatro anos que se seguirem à entrega da certidão de naturalização
Previsão: art. 112, §2º da Lei 6.815/80 – Súmula 473 STF.
§ 2º verificada, a qualquer tempo, a falsidade ideológica ou material de qualquer dos requisitos exigidos neste artigo ou nos arts. 113 e 114 desta Lei, será declarado nulo o ato de naturalização sem prejuízo da ação penal cabível pela infração cometida. 
3º A declaração de nulidade a que se refere o parágrafo anterior processar-se-á administrativamente, no Ministério da Justiça, de ofício ou mediante representação fundamentada, concedido ao naturalizado, para defesa, o prazo de quinze dias, contados da notificação.     
Súmula 473 - A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
Porém: no julgamento do RMS 27.840, em 2013, o STF declarou a não recepção dos §§ 2º e 3º do art. 112 – assentando que: deferida a naturalização, seu desfazimento só pode ocorrer mediante processo judicial (em qualquer hipótese – seja na hipótese de atividade nociva, seja por fraude).
NATURALIZAÇÃO – REVISÃO DE ATO – COMPETÊNCIA. Conforme revela o inciso I do § 4º do artigo 12 da Constituição Federal, o Ministro de Estado da Justiça não tem competência para rever ato de naturalização.
Qualquer cancelamento de naturalização exige sentença e que a referencia a atividade nociva é meramente exemplificativa.
O cancelamento da naturalização em qualquer hipótese exige sentença judicial. 
Se o brasileiro naturalizado praticar atividade nociva ao interesse nacional ele estaria sujeito ao cancelamento de sua naturalização por sentença judicial. A lei que disciplina esta hipótese é uma lei promulgada na vigência da CF/56 que estabelece de maneira singela como se da o procedimento: competência justiça federal e consistira em denúncia oferecida pelo MP imputando ao naturalizado que terá seu objeto de prova no processo a prática desta conduta considerada nociva ao interesse nacional. 
Porém, grande parte da doutrina entende em primeiro lugar que esta lei, nesta parte, não teria sido recepcionada, pois nesta lei não há discrição mínima do que seja atividade nociva ao interesse nacional. Haveria necessidade que houvesse tipicidade mínima que não existe na lei. Atividade nociva não pode ser aquilo que o procuradorou juiz acha que é, em face da constitucionalização da tipicidade penal.
O interesse prático residia na hipótese de, por exemplo, alguém comete um crime (um alemão), porém sua autoria não é apurada naquele momento, ele foge para o Brasil e obtém a naturalização, mediante declaração ideologicamente falsa. Investigações posteriores levam sua identificação. O ato administrativo consistente na portaria do Ministro da Justiça que seria nulo diante do vicio de declaração. - §2º, art. 112 estatuto do estrangeiro.
Concretizada a hipótese de obtenção da naturalização em fraude, o Ministério da Justiça faria revisão por processo administrativo e o Ministro da Justiça declararia a nulidade do ato de naturalização, nos termos da súmula 473 do STF. 
No entanto, STF entendeu que estes parágrafos não tratam de inconstitucionalidade porque a lei é anterior de 88, mas simplesmente não foram recepcionados pela nova ordem constitucional porque o desfazimento só pode ser feito mediante sentença judicial. 
II – BRASILEIRO NATO: Aquisição voluntária de outra nacionalidade – conseqüência: perda da nacionalidade brasileira:Conduta ativa / específica: ele toma a iniciativa e faz pedido especifico
Pedido: aceitação pelo estado estrangeiro, SALVO
a) Reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) (Embora haja conduta ativa / especifica) no caso de ficar caracterizada imposição(logo: falta de voluntariedade) da naturalização como condição de 
- Permanência no território;
- Exercício direitos civis;
Exemplos (direito ao trabalho):
Promotora – NY
Jogadores de futebol – Jean Marc Bosman e Mauro Silva 
Obs.: Informativo brasileira que perde nacionalidade – possibilidade de extradição:
NOVO: “A Primeira Turma, por maioria, denegou mandado de segurança em que se questionava ato do ministro da Justiça que declarara a perda da nacionalidade brasileira da impetrante (CF, art. 12, § 4º, II), por ter adquirido outra nacionalidade (Lei 818/1949, art. 23). No caso, a impetrante, brasileira nata, obtivera a nacionalidade norte-americana de forma livre e espontânea e, posteriormente, fora acusada, nos Estados Unidos da América, da prática de homicídio contra seu marido, nacional daquele país. Diante disso, o governo norte-americano indiciara a impetrante e requerera às autoridades brasileiras a prisão para fins de extradição. O Colegiado entendeu que o ato do ministro da Justiça de cassação da nacionalidade brasileira é legítimo, pois a impetrante perdera a nacionalidade brasileira ao adquirir outra em situação que não se enquadraria em qualquer das duas exceções constitucionalmente previstas (...).”
[MS 33.864, rel. min. Roberto Barroso, j.19-4-2016, 1ª T, Informativo 822.]
RESUMO DIZER O DIREITO:
HIPÓTESES DE PERDA DA NACIONALIDADE (art. 12, § 4º, da CF/88)
	SERÁ DECLARADA A PERDA DA NACIONALIDADE DO BRASILEIRO QUE:
	I – Praticar atividade nociva
ao interesse nacional
	II - Adquirir outra nacionalidade
	A doutrina denomina de "perda-punição".
	A doutrina denomina de "perda-mudança".
	Se um brasileiro naturalizado praticar atividade nociva ao interesse nacional terá cancelada a sua naturalização.
	Se um brasileiro, nato ou naturalizado, adquirir voluntariamente uma nacionalidade estrangeira, perderá, então, a brasileira.
	Essa perda ocorre por meio de um processo judicial, assegurado contraditório e ampla defesa, que tramita na Justiça Federal (art. 109, X, da CF/88).
A lei não descreve o que seja atividade nociva ao interesse nacional.
	Esta perda ocorre por meio de um processo administrativo, assegurado contraditório e ampla defesa, que tramita no Ministério da Justiça.
	Após a tramitação do processo, a perda efetiva-se por meio de sentença que deve ter transitado em julgado.
	Após a tramitação do processo, a perda efetiva-se por meio de Decreto do Presidente da República.
	Os efeitos da sentença serão ex nunc.
	Os efeitos do Decreto serão ex nunc.
	Esta hipótese de perda somente atinge o brasileiro naturalizado.
Assim, o brasileiro nato não pode perder a sua nacionalidade, mesmo que pratique atividade nociva ao interesse nacional.
	Esta hipótese de perda atinge tanto o brasileiro nato como o naturalizado.
	Havendo a perda da nacionalidade por este motivo, a sua reaquisição somente poderá ocorrer caso a sentença que a decretou seja rescindida por meio de ação rescisória.
Desse modo, não é permitido que a pessoa que perdeu a nacionalidade por esta hipótese a obtenha novamente por meio de novo procedimento de naturalização.
	Havendo a perda da nacionalidade por este motivo, a sua reaquisição será possível por meio de pedido dirigido ao Presidente da República, sendo o processo instruído no Ministério da Justiça. Caso seja concedida a reaquisição, esta é feita por meio de Decreto.
Alexandre de Moraes defende que o brasileiro nato que havia perdido e readquire sua nacionalidade, passa a ser brasileiro naturalizado (e não mais nato).
Por outro lado, José Afonso da Silva afirma que o readquirente recupera a condição que perdera: se era brasileiro nato, voltará a ser brasileiro nato; se naturalizado, retomará essa qualidade.
	
	Exceções
A CF traz duas hipóteses em que a pessoa não perderá a nacionalidade brasileira, mesmo tendo adquirido outra nacionalidade.
Assim, será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade, salvo no casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
Ex: a Itália reconhece aos filhos de seus nacionais a cidadania italiana. Os brasileiros descendentes de italianos que adquirem aquela nacionalidade não perderão a brasileira, uma vez que se trata de mero reconhecimento de nacionalidade originária italiana em virtude do vínculo sanguíneo. Logo, serão pessoas com dupla nacionalidade.
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;
Aqui, o objetivo da exceção é preservar a nacionalidade brasileira daquele que, por motivos de trabalho, acesso aos serviços públicos, moradia etc., praticamente se vê obrigado a adquirir a nacionalidade estrangeira, mas que, na realidade, jamais teve a intenção ou vontade de abdicar da nacionalidade brasileira.
	O procedimento de naturalização ordinária é previsto nos arts. 111 e seguintes do Estatuto do Estrangeiro (Lei n.° 6.815/80).
"W", cidadão austríaco, requereu a naturalização ordinária brasileira, tendo ela sido deferida por portaria do Ministro da Justiça (art. 111 da Lei n.° 6.815/80), de modo que ele se tornou brasileiro naturalizado.
Ocorre que, posteriormente, verificou-se que "W" havia feito, no pedido de naturalização, declaração ideologicamente falsa de que nunca tinha sofrido condenação criminal quando, na verdade, ele já havia sim sido condenado em seu país de origem.
Qual é a importância dessa declaração?
O art. 112 do Estatuto do Estrangeiro elenca as condições para a naturalização, sendo uma delas a inexistência de processo criminal por delito cuja pena seja superior a 1 ano. Veja:
Art. 112. São condições para a concessão da naturalização:
I - capacidade civil, segundo a lei brasileira;
II - ser registrado como permanente no Brasil;
III - residência contínua no território nacional, pelo prazo mínimo de quatro anos, imediatamente anteriores ao pedido de naturalização;
IV - ler e escrever a língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando;
V - exercício de profissão ou posse de bens suficientes à manutenção própria e da família;
VI - bom procedimento;
VII - inexistência de denúncia, pronúncia ou condenação no Brasil ou no exterior por crime doloso a que seja cominada pena mínima de prisão, abstratamente considerada, superior a 1 (um) ano; e
VIII - boa saúde.
O que aconteceu quando o Ministério da Justiça tomou conhecimento desta falsidade ideológica?
Foi instaurado um processo administrativo e, ao final, cancelado o deferimento da naturalização concedida.
Os fundamentos utilizados para a anulação do ato de naturalização foram o poder de autotutela administrativa (Súmula 473-STF) e os §§ 2º e 3º do art. 112 do Estatuto do Estrangeiro, que preveem o seguinte:
§ 2º Verificada, a qualquer tempo, a falsidade ideológica ou material de qualquer dos requisitos exigidos neste artigo ou nos arts. 113 e 114 desta Lei,será declarado nulo o ato de naturalização sem prejuízo da ação penal cabível pela infração cometida.
§ 3º A declaração de nulidade a que se refere o parágrafo anterior processar-se-á administrativamente, no Ministério da Justiça, de ofício ou mediante representação fundamentada, concedido ao naturalizado, para defesa, o prazo de quinze dias, contados da notificação.
O interessado ("W") impetrou mandado de segurança no STJ contra o ato do Ministro da Justiça (art. 105, I, b, da CF/88), tendo sido denegada a segurança. Ainda inconformado, "W" interpôs, contra a decisão, recurso ordinário constitucional no STF (art. 102, II, a). Qual foi a decisão?
O STF decidiu que, segundo o art. 12, § 4º, I, da CF/88, após tersido deferida a naturalização, seu desfazimento só poderia ocorrer mediante processo judicial, mesmo que o ato de concessão da naturalização tenha sido embasado em premissas falsas (erro de fato).
A única situação em que é possível a perda da nacionalidade por meio de processo extrajudicial ocorre quando o brasileiro adquirir outra nacionalidade fora das exceções previstas (art. 12, § 4º, II, da CF/88).
Em razão desta conclusão, o STF anulou a Portaria do Ministro da Justiça que havia cancelado a naturalização de "W", deixando consignado, contudo, que poderia ser proposta uma ação judicial para anular este ato de naturalização.
E a previsão contida nos §§ 2º e 3º do art. 112 do Estatuto do Estrangeiro que permitia o Ministro da Justiça a agir daquela forma?
O STF entendeu que os §§ 2º e 3º do art. 112 da Lei n.° 6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) não foram recepcionados pela CF/88.
NACIONAIS PORTUGUESES COM RESIDÊNCIA PERMANENTE NO PAÍS
Art. 12, §1º (laços históricos e culturais)
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. 
- “Se houver reciprocidade” (“DO UT DES”) 
- Tratado de amizade celebrado em Porto Seguro em 22/04/2000 (não foi o primeiro). Promulgado pelo decreto 3927/2001.
Duas situações:
a) Igualdade de direitos / obrigações civis – Art. 15. “O estatuto de igualdade será atribuído mediante decisão do Ministério da Justiça, no Brasil, e do Ministério da Administração Interna, em Portugal, aos brasileiros e portugueses que o requeiram, desde que civilmente capazes e com residência habitual no país em que ele é requerido.”
“Residência habitual” e civilmente capaz deixa de ser considerado “estrangeiro”, embora mantenha a nacionalidade de origem – “quase nacionalidade”.
Conseqüência: deixa de seu considerado estrangeiro, embora ainda seja português. 
b) Gozo direitos políticos(português equiparado de grau máximo)
- Três anos de residência habitual (Art. 17)
- Acesso à cidadania, sem o pressuposto da nacionalidade (fará o alistamento eleitoral, nada obstante tenha nacionalidade portuguesa);
- Porém, art. 17, n.3
No momento que esta pessoa faz alistamento eleitoral aqui, a situação original fica suspensa (pelo tratado não se exerce dupla cidadania). 
Artigo 17
        1. O gozo de direitos políticos por brasileiros em Portugal e por portugueses no Brasil só será reconhecido aos que tiverem três anos de residência habitual e depende de requerimento à autoridade competente.
        2. A igualdade quanto aos direitos políticos não abrange as pessoas que, no Estado da nacionalidade, houverem sido privadas de direitos equivalentes.
        3. O gozo de direitos políticos no Estado de residência importa na suspensão do exercício dos mesmos direitos no Estado da nacionalidade.
Preenchido o requisito, é direito subjetivo? A norma escrita no art. 12, 1º que contempla hipótese de quase nacionalidade, não opera de modo imediato, seja quanto a seu conteúdo eficacial. 
STF - Ato discricionário (reconheceu a inexistência de direito subjetivo). – questão obter dictum (de passagem).
	Portanto, nessa hipótese, não se trata de concessão aos portugueses de nacionalidade brasileira (se assim o desejarem, deverão instaurar o processo de naturalização ordinária, valendo-se da condição de estrangeiro originário de país de língua portuguesa). Os portugueses residentes no Brasil continuam portugueses e os brasileiros que vivem em Portugal continuam com a nacionalidade brasileira. O que acontece é que, uns e outros, recebem direitos que, no geral, somente poderiam ser concedidos aos nacionais de cada país.
São dois os pressupostos para que os portugueses possam gozar dos direitos de brasileiros naturalizado: (i) que tenham residência permanente no Brasil; (ii) que haja reciprocidade, ou seja, que o ordenamento jurídico português outorgue ao brasileiro com residência permanente em Portugal o mesmo direito.
ESTATUTO JURÍDICO DOS ESTRANGEIROS
1) ACESSO A CARGOS PÚBLICOS:
Vedação na redação original – 37, I;
  I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei; 
O caráter xenófobo da regra é evidente. Criava-se uma restrição absoluta aos estrangeiros no tocante a acessibilidade aos cargos públicos.
Alteração EC 19/98;
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
A alteração da regra geral se deu por esta EC admitiu que os estrangeiros tivessem acesso a cargos públicos na forma da lei (norma de eficácia jurídica limitada).A integração desse preceito permite que se faça por lei estadual.
Antes a EC 11/96 já havia acrescentado §§1º e 2º ao art. 207 (universidades) – lei 9.515/97;
Art. 1º O art. 5º da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, em virtude da permissão contida nos §§ 1º e 2º do art. 207 da Constituição Federal, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3º:
"Art. 5º, §3º. As universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica federais poderão prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os procedimentos desta Lei."
Foram acrescentados por emenda anterior – regra especifica de acessibilidade aos magistérios nas universidades (norma de eficácia limitada, mas imediatamente integralizada).
2) EXTRADIÇÃO, DEPORTAÇÃO E EXPULSÃO
Deportação e expulsão: saída compulsória do território nacional;
Deportação: entrada / estada irregular – notificação;
Expulsão: (mais grave) – conduta
►Qual a distinção entre deportação e expulsão?
A deportação e a expulsão implicam na saída compulsória do território nacional. A deportação ocorre nos casos de entrada ou estada irregular do estrangeiro em nosso território. Nesse caso, é notificado para que saia do país em X dias; caso não saia, será deportado. Ou seja, não se executa deportação de imediato. A expulsão é muito mais grave, e se dá caso o estrangeiro pratique conduta que atente contra nossos interesses e, sem prejuízo de processo penal, esta pessoa é expulsa do mais de forma imediata (sem notificação).
Obs.: Arts. 67 e 68 do estatuto do estrangeiro
Art. 67. Desde que conveniente ao interesse nacional, a expulsão do estrangeiro poderá efetivar-se, ainda que haja processo ou tenha ocorrido condenação.   
Art. 68. Os órgãos do Ministério Público remeterão ao Ministério da Justiça, de ofício, até trinta dias após o trânsito em julgado, cópia da sentença condenatória de estrangeiro autor de crime doloso ou de qualquer crime contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a economia popular, a moralidade ou a saúde pública, assim como da folha de antecedentes penais constantes dos autos.         
Parágrafo único. O Ministro da Justiça, recebidos os documentos mencionados neste artigo, determinará a instauração de inquérito para a expulsão do estrangeiro.
Obrigação ao promotor de justiça que atua no processo criminal em que o réu for estrangeiro: se a decisão transitar em julgado, o promotor deve tirar peças desse processo e encaminhar ao Ministro da Justiça para que seja aberto processo de expulsão do estrangeiro.
Imaginemos que alguém foi expulso do Brasil, mas retorna ao território nacional. Essa conduta é típica? Crime próprio – reingresso de estrangeiro expulso – art. 338 do CP (crime contra a administração da justiça).
Reingresso de estrangeiro expulso
Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, sem prejuízo de nova expulsão após o cumprimento da pena.
E o reingresso de deportado? Figura atípica. 
 FATORES IMPEDITIVOS
Art. 75 –filho brasileiro anterior ao fato motivador (também cônjuge / união estável – 5 anos);
Art. 75. Nãose procederá à expulsão:         
I - se implicar extradição inadmitida pela lei brasileira; ou 
II - quando o estrangeiro tiver:
a) Cônjuge brasileiro do qual não esteja divorciado ou separado, de fato ou de direito, e desde que o casamento tenha sido celebrado há mais de 5 (cinco) anos; ou
b) filho brasileiro que, comprovadamente, esteja sob sua guarda e dele dependa economicamente.
§ 1º. não constituem impedimento à expulsão a adoção ou o reconhecimento de filho brasileiro supervenientes ao fato que o motivar.
§ 2º. Verificados o abandono do filho, o divórcio ou a separação, de fato ou de direito, a expulsão poderá efetivar-se a qualquer tempo.
OBS.: RE 608.898 – Filho posterior:
Na lei um fato impeditivo da expulsão do estrangeiro é o fato dele ter filho brasileiro anterior ao fato motivador ou ser casado/união estável por 5 anos. 
E se o filho for posterior e ficar evidenciado o laço afetivo e a dependência econômica dele?
O STJ entendeu que, ainda que o filho seja posterior, em nome do principio constitucional de proteção da família, isso seria fator impeditivo da expulsão (Soberania X Proteção da Família).
STJ – fato impeditivo (favorável a permanência em nosso país)
STF – repercussão geral – a ser julgado.
PENAL. PROCESSUAL PENAL. INTERNACIONAL. HABEAS CORPUS. EXPULSÃO DE ESTRANGEIRA QUE CUMPRIU PENA POR CRIME DE FURTO NO BRASIL. INGRESSO DA UNIÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM HABEAS CORPUS . PRECEDENTES DA CORTE. PACIENTE COM QUATRO FILHOS NASCIDOS NO PAÍS, UM DELES ANTES DO DECRETO EXPULSÓRIO. PRESUNÇÃO DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA E AFETIVA EM RELAÇÃO À MÃE, POR SE TRATAR DE FILHOS ENTRE 4 E 14 ANOS. DIREITO CONSTITUCIONAL DA CRIANÇA AO CONVÍVIO FAMILIAR E À PROTEÇÃO INTEGRAL. CONVENÇÃO DA ONU SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, ENTRE OS QUAIS O DE MANTER RELAÇÕES PESSOAIS COM GENITORES. RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE IMPETRADA DE NÃO SER CASO DE EXPULSÃO EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE PROLE. 
1. Não cabe intervenção de terceiros, no caso a União, no processo de Habeas Corpus , por se tratar de rito célere, sumaríssimo e de proteção urgente ao direito de ir e vir. Precedentes do STJ. 
2. Preenche um dos requisitos da não-expulsão a existência de filhos, mesmo que o parto tenha ocorrido depois do decreto expulsório. No presente caso, porém, a primeira filha da paciente nasceu antes do decreto de expulsão. 
3. Os princípios da proteção integral e da manutenção do convívio familiar a que se referem o art. 227 da Constituição Federal e o princípio da preservação das relações pessoais familiares a que se refere a Convenção da ONU sobre os direitos da criança correm o risco de violação se concretizada a expulsão da mãe de quatro crianças nascidas no Brasil, atualmente com idade entre 4 e 14 anos. 
4. Reconhecimento pela autoridade impetrada, com base em posição do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, de que, independentemente da averiguação quanto à dependência econômica, não se promove a expulsão, quando se tratar de estrangeira com prole no Brasil. 
5. O Parecer do Ministério Público Federal, da lavra do eminente Subprocurador-Geral da República, BRASILINO PEREIRA DOS SANTOS, é pela concessão da ordem. 
6. Habeas Corpus concedido para anular o Decreto de expulsão.
“BANIMENTO” (expulsão do brasileiro)
AI 12/69 – 31/08/69 – Ministros Militares assumem o poder – tempo do sequestro do embaixador americano – seqüestradores pedem a libertação de 15 presos políticos;
AI 13/69 – 05/09/69 – criou-se o instrumento de banimento (expulsão do brasileiro) – com base nesse AI 13 e os 15 brasileiros foram banidos de nosso território.
Registro histórico e a atual CF deixa expressa a proibição de banimento (esta proscrito) – Art. 5º, XLVII, d.
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
Existe idioma oficial de nosso país?
Sim – art. 13 – a língua portuguesa é o idioma oficial – vernáculo;
► Considerando que existe língua oficial no Brasil, logo a CF está escrito obrigatoriamente em português. Falso, pois por diversas vezes é utilizado o latim. 
DIREITOS POLÍTICOS
Nacionalidade Direitos Políticos
Liberdades clássicas (direitos e garantias fundamentais);
DIREITOS FUNDAMENTAIS
Direitos sociais;
Direitos políticos (nacional);
IDEIA INICIAL:
Democracia “Representativa”
SOBERANIA POPULAR
Representantes eleitos
Democracia “Participativa” (“Semidireta”)
Diretamente
DIREITOS POLÍTICOS: conjunto de regras que disciplinam a atuação da soberania popular. 
O TITULAR de direito político é o cidadão (nacional eleitor).
Obs.: Cidadania é o atributo jurídico-político que o brasileiro, seja nato ou naturalizado, que é adquirido por meio do ato de alistamento eleitoral.
	DIREITOS POLÍTICOS
	POSITIVOS
	NEGATIVOS
	
DIREITO DE SUFRÁGIO (Núcleo)
	
INELEGIBILIDADE
	
PRIVAÇÃO
	
Capacidade eleitoral ativa (alistabilidade)
	
Capacidade eleitoral passiva (elegibilidade)
	
	Perda
	Suspensão
	VOTO
	
	Eleições
	Consulta
	
	
	Plebiscito
	Referendo
	
	
	(Lei 9.709/98)
	
Direitos políticos positivos: conjunto de regras que asseguram ao nacional eleitor a participação do processo político.
Mas também existem outros direitos políticos fora desse núcleo: iniciativa popular no processo legislativo; ação popular (art. 5º, LXXIII)
Direitos políticos negativos: conjunto de regras que impedem ou restringem o exercício dos direitos políticos. 
SUFRÁGIO é expressão ampla de suas capacidades (capacidade ativa e passiva). A capacidade eleitoral ativa é acessívelquempreencher um requisito: alistabilidade (atributo que se adquire e apartir de exercido se torna cidadão). Ao passo que a capacidade eleitoral passiva decorre do atributo da elegibilidade. 
Quanto à capacidade eleitoral ativa, é exercida pelo voto (é um direito instrumental pelo qual se exerce a capacidade eleitoral ativa) e é exercido por mais das vezes nas eleições, mas nãose restringe a elas, pois podemos também votar nas chamas consultas ao eleitorado, que se expressa pelos dois instrumentos do art. 14 – plebiscito e referendo.
	Ninguém é elegível se não for eleitor, porque a Capacidade Eleitoral Ativa é pressuposto necessário (embora não suficiente) da Capacidade Eleitoral Passiva.
ALISTAMENTO E VOTO
§1º
FACULTATIVO
OBRIGATÓRIO
+18anos;
EC 25/85
Analfabeto; + 70 anos; 16 a 18 anos;
►Se alguém tem entre 16 e 18 anos, não é obrigado a se alistar, mas se alistando é obrigado a votar? NÃO, só se torna o voto obrigatório a partir do momento que completa 18 anos.
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
NÃO ALISTÁVEIS
§2º
Os que não tem o atributo da alistabilidade, quais sejam:
CONSCRITOS
ESTRANGEIROS
Durante o 
período
 do 
serviço
 militar;
Obs.: Os conscritos são aquelas pessoas chamadas a prestação do serviço militar obrigatório.
CARACTERÍSTICAS DO VOTO:
1) Pessoal;
O contrato de mandato (procuração) é incompatível com o instrumento do voto.
2) Obrigatório;
Ressalvados os maiores de 70 anos e os menores de 18 anos, é obrigatório o comparecimento às eleições, sob pena do pagamento de multa.
Pra mudar o Código Eleitoral e transformar o voto de obrigatório para facultativo, é necessário antes alterar a CF por EC. 
Obs.: A obrigatoriedade é de comparecimento. 
3) Livre;
Devo expressar minha convicção sem qualquer tipo de constrangimento, coação, com absoluta liberdade. 
Ou seja, comparecendo às eleições, o cidadão é livre para a escolha do candidato, ou se desejar, para anular o seu voto ou votar em branco.
Qual a garantia correlata ao direito? O sigilo do voto é a garantia de sua liberdade. 
4) Secreto;
O voto não deve ser revelado nem por seu autor, tampouco por terceiro fraudulentamente.
Garantia da liberdade está protegida pela cláusulapétrea. 
É crime previsto no Código Eleitoral violar ou tentar violar o sigilo do voto. A modalidade tentada é comparada a consumada (a pena é a mesma).
Art. 312. Violar ou tentar violar o sigilo do voto:
Pena - detenção até dois anos.
5) Direto;
Se expressa em eleições diretas (aquela que nada se interpõe entre o eleitor que é o mandante e o eleito que é o mandatário). 
Obs.: EXCEÇÃO – dupla vacância do executivo no segundo biênio do quadriênio do mandato – mandato tampão (completa o mandato).
6) Igual;
O voto de cada cidadão tem o mesmo valor no processo eleitoral.
Art. 14 – “com valor igual para todos” (“oneman, onde vote”) – americanos criaram essa regra, pois na Inglaterra algumas pessoas tinham voto qualificado. 
Isso não corresponde à realidade na prática – nós todos nessa sala não temos o valor de 1 voto de um cidadão de Roraima – deputados (máximo 70 / mínimo 8).
7) Periódico;
A periodicidade do voto significa que temos o direito constitucionalmente assegurado de trocar nossos mandatários político com veredicto nas urnas. Essa periodicidade do voto é da essência do sistema representativo. E esse direito não pode ser suprimido. 
O fato de o voto ser periódico impede a investidura eleitoral vitalícia. 
8) Universal;
►Imagine pessoa que tenha necessidades especiais (tetraplégica).Ela pode ir a cabine de votação acompanhada de pessoa que vote em seu lugar, uma vez que, se ele entra na cabine com pessoa esta sendo quebrado o sigilo do voto.
Há de se lidar com duas questões constitucionais: sigilo do voto X exercício da cidadania. 
Sigilo do voto deve ser neutralizado – Resolução do TSE – prevalece o exercício do voto (ele tem o direito de votar sim).
	RESOLUÇÃO 21.920
Art. 1º O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para todas as pessoas portadoras de deficiência.
Parágrafo único. Não estará sujeita a sanção a pessoa portadora de deficiência que torne impossível ou demasiadamente oneroso o cumprimento das obrigações eleitorais, relativas ao alistamento e ao exercício do voto.
Art. 2º O juiz eleitoral, mediante requerimento de cidadão nas condições do parágrafo único do art. 1º ou de seu representante legal ou procurador devidamente constituído, acompanhado de documentação comprobatória da deficiência, poderá expedir, em favor do interessado, certidão de quitação eleitoral, com prazo de validade indeterminado.
Caput com redação dada pelo art. 1º da Res.-TSE nº 22.545/2007.
Ac.-TSE nº 3203/2005: "A Res.-TSE nº 21920/2004 não impede o portador de deficiência de exercer o direito de votar, antes, faculta-lhe o de requerer, motivadamente, a dispensa da obrigação, dadas as peculiaridades de sua situação".
§ 1º Na avaliação da impossibilidade e da onerosidade para o exercício das obrigações eleitorais, serão consideradas, também, a situação sócio-econômica do requerente e as condições de acesso ao local de votação ou de alistamento desde a sua residência.
§ 2º Quando se tratar de eleitor em cuja inscrição figure situação regular, o cartório eleitoral providenciará o registro, no cadastro, da informação de que a pessoa se encontra na situação descrita no parágrafo único do art. 1º, mediante o comando de código FASE específico, a ser implantado pela Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral.
Prov.-CGE nº 6/2009 aprova o Manual de ASE; revoga, entre outras disposições, o Prov.-CGE nº 3/2007 e, no art. 4º, dispõe que as anotações realizadas na vigência do Prov.-CGE nº 3/2007 não serão objeto de alterações para adequação ao referido manual de instruções.
§ 3º Quando o requerente possuir inscrição cancelada ou suspensa, poderá solicitar a regularização de sua situação eleitoral, observadas as regras fixadas na Res.-TSE nº 21.538/2003.
§ 4º A providência a que se refere o caput tornará inativa a situação de eventual registro, por ausência às urnas ou aos trabalhos eleitorais, desde que a ausência decorra da situação descrita no parágrafo único do art. 1º.
§ 5º O descrito neste artigo não alterará a aptidão da inscrição eleitoral para o exercício do voto.
Art. 3º A expedição da certidão a que se refere o caput do art. 2º não impede, a qualquer tempo, o alistamento eleitoral de seu beneficiário, que não estará sujeito à penalidade prevista no art. 8º do Código Eleitoral.
Art. 4º O disposto nesta resolução não alcança as demais sanções aplicadas pela Justiça Eleitoral com base no Código Eleitoral e em leis conexas.
Art. 5º O comando do código FASE referido no § 2º do art. 2º, relativo a requerimentos formulados no período de fechamento do cadastro, somente será efetivado após a sua reabertura.
V. Prov.-CGE nº 6/2009: “Aprova as instruções para utilização dos códigos de Atualização da Situação do Eleitor (ASE)”.
Art. 6º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Sala de Sessões do Tribunal Superior Eleitoral.
Brasília, 19 de setembro de 2004.
Obs.: a cláusula pétrea esta sendo temperada pelo STF (mitigação do rigor da clausula pétrea) – voto do ministro barroso: núcleo essencial. 
Situação atual – PEC congelamento gastos público – Salvacionismo.
OUTROS DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS
1) INICIATIVA POPULAR[5: Estudo em processo legislativo.]
Art. 14, III e 61, §2º 
2) PLEBISCITO
Ex.: 1993 (21/4) / Pará 2011
Art. 2º, Lei 9.709/98
 (
diferença puramente temporal
):
Art. 2
o
 
Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa.
§ 1
o
 
O 
plebiscito
 é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido.
§ 2
o
 
O 
referendo
 é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição.
		
3) REFERENDO
2005 s/ art. 35 da lei 10.826/2003
4) AÇÃO POPULAR (lei 4.717/65)
Ajuizamento: art. 5º, LXXIII – legitimidade (constitucional) ad causam – cidadão.
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
Esse é o fundamento para o ajuizamento da ação popular. 
Questões:
i. Exigência de assistência para o relativamente incapaz?
Sim, embora seja parte legitima, falta o pressuposto processual da capacidade de estar em juízo, em nome próprio (legitimidade ad processum).
Condições da ação X pressuposto processual:Ele tem legitimidade ad causam, mas não teria legitimidade ad processum, sendo necessário, portanto, que ele fosse assistido para poder ajuizar ação.
Não. Legitimação constitucional. A lei ordinária (civil ou processual) não pode restringir a norma constitucional que confere legitimidade ao cidadão. Desnecessária a assistência em juízo por se tratar de exercício de direito político.
Não é exigível assistência, basta que comprove a questão de cidadão. A hipótese é de legitimação constitucional, quando a própria CF confere legitimidade, a lei ordinária, seja a lei civil, seja a lei processual, não pode restringir o alcance da norma constitucional. 
Ou seja, quando se confere legitimatio ad causam por norma constitucional, envolveria também legitimatio ad processum.
ii. Eleitor residente em município ‘A’ X Ação popular fatos município ‘B’
STJ – A condição de eleitor é, tão somente, meio de prova da cidadania. Só esta interessa para a definição da legitimidade. 
	Imaginemos que alguém é eleitor e reside em Campinas. Ele toma conhecimento que em Jundiaí o prefeito cometeu ato que ofende o patrimônio público do município de Jundiaí. Ele pode ajuizar ação com relação a este fato ocorrido em Jundiaí?
Para o STJ, nada impede que ele ajuíze ação popular, pois a condição de eleitor é tão somente meio deprova da cidadania. 
iii. Direito próprio?
Quando alguém ajuíza ação popular, esta pessoa está defendendo um direito próprio? 
Age como substituto processual, pois defende em nome próprio, um interesse difuso, pertencente à comunidade.
Age em nome próprio e na defesa de direito próprio: participação na vida política do estado e na fiscalização da gestão do patrimônio público.
iv. A lesividade ao patrimônio público (prejuízo material) é condição para a propositura de ação popular?
Não. Basta que o ato seja lesivo à moralidade administrativa (no texto no inciso LXXIII). 
STF – ARE 824.781 – RG: “O cabimento de ação popular independe de comprovação de prejuízo aos cofres públicos, vale dizer, não é necessária a comprovação de prejuízo material aos cofres públicos como condição para a propositura de ação popular. Ainda que inexista lesividade material ao patrimônio público, a ilegalidade (ou imoralidade) do ato poderá legitimar a propositura da ação”.
ELEGIBILIDADE
(CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA)
Premissa 1: Ninguém pode ser eleito se não for eleitor. A capacidade eleitoral ativa é pressuposto necessário, porém não suficiente, da capacidade eleitoral passiva.
Premissa 2: Princípio da anterioridade em matéria eleitoralé oponível até mesmo em face do poder de reforma constitucional (art. 16, CF).
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
Quem preenche as condições a uma função eletiva (que corresponde a um mandato político representativo) (no Poder Executivo e no Poder Legislativo – Poder Judiciário?Possibilidade de preenchimento de cargo do judiciário por eleição.)?
A Capacidade Eleitoral Ativa é pressuposto necessário, porém não suficiente, da Capacidade Eleitoral Passiva.
É verdade que a condição de eleitor é indispensável para ser alcançada a condição de elegível (todo eleitor é elegível; não há elegível que não seja, também, eleitor). Porém, não basta ser eleitor para ser elegível, porquanto é exigido o cumprimento de outros requisitos para a elegibilidade. 
Assim, para que alguém possa concorrer a um mandato eletivo nos Poderes Executivo e Legislativo (e em uma hipótese no Judiciário – juiz de paz), é necessário o cumprimento de alguns requisitos gerais, denominados condições de elegibilidade, e a não incidência em nenhuma inelegibilidade, que consistem em impedimentos à capacidade eleitoral passiva.
Portanto, para concorrer o eleitor precisa (art. 14):
Preencher as “condições de elegibilidade” (§3º); e,
Não incidir em inelegibilidade (§§4º ao 9º).
A) “CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE” (§3º):
Nacionalidade brasileira (ou condição de equiparado a português, sendo que para Presidente e Vice-Presidente exige-se a condição de brasileiro nato;requisito para obtenção de capacidade eleitoral ativa;
Pleno exercício dos direitos políticos;hipótese de inelegibilidade – direito político negativo;
Alistamento eleitoral (comprovado pela apresentação do título de eleitor, regularmente inscrito perante a Justiça Eleitoral); requisito para obtenção de capacidade eleitoral ativa;
Domicílio eleitoral na “circunscrição” – Cód. Eleitoral, art. 86; Art. 9º; Lei 9.504/97 – “pelo prazo de, pelo menos, um ano antes do pleito”.
Eleições presidenciais – circunscrição é o país;
Eleições estaduais e federais – circunscrição é o estado;
Eleições municipais – circunscrição é o município;
Obs.: O conceito de domicílio eleitoral não corresponde ao de domicilio civil. É bastante flexível:
“O domicilio eleitoral contenta-se com vínculos de relações de trabalho, patrimonial, político e até afetivo”. 
Filiação partidária “seis meses ates da data da eleição”- Lei 13.165/2015.
Não se admite, no Brasil, a denominada candidatura autônoma ou avulsa, sem filiação a partido político.
Idade mínima:
	Faixas etárias
	Cargo 
	Alistamento e votos facultativos;
	16
	-----------
	Alistamento e voto obrigatórios;
	18
	Vereador
	
	21
	Deputado federal; estadual; distrital;
Prefeito e vice;
Juiz de paz (?);
	
	30
	Governador e vice;
	
	35
	Presidente e vice;
Senador;
Obs. – A lei estabelece que estas idades devem ser consideradas na data da posse, SALVO para vereador que será na data do encerramento do registro:
Lei 9.504/97 – com redação lei 13.165/15:
Art. 11, §2º. A idade mínima constitucionalmente estabelecida como condição de elegibilidade é verificada tendo por referência a data da posse, salvo quando fixada em dezoito anos, hipótese em que será aferida na data-limite para o pedido de registro.
Essa data (data limite para o pedido de registro) é 15 de agosto (art. 11 da lei).
Data de posse: 
Presidente1º de janeiro (art. 82, CF);
Senador1º de fevereiro (art. 57, §4º, CF);
Governador1º de janeiro (art. 28, CF);
Deputado Federal1º de fevereiro (art. 57, §4º, CF);
Deputado estadual não há regra na CF (estabelece apenas que o mandato é de 4 anos – art. 27, §1º):
- P/ maioria dos estados: 1º de fevereiro;
- P/ estado de SP: 15 de março;
Prefeito1º de janeiro (art. 29, III, CF);
Vereador não há regra na CF (apenas estabelece que mandato é de 4 anos – art. 29, I);
- Lei Orgânica do Município (em regra): 1º de janeiro;
	► Presidente da Câmara dos Deputados com idade inferior a 35 anos pode assumir a Presidência da República, como substituto do Presidente?
Poderia SIM, porque a exigência de 35 anos para presidente é condição de elegibilidade, ele não esta sendo eleito para nada, mas está em cumprimento da norma constitucional assumindo interinamente o exercício do cargo de substituto.
Tiago Mantoan Farias Nunes:
“Não há texto constitucional vedando a assunção – mas sim a elegibilidade – de Deputado Federal, com idade inferior a 35 anos, que esteja na condição de Presidente da Câmara Baixa. Havendo, pois, impedimento ou vacância do Presidente e Vice-Presidente da República, entendemos que aquele Deputado não só pode como deve assumir a Chefia do Executivo Nacional provisória e interinamente.”
JUIZ DE PAZ: 
- Idade mínima de 21 anos para ser eleito (VI, c). 
Art. 14, § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
VI - a idade mínima de:
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
- Ver art. 98, inciso II – STF (ADI 2938 – Lei de MG);
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:
II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação.’
Único estado que deu concretude a esta norma foi o de Minas Gerais, razão pela qual o supremo estabeleceu parâmetros a este cargo:
É órgão do Poder Judiciário (integra a sua organização), embora não exerça atividade jurisdicional;
“Magistratura especial”: eletiva e temporária;
Remuneração por lei de iniciativa do TJ;
A eleição foi incluída no sistema eleitoral global (ou seja, o momento próprio da realização destas eleições seriam conjuntamente com as eleições municipais, dentro do mesmo processo eleitoral);
A filiação partidária é condição compatível;
	AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N. 13.454/00 DO ESTADO DE MINAS GERAIS. JUIZ DE PAZ. ELEIÇÃO E INVESTIDURA. SIMULTANEIDADE COM AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS. PRINCÍPIO MAJORITÁRIO. PREVISÃO NO ART. 117, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INVIABILIDADE DA AÇÃO DIRETA.
1. A viabilidade da ação direta reclama a impugnação conjunta dos preceitos que tratam da matéria, sob pena de inocuidade da própria declaração de inconstitucionalidade.
2. A ausência de impugnação do teor de preceitos constitucionais repetidos na lei impugnada impede o conhecimento da ação direta.JUIZ DE PAZ. ELEIÇÃO E INVESTIDURA. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CÓDIGO ELEITORAL E DA LEGISLAÇÃO FEDERAL ESPECÍFICA. INCONSTITUCIONALIDADE. NORMA COGENTE.
3. Não há falar-se, no que tange à legislação atinente à criação da justiça de paz, em aplicação subsidiária do Código Eleitoral [Lei n. 4.737/65], bem como da legislação federal específica, de observância obrigatória em todo território nacional. 
JUIZ DE PAZ. ELEIÇÃO E INVESTIDURA. FILIAÇÃO PARTIDÁRIA. OBRIGATORIEDADE. PROCEDIMENTOS NECESSÁRIOS À REALIZAÇÃO DAS ELEIÇÕES. CONSTITUCIONALIDADE. ART. 14, § 3º, E 98, II, DA CB/88. COMPETÊNCIA FEDERAL.
4. A obrigatoriedade de filiação partidária para os candidatos a juiz de paz [art. 14, § 3º, da CB/88] decorre do sistema eleitoral constitucionalmente definido.
5. Lei estadual que disciplina os procedimentos necessários à realização das eleições para implementação da justiça de paz [art. 98, II, da CB/88] não invade, em ofensa ao princípio federativo, a competência da União para legislar sobre direito eleitoral [art. 22, I, da CB/88]. 
JUIZ DE PAZ. ELEIÇÃO E INVESTIDURA. FIXAÇÃO DE CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE PARA CONCORRER ÀS ELEIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA UNIÃO. ART. 14 E ART. 22, I, DA CB/88.
6. A fixação por lei estadual de condições de elegibilidade em relação aos candidatos a juiz de paz, além das constitucionalmente previstas no art. 14, § 3º, invade a competência da União para legislar sobre direito eleitoral, definida no art. 22, I, da Constituição do Brasil. 
JUIZ DE PAZ. COMPETÊNCIAS FUNCIONAIS. ARRECADAR BENS DE AUSENTES OU VAGOS. FUNCIONAR COMO PERITO. NOMEAR ESCRIVÃO AD HOC. CONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA MERAMENTE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA FEDERAL. ART.98, II, DA CB/88.
7. Lei estadual que define como competências funcionais dos juízes de paz a arrecadação provisória de bens de ausentes e vagos, nomeando escrivão ad hoc, e o funcionamento como perito em processos não invade, em ofensa ao princípio federativo, a competência da União para legislar sobre direito processual civil [art. 22, I, da CB/88]. 
JUIZ DE PAZ. COMPETÊNCIAS FUNCIONAIS. PROCESSAR AUTO DE CORPO DE DELITO. LAVRAR AUTO DE PRISÃO. RECUSA DA AUTORIDADE POLICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO PENAL. COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR. ART. 22, I, DA CB/88.
8. Lei estadual que define como competências funcionais dos juízes de paz o processamento de auto de corpo de delito e a lavratura de auto de prisão, na hipótese de recusa da autoridade policial, invade a competência da União para legislar sobre direito processual penal [art. 22, I, da CB/88]. 
JUIZ DE PAZ. COMPETÊNCIAS FUNCIONAIS. PRESTAR ASSISTÊNCIA AO EMPREGADO NAS RESCISÕES DE CONTRATO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DOS ÓRGÃOS PREVISTOS NO ART. 477 DA CLT. INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO DO TRABALHO. COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR. ART.22, I, DA CB/88.
9. Lei estadual que define como competências funcionais dos juízes de paz, na ausência dos órgãos previstos no art. 477 da CLT, a prestação de assistência ao empregado nas rescisões de contrato de trabalho, invade a competência da União para legislar sobre direito do trabalho [art. 22, I, da CB/88]. Função já assegurada pelo § 3º do mesmo preceito legal. 
JUIZ DE PAZ. COMPETÊNCIAS FUNCIONAIS. ZELAR PELA OBSERVÂNCIA DAS NORMAS RELATIVAS À DEFESA DO MEIO AMBIENTE E VIGILÂNCIA ECOLÓGICA SOBRE AS MATAS. PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS AO SEU CUMPRIMENTO. CONSTITUCIONALIDADE. ART. 225 E 98, II, DA CB/88. 
10. Lei estadual que define como competência funcional do juiz de paz zelar, na área territorial de sua jurisdição, pela observância das normas concernentes à defesa do meio ambiente e à vigilância sobre as matas, rios e fontes, tomando as providências necessárias ao seu cumprimento, está em consonância com o art. 225 da Constituição do Brasil, desde que sua atuação não importe em restrição às competências municipal, estadual e da União. 
JUIZ DE PAZ. PRERROGATIVAS. PRISÃO ESPECIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO PENAL. COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR. ART. 22,I, DA CB/88. DIREITO ASSEGURADO PELO ART. 112, § 2º, DA LOMAN [LC 35/75]. 
11. Lei estadual que prevê em benefício dos juízes de paz o recolhimento a prisão especial invade a competência da União para legislar sobre direito processual penal [art. 22, I, da CB/88]. Direito já assegurado pelo art. 112, § 2º, da LOMAN [LC n. 35/75]. 
 ELEGIBILIDADE DOS MILITARES (§8º)
§ 8º O militar alistável é elegível(o militar que não é alistável são os conscritos, que são aqueles que estão prestando serviço militar obrigatório), atendidas as seguintes condições(a elegibilidade do militar terá dois sistemas jurídicos, a depender do tempo de serviço – os sistemas são divididos pelo marco de 10 anos de serviço):
I - se contar MENOS de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar MAIS de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
STF – RE 279.469 (2011)
Art. 8º, I e II
Normas aplicáveis à PM (art. 42, §1º) – Regra, por força de norma de extensão, é aplicável as polícias militares. 
Duas situações jurídicas (definidas pelo tempo de serviço):
Se contar com menos de dez anos de serviço haverá o afastamento definitivo;
Se contar mais de dez anos de serviço será agregado (afastado temporariamente / com remuneração). Neste caso:
- Se não for eleito Reversão (regressa ao serviço);
- Se for eleito Inatividade;
Premissa: militar é elegível.Porém, haverá duas situações que serão definidas conforme o tempo de serviço (10 anos).
Se alguém tem menos de 10 anos de serviço e resolva se candidatar: STF interpretou se ele contar menos de 10 anos de serviço, quando se candidata deve saber que está se afastando definitivamente do serviço militar (ou pede demissão / exoneração, ou, caso contrário será demitido ex oficio.
Diferentemente, se tiver mais de 10 anos de serviço (situação jurídica diferenciada pelo fato de contar com mais de 10 anos de serviço): será agregado (é afastado temporariamente do serviço ativo com remuneração, aguardando o desenlace do pleito eleitoral, do qual ou será eleito ou não. 
Se não for eleito: regressará ao serviço (cessa a agregação e ele reverte ao serviço ativo.
Se ele for eleito, ele passa para a inatividade remunerada (proporcionais ao tempo de serviço).
►O art. 142, §3º, V, veda a filiação partidária do militar, mas o art. 14, §3º, V exige, como condição de elegibilidade. Como conciliar, já que o §8º afirma que o militar é elegível?
Obs.: militar não é servidor público! Militar é militar!
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
(...)
§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições:
V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos;
TSE – A falta de filiação partidária é suprida pelo registro da candidatura apresentada pelo partido, após a prévia escolha em convenção partidária, autorizada pelo militar candidato.
O §8º afirma que ele é elegível; se é assim, deve-se extrair desta norma máxima efetividade, que será por conciliação das exigências e firmou que a falta da filiação partidária é suprida por este registro da candidatura.
	RE 279.469/RS — MILITAR ALISTÁVEL. MENOS DE DEZ ANOS DE SERVIÇO. ELEGIBILIDADE. AFASTAMENTO DEFINITIVO.
Diversamente do que sucede com o militar com mais de dez anos de serviço, deve afastar-se definitivamente da atividade o servidor militar que, contando menos de dez anos de serviço, pretenda candidatar-se a cargo eletivo. 
EMENTA: SERVIDOR PÚBLICO. MILITAR ALISTÁVEL. ELEGIBILIDADE. POLICIALDA BRIGADA MILITAR DO RIO GRANDE DO SUL, COM MENOS DE DEZ ANOS DE SERVIÇO. CANDIDATURA A MANDATO ELETIVO. DEMISSÃO OFICIAL POR CONVENIÊNCIA DO SERVIÇO. NECESSIDADE DE AFASTAMENTO DEFINITIVO OU EXCLUSÃO DO SERVIÇO ATIVO. PRETENSÃO DE REINTEGRAÇÃO NO POSTO DE QUE FOI EXONERADO. INADMISSIBILIDADE. SITUAÇÃO DIVERSA DAQUELA OSTENTADA POR MILITAR COM MAIS DE DEZ ANOS DE EFETIVO EXERCÍCIO. MANDADO DE SEGURANÇA INDEFERIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO PARA ESSE FIM. INTERPRETAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO ART. 14, § 8º, I E II, DA CF. VOTO VENCIDO. 
Diversamente do que sucede com o militar com mais de dez anos de serviço, deve afastar-se definitivamente da atividade o servidor militar que, contando menos de dez anos de serviço, pretenda candidatar-se a cargo eletivo. 
B) HIPÓTESES (CONSTITUCIONAIS) DE INELEGIBILIDADE (§§4º AO 9º) – direitos políticos negativos[6: A própria CF estabelece certas hipótese de inelegibilidade (CF, art. 14, §§ 4º a 7º). Porém, essas hipóteses de inelegibilidade constitucionalmente previstas não são exaustivas (numerusclausus), porque a Constituição expressamente permite que lei complementar venha a estabelecer outras hipóteses de inelegibilidade (CF, art. 14, §9º).]
Conjunto de regras que impedem ou restringem a participação do cidadão no processo político. 
Tecnicamente, as inelegibilidades seriam regras que impedem ou restringem a elegibilidade, em determinadas circunstâncias, auferidas concretamente.
§§4º, 5º, 6º e 7º - (regras de inelegibilidade) STF: Norma constitucional de eficácia plena;
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente. 
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
 Fundamento ético - §9º - norma constitucional de eficácia jurídica limitada (integração pela lei complementar) – LC 64/90 (LC 135/2010)
§ 9º  Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
Inalistáveis;
Analfabetos
Absoluto
;
Funcional
;
Absoluta
(§4º)
Para o mesmo cargo do Poder Executivo
;
Para “outros”cargos;Inelegibilidade
(§5º)
Por motivo func
ional
Por motivo de casamento ou parentesco (
“reflexa”)
(§6º)
Relativa
(§7º)
INEGIBILIDADE ABSOLUTA:
Impedimento para todo e qualquer cargo eletivo,sem prazo certo (fixado) para a cessação do impedimento.Só nos casos taxativamente previstos na CF. Mas a LC 64 prevê mais 16 hipóteses de inelegibilidade para todos os cargos (?)
Obs.: Existe afirmação doutrinária consensual que diz que “a inelegibilidade absoluta deve decorrer obrigatoriamente de norma formalmente constitucional”. Porém, a LC 64 elenca no art. 1º, inciso I, 16hipóteses de inelegibilidade “para qualquer cargo”. [7: Marcelo Alexandrino: - “A inelegibilidade absoluta impede que o cidadão concorra em qualquer eleição, a qualquer mandato eletivo.”- “As hipóteses de inelegibilidade absoluta, em virtude de sua natureza excepcionalíssima, somente podem ser expressamente estabelecidas na Constituição Federal, sendo inconstitucionais quaisquer leis tendentes a ampliar este rol”]
Na verdade, o grande erro do conceito que está nos manuais é por faltar um pedaço: “sem prazo certo (fixado) para a cessação do impedimento”
Uma LC pode estabelecer outros casos de inelegibilidade, mas estabelecerá outros casos de inelegibilidade e o prazo de sua cessação – ou seja, todas as inelegibilidades, para todos os cargos, definidas por LC terá o prazo pré-definido.Portanto, não se insere em inelegibilidade absoluta. 
Então, essa parte final permite que se concilie essa previsão de inelegibilidade para todos os cargos, em 16 hipóteses acrescidas pela LC 64, que não são hipóteses de inelegibilidade absoluta, pois apesar de ser para todos os cargos, são por prazo certo.
INEGIBILIDADE RELATIVA: 
Restrições à elegibilidade para determinados cargos em razão de uma situação pessoal em que se encontre o cidadão. São espécies de inelegibilidade relativa:
Inegibilidade por motivo funcional: CF, art. 14, §5º; 
Inegibilidade reflexa: CF, art. 14, §7º;
Inelegibilidade por previsões em Lei Complementar (P/ Marcelo Alexandrino): CF, art. 14, §9º;[8: Este autor refere-se ainda como hipótese de inelegibilidade relativa a “condição de militar”. Porém, como acima visto, tem-se como premissa que militar é elegível, havendo porém, duas situações que serão definidas conforme o tempo de serviço (10 anos).Assim, vejo como melhor posição a do Professor Cássio, de forma a não elencar a condição de militar como hipótese de inelegibilidade, diante da regra ser o oposto.]
Inegibilidade por motivo funcional: CF, art. 14, §5º;
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente. 
Dispõe a CF que “O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente”.
Na redação original da CF/88, eles eram inelegíveis, de forma que as alterações quanto a este dispositivo se deram do seguinte modo: 
	Presidente da República:
Art. 82 – redação original mandato de 5 anos;
15/3/90 – 31/12/94 ECR 5/94 4 anos;
1/1/95 – 31/12/98 4 (No curso do mandato: EC 16/97 - 4+4)
1/1/95 – 31/12/02 4
1/1/03 – 31/12/2006 4
1/1/07 – 31/12/10 4
Percebe-se, assim, que o legislador constituinte, ao passar a permitir a reeleição para um único período subseqüente, está vedando a reeleição para um terceiro mandato sucessivo.
Cabe destacar, também, que a CF não exige a denominada desicompatibilização do Chefe do Poder Executivo que pretenda candidatar-se à reeleição, isto é, não se exige que o Chefe do Poder Executivo renuncie, ou se afaste temporariamente do cargo, para que possa candidatar-se a reeleição.
*Desincompatibilização: 
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
Conceito:desvencilhar-se da inelegibilidade relativa quando possível fazê-lo a tempo de concorrer à eleição.
STF: não se estende ao §5º a regra do §6º - trata-se (§5º) de “norma de elegibilidade” – não cabendo exigir-se a desincompatibilização.
Para concorrerem a outros cargos – devem renunciar até 6 meses antes 
Na hipótese de ocupar cargos de outra natureza as medidas a serem tomadas são:
• 
Eletivo
– a desincompatibilização se faz necessariamente pela 
renúncia
 (§6º) 
 afastamento definitivo do cargo.
• 
Em comissão
 – 
exoneração
; (ex.: ministro de estado)
• 
Efetivo
 – 
licenciamento provisório
 (ex.: delegado de polícia – em exercício no município – prefeito – art. 1º, IV, c)
Cargo:
São, pois, inelegíves, para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do DFe os prefeitos que não renunciarem aos respectivos mandatos até 6 meses antes do pleito. Essa inelegibilidade aplica-se a qualquer cargo eletivo, inclusive a suplente de senador.
O Vice-Presidente da República, o Vice-Governador e o Vice-Prefeito poderão candidatar-se a outros cargos, preservando os seus mandatos respectivos, desde que, nos seis meses anteriores ao pleito, não tenham sucedido ou substituído o titular.
Inelegibilidade “reflexa” (§7º)
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
Reflexa, pois ela se transfere (passa / contamina) outra pessoa. 
Ratio: Evitar a perpetuação do mesmo “grupo familiar” no poder.
Inelegibilidade por previsões em Lei Complementar (§9º)
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. 
Para que sejam estabelecidas novas hipóteses de inelegibilidade relativa, é exigida a edição, pelo Congresso Nacional, de lei complementar (emenda à Constituição Federal também poderia fazê-lo).
Com fundamento nesse dispositivo constitucional, a Lei Complementar 64/1990 estabeleceu casos de inelegibilidade. Posteriormente, novas hipóteses de inelegibilidade foram acrescidas pela Lei Complementar 135/2010 (Lei da Ficha Limpa).
Em síntese, a LEI DA FICHA LIMPA estabelece 5 grupos de inelegibilidade:[9: ADC 29/DF – ADC 30/DF – ADI 4.578/DF: A Lei da Ficha Limpa é compatível com a Constituição e pode ser aplicada a atos e fatos ocorridos anteriormente ao início de sua vigência.]
Condenações judiciais (eleitorais, criminais ou por improbidade administrativa) proferidas por órgão colegiado;
Rejeição de contas relativas ao exercício do cargo ou função pública;
Perda de cargo (eletivo ou de provimento efetivo), incluindo-se as aposentadorias compulsórias de magistrados e membros do Ministério Público e, para os militares, a indignidade ou incompatibilidade com o oficialato;
Renúncia a cargo político eletivo diante da iminência da instauração de processo capaz de ocasionar a perda do cargo;
Exclusão do exercício de profissão regulamentada, por decisão do órgão profissional respectivo, por violação de dever ético-profissional.
QUESTÕES JURISPRUDENCIAIS:
1) O Cônjuge e os parentes do chefe do poder executivo são elegíveis para o mesmo cargo quando este for reelegível e tiver renunciado até 6 meses antes do pleito.
Sim, o marido que era o prefeito poderia concorrer a sua reeleição, ele não estava contaminado de nenhuma moléstia de inelegibilidade e assim, não transmite a moléstia. Portanto seria elegível a esposa ou parente, desde que ele fosse reelegível. 
Com este entendimento, cria-se um problema: a esposa então está no exercício do mandato dela (1º mandato); 6 meses antes ela renunciaria e para o próximo mandato o marido se candidataria novamente.
Se isso fosse possível alcançaria exatamente a ratio da inelegibilidade reflexa, pois um grupo familiar poderia se perpetuar no poder. A ideia que se tem é considerar o mandato exercido pela esposa como sendo um segundo mandato do grupo familiar, havendo, portanto, inelegibilidade. 
O que está consolidado é a possibilidade de, havendo possibilidade de reeleição e em havendo renúncia, não há inelegibilidade reflexa.
1º mandato de “A” (prefeito)
Esposa 
de “A” 
Renúncia
2) Súmula vinculante 18
Prefeito cumpre o 1º e 2º mandato. No meio do 2 mandato simula, fraudulentamente, divórcio, com o intuito de burlar a inelegibilidade reflexa. 
“A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade no §7º do art. 14 da CF.”
Ou seja, ainda que tenha havido divórcio no curso do mandato remanesce a hipótese de inelegibilidade.
Ratio: Inibir a dissolução fraudulenta ou dissimulada (burla).
Obs.: LC 135 – trouxe a seguinte regra:
Essa tentativa de dissimulada de contornar a inelegibilidade além de não produzir efeito,porque a inelegibilidade permanece,gera, ainda, 8 anos de inelegibilidade após a decisão que reconhecer a fraude. 
Art. 1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
n) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão que reconhecer a fraude; 
Porém, apesar de a Súmula Vinculante referir-se a dissolução da sociedade ou vínculo conjugal, o STF por unanimidade criou EXCEÇÃO à SV 18, pois há de se distinguir a dissolução fraudulenta do fato natural da morte:
RE 758.461 – “não atrai a aplicação do entendimento da referida súmula a extinção do vinculo conjugal pela morte de um dos cônjuges” (interpretação restritiva do §7º).
Portanto, a SV n. 18 deve ser lida juntamente a esta interpretação.
3) União estável – relação estável homossexual – TSE – REsp 24.564.
CF diz cônjuge, mas e se houver união estável, incide a inelegibilidade?
SIM, embora se trate de regra restritiva de direito, que devesse, em tese, ser interpretada restritivamente, a ratio incide nesta situação – a união estável importa sim na inelegibilidade.
Portanto, ler cônjuge e também na situação de união estável.
Segundo orientação do TSE incide a inelegibilidade em todos os casos – “os sujeitos de uma relação estável homossexual a semelhança do que ocorre com os de relação estável, de concubinato e de casamento, submetem-se a regra de inelegibilidade prevista no §7º do art. 14 da CF.
Ou seja, para efeito de inelegibilidade, há 4 hipóteses:
Casamento;
União estável heterossexual;
União estável homossexual;
Concubinato;
4) Ressalva da parte final do §7º. Sentido?
Só tem uma forma de entender:
Exemplo – Nesse pleito municipal que acabou de ser realizado, concorre a prefeito João, que não é prefeito(apenas é candidato a prefeito); e seu irmão chamado Pedro concorre para vereador. 
João é eleito.Pode se candidatar e reeleição? Sim. 
Pedro também é eleito vereador.Nesse caso, incide a ressalva e ele também poderá se candidatar a reeleição, pois já é titular de mandato – pois quando adentrou ao cargo, não incidia a inelegibilidade (se fosse a primeira candidatura dele, não poderia).
5) Prefeito “Itinerante” ou prefeito “profissional”
Reeleição para o mesmo cargo e para cargo da mesma natureza em município diverso. 
TSE admitia:fazendo interpretação literal do art. 14, tendo como fundamento que a expressão “para o mesmo cargo”, o mesmo cargo seria “prefeito do município ‘a’”;
Porém, alterou radicalmente seu entendimento: passou a proibir, ou seja, o TSE altera sua jurisprudência e estabelece distinção em reeleição para o mesmo cargo e para cargo da mesma natureza em município diverso. 
PORTANTO, o cidadão que exerce dois mandatos consecutivos como prefeito de determinado município fica inelegível para o cargo de prefeito em qualquer outro município da federação.
STF manteve posição do TSE, mas estabeleceu que aquela decisão como alterava regra substancial aplicou efeito prospectivo (valida a partir de 2016) – RE 637.485/RJ:
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REELEIÇÃO. PREFEITO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, § 5º, DA CONSTITUIÇÃO. MUDANÇA DA JURISPRUDÊNCIA EM MATÉRIA ELEITORAL. SEGURANÇA JURÍDICA. 
I. REELEIÇÃO. MUNICÍPIOS. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, § 5º, DA CONSTITUIÇÃO. PREFEITO. PROIBIÇÃO DE TERCEIRA ELEIÇÃO EM CARGO DA MESMA NATUREZA, AINDA QUE EM MUNICÍPIODIVERSO. O instituto da reeleição tem fundamento não somente no postulado da continuidade administrativa, mas também no princípio republicano, que impede a perpetuação de uma mesma pessoa ou grupo no poder. O princípio republicano condiciona a interpretação e a aplicação do próprio comando da norma constitucional, de modo que a reeleição é permitida por apenas uma única vez. Esse princípio impede a terceira eleição não apenas no mesmo município, mas em relação a qualquer outro município da federação. Entendimento contrário tornaria possível a figura do denominado “prefeito itinerante” ou do “prefeito profissional”, o que claramente é incompatível com esse princípio, que também traduz um postulado de temporariedade /alternância do exercício do poder. Portanto, ambos os princípios – continuidade administrativa e republicanismo – condicionam a interpretação e a aplicação teleológicas do art. 14, § 5º, da Constituição. O cidadão que exerce dois mandatos consecutivos como prefeito de determinado município fica inelegível para o cargo da mesma natureza em qualquer outro município da federação. 
II. MUDANÇA DA JURISPRUDÊNCIA EM MATÉRIA ELEITORAL. SEGURANÇA JURÍDICA. ANTERIORIDADE ELEITORAL. NECESSIDADE DE AJUSTE DOS EFEITOS DA DECISÃO. Mudanças radicais na interpretação da Constituição devem ser acompanhadas da devida e cuidadosa reflexão sobre suas consequências, tendo em vista o postulado da segurança jurídica. Não só a Corte Constitucional, mas também o Tribunal que exerce o papel de órgão de cúpula da Justiça Eleitoral devem adotar tais cautelas por ocasião das chamadas viragens jurisprudenciais na interpretação dos preceitos constitucionais que dizem respeito aos direitos políticos e ao processo eleitoral. Não se pode deixar de considerar o peculiar caráter normativo dos atos judiciais emanados do Tribunal Superior Eleitoral, que regem todo o processo eleitoral. Mudanças na jurisprudência eleitoral, portanto, têm efeitos normativos diretos sobre os pleitos eleitorais, com sérias repercussões sobre os direitos fundamentais dos cidadãos (eleitores e candidatos) e partidos políticos. No âmbito eleitoral, a segurança jurídica assume a sua face de princípio da confiança para proteger a estabilização das expectativas de todos aqueles que de alguma forma participam dos prélios eleitorais. A importância fundamental do princípio da segurança jurídica para o regular transcurso dos processos eleitorais está plasmada no princípio da anterioridade eleitoral positivado no art. 16 da Constituição. O Supremo Tribunal Federal fixou a interpretação desse artigo 16, entendendo-o como uma garantia constitucional (1) do devido processo legal eleitoral, (2) da igualdade de chances e (3) das minorias (RE 633.703). Em razão do caráter especialmente peculiar dos atos judiciais emanados do Tribunal Superior Eleitoral, os quais regem normativamente todo o processo eleitoral, é razoável concluir que a Constituição também alberga uma norma, ainda que implícita, que traduz o postulado da segurança jurídica como princípio da anterioridade ou anualidade em relação à alteração da jurisprudência do TSE. Assim, as decisões do Tribunal Superior Eleitoral que, no curso do pleito eleitoral (ou logo após o seu encerramento), impliquem mudança de jurisprudência (e dessa forma repercutam sobre a segurança jurídica), não têm aplicabilidade imediata ao caso concreto e somente terão eficácia sobre outros casos no pleito eleitoral posterior. 
III. REPERCUSSÃO GERAL. Reconhecida a repercussão geral das questões constitucionais atinentes à (1) elegibilidade para o cargo de Prefeito de cidadão que já exerceu dois mandatos consecutivos em cargo da mesma natureza em Município diverso (interpretação do art. 14, § 5º, da Constituição) e (2) retroatividade ou aplicabilidade imediata no curso do período eleitoral da decisão do Tribunal Superior Eleitoral que implica mudança de sua jurisprudência, de modo a permitir aos Tribunais a adoção dos procedimentos relacionados ao exercício de retratação ou declaração de inadmissibilidade dos recursos repetitivos, sempre que as decisões recorridas contrariarem ou se pautarem pela orientação ora firmada. 
IV. EFEITOS DO PROVIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Recurso extraordinário provido para: (1) resolver o caso concreto no sentido de que a decisão do TSE no RESPE 41.980-06, apesar de ter entendido corretamente que é inelegível para o cargo de Prefeito o cidadão que exerceu por dois mandatos consecutivos cargo de mesma natureza em Município diverso, não pode incidir sobre o diploma regularmente concedido ao recorrente, vencedor das eleições de 2008 para Prefeito do Município de Valença-RJ; (2) deixar assentados, sob o regime da repercussão geral, os seguintes entendimentos: (2.1) o art. 14, § 5º, da Constituição, deve ser interpretado no sentido de que a proibição da segunda reeleição é absoluta e torna inelegível para determinado cargo de Chefe do Poder Executivo o cidadão que já exerceu dois mandatos consecutivos (reeleito uma única vez) em cargo da mesma natureza, ainda que em ente da federação diverso; (2.2) as decisões do Tribunal Superior Eleitoral que, no curso do pleito eleitoral ou logo após o seu encerramento, impliquem mudança de jurisprudência, não têm aplicabilidade imediata ao caso concreto e somente terão eficácia sobre outros casos no pleito eleitoral posterior
6) Reserva de LC e domicílio eleitoral e filiação partidária em lei ordinária?
►Onde esta a regra que exige filiação partidária de um ano e domicilio eleitoral? Lei ordinária das eleições; logo ela seria inconstitucional por invadir campo próprio de LC. Certo ou errado? 
ERRADO. Conforme dispõe o §3º do art. 14, filiação partidária e domicilio eleitoral são condições de elegibilidade – “são condições de elegibilidade, na forma da lei” quando não se faz menção de LC, se pode fazer por meio de lei ordinária.
Não se confunde condições de elegibilidade (que se faz por LO) com regras de inelegibilidade (LC).
Se lei ordinária criar hipótese de inelegibilidade será inconstitucional, e qual será a natureza desta inconstitucionalidade? A forma que não estará certa, assim, é formal, propriamente dita, objetiva, pois deveria ter a forma de LC e a lei foi veiculada com a forma errada de lei ordinária. 
7) Relativização do estado de inocência para fins eleitorais ADC 29 em 2012
STF – a esta exceção ao princípio encontrava fundamento em outros princípios constitucionais e manteve-se a constitucionalidade. 
8) Prefeito reeleito pode candidatar-se a vice, para mandato consecutivo?
Não, pois seria uma burla aolimite de uma única reeleição ao mesmo cargo – Resolução TSE 
PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado(perda);
II - incapacidade civil absoluta(suspensão);
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos(suspensão);
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII(perda p/ doutrina) / (suspensão para lei);
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º(suspensão).
- PERDA
(espécie)
- SUSPENSÃO
(espécie)
PRIVAÇÃO 
(gênero):
 “A perda e suspensão dos direitos políticos estão elencados no art. 15, da CF/88. Não existe mais no Brasil cassação de direitos políticos, o que há é a perda e suspensão destes direitos. A diferença entre ambos é que a perda tem um prazo indeterminado e a suspensão tem prazo determinado (os efeitos são temporários, ou seja, perduram (só) enquanto perdurar a causa determinante). Porém nas duas hipóteses é possível readquirir os direitos políticos.”
Hipóteses de privação de direitos políticos:
I)Se brasileiro naturalizado tiver sua naturalização cancelada por sentença judicial transitada em julgado
Inobstante rezar o dispositivo constitucional que a perda ou suspensão dos direitos políticos "só se dará nos casos..." elencadosno art. 15, é certo que pelos menos um caso não está ali compreendido: o de perda de nacionalidade, de que trata o art. 12, § 4°, II, da Constituição. O cidadão brasileiro que adquirir outra nacionalidade por naturalização voluntária perderá a nacionalidade brasileira e, conseqüentemente, seus direitos de cidadania.
A pessoa perde, antes de perder os direitos políticos, a nacionalidade, que é pressuposto dos direitos políticos. 
Assim, esta hipótese ocorre também ao nacional que adquire outra nacionalidade sem incidir as exceções dos incisos do§4º do art. 12 da CF. Isso, pois, se perde a nacionalidade, se perde,conseqüentemente, os direitos políticos.
Em que pese a enumeração ser taxativa, temos que admitir a possibilidade pelo contesto da CF desta hipótese acima exposta, ou seja, quem perde a nacionalidade em qualquer circunstancia, seja brasileiro nato ou naturalizado, perde os direitos políticos. 
Então, se perder a nacionalidade, por óbvio perde o direito político.
II)Incapacidade civil absoluta
A capacidade civil é condição para aquisição e manutenção da capacidade política. Verificando-se hipótese de incapacidade civil absoluta dentre as previstas na lei civil, suspensa ficará a cidadania enquanto perdurar aquela. A suspensão dos direitos políticos é efeito natural do trânsito em julgado da sentença que decretar a interdição e a sua reaquisição se dará, também automaticamente, pelo ato que determinar a retomada da capacidade civil.
Obs.: Verificação judicial – processo que define os termos da curatela.
CPC, art. 756 - “Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a determinou”.
Ficará privado de seus direitos políticos aquele que tiver reconhecida a incapacidade civil absoluta. Se pessoa é acometida de determina infortuno, como aquele que tem patologia e perde completamente a noção das coisas, essa pessoa pode sofrer o que a nova legislação chama de “processo que define os termos da curatela” no qual ficará demonstrada a mínima capacidade da pessoa de gerir os atos de sua vida, sendo nomeado curador.
Um dos efeitos secundários do fato de alguém ter reconhecida sua incapacidade civil absoluta é o ofício ao TRE, pois a pessoa terá seus direitos políticos suspensos. Pois,admitindo-se que, por força da evolução do tratamento médico, estabelecida terapêutica adequada de forma que esta pessoa readquira capacidade, será possível no mesmo processo (que será desarquivado), o juiz determinar nova perícia médica e ser reconhecida sua condição. Diante destas circunstancias, o juiz determinará o levantamentoda curatela e o restabelecimento de seus direitos políticos. 
III)Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos (ou seja, até que a pena seja cumprida e declarada extinta).
Desde a CF/88 - STF: Norma Constitucional de Eficácia JurídicaPlena – aplicabilidade integral imediata, prescindibilidade de qualquer regulamentação. 
Em face deste posicionamento, a incidência desta regra é imediata. 
O dispositivo não especifica a espécie de infração penal, nem a pena. Logo...
Precisa ser crime doloso? Também, a norma não distingue a pena, portanto, não sendo pena privativa de liberdade ou se houver a substituição por pena restritiva de direitos, enquanto persistir a pena da condenação, persistirá a suspensão dos direitos políticos?
Pela leitura da norma, pode-se presumir que se ela não especifica, tanto faz. Porém - RE 601.182 (Tese: alcance deste inciso do art. 15).
Esta relevante questão estasub judice (repercussão geral reconhecida – pendente de julgamento), sendo que neste RE houve uma condenação em que a pena privativa de liberdade foi convertida em restritiva de direitos e o TJ/MG se manifestou no sentido de serem mantidos os direitos políticos, sob o fundamentode que a suspensão só se dará em situações em que materialmente inviabilizem o exercício (privativa de liberdade).
MP não concordou, e alegou que tal tese violaria diretamente o inciso 15, III.
 E quanto ao sursis? Gera a suspensão dos direitos políticos enquanto esteja em curso
Quem esta em gozo de sursis estacom direito políticos suspensos? Obrigatoriamente, enquanto perdurarem os efeitos da condenação – quem está em gozo de sursis perduram os efeitos. 
Suspensão do processo?
Nenhuma conseqüência. A suspensão do processo é instituto despenalizador. Não traz nenhuma conseqüência no plano dos direitos políticos. 
Perdão judicial? Súmula 18 STJ
Súmula 18/STJ - 12/07/2016. Perdão judicial. Sentença. Natureza jurídica. CP, arts. 107, IX e 120. – A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
Se alguém é condenado por homicídio culposo e o juiz concede perdão judicial, qual conseqüência? Nenhuma. A natureza jurídica do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, de tal maneira que não há condenação criminal que perdure. Portanto a concessão do perdão judicial não trará nenhuma conseqüência no plano dos direitos políticos. 
 Reaquisição? 
Sumula 9 do TSE Automaticidade.
Declarada a pena extinta, os direitos políticos são readquiridos com absoluta automaticidade.
Sumula 9 TSE – A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de reparação dos danos.
Voto do preso provisório (ou do adolescente internado)
Não há perda dos direitos políticos (em teses essa continua com o direito de votar), MAS não pode votar, pois não pode sair da cadeia. Como compatibilizar? 
Dificuldade operacional (não pode retirar o preso da cadeia e levá-lo a sessão eleitoral para votar).
*Comum a hipótese de adolescente internado por decisão que ainda não está preclusa.
Tentou-se superar esta situação por normatização de resolução do TSE (como se daria a possibilidade desta votação?). 
A resolução diz que poderão ser instaladas sessões eleitorais nos estabelecimentos prisionais, se havendo pelo menos 20 aptos a votar. Esta operalização exige certo tempo, pois é necessária a transferência do titulo para aquela sessão e o alistamento tem prazo fatal até 4 de maio– RES 23461 (Dispõe sobre a instalação de seções eleitorais especiais em estabelecimentos prisionais e em unidades de internação de adolescentes nas eleições de 2016 e dá outras providências).
 CONSEQUÊNCIA DA CONDENAÇÃO CRIMINAL DE DEPUTADO/SENADOR– em face de seus direitos políticos e em face de seu mandato.
Art. 55 – Perderá o mandato o deputado ou senador – Deputado Estadual(art. 27, §1º):
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos politicos;(regra geral)
(...)
VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado(regra especifica)
§2º - nos casos dos incisos I, II e VI – A perda será decididapela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
§3º - nos casos dos incisos III a V (e, portanto, IV) a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. Decisão declaratória.
STF:
17/12/2012 – A.P. 470 – perda automática, como efeito da condenação (§3º);
08/08/2013 – AP. 565 – Senador (§2º) Alterando o posicionamento anterior, entendeu que esta decisão, quando transitar em julgado, não vai operar automaticamente, pois deverá ser aplicado o §2º do art. 55.
Esse caso que alterou a jurisprudência substancialmente, até hoje não transitou em julgado (esta julgando o terceiro embargos declaratórios).
28/08/2013 – AP. 396 – Deputado Federal(condenado a 13 anos reclusão) – Preso, a Câmara dos Deputados manteve o mandato (em votação secreta). 
Situação em que o STF não falou nada em relação a perda do mandato – diferentemente do que aconteceu nas duas anteriores.
No dia de seu julgamento junto àCâmara dosDeputados, a Câmara entendeu que em face da decisão do STF alterando a jurisprudência, quem vai decidir se perde ou não ou mandato seria a própria Câmara. Submetido a julgamento este processo por votação secreta, não foi declarada a desconstituição do mandato, o que causou pressão extrema da sociedade, razão pela qual foi votada a:
28/11/2013 – EC 76 – queretirou o caráter secreto do voto em duas situações (veto e nessa situação).
12/02/2014 – Cassado por falta de decoro (em votação aberta) - mesmo preso anteriormente com pena imposta de 13 anos de reclusão, abriram processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, com o fundamento de que votou na votação anterior, quanto a própria cassação do mandato e por que ele chegar e sair algemado da câmara quando da primeira votação (sendo que já estava preso).
Conseqüências de uma condenação transitada em julgado com relação a sua projeção no mandato do deputado e do senador: o art. 55, como regra especifica, é aplicada aos deputados federais, estaduais e senadores (não aos vereadores). O constituinte separou duas hipóteses, embora a segunda pudesse estar incluída na primeira, só que uma das hipóteses é de perda dos direitos políticos.
O procedimento em relação aos incisos IV e VI são diferentes, por forca dos parágrafos. A hipótese do inciso VI é disciplinado pelo §2º – perda do mandato será decidido pela câmara dos deputados ou senado federal (não será automática). Ou seja, na hipótese do inciso VI, a regra estabelece que será instaurado processo no âmbito da Câmara/Senado, assegurada ampla defesa, e será proferida decisão constitutiva (se assim entender a casa). Diferentemente do inciso IV que é disciplinada pelo §3º - a perda será declarada pela mesa, ou seja, nesse caso, a decisão é meramente declaratória (cumpra-se a decisão do STF pura e simplesmente).
POSICIONAMENTO ATUAL: STF entende que a decisão tem que ser constitutiva, ou seja, em tese,existe a possibilidade de que mesmo em face de condenação criminal se mantenha o mandato. A natureza da condenação que lavará à perda do mandato será por decisão da casa. 
Suspendem-se os direitos políticos por "condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos", diz o inc. III do art. 15 da Constituição Federal. A Constituição anterior tinha dispositivo semelhante no § 2°, alínea "c", do art. 149, cuja aplicabilidade a jurisprudência e a doutrina condicionaram à edição da Lei Complementar referida no § 3° daquele artigo. Dita Lei jamais chegou a ser editada. A Constituição de 1988, no entanto, não refere exigência de norma regulamentadora. A eficácia plena e a aplicabilidade imediata do seu inc. III do art. 15, é, destarte, inquestionável, e assim pensa a doutrina e decidem os Tribunais.
A suspensão dos direitos políticos não é pena acessória, e sim conseqüência da condenação criminal: opera-se automaticamente, independentemente de qualquer referência na sentença.
O art. 1°, I, "e", da Lei das Inelegibilidades (LCn. 64/90) deu ensejo a se pensar que a suspensão dos direitos políticos não se daria em todos os casos de condenação, mas apenas e tão-somente nos ali elencados. Não é correto o entendimento. O que o dispositivo da Lei Complementar disciplina é hipótese de inelegibilidade, "pelo prazo de três anos após o cumprimento da pena", em relação aos que "forem condenados criminalmente, com sentença transitada em julgado, pela prática de crimes contra a economia popular, a fé pública, a administração pública, o patrimônio público, o mercado financeiro, pelo tráfico de entorpecentes e por crimes eleitorais". Vale dizer: em tais casos; ainda que retomados os demais direitos políticos por exauridos os efeitos da condenação, persistirá a inelegibilidade enquanto não transcorrido o prazo de três anos. A elegibilidade, como já se acentuou, constitui apenas um dos direitos políticos ou uma das prerrogativas inerentes aos direitos políticos e, com estes, portanto, não se confunde.
O Constituinte não fez exceção alguma: em qualquer hipótese de condenação criminal haverá suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos da sentença. Trata-se de preceito extremamente rigoroso, porque não distingue crimes dolosos dos culposos, nem condenações a penas privativas de liberdade de condenações a simples penas pecuniárias. Também não distingue crimes de maior ou menor potencial ofensivo ou danoso. A condenação por contravenção, que também é crime, acarreta, assim, o efeito constitucional.
A suspensão dos direitos políticos perdura enquanto perdurarem os efeitos da condenação. Duas correntes se formaram a respeito do que se há de entender por "duração dos efeitos". Uma, partindo do pressuposto de que por - "efeitos da condenação" - devem ser entendidos os previstos na lei penal, neles incluídos, portanto, também os efeitos secundários, como o de "tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado à vítima", previsto no art. 91, I, do Código Penal. Vale dizer: enquanto não atendida esta obrigação, perdurará o efeito da condenação e, portanto, a suspensão dos direitos políticos. Outra orientação, mais restrita, é no sentido de que os efeitos da condenação se esgotam com o cumprimento da pena imposta pela sentença condenatória, ainda que persistam os efeitos secundários de que trata a lei penal. O sentido ético que inspira e subjaz asanção política prevista no art. 15, III, da Constituição, dá abono à primeira interpretação, aliás adotada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul. É a segunda, no entanto, a que tem o aval do Tribunal Superior Eleitoral. Qualquer que seja o entendimento, é certo que durante o prazo do sursis a sanção política persistirá, porque ainda persistem os efeitos da condenação.
Por outro lado, sejam quais sejam os efeitos a que se refere o Constituinte, não há dúvida de que, uma vez esgotados, opera-se a reaquisição dos direitos políticos, independentemente da reabilitação criminal. Exigir-se, para tal fim, a conclusão do processo formal de reabilitação seria prolongar o tempo de suspensão da cidadania e sujeitá-la a imposições não previstas na Constituição. Com efeito, a reabilitação, que tem efeito meramente declaratório, só pode ser requerida após dois anos "do dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar a execução..." e desde que atendidos outros requisitos elencados no art. 94 do Código Penal. Exigir-se a reabilitação significaria prolongar a suspensão por mais dois anos além do prazo previsto pelo Constituinte.
IV)Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIIIEscusa de consciência (ou objeção, ou imperativo)
Em regimes constitucionais anteriores a 1988, a recusa de cumprimento de obrigação a todos imposta acarretava a perda dos direitos políticos. Não foi por outra razão que o Código de processo penal estabeleceu, em seu art. 435, que "a recusa do serviço do júri, motivada por convicção religiosa, filosófica ou política, importará a perda dos direitos políticos" (Constituição, art. 119, alínea "b"). A Constituição de 1988 não distinguiu expressamente os casos de perda dos de suspensão. Porém, ao regulamentar "a prestação de Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório", como manda o art. 143, §§ 1° e 2° da atual Constituição, a Lei n. 8.239, de 04.10.91, estabeleceu que a recusa ao atendimento de serviços nela previstos importará suspensão dos direitos políticos (art. 4°, § 2°). Realmente, a sanção política de perda dos direitos não parece adequada à natureza da falta, sempre passível de regularização, como reconhece a citada Lei n. 8.239, de 1991 (§ 2° do art. 4°). A suspensão dos direitos políticos, nestes casos, não poderá dispensar o devido processo legal, a teor do que dispõe o art. 5°, LlV e LV, da Constituição Federal/88, assegurados ao acusado os mais amplos meios de defesa.
 Art. 143, CF e lei 8239/1991 (que regulamenta este dispositivo) – obrigação do serviço militar a todos– falso ou verdadeiro? 
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nostermos da lei.
§ 1º Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar.  
§ 2º As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros encargos que a lei lhes atribuir. 
As pessoas do sexo feminino estão isentas do serviço militar obrigatório, mas poderão ser chamadas a prestação de outros serviços. Prestação do serviço militar é obrigação mais que legal, é constitucional, que remete a lei a disciplina desta matéria.
Exemplo de serviços a todos impostos:
Regra do §2º, art. 143 - as mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempos de paz, sujeitos, porém, mesmo em tempo de paz a outros encargos que a lei atribuir. 
Ex.: Existem algumas convicções religiosas que tem como princípio, que disciplinam, que seus seguidores não devam receber adestramento militar. Na hipótese da pessoa que tem esta convicção religiosa fazer o certificado de alistamento e ser chamado a prestação do serviço militar (o que é contra sua convicção religiosa) não poderá ser obrigada a prestar o serviço, estando praticando, neste caso, a escusa de consciência. 
Se estivéssemos antes de 05 de outubro de 88, a conseqüência desta pessoa seria perder os direitos políticos (antes de 88 a perda era inevitável).Depois de 88 a regra foi alterada, possibilitando a prestação de serviço alternativo – inciso VIII do art. 5º:
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, SALVO se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
Portanto, a CF estabelecea possibilidade de casoalguém não “queira”receber o adestramento militar, deverá cumprir serviço alternativo*, e assim, não perderá os direitos políticos. 
*“Serviço alternativo” (SMO): “exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essencialmente militar” (lei 8.239/91, art. 3º, §2º).
Obs.: Art. 15, IV – erro de redação (sentido jurídico).
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
A hipótese não é disjuntiva (“ou”), a hipótese é de sentido aditivo (“e”). É preciso que para que as pessoas percam o direito é preciso que haja dupla recusa.
Outras situações:
CPP sofreu alteração em 2008 e a situação esta claramente definida:
 Recusa ao serviço do júri:
CPP – art. 438, §§ 1º e 2º, com redação da lei 11.689/08
438.  A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa, filosófica ou política importará no dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos, enquanto não prestar o serviço imposto.  
§ 1o  Entende-se por serviço alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, no Poder Judiciário, na Defensoria Pública, no Ministério Público ou em entidade conveniada para esses fins.  
§ 2o  O juiz fixará o serviço alternativo atendendo aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
Obs.: Testemunha - “Por convicção religiosa, não me meto na vida de ninguém, então não vou relatar nada”.
CPP – art. 206
Art. 206.  A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.
CP – art. 342
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:  
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa
Objeção de consciência? Impossível.
Recusando-se a testemunha a depor, deve-se prender em flagrante delito: falso testemunho na 3ª modalidade (reticência) – calar a verdade que sabe.
Não é hipótese de objeção de consciência. Hipótese incompatível, pois os outros dois exemplos, quando a objeção é possível (militar / júri) aquela pessoa que fez objeção pode ser substituída por outra sem qualquer maior prejuízo. Diferentemente da testemunha que seu conhecimento pessoal não pode ser substituído por de outra pessoa, em nome da própria efetividade da prestação jurisidicional, não é possível que nestas circunstâncias se faça o uso da objeção de consciência. 
V)Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º
Uma das conseqüências da procedência de improbidade administrativa será a suspensão dos direitos políticos por prazo certo.
 A suspensão dos direitos políticos por motivo de improbidade administrativa é hipótese nova no direito brasileiro, introduzida pela Constituição Federal/88. À improbidade, tradicionalmente, cominavam-se sanções de natureza penal, ainda que com efeitos políticos. Mas, sempre em ação penal. Agora, a sanção não é penal. É civil ou, melhor dizendo, político-civil. Leia-se, com efeito, a Constituição Federal, no § 4° do art. 37: 
"Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade de bens e o ressarcimento ao erário, na forma e na gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível". 
Ora, essa circunstância - natureza não criminal da sanção - inova substancialmente na ordem jurídica, o que fica evidenciado no exame da Lei n. 8.429, de 02.06.92, que, regulamentando o texto constitucional, dispôs sobre "as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou funcional".
Os atos de improbidade foram divididos em três grandes grupos: os "que importam enriquecimento ilícito" (art. 9°), os "que causam prejuízos ao erário" (art. 10) e os "que atentam contra os princípios da administração pública" (art. 11 ). No que diz respeito à cominação de suspensão dos direitos políticos ora em estudo -que é aplicável cumulativamente com outras previstas na lei (...) -fixou a lei, no art. 12, a seguinte gradação: 
Suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, para os atos da improbidade do primeiro grupo (art. 9°); 
de cinco a oito anos, para os atos do segundo grupo (art. 10); 
e de três a cinco anos, para os demais (art. 11 ). 
"Na fixação das penas", diz a lei, "... o juiz levará em conta a extensão do dano causado, assim, como o proveito patrimonial obtido pelo agente" (art. 12, parágrafo único).
Muito embora a penalidade seja a suspensão dos direitos políticos e a perda do cargo eletivo, se for o caso, a ação não é da competência da Justiça Eleitoral, já que a matéria não tem natureza eleitoral. Em voto no TRE/RS sustentamos que "o controle dos direitos políticos dos cidadãos, em princípio, refoge à competência eleitoral. Só o será se, no curso do processo eleitoral e em função dele, houver necessidade de, incidentalmente, conhecer de matéria relacionada com inelegibilidade. É o que ocorre quando do pedido de registro de candidaturas ou de diplomação de eleitos, onde a elegibilidade (e, portanto, se for o caso, a existência dos direitos políticos) deve ser examinada. Nesses casos, porém, a existência dos direitos políticos é fundamento para a decisão, jamais seu objeto. É que a elegibilidade, ou seja, a aptidão para ser votado, é apenas um dos atributos dos direitos políticos, já que, a este, outros atributos e faculdades são inerentes, e não apenas os relacionados com eleições (direito de votar e ser votado), e sim os que dizem respeito ao status civitatis no seu maisamplo sentido. Portanto, a perda ou suspensão dos direitos políticos traz aos cidadãos atingidos conseqüências muito mais abrangentes que as relacionadas com eventual e episódica participação em determinado pleito eleitoral". 
Portanto, a ação de que trata a Lei n. 8.429/92 será processada e julgada perante a Justiça Comum. Se a lesão afetar direito ou interesse da União, entidade autárquica ou empresa pública federal, a competência será da Justiça Comum Federal, já que, nestes casos, figurando a lesada no pólo ativo da relação processual, ou como autora (art. 17) ou como litisconsorte (art. 17, § 3°), aplica-se a regra de competência do art. 109, I, da Constituição. Nos demais casos, a competência será de Justiça Comum dos Estados.
Por outro lado, não se tratando de ação penal, não se aplicam, à hipótese, as regras que estabelecem foro especial por prerrogativa de função (...). Independentemente do grau hierárquico do agente público que tenha praticado o ato de improbidade, a ação será proposta perante o Juízo de primeira instância, como, aliás, ocorre quando se trata de ação popular. 
Saliente-se que, a teor do art. 20 da Lei em comento, a suspensão dos direitos políticos somente se efetivará com o trânsito em julgado da sentença, o que importa dizer que todos os recursos que vierem a ser interpostos terão efeito suspensivo.
QSJ
1-) (MAGISTRATURA – DF – 2016 – CESPE) Em atenção aos direitos e garantias fundamentais da Constituição brasileira, assinale a opção correta. 
a) A constituição consagra expressamente a teoria absoluta do núcleo essencial de direitos fundamentais. 
b) Direitos fundamentais formalmente ilimitados, desprovidos de reserva legal, não podem sofrer restrições de qualquer natureza. 
c) O gozo da titularidade de direitos fundamentais pelos brasileiros depende da efetiva residência em território nacional. 
d) Há direitos fundamentais cuja titularidade é reservada aos estrangeiros. 
e) A reserva legal estabelecida para a inviolabilidade das comunicações telefônicas é classificada como simples, e para a identificação criminal reserva qualificada.
2-) (PGE-RO – FGV – 2015) Pedro e Ernesto travaram ampla discussão a respeito da essência e do alcance dos direitos e garantias fundamentais consagrados na Constituição da República Federativa do Brasil. É correto afirmar que os direitos fundamentais: 
a) sempre dizem respeito à vida, fundamento de existência da pessoa humana; 
b) somente estão ao alcance dos brasileiros, residam, ou não, no território nacional; 
c) sempre dependem de lei regulamentadora para que possam beneficiar alguém; 
d) não são extensivos aos estrangeiros residentes no território nacional; 
e) estão previstos de maneira exemplificativa na ordem constitucional.
3-)(DEFENSOR PÚBLICO-RN – 2015 – CESPE) Acerca da distinção entre princípios e regras, do princípio da proibição do retrocesso social, da reserva do possível e da eficácia dos direitos fundamentais, assinale a opção correta. 
a) De acordo com entendimento do STF, não é cabível à administração pública invocar o argumento da reserva do possível frente à imposição de obrigação de fazer consistente na promoção de medidas em estabelecimentos prisionais para assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral. 
b) Os direitos fundamentais são também oponíveis às relações privadas, em razão de sua eficácia vertical. 
c) As colisões entre regras devem ser solucionadas mediante a atribuição de pesos, indicando-se qual regra tem prevalência em face da outra, em determinadas condições. 
d) Tanto regras quanto princípios são normas, contudo, tão somente as regras podem ser formuladas por meio das expressões deontológicas básicas do dever, da permissão e da proibição. 
e) O princípio da proibição do retrocesso social constitui mecanismo de controle para coibir ou corrigir medidas restritivas ou supressivas de direitos fundamentais, tais como as liberdades constitucionais.
4-)(PROCURADOR – GUARAPARI – IBEG – 2016) Como afirmava o saudoso professor Norberto Bobbio: “os direitos do homem, por mais fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por todas”. Assim, acerca da Teoria dos Direitos Fundamentais, marque a alternativa incorreta: 
a) Pode-se afirmar que os direitos fundamentais são uma construção histórica, isto é, a concepção sobre quais são os direitos considerados fundamentais varia de época para época e de lugar para lugar. Que o que parece fundamental numa época histórica e numa determinada civilização não é fundamental em outras épocas e em outras culturas. 
b) No sistema constitucional brasileiro pode-se dizer que há direitos ou garantias fundamentais que se revistam de caráter absoluto.
c) Via de regra os direitos fundamentais são imprescritíveis, inalienáveis e indisponíveis, sendo permitidas algumas exceções, desde que não afetem a dignidade humana. 
d) Pode-se dizer que os direitos fundamentais se aplicam não só nas relações entre o Estado e o cidadão (eficácia vertical), mas também nas relações entre os particulares-cidadãos (eficácia horizontal). 
e) Os direitos de terceira geração, também conhecidos como direitos metaindividuais, têm como exemplos: direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, direito à paz, ao desenvolvimento, direitos dos consumidores.
5-) (TRT – 23a REGIÃO – FCC – 2016) Os chamados direitos de primeira geração (ou dimensão) surgiram no século XVIII, como consequência do modelo de Estado Liberal. São exemplos de direitos de primeira geração ou dimensão 
a) direito à vida e direito à saúde 
b) direito à liberdade e direito à propriedade 
c) direito à igualdade e direito à cultura 
d) direito ao lazer e direito à moradia 
e) direito à saúde e direito ao meio ambiente saudável
6-) (TRE-PI – 2016 – CESPE) A respeito dos direitos e das garantias fundamentais, assinale a opção correta. 
a) Os direitos sociais, econômicos e culturais são, atualmente, classificados como direitos fundamentais de terceira geração. 
b) O direito ao meio ambiente equilibrado e o direito à autodeterminação dos povos são exemplos de direitos classificados como de segunda geração. 
c) A comissão parlamentar de inquérito tem autonomia para determinar a busca e a apreensão em domicílio alheio, com o objetivo de coletar provas que interessem ao poder público. 
d) A entrada em domicílio, sem o consentimento do morador, é permitida durante o dia e a noite, desde que haja autorização judicial. 
e) A doutrina moderna classifica os direitos civis e políticos como direitos fundamentais de primeira geração.
7-) (TRE-PI – CESPE – 2016) A respeito dos princípios fundamentais e dos direitos e das garantias fundamentais, assinale a opção correta. 
a) Por constituírem direitos relativos às pessoas naturais, os direitos e garantias fundamentais não são extensíveis às pessoas jurídicas. 
b) Enquanto os direitos civis e políticos se baseiam em abstenções por parte do Estado, os direitos sociais pressupõem prestações positivas do Estado. 
c) De acordo com o STF, um direito fundamental constitucionalmente previsto possui caráter absoluto e se sobrepõe a eventual interesse público. 
d) A adoção da Federação como forma de Estado pela CF é embasada na descentralização política e na soberania dos Estados-membros, que são capazes de se auto-organizar por meio de suas próprias constituições. 
e) Em relação aos direitos políticos, o mandado de segurança coletivo e o habeas corpus são formas de exercício direto da soberania popular, como previsto na CF.
8-) (PROCURADOR – BARBACENA –FCM – 2016) De acordo com Freire e Motta (2010), a Constituição expressa uma preocupação extrema com a dignidade da pessoa humana e sua preservação. Esse seria o desejo por uma sociedade mais justa e solidária. A ética, assim, representa o respeito ao direito do próximo. Nesse sentido, o impactodas novas tecnologias em rede sobre os direitos fundamentais representa um fator específico dos direitos de 
a) quarta geração 
b) quinta geração 
c) primeira geração 
d) segunda geração
9-)(ANAC – 2016 – ESAF) Considerando a classificação dos direitos fundamentais, consistem em direitos de segunda geração os 
a) direitos civis 
b) direitos políticos 
c) direitos culturais 
d) direitos difusos 
e) direitos a um meio ambiente equilibrado
10-) (ANAC – 2016 – ESAF) Acerca da disciplina dos tratados de direitos humanos, assinale a opção correta. 
a) o tratado de direitos humanos aprovado nas duas casas do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos, é equivalente a emendas constitucionais 
b) o processo de incorporação e aprovação dos tratados de direitos humanos no Congresso Nacional não difere dos tratados sobre aviação civil em relação ao necessário quórum de aprovação 
c) Na hipótese de conflito entre lei ordinária e tratado de direitos humanos incorporado em conformidade com a atual disposição constitucional, deve prevalecer a norma mais recente. 
d) A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados de 1969 afirma que os tratados internacionais podem ser celebrados por escrito ou verbalmente. 
e) O tratado de direitos humanos, aprovado em dois turnos e por três quintos dos votos de cada Casa do Congresso Nacional, equivale à lei ordinária.
11-) (UFMA – 2016) Os direitos e garantias fundamentais 
a) estão taxativamente previstos na Constituição de 1988 
b) de caráter prestacional não são exigíveis do Estado 
c) não se aplicam às relações privadas 
d) são inalienáveis e indisponíveis 
e) podem sofrem limitações que atinjam seu núcleo essencial.
12-)(JUIZ FEDERAL – 3a REGIÃO – 2016 ) Analise as proposições abaixo e assinale a alternativa certa: 
( ) I. Sob o aspecto democrático, a titularidade do Poder Constituinte é do Estado, mas é o povo que o exerce. 
( )II. A Constituição nova, ainda que seja silente a respeito, revoga inteiramente a Constituição anterior, fenômeno que decorre da normatização geral. 
()III. Os direitos e deveres individuais e coletivos estendem-se aos estrangeiros que apenas estão em trânsito pelo Brasil. 
( ) IV. Para fins da proteção referida no art. 5º, XI, da Constituição atual, o conceito normativo de “casa” deve ser abrangente, de modo a se estender, em regra, a qualquer compartimento privado onde alguém exerce uma atividade ou profissão. 
V. As associações de caráter paramilitar só podem funcionar depois de autorizadas pelo Ministério da Defesa. 
a) todas as proposições estão corretas 
b) apenas a proposição I é incorreta 
c) as proposições III e IV são incorretas 
d) as proposições II, III e IV são as corretas.
13-) (ANS – FUNCAB – 2015) “Que todos os homens são, por natureza, igualmente livres e independentes, e têm certos direitos inatos, dos quais, quando entram em estado de sociedade, não podem por qualquer acordo privar ou despojar seus pósteros e que são: o gozo da vida e da liberdade com os meios de adquirir e de possuir a propriedade e de buscar e obter felicidade e segurança” (Artigo I da Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia- EUA, de 16 de junho de 1776). Essa citação caracteriza, em seu contexto histórico, qual geração de direitos fundamentais? 
a) terceira 
b) primeira 
c) quinta 
d) segunda 
e) quarta
14) (ANS – FUNCAB – 2015) Acerca de direitos e garantias fundamentais, assinale a opção INCORRETA. 
a) Os animais não são titulares de direitos fundamentais, sendo eles, na verdade, objetos de tutela constitucional. 
b) As pessoas jurídicas são titulares de direitos fundamentais, naquilo em que for compatível com a sua natureza. Ratifica essa assertiva a súmula 365 do Supremo Tribunal Federal que aduz que a pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. 
c) Podem ser titulares de direitos fundamentais, a pessoa jurídica naquilo que for compatível com a sua natureza, os estrangeiros residentes, os em trânsito no território nacional e os brasileiros sem restrição, incluindo o menor de idade e o portador de deficiência mental. 
d) A titularidade de direitos fundamentais pode ser restrita à determinada categoria. As pessoas jurídicas, por exemplo, podem ser titulares de direitos fundamentais, naquilo em que for compatível com a sua natureza. 
e) Caio, residente e domiciliado em Nova York, veio passar férias no Brasil e cometeu o crime de homicídio simples, ainda em território brasileiro. Neste caso, Caio não poderá impetrar nenhum tipo de remédio constitucional em seu favor, por ser pacífico o entendimento no STF que a interpretação dada ao artigo 5°, caput, da Constituição da República de 1988 é restritiva, ou seja, os direitos fundamentais são assegurados som ente aos brasileiros e estrangeiros residentes no País.
15-) (AUDITOR – CGE-MT – FMP – 2015) A Constituição Federal contempla um sistema de direitos fundamentais relativamente ao qual é correto afirmar que: 
()I – é indiscutível pelo menos a existência de três gerações, as quais se caracterizam, respectivamente, por ter como preocupação fundamental a liberdade, a igualdade e a proteção contra os riscos artificialmente produzidos pelo progresso científico e tecnológico. 
( )II – está, na sua integralidade, expresso em seu texto, seja no catálogo existente nos artigos 5º a 17, seja em normas esparsas como, exemplificativamente, os artigos 170, parágrafo único e 225. 
()III – é materialmente aberto, podendo ser explicitados direitos fundamentais decorrentes do regime e dos princípios constitucionais, além de haver a possibilidade de virem a existir novos direitos fundamentais introduzidos na ordem jurídica brasileira por tratados internacionais de direitos humanos. 
()IV – podem tanto a lei ordinária ou a emenda constitucional suprimir algum direito fundamental, desde que por maioria absoluta dos votos dos membros de cada uma das casas do Congresso Nacional. 
Estão corretas apenas as assertivas: xa) I e III b) I e II c) II e III d) I, II e IV e) II, III e IV
Gabarito: 1- D 2- E 3- A 4- B 5- B 6- E 7- B 8- B 9- C 10- A 11- D 12- D 13- B 14- E 15- A
1) (FGV – Procurador – Paulínia – 2016) Determinado Prefeito Municipal tinha a intenção de encaminhar projeto de lei à Câmara dos Vereadores disciplinando a concessão de direitos sociais a certa camada da população. No entanto, tinha dúvidas a respeito da compatibilidade dessa iniciativa com a ordem constitucional, mais especificamente com o princípio da igualdade, consagrado no Art. 5º, caput, da Constituição da República Federativa do Brasil. Em seu entender, a igualdade exigiria que os direitos sociais fossem igualitariamente oferecidos a todos, independentemente de suas características pessoais. Para sanar suas dúvidas, solicitou o pronunciamento da Procuradoria do Município, que exarou alentado parecer a respeito dessa temática. À luz da presente narrativa, assinale a opção que se harmoniza com as construções teóricas em torno da igualdade. 
a) Os conceitos de igualdade formal e de igualdade material apresentam uma relação de sobreposição, de modo que a ideia do Prefeito não seria harmônica com a Constituição.
b) O conceito de igualdade, tal qual consagrado na Constituição, não se projeta sobre as políticas públicas a cargo do Poder Executivo. 
c) As ações afirmativas excepcionam a igualdade formal em prol da construção da igualdade material, sendo incorreto afirmar que sempre serão incompatíveis com a Constituição. 
d) O conceito constitucionalmente adequado de igualdade é somente aquele de ordem formal, de modo que qualquer tratamento diferenciado entre as camadas da população é inconstitucional.
e) As ações afirmativas jamais acarretam o surgimento da denominada “discriminação reversa”, logo, a ideia do Prefeito não se mostra incompatível com a Constituição.
2) (FCC – 2016 – Procurador – Campinas) Profissionais de diferentes áreas que atuam no ramo da construção civil, em municípios situados na região do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, pretendemmontar uma associação com atuação em âmbito regional, exclusivamente para promover a capacitação de mão de obra para o setor. Os recursos para manutenção de suas atividades viriam de contribuições anuais, pagas pelos associados, e dos cursos que organizariam, sob a condição de que fossem reaplicados nos objetivos da associação. Sob a ótica constitucional, associação com essas características
a) não poderia ser constituída, por abranger área superior à de um Município. 
b) não poderia ser constituída, na medida em que, ao congregar profissionais de diferentes áreas, não atende ao requisito constitucional de representatividade de categoria profissional. 
c) poderia ser constituída, na medida em que atende aos pressupostos constitucionais para exercício da liberdade de associação, independendo de autorização estatal para sua constituição e funcionamento. 
d) poderia ser constituída, mas não estaria autorizada a angariar recursos advindos de contribuições anuais dos associados, por configurar espécie de contribuição para custeio do sistema confederativo de representação sindical. 
e) poderia ser constituída, mas não estaria autorizada a angariar recursos advindos da prestação de serviços, por conflitar com a finalidade de representação profissional.
3) (TÉCNICO DO INSS – 2016 – CESPE) O direito à vida desdobra-se na obrigação do Estado de garantir à pessoa o direito de continuar viva e de proporcionar-lhe condições de vida digna. 
( ) CERTO ( ) ERRADO
4) (TÉCNICO DO INSS – 2016 – CESPE) Em decorrência do princípio da igualdade, é vedado ao legislador elaborar norma que dê tratamento distinto a pessoas diversas. 
( ) CERTO ( ) ERRADO
5) (TRT – JUIZ DO TRABALHO – 2016 – 1a REGIÃO – FCC) Sobre a garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio, é INCORRETO afirmar: 
a) Sem o consentimento do morador, a autoridade policial pode entrar no domicílio, durante o dia, para apreensão de coisa litigiosa. 
b) O juiz pode ordenar o ingresso no domicílio, à noite, para promover a prisão em flagrante delito. 
c) Em caso de tragédia ambiental, o domicílio poderá ser invadido a qualquer momento. 
d) Correndo iminente perigo de vida o morador, a qualquer do povo é lícito invadir o domicílio para socorrê-lo. 
e) O juiz pode ordenar o ingresso no domicílio, à noite, para apreensão de coisa litigiosa.
6) (JUIZ FEDERAL – 2016 – TRF 3a REGIÃO) Analise as proposições abaixo e assinale a alternativa certa: 
I. Sob o aspecto democrático, a titularidade do Poder Constituinte é do Estado, mas é o povo que o exerce. 
II. A Constituição nova, ainda que seja silente a respeito, revoga inteiramente a Constituição anterior, fenômeno que decorre da normatização geral. 
III. Os direitos e deveres individuais e coletivos estendem-se aos estrangeiros que apenas estão em trânsito pelo Brasil. 
IV. Para fins da proteção referida no art. 5º, XI, da Constituição atual, o conceito normativo de “casa” deve ser abrangente, de modo a se estender, em regra, a qualquer compartimento privado onde alguém exerce uma atividade ou profissão. 
V. As associações de caráter paramilitar só podem funcionar depois de autorizadas pelo Ministério da Defesa.
a) Todas as proposições estão corretas. 
b) Apenas a proposição I é incorreta. 
c) As proposições III e IV são incorretas. 
d) As proposições II, III e IV são as corretas.
7) (DEFENSOR PÚBLICO – RN – 2015 – CESPE) Com referência aos direitos fundamentais em espécie, assinale a opção correta com base no entendimento do STF acerca desse tópico. 
a) A inviolabilidade domiciliar refere-se à residência que o indivíduo ocupa com intenção de moradia definitiva, mas não alcança seu escritório profissional ou outro local de trabalho. 
b) A determinação de foro justificada por prerrogativa de função, ainda que instituída exclusivamente por Constituição estadual, prevalece sobre a competência do tribunal de júri. 
c) Por ferir o direito à privacidade, é ilegítima a publicação, em qualquer tipo de veículo, dos nomes de servidores da administração pública e do valor dos vencimentos e vantagens pecuniárias por eles recebidos. 
d) O Estado brasileiro reconhece que a família tem como base a união entre o homem e a mulher, fato que exclui a união de pessoas do mesmo sexo do âmbito da proteção estatal. 
e) Salvo quando envolver criança e(ou) adolescente, os direitos à reunião e à livre manifestação do pensamento podem ser exercidos mesmo quando praticados para defender a legalização de drogas.
8) (DEFENSOR PÚBLICO – RN – 2015 – CESPE) Assinale a opção correta em relação aos direitos fundamentais e aos conflitos que podem ocorrer entre eles. 
a) A proibição do excesso e da proteção insuficiente são institutos jurídicos ligados ao princípio da proporcionalidade utilizados pelo STF como instrumentos jurídicos controladores da atividade legislativa. 
b) Sob pena de colisão com o direito à liberdade de pensamento e consciência, o STF entende que a autorização estatutária genérica conferida à associação é suficiente para legitimar a sua atuação em juízo na defesa de direitos de seus filiados. 
c) Como tentativa de evitar a ocorrência de conflito, a legislação brasileira tem imposto regras que impedem o exercício cumulado de diferentes direitos fundamentais. 
d) Os direitos fundamentais poderão ser limitados quando conflitarem com outros direitos ou interesses, não havendo restrição a tais limitações. 
e) A garantia de proteção do núcleo essencial dos direitos fundamentais está ligada à própria validade do direito, mas não guarda relação com a sua eficácia no caso concreto.
9) (MP/MS – 2016) Sobre o direito de associação é correto afirmar que: 
a) Possui base contratual. 
b) Tem caráter provisório. 
c) Necessita de cinco ou mais pessoas para ser exercido. 
d) A associação não pode representar judicialmente seus filiados. 
e) A associação pode sofre interferências do Estado a qualquer momento.
10) (MAGISTRATURA – SP – 2015 – VUNESP) Ao analisar decisões do Supremo Tribunal Federal na aplicação do princípio da igualdade, por exemplo na ADPF 186/DF (sistema de cotas para ingresso nas universidades públicas), é correto afirmar que 
a) o princípio da igualdade é absoluto no que se refere à igualdade de gênero. 
b) a diferença salarial entre servidores com igual função em diferentes entes públicos não se sustenta diante do princípio da isonomia, a justificar revisão por parte do Judiciário. 
c) as discriminações positivas correspondem a maior efetividade ao princípio da igualdade. 
d) a Constituição Federal não estabelece distinção entre igualdade formal e material.
11) (MAGISTRATURA – SP – 2015 – VUNESP) Diante de informação relativa a iminente publicação de matéria considerada ofensiva à intimidade e à honra de autoridade pública em jornal local, nos termos definidos pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 130/DF, é possível conceder ordem judicial que: 
a) proíba a circulação da publicação jornalística considerada ofensiva, com base no art. 5º , V e X, da Constituição Federal. 
b) assegure, após configurado o dano causado à honra e à intimidade, a sua reparação. 
c) imponha alteração do conteúdo da matéria a ser divulgada, a fim de riscar ou suprimir expressões ofensivas à honra e à intimidade da vítima. 
d) proíba a inserção da matéria considerada ofensiva naquela publicação jornalística, embora autorizada sua circulação
GABARITO: 1) C 2) C 3) CERTO 4) ERRADO 5) E 6) D 7) E 8) A 9) A 10) C 11) B
1- (DELEGADO CIVIL – PARÁ – FUNCAB – 2016) Assinale a alternativa correta em relação ao mandado de injunção, recentemente regulamentado pela Lei n° 13.300/2016. 
a) Findo o prazo para as informações do impetrado, o Ministério Público opinará em 10 (dez) dias e, como parecer, os autos serão conclusos para decisão. 
b) O mandado de injunção coletivo, pode ser impetrado por organização sindical legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus membros, mediante autorização especialobtida em assembleia geral.
c) A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado em sede de mandado de injunção, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável. 
d) Transitada em julgado e decisão do mandato de injunção, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos, desde que por decisão fundamentada do órgão colegiado competente. 
e) Da decisão de relator que indeferir a petição inicial do mandado de injunção, caberá apelação, em 10(dez) dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da impetração.
2- (DELEGADO CIVIL – PARÁ – PUNCAB – 2016) Em relação aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, assinale a alternativa correta. 
a) São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o terceiro grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, mesmo que já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. 
b) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, em qualquer hipótese, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. 
c) É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, sendo vedado o recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes. 
d) O texto constitucional atribui expressamente ao Ministério Público legitimidade para a impetração de mandado de segurança coletivo. 
e) São direitos sociais expressamente previstos na Constituição Federal o transporte, o lazer, a segurança, a seguridade social, a proteção à velhice e a assistência aos desamparados.
3- DELEGADO PARÁ – FUNCAB – 2016) Acerca dos direitos e deveres individuais e coletivos previstos na Constituição Federal de 1988, é correto afirmar que: 
a) é livre a locomoção no território nacional, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens. 
b) a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou indulto a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. 
c) as entidades associativas, independentemente de autorização , têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. 
d) no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário, em qualquer caso, indenização ulterior. 
e) todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
4- (POLÍCIA CIVIL – PARÁ – FUNCAB – 2016) Nos termos dos direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal, é correto afirmar: 
a) Conceder-se-á mandado, de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 
b) Toda propriedade rural, desde que trabalhada pela família do proprietário, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento.
c) Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo apenas nos casos de crime propriamente militar, definidos em lei. 
d) Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado depois da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei. 
e) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há menos de um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados.
5- (POLÍCIA CIVIL – FUNCAB – 2016) “Os direitos fundamentais são bens jurídicos em si mesmos considerados, conferidos às pessoas pelo texto constitucional, enquanto as garantias são instrumentos por meio dos quais é assegurado o exercício desses direitos, bem como a devida reparação, em caso de violação.” (Vicente Paulo, Marcelo Alexandrino, Direito Constitucional Descomplicado, 7ª edição, Rio de Janeiro, Forense, 2011, p. 100). Sobre O assunto, assinale a alternativa correta. 
a) A realização de manifestações públicas como a denominada “Marcha da Maconha” não encontra amparo no exercício do direito fundamental de reunião e da livre manifestação do pensamento, uma vez que consiste em afronta ao ordenamento jurídico na esfera penal como verdadeira apologia à prática de crime. 
b) A proteção constitucional à inviolabilidade domiciliar há que ser entendida restritivamente aos conceitos de residência e domicílio, não devendo, portanto, ser estendido a locais não abertos ao público no qual a pessoa exerça sua profissão ou atividade.
c) A gravação clandestina, como aquela em que captação e gravação de áudio e vídeo de conversa pessoal, ambiental ou telefônica se dão no mesmo momento em que a conversa se realiza, feita por um dos interlocutores, sem conhecimento dos outros ou por terceira pessoa, sem conhecimento dos demais, afronta o preceito constitucional da inviolabilidade do sigilo das comunicações telefônicas. 
d) Encontra-se em clara e ostensiva contradição com o fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana, com o direito à honra, intimidade e vida privada utilizar-se em desobediência expressa à autorização judicial ou aos limites de sua atuação, de bens e documentos pessoais apreendidos ilicitamente acarretando injustificado dano à dignidade da pessoa humana, autorizando a ocorrência de indenização por danos materiais e morais, além do respectivo direito à resposta e responsabilização penal. 
e) A inviolabilidade do sigilo das correspondências, das comunicações telegráficas e de dados são absolutas, uma vez que a previsão constitucional apenas ressalva a possibilidade de interceptação das comunicações telefônicas, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.
6- (POLÍCIA CIVIL – PARÁ – 2016 – FUNCAB) Sobre os direitos constitucionais à vida, à liberdade e à igualdade, é correto afirmar que a: 
a) objeção de consciência é alusiva às obrigações legais a todos impostas que podem ser eximidas por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica ou política, sem que os direitos fundamentais de quem a opõe sejam perdidos ou suspensos, ressalvado o descumprimento de prestação alternativa. 
b) prerrogativa do foro em favor da mulher e sua aplicação tanto para a ação de separação judicial quanto para a de divórcio direto fere o princípio constitucional da isonomia de tratamento entre homens e mulheres. 
c) liberdade de expressão e de manifestação de pensamento somente pode admitir qualquer tipo de limitação prévia de natureza política, ideológica ou artística caso haja lei ordinária regulando a matéria. 
d) pena de morte é objeto de cláusula pétrea ou limitação ao poder constituinte derivado reformador, de forma que proposta de emenda que a comine não pode ser deliberada, uma vez que afronta ao direito constitucional à vida, não se admitindo a pena de morte nem mesmo em tempode guerra. 
e) liberdade de locomoção é desenhada como possibilidade de ingresso, circulação interna e saída do território nacional, sendo preservada mesmo com a decretação de estado de sítio com fundamentação em comoção grave de repercussão nacional. A liberdade de locomoção apenas é restringida com advento da declaração de guerra.
7- À luz da jurisprudência do STF, assinale a opção correta acerca de habeas corpus. 
a) O habeas corpus é instrumento viável para a revisão de súmulas de tribunais se o teor da súmula atentar abstratamente contra o direito à liberdade de locomoção. 
b) A utilização do habeas corpus como mecanismo judicial para salvaguarda do direito à liberdade de locomoção é limitada no tempo, sujeitando-se a preclusão e decadência. 
c) A inadmissibilidade de impetração sucessiva de habeas corpus, ou seja, de apreciação de um segundo habeas corpus quando ainda não definitivamente julgado o anteriormente impetrado, é relativizada se se tratar de ilegalidade flagrante e prontamente evidente. 
d) O habeas corpus é meio idôneo para impugnar ato de sequestro ou confisco de bens em processo criminal. 
e) O afastamento de cargo público é impugnável por habeas corpus.
8- (DEFENSOR PÚBLICO – BAHIA – 2016) É considerado pela doutrina como (sub)princípio derivado do princípio da proporcionalidade: 
a) Boa-fé objetiva. 
b) Proibição de retrocesso social. 
c) Estado de direito. 
d) Segurança jurídica. 
e) Proibição de proteção insuficiente.
9- (DEFENSOR PÚBLICO – BAHIA – FCC – 2016) Acerca do sistema constitucional de proteção dos direitos humanos e fundamentais, é correto afirmar: 
a) O serviço público de assistência jurídica integral e gratuita prestado pela Defensoria Pública é caracterizado pelo acesso universal, tal como o serviço público na área da saúde. 
b) Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. 
c) De acordo com a posição firmada pelo Supremo Tribunal Federal, os tratados internacionais de direitos humanos incorporados antes da inserção do § 3º no artigo 5º da Constituição Federal, levada a efeito pela Emenda Constitucional nº 45/2004, possuem hierarquia constitucional, prevalecendo em face de qualquer norma infraconstitucional interna. 
d) A norma constitucional atribui legitimidade exclusiva ao Ministério Público para a propositura de ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.
e) Ação popular teve o seu objeto ampliado por disposição da Constituição Federal de 1988, autorizando expressamente o seu manuseio para a defesa dos direitos do consumidor.
10- (JUIZ DO TRABALHO – TRT 4a REGIÃO) Considere as assertivas abaixo sobre tutelas constitucionais das liberdades. 
I - A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. 
II - Sobrevindo norma regulamentadora, quando em curso mandado de injunção, prestar-se-á a via eleita para sanar a lacuna normativa do período pretérito à edição da lei regulamentadora. 
III - É cabível a utilização de habeas data para a obtenção de vista de processo administrativo, na medida em que tal ação constitucional visa a assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante.
Quais são corretas? 
a) Apenas I 
b) Apenas II 
c) Apenas III 
d) Apenas II e III e) I, II e III
11- (DELEGADO – CEARÁ- CESPE – 2016) Acerca dos direitos e garantias fundamentais previstos na CF, assinale a opção correta. 
a) Em obediência ao princípio da igualdade, o STF reconhece que há uma impossibilidade absoluta e genérica de se estabelecer diferencial de idade para o acesso a cargos públicos. 
b) Conforme o texto constitucional, o civilmente identificado somente será submetido à identificação criminal se a autoridade policial, a seu critério, julgar que ela é essencial à investigação policial. 
c) São destinatários dos direitos sociais, em seu conjunto, os trabalhadores, urbanos ou rurais, com vínculo empregatício, os trabalhadores avulsos, os trabalhadores domésticos e os servidores públicos genericamente considerados. 
d) Embora a CF vede a cassação de direitos políticos, ela prevê casos em que estes poderão ser suspensos ou até mesmo perdidos. 
e) Os direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata, razão por que nenhum dos direitos individuais elencados na CF necessita de lei para se tornar plenamente exequível.
GABARITO: 1- C 2- C 3- E 4- A 5- D 6- A 7- C 8- E 9- B 10- I 11- D
1.(POLÍCIA CIVIL/PA – FUNCAB – 2016)O kuwaitianoFehaid alDeehani, que compete no Rio de Janeiro sob a bandeira olímpica, ou seja, como atleta independente, escreveu nesta quarta-feira (10) seu nome na história olímpica ao se tornar o primeiro atleta 'sem país' da história a conquistara medalha de ouro olímpica. O título veio no duplo fosso do tiro esportivo. O italiano Marco Innocenti ficou com prata e o britânico Steven Scott com o bronze. (O Tempo - publicado em 10/08/16 - 20h35). Quanto ao direito da nacionalidade, nos termos da Constituição Federal, é correto afirmar: 
a) Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade por imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. 
b) São brasileiros naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. 
c) São brasileiros natos os que. na forma da lei. adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. 
d) É privativo de brasileiro nato o cargo de Senador, 
e) São brasileiros naturalizados os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
2. (FUMARC 2016) A respeito do regramento constitucional dado à nacionalidade, assinale a afirmativa INCORRETA: Top ofForm
a) São brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país. 
b) São brasileiros natos os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, até os dezoito anos de idade, pela nacionalidade brasileira. 
c) São brasileiros natos os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil. 
d) São brasileiros naturalizados os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
3. (PROCURADOR DO ESTADO.MT – 2016) Juliana, brasileira nata, obteve a nacionalidade norte-americana, de forma livre e espontânea. Posteriormente, Juliana fora acusada, nos Estados Unidos da América, da prática de homicídio contra nacional daquele país, fugindo para o Brasil. Tendo ela sido indiciada em conformidade com a legislação local, o governo norte-americano requereu às autoridades brasileiras sua prisão para fins de extradição. Neste caso, à luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,Juliana, 
a) poderá ser imediatamente extraditada, uma vez que a perda da nacionalidade brasileira neste caso é automática. 
b) não poderá ser extraditada, por continuar sendo brasileira nata, mesmo tendo adquirido nacionalidade norteamericana. 
c) poderá ter cassada a nacionalidade brasileira pela autoridade competente e ser extraditada para os Estados Unidos para ser julgada pelo crime que lhe é imputado. 
d) não poderá ser extraditada, pois, ao retornar ao território brasileiro, não poderá ter cassada sua nacionalidade brasileira 
e) não poderá ser extraditada se optar a qualquer momento pela nacionalidade brasileira em detrimento da norteamericana.
4. PROCURADOR/QUIXADÁ – CE- 2016 - De acordo com a Constituição Federal: 
a) Brasileiro, nato ou naturalizado, poderá ser oficial das Forças Armadas. 
b) Brasileiro, nato ou naturalizado, poderá ser Presidente e Vice-Presidente da República. 
c) Brasileiro, nato ou naturalizado, poderá ser Presidente da Câmara dos Deputados e Presidente do Senado Federal. 
d) Brasileiro, nato ou naturalizado, poderá ser Senador da República. 
e) Brasileiro, nato ou naturalizado, poderá ser membro da carreira diplomática.
5. DELEGADO/PE – 2016 - Assinale a opção correta acerca dos direitos sociais, dos remédios ou garantias constitucionais e dos direitos de nacionalidade. 
a) Será considerado brasileiro nato o indivíduo nascido no estrangeiro, filho de pai brasileiro ou de mãe brasileira, que for registrado em repartição brasileira competente ou que venha a residir no Brasil e opte, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira. 
b) A duração da jornada normal de trabalho, de, no máximo, oito horas diárias e quarenta e quatro horas semanais, não comporta exceções, no entanto a CF admite a compensação de horários mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. 
c) De acordo com o STF, o habeas data é ação que permite ao indivíduo o direito de obter informações relativas à sua pessoa, inseridas em repartições públicas ou privadas, podendo ser utilizado para a obtenção de acesso a autos de processos administrativos, como aqueles que tramitam no TCU. 
d) A sentença em mandado de injunção gera efeitos erga omnes, alcançando, de maneira indistinta, todos aqueles privados de exercer quaisquer direitos e liberdades constitucionais por falta de norma regulamentadora. 
e) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por sindicatos, entidades de classe e associações, mas não por partidos políticos, pois se destinam à defesa de interesses coletivos comuns a determinada coletividade de pessoas.
6. (PROCURADOR – CAMBARÁ – PR – 2016) Pode-se conceituar a nacionalidade como um vínculo jurídico-político que liga a pessoa a um determinado Estado. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA, que atende o disposto no art. 12 da Constituição Federal sobre nacionalidade: 
a) São brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país. 
b) São privativos de brasileiros natos o cargo de Senador da República. 
c) A lei poderá, em regra, estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados. 
d) São brasileiros natos os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
7. (PROCURADOR DO MUNICÍPIO – SÃO LUIZ-MA) Ao nacional português com residência permanente no Brasil NÃO será dado, em qualquer circunstância, 
a) exercer função de magistério em Universidade pública. 
b) candidatar-se a mandato de Deputado Federal ou Senador. 
c) ter acesso a cargos públicos, mediante concurso público. 
d) ocupar cargo de oficial das Forças Armadas. 
e) ocupar cargo de Ministro de Estado.
8. Juiz federal – 3 a região – TRF - Só o brasileiro nato pode ser: 
a) Deputado Federal ou Senador da República. 
b) Ministro de Tribunal Superior. 
c) Chefe do Estado Maior das Forças Armadas. 
d) Presidente do Banco Central da República.
9. PROCURADOR – MARINGÁ – PR) Os textos constitucionais historicamente estabelecem as regras para estabelecer quem será considerado nacional do país. A Constituição Federal de 1988 não foge à regra. Sobre as disposições acerca de nacionalidade e do tratamento dispensado aos nacionais, assinale a alternativa CORRETA. 
a) A Constituição permite que a legislação brasileira estabeleça tratamento diferenciado aos brasileiros natos e aos brasileiros naturalizados. A prova disso é que o texto constitucional impede os brasileiros naturalizados de ocupar determinados cargos. 
b) Os brasileiros natos ou naturalizados estão sujeitos à extradição, mas tão somente nos casos de cometimento de crimes contra o Estado e anteriores à sua naturalização. 
c) Para estabelecer quem são nacionais, o Brasil adota os critérios do jus soli e do jus sanguinis. O primeiro é utilizado quando considera brasileiro o indivíduo nascido em território brasileiro, mesmo que de pais estrangeiros, desde que não esteja qualquer um deles a serviço de seu país. O segundo critério é adotado quando considera brasileiros os filhos de brasileiros nascidos no exterior. 
d) O critério do jus sanguinis não é adotado pela Constituição brasileira atual, eis que só se considera brasileiro aquele que nasce no território brasileiro. Os filhos de brasileiros nascidos no exterior só serão considerados brasileiros se forem regularmente registrados em repartição consular. 
e) O texto constitucional de 1988, imbuído da proteção aos direitos humanos, passou a adotar regra ampliativa que realmente permite a proteção dos indivíduos que aqui nascem. Por isso, a nacionalidade passou a ser atribuída a todos os que nascem no território brasileiro, sem qualquer distinção, e permite-se a naturalização de indivíduos que provem a residência no Brasil por, no mínimo, cinco anos, desde que não tenham condenação penal
Gabarito: 1- B 2- B 3- C 4- D 5- A 6- A 7- D 8- C 9- C
1 - (DELEGADO CIVIL – PARÁ – 2016) Em relação aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, assinale a alternativa correta. 
a) São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o terceiro grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, mesmo que já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. 
b) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, em qualquer hipótese, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
c) É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, sendo vedado o recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes. 
d) O texto constitucional atribui expressamente ao Ministério Público legitimidade para a impetração de mandado de segurança coletivo. 
e) São direitos sociais expressamente previstos na Constituição Federal o transporte, o lazer, a segurança, a seguridade social, a proteção à velhice e a assistência aos desamparados.
2 - (DELEGADO CIVIL – PARÁ – 2016) Acerca dos direitos políticos previstos na Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa correta. 
a) São inalistáveis os estrangeiros, os conscritos, durante o período militar obrigatório, e os analfabetos. 
b) A improbidade administrativa é causa de perda do direitos políticos. 
c) O alistamento e o voto são facultativos para os analfabetos e os maiores de sessenta anos. 
d) Os analfabetos são inelegíveis e inalistáveis. 
e) Todoinalistávelé inelegível, mas nem todo inelegível é inalistável.
3 - (PROCURADOR MUNICÍPIO – VUNESP – 2016) A Constituição estabelece que o mandado eletivo poderá ser impugnado ante a 
a) Justiça Comum, no prazo de dez dias contados da posse, instruída a ação com provas de improbidade administrativa. 
b) Justiça Eleitoral, no prazo de quinze dias contados da posse, instruída a ação com provas de abuso do poder da máquina administrativa. 
c) Justiça Comum, no prazo de trinta dias contados da posse, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. 
d) Justiça Eleitoral, no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. 
e) Justiça Eleitoral, no prazo de quarenta e cinco dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder político ou fraude.
4 - (DELEGADO-CEARÁ – CESPE – 2016) Acerca dos direitos e garantias fundamentais previstos na CF, assinale a opção correta. 
a) Em obediência ao princípio da igualdade, o STF reconhece que há uma impossibilidade absoluta e genérica de se estabelecer diferencial de idade para o acesso a cargos públicos. 
b) Conforme o texto constitucional, o civilmente identificado somente será submetido à identificação criminal se a autoridade policial, a seu critério, julgar que ela é essencial à investigação policial. 
c) São destinatários dos direitos sociais, em seu conjunto, os trabalhadores, urbanos ou rurais, com vínculo empregatício, os trabalhadores avulsos, os trabalhadores domésticos e os servidores públicos genericamente considerados. 
d) Embora a CF vede a cassação de direitos políticos, ela prevê casos em que estes poderão ser suspensos ou até mesmo perdidos. 
e) Os direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata, razão por que nenhum dos direitos individuais elencados na CF necessita de lei para se tornar plenamente exequível.
5 - (JUIZ FEDERAL – TRF 4a REGIÃO – 2016) Assinale a alternativa INCORRETA. 
a) O cidadão que exerce dois mandatos consecutivos como Prefeito de determinado Município fica inelegível para o cargo de mesma natureza em qualquer outro Município da Federação, para o período subsequente. 
b) Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, o Governador de Estado, o Governador do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes dos pleitos respectivos. 
c) A vedação ao nepotismo não exige a edição de lei formal para coibi-lo, na medida em que tal proibição decorre diretamente dos princípios constitucionais contidos no art. 37, caput da Constituição Federal. 
d) A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade do ex-cônjuge. 
e) O plebiscito e o referendo são formas de consulta popular, sendo determinados, exclusivamente, pelo Congresso Nacional, visando à manifestação do povo sobre determinado tema específico já aprovado em lei, a qual só entrará em vigor se for ratificada pela vontade majoritária dos eleitores.
6 - (JUIZ DE DIREITO – TJ/RS – 2016) A questão refere-se à Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. De acordo com o artigo 14, referente aos direitos políticos, assinale a alternativa correta. 
a) O alistamento eleitoral é facultativo para os maiores de 60 (sessenta) anos. 
b) Os analfabetos são inalistáveis. 
c) Os menores de 18 (dezoito) anos são inelegíveis. 
d) O militar com menos de (10) dez anos de serviço é inalistável. 
e) Os casos de inelegibilidade estão exaustivamente previstos na Constituição.
7 - (TRE-PIAUÍ – CESPE) Assinale a opção correta acerca dos direitos e das garantias fundamentais. 
a) Deverão ser cassados os direitos políticos de parlamentar condenado por crime de corrupção em sentença criminal transitada em julgado. 
b) Lei que altere o processo eleitoral editada no mesmo ano de um pleito eletivo, ainda que em vigor, será aplicada no ano subsequente, conforme o princípio da anterioridade eleitoral. 
c) Gravação de conversa telefônica sem autorização judicial, registrada por um dos interlocutores, é considerada prova ilícita, ante o sigilo das comunicações telefônicas, constitucionalmente assegurado. 
d) A instauração de processo administrativo disciplinar contra servidor público para apuração de irregularidade funcional garante ao servidor o direito de impetrar habeas corpus para impedir o prosseguimento do processo administrativo. 
e) Estrangeiro de qualquer nacionalidade pode se candidatar a cargos eletivos, com exceção dos cargos para os quais se exige a condição de brasileiro nato.
8 - (JUIZ-DF-CESPE-2016) Considerando as interpretações doutrinárias e jurisprudenciais conferidas às normas constitucionais referentes aos direitos políticos, assinale a opção correta. 
a) Os direitos políticos insculpidos na Constituição possuem eficácia limitada, ante a necessidade da edição de legislação infraconstitucional para concretizá-los. 
b) A dissolução da sociedade conjugal no curso do mandato eletivo de governador de Estado implica a inelegibilidade de sua ex-cônjuge para o cargo de deputado estadual na mesma unidade da Federação para o pleito subsequente. 
c) O governador do Distrito Federal que pretende se candidatar ao cargo de deputado federal no pleito subsequente não precisa se desincompatibilizar do cargo que atualmente ocupa, uma vez que tal exigência constitucional aplica-se apenas quando o novo cargo almejado é disputado mediante eleição majoritária. 
d) O cidadão naturalizado brasileiro poderá ocupar os cargos eletivos de deputado federal e de governador do Distrito Federal, mas não poderá ser eleito senador ou vice-presidente, diante de vedação constitucional. 
e) A capacidade eleitoral passiva limita-se às restrições que estão expressamente veiculadas na CF e a nenhum outro dispositivo legal.
9 - (PROMOTOR DE JUSTIÇA – DF- 2015) É condição de elegibilidade, na forma da lei, a idade mínima de trinta anos para 
a) Governador de Estado. 
b) Prefeito. 
c) Juiz de Paz. 
d) Deputado Federal. 
e) Vereador.
10 - (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL – ESAF – 2015) Escolha a opção correta. 
a) Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático, bem como, depois de declaradas ilegais por decisão judicial, as greves em setores essenciais para a sociedade, definidas como tal em lei complementar. 
b) A lei ordinária estabelecerá casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa. 
c) O prazo para impugnação do mandato eletivo é de quinze dias contados da diplomação. 
d) A incapacidade civil absoluta não é motivo para a perda ou suspensão de direitos políticos. 
e) O militar alistável é elegível, se contar menos de dez anos de serviço será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
11 - (CARTÓRIO – MG – 2015 – CONSULPLAN) Quanto aos direitos políticos, assinale a alternativa INCORRETA: 
a) O alistamento eleitoral e o voto são facultativos aos maiores de 70 (setenta) anos. 
b) A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, mediante plebiscito, referendo, e iniciativa popular. 
c) É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios recusar fé aos documentos públicos. 
d) É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão ocorrerá tão somente na hipótese de improbidade administrativa.
12 - (JUIZ FEDERAL – TRF – 1a REGIÃO – CESPE – 2015) Com relação ao plebiscito, aos direitos políticos, à iniciativa popular de lei e aos partidos políticos, assinale a opção correta. 
a) No Brasil, o alistamento eleitoral depende da iniciativa da autoridade judicial eleitoral, que deve comunicar ao cidadão que ele está apto a exercer sua capacidade eleitoral ativa por preencher os requisitos exigidos. 
b) Os projetos de lei de iniciativapopular devem ser apresentados à Câmara dos Deputados, que fará sua apreciação inicial. 
c) Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito público cuja personalidade jurídica se consuma após o registro de seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. 
d) Conforme dispõe a CF, a convocação de plebiscito é competência privativa da Câmara dos Deputados, na condição de casa composta por representantes do povo. 
e) Embora não se insiram entre os direitos e garantias fundamentais previstos na CF, os direitos políticos possuem o caráter instrumental de proteção do princípio democrático e investem o indivíduo no status activaecivitati.
13 - (DELEGADO – DF – 2015 – FUNIVERSA) Acerca dos direitos e dos partidos políticos, assinale a alternativa correta. 
a) Suponha-se que Guilherme esteja preso, aguardando o julgamento de seu recurso de apelação. Nesse caso, Guilherme não poderá votar, por faltar-lhe, por causa de sua prisão cautelar, o pleno exercício dos direitos políticos. 
b) É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir a sua estrutura interna, a sua organização e o seu funcionamento, podendo receber doações de pessoas físicas e jurídicas, nacionais ou estrangeiras. 
c) Suponha-se que Maria tenha 18 anos de idade completos e não saiba escrever o seu próprio nome, sendo considerada como analfabeta. Nesse caso, o alistamento eleitoral de Maria é obrigatório. 
d) A CF exige, como idade mínima para exercer os cargos de senador e de deputado federal, que o candidato tenha, pelo menos, 21 anos de idade. 
e) Suponha-se que Joana, deputada federal, seja casada com Pedro, atual governador do estado X. Nesse caso, nas próximas eleições, quando Pedro e Joana concorrerem às respectivas reeleições, Joana não ficará inelegível.
14-Considere as seguintes situações: 
I. Prefeito em exercício de segundo mandato consecutivo pretende candidatar-se a Deputado Estadual, renunciando ao respectivo mandato apenas 6 meses antes do pleito. 
II. Deputado Estadual em exercício pretende candidatar-se a Prefeito do Município em que possui domicílio eleitoral, sem renunciar ao respectivo mandato. 
III. Ex-marido de Prefeita, desta divorciado durante o mandato que ela ainda exerce, pretende candidatar-se, pela primeira vez, a Vereador do Município, no pleito imediatamente subsequente ao término do mandato. 
IV. Membro de Polícia Militar que conta com 5 anos de serviço pretende filiar-se a partido político e candidatar-se a mandato eletivo na esfera estadual, sem se afastar da atividade. 
São compatíveis com as normas constitucionais referentes às condições de elegibilidade e inelegibilidades APENAS as situações descritas em 
a) III e IV. 
b) I e II. 
c) I e III. 
d) II e III. 
e) II e IV.
Gabarito 01 - C 02 - E 03 - D 04 - D 05 - E 06 - C 07 – B 08 – B 09 - A 10 - C 11 - D 12 - B 13 - E 14 - B
1- (TRT 1a REGIÃO – 2016 – FCC) - Foi um dos princípios extraídos de Montesquieu, em sua obra O Espírito das Leis, mais especificamente no capítulo sobre a Constituição da Inglaterra, que se acha expresso na Constituição de 1988 e que é considerado cláusula pétrea: 
a) A autonomia dos Estados da Federação. 
b) Autonomia do Poder Judiciário. 
c) A Federação. 
d) A soberania popular. 
e) A separação dos Poderes.
2- (DEFENSOR PÚBLICO – GOIÁS – UFG – 2014) - A propósito dos princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, reconhece-se que: 
a) o pluralismo político está inserido entre seus objetivos. 
b) a livre iniciativa é um de seus fundamentos e se contrapõe ao valor social do trabalho. 
c) a dignidade é também do nascituro, o que desautoriza, portanto, a prática da interrupção da gravidez quando decorrente de estupro. 
d) a promoção do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e qualquer outra forma de discriminação, é um de seus objetivos. 
e) o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, dependentes e harmônicos entre si, são poderes da União.
3-(MP – TCU – 2015 – CESPE) Com relação aos mecanismos de freios e contrapesos admitidos pela CF, assinale a opção correta. 
a) Admitida a acusação contra o presidente da República por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o STF nos crimes de responsabilidade. 
b) Propostas de emenda à CF não estão sujeitas a sanção ou veto do presidente da República, salvo quando versarem sobre matéria em que o poder de iniciativa para o respectivo projeto de lei seja do chefe do Poder Executivo. 
c) Não observado o prazo para deliberação congressual de projeto de lei apresentado pelo presidente da República com pedido de urgência, a proposta estará automaticamente aprovada. 
d) Em caso de omissão do Congresso Nacional em legislar sobre determinado tema, medida provisória poderá dispor sobre matéria de lei complementar, cuja edição for requerida para pôr em execução a CF. 
e) A deliberação do STF em controle abstrato de constitucionalidade acerca da interpretação de determinada cláusula constitucional não impede que o Congresso Nacional, observados os limites ao poder de reforma, aprove emenda constitucional em sentido contrário à referida deliberação.
4-(TRT 2R – JUIZ DO TRABALHO – 2014) Em relação ao princípio da separação dos poderes e o mecanismo de funcionamento dos órgãos estatais, observe as proposições abaixo e responda a alternativa que contenha proposituras corretas: 
I. Não há separação dos poderes quando a Constituição autoriza o Executivo a criar leis, o Legislativo a julgar Ministros de Estados em crimes de responsabilidade e ao Judiciário, pelo Supremo Tribunal Federal, propor súmulas vinculantes que obrigam como se fossem leis. 
II. Apesar de independentes, os poderes de Estado devem atuar de forma harmônica, privilegiando a cooperação e a lealdade institucional. 
III. Para que a pluralidade de órgãos de um sistema de governo funcione, obedecendo o princípio da separação dos poderes, é necessário que o relacionamento entre tais poderes seja pautado por normas de lealdade constitucional, sem que existam mecanismos de controle recíprocos, que importariam na intervenção indevida, de um em outro poder. 
IV. A consagração de um sistema de controle dos poderes atende ao princípio da separação dos poderes e faz parte do mecanismo de freios e contrapesos. 
V. Pelo sistema constitucional fazem parte dos poderes da república, o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e por seu papel fundamental, o Ministério Público. 
Está correta a alternativa: 
a) I e V. 
b) II e IV 
c) III e IV. 
d) III e V 
e) I e II.
5-(DELEGADO CIVIL – PARÁ – 2016) Assinale a alternativa correta no que concerne à responsabilidade do Presidente da República. 
a) Nas infrações penais comuns, admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. 
b) Se, decorrido o prazo de cento e vinte dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo. 
c) Nos crimes de responsabilidade, o Presidente ficará suspenso de suas funções se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal. 
d) No crime de responsabilidade, admitida a acusação contra o Presidente da República, por um terço da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Senado Federal. 
e) Nas infrações penais comuns, o Presidente ficará suspenso de suas funções após a instauração do processo pelo Senado Federal.
6-(DELEGADO CIVIL – CEARÁ – 2016 – CESPE) Com base na disciplina constitucional acerca dos tratados internacionais, da forma e do sistema de governo e das atribuições do presidente da República, assinale a opção correta. 
a) Insere-se no âmbito das competências privativas do Senado Federal resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. 
b) O sistema presidencialista de governo adotado no Brasil permite que o presidente daRepública, na condição de chefe de Estado, decrete o estado de defesa e o estado de sítio, independentemente de autorização do Congresso Nacional. 
c) Da forma republicana de governo adotada pela CF decorre a responsabilidade política, penal e administrativa dos governantes; os agentes públicos, incluindo-se os detentores de mandatos eletivos, são igualmente responsáveis perante a lei. 
d) Na condição de chefe de governo, cabe ao presidente da República editar atos administrativos que criem e provejam órgãos públicos federais, na forma da lei.
e) Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, para que sejam equivalentes a emendas constitucionais, deverão ser aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, por maioria absoluta de votos, em dois turnos de discussão e votação.
7-(TRF – 4a REGIÃO – 2016) Assinale a alternativa INCORRETA. 
a) A Constituição permite, expressamente, ao Presidente da República dispor, por decreto, sobre a organização e o funcionamento da Administração Pública Federal quando isso não implicar aumento de despesas ou criação de órgãos públicos. 
b) A soberania nacional, no plano transnacional, funda-se no princípio da independência nacional, efetivada pelo Presidente da República, consoante suas atribuições previstas na Carta de 1988. Nesse enfoque, a extradição não é ato de nenhum Poder do Estado, mas da República Federativa do Brasil, pessoa jurídica de direito público externo, representada na pessoa de seu Chefe de Estado, o Presidente da República. 
c) Está constitucionalmente prevista como competência privativa do Chefe do Poder Executivo Federal, sendo, portanto, indelegável, a de aplicar pena de demissão a servidores públicos federais. 
d) Nos casos de impedimentos do Presidente e do Vice-Presidente da República, ou de vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal. 
e) Quando ocorre a dupla vacância dos cargos de Presidente e de Vice-Presidente da República, o sistema constitucional brasileiro admite a eleição, na forma da lei, nos últimos dois anos do período presidencial, para ambos os cargos, pelo Congresso Nacional.
8-(TRT 1a REGIÃO – 2016 – FCC) Considerando o regramento constitucional do Poder Executivo, é correto afirmar: 
a) Compete privativamente ao Presidente da República prestar contas ao Congresso Nacional, do exercício anterior, dentro de 90 dias da abertura do exercício subsequente. 
b) Em caso de impedimento do Vice-Presidente da República, serão chamados a sucedê-lo o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado Federal e o Presidente do Supremo Tribunal Federal. 
c) Atentar contra o exercício dos direitos sociais constitui crime de responsabilidade do Presidente da República. 
d) O Presidente da República será afastado de suas funções, no caso de apresentação de denúncia por crime comum pelo Procurador Geral da República. 
e) Compete ao Presidente da República promover os oficiais superiores das Forças Armadas.
9-(JUIZ FEDERAL – TRF 3a REGIÃO – 2016) Em relação ao Presidente da República é incorreto afirmar: 
a) O processo por crime de responsabilidade é levado a efeito pelo Senado Federal , mas sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal/STF. 
b) Os crimes de responsabilidade que lhe forem imputados serão objeto de acusação e processo nos termos da lei que trata da improbidade administrativa. 
c) Ficará suspenso de suas funções se for recebida denúncia criminal ou queixa-crime contra ele pelo Supremo Tribunal Federal/STF. 
d) Após a instauração do processo por crime de responsabilidade, ficará suspenso de suas funções.
10-(jUIZ DO TRABALHO – 2015 – TRT 21R) De acordo com o Art. 76 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, o Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado. Na condição de auxiliares do Poder Executivo, com inegáveis prerrogativas constitucionais, acerca dos Ministros de Estado, é incorreto afirmar que: 
a) Poderão receber, por delegação do Presidente da República, atribuição consistente em dispor, mediante decreto, sobre extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos. 
b) Serão nomeados pelo Presidente da República, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, no exercício dos direitos políticos. 
c) É atribuição dos Ministros, expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. 
d) Não possuem qualquer estabilidade, podendo ser exonerados a qualquer tempo, ad nutum, pelo Presidente da República. 
e) Uma de suas obrigações é a de apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério.
11-(PROCURADOR PARÁ – 2015) Sobre o processo de impeachment e das atribuições e responsabilidades do Presidente da República, do Governador do Estado e de seus respectivos Vices, julgue as afirmativas abaixo. 
I. O Estado-membro dispõe de competência para instituir, em sua própria Constituição, cláusulas tipificadoras de crimes de responsabilidade diferentes das previstas nacionalmente. 
II. O impeachment do presidente da República será processado e julgado pelo Senado Federal. O Senado formulará a acusação (juízo de pronúncia) e proferirá o julgamento. 
III. Em face do disposto no art. 86, § 3º e § 4º, da Constituição da República de 1988, no que se refere à imunidade à prisão cautelar, tem-se que tal imunidade não se aplica aos governadores dos Estados, mas, exclusivamente, ao presidente da República. Porém, o Estado-membro, consoante o STF, desde que em norma constante de sua própria Constituição, pode, validamente, outorgar ao governador a prerrogativa extraordinária da imunidade à prisão em flagrante, à prisão preventiva e à prisão temporária. 
IV. Os governadores de Estado, consoante o STF, que dispõem de prerrogativa de foro ratione muneris, perante o STJ, estão sujeitos, uma vez obtida a necessária licença da respectiva Assembleia Legislativa, a processo penal condenatório, ainda que as infrações penais a eles imputadas sejam estranhas ao exercício das funções governamentais. 
A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é: 
a) I, II, III e IV 
b) I, II e III 
c) II, III e IV 
d) III e IV 
e) II e IV
Gabarito: 1- E 2- D 3- E 4- B 5- A 6- C 7- C 8- C 9- B 10- B 11- E
1-(TJ-MT – 2014 – FMP-RS) A imunidade material 
a) é limitada, no caso dos vereadores. 
b) é limitada, no caso dos deputados federais. 
c) é limitada, no caso dos deputados estaduais. 
d) é limitada, no caso dos senadores. 
e) é limitada, no caso dos deputados distritais.
2-(MP-SP – 2012) Em relação às imunidades parlamentares, é correto afirmar que a imunidade 
a) material exige relação entre as condutas praticadas pelo parlamentar e o exercício do mandato, tornando- o inviolável pelas palavras, votos e opiniões de- correntes do desempenho das funções parlamentares e possuem eficácia temporal permanente ou perpétua, pois pressupondo a inexistência da infração penal ou ilícito civil, mesmo após o fim da legislatura, o parlamentar não poderá ser investigado, incriminado ou responsabilizado pelos fatos anteriores. 
b) processual parlamentar, a partir da EC 35/01, determina que recebida à denúncia contra Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, solicitando prévia licença para dar continuidade ao processo, que poderá ser concedida por maioria absoluta dos membros da Casa Parlamentar. 
c) material exige que as condutas praticadas pelo parlamentar no exercício do mandato sejam realizadas nas comissões ou no plenário do Congresso Nacional, tornando-o inviolável pelas palavras, votos e opiniões decorrentes do desempenho das funções parlamentares e possui eficácia temporal permanente ou perpétua, pois pressupondo a inexistência da infração penal ou ilícito civil, mesmo após o fim da legislatura, o parlamentar não poderá ser investigado,incriminado ou responsabilizado pelos fatos anteriores. 
d) processual parlamentar, a partir da EC 35/01, determina que recebida à denúncia contra Senador ou Deputado, por crime ocorrido antes da diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até decisão final, sustar o andamento da ação. 
e) material exige relação entre as condutas praticadas pelo parlamentar e o exercício do mandato, tornando-o inviolável pelas palavras, votos e opiniões decorrentes do desempenho das funções parlamentares e possuem eficácia temporal limitada, pois, após o fim da legislatura, o parlamentar poderá ser investigado, incriminado ou responsabilizado pelos fatos anteriores.
3-(TJ-MG – 2007) A imunidade formal é garantia legislativa que: 
a) exclui a responsabilidade penal do congressista, por motivo de opiniões, palavras e votos proferidos no exercício do mandato. 
b) estende-se aos deputados estaduais e aos vereadores, desde a expedição do diploma. 
c) inviabiliza a suspensão da prescrição enquanto durar o mandato parlamentar, uma vez sustado o processo. 
d) impede a prisão de congressista, desde a expedição do diploma, salvo em flagrante de crime inafiançável.
4-(PROCURADOR – PR – UFPR – 2015) Sobre as imunidades parlamentares, assinale a alternativa correta. 
a) As imunidades formais são aplicáveis a parlamentares federais, estaduais e municipais. 
b) A imunidade material assegurada aos Vereadores limita-se aos atos praticados no recinto da Câmara Municipal. 
c) A imunidade material assegurada aos Deputados Estaduais limitase ao âmbito territorial de sua circunscrição. 
d) A imunidade material de Deputados e Senadores é aplicável mesmo a atos praticados fora do recinto parlamentar, desde que haja relação de pertinência com a atividade parlamentar. 
e) A imunidade material assegurada a Deputados e Senadores abrange expressamente a esfera administrativa.
5-(Advogado do Senado – FGV – 2008) A imunidade parlamentar material prevista no art. 53, caput, da Constituição Federal assegura: 
a) que os Deputados e Senadores não sejam processados civil e criminalmente por opiniões, palavras e votos proferidos exclusivamente dentro do parlamento, desde que haja conexão entre a ofensa irrogada e o exercício do mandato. 
b) que os Deputados e Senadores não sejam processados civil e criminalmente por opiniões, palavras e votos proferidos dentro ou fora do parlamento, desde que haja conexão entre a ofensa irrogada e o exercício do mandato. 
c) que os Deputados e Senadores não sejam processados criminalmente por opiniões, palavras e votos proferidos dentro ou fora do parlamento, desde que haja conexão entre a ofensa irrogada e o exercício do mandato. A prerrogativa não impede que os parlamentares sejam civilmente processados pela vítima da ofensa. 
d) que os Deputados e Senadores sejam processados criminalmente apenas pelos crimes de injúria e difamação. A prerrogativa não impede processo criminal por calúnia, mesmo que a ofensa tenha sido irrogada dentro do parlamento e esteja relacionada com o exercício do mandato. 
e) que processos cíveis e criminais decorrentes de opiniões, palavras e votos proferidos pelos Deputados e Senadores dentro do parlamento fiquem automaticamente suspensos enquanto durar o mandato legislativo, ficando também suspenso o curso do prazo prescricional.
6-(TJ-PE – JUIZ – 2011) A disciplina constitucional das imunidades parlamentares e a sua respectiva compreensão jurisprudencial permitem afirmar: 
a) A inviolabilidade parlamentar não se estende ao congressista quando, na condição de candidato a qualquer cargo eletivo, vem a ofender, moralmente, a honra de terceira pessoa, inclusive a de outros candidatos, em pronunciamento motivado por finalidade exclusivamente eleitoral, que não guarda qualquer conexão com o exercício das funções congressuais. 
b) Desde a proclamação do resultado das eleições, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. 
c) Os Deputados e Senadores, desde a proclamação do resultado das eleições, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. 
d) A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares, dependerá de prévia licença da Casa respectiva, salvo em tempo de guerra. 
e) As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de três quintos dos membros da Casa respectiva.
7-(DEFENSOR – RN – 2015) Com relação ao regime constitucional das imunidades parlamentares, assinale a opção correta. 
a) Para que incida a inviolabilidade do vereador, é necessário que suas opiniões, palavras e votos sejam expressos na circunscrição do município em que ele exerça seu mandato, não se exigindo a demonstração de conexão com o efetivo exercício da vereança. 
b) Deputados distritais desfrutam de imunidade formal apenas quanto aos fatos de competência da justiça local. 
c) Não perderá o foro por prerrogativa de função o parlamentar federal que estiver licenciado para exercer cargo de ministro de Estado. 
d) Vereadores não poderão ser presos desde a expedição do diploma, salvo em caso de flagrante de crime inafiançável cometido fora da circunscrição do município em que forem eleitos.
e) Enquanto deputados federais e senadores compartilham de um regime de imunidades abrangente tanto da chamada inviolabilidade como da imunidade formal, deputados estaduais e vereadores são detentores tão somente da inviolabilidade.
8-(DELEGADO – DF – 2005) As Comissões Parlamentares de Inquérito: 
a) somente podem ser criadas mediante requerimento de um terço dos membros do Congresso Nacional, aprovado pela respectiva Mesa, para promover a responsabilidade criminal dos infratores, no prazo de noventa dias; 
b) têm poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e são criadas, nos termos da Constituição, para apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores; 
c) visam a apurar ilegalidades no âmbito do Parlamento, com o auxílio do Tribunal de Contas, desde que autorizada sua instalação pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional;
d) somente devem remeter suas conclusões ao Ministério Público se houver solicitação expressa do Chefe do Parquet, exclusivamente para promover a ação penal pública da qual, segundo a Constituição, é titular, cabendo a responsabilização civil à Advocacia Geral da União; 
e) podem determinar prisão temporária, quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, estendendo-se, a última, à interceptação ou escuta telefônica, indispensabilidade de bens e, independentemente de autorização judicial, apreensão domiciliar de documentos.
9-(PROCURADOR-PARÁ – UEPA – 2012) Sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito, é CORRETO afirmar que: 
a) o STF admitiu a possibilidade de elas ordenarem, sem intermediação judicial, a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico para fins de obtenção de dados e de registros, desde que exista causa provável e motivação prévia. 
b) o STF decidiu, para bem da investigação de fato determinado, em especial no que tange à malversação de dinheiro público, pela desnecessidade de delimitação de prazo certo para duração das CPIs. 
c) o STF estabeleceu que, apesar de ser uma prerrogativa das minorias parlamentares, o princípio majoritário permite que o requerimento de instalação de uma CPI possa ser rejeitado por maioria absoluta dos membros das Casas do Congresso Nacional, em conjunto ou separadamente, conforme sua proveniência.
d) o STF admitiu que elas devem respeitar o direito de não incriminação e que, excepcionalmente, podem exercer competências decisórias de cunho materialmente jurisdicional, como a decretação de indisponibilidade de bens.
10-(PROCURADOR DA REPÚBLICA – 2008) O ENQUADRAMENTOCONSTITUCIONAL DAS COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO NÃO AUTORIZA AFIRMAR QUE: 
a) Pode haver ampliação de investigações em razão do surgimento de fatos novos, desde que tenham relação com os que constituíam o seu inicial da comissão. 
b) As investigações podem incidir sobre fatos objeto de inquéritos policiais ou de processos judiciais em curso, se houver entre eles conexão. 
c) As comissões parlamentares de inquérito estaduais não podem requisitar a quebra de sigilo de dados bancários. 
d) Não caracteriza, em princípio, violação à imagem do indiciado em comissão parlamentar de inquérito, a transmissão e a gravação de sessão em que se lhe toma o depoimento.
11-(MP – CEARÁ – 2009) As Comissões Parlamentares de Inquérito, conforme orientação do Supremo Tribunal Federal, têm poderes para 
a) a quebra de sigilo bancário e ouvir testemunhas sobre fatos passíveis de incriminá-las, ainda que não desejem prestar declarações. 
b) a quebra de sigilo telefônico e ouvir testemunhas sobre fatos passíveis de incriminá-las, ainda que não desejem prestar declarações. 
c) a quebra de sigilo bancário e de sigilo telefônico. 
d) a quebra de sigilo telefônico e determinar interceptação telefônica. 
e) a quebra de sigilo bancário e determinar interceptação ambiental ou telemática.
Gabarito: 1- A 2- A 3- D 4- D 5- B 6- A 7- C 8- B 9- A 10- C 11- C
Módulo IV
PROCESSO LEGISLATIVO
Processo legislativo(conjunto de atos) – é um conjunto de atos (iniciativa, emenda, votação, sanção e veto, promulgação e publicação) praticados pelos órgãos de poder (executivo, legislativo e judiciário) visando a formação das espécies normativas (lei, LC, MP e assim por diante – rol do art. 59 da CF).
Procedimento legislativo(modo pelo qual os atos) – é o modo pelo qual os atos do processo legislativo se desenvolvem.
- 
Ordinário
: 
destina-se à elaboração de leis
ordinárias, caracterizando-se pela inexistência de prazos rígidos para conclusão das diversas fases que o compõe
art.
61
;
- 
Sumário
: 
segue as mesmas fases do processo ordinário, porém existem prazos para que o CN delibere sobre o assunto
art.
64, §§ 1º e 2º
- 
Especiais
:	
Procedimentos
de formação 
das espécies 
normativas
(ritos e prazos)
EC 
 art. 60;
Lei complementar
 art. 69;
Lei delegada 
art.
68;
Leis financeiras 
art.
166;
Medida provis
ória 
art.
62
;
Seguem rito diferente do estabelecido para
 a elaboração das leis ordinárias.
 CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS LEGISLATIVOS QUANTO ÀS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA:
Autocrático: quando as leis são elaboradas pelo próprio governante, ficando excluída a participação dos cidadãos (seja de forma direta ou por meio de seus representantes).
Direto: é aquele em que ocorre discussão e votação das leis pelo próprio povo, diretamente.
Indireto ou representativo: os cidadãos escolhem representantes e lhes conferem poderes para a elaboração das espécies normativas que integram, segundo o procedimento previsto na CF.
Semidireto: quando a elaboração legislativa exige a concordância da vontade do órgão representativo e, também, da vontade do eleitorado, esta por meio de referendo popular.
Obs.: A maioria dos Estados contemporâneos, inclusive o Brasil adota o processo legislativo indireto ou representativo, no qual as espécies normativas são elaboradas pelos parlamentares, representantes escolhidos pelo povo.
1. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO lei (ordinária)
► A expressão “lei ordinária” é do texto constitucional?
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
A expressão é constitucional. 
Então, diante da premissa de que quando a CF usa o substantivo “lei” não adjetivado, o sentido a ser extraído são duas conseqüênciaslógicas: tratar-se de lei ordinária e federal (competência da união).E porque nestes artigos aparece a expressão lei ordinária? Para clareza redacional (para não deixar dúvidas).
LEMBRAR: numeração das leis - exemplo: lei nº 13.500.
Lei ordinária número 01 foi a primeira lei promulgada após a promulgação da CF/46, e a numeração vem seqüencial desde então. 
A Lei complementar foi introduzida na CF/67 e a número01 desta sequência foi a primeira LC promulgada após a vigência da CF/67, e a numeração permanece seqüencial desde então. 
Lei (“ordinária”) – ato legislativo típico:
Abstração;
Generalidade (de seus destinatários);
Autonomia (primariedade): ato primário é aquele que vale ou não vale por uma relação direta com a constituição (retiram sua validade diretamente da constituição). 
EpígrafeParte “introdutória” de toda e qualquer lei:
	
EmentaLei n. 12.301, de 28 de julho de 2010.
PreâmbuloDeclara....
(?)O Presidente da República faço saber que o CN decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art. 1º....
Epígrafe da lei é seu número seqüencial seguido de uma data, do momento da promulgação da lei. A partir desta data a lei existe no mundo jurídico, embora no mais das vezes não produz efeitos, pois precisa sepublicada (ultimo passo doprocedimento).
Essa data é relevantíssima, pois serve como meio de resolução de conflito de leis no tempo– lei posterior revoga anterior.
Ementa da lei: Síntese do objeto da lei. 
Cláusula de promulgação (preâmbulo da lei):redação básica de 99% as leis – “O Presidente da República faço saber que o CN decreta e eu sanciono a seguinte lei”. 
►Lendo o preâmbulo da lei, nota-se aspecto de erro formal (erro de português)? 
NÃO, isso se chama silepsede pessoa ou concordância ideológica.Na verdade, o que esta escrito omite a palavra “eu” - “eu, o Presidente da República, faço saber”. Ou seja,“faço” concorda com “eu”, mas o pronome esta suprimido.
E então, segue-se o corpo articulado da lei.
EXCEÇÃO: lei que tem um destinatário único (especial). 
Lei “Formal”- (“lei” apenas em sentido formal) – atos de natureza administrativa que exigem forma de lei. Exemplos:
Lei 9255/96; art. 1º 
Lei 13087/13
12.265/10.
Lei 9694
►Isso é uma lei?
Depende do enfoque que se dê. Sob o ponto de vista formal, claro que é uma lei, tanto assim que tem uma numeração seqüencial das leis. Porém, isso é umato administrativo pelo qual há a concessão de beneficio da assistência social (é ato administrativo individualizado). Certos atos de natureza administrativa como estes exigem forma de lei. Ou seja, embora seja uma lei que tenha um destinatário único, tem a forma de lei por exigência do próprio sistema(a única maneira de se conceder essa pensão especial depende de lei). 
Isso se chama em doutrina de lei formal – lei apenas em sentido formal – é aquela que tem a forma de lei, mas vincula ato de natureza administrativo e individualizado por exigência de forma.
►Todas as matérias que podem ser objeto de normatização, podem ser feita sempre por lei? 
Não. Nem todas as matérias podem ser tratadas pela lei ordinária. Existem pelo menos 30 previsões na CF de matérias reservadas a outra espécie normativa (LC).
“Domínio” da lei: nem todas as matérias – Exclusão:
Lei Complementar (art. 93 – estatuto da magistratura; art. 14, §9º – hipóteses legais de inelegibilidade);
Decreto legislativo (art. 49) – competência exclusiva do Congresso nacional (não passa para sanção do Presidente da República). Não são matérias que podem ser tratadas por lei.
Instrumento por meio do qual o Congresso Nacionalformaliza as deliberações nas matérias elencadas no art. 49. 
Regimento interno dos tribunais – competência interna – Art. 96, I, a;
Sabemos que a matéria “processo” é matéria de lei federal (matéria exclusiva da União). Poderia a lei federal definir a competência das sessões internas dos tribunais? Não. Embora isso seja na essência matéria de processo (art. 96) quem define a competência é o regimento interno do próprio tribunal.
Ou seja, embora seja matéria de processo, foi retirada do domínio da lei – se é a competência do tribunal, é do tribunal e de mais ninguém. 
Regimento interno CD/SF – outros casos de quebra do decoro parlamentar (55, §1º)
Procedimento incompatível com o decoro parlamentar pode levar a perda do mandato. Mas o que é comportamento incompatível com o decoro parlamentar? (55, §1º) Poderão existir outros casos, que levarão à perda do mandato, previstos em lei? Sim, porém não previstos em lei: a definição dos outros casos, além dos dois que estão na CF, não é matéria de lei, mas matéria do regimento interno da câmara e do senado. 
Reserva estatutária (partidária) – Art. 17, §1º 
Quando vai haver uma eleição, o partido tem que escolher seus candidatos em convenção partidária. Mas existe limite numérico de candidato do partido. Pode ocorrer a hipótese de haver mais pessoas a se candidatar do que vagas de candidatos.
Diante disso, deputados aprovaram lei de candidatura nata. Essa lei foi declarada pelo STF inconstitucional - art. 17, §1º.A escolhade seus candidatos é matéria reservada ao estatuto do partido. Isso se insere na chamada autonomia do partido político, de tal maneira que essa matéria deve ser disciplinada em seu estatuto e não na lei. A lei não poderia impor aos partidos matéria que devesse ser disciplinada internamente por seu estatuto.
A elaboração da lei, em princípio, é um ato complexo, porque resulta da fusão de duas vontades convergentes, para só então produzir efeitos jurídicos. 
►Porque a lei em principio é ato complexo?
1ª vontade: Congresso Nacional aprova projeto;
2ª vontade: Presidente da República concorda e sanciona.
A partir do momento que estas vontades se fundem, tem-se aperfeiçoado o ato complexo. 
“Em principio”porque pode ocorrer a hipótese de o Congresso Nacional aprovar projeto, porém o Presidente não é obrigado a concordar (vetar o projeto). No entanto, este veto pode ser superado, pois ao ser devolvida a matéria ao CN, este pode impor a lei contra a vontade do Presidente. Neste caso, a lei não será fruto de ato complexo, pois será resultado de vontade unilateral do Congresso Nacional.
INTRODUTÓRIA
CONSTITUTIVA 
COMPLEMENTAR
FASES DO PROCEDIMENTO ORDINÁRIO
Deliberaçãoparlamentar
Deliberaçãoexecutiva
Promulgacão
Publicação
Fase introdutória:resume-se à iniciativa de lei, ato que desencadeia o processo de sua formação. 
Quem pode apresentar o projeto de lei? Aqueles que terão tecnicamente o poder de iniciativa. Se eventualmente a iniciativa for exercida porquem não tem este poder, haverá inconstitucionalidade formal subjetiva. Todas as questões ligadas ao poder de iniciativa serão examinadas nesta fase. 
Fase constitutiva: compreende a discussão e votação do projeto de lei nas duas Casas do Congresso Nacional, bem como a manifestação do Chefe do Executivo (sanção ou veto) e, se for o caso, a apreciação do veto pelo Congresso Nacional.
Assim, apresentado projeto de lei por quem tem este poder, começa a fase constitutiva, que por sua vez se subdivide em fase de deliberação parlamentar (dentro do parlamento: sistema é bicameral – câmara e senado federal). Sendo aprovado pelo CN, ele será encaminhado ao chefe do poder executivo, abrindo-se a subfase de deliberação do poder executivo, quando então se abre aquela opção: ou lança a sanção concordante ou lança o veto que é a sua discordância. Digamos que ele concorde e sanciona. Assim, inicia a última e indispensável fase: fase complementar.
Fase complementar: abrange a promulgação e a publicação da lei.
Fase em que quando a lei deve ser promulgada e publicada no diário oficial, gerando a presunção de conhecimento, ainda que ficta, dos comandos legais. 
A) FASE INTRODUTÓRIA
“Poder de iniciativa”
“Vício de iniciativa”
CONCEITO: é o ato que desencadeia o processo legislativo (propositura de direito novo), por meio da denominada iniciativa de lei.
Iniciativa legislativa é a faculdade que se atribui a alguém ou a algum órgão para apresentar projetos de lei ao Poder Legislativo. 
A Iniciativa pode ser:
Voluntária (discricionária): de acordo com conveniência e oportunidade.
Vinculada: a apresentação do projeto de lei sobre determinada matéria é exigida pela constituição, em data ou prazo certo.
Iniciativa “geral” das leis
Ou 
iniciativa comum; ou iniciativa concorrente.
CD
SF
CN
Membro
ou
Comissão
PARLAMENTAR
EXTRA-PARLAMENTAR
INICIATIVA
(Art. 61)
- Presidente da República
- Cidadãos (iniciativa popular
)
GENÉRICA
ESPECÍFICA
(ou ADSTRITA)
- 
STF
- 
Tribunais superiores
- 
PGR – 127, §
3º e 128, 
§
5º 
- Tribunal de Contas da União 
– Art. 73 e 96, II, b
96, II
(TJ) 125, §1º
INICIATIVA PARLAMENTAR: é quando outorgada a qualquer membro ou comissão dos membros do Congresso Nacional.
Obs.: A iniciativa de cada parlamentar ou de comissão é exercida perante sua respectiva Casa. Porém, caso a iniciativa seja de Comissão Mista do Congresso Nacional (integrada por Deputados e Senadores), o projeto de lei deverá ser apresentado alternadamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, conforme dispositivo do Regimento Comum do Congresso Nacional.
INICIATIVA EXTRA-PARLAMENTAR: quando conferida a órgãos e pessoas não integrantes do Congresso Nacional. 
Obs.: Neste caso, a porta de entrada do projeto de lei é a câmara dos deputados. 
A iniciativa genérica significa que o Presidente da República, ou demais legitimados(regra), pode encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei sobre qualquer matéria,salvo exceções. 
A iniciativa é restrita (específica; adstrita) quando outorgada a determinada autoridade ou órgão para a apresentação de projeto de lei sobre matérias especificamente apontadas pela Constituição.
Ainda, a iniciativa pode ser reservada (exclusiva ou privativa) quando só determinado órgão ou autoridade tem o poder de propor leis sobre certa matéria. 
Obs.: Quando se define na CF competência em favor de um órgão, esta definição traz uma cláusula vedatória proibitiva implícita, no sentido de que esta mesma competência não pode ser exercida por outro órgão. 
Exemplos:
Do Chefe do Executivo, para as matérias arroladas nos arts. 61, §1º, e 165, I a III;
Do STF, para a lei complementar do Estatuto da Magistratura (art. 93);
Do STF e dos Tribunais Superiores, para a criação e extinção de cargos de seus membros ou de seus serviços auxiliares, bem como a fixação dos respectivos vencimentos, a alteração do numero de membros dos tribunais inferiores, a criação ou a extinção destes, a alteração da organização e da divisão judiciária (art. 96, II);
Observações:
- A criação de qualquer cargo, de qualquer tribunal, é realizada por iniciativa do STJ.
- TJ – criação de vara e cargo de juiz e serviços auxiliares – encaminha à assembléia legislativa que vai aprovar ou não e envia ao governador fazendo a criação 
- PGJ - criação de cargo de promotor de justiça;
- Art. 125, I - a lei de organização judiciária é de competência do tribunal de justiça.
- Art. 127, §3º + 128, V – Alteração de Lei orgânica do MP. De quem é o poder de iniciativa? PGJ. Essa iniciativa no tocante a organização – iniciativa compartilhada (PGJ + governador)
Do Procurador-Geral da República, para a criação e extinção de cargos e serviços auxiliares (art. 127, §2º);
Noutro sentido, a iniciativa é dita concorrente quando pertence, simultaneamente, a mais de um legitimado. É o caso, por exemplo, da iniciativa de lei sobre organização do Ministério Público da União, concorrente entre o Presidente da Repúblicae o Procurador-Geral da República (CF, art. 61, §1º, II, d c/c art. 128, §5º).
Iniciativa do Presidente da República – Art. 61, §1º, I e II;
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República(chefe do Poder Executivo) as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração;
Obs.: Ver também o art. 165 – as hipóteses de iniciativa reservada não se limitam ao 61.[10: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:I - o plano plurianual;II - as diretrizes orçamentárias;III - os orçamentos anuais.]
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria;  
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;  
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva.  
Obs.: Alínea “c” – Regime jurídico de servidor público:
Lei ou propostas de alteração de disposições de lei que trate de regime jurídico de servidor público é na iniciativa reservada do chefe da administração pública (chefe do poder executivo). 
O STF inicialmente deu à expressão “regime jurídico de servidor público” sentido amplo, restringindo ainda mais o poder de iniciativa dos demais legitimados. 
Diante disso, passaram a tratar desta matéria por meio de EC, querendo com isso contornar o impedimento da iniciativa. Assim, é possível fazê-lo por meio de emenda constitucional estadual? “O vício formal não é superado pelo fato de a iniciativa parlamentar ostentar hierarquia constitucional”.
Esta EC será inconstitucional. O fato de a norma se revestir desta hierarquia não supera a iniciativa reservada. Consolidado no plano estadual. 
Porém resta a discussão atual desta aplicação no plano federal – ADI em julgamento (ainda não há qualquer decisão).
Discute-se ainda sobre o tema acerca da lei de iniciativa parlamentar que estabeleceu a possibilidade de que a aposentadoria compulsória não mais se desse aos 70 anos, mas aos 75 anos para diversas carreiras, inclusive para a magistratura e para o MP, sendo que esta regra está sendo aplicada. Há duas ADIs dizendo que esta matéria é exclusiva da lei orgânica da magistratura/MP e assim, só deveria ser de iniciativa do STF.
Situações em que NÃO é reconhecida a iniciativa reservada:
→Matéria tributária, inclusive leis que implicam redução ou extinção de tributos – ARE 743.480 (Repercussão Geral) por iniciativa parlamentar.
Se a lei reduz o importo, isto obviamente reduz a receitaorçamentária estimada, e portanto, altera por via reflexa a lei orçamentária, que é de iniciativa exclusiva do chefe do poder executivo. Questão chegou ao STF, que entendeu que não há iniciativa reservada, e que esta lei seria válida, em que pese se reconheça a repercussão oblíqua na lei orçamentária.
Tributário. Processo legislativo. Iniciativa de lei. 2. Reserva de iniciativa em matéria tributária. Inexistência. 3. Lei municipal que revoga tributo. Iniciativa parlamentar. Constitucionalidade. 4. Iniciativa geral. Inexiste, no atual texto constitucional, previsão de iniciativa exclusiva do Chefe do Executivo em matéria tributária. 5. Repercussão geral reconhecida. 6. Recurso provido. Reafirmação de jurisprudência.
→ Leis que vedam nepotismo não se submetem a iniciativa exclusiva, portanto não se encaixa ao assunto “regime jurídico de servidor público” – RE 570.392 (Repercussão Geral)
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. LEI PROIBITIVA DE NEPOTISMO. VÍCIO FORMAL DE INICIATIVA LEGISLATIVA: INEXISTÊNCIA. NORMA COERENTE COM OS PRINCÍPIOS DO ART. 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. O Procurador-Geral do Estado dispõe de legitimidade para interpor recurso extraordinário contra acórdão do Tribunal de Justiça proferido em representação de inconstitucionalidade (art. 125, § 2º, da Constituição da República) em defesa de lei ou ato normativo estadual ou municipal, em simetria a mesma competência atribuída ao AdvogadoGeral da União (art. 103, § 3º, da Constituição da República). Teoria dos poderes implícitos. 2. Não é privativa do Chefe do Poder Executivo a competência para a iniciativa legislativa de lei sobre nepotismo na Administração Pública: leis com esse conteúdo normativo dão concretude aos princípios da moralidade e da impessoalidade do art. 37, caput, da Constituição da República, que, ademais, têm aplicabilidade imediata, ou seja, independente de lei. Precedentes. Súmula Vinculante n. 13. 3. Recurso extraordinário provido.
Antes de iniciar a estudar tramitação, LEMBRAR a estrutura do poder legislativo federal:
Estrutura dualista do poder legislativo federal:
	CN – Casas
	CÂMARA DOS DEPUTADOS
	SENADO FEDERAL
	Membros
	Deputados
	Senadores
	Representam
	O povo do seu Estado
	Unidades federativas (Estados e DF)
	Nº total
	513 (LC 78/93)
	81
(Decorre de número da CF – 3 –, multiplicado pelo número de unidades federativas)
	Maiorias
	257 
(Maioria Absoluta – mais da metade)
	41 
(Maioria Absoluta – mais da metade)
	
	308 (3/5)
	49 (3/5)
	Representação
	Proporcional à população
(Conceito demográfico) – nenhum estado pode ter mais de 70 ou menos que 8.
	Paritária
(Não importa a importância do estado, cada qual terá sempre 3 senadores)
	Sistema eleitoral
	Proporcional
(Proporcional ao número de votos obtidos pelo partido)
	Majoritário
(Quem tiver maioria absoluta de votos) – adotando o sistema próprio do executivo
	Mandato
	4 anos 
(Legislatura = período de 4 anos que corresponde ao mandato do deputado)
	8 anos
	Renovação
	4/4 (100%)
(Todos os cargos são colocados na eleição)
	4/4 (1/3 e 2/3)
(A renovação se faz a 4 anos pelo terço e por dois terços)
	Condição de elegibilidade
	21 anos(data da posse)
	35 anos(data da posse)
Obs.: Legislatura é o período de 4 anos que corresponde ao mandato do deputado.
Atual legislatura→ 01/02/2015 até 31/01/2019 – 55ª legislatura do CN.
Sessão legislativa→ período anual que, por decisão do STF, corresponde ao ano civil. Então, uma legislatura tem 4 sessões legislativas. Atualmente, estamos na 2ª sessão legislativa (29/11/2016).
Período legislativo→ revelam-se os períodos semestrais. Estamos no 2º período legislativo. 
Assim, as afirmativas abaixo são corretas: a) Cada sessão legislativa se compõe por dois períodos legislativos (os dois acima mencionados) e,b) Cada legislatura se compõe por quatro sessões legislativas ou oito períodos legislativos.
Sobre o disposto na tabela:
CAPÍTULO I
DO PODER LEGISLATIVO
SEÇÃO I
DO CONGRESSO NACIONAL
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados.
§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.
§ 1º CadaEstado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.
§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.
Regra das deliberações é constitucional: 
→ Maioria sem adjetivo = maioria simples: ou seja, mais votos sim, do que votos não, desde que esteja presente a maioria absoluta de seus membros. 
EXCEÇÃO: o regimento pode criar alguma exceção? Essa regra só pode ser excepcionada por disposição constitucional – “Salvo disposição constitucional em contrário”.
Eu preciso da presença deum número mínimo de membros do órgão colegiado →QUÓRUM. Conceito de quórum: número mínimo de membros de um órgão colegiado que devem estar presentes para que a sessão daquele órgão possa ser instalada. Porém, não basta ser preenchido apenas para a iniciativa das votações, é precisa que esse quórum se mantenha.
O quórum é a maioria absoluta → CD = 257; SF = 41.
Ex.: Supondo que estão presentes 300 deputados, temos tecnicamente quórum. Está em votação projeto de lei ordinário que será aprovado por maioria absoluta de votos – Houve 151 sim; 149 não. Está aprovado? Sim, pois obteve maioria de votos – regra geral.
dos quais
de quemOrigem da palavra: ...“quorum presentia sufficit”
A frase significa: a presença dos quais é (necessária e) suficiente. 
B) FASE CONSTITUTIVA
Presidente da República
Art. 64, caput
SENADO FEDERAL
81
CÂMARA DOS DEPUTADOS
513	
Instrução nas comissões
Plenário – Turno (único):
Discussão;
Votação;	
Aprovado com emendas
Aprovado
 PR
PROJETO APROVADO
Rejeitado e arquivado
	
DELIBERAÇÃO PRINCIPAL (deliberação que no sistema bicameral se faz por primeiro)
DELIBERAÇÃO REVISIONAL (aquela que sucede a deliberação principal)
B.1) DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR
NA CÂMARA DOS DEPUTADOS:
O depósito do projeto perante a mesa diretora que vai determinar o início do processo legislativo.
O processo legislativo tem necessariamente uma fase instrutória. Esse projeto será encaminhado às comissões, que são órgãos fracionários dentro da casa que têm uma competência definida em razão da matéria. São comissões permanentes compostas por um número determinado de deputados, observada a representação proporcional dos partidos.
Mas existe uma comissão, a maior de todas quanto a sua composição numérica (66 membros) que por ela passam todos os projetos, sendo sua função analisar sua constitucionalidade deles. É a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e seu parecer é terminativo.
ATENÇÃO:
“Apreciação conclusiva” no âmbito da comissão – Fundamentos constitucional: Art. 58, §2º:
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa;
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições;
IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas;
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer.
Apreciação dos projetos no âmbito da comissão: a comissão faz as vezes do plenário. Quando isso acontece, é a votação definitiva, isso se chama apreciação conclusiva no âmbito da comissão (matéria regimental).
Obs.: O que é “recurso constitucional do décimo”? Fundamento constitucional – art. 58 inciso I:
O regimento estabelece prazo de 5 dias para que, tomada apreciação conclusiva no âmbito da comissão, 1/10 dos deputados poderão subscrever um recurso ao plenário para que a matéria saia da comissão e seja votada no plenário. 
Assim, aprovado o projeto na Câmara dos Deputados, é enviado ao:
NO SENADO FEDERAL, onde poderão acontecer 3 variáveis (art. 65, CF):
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.
→1ª hipótese:
O projeto é submetido a votação no senado. Supondo que estão presentes senadores, sendo que 30 votam “não” e 20 votam “sim”. O que acabou de acontecer? 
O projeto está sendo rejeitado no senado e, assim, pouco importa que tenha sido aprovado na câmara, o destino do projeto legislativo é o arquivo. 
→2ª hipótese: 
O projeto, exatamente como veio da câmara, também é aprovado. As duas casas estão inteiramente de acordo. Nesse momento, estaria sendo encerrada a subfase de deliberação parlamentar e o projeto de lei estaria pronto a ser encaminhado ao Presidente da República para iniciar a subfase de deliberação do executivo.
→3ª hipótese:
Imaginemos que o projeto veio da câmara com redação do art. 1º ao 10º, sendo que o art. 8º diz que fica determinada obrigação que, para seu cumprimento, fica fixado prazo de 120 dias, sob determinadas penas. Quando chega no senado, um senador diz que está de acordo com o projeto, mas apenas não está de acordo com este prazo de 120 dias, pensando ser muito curto. Assim, propõe que onde está escrito 120 dias se de a seguinte redação: 180 dias 
Assim, concorda com o projeto, mas quer fazer alteração pontual = emenda. Emenda, neste sentido, nada mais é do que iniciativa acessória que pretende modificar aquilo que está sendo proposto (proposta de alteração de redação de projeto) e este poder de emenda é inerente à função legislativa. Os deputados e senadores têm sempre o poder de emenda, a menos que exista restrição constitucional. 
O projeto vai ser submetido a votação no plenário do senado. 
Neste caso, vota-se o projeto, excluindo-se o 8º (DVS – Destaque de Votação em Separado). Sendo votado e aprovado, só resta a divergência pontual do art. 8º (da emenda). Digamos que os senadores se convençam que o prazo deva ser 180 dias. Assim, estão de acordo com a proposta, mudando parcialmente a redação da câmara. 
Nesse caso, o projeto está pronto ao Presidente? Não. O projeto deverá voltar para a câmara para reapreciarem única e exclusivamente qual será a redação do art. 8º. 
Se a câmara entender que deva ser mantida a sua redação, rejeita emenda do senado e faz prevalecer a sua vontade (a sua redação sobre a redação do senado)
Porque a câmara prevalece sobre a vontade do senado? Prevalece porque ela fez, neste caso, a deliberação principal e quem a faz, num eventual conflito pontual, faz prevalecer a sua redação e deliberação revisional que é o que se chama princípio da primazia da deliberação principal (na eventual divergência pontual).[11: Não se aplica à PEC o principio da deliberação “principal”, na qual, se não chegarem a um acordo, instaura-se verdadeiro ping-pong.]
 Poder de emenda: 
Emenda (“de iniciativa acessória”): proposta de modificação do projeto. 
O poder de emenda é inerente à função legislativa. Se é assim, quando cabe o exercício do poder de emenda? Sempre, salvo... A regra é que sempre pode ser exercido, mas eventuais restrições ao poder de emenda decorrem da constituição. 
A emenda é acessória e se assim, deve guardar “estrita pertinência com o objeto do projeto (“correlação lógica”). Se ela não guardar pertinência, não é iniciativa acessória e não é técnica e conceitualmente emenda. 
► Podemser emendados os projetos de iniciativa reservada? 
Ex.: Um vereador pode apresenta projeto de lei majorando os vencimentos? Não, e se o fizer, haverá vício de iniciativa. Mas sendo o prefeito que envia o projeto à câmara, que aumenta 10% do salário base para todos os servidores e um vereador, considerando que o poder de emenda lhe é inerente, propõe que se altere esse artigo: onde está 10%, leia-se 20%. Poderia apresentar esta emenda? Esta emenda NÃO! 
Podem ser emendados os projetos de iniciativa reservada como este? SIM, desde que da emenda não resulte aumento da despesa prevista (art. 63). 
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.
Ex.: No estado de SC foi modificada a lei de organização judiciária, que é de iniciativa reservada do TJ. A alteração do projeto de lei se deu modificando a classificação de determinada comarca de entrância intermediária para final. 
STF entendeu ser esta emenda inconstitucional por aumentar despesa (juiz de entrância intermediaria ganha menos do que o de final).
PORTANTO, em síntese, é possível a apresentação de emendas pelos congressistas aos projetos de lei resultantes de iniciativa reservada, desde que:
não imponham aumento de despesas nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República (ressalvadas as emendas aos projetos orçamentários – CF, art. 63, I, c/c art. 166, §§ 3º e 4º) e nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos tribunais federais e do Ministério Público;
tenham pertinência temática com a matéria tratada no projeto apresentado.
Obs.: É firme a jurisprudência do STF de que a sanção do projeto de lei não convalida o defeito de emenda parlamentar. Assim, se, nos projetos de lei resultantes de iniciativa exclusiva do Chefe do Executivo, forem apresentadas emendas parlamentares com um dos vícios acima apontados (aumento de despesas ou ausência de pertinência temática), a lei resultante padecerá de inconstitucionalidade, mesmo que o Presidente da República sancione o projeto aprovado pelo Legislativo. 
• Espécies de emendas: – “Proposição apresentada como acessória de outra”.
Supressiva: para erradicar algo que esta no projeto.
Ex.: proposta para tirar o art. 8º, renumerando-se os demais.
Aditiva:
Ex.: que se acrescente uma regra no art. 9º.
Modificativa: Não altera essência, mas altera aspecto secundário. 
Substitutiva: altera a própria essência.
Espécie de emenda apresentada como sucedânea a parte de outra proposição, que propõe substituição do texto da proposição principal por outro. Quando a emenda alterar, substancial ou formalmente, o conjunto da proposição, denomina-se substitutivo; considera-se formal a alteração que vise exclusivamente ao aperfeiçoamento da técnica legislativa. 
Exemplo:
A lei de improbidade administrativa foi aprovada pela câmara e foi encaminhada ao senado, que aprovou um substitutivo, sendo realizadas profundas alterações no projeto. Ao retornar à câmara, esta rejeitou in totum o substitutivo, fazendo prevalecer a redação original integral. Diante disso, foi proposta ADI por violação do processo legislativo, pois o substitutivo passaria a redação principal e a câmara estaria fazendo revisão.
STF rejeitou ADI pelo simples fundamento de que a câmara tinha primazia, pois substitutivo é emenda conceitualmente, aplicando-se o principio da primazia da deliberação principal.
Diferença entre as espécies modificativa e substitutiva: ambas alteram o sentido jurídico da proposição, mas com uma diferença substancial de não ser entendida pelo conceito, mas pelo exemplo. A diferença que existe entre elas é que na substitutiva, a alteração é substancial, ou seja, altera-se o sentido jurídico na sua essência. Ex.: não deve ser criada esta obrigação – são contra a criação da obrigação (o poderiam fazer por emenda supressiva), mas querem deixar claro sua discordância, redigindo que “não haverá essa obrigação”).
Ao passo que na meramente modificativa, esse sentido não é alterado, mas o que se altera é um aspecto secundário, circunstancial. Ex.: alteração do artigo 8º quanto o prazo de 120 dias para 180 dias – a emenda não alterou a substância, mas apenas um seu aspecto circunstancial, secundário, qual seja, o prazo para o cumprimento da obrigação. 
Aglutinativa: palavra chave é fusão.
Ele pega o texto original, pega um monte de emenda e faz a fusão – aglutina tudo num texto único. 
Encerramento desta fase:
O ato que formaliza o encerramento da deliberação parlamentar tanto poderia ter ocorrido no senado como na câmara, sendo o projeto encaminhado ao presidente da república em qualquer destas circunstâncias. Quem encaminha o projeto ao presidente da república será o presidente da casa em que for encerrada a votação – art. 66, CF. O ato que formaliza o encerramento da votação parlamentar denomina-se autógrafo. 
Obs.: Autografado quer dizer que o presidente da casa assina o projeto e encaminha ao presidente da república.
B.2) DELIBERAÇÃO EXECUTIVA:
Projeto autografado
Presidente da República
SANÇÃO
VETO
SANÇÃO
Congresso Nacional
(
Sessão conjunta)
 SANÇÃO: 
É a manifestação concordante do chefe do executivo que transforma o projeto de lei aprovado pelo Congresso em lei (embora ainda não perfeita e acabada).
Neste momento, fundem-se duas vontades (convergentes): do Congresso e do Presidente da República. 
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores.  
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final.  
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.
O presidente tem um prazo de 15 dias úteis para se discordar com o projeto de lei, vetá-lo. Diante disso, se ele deixar escoar esse prazo sem manifestar expressamente sua vontade? O projeto estará sancionado, conforme §3º.
Portanto, em nosso sistema há duas espécies de sanção:
Expressa 
Tácita
A sanção tácita é manifestação concordante e que decorre do decurso do prazo de 15 dias úteis sem que o presidente demonstre sua expressa discordância pelo veto.
► Imaginemos que no final do mandato do prefeito, a câmara apresente projeto demagógico aumentando o vencimento dos servidores em 20%. O projeto chega ao prefeito aprovado pela câmara. O fato dele concordar (sancionar o projeto) supre a inconstitucionalidade? A sanção subseqüente supre o vicio de iniciativa?
NÃO supre! Pois esse ato é nulo e não há como convalidá-lo. 
Obs.: Súmula n. 5 do STF - A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo. Ou seja, dispõe que a faltade iniciativa do executivo fica sanada com a sanção do projeto de lei. Este entendimento encaixa-se no caso acima? Não. Essa sumula é de 1946 e faz mais de 50 anos que está revogada. 
 VETO:
Conceito: É a manifestação discordante do chefe do poder executivo que impede (ao menos transitoriamente) a transformação do projeto de lei em lei. 
Características do veto:
Expresso: 
Exigência de sua explicitude. 
Existe veto tácito? Não, pois do silêncio decorre sanção. 
Motivado
O veto deve ser necessariamente motivado, deve dar as razões pelas quais manifesta sua discordância. Conforme o §1º do art. 66, o veto pode ser fundamentado pela inconstitucionalidade do projeto ou contrário ao interesse público (cumulados ou não).
Motivação: 
Jurídica – “considera o projeto inconstitucional” Controle preventivo de constitucionalidade. 
Política – “contrario ao interesse público” Juízo político discricionário do executivo. 
Quando o chefe do executivo veta por inconstitucionalidade, fala-se que isso é veto jurídico e se veto pelo juízo discricionário fala-se em veto político. 
Obs.: Comunica ao congresso os motivos do veto para que o CN possa rever a matéria a luz das razões de veto apresentadas. 
Formalizado (mensagem) – mensagem publicada no DO
Imaginemos que o Presidente da República recebe o projeto e assina as razões de veto, coloca na gaveta e deixa passar 15 dias úteis. O que ocorreu? Sanção tácita, pois deve o veto ser formalizado pela sua comunicação ao congresso nacional – instrumento: mensagem encaminhada ao CN.
Supressivo 
Total
Parcial
Ex.: EOAB – imunidade do advogado: difamação, injúria e desacato. 
O veto parcial tem limite – não existe veto de palavra no sistema brasileiro - §2º do art. 66. 
► O presidente não poderia vetar aquela palavra, pois o veto parcial tem limite. Mas poderia ser considerada inconstitucional uma palavra só? Sim. A inconstitucionalidade pode ser parcial. Essa palavra foi declarada pelo STF inconstitucional. Não existe veto de palavra por inconstitucionalidade, mas nada impede que esta palavra seja considerada inconstitucional (principio da parcelaridade do controle), como o foi.
Poderia haver veto se a estrutura fosse assim:
I – Difamação;
II – Injuria;
III – Desacato
Irretratável
Ex.: presidente veta e formaliza, porém, ainda dentro dos 15 dias úteis se arrepende. Poderia falar ao CN que irá sancionar? Não. Após sua formalização, o veto é irretratável. 
Superável
Se o veto é superável, tenho que remeter a matéria de volta ao CN. Encaminha para câmara ou para o senado? Nem pra um nem para outro! Encaminha para o Congresso Nacional e quem irá receber será o presidente do senado. 
Comunica-se ao presidente do senado pela única razão de que ele é tecnicamente o presidente do congresso.
Quem aprecia primeiro é a câmara ou senado? Nenhum dos dois – sessão conjunta (§4º).
Para a sessão conjunta quem se desloca são os senadores – dentro de 30 dias a contar do seu recebimento. Só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos deputados e senadores. – EC 76 acabou com a votação secreto dos vetos. 
Art. 57, §3º, CF: 
§ 3º Além de outros casos previstos nesta Constituição, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para:
I - inaugurar a sessão legislativa;[12: Quantas vezes isso acontece por ano? Uma só, obviamente, pois a sessão legislativa é anual. ]
II - elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas;
III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República;
IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar.[13: Em conformidade com o art. 66. ]
 
Para que o CN rejeite o veto, será necessária maioria absoluta (os escrutínios são separados – 257 votos da câmara + 41 do senado). Se não obtiver 41 no senado, embora 257 no senado, o veto será mantido. Se obtiverem, porém, o veto será rejeitado. 
Obs.: Pra aprovar projeto de lei complementar, é preciso maioria absoluta. Se este tivesse sido vetado pelo presidente, para que o Congresso rejeitasse, bastaria a mesma maioria absoluta? Sim. Seria suficiente, não há regra especifica neste caso. 
Sendo o veto rejeitado:
SESSÃO CONJUNTA
SF
81
CD
257
PRAZO: 
30 dias do recebimento
 
 
s
e esse prazo se esgotar sem o congresso ter deliberado: §6º - trancamento / sobrestamento da pauta – não se vota anda antes que se vote o veto.
ATENÇÃO: O que fica trancado é a pauta do congresso, não a pauta da câmara ou do senado.
Se o veto for mantido ARQUIVAR;
Se o veto for rejeitado (exigível maioria absoluta – escrutínios separados) volta ao Presidente da República para que ele promulgue (§5º). Isso porque a obrigação de promulgar as leis no nosso pais em qualquer caso, inclusive no caso de rejeição de veto, é do Presidente da República. 
Obs.: 
1) No Brasil pode haver lei vigente e eficaz que não tenha sido sancionada? SIM. 
2) No Brasil pode haver lei vigente e eficaz que não tenha sido promulgada? NÃO.
 PROMULGAÇÃO
Existem 3 situações que nos trazem até este momento:
Sanção Expressa
Sanção Tácita
 
Rejeição de Veto
Promulgação
Promulgar é atestar que a ordem jurídica foi regularmente inovada; É a certidão de nascimento da lei.
P/ Pontes de Miranda: é a “atestação da existência da lei”.
A promulgação é a autenticação de que uma lei foi regularmente elaborada, de que juridicamente existe e de que, portanto, está apta a produzir efeitos no mundo jurídico (potencialmente obrigatória).
Obs.: A data da promulgação é a que consta da epígrafe da lei.
Espécies de promulgação:
Promulgação implícita (sanção e promulgação c
oexistem).
PUBLICAÇÃO
Sanção Expressa
Na SANÇÃO EXPRESSA, a promulgação está implícita (não se usa o verbo promulgar no preâmbulo da sanção expressa, pois ele não precisa dizer que promulga, uma vez que quem sanciona expressamente está implicitamente promulgando) – tecnicamente, na sanção expressa, a sanção e a promulgação coexistem no tempo e no instrumento. 
PUBLICAÇÃO
Promulgação 
autônoma
Sanção 
Tácita
PUBLICAÇÃO
Promulgação 
autônoma
Rejeição de veto
O §7º estabelece prazo de 48 horas para realizar a promulgação. Para ocorrer a sanção tácita, deve transcorrer o prazo de 15 dias úteis que, ao se encerrar, inicia-se novo prazo de 48 horas para que presidente promulgue, tendo sancionado tacitamente. E no caso de sendo rejeitado o veto, o presidente terá prazo de 48 horas para promulgá-lo.
Se a obrigação é do Presidente da República em qualquer caso e se o prazo que ele tem pra fazê-lo tanto na sanção tácita como na rejeição de veto é de 48 horas, o que ocorre caso esse prazo se esgote e ele não promulgar? 
A obrigação de promulgar é transmissível automaticamente (§7º). Assim, a obrigação de promulgar passa ao Presidente do Senado, que tem prazo de 48 pra promulgar e caso também não o faça, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo (passa dentro da mesa do senado sucessivamente).
Nesse caso da sanção tácita, a promulgação terá autonomia – no preâmbulo vai aparecer um verbo que não aparece aqui porque aqui é desnecessário: o verbo promulgar (na sanção expressão não aparece porque não precisa):
“O segundo Vice-Presidente do Senado, faço saber, que o Congresso Nacional decretou que o presidente da República, nos termos do §3º do art. 66 da CF, sancionou e eu (...) segundo Vice-Presidente do Senado, nos termos do §7º do art. 66 promulgo a seguinte lei” – ou seja, o verbo promulgar aparece autonomamente. 
ATENÇÃO - §5º tem erro de técnica: não é mais projeto! Isso, que aqui é chamado de projeto, o §7º chama de lei. A partir da sanção não há mais projeto, mas já lei, apesar não perfeita e acabada. 
Exemplo 1: ação rescisória no processo eleitoral no caso de inelegibilidade – rescisória pelo protocolo – bastava protocolar que a sentença rescindenda já estava rescindida.
Ac.-STF, de 17.3.1999, na ADI nº 1.459: declara inconstitucionais o trecho grifado e a expressão“aplicando-se, inclusive, às decisões havidas até cento e vinte dias anteriores à sua vigência”, constante do art. 2º da LC nº 86/1996.
“Faço saber que o Congresso Nacional decretou, o Presidente da República, nos termos do § 3º do art. 66 da Constituição sancionou, e eu, Júlio Campos, Segundo Vice-Presidente do Senado Federal, no exercício da Presidência, nos termos do § 7º do mesmo artigo promulgo a seguinte Lei:” 
Exemplo 2: lei 10521/02
“Faço saber que o Congresso Nacional decretou, o Presidente da República, nos termos do § 3º do artigo 66 da Constituição sancionou, e eu, Carlos Wilson, Primeiro-Secretário do Senado Federal, no exercício da Presidência, nos termos do § 7º do mesmo artigo promulgo a seguinte Lei:”
No caso de rejeição de veto, ele poderia promulgar? Sim, mas não o fazendo no prazo de 48 horas, passará a obrigação para o Presidente da Mesa do Senado Federal. O preâmbulo vai dizer claramente. 
Indica que não houve sanção tácita, mas houve rejeição de veto e transmissão da obrigação de promulgar.
Sabemos que o sistema permite o veto parcial. O pressuposto lógico da existência de veto parcial é que estará havendo sanção expressa – não existe outra forma de haver veto parcial (concorda com o projeto e discordando apenas em parte) Quem veta parcialmente, esta sancionando expressamente. 
Se o veto parcial só existe porque houve sanção expressão, o Presidente da República está, tecnicamente, sancionando expressamente com veto parcial. 
A lei sancionada expressamente e promulgada vai para o DO e será promulgada e publicada e estará escrito no art. 5º (que foi vetado): VETADO. Ou seja, a lei vai para o DO, e lá, onde seria o art. 5º aparecem em letras maiúsculas a palavra vetado e ele retorna o CN. 
A lei entra em vigor na data da sua publicação – quando o CN rejeitar o veto parcial, volta o art. 5º ao Presidente da República? Sim, para que ele promulgue. Ao ser promulgado, sairá no DO que este art. 5º está sendo promulgado e ele terá a numeração do dia ou ele será encaixado no texto da lei que já esta vigente e eficaz? Terá nova numeração!
O que vai acontecer por hipótese rejeitado o veto o art. 5º será encaminhado ao Presidente da República que poderia promulgar e, se não o fizer, fará o Presidente do Senado - “promulgo parte da lei 13.500 na forma do §5º” - porque houve rejeição de veto. 
Art. 1º…
Art. 5º…
Art. 10…
Caso concreto: Presidente da Republica que tinha vetado promulgou as partes vetadas. – Lei 9.263, 12/01/96 – DOU 15/01/96
Vetos parciais; Publicação partes vetadas cujo veto foi rejeitado – DOU 20/08/97:
“Faço saber que o CN decreta e eu promulgo, nos temos do §5º do art. 66, as seguintes partes vetadas da lei 9.263 de 12/01/96.”
Portanto, as partes vetadas são encaixadas nessa lei.
Art. 1º…
Art. 10 – esta lei entre em v
igor na data de sua publicação. 
Este artigo pode ser vedado? SIM! Exemplo: 13.290. 
A primeira conseqüência: por principio geral de direito – se ele veta a data de entrada de vigor da lei, esta lei entrará e vigor após 45 dias da data da publicação (a supressão da cláusula de entrada em vigor tem uma conseqüência simples: estabelecimento de vacacio).
E o que faz com o art. 10? Não tem que retornar ao CN? Sim, que irá apreciar. Mas embora todo e qualquer trabalho do CN de rejeição do veto só terá algum sentido jurídico se rejeitar o veto antes de 45 dias. 
A lei foi promulgada. Agora é preciso que ela seja publicada:
 PUBLICAÇÃO
Conceito: A publicação é a inserção do texto promulgado na imprensa oficial, gerando a presunção de seu conhecimento (é condição sine qua non). 
A promulgação confere à lei executoriedade, que significa a certeza de sua existência e sua autenticidade (as leis presumem-se válidas por serem promulgadas). Mas da promulgação se segue obrigatoriamente a publicação, que confere ao texto publicado publicidade (notoriedade). E, somando a executoriedade e a notoriedade, que decorre da publicação, gera a obrigatoriedade dos comandos legais.
Se o responsável presidente omitir dolosamente a publicação, pode configurar crime de responsabilidade e se for prefeito municipal é crime no sentido próprio (decreto lei 201 – crime de responsabilidade de prefeitos e vereadores). 
Certeza quanto a sua existência e
 autenticidade
EXECUTORIEDADE
PROMULGAÇÃO
+
+
NOTORIEDADE
PUBLICAÇÃO
• Princípio da irrepetibilidade dos projetos na mesma sessão legislativa – Art. 67:
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.
Superável, por iniciativa coletiva (m. absoluta);
Absoluto, se iniciativa reservada
PEC – 60, §5º / MP – 63, §10 (também se aplica às medidas provisórias)
Ou seja, se quando apresentado projeto de lei por deputado ou senador e o projeto for rejeitado naquela sessão legislativa (calendário civil), esse projeto não poderá ser reapresentado.
Há uma hipótese que torna possível ser reapresentado na mesma sessão legislativa, mas a iniciativa não pode ser individual, mas necessariamente coletiva por maioria abosoluta (257/41).
No entanto, uma hipótese que este principio tem caráter absoluto: no caso de iniciativa reservada extraparlamentar. Nesse caso ele é absoluto e não pode ser reapresentado, pois não há como contornar a iniciativa reservada.
2. PROCEDIMENTO SUMÁRIO
Art. 64, §§ 
Procedimento abreviado / “Urgência constitucional”[14: urgência regimental – projeto por disposição regimental possa tramitar de maneira muito rápida: esta urgência não se confunde com esta urgência constitucional (o regimento prevê a possibilidade de urgência urgentíssima). ]
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com EXCEÇÃO das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação.  
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código.
	
R
e
fer
ê
ncia aos par
á
grafos do art.
. 64 – ele determina o procedimento (de projeto de qualquer iniciativa)
Presidente da República
Aprovado
Senado Federal
45 dias 
(prazo corrido)
Câmara dos Deputados
45 dias 
(prazo corrido)
ARQUIVO
Rejeitado
Emendado
10 dias
Obs.1: Não votação em 45 dias - Trancamento da pauta: não pode votar outras matérias enquanto não votar aquele projeto no procedimento abreviado.
Exceção: a menos que matéria tenha prazo constitucional fixado - MP) - não tranca, pois se houver prazo constitucional fixado, ela não é atingida por este trancamento de pauta.
Obs.2: §4º - esses prazos de 45 dias: 
Não correm no recesso do CN;
A superveniência do recesso interrompe ou suspende? SUSPENDE. 
 
3. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
“LEI COMPLEMENTAR”[15: Complementar de que?? Lei complementar da CF (ela complementa a CF). ]
1) DIFERENÇAS ENTRE A LEI ORDINÁRIA:
FORMAL (maioria absoluta – 69): enquanto os projetos de lei ordinária são aprovados por maioria simples de voto (47) os projetos de lei complementar só estão aprovados se a votação alcançar maioria absoluta (art. 69, CF).
MATERIAL (campo próprio): cabe lei complementar nas hipóteses previstas pelo constituinte (reservadas a esta espécie normativa). Portanto, a LCtem campo material próoprio definido pelo constituinte.
Exemplos: 
Art. 93 – iniciativa reservada do STF: LOMAN;
Art. 14, §9º – iniciativa geral: hipóteses de inelegibilidade;
Art. 146 – iniciativa geral: noras gerais em matéria tributária;
Art. 79, p. único – iniciativa geral: atribuições do vice-presidente da república;
2) FINALIDADE
Resguardar certas matérias de natureza constitucional contra mudanças impensadas, que poderia acontecer se a matéria fosse tratada por lei ordinária, mas por outro lado, sem imprimir tanta rigidez como se fosse tratada por emenda constitucional.
EC
RIGIDEZ
 
FLEXIBILIDADE
LC
LO
3) PROCEDIMENTO
Igual o da lei ordinária, com a exigência, porém, de quorum de votação de maioria absoluta (257/41).
Obs.: Não pode haver “apreciação conclusiva” no âmbito de comissão. A votação deve, obrigatoriamente, se dar em plenário (não existe aprovação conclusiva de projeto de LC no âmbito de comissão).
4) MATÉRIA 
A matéria é reservada à lei complementar, e portanto, vedada:
À lei ordinária (inconstitucionalidade formal propriamente dita);
Se o legislador o fizer (tratar de matéria de LC por LO, a lei ordinária será inconstitucional formalmente).
À lei delegada – 68, §1º 
A medida provisória – 62, §1º, III 
5) LEI COMPLEMENTAR E RECEPÇÃO: 
Numa alteração constitucional, a mudança de previsão de reserva de matéria quanto o aspecto formal não tem nenhum relevância da recepção, seja numa recepção do minus ao plus, seja do plus ao minus. Ou seja, a recepção dará à norma status de lei complementar.
6) LEI COMPLEMENTAR NAS CONSTITUIÇÕES ESTADUAIS
► Constituição estadual pode exigir lei complementar além dos casos previstos na CF?
ADI 2872 – j. 01/08/2011 – NÃO! (estatuto dos servidores públicos civis – Piauí): Violação do principio da simetria – “observância cogente”;
ADI 2314 – j. 17/06/2015 – SIM! (L.O. da polícia civil do RJ) – “é demasia recusar à Constituição Estadual a faculdade de eleger determinados temas como exigentes de uma aprovação legislativa mais qualificada”;
POSIÇÃO ATUAL DO SUPREMO PARA C
ONCURSOS!
7) HIERARQUIA DA LEI COMPLEMENTA
►Se uma lei ordinária contradisser uma lei complementar, será ela inconstitucional? 
É indiscutível que a resposta será SIM. Porém, há dois fundamentos:
LC
LO
LC
LO
b) Não existe relação hierárquica entre LO e LC (elas se encontram no mesmo degrau da pirâmide), de tal maneira que se LO contradisser LC, será inconstitucional pelo fundamento de que estará 
invadindo o campo da LC
 (que tem campo próprio definido constitucionalmente) e esse será o fundamento de sua inconstitucionalidade.
a) A LC foi criada pra ser uma terceira espécie, colocada entre a CF e a lei ordinária (posição intercalar), de tal maneira que a LC estaria em degrau superior à LO, havendo, portanto, subordinação hierárquica entre elas. 
Assim, se LO contradisser LC será inconstitucional por 
quebra de hierarquia
.
Sobre esta questão há pronunciamento do supremo: NÃO HÁ RELAÇÃO HIERÁRQUICA ENTRE LC E LO (posição B).
Porém, essa ideia (b) parte da premissa de que o direito seria uma ciência exata, de forma que essa linha pudesse ser tratada como situação definida. Exemplo:
Quando falamos em recepção foi dito que o grande marco do Ministério Público no Brasil foi a LC 40/81 – uma das grandes conquistas desta LC (matéria que era reservada a LC) foi o art. 55 que acabou com o promotor a doc. Passado algum tempo (a ideia não se concretizou) foi apresentado projeto de lei alterando o código de processo penal autorizando a nomeação de promotor a doc. Assim, discute-se se configura norma inconstitucional, uma vez que apesar de legislações de espécie legislativas diversas, tratam de tema de sua competência (ou seja, são materialmente e formalmente constitucionais). Esse projeto seria inconstitucional por regra de hierarquia.
 P/ José Afonso da Silva (terceira posição):
Lei complementar normativa
Lei 
ordinária
Lei complementar 
não 
normativa
Essa questão na verdade precisa de solução intermediária, pois é preciso distinguir duas espécies de lei complementar: 
Lei complementar normativa (degrau acima); e 
Lei complementar não normativa (degrau abaixo junto à lei ordinária). 
Lei complementar normativa é aquela que serve de fundamento de validade para outros atos normativos subseqüentes (deve ser respeitada por estes outros atos normativos subseqüentes) – exemplo: art. 146 da CF (a LC estabelece as normas gerais em matéria tributaria e existem a leis ordinárias tributarias que devem seguir as normas gerais que estão em lei complementar - pela subordinação hierárquica). Portanto as LCN estão em degrau superior.
Ex.2: art. 59, parágrafo único – quando as leis ordinárias que forem feitas devem ou não observância a essa LC? É claro que é uma LC do tipo normativo que tem supremacia hierárquica com relação a outras normas.
Se uma lei ordinária tratar das funções do Vice-Presidente da República, afronta alguma lei complementar normativa? Não. Caso haja inconstitucionalidade não será por hierarquia.
LEI DELEGADA
Espécie legislativa típica do sistema parlamentarista.
No parlamentarismo, o governo, na verdade, é uma fração do parlamento, pois todos os membros do parlamento são membros do governo. Todos os ministros que formam o governo são necessariamente parlamentares e um deles será o chefe de governo (primeiro ministro). Portanto, num regime parlamentarista, a função legislativa, que é própria do parlamento, num caso específico, a delega ao governo (pois o governo aqui não passa de uma fração do próprio parlamento). 
O que isso tem a ver com o Brasil? Nada. O art. 68 restou na CF esquecido. 
Quadro histórico (evidencia que é próprio do regime parlamentarista):
Pebliscito – retorno ao regime presidencialista
João Goulart assume 
e
m regime p
arlamentarista
1992
LC 12 
LC 13
LD 11
LD 1
11/10/62
25/09/62
06/01/63
07/09/61
CONCEITO: Ato normativo elaborado pelo Presidente da República, mediante solicitação sua (iniciativa solicitadora) ao Congresso Nacional, e delegação deste, por RESOLUÇÃO que fixa LIMITES:
CONTEÚDO
TERMOS DE SER EXERCÍCIO:
- Balizas;
- Temporariedade;
Obs.: O CN delega ao Presidente da República a função legislativa para determinada matéria, para que ele trate da matéria segundo princípios / balizas / parâmetros que são estabelecidos pelo CN na resolução de delegação (não é um cheque em branco ao Presidente da República). Bem como, essa delegação fixa um tempo para que o Presidente da República exerça essa função. 
► Qual o limite temporal máximo de uma delegação legislativa?
O final da legislatura. Isso, porque ninguém pode delegar mais poderes do que tem. Assim, o limite temporal não pode exceder ao da legislatura. 
► O CN estabeleceu em agosto a delegação até 31/12 para que o Presidente legisle sobre matéria X. De agosto a dezembro o Congresso fica inibido de tratar desta matéria?
NÃO. Trata-se de delegação e não de abdicação. 
► E se nesse lapso surgir lei delegada e lei ordinária sobre esta matéria? Qual prevalece? 
A lei posterior (a que foi promulgada depois) pelo principio da continuidade (ambas estão no mesmo nível).
► E se o PR exorbitar da delegação e tratar de matéria não delegada ou desobedecer as balizas atribuídas pelo CN? Passível de controle repressivo de outro órgão que não o judiciário?
O legislativo pode sustar a executoriedade da lei delegada fazendo-o por decreto legislativo.
Art. 49, V – controle repressivo pelo congresso nacional – o CN tem o poder, por decreto legislativo, de sustar os atos normativos do executivo que exorbitem limites da delegação legislativa. 
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
Assim, caso o Chefe do executivo extrapole o objeto da delegação, legislando além dos limites traçados pela resolução,o Congresso Nacional poderá, por ato próprio, sustar os efeitos da lei delegada exorbitante. O ato de sustação do CN surtirá efeitos não retroativos (ex nunc), porquanto não se cuida de pronuncia de inconstitucionalidade, mas sim de sustação de eficácia.
Por forca deste dispositivo constitucional, o CN não precisará recorrer ao Poder Judiciário para paralisar os efeitos da lei delegada exorbitante, podendo o próprio Parlamento, por decreto legislativo, sustar os seus efeitos. Esse controle legislativo, de natureza política, tem recebido da doutrina a denominação de veto legislativo.
O que, no entanto não obsta a eventual declaração de inconstitucionalidade da lei delegada pelo Poder Judiciário, seja quanto ao seu conteúdo material, seja pode desrespeito aos requisitos formais do processo legislativo dessa espécie normativa. 
Por outro lado, o ato do CN, que, nos termos do art. 49, inciso V, da CF, susta os efeitos de ato normativo de poder Executivo, está sujeito ao controle repressivo judicial. Significa dizer que, baixando o ato de sustação pelo CN, poderá o Chefe do Executivo pleitear judicialmente a declaração de sua inconstitucionalidade, por meio de ação direta de inconstitucionalidade.
ESPÉCIES DE DELEGAÇÃO:
Típica;
Atípica;
Na delegação típica (que é a regra, presumível neste tipo de ato), o Congresso Nacional concede os plenos poderes para que o Presidente da República elabore, promulgue e publique a lei delegada, sem participação ulterior do Poder Legislativo.
Na delegação típica, uma vez efetivada a delegação pelo Congresso Nacional, daí por diante todo o processo de elaboração da lei delegada esgotar-se-á no âmbito do Poder Executivo: o Presidente da República elaborará, promulgará e publicará a lei delegada.
Entretanto, a resolução poderá determinar a apreciação do projeto pelo CN, caso em que teremos a denominada delegação atípica. Nesse caso, o Presidente da República elaborará o projeto de lei delegada e o submeterá à apreciação do CN, que sobre ele deliberará, em votação única, vedada qualquer emenda. Caso o projeto seja aprovado, a lei delegada será encaminhada ao Presidente da República, para que a promulgue a publique.
Se ocorrer rejeição integral do projeto de lei delegada, este será arquivado, somente podendo ser reapresentado, na mesma sessão legislativa, por solicitação da maioria absoluta dos membros de uma das Casas do Congresso Nacional (CF, art. 67).
DECRETO LEGISLATIVO
Art. 59, VI
É o instrumento formal de que se vale o Congresso Nacional para praticar os atos de sua competência exclusiva (para os quais a CF dispensa sanção presidencial), previstos no art. 49 da CF (+ 62, §3º).
O procedimento do decreto legislativo é disciplinando internamente no CN, em face da ausência de regramento constitucional. Mas, cabe destacar, que a deliberação é bicameral necessariamente (depende de deliberação das duas casas) e que, Ademias, não haverá participação do Chefe do Executivo no procedimento para o fim de sanção, veto ou promulgação. 
Assim, aprovado pelas duas casas (maioria simples) é promulgado pelo presidente do senado federal.
Obs.: Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: Inciso XII – apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; quem expede a concessão é o poder executivo, mas deve passar pelo CN.
*Por força de alteração constitucional, deve-se ampliar o conceito, pois há mais um caso que a deliberação do CN se fará por meio de decreto legislativo: + 62, §3º 
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.
RESOLUÇÃO
Art. 59, VII
Formaliza a deliberação das casas do CN, nas hipóteses de sua competência privativa:
Câmara dos Deputados: art. 51;
Senado Federal: art. 52.
		OU 
Do Congresso Nacional, fora das hipóteses de decreto legislativo:
Art. 68, §2º - forma pela qual o CN delega (lei delegada);
Regimento interno comum 
Resolução 1/2002 – Tramitação da MP
Decreto legislativo é só do Congresso e Resolução é da câmara, senado ou do congresso. Caberá resolução do CN fora das hipóteses de decreto legislativo, ou seja, quando não couber decreto legislativo, o CN formaliza por resolução. 
Obs.: Em alguns manuais antigos ainda aparece uma diferença que deve ser esquecida: resolução produz efeitos internos e decreto efeitos externos. 
A resolução do art. 52, X da CF do senado produz efeitos internos? Não, muito pelo contrario, produz efeitos erga omnes. 
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;
Portanto, LEMBRAR: Enquanto as resoluções podem ser expedidas pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal ou Pelo Congresso Nacional, os decretos legislativos são privativos do Congresso Nacional.
MEDIDA PROVISÓRIA
C. 67/69
C. 88
EC 32 – 11/09/01
Limitações materiais 
Alterações procedimento
MP 
 2.230 – 06/09/01
 MP 752 – 24/11/16
Decreto-lei
Na vigência da constituição anterior havia uma espécie normativa chamada decreto-lei. As matérias eram restritas, mas havia um grande problema: baixado o decreto-lei era encaminhado ao CN que poderia aprová-lo ou não num prazo e se o prazo decorresse sem se manifestar, o decreto-lei estava tacitamente aprovado (aprovação por decurso de prazo), se consolidando, assim, no mundo jurídico. 
Quando sobreveio a CF/88, na Assembleia Constituinte houve um consenso de que o decreto-lei era reminiscência da ditadura e, diante disso, deveria ser abolido, e assim foi. Mas, uma voz disse que era preciso criar um soldado de reserva, pra deixar dentro do armário; um instrumento para utilização excepcional, quando o mundo jurídico precisasse ser inovado de imediato, criando-se (importado da Itália), para ser um remédio excepcionalíssimo na sua utilização, a medida provisória.
Mais do que sucedâneo do decreto-lei, a medida provisória não tinha nenhuma limitação material e o Presidente foi, com o passar do tempo, se apropriando da função legislativa do CN. 
O presidente começou a usar e abusar da MP; a tal ponto que o n. de MP foi crescendo tanto que resolveram utilizar dígitos para sua numeração. 
Reação a esta situação sobreveio em 2001 quando o CN criou a EC n. 32. Apesar da história dos dígitos, até esta data (até a EC 32) o presidente adotou 2.230 MP, revelando o abuso de utilização deste instrumento legislativo. Essa EC trouxe duas situações importantíssimas:
Criou expressamente limitações materiais;
Alterou substancialmente o procedimento; 
►Quando cabe MP? 
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. 
À juízo discricionário do Presidente da República, submisso, porém, a juízo subseqüente e prevalecente do CN.Pressupostos:
Relevância
Urgência
Os pressupostos que estão aqui mencionados, a juízo de quem se entende relevante e ou urgente? À juízo do próprio Presidente. Porém, é bem verdade que este juízo discricionário do presidente se submete a um juízo subseqüente e prevalecente do CN. Este poder o CN sempre teve, inclusive no período do abuso, mas não o utilizava. 
O CN pode rejeitar uma MP exclusivamente pela ausência dos pressupostos? Sim, sempre pôde.
Ainda, a matéria tratada por MP deve que ser relevante. Isso implica dizer que possa haver matéria que não seja relevante para ser tratada por lei (ordinária)? Toda matéria que deva ser normatizada é relevante, mas esta relevância tem que ser uma relevância extraordinária. Claro que é juízo de valor, mas será do Presidente e do CN. 
A urgência aqui referida é uma urgência que não pode aguardar o processo sumário.Isso porque, quando o Presidente da República tem urgência, ele deverá usar o procedimento sumário (que esta em desuso, pois ao invés de usar aquele procedimento ele usa a MP). Assim, em tese, essa urgência é mais do que a do procedimento sumário. 
► É possível o controle jurisdicional destes pressupostos?
Evolução do STF:
Não caráter “político”
Sim excepcionalmente, desde que evidenciada afronta ao principio da razoabilidade, caracterizando desvio de finalidade ou abuso o poder de legislar. 
A princípio, logo depois de 1988, o STF firmou posição que estes pressupostos em face de seu caráter político, seriam insuscetíveis de controle jusrisdicional. 
Atualmente, excepcionalmente se ficar demonstrado que não existe razoabilidade, indica que o STF possa sim controlar. 
Ex.: MP para disciplinar a frota de veículos pelo Vice-Presidente da República;
Ex.: Trator para circular no perímetro urbano tem que estar emplacado; 
Essas MP são inconstitucionais por ausência de pressupostos (STF é guardião da CF e estes pressupostos estão no art. 62 dela).
LIMITAÇÕES
§1º do art. 62 – reproduz aquilo que é da lei delegada também 
Art. 246 (EC. 32)
Da EC 5 ate 32De 01/01/1995
A 11/09/2001 
Art. 62, § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:  
I – relativa a:  
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;  
b) direito penal, processual penal e processual civil;  
► É claro que não se pode criar norma penal incriminadora por meio de MP, mas pode veicular norma penal permissiva?
NÃO. Está vedada a matéria penal, indistintamente, não importa a natureza da norma.
► Processo penal e processo civil. Posso mudar o CPP e CPC? Não. Hoje é consensual que o processo trabalhista é autônomo; assim, posso inovar por medida provisória por “inclusio unius, alterius exclusio”? Não, o que está disposto é exemplificativo, o que está vedado é a matéria processo (gênero). 
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;  
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;  
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;  
Este inciso é um daqueles casos em que a regra existe na CF por causa de algo que aconteceu. Em 1990, quando Collor tomou posse, um das primeiras medidas que tomou foi confiscar a população. 
Que outro dispositivo esta na CF para que o fato não se repita? Não haverá pena de banimento. 
III – reservada a lei complementar;  
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República.
Que esteja no prazo de 15 dias.
Art. 246. É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995 até a promulgação desta emenda, inclusive.
► Que matéria é essa? 
Se um determinado art. da CF (ex.: 215) teve sua redação, de alguma forma alterada por EC promulgada entre este período, a matéria X tratada neste artigo não pode ser objeto de MP. 
Ou seja, se dispositivo constitucional foi alterado pela EC 5 a 32, o tema não pode ser objeto de MP (reforma de previdência e reforma administrativa estão aqui inclusas).
 
OBS.: Embora não haja disposição constitucional expressa nesse sentido, é certo que as matérias de iniciativa e competência privativas do Congresso Nacional (art. 49), da Câmara dos Deputados (art. 51), do Senado Federal (art. 52), do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos tribunais de contas também não podem ser disciplinadas por medida provisória.
PROCEDIMENTO
Presidente adota MP a seu juízo discricionário entendendo que a matéria é relevante e urgente. A MP vai para o DO, é publicada e tem vigência e eficácia imediata. Ao mesmo tempo, a MP é encaminhada para o CN, pois o primeiro passo do procedimento é dirigi-la a uma comissão mista (12/12) que examinará a MP e efetuará parecer único que analisará constituição, mérito e adequação financeira. 
Lançado este parecer único, a matéria será encaminhada à câmara dos deputados. (art. 62, §9º), abrindo possibilidade para as seguintes situações:
Entender não presentes os pressupostos constitucionais (relevância e urgência).
►A câmara dos deputados poderia entender que a MP não atende os pressupostos constitucionais? (§5º) 
A câmara, por força deste parágrafo, antes de analisar o mérito, tem que concordar com aquele juízo do Presidente da República. Assim, caso não concordar, pode rejeitar por ausência de pressupostos constitucionais.
MP aprovada pela câmara dos deputados e pelo senado federal.
No entanto, admitindo que a câmara, dentro de determinado prazo, aprove e encaminhe ao Senado Federal, que também aprecia e aprova a MP, exatamente com a redação dada pelo Presidente da República. Neste momento que a CN aprova a MP, ela é convertida em lei, sem qualquer solução de continuidade. 
Quem promulga a MP é o Presidente do CN: “número seqüencial das leis + “presidente do CN faço saber, que o Presidente da República adotou a MP n. tal e eu promulgo a seguinte lei”. 
Essa lei não tem sanção, pois houve concordância. 
Só que esta é a linha mais simples e tem que observar determinados PRAZOS:
 §7º - Publicação da MP no diário oficial – começa correr prazo de 60, prorrogáveis por mais 60 para CN para apreciar a MP. 
Se o CN eventualmente não apreciar a MP neste prazo de 120 dias (§3º): MP perde a eficácia desde a edição se não for convertidas em lei neste prazo. 
Vamos admitir que chegando nos 120 dias o CN nem aprove nem rejeite a MP, o que acontece? Ela perde sua vigência e eficácia – ex tunc. A perda de eficácia, em qualquer circunstância, seja pela rejeição, seja pelo decurso de prazo, se opera ex tunc. 
 §3º - A partir deste momento (perda de vigência e eficácia da MP) começa correr novo prazo de 60 dias para que o CN expeça decreto legislativo para disciplinar as relações produzidas pela MP no período de vigência. Ex.: “ficam convalidados os atos praticados na vigência da MP”. 
Se não o fizer neste prazo?
Tudo o que ocorreu fica convalidado (§11).
 §6º - Se a câmara não deliberar em 45 dias: sobrestamento da pauta – enquanto não votar a MP, todas as demais deliberações da casa ficam sobrestadas. 
“As matérias que ficam sobrestadas são aquelas que tratadas por projetos de lei, também poderiam ser tratadas por medida provisória. As que não podem ser tratadas por MP, não para.”
Esta interpretação foi objeto de questionamento no STF e o ministro relator deu razão a esta interpretação. 
Obs.: Se a matéria sai trancada da câmara, ela entra trancando no senado automaticamente – não são 45 dias para cada casa (são 45 para o CN).
Hipótese mais complexa: emenda à MP.
►MP pode ser emendada? 
Pode. 
Vamos admitir que o Presidente da República adota MP, a qual vai para a câmara, que propõe alterações de diversos artigos. Assim, aprovam a MP com outra redação que não a original. 
Nesse momento, dentro da Câmara a MP se transforma e passa a se chamar projeto de lei de conversão, e seguirá com esta redação alterada para o Senado Federal. 
Vamos admitir que esta redação dada pela câmara chegue ao Senado que concorda com a nova redação da Câmara. Nesse caso manda para o presidente? SIM. Se houve alteração, o projeto de lei de conversão será encaminhado ao Presidente da República, voltando à rotina do procedimento ordinário (sanção ou veto). 
E como fica a situação da MP? 
§12 – Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.
Ou seja, uma MP pode vigorar por mais de 120 dias (aguardando a sanção ou veto). 
Caso concreto: STF – “vedação do contrabando legislativo” – o Presidente mandava determinada MP sobre determinado assunto e os congressistas,valendo-se do poder de emenda, apresentavam emendas à MP com matérias diversas. A emenda é acessória e deve guardar relação temática. Fica declarada a inconstitucionalidade. Mas muitos casos anteriores já tinham acontecido e em nome da segurança das relações jurídicas, a partir de agora cumpra-se a constituição. 
	Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão apresentar emendas?
SIM, no entanto, tais emendas deverão ter relação de pertinência temática com a medida provisória que está sendo apreciada. Assim, a emenda apresentada deverá ter relação com o assunto tratado na medida provisória.
Desse modo, é incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de pertinência temática com medida provisória submetida à sua apreciação.
A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado na medida provisória que tramita no Congresso Nacional é chamada de "contrabando legislativo", sendo uma prática vedada.
O STF declarou que o contrabando legislativo é proibido pela CF/88, como vimos acima. No entanto, a Corte afirmou que esse entendimento só deverá valer para as próximas medidas provisórias que forem convertidas em lei. Assim, ficou decidido que o STF irá comunicar ao Poder Legislativo esse seu novo posicionamento e as emendas que forem aprovadas a partir de então e que não tiverem relação com o assunto da MP serão declaradas inconstitucionais.
É como se o STF tivesse dado uma chance ao Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, um alerta: o que já foi aprovado não será declarado inconstitucional, porém não faça mais isso.
STF. Plenário. ADI 5127/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 15/10/2015 (Info 803).
PORTANTO, são possíveis as seguintes hipóteses quanto o desenrolar de MP:
MP aceita
MP rejeitada (expressa ou tacitamente – escoado prazo de 120 dias sem deliberação: perde eficácia;
Obs.: decreto legislativo
Se houver emendas: 
PLC (Projeto de Lei de Conversão) aprovado (dentro dos 120 dias ou não).
PLC não aprovado.

Mais conteúdos dessa disciplina