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Aula13 Apostila1 2E265AOINW

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JOÃO BARBALHO (“Constituição Federal 
Brasileira”, p. 303/304, edição fac-similar, 1992, Brasília), advertiu que a 
outorga desse tratamento seletivo a determinados cidadãos que não mais 
se acham no desempenho da função pública – cujo exercício lhes 
assegurava a prerrogativa de foro “ratione muneris” – ofende o princípio 
republicano, que traduz postulado essencial e inerente à organização 
político-constitucional brasileira. Nada pode autorizar o desequilíbrio 
entre os cidadãos da República. Isso significa, na perspectiva da 
controvérsia suscitada pela Lei nº 10.628/2002, que as atribuições 
constitucionais dos Tribunais devem merecer interpretação que impeça a 
indevida expansão, por efeito de imprópria atividade legislativa comum, 
de sua competência originária, para que não se transgrida, com a 
(inadmissível) concessão de prerrogativa de foro a ex-ocupantes de 
cargos públicos ou a ex-titulares de mandatos eletivos, um valor 
fundamental à própria configuração da idéia republicana, que se orienta 
pelo vetor axiológico da igualdade, viabilizando-se, desse modo, em 
relação a quem não mais detém certas titularidades funcionais no 
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aparelho de Estado, a aplicação ordinária do postulado do juiz natural, 
cuja importância tem sido enfatizada, em sucessivas decisões, por esta 
Corte Suprema (RTJ 149/962-963 – RTJ 160/1056-1058 – RTJ 169/557 
– RTJ 179/378-379, v.g.). Vê-se, portanto, como anteriormente 
assinalado, que o acórdão impugnado nesta sede recursal extraordinária 
ajusta-se, nesse específico ponto, à orientação jurisprudencial que esta 
Suprema Corte firmou no exame da matéria ora em análise. Sendo assim, 
em face das razões expostas, e considerando, sobretudo, o julgamento 
plenário da ADI 2.797/DF, conheço, em parte, do presente recurso 
extraordinário, para, nessa parte, negar-lhe provimento. Publique-se. 
Brasília, 24 de novembro de 2009. Ministro CELSO DE MELLO Relator * 
decisão publicada no DJE de 17.12.2009 
 
Com efeito, proposta a ação, prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações 
posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo 
objeto. 
 
A ação poderá ser proposta contra o agente público, o terceiro e inclusive a 
pessoa jurídica. 
 
Assim, no caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério Público, 
aplica-se a possibilidade de inversão do polo prevista na Lei da Ação Popular. Ou 
seja, a pessoa jurídica (de direito público ou de direito privada) que tiver sido 
lesada pelo ato de improbidade, poderá deixar de contestar a ação e atuar ao 
lado do autor da ação, conforme o seguinte: 
 
Art. 6º 
§ 3º A pessoa jurídica de direito público ou de direito privado, cujo 
ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o 
pedido, ou poderá atuar ao lado do autor, desde que isso se 
afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo 
representante legal ou dirigente. 
 
Cumpre destacar que, o Ministério Público, se não intervir no processo 
como parte, atuará obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de 
nulidade. 
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Ademais, no âmbito do processo judicial é vedada a transação, acordo ou 
conciliação. 
 
Na fase instrutória, ação deverá ser instruída com documentos ou justificação 
que contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade ou com 
razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas 
provas. 
 
É importante salientar que no procedimento judicial, haverá a chamada 
defesa prévia ou preliminar, é que, conforme dispõe o §7º, do art. 17, 
estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará 
a notificação do requerido, para oferecer manifestação por escrito, que 
poderá ser instruída com documentos e justificações, dentro do prazo 
de quinze dias. 
 
Diante disso, o juiz ao receber a manifestação, terá prazo de trinta dias para, 
em decisão fundamentada, rejeitar ou admitir a ação. Rejeitará a ação, se 
convencido da inexistência do ato de improbidade, da improcedência da ação ou 
da inadequação da via eleita. 
 
Se receber a petição inicial, determinará a citação do réu para 
apresentar contestação. Dessa decisão caberá agravo de instrumento. 
 
O juiz poderá, em qualquer fase do processo, ao reconhecer a 
inadequação da ação de improbidade, extingui-la sem julgamento do 
mérito. 
 
Nos termos do art. 18, a sentença que julgar procedente ação civil de reparação 
de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinará o 
pagamento ou a reversão dos bens, conforme o caso, em favor da pessoa 
jurídica prejudicada pelo ilícito. 
 
Em todo caso, a Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações 
necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio público, mesmo 
antes da sentença. 
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Ademais, conforme dispõe o art. 20, a perda da função pública e a 
suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em 
julgado da sentença condenatória. 
 
De qualquer forma, a aplicação das sanções decorrentes da Lei de Improbidade 
não depende: 
 
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo 
quanto à pena de ressarcimento; 
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle 
interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. 
 
Da Prescrição 
 
A prescrição é a perda do poder de se propor a ação, ou seja, não haverá mais 
a pretensão, que se trata do ilícito de improbidade. Assim, uma vez ocorrida a 
prescrição não haverá mais como aplicar eventuais punições e o processo deverá 
ser extinto. 
 
Nesse sentido, conforme dispõe o art. 23 da LIA, as ações destinadas a levar 
a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas: 
 
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de 
cargo em comissão ou de função de confiança; 
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para 
faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço 
público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. 
 
Das Disposições Penais 
 
É importante destacar, mais uma vez, que a Lei de Improbidade Administrativa 
não é uma lei de natureza criminal. Todavia, ainda que não se destine a tratar 
especificamente de ilícito criminal, há algumas hipóteses de tipificação criminal. 
 
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Nesse sentido, dispõe o art. 19, que “Constitui crime a representação por 
ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário, 
quando o autor da denúncia o sabe inocente”. A pena será de detenção de 
seis a dez meses e multa. 
 
Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado pelos 
danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado. 
 
Então, vamos às questões. 
 
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