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FACULDADE DA AMAZÔNIA - FAMA 
POLO SAPEZAL - MT 
Disciplina: Fitopatologia Geral 
 
 
 
 
 
SINTOMATOLOGIA DE DOENÇAS DE PLANTAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISCENTE: JEFERSON FERNANDO FERREIRA 
 
 
SAPEZAL – MT 
2018 
1. Conceito 
Sintomatologia é a parte da Fitopatologia que estuda os sintomas e sinais, 
visando a diagnose de doenças de plantas. Sintoma é qualquer manifestação 
das reações da planta a um agente nocivo, enquanto sinais são estruturas do 
patógeno quando exteriorizadas no tecido doente. A seqüência completa dos 
sintomas que ocorrem durante o desenvolvimento de uma doença constitui o 
quadro sintomatológico. 
Na maioria dos casos, estuda-se a sintomatologia de uma maneira objetiva 
considerando-se apenas os sintomas perceptíveis pela visão, tato, olfato e 
paladar, visto que a finalidade da sintomatologia se restringe à rápida diagnose 
da doença. 
A resposta de um vegetal ao ataque de um patógeno é variável e muitas vezes 
semelhante a reações provocadas por outros agentes não infecciosos. Este fato 
faz com que a diagnose de uma doença infecciosa seja uma tarefa árdua, 
requerendo um conhecimento bastante sólido das interferências que uma planta 
ou população de plantas pode estar sujeita em um determinado ambiente. 
2. Classificação dos Sintomas 
Os sintomas de doenças de plantas podem ser classificados de acordo com 
vários critérios. Entretanto, qualquer que seja o critério, ele é sempre arbitrário, 
não sendo possível separar completamente os sintomas em classes ou grupos 
definidos, pois não existem sintomas isolados, uma vez que são resultantes de 
alterações fisiológicas ao nível de células e tecidos, estando todos interligados 
dentro do quadro sintomatológico. Contudo, como a sintomatologia visa a 
diagnose da doença, para facilitar essa atividade os sintomas são padronizados 
e agrupados. 
Os sintomas podem ser classificados conforme a localização em relação ao 
patógeno, as alterações produzidas no hospedeiro e a estrutura e/ou processos 
afetados. Conforme a localização dos sintomas em relação ao patógeno, podem 
ser separados em sintomas primários, resultantes da ação direta do patógeno 
sobre os tecidos do órgão afetado (Ex.: manchas foliares e podridões de frutos), 
e sintomas secundários ou reflexos, exibidos pela planta em órgãos distantes do 
local de ação do patógeno (Ex.: subdesenvolvimento da planta e murchas 
vasculares). 
A doença pode provocar alterações no hábito de crescimento da planta, como 
superbrotamento, nanismo, esverdeamento das flores e escurecimento dos 
vasos, sendo denominados sintomas habituais. Em outros casos, os sintomas 
caracterizam-se por lesões na planta ou em um de seus órgãos, como manchas 
necróticas, podridões e secas de ponteiro, sendo denominados sintomas 
lesionais. Um dos critérios mais utilizados na classificação de sintomas se baseia 
nas alterações da estrutura e/ou de processos do hospedeiro, podendo ser 
separados em sintomas histológicos, sintomas fisiológicos e sintomas 
morfológicos. 
Sintomas Histológicos 
Quando as alterações ocorrem a nível celular, incluindo: 
• Granulose: produção de partículas granulares ou cristalinas em células 
degenerescentes do citoplasma. Ex.: melanose em folhas e frutas cítricas, 
causada por Diaporthe citri. 
Melanose dos citros (Phomopsis citri) 
 
 
• Plasmólise: perda de turgescência das células, cujo protoplasma perde 
água devido aos distúrbios na membrana citoplasmática. Ex.: podridões moles 
de órgãos de reserva causadas por Erwinia spp. 
 
 
• Vacuolose: formação anormal dos vacúolos no protoplasma das células, 
levando à degeneração. 
 
2.1. Sintomas Fisiológicos 
Quando as alterações ocorrem na fisiologia do hospedeiro, incluindo: 
• Utilização direta de nutrientes do patógeno: todos os patógenos, por 
serem heterotróficos, são incapazes de sintetizar seu próprio alimento, 
necessitando de carbohidratos e proteínas do hospedeiro para seu 
desenvolvimento. Ex.: Em centeio, a produção de grãos é inversamente 
proporcional à produção de esclerócios de Claviceps purpurea, agente do 
esporão. 
• Aumento na respiração do hospedeiro: todo o processo infeccioso nos 
tecidos do hospedeiro gera na área lesionada um aumento na taxa de respiração 
das células atacadas e adjacentes. Ex.: plantas de trigo atacadas por Ustilago 
tritici, agente do carvão, apresentam um aumento de 20% na taxa de respiração 
em relação a plantas sadias. 
• Alteração na transpiração do hospedeiro: conforme o estádio de 
colonização pelo patógeno, o hospedeiro pode apresentar aumento ou redução 
na taxa de transpiração. Ex.: plantas de bananeira e tomateiro, quando 
infectadas por Fusarium oxysporum, agente de murchas vasculares, exibem nos 
primeiros dias do ataque um aumento na taxa de transpiração e, mais tarde, 
quando a murcha está avançada, ocorre uma baixa taxa de respiração e inibição 
do sistema de transpiração. 
• Interferência nos processos de síntese: a interferência pode se 
processar diretamente, como na maior parte das doenças foliares, em que ocorre 
a destruição da superfície da folha pela ação direta do patógeno, ou 
indiretamente, uma vez que os processos são sempre acompanhados de 
interferência nas vias metabólicas do hospedeiro. Essas interferências podem se 
manifestar como distúrbios que resultam do acúmulo ou falta de hidrato de 
carbono, aminoácidos, sais minerais, hormônios, enzimas ou até mesmo no 
balanço energético da planta. Ex.: em tomateiro atacado por Ralstonia 
solanacearum, ocorre a descoloração vascular (resultado do acúmulo de 
melanina) e a produção de raízes adventícias (excessiva produção de auxinas 
sob o estímulo da bactéria). 
 
2.2. Sintomas Morfológicos 
Quando as alterações exteriorizam-se ao nível de órgão, com modificações 
visíveis na forma ou na anatomia. Dependendo do tipo de modificaçãoexibida 
pelo órgão afetado, os sintomas morfológicos podem ser qualificados como 
necróticos ou plásticos. 
2.2.1. Sintomas Necróticos 
Necroses são caracterizadas pela degeneração do protoplasma, seguida de 
morte de células, tecidos e órgãos. Sintomas necróticos presentes antes da 
morte do protoplasma são chamados plesionecróticos, enquanto são 
denominados holonecróticos aqueles expressos após a morte do protoplasma. 
a) Sintomas Plesionecróticos: Caracterizam-se pela degeneração 
protoplasmática e desorganização funcional das células, sendo mais freqüentes: 
• Amarelecimento: causado pela destruição da clorofila (destruição do 
pigmento ou dos cloroplastos), sendo mais freqüente nas folhas e com 
intensidade variando desde leve descoramento do verde normal até amarelo 
brilhante. Ex.: halo amarelado ao redor de manchas causadas por Cercospora 
spp. 
 
• Encharcamento: também conhecido por "anasarca", é a condição 
translúcida do tecido encharcado devido à expulsão de água das células para os 
espaços intercelulares. É a primeira manifestação de muitas doenças com 
sintomas necróticos, principalmente daquelas causadas por bactérias. 
Xanthomonas campestris pv. malvacearum) 
• 
 
• Murcha: estado flácido das folhas ou brotos devido à falta de água, 
geralmente causada por distúrbios nos tecidos vasculares e/ou radiculares. As 
células das folhas e de outros órgãos aéreos perdem a turgescência, resultando 
em definhamento do tecido ou órgão. A murcha pode ser permanente, resultando 
na morte dos órgãos afetados, ou temporária, com plantas murchas nos períodos 
quentes do dia, mas recuperando a turgidez durante a noite. Ex.: murchas 
causadas por patógenos vasculares, como Fusarium e Ralstonia solanacearum. 
 
 
b) SintomasHolonecróticos 
Podem se desenvolver em qualquer parte da planta doente e são característicos 
da morte das células, provocando mudanças de coloração do órgão afetado. 
Dentre os sintomas holonecróticos mais comuns podem ser citados: 
• Cancro: caracterizado por lesões necróticas deprimidas, mais freqüentes 
nos tecidos corticais de caules, raízes e tubérculos. Eventualmente este tipo 
de sintoma é observado em folhas e frutos. Ex.: cancro em folhas e frutos de 
plantas cítricas, causado por Xanthomonas campestris pv. Citri. 
 
 
• Crestamento: também denominado "requeima", refere-se à necrose 
repentina de órgãos aéreos (folhas, flores e brotações). Ex.: crestamento das 
folhas do tomateiro, causado por Phytophthora infestans. 
 
 
• Tombamento: também denominado "dampingoff", caracteriza-se pelo 
tombamento de plântulas, resultado da podridão de tecidos tenros da base do 
caulículo. Se a podridão ocorrer antes da emergência da planta, 
caracterizando uma redução no estande de semeadura, é denominado 
"tombamento de pré-emergência", enquanto se ocorre após a emergência da 
planta é denominado "tombamento de pós-emergência". Ex.: tombamentos 
causados por fitopatógenos habitantes do solo, como Rhizoctonia solani e 
Pythium spp. 
 
• Escaldadura: caracterizado pelo descoramento da epiderme e de tecidos 
adjacentes em órgãos aéreos, parecendo que este foi escaldado por água 
fervente. Ex.: escaldadura da folha da cana-deaçúcar, causado por 
Xanthomonas albilineans. 
 
 
• Estria: lesão alongada, estreita, paralela à nervura das folhas de 
gramíneas. Ex: folhas de cana-de-açúcar com estria vermelha, causada por 
Pseudomonas rubrilineans. 
 
 
 
• Gomose: exsudação de goma a partir de lesões provocadas por 
patógenos que colonizam o córtex ou o lenho de espécies frutíferas. Ex.: frutos 
de abacaxi com gomose, causada por Fusarium subglutinans. 
 
 
 
• Mancha: morte de tecidos foliares, que se tornam secos e pardos. A forma 
das manchas foliares varia com o tipo de patógeno envolvido, podendo ser 
circular, com pronunciadas zonas concêntricas (Ex.: mancha de Alternaria em 
tomateiro), angular, delimitada pelos feixes vasculares (Ex.: mancha angular 
do feijoeiro, causada por Phaeoisariopsis griseola) ou irregular (Ex.: 
helmintosporiose do milho, causada por Exserohilum turcicum). Embora 
manchas sejam mais comuns em folhas, podem estar presentes em flores, 
frutos, vagens ou ramos. 
 
 
 
• Morte dos ponteiros: morte progressiva de ponteiros e ramos jovens de 
árvores. Ex: morte descendente da mangueira, causada por Lasiodiplodia 
theobromae. 
 
 
 
• Mumificação: aparece nas fases finais de certas doenças de frutos, 
caracterizando-se pelo secamento rápido de frutos apodrecidos, com 
conseqüente enrugamento e escurecimento, formando uma massa dura, 
conhecida como múmia. Ex.: podridão parada do pessegueiro, causada por 
Monilinia fructicola. 
 
 
 
• Podridão: aparece quando o tecido necrosado encontra-se em fase 
adiantada de desintegração. Dependendo do aspecto da podridão, pode-se 
especificar o sintoma como podridão mole, podridão dura, podridão negra, 
podridão branca. 
 
 
 
• Pústula: caracterizado por pequena mancha necrótica, com elevação da 
epiderme, que se rompe por força da produção e exposição de esporos do 
fungo. Ex: ferrugens em vários hospedeiros. 
 
 
2.3.1. Sintomas Plásticos 
Anomalias no crescimento, multiplicação ou diferenciação de células vegetais 
geralmente levam a distorções nos órgãos da planta. Essas anomalias são 
conhecidas como sintomas plásticos. Quando as plantas apresentam 
subdesenvolvimento devido à redução ou supressão na multiplicação ou 
crescimento das células, os sintomas são denominados hipoplásticos. Nos 
casos em que ocorre superdesenvolvimento, normalmente decorrente de 
hipertrofia (aumento do volume das células) e/ou hiperplasia (multiplicação 
exagerada das células), os sintomas são denominados hiperplásticos. 
a) Sintomas Hipoplásticos 
Sintomas hipoplásticos mais comuns em doenças de plantas são: 
• Albinismo: falta congênita da produção de clorofila, apresentando-se, 
geralmente, como variegações brancas nas folhas, mas podendo, em certos 
casos, tomar todo o órgão. Ex.: folha de cana-de-açúcar com escaldadura, 
causada por Xanthomonas campestris pv. albilineans. 
 
 
 
• Clorose: esmaecimento do verde em órgãos clorofilados, decorrente da 
falta de clorofila. Diferencia-se do albinismo pelos órgãos não ficarem 
totalmente brancos. Estiolamento: sintoma complexo, que embora seja 
classificado como hipoplástico pela falta de produção de clorofila, envolve 
hiperplasia das células, com alongamento do caule. 
• Enfezamento: também conhecido por "nanismo", refere-se à redução no 
tamanho da planta toda ou de seus órgãos. Ex.: plantas de milho com 
nanismo, causado pelo vírus do nanismo do milho. 
 
 
 
• Mosaico: em áreas cloróticas aparecem intercaladas com áreas sadias 
(verde mais escuro) nos órgãos aclorofilados. Sintoma típico de algumas 
viroses. Ex.: plantas de cana-de-açúcar com mosaico, causado pelo vírus do 
mosaico da cana-de-açúcar. 
 
 
• Roseta: caracteriza-se pelo encurtamento dos entrenós, brotos ou ramos, 
resultando no agrupamento de folhas em rosetas. Ex.: plantas de abacaxi 
infectadas por Fusarium subglutinans. 
b) Sintomas Hiperplásticos 
Os sintomas hiperplásticos mais freqüentes em doenças de plantas são: 
• Bolhosidade: caracteriza-se pelo aparecimento, no limbo foliar, de 
saliências de aparência bolhosa. Ex.: bolhosidade causada pelo vírus do 
mosaico severo em folhas de caupi. 
 
 
• Bronzeamento: mudança de cor da epiderme, que fica com cor de cobre 
(bronzeada) devido à ação de patógenos. Ex.: plantas de tomateiro infectadas 
pelo vírus do vira-cabeça, no estádio inicial da doença. 
 
 
 
• Calo cicatricial: caracteriza-se pela hiperplasia de células da planta em 
torno de uma lesão. Constitui a reação da planta na tentativa de cicatrizar o 
ferimento. 
• Enação: desenvolvimento de protuberâncias, similares a folhas 
rudimentares, sobre as nervuras da folha, decorrente da infecção por alguns 
vírus. 
• Encarquilhamento: também conhecido como "encrespamento", 
representa uma deformação de órgãos da planta, resultado do crestamento 
(hiperplasia ou hipertrofia) exagerado de células, localizado em apenas uma 
parte do tecido. Ex.: folhas de pessegueiro com crespeira, causada por 
Taphrina deformans. 
 
 
• Epinastia: curvatura da folha ou do ramo para baixo, devido à rápida 
expansão da superfície superior desses órgãos. 
• Fasciação: estado achatado, muito ramificado e unido de órgãos da 
planta. 
• Galha: desenvolvimento anormal de tecidos de plantas resultante da 
hipertrofia e/ou hiperplasia de suas células. Ex.: galhas nas raízes de vários 
hospedeiros causadas por Meloidogyne spp. E galha em rosáceas, causada 
por Agrobacterium tumefaciens. 
 
 
 
• Intumescência: também conhecido como tumefação, consiste em 
pequena inchação ou erupção epidérmica resultante da hipertrofia 
pronunciada das células epidermais ou subepidermais, devido ao acúmulo 
excessivo de água, goma sob a epiderme ou outras causas. Ex.: em batata 
com canela preta, causada por Erwinia spp., ocorre o intumescimento das 
gemas axiais com a formação de tubérculos aéreos no caule. 
• Superbrotamento: ramificação excessiva do caule, ramos ou brotações 
florais. Algumas vezes, os órgãos afetados adquirem formato semelhante ao 
de uma vassoura, sendo então denominado /"vassoura-de-bruxa". Ex.: 
plantas de cacaueiro com vassoura-de-bruxa,causada por Crinipellis 
perniciosa. 
 
 
• Verrugose (sarna): crescimento excessivo de tecidos epidérmicos e 
corticais, geralmente modificados pela ruptura e suberificação das paredes 
celulares. Caracteriza-se por lesões salientes e ásperas em frutos, tubérculos 
e folhas. Ex.: verrugose em frutos cítricos, causada por Elsinoe spp.) 
 
 
 
• Virescência: formação de clorofila nos tecidos ou órgãos normalmente 
aclorofilados. Ex.: tubérculos de batata armazenados com presença de luz. A 
importância relativa de cada sintoma pode variar, dependendo da sua duração 
e intensidade, bem como do hábito ou forma de vida da planta afetada. 
 
 
 
3. SINAIS 
Sinais são estruturas ou produtos do patógeno, geralmente associados à 
lesão. Além de estruturas patogênicas (células bacterianas, micélio, esporos 
e corpos de frutificação fúngicos, ovos de nematóides, etc.), exsudações ou 
cheiros provenientes das lesões podem ser considerados como sinais. Em 
geral, os sinais ocorrem num estádio mais avançado do processo infeccioso 
da planta. Como exemplos, podem ser lembradas as frutificações de alguns 
fungos, como esclerócios de Sclerotium rolfsii em feijoeiro, picnídios de 
Lasiodiplodia theobromae em frutos de manga, peritécios de Giberella em 
trigo, apotécios de Sclerotinia em soja, micélio branco de Oidium em caupi, 
massa de uredosporos ou teliosporos produzidas em pústulas por fungos 
causadores de ferrugens em diversas plantas. Em algumas doenças, como 
os carvões, os sinais confundem-se com os sintomas. Exsudações viscosas 
compostas de células bacterianas liberados de órgãos atacados constituem 
importantes sinais para a diagnose, como ocorre com talos de tomateiro 
infectados por Ralstonia solanacearum quando submetidos a condições de 
alta umidade. Como exemplo de odor que constitui sinal de doença pode-se 
citar o mau cheiro emanado do colmo de cana-de-açúcar atacado por 
Pseudomonas rubrilineans.

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