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ALYSSON F. COELHO – DR7U18 1 Recuperação Judicial e Falência Aula 1 A lei 11.101/05 atualizou a teoria da empresa e criou um instituto de direito recuperacional, temos então: a previsão do procedimento de recuperacao judicial e extrajudicial e falencia. A lei anterior, Decreto 7.661/45 de Falencia e Concordata, era um beneficio legal que independia da vontade dos credores e era usado por empresas em crises irreversiveis, para dilatar a sua falencia, era moroso e não eficiente. Questionário: Quem está sujeito a lei 11.101? o empresário e a sociedade empresária. Quem é empresário? Segundo o Art. 966 CC, é qualquer pessoa que exerce profisionalmente atividade economica de forma organizada produzindo ou circulando bens e serviços. Quem é empresário individual? Pessoa física exercendo em nome próprio atividade empresarial, responde com seu proprio patrimonio. Quem é pessoa juridica? Sociedade exercendo atividade empresária. Tem que haver 4 Elementos para se caracterizar o empresário profissional: 1)Habitualidade: exercer atividade de forma habitual. 2)Pessoalidade: os negocios realizados serão sempre em nome da empresa, mesmo que em nome de terceiros. 3)Monopólio das Informações: o empresario deve deter pra si as informacoes necessarias para o exercicio das atividades. 4)Busca do lucro: pra ser considerado empresario tem que ter intuito de lucro, não significa que tem que ter lucro. O que caracteriza se é organizada ou não? A atividade tem que ter capital, mão de obra e tecnologia. CAPITAL: As pessoas devem disponibilizar bens em favor da atividade MÃO DE OBRA: devem ser empregados de alguma forma, pode ter prestadores de serviços, corretores com lei especial, etc. MATÉRIA PRIMA/INSUMOS: é utilizado material de bens pra utilidade, pra produzir mercadorias ou serviços ex: Maquinas, soja, etc) TECNOLOGIA: São as ferramentas utilizadas, por ex: Computador. PRODUCAÇÃO DE BENS: a circulacao e distribuicao dos bens, é o elo entre a fabricante e o destinatario. CIRCULAÇÃO: prestador de serviços (liga-se ao prestador de serviços) ex: Hotel com a Agencia de Viagens. SE FALTAR UM DESTES ITENS, NÃO É VÁLIDO. EXCEÇÃO: p. único, Art. 966 CC, se exerce atividade intelectual, não é empresário. Ex: Artista, músico, advogado. MAS, SE A ATIVIDADE INTELECTUAL ESTIVER INSERA DENTRE AS VARIAS ATIVIDADES EXERCIDAS, DENTRE ELAS, A COMERCIAL, POR EXEMPLO, SERÁ CONSIDERADO ALYSSON F. COELHO – DR7U18 2 EMPRESÁRIO, POR EXEMPLO: MÉDICO VETERINÁRIO QUE TEM UM PET SHOP JUNTO COM O CONSULTÓRIO. QUEM É TOTALMENTE EXCLUÍDO DA RECUPERACAO E FALENCIA DA LEI 11.101? Art. 2. I – As empresas públicas e sociedade de economia mista; (são constituídas como S/A) QUEM É PARCIALMENTE EXCLUÍDO DA RECUPERACAO E FALENCIA DA LEI 11.101/05? A maior parte é pela lei das agencias regulamentadores: Art. 2, II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. A distinção entre total e parcial é jurisprudencial e doutrinária – a lei não faz esta distinção de forma expressa. Aula 2 FALÊNCIA: é uma execucao coletiva dos bens do empresario devedor, decorre da crise economico-financeira pela qual passa o empresario a ponto de não mais lhe permitir pagar e cumprir com suas obrigações contraidas perante seus credores. Durante esta crise, o empresario é afastado de suas atividades e substituido por um administrar para otimizar a utilidade produtiva dos bens e ativos. Para atender maior satisfação dos creditos o processo de falencia atenderá a celeridade e economia processual., por isso, tem preferencia a todos os outros processos, em qualquer instancia. Processo Falimentar (Falência): - Competência - Pressupostos - Fases - Legitimidade ativa - Legitimidade passiva - Atuação do MP - Pedido PROCESSO FALIMENTAR (FALÊNCIA): O processo de falência é um processo de execução coletiva, no qual todo o patrimônio do devedor será arrecadado, e nele se concentrará o pagamento de todos os credores (conforme possível). - COMPETÊNCIA: Para todas as ações da Lei 11.101, a competencia material(ou seja, em razão da matéria discutida) será da justiça comum estadual. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 3 Com relação a competencia territorial(foro/local em que será ajuizada a ação) será o local do principal estabelecimento comercial da empresa Estabelecimento empresarial (conceito) é o conjunto de bens do empresário organizados para o exercício da atividade econômica - PRESSUPOSTOS: 1)Ser empresário: o devedor deve ser empresário (art. 966 caput e par. único). 2) Estar o devedor em estado de insolvência: o estado de insolvência pode ser: Confessado e Presumido(presumido por impontualidade injustificada, execução frustrada, prática de falencia 1. ESTADO DE INSOLVÊNCIA CONFESSADO ocorrerá na autofalência (estado de insolvência confessado também é chamado de autofalência). O próprio empresário devedor, por meio de uma petição inicial, confessa o seu estado de insolvência e requer ao juiz a decretação de sua falência. A autofalência só será permitida (lícita) se não estiverem presentes os requisitos para a recuperação judicial. Ou seja, se estiverem presentes os requisitos da recuperação judicial, esta deve ser buscada antes de se requerer a própria falência. A finalidade da Lei 11.101/05 é segundo o principio da preservação da empresa, preservar a atividade economica por meio da recuperação judicial, pois ela é vantajosa e exerce uma função social, por isso, deve-se tentar recuperar a empresa antes de se requerer a própria falencia. 2. ESTADO DE INSOLVÊNCIA PRESUMIDO se estiver presente um desses elementos: impontualidade injustificada, execução frustrada, ou se houve a prática de algum ato de falência. Basta a ocorrência de um desses elementos, não sendo cumulativos. a) IMPONTUALIDADE INJUSTIFICADA (art. 94, I): dá-se quando o devedor, sem justo motivo (sem razão fundamentada no direito – ex: cobrança indevida, abusiva, etc), deixa de pagar dívida líquida, materializada em título executivo judicial ou extrajudicial, devidamente protestado cujo valor seja superior a quarenta salários mínimos na época da propositura da ação. Ex: Contrato assinado por 2 testemunhas, títulos de crédito. P R E S S U P O S T O S SER EMPRESÁRIO ESTAR EM ESTADO DE INSOLVENCIA Confessado Presumida Por impontualidade injustificada Pela Execução Frustrada; ou Por Prática de Ato de Falencia ALYSSON F. COELHO – DR7U18 4 b) EXECUÇÃO FRUSTRADA (ART. 94, II): Executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal. Obs: nunca será decretada a falência em ação de execução, mas somente em ação autônoma falimentar. O autor, na ação falimentar, deve fazer prova da execução frustrada junto com a petição inicial. O documento apto para provar a execução frustrada é a certidão de objeto e pé do processo de execução. Para caracterização de execução frustrada, não há exigência de valor mínimo, e também não se exige que haja protesto. c) PRÁTICA DE ATO DE FALÊNCIA (ART. 94, III) : os atos de falência estão taxativamente previstos no art. 94, III. Se o devedor praticar qualquer dos atos previstos neste dispositivo, presume- se o seu estado de insolvência, e está autorizada a propositura do processo falimentar. Prática de ato de falência (art. 94, III– rol taxativo dos atos de falência): os atos de falência estão taxativamente previstos no art. 94, III. Se o devedor praticar qualquer dos atos previstos neste dispositivo, presume-se o seu estado de insolvência, e está autorizada a propositura do processo falimentar. A prática de qualquer destes atos pode levar à decretação da falência da empresa. "III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial: a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos; comentário sobre a: O empresário se desfaz de seus bens (liquida, aliena) precipitadamente, antecipadamente, de maneira desnecessária, de forma que não restará bens a ele para pagar seus credores. b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não; comentário sobre b) Praticar negócio jurídico simulado com o intuito de fraudar credores, de evitar o pagamento das dívidas. c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo; comentário sobre c: esta alínea faz referência ao estabelecimento empresarial (todo o conjunto de bens do empresário que estão organizados ao exercício da atvidade econônica e ao contrato de trespasse (do verbo trespassar – é a alienação do estabelecimento empresarial). Um dos requisitos do contrato de trespasse é a concordância de todos os credores, ou a manutenção de patrimônio suficiente para pagar todas as dívidas. Assim, o empresário que quer vender o estabelecimento empresarial deve pegar a concordância de todos os credores (expressa ou tácita) ou reserva numerário suficiente ALYSSON F. COELHO – DR7U18 5 para pagar todas as dívidas. Caso não efetue tais procedimentos, viola a previsão da alínea c, o que caracteriza ato de falência. d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor; comentário sobre d: Aqui é a simulação de transferência de estabelecimento, com o intuito de burlar, na forma do texto acima. e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo; comentário sobre e: Acontece bastante na prática. f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento; comentário sobre f: o empresário some, se ausenta, sem deixar procurador ou pessoa habilitada com recursos suficientes para pagar suas dívidas. g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial. Comentário sobre g: diferente das outras, não é nenhuma conduta fraudulenta ou simulação – o empresário deixa de cumprir com o plano de recuperação judicial. O que caracteriza esta situação é: a empresa teve RJ deferida, apresentou plano de RJ que foi homologado pelos credores e o juiz, e portanto ele está obrigado a cumprir aquele plano. Se o empresário descumpre aquele plano, pratica ato de falência, presume-se sua insolvência, e pode ter sua falência decretada. O empresário que adotar qualquer uma destas condutas pratica ato de falência, que pode ser requerida judicialmente por ação falimentar. ELEMENTOS DA AÇÃO FALIMENTAR São elementos a legitimidade ativa e passiva, as fases, o pedido e a ação do MP - LEGITIMIDADE ATIVA: É quem pode ser autor da ação falimentar: ALYSSON F. COELHO – DR7U18 6 - LEGITIMIDADE PASSIVA: A legitimidade passiva(réu) para a ação falimentar é do empresário devedor. - FASES O processo falimentar tem 3 fases. 1ª: FASE PRÉ-FALIMENTAR(PEDIDO DE FALENCIA): inicia-se com a petição inicial e vai até a sentença que decreta a falência. 2ª: FASE FALIMENTAR: começa com a sentença que decreta a falência e vai até a sentença de encerramento da falência. 3ª: FASE DE REABILITAÇÃO: começa com a sentença de encerramento da falência e vai até a sentença de extinção das obrigações do falido. QUEM PODE AJUIZAR A AÇÃO FALIMENTAR? (LEGITIMIDADE ATIVA) O Próprio empresário devedor (autofalência), se não for possivel a Recuperação Judicial. Se for S/A deve ter autorização em Assembleia Geral o herdeiro, o cônjuge sobrevivente, e o inventariante do empresário individual falecido os cotistas (sociedade contratual) e os acionistas (sociedade institucionais) das sociedades empresárias Qualquer CREDOR. se for CREDOR EMPRESÁRIO URBANO deve estar regular inscrito na Junta Comercial. se for CREDOR EMPRESARIO RURAL tanto faz. A Sociedade comum ou de fato, aquela irregular, não pode requerer a falencia de outra empresa. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 7 - ATUAÇÃO DO MP O MP atua a partir da sentença de decretação da falência. Ou seja, a partir da 2ª fase. O MP atua de duas formas no processo falimentar: 1) como "custos legis" (fiscal da lei), zelando pela aplicação da lei. 2) como titular da ação penal: a lei 11.011 prevê uma série de crimes falimentares. Se o MP verificar a ocorrência de crime falimentar, atua como titular da ação penal. - PEDIDO A ação falimentar não tem por finalidade o recebimento do crédito (é apenas consequência possível). O pedido (objeto) da ação falimentar é sempre a decretação da falência do devedor. Aula 3 DEFESA DO DEVEDOR: O réu é citado para defender-se da ação falimentar, e, citado, possui 4 meios de defesa, devendo apresenta-la em 10 Dias úteis (aplica-se o CPC subsidiariamente no que a lei for omissa): 1) CONTESTAÇÃO: é a peça processual pela qual o polo passivo de uma ação resiste (se opõe) à pretensão que foi veiculada pelo autor na petição inicial, com base em fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito do autor. 2) DEPÓSITO ELISIVO: O depósito elisivo é o depósito em dinheiro realizado pelo devedor nos autos do processo que impede a decretação da falência. O valor a ser depositado é o valor da dívida com correção monetária, juros de mora e honorários advocatícios (os honorários advocatícios serão fixados pelo juiz no despacho que defere a petição inicial). Se o réu apenas realiza o depósito elisivo, mas não apresenta contestação, é considerado revel, cuja consequência é a confissão sobre a matéria de fato, cuja consequência processual é a procedência da ação. A procedência da ação deveria acarretar a decretação da falência do devedor, mas o depósito elisivo impede o juiz de decretar a falência. Neste caso, a ação é julgada procedente, mas não se decreta a falência do devedor, em razão do depósito elisivo, determinando-se o levantamento do valor pelo credor, extinguindo o processo com resolução de mérito. 3) CONTESTAÇÃO + DEPÓSITO ELISIVO: o réu pode contestar a ação e fazer o depósito elisivo. pois ele se opõe à pretensão do autor e, ao mesmo tempo, impede a decretação da falência. Se a contestação ofertada não é acolhida, a sentença será de procedência; mas como há o depósito elisivo, apesar de a ação ser procedente, o juiz estará impedido de decretar a falência, devendo autorizar o autor a levantar o valor em depósito. Mas, se a tese constante da contestação for acolhida, a sentença será de improcedência da ação falimentar, e neste caso o depósito elisivo será levantado pelo própriodevedor que realizou o depósito. É a hipótese mais segura para o ALYSSON F. COELHO – DR7U18 8 devedor, pois pode levar à improcedência da ação (se a contestação for acolhida) e, mesmo que seja procedente, impede a decretação de sua falência 4) REQUERER RECUPERAÇÃO JUDICIAL: Impede o prosseguimento da falência, se deferida, o processo que se iniciou como processo de falência torna-se processo de recuperação judicial. Assim, se o devedor optar por esse meio de defesa, pode acontecer: a) se o pedido do devedor atender aos requisitos necessários, o juiz defere o pedido de processamento da recuperação judicial; b) se não atendidos os requisitos necessários ao processamento da RJ, o pedido do devedor é indeferido, e a ação de falência pode ser julgada procedente (principalmente por não haver contestação) e pode ser decretada a falência do devedor. Portanto, é meio de defesa requerer o processamento da RJ. Aula 4 SENTENÇAS SENTENÇAS NA 1ª FASE PRÉ-FALIMENTAR: SÃO 2as POSSIVEIS: 1) SENTENÇA QUE DECRETA A FALENCIA, pois não houve depósito elisivo. Julga Procedente o pedido. 2) SENTENÇA QUE NÃO DECRETA A FALÊNCIA, é a sentença IMPROCEDENTE ou de PROCEDENCIA com deposito elisivo(pois o deposito elisivo impede a decretação da falencia, com o levantamento do valor depositado) RECURSOS CABÍVEIS DAS SENTENÇAS APELAÇÃO, se a sentença põe fim ao processo.(ex: sentença que não decreta a falência) Defesas do Réu Contestação Constestação + Depósito Elisivo Depósito Elisivo Requerer a Recuperação Jud. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 9 AGRAVO DE INSTRUMENTO, se a sentença apenas põe fim a uma fase do processo.(ex: sentença que decreta a falência e da início a 2ª fase, chamada de fase “falimentar”) Prazo: 15 Dias úteis Explicação do Vinicius: A sentença que não decreta a falência põe fim ao processo. Portanto, caberá apelação. (apelação é o recurso apto a atacar as decisões que põem fim ao processo – decisões terminativas). A sentença que decretou a falência põe fim a uma fase do processo, mas inicia a segunda fase, chamada de fase "falimentar". Portanto, caberá Agravo de Instrumento, pois esta sentença tem força de decisão interlocutória. (agravo de instrumento é o recurso para atacar decisão interlocutória, que é a decisão que não põe fim ao processo). Da sentença que não decreta a falência, cabe recurso de Apelação O prazo para a interposição de ambos os recursos é de 15 dias. Alguns doutrinadores dizem que a sentença que decreta é falência é uma sentença com força de decisão interlocutória. Aula 5 EFEITOS DA DECISÃO QUE DECRETA A FALÊNCIA A) EFEITOS PARA O FALÍDO 1) IMPEDIDO DE EXERCER QUALQUER ATIVIDADE EMPRESÁRIA, porém o juiz pode determinar a continuidade pelo administrador judicial ou lacrar o estabelecimento. 2) PERDA DO DIREITO DE ADMINISTRAR OS PRÓPRIOS BENS, O administrador judicial é responsável por arrecadar, administrar, conservar e alienar os bens do falido, para que, com o dinheiro arrecadado com a alienação, seja feito o pagamento aos credores. 3) OS EFEITOS ALCANÇAM O PATRIMONIO DOS SÓCIOS SE ELES RESPONDEREM ILIMITADAMENTE PELA SOCIEDADE 4) SE FOR CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, o contrato d concessão é extinto automaticamente. B) EFEITOS PARA OS CREDORES DO EMPRESÁRIO FALIDO 1) VENCIMENTO ANTECIPADO DAS DÍVIDAS, inclusive das dividas vincendas, são consideradas vencidas na data da decretação da falência. 2) SUSPENDE A PRESCRIÇÃO DAS DÍVIDAS DO FALIDO, até o encerramento da falência. 3) SUSPENSÃO DA INCIDENCIA DOS JUROS SOBRE AS DÍVIDAS VENCIDAS DO FALIDO, até o encerramento da falencia. 4) CONSTITUIÇÃO DE MASSA FALIDA. A Massa Falida é um ente despersonalizado que assume as obrigações e os direitos do falido. é administrada pelo administrador judicial. não possui personalidade própria (não é pessoa física nem PJ). Exemplo de outro entre ALYSSON F. COELHO – DR7U18 10 despersonalizado, além da massa falida: espólio. Pode dividir-se a massa falida em duas modalidades: 1) Massa falida objetiva: é composta pelos bens do falido. 2) Massa falida subjetiva: é composta pelos credores do falido. 5) FORMAÇÃO DO JUÍZO UNIVERSAL DA FALÊNCIA, É o juízo perante o qual passarão a tramitar, em regra, todas as ações envolvendo o falido. Regra geral: o Juízo que decretou a falência atrai a competência para julgar todas as ações envolvendo o falido. Exceções à regra geral (exceções ao juízo universal): São as ações que não serão atraídas pelo juízo universal, ou seja, que continuarão a tramitar no juízo de origem. 1ª exceção: ações trabalhistas que ainda estejam na fase de conhecimento ou liquidação. Após o trânsito em julgado da fase de liquidação o processo será remetido para o juízo universal. 2ª exceção: as execuções fiscais, que continuam a tramitar no juízo de origem. Porém, o pagamento (satisfação) da dívida fiscal ocorrerá só no processo de falência. Ou seja, a execução fiscal tramitará no juízo de origem até a fase de expropriação de bens (penhora e alienação). Vendido os bens e arrecadado dinheiro com a venda, os valores serão remetidos ao juízo da falência onde ocorrerá o pagamento conforme a ordem legal. 3ª exceção: ações nas quais o falido é autor – continuam a tramitar no juízo de origem. 4ª exceção: as ações nas quais é demandado direito ilíquido contra o falido (direitos que não estão expressos em quantia líquida – ou seja, que requerem a liquidação do valor da dívida). REQUISITOS DA SENTENÇA QUE DECRETA A FALÊNCIA 1) O JUIZ DEVE INTIMAR O MP, que atua a partir da 2ª fase (fase falimentar), como custos legis ou titular de eventual ação penal. 2) NOMEAR UM ADMINISTRADOR JUDICIAL, se pessoa física, deve ser preferencialmente: advogado, contador, economista ou administrador de empresas] ou pessoa jurídica especializada em falência) (adm. judicial é sempre alguém de confiança do juízo). 3) INTIMAR O FALIDO PARA APRESENTAR EM 5 DIAS O ROL DE CREDORES, SOB PENA DE CRIME DE DESOBEDIÊNCIA, ROL DE CREDORES: é uma lista especificando todos os credores do falido. Nesta lista deve constar: o nome do credor, o valor do crédito e a classe do credor (trabalhista, tributários, pignoratício, quirografários, etc – há várias classes de credores). 4) O JUIZ DEVERÁ DETERMINAR A PUBLICAÇÃO DE EDITAL, que servirá de termo inicial para realizar as habilitações e divergencias. HABILITAÇÃO: Se um credor for omitido da lista inicial (apresentada pelo falido), tem o prazo de 15 dias para apresentar sua habilitação. DIVERGÊNCIA: Se houver erros em relação ao valor do crédito ou à classe do credor inscrito na lista, pode também ser apresentada "divergência" pelo credor, para corrigir esses erros (prazo de 15 dias). ALYSSON F. COELHO – DR7U18 11 5) O JUIZ DEVE FIXAR O TERMO LEGAL DE FALÊNCIA/PERÍODO SUSPEITO, prazo fixado pelo juiz, de até 90 dias retroativamente, na qual os negocios realizados deverão ser investigados. E se praticado algum ato ineficaz, previsto no art. 129 da lei 11.101, deverá ser decretado nulo. QUESTIONÁRIO: Quem investigará estes negócios jurídicos? O Administrador judicial, os credores e o MP poderão examinar os atos jurídicos realizados neste prazo. Retroativamente a partir de quando? Dependerá do motivo que ensejou a decretação da falência (para cada motivo há um termo inicial diferente). Prazos: Se a falência foi decretada em decorrência de: a) Impontualidade injustificada: o termo inicial será o primeiro protesto do falido. b) Execução frustrada ou Prática de ato de falência: o termo inicial será o ajuizamento da açãofalimentar. c) Descumprimento do plano de recuperação judicial: o termo inicial será o ajuizamento da ação de recuperação judicial. Observação importante: retroagindo o prazo delimitado pelo juiz (termo legal de falência) na forma disposta nos itens a, b, e c, serão investigados os negócios jurídicos praticados no prazo entre o termo inicial (já retroagido) e a sentença que decreta falência, ISTO É, a investigação não fica limitada ao período compreendido no prazo do "termo legal de falência", mas sim ao período compreendido entre o termo inicial deste prazo e a data da sentença que decreta a falência. AULA 6 ATOS INEFICAZES X ATOS REVOGÁVEIS (DIFERENÇAS) Fábio U. Coelho usa outras terminologias, a seguir: Atos ineficazes – atos de ineficácia objetiva Atos revogáveis – atos de ineficácia subjetiva SOBRE OS ATOS INEFICAZES: estão previstos no art. 129. São objetivos. A nulidade dos atos ineficazes poderá ser declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento do interessado. Os atos ineficazes estão previstos em rol específico e taxativo (art. 129). A declaração de nulidade poderá ocorrer na própria ação falimentar ou em ação autônoma. A nulidade será declarada independentemente da existência de intuito fraudulento: se foi praticado o ato, independentemente de haver algum intuito de fraudar os credores, o ato será declarado nulo. Ou seja, o ato é analisado objetivamente (por isso o nome usado por F. Ulhoa). SOBRE OS ATOS REVOGÁVEIS: ESTÃO PREVISTOS NO ART. 130. São genéricos. A declaração de nulidade do ato revogável só poderá ser declarada mediante provocação do interessado. Ou seja: o juiz não pode declarar de ofício. A declaração de nulidade do ato revogável só poderá ocorrer em ação autônoma, ou seja, não pode ser declarada na própria ação falimentar. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 12 O art. 130 prevê os atos revogáveis de maneira genérica, ou seja, não especifica quais são as condutas e nem há um rol de condutas (há apenas uma previsão genérica). Para a caracterização do ato revogável é necessário que se prove o intuito fraudulento, a intenção de fraudar, o conluio com terceiro e o efetivo prejuízo à massa falida. Ou seja, nos atos revogáveis devem ser provados os elementos subjetivos do ato (a intenção do devedor, etc), por isso o nome usado por F. Ulhoa. -Legislação Seção IX Da Ineficácia e da Revogação de Atos Praticados antes da Falência Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores: I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio título; II – o pagamento de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal, por qualquer forma que não seja a prevista pelo contrato; III – a constituição de direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo legal, tratando-se de dívida contraída anteriormente; se os bens dados em hipoteca forem objeto de outras posteriores, a massa falida receberá a parte que devia caber ao credor da hipoteca revogada; IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da decretação da falência; V – a renúncia à herança ou a legado, até 2 (dois) anos antes da decretação da falência; VI – a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias, não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados, judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e documentos; ALYSSON F. COELHO – DR7U18 13 VII – os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos, por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a decretação da falência, salvo se tiver havido prenotação anterior. Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo. Art. 130. São revogáveis os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. AÇÃO REVOCATÓRIA é a ação autonoma cabível para declarar a nulidade dos atos revogáveis e dos atos ineficazes. Corrente Majoritária: a ação revocatória serve tanto para se declarar nulidade de atos ineficazes quanto revogáveis. (os atos ineficazes podem ser objeto de pedido de declaração de nulidade tanto no bojo da ação falimentar quanto em ação autônoma; os atos revogáveis são atacáveis apenas por ação autônoma). Corrente Minoritária: Para Fábio Ulhoa Coelho, não cabe esta ação para atos ineficazes, mas apenas para atos revogáveis. (não vai cair na prova) Legitimidade ativa: Administrador judicial, Ministério Público ou qualquer credor Legitimidade passiva: Todos os que figuraram no ato a ser revogado ou declarado ineficaz, ou que por efeito dele foram pagos, garantidos ou beneficiados; terceiros adquirentes; herdeiros e legatários das pessoas indicadas anteriormente. Prazo Prescricional: 3 Anos, a partir da decretação da Falência. Se Procedente: retorna os bens a massa falida, com os acessorios + perdas e danos, 3º de boa-fé terá direito a restituicao dos bens ou valores entregues ao devedor. - ÓRGÃOS QUE ATUAM NA FALÊNCIA: a) obrigatórios: são aqueles que atuarão obrigatoriamente em todos os processos falimentares. São três os obrigatórios: juiz, MP e administrador judicial. Juíz: Funções o processo de falência: presidir o processo, julgar os conflitos, e fiscalizar a atuação do administrador judicial. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 14 Funções do MP: atua de duas formas: a) como custos legis (fiscal da lei), zelando pela aplicação da lei; b) como titular da ação penal (eventuais crimes falimentares). b) FACULTATIVOS: são: O COMITÊ DE CREDORES E A ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES. são aqueles órgãos que atuarão no processo falimentar em decorrência da vontade/liberalidade dos credores. Ou seja, a lei não prevê a obrigatoriedade da ação destes órgãos: são os credores que escolhem se são ou não necessários: Comentários do professor: Órgãos obrigatórios: Juiz, MP e administrador judicial. Órgãos facultativos: comitê de credores e AGC (assembleia geral de credores) São aqueles órgãos que não têm obrigatoriedade de atuar em todos os processos falimentares. Eles atuarão de acordo com a conveniência dos credores). Funções do administrador judicial: é nomeado pelo juiz – é alguém da confiança do juízo. Podemos resumir a função do adm. Judicial como administrar a massa falida. (massa falida é o ente despersonalizado que assume as obrigações e os direitos do falido – é composta pelos bens [massa falida objetiva] e pelos credores [massa falida subjetiva] do falido). Sua função é administrar as dívidas e os créditos do falido. Quais órgãos atuam no Processo Falimentar? Obrigatoriamente JUÍZ Min. Público Adm. Judicial Facultativamente Comitê de Credores Assembleia Geral de Credores (AGC) ALYSSON F. COELHO – DR7U18 15 Obs. Importante para concursos: Essa possibilidade de nomeaçao do administradorjudicial pelo juiz veio com a Lei 11101/05. Na lei anterior, havia figura semelhante que era chamada de "síndico de massa falida", e quem atuava como síndico era o credor com maior quantidade de créditos arrolados. Assim, o adm judicial é responsável por arrecadar bens, conservar bens, alienar bens, arrecadar dinheiro da venda dos bens, conservar o dinheiro da venda dos bens, julgar habilitações e divergências e organizar a nova lista de credores, pagar os credores com o dinheiro da venda dos bens. Em resumo, a sua função é administrar os ativos e os passivos do falido. o adm. Judicial deverá ser preferencialmente: advogado, contador, economista, administrador de empresas ou pessoa jurídica especializada. Esta preferência só pode ser preterida havendo justificativa plausível. REMUNERAÇÃO DO ADM. JUDICIAL: Quem fixa o valor da remuneração do adm. Judicial é o juiz, devendo levar em consideração a complexidade do processo. O teto máximo previsto em lei para esta remuneração é de 5% do valor da dívida do falido. O juiz ao fixá-la deve respeitar este teto máximo. Se o falido for microempresa (faturamento anual até 360 mil reais) ou empresa de pequeno porte (faturamento anual de 360 mil até 4,8 milhões de reais) o teto é de 2%. 40% deverá ser pago após apresentação das contas finais e 60% conforme o juiz determinar. NATUREZA DA REMUNERAÇÃO DO ADM. JUDICIAL: é considerada crédito extraconcursal. Ou seja, será pago assim que houver dinheiro disponível no caixa da massa falida. Créditos extraconcursais são dívidas contraídas no curso do processo da falência, que têm preferência de pagamento, inclusive sobre os outros credores. Assim, quando houver dinheiro disponível no processo primeiro se pagarão os créditos extraconcursais, incluída nestes a remuneraçao do adm. Judicial. Da decisão que fixa a remuneração do adm. Judiial cabe recurso de agravo de instrumento. (podem recorrer desta decisão: o adm judicial, o falido, os credores e o MP). Súmula 219 STJ: está desatualizada – não é mais aplicada, pois tem base na legislação antiga. (Esta súmula atribuía natureza trabalhista ao crédito do adm. Judicial). DESTITUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DO ADM. JUDICIAL: A DESTITUIÇAO É UMA SANÇÃO (punição) aplicada ao adm judicial que não cumpre com as obrigações legais ou que renuncia à função imotivadamente. CONSEQUÊNCIAS DA DESTITUIÇÃO: a) perde o direito de receber remuneração e, caso tenha recebido algum valor, fica obrigado a devolver; b) fica impedido de ser nomeado como adm judicial em novos processos pelo prazo de 5 anos. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 16 A SUBSTITUIÇÃO NÃO É PUNIÇÃO. A substituição do adm judicial se dará nas seguintes hipóteses: a) falecimento do adm judicial; b) interdição do adm judicial; c) não aceitação do encargo (adm judicial foi nomeado mas não aceita); d) a renúncia motivada do adm judicial. No caso de substituição, não são aplicadas as sanções previstas para a destituição. No caso de substituição, o adm judicial recebe remuneração proporcional aos trabalhos realizados, se já prestados. RESPONSABILIDADE DO ADM JUDICIAL: o adm judicial responde pessoalmente (com seu patrimônio próprio) pelos danos eventualmente causados, de forma dolosa ou culposa, à massa falida. Aula 7 - VERIFICAÇÃO DO CRÉDITO: Procedimento: Petição inicial → Defesa → Sentença que decreta a falência → Rol de credores → Edital Edital → 15 dias (habilitação/divergência) → 45 dias (novo rol de credores) → 10 dias (impugnações) → quadro geral de credores. COMITÊ DE CREDORES: é um órgão (ou grupo) formado por representantes dos credores que tem a atribuição de fiscalizar a atuação do administrador judicial. - PRINCIPAL FUNÇÃO: fiscalizar, representando os credores, a atuação do administrador judicial. Em vez de cada um dos credores fiscalizar por si, eles constituem um grupo de representantes para praticar os atos de fiscalização. - SERÁ CRIADO E ELEITO PELA ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES. - É COMPOSTO POR QUATRO MEMBROS E OITO SUPLENTES, ESCOLHIDOS DA SEGUINTE FORMA: → 1 membro e 2 suplentes serão credores da classe trabalhista; → 1 membro e 2 suplentes serão credores com garantia real ou privilégio especial; → 1 membro e 2 suplentes serão credores com privilégio geral e quirografários; → 1 membro e 2 suplentes serão credores EPP e ME. ALYSSON F. COELHO – DR7U18 17 A presidência do comitê será escolhida entre seus membros (será um dos 4 membros, escolhido pelos 4 membros) A função de membro do comitê não é remunerada – não recebe nada pelo trabalho no comitê. Mas ele pode ser ressarcido pelos gastos que fizer no exercício da função. ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES: é um órgão que busca a reunião de todos os credores do falido. A assembleia será convocada pelo juiz, a pedido do administrador judicial ou a pedido de 25% dos credores de uma classe. O juiz que convoca, mas a requerimento dessas pessoas. Entre a convocação e a realização da assembleia devem correr pelo menos 15 dias. A assembleia será instalada em primeira convocação se estiverem presentes pelo menos 50% dos credores de cada uma das classes. Será instalada em segunda convocação independentemente do quórum presente. Entre a primeira e a segunda convocação devem transcorrer pelo menos 5 dias. Geralmente, o juiz ao fazer a convocação já estabelece as datas para a primeira e para a segunda convocação de uma vez, respeitando os prazos previstos neste parágrafo. O voto do credor será proporcional ao valor de seu crédito, A assembleia geral de credores será presidida pelo administrador judicial, exceto se a matéria a ser deliberada for incompatível (exemplo: se os credores forem deliberar um pedido de desconstituição do administrador judicial – neste caso a matéria é incompatível). Os trabalhadores podem ser representados na assembleia pelo sindicato da categoria. Qualquer credor pode ser representado na assembleia por um procurador, não havendo obrigatoriedade de participar pessoalmente. Funções da AGC: As funções são diferentes na falência e na RJ. Aqui trataremos das funções na falência. Funções: a) Criação e eleição de um comitê de credores; b) Deliberar sobre a realização do ativo de maneira diversa da prevista em lei. Realização do ativo é a alienação (venda) dos bens do falido. A lei prevê a forma de realização deste ativo, sendo função da AGC deliberar sua realização de forma diferente. c) Cabe à assembleia geral de credores deliberar sobre qualquer assunto de interesse dos credores. Continuação: VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS: é a apuração dos créditos do falido. É o mecanismo processual para se chegar à lista final dos credores (quem é credor, qual o valor e qual a natureza de seu crédito). Esta lista final é chamada de "QUADRO GERAL DE CREDORES". Fluxo processual: ALYSSON F. COELHO – DR7U18 18 Petição inicial → Defesa → Sentença que decreta a falência (determina que o falido apresente o rol de credores em 5 dias, sob pena de crime de desobediência) → Apresentação de Rol de credores → Edital → 15 dias (habilitação/divergência) → 45 dias (novo rol de credores) → 10 dias (impugnações) → quadro geral de credores. Este edital publicado deve conter: a sentença e o rol de credores apresentados. Este rol de credores pode ter erros/omissões. Neste caso, o credor prejudicado na lista inicial pode apresentar habilitação ou divergência, no prazo de 15 dias contados da publicação do edital (conforme linha abaixo). DIFERENÇA ENTRE HABILITAÇÃO E DIVERGÊNCIA: HABILITAÇÃO é o meio processual para que o credor que foisonegado da lista inicial inclua seu crédito na falência; DIVERGÊNCIA é o meio processual por meio do qual o credor corrige equivocos em relação ao valor ou à qualidade do crédito. As habilitações e divergências devem ser apresentadas diretamente ao administrador judicial (não se apresenta no processo (não é ato processual), e sim deve ser encaminhada diretamente do administrador judicial, inclusive podendo ser por e-mail). Se não é ato processual, o credor não necessita de capacidade postulatória, ou seja, a petição de habilitação/divergência não precisa estar assinada por advogado. Apresentada habilitações/divergências, o administrador judicial tem o prazo de 45 dias para analisar as divergências e habilitações apresentadas, e apresentar um novo rol de credores. Esse novo rol de credores também será publicado. Da publicação do novo rol de credores inicia-se o prazo de 10 dias para impugnações. Impugnação é o meio processual pelo qual o credor, o falido e/ou o MP se opõem ao novo rol de credores apresentado pelo administrador judicial. A impugnação deve ser apresentada judicialmente e deverá ser distribuída por dependência ao processo falimentar. A impugnação tem natureza de ação e vai seguir o procedimento comum previsto no CPC (por ser procedimento judicial, deve ser subscrita por quem tem capacidade postulatória, ou seja, um advogado). Após transitadas em julgado todas as impugnações (que correm pelo procedimento comum do CPC, ou seja, estão sujeitas a todas as fases e recursos de um processo comum), forma-se o quadro geral de credores, que é a lista "definitiva" de todos os credores do falido, ou seja, todos os credores sujeitos à ação falimentar. Observação: caso não seja apresentada habilitação/divergência no prazo de 15 dias acima explicado, é possível fazer habilitação/divergência "retardatária". Esta pessoa é chamada de credor retardatário (que perdeu o prazo de 15 dias para apresentação de habilitação/divergência). ALYSSON F. COELHO – DR7U18 19 O procedimento para apresentação de habilitação/divergência retardatária depende do momento processual em que é feita. Se ainda não estiver formado o quadro geral de credores, a habilitação ou divergência retardatária seguirá o mesmo procedimento das impugnações. Se já estiver formado o quadro geral de credores, as habilitações ou divergências retardatárias deverão ser objeto de ação autônoma cujo pedido será a retificação do quadro geral de credores. PROVA ATÉ AQUI. Daqui para frente provavelmente vai ser cobrado apenas na B2, pois ele passou bem rapido e nem explicou as diferenças. QUADRO GERAL DE CREDORES ORDEM LEGAL DE PREFERÊNCIA Ordem de preferência dos créditos COM FALÊNCIA: I – créditos EXTRACONCURSAIS (tributos com FG ocorrido após a decretação da falência) II – créditos TRABALHISTAS (até 150 salários mín/credor) e créditos ACIDENTÁRIOS III – créditos com GARANTIA REAL IV – créditos TRIBUTÁRIOS (exceto multas) V – créditos com PRIVILÉGIO ESPECIAL VI – créditos com PRIVILÉGIO GERAL VII – créditos QUIROGRAFÁRIOS VIII – MULTAS em geral IX – créditos SUBORDINADOS (pertencente aos sócios/administradores, ou seja, o pro labore ou à parte dos lucros que lhes cabe nos resultados da empresa falida, pendentes na data da quebra) RECURSO MNEMÔNICO PARA MEMORIZAR: "CONCURSO DÁ TRABALHO, MAS GARANTE O TRIBUTO COM PRIVILÉGIO ESPECIAL OU GERAL QUI MULTA O SUBORDINADO" Legislação detalhada: 1. As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à administração da falência, inclusive na hipótese de continuação provisória das atividades, serão pagas pelo administrador judicial com os recursos disponíveis em caixa; 2. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa; 3. As restituições em dinheiro; 4. Créditos Extraconcursais; e ALYSSON F. COELHO – DR7U18 20 5. Créditos Concursais CRÉDITOS EXTRACONCURSAIS: Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os créditos concursais, na ordem a seguir, os relativos a: 1 – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência; 2 – quantias fornecidas à massa pelos credores; 3 – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência; 4 – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida; 5 – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial ou após a decretação da falência, e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida para os créditos concursais. CRÉDITOS CONCURSAIS A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: 1 – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários- mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; os depósitos não realizados do FGTS e a remuneração não paga do representante comercial; 2 - créditos com garantia real (penhor, hipoteca e anticrese) até o limite do valor do bem gravado (definido contratualmente); 3 – créditos tributários, relativos a fatos geradores anteriores à decretação da falência, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; 4 – créditos com privilégio especial (créditos que tenham bens específicos vinculados ao pagamento em virtude de inadimplência): definidos por lei e, normalmente, asseguram ao titular o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. Com o advento da LC 147/14, os créditos cujos titulares estejam enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno porte passam a ser de privilégio especial; 5 – créditos com privilégio geral (a lei atribui a determinados créditos, o privilégio geral de recebimento sobre os bens não sujeitos a crédito real ou a privilégio especial), como, por exemplo, os créditos considerados quirografários na recuperação judicial cujo credor continue a fornecer durante o processo e os honorários advocatícios; 6 – créditos quirografários, a saber: a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo; b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento; c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem o limite de 150 salários mínimos por empregado; ALYSSON F. COELHO – DR7U18 21 7 – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; 8 – créditos subordinados, a saber: a) os assim previstos em lei ou em contrato; b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.