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Direito
Administrativo
I
Revisão 9 (24/11/16)
Professor Gustavo Vieira
Faculdade Universo
2016/2
Atenção: o conteúdo destas notas de aulas reflete a minha compreensão
sobre o que foi ministrado em sala de aula. Assim, você estará lendo o
meu entendimento e não necessariamente o que foi dito pelo professor.
Ademais, as notas de aulas podem sofrer alterações na esquematização,
na ordem, bem como acréscimos de outras fontes de pesquisa. Obs.: este
material é gratuito, de cunho acadêmico e não comercial - André Teles
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
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meneses-vieira@hotmail.com
Bibliografia: Alexandrino, Marcelo – Paulo, Vicente - Direito administrativo descomplicado -
24º edição, revisada e atualizada - Rio de Janeiro Editora: Forense; São Paulo Editora:
MÉTODO, 2016.
Mazza, Alexandre - Manual de direito administrativo – 6º edição – São Paulo, Editora: Saraiva,
2016.
04/08/2016 - Apresentação do Curso
11/08/2016 – palestra devido ao dia do estudante
18/08/2016
Conceito de Direito Administrativo – é o ramo do Direito que regula as relações internas
da administração pública, as relações entre esta administração e os administrados, assim como
as relações decorrentes das atividades delegadas pelo poder público aos particulares.
A ideia principal do Direito Administrativo é a prevalência do interesse público sobre o
particular. A relação entre a Administração pública e os administrados é vertical, assimétrica,
porém não hierárquica. Há presunção de que todo ato administrativo está de acordo com a lei,
assim, se um administrado que discordar de um ato do Estado, terá que recorrer à justiça.
São vários os conceitos apresentados pela doutrina para o direito administrativo,
especialmente porque há autores que adotam critérios distintos para a demarcação do campo
de atuação desse ramo do direito.
O Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello aduz um conceito sintético de direito administrativo,
definindo-o como “o ramo do Direito Público que disciplina a função administrativa e os
órgãos que a exercem".
Para o Prof. Hely Lopes Meirelles, o direito administrativo consiste no "conjunto harmônico
de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a
realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado".
A Profª. Maria Sylvia Zanella Di Pietro define o direito administrativo como “o ramo do
direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que
integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens
de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública".
De nossa parte, conceituamos o direito administrativo como o conjunto de regras e princípios
que, orientados pela finalidade geral de bem atender ao interesse público, disciplinam a
estruturação e o funcionamento das entidades e órgãos integrantes da administração pública,
as relações entre esta e seus agentes, o exercício da função administrativa - especialmente
quando afeta interesses dos administrados - e a gestão dos bens públicos. Alexandrino (2016,
p. 45).
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Princípios da Administração Pública
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Princípio da Legalidade – para evitar arbitrariedades, as ações do Estado estão amarradas
na lei. Desta forma, o Estado só pode realizar atos que a lei estabelece.
Em suma, a administração pública, mais do que estar proibida de atuar contra a lei ou além
da lei, somente pode agir segundo a lei (a atividade administrativa não pode ser contra legem
nem praeter legem, mas apenas secundum legem). Os atos eventualmente praticados em
desobediência a tais parâmetros são atos inválidos e podem ser anulados pela própria
administração que os haja editado (autotutela administrativa) ou pelo Poder Judiciário, desde
que provocado.
Observe-se, ainda, que, em sua atuação, a administração está obrigada à observância não
apenas do disposto nas leis, nos diplomas legais propriamente ditos, mas também à
observância dos princípios jurídicos e do ordenamento jurídico como um todo ("atuação
conforme a lei e o Direito", na inspirada redação do inciso I do parágrafo único do art. 2. 0
da Lei 9.784/1999).
Ademais, a administração está sujeita a seus próprios atos normativos, a exemplo dos decretos
e regulamentos expedidos para assegurar a fiel execução das leis (CF, art. 84, IV). Assim, ao
emitir um ato administrativo individual, o agente público está obrigado a observar não só a lei
e os princípios jurídicos, mas também os decretos regulamentares, as instruções normativas,
os pareceres normativos, enfim, os atos administrativos gerais que sejam pertinentes àquela
situação concreta com que ele se depara. Esse conjunto de todas as normas jurídicas a que se
submete a atuação administrativa é chamado, por alguns administrativistas, de “bloco de
legalidade". E parte da doutrina utiliza a expressão “princípio da juridicidade administrativa"
a fim de traduzir essa noção de que as atividades da administração pública devem observância
à totalidade do ordenamento jurídico, e não apenas a determinadas categorias de normas.
Alexandrino (2016, p. 258).
Princípio da Impessoalidade – relacionado à isonomia, deve alcançar a todos, não visando
particulares.
A impessoalidade da atuação administrativa impede, portanto, que o ato administrativo seja
praticado visando a interesses do agente ou de terceiros, devendo ater-se à vontade da lei,
comando geral e abstrato em essência. Dessa forma, impede perseguições ou favorecimentos,
discriminações benéficas ou prejudiciais aos administrados. Qualquer ato praticado com
objetivo diverso da satisfação do interesse público será nulo por desvio de finalidade.
Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, a impessoalidade, especialmente na acepção
ora em foco, é decorrência da isonomia (ou igualdade) e tem desdobramentos explícitos
em dispositivos constitucionais como o art. 37, inciso 11, que impõe o concurso público
como condição para ingresso em cargo efetivo ou emprego público (oportunidades iguais
para todos), e o art. 37, inciso XXI, que exige que as licitações públicas assegurem
igualdade de condições a todos os concorrentes.
A finalidade da atuação da administração pode estar expressa ou implícita na lei. Há sempre
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uma finalidade geral, que é a satisfação do interesse público, e uma finalidade específica, que
é o fim direto ou imediato que a lei pretende atingir. Alexandrino (2016, p. 264).
Princípio da Moralidade – agir de modo probo, idôneo. Improbidade administrativa (art.
84, IV da CF) tem três núcleos: enriquecimento ilícito, lesão ao erário público e violação aos
princípios da administração.
O princípio da moralidade toma jurídica a exigência de atuação ética dos agentes da
administração pública. A denominada moral administrativa difere da moral comum,
justamente por ser jurídica e pela possibilidade de invalidação dos atos administrativos que
sejam praticados com inobservância desse princípio.
É importante compreender que o fato de a Constituição haver erigido a moral administrativa
em princípio jurídico expresso afasta qualquer dúvida que pudesse ainda subsistir acerca de
sua natureza de condição de validade da atuação estatal, e não de aspecto atinente ao mérito
administrativo. Assim, um ato contrário a moral administrativa não está sujeito a um exame
de oportunidade e conveniência,mas a uma análise de legitimidade, ou seja, um ato praticado
em desacordo com a moral administrativa é nulo, e não meramente inoportuno ou
inconveniente.
Em consequência, o ato que viole a moral administrativa não deve ser revogado, e sim
declarado nulo. Mais importante, como se trata de controle de legalidade ou legitimidade, este
pode ser efetuado pela administração e, também, pelo Poder Judiciário (desde que provocado).
Para atuar em consonância com a moral administrativa, não basta ao agente cumprir
formalmente a lei, aplicá-la em sua mera literalidade. É necessário que se atenda à letra e ao
espírito da lei, que ao legal junte-se o ético (não mais se tolera a velha e distorcida ideia de
que o agente público poderia dedicar-se a procurar “brechas” na lei, no intuito de burlar os
controles incidentes sobre a sua atuação e, dessa forma, promover interesses espúrios). Por
essa razão, é acertado asseverar que o princípio da moralidade complementa, ou torna mais
efetivo, materialmente, o princípio da legalidade.
Na dicção do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal (Decreto 1.17111994), “o servidor público não poderá jamais desprezar o elemento
ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o
injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre
o honesto e o desonesto".
Como se trata de um princípio jurídico, a moralidade administrativa independe da concepção
subjetiva (pessoal) de moral que o agente possa ter, isto é, nenhuma relevância para o direito
têm as convicções íntimas do agente público acerca da conduta administrativa que deva ser
considerada moral, ética.
A moral jurídica exigida do agente público em sua conduta (moral administrativa) deve ter o
seu conteúdo elaborado a partir dos valores que podem ser extraídos do conjunto de normas
de direito concernentes à atuação da administração pública e à conduta dos agentes
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públicos, incluídos princípios expressos e implícitos, regras legais e infralegais, normas de
disciplina interna da administração e até mesmo práticas lícitas reiteradamente observadas
no âmbito de seus órgãos e entidades (praxe administrativa). Alexandrino (2016, p. 261).
Princípio da Publicidade – necessária transparência dos atos administrativos praticados.
Lei 12.527/11. Há algumas situações que o sigilo é necessário, com prazo de 20 anos, para
outras o prazo de sigilo são 25 anos prorrogável por mais 25. Isto é avaliado pela Comissão
Nacional de Acesso à Informação. Essa comissão, de ofício, a cada 4 anos faz reavaliação
desses documentos.
O princípio da publicidade pode ser definido como o dever de divulgação oficial dos atos
administrativos (art. 2º, parágrafo único, V, da Lei n. 9.784/99). Tal princípio encarta-se
num contexto geral de livre acesso dos indivíduos a informações de seu interesse e de
transparência na atuação administrativa, como se pode deduzir do conteúdo de diversas
normas constitucionais, a saber:
a) art. 5º, XXXIII: “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
sociedade e do Estado”;
b) art. 5º, XXXIV: “são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o
direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e
esclarecimento de situações de interesse pessoal”;
c) art. 5º, LXXII: “conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de
informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de
entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não
se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo”. A impetração de habeas
data é cabível quando a informação for relativa ao próprio impetrante. Fora dessa hipótese a
obtenção de informação sonegada pelo Estado pode ser viabilizada pela utilização de mandado
de segurança individual e mandado de segurança coletivo. Massa (2016, p. 153).
Como os agentes públicos atuam na defesa dos interesses da coletividade, a proibição de
condutas sigilosas e atos secretos é um corolário da natureza funcional de suas atividades. Ao
dever estatal de garantir a publicidade de seus atos, corresponde o direito do administrado de
ter ciência da tramitação de processos administrativos em que tenha a condição de interessado,
Vinculando publicidade com moralidade, a prova de Auditor do Tesouro
elaborada pela ESAF considerou CORRETA a afirmação: “O princípio da
publicidade visa a dar transparência aos atos da administração pública e
contribuir para a concretização do princípio da moralidade administrativa”.
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ter vista dos autos, obter cópia de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas
(art. 3º, II, da Lei n. 9.784/99).
Transparência, divulgação oficial e publicação
Resumindo as considerações anteriores, é possível concluir que o princípio da publicidade
engloba dois subprincípios do Direito Administrativo:
a) princípio da transparência: abriga o dever de prestar informações de interesse dos cidadãos
e de não praticar condutas sigilosas;
b) princípio da divulgação oficial: exige a publicação do conteúdo dos atos praticados
atentando-se para o meio de publicidade definido pelo ordenamento ou consagrado pela
prática administrativa.
Recente decisão do STF considerou que não se considera atendida a obrigação de publicidade
com a simples divulgação do ato administrativo no programa A Voz do Brasil.
Massa (2016, p. 154).
Princípio da Eficiência – A EC 1911998 incluiu a eficiência como princípio expresso, no
caput do art. 37 da Constituição, ao lado dos postulados da legalidade, da moralidade, da
impessoalidade e da publicidade. A inserção, em 1998, da eficiência como princípio explícito,
no caput do art. 37 da Carta da República - artigo aplicável a toda atividade administrativa
de todos os Poderes de todas as esferas da Federação -, foi consequência da implantação entre
nós, que ocorreu especialmente a partir de 1995, do modelo de administração pública
conhecido como "administração gerencial". Pretendia-se que esse modelo de administração
substituísse, ao menos parcialmente, o padrão tradicional da nossa administração pública, dita
"administração burocrática", cuja ênfase maior recai sobre o princípio da legalidade.
A ideia básica é que os controles a que está sujeita a administração pública, e os métodos de
gestão que utiliza, acarretam morosidade, desperdícios, baixa produtividade, enfim, grande
ineficiência, em comparação com a administração de empreendimentos privados. Propõe-se,
por essa razão, que a administração pública se aproxime o mais possível da administração das
empresas do setor privado. É esse modelo de administração pública, em que se privilegia a
aferição de resultados, com ampliação de autonomia dos entes administrativos e redução dos
controles de atividades-meio (controles de procedimentos), que se identifica com a noção de
A prova de Delegado Federal/2004 elaborada pelo Cespe considerou ERRADA a
afirmação: “A veiculação do ato praticado pela administração pública na Voz
do Brasil, programa de âmbito nacional, dedicado a divulgar fatos e ações
ocorridos ou praticados no âmbito dos três poderes da União, é suficientepara
ter-se como atendido o princípio da publicidade”.
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"administração gerencial", a qual tem como postulado central exatamente o princípio da
eficiência.
Exemplo típico de instrumento com essa finalidade - privilegiar a aferição do atingimento de
resultados, com ampliação da autonomia administrativa de entidades e órgãos públicos,
traduzida na redução dos controles das atividades-meio são os contratos de gestão previstos
no § 8º do art. 37 da Carta Política, dispositivo também incluído pela EC 19/1998.
Alexandrino (2016, p. 279).
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Princípio da Continuidade do Serviço Público – exemplo: encampação
administrativa, poder tomar de volta um serviço de prestação que fora concedido. Outro:
reversão de bens, ao final do contrato administrativo, o poder público se assenhora dos bens
com a devida indenização ao particular que investiu. Deve atender os princípios do devido
processo legal, bem como o da segurança jurídica.
A interpretação das normas administrativas não pode ser utilizada referentes a fatos pretéritos,
ou seja, não retroagem.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
É importante observar que a expressão "serviços públicos”, aqui, é empregada em sentido
amplo, como sinônimo de “atividade de administração pública em sentido material". Alcança,
portanto, todas as atividades propriamente administrativas executadas sob regime jurídico de
direito público. Alexandrino (2016, p. 287).
Abrange, assim, a prestação de serviços públicos em sentido estrito - prestações que
representem, em si mesmas, utilidades materiais fruíveis diretamente pela população em geral,
efetuadas diretamente ou por meio de delegatários -, o exercício do poder de polícia, as
atividades de fomento e a intervenção. Ficam excluídas, por outro lado, a atuação do Estado
como agente econômico em sentido estrito ("Estado-empresário"), a atividade política de
governo (formulação de políticas públicas), a atividade legislativa a atividade jurisdicional.
Os serviços públicos, como seu nome indica, são prestados no interesse da coletividade, sob
regime de direito público. Por esse motivo, sua prestação deve ser adequada, não podendo
sofrer interrupções. A interrupção de um serviço público prejudica toda a coletividade, que
dele depende para a satisfação de seus interesses e necessidades.
A aplicação desse princípio implica restrição a determinados direitos dos prestadores de
serviços públicos e dos agentes envolvidos em sua prestação. Uma peculiaridade do princípio
da continuidade dos serviços públicos é que sua observância é obrigatória não só para toda a
administração pública, mas também para os particulares que sejam incumbidos da prestação
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de serviços públicos sob regime de delegação (concessionárias, permissionárias e autorizadas
de serviços públicos). Alexandrino (2016, p. 288).
Princípio da Supremacia do Interesse Público - O princípio da supremacia do
interesse público é um princípio implícito. Embora não se encontre enunciado no texto
constitucional, ele é decorrência das instituições adotadas no Brasil. Com efeito, por força do
regime democrático e do sistema representativo, presume-se que toda atuação do Estado seja
pautada pelo interesse público, cuja determinação deve ser extraída da constituição e das leis,
manifestações da "vontade geral". Assim sendo, lógico é que a atuação do Estado subordine
os interesses privados.
O princípio da supremacia do interesse público é característico do regime de direito público
e, como visto anteriormente, é um dos dois pilares do denominado regime jurídico-
administrativo, fundamentando todas as prerrogativas especiais de que dispõe a administração
como instrumentos para a consecução dos fins que a Constituição e as leis lhe impõem.
Decorre dele que, existindo conflito entre o interesse público e o interesse particular, deverá
prevalecer o primeiro, tutelado pelo Estado, respeitados, entretanto, os direitos e garantias
individuais expressos na Constituição, ou dela decorrentes.
O Estado, portanto, embora tenha assegurada pela ordem constitucional a prevalência dos
interesses em nome dos quais atua, está adstrito aos princípios constitucionais que.
Determinam a forma e os limites de sua atuação, como o princípio do devido processo legal,
do contraditório e ampla defesa, da proporcionalidade, dentre outros. Conforme se constata,
assim como ocorre com todos os princípios jurídicos, o postulado da supremacia do interesse
público não tem caráter absoluto. Alexandrino (2016, p. 251).
Poderes Administrativos
O regime jurídico-administrativo tem fundamento em dois postulados básicos (e implícitos), a
saber, o princípio da supremacia do interesse público e o princípio da indisponibilidade do
interesse público.
Do primeiro desses postulados derivam todas as prerrogativas especiais de que dispõe a
administração pública, as quais a ela são conferidas tão somente na estrita medida em que
necessárias à satisfação dos fins públicos cuja persecução o mesmo ordenamento jurídico lhe
impõe. Tais prerrogativas consubstanciam os chamados poderes administrativos.
Esses poderes são exercidos pelos administradores públicos nos termos da lei, com estrita
observância dos princípios jurídicos e respeito aos direitos e garantias fundamentais, tais como
o devido processo legal, as garantias do contraditório e da ampla defesa, a garantia da
inafastabilidade da tutela judicial etc.
De outra parte, como decorrência da indisponibilidade do interesse público, a Constituição e
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as leis impõem ao administrador público alguns deveres específicos e peculiares, preordenados
a assegurar que sua atuação efetivamente se dê em benefício do interesse público e sob controle
direto e indireto do titular da coisa pública, o povo. São esses os chamados deveres
administrativos.
Estudaremos neste capítulo os deveres e os poderes administrativos mais frequentemente
descritos pela doutrina, cabendo frisar que de forma nenhuma eles esgotam o conjunto de
restrições e de prerrogativas especiais que orientam a atuação da administração pública no
adequado desempenho de suas inúmeras atribuições. Alexandrino (2016, p. 292).
Administração pública e interesse público – administração pública tem o dever de
realizar o interesse público, mas para isso é preciso ter poderes (dever/poder) correspondentes,
é uma relação de dever/poder conforme alguns doutrinadores. São cinco os poderes:
Poder Discricionário – é a prerrogativa que a administração detém de, nos limites da lei,
optar pela medida mais conveniente e oportuna para a realização do interesse público. Há um
campo variado de ações, mas também atos vinculados, ou seja, os que estão vinculados na lei,
sem opção de serem praticados ou não. A discricionariedade ocorre nas situações em que é
possível haver uma escolha, dentro dos requisitos legais. É um juízo de conveniência e
oportunidade chamado de Mérito Administrativo. Exemplo: aposentadoria ao atingir idade
regulamentar.
Judiciário não pode conhecer quando as medidas adotadas pelo administrativo estiverem dentro
do previsto pela lei. Todavia, ainda que a decisão seja no campo discricionário, havendo um
exagero, uma exacerbação do agente administrativo em relação à sua ação e a situação, o
judiciário pode intervir.Se entende que o ato foi ilegal, logo passível de anulação. Não
confundir com revogação, pois esta se dá por atos discricionários que estão conforme a lei, mas
que por sua própria convicção, conveniência e oportunidade do administrador resolve mudar,
afastar o ato discricionário. Portanto, um ato discricionário (legal) cabe revogação, enquanto
um ato excessivo (ilegal) cabe anulação.
Poder discricionário é o conferido à administração para a prática de atos discricionários (e
sua revogação), ou seja, é aquele em que o agente administrativo dispõe de uma razoável
liberdade de atuação, podendo valorar a oportunidade e conveniência da prática do ato,
quanto ao seu motivo, e, sendo o caso, escolher, dentro dos limites legais, o seu conteúdo
(objeto).
O poder discricionário tem como núcleo a autorização legal para que o agente público decida,
nos limites da lei, acerca da conveniência e da oportunidade de praticar, ou não, um ato
administrativo e, quando for o caso, escolher o seu conteúdo. Dito de outro modo, o núcleo
essencial do poder discricionário traduz-se no denominado mérito administrativo.
Trata-se, efetivamente, de um poder conferido pela lei à administração pública: diante de um
caso concreto, a administração, nos termos e limites legalmente fixados, decidirá, segundo
seus critérios de oportunidade e conveniência administrativas, a conduta, dentre as previstas
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na lei, mais condizente com a satisfação do interesse público.
Observe-se que também tem fundamento no poder discricionário a revogação de atos
discricionários que a administração pública tenha praticado e, num momento posterior, passe
a considerar inoportunos ou inconvenientes. Alexandrino (2016, p. 296).
Poder Hierárquico – Hierarquia caracteriza-se pela existência de níveis de subordinação
entre órgãos e agentes públicos, sempre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Deve-se
frisar que subordinação só existe no âmbito de uma mesma pessoa jurídica, é estabelecida
entre agentes e órgãos de uma mesma entidade, verticalmente escalonados, como decorrência
do poder hierárquico.
Relações de natureza hierárquica, isto é, relações superior-subordinado, são típicas da
organização administrativa. Não há hierarquia, entretanto, entre diferentes pessoas jurídicas,
nem entre os Poderes da República, nem mesmo entre a administração e os administrados.
Dessa forma, podemos ter hierarquia entre órgãos e agentes no âmbito interno da
administração direta do Poder Executivo, ou hierarquia entre órgãos e agentes no âmbito
interno de uma autarquia.
Diferentemente, não pode existir hierarquia, por exemplo, entre agentes e órgãos
administrativos do Poder Legislativo, de um lado, e agentes e órgãos do Poder Executivo, de
outro. Tampouco pode haver hierarquia, ainda exemplificando, entre órgãos e agentes da
administração direta, de um lado, e entidades e agentes da administração indireta, de outro.
Cabe mencionar, de passagem, que a doutrina usa o vocábulo vinculação para se referir à
relação - não hierárquica - que existe entre a administração direta e as entidades da respectiva
administração indireta. A existência de vinculação administrativa fundamenta o controle que
os entes federados (União, estados, Distrito Federal e municípios) exercem sobre as suas
administrações indiretas, chamado de controle finalístico, tutela administrativa ou supervisão
- menos abrangente do que o controle hierárquico, porque incide apenas sobre os aspectos que
a lei expressamente preveja.
Assim, a relação entre uma secretaria e uma superintendência, no âmbito de um ministério, é
de subordinação; a relação que existe entre a União e suas autarquias, fundações públicas,
empresas públicas e sociedades de economia mista é de vinculação (ou seja, não hierárquica).
Alexandrino (2016, p. 301).
Corresponde a relação de subordinação jurídica que há entre uma autoridade pública e os
servidores de determinado órgão ou entidade. A vinculação de hierarquia é no mesmo órgão ou
entidade. Esta hierarquia não é sobre o cidadão. Se a ordem for ilegal, o subordinado tem o
dever de não a seguir. Outras formas de exercer o poder hierárquico:
Delegação – é o ato pelo qual determinada autoridade administrativa confere a outrem, nos
limites da lei, atribuições originariamente de sua esfera de competência.
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Avocação – a autoridade, nos termos da lei, traz para si o conjunto de atribuições
originariamente de competência de um órgão ou agente subordinado a si.
A avocação é o ato discricionário mediante o qual o superior hierárquico traz para si o
exercício temporário de determinada competência atribuída por lei a um subordinado. De um
modo geral, a doutrina enfatiza que a avocação de competência deve ser medida excepcional
e devidamente fundamentada. Ainda, prelecionam os principais autores que a avocação não é
possível quando se tratar de competência exclusiva do subordinado, o que nos parece
irrefutavelmente lógico. Alexandrino (2016, p. 307).
Poder Disciplinar – é uma consequência do poder hierárquico no sentido de que, se um
subordinado seu estiver cometendo um ato infracionário, deve abrir um processo administrativo
para aplicar a sanção correspondente. Outro sentido é como consequência de um vínculo
específico que haja entre a administração pública e um particular. Exemplo: contrato
administrativo entre Estado e particular, concessão de serviço público. Neste caso, o
administrador pode aplicar uma sanção. Assim, esta sanção é fruto de uma relação entre poder
público e um particular. Quando ocorre uma sanção sem vínculo entre o público e o particular
é poder de polícia.
Vínculo entre particular e Estado = PODER DISCIPLINAR = Vínculo entre subordinado e Estado
O poder disciplinar (trata-se, a rigor, de um poder-dever) possibilita à administração pública:
a) punir internamente as infrações funcionais de seus servidores; e
b) punir infrações administrativas cometidas por particulares a ela ligados mediante algum
vínculo jurídico específico (por exemplo, a punição pela administração de um particular que
com ela tenha celebrado um contrato administrativo e descumpra as obrigações contratuais
que assumiu).
Note-se que, quando a administração aplica uma sanção disciplinar a um agente público, essa
atuação decorre imediatamente do poder disciplinar e mediatamente do poder hierárquico.
Vale dizer, o poder disciplinar, nesses casos, deriva do hierárquico. Entretanto, quando a
administração pública aplica uma sanção administrativa a alguém que descumpriu um
contrato administrativo, há exercício do poder disciplinar, mas não existe liame hierárquico.
Nesses casos, o poder disciplinar não está relacionado ao poder hierárquico.
Não se deve confundir o poder disciplinar da administração pública com o poder punitivo do
Estado (jus puniendi), que é exercido pelo Poder Judiciário e diz respeito à repressão de crimes
e contravenções tipificados nas leis penais.
Toda e qualquer pessoa está sujeita ao poder punitivo do Estado, ao passo que somente as
pessoas que possuem algum vínculo jurídico específico com a administração pública (por
exemplo, vínculo funcional ou vínculo contratual) são alcançadas pelo poder disciplinar. Diz-
se que essas pessoas - sejam agentes públicos, sejam meros particulares - ligadas ao poder
público por um vínculo jurídico específico estão sujeitas à “disciplina interna" da
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administração.
A mesma distinção, aliás, se verifica a respeito do poder de polícia, à frente estudado. Com
efeito, todas as pessoas que exerçam atividadesque possam, de algum modo, acarretar risco
ou transtorno à coletividade estão sujeitas ao poder de polícia, ou seja, este decorre de um
vínculo geral entre os indivíduos e a administração pública, enquanto o poder disciplinar,
cumpre repetir, funda-se em um vínculo específico entre uma pessoa e a administração,
como se dá com um servidor público, ou com um particular que esteja executando um
contrato administrativo ou participando de um procedimento licitatório.
A doutrina costuma apontar o poder disciplinar como de exercício caracteristicamente
discricionário. Trata-se, entretanto, de uma regra geral, porque há situações, não raras, em
que a lei descreve objetivamente infrações administrativas e lhes comina penalidades como
atos vinculados, obrigatórios, de conteúdo definido e invariável.
Todavia, cabe repetir, a regra geral é o exercício do poder disciplinar comp01tar um certo
grau de discricionariedade, desde que relativa à gradação da penalidade, o que pode implicar,
dependendo do caso, até mesmo a possibilidade de ser escolhida uma ou outra dentre as
sanções que a lei estabeleça.
É mister aprofundar esse ponto. Embora exista, em regra, discricionariedade na gradação da
sanção legal a ser aplicada, nenhuma discricionariedade existe quanto ao dever de punir quem
comprovadamente tenha praticado uma infração disciplinar. Por outras palavras, quando a
administração constata que um servidor público, ou um particular que com ela possua
vinculação jurídica específica, praticou uma infração administrativa, ela é obrigada a puni-
lo; não há discricionariedade quanto a punir ou deixar de punir alguém que comprovadamente
tenha cometido uma falta disciplinar. O que pode existir é discricionariedade na graduação
da penalidade legalmente prevista (por exemplo, suspensão por cinco dias ou por oito dias),
ou mesmo no enquadramento da conduta, dependendo das circunstâncias, como infração
sujeita a uma ou outra sanção disciplinar dentre as estipuladas na lei (por exemplo,
advertência ou suspensão) - mas não há discricionariedade alguma quanto ao dever de punir
o infrator.
Por último, devemos registrar que o ato de aplicação da penalidade deverá sempre ser
motivado. Essa regra não comporta exceção: toda e qualquer aplicação de sanção
administrativa (não só as sanções disciplinares) exige motivação, sobretudo porque,
impreterivelmente, deve ser a todos assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Alexandrino (2016, p. 305).
Poder Polícia – é o poder da administração de restringir o uso de bens, a prática de atividades
e o exercício de direitos individuais que possam causar transtorno à coletividade. Polícia
administrativa, incide sobre os bens, atividades e direitos, exercido por um conjunto de órgãos
de ordens. É diferente da autoridade de polícia judiciária, de âmbito penal e incide sobre pessoas
e é exercido em forma de corporação.
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
14
Poder de que dispõe a administração pública para, na forma da lei, condicionar ou restringir
o uso de bens, o exercício de direitos e a prática de atividades privadas, visando a proteger os
interesses gerais da coletividade.
O poder de polícia é inerente à atividade administrativa. A administração pública exerce poder
de polícia sobre todas as condutas ou situações particulares que possam, direta ou
indiretamente, afetar os interesses da coletividade.
O poder de polícia é desempenhado por variados órgãos e entidades administrativos - e não
por alguma unidade administrativa específica -, em todos os níveis da Federação.
É competente para exercer poder de polícia administrativa sobre uma dada atividade o ente
federado ao qual a Constituição da República atribui competência para legislar sobre essa
mesma atividade, para regular a prática dessa atividade. Alexandrino (2016, p. 316).
O poder de polícia tem um ciclo: ordem, consentimento, fiscalização e sanção. Ordem
determina as regras que devem ser seguidas ou atendidas. Consentimento, analisar se foi
cumprido as regras necessárias. Fiscalizar se num determinado período estas regras estão sendo
respeitadas, caso contrário há sanções. É um poder indelegável para particulares e é exercido,
em regra, pela administração pública direta. Há um consenso de que este poder pode ser
delegado a Pessoas Jurídicas de Direito Público integrantes da administração pública indireta.
Há uma controvérsia, mas o STF considerou ser possível a delegação para pessoas jurídica de
direito privado da administração pública indireta exercer prestação de serviços públicos (apenas
para CONSENTIMENTO e FISCALIZAÇÃO). Obs.: os atos materiais podem ser exercidos
por particular, como instalação de radares.
Atributos do poder de polícia:
1) discricionariedade – pode haver várias sanções possíveis para uma situação
A discricionariedade no exercício do poder de polícia significa que a administração, quanto
aos atos a ele relacionados, regra geral, dispõe de uma razoável liberdade de atuação,
podendo valorar a oportunidade e conveniência de sua prática, estabelecer o motivo e
escolher, dentro dos limites legais, seu conteúdo. A finalidade de todo ato de polícia - como a
finalidade de qualquer ato administrativo - é requisito sempre vinculado e traduz-se na
proteção do interesse da coletividade.
A administração pode, em princípio, determinar, dentro dos critérios de oportunidade e
conveniência, quais atividades irá fiscalizar em um determinado momento e, dentro dos limites
estabelecidos na lei, quais sanções deverão ser aplicadas e como deverá ser feita a graduação
dessas sanções. De qualquer forma, a sanção sempre deverá estar prevista em lei e deverá
guardar correspondência e proporcionalidade com a infração verificada.
Embora a discricionariedade seja a regra no exercício do poder de polícia, nada impede que
a lei, relativamente a determinados atos ou fatos, estabeleça total vinculação da atuação
administrativa a seus preceitos. É o caso, como vimos, da concessão de licença para
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
15
construção em terreno próprio ou para o exercício de uma profissão, em que não existe para
a administração liberdade de valoração, quando o particular atenda aos requisitos legais.
2) exigibilidade – pode exigir determinados ações
3) coercibilidade ou autoexecutoriedade – consequência do não cumprimento das normas
administrativas. Obs.: cobrança de multas não são passíveis de autoexecução, pois se
contestadas, só podem ser executadas judicialmente.
Autoexecutoriedade
Na definição de Hely Lopes Meirelles, “a autoexecutoriedade consiste na possibilidade que
certos atos administrativos ensejam de imediata e direta execução pela própria Administração,
independentemente de ordem judicial".
É atributo típico do poder de polícia, presente, sobretudo, nos atos repressivos de polícia. A
administração pública precisa ter a prerrogativa de impor diretamente, sem necessidade de
prévia autorização judicial, as medidas ou sanções de polícia administrativa necessárias à
repressão de atividades lesivas à coletividade, ou que coloquem em risco a incolumidade
pública.
A obtenção de prévia autorização judicial para a prática de determinados atos de polícia é
uma faculdade da administração pública. Ela costuma recorrer previamente ao Judiciário
quando tenciona praticar atos em que seja previsível forte resistência dos particulares
envolvidos, como na demolição de edificações irregulares, embora, como dito~ seja facultativa
a obtenção de tal autorização.
Nem toda atuação de polícia administrativa, contudo, pode ser levada a termo de forma auto
executória. Exemplo consagrado de ato não autoexecutórioé a cobrança de multas
administrativas de polícia, quando resistida pelo particular. Nesse caso, a imposição da multa
é efetuada pela administração pública sem necessidade de qualquer participação do Poder
Judiciário. Entretanto, a cobrança forçada dessa multa aplicada no exercício do poder de
polícia e não paga pelo administrado somente pode ser efetivada por meio de uma ação judicial
de execução.
Não se deve confundir, em nenhuma hipótese, a dispensa de manifestação prévia do Poder
Judiciário nos atos próprios da administração pública, com restrição ao acesso do particular
ao Judiciário em caso de ameaça ou lesão a direito seu.
A autoexecutoriedade dos atos administrativos apenas permite sua execução direta pelo poder
público, mas, sempre que o administrado entenda ter havido arbítrio, desvio ou excesso de
poder, pode exercer seu direito inafastável de provocar a tutela jurisdicional, mediante a qual,
se for o caso, obterá a anulação dos atos praticados.
O Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello e a Prof.a Maria Sylvia Di Pietro prelecionam que
a autoexecutoriedade existe em duas situações: quando a lei expressamente a prevê e, mesmo
quando não expressamente prevista, em situações de urgência. A primeira das hipóteses,
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
16
entretanto, não significa que a lei literalmente afirme: "este ato é autoexecutório". Significa,
tão somente, que o ato é expressamente previsto em lei como passível de ser adotado
diretamente pela administração pública em uma situação determinada.
No outro caso - o de urgência-, a administração pode adotar um ato não previsto em lei, ou em
situação não prevista em lei, a fim de assegurar a segurança da coletividade. Transcreve-se,
para melhor entendimento, a lição de Maria Sylvia Di Pietro a respeito: No Direito
Administrativo, a autoexecutoriedade não existe, também, em todos os atos administrativos;
ela só é possível:
1. quando expressamente prevista em lei. Em matéria de contrato, por exemplo, a
Administração Pública dispõe de várias medidas autoexecutórias, como a retenção da caução,
a utilização dos equipamentos e instalações do contratado para dar continuidade à execução
do contrato, a encampação etc.; também em matéria de polícia administrativa, a lei prevê
medidas autoexecutórias, como a apreensão de mercadorias, o fechamento de casas noturnas,
a cassação de licença para dirigir;
2. quando se trata de medida urgente que, caso não adotada de imediato, possa ocasionar
prejuízo maior para o interesse público; isso acontece, também, no âmbito da polícia
administrativa, podendo-se citar, como exemplo, a demolição de prédio que ameaça ruir, o
internamento de pessoa com doença contagiosa, a dissolução de reunião que ponha em risco
a segurança de pessoas e coisas.
Por fim, é oportuno mencionar que a Prof.ª Maria Sylvia Di Pietro registra que alguns autores
desmembram a autoexecutoriedade em exigibilidade e executoriedade. Para esses
administrativistas, a exigibilidade traduz a prerrogativa de a administração pública impor
obrigações ao administrado, sem necessidade de prévia autorização judicial, enquanto a
executoriedade significa a possibilidade de a administração realizar diretamente a execução
forçada da medida que ela impôs ao administrado.
A exigibilidade está ligada ao uso de meios coercitivos indiretos, tais como a aplicação de uma
multa, ou a exigência do pagamento de multas de trânsito como condição para o licenciamento
de veículo automóvel. Na executoriedade, os meios coercitivos são diretos, autorizando o uso
da força pública, se necessário; é o que ocorre na apreensão de mercadorias, na remoção
forçada de veículo estacionado em local proibido, na interdição de um restaurante que não
atenda às normas da vigilância sanitária etc.
Consoante sintetiza a citada autora, “a exigibilidade está presente em todas as medidas de
polícia, mas não a executoriedade". Alexandrino (2016, p. 330).
Coercibilidade
O último atributo do poder de polícia, a coercibilidade, traduz-se na possibilidade de as
medidas adotadas pela administração pública serem impostas coativamente ao administrado,
inclusive mediante o emprego da força.
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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Caso o particular resista ao ato de polícia, a administração poderá valer-se da força pública
para garantir o seu cumprimento. A imposição coercitiva dos atos de polícia também independe
de prévia autorização judicial, mas está sujeita - assim como ocorre com todo e qualquer ato
administrativo - a verificação posterior quanto à legalidade, ensejando, se for o caso, a
anulação do ato e a reparação ou indenização do particular pelos danos sofridos, sempre que
se comprove ter ocorrido excesso ou desvio de poder.
Julgamos oportuno registrar que, embora a doutrina comumente aponte a autoexecutoriedade
e a coercibilidade como diferentes atributos do poder de polícia, não existe uma distinção
precisa entre um e outro, sendo eles, no mais das vezes, tratados como sinônimos. É explícita
a esse respeito a Prof.ª Maria Sylvia Di Pietro, nesta passagem, que merece transcrição:
A coercibilidade é indissociável da autoexecutoriedade. O ato de polícia só é autoexecutório
porque dotado de força coercitiva. Aliás, a autoexecutoriedade, tal como a conceituamos não
se distingue da coercibilidade, definida por Hely Lopes Meirelles como "a imposição coativa
das medidas adotadas pela Administração''.
Seja como for, é importante atentar para o fato de que muitos atos de polícia não são dotados
de coercibilidade. É o que ocorre com atos preventivos de polícia tais como a outorga de
licenças ou autorizações necessárias para o administrado exercer determinadas atividades
privadas. Alexandrino (2016, p. 331).
Poder normativo – é a atribuição genérica que possui a administração pública de
proporcionar máxima densidade normativa à legislação vigente. É sempre secundum legis,
nunca contra legen ou praeter legen. Havendo uma lacuna na lei, o administrador não poderá
exercer o poder normativo, não pode inovar, complementar a falta.
Poder regulamentar – art. 84, IV CF. Quando exercido pelo Presidente da República é
chamado de poder regulamentar, pois só ele pode criar regulamentos. Através do Decreto
autônomo, que é uma exceção à regra, o Presidente pode inovar. Exemplo: dispor sobre
organização e funcionamento da administração pública federal, desde que isso não implique em
aumento de despesa e criação ou extinção de órgão público. Outro é a extinção de cargos vagos.
Ar. 84 VI. Obs.; Ministros podem fazer por instrução.
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI - dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;(Incluída pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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08/09/16
Regulamento autorizado – Autorização legislativa para que a administração pública possa
normatizar com maior amplitude matérias de natureza técnica, que, em geral exigem
conhecimento específico e/ou científico.
Abuso de poder - Pode ser por excesso ou desvio. No excesso o agente transpassa sua
competência legal, vai além do permitido, não é necessário discutir a finalidade, já que
ultrapassa a competência. No desvio o agente foge à finalidade. Exemplo: nomeação de Lula
como Ministro para evitar sansões.
Organização da Administração Pública
AdministraçãoPública em sentido material – pessoas e entidades que realizam
atividades de interesse público como: exercício do poder de polícia, intervenção do Estado no
domínio econômico, fomento à iniciativa privada, prestação de serviços públicos (inclusive
particulares delegatários).
Administração Pública em sentido formal – toda pessoa ou entidade que o sistema
jurídico entende como tal, de acordo com a legislação brasileira. Decreto 200/67. Pode ser
administração pública direta ou indireta.
Administração Pública direta – entes federados ou entidades políticas: União, Estados,
municípios e DF.
Desconcentração administrativa consiste numa técnica de distribuição de competências
inseridas na estrutura orgânica de uma mesma entidade. Não há criação de uma nova pessoa
jurídica, todos estão vinculados ao mesmo ente havendo subordinação e hierarquia. Exemplo:
A União = Presidência da República – Ministros – coordenadorias – outros órgãos
Obs.: Órgão se refere a um feixe de competência administrativa inserida numa entidade
Quanto a hierarquia - Órgão independente: quanto à hierarquia, são aqueles que não se
subordinam a nenhum outro, tendo sua esfera de competência definida pela CF. Exemplo:
União. Os que assessoram diretamente a administração são os órgãos autônomos (Ministros).
Função de direção, exercem função de chefia são os órgãos superiores. Os demais são os
órgãos subalternos.
Administração pública indireta - Descentralização há criação de uma nova pessoa
jurídica distinta do ente que a instituiu. Criadas por Lei pelo poder executivo. Segunda
diferença: não há relação de hierarquia ao ente que a instituiu. Exemplo: UFBA, não está
subordinada ao MEC, o que há é uma tutela, uma supervisão.
Pessoa Jurídica de Direito Público (autarquias) – são criadas por lei por iniciativa do chefe
do poder executivo de um ente federado. Assim, a entidade surge quando a lei entra em vigor.
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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Tem como finalidade realizar atividades de natureza pública. As autarquias podem ser
classificadas como:
Autarquias corporativas – se subdividem em comuns ou ordinárias e em regime especial –
não existe critério específico que distinga de antemão uma autarquia comum de uma especial.
A distinção decorre da lei que irá estabelecer a extensão da autonomia da pessoa jurídica.
Exemplo: agências reguladoras. Obs.: é possível ter uma autarquia reguladora que não seja
especial.
Autarquias fundacionais – designada administração de um patrimônio para realizar fim
público.
Autarquias geográficas ou territoriais – criação de territórios federais, por meio de Lei
Complementar. Art. 18, ss2 CF. A autarquia é para utilizar a especialidade da atividade
administrativa, usar o conhecimento específico, nesta é uma exceção.
Autarquias interfederativas – Lei 11.107/05 – tem como objeto a gestão associada de serviços
públicos. Está associada a três atividades: planejamento, regulação e fiscalização dos serviços
públicos. Tem este nome por surgir de um consórcio entre entes federados. Obs.: Estas três
funções podem ser desempenhadas sem criar uma autarquia, apenas por mero convenio de
cooperação.
Para criar este tipo de autarquia é preciso passar pelo Protocolo de Intenções – qual o nome,
como vai funcionar, etc.
15/09/2016
Pessoa jurídica de direito privado – pode ser: Empresas públicas (Caixa Econômica),
Sociedades de Economia mista (BB), Fundações públicas de Direito Privado e Consórcios
Públicos de Direito Privado
Diferenças entre Empresa Pública X Sociedade de Economia mista:
Empresas públicas Sociedade de Economia mista
Composição do capital Integralmente público Majoritariamente público
Estrutura jurídica Livre S.A.
Foro processual Justiça Federal Justiça estadual
Reforma do Estado e Terceiro Setor
Agências Executivas - Decreto 2.487/98 – contrato entre poder público e autarquia - para
uma autarquia ser chamada, isto é, ser classificada como agência executiva é preciso apresentar
um plano de gestão de modo a serem estabelecidas metas de desempenho. A partir disto, o
poder público firma um contrato de gestão. Não é uma nova pessoa jurídica, apenas uma nova
classificação.
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
20
Organizações Sociais - Lei 9.637/98 - O contrato de gestão também pode ser firmado com
Pessoa jurídica de direito privado que não faz parte da administração pública, que desempenha
atividade de relevante interesse social e sem fins lucrativos, qualificada como organização
social por ato discricionário do poder público. Exemplo: saúde, educação, meio ambiente.
Quando ocorre o contrato, agentes públicos passam a integrar o controle de administração da
organização.
Organizações da sociedade civil de interesse público OSCIP - Lei 9.790/99 - Termo
de parceria firmado em ato vinculado com Pessoa Jurídica de Direito Privado, a qual não faz
parte da administração pública e desempenha atividade de relevante interesse social, sem fins
lucrativos. Não será ato discricionário como o anterior, mas ato vinculado. Qualificado como
OSCIP por ato vinculado da administração pública que atendam aos requisitos previstos em
concurso de projetos. Algumas entidades não podem ser classificadas como OSCIP: pessoas
que já sejam classificadas como organização social, religiosa, partidária, sindical, financeira,
comercial, cooperativa. Exemplo: aporte de recursos públicos, cessão de servidores públicos.
Vantagens: dispensa de licitação para contratar com o poder público. Só recebe recursos
públicos para fazer um projeto, sem facilidade de licitação ou uso de servidores. Sem agentes
públicos no Conselho de administração.
Instituições comunitárias de ensino superior - Lei 12.881/13 - Pessoa Jurídica de
Direito Privado, a qual não faz parte da administração pública e desempenha atividade de
relevante interesse social, sem fins lucrativos e contam com a participação de membros da
comunidade, estudantes, professores e funcionários em seu órgão deliberativo. Além disso, a
instituições devem realizar gestão pública e transparente de suas atividades. Assim, se habilitam
a receber recursos públicos, não querendo dizer que isso deve obrigatoriamente ocorrer.
Entidades de apoio - Lei 8.958/94 - Instituições de ensino público superior e tecnológico.
Pessoa Jurídica de Direito Privado, a qual não faz parte da administração pública, fundada por
servidores públicos, mantendo vínculo de convênio com dada instituição pública de ensino. É
uma forma de aproveitar o espaço físico já existente de um órgão.
Parceria público-privadas - Lei 13.014/04 - pode ser por concessões patrocinadas ou
administrativa. Patrocinados – prestação de serviços /obra pública destinada à coletividade.
Pode haver tarifa pública associada a uma contraprestação pecuniários do Estado. Obs. Mínimo
investimento de 20 milhões e de 5 a 35 anos prazo de concessão.
22/09/2016
Administrativa - Próprio poder público será o usuário direto de determinado serviço prestado
ou da obra realizada pelo parceiro privado. Não há cobrança de tarifa pública. Quando a tarifa
não alcança o valor mínimo contratado, o Estado completa o valor.
Serviços sociais autônomos – são pessoas jurídicas de direito privado, cuja criação é
prevista em lei, tendo como objeto o aperfeiçoamento funcional e/ou a promoção social de
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
21
determinada categoria profissional. Chamado sistema “S”: SESC, SENAC, SESI, SEBRAE.
Este sistema recebe recursos público de natureza parafiscal para cumprir seus objetivos
institucionais. Entidades que não fazem parte da administração pública em sentido formal, mas
desempenha atividade de interessesocial.
Servidor Público
É toda pessoa que exerça, ainda que provisória ou temporariamente, sem ou com remuneração,
cargo, emprego ou função pública, qualquer que seja a sua forma de provimento. A regra geral
é o concurso público para ingressar num cargo como servidor público. Exceção: cargos
comissionados que são de livre nomeação e demissíveis a qualquer tempo “ad nutum” (a
qualquer tempo). Outra exceção são cargos de natureza temporária (2 anos) justificadas em
casos de urgência ou de relevante interesse público. É um regime jurídico especial de natureza
administrativa, pois não se encaixa no estatutário e, tão pouco no regime da CLT. É feito por
um processo seletivo simplificado (exemplo: entrevista). Cargos de natureza técnica não se
aplicaria neste caso.
Edital: lei do concurso público que transmite princípios como legalidade e isonomia, devendo
ser publicado com antecedência de 60 dias antes das provas, salvo por necessidade justificável.
É possível fazer uso de psicoteste com critérios objetivos, caráter científico e ter possibilidade
de recurso.
Provimento:
Nomeação – ato de provimento originário pelo qual a pessoa ingressa em determinado cargo
ou carreira, é publicado no diário oficial. Depois da nomeação há o prazo de 30 dias para tomar
posse, período usado para inspeção médica. Na posse ocorre a investidura, assina o termo de
posse, declaração de bens, declaração de que não ocupa outro cargo/emprego público e daí tem
15 dias para entrar em exercício. Após três anos de estágio probatório e aprovado na avaliação
geral de desempenho, feita a cada ano, o funcionário ganha estabilidade. Pode perder o cargo
por: processo administrativo disciplinar, sentença judicial transitada em julgado e
indisponibilidade de recursos orçamentários para custeio de pessoal.
Promoção - ato de provimento derivado em que o servidor ingressa em outra carreira,
pressupõe uma carreira existente.
Readaptação – é o ato de provimento no qual o servidor é investido em um cargo compatível
com alguma limitação que ele possua, de natureza física ou mental. Se sofreu um acidente ou
doença, por exemplo, será relocado ou readaptado a um cargo o qual ele possa exercer.
Reintegração - reinvestidura do servidor que teve sua demissão ou exoneração anulada,
voltando, assim, ao cargo ao qual era titular. A pessoa que estiver ocupando seu lugar será
reconduzida.
Recondução - voltar a ocupar o anterior cargo.
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
22
Reversão – é a reinvestidura do servidor no cargo que ele anteriormente ocupava em duas
circunstancias: de ofício, quando perícia médica constatar que não subsiste a causa
incapacitante que o tenha afastado da função ou a pedido, no caso de aposentadoria voluntária,
desde que aja interesse da administração e que ocorra dentro do prazo de até 5 anos da data da
aposentadoria. Quem estava ocupando o seu lugar não será reconduzido, ficará como
excedente.
Reaproveitamento – quando um determinado cargo é extinto, o servidor é posto em
disponibilidade, recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço e aguardando ser
aproveitado num cargo semelhante ao que ele ocupava anteriormente.
Ascensão – Provimento pelo qual seria possível o servidor, ao atingir o último grau da carreira,
passar para outra carreira. Não existe mais
Transferência – possibilidade de o servidor ser transferido de uma unidade federativa para
outra, desde que fosse um cargo compatível com o seu. Não existe mais
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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13/10/2016 Início da V2
Agentes Públicos
Remuneração ou vencimentos – composto por dois elementos: vencimento (singular) +
vantagens pessoais. Isto não inclui as vantagens extraordinárias, que tem natureza indenizatória,
como diárias (se desloca temporariamente), auxílio transporte (usa meio próprio de transporte)
e ajuda de custo (quando se desloca de modo permanente).
O teto da remuneração da administração pública federal é o Subsídio do Ministro do STF.
Subsídio é um pagamento em bloco, sem divisões entre vencimento e vantagens, ou seja, sem
vantagens pessoais. Nos Estados o teto é o subsídio do Governador, no legislativo é o subsídio
do Deputado estadual (até 75% do que ganha um Deputado Federal) e no judiciário é o subsídio
do Desembargador do TJ (até 90,25% do que ganha um Ministro do STF). Obs.; estes
percentuais são segundo a CF, pois na prática não se aplica. Art. 37 CF. administração pública
municipal o teto é o subsídio do prefeito.
LC 35/79.
Art. 61 - Os vencimentos dos magistrados são fixados em lei, em valor certo, atendido o que
estatui o art. 32, parágrafo único.
Parágrafo único. À Magistratura de primeira instância da União assegurar-se-ão
vencimentos não inferiores a dois terços dos valores fixados para os membros de segunda
instância respectiva, assegurados aos Ministros do Supremo Tribunal Federal vencimentos
pelo menos iguais aos dos Ministros de Estado, e garantidos aos Juízes vitalícios do mesmo
grau de jurisdição iguais vencimentos.
Art. 62 - Os Ministros militares togados do Superior Tribunal Militar, bem como os
Ministros do Tribunal Superior do Trabalho, têm vencimentos iguais aos dos Ministros do
Tribunal Federal de Recursos.
Art. 63 Os vencimentos dos Desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios não serão inferiores, no primeiro
caso, aos dos Secretários de Estado, e no segundo, aos dos Secretários de Governo do Distrito
Federal, não podendo ultrapassar, porém, os fixados para os Ministros do Supremo Tribunal
Federal. Os Juízes vitalícios dos Estados têm os seus vencimentos fixados com diferença não
excedente a vinte por cento de uma para outra entrância, atribuindo-se aos da entrância mais
elevada não menos de dois terços dos vencimentos dos Desembargadores.
§ 1º Os Juízes de Direito da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios têm seus
vencimentos fixados em proporção não inferior a dois terços do que percebem os
Desembargadores e os Juízes substitutos, da mesma Justiça, em percentual não inferior a vinte
por cento dos vencimentos daqueles.
§ 2º - Para o efeito de equivalência e limite de vencimentos previstos nesse artigo, são
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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excluídas de cômputo apenas as vantagens de caráter pessoal ou de natureza transitória.
Art. 64 - Os vencimentos dos magistrados estaduais serão pagos na mesma data fixada
para o pagamento dos vencimentos dos Secretários de Estado ou dos subsídios dos membros
do Poder Legislativo, considerando-se que desater de às garantias do Poder judiciário atraso
que ultrapasse o décimo dia útil do mês seguinte ao vencido.
Sempre existiu, e ainda existe, uma grande confusão terminológica no que concerne às parcelas
integrantes da contraprestação pecuniária a que fazem jus os servidores públicos. A própria
Constituição de 1988, em vez de aclarar os conceitos, perpetuou a imprecisão, ora referindo-
se a vencimento, ora a vencimentos, ou, ainda, a remuneração.
A doutrina costuma entender vencimento como a parcela básica (há leis que se referem a
“vencimento básico”) prevista em lei como estipêndio correspondente a cada cargo público.
Autores como Hely Lopes Meirelles denominam "vencimentos" (no plural) a soma do
"vencimento" (no singular, significando “vencimento básico”) com as vantagens pecuniárias
de caráter permanente a que faz jus ao servidor. Já o conceito de remuneração varia bastante,
sendo às vezes usado em sentido amplo, às vezes em sentidoestrito, nesse caso como sinônimo
de "vencimentos”, ou seja, “vencimento básico" mais “vantagens pecuniárias permanentes".
Não pretendemos estabelecer uma conceituação definitiva, nem consideramos isso possível.
No presente tópico utilizaremos as definições expressas na Lei 8.112/1990; mencionaremos,
também, alguns dispositivos da Lei 8.852/1994. Alexandrino (2016, p. 473).
O art. 40 da Lei 8.112/1990 define “vencimento” como a retribuição pecuniária pelo exercício
de cargo público, com valor fixado em lei. Por sua vez, o art. 41 da Lei 8.112/1990 conceitua
"remuneração" como a soma do vencimento com as vantagens pecuniárias permanentes
estabelecidas em lei. A remuneração não pode ser inferior a um salário mínimo (art. 41, § 5.
0). A Lei 8.112/1990 não alude a “vencimentos” (no plural) como sinônimo de “remuneração”,
isto é, como “vencimento básico” mais “vantagens pecuniárias permanentes".
Embora a Lei 8.112/1990 não explique, costuma-se entender "vantagens pecuniárias
permanentes" como aquelas relacionadas ao exercício ordinário das atribuições do cargo.
Diferentemente, se a vantagem é paga ao servidor de forma pontual, porque ele exerceu o seu
cargo em condições não ordinárias, ela não será uma vantagem permanente e, portanto, não
integra a remuneração.
Exemplo bastante simples é o das indenizações. Vejam-se as diárias (art. 51, II): recebe diária
o servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório para outro
ponto do território nacional, ou para o exterior. A diária visa a indenizar as parcelas de
despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção urbana do servidor durante
o seu deslocamento. É evidente que se trata de vantagem decorrente de uma situação não
ordinária. A diária - assim como qualquer indenização - não integra a remuneração, porque
não tem caráter permanente. Alexandrino (2016, p. 474).
Outro exemplo singelo é o do adicional pela prestação de serviço extraordinário (art. 61, V).
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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Esse adicional corresponde à hora-extra do trabalhador regido pela legislação trabalhista. É
evidente que tal adicional só é pago quando o servidor exerce suas atribuições além da jornada
legal, ou seja, de forma não ordinária - aliás, o próprio nome do adicional literalmente afirma
o seu caráter extraordinário.
O adicional de serviço extraordinário, portanto, não integra a remuneração. Alertamos que
identificar com precisão as vantagens que devem ser consideradas "vantagens pecuniárias
permanentes" não é tarefa fácil. A bem da verdade, segundo pensamos, trata-se de missão
impossível. Seja como for, no plano conceitual, vale repetir, podem elas ser definidas como as
vantagens relacionadas ao exercício ordinário das atribuições do cargo. Alexandrino (2016,
p. 475).
É possível que o vencimento básico do funcionário seja abaixo do salário mínimo, segundo
STF, contanto que a remuneração (vencimentos) não seja menor.
Sanção disciplinar
Lei 8.027/90 Art. 1º Para os efeitos desta lei, servidor público é a pessoa legalmente investida
em cargo ou em emprego público na administração direta, nas autarquias ou nas fundações
públicas.
Art. 8º § 3º Os atos de advertência, suspensão e demissão mencionarão sempre a causa da
penalidade.
Advertência – Hierarquia (acima): aplicada para relação hierárquica. A reincidência da
advertência pode resultar em suspensão, mas isto depende do ato discricional, processo
administrativo, etc. Colegas (lateral): recusa ou ineficácia proposital, manifestar desapreço na
repartição (manifestação política, religiosa, etc.). Subordinado (abaixo): tentativas de
aliciamento político ao subordinado. Se houver subordinado àquele funcionário, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau em cargo de confiança, também gera advertência.
Art. 3º São faltas administrativas, puníveis com a pena de advertência por escrito:
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do superior imediato;
II - recusar fé a documentos públicos;
III - delegar a pessoa estranha à repartição, exceto nos casos previstos em lei, atribuição que
seja de sua competência e responsabilidade ou de seus subordinados.
Art. 8º § 4º A penalidade de advertência converte-se automaticamente em suspensão, por trinta
dias, no caso de reincidência.
Suspensão – Atribuição de competência indelegável a outrem: pode ser aplicado sanção ou
suspensão (isto é um ato discricionário) no caso de reincidência e recusar realizar inspeção
médica (15 dias). A suspensão pode durar até 90 dias, mas pode ser convertido em multa, neste
caso o funcionário trabalha e recebe apenas a metade da remuneração.
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Notas de aulas André Teles
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Art. 4º São faltas administrativas, puníveis com a pena de suspensão por até 90 (noventa) dias,
cumulada, se couber, com a destituição do cargo em comissão:
I - retirar, sem prévia autorização, por escrito, da autoridade competente, qualquer documento
ou objeto da repartição;
II - opor resistência ao andamento de documento, processo ou à execução de serviço;
III - atuar como procurador ou intermediário junto a repartições públicas;
IV - aceitar comissão, emprego ou pensão de Estado estrangeiro, sem licença do Presidente da
República;
V - atribuir a outro servidor público funções ou atividades estranhas às do cargo, emprego ou
função que ocupa, exceto em situação de emergência e transitoriedade;
VI - manter sob a sua chefia imediata cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau
civil;
VII - praticar comércio de compra e venda de bens ou serviços no recinto da repartição, ainda
que fora do horário normal de expediente.
Parágrafo único. Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão
poderá ser convertida em multa, na base de cinquenta por cento da remuneração do servidor,
ficando este obrigado a permanecer em serviço.
Art. 8º § 5º A aplicação da penalidade de suspensão acarreta o cancelamento automático do
valor da remuneração do servidor, durante o período de vigência da suspensão.
Demissão – se o servidor for “ladrão”, “louco”, “improbo” ou “vagal”. “Ladrão”: Crime contra
a administração pública, corrupção, vantagem indevida, etc. “Louco”: conduta escandalosa,
ofensa e agressão física, insubordinação grave em relação ao superior hierárquico. “Improbo”:
improbidade administrativa, são três: danos ao erário – pode ser culposo (a punição prescreve,
mas a ação de ressarcimento contra o agente é imprescritível); enriquecimento ilícito e violação
aos princípios da administração pública. “Vagal”: desidioso, “turista”, faltar 60 dias
intercalados em 12 meses sem justificativa
Art. 8º § 6º A demissão ou a destituição de cargo em comissão incompatibiliza o ex-servidor
para nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de cinco anos.
Art. 5º São faltas administrativas, puníveis com a pena de demissão, a bem do serviço público:
I - valer-se, ou permitir dolosamente que terceiros tirem proveito de informação, prestígio ou
influência, obtidos em função do cargo, para lograr, direta ou indiretamente, proveito pessoal
ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública;
II - exercer comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como acionista, cotista ou
comanditário;
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Notas de aulas André Teles
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III - participar da gerência ou da administração de empresa privada e, nessa condição,
transacionar com o Estado;
IV - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares;
V - exercer quaisquer atividades incompatíveis com o cargo ou a função pública, ou,ainda,
com horário de trabalho;
VI - abandonar o cargo, caracterizando-se o abandono pela ausência injustificada do servidor
público ao serviço, por mais de trinta dias consecutivos;
VII - apresentar inassiduidade habitual, assim entendida a falta ao serviço, por vinte dias,
interpoladamente, sem causa justificada no período de seis meses;
VIII - aceitar ou prometer aceitar propinas ou presentes, de qualquer tipo ou valor, bem como
empréstimos pessoais ou vantagem de qualquer espécie em razão de suas atribuições.
Parágrafo único. A penalidade de demissão também será aplicada nos seguintes casos:
I - improbidade administrativa;
II - insubordinação grave em serviço;
III - ofensa física, em serviço, a servidor público ou a particular, salvo em legítima defesa
própria ou de outrem;
IV - procedimento desidioso, assim entendido a falta ao dever de diligência no cumprimento
de suas atribuições;
V - revelação de segredo de que teve conhecimento em função do cargo ou emprego.
Art. 6º Constitui infração grave, passível de aplicação da pena de demissão, a acumulação
remunerada de cargos, empregos e funções públicas, vedada pela Constituição Federal,
estendendo-se às autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e fundações mantidas pelo Poder Público.
Art. 7º Os servidores públicos civis são obrigados a declarar, no ato de investidura e sob as
penas da lei, quais os cargos públicos, empregos e funções que exercem, abrangidos ou não
pela vedação constitucional, devendo fazer prova de exoneração ou demissão, na data da
investidura, na hipótese de acumulação constitucionalmente vedada.
§ 1º Todos os atuais servidores públicos civis deverão apresentar ao respectivo órgão de
pessoal, no prazo estabelecido pelo Poder Executivo, a declaração a que se refere o caput deste
artigo.
§ 2º Caberá ao órgão de pessoal fazer a verificação da incidência ou não da acumulação
vedada pela Constituição Federal.
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Notas de aulas André Teles
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§ 3º Verificada, a qualquer tempo, a incidência da acumulação vedada, assim como a não
apresentação, pelo servidor, no prazo a que se refere o § 1º deste artigo, da respectiva
declaração de acumulação de que trata o caput, a autoridade competente promoverá a
imediata instauração do processo administrativo para a apuração da infração disciplinar, nos
termos desta lei, sob pena de destituição do cargo em comissão ou função de confiança, da
autoridade e do chefe de pessoal.
Art. 8º Pelo exercício irregular de suas atribuições o servidor público civil responde civil, penal
e administrativamente, podendo as cominações civis, penais e disciplinares cumular-se, sendo
umas e outras independentes entre si, bem assim as instâncias civil, penal e administrativa.
§ 1º Na aplicação das penas disciplinares definidas nesta lei, serão consideradas a natureza e
a gravidade da infração e os danos que dela provierem para o serviço público, podendo
cumular-se, se couber, com as cominações previstas no § 4º do art. 37 da Constituição.
§ 2º A competência para a imposição das penas disciplinares será determinada em ato do
Poder Executivo.
§ 3º Os atos de advertência, suspensão e demissão mencionarão sempre a causa da penalidade.
§ 4º A penalidade de advertência converte-se automaticamente em suspensão, por trinta dias,
no caso de reincidência.
§ 5º A aplicação da penalidade de suspensão acarreta o cancelamento automático do valor da
remuneração do servidor, durante o período de vigência da suspensão.
§ 6º A demissão ou a destituição de cargo em comissão incompatibiliza o ex-servidor para nova
investidura em cargo público federal, pelo prazo de cinco anos.
§ 7º Ainda que haja transcorrido o prazo a que se refere o parágrafo anterior, a nova
investidura do servidor demitido ou destituído do cargo em comissão, por atos de que tenham
resultado prejuízos ao erário, somente se dará após o ressarcimento dos prejuízos em valor
atualizado até a data do pagamento.
§ 8º O processo administrativo disciplinar para a apuração das infrações e para a aplicação
das penalidades reguladas por esta lei permanece regido pelas normas legais e regulamentares
em vigor, assegurado o direito à ampla defesa.
§ 9º Prescrevem:
I - em dois anos, a falta sujeita às penas de advertência e suspensão;
II - em cinco anos, a falta sujeita à pena de demissão ou à pena de cassação de aposentadoria
ou disponibilidade.
§ 10. A falta, também prevista na lei penal, como crime, prescreverá juntamente com este.
Art. 9º Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na
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Notas de aulas André Teles
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ativa, falta punível com demissão, após apurada a infração em processo administrativo
disciplinar, com direito à ampla defesa.
Parágrafo único. Será igualmente cassada a disponibilidade do servidor que não assumir no
prazo legal o exercício do cargo ou emprego em que for aproveitado.
Art. 10. Essa lei entra em vigor na data de sua publicação.
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Questões
Simulado de Direito Administrativo, elaborado pelo professor Luis Gustavo Menezes, da LFG
1) De acordo com a Lei Geral de Licitações, assinale, dentre as alternativas, aquela que não
representa um caso de dispensa de licitação:
a) contratação de uma obra no valor de R$ 12.500,00
b) contratações em caso de guerra ou grave perturbação da ordem
c) contratação de artista consagrado pela opinião pública
d) aquisição de bens ou serviços nos termos de acordo internacional específico aprovado pelo
Congresso Nacional, quando as condições ofertadas forem manifestamente vantajosas para o
Poder Público.
2) O processo através do qual a Administração Pública transfere a titularidade e a execução
de determinados serviços através de lei é denominado:
a) desconcentração administrativa
b) descentralização por serviço
c) descentralização política
d) descentralização por colaboração
3) Constitui uma exceção constitucional ao princípio da organização legal do serviço público:
a) extinção de cargo público vago
b) criação de órgãos públicos
c) extinção de órgãos públicos vagos
d) criação de cargo público
4) Segundo jurisprudência do STJ, das etapas que constituem o ciclo de polícia, poderão ser
delegadas a pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da estrutura da Administração
Pública, as seguintes etapas:
a) ordem e consentimento
b) consentimento e fiscalização
c) fiscalização e sanção
d) ordem e sanção
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Notas de aulas André Teles
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5) Não constitui exemplo de ato administrativo irrevogável, segundo doutrina administrativa
majoritária:
a) licença para exercer certa atividade
b) ato que gera direito adquirido
c) ato pendente
d) ato consumado
6) João, motorista concursado da Caixa Econômica Federal, colidiu com veículo oficial com
um veículo particular, causando, consequentemente, danos a este particular. Segundo
a jurisprudência, a responsabilidade civil da empresa pública e do João, será,
respectivamente:
a) objetiva e subjetiva
b) objetiva e objetiva
c) subjetiva e subjetiva
d) subjetiva e objetiva
7) Segundo a jurisprudência do STF, o dispositivo constitucional previsto no art. 37, VII, sobre
o direito de greve dos servidores públicos, constitui uma norma de:
a) eficácia plena
b) eficácia limitada, dependente de lei ordinária
c)eficácia limitada, dependente de lei complementar
d) eficácia contida
8) Não constitui direito integrante da seguridade social dos servidores públicos, nos termos da
lei 8.112/90:
a) licença para tratamento de saúde
b) licença gestante
c) licença para tratar de doença em pessoa da família
d) licença por acidente de serviço
9) Dentre as modalidades de licitação previstas na Lei 8.666/93, aquela que se destaca por
exigir habilitação preliminar dos concorrentes é:
a) convite
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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b) pregão
c) concorrência
d) tomada de preço
10) Nos termos da Constituição Federal, constitui acumulação ilícita a percepção de proventos
da aposentadoria de médico em hospital público municipal com a remuneração de:
a) Deputado Federal
b) Médico em hospital público estadual
c) Secretário Municipal de Saúde
d) Assistente administrativo de hospital federal
11) Não constitui requisito do serviço público adequado, nos termos da Lei 8.987/95:
a) Desconcentração
b) Regularidade
c) Segurança
d) Modicidade de tarifas
12) Das formas de provimento, previstas no Estatuto Federal, não possui previsão
constitucional:
a) Promoção
b) Readaptação
c) Reintegração
d) Aproveitamento
13) Sobre os poderes administrativos, julgue os itens abaixo:
I – O poder disciplinar sempre representa uma consequência do poder hierárquico.
II – O poder regulamentar permite que o chefe do Poder Executivo inove o ordenamento
jurídico vigente.
III – As manifestações decorrentes do exercício do poder de polícia são sempre dotadas de
autoexecutoriedade.
a) somente I é correto
b) somente II é correto
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Notas de aulas André Teles
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c) somente III é correto
d) todos estão incorretos
14) O ato administrativo que concluiu seu ciclo de formação, mas que possui um de seus
requisitos em desacordo com a lei, apesar de estar produzindo seus efeitos, é classificado
como:
a) perfeito, válido e eficaz
b) imperfeito, inválido e eficaz
c) perfeito, inválido e eficaz
d) perfeito, inválido e consumado
15) O julgamento das contas do Presidente da República, segundo os preceitos constitucionais,
compete a(o):
a) Tribunal de Contas da União
b) Congresso Nacional
c) Senado Federal
d) Câmara dos Deputados
16) De acordo com as normas gerais de processo administrativo federal, dispostas na Lei
9.784/99, prescinde de motivação o ato que:
a) declare inexigibilidade de licitação
b) decida sobre recursos administrativos
c) convalide ato administrativo
d) concorde com relatórios oficiais
17) Não pode ser considerada uma diferença entre empresa pública e sociedade de economia
mista:
a) forma societária
b) formação do capital
c) regime de pessoal
d) foro processual
18) Segundo a melhor doutrina administrativa, não retrata uma característica dos contratos
administrativos a seguinte alternativa:
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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a) presença de cláusulas exorbitantes estabelecendo privilégios para as partes
b) natureza intuitu personae
c) natureza de contrato de adesão
d) em regra, são comutativos
19) Assinale a infração punível com a demissão, nos termos da Lei 8.112/90:
a) conduta escandalosa na repartição
b) exercer atividade incompatível com o cargo
c) recursar fé a documento público
d) falta leve em serviço
20) Não constitui característica da concessão de serviço público:
a) delegação contratual da execução do serviço.
b) necessidade de licitação.
c) responsabilidade subjetiva do concessionário.
d) permanecer o Poder Público sempre com a titularidade do serviço.
21) Com relação aos princípios e normas que regem a administração pública brasileira,
assinale a opção correta.
a) A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso de
provas ou de provas e títulos, de acordo com a sua natureza e complexidade, por brasileiros
que preencham os requisitos estabelecidos em lei, sendo vedado aos estrangeiros na forma da
lei.
b) A proibição constitucional de acumular cargos públicos alcança os servidores de autarquias
e fundações públicas, mas não os empregados de empresas públicas e sociedades de economia
mista e excepciona tal regra em algumas situações, entre as quais o exercício de dois cargos
de médico, alcançando os demais profissionais da saúde.
c) Existe uma proibição relativa de acumular cargos, empregos e funções públicas.
d) O prazo de validade do concurso público é de dois anos, podendo ser prorrogado uma única
vez por igual período.
22) Os atos administrativos eivados de vício de formação produzem efeitos jurídicos até o
momento de sua extinção, através da:
a) anulação
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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b) cassação
c) revogação
d) convalidação
23) Nos termos da Lei 8.429/92, o agente público que deixar de praticar ato de ofício, estará
sujeito à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de:
a) 3 a 5 anos
b) 5 a 8 anos
c) 8 a 10 anos
d) 5 a 10 anos
24) Um prédio público abandonado, onde se encontrava instalada uma repartição pública é
classificado como:
a) bem dominical
b) bem de uso comum
c) bem de domínio público
d) bem de uso especial
25) O conceito orgânico de Administração Pública refere-se:
a) a uma das funções típicas dos três Poderes
b) ao mesmo conceito, no seu sentido material
c) ao mesmo conceito, no seu sentido objetivo
d) ao conjunto de órgão, agentes e entidades que compõem sua estrutura
26) Levando-se em conta as regras do regime disciplinar do servidor público, analise os itens
abaixo:
I – A prática de ato administrativo com desvio de poder, uma das modalidades do abuso de
poder, pode constituir-se em uma situação de inelegibilidade do servidor autor do ato viciado.
II – A responsabilidade administrativa do servidor será afastada caso a sentença penal
absolutória conclua pela ausência de tipicidade penal na conduta.
III – A responsabilidade civil do servidor não prescinde da ocorrência de dano ou prejuízo.
a)somente I é correto
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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b)somente II é correto
c)somente III é correto
d)há dois itens corretos
27) Sobre os servidores públicos e a disciplina constitucional aplicável ao tema, analise os
itens abaixo:
I – O princípio concursivo é aplicável a todos os cargos e empregos públicos, integrantes da
Administração Pública Direta e Indireta.
II – Como regra, é proibida a acumulação de cargos, empregos e funções, no âmbito da
Administração Pública, Direta e Indireta, em nível federal, estadual, distrital e municipal.
III – Não prescinde de aprovação prévia em concurso público a contratação temporária, em
virtude de necessidade excepcional de interesse público.
a)somente I é correto
b)somente II é correto
c)somente III é correto
d)todos estão incorretos
28) Julgue os itens abaixo, de acordo com a Lei 8.429/92:
I – A perda da função pública e dos direitos políticos só se efetivará após sentença com trânsito
em julgado.
II - Realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou
aceitar garantia insuficiente ou inidônea é classificado como ato de improbidade que atenta
contra os princípios do Direito Administrativo.
III – A referida norma legal estabelece uma lista numerus apertus de hipóteses que são
enquadradas como atos de improbidade administrativa.
a)somente I é correto
b)somente IIé correto
c)somente III é correto
d)todos estão incorretos
29) Segundo a classificação tradicional, adotada por Hely Lopes Meirelles, podemos
classificar o Tribunal de Contas da União e a Secretaria Estadual de Fazenda,
respectivamente, como:
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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a)Entes: independente e autônomo
b)Órgãos: autônomo e independente
c)Órgãos: independente e superior
d)Órgãos: independente e autônomo
30) O fato de o Direito Administrativo integrar o ramo do Direito Público possui como
fundamento básico o princípio da(o):
a)Legalidade
b)Supremacia do interesse público sobre o particular
c)Impessoalidade
d)Autotutela
GABARITO
1-C - 2-B - 3-A - 4-B - 5-C - 6-A - 7-B - 8-C - 9-C - 10-D - 11-A -
12-B - 13-B - 14-C - 15-B - 16-D - 17-C - 18-A - 19-A - 20-C - 21-C -
22-A
1 - A Administração tem que exercer a atividade administrativa de acordo com os objetivos
legais. Aqui, estão representados os princípios:
a) da legalidade e da finalidade.
b) da moralidade e da publicidade.
c) da eficiência e da impessoalidade.
d) da finalidade e da oficialidade.
2 - O princípio da legalidade explicita a subordinação da Administração Pública à lei. Tal
princípio deriva:
a) do controle administrativo de seus próprios atos.
b) do controle judicial dos atos administrativos.
c) da indisponibilidade do interesse público. (Você acertou)
d) do princípio da hierarquia.
3 - De acordo com o princípio da especialidade:
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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a) as entidades estatais podem abandonar, alterar ou modificar os objetivos para os quais
foram constituídas.
b) a administração poderá rever seus próprios atos. (Sua resposta)
c) as entidades estatais não podem abandonar, alterar ou modificar os objetivos para os quais
foram constituídas.
d) Nenhuma alternativa está correta.
4 - O dever da Administração de justificar seus atos, apontando-lhes os fatos e fundamentos
jurídicos do ato decorre, especificamente, do princípio:
a) da legalidade.
b) da motivação.
c) da publicidade. (Sua resposta)
d) da moralidade.
5 - Em Direito Administrativo vigora o princípio da publicidade. Assinale a situação abaixo
que permite o sigilo dos atos administrativos.
a) conveniência para o agente praticante do ato administrativo. (Sua resposta)
b) atos administrativos praticados em desamparo legal.
c) quando for imprescindível à segurança da Sociedade e do Estado.
d) Todas as alternativas estão corretas.
6 - Com relação aos princípios que regem a Administração Pública é CORRETO afirmar:
a) o princípio da legalidade comporta exceção no caso de ato discricionário.
b) o desvio de finalidade implica em ofensa ao princípio da publicidade.
c) a inobservância ao princípio da proporcionalidade, acarreta também a ofensa ao princípio
da razoabilidade.
d) os princípios administrativos aplicam-se apenas às esferas Estaduais do Poder Executivo.
(Sua resposta)
7 - São princípios constitucionais controladores da atuação na Administração Pública:
a) legalidade, impessoalidade, eficiência e conveniência.
b) moralidade, revogabilidade, pessoalidade, publicidade e motivação.
c) legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e conveniência. (Sua resposta)
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d) Nenhuma das opções é correta.
8 - A atuação administrativa não pode contrariar, além da lei, a moral, os bons costumes, a
honestidade, os deveres de boa administração, sob pena de ofensa ao princípio da:
a) moralidade. (Você acertou)
b) publicidade.
c) impessoalidade.
d) Nenhuma das alternativas está correta.
9 - A ideia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações,
benéficas ou detrimentosas, é referente ao princípio da:
a) impessoalidade.
b) publicidade.
c) moralidade.
d) eficiência. (Sua resposta)
10 - Pelo princípio do devido processo legal:
a) permite-se à Administração Pública que proceda contra certa pessoa passando diretamente
à decisão que repute cabível.
b) são assegurados o contraditório e a ampla defesa aos administrados.
c) é assegurada a não desapropriação de seus bens.
d) Todas as respostas estão corretas. (Sua resposta)
11 - A Administração Pública deve obediência ao que lhe é prescrito, sendo-lhe vedada
aplicação retroativa de nova interpretação de uma norma administrativa. O disposto é
estabelecido pelo princípio da:
a) razoabilidade. (Sua resposta)
b) segurança jurídica.
c) proporcionalidade.
d) impessoalidade.
12 - A emenda constitucional nº 19/98, conhecida como emenda da reforma administrativa,
dispôs sobre os princípios da Administração Pública incluindo entre os anteriormente
constitucionalizados o princípio da:
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a) impessoalidade.
b) publicidade.
c) legalidade. (Sua resposta)
d) eficiência.
13 - Do princípio da publicidade decorre o direito à informação, interesse que o administrado
tem como garantia jurisdicional. Para garantir esse direito o administrado poderá valer-se do:
a) habeas corpus.
b) habeas data. (Você acertou)
c) mandado de segurança.
d) mandado de injunção.
14 - A Administração Pública tem direito de modificar, unilateralmente, relações jurídicas
estabelecidas, em face:
a) da supremacia do interesse público sobre o privado.
b) do princípio da moralidade. (Sua resposta)
c) do princípio da continuidade dos serviços públicos.
d) do princípio da legalidade.
15 - Se a autoridade competente declara de utilidade pública para fins de expropriação bem
de inimigo político, visando afrontá-lo, embora invocando motivo de interesse público,
caracteriza-se:
a) o exercício de poder discricionário.
b) desvio de poder ou de finalidade.
c) exercício de poder político, insuscetível de controle judicial.
d) excesso de poder.
16 - Se o ato administrativo estiver viciado pelo desvio de poder, por falta do elemento relativo
à finalidade de interesse público, atingirá o princípio da:
a) publicidade.
b) moralidade.
c) legalidade.
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Notas de aulas André Teles
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d) impessoalidade.
17 - O ato administrativo é imposto ao administrado, independente da sua anuência, pela
prerrogativa da Administração da:
a) presunção de legitimidade.
b) autoexecutoriedade.
c) exigibilidade.
d) legalidade. (Sua resposta)
18 - A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial. Tal prerrogativa da Administração decorre do princípio da:
a) autotutela.
b) autoexecutoriedade.
c) finalidade. (Sua resposta)
d) motivação.
19 -Quando a autoridade remove servidor para localidade remota, com o intuito de puni-lo:
a) age dentro de suas atribuições.
b) não está obrigada a instaurar processo administrativo.
c) utiliza-se do poder hierárquico.
d) incorre em desvio de poder. (Você acertou)
20 - A prerrogativa atribuída à Administração Pública para invadir materialmente a esfera
jurídica dos particulares, sem ir previamente ao Poder Judiciário é característica da:a) presunção de validade.
b) imperatividade.
c) autoexecutoriedade.
d) exigibilidade.
21 - Em razão de nulidade constatada em concurso público, diversos servidores que
trabalhavam com a expedição de certidões em repartição estadual tiveram suas nomeações e
respectivos atos de posse anulados, embora não tivessem dado causa à nulidade do certame.
Em vista dessa situação, as certidões por eles emitidas
Direito Administrativo I – Professor Gustavo – 2016/2
Notas de aulas André Teles
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a) não podem ser atribuídas ao ente estatal, sendo nulas de pleno efeito, em face da teoria da
usurpação de poder.
b) são consideradas válidas, ressalvada a existência de outros vícios na sua produção, o que
se explica pela teoria do órgão ou da imputação.
c) são anuláveis, desde que os interessados exerçam a faculdade de impugná-las.
d) são consideradas inválidas, o que se explica pela teoria dos motivos determinantes.
e) são consideradas inexistentes, visto que sua produção se deu sem um dos elementos
essenciais do ato administrativo, a saber, o agente competente.
GABARITO
1 - A resposta certa é a letra a. Só se cumpre a legalidade quando se atende à sua finalidade.
Atividade administrativa desencontrada com o fim legal é inválida e por isso juridicamente
censurável.
2 - A resposta certa é a letra c. Os interesses públicos são qualificados como próprios da
coletividade – internos ao setor público, não se encontram à livre disposição de quem quer que
seja, por serem inapropriáveis. O próprio órgão administrativo que os representa não tem
disponibilidade (princípio da indisponibilidade) sobre eles, no sentido de que lhe incumbe
apenas curá-los – o que é também um dever – na estrita conformidade do que predispuser a
intentio legis (princípio da legalidade).
3 - A resposta certa é a letra c. Em razão do princípio da especialidade, as entidades estatais
não podem abandonar, alterar ou modificar os objetivos para os quais foram constituídas.
4 - A resposta certa é a letra b. O princípio da motivação é reclamado quer como afirmação
do direito político dos cidadãos ao esclarecimento do "porquê" das ações de quem gere
negócios que lhes dizem respeito por serem titulares últimos do poder, quer como direito
individual a não se assujeitarem a decisões arbitrárias, pois só têm que se conformar às que
forem ajustadas às leis.
5 - A resposta certa é a letra c. Na esfera administrativa o sigilo é permitido quando
"imprescindível à segurança da Sociedade e do Estado" (art. 5º, XXXIII, CF).
6 - A resposta certa é a letra c. Pelo princípio da proporcionalidade as competências
administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais
ao que sejam realmente demandados para cumprimento da finalidade de interesse público a
que estão atreladas. Atos cujos conteúdos ultrapassem o necessário para alcançar o objetivo
que justifica o uso da competência ficam maculados de ilegitimidade. Ferindo o princípio da
proporcionalidade fere-se, também, o princípio da razoabilidade, por ser derivado deste.
7 - A resposta certa é a letra d. A conveniência e a revogabilidade não são princípios
controladores da atuação da Administração Pública.
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8 - A resposta certa é a letra a. A atuação administrativa não pode contrariar, além da lei, a
moral, os bons costumes, a honestidade, os deveres de boa administração, sob pena de ofensa
ao princípio da moralidade.
9 - A resposta certa é a letra a. A ideia de que a Administração tem que tratar a todos os
administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas, é referente ao princípio da
impessoalidade.
10 - A resposta certa é a letra b. Dispõe o art. 5º, LIV e LV, da CF: "Ninguém será privado da
liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa,
com os meios e recursos a ela inerentes".
11 - A resposta certa é a letra b. Pelo princípio da segurança jurídica firmou-se o correto
entendimento de que orientações firmadas pela Administração em dada matéria não podem,
sem prévia e pública notícia, ser modificadas em casos concretos para fins de sancionar,
agravar a situação dos administrados ou denegar-lhes pretensões.
12 - A resposta certa é a letra d. A EC nº 19/98 veio acrescentar o princípio da eficiência ao
art. 37 da Constituição Federal. Tal princípio estabelece à Administração o dever de agir de
acordo com a lei da melhor forma possível na busca da satisfação do interesse público.
13 - A resposta certa é a letra b. O art. 5º, LXXII, da CF, garante o habeas data para assegurar
judicialmente o conhecimento de informações relativas ao impetrante que constem de registros
ou banco de dados de entidades governamentais ou de âmbito público, bem como para
retificação de dados que neles estejam armazenados.
14 - A resposta certa é a letra a. Da supremacia do interesse público sobre o privado resulta,
em prol da Administração, a possibilidade, nos termos da lei, de constituir terceiros em
obrigações mediantes atos unilaterais. Tais são atos imperativos como quaisquer atos do
Estado e trazem consigo a decorrente exigibilidade, traduzida na previsão legal de sanções ou
providências indiretas que induzam o administrado a acatá-los.
15 - A resposta certa é a letra b. O princípio da finalidade impõe que o administrador, ao
manejar as competências postas a seu encargo, atue com rigorosa obediência à finalidade de
cada qual. Cumpre-lhe cingir-se não apenas à finalidade própria de todas as leis, que é o
interesse público, mas também à finalidade específica abrigada na lei a que esteja dando
execução. Se utilizar uma lei como suporte para a prática de ato desconforme com sua
finalidade é desvio de poder ou desvio de finalidade, ensejando a nulidade do ato.
16 - A resposta certa é a letra c. O princípio da finalidade é uma inerência ao princípio da
legalidade, aquele está contido neste, pois corresponde à aplicação da lei nos seus exatos
termos.
17 – A resposta certa é a letra c. Da supremacia do interesse público sobre o privado resulta,
em prol da Administração, a possibilidade, nos termos da lei, de constituir terceiros em
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obrigações mediantes atos unilaterais. Tais são atos imperativos como quaisquer atos do
Estado e trazem consigo a decorrente exigibilidade, traduzida na previsão legal de sanções ou
providências indiretas que induzam o administrado a acatá-los.
18 - A resposta certa é a letra a. Também por força desta posição de supremacia do interesse
público reconhece-se à Administração a possibilidade de revogar os próprios atos
inconvenientes ou inoportunos, conquanto dentro de certo limites (princípio da autotutela).
19 - A resposta certa é a letra d. A hierarquia observada na Administração não confere ao
administrador a utilizar a lei como melhor reputar. Deve, portanto, utilizá-la para o alcance
de seus fins.
20 - A resposta certa é a letra c. A autoexecutoriedade é a qualidade pela qual o Poder Público
pode compelir materialmente o administrado, sem precisar buscar previamente as vias
judiciais, ao cumprimento da obrigação que impôs.
21 - A resposta certa é a letra B. Funcionário de fato - investidura irregular no cargo, emprego
ou função. Consequências:
• Investidura e posse nulas;
• O agente faz jus à remuneração relativa ao período trabalhado e aos depósitos do FGTS (pois
a CR/88 não protege o trabalho gratuito).
Quanto aos atos praticados por ele, há duas situações:
a) A situação tem aparência de legalidade (TEORIA DA APARÊNCIA): o ato é mantidoválido,
em prol da segurança jurídica, protegendo o destinatário de boa-fé do ato. Fundamento:
Teoria do Órgão ou da Imputação.
b) A situação demonstra evidente incompetência do agente (TEORIA DA EVIDÊNCIA): o ato
é nulo.
ATENÇÃO! A situação “a” não se aplica ao usurpador de função pública (indivíduo que
assume o exercício de função pública por conta própria, seja dolosamente ou com boa-fé).
Nesse caso, os atos por ele praticados serão considerados nulos (doutrina majoritária)
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03/11/2016
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Serviço Público
Conceito - É a atividade administrativa que proporciona utilidade ou comodidade material a
população em geral, sujeitando-se ao regime jurídico de direito público, podendo ser prestado
pelo Estado ou particulares delegatários nos termos da CF.
Classificação - Implica na prestação de um serviço, podendo ser classificado como uti
universi ou uti singuli. O primeiro, sendo o usuário indeterminado e não podendo dividir a
prestação, o seja, não há como determinar quem ou quanto cada um se beneficiou daquele
serviço. Exemplo: iluminação pública. O segundo é individualizável, é possível estabelecer
quanto cada pessoa está usando do serviço. Exemplo: uso da energia elétrica
Princípios
Princípio da Eficiência – surgiu por emenda constitucional. O Estado tem que otimizar os
recursos que possui com o menor custo possível, primando pelos resultados. Chamada
administração gerencial.
Princípio da continuidade do serviço público – não pode ser interrompido - O princípio da
continuidade dos serviços públicos é um princípio implícito, decorrente do regime de
direito público a que eles estão sujeitos.
Princípio da Generalidade – oferta plena do serviço
Princípio da Modicidade – ser acessível, preço condizente com o serviço e utilizadores, mas
garantindo a prestação do serviço.
Princípio da Cortesia – prestador de serviço deve atuar com diligência, com educação
Titularidade - é do Estado, podendo ele prestar diretamente ou indiretamente. Quando feita
por particulares (delegatário), ou seja, o estado pode prestar o serviço público de forma direta
APD (administração pública direta) ou pela API (administração pública indireta), particular
delegatário. Obs.: a API presta serviço direto.
Concessão/contrato ADM – deve demonstrar capacidade de desempenho, sobre sua conta
e risco, depende de licitação. Há um procedimento específico, chamado de concorrência. Pode
se realizar por PJ ou consórcio de empresas. Prazo determinado
Permissão/ contrato ADM – também sob sua conta e risco. Pode se dar por PJ ou PF via
contrato de adesão. Título precário, pois pode ser revogado a qualquer tempo, mas o STF diz
que não deve haver distinção entre um e outro, porém, na letra da lei existe esta diferença de
prazo, este precário e aquele determinado)
Cláusulas exorbitantes – garantem prerrogativas ao contratante, mas não ao particular,
garante a supremacia do interesse público.
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- Fiscalização/sanção
- Alterar e extinguir unilateralmente o contrato
Formas de extinção:
Reversão – é a extinção do contrato por cumprimento de seu termo, ou seja, é o fim da duração
prevista do contrato, isso quando for por tempo determinado.
Encampação – o contrato administrativo pode ser extinto mesmo não terminado o tempo deste.
O Estado pode retomar o serviço, podendo o Estado pagar indenização. Prestador estava
fazendo tudo certo, mas o Estado pode tomar.
Caducidade – há extinção do serviço justificando que o particular descumpriu alguma
obrigação. Pode ter processo administrativo, multa e também indenização
Rescisão – o particular pode tomar a iniciativa para extinguir o serviço por descumprimento de
obrigação do Estado. É necessário processo judicial
10/11/2016
Atos Administrativos
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Conceito – consiste em manifestação unilateral da administração pública ou de particular
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delegatário no exercício de função pública com o fim de proporcionar maior concretude a
dispositivos normativos legais (legislação). A lei resulta em um disposto geral e abstrato, mas
para operacioná-la no caso concreto é preciso atuação da administração. É diferente dos atos
da administração
atos da administração - que consiste nos atos praticados pelo Estado ou seus agentes como
se particulares fossem, ou seja, sem desempenho de função administrativa, também conhecidos
como atos de mera gestão
Atos materiais – são aqueles que dão execução aos atos administrativos. É o colocar “mão na
obra”.
Fatos administrativos – são aqueles que ocorrem independentes da vontade do Estado, mas
repercutem administrativamente. Enchente, acidente, etc.
Ato administrativo possui alguns atributos:
1 – Presunção de legitimidade – presumivelmente ele é legítimo (juris tantum) de acordo com
alei. Isso não é presunção de veracidade.
2 – Imperatividade – atributo da adm de criar uma obrigação para os administrados sem o seu
consentimento. Exemplo: proíbe estacionar em um local que sempre foi utilizado para tal.
3 – Exigibilidade – o administrado se encontra obrigado a seguir os ditames da administração.
Tem que obedecer
4 – Autoexecutoriedade – pode por seus próprios meios fazer cumprir os atos administrativos,
ou seja, pode compelir o administrado sem necessidade de processo judicial
Obs.: multa não tem autoexecutoriedade.
Elementos do ato adm.
1. Competência – consiste no poder legal, isto é, decorrente de lei, necessário ao desempenho
de determinada função administrativa. O que pode ou não fazer está determinado na lei.
2. Motivo – são os pressupostos fáticos e jurídicos à realização de um determinado ato
administrativo. Isso é diferente de motivação, que é a formalização do motivo, é registar o
motivo, é formalizar., portanto integra a forma.
3. Forma – é a maneira pela qual o ato administrativo se exterioriza, em regra é pela forma
escrita, mas pode ser oral em determinados casos.
4. Objeto – consiste nos efeitos jurídicos produzidos pelo ato administrativo, é o conteúdo do
ato. Por exemplo: nomeação – objeto, o efeito, a investidura.
5. Finalidade – configura, em última instância, a realização do interesse público. Não pode ser
para particulares o que constituiria abuso de poder (excesso de poder, desvio de finalidade).
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Obs.: mesmo se tratando de atos discricionários, os itens 1,3 e 5 sempre são elementos
vinculados, previstos em lei. Enquanto 2 e 4 são discricionários, chamado mérito
administrativo.
Extinção dos atos administrativos
1. Revogação – envolve um juízo de conveniência e oportunidade quanto a continuidade de
vigência de um ato discricionário. Assim, não cabe para ato vinculado, ao qual cabe anulação.
Ob.: efeitos ex nunc
2. Anulação – abe ao ato vinculado quando não está de acordo com a lei. Eventualmente o ato
discricionário também, pode ser anulado se incidir em um comando desproporcional, se exceder
o campo da discricionariedade, ou seja, é um ato ilegal. Efeitos ex tunc. Obs.: um teceiro de
boa-fé será indenozado e após 5 anos precreve a ilegalidade.
3. Exaurimento – consome seus efeitos. Exemplo prazo determinado que se consuma.
4. Contraposição – extinção do ato administrativo pela superveniência de outro ato
administrativoque seja emanado de autoridade do mesmo nível hierárquico ou superior
5. Caducidade – extinção do ato administrativo decorrente de superveniência de lei contrária
aos seus preceitos, ou seja, é uma lei que se contrapõe ao ato administrativo.
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17/11/2016
Intervenção do Estado no Domínio Econômico
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Requisição – é o ato administrativo pelo qual o Estado se investe da prerrogativa do usos de
bens ou de serviços de particulares no caso de necessidade pública, ou seja, situações de
urgência. Pode utilizar bens e serviços. Associado a algum problema grave. Há indenização
posterior
Ocupação temporária – é o direito real que assiste ao Estado fazer uso de bem particular em
razão de interesse público. Uso apenas do bem. Há indenização posterior
Servidão – é o direito real pelo qual o estado pode fazer uso de bem particular com ânimo
permanente. Não precisa da propriedade ou de toda extensão do domínio. Exemplo: passagem
de energia elétrica, esgoto, etc. Há indenização prévia.
Limitação – é o ônus real que incide sobre bem particular restringindo seu uso em caráter
permanente e a título gratuito, por razão de interesse público. Exemplo: manter área de
preservação ambiental. Sem indenização
Tombamento – também se trata de um ônus real incidindo sobre bem particular restringindo
seu uso, mas com uma finalidade específica, preservar um patrimônio histórico e cultural. Sem
indenização.
Art. 170, 171, 172, 173 174 CF
Desapropriação – é o procedimento pelo qual o estado se investe no domínio de bem particular
por razão de interesse público. Pode ser por utilidade pública, destinando o bem a construção
de alguma comodidade que reverta-se em benefício da coletividade. Interesse social, quando
utiliza o bem para redistribuir a quem necessite, finalidade redistributiva. O chefe do executivo,
em regra, emite o decreto de desapropriação com descrição do imóvel, justificativa e como vai
ser utilizado. A partir de então passa a contar o prazo para dar destinação ao decretado, são 5
anos se interesse público e 2 anos se interesse social. Caduca o decreto. Tredestinação é quando
o estado diz fazer algo, ,as faz outra coisa com o bem desapropriado podendo ser lícita, quando
faz outro interesse público ao proposto (era escola fez hospital), ou ilícita quando o etado da
uma finalidade ao bem que naõ contempla interesse público (cedeu o bem para um particular).
Desapropriação rural, para fins de reforma agrária, recebe a indenização prévia, mas em títulos
da dívida agrária pagável em 20 anos. Não pode incidir sobre pequenas e médias propriedades,
apenas em grandes propriedades improdutivas.
Propriedade urbana subutilizada ou não utilizada também pode sofrer desapropriação. Pagável
com título da divida pública
Desapropriação confiscatória, urbana ou rural, sem indenização, pode ocorrer em duas
circunstancias: fazer uso do bem para plantação de substancias subtrotopicas e no local se
encontrar pessoas trabalhando em estado semelhante a escravo.
Desapropriação indireta – é aquela em que o Estado se investe no domínio do bem sem atentar
ou observar as formalidades legais. Se já utilizou o imóvel, dando alguma finalidade social ou
interesse social, o proprietário não poderá reaver a propriedade, será apenas indenizado.
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Notas de aulas André Teles
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