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Resumão AV1 Clínica Psicanalítica.

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de exaustão nervosa 
graves e de longa duração. 
O PROBLEMA ETIOLÓGICO DA HISTERIA 
Inicialmente, Freud formula o problema etiológico da histeria em termos de quantidade de 
energia: 
• A histeria deve-se a um excesso de excitação que não foi descarregada por via verbal ou 
somática, porque a representação psíquica do trauma, ao ter sido impedida de 
expressão, torna-se um corpo estranho que atua no psiquismo. 
• O afeto como excitação psíquica é convertido em excitação somática, ou seja, em 
sintoma corporal. 
• Do ponto de vista descritivo, a histeria apresenta uma entidade línica definida, com 
sintomatologias e traços estruturais próprios. 
• Do ponto de vista relacional, reproduz um vínculo doentio com o outro que se repete 
na transferência. 
A histeria é uma neurose geralmente latente que eclode por ocasião de acontecimentos 
marcantes, ou em períodos críticos da vida de um sujeito. 
• É possível pensar a histeria como o teatro da subjetividade, como um fundamento da 
construção subjetiva que tem necessariamente seu eixo na ênfase da relação com o 
outro. 
• O sofrimento histérico expressa-se, principalmente, através de sintomas corporais que, 
em sua maioria, são transitórios, não resultam de nenhuma causa orgânica e que, em 
sua localização corporal, não obedecem a nenhuma lei anatômica ou fisiológica. 
• Construção do método psicanalítico: 
• Pré-psicanálise: método catártico com hipnose. 
• Consiste em possibilitar que o paciente possa rememorar a ideia dissociada do afeto de 
modo a convergi-los através da fala. Todo esse trabalho era realizado sob hipnose e 
ativado pelas sugestões do médico. 
• Bernheim (abre caminhos para a regra fundamental). 
• Psicanálise: método psicanalítico sem hipnose. 
• Consiste na tarefa de saber do próprio paciente algo que se ignorava e que também ele 
não sabia. Quando chegava com eles a um ponto em que diziam nada saber mais, eu 
lhes assegurava que sabiam, sim, que deviam apenas dizê-lo, e ousava afirmar que 
teriam a lembrança correta no momento em que eu pusesse a mão sobre sua testa. 
Dessa maneira consegui, sem recorrer à hipnose, saber dos doentes tudo o que era 
preciso para estabelecer o nexo entre as cenas patogênicas esquecidas e os sintomas 
por elas deixados. 
• Descobertas: 
• “As lembranças esquecidas não se achavam perdidas. Estavam em poder do doente e 
prontas para emergir em associação com o que ainda sabia, mas alguma força as 
impedia de se tornarem conscientes, obrigava-as a permanecer inconscientes” (FREUD, 
1910, p. 240). Essa descoberta levou à RESISTÊNCIA. 
• Foi com base na RESISTÊNCIA, Freud baseou sua concepção dos processos psíquicos da 
histeria. Para a recuperação do doente, mostrava-se necessário afastar a resistência, 
entendida como mecanismo clínico que o leva a supor o RECALQUE que a sustenta. O 
recalque cria estratégias para a ideia recalcada não retornar e o sintoma deflagra a falha 
do recalque. 
 
Caracterização da clínica freudiana 
A regra fundamental ou regra da livre associação 
 
• Foi intitulada pelo próprio Freud como a regra fundamental da Psicanálise; 
• É uma das vias de acesso ao inconsciente. 
NO QUE CONSISTE E QUAIS AS SUAS VANTAGENS CLÍNICAS: 
• Trata-se do compromisso assumido pelo paciente de comunicar ao analista tudo o que 
lhe vier à mente, independentemente de ordenamento lógico-gramatical, de suas 
inibições ou do fato de acreditar que seus pensamentos não portam conteúdo 
significativo. 
• Apesar de tê-la desenvolvido a partir da sua utilização da hipnose, da sugestão e do 
método catártico (período pré-psicanalítico), foi a partir do refinamento de sua escuta 
clínica que elaborou a regra fundamental utilizando-a no caso clínico de Emmy von N. 
• Esse refinamento da técnica psicanalítica possibilitou o acesso do material recalcado, de 
natureza inconsciente, para a consciência, possibilitando, portanto, a sua revelação e a 
dissolução dos sintomas. 
 
Resumo Livro: Fundamentos da clínica psicanalítica. 
Capítulo – Recomendações ao médico para o tratamento psicanalítico 
 Pois assim que afiamos a atenção intencionalmente até um determinado ponto, 
começamos a selecionar em meio ao material apresentado; fixamos uma parte de 
maneira bastante acurada, eliminando outra em seu lugar e, nessa seleção seguimos as 
nossas expectativas, corremos o risco de nunca encontrarmos algo diferente daquilo 
que já sabemos; se seguirmos as nossas inclinações, certamente falsificaremos a 
possível percepção. Não nos esqueçamos de que em geral ouvimos coisas cuja 
importância só se revelará a posteriori; 
 Confusões com o material de outros pacientes são bastante raras; 
 Não recomendo fazer anotações de grande extensão nas sessões com o analisando, nem 
fazer registros da sessão e assemelhados. Além da impressão desfavorável que isso 
causa em alguns pacientes, valem, por sua vez, os mesmos aspectos que destacamos na 
memorização; 
 A anotação durante a sessão com o paciente se justificaria a partir da intenção de tornar 
o caso tratado o objeto de uma publicação científica. Isso dificilmente seria recusado; 
 Os casos que mais têm sucesso são aqueles em que procedemos quase sem intenção, 
nos surpreendendo com cada mudança de rumo e com que nos defrontamos sempre 
desarmados e sem preconcepções; 
 O comportamento correto do analista consiste em se alçar de uma configuração 
psíquica para a outra, se preciso for não especular e meditar enquanto analisa e só 
submeter o material obtido ao trabalho sintético do pensamento após terminada a 
análise; 
 O médico não poderá tolerar quaisquer resistências dentro de si próprio, resistências 
estas que afastaram de seu consciente aquilo que foi reconhecido pelo seu inconsciente, 
cada recalque não resolvido do médico corresponde, de acordo com a expressão precisa 
de Wilhelm Stekel, a um “ponto cego” em sua percepção analítica; 
 O médico precisa ser opaco para o analisando e, assim como uma superfície espelhada, 
não deve mostrar nada além daquilo que lhe é mostrado; 
 Atenção equiflutuante – O adjetivo gleichschwebend, para além da mera questão da 
flutuação, designa as pequenas batidas de asa suficientes para que um pássaro possa 
planar. É esse tipo de atenção que Freud recomenda aos analistas, suficiente para que 
o analista possa escutar, sem seleção prévia, as associações livres do analisando; 
Capítulo – Sobre a dinâmica da transferência 
 As peculiaridades da transferência para o médico, ultrapassando a medida e o tipo 
daquilo que se justificaria de forma sóbria e racional, será compreensível a partir da 
consideração de que, justamente, não foram apenas as representações de expectativas 
conscientes, mas também as retidas ou inconscientes que produziram tal transferência; 
 Sobre essa conduta da transferência nada mais haveria a dizer ou pensar, se não 
houvesse ai dois pontos ainda obscuros, que são de especial interesse para o 
psicanalista. Primeiro, não entendemos por que a transferência no caso de pessoas 
neuróticas é tão mais intensa na análise do que nas outras pessoas, não analisadas; 
segundo, permanece uma incógnita o motivo de ser a transferência, na análise a mais 
forte resistência contra o tratamento, enquanto fora da análise temos de reconhecê-la 
como portadora do efeito de cura e condição para o sucesso do tratamento; 
 Assim, no tratamento analítico, a transferência parece-nos surgir primeiro apenas como 
a arma mais poderosa da resistência, e podemos concluir que a intensidade e a duração 
da transferência são um efeito e uma expressão da resistência. O mecanismo da 
transferência, é bem verdade, resolve-se a partir de seu retorno à disponibilidade da 
libido, que