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Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares fernando.perez@uni9.pro.br fernandoperez21@gmail.com 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Conforme visto anteriormente, a aceleração do veículo é limitada por dois fatores: A potência disponível no motor e a capacidade de tração do veículo. • Neste capítulo veremos a capacidade de tração do veículo • Não adianta o veículo possuir um motor com grande potência se essa potência não for convertida em força de tração (Fx) • Essa conversão depende diretamente da força de atrito entre os pneus de tração e a pista • Quanto maior esse valor, mais tração será possível transmitir. 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Na prática percebemos isso dirigindo • Com o mesmo motor, percebemos que capacidade de tração muda bastante de asfalto para terra ou até mesmo grama molhada • Quanto menor o coeficiente de atrito, menor deve ser o valor de “Fx” para que a roda não patine • Na teoria, desconsiderando a construção da suspensão e transmissão do veículo, podemos definir a força de tração máxima como sendo: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Onde W é a carga no eixo de tração do veículo e μ o coeficiente de atrito entre o pneu e a pista • O problema é que em algumas suspensões ocorre uma transferência de carga entre as rodas do eixo de tração • É o caso em eixos rígidos: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Se o eixo não estiver com o bloqueio do diferencial acionado (caso possua), o torque é limitado pela roda com menor carga • Isso ocorre devido ao tipo de construção do diferencial • O efeito que faz com que a roda externa gire mais do que a dianteira em curvas, nesta situação atrapalha • Caso alguma roda perca contato com o solo, todo o torque será direcionado para ela, ficando a roda com contato com o solo parada • É por este motivo que em carros fora de estrada que enfrentam pistas com coeficiente de atrito baixo, existe o bloqueio do diferencial 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Este dispositivo bloqueia o funcionamento do diferencial, o tornando simplesmente uma redução • É como se os dois semieixos ficassem unidos • Dessa forma, o toque será distribuído por igual entre as duas rodas • Se o veículo for tração traseira e não possuir diferencial a tração máxima conseguida será: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Se o blocante do diferencial for acionado, podemos retirar o termo da equação que representa a transferência de carga, ficando: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Se o veículo possuir tração dianteira e sem blocante do diferencial: • Se o veículo possuir tração dianteira com diferencial blocado: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Caso o veículo possua suspensão independente, a carga não é transferida como ocorre em um eixo rígido • Abaixo podemos observar um tipo de suspensão independente do tipo MacPherson 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Para tração com suspensão independente podemos considerar que o limite máximo é igual ao limite para eixo rígido com blocante do diferencial ativado • Com isso ficamos: • Suspensão independente, tração traseira: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Suspensão independente, tração dianteira: 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Perceba que as duas equações possuem uma simetria. • Lembrando de carregamento dinâmico dos eixos, W.b/L é o peso estático do eixo traseiro e W.c/L é o peso estático do eixo dianteiro • A outra diferença é que os denominadores das duas equações são parecidos, sendo que a única diferença é o sinal • No denominador para tração traseira temos uma subtração e no denominador da traseira temos uma adição • Com isso, o denominador da tração traseira será sempre menor do que a tração dianteira • Isso se deve a transferência de carga que ocorre na aceleração 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares • Transferimos carga da dianteira para a traseira quando aceleramos e isso impacta diretamente a capacidade de tração • Cada caso deve ser analisado separadamente, mas geralmente o veículo possui uma melhor capacidade de tração de a mesma for traseira • Esse é um dos motivos pelos quais os veículos esportivos e de carga possuem tração traseira • A maioria dos veículos possui tração dianteira pela redução do custo de fabricação • Todo o powertrain fica na parte dianteira, economizando material • Isso também traz uma redução no peso do veículo, trazendo uma redução no consumo de combustível 2.5 Limite de aceleração pela capacidade de tração Prof. M.Sc. Fernando Perez Tavares Ex 1: Encontre a aceleração limitada pela capacidade de tração para um veículo de passageiros com tração traseira (eixo rígido) com e sem blocante no diferencial. Desconsidere a inércia da transmissão e as forças resistivas durante a aceleração. Dados: • W = 25000 N • c = 1,000 m • b = 1,250 m • h = 0,584 m • Raio do pneu = 0,330 m • Bitola = 1,448 m • coeficiente de atrito = 0,6 • Relação de transmissão do diferencial = 3,4 • Rigidez de rolagem da susp. Dianteira = 500 N.m/grau • Rigidez de rolagem da susp. Traseira = 800 N.m/grau • g = 9,8 m/s²