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Prévia do material em texto

<p>DIREITO</p><p>CONSTITUCIONAL</p><p>Direito Material</p><p>Prof. Caroline Müller Bitencourt</p><p>Prof. Janriê Reck</p><p>Prof. Mateus Silveira</p><p>Prof. Nathalie Kuczura</p><p>2</p><p>Caros estudantes,</p><p>A preparação para a OAB pode ser uma jornada desafiadora,</p><p>mas também é uma oportunidade emocionante para aprender,</p><p>crescer e se preparar para a carreira jurídica. É importante lembrar</p><p>que cada um de vocês tem o potencial de se tornar um grande</p><p>advogado, e a chave para isso é o estudo constante com muito foco.</p><p>Estudar para a OAB não é apenas memorizar leis e teorias, é</p><p>também entender a prática jurídica e desenvolver habilidades</p><p>importantes, como a argumentação e a resolução de problemas. É</p><p>por isso que é tão importante se dedicar a essa preparação e</p><p>aproveitar ao máximo as oportunidades que ela oferece.</p><p>O Time CEISC está aqui para ajudá-los nessa jornada,</p><p>fornecendo materiais de estudo de qualidade, dicas valiosas e</p><p>orientação especializada. Acreditamos em vocês e estamos muito</p><p>gratos por confiarem em nós para essa preparação. Sabemos que</p><p>juntos podemos alcançar grandes objetivos e transformar nossos</p><p>sonhos em realidade.</p><p>Então, lembrem-se de manter o foco, a determinação e a</p><p>disciplina durante todo o processo de estudo. Não desistam e não</p><p>se intimidem diante dos desafios, pois eles são oportunidades para</p><p>SUPERAÇÃO e fortalecimento. O sucesso na OAB é possível, e</p><p>estamos aqui para ajudá-los a alcançá-lo.</p><p>Profª. Caroline Bitencout | @carolinemullerbitencourt</p><p>Prof. Janriê Reck | @janrie_reck</p><p>Prof. Mateus Silveira | @professormateussilveira</p><p>Prof. Nathalie Kuczura | @nathaliekuczura</p><p>3</p><p>2ª FASE OAB | CONSTITUCIONAL | 39º EXAME</p><p>SUMÁRIO</p><p>Constituição ....................................................................................................................... 4</p><p>Teoria Dos Direitos Fundamentais .................................................................................. 19</p><p>Direitos Fundamentais ..................................................................................................... 35</p><p>Garantias Constitucionais E Direitos Sociais ................................................................... 64</p><p>Direitos De Nacionalidade ............................................................................................... 76</p><p>Direitos Políticos E Partidos Políticos .............................................................................. 82</p><p>Organização Do Estado: Federalismo Brasileiro E Repartição De Competências .......... 99</p><p>Organização Dos Poderes E Poder Legislativo ............................................................. 118</p><p>Processo Legislativo ...................................................................................................... 144</p><p>Poder Executivo ............................................................................................................ 162</p><p>Poder Judiciário ............................................................................................................. 172</p><p>Intervenção Federal E Defesa Das Instituições Democráticas ...................................... 182</p><p>Administração Pública E Servidor Público ..................................................................... 200</p><p>Ordem Econômica E Financeira .................................................................................... 225</p><p>Ordem Social ................................................................................................................. 239</p><p>Olá, Ceisquer! Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso para a 2ª</p><p>Fase do 39º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas.</p><p>Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação</p><p>pertinente.</p><p>Bons estudos, Equipe Ceisc.</p><p>Atualizado em outubro de 2023.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>4</p><p>CONSTITUIÇÃO</p><p>1. CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO</p><p>A Constituição é o conjunto de regras e princípios que define a estrutura, o funcionamento</p><p>e os direitos fundamentais de um Estado. É considerada a lei fundamental de um país e</p><p>representa a expressão máxima da soberania popular, uma vez que é elaborada pelos</p><p>representantes eleitos pela população.</p><p>A Constituição é fundamental para garantir a organização política e jurídica de um Estado</p><p>Democrático de Direito, bem como para assegurar os direitos e garantias fundamentais dos</p><p>cidadãos, como a liberdade de expressão, o direito à vida, à igualdade, à propriedade, à</p><p>educação e à saúde.</p><p>Além disso, a Constituição estabelece as regras básicas para a organização dos poderes</p><p>Executivo, Legislativo e Judiciário, garantindo a harmonia e a independência entre eles. Assim,</p><p>ela é essencial para o bom funcionamento das instituições democráticas e para a proteção dos</p><p>direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. É por meio dela que se estabelecem as bases</p><p>para uma sociedade justa e igualitária, onde os direitos são respeitados e assegurados.</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES</p><p>As classificações propostas a seguir foram extraídas da obra Curso de Direito</p><p>Constitucional Positivo, de José Afonso da Silva (2015).</p><p>2.1. Quanto ao conteúdo:</p><p>• Constituição material:</p><p>É tida como um conjunto de normas constitucionais escritas ou costumeiras, inseridas ou</p><p>não em um texto único, que regulam a estrutura do Estado, a organização de seus órgãos e os</p><p>direitos fundamentais. Refere-se apenas às matérias essencialmente constitucionais, ou seja,</p><p>aquelas que dizem respeito aos elementos constitutivos do Estado, ou seja: o povo, o território,</p><p>o governo e a finalidade.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>5</p><p>• Constituição formal:</p><p>É aquela contida em um documento solene estabelecido pelo poder constituinte e</p><p>somente modificável por processos e formalidades especiais previstos no próprio texto</p><p>constitucional.</p><p>2.2. Quanto à forma:</p><p>• Constituição escrita:</p><p>É aquela sistematizada e positivada, elaborada por um órgão constituinte ou imposta pelo</p><p>governante, contendo, em regra, todas as normas tidas como fundamentais sobre a estrutura do</p><p>Estado, a organização dos poderes constituídos, seu modo de exercício e limites de atuação e</p><p>os direitos fundamentais. As Constituições formais serão sempre por escritas, pois apresentam</p><p>normas constantes em um texto único. Elas podem ser codificadas, quando se acham contidas</p><p>inteiramente num só texto, com os seus princípios e disposições sistematicamente ordenados e</p><p>articulados em títulos; ou podem ser legais, quando são formadas por texto esparsos ou</p><p>fragmentados, ainda que todos escritos (exemplo: Constituição francesa de 1875).</p><p>• Constituição não escrita (ou costumeira ou ainda consuetudinária):</p><p>É a aquela cujas normas não constam de um documento único e solene, baseando-se,</p><p>principalmente, nos costumes, na jurisprudência, em convenções e em textos escritos esparsos.</p><p>Exemplo: Constituição Inglesa.</p><p>2.3. Quanto ao modo de elaboração:</p><p>• Constituição dogmática:</p><p>É a elaborada por um órgão constituinte, em que sistematiza os princípios (dogmas)</p><p>fundamentais da teoria política e do direito dominantes em uma época certa. Deverá</p><p>obrigatoriamente ser escrita.</p><p>• Constituição histórica:</p><p>Produto da formação histórica, dos fatos sociopolíticos, que se cristalizam como normas</p><p>fundamentais da organização de determinado Estado. Deverá obrigatoriamente ser costumeira.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>6</p><p>2.4. Quanto à origem:</p><p>• Constituições populares (ou democráticas ou promulgadas):</p><p>São aquelas que se originam de um órgão constituinte composto de representantes do</p><p>povo, eleitos para o fim de as elaborar e estabelecer. Exemplo: as Constituições brasileiras de</p><p>1891, 1934, 1946 e 1988.</p><p>• Constituições outorgadas:</p><p>número’ delas para ‘índios de todos os Estados brasileiros’, pelo prazo de 10 anos,</p><p>constitui providência adequada e proporcional ao atingimento dos mencionados</p><p>desideratos. Dito de outro modo, a política de ação afirmativa adotada pela UnB não se</p><p>mostra desproporcional ou irrazoável, afigurando-se, também sob esse ângulo,</p><p>compatível com os valores e princípios da Constituição” (fls. 46-47 de seu voto).</p><p>→ Cotas raciais nos concursos públicos:</p><p>No julgamento da ADC 41/DF, estabeleceu-se a constitucionalidade da Lei n°</p><p>12.990/2014, e, portanto, definiu-se que é constitucional a reserva à pessoas negras 20%</p><p>das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e</p><p>empregos públicos no âmbito da administração pública federal direta e indireta, por três</p><p>fundamentos.</p><p>IGUALDADE Formal</p><p>• Todos poderão igualmente buscar os direitos</p><p>expressos na lei.</p><p>IGUALDADE Material</p><p>• Tratar desigualmente os desiguais para reduzir</p><p>as desigualdades. (COTAS NA UNB – ADF</p><p>186/STF)</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>39</p><p>→ Sobre distinções em concursos públicos:</p><p>A distinções em concursos públicos só se justificam em razão da natureza do cargo</p><p>e devem estar previstas em lei. Segundo a Súmula 683, do STF, o limite de idade para a</p><p>inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição,</p><p>quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.</p><p>→ Prouni:</p><p>Dentro da ideia de política de cotas, o Governo Federal, através da MP nª 213/2004,</p><p>instituiu o PROUNI — Programa Universidade para Todos, que foi regulamentado pelo</p><p>Decreto nº 5.493/2005. A Medida Provisória nº 213 foi objeto das ADIs 3.314 e 3.379,</p><p>apensadas à ADI 3.330, e, posteriormente, convertida na Lei nº 11.096/2005. O art. 1.º da</p><p>Lei, ao instituir o PROUNI, dispõe tratar-se de programa destinado à concessão de bolsas</p><p>de estudo integrais e parciais de 50% ou de 25% para estudantes de cursos de graduação</p><p>e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com</p><p>ou sem fins lucrativos.</p><p>Por maioria de votos, o STF, em 03.05.2012, julgou constitucional o PROUNI, como</p><p>importante fator de inserção social e cumprimento do art. 205 da CF/88, que estatui ser a</p><p>educação direito de todos e dever do Estado e da família.</p><p>→ Lei Maria da Penha:</p><p>O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, em 09.02.2012,</p><p>julgou procedente a ADC 19, para declarar a constitucionalidade dos arts. 1.º, 33 e 41 da</p><p>Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), tendo por fundamento o princípio da igualdade,</p><p>bem como o combate ao desprezo às famílias, sendo considerada a mulher a sua célula</p><p>básica.</p><p>Na mesma assentada, por maioria e nos termos do voto do Relator, o STF julgou</p><p>procedente a ADI 4.424, para, dando interpretação conforme os arts. 12, I, e 16, ambos</p><p>da Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), declarar a natureza incondicionada da ação</p><p>penal em caso de crime de lesão, pouco importando a extensão desta, praticado contra a</p><p>mulher no ambiente doméstico.</p><p>https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/seq-sumula683/false</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>40</p><p>1.4. Liberdades constitucionais</p><p>As liberdades constitucionais são fundamentais para o sistema jurídico e político de um</p><p>país, pois asseguram a garantia dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos e limitam o</p><p>poder do Estado. Na Constituição de 1988, as liberdades constitucionais foram consagradas de</p><p>maneira ampla e explícita, em diversos dispositivos, tais como a liberdade de expressão, de</p><p>associação, de reunião, de crença religiosa, de livre exercício de profissão, entre outras.</p><p>A importância dessas liberdades para o Estado Democrático de Direito é inquestionável,</p><p>pois elas garantem o exercício pleno da cidadania e a livre manifestação da vontade dos</p><p>indivíduos. Além disso, as liberdades constitucionais possibilitam a participação política, a</p><p>formação de opinião crítica e a defesa dos direitos dos grupos mais vulneráveis da sociedade,</p><p>tais como as minorias étnicas, as mulheres, os idosos, os LGBTs, entre outros.</p><p>• Liberdade de expressão:</p><p>IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;</p><p>Ingo Sarlet (2021) afirma que a regra contida no referido art. 5.º, IV, estabelece uma</p><p>espécie de “cláusula geral” que, em conjunto com outros dispositivos, asseguram a liberdade de</p><p>expressão nas suas diversas manifestações.</p><p>Quanto à vedação do anonimato, nestes termos, refere-se à manifestação do pensamento</p><p>entre locutores presentes, como de uma pessoa a outra (conversa, diálogo) ou de uma pessoa</p><p>para com as outras (palestras, conferências, discursos).</p><p>Precedente do STF no assunto:</p><p>Anonimato — Notícia de prática criminosa — Persecução criminal — Impropriedade. Não</p><p>serve à persecução criminal notícia de prática criminosa sem identificação da autoria,</p><p>consideradas a vedação constitucional do anonimato e a necessidade de haver</p><p>liberdade de</p><p>manifestação</p><p>do</p><p>pensamento</p><p>(incluindo a</p><p>liberdade de</p><p>opinião)</p><p>liberdade de</p><p>expressão</p><p>artística;</p><p>liberdade de</p><p>ensino e</p><p>pesquisa;</p><p>liberdade de</p><p>comunicação</p><p>e de</p><p>informação</p><p>(liberdade de</p><p>“imprensa”);</p><p>liberdade de</p><p>expressão</p><p>religiosa.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>41</p><p>parâmetros próprios à responsabilidade, nos campos cível e penal, de quem a implemente</p><p>(HC 84.827, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 7-8-07, DJ de 23-11-07).</p><p>Lembrar que a liberdade de expressão</p><p>jamais poderá ser invocada diante da</p><p>tipificação de um ato ilícito, a exemplo de</p><p>crimes de racismo, homofobia, etc. E que</p><p>o seu exercício tem limites, como no caso</p><p>de discurso de ódio e incitação à violência.</p><p>• Direito de resposta:</p><p>V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da</p><p>indenização por dano material, moral ou à imagem;</p><p>Possibilidade de responder a ofensa veiculada na mídia. É o Direito de reação ao uso</p><p>indevido da mídia que visa à proteção da imagem e da honra do ofendido no exercício indevido</p><p>do direito de liberdade de expressão.</p><p>Remissão fundamental é o artigo 220 e seus parágrafos, uma vez que é possível</p><p>estabelecer duas importantes questões: 1) em face da liberdade de expressão é vedada toda e</p><p>qualquer forma de censura política, artística e ideológica; 2) isso não significa que não haverá</p><p>limitações ao exercício de tais liberdade, a exemplo de programações envolvendo crianças e</p><p>adolescente, limitações em relação a propagandas comercial de tabaco, bebidas alcoólicas,</p><p>agrotóxicos, medicamentos e terapias.</p><p>Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob</p><p>qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto</p><p>nesta Constituição.</p><p>§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de</p><p>informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto</p><p>no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.</p><p>§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.</p><p>§ 3º Compete à lei federal:</p><p>I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre</p><p>a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que</p><p>sua apresentação se mostre inadequada;</p><p>II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se</p><p>defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>42</p><p>disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que</p><p>possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.</p><p>§</p><p>4º A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e</p><p>terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e</p><p>conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.</p><p>§ 5º Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de</p><p>monopólio ou oligopólio.</p><p>§ 6º A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de</p><p>autoridade.</p><p>→ Decisão relevante no assunto:</p><p>Biografias não autorizadas: ação direta de inconstitucionalidade. Arts. 20 e 21 da lei n.</p><p>10.406/2002 (Código Civil). Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada. Requisitos legais</p><p>observados. Mérito: aparente conflito entre princípios constitucionais: liberdade de</p><p>expressão, de informação, artística e cultural, independente de censura ou autorização</p><p>prévia (art. 5º incs. Iv, ix, xiv; 220, §§ 1º e 2º) e inviolabilidade da intimidade, vida privada,</p><p>honra e imagem das pessoas (art. 5º, inc. X). Adoção de critério da ponderação para</p><p>interpretação de princípio constitucional. Proibição de censura (estatal ou particular).</p><p>Garantia constitucional de indenização e de direito de resposta. Ação direta julgada</p><p>procedente para dar interpretação conforme à constituição aos arts. 20 e 21 do código</p><p>civil, sem redução de texto. (ADI 4815, relator(a): min. Cármen lúcia, Tribunal Pleno,</p><p>julgado em 10/06/2015, processo eletrônico dje-018 divulgado 29-01-2016 publicado 01-</p><p>02-2016)</p><p>• Direito à informação:</p><p>XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo</p><p>da fonte, quando necessário ao exercício profissional;</p><p>XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de</p><p>seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão</p><p>prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas</p><p>aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do</p><p>Estado</p><p>A importância desse direito é fundamental para a garantia da transparência e da</p><p>democracia, pois permite que os cidadãos tenham acesso a informações relevantes para a</p><p>tomada de decisões e o exercício da cidadania. Além disso, o direito à informação é um</p><p>importante instrumento de controle social sobre as ações dos governos e das empresas,</p><p>permitindo que a população tenha acesso a dados sobre a gestão pública, a política econômica</p><p>e social, a violação de direitos humanos, entre outros temas relevantes para a sociedade. Dessa</p><p>forma, a garantia do direito à informação é um dos pilares para o fortalecimento da democracia</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>43</p><p>e para o combate à corrupção, uma vez que permite que a população tenha acesso às</p><p>informações necessárias para fiscalizar a atuação dos poderes públicos e privados.</p><p>O direito à informação comporta direito de se informar, de ser informado e de passar</p><p>a informação!</p><p>→ Direito de se informar:</p><p>É uma limitação estatal em frente à esfera individual, que permite ao sujeito</p><p>pesquisar, buscar informações de seu interesse, salvo art. 5° XXXIII, da CF (matérias</p><p>sigilosas) e art. 5º, XIV, da CF (profissionais de informação quanto ao sigilo das fontes).</p><p>Observação: em se tratando de informação relativa ao próprio sujeito quanto a</p><p>informações em cadastros públicos, banco de dados ou outra de caráter público, a CF em</p><p>seu art. 5º, LXXII, a garantia do remédio constitucional do habeas data.</p><p>→ Direito de ser informado:</p><p>Enquanto forma de direito de receber informação, só pode ser investido,</p><p>reivindicado, diante quando simultaneamente atribui a outrem o DEVER de informar, que</p><p>em termos na CF, atribui-se apenas ao Poder Público, conforme art. 5º, XXXIII, e art. 37,</p><p>caput.</p><p>→ Direito de passar informação:</p><p>É o teor do caput do art. 220 da CF, no qual se admite que, por qualquer forma,</p><p>processo ou veiculação, a informação não sofrerá qualquer espécie de restrição,</p><p>observado o disposto nesta Constituição (art. 220 e parágrafos e art. 221), vedada</p><p>qualquer forma de censura de caráter político, ideológico e artístico.</p><p>Além da previsão constitucional, tem-se o regimento da Lei de Acesso à Informação, a Lei</p><p>nº 12.527/11, em que a transparência está associada à divulgação de informações que permitam</p><p>que sejam averiguadas as ações dos gestores e a consequente responsabilização por seus atos.</p><p>Na definição de transparência, são identificadas características em relação à informação</p><p>completa, objetiva, confiável e de qualidade, ao acesso, à compreensão e aos canais totalmente</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>44</p><p>abertos de comunicação. Engloba os seguintes atributos: acesso, abrangência, relevância,</p><p>qualidade e confiabilidade.</p><p>A partir dessa lei, a regra passou a ser o acesso à informação, enquanto que a exceção</p><p>se dá pela possibilidade de sigilo em caso de segurança do Estado e interesse público ou casos</p><p>que se justifiquem em decorrência da preservação da privacidade intimidade (segredo de justiça).</p><p>São algumas das disposições legais:</p><p>Art. 1º Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, Estados,</p><p>Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações previsto no</p><p>inciso XXXIII do art. 5º , no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição</p><p>Federal.</p><p>Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei:</p><p>I - os órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo,</p><p>Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do Ministério Público;</p><p>II - as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de</p><p>economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União,</p><p>Estados, Distrito Federal e Municípios.</p><p>Art. 2o Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, às entidades privadas sem</p><p>fins lucrativos que recebam, para realização de ações de interesse público, recursos</p><p>públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais, contrato de gestão,</p><p>termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou outros instrumentos congêneres.</p><p>Art. 24 A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu teor e</p><p>em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser</p><p>classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada.</p><p>§ 1o Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a classificação</p><p>prevista no caput, vigoram a partir da data de sua produção e são os seguintes:</p><p>I - ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos;</p><p>II - secreta: 15 (quinze) anos; e</p><p>III - reservada: 5 (cinco) anos.</p><p>→ Decisão do STF no assunto:</p><p>Atividade parlamentar e o direito à informação. O Plenário do STF deu provimento</p><p>a recurso extraordinário e fixou a seguinte tese de repercussão geral (Tema 832): "O</p><p>parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu direito fundamental</p><p>de acesso a informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º, inciso</p><p>XXXIII, da Constituição Federal e das normas de regência desse direito".</p><p>O Tribunal entendeu que o parlamentar, na qualidade de cidadão, não pode ter</p><p>cerceado o exercício do seu direito de acesso, via requerimento administrativo ou judicial,</p><p>a documentos e informações sobre a gestão pública, desde que não estejam,</p><p>excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à aprovação de Comissão Parlamentar</p><p>de Inquérito (CPI). O fato de as casas legislativas, em determinadas situações, agirem de</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>45</p><p>forma colegiada, por intermédio de seus órgãos, não afasta, tampouco restringe, os</p><p>direitos inerentes ao parlamentar como indivíduo. RE 865401/MG, rel. Min. Dias Toffoli,</p><p>julgamento em 25.4.2018. (RE-865401) (Informativo 899).</p><p>• Liberdade de reunião e manifestação em praça pública:</p><p>XVI - todos podem reunir-se</p><p>pacificamente, sem armas, em locais abertos</p><p>ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem</p><p>outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas</p><p>exigido prévio aviso à autoridade competente;</p><p>Esse direito garante que as pessoas possam se reunir pacificamente, sem armas, em</p><p>locais públicos ou privados, desde que não prejudiquem a ordem pública. A importância desse</p><p>direito é inegável, pois a reunião pacífica é uma forma legítima de expressão da opinião pública</p><p>e uma forma de participação política, além de ser um meio efetivo de pressionar as autoridades</p><p>para que atuem em prol dos interesses da população. É por isso que a liberdade de reunião é</p><p>um dos pilares da democracia, permitindo que as pessoas se organizem e se mobilizem em prol</p><p>de suas causas, sem medo de retaliações ou censuras. Além disso, a garantia da liberdade de</p><p>reunião é um indicador de que o Estado Democrático de Direito está consolidado e respeito os</p><p>direitos e garantias fundamentais previstos da Constituição.</p><p>Este é um direito, notadamente marcado pelo repúdio ao regime militar, anos de repressão</p><p>a direitos, especialmente, liberdades. O foco principal é a garantia da manifestação coletiva do</p><p>pensamento.</p><p>→ Requisitos essenciais para a “liberdade de reunião”:</p><p>− Ser pacífica;</p><p>− Sem armas;</p><p>− Não frustrar outra reunião agendada;</p><p>− Locais abertos ao público;</p><p>− Prévia comunicação das autoridades competentes;</p><p>− Fim lícito e determinado.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>46</p><p>→ Decisão do STF sobre a comunicação das autoridades em relação a</p><p>liberdade de reunião:</p><p>RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO</p><p>CONSTITUCIONAL. DIREITO DE MANIFESTAÇÃO. DIREITO DE REUNIÃO E DE</p><p>EXPRESSÃO. AVISO PRÉVIO. DESNECESSIDADE. PROVIMENTO DO RECURSO</p><p>EXTRAORDINÁRIO. 1. Em uma sociedade democrática, o espaço público não é apenas</p><p>um lugar de circulação, mas também de participação. Há um custo módico na convivência</p><p>democrática e é em relação a ele que eventual restrição a tão relevante direito deve ser</p><p>estimada. 2. O aviso ou notificação prévia visa permitir que o poder público zele para que</p><p>o exercício do direito de reunião se dê de forma pacífica e que não frustre outra reunião</p><p>no mesmo local. Para que seja viabilizado, basta que a notificação seja efetiva, isto é, que</p><p>permita ao poder público realizar a segurança da manifestação ou reunião. 3.</p><p>Manifestações espontâneas não estão proibidas nem pelo texto constitucional, nem pelos</p><p>tratados de direitos humanos. A inexistência de notificação não torna ipso facto ilegal a</p><p>reunião. 4. A notificação não precisa ser pessoal ou registrada, porque implica reconhecer</p><p>como necessária uma organização que a própria Constituição não exigiu. 5. As</p><p>manifestações pacíficas gozam de presunção de legalidade, vale dizer, caso não seja</p><p>possível a notificação, os organizadores não devem ser punidos por sanções criminais ou</p><p>administrativas que resultem multa ou prisão. 6. Tese fixada: A exigência constitucional</p><p>de aviso prévio relativamente ao direito de reunião é satisfeita com a veiculação de</p><p>informação que permita ao poder público zelar para que seu exercício se dê de forma</p><p>pacífica ou para que não frustre outra reunião no mesmo local.</p><p>Atenção! Não confundir liberdade de reunião com liberdade de associação.</p><p>• Liberdade de associação:</p><p>XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de</p><p>caráter paramilitar;</p><p>XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de Cooperativas</p><p>independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu</p><p>funcionamento;</p><p>É um direito fundamental para a garantia da autonomia e da diversidade de pensamento,</p><p>permitindo que as pessoas se organizem em grupos para defenderes seus interesses,</p><p>expressarem suas opiniões e participarem ativamente da vida política e social do país. A</p><p>liberdade de associação também é um importante instrumento de fortalecimento da sociedade</p><p>civil, possibilitando a criação de organizações não governamentais, sindicatos, associações de</p><p>bairro, grupos de defesa dos direitos humanos, entre outas, que têm como objetivo a promoção</p><p>do bem comum e a defesa dos direitos e interesses dos cidadãos.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>47</p><p>Vale tanto para associações como para cooperativas. O art. 5º, XIX, da CF/88 trata do</p><p>encerramento e suspensão das atividades das associações:</p><p>→ Suspensão: é temporária, provisória;</p><p>→ Dissolução: é definitiva e só ocorre após o trânsito em julgado de sentença</p><p>judicial que decretar a dissolução.</p><p>A regra geral é a garantia de permanência e funcionamento até a desconstituição por seus</p><p>associados. Mas, tem-se a possibilidade de a decisão judicial, como única e exclusiva forma que</p><p>pode mandar impedir, mandar fechar, encerrar as atividades (não cabe processo administrativo).</p><p>O art. 5º, XXI, da CF trata do direito de representação da associação: as entidades</p><p>associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus</p><p>filiados judicial ou extrajudicialmente”. No tema, tem-se a Súmula nº 629, do STF: "A impetração</p><p>de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe</p><p>da autorização destes".</p><p>→ A representação, assim, tem as seguintes características:</p><p>− Judicial;</p><p>− Extrajudicial;</p><p>− Autorização deve ser expressa;</p><p>− Procuração;</p><p>− Decisão em assembleia;</p><p>− Conformidade com o estatuto.</p><p>Atenção! Cuidado com a finalidade da representação, pois a representação</p><p>somente autoriza fazer aquilo que tiver relação com aquilo que se propõe a</p><p>associação.</p><p>→ Decisões importantes do STF:</p><p>Quanto à contribuição confederativa, o STF editou a Súmula Vinculante nº 40, que</p><p>estabelece: “A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>48</p><p>Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo”. Já no que toca à contribuição</p><p>sindical, houve mudança recente quanto a sua obrigatoriedade. Entendeu-se compatíveis</p><p>com a CF/88 os dispositivos da Reforma Trabalhista que extinguiram a obrigatoriedade</p><p>da contribuição sindical e condicionaram o seu pagamento à prévia e expressa</p><p>autorização dos filiados.</p><p>O STF asseverou que a Constituição assegura a livre associação profissional ou</p><p>sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato,</p><p>consoante art. 8º, V, da CF/88. O princípio da liberdade sindical garante tanto ao</p><p>trabalhador quanto ao empregador a liberdade de se associar, passando a contribuir</p><p>voluntariamente com essa representação.</p><p>Ademais, nos autos do Recuso Extraordinário nº 820.823-DF, o STF estabeleceu</p><p>que o condicionamento da desfiliação de associado à quitação de débitos e/ou multas</p><p>constitui ofensa à dimensão negativa do direito à liberdade de associação, isto é, o direito</p><p>de não se associar, cuja previsão constitucional é expressa.</p><p>• Liberdade de consciência e liberdade religiosa:</p><p>VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado</p><p>o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção</p><p>aos locais de culto e a suas liturgias;</p><p>O Brasil é um Estado laico, que se define por ser um “estado separado da religião”, isto é,</p><p>que não possui uma religião oficial. A opção por laicidade do vem desde a Constituição de 1891,</p><p>e no texto da Constituição de 1988 está expresso no seguinte dispositivo:</p><p>Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o</p><p>funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou</p><p>aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;</p><p>José Afonso</p><p>da Silva (2002, p. 240) explica que: “na liberdade de crença entra a liberdade</p><p>de escolha da religião, a liberdade de aderir a qualquer seita religiosa, a liberdade (ou o direito)</p><p>de mudar de religião, mas também compreende a liberdade de não aderir a religião alguma,</p><p>assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser ateu e de exprimir o agnosticismo”.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>49</p><p>→ No tema, tem-se as seguintes decisões do STF:</p><p>Repercussão geral do RE 611.874 DF – Rel. Min. Dias Toffoli. MANDADO DE</p><p>SEGURANÇA. PRETENDIDA AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE ETAPA DE</p><p>CONCURSO PÚBLICO EM HORÁRIO DIVERSO DAQUELE DETERMINADO PELA</p><p>COMISSÃO ORGANIZADORA DO CERTAME POR FORÇA DE CRENÇA RELIGIOSA.</p><p>PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EM CONFLITO. MATÉRIA PASSÍVEL DE</p><p>REPETIÇÃO EM INÚMEROS PROCESSOS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA.</p><p>Posição provisória do STF (STA 389): Agravo Regimental em Suspensão de Tutela</p><p>Antecipada. 2. Pedido de restabelecimento dos efeitos da decisão do Tribunal a quo que</p><p>possibilitaria a participação de estudantes judeus no Exame Nacional do Ensino Médio</p><p>(ENEM) em data alternativa ao Shabat 3. Alegação de inobservância ao direito</p><p>fundamental de liberdade religiosa e ao direito à educação. 4. Medida acautelatória que</p><p>configura grave lesão à ordem jurídico-administrativa. 5. Em mero juízo de delibação,</p><p>pode-se afirmar que a designação de data alternativa para a realização dos exames não</p><p>se revela em sintonia com o princípio da isonomia, convolando-se em privilégio para um</p><p>determinado grupo religioso 6. Decisão da Presidência, proferida em sede de</p><p>contracautela, sob a ótica dos riscos que a tutela antecipada é capaz de acarretar à ordem</p><p>pública 7. Pendência de julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 391 e</p><p>nº 3.714, nas quais este Corte poderá analisar o tema com maior profundidade. 8. Agravo</p><p>Regimental conhecido e não provido.</p><p>Atenção! ADI 3714 - Lei Paulista Data alternativa motivos religiosos.</p><p>VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa</p><p>nas entidades civis e militares de internação coletiva;</p><p>É relevante referir que mesmo em locais de internação e confinamento particulares e</p><p>pertencentes a determinada orientação religiosa, o direito garantido no art. 5 VII deverá ser</p><p>assegurado, uma vez que se sabe que os direitos fundamentais também incidem nas relações</p><p>interprivadas. Assim, sejam tais locais públicos ou privados, esse direito fundamental estará</p><p>assegurado pela Constituição de 1988.</p><p>• Escusa de consciência:</p><p>VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de</p><p>convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de</p><p>obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação</p><p>alternativa, fixada em lei;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>50</p><p>Aquele que alegar afronta a convicção religiosa para não prestar serviço militar receberá</p><p>uma prestação alternativa - em caso de não cumprimento tem como punição a perda dos direitos</p><p>políticos, conforme art. 15, IV.</p><p>→ Decisões importantes do STF quanto à liberdade religiosa:</p><p> Ensino confessional nas escolas públicas: O Estado, observado o</p><p>binômio Laicidade do Estado (art. 19, I) / Consagração da Liberdade</p><p>religiosa (art. 5º, VI) e o princípio da igualdade (art. 5º, caput), deverá</p><p>atuar na regulamentação do cumprimento do preceito constitucional</p><p>previsto no art. 210, §1º, autorizando na rede pública, em igualdade de</p><p>condições, o oferecimento de ensino confessional das diversas crenças,</p><p>mediante requisitos formais e objetivos previamente fixados pelo</p><p>Ministério da Educação. Dessa maneira, será permitido aos alunos que</p><p>voluntariamente se matricularem o pleno exercício de seu direito</p><p>subjetivo ao ensino religioso como disciplina dos horários normais das</p><p>escolas públicas de ensino fundamental, ministrada de acordo com os</p><p>princípios de sua confissão religiosa, por integrantes da mesma,</p><p>devidamente credenciados e, preferencialmente, sem qualquer ônus</p><p>para o Poder Público. STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig. Min. Roberto</p><p>Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/9/2017</p><p>(Info 879).</p><p> Quanto à difusão de conteúdo religioso em emissoras de radiofusão</p><p>comunitária, o Plenário do STF julgou procedente pedido formulado em</p><p>ação direta para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 4º da Lei</p><p>9.612/1998. O dispositivo proibia, no âmbito da programação das</p><p>emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, isto é,</p><p>a transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma</p><p>doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia.</p><p>Prevaleceu o entendimento do ministro Edson Fachin no sentido de que</p><p>a norma impugnada afrontava os artigos 5º, IV, VI e IX, e 220, da CF/88.</p><p>Dessa forma, a liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o</p><p>uso de argumentos críticos, o consenso e o debate público informado e</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>51</p><p>pressupõe a livre troca de ideias e não apenas a divulgação de</p><p>informações.</p><p> Outro tema relevante é o sacrifício de animais em rituais religiosos,</p><p>em que o STF se manifestou pela constitucionalidade material e formal</p><p>de leis estaduais que garantam o exercício de liberdade religiosa. Assim,</p><p>entendeu-se como constitucional lei de proteção animal que, a fim de</p><p>resguardar a liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em</p><p>cultos de religiões de matriz africana. A laicidade do Estado, no caso,</p><p>veda o menosprezo ou a supressão de rituais, principalmente no tocante</p><p>a religiões minoritárias ou revestidas de profundo sentido histórico e</p><p>social. A CF/88 promete uma sociedade livre de preconceitos, entre os</p><p>quais o religioso. A cultura afro-brasileira merece maior atenção do</p><p>Estado, por conta de sua estigmatização, fruto de preconceito estrutural.</p><p> No que toca à imunidade tributária de templos, tem-se a garantia</p><p>constitucional de que templos não necessitam pagar IPTU aos</p><p>municípios, vez que possuem imunidade, e que esta foi ampliada,</p><p>incluindo não apenas os proprietários, mas também os locatários. A</p><p>Emenda Constitucional nº 116, acresceu ao artigo 156 da Constituição o</p><p>§ 1º-A, que estabelece: “§ 1º-A O imposto previsto no inciso I do caput</p><p>deste artigo não incide sobre templos de qualquer culto, ainda que as</p><p>entidades abrangidas pela imunidade de que trata a alínea "b" do inciso</p><p>VI do caput do art. 150 desta Constituição sejam apenas locatárias do</p><p>bem imóvel”.</p><p>• Liberdade de locomoção:</p><p>Esse direito garante que todos os indivíduos possam se deslocar livremente pelo território</p><p>nacional, sem sofrer restrições arbitrárias ou abusivas por parte do Estado. Além disso, a</p><p>liberdade de locomoção é fundamental para o exercício de outros direitos, tais como o direito ao</p><p>trabalho, à educação, à saúde, à cultura, entre outros.</p><p>No entanto, a Constituição também prevê que essa liberdade pode ser restrita em casos</p><p>específicos, a exemplo da prisão em flagrante delito ou em decorrência de sentença criminal</p><p>transitada em julgado. Nesses casos, a restrição deve ocorrer de forma fundamentada e com</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art156%C2%A71a</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>52</p><p>respeito aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório, da ampla</p><p>defesa e da presunção de inocência. Assim, a liberdade de locomoção é um direito fundamental</p><p>importante para a garantia da liberdade individual e do Estado Democrático de Direito, mas que</p><p>pode ser restringido em situações específicas previstas em lei e em conformidade com a</p><p>Constituição.</p><p>→ Dispositivos relacionados:</p><p>XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz,</p><p>podendo</p><p>qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair</p><p>com seus bens;</p><p>LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e</p><p>fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de</p><p>transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;</p><p>LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão</p><p>comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à</p><p>pessoa por ele indicada;</p><p>LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de</p><p>permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de</p><p>advogado;</p><p>LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão</p><p>ou por seu interrogatório policial;</p><p>LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade</p><p>judiciária;</p><p>• Direitos Constitucionais da pessoa presa (privada da liberdade):</p><p>LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir</p><p>a liberdade provisória, com ou sem fiança;</p><p>LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo</p><p>inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do</p><p>depositário infiel;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>53</p><p>O Direito a não ser obrigado a se autoincriminar compõe o direito à defesa.</p><p>→ Decisão do STF em habeas corpus preventivo e CPI:</p><p>MEDIDA CAUTELAR NO HABEAS CORPUS 204.422 DISTRITO FEDERAL RELATOR:</p><p>MIN. ROBERTO BARROSO. Comissão parlamentar de inquérito do senado federal - cpi</p><p>da pandemia constitucional. Habeas corpus preventivo. “cpi da pandemia”. Nemo tenetur</p><p>se detegere. O direito de permanecer em silêncio é constitucionalmente garantido ao réu</p><p>ou indiciado, não à testemunha. Dever de comparecer, de depor e de dizer a verdade</p><p>quanto aos fatos em tese criminosos que não incriminem a paciente. Liminar parcialmente</p><p>deferida.</p><p>• Liberdade laboral:</p><p>XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas</p><p>as qualificações profissionais que a lei estabelecer;</p><p>A Constituição assegura a liberdade de exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,</p><p>atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Trata-se, portanto, de norma</p><p>constitucional de eficácia contida, podendo lei infraconstitucional limitar o seu alcance, fixando</p><p>condições ou requisitos para o pleno exercício da profissão.</p><p>É o que acontece com o Exame de Ordem (art. 8.º, IV, da Lei nº 8.906/94), cuja aprovação</p><p>é um dos requisitos essenciais para que o bacharel em direito possa inscrever-se junto à OAB</p><p>como advogado e que, inclusive, foi declarado constitucional pelo STF no julgamento do RE</p><p>603.583 (Rel. Min. Marco Aurélio, j. 26.10.2011, Plenário, DJE de 25.05.2012, com repercussão</p><p>geral, Inf. 646/STF).</p><p>Em outro precedente interessante, o STF entendeu que a profissão de músico não exige</p><p>a inscrição em conselho de fiscalização, deixando claro essa necessidade apenas quando</p><p>houver potencial lesivo na atividade. A regra, portanto, é a liberdade, e, ademais, a atividade de</p><p>Direito à comunicação do local de</p><p>sua prisão; Direito ao silêncio;</p><p>Direito à assistência da família e</p><p>de advogado;</p><p>Direito à identificação dos</p><p>captores e dos interrogadores.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>54</p><p>músico encontra garantia na liberdade de expressão, enquanto manifestação artística (cf. RE</p><p>414.426, Rel. Min. Ellen Gracie, j. 1.º.08.2011, Plenário, DJE de 10.10.2011).</p><p>1.5. Direito à intimidade e vida privada, honra e a imagem</p><p>X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das</p><p>pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral</p><p>decorrente de sua violação;</p><p>A tutela constitucional visa proteger as pessoas de atentados particulares: ao segredo da</p><p>vida privada e à liberdade da vida privada. A privacidade está relacionada com a vida privada em</p><p>sentido amplo e, portanto, com todas as relações pessoais, tanto aquelas de caráter íntimo como</p><p>aquelas de cunho profissional, comercial, entre outras.</p><p>Engloba, entre outros a proteção em geral da:</p><p>→ Interferência na vida familiar e doméstica;</p><p>→ Integridade física e moral;</p><p>→ Ataques a honra e a reputação;</p><p>→ Comunicação dos fatos relevantes/ embaraçosos relativos à privacidade;</p><p>→ Utilização do nome, identidade e ou retrato;</p><p>→ Sigilo das comunicações;</p><p>→ Intervenção de correspondência – internamente;</p><p>→ Espionagem;</p><p>→ Má utilização de informações escritas e orais;</p><p>→ Transmissão de dados em virtude de sigilo profissional, nos casos em que a</p><p>profissão; exige resguardo de sigilo;</p><p>→ Dados bancários e outras informações;</p><p>→ Proteção do domicílio.</p><p>• Conceito e conteúdo:</p><p>A Constituição declara invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das</p><p>pessoas (art. 5o, X); portanto, erigiu, expressamente, esses valores humanos à condição de</p><p>direito individual, considerando-os direitos conexos ao da vida.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>55</p><p>Obs.: A privacidade está relacionada com a vida privada em sentido amplo e, portanto,</p><p>com todas as relações pessoais, tanto aquelas de caráter íntimo como aquelas de cunho</p><p>profissional, comercial, entre outras. Assim, outros direitos fundamentais funcionam como</p><p>garantias do direito à privacidade:</p><p>→ a inviolabilidade do sigilo de correspondência;</p><p>→ a inviolabilidade do lar e local de trabalho;</p><p>→ a proteção dos dados pessoais.</p><p>1.6. Proteção do domicílio</p><p>XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar</p><p>sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou</p><p>desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação</p><p>judicial;</p><p>Como a proteção ao domicílio está relacionada sob o manto constitucional a proteção da</p><p>intimidade e vida privada, é importante que se diga que pela perspectiva constitucional domicílio</p><p>é um conceito alargado, ou seja, não apenas o local em que o sujeito reside, mas qualquer local</p><p>onde desenvolve sua privacidade, intimidade, ainda que, provisoriamente.</p><p>• Conceito de casa:</p><p>Para fins constitucionais, casa possui um conceito extremamente amplo, incluindo locais</p><p>provisórios, como quartos de hotéis, casas de praia etc., bem como o local de trabalho.</p><p>• Conceito de dia:</p><p>Das 6h às 18h.</p><p>Obs.: A prova coletada sem o respeito à proteção do domicílio, por violar a</p><p>intimidade ou privacidade, constitui prova ilícita.</p><p>1.7. Proteção ao sigilo das comunicações</p><p>XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações</p><p>telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>56</p><p>caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer</p><p>para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;</p><p>Engloba a proteção de todo o tipo de comunicação, reservado o seu direito de não ser</p><p>violado, com exceção de determinação judicial.</p><p>• Âmbito de proteção:</p><p>Engloba a proteção de todo tipo de comunicação, reservado o seu direito de não ser</p><p>violado, com exceção de determinação judicial. Ex.: telefônico; telégrafos (entende-se o e-mail</p><p>por analogia); dados; correspondência.</p><p>→ Quebra do sigilo telefônico:</p><p>Sempre como última medida. A Lei no 9.296/1996, estabelece que somente é</p><p>permitido em processos penais, nos crimes punidos com pena de reclusão quando houver:</p><p>fortes indícios de autoria (para reforçar a prova); insuficiência de provas para a</p><p>comprovação da autoria.</p><p>→ Quem poderá pedir a quebra de sigilo telefônico ao juiz competente?</p><p>Autoridade policial do inquérito; Ministério Público em inquérito e processo penal;</p><p>juiz de ofício (somente se o processo estiver em andamento); o art. 58, § 3o, traz o</p><p>entendimento de que a CPI</p><p>poderia pedir.</p><p>→ Prazo:</p><p>O prazo legal é de 15 dias – prorrogáveis por mais 15 dias (art. 5o da Lei no</p><p>9.296/1996). Em casos extraordinários, a jurisprudência tem entendido e admitido a</p><p>extensão do prazo.</p><p>Tema 661 - Possibilidade de prorrogações sucessivas do prazo de autorização</p><p>judicial para interceptação telefônica. Repercussão geral no recurso extraordinário:</p><p>RE 625263: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º; 93, IX e 136,</p><p>§ 2º, da Constituição federal, a possibilidade de se renovar sucessivamente a autorização</p><p>de interceptação telefônica, sem limite definido de prazo — seja de 30 (trinta) dias, previsto</p><p>no art. 5º da Lei 9.296/1996, seja de 60 (sessenta) dias, nos moldes do art. 136, § 2º, da</p><p>Constituição Federal —, por decisão judicial fundamentada, ainda que de forma sucinta.</p><p>São ilegais as motivações padronizadas ou reproduções de modelos genéricos sem</p><p>relação com o caso concreto. Tese: São lícitas as sucessivas renovações de interceptação</p><p>https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=3906320</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>57</p><p>telefônica, desde que, verificados os requisitos do artigo 2º da Lei nº 9.296/1996 e</p><p>demonstrada a necessidade da medida diante de elementos concretos e a complexidade</p><p>da investigação, a decisão judicial inicial e as prorrogações sejam devidamente motivadas,</p><p>com justificativa legítima, ainda que sucinta, a embasar a continuidade das investigações.</p><p>→ Sigilo bancário e fiscal:</p><p>Só podem ser relativizados, com a devida fundamentação, por: decisão judicial; ou</p><p>CPI (do legislativo federal e estadual (autorizadas pelas CE) e Administração Tributária.</p><p>Não podem quebrar o sigilo bancário, devendo solicitar autorização judiciária:</p><p>Ministério Público (RE 215.301) e a Polícia Judiciária. O MP foi autorizado no MS 21.729</p><p>a obter diretamente os dados por tratar-se de empresa com participação no erário público</p><p>(patrimônio e interesse público).</p><p>1.8. Proteção de Dados</p><p>LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados</p><p>pessoais, inclusive nos meios digitais.</p><p>Art. 22 Competência privativa da União para legislar sobre: (...) XXX -</p><p>proteção e tratamento de dados pessoais.</p><p>A fiscalização e a regulação da LGPD ficarão a cargo da Autoridade Nacional de Proteção</p><p>de Dados Pessoais (ANPD) e será vinculada à Presidência da República, e com autonomia</p><p>técnica garantida pela lei.</p><p>A Lei no 13.709/2018 é a norma que regulamenta o tratamento de dados pessoais</p><p>coletados ou compartilhados, inclusive por meios digitais.</p><p>Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais,</p><p>por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de</p><p>proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento</p><p>da personalidade da pessoa natural.</p><p>Parágrafo único. As normas gerais contidas nesta Lei são de interesse nacional e devem</p><p>ser observadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.</p><p>Art. 2º A disciplina da proteção de dados pessoais tem como fundamentos:</p><p>I - o respeito à privacidade;</p><p>II - a autodeterminação informativa;</p><p>III - a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião;</p><p>IV - a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem;</p><p>V - o desenvolvimento econômico e tecnológico e a inovação;</p><p>VI - a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor; e</p><p>VII - os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personalidade, a dignidade e o</p><p>exercício da cidadania pelas pessoas naturais.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>58</p><p>A amplitude e a forma como a Lei organiza como deve se dar o tratamento dos dados,</p><p>trabalha criteriosamente a distinção que deve se dar ao tratamento de dados “sensíveis”, deveres</p><p>dos responsáveis pelo armazenamento dos dados e sua correta forma de manuseio,</p><p>transparência no trato do dado, a exemplo das informações relativas ao compartilhamento,</p><p>direitos dos titulares dos dados, responsabilizações e sanções, bem como, inova ao criar a</p><p>chamada Autoridade Nacional de Proteção de Dados.</p><p>Sua intencionalidade é abrangente, conforme anuncia em seu art. 1º, com intuito de</p><p>proteger a liberdade e privacidade, garantido o desenvolvimento da personalidade humana em</p><p>condições de respeito à dignidade. Sua abrangência é, portanto, de regular todo: (..) o tratamento</p><p>de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de</p><p>direito público ou privado (...)”. Dessa forma, pode afirmar que a legislação é clara e contundente</p><p>ao afirmar que todos os dados pessoais tratados por pessoas jurídicas de direito público e</p><p>privado, coletados no Brasil e que seus titulares estejam em território nacional, estendendo-se</p><p>aqueles que tenham oferta de produtos no território nacional, estão albergados pela Lei. A</p><p>contrário sensu, não se aplica o disposto na Lei, aos dados realizados por pessoa natural para</p><p>fins exclusivamente particulares e não econômicos ou com a finalidade jornalísticas e artísticas</p><p>ou acadêmicas. Também aqueles dados segurança pública, defesa nacional, segurança do</p><p>Estado ou atividades de investigação e repressão de infrações penais.</p><p>1.9. Direito de propriedade</p><p>Esse direito garante que as pessoas possam ter a posse, o uso, a disposição e o gozo de</p><p>seus bens de forma plena, desde que respeitem a função social da propriedade e as limitações</p><p>previstas em lei. A importância desse direito é fundamental para a garantia da segurança jurídica</p><p>e da estabilidade econômica, pois permite que as pessoas possam investir em seus bens e</p><p>utilizar seus recursos de forma produtiva.</p><p>XXII - é garantido o direito de propriedade;</p><p>XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;</p><p>XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por</p><p>necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e</p><p>prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta</p><p>Constituição;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>59</p><p>XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá</p><p>usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização</p><p>ulterior, se houver dano;</p><p>XXVI - a pequena propriedade rural (4 módulos fiscais), assim definida em</p><p>lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para</p><p>pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a</p><p>lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;</p><p>• Função social da propriedade na Constituição:</p><p>Art. 185 da CF: São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:</p><p>I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário</p><p>não possua outra;</p><p>II - a propriedade produtiva.</p><p>Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará</p><p>normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.</p><p>Art. 186 da CF: A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,</p><p>simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos</p><p>seguintes requisitos:</p><p>I - aproveitamento racional e adequado;</p><p>II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio</p><p>ambiente;</p><p>III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;</p><p>IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.</p><p>→ Desapropriação:</p><p>É a perda da propriedade privada para o Estado. A constituição prevê as formas de</p><p>desapropriação:</p><p> Necessidade, utilidade e interesse social: Art. 5º, inciso XXIV, da CF:</p><p>a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade</p><p>ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia</p><p>indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta</p><p>Constituição;</p><p> Interesse social para fins de reforma agrária: Ocorre apenas nas</p><p>médias e grandes propriedades improdutivas, sendo que a Indenização</p><p>é em títulos da dívida agrária resgatáveis em 20 anos, excetuando-se a</p><p>indenização pelas benfeitorias úteis e necessárias que serão</p><p>indenizáveis de forma prévia e em dinheiro.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>60</p><p>As hipóteses estão previstas na Constituição:</p><p>Art. 184 da CF: Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma</p><p>agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa</p><p>indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,</p><p>resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja</p><p>utilização será definida em lei.</p><p>§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.</p><p>§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária,</p><p>autoriza a União a propor a ação de desapropriação.</p><p>§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito</p><p>sumário, para o processo judicial de desapropriação.</p><p>§ 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como</p><p>o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.</p><p>§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de</p><p>transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.</p><p>Atenção ao caso de propriedade urbana:</p><p>Art. 182 da CF: A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público</p><p>municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno</p><p>desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.</p><p>Política urbana é executada pelo Município, porém as diretrizes de</p><p>desenvolvimento urbano estão em lei da União (art. 22 da CF + Estatuto da Cidade, Lei</p><p>nº 10.257):</p><p>§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais</p><p>de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de</p><p>expansão urbana.</p><p>§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências</p><p>fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.</p><p>Conceito de função social: atender ao plano diretor</p><p>§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no</p><p>plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado,</p><p>subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena,</p><p>sucessivamente, de:</p><p>I - parcelamento ou edificação compulsórios;</p><p>II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;</p><p>III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão</p><p>previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em</p><p>parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros</p><p>legais.</p><p>→ Expropriação:</p><p>É a perda da propriedade para o Estado sem qualquer indenização ao proprietário</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>61</p><p>Art. 243 da CF: As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem</p><p>localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo</p><p>na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de</p><p>habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras</p><p>sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. Parágrafo</p><p>único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico</p><p>ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado</p><p>e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.</p><p>1.10. Direitos Autorais</p><p>É importante destacar que a CF/88 também prevê a proteção da propriedade intelectual,</p><p>garantindo que as pessoas possam ter direitos sobre suas criações e invenções.</p><p>XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação</p><p>ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que</p><p>a lei fixar;</p><p>XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:</p><p>a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à</p><p>reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades</p><p>desportivas;</p><p>b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que</p><p>criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às</p><p>respectivas representações sindicais e associativas;</p><p>Desapropriação</p><p>Necessidade ou utilidade pública ou interesse social (indenização:</p><p>justa prévia e em dinheiro);</p><p>Solo urbano, não edificado ou subutilizado (pelo município, lei</p><p>específica municipal nos termos da lei federal e a indenização é</p><p>em títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até 10</p><p>anos) – art. 182, §4º, CF;</p><p>Interesse Social para fins da Reforma Agrária (pela União,</p><p>indenização, justa, prévia em títulos da dívida agrária</p><p>resgatáveis em até 20 anos) – art. 184, CF;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>62</p><p>XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio</p><p>temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais,</p><p>à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos</p><p>distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento</p><p>tecnológico e econômico do País;</p><p>Nota-se que a Propriedade Industrial é um privilégio temporário, já o direito autoral é um</p><p>privilégio vitalício, podendo ser transmitido aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar (em regra 70</p><p>anos após a morte do autor).</p><p>1.11. Defesa do Consumidor</p><p>XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;</p><p>Além da previsão no rol do art. 5º, há outras menções ao direito do consumidor no texto</p><p>constitucional:</p><p>Art. 24: “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente</p><p>sobre: (...) VIII — responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e</p><p>direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico”.</p><p>Art. 129: “São funções institucionais do Ministério Público: (...) III — promover o inquérito</p><p>civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente</p><p>e de outros interesses difusos e coletivos”.</p><p>Art. 150, § 5.º: “A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos</p><p>acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços”.</p><p>Art. 170: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre-</p><p>iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça</p><p>social, observados os seguintes princípios: (...) V — defesa do consumidor”.</p><p>Art. 48 (ADCT): “O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias da promulgação da</p><p>Constituição, elaborará código de defesa do consumidor”.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>63</p><p>https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>64</p><p>GARANTIAS CONSTITUCIONAIS E DIREITOS SOCIAIS</p><p>1. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS</p><p>O Título II da CRFB/1988 refere-se aos direitos e garantias fundamentais motivo pelo qual,</p><p>é preciso ter em mente a diferenciação de direitos de garantias, para melhor compreensão do</p><p>sentido e das obrigações expressas pelo legislador constituinte nesse título. Por sua vez, Miranda</p><p>(1998, p. 88-89) esclarece a diferenciação entre direitos e garantias:</p><p>Os direitos representam por si só certos bens, as garantias destinam-se a assegurar a</p><p>fruição desses bens; os direitos são principais,</p><p>as garantias são acessórias e, muitas</p><p>delas, adjetivas (ainda que possam ser objeto de um regime constitucional substantivo);</p><p>os direitos permitem a realização das pessoas e inserem-se directa e imediatamente, por</p><p>isso, nas respectivas esferas jurídicas, só nelas se projetam pelo nexo que possuem com</p><p>os direitos; na concepção jusracionalista inicial, os direitos declaram-se, as garantias</p><p>estabelecem-se.</p><p>Em sentido restrito, vislumbram-se três espécies de garantias que na CRFB/88 se</p><p>atribuem aos direitos fundamentais. A primeira espécie de garantia diz respeito às garantias</p><p>limite, defesas postas aos direitos especiais, são proibições que visam prevenir a violação de um</p><p>direito. Para proteger a liberdade de expressão, a proibição da censura; para garantir a liberdade</p><p>pessoal e de locomoção; a proibição das prisões (salvo exceções). Servem de limite ao poder.</p><p>A segunda, denominada garantias institucionais, refere-se ao sistema de proteção organizado</p><p>para a defesa desses direitos, e no caso brasileiro, fala-se é claro, do sistema judiciário. A</p><p>terceira e última espécie de garantia é, na verdade, um elo entre a primeira e a segunda, são as</p><p>garantias instrumentais. É a defesa de direitos específicos, e ao mesmo tempo é o meio de</p><p>provocar o sistema jurisdicional, com a finalidade de realizar sua proteção. Compreende as ações</p><p>previstas pela CRFB/1988 para a defesa dos direitos fundamentais, os chamados remédios</p><p>constitucionais, tais como: habeas corpus, mandado de segurança, mandado de injunção,</p><p>habeas data, entre outros.</p><p>Art. 5º da CF:</p><p>(...)</p><p>XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;</p><p>XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;</p><p>XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>65</p><p>XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,</p><p>assegurados:</p><p>a) a plenitude de defesa;</p><p>b) o sigilo das votações;</p><p>c) a soberania dos veredictos;</p><p>d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;</p><p>XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;</p><p>XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;</p><p>XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;</p><p>XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de</p><p>reclusão, nos termos da lei;</p><p>XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática</p><p>da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como</p><p>crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo</p><p>evitá-los, se omitirem;</p><p>XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou</p><p>militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;</p><p>XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar</p><p>o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos</p><p>sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;</p><p>XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:</p><p>a) privação ou restrição da liberdade;</p><p>b) perda de bens;</p><p>c) multa;</p><p>d) prestação social alternativa;</p><p>e) suspensão ou interdição de direitos;</p><p>XLVII - não haverá penas:</p><p>a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;</p><p>b) de caráter perpétuo;</p><p>c) de trabalhos forçados;</p><p>d) de banimento;</p><p>e) cruéis;</p><p>XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza</p><p>do delito, a idade e o sexo do apenado;</p><p>XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;</p><p>L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus</p><p>filhos durante o período de amamentação;</p><p>LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum,</p><p>praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de</p><p>entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;</p><p>LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;</p><p>LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;</p><p>LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;</p><p>LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são</p><p>assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;</p><p>LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;</p><p>LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal</p><p>condenatória;</p><p>LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas</p><p>hipóteses previstas em lei;</p><p>LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no</p><p>prazo legal;</p><p>LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da</p><p>intimidade ou o interesse social o exigirem;</p><p>LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada</p><p>de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime</p><p>propriamente militar, definidos em lei;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>66</p><p>LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados</p><p>imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;</p><p>LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,</p><p>sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;</p><p>LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu</p><p>interrogatório policial;</p><p>LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;</p><p>LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade</p><p>provisória, com ou sem fiança;</p><p>LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive</p><p>nos meios digitais.</p><p>1.1. Princípio da legalidade</p><p>Traz sempre consigo a Noção de segurança jurídica, previsibilidade, anterioridade. É a</p><p>garantia individual da liberdade e uma garantia institucional de estabilidade das relações</p><p>jurídicas. A norma jurídica sempre ou obriga, ou proíbe, ou permite, pois sempre indicará um</p><p>comando, algo a ser feito, ou deixado de fazer, ou ainda permitido.</p><p>Art. 5º, inciso II, da CF: “Ninguém pode ser compelido a fazer ou deixar de fazer alguma</p><p>coisa senão em virtude de lei”. Ou seja: os comandos de proibição (deixar de fazer) ou de</p><p>obrigação (fazer) só podem ser veiculados por meio de uma lei, na falta desta, está</p><p>permitido. Excluem-se por exemplo desta noção: a tradição e o costume.</p><p>Além da previsão legal é necessária que a lei me obrigue a algo e para isso, necessita: a)</p><p>aspecto formal: regular procedimento (iniciativa, aprovação, promulgação, sanção, publicação,</p><p>vigência); b) adequado conteúdo (ser constitucional); c) ideia do devido processo legal.</p><p>• O Princípio da Estrita Legalidade:</p><p>Posto no art. 37, caput, da CF, que dirá que o administrador só poderá fazer algo em</p><p>virtude lei, exclusivamente em virtude de lei – é o princípio da legalidade voltado a administração</p><p>pública e sua responsabilidade para com seus administrados, cidadãos.</p><p>• Princípio da reserva legal:</p><p>É mais restrito, trará exigências especiais, específicas no trato de algumas matérias legais</p><p>por estarem reservadas ao trato da lei em sentido formal, não podendo ser disciplinadas por</p><p>medidas provisórias ou leis delegadas.</p><p>→ Absoluta: traz detalhamentos e especificações da matéria;</p><p>→ Relativa: se satisfaz com leis que criem regras e parâmetros gerais;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>67</p><p>Exemplo: art. 62, parágrafo 1º, I; art. 68, parágrafo 1º, art. 167, parágrafo 3º, ambos da</p><p>CF. "O princípio constitucional da reserva de lei formal traduz limitação ao exercício das</p><p>atividades administrativas e jurisdicionais do Estado”.</p><p>1.2. Princípio do devido processo legal</p><p>• Ampla defesa e contraditório:</p><p>A ampla defesa e o contraditório são princípios fundamentais do processo judicial,</p><p>garantidos pela Constituição Federal de 1988. A ampla defesa significa que toda pessoa tem o</p><p>direito de se defender de acusações ou processos judiciais, apresentando suas razões e provas</p><p>em sua defesa. Já o contraditório refere-se ao direito das partes envolvidas no processo de</p><p>apresentar seus argumentos e contestar as alegações da outra parte. Dessa forma, a ampla</p><p>defesa e o contraditório asseguram a possibilidade de defesa das partes envolvidas em um</p><p>processo judicial, garantindo que não haja decisões tomadas de forma arbitrária ou unilateral. É</p><p>um importante mecanismo de garantia dos direitos fundamentais, assegurando o direito à justiça</p><p>e à proteção contra possíveis abusos ou violações de direitos.</p><p>Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso</p><p>amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório</p><p>realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do</p><p>direito de defesa.</p><p>Súmula vinculante nº 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo</p><p>administrativo disciplinar não ofende a Constituição.</p><p>Súmula vinculante nº 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União</p><p>asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação</p><p>ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação</p><p>da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.</p><p>1.3. Juiz natural</p><p>A causa a ser julgada por um juiz imparcial, competente e pré-constituído pela lei, isto é,</p><p>constituído antes do fato ser constituído. Fica vedada a convocação ou substituição de juízes</p><p>somente para o julgamento do fato. Deve-se analisar qual o juiz competente para apreciar a</p><p>demanda só podendo haver julgamentos pelos órgãos jurisdicionais constituídos. A ordem de</p><p>competência é taxativa, não pode ser alterada. Exceção: observar os casos de desaforamento</p><p>ou continência ou conexão.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>68</p><p>1.4. Publicidade dos atos processuais</p><p>Acesso a quem tiver interesse, controle público das decisões, transparência em favor da</p><p>ordem democrática. Essa regra decorre do dever de publicidade expresso no art. 37 da CF/88.</p><p>1.5. Motivação das decisões</p><p>As decisões necessitam ser fundamentadas e fundamentadas por elementos jurídicos, de</p><p>acordo com a coerência das considerações apresentadas – engloba a garantia de atuação</p><p>imparcial e equilibrada. STF: Diz que, para a fundamentação das decisões, o juiz não necessita</p><p>considerar todos os argumentos levantados pelas partes, pode ater-se aos essenciais ao</p><p>processo para fundamentar sua decisão.</p><p>1.6. Inafastabilidade de controle jurisdicional</p><p>Completo acesso à justiça. A inafastabilidade do acesso à justiça é um princípio</p><p>fundamental do direito brasileiro, previsto na Constituição Federal de 1988. Esse princípio</p><p>significa que toda pessoa tem o direito de recorrer ao Poder Judiciário para defender seus direitos</p><p>e interesses, independentemente de sua condição social, econômica ou política.</p><p>Em outras palavras, a inafastabilidade do acesso à justiça garante que ninguém pode ser</p><p>impedido de buscar a tutela jurisdicional para solucionar seus conflitos ou reivindicar seus</p><p>direitos. Esse princípio é considerado fundamental para a garantia da igualdade de todos perante</p><p>a lei e para a efetivação dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição.</p><p>No entanto, é importante destacar que o acesso à justiça não se limita apenas ao acesso</p><p>formal ao Poder Judiciário, mas também compreende outras formas de resolução de conflitos,</p><p>como a mediação e a conciliação. O objetivo é garantir que as pessoas tenham a possibilidade</p><p>de resolver seus conflitos de forma mais rápida e eficiente, sem a necessidade de uma longa e</p><p>custosa batalha judicial. Assim, a inafastabilidade do acesso à justiça é um importante princípio</p><p>que assegura a proteção dos direitos e garantias fundamentais de todos os cidadãos,</p><p>contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.</p><p>1.7. Princípio da inadmissibilidade de provas ilícitas</p><p>a) Provas ilícitas: adquiridas por meios ilícitos;</p><p>b) Provas ilegítimas: vício processual – apresentada em momento inadequado.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>69</p><p>As provas obtidas por meios ilícitos contaminam as que são exclusivamente delas</p><p>decorrentes; tornam-se inadmissíveis no processo e não podem ensejar a investigação criminal</p><p>e, com mais razão, a denúncia, a instrução e o julgamento (CF, art. 5º, LVI, da CF), ainda que</p><p>tenha restado sobejamente comprovado, por meio delas, a autoria e materialidade dos fatos.</p><p>→ Decisão do STF no assunto:</p><p>Ação penal. Prova. Gravação ambiental. Realização por um dos interlocutores sem</p><p>conhecimento do outro. Validade. Jurisprudência reafirmada. Repercussão geral</p><p>reconhecida. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC. É lícita a prova consistente em</p><p>gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro. (RE</p><p>583.937 QO-RG, rel. min. Cezar Peluso, j. 19-11-2009, P, DJE de 18-12-2009, Tema 237).</p><p>→ Posições importantes do STF:</p><p> Impossibilidade de prisão em face de condenação criminal em segunda</p><p>instância (antes do Trânsito em julgado da Sentença); ADC 43/DF,</p><p>ADC 44/DF e ADC 54/DF: Último posicionamento do STF quanto a</p><p>possibilidade de prisão antes do trânsito em julgado da sentença;</p><p> O Plenário, em conclusão de julgamento e por maioria, julgou</p><p>procedentes pedidos formulados em ações declaratórias de</p><p>constitucionalidade para assentar a constitucionalidade do art. 283 do</p><p>CPP (1);</p><p> O relator afirmou que as ações declaratórias versam o reconhecimento</p><p>da constitucionalidade do art. 283 do CPP, no que condiciona o início</p><p>do cumprimento da pena ao trânsito em julgado do título condenatório,</p><p>tendo em vista o figurino do art. 5º, LVII, da CF (2). (Informativo 957);</p><p>Assim, de acordo com o referido preceito constitucional, ninguém será considerado</p><p>culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. A literalidade do preceito não</p><p>deixa margem a dúvidas: a culpa é pressuposto da sanção, e a constatação ocorre apenas com</p><p>a preclusão maior. O dispositivo não abre campo a controvérsias semânticas.</p><p>Portanto, após a decisão do STF nas ADC’s ficou estabelecido a impossibilidade da prisão</p><p>para cumprimento antecipado de pena após uma decisão de 2º instância, pois tal ato fere o</p><p>princípio da presunção da inocência fixada pela constituição federal que requer o trânsito em</p><p>julgado.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>70</p><p>2. DIREITOS SOCIAIS</p><p>Art. 6º da CF: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a</p><p>moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade</p><p>e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação</p><p>dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)</p><p>A doutrina, quanto à positivação dos direitos sociais na CF/88, tem sido, de certa forma,</p><p>quase unânime no reconhecimento dos direitos sociais como direitos fundamentais,</p><p>especialmente, em se considerando a topografia desses direitos no bojo da CF/88, bem como</p><p>tem sido no campo doutrinário o reconhecimento da tese da indivisibilidade dos direitos</p><p>fundamentais, que, por sua vez, leva a considerar os direitos sociais como extensão dos direitos</p><p>de liberdade ou como uma nova categoria de direitos que carregam as mesmas características</p><p>ou fundamentos dos direitos fundamentais de 1ª dimensão.</p><p>Apesar dos direitos sociais serem classificados como direitos fundamentalmente voltados</p><p>à coletividade, ao menos atualmente, não há razões suficientes que sustentem o argumento que</p><p>os mesmos não são sindicalizáveis via individual. Entende-se que se trata de diferentes espécies</p><p>de direitos subjetivos. Mais ainda, a tese da indivisibilidade, da unicidade desses conteúdos e,</p><p>em se considerando a tratativa da positivação constitucional dos mesmos, não resta dúvida que</p><p>são direitos que impõem ao poder público o dever de executar programas para sua realização</p><p>coletiva, mas que em face de seu conteúdo, torna-se impossível retirar-lhe sindicabilidade</p><p>individual. Portanto, serão também direitos subjetivos dispostos aos cidadãos. Para além,</p><p>acredita-se que, materialmente, não se pode cogitar a possibilidade de direitos como, por</p><p>exemplo, saúde e educação, ficarem à mercê da atuação do Legislador ou do administrador,</p><p>tanto pela sua estreita vinculação com conteúdo como dignidade e vida, bem como ante a própria</p><p>preocupação com a força normativa da Constituição, que revela um dever com a efetividade e a</p><p>vinculação dos Poderes aos seus conteúdos.</p><p>• Alguns temas que estão costumeiramente associados à implementação dos</p><p>direitos sociais:</p><p>→ Reserva do possível:</p><p>Tem sido utilizada na jurisprudência e doutrina brasileira, mais voltada a teoria dos</p><p>custos do direito, de que o Estado não pode ser obrigado a custear demandas sociais sem</p><p>que haja condição orçamentária para isso. Sempre que invocada a questão da escassez</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc90.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc90.htm</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>71</p><p>dos recursos, através do argumento da reserva do possível, em que o principal referencial</p><p>é o orçamento público, o “contra-argumento” levantado refere-se ao dever constitucional,</p><p>o comprometimento do Estado Democrático de Direito com a realização do mínimo</p><p>existencial.</p><p>→ Mínimo existencial:</p><p>O mínimo existencial está estritamente relacionado à dignidade da pessoa humana,</p><p>pois é o princípio fundante tanto dos direitos de defesa quanto dos direitos à prestação e</p><p>porque se abre para o jogo de ponderações com os demais princípios constitucionais, com</p><p>uma grande função hermenêutica, um grupo menor e mais preciso de direitos sociais</p><p>formado pelos bens e utilidades básicas imprescindíveis a uma vida humana digna. Na</p><p>formulação e execução das políticas, o “mínimo existencial” deve nortear o</p><p>estabelecimento das metas prioritárias do orçamento.</p><p>→ Políticas Públicas:</p><p>A política pública é um instrumento de promoção de direitos disposto à</p><p>Administração, ao Legislativo e à própria sociedade para construir diretrizes, metas,</p><p>objetivos para obtenção de um resultado voltado ao social/coletivo que se protrai em um</p><p>espaço de tempo.</p><p>→ Justiça distributiva:</p><p>Justiça distributiva é um conceito da filosofia política que se refere ao princípio de</p><p>que os bens e recursos de uma sociedade devem ser distribuídos de forma justa e</p><p>equitativa entre seus membros. Esse princípio parte da premissa de que todos os</p><p>indivíduos têm direito a uma distribuição justa dos bens e recursos da sociedade, como a</p><p>riqueza, o poder, a educação, a saúde, entre outros. Isso implica que as oportunidades e</p><p>as cargas da vida social devem ser distribuídas de forma igualitária, considerando as</p><p>necessidades e capacidades de cada um. A justiça distributiva pode ser alcançada por</p><p>meio de políticas públicas que busquem reduzir as desigualdades sociais e garantir o</p><p>acesso igualitário aos bens e serviços essenciais.</p><p>→ Os dispositivos constitucionais que tratam dos direitos sociais</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>72</p><p>→ Art. 6º da CF: apresenta o rol dos direitos sociais, sendo muitos deles, igualmente tratados</p><p>no âmbito do Título VIII da Constituição Federal que trata sobre a ordem social. É o caso,</p><p>por exemplo, do direito à saúde e à educação.</p><p>→ Art. 7º da CF: apresenta direitos individuais do trabalho</p><p>Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem</p><p>à melhoria de sua condição social:</p><p>I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa,</p><p>nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre</p><p>outros direitos;</p><p>II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;</p><p>III - fundo de garantia do tempo de serviço;</p><p>IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a</p><p>suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação,</p><p>educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com</p><p>reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua</p><p>vinculação para qualquer fim;</p><p>V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;</p><p>VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo</p><p>coletivo;</p><p>VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem</p><p>remuneração variável;</p><p>VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da</p><p>aposentadoria;</p><p>IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;</p><p>X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;</p><p>XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e,</p><p>excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;</p><p>XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos</p><p>termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)</p><p>XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e</p><p>quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada,</p><p>mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;</p><p>XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de</p><p>revezamento, salvo negociação coletiva;</p><p>XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>73</p><p>XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta</p><p>por cento à do normal;</p><p>XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do</p><p>que o salário normal;</p><p>XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração</p><p>de cento e vinte dias;</p><p>XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;</p><p>XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,</p><p>nos termos da lei;</p><p>XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta</p><p>dias, nos termos da lei;</p><p>XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,</p><p>higiene e segurança;</p><p>XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou</p><p>perigosas, na forma da lei;</p><p>XXIV - aposentadoria;</p><p>XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco)</p><p>anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional</p><p>nº 53, de 2006)</p><p>XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;</p><p>XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;</p><p>XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a</p><p>indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;</p><p>XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com</p><p>prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até</p><p>o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação</p><p>dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000)</p><p>XXX - proibição</p><p>São as impostas pelo governante, sem a participação popular. Exemplo: Constituições</p><p>brasileiras de 1824, 1937, 1967 e 1969.</p><p>2.5. Quanto à extensão (classificação apresentada por Bonavides):</p><p>• Constituição concisa ou breve:</p><p>Abrange apenas princípios gerais ou regras básicas de organização e funcionamento do</p><p>Estado. Em regra geral, é uma Constituição material, isto porque apresenta a matéria</p><p>constitucional, em sentido estrito. Exemplo: Constituições americanas, francesas de 1946, as</p><p>chilenas de 1833 e 1925 e a dominicana de 1947.</p><p>• Constituição prolixa:</p><p>Traz matéria alheia ao Direito Constitucional propriamente dito e, ainda, preocupa-se em</p><p>regulamentar os assuntos que tratam, deixando a legislação ordinária pouco deste papel.</p><p>Exemplo: Constituição brasileira de 1988.</p><p>2.6. Quanto à estabilidade:</p><p>• Constituição rígida:</p><p>‘É somente alterável mediante processos, solenidades e exigências formais especiais,</p><p>diferentes e mais difíceis que os de formação das leis ordinárias ou complementares. Esse é o</p><p>caso da Constituição Brasileira, pois ela só se altera mediante processo de emenda</p><p>constitucional - art. 60 da CF.</p><p>• Constituição flexível:</p><p>É a que pode ser livremente modificada pelo legislador segundo o mesmo processo de</p><p>elaboração das leis ordinárias.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>7</p><p>• Constituição semirrígida:</p><p>É a que contém uma parte rígida e uma flexível.</p><p>→ Em síntese, a atual Constituição brasileira é: formal, escrita, dogmática,</p><p>promulgada, rígida, analítica ou dirigente e prolixa.</p><p>3. SIGNIFICADO DE SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO</p><p>Supremacia da Constituição é um princípio fundamental do Estado Democrático de</p><p>Direito, que estabelece que a Constituição é a norma mais importante do ordenamento jurídico</p><p>de um país. Isso significa que todas as demais normas jurídicas devem estar em conformidade</p><p>com a Constituição e não podem contrariá-la.</p><p>Assim, a supremacia constitucional implica que qualquer norma que vá de encontro aos</p><p>preceitos nela contidos é inconstitucional e, portanto, não pode ser aplicada. Além disso, todas</p><p>as autoridades públicas devem respeitar e defender a Constituição, uma vez que ela representa</p><p>a vontade e os interesses do povo, expressos por meio do poder constituinte originário.</p><p>A supremacia da Constituição garante a estabilidade e a segurança jurídica de um Estado</p><p>Democrático de Direito, pois estabelece um sistema hierárquico de normas, onde a Constituição</p><p>é a norma fundamental e superior que orienta todas as demais normas e ações do Estado.</p><p>4. PODER CONSTITUINTE</p><p>4.1. Conceito</p><p>Poder constituinte é a máxima expressão da soberania popular - elemento fundamental</p><p>para a criação de um Estado”. Só é exercitado em situações muito especiais e pode ser</p><p>considerado como o poder de elaborar ou atualizar a Constituição mediante a criação ou o</p><p>acréscimo, a supressão ou ainda a modificação de normas constitucionais.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>8</p><p>4.2. Titularidade</p><p>A titularidade do poder constituinte pertence ao povo, que exerce essa prerrogativa por</p><p>meio de seus representantes eleitos em um processo democrático e participativo. É por meio do</p><p>poder constituinte que a sociedade expressa sua vontade política e estabelece os limites e as</p><p>regras que regerão o Estado e a convivência social.</p><p>4.3. Divisões do poder constituinte</p><p>A divisão clássica do poder constituinte é entre o poder constituinte originário e o poder</p><p>constituinte derivado. O poder constituinte originário é aquele capaz de criar uma nova</p><p>Constituição sem estar limitado por normas ou regras pré-existentes e é, geralmente, exercido</p><p>por uma Assembleia Constituinte eleita especificamente para este fim. Já o poder constituinte</p><p>derivado é o poder de revisar ou emendar uma Constituição existente, bem como de criar as</p><p>Constituições estaduais. Vejamos de forma mais detalhada:</p><p>a) Poder constituinte originário</p><p>É também conhecido como poder inicial, inaugural, cuja função é criar um estado novo,</p><p>diverso do que vigorava em decorrência da manifestação do poder constituinte que o precedeu.</p><p>• Características:</p><p>→ Formal: é um ato de criação propriamente dito, e atribui roupagem</p><p>constitucional a um complexo normativo;</p><p>→ Material: o material diz o que é constitucional, materializa e sedimente o que é</p><p>uma constituição.</p><p>→ Inicial: inaugura uma nova ordem;</p><p>→ Autônomo: terão autonomia para a instituição de uma nova ordem.</p><p>→ Ilimitado juridicamente: não tem que se preocupar com o direito anterior;</p><p>→ Incondicionado e soberano: não tem que se submeter a qualquer forma</p><p>prefixada de manifestação;</p><p>→ Poder de fato e poder político: caracterizado como uma energia, uma força</p><p>social, tem sua natureza como pré-jurídica.</p><p>• Formas de expressão:</p><p>→ Outorga: caracterizada pela expressão unilateral do agente revolucionário;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>9</p><p>→ Assembleia nacional constituinte: nasce com a deliberação da</p><p>representação popular.</p><p>Importante!</p><p>O Brasil não admite declaração de</p><p>inconstitucionalidade de normas constituições</p><p>originárias, justamente por serem fruto do</p><p>poder constituinte originário.</p><p>→ Decisão do STF quanto ao poder constituinte originário:</p><p>A eficácia das regras jurídicas produzidas pelo poder constituinte (redundantemente</p><p>chamado de "originário") não está sujeita a nenhuma limitação normativa, seja de ordem</p><p>material, seja formal, porque provém do exercício de um poder de fato ou suprapositivo.</p><p>Já as normas produzidas pelo poder reformador, essas têm sua validez e eficácia</p><p>condicionadas à legitimação que recebam da ordem constitucional. Daí a necessária</p><p>obediência das emendas constitucionais às chamadas cláusulas pétreas. (ADI 2.356</p><p>MC e ADI 2.362 MC, rel. p/ o ac. min. Ayres Britto, j. 25-11-2010, P, DJE de 19-5-2011)</p><p>b) Poder constituinte derivado</p><p>→ É denominado como instituído, constituído, secundário ou de segundo grau;</p><p>→ O poder constituinte derivado é criado e instituído pelo poder constituinte</p><p>originário;</p><p>→ É um poder limitado;</p><p>→ Sua atuação é condicionada pelo Poder Constituinte originário;</p><p>→ Possui previsão constitucional e encontra tanto a sua forma quanto as suas</p><p>possibilidades de atuação expressas no texto constitucional.</p><p>• Subdivisão:</p><p>→ Poder constituinte derivado reformador:</p><p>Tem em capacidade de modificar a Constituição, por meio de um procedimento</p><p>específico; tem natureza jurídica, delimitado juridicamente; suas manifestações aparecem</p><p>em forma de emendas constitucionais (art. 59, I e art. 60); o poder de reforma por meio de</p><p>emendas pode, em geral, se manifestar a qualquer tempo, sofrendo limites materiais,</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=623127</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=623127</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=623128</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>10</p><p>circunstanciais, formais e algumas vezes temporais. Este poder consiste em alterar</p><p>pontualmente uma determinada matéria constitucional, adicionando, suprimindo,</p><p>modificando alínea(s), inciso(s), artigo(s) da Constituição;</p><p>Exemplos: no art. 60 parágrafos 4º e incisos, tem-se as cláusulas pétreas; também</p><p>há impossibilidade de emendar a Constituição na vigência do estado de defesa, de sítio e</p><p>intervenção federal.</p><p>Importante!</p><p>Pelo fato de as emendas constitucionais</p><p>decorrem da atuação do poder constituinte</p><p>derivado, as emendas encontram limitações</p><p>formais e materiais, portanto, emendas</p><p>constitucionais podem ser declaradas</p><p>inconstitucionais.</p><p>→ Poder constituinte derivado decorrente:</p><p>Também é derivado do originário e por ele limitado, também é jurídico e encontra</p><p>seus parâmetros estabelecidos</p><p>de diferença de salários, de exercício de funções e de critério</p><p>de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;</p><p>XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de</p><p>admissão do trabalhador portador de deficiência;</p><p>XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os</p><p>profissionais respectivos;</p><p>XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de</p><p>dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição</p><p>de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda</p><p>Constitucional nº 20, de 1998)</p><p>XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício</p><p>permanente e o trabalhador avulso</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>74</p><p>Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os</p><p>direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI,</p><p>XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em</p><p>lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais</p><p>e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos</p><p>nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência</p><p>social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013)</p><p>Importante quanto à licença-gestante, prevista no art. 6º, XVIII, da Constituição Federal,</p><p>verificar a diferença no que tange à estabilidade gestante prevista no art. 10, II, b, do ADCT:</p><p>Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição:</p><p>II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa:</p><p>b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.</p><p>→ Art. 8º ao art. 11 da CF: apresenta rol de direitos coletivos do trabalho constitucionalizados</p><p>Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:</p><p>I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o</p><p>registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na</p><p>organização sindical;</p><p>II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa</p><p>de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos</p><p>trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;</p><p>III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive</p><p>em questões judiciais ou administrativas;</p><p>IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será</p><p>descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva,</p><p>independentemente da contribuição prevista em lei;</p><p>V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;</p><p>VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;</p><p>VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;</p><p>VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo</p><p>de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do</p><p>mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.</p><p>Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de</p><p>colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.</p><p>Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade</p><p>de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>75</p><p>§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades</p><p>inadiáveis da comunidade.</p><p>§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.</p><p>Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos</p><p>públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e</p><p>deliberação.</p><p>Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante</p><p>destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>76</p><p>DIREITOS DE NACIONALIDADE</p><p>1. BRASILEIRO NATO</p><p>O Brasil adotou como primeiro critério para firmar nacionalidade o local onde a pessoa</p><p>nasceu – ius solis – CF/88 artigo 12, I, da CF – hipóteses taxativas para adquirir nacionalidade</p><p>brasileira.</p><p>Art. 12. da CF: São brasileiros:</p><p>I - natos:</p><p>a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde</p><p>que estes não estejam a serviço de seu país;</p><p>• Requisitos:</p><p>Nascer em território brasileiro. Se os pais estrangeiros estiverem a serviço do país de</p><p>origem, em princípio, o indivíduo que nascer no Brasil não será brasileiro nato. Neste caso, para</p><p>saber sua nacionalidade deveremos analisar as peculiaridades de cada situação</p><p>A Constituição também adotou um segundo critério, o sanguíneo, para conferir</p><p>nacionalidade brasileira para filhos nascidos no estrangeiro de pai OU mãe brasileiros E</p><p>quaisquer dos pais esteja a serviço do Brasil.</p><p>Art. 12 da CF: São brasileiros:</p><p>I - natos:</p><p>b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer</p><p>deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>77</p><p>Atenção!</p><p>A expressão “serviço do Brasil” há de ser</p><p>entendida não só como atividade diplomática,</p><p>mas também como qualquer função</p><p>associada às atividades do Poder Público</p><p>(três esferas) bem como suas autarquias.</p><p>Outro critério sanguíneo adotado pelo texto da CF/88 refere-se aos casos em que os pais,</p><p>quaisquer deles brasileiros, não estão a serviço o Brasil (estão viajando de férias, por exemplo)</p><p>e o filho nasce no estrangeiro.</p><p>Art. 12 da CF São brasileiros:</p><p>I - natos: (primeira parte alínea c)</p><p>c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que</p><p>sejam registrados em repartição brasileira competente.</p><p>Ou seja: deve ser registrado em repartição brasileira competente.</p><p>Art. 12 da CF: São brasileiros:</p><p>I - natos: (parte final alínea c)</p><p>c) ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer</p><p>tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;</p><p>Trata-se da nacionalidade potestativa, em que a aquisição se dá no momento da fixação</p><p>de residência, mas fica sujeita à opção confirmativa, pois o texto da CF/88 refere casos em que</p><p>os pais, quaisquer deles brasileiros, não estão a serviço o Brasil (moram em outro país, por</p><p>exemplo) e o filho nasce no estrangeiro e vem residir no Brasil.</p><p>2. AQUISIÇÃO DE NACIONALIDADE SECUNDÁRIA</p><p>O processo de naturalização é de competência da Justiça Federal, bem como as causas</p><p>referentes à opção de nacionalidade – art. 109, X da CF/88. A naturalização depende tanto da</p><p>vontade da pessoa quando da aquiescência do Estado.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>78</p><p>Agora, devemos lembrar que o Estado é soberano, portanto, discricionariamente decidirá</p><p>se concederá ou não a cidadania brasileira por solicitação do estrangeiro ou apátrida.</p><p>Não existe naturalização tácita. só existe naturalização expressa que se divide em</p><p>ordinária ou extraordinária.</p><p>2.1. Naturalização ordinária</p><p>Art. 12, II, “a”, da CF/88 – a naturalização ocorrerá segundo critérios estabelecidos em lei.</p><p>Estatuto do Migrante – Lei nº 13.445/17, artigo 65: são condições</p><p>para a concessão da</p><p>naturalização: (matéria estudada no direito internacional):</p><p>Art. 65. Será concedida a naturalização ordinária àquele que preencher as seguintes</p><p>condições:</p><p>I - ter capacidade civil, segundo a lei brasileira;</p><p>II - ter residência em território nacional, pelo prazo mínimo de 4 (quatro) anos;</p><p>III - comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando; e</p><p>IV - não possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos termos da lei.</p><p>2.2. Naturalização extraordinária</p><p>Art. 12, II, “b”, da CF: “os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República</p><p>Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que</p><p>requeiram a nacionalidade brasileira. Requisitos:</p><p>→ Qualquer nacionalidade;</p><p>→ Residentes no Brasil há mais de 15 anos ininterruptos;</p><p>→ Sem condenação penal;</p><p>→ Solicitação pelo estrangeiro.</p><p>Atenção!</p><p>A naturalização extraordinária é intransferível,</p><p>isto é, sua concessão não importa na aquisição</p><p>da nacionalidade brasileira pelo cônjuge e</p><p>filhos do naturalizado nem autoriza estes a</p><p>entrar ou radicar-se no Brasil, sem que</p><p>satisfaçam as exigências legais.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>79</p><p>• Distinção entre brasileiros natos e naturalizados admitidas na Constituição</p><p>Federal de 1988:</p><p>Regra geral, a lei não poderá estabelecer tratamento diferente entre brasileiros natos e</p><p>naturalizados, salvo nos casos taxativos expressamente previstos pela CF/88. São eles:</p><p>→ Extradição</p><p>Art. 5º, LI, da CF: “Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em</p><p>caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento</p><p>em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei”;</p><p>Critérios:</p><p>− Crime cometido no estrangeiro e deve ser requerido pelo Estado Estrangeiro;</p><p>− Brasileiro nato jamais será extraditado;</p><p>− O naturalizado será extraditado em 2 (duas) situações:</p><p>a) Crime comum: apenas se cometido antes da naturalização;</p><p>b) Tráfico de Entorpecentes: em qualquer tempo, desde que reste</p><p>comprovado seu envolvimento no tráfico de drogas.</p><p>O Brasil, segundo entendimento do STF, não admite extradição se houver aplicação de</p><p>pena de morte ou perpétua: nestes casos, o país requerente deve se comprometer a comutar a</p><p>pena. Ademais, não haverá extradição em casos de crime político ou de opinião (art. 5º, LII, da</p><p>CF:)</p><p>→ Cargos privativos de brasileiro nato</p><p>Art. 12, §3º, da CF: São privativos de brasileiro nato os cargos [...] § 3º - São</p><p>privativos de brasileiro nato os cargos:</p><p>− I - de Presidente e Vice-Presidente da República;</p><p>− II - de Presidente da Câmara dos Deputados;</p><p>− III - de Presidente do Senado Federal;</p><p>− IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;</p><p>− V - da carreira diplomática;</p><p>− VI - de oficial das Forças Armadas.</p><p>− VII - de Ministro de Estado da Defesa</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>80</p><p>→ Conselho da República</p><p>Art. 89 da CF: VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco</p><p>anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo</p><p>Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três</p><p>anos, vedada a recondução.</p><p>→ Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão</p><p>Art. 222 da CF: A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons</p><p>e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de</p><p>pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País.</p><p>• Perda da nacionalidade:</p><p>Art. 12, § 4º - § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:</p><p>I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de fraude</p><p>relacionada ao processo de naturalização ou de atentado contra a ordem constitucional e o</p><p>Estado Democrático; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira</p><p>competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia (Redação dada pela Emenda</p><p>Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>a) revogada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>b) revogada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 131, de 2023)</p><p>→ Observação:</p><p>Brasileiro nato também pode perder a nacionalidade! Quando? Aquisição de outra</p><p>nacionalidade: atinge tanto o brasileiro nato quanto o naturalizado. Poderá se concretizar</p><p>por decreto presidencial, mediante procedimento administrativo, quando se tratar de</p><p>reconhecimento de nacionalidade originária (primária); Quando brasileiro for obrigado a</p><p>se naturalizar por força de norma impositiva estrangeira a fim de continuar residindo no</p><p>Estado em questão ou para o exercício de direitos civis (por exemplo, herança).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>81</p><p>→ Em 03 de outubro de 2023 ocorreu a promulgação da Emenda Constitucional 131/2023,</p><p>que trás um novo entendimento sobre a perda da nacionalidade brasileira, contudo está</p><p>emenda não poderá ser cobrada nas questões do 39° Exame em razão de ser posterior a</p><p>publicação do edital.</p><p>3. SÍMBOLOS NACIONAIS:</p><p>Art. 13 da CF: São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as</p><p>armas e o selo nacionais. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos</p><p>próprios.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Emenda Constitucional nº 131. Altera o art. 12 da Constituição Federal</p><p>para suprimir a perda da nacionalidade brasileira em razão da mera aquisição</p><p>de outra nacionalidade, incluir a exceção para situações de apatridia e</p><p>acrescentar a possibilidade de a pessoa requerer a perda da própria</p><p>nacionalidade.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>82</p><p>DIREITOS POLÍTICOS E PARTIDOS POLÍTICOS</p><p>Os direitos políticos são instrumentos pelos quais a Constituição Federal consegue garantir</p><p>o exercício da soberania popular, pois através deles a CF atribui poderes aos cidadãos para</p><p>atuarem na esfera pública de forma direta ou indireta.</p><p>Quanto ao Regime Democrático no Brasil temos:</p><p>→ Democracia Direta: sem representantes o povo exerce o poder sem</p><p>intermediários;</p><p>→ Democracia Representativa: o povo de forma soberana elege seus</p><p>representantes, outorgando poderes para que os representantes em nome do povo</p><p>governem o país;</p><p>→ Democracia Semidireta ou Participativa: Sistema Híbrido: mistura</p><p>características do Sistema da Democracia Direta e da Democracia Representativa.</p><p>A CF/88 prevê a democracia semidireta no art. 1º, parágrafo único, assim como no</p><p>seu art. 14.</p><p>1. DEMOCRACIA DIRETA (Art. 14, I, II e III da CF)</p><p>Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e</p><p>secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:</p><p>I - plebiscito;</p><p>II - referendo;</p><p>III - iniciativa popular.</p><p>A soberania popular é a qualidade máxima do poder extraída da soma de atributos de</p><p>cada membro da sociedade estatal, encarregado de escolher os seus representantes no governo</p><p>por meio do sufrágio universal e do voto direto, secreto e igualitário (BULOS, 2000).</p><p>Nesse sentido, o voto é meio pelo qual se exerce o sufrágio ativo, tem as seguintes</p><p>características que se configuram em cláusula pétrea: direto, secreto, universal e periódico (art.</p><p>60, § 4º, da CF/88). Com valor igual para todos, que se trata de uma cláusula pétrea implícita na</p><p>CF/88, assim como o povo sendo o titular do poder constituinte e o próprio art. 60, da CF/88.</p><p>1.1. Conceitos e exemplos da Democracia Direta (Previstos no Brasil):</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>83</p><p>• Plebiscito:</p><p>Manifestação da vontade popular,</p><p>expressa por meio de votação acerca de assunto de</p><p>vital interesse político ou social, antes de publicação da lei. Revela-se a deliberação direta do</p><p>povo, em que reside o poder soberano do Estado sobre matéria que é submetida a seu veredicto.</p><p>O Congresso Nacional convoca plebiscito (art. 49, XV da CF); o instrumento utilizado para</p><p>convocação é o Decreto Legislativo; e quanto ao momento da consulta o plebiscito é convocado</p><p>com anterioridade ao ato legislativo ou administrativo colocado em aprovação ou denegação.</p><p>→ Exemplos:</p><p> Plebiscito da Forma (república ou monarquia) e Sistema de Governo</p><p>(presidencialismo ou parlamentarismo) no Brasil: era para ter</p><p>acontecido no dia 07/09/1993, nos termos do Art. 2º do ADCT, mas foi</p><p>antecipado para o dia 21/04/1993 pela EC nº 2/92;</p><p> Plebiscitos do Estado do Pará para Reorganização Territorial:</p><p>possibilidade do Desmembramento - Formação do Pará em mais dois</p><p>estados (Carajás e Tapajós); Decreto Legislativo nº 136/2011 e nº</p><p>137/2011.</p><p>• Referendo:</p><p>É uma forma de consulta popular sobre um assunto de grande relevância, na qual o povo</p><p>manifesta-se sobre uma lei - seja ordinária, complementar ou emenda à Constituição - após</p><p>aprovada pelo Legislativo. Assim, o cidadão apenas ratifica ou rejeita o que lhe é submetido.</p><p>O Congresso Nacional autoriza referendo (Art. 49, XV da CF), por meio de Decreto</p><p>Legislativo, e o referendo é convocado de forma posterior ao ato legislativo ou administrativo,</p><p>cabendo ao povo a rejeição ou ratificação do mesmo.</p><p>→ Exemplos:</p><p> Referendo do Estatuto do Desarmamento sobre a manutenção ou</p><p>rejeição da proibição da comercialização de armas de fogo e munição</p><p>em todo o território nacional (23/10/2005). A discussão se centralizou</p><p>na aplicação do Art. 35 da Lei nº 10.826/2003. E a pergunta realizada</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>84</p><p>foi: “o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no</p><p>Brasil?”. Venceu o “Não” com 63,94% dos votos válidos;</p><p> Referendo no Estado do Acre para decidir sobre o fuso horário em</p><p>2010. Decreto Legislativo nº 900/2009. Estado do Acre, que teve a hora</p><p>legal alterada pela Lei n. 11.662/2008 para menos 1 hora em relação a</p><p>Brasília e a população foi consultada se concordava com a alteração,</p><p>pois o fuso do Acre era de -2h. A pergunta realizada foi: “Você é a favor</p><p>da recente alteração do horário legal promovida no seu Estado?” A</p><p>maioria da população, representada por 56,87% dos votos válidos</p><p>decidiu pelo retorno do fuso horário antigo de 2h de diferença do horário</p><p>de Brasília e aí foi feita a Lei nº 12.876/2013 para retomar o horário</p><p>anterior.</p><p>• Iniciativa Popular:</p><p>Projetos de lei que têm a iniciativa de propositura sendo feita pelo povo, como no Art. 61,</p><p>§2º da CF. Atenção à novidade das consultas populares sendo realizadas junto com as eleições</p><p>municipais: A EC nº 111/2021 estabeleceu “consultas populares” sobre questões locais</p><p>aprovadas pelas Câmaras Municipais com o acréscimo do § 12 do Art. 14 da CF. As Consultas</p><p>Populares citadas na EC nº 111/2021 deverão se configurar em plebiscitos e referendos a serem</p><p>realizados pelos municípios.</p><p>• Outros Institutos de Democracia Direta ou participativa:</p><p>→ Recall:</p><p>Revogação popular do mandato eletivo, o professor José Afonso da Silva chama</p><p>de “revogação popular”;</p><p>→ Veto popular:</p><p>O povo pode vetar projetos de lei, determinando o arquivamento deles, mesmo</p><p>contra a vontade popular.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>85</p><p>2. DIREITOS POLÍTICOS</p><p>Os direitos políticos podem ser classificados basicamente em “positivos” e “negativos”.</p><p>→ Direitos Políticos Positivos:</p><p>São as normas que falam sobre a ação política do cidadão no país, ou seja, voto,</p><p>condições de elegibilidade etc.</p><p>→ Direitos Políticos Negativos:</p><p>São aquelas disposições normativas que inviabilizam a participação da pessoa na</p><p>vida política, são os casos de perda e suspensão de direitos políticos e os casos de</p><p>inelegibilidades.</p><p>2.1. Capacidade eleitoral</p><p>→ Capacidade eleitoral ativa: direito de votar;</p><p>→ Capacidade eleitoral passiva: direito de ser votado.</p><p>→ Observar:</p><p>→ Inalistável: se refere à capacidade ativa, que se reflete na passiva;</p><p>→ Inelegível: se refere à capacidade passiva, que pode ser absoluta</p><p>(inelegível para qualquer cargo) ou relativa (referente a alguns cargos).</p><p>• Capacidade eleitoral ativa:</p><p>Exercita-se o sufrágio ativo através do voto. São pressupostos do voto:</p><p>→ Alistamento eleitoral na forma da lei (título eleitoral);</p><p>→ Nacionalidade brasileira – estrangeiros não podem se alistar como eleitores</p><p>(art. 14, §2º, da CF).</p><p>→ Idade mínima de 16 anos (art. 14, §1º, II, “c”, da CF);</p><p>→ Não ser conscrito durante o serviço militar obrigatório.</p><p>O Voto direto, secreto, universal e periódico é cláusula pétrea (art. 60, §4º, II, da CF),</p><p>sendo: obrigatório para os maiores de 18 e menores de 70 anos de idade e facultativo para</p><p>maiores de 16 e menores de 18 anos de idade, analfabetos e maiores de 70 anos de idade</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>86</p><p>• Capacidade eleitoral passiva:</p><p>São condições de elegibilidade, dispostos no art. 14, §3º, da CF/88:</p><p>→ Nacionalidade brasileira;</p><p>→ Pleno exercício dos direitos políticos;</p><p>→ Alistamento eleitoral;</p><p>→ Domicílio eleitoral na circunscrição;</p><p>→ Filiação partidária.</p><p>Observação:</p><p>precisa-se observar na capacidade passiva</p><p>não apenas as condições de elegibilidade,</p><p>mas as que não podem incorrer nas hipóteses</p><p>de inelegibilidade – somente inelegibilidades</p><p>relativas poderão ser acrescidas por lei</p><p>complementar.</p><p>2.2. Inelegibilidades</p><p>• Inelegibilidades absolutas:</p><p>Não podem concorrer a nenhum cargo:</p><p>→ Inalistável: estrangeiros (LC 64/90 e LC 81/94 e LC 135/2010) e os conscritos</p><p>durante o serviço militar obrigatório;</p><p>→ Analfabeto: tem capacidade eleitoral ativa, mas não possui capacidade</p><p>eleitoral passiva.</p><p>• Inelegibilidades relativas:</p><p>Previstas no art. 14 da CF/88 e nos seus parágrafos. São elas:</p><p>§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os</p><p>Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser</p><p>reeleitos para um único período subseqüente.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>87</p><p>→ Presidente da República, Governador do Estado e do Distrito Federal, Prefeitos</p><p>não poderão ser reeleitos para o 3º mandato subsequente e sucessivo. Aquele que tiver</p><p>exercido dois mandatos consecutivos no mesmo cargo do Poder Executivo, não poderá</p><p>concorrer a outro cargo, mesmo que seja em outra jurisdição. Informativo 921 do STF –</p><p>vedação de três mandatos consecutivos ao mesmo núcleo familiar. Veja:</p><p>RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REELEIÇÃO. PREFEITO.</p><p>INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, § 5º, DA CONSTITUIÇÃO. MUDANÇA DA</p><p>JURISPRUDÊNCIA EM MATÉRIA ELEITORAL. SEGURANÇA JURÍDICA. I.</p><p>REELEIÇÃO. MUNICÍPIOS. INTERPRETAÇÃO DO ART. 14, § 5º, DA CONSTITUIÇÃO.</p><p>PREFEITO. PROIBIÇÃO DE TERCEIRA ELEIÇÃO EM CARGO DA MESMA NATUREZA,</p><p>AINDA QUE EM MUNICÍPIO DIVERSO. O instituto da reeleição tem fundamento não</p><p>somente no postulado da continuidade administrativa, mas também no princípio</p><p>republicano, que impede a perpetuação de uma mesma pessoa ou grupo no poder. O</p><p>princípio republicano condiciona a interpretação e a aplicação do próprio comando da</p><p>norma constitucional, de modo que a reeleição é permitida por apenas uma única vez.</p><p>Esse princípio impede a terceira eleição não apenas no mesmo município, mas em relação</p><p>a qualquer outro município da federação. Entendimento contrário tornaria possível a figura</p><p>do denominado “prefeito itinerante” ou do “prefeito profissional”, o que claramente é</p><p>incompatível com esse princípio, que também traduz um postulado de</p><p>temporariedade/alternância</p><p>do exercício do poder. Portanto, ambos os princípios –</p><p>continuidade administrativa e republicanismo – condicionam a interpretação e a aplicação</p><p>teleológicas do art. 14, § 5º, da Constituição. O cidadão que exerce dois mandatos</p><p>consecutivos como prefeito de determinado município fica inelegível para o cargo da</p><p>mesma natureza em qualquer outro município da federação.</p><p>→ O vice, tendo ou não sido reeleito, se sucedeu o titular, poderá candidatar-se à</p><p>reeleição por um período subsequente, mas para candidatar-se para cargo diverso deverá</p><p>observar o art. 1º, §2º da Lei complementar nº 64/90.</p><p>→ Para concorrer a outros cargos Art. 14, §6º da CF/88 – Presidente,</p><p>Governadores dos Estados e do Distrito Federal e Prefeitos, para concorrer a outros</p><p>cargos deverão renunciar aos respectivos mandatos até 6 meses antes do pleito, O</p><p>candidato se desvencilha de uma situação que o incompatibiliza p/ ser eleito (O STF</p><p>entende que a expressão “outros cargos” não se aplica nos casos de reeleição para o</p><p>mesmo cargo)</p><p>6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de</p><p>Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até</p><p>seis meses antes do pleito.</p><p>→ Parentesco: procura dar eficácia e efetividade aos postulados republicanos e</p><p>democráticos da constituição, evitando-se a perpetuidade ou alongada presença de</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>88</p><p>familiares no poder. Art. 14, §7º, da CF - são inelegíveis no território da circunscrição do</p><p>titular o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção</p><p>do: Presidente da República; Governador de Estado, Território ou do D.F.; Prefeito; Ou</p><p>quem os haja substituído dentro dos 6 meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de</p><p>mandato eletivo e candidato a eleição.</p><p>§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes</p><p>consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República,</p><p>de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os</p><p>haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato</p><p>eletivo e candidato à reeleição.</p><p>Súmula vinculante nº 18: A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso</p><p>do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição</p><p>Federal.</p><p>Em caso de morte do cônjuge não é aplicável a súmula vinculante nº 18: RE 758461 – A</p><p>Súmula Vinculante 18 do STF não se aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal pela morte</p><p>de um dos cônjuges.</p><p>→ O que devo observar:</p><p> As restrições são relativas a parentes consanguíneos e afins do chefe</p><p>do executivo que é titular de mandato, não são aplicadas no caso de</p><p>ocupantes do cargo de legislativo</p><p> Jurisdição do titular: Prefeito - município; Governador: território do</p><p>Estado-Membro; Presidente - todo o território nacional;</p><p> Salvo se já titular de mandato: ou seja, se o parente já for ocupante de</p><p>mandato eletivo e candidato à reeleição, não se aplica!</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>89</p><p>→ Quem são os parentes em 2º grau?</p><p>Demonstração do grau de parentesco – para fins de nepotismo</p><p>Formas de parentesco</p><p>Graus de parentesco</p><p>1º grau 2º grau 3º grau 4º grau</p><p>Parentes</p><p>consanguíneos</p><p>Ascendentes Pai e mãe Avô, Avó Bisavô, Bisavó Trisavô</p><p>Descendentes Filho, Filha Neto, Neta Bisneto, Bisneta Trinetos</p><p>Em linha</p><p>colateral</p><p>Irmaõ, Irmã</p><p>Tio, Tia</p><p>(maternos e</p><p>paternos),</p><p>Sobrinhos</p><p>Primos(as), Tio(a)-</p><p>Avô(ó), Sobrinho(a)-</p><p>neto(a)</p><p>Parentes por</p><p>afinidade</p><p>Ascendentes</p><p>Sogro,</p><p>Sogra,</p><p>Padrasto e</p><p>Madrasta do</p><p>cônjuge</p><p>Pais dos</p><p>sogros (avô,</p><p>avó do</p><p>cônjuge)</p><p>Avós dos</p><p>sogros (bisavô,</p><p>bisavó do</p><p>cônjuge)</p><p>Descendentes</p><p>Filho do(a)</p><p>esposo(a)</p><p>(enteado),</p><p>Genro, Nora</p><p>Filho(a)</p><p>do(a)</p><p>enteado(a)</p><p>(neto ou neta</p><p>da esposa)</p><p>Bisneto, Bisneta</p><p>do cônjuge</p><p>Em linha</p><p>colateral</p><p>Cunhado,</p><p>Cunhada</p><p>Cônjuge,</p><p>companheiro(a)</p><p>Marido e mulher (cônjuges), companheiro e companheira não são parentes. “Cada</p><p>cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade.”</p><p>(art. 1.595, CC). “O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos</p><p>descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro.” (Art. 1.595, §1º, CC). Para</p><p>fins de nepotismo, à luz do princípio da moralidade, o cônjuge (ou companheiro),</p><p>deve ser tratado em primeiro grau, vedando a nomeação para o provimento de</p><p>cargos em comissão ou de funções de confiança. Art. 2º, da Resolução nº 7, de 18</p><p>de outubro de 2005, do Conselho Nacional de Justiça – CNJ: “Art. 2º Constituem</p><p>práticas de nepotismo, dentre outras: I – o exercicio de cargo de provimento em</p><p>comissão ou de função gratificada, no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou</p><p>Juízo, por cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade,</p><p>até o terceiro grau, inclusive dos respectivos membros ou juízes vinculados.”</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>90</p><p>→ Decisões importantes em matéria da inelegibilidade do art. 14, § 7, da CF:</p><p> Informativo 921 do STF – vedação de três mandatos consecutivos ao</p><p>mesmo núcleo familiar:</p><p>Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à</p><p>conclusão de que a intenção do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo</p><p>núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o mesmo cargo no Poder</p><p>Executivo. Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse</p><p>três mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente. A vedação ao</p><p>exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se</p><p>também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado nas</p><p>eleições para o exercício de mandato-tampão. Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade</p><p>era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis meses antes das eleições,</p><p>Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio) vence a eleição para</p><p>Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em</p><p>2016, Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o</p><p>terceiro mandato consecutivo deste núcleo familiar. (STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel.</p><p>Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018).</p><p> Súmula vinculante nº 18: A dissolução da sociedade ou do vínculo</p><p>conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no §</p><p>7º do artigo 14 da Constituição Federal.</p><p>Em caso de morte do cônjuge não é aplicável a súmula vinculante nº 18:</p><p>RE 758461 – A Súmula Vinculante 18 do STF não se aplica aos casos de</p><p>extinção do vínculo conjugal pela morte de um dos cônjuges.</p><p>• Militares:</p><p>O alistável será elegível, segundo art. 14, parágrafo 8º, mas:</p><p>→ Com menos de 10 anos de serviço, deverá afastar-se das atividades;</p><p>→ Com mais de 10 anos, será agregado pela autoridade superior e, se eleito,</p><p>passará, automaticamente com a diplomação, à inatividade.</p><p>Já que ao militar da ativa é proibido filiação político partidária, conforme art. 142, parágrafo</p><p>3º, V, como ele poderá concorrer nas eleições?</p><p>Consulta. Militar da ativa. Concorrência. Cargo eletivo. Filiação partidária. Inexigibilidade.</p><p>Res.-TSE nº 21.608/2004, art. 14, § 1º. 1. A filiação partidária contida no art. 14, § 3º, V,</p><p>Constituição Federal não é exigível ao militar da ativa que pretenda concorrer a cargo</p><p>eletivo, bastando o pedido de registro de candidatura após prévia escolha em convenção</p><p>partidária (Res.-TSE nº 21.608/2004, art. 14, § 1º). (Res. nº 21.787, de 1o.6.2004, rel. Min.</p><p>Humberto Gomes de Barros.)</p><p>http://www.tse.jus.br/sadJudInteiroTeor/pesquisa/actionGetBinary.do?tribunal=TSE&processoNumero=1014&processoClasse=CTA&decisaoData=20040601&decisaoNumero=21787</p><p>http://www.tse.jus.br/sadJudInteiroTeor/pesquisa/actionGetBinary.do?tribunal=TSE&processoNumero=1014&processoClasse=CTA&decisaoData=20040601&decisaoNumero=21787</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>91</p><p>Recurso especial. Eleições 2016. Vereador. Registro de candidatura.</p><p>Desincompatibilização. Militar sem função de comando. Desnecessidade. Arts. 14, § 8º e</p><p>142, § 3º, v, da cf/88. Arts. 98, parágrafo único, do código eleitoral e 82, xvi e § 4º, da lei</p><p>6.880/80. Precedentes. Doutrina. Deferimento do registro. [...] Militares sem função de</p><p>comando 11. Diante da lacuna da Lei de Inelegibilidades e, de outra parte, da disciplina</p><p>constitucional e legal sobre a matéria, entende-se que o militar sem função de comando</p><p>deve afastar-se apenas a partir do deferimento de seu registro de candidatura, não se</p><p>sujeitando ao prazo de três meses do art. 1º, II, l, da LC 64/90. [...] (Ac. De 25.10.2016 no</p><p>respe nº 30516, rel. Min. Herman Benjamin.)</p><p>2.3. Perda e suspensão dos direitos políticos</p><p>• Perda:</p><p>→ Cancelamento de naturalização (caso do brasileiro naturalizado): Art. 15, I</p><p>e IV, art. 12, §4º, II da CF/88 – cancelamento da naturalização por sentença transitado em</p><p>julgado, pois o indivíduo volta à condição de estrangeiro;</p><p>→ Descumprimento de obrigação a todos imposta (serviço militar obrigatório,</p><p>p.e., seja a obrigação propriamente dita, seja a alternativa (fixada em lei) no caso da</p><p>escusa por força do artigo 5º, VIII, da CF;</p><p>→ Perda da nacionalidade pela aquisição de outra (o que ocorre no caso do</p><p>brasileiro nato), pois a nacionalidade brasileira é pressuposto para adquirir direitos</p><p>políticos.</p><p>• Suspensão:</p><p>→ Art. 15, II, III e V; art. 17-3 Dec. 3.927/2001 (Tratado de Amizade) e art. 55, II,</p><p>e §1º, c/c art. 1º, I, “b” da L.C. 64/1990;</p><p>→ Incapacidade Civil Absoluta: casos de interdição;</p><p>→ Condenação criminal transitada em julgado: enquanto durarem os efeitos da</p><p>condenação;</p><p>→ Improbidade Administrativa: Art. 37, §4º, CF/88, sendo declarada apenas</p><p>através de Processo Judicial;</p><p>Fique ligado! Alteração das regras eleitorais:</p><p>Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,</p><p>não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.</p><p>http://inter03.tse.jus.br/sjur-consulta/pages/inteiro-teor-download/decisao.faces?idDecisao=127516&noChache=1872313902</p><p>http://inter03.tse.jus.br/sjur-consulta/pages/inteiro-teor-download/decisao.faces?idDecisao=127516&noChache=1872313902</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>92</p><p>O princípio da anualidade eleitoral (também chamado de anterioridade eleitoral) foi criado</p><p>em 1993 com a aprovação da Emenda Constitucional nº 4, que deu nova redação ao art. 16 da</p><p>CF/88. O objetivo da emenda foi garantir que mudanças na legislação eleitoral somente entrem</p><p>em vigor se aprovadas até um ano antes do pleito, impedindo alterações casuísticas nas regras</p><p>legais.</p><p>Situação atual: foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça o texto da proposta</p><p>de Emenda à Constituição nº 67/2016, que propõe alteração:</p><p>Ementa: Dá nova redação ao § 1º do art. 81 da Constituição Federal para determinar a</p><p>realização de eleição direta aos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, na</p><p>hipótese de vacância desses cargos nos três primeiros anos do mandato presidencial.</p><p>Determina que, ocorrendo a vacância no último ano do período presidencial, a eleição</p><p>para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na</p><p>forma da lei. Caso se compreenda que o art. 16 se trata de uma Cláusula Pétrea, tal proposta</p><p>deverá ser declarada inconstitucional caso venha ser votada e aprovada a referida emenda.</p><p>Fique ligado! A Constituição Federal prevê regras específicas para o</p><p>servidor público de cargo efetivo que queira exercer mandato eletivo.</p><p>Art. 38 da CF. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no</p><p>exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:</p><p>I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu</p><p>cargo, emprego ou função;</p><p>II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-</p><p>lhe facultado optar pela sua remuneração;</p><p>III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá</p><p>as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo</p><p>eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;</p><p>IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu</p><p>tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por</p><p>merecimento;</p><p>V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão</p><p>determinados como se no exercício estivesse.</p><p>3. PARTIDOS POLÍTICOS</p><p>Representam os interesses e ideologias dos cidadãos e têm a função de disputar o poder</p><p>e governar em nome do povo. Eles são responsáveis por articular as demandas e anseios da</p><p>sociedade e apresentar propostas de políticas públicas que atendam aos interesses coletivos.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>93</p><p>Os partidos políticos são importantes porque proporcionam o pluralismo político e a</p><p>liberdade de escolha dos cidadãos, permitindo a expressão de diferentes opiniões e visões de</p><p>mundo. Além disso, são essenciais para a representação política e para a participação dos</p><p>cidadãos no processo democrático, promovendo a alternância de poder e a fiscalização das</p><p>ações dos governantes.</p><p>Os partidos políticos também têm um papel fundamental na construção da cidadania e na</p><p>conscientização política dos cidadãos. Eles podem mobilizar a população em torno de questões</p><p>relevantes e promover a educação política, estimulando o debate e o diálogo entre diferentes</p><p>grupos e setores da sociedade.</p><p>Art. 1º da CF: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos</p><p>Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito</p><p>e tem como fundamentos:</p><p>(...)</p><p>V - o pluralismo político.</p><p>Art. 17 da CF: É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos,</p><p>resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos</p><p>fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:</p><p>I - caráter nacional;</p><p>II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros</p><p>ou de subordinação a estes;</p><p>III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;</p><p>IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.</p><p>É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, ou seja, não</p><p>necessita de autorização do Congresso Nacional. Contudo a Constituição exige o respeito aos</p><p>seguintes valores e princípios: 1) a soberania nacional, 2) o regime democrático, 3) o</p><p>pluripartidarismo, 4) os direitos fundamentais da pessoa humana.</p><p>§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e</p><p>estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e</p><p>provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha</p><p>e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas</p><p>eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em</p><p>âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer</p><p>normas de disciplina e fidelidade partidária.</p><p>Não é obrigatório os partidos políticos formarem as mesmas coligações no âmbito</p><p>nacional, estadual e municipal; ou seja, os diretórios terão liberdade de formar suas coligações,</p><p>razão pela qual diz-se que há uma horizontalização das coligações partidárias.</p><p>Ainda, não é possível formar coligações entre partidos políticos para</p><p>os cargos da</p><p>proporcional, ou seja, os partidos não podem coligar para buscar eleger seus vereadores,</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>94</p><p>deputados federais e deputados estaduais, cada legende deverá apresentar os seus candidatos.</p><p>Contudo, a Constituição permite coligação para eleição dos cargos da majoritária, logo, podem</p><p>os partidos coligarem para eleger senadores e chefes do poder executivo (Presidente,</p><p>Governador e Prefeito).</p><p>→ Segue o texto constitucional:</p><p>§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil,</p><p>registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.</p><p>§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à</p><p>televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente:</p><p>I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento)</p><p>dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com</p><p>um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou</p><p>II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos</p><p>um terço das unidades da Federação.</p><p>§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.</p><p>§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste artigo é</p><p>assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que</p><p>os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins de distribuição dos</p><p>recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão.</p><p>§ 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os</p><p>Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o</p><p>mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa causa</p><p>estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a migração de partido para fins</p><p>de distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso</p><p>gratuito ao rádio e à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)</p><p>Trata-se da fidelidade partidária, aplica-se ao sistema proporcional, caso em que os</p><p>mandatos de deputados e senadores pertencem ao partido/legenda e não ao candidato eleito,</p><p>mas não se referem ao sistema majoritário:</p><p>Inaplicabilidade da regra de perda do mandato por infidelidade partidária ao sistema</p><p>eleitoral majoritário. (...) As decisões no MS 26.602, no MS 26.603 e no MS 26.604 tiveram</p><p>como pano de fundo o sistema proporcional, que é adotado para a eleição de deputados</p><p>federais, estaduais e vereadores. As características do sistema proporcional, com sua</p><p>ênfase nos votos obtidos pelos partidos, tornam a fidelidade partidária importante para</p><p>garantir que as opções políticas feitas pelo eleitor no momento da eleição sejam</p><p>minimamente preservadas. Daí a legitimidade de se decretar a perda do mandato do</p><p>candidato que abandona a legenda pela qual se elegeu. O sistema majoritário, adotado</p><p>para a eleição de presidente, governador, prefeito e senador, tem lógica e dinâmica</p><p>diversas da do sistema proporcional. As características do sistema majoritário, com sua</p><p>ênfase na figura do candidato, fazem com que a perda do mandato, no caso de mudança</p><p>de partido, frustre a vontade do eleitor e vulnere a soberania popular (CF, art. 1º, parágrafo</p><p>único; e art. 14, caput). [ADI 5.081, rel. min. Roberto Barroso, j. 27-5-2015, P, DJE de 19-</p><p>8-2015.]</p><p>O parágrafo 7º traz o seguinte texto:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>95</p><p>§ 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos recursos do</p><p>fundo partidário na criação e na manutenção de programas de promoção e difusão da</p><p>participação política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários.</p><p>Sobre a reserva de recurso para candidaturas femininas no fundo partidário, o STF</p><p>considerou que, se o princípio da igualdade material admite ações afirmativas, utilizar para</p><p>qualquer outro fim a diferença estabelecida com o objetivo de superar a discriminação, ofende o</p><p>mesmo princípio da igualdade, que veda tratamento discriminatório fundado em circunstâncias</p><p>que estão fora do controle dos indivíduos, como a raça, o sexo, a cor da pele ou qualquer outra</p><p>diferenciação arbitrariamente considerada.</p><p>Quando da edição da Lei 9.504/1997, os partidos passaram a ser obrigados a preencher,</p><p>do número de vagas de candidaturas, o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas</p><p>de cada sexo. Essa desequiparação é compatível com a Constituição. Seja por força do art. 5º,</p><p>§ 2º, da CF, seja pela adoção do princípio “pro homine”, o conteúdo do direito à igualdade é muito</p><p>semelhante ao direito previsto no art. 2º do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos.</p><p>Nesse sentido, determinadas diferenciações, se usadas para corrigir a discriminação, são</p><p>legítimas. Em outras palavras, é próprio do direito à igualdade a possibilidade de uma</p><p>desequiparação, desde que pontual e tenha por objetivo superar uma desigualdade histórica.</p><p>• Posicionamentos do STF: vedação de doação de pessoas jurídicas para partidos</p><p>políticos fomentarem suas campanhas nacionais:</p><p>Limites de doação por naturais e uso de recursos próprios pelos candidatos.</p><p>Compatibilidade material com os cânones democrático, republicano e da igualdade</p><p>política. (...). Ação direta de inconstitucionalidade julgada parcialmente procedente para</p><p>assentar apenas e tão somente a inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do</p><p>art. 31 da Lei 9.096/1995, na parte em que autoriza, a contrário sensu, a realização de</p><p>doações por pessoas jurídicas a partidos políticos, e pela declaração de</p><p>inconstitucionalidade das expressões "ou pessoa jurídica", constante no art. 38, III, e "e</p><p>jurídicas", inserta no art. 39, caput e § 5º, todos os preceitos da Lei 9.096/1995. [ADI 4.650,</p><p>rel. min. Luiz Fux, j. 17-9-2015, P, DJE de 24-2-2016.]</p><p>• Doação eleitoral e proibição de ocultação dos doadores:</p><p>INFORMATIVO DO STF: Doação eleitoral e sigilo. O Plenário, por maioria, julgou</p><p>procedente o pedido formulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade da</p><p>expressão "sem individualização dos doadores", constante da parte final do § 12 do art.</p><p>28 da Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições), acrescentada pela Lei 13.165/2015 (1), para</p><p>considerar que a indicação dos doadores deve ser feita tanto na prestação de contas dos</p><p>partidos quanto dos candidatos.</p><p>A norma impugnada dispõe sobre regras para a prestação de contas de partidos e</p><p>candidatos com relação a valores oriundos de doações. De um lado, os valores</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>96</p><p>transferidos pelos partidos aos candidatos serão registrados na prestação de contas dos</p><p>candidatos como “transferência dos partidos”. De outro, essas mesmas operações serão</p><p>registradas na prestação de contas dos partidos como “transferência aos candidatos”. Em</p><p>ambas, a legislação prevê que os registros serão realizados “sem individualização dos</p><p>doadores”.</p><p>Por fim, o caráter oculto das doações eleitorais importa violação ao art. 17, inciso III, da</p><p>CF (2), segundo o qual a gestão dos partidos políticos pressuporá “a prestação de contas</p><p>à Justiça Eleitoral”. É imprescindível a individualização dos doadores tanto na prestação</p><p>de contas dos partidos quanto na dos candidatos, como exigência de transparência e</p><p>efetividade da própria prestação de contas.</p><p>Nesse contexto, o Colegiado ressaltou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao regular</p><p>as eleições de 2014 pela Resolução TSE 23.406/2014, já havia reconhecido a exigência</p><p>de identificação dos doadores de forma individualizada, com fundamento na Lei</p><p>12.527/2011 (Lei do Acesso à Informação). Desse modo, a inovação legislativa que</p><p>permitiu a “doação oculta” teve nítido</p><p>propósito de contrariar a jurisprudência do TSE.</p><p>• Diferença entre fundo eleitoral e fundo partidário:</p><p>Para o TSE, o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos,</p><p>denominado Fundo Partidário, é constituído por dotações orçamentárias da União, multas,</p><p>penalidades, doações e outros recursos financeiros que lhes forem atribuídos por lei. Os valores</p><p>repassados aos partidos políticos, referentes aos duodécimos e multas (discriminados por</p><p>partido e relativos ao mês de distribuição), são publicados mensalmente no Diário da Justiça</p><p>Eletrônico. Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) é um fundo público</p><p>destinado ao financiamento das campanhas eleitorais dos candidatos, previsto nos artigos 16-C</p><p>e 16-D da Lei nº 9.504/1997. As diretrizes gerais para a gestão e distribuição dos recursos do</p><p>FEFC são regulamentadas pela Resolução-TSE nº 23.605/2019.</p><p>O texto constitucional estabelece:</p><p>§ 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da parcela do fundo</p><p>partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita</p><p>no rádio e na televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas, deverão</p><p>ser de no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional ao número de candidatas, e a</p><p>distribuição deverá ser realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de</p><p>direção e pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário.</p><p>(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022).</p><p>4. FEDERAÇÕES PARTIDÁRIAS</p><p>Regidas pela Lei nº 14.208/2021, que alterou a Lei dos Partidos Políticos (Lei nº</p><p>9.096/1995) e a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/ 1997), para instituir as federações de partidos</p><p>políticos.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>97</p><p>• Pontos importantes:</p><p>→ As federações devem ser registradas na Justiça Eleitoral. Antes, os partidos</p><p>precisam constituir uma associação, que deve ser registrada em cartório de registro civil</p><p>de pessoas jurídicas;</p><p>→ Dois ou mais partidos políticos poderão reunir-se em federação, a qual, após</p><p>sua constituição e respectivo registro perante o Tribunal Superior Eleitoral, atuará como</p><p>se fosse uma única agremiação partidária;</p><p>→ Instrumento que permite a união de dois ou mais partidos que têm afinidade</p><p>programática por pelo menos quatro anos, sem possibilidade de separação nesse período;</p><p>→ Em tese, o STF entendeu que não é igual à da fusão de partidos, quando eles</p><p>passam a ter um único registro no TSE. Ou seja, continuam pessoas jurídicas separadas,</p><p>mas unidas na sua atuação.</p><p>Qual seria a vantagem então? Em tese, para partidos pequenos isso permitiria o acesso</p><p>ao fundo partidário e ao tempo de televisão, que poderiam ficar prejudicados diante da cláusula</p><p>de barreira.</p><p>→ Decisão do STF na Medida Cautelar nº 7.021, ADI DISTRITO FEDERAL:</p><p>DIREITO CONSTITUCIONAL E ELEITORAL. AÇÃO DIRETA DE</p><p>INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. FEDERAÇÃO DE PARTIDOS</p><p>POLÍTICOS. LEI Nº 14.208/2021. DISTINÇÃO EM RELAÇÃO À COLIGAÇÃO.</p><p>CAUTELAR DEFERIDA APENAS QUANTO AO PRAZO DE REGISTRO, PARA</p><p>PRESERVAÇÃO DA ISONOMIA. 1. A lei questionada – Lei nº 14.208/2021 – alterou a</p><p>redação da Lei nº 9.096/1995, criando o instituto da federação partidária. Essa nova figura</p><p>permite a união entre partidos políticos, inclusive para concorrerem em eleições</p><p>proporcionais (para deputado federal, estadual e vereador). Alegação de vícios de</p><p>inconstitucionalidade formal e de inconstitucionalidade material. 1. Trata-se de ação direta</p><p>de inconstitucionalidade, proposta pelo Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, tendo por</p><p>objeto os arts. 1º, 2º e 3º, da Lei nº 14.208/2021, que dispôs sobre a formação de</p><p>“federações partidárias” de caráter nacional, aplicáveis às eleições majoritárias e</p><p>proporcionais. De acordo com o requerente, sob a denominação de federação partidária,</p><p>o que a norma pretende é restabelecer a figura da “coligação partidária” proporcional,</p><p>providência expressamente vedada pelo art. 17, § 1º, da CF, com a redação dada pela</p><p>Emenda Constitucional nº 97/2017. (...) 4. Pede, em sede de liminar, a suspensão dos</p><p>dispositivos atacados, assinalando que já há partidos em processo de negociação para a</p><p>formação de federações, conforme noticiado pela imprensa, e que a sua criação interferirá</p><p>na dinâmica da campanha para as eleições de 2022 e na formação da vontade dos</p><p>cidadãos, gerando um quadro de insegurança e confusão. No mérito, postula a</p><p>confirmação da cautelar, com a declaração de inconstitucionalidade das normas. (...) 28.</p><p>Há, ainda, perigo na demora quanto à apreciação da cautelar, uma vez que a incerteza</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>98</p><p>quanto à constitucionalidade da norma pode comprometer a segurança do pleito de 2022,</p><p>que se aproxima, ou gerar prejuízo ao cumprimento dos prazos já indicados. Nessa linha,</p><p>é imprescindível que haja uma sinalização, por parte do Supremo Tribunal Federal, com a</p><p>maior brevidade possível, para que os partidos possam efetivamente se movimentar para</p><p>constituir as federações, planejar suas estratégias de campanha, construir programas</p><p>comuns, assim como para que os eleitores tenham tempo para compreender o novo</p><p>instituto, conhecer tais programas e avaliar seus votos com adequado nível de informação.</p><p>29. Diante do exposto, defiro parcialmente a cautelar apenas para adequar o prazo para</p><p>constituição e registro das federações partidárias e, nesse sentido: (i) suspendo o inciso</p><p>III do § 3º do art. 11-A da Lei nº 9.096/1995 e o parágrafo único do art. 6º-A da Lei nº</p><p>9.504/1997, com a redação dada pela Lei nº 14.208/2021; bem como (ii) confiro</p><p>interpretação conforme à Constituição ao caput do art. 11-A da Lei nº 9.096/1995, de modo</p><p>a exigir que “para participar das eleições, as federações estejam constituídas como pessoa</p><p>jurídica e obtenham o registro de seu estatuto perante o Tribunal Superior Eleitoral no</p><p>mesmo prazo aplicável aos partidos políticos”. 30. Determino a imediata inclusão desta</p><p>cautelar em Plenário Virtual, para a ratificação do seu teor. Brasília, 8 de dezembro de</p><p>2021.</p><p>Ficou determinado, assim, o prazo de 31 de maio para que as federações sejam formadas</p><p>pelos partidos – excepcionalmente no ano 2022. Nas próximas eleições, o prazo será de 6 meses</p><p>antes do pleito.</p><p>• Diferença entre coligação e federação:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>99</p><p>ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: FEDERALISMO</p><p>BRASILEIRO E REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS</p><p>Estado unitário Estado federal</p><p>Não possui poder constituinte decorrente, ou</p><p>seja, não pode fazer uma Constituição local,</p><p>podendo, apenas, fazer um Estatuto local que</p><p>precisará ser aprovado por órgão central.</p><p>Possui poder decorrente, podendo, assim, elaborar</p><p>sua própria Constituição sem precisar pedir</p><p>autorização ao governo federal.</p><p>Não é prevista nenhuma participação específica</p><p>das regiões autônomas.</p><p>Os Estados federados participam, através de seus</p><p>representantes, na elaboração e revisão da</p><p>Constituição Federal.</p><p>No Estado unitário, não existe qualquer segunda</p><p>Câmara Parlamentar de representação das</p><p>regiões autônomas ou cuja composição seja</p><p>definida em função delas.</p><p>No Estado Federal, existe uma segunda Câmara</p><p>Parlamentar, cuja composição é definida em função</p><p>dos Estados federados (Câmara dos Deputados).</p><p>Estado confederal Estado federal</p><p>Surgiu através de pacto, de um tratado.</p><p>Surgiu por meio de uma Constituição.</p><p>É uma união que permite que a qualquer</p><p>momento seja quebrado o pacto e que um dos</p><p>Estados se retire da Confederação.</p><p>É uma união indissolúvel dos Estados-Membros.</p><p>Não há direito de secessão.</p><p>Permite ao pacto o direito de nulificação pelo</p><p>qual o Estado pode opor-se às decisões do órgão</p><p>central.</p><p>O Estado-Membro, por atuar</p><p>nas decisões do</p><p>Estado Federal através dos senadores, não admite</p><p>discrepância em relação às suas decisões.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>100</p><p>O federalismo brasileiro foi adotado desde a Constituição de 1891, inspiração no modelo</p><p>norte-americano.</p><p>1. CONCEITO</p><p>A partir da obra de Gilmar Mendes (2012), é correto afirmar que o Estado Federal expressa</p><p>um modo de ser do Estado (daí se dizer que é uma forma de Estado) em que se divisa uma</p><p>organização descentralizada, tanto administrativa quanto politicamente, erigida sobre uma</p><p>repartição de competências entre o governo central e os locais, consagrada na CF/88, em que</p><p>os Estados federados participam das deliberações da União, sem dispor do direito de secessão.</p><p>No Estado Federal, de regra, há uma Suprema Corte com jurisdição nacional e é previsto um</p><p>mecanismo de Intervenção federal, como procedimento assecuratório da unidade física e da</p><p>identidade da Federação.</p><p>Com base em de Lucio Levi (2004, p. 481) Federação é uma “pluralidade de centros de</p><p>poder, coordenados e autônomos entre si, de tal modo que ao Governo Federal que tem</p><p>competência sobre o inteiro território da Federação, seja conferida uma quantidade mínima de</p><p>poderes, indispensável para garantir a unidade política e econômica, e aos Estados federados,</p><p>que têm competência cada um sobre o próprio território, sejam assinalados os demais poderes”.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>101</p><p>2. COMPOSIÇÃO</p><p>Para distinguirmos com maior clareza o que significa o Estado Federal (representado pela</p><p>União) e o que significa Estado-Membro, estes dois conceitos são fundamentais. Diz-se que a</p><p>soberania é atributo do Estado Federal, que detém o poder/dever de manter a unidade federativa</p><p>como um todo, o que lhe confere “poder” – soberania sobre os demais membros do pacto</p><p>federativo. Já a autonomia é nota características dos demais entes, haja vista que reflete e</p><p>representa a ideia de descentralização, nos limites, é claro, da própria soberania. Assim, a</p><p>autonomia é a possibilidade de coordenação desses entes, tanto administrativa, como política e</p><p>financeiramente.</p><p>• Exemplos de autonomia:</p><p>Poder Constituinte decorrente, que é o poder de cada Estado-membro de ter uma</p><p>Constituição (CF, art. 25, caput, c/c art. 11, ADCT, CF 1988);</p><p>Estado Federal</p><p>(soberano- art.</p><p>1o da CF)</p><p>União</p><p>(autônoma)</p><p>Distrito</p><p>Federal</p><p>art.32 da CF</p><p>(autônomo)</p><p>Município</p><p>art.30 da CF</p><p>(autônomo)</p><p>Estado-</p><p>Membro</p><p>art. 25 da CF</p><p>(autônomo)</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>102</p><p>Impossibilidade de um ente federativo criar obrigações contra o outro, que não aquelas já</p><p>estabelecidas na Constituição federal (art. 18 e 19, CF 1988);</p><p>A possibilidade de intervenção federal é excepcionalidade e necessitam estar</p><p>expressamente previstos na Constituição federal (“intervenção” – arts. 34 e 36, CF 1988);</p><p>Participação igualitária de todos Estados-membros na formação da "vontade" legislativa</p><p>federal/nacional Senado Federal (art. 46, § 1°, CF 1988), e paralela à Câmara legislativa de</p><p>representantes do povo (Câmara dos Deputados, art. 45, caput, CF 1988).</p><p>• Secessão:</p><p>Secessão seria a possibilidade de um Estado desligar-se da Federação, contudo, como</p><p>os Estados–Membros são autônomos e não soberanos, não existe tal possibilidade, que</p><p>somente poderia ser vislumbrada numa confederação. Daí de ser dizer que a União dos Estados</p><p>é indissolúvel e constitui-se cláusula pétrea na CF/88.</p><p>Art. 18 da CF: A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil</p><p>compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos,</p><p>nos termos desta Constituição.</p><p>§ 1º - Brasília é a Capital Federal.</p><p>§ 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado</p><p>ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.</p><p>Atenção!</p><p>Os territórios integram a federação brasileira,</p><p>mas não são entes autônomos, justamente</p><p>porque integram a União. Atualmente não</p><p>temos mais territórios, mas os mesmos</p><p>podem ser criados. Exemplo: Fernando de</p><p>Noronha foi um território e se agregou ao</p><p>Estado de Pernambuco.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>103</p><p>3. ENTES FEDERATIVOS</p><p>3.1. União Federal</p><p>A partir da obra de Gilmar Mendes (2011, p. 832/833) tem-se que: “A União é fruto da</p><p>junção dos Estados entre si, é a aliança indissolúvel destes. É quem age em nome da Federação.</p><p>No plano legislativo edita tanto leis nacionais – que alcançam todos os habitantes do território</p><p>nacional e outras esferas da federação – como leis federais- que incidem sobre os jurisdicionados</p><p>da União, como servidores federais e o aparelho administrativo da União. Possui bens próprios</p><p>definidos nano art. 20 da CF”.</p><p>Art. 20 da CF: São bens da União:</p><p>I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;</p><p>II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e</p><p>construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental,</p><p>definidas em lei;</p><p>III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que</p><p>banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a</p><p>território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias</p><p>fluviais;</p><p>IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas;</p><p>as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de</p><p>Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental</p><p>federal, e as referidas no art. 26, II;</p><p>V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;</p><p>VI - o mar territorial;</p><p>VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;</p><p>VIII - os potenciais de energia hidráulica;</p><p>IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;</p><p>X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;</p><p>XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.</p><p>• Participação dos entes na exploração:</p><p>§1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios,</p><p>bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração</p><p>de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de</p><p>outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona</p><p>econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>104</p><p>• Espaço de defesa do território nacional:</p><p>150 km - § 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das</p><p>fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa</p><p>do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.</p><p>3.2. Estados-membros</p><p>Na forma do artigo 1º, CF 1988, a união dos Estados-membros é indissolúvel, e, portanto,</p><p>inexiste possibilidade jurídica de um Estado-membro separar-se do restante do Brasil para</p><p>constituir um novo Estado, soberano e independente. Constitucionalmente só são possíveis</p><p>alterações na atual estrutura político-territorial dos Estados-membros. Assim, é vedada a</p><p>secessão dos Estados brasileiros.</p><p>Os Estados brasileiros terão Constituições Estaduais, conforme prevê art 25 da</p><p>Constituição Federal e o art. 11 do ADCT.</p><p>Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:</p><p>I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito,</p><p>ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;</p><p>II - as áreas, nas ilhas oceânicas</p><p>e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas</p><p>aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;</p><p>III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;</p><p>IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.</p><p>3.3. Municípios</p><p>No caso brasileiro, Municípios integram o Estado (art. 1º, caput, c/c art. 18, caput, CF</p><p>1988), e como tal, possuem competências constitucionais próprias e originárias, tanto legislativas</p><p>quanto de auto-organização político-administrativa, detenho competências em se tratando de</p><p>"interesse local" (art. 30, I, CF 1988).</p><p>Daí uma grande peculiaridade do federalismo brasileiro: os municípios são entes</p><p>federativos e gozam de autonomia.</p><p>Poder de organização por lei orgânica, conforma art. 29 da CF/88.</p><p>3.4. Distrito Federal</p><p>Possui características ora de estado – membro, ora de município. Exemplo: possui</p><p>Governador e Senador Distrital, chamamos de Câmara Legislativa, possui Lei orgânica e não</p><p>Constituição Distrital;</p><p>Nas competências legislativas, terá tanto as dos estados- membros como as de município;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>105</p><p>Não poderá ser dividido em municípios.</p><p>Art. 32 da CF: O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei</p><p>orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois</p><p>terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos</p><p>nesta Constituição.</p><p>§ 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos</p><p>Estados e Municípios.</p><p>4. PROCEDIMENTOS PARA ALTERAÇÃO DE ESTADOS–MEMBROS E MUNICÍPIOS</p><p>4.1 Estado-membro:</p><p>Art. 18, § 3°, CF 1988: Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou</p><p>desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios</p><p>Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de</p><p>plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.</p><p>• Incorporação:</p><p>União de dois ou mais Estados-membros para formação de um novo e único Estado-</p><p>membro – nasce nova personalidade jurídica e desaparecem as anteriores;</p><p>• Subdivisão:</p><p>Seccionamento do território de um Estado-membro para criação de dois novos Estado-</p><p>membros, desaparece a personalidade jurídica do estado anterior e nascem duas novas;</p><p>• Desmembramento:</p><p>Caso 1: desmembramento de parte do território de um Estado-membro para anexação a</p><p>outro Estado-membro já existente – no caso não se alteram as personalidades jurídicas;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>106</p><p>Caso 2: desmembramento de parte do território para formação ou criação de novo</p><p>Estado-membro ou Território nessa porção desmembrada- permanece a personalidade jurídica</p><p>do estado-membro que foi desmembrado e cria-se uma nova personalidade jurídica.</p><p>• Procedimento - Art. 18, § 3°, da CF/88:</p><p>→ Necessidade da prévia "aprovação da população diretamente interessada,</p><p>através de plebiscito" (Caráter vinculativo).</p><p>→ Devem ser "ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas" (art. 48, VI, CF</p><p>1988) antes da promulgação da lei complementar federal pelo Congresso Nacional.</p><p>Devendo apenas ser ouvidas, não têm as Assembleias um poder de veto ou de proibição,</p><p>caráter meramente político, a fim de legitimar a futura decisão do Congresso Nacional</p><p>→ Promulgação da lei complementar federal pelo Congresso definindo a</p><p>incorporação, subdivisão ou desmembramento.</p><p>4.2 Municípios</p><p>Art. 18, § 4°: A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-</p><p>se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e</p><p>dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios</p><p>envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e</p><p>publicados na forma da lei.</p><p>• Criação ("emancipação"):</p><p>Secção de parte do território de um Município para constituição de novo Município. O</p><p>Município anterior permanece existindo no território remanescente e cria-se nova personalidade</p><p>jurídica;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>107</p><p>• Fusão:</p><p>Dois Municípios se unem, constituindo um novo Município (e desaparecendo os</p><p>anteriores) e se cria nova personalidade jurídica;</p><p>• Incorporação:</p><p>um município é absorvido por outro município, desaparecendo aquele - não se altera a</p><p>personalidade jurídica daquele que incorpora e desaparece daquele que foi incorporado;</p><p>• Desmembramento:</p><p>Secção de parte do território de um Município para inclusão dessa parte no território de</p><p>outro Município. Não se alteram as personalidades jurídicas.</p><p>ATENÇÃO!</p><p>Procedimento mais complexo para municípios tipos de estado</p><p>Estudos de viabilidade técnica municipal – Sua regulamentação também deve ocorrer</p><p>na lei complementar federal, trata-se de comprovar que o novo Município tem de fato</p><p>viabilidade (autonomia financeira, sobretudo). A comprovação desses estudos deverá ser</p><p>feita previamente ao plebiscito, logo não haverá plebiscito se os estudos não comprovam</p><p>a possibilidade de viabilidade.</p><p>Consulta Prévia das "populações dos Municípios envolvidos" – Conforme já se viu</p><p>acima, trata-se de uma consulta que envolve a população inteira e não somente aquela</p><p>que integra a área de criação, incorporação, fusão ou desmembramento (art. 7°, Lei n°</p><p>9.709/98 – Lei de plebiscitos e referendos).</p><p>Lei Complementar Federal - O texto originário da CF 1988 nada dispunha sobre a</p><p>necessidade de uma lei complementar federal, mas alteração constitucional em 1996</p><p>trouxe essa exigência. Contudo, até hoje não foi editada a lei, logo, na prática inexiste a</p><p>possibilidade de criação de novo município.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>108</p><p>COMPETÊNCIAS</p><p>LEGISLATIVAS: referem-se</p><p>à competência de criar leis</p><p>COMPETÊNCIAS</p><p>ADMINISTRATIVAS:</p><p>referem-se à execução de</p><p>ações</p><p>EXCLUSIVA</p><p>COMUM</p><p>Lei Estadual determinando a "criação, incorporação, fusão ou desmembramento" de</p><p>Município, isto é: conferindo personalidade e capacidade jurídica ao novo ente municipal.</p><p>Atenção ao art. 96 do ADCT – regra de transição: Ficam convalidados os atos de</p><p>criação, fusão, incorporação e desmembramento de Municípios, cuja lei tenha sido</p><p>publicada até 31 de dezembro de 2006, atendidos os requisitos estabelecidos na</p><p>legislação do respectivo Estado à época de sua criação."</p><p>5. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA</p><p>No âmbito da repartição de competência, é fundamental compreender a nomenclatura</p><p>para entender o que enuncia o dispositivo constitucional, sendo assim precisamos atentar a</p><p>esses significados:</p><p>PRIVATIVA</p><p>REMANESCENTE</p><p>CONCORRENTE</p><p>DELEGADA</p><p>EXCLUSIVA</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>109</p><p>5.1 Tipos de competência – Nomenclaturas</p><p>• Competência comum:</p><p>A competência nesse caso é administrativa, significa que todos os Entes recebem</p><p>atribuição sobre aquela matéria, a exemplo do art. 23 da CF/88.</p><p>União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Parágrafo único. Lei complementar 140.</p><p>Competência comum regulamentada por lei complementar.</p><p>Art. 23 da CF: É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos</p><p>Municípios:</p><p>Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e</p><p>os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do</p><p>desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.</p><p>• Competência exclusiva:</p><p>Não há delegação, pertence somente aquele ente que recebeu a competência. Ela poderá</p><p>ser tanto uma competência exclusiva administrativa, ex: art</p><p>21 e art 30, III a IX da Constituição,</p><p>quanto uma competência exclusiva Legislativa, ex: art 30, I e II. Porém, o uso dos potenciais de</p><p>energia hidroelétrica será em conjunto com os Estados-membros.</p><p>• Competência privativa:</p><p>A competência privativa é uma competência legislativa, e sobre ela há possibilidade de</p><p>delegação de competência para outro ente federativo. No caso brasileiro, temos a competência</p><p>privativa sendo da União, mas podendo ser delegada aos Estados, matéria específica, mediante</p><p>Lei complementar federal. Lei complementar nº 103/2000 – piso salarial. Ex: art22 da</p><p>Constituição.</p><p>Art. 22 da CF: Compete privativamente à União legislar sobre:</p><p>Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões</p><p>específicas das matérias relacionadas neste artigo.</p><p>• Competência concorrente:</p><p>Sobre a matéria os entes recebem diferentes competências legislativas, que podem ser</p><p>pela e suplementar. art. 24 da CF. A legislação concorrente, apenas União, Estados e Distrito</p><p>Federal e combinado com o art 30 II, também se estende aos municípios.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>110</p><p>Art. 24 da CF: Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar</p><p>concorrentemente sobre:</p><p>§ 1º - União Legisla sobre normas gerais, sendo que os Estados suplementarão a União</p><p>(§2º). Exemplo: custas dos serviços forenses. CTN estabelece o que é taxa, Estados</p><p>estabelecem as hipóteses de incidência, contribuinte e alíquotas.</p><p>§1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a</p><p>estabelecer normas gerais. Nesse caso dizemos que exerce competência plena!!</p><p>§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência</p><p>suplementar dos Estados. Nesse caso, dizemos que os estados e o distrito federal</p><p>exercem a chamada competência suplementar.</p><p>§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência</p><p>legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. Lembrar que nesse caso os estados</p><p>e o Distrito Federal poderão exercer competência plena em matéria de normas gerais!</p><p>§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei</p><p>estadual, no que lhe for contrário.</p><p>Aqui se estabelece a relação entre competência plena e competência suplementar. A</p><p>competência plena, como regra será da União para legislar sobre normas gerais, enquanto os</p><p>Estados poderão suplementar tal legislação. Contudo, na ausência de norma geral da União, os</p><p>Estados poderão exercer a competência plena sobre normas gerais.</p><p>Na competência concorrente, prevalece a preponderância de interesse (União: interesse</p><p>geral; Estado: regionais; e Município: local) em relação a legislação sobre normas gerais e</p><p>normas suplementares).</p><p>Atenção!</p><p>Nesse caso, legislação de normas gerais</p><p>criadas pela União após a criação de normas</p><p>gerais pelo Estado em face da inexistência</p><p>anterior de norma da União, apenas</p><p>suspende no que for contrária, ou seja,</p><p>mantém validade as normas gerais estaduais</p><p>desde que sejam compatíveis com a</p><p>legislação federal! Exemplo: normas sobre a</p><p>proteção do idoso.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>111</p><p>→ Vejamos um exemplo em que extrapolar a competência suplementar</p><p>gerará uma inconstitucionalidade da Lei Estadual:</p><p>Concessão de descontos em farmácias e competência legislativa concorrente -</p><p>ADI 2435/RJ - É formalmente inconstitucional lei estadual que concede</p><p>descontos aos idosos para aquisição de medicamentos em farmácias</p><p>localizadas no respectivo estado. Ao determinar a concessão de desconto de até</p><p>30% nas medicações destinadas aos idosos com idade superior a 60 (sessenta)</p><p>anos, a legislação estadual viola a regulação do setor estabelecida pelas Leis</p><p>federais 10.213/2001 e 10.742/2003 e pelas medidas provisórias que as</p><p>antecederam, pois altera a linha condutora do equilíbrio do mercado</p><p>farmacêutico traçado pela política pública de preços e acesso a medicações</p><p>desenhada pela União.</p><p>A lei estadual, portanto, extrapola a sua competência supletiva e invade a</p><p>competência da União para legislar sobre normas gerais de proteção e defesa da saúde,</p><p>direito econômico e proteção do consumidor (art. 24, XII, da Constituição Federal). Com</p><p>esse entendimento, o Plenário, por maioria, declarou a inconstitucionalidade formal da Lei</p><p>3.542/2001 do estado do Rio de Janeiro. ADI 2435/RJ, relator. Min. Cármen Lúcia, redator</p><p>do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 18.12.2020 (INF 1003).</p><p>No entanto, em algumas matérias do art. 24, a Jurisprudência do STF vem</p><p>consolidando a possibilidade do Município legislar concorrente para atender o interesse</p><p>local, a exemplo da matéria da saúde no caso Covid 19 e, principalmente, consolidada do</p><p>STF está a matéria ambiental.</p><p>→ Exemplo em matéria ambiental:</p><p>RECURSO EXTRAORDINÁRIO 194.704 MINAS GERAIS - EMENTA: RECURSO</p><p>EXTRAORDINÁRIO. LEI MUNICIPAL 4.253/85 DO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE.</p><p>PREVISÃO DE IMPOSIÇÃO DE MULTA DECORRENTE DA EMISSÃO DE FUMAÇA</p><p>ACIMA DOS PADRÕES ACEITOS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE POR</p><p>OFENSA À REGRA CONSTITUCIONAL DE REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS</p><p>FEDERATIVAS. INOCORRÊNCIA. NORMA RECEPCIONADA PELO TEXTO VIGENTE.</p><p>RECURSO EXTRAORDINÁRIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos casos em que</p><p>a dúvida sobre a competência legislativa recai sobre norma que abrange mais de um tema,</p><p>deve o intérprete acolher interpretação que não tolha a competência que detêm os entes</p><p>menores para dispor sobre determinada matéria (presumption against preemption). 2.</p><p>Porque o federalismo é um instrumento de descentralização política que visa realizar</p><p>direitos fundamentais, se a lei federal ou estadual claramente indicar, de forma adequada,</p><p>necessária e razoável, que os efeitos de sua aplicação excluem o poder de</p><p>complementação que detêm os entes menores (clear statement rule), é possível afastar a</p><p>presunção de que, no âmbito regional, determinado tema deve ser disciplinado pelo ente</p><p>menor. 3. Na ausência de norma federal que, de forma nítida (clear statement rule), retire</p><p>a presunção de que gozam os entes menores para, nos assuntos de interesse comum e</p><p>concorrente, exercerem plenamente sua autonomia, detêm Estados e Municípios, nos</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=1924959</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=1924959</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/informativoSTF/anexo/Informativo_PDF/Informativo_stf_1003.pdf</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>112</p><p>seus respectivos âmbitos de atuação, competência normativa. RESSALTA-SE</p><p>CONTUDO, QUE NÃO PODERIA DIMINUIR O ÂMBITO DA PROTEÇÃO AMBIENTAL!</p><p>EXEMPLO STF - É inconstitucional a legislação estadual que, flexibilizando exigência legal</p><p>para o desenvolvimento de atividade potencialmente poluidora, cria modalidade mais</p><p>simplificada de licenciamento ambientaL -ADI 6672/RR, relator Min. Alexandre de Moraes,</p><p>julgamento virtual finalizado em 14.9.2021</p><p>→ Exemplo em direito à saúde:</p><p>ADI 6132/GO, relatora Min Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 26.11.2021</p><p>(sexta-feira), às 23:59 (INF 1039) Covid-19: imunização de adolescentes por estados,</p><p>municípios e DF - ADPF 756 TPI-oitava-Ref/DF Resumo: A decisão de promover a</p><p>imunização contra a Covid-19 em adolescentes acima de 12 anos, observadas as</p><p>evidências científicas e análises estratégicas pertinentes, insere-se na competência dos</p><p>estados, do Distrito Federal e dos municípios. Os entes federados possuem competência</p><p>concorrente para adotar as providências normativas e administrativas necessárias ao</p><p>combate à pandemia. Nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei 13.979/2020[2], a decisão sobre</p><p>a inclusão ou a exclusão de adolescentes entre as pessoas a serem vacinadas deve levar</p><p>em consideração</p><p>pelo originário;</p><p>Sua missão é a de estruturar as Constituições dos Estados-membros –</p><p>competência que decorre da capacidade de auto-organização (característica dos sistemas</p><p>federativos);</p><p>Intervém para exercer uma tarefa de caráter nitidamente constituinte, tem um</p><p>caráter de complementaridade com relação à Constituição Federal;</p><p>Com relação ao âmbito de abrangência do território dos Estados-membros, o</p><p>exercício do poder constituinte derivado decorrente, foi concebido às Assembleias</p><p>legislativas, conforme estabelece o art. 11 dos ADCT.</p><p>→ Poder constituinte derivado revisor:</p><p>Também é limitado e condicionado, tem natureza jurídica e foi criado pelo</p><p>constituinte originário; não se trata necessariamente de um poder, mas de um processo</p><p>de revisão que está limitado pelo poder originário.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>11</p><p>O artigo 3º do ADCT determinou que a revisão constitucional aconteceria após 5</p><p>anos da promulgação constitucional, pelo voto da maioria absoluta dos membros do</p><p>Congresso nacional, em sessão unicameral;</p><p>A revisão poderia se dar numa única vez, não podendo passar por uma segunda</p><p>produção de efeitos; o limite material do poder de revisão é o mesmo derivado do poder</p><p>constituinte reformador, qual seja, as cláusulas pétreas do art. 60, parágrafo 4º e incisos,</p><p>da Constituição Federal.</p><p>→ Poder constituinte derivado difuso (mudança não formal da Constituição,</p><p>apenas material):</p><p>Pode ser caracterizado como um poder de fato, que se manifesta por meio das</p><p>mutações constitucionais – ou seja, por meio da hermenêutica jurídica. Se, por um lado,</p><p>as mudanças implementadas pelo poder Constituinte derivado reformador significam</p><p>formal, que por meio de emendas constitucionais alteram o texto da Constituição, o poder</p><p>constituinte difuso faz suas transformações de modo espontâneo e informal, ou seja,</p><p>através de um verdadeiro poder de fato decorrente das transformações sociais, políticas</p><p>e econômicas, das mutações constitucionais (LENZA, 2023).</p><p>O texto é o mesmo, mas o sentido que lhe é atribuído é outro. Esse ponto é</p><p>fundamental, uma vez que, destaca-se, não há alteração formal da Constituição, apenas</p><p>atua-se em uma hipótese de sentido, no qual a Constituição, enquanto elemento vivo,</p><p>também busca acompanhar a realidade a qual ela pretende retratar, razão pela qual está</p><p>em constante interpretação.</p><p>5. FENÔMENOS QUE ENVOLVEM UMA NOVA CONSTITUIÇÃO</p><p>• Recepção:</p><p>É o fenômeno pelo qual se recepciona toda a Legislação infraconstitucional anterior à</p><p>Constituição que for materialmente compatível com a ordem constitucional. O Brasil adota a</p><p>recepção material, sendo assim, não importando a forma, a espécie normativa da norma, mas</p><p>sim seu conteúdo:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>12</p><p>Nesse contexto, a questão central consiste em saber quando o advento de um novo Texto</p><p>Constitucional acarreta a revogação de uma norma infraconstitucional anterior. Em</p><p>resposta, cumpre ter em vista que a nova ordem constitucional inaugurada sempre</p><p>recebe a normatividade infraconstitucional que lhe é perfeitamente compatível,</p><p>ainda que tal acolhimento possa ocorrer a partir de uma nova “roupagem normativa”,</p><p>originando, pois, o fenômeno da recepção, segundo o qual a legislação</p><p>infraconstitucional produzida antes da instalação de uma nova Constituição será</p><p>considerada acolhida pelo novel Texto Magno, continuando, por princípio de economia</p><p>e segurança legislativa, a viger no âmbito próprio de sua atuação ordinária (REIS,</p><p>2020, p. 21)</p><p>• Repristinação da norma constitucional:</p><p>Ocorre quando uma legislação infraconstitucional revogada sob a égide da Constituição</p><p>anterior é revigorada pela nova ordem constitucional. No plano constitucional do Brasil não é</p><p>possível, já no plano infraconstitucional sim.</p><p>• Repristinação da norma constitucional:</p><p>No que concerne à repristinação, ou seja, a possibilidade de restauração da eficácia da</p><p>norma revogada pela perda de vigência da norma revogadora, não nos parece que o mero</p><p>advento de um novo texto constitucional tenha o condão de restaurar a eficácia de lei</p><p>ordinária revogada pela Constituição anterior. E por quê? Basicamente em virtude do fato</p><p>de tal procedimento instilar grande insegurança nas relações jurídicas, cujos efeitos já se</p><p>consolidaram, tornando, portanto, impróprio o retorno à situação antecedente (SILVA</p><p>NETO, 2009, p. 146).</p><p>• Desconstitucionalização:</p><p>Ocorreria quando a nova ordem constitucional receberia a ordem anterior, mas dando-lhe</p><p>status de norma infraconstitucional. Não é admitida no direito brasileiro. Admite-se, como</p><p>excepcionalidade, receber parte de Constituição anterior, se a nova o fizer de forma expressa,</p><p>tal como ocorreu em relação ao art. 34 dos ADCT.</p><p>6. ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO</p><p>• Preâmbulo:</p><p>O preâmbulo da Constituição é uma introdução solene que apresenta o contexto histórico,</p><p>político e social em que ela foi elaborada, bem como os valores, princípios e objetivos que</p><p>norteiam o texto constitucional. É uma espécie de declaração de intenções e de compromissos</p><p>dos constituintes em relação à sociedade e ao Estado que estão criando. O preâmbulo tem um</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>13</p><p>importante valor simbólico e político, pois reforça os ideais e os compromissos dos constituintes</p><p>em relação à construção de um Estado Democrático de Direito.</p><p>Eis o texto do preâmbulo da Constituição Federal de 1988:</p><p>Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte</p><p>para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos</p><p>sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a</p><p>igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem</p><p>preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e</p><p>internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de</p><p>Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.</p><p>Contudo, é importante referir que ele não possui força normativa, segundo entendimento</p><p>do STF, na ADI 2076:</p><p>“O preâmbulo (...) não se situa no âmbito do Direito, mas no domínio da política, refletindo</p><p>posição ideológica do constituinte. É claro que uma Constituição que consagra princípios</p><p>democráticos, liberais, não poderia conter preâmbulo que proclamasse princípios diversos.</p><p>Não contém o preâmbulo, portanto, relevância jurídica. O preâmbulo não constitui norma</p><p>central da Constituição, de reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro. O</p><p>que acontece é que o preâmbulo contém, de regra, proclamação ou exortação no sentido</p><p>dos princípios inscritos na Carta: princípio do Estado Democrático de Direito, princípio</p><p>republicano, princípio dos direitos e garantias, etc. Esses princípios, sim, inscritos na</p><p>Constituição, constituem normas centrais de reprodução obrigatória, ou que não pode a</p><p>Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária, dado que, reproduzidos, ou</p><p>não, na Constituição estadual, incidirão na ordem local.”, ADI 2.076, julgamento em 15-8-</p><p>2002, Plenário, DJ de 8-8-2003.)</p><p>• Corpo constitucional:</p><p>Formado pelos 250 artigos da Constituição Federal, traz as regras e princípios</p><p>norteadores da organização do Estado e dos Poderes, os direitos e garantias fundamentais. Vale</p><p>lembrar que tanto as regras quanto os princípios implícitos e explícitos possuem força normativa</p><p>e vinculam todos os poderes públicos a sua concretização.</p><p>• Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:</p><p>Os Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) são um conjunto de normas</p><p>que constam nas constituições de diversos países, incluindo o Brasil. Essas normas têm como</p><p>objetivo</p><p>as evidências científicas e as análises estratégicas em saúde. Com base</p><p>nesses entendimentos, o Plenário, por unanimidade, referendou medida cautelar deferida</p><p>em arguição de descumprimento de preceito fundamental. ADPF 756 TPI-oitava-Ref/DF,</p><p>relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado em 8.10.2021 (sexta-feira),</p><p>às 23:59 (INF 1033)</p><p>→ Mais um exemplo:</p><p>Outra jurisprudência interessante em termos de competência concorrente é a</p><p>Regulamentação de publicidade dirigida às crianças em estabelecimentos de educação</p><p>básica - ADI 5631/BA. Base legal: CF/1988: “Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao</p><p>Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: (...) V - produção e consumo; (...) IX -</p><p>educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e</p><p>inovação;”</p><p>Resumo: É constitucional legislação estadual que proíbe toda e qualquer atividade de</p><p>comunicação comercial dirigida às crianças nos estabelecimentos de educação básica. Os</p><p>estados federados têm competência legislativa para restringir o alcance da publicidade</p><p>dirigida à criança enquanto estiverem nos estabelecimentos de educação básica. Essa</p><p>restrição promove a proteção da saúde de crianças e adolescentes, dever que a própria</p><p>Constituição Federal (CF) define como sendo de absoluta prioridade. ADI 5631/BA, relator</p><p>Min. Edson Fachin, julgamento em 25.3.2021</p><p>→ Recente decisão do STF, em temas polêmicos de competência,</p><p>especificamente sobre usurpação de competência da União:</p><p>É inconstitucional lei estadual que impõe aos prestadores privados de serviços de ensino</p><p>a obrigação de estender o benefício de novas promoções aos clientes preexistentes.”</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5693427</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5693427</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/informativoSTF/anexo/Informativo_PDF/Informativo_stf_1039.pdf</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6035593</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6035593</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6035593</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6035593</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/informativoSTF/anexo/Informativo_PDF/Informativo_stf_1033.pdf</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5110385</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5110385</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>113</p><p>Resumo: É indevida a inclusão de serviços privados de educação no rol de fornecedores</p><p>obrigados a conceder, a seus clientes preexistentes, os mesmos benefícios de promoções</p><p>posteriormente realizadas. Isso porque, nos termos do art. 22, I, da Constituição Federal</p><p>(CF) (1), há usurpação da competência privativa da União para legislar sobre direito civil.</p><p>Ademais, a norma estadual, ao impor aos prestadores de serviços de ensino a obrigação</p><p>de estender o benefício de novas promoções a clientes preexistentes, promove ingerência</p><p>em relações contratuais estabelecidas, sem que exista conduta abusiva por parte do</p><p>prestador. Além disso, a Lei federal 9.870/1999 estabelece normas gerais para fixação de</p><p>anuidades escolares em âmbito nacional. No caso, o legislador estadual contrariou as</p><p>normas gerais editadas legitimamente pelo Congresso Nacional sobre o tema, o que</p><p>caracteriza afronta ao art. 24, §§ 1º e 2º, da CF (2). Com base nesse entendimento, o</p><p>Plenário, por maioria, julgou procedente ação direta e declarou a inconstitucionalidade do</p><p>art. 1º, parágrafo único, e, da Lei 7.077/2015, do Estado do Rio de Janeiro. Vencidos os</p><p>ministros Rosa Weber (relatora), Edson Fachin e Alexandre de Moraes. (1) CF: “Art. 22.</p><p>Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal,</p><p>processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;” (2) CF: “Art.</p><p>24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:</p><p>(...) § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a</p><p>estabelecer normas gerais. § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais</p><p>não exclui a competência suplementar dos Estados.” ADI 6614/RJ, relatora Min. Rosa</p><p>Weber, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em</p><p>12.11.2021</p><p>→ Sobre interrupção de fornecimento de energia elétrica, competência da</p><p>União:</p><p>Interrupção de fornecimento de energia elétrica e competência privativa da União - ADI</p><p>5798/TO. Resumo: Compete à União definir regras de suspensão e interrupção do</p><p>fornecimento dos serviços de energia elétrica. Cabe à União, de forma privativa, legislar</p><p>sobre energia (1), bem como dispor acerca do regime de exploração do serviço de energia</p><p>elétrica, aí incluídas as medidas de suspensão ou interrupção de seu fornecimento (2).No</p><p>caso, a norma impugnada não se restringiu à proteção do consumidor, pois, ao estipular</p><p>regras pertinentes à suspensão do fornecimento dos serviços de energia elétrica, interferiu</p><p>efetivamente no conteúdo dos contratos administrativos firmados entre a União e as</p><p>respectivas empresas concessionárias.Com base nesse entendimento, o Plenário, por</p><p>maioria, julgou procedente o pedido formulado em ação direta para declarar a</p><p>inconstitucionalidade da expressão “de energia elétrica” constante do art. 1º da Lei</p><p>3.244/2017 do Estado do Tocantins (3). Vencido o ministro Edson Fachin. (1) CF: “Art. 22.</p><p>Compete privativamente à União legislar sobre: (...) IV - águas, energia, informática,</p><p>telecomunicações e radiodifusão;” (2) CF: “Art. 21. Compete à União: (...) XII - explorar,</p><p>diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: (...) b) os serviços e</p><p>instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em</p><p>articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;” (3) Lei</p><p>3.244/2017 do Estado do Tocantins: “Art. 1º É proibida, no âmbito do Estado do Tocantins,</p><p>a suspensão do fornecimento de energia elétrica e água tratada pelas concessionárias,</p><p>por falta de pagamento de seus usuários: I - entre 12h de sexta-feira e 8h da segunda-</p><p>feira; II - entre as 12h do dia útil anterior e 8h do dia subsequente a feriado nacional,</p><p>estadual ou municipal.” ADI 5798/TO, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual</p><p>finalizado em 3.11.2021</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>114</p><p>→ STF- Viola a Constituição leis municipais que legislem sobre autorização</p><p>e exploração de rádios comunitárias -ADPF: lei municipal, rádios</p><p>comunitárias e competência privativa da União - ADPF 335/MG</p><p>Tese fixada: “É inconstitucional lei municipal que dispõe sobre a autorização e exploração</p><p>de serviço de radiodifusão comunitária.” Resumo: Por tratar de matéria de competência</p><p>reservada à União, apresenta vício de inconstitucionalidade formal lei municipal que: a)</p><p>institui direitos e obrigações das rádios comunitárias, b) autoriza seu funcionamento e</p><p>exploração no âmbito de seu território, e c) estabelece infrações, sanções e o pagamento</p><p>de taxa de funcionamento. As normas constitucionais são claras ao dispor que cabe à</p><p>União legislar privativamente a respeito da radiodifusão, assim como explorar os serviços</p><p>de radiodifusão sonora [Constituição Federal (CF), art. 21, XII, a; art. 22, IV; art. 223[1]].</p><p>Dentro do esquema constitucional de competências, não há espaço para a atuação do</p><p>legislador municipal. Principalmente quando se observa que o ato normativo local não está</p><p>de acordo com a disciplina nacional sobre o tema (Lei 9.612/1998).Com esse</p><p>entendimento, o Plenário julgou procedente pedido formulado em arguição de</p><p>descumprimento de preceito fundamental para declarar a inconstitucionalidade formal da</p><p>Lei 9.418/2004 do município de Uberaba/MG.ADPF 335/MG, relator Min. Roberto Barroso,</p><p>julgamento virtual finalizado em 27.8.2021 (INF 1027).</p><p>• Competência remanescente:</p><p>O que não pertence a outro ente federativa,</p><p>pertence àquele que será então o</p><p>remanescente. No caso brasileiro, as competências legislativas remanescente pertencem aos</p><p>Estados, pois a União e Municípios receberam competências enumeradas na Constituição,</p><p>conforme regra do art. 25°, parágrafo 1º:</p><p>Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem,</p><p>observados os princípios desta Constituição.</p><p>§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta</p><p>Constituição.</p><p>Observação:</p><p>As competências tributárias dos entes políticos são exercidas de forma exclusiva. Assim,</p><p>o Legislador Constituinte Originário, com o intuito de preservar a própria federação,</p><p>especialmente a capacidade de autonomia administrativa dos entes políticos, distribuiu a</p><p>tais entes determinada parcela de fatos econômicos tributáveis exclusivamente por eles.</p><p>Por conseguinte, foram distribuídos, de forma exclusiva, os impostos da União (CF, art.</p><p>153, I), os impostos dos Estados e do Distrito Federal (CF, art. 155) e os impostos dos</p><p>Municípios (CF, art. 156).</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4732543</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4732543</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4732543</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4732543</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/informativoSTF/anexo/Informativo_PDF/Informativo_stf_1027.pdf</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>115</p><p>5.2. Esquema de repartição de competências</p><p>TIPOS DE</p><p>COMPETÊNCIAS UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS DISTRITO</p><p>FEDERAL</p><p>ADMINISTRATIVA</p><p>Exclusiva</p><p>Art.21</p><p>Comum</p><p>Art.23</p><p>Exclusiva</p><p>Art.25 parágrafo 2º</p><p>Remanescente Que</p><p>sobrou – não</p><p>pertence a ninguém</p><p>será do Estado):</p><p>Aquelas que não</p><p>estejam no art 21</p><p>(união que não</p><p>estejam no art 23</p><p>todos– que não</p><p>estejam no art 30, III-</p><p>IX- porque é do</p><p>municípios)</p><p>Comum</p><p>Art.23</p><p>Exclusiva</p><p>Art 30, III – IX</p><p>Comum</p><p>Art.23</p><p>Exclusiva</p><p>NÃO ATRIBUI!</p><p>Obs: art 32 da</p><p>CF/88</p><p>Comum</p><p>Art.23</p><p>LEGISLATIVA</p><p>ENUMERADA</p><p>/EXCLUSIVA</p><p>Art 48-49-51 e 52 obs:</p><p>todos com sentido de</p><p>exclusiva</p><p>At 25 caput</p><p>Criar Constituição</p><p>Estadual</p><p>Art 30. Criar Lei Lei</p><p>orgânica</p><p>Art 30, I- interesse</p><p>local</p><p>Mesma do Estado</p><p>e do Município</p><p>PRIVATIVA</p><p>(delegável)</p><p>Art. 22</p><p>Parágrafo único</p><p>1.Lei complementar</p><p>federal</p><p>2. Matéria específica</p><p>(parte do conteúdo)</p><p>Não tem! Não tem Não tem!!</p><p>REMANESCENTE</p><p>Não tem!!</p><p>Art 25 parágrafo 1º -</p><p>não é da União e</p><p>nem dos municípios</p><p>será do Estado</p><p>Não tem!</p><p>Art 25 parágrafo 1º</p><p>- não é da União e</p><p>nem dos</p><p>municípios será do</p><p>Estado/DF –art 32</p><p>DELEGADA</p><p>(recebida de outro</p><p>entre)</p><p>Não tem!</p><p>Art. 22 parágrafo</p><p>único -</p><p>Não tem!</p><p>Art. 22 parágrafo</p><p>único –art 32</p><p>CONCORRENTE</p><p>(atuam</p><p>legislativamente na</p><p>mesma matéria</p><p>- preponderância de</p><p>interesses)</p><p>Art. 24</p><p>Art. 24</p><p>Art. 30, I e II – se</p><p>for interesse local</p><p>STF entendeu que</p><p>em razão do</p><p>interesse local,</p><p>poderia</p><p>Art.24</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>116</p><p>suplementar a</p><p>norma federal e</p><p>estadual conforme</p><p>competência do art</p><p>24</p><p>PLENA PARA</p><p>NORMAS GERAIS</p><p>Art.24 – parágrafo 1º –</p><p>normas gerais</p><p>Art. 24 parágrafo 3º</p><p>diz que não existindo</p><p>norma geral da</p><p>União, Estados terão</p><p>competência plena</p><p>Art. 30, I</p><p>Interesse local</p><p>Art. 24 parágrafo</p><p>3º diz que não</p><p>existindo norma</p><p>geral da União,</p><p>Estados terão</p><p>competência plena</p><p>SUPLEMENTAR</p><p>Não tem!!</p><p>Art 24 parágrafo 2º</p><p>Art 30 , II</p><p>(de acordo com o</p><p>interesse local)</p><p>Art 24 parágrafo 2º</p><p>TRIBUTÁRIA</p><p>Art. 153</p><p>Art.154,</p><p>I- residual</p><p>Art. 155 Art.156 Art 156</p><p>Tarefa: Ler com atenção do art. 21 a 32 da Constituição.</p><p>Em face da extrema complexidade do sistema de repartição de competências legislativa</p><p>e administrativa na Constituição de 1988, um primeiro e fundamental problema de caráter</p><p>eminentemente prático-jurídico que se apresenta é como proceder em face de cada caso</p><p>concreto para identificar qual entidade é competente para atuar nesse caso concreto. Para tanto,</p><p>propõe-se aqui uma ordem predeterminada a ser seguida. Cabe referir previamente que a</p><p>competência comum, por tratar (somente) de possibilidades de cooperação entre as entidades</p><p>federativas, não entra nessa sistemática de busca. Isso posto, propõe-se que a ordem lógica a</p><p>ser seguida nesse procedimento de identificação seja a seguinte:</p><p>a) Menção em dispositivo esparso na Constituição de uma competência exclusiva</p><p>em favor da União, do Estado, ou do Município? Em caso negativo:</p><p>b) Menção em dispositivo esparso na Constituição de uma competência</p><p>“autenticamente concorrente”? Em caso negativo:</p><p>c) Menção como competência legislativa exclusiva da União (art. 48)? Em caso</p><p>negativo:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>117</p><p>d) Menção como competência administrativa exclusiva da União (art. 21)? Em</p><p>caso negativo:</p><p>e) Menção como competência legislativa privativa da União (art. 22)? Em caso</p><p>negativo:</p><p>f) Menção como competência legislativa para diretrizes gerais da União? Em caso</p><p>negativo:</p><p>g) Competência legislativa exclusiva de Município em face de interesse local (art.</p><p>30, I)? Em caso negativo:</p><p>h) Menção como competência administrativa exclusiva de Município (art. 30, III a</p><p>IX)? Em caso negativo:</p><p>i) Menção como competência concorrente da União ou de estado-membro (art.</p><p>24)? Em caso negativo:</p><p>j) Menção como competência administrativa estadual (art. 25, § 2º)? Em caso</p><p>negativo:</p><p>k) Competência legislativa residual de Estado-membro (art. 25, § 1º) e, por</p><p>consequência, também administrativa residual do Estado-membro.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>118</p><p>ORGANIZAÇÃO DOS PODERES E PODER LEGISLATIVO</p><p>→ Separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário, independentes e</p><p>harmônicos entre si;</p><p>→ Dizemos que é um princípio constitucional, sendo que a divisão de três poderes</p><p>vem desde a Constituição de 1981;</p><p>→ É cláusula pétrea;</p><p>→ Cuidar a distinção de funções, ou seja, na verdade trata-se de uma separação</p><p>de funções, sendo que cada poder exerce funções típicas (Exemplo: Poder Legislativo é</p><p>de legislar) e atípicas (exemplo: Poder Legislativo julgar como ocorre no processo de</p><p>impeachment).</p><p>1. PODER LEGISLATIVO</p><p>• No âmbito federal sistema bicameral:</p><p>Art. 44, CF 1988 - "O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se</p><p>compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal."</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>119</p><p>Deputados</p><p>Federais</p><p>Senadores</p><p>Deputados</p><p>Estaduais</p><p>Vereadores</p><p>Número</p><p>Entre 8 (mínimo) e</p><p>70 (máximo)</p><p>Observação: o</p><p>Tribunal Superior</p><p>Eleitoral encaminha</p><p>aos Tribunais</p><p>Regionais eleitorais</p><p>e aos partidos</p><p>políticos o número</p><p>de vagas a serem</p><p>disputadas.</p><p>Será número fixo de</p><p>3 Senadores por</p><p>Estado e DF –</p><p>elege-se com dois</p><p>suplentes</p><p>Dependerá do</p><p>número de Deputados</p><p>Federais. Art. 27</p><p>determina o seguinte</p><p>cálculo: até o número</p><p>de 12 deputados</p><p>federais, multiplica-se</p><p>por três. Acima de 12</p><p>deputados federais, a</p><p>fórmula mais simples</p><p>é a seguinte: y</p><p>(número dos dep.</p><p>Estaduais) = x</p><p>(número de dep.</p><p>Federais acima de 12)</p><p>+ 24</p><p>O número de</p><p>vereadores seguirá</p><p>conforme a</p><p>quantidade de</p><p>habitantes, tratando</p><p>de número máximo.</p><p>Como a EC alterou</p><p>esses números, tal</p><p>situação foi objeto</p><p>de votação nas</p><p>casas legislativas, a</p><p>favor ou não da</p><p>ampliação do</p><p>número de</p><p>vereadores dentro</p><p>do permitido pela</p><p>Constituição;</p><p>Ver art. 29 da CF.</p><p>Mandato</p><p>4 anos – não</p><p>havendo limites</p><p>para recondução</p><p>8 anos- será</p><p>renovada de quatro</p><p>em quatro</p><p>anos,</p><p>alternadamente, por</p><p>um e dois terços.</p><p>4 anos – não havendo</p><p>limites para</p><p>recondução</p><p>4 anos – não</p><p>havendo limites</p><p>para recondução</p><p>Sistema</p><p>Proporcional</p><p>(depende da</p><p>legenda partidária-</p><p>quoeficiente</p><p>eleitoral)</p><p>Majoritário (mais</p><p>votado entre os</p><p>candidatos)</p><p>Proporcional</p><p>(depende da legenda</p><p>partidária-</p><p>quoeficiente eleitoral)</p><p>Proporcional</p><p>(depende da</p><p>legenda partidária-</p><p>quoeficiente</p><p>eleitoral)</p><p>Idade 21 anos 35 anos 21 anos 18 anos</p><p>→ Lembrar sobre as competências:</p><p> Art. 48 traz a Competência do Congresso Nacional que depende de</p><p>sanção do Presidente da República;</p><p> Art. 49 (Congresso), 51 (Câmara dos Deputados) e 52 (Senado) sem</p><p>sanção do Presidente da República;</p><p> As competências dos arts. 51 e 52 apesar de trazer o termo privativa,</p><p>é importante lembrar que são na verdade exclusivas, ou seja, não</p><p>podem ser delegadas.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>120</p><p>2. CONCEITO</p><p>Sessão legislativa</p><p>Período</p><p>legislativo</p><p>Sessões</p><p>Art. 57 da CF: O Congresso</p><p>Nacional reunir-se-á,</p><p>anualmente, na Capital</p><p>Federal, de 2 de fevereiro a</p><p>17 de julho e de 1º de</p><p>agosto a 22 de dezembro;</p><p>→ Sessão legislativa é</p><p>então o período ANUAL de</p><p>reuniões do Congresso</p><p>Nacional;</p><p>→ Cada sessão legislativa</p><p>se compõe de DOIS</p><p>períodos legislativos.</p><p>Cada um dos dois</p><p>períodos que</p><p>compõem a sessão</p><p>legislativa. O</p><p>primeiro período</p><p>legislativo</p><p>compreende</p><p>aquele entre 02 de</p><p>fevereiro a 17 de</p><p>julho. O segundo</p><p>período legislativo</p><p>compreende</p><p>aquele entre 1º de</p><p>agosto a 22 de</p><p>dezembro.</p><p>Ordinárias: São aquelas já previstas na ordem</p><p>regular.</p><p>Extraordinárias: ocorre quando houver convocação</p><p>extraordinária do Congresso Nacional e somente</p><p>para deliberar sobre matéria objeto da convocação.</p><p>§ 6º A convocação extraordinária do Congresso</p><p>Nacional far-se-á:</p><p>(...)</p><p>II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes</p><p>da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou</p><p>a requerimento da maioria dos membros de ambas</p><p>as Casas, em caso de urgência ou interesse público</p><p>relevante, em todas as hipóteses deste inciso com a</p><p>aprovação da maioria absoluta de cada uma das</p><p>Casas do Congresso Nacional.</p><p>§ 7º Na sessão legislativa extraordinária, o</p><p>Congresso Nacional somente deliberará sobre a</p><p>matéria para a qual foi convocado, ressalvada a</p><p>hipótese do § 8º deste artigo, vedado o pagamento</p><p>de parcela indenizatória, em razão da convocação.</p><p>3. FUNCIONAMENTO E ESTRUTURAS INTERNAS DO PODER LEGISLATIVO</p><p>Cada casa legislativa deverá elaborar seu regimento interno.</p><p>→ Art. 57, § 3°, II, CF 1988 "Além de outros casos previstos nesta Constituição, a</p><p>Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em sessão conjunta para (...)</p><p>elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas"</p><p>→ Art. 51, III, CF 1988 "Compete privativamente à Câmara dos Deputados (...)</p><p>elaborar seu regimento interno"</p><p>→ Art. 52, XII, CF 1988 "Compete privativamente ao Senado Federal (...) elaborar</p><p>seu regimento interno.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>121</p><p>Importante:</p><p>a) Atos interna corporis são os atos baseados exclusivamente nos três</p><p>Regimentos do Congresso Nacional, não são atos apreciáveis pelo Poder</p><p>Judiciário, ante o princípio da auto-organização do Poder Legislativo que</p><p>lhe foi conferido pela Constituição, sendo assim, os conflitos derivados da</p><p>aplicação de norma regimental devem ser dirimidos exclusivamente pelos</p><p>órgãos competentes do próprio Congresso Nacional.</p><p>→ Exceção: só cabe controle judicial dos atos do regimento interno se</p><p>os mesmos afrontarem à Constituição. Exemplo: o regimento prevê uma</p><p>votação por maioria simples quando a Constituição exige maioria</p><p>qualificada.</p><p>b) O Plenário do STF tem reiteradamente advertido que atos emanados</p><p>dos órgãos de direção das Casas do Congresso Nacional, quando</p><p>praticados nos estritos limites da competência da autoridade apontada</p><p>como coatora e desde que apoiados em fundamentos exclusivamente</p><p>regimentais, sem qualquer conotação de índole jurídico-constitucional,</p><p>revelam-se imunes ao judicial review, pois - não custa enfatizar - a</p><p>interpretação incidente sobre normas de índole meramente regimental, por</p><p>qualificar-se como típica matéria interna corporis, suscita questão que se</p><p>deve resolver, "exclusivamente, no âmbito do Poder Legislativo, sendo</p><p>vedada sua apreciação pelo Judiciário" (...).(MS 23.920 MC, rel. min. Celso</p><p>de Mello, decisão monocrática, j. 28-3-2001, DJ de 3-4-2001) Vide MS</p><p>25.579 MC, rel. p/ o ac. min. Joaquim Barbosa, j. 19-10-2005, P, DJde 24-</p><p>8-2007</p><p>• Mesas da Câmara Federal, do Senado Federal e do Congresso Nacional:</p><p>Cada uma das casas legislativa terá composta sua mesa e terão funções administrativas</p><p>e de condução/direção dos trabalhos legislativos. As Mesas têm um papel importante porque</p><p>podem propor Ação direta de inconstitucionalidade, ação declaratória de constitucionalidade e</p><p>arguição de descumprimento de preceito fundamental, no caso do legislativo federal.</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28%2823920%2ENUME%2E+OU+23920%2EDMS%2E%29%28%28CELSO+DE+MELLO%29%2ENORL%2E+OU+%28CELSO+DE+MELLO%29%2ENPRO%2E+OU+%28CELSO+DE+MELLO%29%2EDMS%2E%29%29+NAO+S%2EPRES%2E&base=baseMonocraticas&url=http://tinyurl.com/o45yodl</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=482004</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=482004</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>122</p><p>São eleitas para um mandato de 2 anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na</p><p>eleição posterior. Não se considera recondução a eleição para o mesmo cargo em legislaturas</p><p>diferentes, ainda que sucessivas.</p><p>Na constituição das Mesas, deverá ser assegurada a representação proporcional dos</p><p>partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa. Conforme determina</p><p>a Constituição, a Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado Federal</p><p>e os demais cargos serão exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos equivalentes</p><p>na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.</p><p>Sobre a reeleição ou recondução dos membros da Mesa das Assembleias Legislativas</p><p>dos estados, o STF decidiu:</p><p>STF - Reeleição ou recondução de membros de Mesa Diretora de Assembleias</p><p>Legislativas - ADI 6688/PR, ADI 6698/MS, ADI 6714/ PR, ADI 7016/MS, ADI 6683/AP, ADI</p><p>6686/PE, ADI 6687/PI, ADI 6711/PI e ADI 6718/AP. TESES FIXADAS: “(i) a eleição dos</p><p>membros das Mesas das Assembleias Legislativas estaduais deve observar o limite de</p><p>uma única reeleição ou recondução, limite cuja observância independe de os mandatos</p><p>consecutivos referirem-se à mesma legislatura; (ii) a vedação à reeleição ou recondução</p><p>aplica-se somente para o mesmo cargo da mesa diretora, não impedindo que membro da</p><p>mesa anterior se mantenha no órgão de direção, desde que em cargo distinto; (iii) o limite</p><p>de uma única reeleição ou recondução, acima veiculado, deve orientar a formação da</p><p>Mesa da Assembleia Legislativa no período posterior à data de publicação da ata de</p><p>julgamento da ADI 6.524, de modo que não serão consideradas, para fins de</p><p>inelegibilidade, as composições eleitas antes de 7.1.2021, salvo se configurada a</p><p>antecipação fraudulenta das eleições como burla ao entendimento do Supremo Tribunal</p><p>Federal.”</p><p>• Das Comissões Parlamentares:</p><p>As comissões estarão previstas nos regimentos internos de cada casa legislativa e</p><p>poderão ser:</p><p>→ Comissões Temporárias:</p><p>Art. 22, II, Regimento Interno da Câmara dos Deputados - são criadas "para</p><p>apreciar determinado assunto, que se extingue ao término da legislatura, ou antes dele,</p><p>quando alcançado o fim a que se destinam ou expirado o prazo de sua duração";</p><p>→ Comissões Temporárias Especiais:</p><p>Art.34 Regimento interno da Câmara dos Deputados- São criadas</p><p>para dar</p><p>pareceres a respeito de: a) Proposta de Emenda à Constituição e projeto de código; b)</p><p>Proposições que versarem matéria de competência de mais de três Comissões que devam</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>123</p><p>pronunciar-se, quanto ao mérito, por iniciativa do Presidente da Câmara ou a requerimento</p><p>de Líder ou de Presidente de Comissão Interessada;</p><p>→ Comissões Parlamentares Mistas:</p><p>Composta por ambas as casas sobre temas em comuns.</p><p>→ Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI´s):</p><p>Atenção especial!</p><p>Art. 58, § 3°, CF/88 "As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de</p><p>investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos</p><p>das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal,</p><p>em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros,</p><p>para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o</p><p>caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou</p><p>criminal dos infratores."</p><p>Regulada pela Lei nº 13.367/2016:</p><p>Art. 1o As Comissões Parlamentares de Inquérito, criadas na forma do § 3o do art. 58 da</p><p>Constituição Federal, terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais,</p><p>além de outros previstos nos regimentos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal,</p><p>com ampla ação nas pesquisas destinadas a apurar fato determinado e por prazo certo.</p><p>Parágrafo único. A criação de Comissão Parlamentar de Inquérito dependerá de</p><p>requerimento de um terço da totalidade dos membros da Câmara dos Deputados e do</p><p>Senado Federal, em conjunto ou separadamente.” (NR)</p><p>Art. 2o No exercício de suas atribuições, poderão as Comissões Parlamentares de</p><p>Inquérito determinar diligências que reputarem necessárias e requerer a convocação de</p><p>Ministros de Estado, tomar o depoimento de quaisquer autoridades federais, estaduais ou</p><p>municipais, ouvir os indiciados, inquirir testemunhas sob compromisso, requisitar da</p><p>administração pública direta, indireta ou fundacional informações e documentos, e</p><p>transportar-se aos lugares onde se fizer mister a sua presença.” (NR)</p><p>Somente poderes investigatórios e não jurisdicionais – somente pode quebrar sigilo</p><p>bancário e de dados, sendo que os demais deverão pedir ao juiz competente. A denúncia</p><p>ou não depende do MP, note que é uma espécie de “inquérito”, eis sua função, instruir um</p><p>possível futuro processo judicial.</p><p>Quais seus requisitos?</p><p> Requerimento, o objeto determinado e o prazo certo.</p><p> Quórum de requerimento: 1/3. Não é possível rejeição da instalação da</p><p>CPI;</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1579.htm#art1.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1579.htm#art1.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1579.htm#art1.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art58%C2%A73</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art58%C2%A73</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art58%C2%A73</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art58%C2%A73</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1579.htm#art2.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1579.htm#art2.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1579.htm#art2.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>124</p><p> Fato certo e determinado (Regimento interno Câmara dos Deputados:</p><p>35, § 1º: § 1° Considera-se fato determinado o acontecimento de</p><p>relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional, legal,</p><p>econômica e social do País, que estiver devidamente caracterizado no</p><p>requerimento de constituição da Comissão);</p><p> Não podem ser fatos privados;</p><p> Fatos de competência do ente;</p><p> Pode fatos conexos;</p><p> Não pode fatos genéricos;</p><p> Prazo certo: constituição não diz o que é prazo certo. Deixou para o</p><p>regimento interno. 120 dias.</p><p>O que pode e o que não pode em uma CPI?</p><p> Determinar o comparecimento de testemunhas, tomar-lhes</p><p>depoimento, promover diligências, requisitar documentos, certidões,</p><p>pedir informações a qualquer repartição pública, ou órgão federal,</p><p>estadual, municipal, distrital ou territorial, pode determinar a quebra do</p><p>sigilo bancário e fiscal. Pode acessar sigilo telefônico;</p><p> Investigado e não réu ou indiciado;</p><p> Não pode determinar a interceptação telefônica e de dados;</p><p> Não pode determinar busca e apreensão violando domicílio;</p><p> A testemunha e o investigado podem ser conduzidos coercitivamente;</p><p> Possuem direito ao silêncio;</p><p> Possuem direito a se fazerem acompanhar por um advogado;</p><p> CPI não pode determinar a prisão de ninguém;</p><p> CPIs e princípio da Simetria: Possibilidade de CPIs nas Assembleias</p><p>legislativas e nas Câmaras de Vereadores;</p><p> Não há obrigatoriedade na conclusão da CPI. Pode ser entregue a</p><p>quaisquer autoridades, muito embora a CF mencione apenas o</p><p>Ministério Público.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>125</p><p>Atenção a jurisprudência do STF</p><p>Fiscalização de atos do Poder Executivo por parlamentar no âmbito dos</p><p>estados-membros — ADI 4700/DF: Norma estadual ou municipal não pode</p><p>conferir a parlamentar, individualmente, o poder de requisitar informações</p><p>ao Poder Executivo. A Constituição Federal (CF) é taxativa quanto à</p><p>atribuição exclusivamente conferida às Casas do Poder Legislativo para</p><p>fiscalizar os atos do Poder Executivo (CF, art. 49, X) (1). EDIÇÃO</p><p>1041/2021 | 11 INFORMATIVO STF SUMÁRIO Nesses termos, não se</p><p>admite que constituição estadual ou legislação infraconstitucional, a</p><p>pretexto de fiscalizar ou controlar atividades de outro poder, disponham</p><p>sobre outras modalidades de controle ou inovem em fórmulas de exercício</p><p>dessa atividade que ultrapassem aquelas previstas pela CF, sob pena de</p><p>violação ao princípio da separação dos poderes (CF, art. 2º). Fica</p><p>ressalvada, no entanto, a possibilidade de o parlamentar atuar na condição</p><p>de cidadão, nos termos constitucionais e legais aplicáveis a matéria (CF,</p><p>art. 5º, XXXIII).</p><p>4. ATRIBUIÇÕES DO LEGISLATIVO</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>126</p><p>• Atribuições fiscalizatória:</p><p>Art. 50, CF 1988 "A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas</p><p>Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos</p><p>diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente,</p><p>informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de</p><p>responsabilidade a ausência sem justificação adequada.</p><p>[...]</p><p>§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar</p><p>pedidos escritos de informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas</p><p>referidas no caput deste artigo, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o</p><p>não - atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas.</p><p>Convocação de outras autoridades ou cidadãos:</p><p>Art. 58, § 2º, CF 1988 "Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:</p><p>III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a</p><p>suas atribuições; (...)</p><p>Art. 58, § 3°, da CF: Comissões parlamentares de inquérito.</p><p>Fique ligado! Norma estadual ou norma municipal pode conferir ao parlamentar, o</p><p>poder de requisitar informação ao Poder Executivo?</p><p>Para o STF, a CF/88 é taxativa quanto à atribuição exclusivamente conferida</p><p>às Casas do Poder Legislativo para fiscalizar os atos do Poder Executivo (CF,</p><p>art. 49, X).</p><p>Nesses termos, não se admite que Constituição estatual ou legislação</p><p>infraconstitucional, a pretexto de fiscalizar ou controlar atividades de outro</p><p>poder, disponham sobre outras modalidades de controle ou inovem em</p><p>fórmulas de exercício dessa atividade que ultrapassem aquelas previstas</p><p>pela</p><p>CF, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes (CF, art. 2º)</p><p>Fica ressalvada, no entanto, a possibilidade de o parlamentar atuar na condição de</p><p>cidadão, nos termos constitucionais e legais aplicáveis a matéria (CF, art. 5º, XXXIII)</p><p>(4). Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, julgou procedente</p><p>a ação direta, para declarar a inconstitucionalidade da expressão “A qualquer</p><p>Deputado” constante do caput do art. 101 da Constituição do Estado do Rio de</p><p>Janeiro (5).(1) CF: “Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:</p><p>(…) X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos</p><p>do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;”(2) CF: “Art. 2º. São</p><p>Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo</p><p>e o Judiciário.”(3) Precedentes: ADI 3046 e RE 865401.(4) CF: “Art. 5º Todos são</p><p>iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos</p><p>brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>127</p><p>à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)</p><p>XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu</p><p>interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo</p><p>da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja</p><p>imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;”(5) Constituição do Estado</p><p>do Rio de Janeiro: “Art. 101 - A qualquer Deputado ou Comissão da Assembleia</p><p>Legislativa é permitido formular requerimento de informação sobre atos do Poder</p><p>Executivo e de suas entidades de administração indireta, até o limite de doze</p><p>requerimentos por ano e por requerente, constituindo crime de responsabilidade,</p><p>nos termos da lei, o não atendimento no prazo de trinta dias, ou a prestação de</p><p>informações falsas.” ADI 4700/DF, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual</p><p>finalizado em 13.12.2021</p><p>Contudo, essa prerrogativa de convocar autoridades públicas não pode</p><p>implicar a violação da separação de poderes, ou seja, não pode por exemplo</p><p>convocar Presidente da República ou Governador de Estado.</p><p>• Atribuições de julgamentos:</p><p>→ Julgamento das contas do Presidente:</p><p>Art. 49, IX, CF/88: "É da competência exclusiva do Congresso Nacional: julgar</p><p>anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios</p><p>sobre a execução dos planos de governo" combinado com art. 84, XXIV, da CF (Cabe ao</p><p>Presidente Prestar).</p><p>→ Tribunal de Contas da União:</p><p>Art. 71, I, CF/88: Compete ao Tribunal de Contas da União apenas aprecia as contas</p><p>prestadas anualmente pelo Presidente da República, emitindo parecer prévio. O</p><p>julgamento das contas se dá pelo Congresso Nacional.</p><p>→ Crimes de responsabilidade:</p><p>Atribuições de julgamento de crimes de responsabilidade (impeachment):</p><p>autorização pela Câmara dos Deputados e julgamento pelo Senado Federal, nos</p><p>seguintes termos:</p><p>Art. 51 Compete privativamente à Câmara dos Deputados:</p><p>I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o</p><p>Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.</p><p>Art. 52, CF 1988 "Compete privativamente ao Senado Federal:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>128</p><p>I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de</p><p>responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do</p><p>Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;</p><p>II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da</p><p>República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;</p><p>→ Distinção entre crimes comuns e crimes de responsabilidade:</p><p>Pode-se simplificar afirmando que os crimes comuns referem-se aos previstos na</p><p>legislação penal, seja no Código Penal seja na legislação extravagante ou especial, tendo</p><p>sua competência de julgamento pelo Poder Judiciário, enquanto que crimes de</p><p>responsabilidade são graves infrações de caráter político-constitucional cometidas pelas</p><p>mais altas autoridades constitucionais dos demais Poderes do Estado, tem sua natureza</p><p>jurídico-políticas, e sua sanção está prevista no art. 52, parágrafo único, CF/88, que</p><p>regulamenta as linhas básicas dos processos de crimes de responsabilidade:</p><p>"Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal</p><p>Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos</p><p>do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de</p><p>função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”</p><p>Observação: no caso Dilma Roussef, a sanção foi desmembrada, ou seja, a</p><p>votação incidiu sobre cada uma das sanções, restando aprovada apenas a</p><p>votação pela cassação do mandato e não para inabilitação para o exercício de</p><p>função pública.</p><p>→ Atenção a jurisprudência:</p><p>Governador e normas sobre crimes de responsabilidade — ADI 4811/MG. É</p><p>inconstitucional norma de constituição estadual que disponha sobre o processamento e</p><p>julgamento de governador e vice-governador nos casos de crime de responsabilidade.</p><p>Isso porque a tipificação dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento de normas</p><p>relativas ao processamento e julgamento desses delitos são de competência privativa da</p><p>União (1). Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, julgou procedente</p><p>o pedido formulado na ação direta para declarar inconstitucionais os arts. 62, XIII e XIV;</p><p>91, § 3º; e 92, § 1º, II, da Constituição do Estado de Minas Gerais.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>129</p><p>5. TRIBUNAL DE CONTAS</p><p>Aparecem dentro do Poder Legislativo como órgãos independentes de extração</p><p>constitucional. O Tribunal de Contas da União, auxilia, no ambiente federal, o Congresso</p><p>Nacional na sua missão de controle externo, conforme art. 70 da CF/88:</p><p>Art. 70 da CF: A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial</p><p>da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade,</p><p>legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será</p><p>exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle</p><p>interno de cada Poder.</p><p>Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada,</p><p>que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou</p><p>pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza</p><p>pecuniária.</p><p>• Quem será fiscalizado e em quais dimensões?</p><p>Nos termos do parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal, os órgãos da</p><p>Administração Direta serão fiscalizados, assim como as entidades da Administração indireta</p><p>(autarquias, fundações, consórcios públicos, empresas públicas e sociedades de economia</p><p>mista) e inclusive particulares, sejam pessoas jurídicas ou físicas, que de algum modo gerenciam</p><p>dinheiro público.</p><p>→ Dimensões: dinheiros e patrimônio;</p><p>→ Aspectos: legalidade, economicidade e legitimidade;</p><p>→ Não só despesas, também subvenções e renúncia de receitas.</p><p>→ Composição TCU</p><p>Art. 73 da CF: O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no</p><p>Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional,</p><p>exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96.</p><p>• Critérios de nomeação:</p><p>Artigo 73 da Constituição Federal: [...]</p><p>§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que</p><p>satisfaçam os seguintes requisitos:</p><p>I - mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade; (Redação dada pela Emenda</p><p>Constitucional nº</p><p>122, de 2022)</p><p>II - idoneidade moral e reputação ilibad a;</p><p>III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de</p><p>administração pública;</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc122.htm#art1</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc122.htm#art1</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>130</p><p>IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos</p><p>mencionados no inciso anterior.</p><p>§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:</p><p>I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois</p><p>alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal,</p><p>indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e</p><p>merecimento;</p><p>II - dois terços pelo Congresso Nacional.</p><p>• Competência:</p><p>Artigo 71 da Constituição Federal:</p><p>I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante</p><p>parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;</p><p>Elaborar parecer prévio sobre as contas de governo, anualmente. As contas serão</p><p>aprovadas ou reprovados pelo Congresso Nacional, mediante decreto legislativo (maioria</p><p>simples). No caso específico dos Municípios há um quórum maior, quórum de 2/3 dos vereadores</p><p>para não aprovar o parecer (art. 31, § 2º, da CF).</p><p>II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e</p><p>valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades</p><p>instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa</p><p>a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;</p><p>Resumo</p><p> 9 ministros;</p><p> 1/3, ou seja, 3, serão escolhidos pelo Presidente da República. Um será escolhido</p><p>livremente. O outro será escolhido alternadamente entre auditores e membros do</p><p>ministério público de contas, a partir de critérios de merecimento e antiguidade, e a partir</p><p>de lista tríplice elaborada pelo Tribunal;</p><p> 2/3 escolhidos, ou seja, 6, livremente pelo Congresso Nacional;</p><p> Os Ministros do Tribunal de Contas da União possuem as mesmas prerrogativas de</p><p>Ministro do STJ;</p><p> Os mesmos percentuais se aplicam aos tribunais de contas dos Estados. Ocorre,</p><p>contudo, que os Tribunais de Contas Estaduais são formados por Conselheiros, e não</p><p>Ministros, e são em número de 7, e não 9, conforme parágrafo único do art. 75 da</p><p>Constituição Federal.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>131</p><p>O inciso II se refere às contas de gestão. Possibilidade de imputação de multa e de débito</p><p>diretamente pelo Tribunal de Contas. A quem quer que cause prejuízo ao erário. Como o Tribunal</p><p>de contas, neste caso, julga, poderá imputar multa ou de débito diretamente.</p><p>III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a</p><p>qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e</p><p>mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em</p><p>comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,</p><p>ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato</p><p>concessório;</p><p>No inciso III trata-se legalidade das admissões e aposentadorias, salvo aumentos simples</p><p>no último caso. Há, pois, duas situações, no referido inciso: a) apreciar a legalidade de atos de</p><p>admissão de pessoal, salvo cargos em comissão (livre nomeação e exoneração); b) apreciar os</p><p>atos de concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias</p><p>posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.</p><p>IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de</p><p>Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira,</p><p>orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes</p><p>Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;</p><p>O inciso IV estabelece as tomadas de contas especiais, que podem ser ex officio ou</p><p>mediante provocação.</p><p>V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a</p><p>União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;</p><p>Inciso V trata das contas nacionais das empresas públicas supranacionais, como no</p><p>caso da Itaipu.</p><p>VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante</p><p>convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal</p><p>ou a Município;</p><p>O inciso VI aborda a fiscalização de recursos repassados pela a União ao Distrito</p><p>Federal e Municípios.</p><p>VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas</p><p>Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil,</p><p>financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e</p><p>inspeções realizadas;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>132</p><p>Este inciso delimita a prestação de informações pelo Congresso Nacional.</p><p>VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de</p><p>contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa</p><p>proporcional ao dano causado ao erário;</p><p>Pelo inciso VIII, tem-se a competência do TC na aplicação direta de sanções. A aplicação</p><p>das penalidades pelo Tribunal de Contas da União não afasta a possibilidade de serem aplicadas</p><p>outras sanções pelos órgãos respectivos, em razão das mesmas irregularidades. As decisões</p><p>do Tribunal de que resultem imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.</p><p>IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao</p><p>exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;</p><p>No inciso IX tem-se que em caso de irregularidades, o tribunal apontará o erro, dando</p><p>prazo para a correção.</p><p>X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à</p><p>Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; [...] § 1º No caso de contrato, o ato de</p><p>sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato,</p><p>ao Poder Executivo as medidas cabíveis.</p><p>§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar</p><p>as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.</p><p>§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia</p><p>de título executivo.</p><p>O inciso X estabelece a competência de sustar diretamente a execução dos atos</p><p>impugnados.</p><p>→ Exemplo:</p><p>Admissão sem concurso público. O Tribunal de Contas pode sustar qualquer ato.</p><p>Importante ler este inciso em conjunto com os § 1 e 2º, do art. 71 da CF. No caso de</p><p>contrato administrativo, o Tribunal de Contas primeiro vai informar ao Congresso Nacional</p><p>e este vai notificar ao Executivo para que tome providências. Se em 90 dias o Congresso</p><p>Nacional ou o Poder Executivo nada fizerem, poderá o Tribunal de Contas agir. Deve-se,</p><p>portanto, diferenciar o ato administrativo (unilateral) do contrato administrativo (bilateral).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>133</p><p>→ Entendimentos do STF quanto aos TCs:</p><p> Súmula vinculante nº 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas</p><p>da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da</p><p>decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo</p><p>que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do</p><p>ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.</p><p> Súmula nº 347: O Tribunal de Contas, no exercício</p><p>de suas atribuições,</p><p>pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder</p><p>Público. Contudo, o STF vem revendo o seu posicionamento</p><p>entendendo que órgãos administrativos autônomos, tais como CNJ e</p><p>TCU, não possuem função jurisdicional (Pet 4.656), razão pela qual não</p><p>lhes cabe realizar controle de constitucionalidade. Tais órgãos tem</p><p>função de controlar a validade dos atos administrativos e ao fazê-lo</p><p>poderão afastar, no caso concreto, a aplicação de lei ou ato normativo</p><p>que afronte a Constituição, mas tal não se confunde com o controle de</p><p>constitucionalidade (RMS 8.372). Importante, contudo, pontuar que a</p><p>análise quanto à superação ou não da Súmula em questão está</p><p>sob análise do STF.</p><p> Competência para o julgamento de contas dos Poderes estaduais</p><p>e simetria federativa - ADI 6981/SP. É inconstitucional — por</p><p>contrariar o princípio da simetria e o que disposto no art. 71, II, da</p><p>CF/1988 — norma de Constituição estadual que atribui à</p><p>Dica!</p><p>Aparecem dentro do Poder Legislativo como órgãos independentes de extração</p><p>Constitucional. Cuidado com a distinção:</p><p>A) No caso do art. 71, I, da CF: Elaborar Parecer prévio sobre as contas de governo,</p><p>anualmente. As contas serão aprovadas ou reprovados pelo Congresso Nacional,</p><p>mediante decreto legislativo (maioria simples). No caso específico dos Municípios há um</p><p>quórum maior, quórum de 2/3 dos vereadores para não aprovar o parecer (art. 31, § 2º, da</p><p>CF);</p><p>B) No caso do inciso II, a palavra é julgar: Se refere às contas de gestão. Possibilidade de</p><p>imputação de multa e de débito diretamente pelo Tribunal de Contas a quem quer que</p><p>cause prejuízo ao erário.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>134</p><p>Assembleia Legislativa competência exclusiva para tomar e julgar</p><p>as contas prestadas pelos Poderes Legislativo, Executivo e</p><p>Judiciário. O art. 75 da CF/1988 determina expressamente que o</p><p>modelo federal de controle orçamentário e financeiro se aplica aos</p><p>Tribunais de Contas dos estados, vinculando, assim, o constituinte</p><p>estadual. Em âmbito federal, apenas as contas da Presidência da</p><p>República são julgadas pelo Congresso Nacional. Nas demais</p><p>hipóteses, inclusive quanto aos Poderes Legislativo e Judiciário, a</p><p>competência é do Tribunal de Contas da União. Desse modo, em</p><p>atenção ao postulado da simetria, compete à Assembleia Legislativa</p><p>estadual, tão somente, o julgamento das contas do governador e a</p><p>apreciação dos EDIÇÃO 1079/2022 | 13 INFORMATIVO STF</p><p>SUMÁRIO relatórios sobre a execução dos planos de governo. Caso</p><p>contrário, haveria restrição indevida da competência do Tribunal de</p><p>Contas local. Com base nesses entendimentos, o Plenário, por</p><p>unanimidade, julgou procedente a ação para declarar a</p><p>inconstitucionalidade das expressões “pela Mesa da Assembleia</p><p>Legislativa” e “e pelo Presidente do Tribunal de Justiça,</p><p>respectivamente, do Poder Legislativo, do Poder Executivo e do Poder</p><p>Judiciário”, constantes do art. 20, VI, da Constituição do Estado de São</p><p>Paulo.</p><p> Controle de constitucionalidade e Tribunal de Contas: Descabe a</p><p>atuação precária e efêmera afastando do cenário jurídico o que</p><p>assentado pelo Tribunal de Contas da União. A questão alusiva à</p><p>possibilidade de este último deixar de observar, ante a óptica da</p><p>inconstitucionalidade, certo ato normativo há de ser apreciada em</p><p>definitivo pelo Colegiado, prevalecendo, até aqui, porque não</p><p>revogado, o Verbete nº 347 da Súmula do Supremo. De início, a</p><p>atuação do Tribunal de Contas se fez considerado o arcabouço</p><p>normativo constitucional." (MS 31439 MC, Relator Ministro Marco</p><p>Aurélio, Decisão Monocrática, julgamento em 19.7.2012, DJe de</p><p>7.8.2012).</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoPeca.asp?id=171492625&tipoApp=.pdf</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoPeca.asp?id=83920058&tipoApp=.pdf</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>135</p><p>Pensando criticamente:</p><p>O Supremo Tribunal Federal não revogou o verbete da Súmula 347 que reconhece</p><p>a competência para declaração de constitucionalidade por parte do Tribunal de</p><p>Contas. Contudo, às manifestações em decisões via Mandado de Segurança tem</p><p>ressaltado a impossibilidade de um Tribunal não jurisdicional declarar a</p><p>inconstitucionalidade de Lei, isso porque é incompetente para o exercício do</p><p>controle repressivo de constitucionalidade.</p><p>Tais compreensões estão também relacionadas à natureza do órgão, concluindo-</p><p>se que sua função é de natureza administrativa no auxílio técnico do Poder</p><p>Legislativo na função fiscalizadora e julgadora das Contas do Executivo. Não</p><p>pairam dúvidas quanto à impossibilidade desta declaração ser compreendida sob</p><p>a ótica do controle abstrato, pois haveria uma usurpação de competência</p><p>originária do Supremo Tribunal Federal. Parte da doutrina e dos julgados tratam</p><p>de uma possível declaração de constitucionalidade pela via incidental, o que não</p><p>restou pacífico.</p><p>• Tribunais de Contas Municipais.</p><p>No que tange aos Tribunais de Contas Municipais, o §4º do art. 31 da Constituição Federal</p><p>determinou que é vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.</p><p>De forma aparentemente paradoxal, o §1º do mesmo artigo dispõe que o controle externo da</p><p>Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do</p><p>Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.</p><p>A partir de uma leitura sistemática da Constituição Federal, compreende-se que, com o</p><p>advento da Constituição Federal de 1988, não poderão ser criados novos Tribunais de Contas</p><p>Municipais, mas os já existentes serão mantidos, caso dos Tribunais de Contas dos Municípios</p><p>do Rio de Janeiro e de São Paulo.</p><p>Além disso, é possível que, em âmbito estadual, seja criado um órgão estadual</p><p>denominado Conselho ou Tribunal de Contas Municipal do Estado X para auxiliar no âmbito da</p><p>fiscalização contábil, financeira e orçamentária dos Municípios localizados naquele Estado, o que</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>136</p><p>ocorre no Pará. Assim, a vedação constitucional é no sentido de que não podem ser criados</p><p>Tribunais de Contas na estrutura do Município apenas, não alcançando a criação de órgão</p><p>estadual com atribuições direcionadas ao âmbito municipal. Estes serão, portanto, órgãos</p><p>estaduais, que atuam como órgãos auxiliares e de cooperação técnica com as Câmaras</p><p>Municipais. Nesse sentido, é o entendimento do STF: ADI 687.</p><p>Assim, em âmbito municipal, o controle externo das contas do Prefeito é realizado pela</p><p>Câmara Municipal auxiliada pelo Tribunal de Contas do Estado ou Tribunal de Contas do</p><p>Município, instituído antes de 1988 ou Tribunal de Contas do Município, órgão estadual,</p><p>constituído para atuar no Município. O Tribunal respectivo emitirá parecer prévio que apenas</p><p>poderá ser rejeitado por dois terços dos membros da Câmara Municipal.</p><p>6. IMUNIDADE PARLAMENTAR</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>137</p><p>→ As imunidades parlamentares são de ordem formal e material;</p><p>→ A Constituição regula o âmbito federal, sendo que as imunidades formais e</p><p>materiais se aplicam ao caso dos Deputados Estaduais;</p><p>→ Não há imunidades formal para o caso de vereadores municipais;</p><p>→ No caso da imunidade material, cuidar que para os vereadores a circunscrição</p><p>do município é quem determinará seu âmbito de incidências.</p><p>6.1. Imunidade material</p><p>Também chamada de inviolabilidade (freedom of speach), trata-se de imunidade por</p><p>opinião e palavras. Pode se dar nos âmbitos civil e penal.</p><p>• Inviolabilidade no âmbito civil:</p><p>As quaisquer opiniões, palavras e votos proferidos não constituem dano civil, isto é: não</p><p>geram direito à indenização por perdas e danos (sejam danos morais sejam danos causadores</p><p>de sanção acessória</p><p>por prática de crime).</p><p>• Inviolabilidade no âmbito penal:</p><p>As quaisquer opiniões, palavras e votos proferidos não tipificam crime, isto é: não tipificam</p><p>injúria, calúnia ou difamação ou outros crimes similares.</p><p>→ Teoria da “conexão”:</p><p>→ Depois da Emenda 35/01 - Âmbito espacial de proteção.</p><p>Importante!</p><p>Aplica-se a Senadores e Deputados Federais</p><p>e Estaduais, independentemente de onde se</p><p>encontrem, desde que tal manifestação tenha</p><p>conexão com o mandato e, obviamente, não</p><p>se qualifique como crime. Aos vereadores, tal</p><p>imunidade está restrita ao âmbito da</p><p>circunscrição municipal.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>138</p><p>6.2. Imunidade Formal</p><p>A imunidade formal possui duas variantes:</p><p>• Garantia do parlamentar de não ser preso (freedom from arrest):</p><p>Texto atual da Constituição: Art. 53, § 2° (redação da Emenda n° 35, de 20/12/2001):</p><p>"Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos,</p><p>salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte</p><p>e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva</p><p>sobre a prisão."</p><p>• Garantia de sustação de ação penal:</p><p>Art. 53, caput, CF 1988: “Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e</p><p>penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.</p><p>6.3. Foro privilegiado</p><p>Art. 53, § 1° - A competência para julgamento de membros do Congresso Nacional pela</p><p>prática de infrações penais comuns é do Supremo Tribunal Federal (e não dos juízes</p><p>ordinários de primeira instância).</p><p>Nova posição do Supremo Tribunal a partir da interpretação restritiva do foro privilegiado:</p><p>Principais somente crimes que possuírem relação com o mandato de parlamentar; cometidos</p><p>após a diplomação.</p><p>Pontos de restrição, para o ministro Luís Roberto Barroso:</p><p>1) O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o</p><p>exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.”</p><p>I) fixar a competência do STF para processar e julgar os membros do Congresso Nacional</p><p>exclusivamente quanto aos crimes praticados após a diplomação, independentemente de</p><p>sua relação ou não com a função pública em questão;</p><p>II) serem inaplicáveis as regras constitucionais de prerrogativa de foro quanto aos crimes</p><p>praticados anteriormente à diplomação ou nomeação, conforme o caso, hipótese em que</p><p>os processos deverão ser remetidos ao juízo de 1ª instância competente,</p><p>independentemente da fase em que se encontre;</p><p>III) reconhecer a inconstitucionalidade de todas as normas previstas em constituições</p><p>estaduais, bem como na lei orgânica do DF, que contemplem hipóteses de prerrogativa</p><p>de foro não previstas expressamente na CF, vedada a invocação de simetria. Nestes</p><p>casos, os processos deverão ser remetidos ao juízo de 1ª instância competente,</p><p>independentemente da fase em que se encontram;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>139</p><p>IV) estabelecer, quando aplicável a competência por prerrogativa de foro, que a renúncia</p><p>ou a cessação, por qualquer outro motivo da função pública que atraia a causa penal ao</p><p>foro especial após o encerramento da fase do art. 10 da lei 8.038/90 com a determinação</p><p>de vista às partes para alegações finais, não altera a competência para o julgamento da</p><p>ação penal.</p><p>Sendo assim, interpretação constitucional do artigo 53, parágrafo 10: importante decisão</p><p>da ação penal 937 - aplicação para crimes cometidos durante o exercício do cargo e crimes</p><p>relativos a função que exerce. STF - MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL. Ademais, viola o</p><p>princípio da igualdade proteger, com foro de prerrogativa, o agente público por atos</p><p>praticados sem relação com a função para a qual se quer resguardar sua independência,</p><p>o que constitui a atribuição de um privilégio. A Corte registrou que essa nova linha</p><p>interpretativa deve ser aplicada imediatamente aos processos em curso, com a ressalva</p><p>de todos os atos praticados e decisões proferidas pelo STF. AP 937 QO/RJ, rel. Min.</p><p>Roberto Barroso, julgamento em 2 e 3.5.2018. (AP-937) (Informativo 900)</p><p>Duas teses podem ser extraídas da decisão, segundo Márcio André Lopes Cavalcante:</p><p>→ Tese 1:</p><p>As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por</p><p>prerrogativa de função devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos</p><p>crimes que tenham sido praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim,</p><p>por exemplo, se o crime foi praticado antes de o indivíduo ser diplomado como Deputado</p><p>Federal, não se justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância</p><p>mesmo ocupando o cargo de parlamentar federal.</p><p>Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após a investidura no</p><p>mandato, se o delito não apresentar relação direta com as funções exercidas, também</p><p>não haverá foro privilegiado.</p><p>Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por prerrogativa de função aplica-se</p><p>apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções</p><p>desempenhadas.</p><p>→ Tese 2:</p><p>Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação</p><p>para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações</p><p>penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou</p><p>deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>140</p><p>→ Ademais, tem-se pronunciamento do STF quanto à prerrogativa de foro e</p><p>Constituições Estaduais:</p><p>Foro por prerrogativa de função e membros da Defensoria Pública e de Procuradorias</p><p>estaduais - ADI 6501/PA, ADI 6508/RO, ADI 6515/AM, e ADI 6516/AL</p><p>Tese fixada: “É inconstitucional norma de constituição estadual que estende o foro por</p><p>prerrogativa de função a autoridades não contempladas pela Constituição Federal de</p><p>forma expressa ou por simetria.”</p><p>Resumo: As constituições estaduais não podem instituir novas hipóteses de foro por</p><p>prerrogativa de função além daquelas previstas na Constituição Federal. As normas que</p><p>estabelecem o foro por prerrogativa de função são excepcionais e devem ser interpretadas</p><p>restritivamente, não cabendo ao legislador constituinte estadual estabelecer foro por</p><p>prerrogativa de função a autoridades diversas daquelas listadas na Constituição Federal,</p><p>a qual não cita defensores públicos nem procuradores. RE 1313494/MG, relator Min. Dias</p><p>Toffoli, julgamento em 14.9.2021 (INF 1030)</p><p>STF - EM CASO DE PARLAMENTAR RENUNCIAR PARA EXIMIR-SE DO</p><p>JULGAMENTO, OU EM CASO DE MANOBRAS PARA DESLOCAR A COMPETÊNCIA E</p><p>ASSIM POSTERGAR O JULGAMENTO:</p><p>RENÚNCIA NA VÉSPERA DO JULGAMENTO- NÍTIDO INTUITO DE DESLOCAR</p><p>COMPETÊNCIA - DECISÃO DO STF: Deputado federal. Renúncia ao mandato. Abuso de</p><p>direito: reconhecimento da competência do STF para continuidade do julgamento da</p><p>presente ação penal. (...) Renúncia de mandato: ato legítimo. Não se presta, porém, a ser</p><p>utilizada como subterfúgio para deslocamento de competências constitucionalmente</p><p>definidas, que não podem ser objeto de escolha pessoal.</p><p>6.4. Incompatibilidades e perda de mandato de Parlamentar</p><p>Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:</p><p>I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;</p><p>II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;</p><p>III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões</p><p>ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;</p><p>IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;</p><p>V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;</p><p>VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.</p><p>§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento</p><p>interno, o abuso das prerrogativas asseguradas</p><p>a membro do Congresso Nacional ou a</p><p>percepção de vantagens indevidas.</p><p>§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos</p><p>Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da</p><p>respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada</p><p>ampla defesa.</p><p>§ 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa</p><p>respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido</p><p>político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.</p><p>§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do</p><p>mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais</p><p>de que tratam os §§ 2º e 3º.</p><p>O art. 54 da CF/88 estabelece incompatibilidade, como proibições para Deputados e</p><p>Senadores:</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6119696</p><p>http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6119696</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/informativoSTF/anexo/Informativo_PDF/Informativo_stf_1030.pdf</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>141</p><p>• Desde a expedição do diploma:</p><p>a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa</p><p>pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo</p><p>quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;</p><p>b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam</p><p>demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;</p><p>• Desde a posse:</p><p>a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente</p><p>de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;</p><p>b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas</p><p>no inciso I, "a";</p><p>c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o</p><p>inciso I, "a";</p><p>d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.</p><p>→ Quebra de decoro parlamentar:</p><p>Já o art. 55 da CF/88 estabelece as hipóteses de perda de mandato parlamentar.</p><p>O decoro parlamentar está previsto no regimento interno, sendo apreciado pelo Comitê</p><p>de Ética de cada casa legislativa. Conferir Resolução 25 de 2001.</p><p>DECISÃO DO SUPREMO – DEPUTADO OU SENADOR ELEITO QUE ESTEJA</p><p>NOMEADO MINISTRO DE ESTADO PODERÁ INCORRER EM QUEBRA DE DECORO</p><p>PARLAMENTAR: O membro do Congresso Nacional que se licencia do mandato para</p><p>investir-se no cargo de ministro de Estado não perde os laços que o unem, organicamente,</p><p>ao Parlamento (CF, art. 56, I). (...). (...) ainda que licenciado, cumpre-lhe guardar estrita</p><p>observância às vedações e incompatibilidades inerentes ao estatuto constitucional do</p><p>congressista, assim como às exigências ético-jurídicas que a Constituição (CF, art. 55, §</p><p>1º) e os regimentos internos das casas legislativas estabelecem como elementos</p><p>caracterizadores do decoro parlamentar. [MS 25.579 MC, rel. p/ o ac. min. Joaquim</p><p>Barbosa, j. 19-10-2005, P, DJ de 24-8-2007.]</p><p>Na prática, tem-se o caso de José Dirceu, que foi Ministro de governo, mas perdeu</p><p>o mandato por quebra de decoro parlamentar.</p><p>→ Deixar de comparecer à sessão legislativa:</p><p>http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?SEQ=480550&PROCESSO=25579&CLASSE=MS%2DMC&cod_classe=382&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=&EMENTA=2286</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>142</p><p>Deixar de comparecer, em cada sessão legislativa: À terça parte das sessões</p><p>ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;</p><p>→ Perder ou tiver suspensos os direitos políticos;</p><p>→ Quando o decretar a Justiça Eleitoral nos casos previstos na</p><p>Constituição;</p><p>ATENÇÃO!</p><p>O STF, por ocasião do julgamento dos MS 26.602, 26.603 e 26.604</p><p>reconheceu a existência do dever constitucional de observância do</p><p>princípio da fidelidade partidária:</p><p>(...) As decisões no MS 26.602, no MS 26.603 e no MS 26.604 tiveram como pano</p><p>de fundo o sistema proporcional, que é adotado para a eleição de deputados</p><p>federais, estaduais e vereadores. As características do sistema proporcional, com</p><p>sua ênfase nos votos obtidos pelos partidos, tornam a fidelidade partidária</p><p>importante para garantir que as opções políticas feitas pelo eleitor no momento da</p><p>eleição sejam minimamente preservadas. Daí a legitimidade de se decretar a perda</p><p>do mandato do candidato que abandona a legenda pela qual se elegeu. O sistema</p><p>majoritário, adotado para a eleição de presidente, governador, prefeito e senador,</p><p>tem lógica e dinâmica diversas da do sistema proporcional. As características do</p><p>sistema majoritário, com sua ênfase na figura do candidato, fazem com que a perda</p><p>do mandato, no caso de mudança de partido, frustre a vontade do eleitor e vulnere</p><p>a soberania popular. CF, art. 1º, parágrafo único; e art. 14, caput). [ADI 5.081, rel.</p><p>min. Roberto Barroso, j. 27-5-2015, P, DJE de 19-8-2015.</p><p>O reconhecimento da justa causa para transferência de partido político afasta a</p><p>perda do mandato eletivo por infidelidade partidária. Contudo, ela não transfere ao</p><p>novo partido o direito de sucessão à vaga. [MS 27.938, rel. min. Joaquim Barbosa,</p><p>j. 11-3-2010</p><p>→ Sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.</p><p>MUITA ATENÇÃO!</p><p>Decisão versus Declaração: Nos casos de incompatibilidade, quebra de</p><p>decoro e condenação penal transitada em julgado, a perda do mandato</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=555539</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=570121</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=570121</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=552057</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=9175293</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginador/paginador.jsp?docTP=AC&docID=610273</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>143</p><p>será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por</p><p>maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido</p><p>político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.</p><p>CF/88: “Art. 55. (...) § 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda</p><p>será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante</p><p>provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político</p><p>representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.” (AP</p><p>694/MT, rel. Min. Rosa Weber, julgamento em 2.5.2017).</p><p>→ Observação:</p><p>Alterado por Emenda Constitucional em 2013, pois a redação anterior trazia voto</p><p>secreto, em face das polêmicas relacionada aos deputados envolvidos com o mensalão.</p><p>Sobre perda de mandato de parlamentar art. 55 da CF/88, nova interpretação sobre o art.</p><p>55, III - perda automática:</p><p>Se o STF condenar um parlamentar federal e decidir que ele deverá perder o cargo, isso</p><p>acontece imediatamente ou depende de uma deliberação da Câmara dos Deputados ou</p><p>do Senado Federal respectivamente? • Se o Deputado ou Senador for condenado a mais</p><p>de 120 dias em regime fechado: a perda do cargo será uma consequência lógica da</p><p>condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou do Senado apenas declarar que</p><p>houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos termos do art. 55, III e § 3º</p><p>da CF/88. • Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou</p><p>semiaberto: a condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da</p><p>Câmara ou do Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá</p><p>ou não perder o mandato. STF. 1ª Turma. AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em</p><p>2/5/2017 (Info 863). STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em</p><p>23/5/2017</p><p>(Info 866).</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=694&classe=AP&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=694&classe=AP&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>144</p><p>PROCESSO LEGISLATIVO</p><p>Manoel Gonçalvez Ferreira Filho José Afonso da Silva</p><p>Para o autor existe uma fase:</p><p>1) Introdutória (que se refere a iniciativa),</p><p>2) Uma fase constitutiva (que compreende a</p><p>deliberação e sanção), e</p><p>3) Fase complementar (na qual está contida a</p><p>promulgação e publicação)</p><p>1) Introdutória ou de iniciativa;</p><p>2) Exames de projetos nas comissões;</p><p>3) Deliberação – discussões dos projetos em</p><p>plenário;</p><p>4) Decisória;</p><p>5) A revisão.</p><p>Observação: note-se que o autor exclui a</p><p>promulgação e publicação</p><p>No âmbito Federal, como é um sistema bicameral (Senado + Câmara dos Deputados), é</p><p>a iniciativa que vai condicionar em qual das Casas será cada uma das deliberações, a saber, a</p><p>principal e a revisional. Assim, os projetos de lei enviados a membros do Senado começam</p><p>nesta. Em todos os demais casos, a deliberação principal ocorrerá na Câmara dos Deputados,</p><p>incluindo a iniciativa do Presidente da República. Por Excelência a Câmara dos Deputados é o</p><p>local onde se iniciam as propostas legislativas.</p><p>→ Observação: Usurpação de iniciativa é vício de inconstitucionalidade formal,</p><p>consistente na apresentação de projeto de lei versando sobre determinada matéria por</p><p>quem não tem legitimidade para tal, nesse caso não há como convalidar esse vício de</p><p>constitucional.</p><p>Lembrete:</p><p>É preciso conectar a matéria do processo legislativo com as questões relativas às</p><p>competências legislativas, ou seja, é preciso ver a quem cabe a competência para cada</p><p>espécie legislativa dependendo da matéria que está em questão (logo, ver com atenção</p><p>art. 21, art. 22, art. 24, art. 25, art. 30, art. 32, art. 49, art. 51, 52, ambos da CF.)</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>145</p><p>• O que compreende o Processo Legislativo na Constituição?</p><p>O Art. 59 da CF/88 estabelece que o processo legislativo compreende a elaboração de:</p><p>− I - emendas à Constituição (atuação do Poder Constituinte derivado);</p><p>− II - leis complementares (complementam conteúdo que a Constituição lhes</p><p>autoriza);</p><p>− III - leis ordinárias (também chamadas de leis federais /infraconstitucionais);</p><p>− IV - leis delegadas (É uma lei equiparada à lei ordinária. A competência para a</p><p>sua elaboração é do Presidente da República, desde que haja pedido e</p><p>delegação expressa do Congresso Nacional. A delegação é efetivada por</p><p>resolução, na qual conste o conteúdo juntamente com os termos do exercício</p><p>desta atribuição);</p><p>− V - medidas provisórias (função atípica do Presidente da República em casos</p><p>onde houver urgência e relevância da matéria em questão;</p><p>− VI - decretos legislativos (regulam matérias de competência exclusiva do</p><p>Congresso, tais como: ratificar atos internacionais, sustar atos normativos do</p><p>presidente da República, julgar anualmente as contas prestadas pelo chefe do</p><p>governo, autorizar o presidente da República e o vice-presidente a se</p><p>ausentarem do país por mais de 15 dias, apreciar a concessão de emissoras</p><p>de rádio e televisão, autorizar em terras indígenas, etc). Obs: ainda existem os</p><p>decretos autônomos e decretos regulamentares, que serão de competência do</p><p>Poder Executivo e serão estudados mais adiante.</p><p>− VII - resoluções (são uma norma jurídica destinada a disciplinar assuntos do</p><p>interesse interno do Congresso Nacional.</p><p>Ainda, o ato normativo abrange tanto a produção de normas gerais como individuais.</p><p>Entretanto, o uso comum quando se fala em ato normativo é que se trate de normas gerais.</p><p>• Diferença entre atos normativos primários x atos normativos secundários:</p><p>Os atos normativos primários são aqueles que possuem o maior grau de hierarquia dentro</p><p>do ordenamento jurídico, sendo responsáveis por estabelecer as normas e princípios</p><p>fundamentais que regem a organização do Estado, a estruturação do poder e a relação entre as</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>146</p><p>instituições. Referem-se diretamente à Constituição, portanto, podem possuir vício de</p><p>constitucionalidade.</p><p>Já os atos normativos secundários são aqueles que se encontram em um nível hierárquico</p><p>inferior, sendo responsáveis por regulamentar as normas estabelecidas pelos atos primários,</p><p>definindo detalhes e regras específicas para sua aplicação. Guardam relação de dependência</p><p>em relação aos atos primários e podem possuir vícios de ilegalidade (e não de</p><p>inconstitucionalidade).</p><p>• Normas de reprodução obrigatória e princípio da simetria no âmbito do processo</p><p>legislativo:</p><p>O processo legislativo federal é uma norma de reprodução obrigatória para os Estados e</p><p>Municípios, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso significa que as</p><p>normas estabelecidas no processo legislativo federal devem ser observadas pelos Estados e</p><p>Municípios na elaboração de suas próprias leis.</p><p>Além disso, o princípio da simetria exige que as leis e normas estaduais e municipais</p><p>sejam semelhantes às leis federais em relação aos seus objetivos e finalidades. Dessa forma,</p><p>as leis estaduais e municipais devem seguir os mesmos princípios e regras estabelecidos na</p><p>legislação federal correspondente, garantindo a uniformidade e coerência do ordenamento</p><p>jurídico em todo o território nacional.</p><p>• Processo Legislativo Estadual STF:</p><p>Processo legislativo dos Estados-membros: absorção compulsória das linhas básicas do</p><p>modelo constitucional federal entre elas, as decorrentes das normas de reserva de iniciativa das</p><p>leis, dada a implicação com o princípio fundamental da separação e independência dos poderes:</p><p>Atos normativos</p><p>primários ex: art. 59 e incisos e</p><p>art 84, VI</p><p>secundários:</p><p>ex: art. 84, Iv -</p><p>decretos</p><p>regulamentares,</p><p>portarias</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>147</p><p>jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal (ADI 637, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 25-8-</p><p>2004, P, DJ de 1º-10-2004)</p><p>1. EMENDAS CONSTITUCIONAIS</p><p>1.1. Quem pode propor?</p><p>Art. 60 da CF: A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:</p><p>I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado</p><p>Federal;</p><p>II - do Presidente da República;</p><p>III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação,</p><p>manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.</p><p>→ No STF:</p><p>A eficácia das regras jurídicas produzidas pelo poder constituinte</p><p>(redundantemente chamado de "originário") não está sujeita a nenhuma limitação</p><p>normativa, seja de ordem material, seja formal, porque provém do exercício de um poder</p><p>de fato ou suprapositivo. Já as normas produzidas pelo poder reformador, essas têm sua</p><p>validez e eficácia condicionadas à legitimação que recebam da ordem constitucional. Daí</p><p>a necessária obediência das emendas constitucionais às chamadas cláusulas pétreas</p><p>(ADI 2.356 MC e ADI 2.362 MC, rel. p/ o ac. min. Ayres Britto, j. 25-11-2010, P, DJE de</p><p>19-5-2011).</p><p>• Vedação à emenda:</p><p>§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de</p><p>estado de defesa ou de estado de sítio.</p><p>• Votação:</p><p>§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional (logo,</p><p>Senado + Câmara dos Deputados), em dois turnos (em duas votações), considerando-se</p><p>aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros (é o</p><p>maior quórum de votação – lembrar que nossa Constituição é rígida).</p><p>http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=637&CLASSE=ADI&cod_classe=504&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M</p><p>regular situações específicas que surgem durante a transição entre uma Constituição</p><p>anterior e a nova, ou entre períodos de governo.</p><p>Os ADCT têm força normativa e são considerados parte integrante da Constituição.</p><p>Embora tenham prazos de vigência limitados, enquanto estiverem em vigor, os dispositivos dos</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>14</p><p>ADCT têm a mesma hierarquia e força normativa que os demais dispositivos constitucionais</p><p>permanentes. Alguns deles já esgotaram seu prazo ou já cumpriram a situação que buscavam</p><p>regular, e outros ainda possuem vigência.</p><p>7. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS E OBJETIVOS DA REPÚBLICA</p><p>Princípios têm caráter deontológico, ou seja, estão no campo do dever ser, possuindo</p><p>força normativa. Apesar de sua maior abstração no âmbito da interpretação e aplicação, são</p><p>também são diretamente aplicáveis (ÁVILA, 2013). O Brasil adota a ideia da força normativa das</p><p>normas Constitucionais, ou seja, todas as normas gozam de alguma eficácia constitucional,</p><p>incluindo-se, aí, os princípios.</p><p>É importante lembrarmos que a Constituição não é formada apenas por regras jurídicas,</p><p>mas também por princípios. Os princípios por mais que tenham um conteúdo mais aberto e até</p><p>mesmo mais abstrato possuem igualmente força normativa, tendo sua aplicabilidade também</p><p>direta, apara além de servir de estrutura e interpretação para as demais regras jurídicas.</p><p>Art. 1o A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e</p><p>Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem</p><p>como fundamentos:</p><p>I – a soberania;</p><p>→ Está relacionada com a independência do Brasil e de suas</p><p>decisões no cenário internacional, ou seja, não há qualquer</p><p>sujeição do Brasil aos demais países.</p><p>II – a cidadania;</p><p>→ Conhecida como Constituição cidadã, a Constituição de 1988</p><p>ampliou significativamente não apenas a participação popular,</p><p>mas também os espaços de controle dos cidadãos em relação às</p><p>decisões públicas. Não se resume ao nosso direito de votar e</p><p>eleger nossos representantes, mas sim em participar ativamente</p><p>das escolhas públicas que diretamente ou indiretamente afetam</p><p>os interesses de toda coletividade.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>15</p><p>III – a dignidade da pessoa humana;</p><p>→ Centra-se na ideia que qualquer ser humano é um fim em si</p><p>mesmo, ou seja, não pode ser utilizado como instrumento para</p><p>obtenção de determinados fins. A integralidade da realização dos</p><p>direitos fundamentais, ou seja, sua concretização tende a garantir</p><p>um tratamento digno à nós indivíduos que convivemos em</p><p>coletividade.</p><p>IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; (vide Lei no 13.874/2019)</p><p>→ Nesses dois princípios expressamos nossa opção por uma</p><p>modelo liberal, através da livre iniciativa e na intervenção estatal</p><p>apenas quando houver respaldo e previsão constitucional,</p><p>contudo, também mostramos nossa preocupação e proteção com</p><p>os valores sociais, ou seja, valores que nossa sociedade deve</p><p>tutelar e que não podem ser transacionados.</p><p>V – o pluralismo político.</p><p>→ Plenamente em consonância com a proteção das liberdades, o</p><p>pluralismo protege o pensamento oposto e divergente, garante a</p><p>pluralidade de ideias e concretiza também o princípio</p><p>democrático.</p><p>Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes</p><p>eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.</p><p>Art. 2o São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o</p><p>Executivo e o Judiciário.</p><p>→ Princípio presente desde a Constituição de 1891, é garantia da</p><p>existência do próprio Estado democrático de direito, ou seja, o</p><p>sistema de freios e contrapesos entre os poderes que exercem</p><p>mutuamente suas funções e fiscalização garante que não</p><p>tenhamos o império de autoritarismo e arbitrariedades, tendo tais</p><p>poderes a Constituição como balizadora de sua função</p><p>constitucional e de seus limites de atuação.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>16</p><p>Art. 3º da CF: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:</p><p>I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;</p><p>II - garantir o desenvolvimento nacional;</p><p>III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;</p><p>IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e</p><p>quaisquer outras formas de discriminação.</p><p>Art. 4º da CF: A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais</p><p>pelos seguintes princípios:</p><p>I - independência nacional;</p><p>II - prevalência dos direitos humanos;</p><p>III - autodeterminação dos povos;</p><p>IV - não-intervenção;</p><p>V - igualdade entre os Estados;</p><p>VI - defesa da paz;</p><p>VII - solução pacífica dos conflitos;</p><p>VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;</p><p>IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;</p><p>X - concessão de asilo político.</p><p>Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica,</p><p>política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma</p><p>comunidade latino-americana de nações.</p><p>8. EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS</p><p>Classificação de José Afonso da Silva, na obra Curso de Direito Constitucional Positivo</p><p>(2015).</p><p>• Normas de eficácia plena:</p><p>Normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade direta, imediata e integral são</p><p>aquelas normas da Constituição que, no momento em que esta entra em vigor, estão aptas a</p><p>produzir todos os seus efeitos, independentemente de norma integrativa infraconstitucional.</p><p>Como regra geral, criam órgãos ou atribuem aos entes federativos competências. Não têm a</p><p>necessidade de ser integradas. Aproximam-se do que a doutrina clássica norte-americana</p><p>chamou de normas autoaplicáveis.</p><p>José Afonso da Silva (2012) destaca que as normas constitucionais de eficácia plena “[...]</p><p>são as que receberam do constituinte, normatividade suficiente à sua incidência imediata.</p><p>Situam-se predominantemente entre os elementos orgânicos da constituição. Não necessitam</p><p>de providência normativa ulterior para sua aplicação. Criam situações subjetivas de vantagem</p><p>ou de vínculo, desde logo exigíveis”.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>17</p><p>• Normas constitucionais de eficácia contida:</p><p>As normas constitucionais de eficácia contida ou prospectiva têm aplicabilidade direta e</p><p>imediata, mas possivelmente não integral. Embora tenham condições de, quando da</p><p>promulgação da nova Constituição, produzir todos os seus efeitos, poderá a norma</p><p>infraconstitucional reduzir a sua abrangência.</p><p>Ao contrário do que ocorre com as normas constitucionais de eficácia limitada, como será</p><p>visto no item seguinte, em relação às quais o legislador infraconstitucional amplia o âmbito de</p><p>sua eficácia e aplicabilidade, no tocante às normas constitucionais de eficácia contida, percebe-</p><p>se verdadeira limitação ou restrição à eficácia e à aplicabilidade (SARLET, 2013; SILVA, 2012).</p><p>• Normas constitucionais de eficácia limitada:</p><p>São aquelas normas que, de imediato, no momento em que a Constituição é promulgada,</p><p>não têm o condão de produzir todos os seus efeitos, precisando de uma lei integrativa</p><p>infraconstitucional. São, portanto, de aplicabilidade mediata e reduzida, ou, segundo alguns</p><p>autores, aplicabilidade diferida.</p><p>Nesse sentido, José Afonso da Silva (2012), em sede conclusiva, observa que referidas</p><p>normas têm, ao menos, eficácia jurídica imediata, direta e vinculante já que: a) estabelecem um</p><p>dever para o legislador ordinário; b) condicionam a legislação futura, com a consequência de</p><p>serem inconstitucionais as leis ou atos que as ferirem; c) informam a concepção do Estado e da</p><p>sociedade e inspiram sua ordenação jurídica, mediante a atribuição de fins sociais, proteção dos</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=623127</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=623128</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>148</p><p>A Constituição Federal de 1988 não fixou um intervalo temporal mínimo entre os dois</p><p>turnos de votação para fins de aprovação de emendas à Constituição (CF, art. 60, § 2º), de sorte</p><p>que inexiste parâmetro objetivo que oriente o exame judicial do grau de solidez da vontade</p><p>política de reformar a Lei Maior. A interferência judicial no âmago do processo político,</p><p>verdadeiro locus da atuação típica dos agentes do Poder Legislativo, tem de gozar de lastro forte</p><p>e categórico no que prevê o texto da CF. [ADI 4.425, rel. p/ o ac. min. Luiz Fux, j. 14-3-2013,</p><p>P, DJE de 19-12-2013.]</p><p>• Cláusulas Pétreas:</p><p>Não podem ser abolidas, ou seja, produz inconstitucionalidade, bem como pode ser objeto</p><p>de mandado de segurança interposto por parlamentar ainda durante o processo legislativo:</p><p>§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados</p><p>e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.</p><p>§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:</p><p>I - a forma federativa de Estado;</p><p>II - o voto direto, secreto, universal e periódico;</p><p>III - a separação dos Poderes;</p><p>IV - os direitos e garantias individuais.</p><p>O STF admite a legitimidade do parlamentar – e somente do parlamentar – para impetrar</p><p>mandado de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de</p><p>lei ou emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o</p><p>processo legislativo. (Precedentes do STF: MS 20.257/DF, Min. Moreira Alves; RTJ99/1031rel.</p><p>p/ o ac. min. Teori Zavascki, j. 20-6-2013, P, DJE de 18-2-2014)</p><p>→ Matéria rejeitada não pode ser reapresentada na mesma sessão legislativa</p><p>(ano legislativo)</p><p>§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não</p><p>pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.</p><p>→ A emenda não está sujeita a veto ou sanção, pois é atuação do Poder</p><p>Constituinte derivado.</p><p>→ As Emendas podem sofrer limitações formais, materiais, temporais.</p><p>Exemplo: não pode emendar à Constituição da vigência do Estado de defesa e sítio;</p><p>http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=5067184</p><p>http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=20257&CLASSE=MS&cod_classe=376&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M&EMENTA=1201</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>149</p><p>→ Emendas Constitucionais podem ser declaradas inconstitucionais.</p><p>→ No STF:</p><p>o Tribunal já assentou o entendimento de que é admissível a ação direta de</p><p>inconstitucionalidade de emenda constitucional, quando se alega, na inicial, que esta</p><p>contraria princípios imutáveis ou as chamadas cláusulas pétreas da Constituição originária</p><p>(art. 60, § 4º, da CF). (Precedentes: ADI 939 (RTJ151/755); ADI 1.946 MC, rel.</p><p>min. Sydney Sanches, j. 29-4-1999, P, DJ de 14-9-2001).</p><p>2. LEIS COMPLEMENTARES E LEIS ORDINÁRIAS</p><p>2.1. A quem cabe?</p><p>Segundo o art. 61 da CF/88, a iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a</p><p>qualquer:</p><p>− membro ou Comissão da Câmara dos Deputados;</p><p>− do Senado Federal ou;</p><p>− do Congresso Nacional;</p><p>− ao Presidente da República;</p><p>− ao Supremo Tribunal Federal;</p><p>− aos Tribunais Superiores;</p><p>− ao Procurador-Geral da República; e</p><p>− aos cidadãos.</p><p>• Casos privativos ao Presidente da República (parágrafo 1º - reserva de lei):</p><p>Em razão do princípio da simetria algumas dessas disposições são aplicadas também ao</p><p>Governador do estado e ao Prefeito Municipal.</p><p>→ I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;</p><p>→ II - disponham sobre:</p><p>− criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração</p><p>direta e autárquica ou aumento de sua remuneração;</p><p>http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=939&CLASSE=ADI&cod_classe=504&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M&EMENTA=1737</p><p>http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=1946&CLASSE=ADI%2DMC&cod_classe=555&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M&EMENTA=2043</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>150</p><p>− organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária,</p><p>serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios;</p><p>− servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico,</p><p>provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria;</p><p>− organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União,</p><p>bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da</p><p>Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;</p><p>− criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública,</p><p>observado o disposto no art. 84, VI, da CF;</p><p>− militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de</p><p>cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência</p><p>para a reserva</p><p>ATENÇÃO!</p><p>→ Leis Complementares:</p><p>Maioria absoluta = metade dos membros + 1 – tem sua autorização para</p><p>edição quando à constituição expressamente prever – não podem ser</p><p>tratadas por medidas provisórias ou leis delegadas!</p><p>→ Leis Ordinárias:</p><p>Maioria simples: metade mais um dos presentes, respeitada a regra do art.</p><p>47 da constituição (ou seja, presentes na sessão a maioria absoluta dos</p><p>membros) – conhecida como lei comum tem incidência justamente quando</p><p>não há previsão específica!</p><p>Além disso, destaca-se que não há hierarquia entre lei ordinária e lei</p><p>complementar, pois ambas têm objetos distintos.</p><p>→ Iniciativa Popular</p><p>Somente de leis ordinárias ou complementares, não cabe no caso de</p><p>emenda à Constituição. Requisitos:</p><p> 1% do eleitorado nacional (5% em caso de município);</p><p> Distribuído em pelo menos 5 Estados da federação;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>151</p><p> 3/10 dos eleitores em cada um desses Estados;</p><p> Inicia na Câmara dos Deputados;</p><p> § 2º - A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à</p><p>Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo,</p><p>um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por</p><p>cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos</p><p>eleitores de cada um deles.</p><p>Atenção!</p><p>Emenda a Constitucional Estadual poderá</p><p>ser de iniciativa popular, em havendo</p><p>previsão. Esse caso concreto aconteceu</p><p>no Estado do Amapá, o qual por Emenda</p><p>acrescentou a Iniciativa Popular a proposta</p><p>de Emenda à Constituição Estadual.</p><p>STF- ‘A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é compatível com a</p><p>Constituição Federal, encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II e</p><p>III e no art. 49, VI, da CF/88.</p><p>Embora a Constituição Federal não autorize proposta de iniciativa popular para emendas</p><p>ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há impedimento para</p><p>que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a competência</p><p>constante da Carta Federal. STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes,</p><p>julgado em 25/10/2018 (Info 921).</p><p>→ Importante: O caso de rejeição de proposta apresentada em lei ordinária</p><p>ou lei complementar, devemos observar a regra disposto no art. 67 da Constituição</p><p>Federal:</p><p>Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de</p><p>novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos</p><p>membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>152</p><p>3. MEDIDAS PROVISÓRIAS</p><p>Regidas pelo art. 62 da CF/88, sinalizam uma função legislativa do Presidente da</p><p>República.</p><p>§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:</p><p>I – relativa a:</p><p>a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;</p><p>b) direito penal, processual penal e processual civil;</p><p>c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus</p><p>membros;</p><p>d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e</p><p>suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;</p><p>II – que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro</p><p>ativo financeiro;</p><p>III – reservada a lei complementar;</p><p>IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de</p><p>sanção ou veto do Presidente da República.</p><p>3.1. Pressupostos constitucionais: relevância e urgência da matéria</p><p>O Presidente do Congresso Nacional, em até 48 horas após a publicação da MPV, designa</p><p>uma Comissão Mista formada por 12 Senadores e 12 Deputados titulares (com igual número de</p><p>suplentes), responsável por analisar previamente os pressupostos constitucionais de relevância</p><p>e urgência, o mérito e a adequação financeira e orçamentária.</p><p>Após instalada a comissão, são eleitos o Presidente e Vice-Presidente, pertencentes a</p><p>Casas diferentes, e designados Relator e Relator-Revisor da matéria, o último para exercer as</p><p>funções na Casa diversa da do Relator. O Presidente da Comissão Mista possui a prerrogativa</p><p>de indeferir liminarmente as emendas apresentadas que forem estranhas ao texto original da</p><p>MPV.</p><p>• Emenda constitucional nº 32/2001:</p><p>Foi um divisor de águas em matéria de medida provisória, haja vista que vedou a edição</p><p>automática e indefinida de medidas provisórias, visando coibir o uso abusivo por parte do poder</p><p>executivo.</p><p>§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os</p><p>previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro</p><p>seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>153</p><p>Atenção!</p><p>Postura do pelo STF em relação à Medida</p><p>Provisória no âmbito Estadual e Municipal:</p><p>poderão Estados e Municípios adotar medidas</p><p>provisórias, se houver previsão expressa na</p><p>Constituição do Estado e na Lei Orgânica do</p><p>município e desde que seja respeitado o</p><p>princípio da simetria Constitucional, ou seja,</p><p>necessária a observância do tratamento da</p><p>matéria na sistemática constitucional!</p><p>• Perda da eficácia da Medida Provisória:</p><p>O § 3º do art. 62 estabelece que as medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11</p><p>e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta</p><p>dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional</p><p>disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. Tem-se o prazo de</p><p>60 dias + 60 dias.</p><p>→ Observação: As medidas provisórias não convertidas em lei no prazo</p><p>constitucional perdem sua eficácia desde sua edição e não a partir do ato que decreta</p><p>encerramento do prazo de sua vigência.</p><p>§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória,</p><p>suspendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.</p><p>§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das</p><p>medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos</p><p>constitucionais.</p><p>3.2. Pressupostos constitucionais: relevância = urgência da matéria</p><p>Prazo para apreciação da Medida Provisória: 45 dias entrará em regime de urgência, logo,</p><p>os demais processos ficam suspensos até que seja apreciada à medida:</p><p>§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de</p><p>sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das</p><p>Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as</p><p>demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>154</p><p>Interpretação do Art. 62, § 6º, da CF e limitação do sobrestamento:</p><p>O Plenário retomou julgamento de mandado de segurança impetrado contra decisão do</p><p>Presidente da Câmara dos Deputados que, em questão de ordem, formalizara, perante o</p><p>Plenário dessa Casa Legislativa, seu entendimento no sentido de que o sobrestamento</p><p>das deliberações legislativas, previsto no § 6º do art. 62 da CF (“§ 6º Se a medida</p><p>provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação,</p><p>entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do</p><p>Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais</p><p>deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando”), só se aplicaria,</p><p>supostamente, aos projetos de lei ordinária — v. Informativo 572. Em voto-vista, a Ministra</p><p>Cármen Lúcia acompanhou o relator e denegou a segurança. Destacou que seria não</p><p>apenas da competência do Presidente da Câmara valer-se da interpretação conforme,</p><p>como também seria compatível com princípios e regras da Constituição. Nesse ponto, a</p><p>interpretação conforme seria instrumento que poderia ser exercido tanto pelo Poder</p><p>Judiciário quanto pelo Poder Legislativo no exercício da interpretação constitucional.</p><p>Assim, na decisão questionada, ficara consignado que o regime de urgência, previsto no</p><p>§ 6º do art. 62 da CF, a impor o sobrestamento das deliberações legislativas das Casas</p><p>do Congresso seria referente somente às matérias que se mostrassem passíveis de</p><p>regramento por medida provisória. Estariam excluídos do âmbito de incidência das</p><p>medidas provisórias, como dispõe o art. 62, § 1º, da CF, em consequência, as propostas</p><p>de emenda à Constituição, os projetos de lei complementar, os projetos de decreto</p><p>legislativo, os projetos de resolução e, até mesmo, tratando-se de projetos de lei ordinária,</p><p>aqueles que veiculassem temas pré-excluídos, por determinação constitucional. Em</p><p>seguida, pediu vista o Ministro Roberto Barroso. MS 27931/DF, rel. Min. Celso de Mello,</p><p>18.3.2015. (MS-27931)</p><p>As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados, e uma vez</p><p>que a medida provisória for rejeitada no Congresso Nacional, ou perder sua eficácia pelo</p><p>transcurso do prazo sem que ocorra a sua votação, nesse caso ela somente poderá ser</p><p>reapresentada na próxima sessão legislativa, ou seja no outro ano posterior aquele da rejeição.</p><p>§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.</p><p>§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa (ano em que houver sido</p><p>rejeitada), de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia</p><p>por decurso de prazo.</p><p>As relações jurídicas que foram regidas por Medida Provisória serão conservadas, serão</p><p>reguladas por Decreto Legislativo. Em caso de rejeição ou não edição de Decreto Legislativo</p><p>regulando:</p><p>§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a</p><p>rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e</p><p>decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.</p><p>§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória,</p><p>esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.</p><p>3.3. Tramitação da Medida Provisória</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=27931&classe=MS&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=27931&classe=MS&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>155</p><p>As Medidas Provisórias (MPVs) são normas com força de lei editadas pelo Presidente da</p><p>República</p><p>em situações de relevância e urgência. Apesar de produzir efeitos jurídicos imediatos,</p><p>a MPV precisa da posterior apreciação pelas Casas do Congresso Nacional (Câmara e Senado)</p><p>para se converter definitivamente em lei ordinária.</p><p>O prazo inicial de vigência de uma MPV é de 60 dias e é prorrogado automaticamente por</p><p>igual período caso não tenha sua votação concluída nas duas Casas do Congresso Nacional. Se</p><p>não for apreciada em até 45 dias, contados da sua publicação, entra em regime de urgência,</p><p>sobrestando todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.</p><p>O art. 62 da Constituição Federal traz as regras gerais de edição e apreciação das MPVs,</p><p>definindo inclusive os assuntos e temas sobre os quais não podem se pronunciar. Já o</p><p>disciplinamento interno do rito de tramitação dado pela Resolução do Congresso Nacional n° 1</p><p>de 2002 exige, por exemplo, sobre emendas, a formação da comissão mista e prazos de</p><p>tramitação.</p><p>As fases relativas à tramitação de uma Medida Provisória no Congresso Nacional estão</p><p>detalhadas logo a seguir, com a disponibilização dos principais documentos produzidos nas</p><p>várias instâncias de deliberação, incluindo emendas apresentadas, parecer aprovado e quadros</p><p>comparativos que demonstram as modificações promovidas no texto principal da matéria.</p><p>• Publicação:</p><p>O texto da Medida Provisória é publicado no Diário Oficial da União quando, então,</p><p>passam a ser contados os prazos relativos à vigência e à sua tramitação no Congresso Nacional.</p><p>Nesse momento, e nos seis dias subsequentes, podem ser oferecidas emendas à MPV perante</p><p>a Comissão Mista destinada a emitir parecer sobre a matéria.</p><p>• Comissão mista:</p><p>O Presidente do Congresso Nacional, em até 48 horas após a publicação da MPV, designa</p><p>uma Comissão Mista formada por 12 Senadores e 12 Deputados titulares (com igual número de</p><p>suplentes), responsável por analisar previamente os pressupostos constitucionais de relevância</p><p>e urgência, o mérito e a adequação financeira e orçamentária.</p><p>Após instalada a comissão, são eleitos o Presidente e Vice-Presidente, pertencentes a</p><p>Casas diferentes, e designados Relator e Relator-Revisor da matéria, o último para exercer as</p><p>funções na Casa diversa da do Relator. O Presidente da Comissão Mista possui a prerrogativa</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>156</p><p>de indeferir liminarmente as emendas apresentadas que forem estranhas ao texto original da</p><p>MPV. Apresentado e discutido, o texto do Relator é submetido à votação pelo colegiado,</p><p>passando a constituir parecer da Comissão Mista ao ser aprovado. O parecer pode concluir, no</p><p>mérito:</p><p>− pela aprovação total da MPV como foi editada pelo Poder Executivo;</p><p>− pela apresentação de Projeto de Lei de Conversão (PLV), quando o texto</p><p>original da MPV é alterado; ou</p><p>− pela rejeição da matéria, com o parecer sendo obrigatoriamente encaminhado</p><p>à apreciação do plenário da Câmara dos Deputados.</p><p>• Câmara dos Deputados:</p><p>Analisada pela Comissão Mista, a MPV segue para o Plenário da Câmara dos Deputados,</p><p>Casa iniciadora. O quorum para deliberação é de maioria simples (presente em Plenário a</p><p>metade mais um dos deputados). As conclusões da deliberação da matéria incluem:</p><p>− Rejeitada, a matéria tem a sua vigência e tramitação encerradas e é arquivada,</p><p>aprovação na íntegra (nos termos da MPV editada),</p><p>− Se aprovada (na íntegra ou na forma de PLV), é remetida ao Senado Federal.</p><p>• Senado Federal:</p><p>O quórum para deliberação no Senado Federal também é de maioria simples (presente a</p><p>metade mais um dos senadores) e o resultado da votação apresenta-se com as seguintes</p><p>opções:</p><p>→ Rejeição: a matéria tem sua vigência e tramitação encerradas e é arquivada;</p><p>→ Aprovação na íntegra (nos termos da edição original): MPV é enviada à</p><p>promulgação e se torna lei;</p><p>→ Aprovação do PLV recebido da Câmara dos Deputados sem alterações de</p><p>mérito: o texto é remetido à sanção do Presidente da República;</p><p>→ Aprovação do PLV recebido da Câmara dos Deputados com emendas de</p><p>mérito: a matéria retorna à Câmara dos Deputados, que delibera, exclusivamente, sobre</p><p>as emendas;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>157</p><p>→ Aprovação da Medida Provisória, em decorrência de preferência sobre o PLV</p><p>da Câmara dos Deputados: a matéria retorna à Câmara dos Deputados, que deliberará,</p><p>exclusivamente, sobre a Medida Provisória;</p><p>→ Aprovação de novo PLV: a matéria retorna à Câmara dos Deputados, que</p><p>delibera, exclusivamente, sobre o PLV oferecido pelo Senado Federal.</p><p>• Retorno à Câmara dos Deputados:</p><p>Se o Senado aprova com modificações o texto recebido da Câmara, as propostas</p><p>retornam à análise da Câmara dos Deputados. As alterações promovidas pelo Senado são</p><p>acatadas ou rejeitadas pela Câmara dos Deputados, sendo a matéria remetida à sanção (se</p><p>aprovado o PLV) ou à promulgação (se aprovado o texto original da Medida Provisória).</p><p>• Promulgação da Medida Provisória:</p><p>No caso de aprovação da MPV, a matéria é promulgada e convertida em lei ordinária pelo</p><p>Presidente da Mesa do Congresso Nacional, não sendo sujeita à sanção ou veto, como ocorre</p><p>com os projetos de lei de conversão.</p><p>• Aprovação de Projeto de Lei de Conversão:</p><p>Quando a MPV é aprovada na forma de um Projeto de Lei de Conversão, este é enviado</p><p>à sanção do Presidente da República, que poderá tanto sancioná-lo quanto vetá-lo. Caberá ao</p><p>Congresso Nacional deliberar sobre o veto e, assim, concluir o processo de tramitação da</p><p>matéria.</p><p>• Rejeição da Medida Provisória:</p><p>Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal podem concluir pela rejeição</p><p>da Medida Provisória, quando então a sua vigência e tramitação são encerradas e ela é</p><p>arquivada.</p><p>• Edição de Decreto Legislativo:</p><p>Se houver a aprovação de PLV, rejeição ou perda de eficácia da MPV, o Congresso</p><p>Nacional detém a prerrogativa de disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas</p><p>decorrentes de sua edição. Não se materializando a edição do referido decreto legislativo no</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>158</p><p>prazo de 60 dias, as relações jurídicas constituídas durante o período de vigência conservam-se</p><p>regidas pela MPV. Cabe destacar, ainda, que aprovado um PLV, a MPV mantém-se</p><p>integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.</p><p>→ Medidas provisórias convertidas em Lei podem sofrer emendas?</p><p>Projeto de conversão de medida provisória e emenda parlamentar – ADI 6928/DF.</p><p>O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória</p><p>quando a emenda estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória.</p><p>A exigência de correlação de conteúdos entre a medida provisória e o projeto de lei de</p><p>sua conversão não tem força para afastar a atribuição de, no curso do processo legislativo,</p><p>propor emendas às medidas provisórias. Essa faculdade do legislador é inerente ao</p><p>controle democrático dos atos do Poder Executivo e pode eventualmente resultar em</p><p>acréscimos ou modificações em seu texto. Com efeito, o poder de emenda é prerrogativa</p><p>institucional inerente ao exercício do Poder Legislativo e importante atividade de controle</p><p>democrático dos atos do Poder Executivo. Além disso, no caso das medidas provisórias,</p><p>há previsão expressa da Constituição Federal (CF/88). Entretanto, as emendas</p><p>parlamentares apresentadas durante a análise de medidas provisórias devem</p><p>guardar pertinência temática com a matéria originalmente versada O objetivo da</p><p>análise da pertinência temática é evitar que matérias dissociadas do tema cuidado</p><p>na medida provisória, com tramitação diferenciada, sejam aprovadas sem o debate</p><p>democrático pertinente.</p><p>4. DECRETOS</p><p>Decretos são atos normativos editados tanto pelo Poder legislativo (no caso dos decretos</p><p>legislativos) ou pelo Poder Executivo (no caso dos decretos</p><p>autônomos ou regulamentares). Eles</p><p>possuem diferentes funções no ordenamento jurídico brasileiro, conforme podemos observar</p><p>abaixo:</p><p>• Decreto Regulamentar (que visa a complementar a lei):</p><p>Uma espécie de ato administrativo que busca dar fiel cumprimento a execução de uma lei</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>159</p><p>– chamados de decretos de mera execução – sendo atos secundários pois não inovam na ordem</p><p>jurídica - art. 84, IV, da CF/88.</p><p>→ Observação: Não pode ser objeto de Controle de Constitucionalidade</p><p>Abstrato, pois se o Decreto contrariar a Lei, trata-se de caso de ilegalidade (ou</p><p>inconstitucionalidade reflexa).</p><p>• Decreto Legislativo:</p><p>Exercido pelo congresso nacional conforme suas competências do art. 49 da Constituição,</p><p>constituindo ato normativo primário passível de ação direta de inconstitucionalidade</p><p>• Decreto Autônomo:</p><p>Eles tratariam de temas que inovam, ou seja, não foram objetos de abordagem pela lei,</p><p>que silencia sobre as questões reguladas no decreto. (art. 84, VI EC 32/2001).</p><p>O Supremo Tribunal Federal admite o</p><p>controle, por via de ação direta de</p><p>inconstitucionalidade, do decreto autônomo,</p><p>revestido de conteúdo normativo, mas não o</p><p>admite quando se tratar de decreto de</p><p>regulamentação da lei.</p><p>5. LEIS DELEGADAS</p><p>• A quem compete e como é a delegação:</p><p>O Presidente da República solicita ao Congresso Nacional a delegação. A delegação é</p><p>feita através de resolução do Congresso Nacional, devendo expressamente indicar o conteúdo</p><p>e sua forma de exercício (lembrando que no art. 49, V – cabe ao Congresso Nacional - sustar os</p><p>atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de</p><p>delegação legislativa).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>160</p><p>• O que não pode ser objeto de delegação:</p><p>→ I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a</p><p>garantia de seus membros;</p><p>→ II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;</p><p>→ III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.</p><p>6. DISPOSIÇÕES IMPORTANTES DO PROCESSO LEGISLATIVO</p><p>O Presidente da República e os projetos da sua iniciativa: os projetos de Lei de iniciativa</p><p>do Presidente da República iniciam na Câmara dos Deputados a sua votação. Importante</p><p>também ressaltar que o Presidente poderá pedir urgência nos projetos de sua iniciativa.</p><p>Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República,</p><p>do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos</p><p>Deputados.</p><p>§ 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de</p><p>sua iniciativa.</p><p>§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se</p><p>manifestarem sobre a proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco</p><p>dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com</p><p>exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação.</p><p>• Regra geral para votação no Processo Legislativo Ordinário:</p><p>Art. 66 da CF: A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao</p><p>Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.</p><p>§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte,</p><p>inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo</p><p>de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta</p><p>e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.</p><p>Após o projeto de Lei ser aprovado nas casas legislativas, o mesmo é encaminhado para</p><p>veto ou sanção do chefe do Poder Executivo. O veto é a manifestação expressa de sua</p><p>discordância, total ou parcial em relação ao conteúdo da proposta. Já a sanção é a concordância</p><p>com o projeto apresentado.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>161</p><p>• Sobre a sanção:</p><p>→ A sanção poderá ser tácita, se decorrido o prazo de 15 dias sem que haja</p><p>manifestação expressa do chefe do Poder Executivo.</p><p>Art. 66 (...) § 3º - Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República</p><p>importará sanção</p><p>• Sobre o veto:</p><p>→ O veto deverá ser expresso e fundamentado, ou seja, não há voto tácito;</p><p>→ O veto poderá ser total (quando incidir em toda proposta legislativa) ou parcial</p><p>(quando incidir sobre parte do texto, lembrando que não é possível vetar palavras ou</p><p>expressões isoladas);</p><p>§ 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou</p><p>de alínea.</p><p>→ Poderá ser por questões de interesse público e ou jurídicas, no caso o chefe</p><p>do Poder Executivo entenda que há um vício de inconstitucionalidade;</p><p>→ Apreciado pelo Congresso Nacional (pois é sessão conjunta) e pode ser</p><p>rejeitado pela maioria absoluta.</p><p>§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu</p><p>recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e</p><p>Senadores.</p><p>§ 5º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente</p><p>da República.</p><p>§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na</p><p>ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação</p><p>final.</p><p>• Consequência de não ser apreciado em 30 dias:</p><p>Sobrestar os demais atos legislativos</p><p>§ 7º - Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da</p><p>República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este</p><p>não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>162</p><p>PODER EXECUTIVO</p><p>Órgão Monocrático ou Unipessoal: Art. 76, CF 1988 "O Poder Executivo é exercido</p><p>(somente) pelo Presidente da República, (sendo) auxiliado pelos Ministros de Estado."</p><p>No caso do presidencialismo brasileiro, lembrar que o chefe do executivo exerce as</p><p>funções de chefe de governo, chefe de estado e chefe da administração pública (todas funções</p><p>descritas no art. 84 da CF).</p><p>Mandato de 4 anos, alterado pela emenda Constitucional de revisão nº 5/94, pois o</p><p>mandato era de 5 anos, permitida uma recondução ao cargo em período subsequente, por</p><p>emenda constitucional nº 16/97.</p><p>Presidente da república Governador do estado Prefeito municipal</p><p>Idade</p><p>mínima</p><p>35 anos 30 anos 21 anos</p><p>Mandato</p><p>4 anos permitida uma</p><p>recondução</p><p>4 anos permitida uma</p><p>recondução</p><p>4 anos permitida uma</p><p>recondução</p><p>Eleição Majoritário - caso não atinja</p><p>MAIORIA ABSOLUTA -</p><p>mais que 50% dos votos no</p><p>1º turno (não computados</p><p>brancos e nulos) haverá 2º</p><p>turno</p><p>Majoritário - caso não</p><p>atinja MAIORIA</p><p>ABSOLUTA - mais que</p><p>50% dos votos no 1º turno</p><p>(não computados brancos</p><p>e nulos) haverá 2º turno</p><p>Majoritário – contudo, 2º</p><p>turno haverá apenas nas</p><p>cidades maiores que 200 mil</p><p>eleitores</p><p>1. VACÂNCIA</p><p>Art. 79, CF 1988 "Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no</p><p>de vaga, o Vice-Presidente.</p><p>→ Importante! Se, decorridos 10 (dez) dias da data fixada para a posse, o</p><p>Presidente ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo,</p><p>este será declarado vago.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>163</p><p>Ocorre em caso de Presidente e Vice-Presidente não poder exercer o cargo, por</p><p>impedimento ou morte.</p><p>Quem assume temporariamente nesse caso é (sucessivamente):</p><p>− Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados;</p><p>− Presidente do Senado Federal;</p><p>− Presidente do Supremo Tribunal Federal.</p><p>1.1. Hipóteses de vacância</p><p>• Cuidar o tempo!</p><p>Se ocorrer a vacância do cargo de prefeito e de vice nos dois primeiros anos</p><p>de mandato,</p><p>realizar-se-ão novas eleições, em 90 dias após a abertura da última vaga (art. 81, caput). Nesse</p><p>caso, a eleição será direta.</p><p>Se a vacância se der nos últimos 2 anos de mandato, então terão o prazo de 30 dias após</p><p>a abertura da última vaga. Nesse caso, a eleição será indireta.</p><p>Observação: os novos ocupantes do cargo permanecem até completar o período restante do</p><p>mandato.</p><p>• Caso de morte antes do 2º turno:</p><p>§ 4º - Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento</p><p>legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação (se houver</p><p>empate, o mais idoso)</p><p>• Caso de morte de candidato após 2º turno:</p><p>Será chamado a concorrer para o 2º turno o remanescente que tiver feito maior votação</p><p>no 1º turno.</p><p>2. FUNÇÕES DO CHEFE DO EXECUTIVO</p><p>Lembrar que as funções dispostas no art 84 e incisos, por simetria também devem ser</p><p>aplicadas quando compatíveis aos Governadores e Prefeitos Municipais. Ainda, importante</p><p>atentar ao parágrafo único que ressalta que algumas delas podem ainda ser delgadas Ministros</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>164</p><p>de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão</p><p>os limites traçados nas respectivas delegações.</p><p>Art. 84 da CF: Compete privativamente ao Presidente da República:</p><p>I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;</p><p>II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração</p><p>federal;</p><p>III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;</p><p>IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e</p><p>regulamentos para sua fiel execução;</p><p>V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;</p><p>VI – dispor, mediante decreto, sobrea) organização e funcionamento da administração</p><p>federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos</p><p>públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; VII - manter relações</p><p>com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;</p><p>VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do</p><p>Congresso Nacional;</p><p>IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;</p><p>X - decretar e executar a intervenção federal;</p><p>XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da</p><p>abertura da sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências</p><p>que julgar necessárias;</p><p>XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos</p><p>instituídos em lei;</p><p>XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da</p><p>Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para</p><p>os cargos que lhes são privativos; XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal,</p><p>os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores</p><p>de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco</p><p>central e outros servidores, quando determinado em lei;</p><p>XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;</p><p>XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral</p><p>da União;</p><p>XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;</p><p>XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;</p><p>XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso</p><p>Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e,</p><p>nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;</p><p>XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;</p><p>XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;</p><p>XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem</p><p>pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;</p><p>XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes</p><p>orçamentárias e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;</p><p>XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a</p><p>abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;</p><p>XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;</p><p>XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;</p><p>XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>165</p><p>3. MINISTROS E MINISTÉRIOS</p><p>Artigos 87 e 88, CF 1988:</p><p>→ pelo menos 21 anos e em pleno gozo dos direitos políticos;</p><p>→ trata-se de cargos em comissão, ou seja, de livre provimento por parte do</p><p>Presidente;</p><p>→ basicamente são organismos responsáveis em coordenação, muitas vezes</p><p>uma matéria demanda a ação conjunta de mais de um ministério.</p><p>→ Importante!</p><p>Decisão do STF (MP 207 2004 e MP 2.409-11 de 2000,</p><p>respectivamente): A advocacia Geral da União e a Presidência do Banco</p><p>Central possuem status de Ministro, porquanto, gozam também da</p><p>prerrogativa de foro privilegiado.</p><p>Súmula Vinculante nº 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou</p><p>parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau,</p><p>inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa</p><p>jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o</p><p>exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função</p><p>gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos</p><p>Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,</p><p>compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a</p><p>Constituição Federal.</p><p>RE 1041210: Em decisão de repercussão geral o STF reafirmou - Súmula</p><p>Vinculante nº 13 - sobre o nepotismo – não se aplica aos cargos de Ministro</p><p>de Estado, Secretários Estaduais e Municipais.</p><p>a) A criação de cargos em comissão somente se justifica para o</p><p>exercício de funções de direção, chefia e assessoramento, não se</p><p>prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas ou</p><p>operacionais;</p><p>b) tal criação deve pressupor a necessária relação de confiança</p><p>entre a autoridade nomeante e o servidor nomeado;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>166</p><p>c) o número de cargos comissionados criados deve guardar</p><p>proporcionalidade com a necessidade que eles visam suprir e com o</p><p>número de servidores ocupantes de cargos efetivos no ente federativo</p><p>que os criar; e</p><p>d) as atribuições dos cargos em comissão devem estar</p><p>descritas, de forma clara e objetiva, na própria lei que os instituir.</p><p>4. CRIME DE RESPONSABILIDADE</p><p>Os crimes de responsabilidade distinguem-se em infrações políticas (art. 85, I-IV), e</p><p>crimes funcionais (art. 85, V-VIII, da CF).</p><p>I — a existência da União;</p><p>II — o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos</p><p>Poderes constitucionais das *Unidades da Federação;</p><p>III — o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;</p><p>IV — a segurança interna do País;</p><p>V — a probidade na administração;</p><p>VI — a lei orçamentária;</p><p>VII — O cumprimento das leis e das decisões judiciais</p><p>4.1. Natureza dos crimes de responsabilidade</p><p>Ferreira Filho (Curso, 18ª ed., p. 143):</p><p>Em primeiro lugar…, impõe-se o exame do fundamento do impeachment. A consulta à</p><p>Constituição de 1988, art. 85, revela ser ele uma conduta contrária à Constituição. A lei,</p><p>todavia (n. 1079, de 10-4-1950), define as figuras que dão ensejo ao impeachment. Sem</p><p>dúvida, a maior parte dessas figuras retrata comportamentos politicamente indesejáveis e</p><p>não condutas antissociais. Essas figuras, pois, não são crimes, no sentido que a ciência</p><p>penal dá a esse termo. Todavia, a ocorrência de fatos que se enquadram exatamente na</p><p>descrição da figura</p><p>da Lei nº 1079 [isto é: a tipicidade], é indispensável para que possa</p><p>desencadear-se o impeachment. Assim, o fundamento deste em sua substância é político,</p><p>mas em sua forma é um crime (em sentido formal).</p><p>4.2. Fases do processo</p><p>• Regulamentação do processo:</p><p>Art. 85, parágrafo único, CF 1988 c/c Lei nº 1.079/50. Lembrar que a Lei foi recepcionada</p><p>pela Constituição, conforme manifestação do STF no caso Collor de Mello.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>167</p><p>• Fase do juízo de admissibilidade ou pronúncia:</p><p>Art. 51, I c/c art. 86, parte inicial, CF 1988, compete à Câmara dos Deputados por votação</p><p>de 2/3 dos seus membros.</p><p>• Fase do julgamento:</p><p>Art. 52, I e parágrafo único c/c art. 86, parte final, CF 1988. Ao Senado compete julgar se</p><p>houve ou não crime de responsabilidade, também por votação de 2/3.</p><p>4.3. Responsabilidade penal do Presidente da República</p><p>• Foro privilegiado:</p><p>Art. 51, I, CF 1988 - Necessidade de prévia autorização da Câmara dos Deputados para</p><p>a instauração de qualquer ação judicial contra o Presidente da República, inclusive a ação penal.</p><p>Art. 102, I, "b" - Competência originária do STF para o processamento e julgamento do</p><p>Presidente da República pela prática de crime comum.</p><p>Foro privilegiado vale somente para agentes públicos que ainda estejam no exercício do</p><p>cargo, assim, ao término do mandato, cessa o exercício do cargo cessa também o foro</p><p>privilegiado, deslocando-se a competência para exame da causa ao juiz singular de primeira</p><p>instância;</p><p>Contudo, temos que ler conjuntamente ao fato que o Presidente da República, na vigência</p><p>de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.</p><p>Art. 86 da CF: Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da</p><p>Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal</p><p>Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de</p><p>responsabilidade.</p><p>→ Quando o presidente poderá ficar suspenso de suas funções?</p><p> Infrações penais comuns: se recebida a denúncia ou queixa-crime</p><p>pelo Supremo Tribunal Federal;</p><p> Crimes de responsabilidade: após a instauração do processo pelo</p><p>Senado Federal.</p><p>§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído,</p><p>cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do</p><p>processo.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>168</p><p>→ Questão interessante:</p><p>§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente</p><p>da República não estará sujeito à prisão;</p><p>§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser</p><p>responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.</p><p>4.4. Impeachment de Prefeitos Municipais</p><p>Decreto-lei nº 201- o caso de impeachment de Prefeitos Municipais</p><p>Atenção!</p><p>No aspecto punitivo, tem-se feito confusão entre crimes de responsabilidade e infrações</p><p>político-administrativas. É que, conforme doutrina e jurisprudência do STF, os</p><p>denominados crimes de responsabilidade do Prefeito, tipificados no art. 1º, do Decreto-</p><p>Lei nº 201/67, e julgados pelo Poder Judiciário, são crimes comuns, a (pena mais grave-</p><p>inclusive, prisão)</p><p>§1º Os crimes definidos neste artigo são de ação pública, punidos os dos itens I e II, com</p><p>a pena de reclusão, de dois a doze anos, e os demais, com a pena de detenção, de três</p><p>meses a três anos.</p><p>§ 2º A condenação definitiva em qualquer dos crimes definidos neste artigo, acarreta a</p><p>perda de cargo e a inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou</p><p>função pública, eletivo ou de nomeação, sem prejuízo da reparação civil do dano causado</p><p>ao patrimônio público ou particular.</p><p>As infrações político-administrativas, tipificadas no art. 4º do mesmo Decreto-Lei, na</p><p>tradição de nosso direito, são crimes de responsabilidade.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>169</p><p>4.5. Competência</p><p>• Competência legislativa:</p><p>Somente a União detém competência para legislar sobre crimes de responsabilidade. O</p><p>Município no Brasil não possui competência constitucional para definir os tipos político-</p><p>administrativos de infrações passíveis de serem apuradas pelo devido processo legal do</p><p>Impeachment, assim como para dispor sobre as regras do processo e do julgamento de Prefeito,</p><p>isto porque é a União (art. 22, inciso I, da Constituição Federal de 1988) que detém a</p><p>competência para legislar sobre crimes de responsabilidade (que são infrações político-</p><p>administrativas, não-penais), e sobre o direito processual.</p><p>→ Lembretes relacionados ao tema:</p><p> Aplicam-se tanto a Lei nº 1.079 quanto ao Decreto-lei nº 201,</p><p>subsidiariamente as regras do CPP;</p><p> ADPF 378 - discutiu-se em 2015 sobre o impeachment, importantes</p><p>decisões:</p><p> Reforçou a recepção da Lei;</p><p> Prazo de defesa de 10 sessões (reforçou a decisão do caso Collor de</p><p>Mello (MS 21564)</p><p> Decidiu que não se aplica suspeição;</p><p> Competência do STF apenas na garantia do devido processo legal, não</p><p>cabendo discussão de mérito;</p><p> Aplicação do regimento interno do Congresso Nacional;</p><p> Não cabe ao Senado revisar a decisão de da Câmara pela</p><p>admissibilidade ou não do processamento);</p><p> A divisão da sanção do crime de responsabilidade no caso Dilma</p><p>Roussef.</p><p>• Competência nos casos de improbidade administrativa:</p><p>→ Senado Federal</p><p>Julga o Presidente da República, o Vice-Presidente da República, o Procurador-</p><p>Geral da República (Chefe do Ministério Público Federal), Ministros do STF, o Advogado-</p><p>Geral da União e Senadores (arts. 52, I e II, CF 1988 + art. 51, I, CF 1988)</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>170</p><p>→ Supremo Tribunal Federal</p><p>Julga Ministros de Estado, Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica,</p><p>membros de Tribunais Superiores, membros do Tribunal de Contas da União e chefes de</p><p>missão diplomática em caráter permanente (art. 102, I, “c”, CF 1988)</p><p>→ Superior Tribunal de Justiça</p><p>Desembargadores de Tribunais de Justiça dos Estados e DF, membros dos</p><p>Tribunais de Contas dos Estados e do DF, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do</p><p>Trabalho, membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Estados e do DF, os dos</p><p>Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, membros</p><p>dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União</p><p>que oficiem perante tribunais (art. 105, I, “a”, CF 1988)</p><p>→ Tribunais de Justiça Estaduais</p><p>Julgam Prefeitos (art. 29, X, CF 1988) c/c art. 1º, Decreto-lei nº 201/67 (dispõe sobre</p><p>a responsabilidade dos prefeitos e vereadores)</p><p>→ Jurisprudência</p><p>Crimes de responsabilidade cometidos por Governador de Estado e o papel</p><p>das Assembleias Legislativas:</p><p>Processamento de governador: autorização prévia da Assembleia Legislativa e suspensão</p><p>de funções.</p><p>STF, informativo 863: Não há necessidade de prévia autorização da assembleia legislativa</p><p>para o recebimento de denúncia ou queixa e instauração de ação penal contra governador</p><p>de Estado, por crime comum, cabendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), no ato de</p><p>recebimento ou no curso do processo, dispor, fundamentadamente, sobre a aplicação de</p><p>medidas cautelares penais, inclusive afastamento do cargo.</p><p>Com base nessa orientação, o Plenário, em conclusão e por maioria, julgou parcialmente</p><p>procedente pedido formulado em ação direta para: a) dar interpretação conforme ao art.</p><p>92, § 1º, I, da Constituição do Estado de Minas Gerais para consignar não haver</p><p>necessidade de autorização prévia de assembleia legislativa para o recebimento de</p><p>denúncia e a instauração de ação penal contra governador de Estado, por crime comum,</p><p>cabendo ao STJ, no ato de recebimento</p><p>da denúncia ou no curso do processo, dispor,</p><p>fundamentadamente, sobre a aplicação de medidas cautelares penais, inclusive</p><p>afastamento do cargo; e b) julgar improcedente o pedido de declaração de</p><p>inconstitucionalidade da expressão “ou queixa” do art. 92, § 1º, I, da Constituição do</p><p>Estado de Minas Gerais — ver Informativos 851 e 855.</p><p>O referido dispositivo prevê que o governador será submetido a processo e julgamento</p><p>perante o STJ nos crimes comuns e será suspenso de suas funções, na hipótese desses</p><p>crimes, se recebida a denúncia ou a queixa pelo STJ.</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo851.htm</p><p>http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo855.htm</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>171</p><p>Quanto a impossibilidade de afastamento do governador do estado em caso</p><p>de recebimento da denúncia por crime de responsabilidade ou comum:</p><p>O afastamento do presidente da República é medida excepcional, e, no caso de crime</p><p>comum, seu processamento e julgamento devem ser precedidos de autorização da</p><p>Câmara dos Deputados (CF, arts. 51, I; e 86, caput e § 1º, I). Essa exigência foi</p><p>expressamente prevista apenas para presidente da República, vice-presidente e ministros</p><p>de Estado. Essa é uma decorrência das características e competências que moldam e</p><p>constituem o cargo de presidente da República, mas que não se observam no cargo de</p><p>governador. Diante disso, verifica-se a extensão indevida de uma previsão excepcional</p><p>válida para o presidente da República, porém inexistente e inaplicável a governador.</p><p>Sendo a exceção prevista de forma expressa, não pode ser transladada como se fosse</p><p>regra ou como se estivesse cumprindo a suposta exigência de simetria para governador.</p><p>As eventuais previsões em Constituições estaduais representam, a despeito de se</p><p>fundamentarem em suposto respeito à Constituição Federal, ofensa e usurpação das</p><p>regras constitucionais.</p><p>Segundo o relator, afastado o argumento de suposta obediência à simetria, a</p><p>consequência da exigência de autorização prévia de assembleia legislativa para</p><p>processamento e julgamento de governador por crime comum perante o STJ é o</p><p>congelamento de qualquer tentativa de apuração judicial das eventuais responsabilizações</p><p>dos governadores por cometimento de crime comum. Essa previsão afronta a</p><p>responsividade exigida dos gestores públicos, o que viola o princípio republicano do</p><p>Estado. ADI 5540/MG, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 3.5.2017. (ADI-5540)</p><p>Crimes de responsabilidade e improbidade administrativa:</p><p>O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal (CF) em</p><p>relação às infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade</p><p>administrativa</p><p>Ação de improbidade administrativa: ministro de estado e foro competente: Os agentes</p><p>políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a duplo regime</p><p>sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de</p><p>improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes</p><p>de responsabilidade. Em relação ao duplo regime sancionatório, a Corte concluiu que não</p><p>há qualquer impedimento à concorrência de esferas de responsabilização distintas. Assim,</p><p>carece de fundamento constitucional a tentativa de imunizar os agentes políticos das</p><p>sanções relativas à ação de improbidade administrativa a pretexto de que essas seriam</p><p>absorvidas pelo crime de responsabilidade. Em realidade, a única exceção ao referido</p><p>regime sancionatório em matéria de improbidade se refere aos atos praticados pelo</p><p>Presidente da República, conforme previsão expressa do art. 85, V (1), da CF. Já no</p><p>concernente à extensão do foro especial, o Tribunal afirmou que o foro privilegiado é</p><p>destinado a abarcar apenas as ações penais. A suposta gravidade das sanções previstas</p><p>no art. 37, § 4º (2), da CF, não reveste a ação de improbidade administrativa de natureza</p><p>penal. O foro especial por prerrogativa de função submete-se a regime de direito estrito,</p><p>já que representa exceção aos princípios estruturantes da igualdade e da República. (...)</p><p>. Ademais, a fixação de competência para julgar a ação de improbidade no primeiro grau</p><p>de jurisdição, além de constituir fórmula republicana, é atenta às capacidades</p><p>institucionais dos diferentes graus de jurisdição para a instrução processual. Pet 3240</p><p>AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento em</p><p>10.5.2018. (Pet-3240) (Informativo 901)</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=5540&classe=ADI&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>172</p><p></p><p>PODER JUDICIÁRIO</p><p>1. ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO</p><p>Art. 92 da CF: São órgãos do Poder Judiciário:</p><p>I - o Supremo Tribunal Federal (órgão de Cúpula com jurisdição em todo território nacional</p><p>– conhecido como guardião da Constituição);</p><p>I-A o Conselho Nacional de Justiça; (não é órgão jurisdicional, mas sim de caráter</p><p>administrativo)</p><p>II - o Superior Tribunal de Justiça (conhecido como Tribunal cidadão, nasceu com a</p><p>Constituição de 1988, tem jurisdição em todo território Federal e tem competência em</p><p>relação às legislações infraconstitucionais)</p><p>II-A - o Tribunal Superior do Trabalho (justiça especializada, tem jurisdição em todo</p><p>território nacional)</p><p>III - os Tribunais Regionais Federais (compõem-se por regiões e terá no mínimo sete</p><p>integrantes) e Juízes Federais;</p><p>IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;</p><p>V - os Tribunais e Juízes Eleitorais (temos uma justiça especializada, mas caudatária, ou</p><p>seja, não existe carreira para juízes eleitorais, pois os mesmos são apenas nomeados</p><p>entre magistrados de outras justiças);</p><p>VI - os Tribunais e Juízes Militares (também é uma Justiça especializada regida inclusive</p><p>por Código próprio, com princípios de disciplina e hierarquia);</p><p>VII - os Tribunais (localizados nas capitais dos Estados também conhecidos como</p><p>Tribunais de apelação) e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.</p><p>2. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS</p><p>• Jurisdição:</p><p>Todo juiz tem jurisdição, que nada mais é do que o poder que lhe é investido para dizer o</p><p>direito quando provocado.</p><p>• Competência:</p><p>É a medida da jurisdição, ou seja, cada juiz é competente para determinada demanda.</p><p>1) A competência em</p><p>razão da pessoa</p><p>2) A competência em</p><p>razão da matéria</p><p>3) A competência em</p><p>razão do lugar</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>173</p><p>2.1. A competência em razão da pessoa pode ser subdividida em:</p><p>a) Causas de interesse da União: Art. 109, I, CF 1988. "Aos juízes federais compete</p><p>processar e julgar as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal</p><p>forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência,</p><p>as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho".</p><p>Quando a União Federal estiver envolvida no litígio (ou interesse seu estiver envolvido), a</p><p>competência será da Justiça Federal. Inexistindo esse envolvimento ou interesse, a competência</p><p>será (residualmente) da Justiça Estadual ou "Justiça ordinária" ou "Justiça comum".</p><p>→ Súmula nº 150 STJ: "Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de</p><p>interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou</p><p>empresas públicas.”</p><p>b) Agente Público (pessoa física) envolvido no litígio: determinados agentes do</p><p>Estado gozam de “foro privilegiado”, isto é: a competência originária para o julgamento das mais</p><p>altas autoridades constitucionais está (especialmente: crimes comuns e crimes de</p><p>responsabilidade) atribuída analogamente aos Tribunais Superiores, e não aos Tribunais e juízes</p><p>de instâncias inferiores.</p><p>2.2. Em razão da matéria</p><p>Parte do Poder Judiciário tem sua competência</p><p>estatuída com base em matérias ou temas</p><p>específicos. Exemplo: Justiça Militar, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral.</p><p>2.3. Em razão do lugar</p><p>A competência se define em função de um dado território geográfico. Juízes de Direito</p><p>têm competência em razão da Comarca em que atuam, Tribunais de Justiça estaduais em razão</p><p>do território do Estado, Tribunais Regionais Federais em razão de determinadas regiões</p><p>(Exemplo: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região possui competência sobre o território dos</p><p>estados do RS, SC e PR).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>174</p><p>3. GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO</p><p>Com o objetivo de assegurar a independência do Poder Judiciário, têm-se as garantias</p><p>institucionais e as garantias funcionais. As garantias institucionais do Poder Judiciário. São</p><p>aquelas que protegem o órgão Poder Judiciário ou a "instituição" Poder Judiciário como um todo.</p><p>Dividem-se em:</p><p>→ Autonomia administrativa - art. 99, caput c/c art. 96, CF 1988.</p><p>→ Autonomia financeira - art. 99, §§ 1° e 2°, CF 1988.</p><p>Já as garantias funcionais ou de órgão garantem a independência e a imparcialidade dos</p><p>membros do Poder Judiciário.</p><p>Garantias (art. 95, CF)</p><p>Vedações (art. 95, parágrafo</p><p>único, da CF)</p><p>I - vitaliciedade [ao contrário dos servidores públicos civis, que</p><p>têm somente direito à estabilidade], que no primeiro grau [isto é:</p><p>na primeira instância ou entrância], só será adquirida após dois</p><p>anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse</p><p>período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado,</p><p>e, nos demais, casos, de sentença judicial transitada em julgado;</p><p>I - exercer, ainda que em</p><p>disponibilidade, outro cargo ou</p><p>função, salvo uma de magistério;</p><p>II - inamovibilidade [impossibilidade de o juiz ser removido do</p><p>cargo que ocupa], salvo por motivo de interesse público, na</p><p>forma do ar. 93, VIII, da CF, ou seja, pelo voto da maioria</p><p>absoluta dos membros do Tribunal ou do Conselho Nacional de</p><p>Justiça;</p><p>II - receber, a qualquer título ou</p><p>pretexto, custas ou participação em</p><p>processo;</p><p>III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts.</p><p>37, X e XI, 39, § 4°, 150, II, 153, III, e 153, § 2°, I da CF.</p><p>III - dedicar-se à atividade político-</p><p>partidária.</p><p>IV - receber, a qualquer título ou</p><p>pretexto, auxílios ou contribuições</p><p>de pessoas físicas, entidades</p><p>públicas ou privadas, entidades</p><p>públicas ou privadas, ressalvadas</p><p>as exceções previstas em lei;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>175</p><p>V - exercer a advocacia no juízo ou</p><p>tribunal do qual se afastou, antes de</p><p>decorridos três anos do</p><p>afastamento do cargo por</p><p>aposentadoria ou exoneração.</p><p>→ Observação: Art. 93 da Constituição Federal determina que Lei complementar,</p><p>de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura,</p><p>trazendo alguns princípios que devem ser observados, princípios estes que versam sobre</p><p>a forma de ingresso, das promoções, subsídios, remoções, etc. Nesse ponto, merece</p><p>destaque a quarentena de entrada: “ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz</p><p>substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem</p><p>dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no</p><p>mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de</p><p>classificação”</p><p>4. COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS</p><p>Art. 96. Compete privativamente:</p><p>I - aos tribunais:</p><p>a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das</p><p>normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a</p><p>competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos;</p><p>b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem</p><p>vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva;</p><p>c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva</p><p>jurisdição;</p><p>d) propor a criação de novas varas judiciárias;</p><p>e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no</p><p>art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de</p><p>confiança assim definidos em lei;</p><p>f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores</p><p>que lhes forem imediatamente vinculados;</p><p>II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça</p><p>propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169:</p><p>a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;</p><p>b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos</p><p>juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e</p><p>dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver;</p><p>c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;</p><p>d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;</p><p>ATENÇÃO!</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>176</p><p>A decisão do STF Transformação de juízos e juizados e definição de suas</p><p>respectivas competências - ADI 4235/RJ: É constitucional — por não violar</p><p>o princípio da legalidade — lei estadual que prevê que o Órgão Especial do</p><p>Tribunal de Justiça pode transformar, instalar juizado em substituição a</p><p>adjunto e fixar a competência dos juizados especiais. Na linha da</p><p>jurisprudência desta Corte, a matéria relativa à organização e ao</p><p>funcionamento dos órgãos jurisdicionais e administrativos não está</p><p>submetida à disciplina exclusiva da lei (CF/1988, art. 96), uma vez que a</p><p>Constituição Federal conferiu aos tribunais essa competência. No caso, as</p><p>normas impugnadas não criaram órgãos jurisdicionais, mas somente</p><p>dispuseram sobre a competência de juízos já existentes, sobre a instalação</p><p>progressiva dos juizados, a fim de permitir melhor organização e</p><p>economicidade para a implantação do sistema de juizados introduzido pela</p><p>Lei 9.099/1995.</p><p>4.1. Supremo Tribunal Federal e suas competências</p><p>STF</p><p>Guardião da Constituição-</p><p>controle difuso (art.102, III) e</p><p>concentrado art.102, II, a)</p><p>Guardião da Federação</p><p>art. 102, I, f</p><p>Julgamento das altas</p><p>autoridades</p><p>art. 53 da CF,</p><p>art. 86 § 1º , I</p><p>• 11 Ministros</p><p>• Indicados pelo</p><p>Presidente da</p><p>República</p><p>•escolha aprovada</p><p>maioria absoluta do</p><p>Senado federal</p><p>STF</p><p>•2 Turmas com 5 ministros</p><p>cada turma</p><p>•vitalício</p><p>•aposentadoria</p><p>compulsário aos 75 anos</p><p>STF •Ter noo mínimo 35</p><p>anos o e menos de 70</p><p>anos</p><p>•reputação ilibada</p><p>•notório saber jurídico</p><p>critérios</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>177</p><p>Atenção!</p><p>A Constituição Federal, através da emenda</p><p>122 de maio de 2022, elevou para setenta anos</p><p>a idade máxima para a escolha e nomeação de</p><p>membros do Supremo Tribunal Federal, do</p><p>Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais</p><p>Regionais Federais, do Tribunal Superior do</p><p>Trabalho, dos Tribunais Regionais do</p><p>Trabalho, do Tribunal de Contas da União e</p><p>dos Ministros civis do Superior Tribunal Militar.</p><p>DICA!</p><p>• Criação de órgãos judiciários:</p><p> Qualquer órgão Judiciário (Tribunal, Vara, e os cargos que irão preenchê-los) será</p><p>criado por lei, bastando lei ordinária;</p><p> Caso refira a qualquer órgão do judiciário estadual, será criado pelo legislativo</p><p>estadual, através das Assembleias Legislativas;</p><p> Se tratar de outras justiças, como justiças da União, sempre será criado pelo</p><p>Congresso Nacional;</p><p>• Então é isso:</p><p> Poder Judiciário Estadual = Assembleia Legislativa;</p><p> Tribunais Superiores, Justiça Militar, do Trabalho e Federal = Congresso Nacional;</p><p> Estabelecido</p><p>este esclarecimento, temos as iniciativas de projeto de lei.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>178</p><p>Órgão especial Função</p><p>de substituir o pleno Quinto constitucional Juizados especiais</p><p>Art. 93, XI, CF 1988 "Nos</p><p>tribunais com número</p><p>superior a vinte e cinco</p><p>julgadores poderá ser</p><p>constituído órgão especial,</p><p>com o mínimo de onze e o</p><p>máximo de vinte e cinco</p><p>membros, para o exercício</p><p>das atribuições</p><p>administrativas e</p><p>jurisdicionais da</p><p>competência do tribunal</p><p>pleno."</p><p>Ou seja, requisitos: mais</p><p>que 25 integrantes, poderá</p><p>constituir órgão entre 11 e</p><p>25 membros.</p><p>Art. 94 da CF: "Um quinto dos lugares</p><p>dos Tribunais Regionais Federais, dos</p><p>Tribunais dos Estados, e do Distrito</p><p>Federal e Territórios será composto de</p><p>membros, do Ministério Público, com</p><p>mais de dez anos de carreira, e de</p><p>advogados de notório saber jurídico e</p><p>de reputação ilibada, com mais de dez</p><p>anos de efetiva atividade profissional,</p><p>indicados em lista sêxtupla pelos</p><p>órgãos de representação das</p><p>respectivas classes. Aplica-se também</p><p>ao TRT (art. 115, I, CF), TST (art. 111-</p><p>A, I, CF) e STJ (neste caso, contudo,</p><p>será um terço dos Ministros, nos</p><p>termos do art. 104, parágrafo único, II,</p><p>CF).</p><p>Observação: Tem relação com a</p><p>formação desses tribunais, logo, os</p><p>tribunais são compostos por juízes de</p><p>carreira promovidos por antiguidade e</p><p>merecimento, por membros da OAB e,</p><p>também, do Ministério Público.</p><p>Após recebidas as indicações, o</p><p>Tribunal forma uma lista tríplice e o</p><p>chefe do Poder Executivo escolhe um</p><p>para nomear.</p><p>Art. 98, I, CF 1988 "A União, no</p><p>Distrito Federal e nos Territórios, e</p><p>os Estados criarão: juizados</p><p>especiais, providos por juízes</p><p>togados, ou togados e leigos,</p><p>competentes para a conciliação, o</p><p>julgamento e a execução de</p><p>causas cíveis de menor</p><p>complexidade e infrações penais</p><p>de menor potencial ofensivo,</p><p>mediante os procedimentos oral e</p><p>sumaríssimo [isto é: simplificado],</p><p>permitidos, nas hipóteses</p><p>previstas em lei, a transação e o</p><p>julgamento de recursos por</p><p>turmas de juízes de primeiro grau</p><p>‘’Poderá ser composto por juízes</p><p>leigos, ou seja, não são</p><p>magistrados, muito embora a</p><p>homologação da sentença</p><p>ocorrerá por juízes togados. Tem-</p><p>se os juizados cíveis e criminais.</p><p>5. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Emenda nº 45/2004)</p><p>O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é uma instituição pública que visa aperfeiçoar o</p><p>trabalho do sistema judiciário brasileiro, principalmente no que diz respeito ao controle e à</p><p>transparência administrativa e processual. Tem como missão contribuir para que a prestação</p><p>jurisdicional seja realizada com moralidade, eficiência e efetividade em benefício da Sociedade</p><p>e como visão ser um instrumento efetivo do Poder Judiciário.</p><p>O STF, na ADIn nº 3.367, teve questionada a constitucionalidade a criação do Conselho</p><p>Nacional de Justiça, sendo declarada constitucional.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>179</p><p>5.1. Formação e funções do Conselho Nacional de Justiça</p><p>O CNJ é composto por 15 (quinze) conselheiros, sendo nove magistrados, dois membros</p><p>do Ministério Público, dois advogados e dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação</p><p>ilibada. Os conselheiros têm mandato de dois anos.</p><p>Entre os direitos e deveres dos conselheiros, estabelecidos pelo Regimento Interno do</p><p>CNJ, estão, entre outros:</p><p>• Na Política Judiciária:</p><p>Zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura,</p><p>expedindo atos normativos e recomendações.</p><p>• Na Gestão:</p><p>Definir o planejamento estratégico, os planos de metas e os programas de avaliação</p><p>institucional do Poder Judiciário.</p><p>• Na Prestação de Serviços ao Cidadão:</p><p>Receber reclamações, petições eletrônicas e representações contra membros ou órgãos</p><p>do Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de</p><p>serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializado.</p><p>• Na Moralidade:</p><p>Julgar processos disciplinares, assegurada ampla defesa, podendo determinar a remoção,</p><p>a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de</p><p>serviço e aplicar outras sanções administrativas.</p><p>• Na Eficiência dos Serviços Judiciais:</p><p>Melhores práticas e celeridade: elaborar e publicar semestralmente relatório estatístico</p><p>sobre movimentação processual e outros indicadores pertinentes à atividade jurisdicional em</p><p>todo o País.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>180</p><p>Atenção!</p><p>O prazo de 1 ano previsto no art. 103-B, § 4º, V</p><p>da CF/88 incide apenas para revisões de PADs,</p><p>não se aplicando para atuação originária do</p><p>CNJ. A competência originária do CNJ para a</p><p>apuração disciplinar, ao contrário da revisional,</p><p>não se sujeita ao parâmetro temporal previsto no</p><p>art. 103-B, § 4º, V da CF/88 (STF. 2ª Turma. MS</p><p>34685 AgR/RR, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em</p><p>28/11/2017 (Info 886))</p><p>5.2. Composição detalhada:</p><p>O Presidente do Supremo Tribunal Federal (redação dada pela Emenda constitucional nº</p><p>61, 2009); Um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, que será o Corregedor Nacional de</p><p>Justiça; Um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho; Um Desembargador de Tribunal de</p><p>Justiça; Um Juiz Estadual; Um Juiz do Tribunal Regional Federal; um Juiz Federal; Um Juiz de</p><p>Tribunal Regional do Trabalho; Um Juiz do trabalho; Um Membro do Ministério Público da</p><p>União; Um Membro do Ministério Público Estadual; Dois advogados; Dois cidadãos de notável</p><p>saber jurídico e reputação ilibada.</p><p>6. FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA</p><p>6.1. Ministério Público</p><p>Art. 127 da CF: O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função</p><p>jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático</p><p>e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.</p><p>• Garantias institucionais e impedimentos:</p><p>Art. 128 da CF: O Ministério Público abrange:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>181</p><p>§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos</p><p>respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto</p><p>de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros:</p><p>I - as seguintes garantias:</p><p>a) vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por</p><p>sentença judicial transitada em julgado;</p><p>b) inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão</p><p>colegiado competente do Ministério Público, por voto de dois terços de seus membros,</p><p>assegurada ampla defesa;</p><p>c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o disposto nos</p><p>arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I;"</p><p>II - as seguintes vedações:</p><p>a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas</p><p>processuais;</p><p>b) exercer a advocacia;</p><p>c) participar de sociedade comercial, na forma da lei;</p><p>d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de</p><p>magistério;</p><p>e) exercer atividade político-partidária, salvo exceções previstas na lei.</p><p>6.2. Advocacia Pública</p><p>A Advocacia Pública, é o órgão ao qual cabe a defesa judicial e extrajudicial das pessoas</p><p>jurídicas estatais (União, Estados, Distrito Federal e suas entidades administrativas: autarquias</p><p>e fundações públicas) está prevista nos arts. 131 e 132 da Constituição Federal. Não foi prevista</p><p>constitucionalmente uma carreira específica da Advocacia Pública no âmbito dos Municípios.</p><p>6.3. Advocacia</p><p>Art. 133 da CF: O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável</p><p>por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.</p><p>6.4. Defensoria Pública</p><p>A Defensoria Pública está prevista nos artigos 134 e 135 da Constituição</p><p>Federal e lhe</p><p>cabe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação</p><p>jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial,</p><p>dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita aos necessitados, na forma</p><p>do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>182</p><p>INTERVENÇÃO E DEFESA DAS INSTITUIÇÕES</p><p>DEMOCRÁTICAS</p><p>1. CONCEITO</p><p>Para José Afonso da Silva (2013, p. 483), "Intervenção é a antítese da autonomia. Por ela</p><p>afasta-se momentaneamente a atuação autônoma do Estado, Distrito Federal, ou Município que</p><p>a tenha sofrido. Uma vez que a Constituição assegura a essas entidades a autonomia como</p><p>princípio básico da Forma de Estado adotada, decorre daí que a intervenção é medida</p><p>excepcional, e só há de ocorrer nos casos nela taxativamente estabelecidos e indicados como</p><p>exceção, conforme o art. 34: "A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto</p><p>para [...]", e o art. 35: "O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios</p><p>localizados em Território Federal, exceto quando: [...]", arrolando-se em seguida os casos em</p><p>que é facultada a intervenção estreitamente consagrados."</p><p>Assim, a regra é a autonomia dos entes da federação e a intervenção é a exceção. Tendo</p><p>em vista se tratar de medida excepcional apenas poderá se operar nos casos taxativamente</p><p>previstos na Constituição Federal. Quando se opera a intervenção, a autonomia do ente</p><p>federativo que sofreu a intervenção, encontrar-se-á suprimida temporariamente. Isso ocorre em</p><p>nome da soberania do Estado – e também, como forma de garantia das próprias autonomias dos</p><p>entes federativos.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>183</p><p>• O procedimento padrão a ser observado é:</p><p>1) Presidente da República ouve o Conselho da República (art. 89, caput, da</p><p>Constituição Federal e art. 90, I, da Constituição Federal) e o Conselho de</p><p>Defesa (art. 91, §1°, II, da Constituição Federal);</p><p>2) Presidente da República edita o decreto de intervenção art. 36, §1°, da</p><p>Constituição Federal;</p><p>3) Presidente da República submete ao controle do Congresso Nacional,</p><p>conforme art. 36, §1, da Constituição Federal, controle político imediato ou</p><p>também chamado de a posteriori. A única hipótese de dispensa do Congresso</p><p>Nacional é o caso do controle jurídico previsto no art. 36, §3°, da Constituição</p><p>Federal.</p><p>2. QUEM PODERÁ INTERVIR?</p><p>A União somente poderá intervir nos Estados membros e no Distrito Federal (Art. 34, CF);</p><p>estados poderão intervir nos municípios de seus territórios (Art. 35, CF).</p><p>Caso especial: A União poderá intervir diretamente nos Municípios, se estes estiverem</p><p>dentro do Território Federal, que, atualmente, inexistem (Art. 35 da CF).</p><p>3. HIPÓTESES DE INTERVENÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DE 1988</p><p>(Excepcionalidade ao princípio da autonomia)</p><p>Oitiva do Conselho da República e de</p><p>Defesa Nacional (órgãos consultivos) -</p><p>NÃO vincula</p><p>Presidente da República decreta</p><p>(espontaneamente, por solicitação ou por</p><p>requisição, a depender do caso)</p><p>DECRETO:</p><p>1. a amplitude,</p><p>2. o prazo e</p><p>3. as condições de execução e</p><p>4. se couber, nomeará o interventor</p><p>Congresso Nacional, em 24 horas -</p><p>CONTROLE POLÍTICO POSTERIOR</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>184</p><p>Art. 34 da CF – Federal (nos Estados</p><p>ou no Distrito Federal)</p><p>Art. 35 da CF – Estadual (nos</p><p>Municípios)</p><p>Art. 34 da CF: A União não intervirá nos Estados</p><p>nem no Distrito Federal, exceto para:</p><p>I - manter a integridade nacional;</p><p>II - repelir invasão estrangeira ou de uma</p><p>unidade da Federação em outra;</p><p>III - pôr termo a grave comprometimento da</p><p>ordem pública;</p><p>IV - garantir o livre exercício de qualquer dos</p><p>Poderes nas unidades da Federação;</p><p>V - reorganizar as finanças da unidade da</p><p>Federação que:</p><p>a) suspender o pagamento da dívida fundada por</p><p>mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de</p><p>força maior;</p><p>b) deixar de entregar aos Municípios receitas</p><p>tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos</p><p>prazos estabelecidos em lei;</p><p>VI - prover a execução de lei federal, ordem ou</p><p>decisão judicial;</p><p>VII - assegurar a observância dos seguintes</p><p>princípios constitucionais:</p><p>a) forma republicana, sistema representativo e</p><p>regime democrático;</p><p>b) direitos da pessoa humana;</p><p>c) autonomia municipal;</p><p>d) prestação de contas da administração pública,</p><p>direta e indireta.</p><p>e) aplicação do mínimo exigido da receita</p><p>resultante de impostos estaduais, compreendida</p><p>a proveniente de transferências, na manutenção</p><p>e desenvolvimento do ensino e nas ações e</p><p>serviços públicos de saúde.</p><p>Art. 35 da CF: O Estado não intervirá em seus</p><p>Municípios, nem a União nos Municípios localizados</p><p>em Território Federal, exceto quando:</p><p>I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior,</p><p>por dois anos consecutivos, a dívida fundada;</p><p>II - não forem prestadas contas devidas, na forma</p><p>da lei;</p><p>III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da</p><p>receita municipal na manutenção e</p><p>desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços</p><p>públicos de saúde;</p><p>IV - o Tribunal de Justiça der provimento a</p><p>representação para assegurar a observância de</p><p>princípios indicados na Constituição Estadual, ou</p><p>para prover a execução de lei, de ordem ou de</p><p>decisão judicial.</p><p>É medida excepcional e só deve ocorrer nos casos previstos expressamente na</p><p>Constituição (arts. 34 a 36 da CF/88). Materializa-se, conforme referido, por decreto do</p><p>Presidente da República.</p><p>Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:</p><p>X - decretar e executar a intervenção federal;</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>185</p><p>É preciso dividir as hipóteses entre aqueles que requerem provocação e aquelas que não</p><p>necessitam de provocação, ou seja, dependem exclusivamente do juízo discricionário do</p><p>Presidente da República:</p><p>3.1. Modalidade padrão:</p><p>As hipóteses de juízo discricionário do Presidente (ou seja, depende exclusivamente de</p><p>sua vontade a decretação):</p><p>− I - Manter a integridade nacional;</p><p>− II - Repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;</p><p>− III - Pôr termo a grave comprometimento da ordem pública</p><p>− V - Reorganizar as finanças da unidade da Federação que:</p><p>− A) Suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos</p><p>consecutivos, salvo motivo de força maior (art. 98, Lei n° 4.320/64: "A dívida</p><p>fundada compreende os compromissos de exigibilidade superior a 12 (doze)</p><p>meses, contraídos para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financeiro de</p><p>obras e serviços públicos")</p><p>− B) Deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta</p><p>Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei;</p><p>Importante!</p><p>"Fundo de Participação dos Municípios"</p><p>(art. 158, III e IV c/c art. 159, § 3º c/c art.</p><p>160 c/c art. 161, II e III, CF 1988). O art.</p><p>160 é expresso ao proibir a retenção dos</p><p>valores respectivos. Consequência: art. 34,</p><p>VI, "b", CF 1988.</p><p>Nessas hipóteses, o controle do decreto será político, exercido pelo Congresso Nacional,</p><p>na forma do art. 36:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>186</p><p>§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de</p><p>execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do</p><p>Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro</p><p>horas.</p><p>3.2. Modalidades que necessitam de provocação/requisição, ou seja, o Presidente</p><p>da república será chamado a decretar a intervenção federal nas seguintes hipóteses:</p><p>• Art. 34, IV, da CF sobre o caso</p><p>valores da justiça social e revelação dos componentes do bem comum; d) constituem sentido</p><p>teleológico para a interpretação, integração reaplicação das normas jurídicas; e) condicionam a</p><p>atividade discricionária da Administração e do Judiciário; f) criam situações jurídicas subjetivas,</p><p>de vantagem ou de desvantagem.</p><p>Atenção!</p><p>As normas definidoras de direitos e</p><p>garantias fundamentais têm aplicação</p><p>direta e imediata. Art. 5, §1º da CF/88.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>18</p><p>As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais, de acordo com o art. 5º, §</p><p>1, da CF/88, têm aplicação imediata. Assim, podemos concluir que as normas de eficácia plena</p><p>e contida possuem a referida aplicabilidade imediata, não acontecendo o mesmo com as normas</p><p>de eficácia limitada, que, normalmente, precisam de lei integrativa infraconstitucional para</p><p>produzir integralmente aos seus efeitos.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>19</p><p>TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>1. DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Direitos fundamentais, no Brasil, são o conjunto de direitos eleitos pela sociedade como</p><p>uma espécie de núcleo essencial, designando gênero, isto é: abarca diferentes espécies de</p><p>direitos constitucionalmente positivados em um dado Estado em um dado momento histórico.</p><p>Logo, no Brasil, tanto de um ponto de vista técnico-jurídico quanto de um ponto de vista</p><p>dogmático-jurídico é a expressão "direitos fundamentais" que deve ser utilizada.</p><p>Esses direitos são “fundamentais” pelo seu “grau de importância”, ou, mais</p><p>concretamente: pelo fato de estarem positivados ou serem deduzíveis da norma jurídica de maior</p><p>hierarquia: a Constituição. Na Constituição Federal os Direitos e Garantias fundamentais são de</p><p>5 espécies e estão organizados e distribuídos no “Título II” da CF:</p><p>• Pontos importantes sobre os direitos fundamentais</p><p>→ Não há um rol taxativo de direitos fundamentais, dizemos que a Constituição</p><p>traz um catálogo aberto de direitos fundamentais (art. 5º, §2º da CF);</p><p>DOS DIREITOS E</p><p>DEVERES</p><p>INDIVIDUAIS E</p><p>COLETIVOS (Art. 5º);</p><p>DOS DIREITOS</p><p>SOCIAIS (Art. 6º ao</p><p>Art. 11);</p><p>DIREITOS DE</p><p>NACIONALIDADE</p><p>(Art. 12 e 13);</p><p>DOS DIREITOS</p><p>POLÍTICOS (Art. 14</p><p>ao Art. 16);</p><p>DOS PARTIDOS</p><p>POLÍTICOS (Art. 17).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>20</p><p>→ Os direitos fundamentais são cláusulas pétreas, não podem ser abolidos da</p><p>constituição em hipóteses alguma, contudo, podem ser ampliados por emenda</p><p>Constitucional:</p><p>Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:</p><p>§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:</p><p>I - Forma Federativa;</p><p>II - Voto secreto, direto universal e periódico;</p><p>III - Separação de Poderes;</p><p>IV- Direitos e garantias individuais.</p><p>→ Não há hierarquia em abstrato das normas de direitos fundamentais, em caso</p><p>de colisão, deve se decidir nos casos concretos qual delas deverá naquela situação</p><p>prevalecer.</p><p>→ No Brasil, foi com a Constituição de 1988 que os direitos fundamentais</p><p>receberam uma topografia diferenciada na Constituição, logo após os princípios</p><p>fundamentais.</p><p>2. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Características</p><p>Historicidade</p><p>Decorre de conquistas ao longo do tempo</p><p>revolucionárias ou não, que vão</p><p>implementando e solidificando as conquistas.</p><p>Inalienabilidade São intransferíveis, inegociáveis.</p><p>Imprescritibilidade Não prescrevem, não há o decurso com o</p><p>tempo.</p><p>Irrenunciabilidade Não podem ser renunciados.</p><p>Relatividade Os direitos e garantias individuais não têm</p><p>caráter absoluto.</p><p>Universalidade</p><p>Efeito Erga Omnes (para todos/contra todos),</p><p>como exemplo, aplicam-se aos estrangeiros</p><p>que estiverem no Brasil.</p><p>Aplicabilidade Imediata</p><p>As normas definidoras dos direitos e garantias</p><p>fundamentais têm aplicação imediata (CF, art.</p><p>5°, § 1°).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>21</p><p>3. DIMENSÕES/GERAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS/FUNDAMENTAIS</p><p>Os direitos humanos e fundamentais não nascem todos juntos, eles foram conquistados</p><p>em cada período histórico, a partir da luta pelo seu reconhecimento. Podemos, assim, dividir</p><p>entre distintos períodos:</p><p>3.1. Direitos Fundamentais da 1ª Dimensão</p><p>O período liberal marca a fase histórica que vai das Revolução do século XVIII até o final</p><p>do século XIX, em que havia, basicamente, duas espécies de direitos fundamentais: os direitos</p><p>individuais e os direitos políticos. Os direitos fundamentais da 1ª dimensão marcam a passagem</p><p>de um Estado autoritário para um Estado de Direito e, nesse contexto, o respeito às liberdades</p><p>individuais.</p><p>Tais direitos dizem respeito às liberdades públicas e aos direitos políticos, ou seja, direitos</p><p>civis e políticos a traduzir o valor liberdade.</p><p>Conforme anota Bonavides (2002, p. 515), “os direitos de primeira geração ou direitos de</p><p>liberdades têm por titular o indivíduo, são oponíveis ao Estado, traduzem-se como faculdades ou</p><p>atributos da pessoa e ostentam uma subjetividade que é seu traço mais característico; enfim,</p><p>são direitos de resistência ou de oposição perante o Estado”.</p><p>Documentos históricos para</p><p>configuração dos direitos</p><p>humanos de 1ª geração</p><p>Magna Carta de 1215, assinada</p><p>pelo rei “João Sem terra”;</p><p>Paz de Westfália (1648);</p><p>Habeas Corpus Act (1679);</p><p>Bill of Rights (1688);</p><p>Declarações, seja a americana</p><p>(1776), seja a francesa (1789).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>22</p><p>3.2. Direitos Fundamentais da 2ª Dimensão</p><p>O fato histórico que inspira e impulsiona os direitos fundamentais de 2ª dimensão é a</p><p>Revolução Industrial europeia, a partir do século XIX. Em decorrência das péssimas situações e</p><p>condições de trabalho, eclodem movimentos como o cartista, na Inglaterra, e a Comuna de Paris</p><p>(1848), na busca de reivindicações trabalhistas e normas de assistência social. O início do século</p><p>XX é marcado pela Primeira Grande Guerra e pela fixação de direitos sociais.</p><p>Bonavides (2002) observa que tais Constituições passaram, em um primeiro momento,</p><p>por um ciclo de baixa normatividade por conta da sua natureza de direitos previstos, que exigiam</p><p>do Estado prestações nem sempre resgatáveis, seja por carência ou limitação de meios e</p><p>recursos (aquilo que, hoje em dia, se denomina “reserva do possível”). Essa juridicidade</p><p>questionada levou esses direitos à esfera programática, consoante assevera o autor, em virtude</p><p>de não conterem garantias e instrumentos processuais para sua concretização imediata. Após,</p><p>esses direitos atravessaram uma fase de observância e execução, que permitiu a formulação do</p><p>preceito de aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais.</p><p>Sobre a segunda geração, tem-se importante julgado do STF:</p><p>STF (RTJ 164/158) "Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) -</p><p>que compreendem as liberdades clássicas, negativas ou formais - realçam o princípio da</p><p>liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos, sociais e culturais) - que</p><p>se identificam com as liberdades positivas, reais ou concretas - acentuam o princípio da</p><p>igualdade, os direitos de terceira geração, que materializam poderes de titularidade</p><p>coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais, consagram o princípio da</p><p>solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento,</p><p>expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados, enquanto valores</p><p>fundamentais indisponíveis, pela nota de uma essencial inexauribilidade."</p><p>Documentos históricos para configuração dos</p><p>direitos humanos de 2ª geração</p><p>Constituição do México, de 1917;</p><p>Constituição de Weimar, de 1919, na Alemanha,</p><p>de coação aos poderes legislativa, executivo ou</p><p>judiciário:</p><p>• No caso de garantia do livre exercício do Poder Legislativo ou Executivo –</p><p>Provocada por solicitação do Poder coato ou impedido.</p><p>• No caso de garantia do livre exercício do Poder Judiciário – Provocada por</p><p>Requisição do STF. Tal se denota do art. 36, I, da Constituição Federal.</p><p>• Art. 34, VI - Prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial:</p><p>Nesse caso, tem se entendido que se trata de recusa, intencionalidade de desrespeito à</p><p>decisão, ou seja, mero descumprimento não geraria a intervenção federal. Aqui se trata de</p><p>decisão judicial em sentido amplo, podendo, inclusive ser de caráter liminar. Esse dispositivo</p><p>deve ser lido em conjunto com o art 36, II, da Constituição federal, o qual pode ser assim</p><p>esquematizado:</p><p>1. Desobediência de ordem ou decisão judicial (Inciso VI, segunda parte): Provocada por</p><p>requisição do STF, do STJ ou do TSE</p><p>2. Prover a execução de lei federal (Inciso VI, primeira parte): Provocada dependendo de</p><p>provimento de representação (deve ser precedida de Representação Interventiva,</p><p>ajuizada pelo PGR no STF).</p><p>Intervenção federal. Inexistência de atuação dolosa por parte do Estado.</p><p>Indeferimento. (...) Decisão agravada que se encontra em consonância com a orientação</p><p>desta Corte, no sentido de que o descumprimento voluntário e intencional de decisão</p><p>judicial transitada em julgado é pressuposto indispensável ao acolhimento do pedido de</p><p>intervenção federal.” (IF 5.050-AgR, rel. min. Ellen Gracie, julgamento em 6-3-2008,</p><p>Plenário, DJE de 25-4-2008.)</p><p>• Art. 34, VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>187</p><p>a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;</p><p>b) direitos da pessoa humana;</p><p>c) autonomia municipal;</p><p>d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.</p><p>Obs: Aqui fala-se em prestar, não é o caso de prestar e ter reprovada as suas</p><p>contas. Novamente a conotação de recusa.</p><p>e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,</p><p>compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento</p><p>do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.</p><p>→ Art. 6º Lei complementar 141/2012:</p><p>Os Estados e o Distrito Federal aplicarão, anualmente, em ações e serviços</p><p>públicos de saúde, no mínimo, 12% (doze por cento) da arrecadação dos impostos a que</p><p>se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam o art. 157, a alínea “a” do inciso I e</p><p>o inciso II do caput do art. 159, todos da Constituição Federal, deduzidas as parcelas que</p><p>forem transferidas aos respectivos Municípios.</p><p>Com a educação o gasto é de 25 %.</p><p>Importante!</p><p>Esses são os casos de Ação Direta Interventiva proposta pelo Procurador – Geral</p><p>da República.</p><p>Quem pode provocar o Presidente da República para decretar a Intervenção Federal:</p><p>Nesse caso, deve-se observar o disposto no art. 36, III, da Constituição Federal: “de provimento,</p><p>pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República, na</p><p>hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal.”</p><p>§ 3º - Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo</p><p>Congresso Nacional ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a</p><p>execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.</p><p>4. INTERVENÇÃO ESTADUAL</p><p>Art. 35 da CF: O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios</p><p>localizados em Território Federal, exceto quando:</p><p>http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art155</p><p>http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art157</p><p>http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ia</p><p>http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Constituicao/Constituicao.htm#art159ii</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>188</p><p>I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida</p><p>fundada;</p><p>II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;</p><p>III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e</p><p>desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; (Municípios estão</p><p>obrigados a aplicar um percentual mínimo da arrecadação de impostos em ações e</p><p>serviços de saúde (art. 198, § 2º, II e III, CF/88) e de educação (art. 212, CF/88). Estamos</p><p>falando em 15 % em saúde e 25 % em educação).</p><p>IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância</p><p>de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de</p><p>ordem ou de decisão judicial.</p><p>4.1. Modalidade padrão</p><p>As hipóteses de juízo discricionário do Governador (ou seja, depende exclusivamente de</p><p>sua vontade a decretação):</p><p>− I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos,</p><p>a dívida fundada;</p><p>− II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;</p><p>− III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na</p><p>manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de</p><p>saúde;</p><p>Nessas hipóteses, o controle do decreto será político, exercido pela Assembleia</p><p>Legislativa na forma do art. 36, § 1°, da Constituição Federal:</p><p>§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de</p><p>execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do</p><p>Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro</p><p>horas.</p><p>4.2. Modalidades que necessitam de requisição:</p><p>Ou seja, o Governador será chamado a decretar a intervenção estadual nas seguintes</p><p>hipóteses:</p><p>Art. 35. (...) IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a</p><p>observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução</p><p>de lei, de ordem ou de decisão judicial.</p><p>Aqui é o caso de Ação Direta Interventiva Estadual, proposta pelo Procurador de Justiça</p><p>no Tribunal de Justiça Estadual, para garantir a observância dos princípios sensíveis previstos</p><p>na Constituição do Estado, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>189</p><p>Nesse, deve-se igualmente observar o disposto no §3º do art. 36 da Constituição Federal, que</p><p>trata sobre a dispensa de análise do Decreto pela Assembleia Legislativa, o controle é jurídico,</p><p>ou seja, dispensa a apreciação da Assembleia Legislativa.</p><p>→ STF QUANTO Á TAXATIVIDADE DAS HIPÓTESES DO ART 35 DA CF/88.</p><p>→ ADI 6619/RO. Relator Gilmar Mendes. É inconstitucional — por violação aos princípios</p><p>da simetria e da autonomia dos entes federados — norma de Constituição estadual</p><p>que prevê hipótese de intervenção do estado no município fora das que são</p><p>taxativamente elencadas no artigo 35 da Constituição Federal. A Constituição Federal</p><p>esgota por completo o assunto, não deixando qualquer margem para que as</p><p>Constituições estaduais disciplinem a matéria, dada a característica taxativa do rol</p><p>constitucional. Nesse contexto, esta Corte possui julgados recentes no sentido da</p><p>inconstitucionalidade de dispositivos de Constituições estaduais que estabeleçam</p><p>hipóteses inéditas de intervenção estadual no município.</p><p>→ ADI 336</p><p>“As disposições do artigo 35 da CB/88 também consubstanciam preceitos de</p><p>observância compulsória por parte dos Estados-membros, sendo inconstitucionais</p><p>quaisquer ampliações ou restrições às hipóteses de intervenção." (ADI 336, voto do rel.</p><p>min. Eros Grau, julgamento em 10-2-2010, Plenário, DJE de 17-9-2010.)</p><p>→ Súmula nº 637 do STF:</p><p>‘’Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que defere</p><p>pedido de intervenção estadual em Município.’’</p><p>→ Súmula 637</p><p>conhecida como a Constituição da primeira</p><p>república alemã;</p><p>Tratado de Versalhes, 1919 (OIT);</p><p>No Brasil, a Constituição de 1934 (embora nos</p><p>textos anteriores também houvesse alguma</p><p>previsão).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>23</p><p>3.3. Direitos Fundamentais da 3ª Dimensão</p><p>Os direitos fundamentais da 3ª dimensão são marcados pela alteração da sociedade por</p><p>profundas mudanças na comunidade internacional (sociedade de massa, crescente</p><p>desenvolvimento tecnológico e científico), identificando-se profundas alterações nas relações</p><p>econômico-sociais.</p><p>Novos problemas e preocupações mundiais surgem, tais como a necessária noção de</p><p>preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores, só para lembrar</p><p>aqui dois candentes temas. O ser humano é inserido em uma coletividade e passa a ter direitos</p><p>de solidariedade ou fraternidade.</p><p>Os direitos da 3.ª dimensão são direitos transindividuais, isto é, direitos que vão além dos</p><p>interesses do indivíduo; pois são concernentes à proteção do gênero humano, com altíssimo teor</p><p>de humanismo e universalidade. Para Sarlet (2004, p. 56):</p><p>Dentre os direitos fundamentais de terceira dimensão consensualmente mais citados</p><p>cumpre referir à paz, à autodeterminação dos povos, ao desenvolvimento, ao meio</p><p>ambiente e qualidade de vida, bem como o direito à conservação e utilização do</p><p>patrimônio histórico e cultural e o direito de comunicação. Cuida-se, na verdade, do</p><p>resultado de novas reivindicações fundamentais do ser humano, geradas, dentre outros</p><p>fatores, pelo impacto tecnológico, pelo estado crônico de beligerância, bem como pelo</p><p>processo de descolonização do segundo pós-guerra e suas contundentes consequências,</p><p>acarretando profundos reflexos na esfera dos direitos fundamentais.</p><p>Direitos de 3ª Dimensão</p><p>Direito ao desenvolvimento;</p><p>Direito à paz</p><p>Direito ao meio ambiente</p><p>Direito de propriedade sobre o patrimônio comum</p><p>da humanidade</p><p>Direito de comunicação</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>24</p><p>3.4. Direitos Fundamentais da 4ª Dimensão</p><p>Desenvolvida por Bonavides e aderida por Sarlet (2004, p. 59), a quarta dimensão</p><p>corresponderia ao direito à democracia e ao pluralismo político:</p><p>[...] sustentando que esta é o resultado da globalização dos direitos fundamentais, no</p><p>sentido de uma universalização no plano institucional, que corresponde na sua opinião, à</p><p>derradeira fase de institucionalização do Estado Social. Para o ilustre constitucionalista</p><p>cearense, esta quarta dimensão é composta pelos direitos à democracia (no caso,</p><p>democracia direta) e à informação, assim como pelo direito ao pluralismo. A proposta do</p><p>Prof. Paulo Bonavides, comparada com as posições que arrolam os direitos contra a</p><p>manipulação genética, mudança de sexo, etc., como integrando a quarta geração, oferece</p><p>a nítida vantagem de constituir, de fato, uma nova fase no reconhecimento dos direitos</p><p>fundamentais, qualitativamente diversa das anteriores, já que não se cuida apenas de</p><p>vestir com roupagem nova reivindicações deduzidas, em sua maior parte, dos clássicos</p><p>direitos de liberdade.</p><p>3.5. Dupla dimensão dos direitos fundamentais: objetiva e subjetiva</p><p>• Dimensão subjetiva:</p><p>Se refere ao direito que cada indivíduo tem de exigir do Estado a proteção e o respeito</p><p>aos seus direitos. É a dimensão que permite ao indivíduo acionar o Poder Judiciário ou outros</p><p>órgãos do estado para reclamar seus direitos.</p><p>• Dimensão objetiva:</p><p>Nessa perspectiva, os direitos fundamentais devem ser enxergados como valores,</p><p>princípios, regras que norteiam a aplicação do ordenamento jurídico. Implica em deveres de</p><p>proteção, promoção e realização desses direitos por parte do Estado, como a criação de políticas</p><p>públicas que garantem a igualdade, a liberdade e a dignidade humana. Além disso, ela também</p><p>impõe limites ao poder estatal, impedindo que o Estado viole os direitos fundamentais dos</p><p>cidadãos. Nas palavras de Sarlet (2004, p. 153):</p><p>Desde já, percebe-se que, com o reconhecimento de uma perspectiva objetiva dos direitos</p><p>fundamentais, não está se fazendo referência ao fato de que qualquer posição jurídica</p><p>subjetiva pressupõe, necessariamente, um preceito de direito objetivo que a preveja.</p><p>Assim, podemos partir da premissa de que ao versarmos sobre uma perspectiva dos</p><p>direitos fundamentais não estamos considerando esta no sentido de um mero “reverso da</p><p>medalhe” da perspectiva subjetiva. A faceta objetiva dos direitos fundamentais, significa,</p><p>isto sim, que às normas que preveem direitos subjetivos é outorgada função autônoma,</p><p>que transcende esta perspectiva subjetiva, e que, além disso, desemboca no</p><p>reconhecimento de conteúdos normativos e, portanto, de funções distintas aos direitos</p><p>fundamentais.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>25</p><p>• Efeito irradiante dos direitos fundamentais:</p><p>Decorre da dimensão objetiva – capacidade que eles têm de alcançar os poderes públicos</p><p>no exercício de suas atividades principais. Assim, como consequência de sua dimensão objetiva,</p><p>os direitos fundamentais conformam o comportamento do poder público, criando um dever de</p><p>proteção pelo Estado dos direitos fundamentais contra agressões (do Estado ou de particulares).</p><p>Assim, o Estado fica condicionado a adotar medidas que promovam e protejam efetivamente os</p><p>direitos fundamentais. Por exemplo: criação de Defensorias para promover o amplo acesso ao</p><p>judiciário; criação de Procons e leis de consumo para promover a proteção do consumidor.</p><p>4. SUJEITOS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>4.1. Sujeito ativo – quem pode buscar a proteção de um direito fundamental?</p><p>• Art. 5º, caput, CF/88 e o significado da expressão "brasileiros e aos estrangeiros</p><p>residentes no País":</p><p>A redação desse caput é um pouco ambígua, dando margem a diferentes interpretações.</p><p>A rigor ela é mantida por ser uma fórmula histórica e tradicional, constante desde a Constituição</p><p>de 1891. Esse dispositivo institui o princípio da territorialidade da ordem jurídica brasileira.</p><p>O núcleo do dispositivo é a expressão "residentes no País", a qual se aplica tanto aos</p><p>brasileiros quanto aos estrangeiros. Ela quer significar simbolicamente que todo aquele (nacional</p><p>ou estrangeiro) que se encontra de modo permanente sob a jurisdição brasileira ou no território</p><p>brasileiro ("residente no País"), goza dos mesmos direitos fundamentais reconhecidos pela</p><p>ordem jurídica brasileira.</p><p>Significa dizer, a contrario sensu, que o Direito brasileiro não se aplica a brasileiros e</p><p>menos ainda a estrangeiros que são "residentes fora do País". Logo, quem não se encontra de</p><p>modo permanente sob a jurisdição brasileira, isto é, em território brasileiro, não se submete à</p><p>ordem jurídica brasileira e, portanto, não pode gozar dos direitos fundamentais previstos na</p><p>Constituição brasileira.</p><p>Mas atenção para a compatibilidade adotada pelo STF quanto aos estrangeiros não</p><p>residentes no país (não-previsão expressa no art. 5º, caput, CF/88): adota-se a teoria da</p><p>compatibilidade, isto é, entende-se que são titulares de direitos fundamentais desde que</p><p>compatíveis tais direitos com a própria condição de estrangeiro não-residente:</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>26</p><p>O estrangeiro, embora não residente no Brasil, goza do direito de impetrar mandado de</p><p>segurança (STF, MS 4706-DF, in DJU 31.7.1958).</p><p>É inquestionável o direito de súditos [sic] estrangeiros ajuizarem, em causa própria, a ação</p><p>de habeas corpus, eis que esse remédio constitucional - por qualificar-se como verdadeira</p><p>ação popular - pode ser utilizado por qualquer pessoa, independentemente da condição</p><p>jurídica resultante da sua origem nacional. A petição com que impetrado o habeas corpus</p><p>deve ser redigida em português, sob pena de não-conhecimento do</p><p>writ constitucional</p><p>(CPC, art. 156, c/c CPP, art. 3º) (STF (RTJ 164/193).</p><p>Tem-se, ainda, a teoria da compatibilidade aplicada às pessoas jurídicas, que são</p><p>titulares de direitos fundamentais na medida da possibilidade, vez que uma série de direitos</p><p>fundamentais só é faticamente aplicável às pessoas físicas.</p><p>Não são compatíveis com as pessoas jurídicas, por exemplo, a proibição da tortura (art.</p><p>5º, III, CF 1988), pela impossibilidade fática de uma pessoa jurídica ser torturada; a liberdade de</p><p>crença (art. 5º, VI, CF 1988), pela impossibilidade fática de uma pessoa jurídica professar uma</p><p>crença. Por outro lado, são compatíveis a proteção à propriedade privada (art. 5º, XXII) e a</p><p>proteção a imagem de uma empresa.</p><p>Ainda, tem-se os seguintes precedentes do STF:</p><p>O Estado não pode ser titular de direitos fundamentais" (vez que os direitos fundamentais</p><p>são oponíveis exatamente contra o Estado) STF (RTJ 170/650) - Estado-membro não</p><p>pode ser titular de direitos fundamentais STF (RTJ 150/485) - Servidor público (logo: a</p><p>pessoa física agente público e investido de certas competências) goza contra o Estado do</p><p>direito a um devido processo legal.</p><p>4.2. Sujeito passivo – contra quem demandamos um direito fundamental?</p><p>• Estado - eficácia vertical:</p><p>Eficácia direta contra o Estado – é a via de regra. Aqui não há discussão de que sempre</p><p>se trataria de uma eficácia direta e imediata. Vemos com clareza essa intenção na leitura do Art.</p><p>5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos</p><p>brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,</p><p>à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: § 1º As normas definidoras dos</p><p>direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata”. Exemplos: demandamos contra o</p><p>Estado para obter um tratamento à saúde previsto pelo SUS, uma vaga para meu filho em uma</p><p>escola.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>27</p><p>• Terceiros – eficácia horizontal:</p><p>Isto é, outros particulares, chamada "eficácia horizontal" ou "indireta" ou "eficácia perante</p><p>terceiros, que não o Estado". Refere-se à capacidade dos direitos fundamentais de regular as</p><p>relações entre particulares, ou seja, entre indivíduos e entidades privadas, e não apenas as</p><p>relações entre o indivíduo e o Estado. Isso significa que, além de garantir a proteção dos</p><p>cidadãos contra a atuação do Estado, os direitos fundamentais também podem ser invocados e</p><p>aplicados nas relações entre particulares, de modo a garantir a proteção dos direitos humanos</p><p>em todas as esferas da vida. Em outras palavras, acordos privados, atos e negócios jurídicos</p><p>firmados entre particulares deverão observar os direitos e garantias fundamentais (MENDES;</p><p>COELHO; BRANCO, 2019).</p><p>Muito embora, o fato de se reconhecer a vinculação direta e imediata dos particulares aos</p><p>direitos fundamentais não implica sua aplicação na mesma proporção nas relações privadas</p><p>quanto ocorre nas relações entre Estado e cidadão (vertical), visto que os particulares são</p><p>detentores do princípio da autonomia privada (e também detentores de direitos fundamentais).</p><p>Exemplo: uma empresa não pode escolher como critério de contratação a pessoa ser branca</p><p>(porque seria discriminatório e violador da igualdade e dignidade), um hospital particular não</p><p>pode negar prestação religiosa a um paciente porque a orientação religiosa do paciente é</p><p>diferente da orientação da unidade hospitalar, etc.</p><p>5. LIMITAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Direitos fundamentais estão sujeitos a limites e restrições. Sempre está presente a</p><p>máxima da otimização no sentido de máxima de garantia e proteção dos direitos fundamentais</p><p>Eficácia Vertical:</p><p>Proteção do particular</p><p>em face do Estado.</p><p>Eficácia Horizontal:</p><p>Proteção do particular</p><p>em face de outro</p><p>particular.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>28</p><p>nos estados democráticos, mas direitos fundamentais não são absolutos, poderão sofrer</p><p>relativizações face ao direito fundamental de outrem.</p><p>• Limitações internas:</p><p>Dizem respeito ao próprio direito, por assim dizer, nascem juntamente com o próprio</p><p>direito. Entre muitos os exemplos a serem arrolados, pode-se citar o art. 5º, XI, XII e XIII, da</p><p>Constituição Federal, que trata dos casos em que se restringe/limita direitos como a</p><p>inviolabilidade do domicílio, o sigilo de correspondência, o livre exercício do trabalho (mediante</p><p>a imposição de certas exceções ao exercício ilimitado destes determinados direitos).</p><p>É livre a locomoção no território nacional, EM TEMPO DE PAZ</p><p>Todos têm direito a voto, desde que possuam a idade constitucionalmente</p><p>exigida;</p><p>É livre a manifestação do pensamento, VEDADO O ANONIMATO!</p><p>ATENÇÃO!</p><p>Essas limitações poderão aparecer de forma expressa no texto</p><p>constitucional (chamamos de limitações expressas), ou poderão ser</p><p>dispostas em normas infraconstitucionais (chamadas de limitações não</p><p>expressas):</p><p>→ Por reserva legal: caso em que a Constituição autoriza a limitação a</p><p>um direito fundamental. Ex.: liberdade de profissão (onde a Constituição</p><p>autoriza criar limitações ao seu exercício); ou</p><p>→ Cláusula geral: quando aquela conduta é considerada proibida por</p><p>outras disposições legais. Ex.: a liberdade de expressão não comporta</p><p>proferir incitar a violência, pois é ilícito. Logo, não há direito fundamental</p><p>que possa ser invocado para nos proteger de algo ilícito.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>29</p><p>• Limitações externas:</p><p>Restrições de ordem externa, ou seja, espécies de “limitações” práticas que serão</p><p>analisadas nos casos em concreto, pois a redução deste conteúdo de direito fundamental se</p><p>realiza por força de algo que lhe é exterior ao seu próprio conteúdo. Situações fáticas as quais</p><p>poderão exigir certas restrições (ÁVILA, 2013).</p><p>• Colisão e direitos fundamentais:</p><p>Diante da multifuncionalidade dos próprios direitos fundamentais, bem como a</p><p>multiplicidade de seus titulares, na medida em que os direitos podem apresentar-se como</p><p>conflitantes em caso concreto. Nesses casos quando invocada sua proteção por seus titulares</p><p>em um caso concreto, inevitavelmente haverá uma colisão de direitos fundamentais, e</p><p>apresentar-se-á a necessidade de ponderação por parte do julgador, pois como visto</p><p>anteriormente, não há direitos fundamentais (princípios) absolutos, o que se opera é sempre uma</p><p>relação de precedência diante a fundamentalidade prima facie de um direito fundamental.</p><p>Será através da ponderação e da aplicabilidade do princípio da proporcionalidade e da</p><p>razoabilidade, que poderá mensurar os limites e restrições a estes direitos numa relação de</p><p>custo/benefício. Visto a importância e a imprescindibilidade do referido princípio para a</p><p>efetividade dos direitos fundamentais no Estado Democrático de Direito, impende elucidar os três</p><p>critérios (deveres) essenciais para o juízo da proporcionalidade.</p><p>Sendo assim, haverá situações concretas, nas quais os direitos fundamentais poderão</p><p>conflitar/colidir, nesses casos, restrições também serão possíveis visando resolver nos casos</p><p>concretos através da aplicação do princípio da proporcionalidade. Muitos autores referem-se a</p><p>reserva do possível fática, quando o direito tutelado não possui condições de ser concretizado</p><p>em sua totalidade porque os bens dispostos são finitos ou insuficientes. É relevante lembrar,</p><p>contudo, que quando o intérprete constitucional precisar decidir nessas circunstâncias, deverá</p><p>levar em conta o princípio da proporcionalidade. O princípio da proporcionalidade, enquanto</p><p>restrição externa de um direito fundamental, desdobra-se em três dimensões que</p><p>deverão ser</p><p>rigorosamente respeitadas, a fim de não ultrapassar os limites dos limites e das restrições (e</p><p>passar a ser uma medida arbitrária ao invés de uma justificação aos limites e restrições de</p><p>direitos fundamentais.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>30</p><p>Três passos para a aplicação do princípio da proporcionalidade:</p><p>ADEQUAÇÃO: dever de adequação do meio - exige que no caso concreto</p><p>se verifique se o fim é legítimo, se era o meio mais adequado, apto, útil e</p><p>idôneo, no sentido de atingir a finalidade pretendida;</p><p>NECESSIDADE: dever de necessidade do meio - onde se exige a adoção</p><p>do meio menos gravoso, que a utilização deste meio proporcionou menos</p><p>desvantagens e afetação a um direito fundamental, seus resultados</p><p>trazem menores prejuízos;</p><p>PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO: que é a análise da</p><p>relação custo/benefício, obtida através da análise entre o resultado obtido</p><p>pelo emprego do meio eleito e a afetação desvantajosa dele decorrente</p><p>aos direitos fundamentais. Ex.: a própria legítima defesa – dano moral.</p><p>(BARCELLOS, 2003, p. 57-59)</p><p>Vejamos um exemplo da jurisprudência do STF onde teria ocorrido uma “colisão” e a</p><p>resposta foi proporcional no caso concreto:</p><p>COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE. Trotes telefônicos e competência</p><p>estadual - ADI 4924/DF e não incidência de violação a intimidade e privacidade –</p><p>dados pessoais – proporcionalidade e razoabilidade da medida. É constitucional</p><p>norma estadual que determine que as prestadoras de serviço telefônico são obrigadas a</p><p>fornecer, sob pena de multa, os dados pessoais dos usuários de terminais utilizados para</p><p>passar trotes aos serviços de emergência. Sob o aspecto formal, não há se falar em</p><p>violação aos arts. 21, XI, e art. 22, IV, da Constituição Federal (CF), pois não há qualquer</p><p>regra relativa à efetiva prestação dos serviços de telecomunicações, às relações da</p><p>concessionária com o usuário, aos padrões de prestação de serviço ou ao equilíbrio</p><p>econômico-financeiro do contrato. No mesmo sentido, não há qualquer</p><p>inconstitucionalidade material por violação à intimidade, à vida privada ou ao direito de</p><p>proteção dos dados dos usuários, bem como à cláusula de reserva de jurisdição, nos</p><p>termos estabelecidos pelo art. 5º, X e XII, da CF.</p><p>O afastamento parcial desses preceitos constitucionais em casos de “trotes telefônicos”</p><p>constitui medida proporcional e necessária à garantia da prestação eficiente dos serviços</p><p>de emergência contra a prática de ilícitos administrativos, inexistindo qualquer outra</p><p>medida que favoreça a higidez dessas atividades, que envolvem o atendimento a direitos</p><p>fundamentais de terceiros, com um menor grau de afetação dos direitos contrapostos.</p><p>Destaque-se que a autorização legislativa para o acesso administrativo de dados</p><p>cadastrais não significa que o Poder Executivo estadual esteja autorizado a monitorar ou</p><p>acessar indiscriminadamente os dados pessoais de todos os cidadãos. A lei deve</p><p>estabelecer uma finalidade claramente delimitada para acesso aos dados, com hipóteses</p><p>legais específicas e a possibilidade de controle posterior que devem ser interpretadas de</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>31</p><p>acordo com os dispositivos constitucionais indicados, de modo a se manter hígida a norma</p><p>e o objetivo previsto pelo legislador estadual.</p><p>• Possibilidade de restrição a direitos fundamentais descritas na constituição:</p><p>→ Estado de defesa</p><p>Medidas passíveis de adoção, "dentre outras" (art. 136, § 1º, da CF):</p><p>I - Restrições aos direitos de:</p><p>a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;</p><p>b) sigilo de correspondência;</p><p>c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;</p><p>II - Ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de</p><p>calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes.</p><p>→ Estado de sítio</p><p>Medidas passíveis de adoção (art. 137, I, da CF):</p><p>I - Obrigação de permanência em localidade determinada;</p><p>II - Detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes</p><p>comuns;</p><p>III - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das</p><p>comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão</p><p>e televisão, na forma da lei (excluída a difusão de pronunciamentos de</p><p>parlamentares efetuados em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela</p><p>respectiva Mesa – art. 139, § único, da CF);</p><p>IV - Suspensão da liberdade de reunião;</p><p>V - Busca e apreensão em domicílio;</p><p>VI - Intervenção nas empresas de serviços públicos;</p><p>VII - Requisição de bens</p><p>Art. 137, II, da CF:</p><p>Cabe ao próprio decreto indicar discricionariamente quais direitos serão</p><p>restringidos, e como esses direitos serão restringidos.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>32</p><p>6. RELAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS COM OS TRATADOS INTERNACIONAIS</p><p>Hierarquia dos tratados – incorporados à legislação brasileira</p><p>Art. 5°, § 2°, CF 1988 diz que "Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não</p><p>excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados</p><p>internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte".</p><p>Como se vê, a Constituição, em seu art. 5°, §2°, institui um sistema constitucional aberto</p><p>- não excluindo outros decorrentes dos tratados internacionais em matéria de direitos humanos.</p><p>O catálogo dos direitos elencados no art. 5º é exemplificativo, não é taxativo, exaustivo, pois</p><p>encontra-se direitos fundamentais esparsos na Constituição</p><p>Art. 5º, § 3º da CF: "Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que</p><p>forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos</p><p>votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. Ou seja, após</p><p>a EC/45 de 2004, os tratados internacionais aprovados com a votação acima, equiparam-se às</p><p>normas de direitos fundamentais, justamente por ser considerados o nível de uma emenda</p><p>constitucional.</p><p>• Tratados internacionais de Direitos Humanos com força de Emenda:</p><p>→ Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Convenção de</p><p>Nova Iorque) – Decreto nº 6.949/2009.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>33</p><p>→ Protocolo Facultativo à Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas</p><p>com Deficiência – Decreto nº 6.949/2009.</p><p>→ Tratado de Marraqueche – Decreto nº 9.522/2018.</p><p>→ Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e</p><p>Formas Correlatas de Intolerância – Decreto nº 10.932/2022.</p><p>6.1. Força de norma supralegal dos tratados internacionais em matéria de direitos</p><p>humanos: o caso do depositário infiel</p><p>O fato é que a Constituição, no seu art. 5º, LXVII, prevê a prisão civil em caso de</p><p>inadimplemento de prestação alimentícia e em caso de depositário infiel.</p><p>Por outro lado, a CF dispõe, como vimos, no parágrafo 2º do art. 5º, que os direitos e</p><p>garantias nela expressos “não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela</p><p>adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.</p><p>Nesse sentido, existe o Pacto de São José da Costa Rica, que o Brasil ratificou em 1992,</p><p>que não prevê a prisão civil de depositário infiel, contrariando dispositivo constitucional expresso.</p><p>Após grande embates entre as teorias unista (dizendo que todo tratado quando ratificado ganhou</p><p>status de emenda constitucional – que não era a corrente adotada pelo STF) e dualista (que dizia</p><p>que os tratados internacionais entrariam com força de lei ordinária - ou seja, inferior a</p><p>Constituição - que era até então a posição adotada pelo STF), surge a Emenda Constitucional</p><p>nº 45/2004, que acrescentou o parágrafo 3º ao art. 5º para dispor que esse status (a equiparação</p><p>a dispositivo constitucional)</p><p>somente será alcançado se o Congresso Nacional ratificar o</p><p>respectivo tratado ou convenção, por votação em dois turnos, em duas casas do congresso, com</p><p>maioria de três quintos. Contudo, como o tratado era anterior à emenda, a decisão do STF foi</p><p>no sentido de considerar os tratados anteriores a 2004 com força de norma supralegal</p><p>(BONAVIDES, 2016).</p><p>Em decorrência do referido tratado, o STF editou a Súmula Vinculante nº 25, no seguinte</p><p>sentido: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito”.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>34</p><p>HIERARQUIA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS:</p><p> EM MATÉRIA DE DIREITOS HUMANOS:</p><p>1) Aprovados antes de 2004: força de norma supralegal (STF);</p><p>2) Aprovados após 2004 com votação do art. 5 parágrafo 3º de 3/5, em 2 turnos nas 2</p><p>casas: força de emenda constitucional = força constitucional</p><p>3) Aprovados após 2004 SEM a votação do art. 5 parágrafo 3º: força de norma supralegal</p><p> QUE A MATÉRIA NÃO SEJA DE DIREITOS HUMANOS</p><p>1) Independente da votação terão força de LEI ORDINÁRIA.</p><p>https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>35</p><p>DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>1. DIREITOS FUNDAMENTAIS EM ESPÉCIE</p><p>1.1. Direito à vida</p><p>É um direito pré-requisito, pois é ele que dá existência a todos os outros direitos. Há duas</p><p>formas ou naturezas para este direito, a primeira o direito de existência, ou seja, continuar vivo</p><p>e a segunda o direito a uma vida digna capaz de garantir uma subsistência legítima.</p><p>• A “inviolabilidade do direito à vida” para o Estado resulta em três obrigações:</p><p>Em decorrência do seu primeiro desdobramento (direito de não se ver privado da vida de</p><p>modo artificial), encontra-se a proibição da pena de morte, salvo em caso de guerra declarada,</p><p>nos termos do art. 84, XIX. Assim, mesmo por emenda constitucional é vedada a instituição da</p><p>pena de morte no Brasil, sob pena de se ferir a cláusula pétrea do art. 60, § 4.º, IV.</p><p>Dimensão vertical do direito à vida:</p><p>da fecundação à morte, não</p><p>interrupção dos processos vitais,</p><p>ESTAR VIVO.</p><p>Dimensão horizontal do direito à</p><p>vida: qualidade da vida, vida digna,</p><p>alcançar o piso mínimo vital.</p><p>Obrigações</p><p>Obrigação de</p><p>Respeito</p><p>Dever dos agentes estatais não violarem,</p><p>arbitrariamente, a vida de outrem;</p><p>Obrigação de</p><p>Garantia</p><p>Dever de prevenção da violação da vida</p><p>por parte de 3ºs e eventual punição</p><p>àqueles que arbitrariamente violam a vida</p><p>de outrem;</p><p>Obrigação de Tutela</p><p>Dever do Estado de assegurar uma vida</p><p>digna, garantindo condições materiais</p><p>mínimas de sobrevivência.</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>36</p><p>→ Decisões relevantes sobre o tema:</p><p>Segundo o STF (últimas decisões) o conceito de vida estaria ligado ao surgimento</p><p>do cérebro, “o zigoto seria o embrião em estágio inicial, pois ainda destituído de cérebro”.</p><p>Assim, sem cérebro não há vida! Conforme conceito definido ADI 3.510 que</p><p>analisou o art. 5º da Lei nº 11.105/2005 (Lei de Biossegurança) – A utilização para</p><p>pesquisa de células tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por</p><p>fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento.</p><p>Também é importante destacar a ADPF 54 (info.661/STF), na qual se tratou o tema</p><p>da gravidez de feto anencéfalo e a possibilidade de abortamento. Tem-se que a</p><p>interrupção da gravidez do feto anencéfalo não pode ser tipificada como aborto.</p><p>Ademais, decisão no Recurso Especial nº 1.391.469, emanada pelo Tribunal</p><p>Regional Federal da 4ª Região, tratou do direito à vida nos casos de transfusão de sangue</p><p>envolvendo testemunhas de Jeová. Entendeu-se pela impossibilidade de recusa de</p><p>tratamento médico quando há risco de vida de menor, caso em que a vontade dos pais foi</p><p>substituída pela manifestação judicial.</p><p>1.2. Direito à integridade física e psíquica</p><p>Art. 5º, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano</p><p>ou degradante;</p><p>Presente também no art. 5º, XLIX e na Súmula Vinculante 11 do STF, que se referem,</p><p>respectivamente, ao direito à integridade física e moral dos presos e a excepcionalidade do uso</p><p>de algemas. Quanto a tortura, atenção ao tratamento internacional (agente estatal) x</p><p>constitucional da tortura (Lei nº 9.455/97).</p><p>1.3. Princípio da igualdade</p><p>Art. 5º, I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos</p><p>termos desta Constituição;</p><p>O conceito de igualdade material ou substancial recomenda, inversamente ao</p><p>pensamento liberal oitocentista, que se levem na devida conta as desigualdades concretas</p><p>existentes na sociedade, devendo as situações desiguais ser tratadas de maneira</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>37</p><p>dessemelhante, evitando-se assim o aprofundamento e a perpetuação de desigualdades</p><p>engendradas pela própria sociedade. O Direito, relativamente ao indivíduo, passa a percebê-lo</p><p>e a tratá-lo em sua especificidade, como ser dotado de características singularizantes.</p><p>Quando e como distinguir os desiguais dos iguais, ou, em outros termos, quando uma</p><p>nota distintiva pode ser utilizada para distinguir juridicamente os homens? Em síntese, os critérios</p><p>adotados por Celso A. B. de Mello (2010, p. 21) são: a) fator de desigualação; b) correlação</p><p>lógica abstrata entre o fator de discriminação e a disparidade no tratamento jurídico diversificado;</p><p>c) consonância desta correlação lógica aos interesses absorvidos pelo texto constitucional.</p><p>• Análise do Princípio da Igualdade:</p><p>a) igualdade não é identidade, e igualdade jurídica não é igualdade natural ou</p><p>naturalística;</p><p>b) igualdade significa intenção de racionalidade e, em último termo, intenção de</p><p>Justiça;</p><p>c) igualdade não é uma “ilha”, encontrando-se conexa com outros princípios, de</p><p>modo a ser compreendida, também, no plano global dos valores, critérios e opções</p><p>da Constituição Material Política de ações afirmativas.</p><p>Concebidas, pioneiramente, pelo Direito dos Estados Unidos da América, as ações</p><p>afirmativas consistem em políticas públicas ou privadas voltadas à concretização do princípio</p><p>constitucional da igualdade material (MELLO, 2010).</p><p>• Tríplice finalidade do princípio da igualdade:</p><p>a) legislador: não poderá afastar-se do princípio da igualdade no exercício de sua</p><p>função constitucional de edição normativa;</p><p>b) intérprete: não poderá aplicar as leis e os atos normativos de modo a criar ou</p><p>aumentar desigualdades arbitrárias/fortuitas;</p><p>c) particular não poderá pautar-se por condutas discriminatórias, sob pena de</p><p>responsabilidade civil e penal (MELLO, 2010).</p><p>2ª Fase Constitucional l 39º Exame de Ordem</p><p>E-book de Direito Material</p><p>38</p><p>A igualdade material é explorada pela própria constituição, no art. 5º, L; LI; art. 7º, XVIII e</p><p>XIX; no serviço militar obrigatório, nas idades e nos períodos de contribuição para a</p><p>aposentadoria.</p><p>Quanto à igualdade material, tem-se precedentes importantes do STF, além de legislação</p><p>infraconstitucional no que toca a ações afirmativas e a ações para a concretização desse</p><p>princípio constitucional:</p><p>→ Cotas raciais:</p><p>Discussão travada na ADPF 186, que considerou constitucional a política de cotas</p><p>étnico-raciais para seleção de estudantes da Universidade de Brasília (UnB).</p><p>Conforme ponderou o Min. Lewandowski, relator do caso, “as experiências</p><p>submetidas ao crivo desta Suprema Corte têm como propósito a correção de</p><p>desigualdades sociais, historicamente determinadas, bem como a promoção da</p><p>diversidade cultural na comunidade acadêmica e científica. No caso da Universidade de</p><p>Brasília, a reserva de 20% de suas vagas para estudantes negros e de ‘um pequeno</p>

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