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DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 1
3/4/2006
Direito Romano:
Fontes
Prof. Dr. Marco Fridolin Sommer Santos
Prof. Me. Andrea Marighetto
3/4/2006
Fontes do Iura Popoli Romani
• Gaio 1.2 Os ordenamentos jurídicos do 
povo romano derivam das legibus, 
plebiscitis, senatusconsultis, 
constitutionibus principum, edictis daqueles 
que tem o poder de fazê-los, responsis 
prudentium.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 2
3/4/2006
Iura Populi Romani
• Pomponio D. 1.2.2.12. Assim em nossa civitas se 
institui algo: ou por direito, isto é, pela lei, ou há o 
próprio ius civile, o qual, não escrito, consiste na 
interpretação única dos prudentes, ou há as ações 
da lei que definem a forma de agir, ou o plebiscito, 
que foi constituído sema autoridade dos patrícios, 
ou há o edito dos magistrados, de onde nasce o 
direito honorário, ou o senatus-consulto, o qual, 
somente pelo fato de se constituir pelo senado, é 
introduzido sem lei, ou há a constituição do 
príncipe, isto é, que aquilo que o príncipe 
determinou seja observado como lei.
3/4/2006
As fontes do Direito Romano 
pré-decemviral
• No período monárquico, antes da 
codificação decemviral, da metade do 
século V, o ordenamento da comunidade 
romana era constituído pelos mores, 
representando um fenômeno essencialmente 
consuetudinário.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 3
3/4/2006
Fundamento dos costumes
• Os mores do período monárquico romano se 
fundamentam “na natureza das coisas” e não na 
vontade divina. Trata-se de um fundamento 
metapositivo, sentido de per si, vinculante e ínsito 
na “natureza das coisas.
• Assim, os constumes não são propriamente fonte 
de produção e legitimação do direito, mas apenas 
o modo através do qual se manifesta a vigência de 
um ordenamento imanente na estrutura das 
relações sócio-econômicas 
3/4/2006
Fontes na República
• No período pré-decemviral, a memória dos 
mores era confiada aos pontífices,os quais 
deviam proceder um trabalho de 
maximização do direito vigente, recolhendo 
um material que posteriormente foi 
utilizado pelos decemvirus. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 4
3/4/2006
A Lei das XII Tábuas
• Após a luta entre patrícios e plebeus da primeira 
metade do V século ªC surge a codificação das leis 
das XII Tábuas, situada tradicionalmente entre 
451-450 a.C., que garantia certeza do direito, 
subtraindo-o da exclusiva memória dos pontifices
patrícios. 
• A obra dos decemvirus teve uma importância 
marginal em termos de inovação, limitando-se a 
codificar os costumes existentes. 
• Se reconhece que a codificação decemviral teve 
um caráter exaustivo. 
3/4/2006
Aprovação da Lei das XII Tábuas
• Se discute se os decemvirus aprovaram as 
XII Tábuas eles próprios, em virtude dos 
poderes em que foram investidos ou se ela 
foi aprovada pelas assembléias populares.
• Prevalesce a tese de que a Lei das XII 
Tábuas foi aprovada em assembléia 
popular, no comitia centuriata.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 5
3/4/2006
As fontes do direito romano na 
época republicana
• No início da república, se institui uma forma de 
intervenção legislativa exercitada pelos comícios 
que se tornaria fundamental na experiência 
jurídica romana. 
• A lex rogatae votada nas assembléias populares 
sob a proposta do magistrado competente, por 
todo o período republicano o único meio 
autoritativo para criar direito objetivo diretamente 
sobre o plano do ordenamento da civitas.
3/4/2006
A Lex em Gaio
• Como informa Gaio em 1.3. Sob o nome 
genérico de lex compreendiam-se as lex 
rogatae em sentido estrito, proposta por 
magistrados munido de imperium e votadas 
nas assembléias populares (comitia 
centuriata o tributa) e as plebiscita, 
deliberadas pela assembléia da plebe 
(concilia plebis tributa).
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 6
3/4/2006
A Lex – Gaio 1.3.
• Lex é aquilo que prescreve e estabelece o povo. 
Plebiscito é aquilo que prescreve a plebe. A plebe 
se diferencia do povo, enquanto com o termo povo 
se indicam todos os cidadãos, compreendidos 
também os patrícios. Pelo que, em certo tempo, os 
patrícios diziam que não estavam vinculados pelos 
plebiscitos, porque feitos sem a sua deliberação; 
mas depois foi emanada uma lei Hortência (287 
a.C.), qu qual dispôs que os plebiscitos 
vinculavam todo o povo; e assim, por tal fato, são 
equiparados as leis. 
3/4/2006
O significado amplo de Lex no 
Direito Romano
• No direito romano, lex tinha um significado 
extremamente amplo. Para além do lex
publica o termo lex assumiva um caráter 
privatístico, como nas hipóteses da lex 
mancipatio dicta e da lex contractus 
(leges venditiones o locationes).
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 7
3/4/2006
A importância da lex na 
República Romana
• Apesar da implementação da lex como fonte de 
direito na fase republicana, a sua importância foi 
muito limitada, como instrumento de 
desenvolvimento do direito privado.
• A lex neste período nunca foi utilizada para 
introduzir novos institutos, servindo, sobretudo, 
para retocar a disciplina normativa de institutos já 
existentes. Ex. lex Aquilia, lex Poetelia Papiria
3/4/2006
A importância da lex na 
República Romana - II
• A explicação destas limitações no emprego da lex 
rogata não é fácil. Se deve ter presente, a este 
propósito, a tendência, típica da praxe romana, d 
superar as exigências do desenvolvimento das 
relações privatísticas por meio da intepretatio dos 
pontifices e, depois, eventualmente, dos prudentes, 
mais que sobre intervenções do legislador, 
tendência favorecida pela convicção de que o 
direito manifestado pelos mores fundasse sua 
própria validade sobre a “natureza das coisas”
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 8
3/4/2006
O edito do pretor
• Pelo menos a partir do III séc. a.C., o edito do 
pretor provia as exigências mais prementes que se 
desenvolviam por força das modificações sócio-
econômicas verificadas na sociedade romana. E 
opretor mesmo, a partir da extensão aos cives do 
processo formular, podia intervir também no 
sentido de fazer desaplicar normas do ius civile
que não se adaptavam as mudanças das condições 
da sociedade romana .
3/4/2006
Ius honorarium
• O edito do pretor teve uma importância 
fundamental no desenvolvimento do 
sistema normativo romano a partir do III 
séc. a.C.. Relativamente as demais fontes 
desta época, este assume uma posição 
particular, na medida em que o direito 
criadopelo pretor constituiu um sub-sistema 
normativo, o ius honorarium, que se 
contrapõe ao ius civile.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 9
3/4/2006
Função do pretor 
• A atividade normativa do pretor está estritamente 
ligada ao exercício da jurisdição por parte deste 
magistrado e à história do processo formular. Este 
processo tem origem no âmbito da iurisdictio 
peregrina e o pretor dá, antes de tudo, uma 
disciplina jurídica às relações nascidas dos 
tráfegos internacionais, para os quais não se 
conhecem provimentos legislativos nem à 
intervenção criativa da interpretatio prudentium.
3/4/2006
As fontes do direito no 
principado
• A profunda modificação política representada pelo 
fundação do principado no final do século I. a.C, 
influiu rapidamente sobre o sistema das fontes do 
direito, visto que na figura do princeps, que se 
sobrepôs às estruturas constitucionais 
republicanas, era, naturalmente, destinado a 
concentrar de fato e, depois, institucionalmente,o 
poder político e também o normativo. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 10
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Transformações nas fontes
• A lex rogata e as assembléias, ligadas ao 
sistema republicano, caem em desuso;
• A disciplina do edito não sofre retoques 
formais até Adriano.
• Do ponto de vista substancial, o poder 
discricionários do magistrado, em pontos de 
real interesse jurídico-legislativo, o incisivo 
controle do princeps.
3/4/2006
As fontes do direito no 
Principado
• A partir de Augusto foram individuadas novas 
formas de atos normativos, inspirados na realidade 
política do principado: os senatusconsulta e as
constitutiones principum. 
• Durante todo o período do principado, o 
desenvolvimento do direito privado foi 
implementado pelo princeps através dos 
senatusconsulta.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
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3/4/2006
Gaio - Senatusconsulta e 
constitutio principis
• 1.4. Senatusconsultum é aquilo que prescreve e 
estabelece o Senado, e tem lugar de lei, se bem 
que seja discutível.
• 1.5. Constitutio principes é aquilo que o 
imperador estabelece com decreto, edito ou carta. 
Jamais se duvidou que isso tem lugar de lei, dado 
que o próprio imperador está investido pelo 
império com lei (lex de imperio, nesta época um 
senatusconsultum). Tb. Ulpiano em D.1.4.1 pr.
3/4/2006
Constitutio principis – D.1.4.1 pr.
• A mudança mais significativa no período 
imperial é representada pelas constitutio 
principes, exaradas sob duas modalidades. 
• Constituições gerais (gerais e abstratas): os 
edicta e os mandata; 
• Constituições particulares (incidem sobre 
casos): decreta, epistolae e rescripta.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 12
3/4/2006
Constituições Gerais
• Os edicta se fundavam, na origem, sobre o 
imperium proconsular maius et infinitum do 
princeps, e eram um instrumento 
institucionalmente predisposto para instituir 
normas gerais e abstratas. 
• Igual caráter tinhas os mandata, que são, ao 
contrário, instruções dadas pelo imperador aos 
próprios funcionários sob a base hierárquica. 
Voltam-se aos também magistrados republicanos, 
sobretudo no âmbito da administração provincial. 
3/4/2006
Constituições Particulares
• A partir de Adriano, observam-se mudanças no 
direito privado, mediante a utilização das 
constituições particulares, especialmente com a 
rescripta. As constituições particulares são:
• Decreta são sentenças do Imperador no exercício 
direto da jurisdição, em nível de apelo.
• Com os rescripta solicitados por um privado e as 
epistolae por um magistrado o Imperador fixa de 
modo vinculante o ponto de direito a se aplicar em 
uma controvérsia concreta. Ao juiz cabia decidir a 
situação de fato. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 13
3/4/2006
A Jurisprudência republicana
• Gaio 1.7 – Os responsa prudentium são as 
sentenças e as opiniões daqueles aos quais 
se consente fazer o direito. Se os pareceres 
destes todos são concordes, o que eles 
pensam tem força de lei; se, ao contrário, 
são discordantes, pode o juiz seguir a 
opinião que quer: e isso é indicado por um 
rescripta do divino Adriano (117-138 d.C.)
3/4/2006
A importância dos responsa 
prudentium
• Se afirma que a autorictas ou os responsa 
prudentium concorrem para formar os iura 
populi romani, ao lado dos demais fatos 
normativos. Contudo, se deve compreender 
que os responsa prudentium nos iura populi 
romani representam muito mais do que 
isso, na medida em que eles representam o 
momento central e unificador da 
experiência jurídica romana. (Talamanca)
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 14
3/4/2006
Origem das responsa prudentium
• Na época pós-decemviral, o colégio dos pontífices 
perdeu sua função originária de manter a memória 
dos mores. Todavia, os pontífices continuam 
sendo os depositários do saber jurídico, sem 
todavia, os haver organizado em caráter científico.
• Os pontifices eram competentes para responder 
aos quesitos dos magistrados, dos juízes e dos 
privados sobre qual regra de sdireito seria 
aplicável ao caso concreto, seja em nível judicial, 
seja como simples consulta.
3/4/2006
Interpretatio dos pontifices
• A interpretatio dos pontifices não se coloca sob idêntico 
plano da interpretação das leis nos sistemas jurídicos 
modernos. Não obstante tivesse o texto das regras de 
direito conhecidas através dos mores fixado nas XII 
Tábuas, os pontifices mesmos restaram os mediadores 
entre o ordenamento imanente na natureza da sociedade e 
os homens: eram, como diziam os romanos, os interpretes 
iuris e não exegetas de um texto legislativo. Interpretavam 
as XII Tábuas com grande liberdade, o que lhe reservou a 
importância que teve no desenvolvimento do direito 
privado na época republicana.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 15
3/4/2006
Interpretatio prudentium –
laicização da jurisprudencia
• Quanto mais se distancia no tempo da lei das XII tábuas a 
intepretatio dos pontifices assume uma independência em 
relação ao texto mais marcante.
• Entre os séculos III e II a.C., verifica-se a laicização da 
jurisprudência, na medida em que, para além dos 
pontífices, outros cidadãos destacados na sociedade, 
passam a excercer esta função. 
• O que, na origem, era apenas uma atividade de consulta 
prática, no início do século II a.C. assumiu um caráter 
científico.
3/4/2006
O ius controversum
• A substituição da atividade dos pontífices 
pela atividade dos juristas laicos, fundada 
sobre sua autoridade e sobre o seu saber, à 
competencia unitária do Colégio dos 
Pontífices, determinou o surgimento das 
caracgterísticas mais marcantes do direito 
(jurisprudência) romano: o ius
controversum.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 16
3/4/2006
Os Proculeanos e os Sabinianos
• A laicização da jurisprudência determinou o 
surgimento das escolas jurídicas dos proculeanos e 
dos sabinianos.
• A diferença mais profunda em relação ao período 
precedente foi o surgimento de pontos de vista 
contrastantes, todas sentidas como direito vigente, 
formando naquilo que se designava por ius quod
sine scripto in sola prudentium interpretatione 
consist aquilo que nos chamamos de ius 
controversum. 
3/4/2006
A autorictas e o juiz privado
• Nos séculos II e I a.C. verificava-se a inexistência prática 
de textos legislativos, considerando-se que a Lei das XII 
Tábuas era um pressuposto muito remoto da interpretatio 
prudentium e do ius civile.
• O juiz privado, chamado para decidir o caso, não era um 
operador profissional do direito. A ele restava apenas 
voltar-se aos jurisconsultos, para obter sobre um aspecto 
do direito um parecer fundado sobre a autorictas do 
jurisconsulto interpelado.
• Nenhum juiz privado se sentia autorizado a formular uma 
opinião própria diversa daquelas representadas pelo ius 
controversum. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 17
3/4/2006
A jurisprudência no Principado
• No principado se acentua a dialética entre as 
várias sentenciae dos juristas: o ius 
controversum atinge o seu nível máximo, 
favorecido no séc. I d.C. pelas escolas dos 
sabinianos e dos proculeanos, que em 
muitas questões professavam opiniões 
divergentes.
3/4/2006
A situação dos jurisconsultos
• Do início do principado em diante, 
modifica-se o fundamento da legitimidade 
dos juristas para proferir sentetiae.
• Augusto Caesare (Otaviano), introduziu o 
ius respondendi ex auctorictate principis.
• Através de uma rescripta, Adriano apenas 
confirmou a prática precedente.Gaio 1.7
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 18
3/4/2006
A carreira dos jurisconsultos
• Após o início do principado, até a metade do II séc. d.C., 
os juristas pertenciam prevalentemente à classe dos 
senadores.
• A partir de então, os juristas pela carreira Eqüestre da 
burocracia imperial, partindo da Chancelaria (onde 
auxiliavam o imperador a instruir as instâncias em favor de 
quem postulava um rescrito), chegando muitas vezes ao 
topo da carreira, na condição de prefeito do pretório.
• Dentre eles, encontram-se três grandes expoentes do 
último florir da jurisprudência clássica: Pomponio, Paolo e 
Ulpiano.
3/4/2006
Fim da jurisprudência clássica: 
240 d.C.
• Em torno de 240 d.C. se exaure a jurisprudência 
clássica. A interpretação do direito vigente, 
mesmo em termos evolutivos, restringe-se 
somente à chancelaria imperial.
• O cessar da atividade literária dos prudentes 
elimina o ius controversum. A divergência de 
opiniões se enrigesse pelo cessar do debate 
jurisprudencial. Neste estágio o ius controversum 
permanece e se transmite à época tardo-antiga. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 19
3/4/2006
Ius controversum
• A inserção dos responsa prudentium entre as partes do 
iura populi Romani, em pé de igualdade com os rescrita
imperiaise de outras constituições particulares, encontra 
uma dupla justificativa: a opinião dos juristas e ainda mais 
as decisões dos imperadores contribuíam para formar o ius 
controversum, todos sentidos como direito vigente.
• a particular operatividade dos responsa e dos rescripta era 
idônea para determinar qual era o direito aplicável ao caso 
concreto, sem que com isso fosse posta uma norma geral e 
abstrata.
3/4/2006
Metodologia casuística da 
jurisprudência romana
• A jurisprudência romana teve um caráter essencialmente 
prático. Nasce para o fim de solucionar problemas 
concretos postos pelo consulente.
• Isto não significa que os juristas se limitassem, a examinar 
o caso concreto examinado, sem elaborar mais amplas 
situações nas quais ele se inseria.
• A partir de Q. Mucio Scevola, os prudentes laicos 
elaboram a matéria privatística, antes de tudo o ius civile, 
independentemente da imediata solicitação constituída pela 
consulta prática, muito embora o material oferecido por 
essa atividade permaneça na base das suas reflexões, com 
relevância que varia de jurista para jurista.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 20
3/4/2006
Metodologia casuística da 
jurisprudência romana II
• O método casuístico comporta que, também quando a 
elaboração conceitual não se funda imediatamente sobre a 
atividade prática, os problemas venham afrontados e 
resolvidos mediante o exame dos casos práticos, trazidos 
de obras jurídicas precedentes ou inventados pelo próprio 
jurista. 
• Como conseqüência disso, as categorias gerais e as 
definições, as classificações e as distinções que sustentam 
o sistema elaborado pela jurisprudência encontram o 
necessário ponto de referência e o limite de aplicação ao 
caso concreto. 
3/4/2006
Máximas do direito romano
• Duas máximas do direito romano constituíram os 
exemplos prediletos dos jusnaturalistas de todos os 
tempos. São fórmulas vazias, podendo conter 
qualquer conteúdo. São as obras de Celso e 
Ulpiano que conferem conteúdo as máximas e não 
o contrário:
• D. 1.1.1 pr. |(...) De fato, como Celso 
elegantemente define, ius est ars boni et aequi.
• D. 1.1.10.1. Iuris praecepta sunt haec: honeste 
vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 21
3/4/2006
Os costumes como fonte de 
direito
• Somente com Giuliano os juristas romanos dão 
alguma expressa atenção aos costumes como fonte 
do direito:
• D.1.3.32. Quanto às causas para as quais não 
temos leis escritas, é preciso observar o que foi 
introduzido pelos mores e pela consuetudo. E se 
em alguma coisa isto for deficiente, então se o que 
lhe for mais próximo e conseqüente. se na verdade 
nem isso houver, então se deve conservar o direito 
do qual a cidade de Roma se utiliza. 
3/4/2006
As fontes do direito no tardo-
antigo e o vulgarismo
• Na passagem do III ao IV séc. d.C. em função das 
reformas institucionais que determinaram a 
transição do principado ao dominato, mediada 
pela crise que vai de Alessandro Severo a 
Diocleziano, verificam-se dois aspectos 
importantes:
• Concentração também em termos formais do 
poder normativo nas mãos do imperador;
• O fim da jurisprudência clássica caracterizado 
pelo fenômeno do vulgarismo.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 22
3/4/2006
Fontes no dominato
• Nesta fase, adquirem relevância as Constituições 
gerais dos Imperadores, sob a forma legges 
generales que são herdeiras diretas dos edicta do 
principado.
• Em termos de conteúdo, diferentemente dos edicta 
do principado, as legges generales são utilizadas 
para regular relações privatísticas, para introduzir 
modificações necessárias. Muitas destas 
modificações ocorriam pelo desuso.
3/4/2006
Iura e Legge
• Na terminologia pós-clássica, os iura se 
contrapõe as legges (gerais) emanadas pelos 
imperadores.
• Os iura não ofereciam aos operadores do 
direito um sistema unívoco de máximas de 
decisões, pois refletiam o ius controversum. 
Daí porque surgiu legges delle citaciones.
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 23
3/4/2006
Corpus Iuris Civilis
• Corpus iuris civilis é o nome atribuído pelos 
juristas medievais à compilação justinianéia, havia 
no século VI d.C., a partir do ano de 530. 
• A parte mais importante do Corpus iuris civilis é o 
Digesto ou Pandecta, formado a partir dos Iura 
contidos nas obras dos juristas clássicos.
• A litera Florentina é versão mais conhecida do 
Digesto, correspondente a um manuscrito do 
século VI, praticamente coexistente a própria 
compilação. 
3/4/2006
Digesto ou Pandecta
• A escola de Bologna utilizava uma versão 
diversa, conhecida por litera Bonoiensis ou
Vulgata.
• A versão latim-espanhol de García del 
Corral, disponível entre nós, utiliza-se da 
litera Florentina. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 24
3/4/2006
3/4/2006
Fim da jurisprudência clássica
• Os últimos gandes juristas vivem na época dos 
Severo no início do séc. III d.C.. São eles 
Papiniano, Paolo e Ulpiano, cujas obras 
contribuem com mais de 3/5 para a compilação do 
Digesto.
• Paolo e Ulpiano foram os grandes 
sistematizadores da jurisprudência clássica, 
enquanto Papiniano, considerado por alguns como 
o maior dos juristas romanos, promoveu ainda um 
grande desenvolvimento no pensamento jurídico. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 25
3/4/2006
Fim da jurisprudência clássica II
• Muitos juristas educados sob o método da 
jurisprudência clássica trabalharam como 
anônimos na chancelaria imperial, 
contribuíndo com a preparação dos 
rescripta até o término do reino de 
Diocleziano. 
3/4/2006
Compilação Justinianéia
• Constituição Haec quae necessario: determinou 
em 528 d.C. a redação do Novus Codex 
Iustinianus, publicado 14 meses após, em 529, 
com a Constituição Summa reipublicae, tendo por 
objeto as Constituições imperiais contidas dos 
Códigos precedentes de Gregoriano, 
Hermogeniano e Teodosiano, além das Novellae
constitutiones, emanadas pelos imperadores após 
438 d.C. 
DIREITO ROMANO - 2006/I 3/4/2006
Marco Fridolin Sommer Santos [UFRGS] 26
3/4/2006
Novus Codex Iustinianus
• No Novus Codex Iustinianus, nada foi modificado 
em relação aos iura,mantendo-se em vigor a lei 
das citações, recebida no próprio Novus Codex.
• Através das Quinquaginta decisiones Justiniano 
interviu ao interno das varias sentenciae dos 
prudentes clássicos introduzida por Valentiniano 
III, substituindo uma através de uma constituição 
imperial os iura, normalmente mediando entre as
sentenciae.
3/4/2006
Const. Deo Auctore: compilação 
do Digesto – 530 d.C
• Dever-se-ia proceder a compilação de caráter 
antológico dos iura, ou seja, das obras dos juristas 
clássicos, para se empregar nas escolas e nos 
tribunais.
• O objetivo era substituir, sem exceção e 
definitivamente, a utilização direta destas obras. O 
sistema mecânico da lei das citações foi 
substituído por outro mais racional da escolha pelo 
legislador entre as sentenciae dos prudentes. Foi 
promulgada em 533d.C, com a constituição
bilíngue Tanta - ´Dédoken´.