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sindicalismo unidade I

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UNIDADE 1
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 
AO SINDICALISMO E 
NEGOCIAÇÕES COLETIVAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
•	 compreender,	diferenciar	e	definir	as	relações	coletivas	de	trabalho,	deter-
minando	a	sua	abrangência	e	fundamentos,	bem	como	a	defesa	dos	direi-
tos	e	interesses	coletivos;	
•	 conhecer	a	Organização	Internacional	do	Trabalho,	sua	estrutura,	funções,	
as	principais	convenções	coletivas	e	a	sua	influência	nos	estados;	
•	 discorrer	sobre	o	sindicalismo	e	a	negociação	internacional,	especificamen-
te	quanto	à	sua	evolução,	o	princípio	da	liberdade	sindical	e	os	sistemas	de	
organização	sindical;
•	 analisar	as	tendências	do	sindicalismo	e	negociações	coletivas	no	mundo	
atual,	especificamente	quanto	aos	aspectos	de	organização	sindical,	nego-
ciação	coletiva	e	direito	de	greve.
Esta	unidade	está	organizada	em	quatro	tópicos	e	ao	final	de	cada	um	deles	
você	 encontrará	 atividades	 que	 facilitarão	 a	 compreensão	 dos	 conteúdos	
apresentados.
TÓPICO	1	-	AS	RELAÇÕES	COLETIVAS	DE	TRABALHO
TÓPICO	2	-	AS	RELAÇÕES	COLETIVAS	INTERNACIONAIS
TÓPICO	3	-	O	SINDICALISMO	E	A	NEGOCIAÇÃO	INTERNACIONAL
TÓPICO	4	-	TENDÊNCIAS	DO	SINDICALISMO	CONTEMPORÂNEO
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TÓPICO 1
UNIDADE 1
AS RELAÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO
1 INTRODUÇÃO
As	 relações	 de	 trabalho	 são,	 de	 modo	 geral,	 divididas	 em	 dois	 tipos	
fundamentais	 de	 relações	 jurídicas,	 que	 são	 as	 individuais	 e	 as	 coletivas.	 Com	
efeito,	as	individuais	têm	como	sujeitos	dessa	relação	o	empregado	e	o	empregador,	
visando	interesses	de	ambos	no	desenvolvimento	do	vínculo	de	trabalho.	 	 Já	as	
coletivas	são	relações	mais	amplas	e	importantes	que	aquelas	e	delas	se	distinguem	
pelos	seus	sujeitos,	interesses	e	funções	que	cumprem	no	ordenamento	jurídico.
 
Neste	 aspecto,	 os	 sujeitos	 das	 relações	 coletivas	 não	 são	 as	 pessoas	
individualmente	consideradas	e	determinadas,	pois	o	sujeito	que	aparece	é	o	grupo,	
que	pode	ser	maior	ou	menor	e	é	 identificado	como	um	todo	 (ex.:	 empregados	
bancários).
	No	caso,	o	grupo	é	constituído	de	pessoas	abstratamente	consideradas,	o	
que	significa	a	indeterminação	e	a	não	individualização	de	cada	participante,	que	
constituem	uma	categoria	(profissional	se	formada	de	trabalhadores	e	econômica	
se	de	empregadores),	 cujos	 interesses	 referem-se	à	 coletividade	e	 são	comuns	a	
todos	os	membros	do	grupo,	com	a	finalidade	de	defesa	desses	interesses.		
Entretanto,	 as	 relações	 coletivas	 de	 trabalho	 revestem-se	 de	 suma	
importância	no	processo	de	produção	das	normas	 jurídicas,	eis	que,	ao	 lado	do	
Estado,	constituem	uma	das	mais	importantes	fontes	formais	do	direito	positivo,	
as	quais	são	reconhecidas	pelos	ordenamentos	jurídicos	dos	estados.	Isto	porque,	
através	das	suas	representações,	os	grupos	direcionam	a	defesa	dos	seus	interesses	
de	 modo	 que,	 desses	 mecanismos	 de	 reivindicação,	 confrontação,	 negociação,	
autocomposição	ou	decisão	judicial,	resultem	normas	jurídicas	produzidas	pelas	
relações	coletivas	trabalhistas.	
NOTA
Conforme Maria Helena Diniz, direito positivo é “o conjunto de normas, 
estabelecidas pelo poder político, que se impõem e regulam a vida social de um dado povo 
em determinada época”. Portanto, “é mediante normas que o direito pretende obter o equilíbrio 
social, impedindo a desordem e os delitos, procurando proteger a saúde e a moral públicaS, 
resguardando os direitos e a liberdade das pessoas”. (2003, p. 8).
UNIDADE 1 | ASPECTOS INTRODUTÓRIOS AO SINDICALISMO E NEGOCIAÇÕES COLETIVAS
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A	propósito,	Nascimento	(2010,	p.	1255)	afirma	que	as	relações	coletivas:
destinam-se	 a	 disciplinar	 os	 interesses	 coletivos	 e	 têm	 uma	 função	
criadora	 das	 normas	 que	 regem	os	 próprios	 grupos,	mas	 também	 se	
destinam	a	constituir	normas	que	vão	determinar	direitos	e	obrigações	
para	 os	 contratos	 individuais	 de	 trabalho,	 de	modo	que	 são	 relações	
de	 auto-organização	 dos	 grupos	 e	 elaboração	 de	 normas	 jurídicas	
não	estatais,	surgidas	no	seio	dos	próprios	grupos	de	trabalhadores	e	
empregadores.	
Afinal,	nos	países	democráticos,	a	responsabilidade	de	realização	da	justiça	
social	é	não	só	do	Estado,	como	também	dos	movimentos	sindicais	e,	como	lembra	
Hannah	Arendt	(apud	MARTINEZ,	2010,	p.	42),	“quem	habita	esse	planeta	não	é	o	
Homem,	mas	os	homens”,	pois	“a	pluralidade	é	a	lei	da	Terra”.	
2 DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA 
2.1 DEFINIÇÃO
Relações	 coletivas	 de	 trabalho,	 conforme	 Nascimento	 (2010,	 p.	 1253),	
“são	 relações	 jurídicas	 que	 têm	 como	 sujeitos	 os	 sindicatos	 de	 trabalhadores	 e	
os	 sindicatos	de	empregadores	ou	grupos	e	como	causa	a	defesa	dos	 interesses	
coletivos	dos	membros	desses	grupos”.
Na	verdade,	estas	relações	de	trabalho,	em	vista	do	seu	significado	social	e	
crescente	multiplicação,	apesar	dos	estudos	de	doutrinadores	italianos	e	franceses,	
destacando	a	sua	importância,	ainda	é	algo	carente	de	teorização.	Tanto	que,	para	
melhor	caracterizá-las,	é	preciso	delimitar	as	diferenças	entre	as	individuais	e	as	
coletivas,	o	que,	segundo	o	autor	acima,	se	faz	a	partir	dos	sujeitos,	dos	interesses	
e	da	causa	final	de	ambas.
Assim,	 pode-se	 concluir	 que	 nas	 relações	 coletivas:	 os	 sujeitos	 são	 os	
grupos	de	trabalhadores	e	os	de	empregadores,	normalmente,	representados	pelos	
sindicatos	profissionais	e	patronais,	apresentando-se	como	relações	intersindicais.	
Os	interesses	são	grupais,	referindo-se	a	uma	coletividade	e	sendo	comuns	a	todos	
os	 seus	membros;	 e	 a	 causa	 é	 a	 defesa	dos	 interesses	 grupais,	 abstrata	 e	 geral,	
possuindo	uma	dimensão	normativa	ampla,	da	qual	resultam	normas	genéricas	
que	são	as	convenções	coletivas	de	trabalho.	Além	de,	por	terem	fins	estruturais,	se	
destinarem	a	regular	as	condições	de	trabalho	e	a	atividade	sindical.	
Entretanto,	 finaliza	Nascimento	 (2003,	 p.	 32):	 “as	 relações	 coletivas	 têm,	
ainda,	finalidade	compositiva	dos	conflitos	coletivos.	Paradoxalmente,	são	relações	
que	podem	ser	de	conflito.	Delas	nasce	o	conflito	e	pode	surgir,	também,	a	solução	
do	conflito.	Daí	a	sua	fisionomia	dupla,	conflitiva	e	pacificadora”.	
TÓPICO 1 | AS RELAÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO
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2.2 AS RELAÇÕES E OS INTERESSES COLETIVOS
O	termo	“interesse”	possui	muitos	significados,	embora,	no	geral,	apareça	
intimamente	 ligado	 à	 noção	 de	 necessidade	 e	 represente	 a	 relação	 entre	 uma	
necessidade	 do	 ser	 humano	 e	 uma	 conduta	 para	 satisfazê-la.	 Contudo,	 neste	
contexto,	trata-se	de	interesse	que	se	reporta	a	pessoas	que,	por	diversas	razões,	
estão	em	posições	sociais	homogêneas	(ex.:	classes),	o	que	facilita	a	sua	aglutinação	
nos	 grupos	 representativos	 que	 vão	 representá-los,	 defendê-los	 e	 fomentá-los,	
como	fazem	os	sindicatos,	associações	e	outras	entidades.	
Neste	aspecto,	reportando-se	aos	interesses	presentes	nas	relações	coletivas,	
Martinez	(2010,	p.	610)	afirma	que	“quando	se	fala	em	relação	coletiva,	é	evidente	
que	o	interesse	em	discussão	é	de	natureza	transindividual,	na	qual	se	incluem	os	
individuais	homogêneos,	os	coletivos	em	sentido	estrito	e	os	difusos”.	
Por	 sua	 vez,	 os	 juristas	 têm	 usado	 a	 designação	 de	 interesses	
transindividuais	 como:	 gênero,	 cujas	 espécies	 são	 os	 interesses	 difusos,	
coletivos	e	individuais	homogêneos.	Eis	que	essa	tripartição	corresponde	à	que	
se	tornou	clássica	e	consagrada	pelo	Código	de	Defesa	do	Consumidor.	Além	
de	serem	interesses	juridicamente	protegidos,	pelo	fato	de	estarem	sob	a	tutela	
do	Estado.
Assim,	esse	diploma	(art.	81,	parágrafo	único)	definiu	os	interesses	ou	
direitos	coletivos	como:	os transindividuais de natureza indivisível de que seja 
titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte 
contrária por uma relação jurídica de base.	Com	efeito,	a	complexa	sociedade	
moderna,

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