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1 2 3 Reitor Prof. Me. Stefano Barra Gazzola Gestão da Educação a Distância Prof. Me. Wanderson Gomes de Souza Design Instrucional e Diagramação Amanda Alves Figueiredo Revisão Ortográfica / Gramatical Kamilla Beatriz 4 Armando Belato Pereira Engenheiro Civil graduado pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (EM/UFOP) e Mestre em Geotecnia pela mesma instituição (NUGEO/UFOP). Foi bolsista do Núcleo de Geotecnia Aplicada (NGA/UFOP), entidade pela qual trabalhou em projeto de execução de túnel (Túnel Bala) para transposição de córrego na cidade de Mariana - MG. Também estagiou na Dinâmica Engenharia, onde prestou serviços ligados a projetos e execução de obras. Participou do Programa Jovens Talentos em estágio de férias na Construtora Norberto Odebrecht na obra da Ferrovia Transnordestina. Atuou como Chefe do Departamento de Controle do Plano Diretor e Coordenador de Projetos de Expansão Urbana na Prefeitura Municipal de Mariana – MG. Atualmente é professor titular do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS, onde leciona disciplinas como: Introdução à Engenharia Civil, Desenho Técnico I, Elementos de Geologia e Mineralogia, Mecânica dos Solos, Engenharia de Transportes I e II e Fundações e é coordenador do curso de Engenharia Civil modalidade ensino à distância (EaD) da mesma instituição. Atua também como engenheiro projetista, desenvolvendo projetos arquitetônicos, estruturais, de instalações elétricas e hidrossanitárias e de prevenção e combate a incêndio e pânico. http://lattes.cnpq.br/0338226167604541 5 . PEREIRA, Armando Belato Pereira. Guia de Estudo – Mecânica dos Solos. Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2017. 97 p. 1. Geologia de Engenharia 2. Geotecnia 3. Mecânica dos Solos I. Mecânica dos Solos 6 EMENTA DA DISCIPLINA _________________________________________________________ 11 ORIENTAÇÕES GERAIS DA DISCIPLINA ______________________________________________ 11 PALAVRAS-CHAVE ______________________________________________________________ 11 UNIDADE I: ORIGEM DO SOLO E TAMANHO DOS GRÃOS MINERAIS _____________________ 13 OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 13 INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 13 1.1 O CICLO DAS ROCHAS __________________________________________________________ 14 1.2 O INTEMPERISMO E A ORIGEM DO SOLO _____________________________________________ 20 1.3 TAMANHO DAS PARTÍCULAS DO SOLO _______________________________________________ 25 1.4 ANÁLISE GRANULOMÉTRICA _____________________________________________________ 27 1.5 CLASSIFICAÇÃO TRILINEAR _______________________________________________________ 33 UNIDADE II: ÍNDICES FÍSICOS DO SOLO – RELAÇÕES PESO – VOLUME ____________________ 39 OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 39 INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 39 2.1 RELAÇÕES BÁSICAS PESO-VOLUME _________________________________________________ 40 2.2 ÍNDICES FÍSICOS FUNDAMENTAIS __________________________________________________ 42 2.3 CORRELAÇÕES DE ÍNDICES FÍSICOS _________________________________________________ 51 UNIDADE III: ESTRUTURA E CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS _______________________________ 67 OBJETIVOS DESTA UNIDADE ________________________________________________________ 67 INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 67 3.1 SOLOS GROSSOS OU GRANULARES _________________________________________________ 68 3.2 SOLOS FINOS _______________________________________________________________ 73 3.2.1 PLASTICIDADE DE SOLOS FINOS _________________________________________________ 74 3.2.2 LIMITE DE LIQUIDEZ _________________________________________________________ 75 3.2.3 LIMITE DE PLASTICIDADE ______________________________________________________ 77 3.2.4 ÍNDICE DE PLASTICIDADE ______________________________________________________ 82 3.2.5 ÍNDICE DE ATIVIDADE DAS ARGILAS _______________________________________________ 83 3.2.6 ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA _____________________________________________________ 85 3.3 CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS ______________________________________________________ 87 3.3.1 CLASSIFICAÇÃO TEXTURAL (GRANULOMÉTRICA) ______________________________________ 87 7 3.3.2 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O COMPORTAMENTO DE ENGENHARIA _____________ 89 3.3.2.1 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DA AASHTO (SISTEMA RODOVIÁRIO) _______________________ 89 3.3.2.2 SISTEMA UNIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS (ASTM) _____________________________ 92 8 9 O Engenheiro Civil é grande protagonista na história de desenvolvimento de um país, pois é ele quem cria a infraestrutura necessária para a implantação de empreendimentos dos mais diversos vultos e finalidades. Em seu trabalho, o Engenheiro Civil projeta e executa todas as etapas de obras civis. E, para tanto, ele estuda um grande conjunto de áreas que são apresentadas em forma de disciplinas e compõem a grade curricular do curso de Engenharia Civil. No contexto do desenvolvimento de projetos e execução de empreendimentos é que, surge a necessidade dos conhecimentos apresentados na disciplina de Mecânica dos Solos. Você já parou para pensar que obras como barragens de terra e estradas, por exemplo, utilizam-se dos solos e das rochas para a sua construção? Você já observou que um edifício ou uma ponte direcionam todo o carregamento de sua superestrutura para as fundações e que estas, por sua vez, direcionam tal carregamento para o solo de fundação? E as obras de contenção (muros de arrimo, cortinas atirantadas, etc.), você já pensou em como elas são dimensionadas? Como estimar o carregamento imposto por uma massa de solo? Portanto, para o sucesso de um empreendimento de grande porte na Engenharia Civil, engenheiros civis e geólogos, trabalham em conjunto, com o intuito de conhecer a localidade onde determinada obra será executada, investigar as condições do solo e 10 subsolo local, verificar a existência de nível freático e propor soluções de fundações, contenções, drenagem, etc. A partir de agora começaremos a compreender melhor a composição, propriedades e o comportamento físico e mecânico dos materiais naturais que compõem a subsuperfície e superfície terrestre, basicamente solos e rochas, de maneira que possamos utilizá-los como materiais de construção, fundação, etc... Bons estudos! Forte abraço, Prof. Armando Belato Pereira. 11 Ementa da disciplina Origem e tipos de solos. Propriedades dos solos. Classificação dos solos. Compactação dos solos. Tensões nos solos: tensões geostáticas e tensões devido ao carregamento externo. Compressibilidade dos solos. Resistência ao cisalhamento dos solos. Água nos solos: permeabilidade e percolação. Empuxos de terra. Prospecção geotécnica do subsolo. Orientações gerais da disciplina Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no ambiente virtual. Palavras-chave Geologia de Engenharia. Geotecnia. Mecânica dos Solos. 1213 Unidade I: Origem do solo e tamanho dos grãos minerais Objetivos desta unidade Revisar conceitos ligados ao ciclo das rochas, intemperismo e origem dos solos; Apresentar os conceitos da NBR 6502/1995 referente ao tamanho dos grãos minerais que compõem a massa de solo; Apresentar o ensaio de granulometria para a verificação do tamanho das partículas minerais do solo. Introdução Os solos são formados devido ao intemperismo das rochas e, as rochas são agregados de minerais. Portanto, as propriedades físicas do solo são determinadas, em princípio, pelos minerais que constituem suas partículas e, consequentemente, pelas rochas as quais derivam. A definição de solo é algo muito variável e totalmente dependente da ciência na qual será aplicada. Para a Engenharia Civil os solos são materiais passíveis de escavação por processos mecânicos simples, sem a necessidade de aplicação de técnicas 14 especiais (desmonte por explosivos, por exemplo) que podem ser aplicados como materiais de construção, fundação e contenção. Na presente unidade exploraremos um pouco do processo de formação dos solos, resgatando alguns conceitos apresentados na disciplina de Elementos de Geologia e Mineralogia e estudaremos a granulometria (tamanho dos grãos minerais) de uma massa de solo. 1.1 O ciclo das rochas Segundo Das (2011), os grãos minerais que formam a fase sólida de um agregado são resultado da erosão de rochas. O tamanho dos grãos varia amplamente. Muitas das propriedades do solo são determinadas pelo tamanho, formato e composição química desses grãos. Para nos familiarizarmos com os tipos básicos de rochas formadoras da crosta terrestre, vamos revisar o ciclo das rochas apresentado na Figura 1.1. 15 Figura 1.1 – O ciclo das rochas (TEIXEIRA et al, 2000). Conforme Teixeira, et al (2000), As relações entre os três tipos genéticos de rochas na crosta não se dão ao acaso. Ao contrário, existe uma disposição rígida que reflete exatamente os eventos geológicos que ocorreram em determinada região. É possível, para o geólogo, descrever a história geológica da crosta, através do estudo das rochas e dos tipos de contatos que existem entre elas. As fontes de informações para este estudo são os mapas geológicos, cortes rochosos em estradas e ferrovias, perfurações de poços para obtenção de água e petróleo etc. 16 O autor do guia sugere uma boa revisão dos conteúdos assimilados na disciplina de Elementos de Geologia e Mineralogia para o bom andamento do presente conteúdo. De maneira sucinta temos os três tipos genéticos de rochas apresentados na Figura 1.2. Figura 1.2 – Tipos genéticos de rochas (PRESS et al, 2006). Conforme Pressa t al (2006), os minerais e as texturas dos três grandes grupos de rochas são formados em diferentes lugares da Terra e por diferentes processos. Como consequência, os geólogos usam as análises mineralógicas e químicas para determinar as origens das rochas e os processos que as formaram. A Figura 1.2 17 apresenta o granito, composto de quartzo, feldspato e cristais de mica; uma rocha sedimentar acamada, composta de arenitos; uma rocha metamórfica dobrada e deformada conhecida como um gnaisse. Segundo Das (2011), a classificação dos tipos de rochas ígneas, formadas pelo resfriamento do magma, depende de fatores como a composição do magma e a taxa de resfriamento desta composição. Bowen conduziu uma série de experimentos e conseguiu explicar a relação da taxa de resfriamento do magma com a formação dos diferentes tipos de rochas, conforme a Figura 1.3. Figura 1.3 – Série de reação de Bowen (DAS, 2011). 18 Segundo Bowen, existem duas séries de reações que se designam, respectivamente, por série dos minerais ferromagnesianos (ramo descontínuo) e série dos plagioclásios (série contínua). No ramo descontínuo, à medida que se verifica o arrefecimento, o mineral anteriormente formado reage com o magma residual, dando origem a um mineral com uma composição química e uma estrutura diferente, e que é estável nas novas condições de temperatura. No ramo contínuo, verifica-se uma alteração do mineral plagioclásio, sem que ocorra alteração da estrutura interna dos minerais. Portanto, a série de reação de Bowen descreve a sequência que os minerais são formados à medida que o magma resfria indicando se a cristalização do magma ocorreu a maiores ou menores temperaturas e indica a resistência ao intemperismo do mineral (em relação aos demais). Graças a série de reação de Bowen é possível observar que rochas compostas por minerais que se formaram a temperaturas mais baixas têm uma maior resistência ao intemperismo, o que na prática significa que são rochas que apresentarão maior integridade física ao longo do tempo, apresentando boa resistência mecânica. Isso implica também diretamente no processo de escavação de um túnel, por exemplo, ou seja, quando nos deparamos com rochas compostas basicamente do mineral quartzo é sabido, pela série de reação de Bowen, que este mineral foi cristalizado a baixas temperaturas, possuindo grande resistência ao intemperismo e implicando em grandes dificuldades de escavação. 19 EXERCÍCIO RESOLVIDO A figura abaixo (Figura 1.4) apresenta a escavação de um túnel para a transposição de um rio em área urbana na cidade de Mariana - MG. Observa-se junto ao maciço de solo uma determinada formação rochosa. Visualmente, qual seria o mineral preponderante nesta formação rochosa? Baseando-se na série de Bowen, você acredita que seria relativamente fácil romper essa formação rochosa para dar prosseguimento ao emboque do túnel? Figura 1.4 – Escavação de túnel na cidade de Mariana – MG (Fonte: o autor). Resolução: Dadas as características visuais da rocha, a mesma é composta basicamente do mineral quartzo. É sabido, pela série de reação de Bowen, que este mineral foi cristalizado a baixas temperaturas, possuindo grande resistência ao intemperismo, resultando em boa resistência mecânica e implicando em grandes dificuldades de 20 escavação. Portanto, romper essa formação rochosa de quartzito não seria tão simples, mesmo o maciço apresentando fraturas. Para conhecer um pouco mais sobre rochas e minerais acesso o site: www.geology.com. 1.2 O intemperismo e a origem do solo Conforme Press et al (2006), todas as rochas, mesmo aquelas que, por ser muito duras, parecem indestrutíveis, assim como automóveis antigos que enferrujam e jornais velhos que ficam amarelados, também enfraquecem- se e esfacelam-se quando expostas à água e aos gases da atmosfera. O processo geológico que colapsa e fragmenta as rochas é conhecido como intemperismo 21 e representa conjunto de modificações de ordem física (desagregação) e química (decomposição) que as rochas sofrem ao aflorarem na superfície da Terra. Neste contexto temos o intemperismo físico ou mecânico (Figura 1.5), caracterizado por: - desconfinamento por erosão; - variações térmicas de expansão e contração (esfoliação); - congelamento da água /cristalização de sais; - processos físicos-biológicos (ação de raízes). Figura 1.5 - Matacão de gnaisse de 3 m de altura, fraturado pelo acunhamento do gelo (PRESS et al, 2006). 22 E o intemperismo químico dado por processos de reações químicas, Figura 1.6. Figura 1.6 – Alteração de minerais de rocha como resultado do intemperismo químico (Google web imagens). A seguir apresentaremos um quadro (Quadro 1.1) que resume os fatores do intemperismo.23 Quadro 1.1 – Fatores do intemperismo (PRESS et al, 2006). Segundo Press et al (2006), todas as rochas alteram-se, mas a maneira e a taxa em que isso ocorre são variáveis. Os fatores que controlam a desintegração e a decomposição das rochas são as propriedades da rocha matriz, o clima, a presença ou a ausência de solo e o tempo exposição das rochas à atmosfera. O Quadro 1.2 a seguir indica os principais fatores controladores das taxas de intemperismo. 24 Quadro 1.2 – Principais fatores controladores das taxas de intemperismo (PRESS et al, 2006). O processo de intemperismo das rochas gera subprodutos cada vez mais fragmentados e menores dando origem ao solo. Quanto mais fragmentada a rocha se torna, maior sua superfície específica, otimizando e acelerando o processo de intemperismo químico. Conforme dito anteriormente, os solos são, portanto, formados devido ao intemperismo das rochas e, as rochas são agregados de minerais. Portanto, as propriedades físicas do solo são determinadas, em princípio, pelos minerais que constituem suas partículas e, consequentemente, pelas rochas as quais derivam. 25 A NBR 6502/1995 caracteriza solo como material proveniente da decomposição das rochas pela ação de agentes físicos ou químicos, podendo ou não conter matéria orgânica. 1.3 Tamanho das partículas do solo Conforme propõe Das (2011), o tamanho das partículas de grãos minerais que compõem o solo variam muito e muitas das propriedades do solo são determinadas pelo tamanho, formato e composição química desses grãos. Em linhas gerais, o solo recebe as seguintes denominações: pedregulho, areia, silte e argila. Portanto, para descrever os solos pelos tamanhos das partículas, diversas organizações desenvolveram classificações de tamanho (Tabela 2.1). Tabela 2.1 – Classificações do tamanho das partículas (DAS, 2011). 26 A NBR 6502/1995 conhecida como “Rochas e solos” apresenta as seguintes definições: - Pedregulho: solos formados por minerais ou partículas de rocha, com diâmetro compreendido entre 2,0 mm e 60 mm. Quando arredondados ou semi-arredondados, são denominados cascalho ou seixo. - Pedregulho fino: pedregulho com grãos compreendidos entre 2,0 mm e 6,0 mm. - Pedregulho médio: pedregulho com grãos compreendidos entre 6,0 mm e 20,0 mm. - Pedregulho grosso: pedregulho com grãos compreendidos entre 20,0 mm e 60,0 mm. - Areia: solo não coesivo e não plástico formado por minerais ou partículas de rochas com diâmetros compreendidos entre 0,06 mm e 2,0 mm. - Areia fina: areia com grãos de diâmetros compreendidos entre 0,06 mm e 0,2 mm. - Areia média: areia com grãos de diâmetros compreendidos entre 0,20 mm e 0,60 mm. - Areia grossa: areia com grãos de diâmetros compreendidos entre 0,60 mm e 2,0 mm. 27 - Silte: solo que apresenta baixa ou nenhuma plasticidade, e que exibe baixa resistência quando seco o ar. Suas propriedades dominantes são devidas à parte constituída pela fração silte. É formado por partículas com diâmetros compreendidos entre 0,002 mm e 0,06 mm. - Argila: solo de granulação fina constituído por partículas com dimensões menores que 0,002 mm, apresentando coesão e plasticidade. Partindo-se destas definições poderíamos organizar os intervalos de tamanho em uma simples escala numérica como a apresentada na Figura 1.7. Figura 1.7 – Escala de diâmetro de partículas de sólidos segundo a NBR 6502/1995 (Fonte: o autor). 1.4 Análise granulométrica A análise granulométrica tem por escopo determinar a percentagem em peso de determinadas faixas de tamanhos de grãos em relação à massa total da amostra ensaiada, assim, por meio dos resultados obtidos é possível a construção de uma curva 28 de distribuição granulométrica. Tal procedimento é regido pela ABNT NBR 7181/1984, “Solo – Análise granulométrica”. O ensaio se baseia em dois momentos: peneiramento e sedimentação (quando necessária), como podemos observar na Figura 1.8. Figura 1.8 – Peneiramento e sedimentação (RIBEIRO, 2013). Conforme Ribeiro (2013), na análise granulométrica por peneiramento, as partículas de solo são agitadas em uma peneira com abertura de malha de tamanho específico. Assim, o “tamanho” de uma partícula maior que 0,075mm é definido pelo comprimento de um lado de um furo quadrado em uma tela (abertura da malha da peneira). Nas análises por sedimentação, o tamanho de uma partícula é o diâmetro de uma esfera que se sedimenta em água 29 com a mesma velocidade que a partícula, princípio baseado na lei de Stokes. Portanto, apesar de não serem necessariamente esféricos ou cúbicos, os grãos e/ou partículas de solo são quantificados por um diâmetro equivalente. Ainda segundo Ribeiro (2013), o produto final da análise granulométrica é a denominada curva granulométrica, que é, basicamente, um gráfico cuja abscissa representada os diâmetros equivalentes e a ordenada representa as porcentagens acumuladas retidas nas peneiras (Figura 1.9). A partir desta curva é possível avaliar a graduação e a uniformidade do solo, além de servir como base para sua classificação. Figura 1.9 – Curva de distribuição granulométrica do solo (PINTO, 2006). 30 Conforme Caputo (1988), segundo a forma da curva podemos distinguir os diferentes tipos de granulometria. Assim, de acordo com a Figura 1.10, teremos uma granulometria contínua (curva A) ou descontínua (curva B); uniforme (curva C); bem graduada (curva A) ou mal graduada, conforme apresente, ou não, um predomínio das frações grossas e suficiente porcentagem das frações finas. Figura 1.10 – Curvas granulométricas (CAPUTO, 1988). A Fig. 1.11 visualiza, esquematicamente, essas diferentes granulometrias. 31 Figura 1.11 – Diferentes tipos de graduação do solo (CAPUTO, 1988). Ribeiro (2013) apresenta na Figura 1.12 algumas curvas granulométricas típicas. 32 Figura 1.12 – Curva granulométricas típicas (RIBEIRO, 2013). A ABNT NBR 6502/1995 faz ainda as seguintes definições: - Coeficiente de uniformidade: relação entre os diâmetros de grãos D60 e D10 de um solo, onde D60 é o diâmetro de grão correspondente aos 60% mais finos na curva granulométrica e D10 é o diâmetro de grão correspondente aos 10% nesta curva. Matematicamente: 10 60 D D Cu Os solos são classificados quanto ao coeficiente de uniformidade em: 33 a) uniformes, quando Cu < 5; b) medianamente uniformes, quando 5 < Cu ≤ 15; c) desuniformes, quando Cu > 15. Caputo (1988) apresenta o seguinte parâmetro: - Coeficiente de curvatura: 1060 2 30 . DD D Cc Onde D30 represente o diâmetro corresponde a 30% do material passante na peneira. Para solos bem graduados seu valor está compreendido entre 1 e 3. Solos com coeficiente de curvatura abaixo de 1 e acima de 3 são considerados mal graduados. 1.5 Classificação trilinear Conforme apresenta Caputo (1988), pela classificação trilinear do solo, sua identificação é feita em função das porcentagens dos seus constituintes principais, utilizando-se um diagrama trilinear, tal como adotado pelo Federal Highway Administration (Figura 1.13), no qual , sobre cada um dos três eixos coordenados se representa uma dessas três frações granulométricas: areia, silte e argila. O diagrama está dividido em zonas, a cada uma correspondendo um tipo de solo. Lemo foi o termo proposto para substituir "barro", que corresponde a 34 "loam", em inglês, com o qual se designa uma mistura, em proporçõesvariadas, de partículas de areia, silte e argila. Figura 1.13 – Diagrama trilinear de classificação do solo (CAPUTO, 1988). 35 Docentes da UFG/Campus Jataí, elaboraram um aplicativo para celulares capaz de classificar texturalmente solos em três diferentes sistemas: Embrapa simplificado, USDA (USA) e ADAS (Reino Unido). Basta entrar porcentagens para as quantidades de argila, silte e areia no solo que o aplicativo já te apresenta o resultado. Este aplicativo pode ser baixado gratuitamente pelo site: https://play.google.com/store/apps/details?i d=com.agro.textura&hl=pt_BR EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) A seguir, estão os resultados de um ensaio de peneiramento. Faça os cálculos necessários e trace a curva de distribuição granulométrica. Determine também: D10, D30 e D60; o coeficiente uniformidade (Cu); o coeficiente de curvatura (Cc); as porcentagens de pedregulho, areia, silte e argila da amostra. Número da peneira Massa de solo retida em cada peneira (g) 4 0 10 18,5 20 53,2 40 90,5 60 81,8 100 92,2 200 58,5 Fundo 26,5 36 Resolução: a) Desenvolvimento da curva granulométrica Peneira Abertura Massa retida Massa passante Porcentagem passante # mm g g % 4 4,8 0 421,2 100,00 10 2 18,5 402,7 95,61 20 0,84 53,2 349,5 82,98 40 0,42 90,5 259 61,49 60 0,25 81,8 177,2 42,07 100 0,15 92,2 85 20,18 200 0,075 58,5 26,5 6,29 Fundo 26,5 0 0,00 b) Obtenção dos diâmetros D10, D30 e D60 37 Analisando o gráfico acima temos: D10 = 0,095 D30 = 0,19 D60 = 0,40 c) Cálculo do coeficiente de uniformidade 21,4 095,0 40,0 10 60 uuu CC D D C d) Cálculo do coeficiente de curvatura 95,0 095,0.40,0 19,0 . 2 1060 2 30 ccc CC DD D C 38 39 Unidade II: Índices físicos do solo – relações peso – volume Objetivos desta unidade Apresentar os índices utilizados para representar as condições físicas de uma massa de solo; Apresentar as principais correlações entre índices físicos; Aplicar tais conceitos a problemas práticos de Engenharia Civil. Introdução Podemos dizer que o solo é constituído de três fases: sólidos (partículas sólida ou grãos minerais), água e ar. Estas fases se organizam e formam a chamada estrutura do solo e o comportamento desta estrutura é variável em função da quantidade de cada uma das fases (sólidos, água e ar). Conforme Pinto (2006), em princípio, as quantidades de água e ar podem variar. A evaporação pode diminuir a quantidade de água, substituindo-a por ar, e as compressão do solo pode provocar a saída de água e ar, reduzindo o volume de vazios. O solo, no que se refere às partículas sólidas que o constituem, permanece o mesmo, 40 mas seu estado se altera. As diversas propriedades do solo dependem do estado em que este se encontra. Desta forma, para identificarmos o estado do solo e suas propriedades, empregamos índices (índices físicos) que relacionam pesos e volumes da massa de solo e expressam as proporções entre elas. Portanto, os índices físicos são valores que tentam representar as condições físicas de um solo no estado em que ele se encontra. O objetivo desta nossa unidade é apresentar e aplicar os diversos índices físicos que serão apresentados a seguir. 2.1 Relações básicas peso-volume A Figura 2.1 a, a seguir, apresenta uma massa de solo com volume V e peso W na sua condição in situ. Para apresentarmos as relações peso-volume separaremos as três fases, de acordo com a Figura 2.1 b. 41 Figura 2.1 – Fases do solo separadas e definições de peso e volume (DAS, 2011). Onde: W = peso total da massa de solo; V = volume total da massa de solo; Vs = volume de sólidos no solo (partículas sólidas); Va = volume de ar nos vazios; Vw = volume de água nos vazios; Vv = volume de vazios. 42 Considerando o peso de ar desprezível temos que o peso total da amostra de solo pode ser dado pela seguinte equação: ws WWW Em uma análise volumétrica não podemos desprezar o volume do ar na massa de solo, visto que o mesmo bastante significativo, então, temos que: aws VVVV Por sua vez, consideramos como volume de vazio todo volume que não possui partículas sólidas, ou seja, grãos minerais, portanto: awv VVV 2.2 Índices físicos fundamentais A seguir apresentaremos os mais diversos índices físicos empregados para correlacionar pesos e volumes da massa de solo e indicar questões relativas ao estado desta. Teor de umidade (w) O teor de umidade é um índice físico que tem por finalidade avaliar o peso de água que uma determinada amostra possui em relação ao peso de partículas sólidas desta, conforme a equação apresentada a seguir: s w W W w 43 Tal índice físico varia em função do tipo de solo e situam-se normalmente entre 10% e 40%, podendo apresentar valores muito baixos para solos secos e valores muito altos (400%, por exemplo) para as argilas encontradas no México, por exemplo (PINTO, 2006). Índice de vazios (e) O índice de vazios expressa a relação entre o volume de vazios e o volume de sólidos da massa de solo. Matematicamente: s aw s v V VV e V V e Normalmente não é calculado diretamente, mas pode ser obtido a partir de outros índices através de correlações, como será visto logo adiante. Pinto (2006) aponta que tal índice costuma se situar entre 0,5 e 1,5, mas argilas orgânicas podem ocorrer com índices de vazios superiores a 3,0. O índice de vazios é bastante utilizado pelos engenheiros geotécnicos na avaliação inicial da resistência ao cisalhamento, deformabilidade e condutividade hidráulica dos solos. Porosidade (n) A porosidade representa a relação entre o volume de vazios e o volume total da amostra de solo. Matematicamente temos: saw awv VVV VV n V V n 44 Tal índice físico apresenta valores da ordem de 30% a 70% (Pinto, 2006). Grau de saturação (S) O grau de saturação expressa a relação entre o volume de água e o volume de vazios da amostra, ou seja: v w V V S A Figura 2.2, expressa três possíveis situações. Figura 2.2 – Solo seco, parcialmente saturado e saturado (RIBEIRO, 2013). 45 Avaliando a Figura 2.2 podemos perceber que o solo na condição de seco possui grau de saturação nulo, pois, o volume de água será zero. O solo em situação de saturação possui água ocupando todo o volume de vazios, portanto, nesta exclusiva situação, o volume de vazios será igual ao volume de água e, consequentemente o grau de saturação será de 100%. O solo parcialmente saturado será uma situação intermediária, ou seja, 0%< S < 100%. Massa específica (ρ) A massa específica é um índice físico que indica a razão entre a massa de determinada amostra e o seu volume total, ou seja: V M As seguintes equações que relacionarão peso específico são válidas também para a massa específica, ressalta-se somente a necessidade de realizar a conversão peso específico para massa específica g . Peso específico (γ) O peso específico é um índice físico que representa a relação entre o peso de uma determinada amostra e o seu volume total, ou seja: V W 46 O peso específico também pode ser dado pelo produto entre a massa específica e a aceleração da gravidade: gg V M .. Onde, g é normalmente adotada como 10,0 m/s². É válido ressaltar também que, por definição: ² . 11 s mkg N Tal peso específico é também conhecido como peso específico natural (γn ou γnat), in situ ou peso específico do solo úmido e possui valores normais entre 17,0 kN/m³ e 20,0 kN/m³, podendo chegar a 14,0 kN/m³ para o caso de argilas orgânicas moles (Pinto, 2006). Peso específico do solo seco (γd) O peso específico do solo seco (ou também peso específico aparente seco) expressa a relação entre o peso das partículas sólidas da amostra e o volume total que a mesma ocupa, ou seja: V Ws d O peso específico seco possui valores que situam-se entre 13,0 kN/m³ e 19,0 kN/m³, podendo chegar entre 5,0 kN/m³ a 7,0 kN/m³ para o caso de argilas orgânicas moles (Pinto, 2006). 47 Peso específico da água (γw) O peso específico da água é determinado pelo produto da densidade da água pela aceleração da gravidade. A densidade da água a 4°C é 1.000kg/m³, normalmente adotada como padrão. A aceleração da gravidade é 9,81m/s². Conforme Ribeiro (2013), para temperatura de 21°C a densidade da água é de 998kg/m³; assim, nesta temperatura, o peso específico da água é 9,79 kN/m³. De maneira usual, o peso específico da água tem sido considerado igual a 10,0 kN/m³. Neste caso, tem-se um aumento no peso específico da água a 21°C em cerca de 2%. Em termos geotécnicos esta diferença de magnitude pode ser considerada como desprezível. Peso específico do solo saturado (γsat) O peso específico do solo saturado (ou também peso específico aparente saturado) expressa a relação entre o peso da amostra saturada (grau de saturação de 100%) e o volume total que a mesma ocupa. Matematicamente: V Wsat sat Apresenta ordem de grandeza em torno de 20,0 kN/m³. 48 Peso específico do solo submerso (γsub ou γ’) O peso específico do solo submerso corresponde ao peso específico efetivo do solo quando em condição submersa. Analisando a Figura 2.3, temos: Figura 2.3 – Volume de solo submerso. V EW solodototalVolume EmpuxosólidaspartículasdasPeso s sub Conforme o princípio de Arquimedes, a força de empuxo atuante sobre um corpo imerso em um fluido é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo, então: V VWW V WVW V VVW V VW wwswws sub wwswss sub .. .)().( 49 wsatsub A Figura 2.4 a seguir nos ajuda a distinguir solo saturado de solo submerso, notando-se que um solo submerso é saturado, sem que a recíproca seja verdadeira. Figura 2.4 – Distinção entre solo submerso e solo saturado (CAPUTO, 1988). Peso específico das partículas sólidas (γs) O peso específico das partículas sólidas expressa a relação entre o peso de sólidos e o volume que estas partículas ocupam. Matematicamente: s s s V W Os valores do peso específico das partículas sólidas situam-se em torno de 27,0 kN/m³, valor adotado quando não se dispõe do valor específico para o solo em estudo (Pinto, 2006). Peso específico relativo dos sólidos (Gs) O peso específico peso específico relativo dos sólidos é um índice físico que expressa a relação entre o peso específico das partículas 50 sólidas e o peso específico da água a 4°C, sendo, portanto, um índice adimensional. Então: w s sG Conforme aponta Pinto (2006), o peso específico das partículas sólidas do solo possui valor da ordem de 27,0 kN/m³ e o peso específico da água a 4°C é adotado como 10,0 kN/m³, o que resulta em valores para o peso específico relativo dos sólidos da ordem de 2,7. Das (2011) apresenta a Tabela 2.1, a seguir, onde são apresentados valores de índices de vazios, teor de umidade e peso específico seco para alguns solos típicos em estado natural. Tabela 2.1 – Índices de vazios, teor de umidade e peso específico seco para alguns solos típicos em estado natural. (DAS, 2011). 51 2.3 Correlações de índices físicos A seguir apresentaremos uma série de correlações entre índices físicos, as quais o autor julga as mais importantes. Baseando-se na Figura 2.1 e nas definições desenvolvidas temos que: V wW V W W W V WW V W ss w s ws 1 1 w ww V W V wW dd ss 1 11 1 n n e V V V V V V VV V VV V V V e v v v v v v s v 1 1 1 1 Relações entre peso específico, índice de vazios, teor de umidade e peso específico relativo dos sólidos Para desenvolvermos tais relações, vamos considerar uma quantidade de solo no qual o volume de sólidos seja unitário, ou seja, Vs = 1, conforme a Figura 2.3. 52 Figura 2.3 – Fases do solo separadas, considerando Vs = 1 (DAS, 2011). Em tal circunstância, temos que as relações peso-volume serão dadas por: wss w s s w s s s w s s GW W G V W GG wswsw s w GwWWwW W W w v v s v Ve V e V V e 1 53 eVVVVVVV vsaws 1 sw w ws w w w w w w w GwV Gw V W V V W Desenvolvendo as correlações, teremos que: e Gw e GwG V WW V W wswswsws 1 1 1 e G V W wss d 1 ou 1 d wsGe e Gw V V S s v w ou sGweS e eG e eG V WW V W wswwsws sat 11 Se, ww w w v w w w w wv eW e W V W V W eV , então: e eG e eG V WW V W wswwsws sat 11 Relações entre peso específico, porosidade e teor de umidade Para desenvolvermos tais relações, vamos considerar uma quantidade de solo no qual o volume total seja unitário, ou seja, V = 1, conforme a Figura 2.4. 54 Figura 2.4 – Fases do solo separadas, considerando Vs = 1 (DAS, 2011). Em tal circunstância, temos que as relações peso-volume serão dadas por: )1( nGWVGW V W GG wssswss w s s s w s s )1( nGwWWwW W W w wswsw s w 55 v vv Vn V n V V n 1 nVVVVVVVVV svsvsvs 11 Desenvolvendo as correlações, teremos que: nGnG V W wsd wss d 1 1 1 wnG V WW ws ws 11 Para o solo na condição saturada, temos que Vw = Vv = n, então, somente nesta situação teremos: wssatwwswssat nnGnnG V WW 1 1 1 ssw w s w Gn n w Gn n W W w 11 Das (2011) apresenta uma série de relações para peso específico natural, peso específico seco e peso específico saturado, reunidas na Tabela 2.2. 56 Tabela 2.2 – Relações para peso específico natural, peso específico seco e peso específico saturado. (DAS, 2011). EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Para uma amostra de solo úmido sãofornecidos os seguintes valores: - Volume total = 1,2 m³ - Massa total = 2.350 kg - Teor de umidade = 8,6 % - Peso específico relativo dos sólidos da amostra = 2,71 Determine: 57 a) A massa específica úmida (natural); b) A massa específica seca; c) O índice de vazios; d) A porosidade; e) O grau de saturação; f) O volume de água na amostra de solo. Resolução: a) Cálculo da massa específica úmida ³/50,958.1 20,1 00,350.2 mkg V M b) Cálculo da massa específica seca ³/25,803.1 2,1)086,01( 00,350.2 )1( mkg xVw M V M ddd s d c) Cálculo do índice de vazios 503,01 25,803.1 00,000.1.71,2 1 . 1 . ee G e e G d wsws d 58 d) Cálculo da porosidade %5,33335,0 503,01 503,0 1 nnn e e n e) Cálculo do grau de saturação %3,46463,0 503,0 71,2.086,0. SSS e Gw S s f) Cálculo do volume de água da amostra gM M V M s ss d 90,163.2 2,1 25,803.1 gMMMMM wwws 1,18690,163.20,350.2 gV VV M w ww w w 1,186 1,186 0,1 EXERCÍCIO RESOLVIDO (PINTO, 2006) Para se construir um aterro, dispõe-se de uma quantidade de solo, em uma região de empréstimo, cujo volume foi estimado em 3.000 m³. Ensaios mostraram que o peso específico natural deste solo é de 17,8 kN/m³ e que a umidade média é de 15,8%. O projeto prevê que o solo do aterro seja compactado com uma umidade de 18%, ficando com um peso específico seco de 16,8 59 kN/m³. Que volume de aterro é possível construir com o material disponível e que volume de água deve ser acrescentado? Resolução: Para a resolução do presente exercício, teríamos diversas possibilidades, a seguir apresentaremos uma delas: - Cálculo do peso de partículas sólidas neste material: kNW W V wW s ss 46114 3000 158,01 8,17 1 - Cálculo do volume que esse solo ocupará quando compactado: ³2745 46114 8,16 mV VV Ws d - Cálculo do peso de água existente no material de empréstimo: kNW W W W w w w s w 7286 46114 158,0 - Cálculo do peso de água em que o material deverá ser compactado: kNW W W W w w w s w 8300 46114 18,0 - Cálculo da quantidade de água a ser acrescentada: kN101472868300 60 ³4,101 1014 0,10 mV VV W w ww w w EXERCÍCIO RESOLVIDO Serão removidos 220.000 m³ de solo de uma jazida. O solo seco tem “in situ”, índice de vazios igual a 1,2. Solicita-se determinar quantos m³ de aterro com índice de vazios = 0,72 poderão ser construídos. Resolução: - Cálculo do volume de sólidos (Vs): s v V V e svsv VVVVVV ³000.100 2,2 000.220 000.220.2,1 000.220 2,1 mVVVV V V V VV e ssss s s s s O volume de sólidos de um solo não sofrerá variações desde que a massa de solo seja a mesma, alterando-se somente o índice de vazios. Portanto: ³000.172000.100000.100.72,0 000.100 000.100 72,0 mVV V V VV e s s 61 EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Os valores a seguir são dados para um solo: - Porosidade = 0,4 - Peso específico dos sólidos do solo = 2,68 - Teor de umidade = 12% Determine a massa de água a ser adicionada a 10 m³ de solo para a saturação total. Resolução: - Para S = 100%, Vv = Vw, então: ³4 10 4,0 mVV V V V n wv vv 667,0 1 4,0 1 e e e e e n ³/8,26 0,10 68,2 mkNG s s w s s ³/08,161 8,26 667,01 mkNe d dd s kNW W V W s ss d 80,160 0,10 08,16 ³/0,18 12,01 08,16 1 mkN w d 62 kNW W V W 0,180 0,10 0,18 Peso de água a ser acrescentado: kNW inicialw 2,1980,1600,180, ³92,1, mV inicialw ³08,292,100,4, mV doacrescentaw EXERCÍCIO RESOLVIDO (UnB) A construção de um aterro consumirá um volume de 400.000 m³ de solo de empréstimo com um índice de vazios após a compactação de 0,64. Há três jazidas que podem ser utilizadas com as seguintes características: Admitindo-se que o preço do transporte do material por km seja igual, qual a jazida economicamente mais favorável? Resolução: Neste caso, independentemente do índice de vazios original, o volume de sólidos a ser utilizado no aterro tem que ser igual nas três 63 jazidas, uma vez que o volume total no aterro e o índice de vazios final são os mesmos. Sabemos que: s v V V e e svsv VVVVVV Então: e V V V V eVVVeVVVe V VV e V V e s s ssss s s s v 1 1.. O que nos leva a: ³44,243902 64,01 400000 1 mVV e V V sss Conhecido o Vs, pode-se achar o volume total que terá que ser trazido de cada jazida, para ser no aterro um volume total compactado de 400.000 m³ com um índice de vazios de 0,64. Para isto temos que o volume total a ser escavado em cada jazida será dado em função de seu índice de vazios, ou seja: eVeVV s 1.44,2439021. O custo será dado em função do produto do volume escavado e a distância percorrida, portanto, quanto maior este produto, maior será o custo. Jazida Índice de vazios Distância (km) Volume total de escavação Custo 64 (m³) Serrinha 1,85 3 695.121,95 2.085.365,86 Araras 0,78 5 434.146,34 2.170.731,72 Pitomba 1,1 4 512.195,12 2.048.780,50 Organizando os resultados, como feito na tabela acima, observamos que a jazida mais economicamente viável será a Pitomba. EXERCÍCIO RESOLVIDO (UnB) Do perfil de terreno mostrado a seguir, retirou-se uma amostra a 6 m de profundidade. O peso da amostra foi de 0,39 N e após secagem em estufa foi de 0,28 N. Sabendo-se que Gs = 2,69, pede-se: w, e, γnat, γsub. Resolução: Como a amostra estava submersa a consideração de estar saturada é plenamente aceitável, logo: S = 100 %. Então: 65 %29,39 28,0 28,039,0 ww W WW w W W w s s s w 06,1 100 69,2.29,39 ee S Gw eGweS ss Como o solo está saturado, é considerado que γnat = γsat, então: ³ 20,18 06,11 0,10.06,169,2 1 m kN e eG natnat ws satnat ³/20,800,1020,18 mkNsubsubwsatsub 66 67 Unidade III: Estrutura e Classificação dos Solos Objetivos desta unidade Apresentar a importância da análise da estrutura dos solos na resolução de problemas práticos de Engenharia Civil; Classificar os solos de acordo com os principais métodos de classificação. Introdução Podemos dizer que a estrutura dos solos representa o arranjo ou disposição geométrica das partículas minerais entre si. Tal estrutura é afetada por diversos fatores como: formato, tamanho e composição mineralógica das partículas do solo e composição da água no solo. Para estudarmos a estrutura dos solos, os dividimos em dois grupos de acordo com sua estrutura física: solos grossos e solos finos. A peneira de malha#200 (abertura de 0,075 mm) é quem faz a separação granulométrica entre estes dois grandes grupos: os materiais retidos na peneira #200 ou acima desta são considerados grossos ou granulares e, aqueles que passaram por esta, finos. 68 Por sua vez, classificar uma massa de solo é uma maneira de se avaliar previamente o comportamento desta em campo aplicada a obras geotécnicas como aterros rodoviários, barragens, taludes, etc. Avaliar a estrutura dos solos e classificá-los sob o ponto de vista da Engenharia são os principais objetivos da presente unidade. 3.1 Solos grossos ou granulares Os solos grossos ou granulares são representados por materiais que ficaram retidos na peneira de malha #200 (abertura de 0,075 mm) e ou acima desta. Apresentam algumas importantes características: - Possuem partículas (grãos minerais) aproximadamente equidimensionais; - Seus principais constituintes são: silicatos, óxidos, carbonatos, sulfatos; - O tamanho, forma e textura superficial das partículas são bastante significativos para a engenharia de maneira geral e, em especial, o arranjo e distribuição destas partículas (caracterizando o estado de compacidade). Conforme Pinto (2006), o estado em que se encontra uma areia pode ser expresso pelo seu índice de vazios, porém, a areia pode estar compacta ou fofa, apresentando índices de vazios diferentes. Há a necessidade de se analisar o índice de vazios natural de uma 69 areia em confronto com os índices de vazios máximo e mínimo em que ela pode se encontrar. Se uma areia pura, no estado seco, for colocada cuidadosamente em um recipiente, vertida através de um funil com pequena altura de queda, por exemplo, ela ficará no seu estado mais fofo possível. Pode-se, então, determinar seu peso específico e dele calcular o índice de vazios máximo. Vibrando-se uma areia dentro de um molde, ela ficará no seu estado mais compacto possível. A ele corresponde o índice de vazios mínimo (PINTO, 2006). Pinto (2006) apresenta a seguinte tabela (Tabela 3.1) de valores de referência para índices de vazio máximos e mínimos. Tabela 3.1 – Valores de referência para índices de vazio máximos e mínimos (PINTO, 2006). De maneira a avaliar o estado de compacidade de areias, a NBR 6502/1995 apresenta no seu item 2.2.6.1 o conceito de compacidade relativa (densidade relativa), em que a caracteriza como sendo: “parâmetro numérico que permite quantificar o estado de compacidade de solos arenosos ou siltosos, comparando-se o índice de vazios real com os índices de vazios máximo (estado fofo) e mínimo (estado compacto). É igual ao quociente da diferença entre 70 os índices de vazios máximo e real e da diferença entre os índices máximo e mínimo”. Matematicamente, temos que: %100. mínmáx máx ee ee DR Onde: DR = densidade relativa; emáx = índice de vazios na condição mais fofa possível; emín = índice de vazios na condição mais densa possível; e = índice de vazio obtido em condição natural de campo. A referida norma ainda propõe que os solos não coesivos são classificados quanto à sua compacidade relativa em: - Fofos: quando 0 ≤ DR ≤ 1/3; - Medianamente compactos: 1/3 < DR ≤ 2/3; - Compactos: 2/3 < DR ≤ 1,0. Em geral, as areias compactas apresentam maior resistência e menor deformabilidade. Estas características, entre as diversas areias, dependem também de outros fatores, como a distribuição granulométrica e o formato dos grãos. Entretanto, a compacidade é um fator importante (PINTO, 2006). 71 O parâmetro DR tem grande importância prática em obras civis. No controle de construção de aterros especifica-se, em geral, que o material acabado tenha DR ≥ 70% para que se obtenha areia compacta (ORTIGÃO, 2007). EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Para um dado tipo de solo arenoso, emáx = 0,75 e emín = 0,40. Seja Gs = 2,68. No campo, o solo é compactado a uma massa específica úmida de 1.797, 4 kg/m³, para um teor de umidade de 12%. Determine a compacidade relativa do solo. Resolução: Sabemos que: e Gw ws 1 1 , então: 67,0 1 1000.68,2.12,01 4,1797 1 1 e ee Gw ws Em posse do índice de vazios in situ, podemos calcular a compacidade relativa: %86,22%100. 40,075,0 67,075,0 %100. DRDR ee ee DR mínmáx máx Tal resultado, à luz da NBR 6502/1995, indica que o solo arenoso avaliado pode ser caracterizado como fofo. 72 EXERCÍCIO RESOLVIDO (PINTO, 2006) Duas areias apresentam curvas granulométricas muito semelhantes, mas a areia A apresenta um índice de vazios mínimo de 0,60 e a areia B tem um índice de vazios mínimo de 0,42. Qual seria um possível motivo dessa diferença? Justifique. Resolução: Não é possível. O fato de a areia B ter um índice de vazios menor do que a areia A significa que ela tem maior densidade que a areia A. Isso não indica, porém, que ela seja mais compacta. O menor índice de vazios da areia B pode ser devido, por exemplo, ao fato de essa areia ser mais bem graduada do que a areia A, e, portanto, as partículas menores se encaixam nos vazios deixados pelas maiores, ou que a areia B tenha partículas mais arredondadas, que se acomodam melhor. A identificação da compacidade de uma areia não pode ser feita só com o conhecimento de seu índice de vazios; é necessário conhecer os índices de vazios máximo e mínimo em que ela pode se encontrar. EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Para uma areia, os índices de vazios máximo e mínimo são 0,78 e 0,43, respectivamente. Dado Gs = 2,67, determine o peso específico seco do solo em kN/m³ quando a compacidade relativa estiver em 65%. 73 Resolução: * Adotou-se γw = 9,81 kN/m³. EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Para um dado solo arenoso, emáx = 0,75 e emín = 0,46 e Gs = 2,68. Qual será o peso úmido de compactação (kN/m³) no campo se DR = 78% e w = 9%? Resolução: * Adotou-se γw = 9,81 kN/m³. 3.2 Solos finos Os solos finos são representados por materiais passantes na peneira de malha #200 (abertura de 0,075 mm). Apresentam algumas importantes características: - Compostos por partículas lamelares (estrutura cristalina lamelar); 74 - Possuem superfície específica elevada; - Apresentam composição mineralógica dada pelo argilomineral presente; - Possuem mecanismos de interação físico-química (forças coesivas). 3.2.1 Plasticidade de solos finos A plasticidade é uma característica básica dos solos argilosos. Trata-se da capacidade que estes solos possuem em suportar deformações sem sofrer variações volumétricas notáveis, muito menos deformações por fissuração. Conforme DAS (2011), quando temos a presença significante de materiais argilosos em um solo, esse pode ser remoldado na presença de alguma umidade, sem desagregar. Essa natureza coesiva é causada pela água absorvida ao redor das partículas de argila. Um cientista chamado Atterberg desenvolveu uma metodologia para descrever a consistência de solos granulares finos com teores de umidades variados. Com teores de umidade muito baixos, o solo se comporta como sólido. Quando o teor de umidade é muito alto, o solo e a água podem fluir como líquido. Atterberg propôs então limites de teor de umidade para estas mudanças de fase (DAS, 2011). 75 O método consiste em dividir os valores de umidade que uma argila pode apresentar em limites correspondentes ao estado aparente do material, conforme pode ser observado na figura abaixo (DAS, 2011).Figura 3.1 – Limites de Atterberg (DAS, 2011). 3.2.2 Limite de liquidez O limite de liquidez (LL) é obtido com a utilização do aparelho de Casagrande, conforme a NBR 6459. O ensaio (Figura 3.2) consiste em adicionar água à uma amostra (200 g de material passante na peneira #40 = 0,42 mm) de solo previamente peneirada, até que se forme uma pasta (15 a 30 minutos de homogeneização). 76 Figura 3.2 – Realização do ensaio de limite de liquidez Fonte: o autor Coloca-se a pasta de solo na concha do aparelho e uma ranhura (aproximadamente 13 mm) é aberta no centro da amostra colocada na concha com o auxílio de um cinzel. São dados golpes na concha até que a ranhura se feche e determina-se o teor de umidade correspondente. O recipiente contendo a amostra é deixado cair de uma altura padrão, batendo sobre a base do aparelho, e o número de golpes necessário para provocar o fechamento desse sulco é registrado. Na impossibilidade de fechar a ranhura dentro do limite de 15 a 35 golpes, diz-se que o solo não possui limite de liquidez. Adicionando água à amostra, vai-se repetindo tal procedimento, com várias umidades. Definidos pelo menos três teores de umidade plota-se um gráfico (Figura 3.3) cuja ordenada 77 representa os teores de umidade e a abscissa o número de golpes (N) correspondente, em escala logarítmica. Por definição, o limite de liquidez corresponderá ao teor de umidade que proporciona o fechamento da ranhura com 25 golpes. Figura 3.3 – Curva de fluidez para a determinação do limite de liquidez (DAS, 2011). 3.2.3 Limite de plasticidade O limite de plasticidade (LP) (Figura 3.4) segue a norma brasileira NBR 7180 e é definido pelo valor do teor de umidade correspondente a uma condição de fraturamento iminente do solo, quando se tenta moldar, a partir de uma pasta de solo passante na peneira 40, um cilindro de 3mm de diâmetro e cerca de 10 cm de comprimento. 78 Figura 3.4 - Realização do ensaio de limite de plasticidade Fonte: o autor). De uma amostra previamente preparada de acordo com a norma NBR 6457 (seca ao ar, destorroada, homogênea) deve ser separada por sucessivas passagens no repartidor de amostras uma quantidade que permita que do passante na peneira 40 (0,42 mm) sejam tomadas 300 gramas, para a execução dos três ensaios. Para cada ensaio de determinação do LP serão separados cerca de 100 gramas (ALMEIDA, 2005). Orientações práticas (ALMEIDA, 2005): (i) o cilindro rompe antes de ϕ = 3mm: w < LP (acrescentar água); (ii) o cilindro rompe para ϕ = 3mm: w = LP; (iii) o cilindro atinge ϕ = 3mm sem fissuramento: w > LP 79 O procedimento é repetido até que se obtenham pelo menos três valores de umidade que difiram menos que 5% de sua respectiva média; EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Os resultados dos testes dos limites de liquidez e de plasticidade para um solo são mostrados a seguir. Ensaio de limite de liquidez: Número de golpes (N) Teor de umidade (%) 16 36,5 20 34,1 28 27,0 Ensaio de limite de plasticidade: LP = 12,2% a) Trace a curva de fluidez e obtenha o limite de liquidez. b) Qual é o índice de plasticidade do solo? 80 Resolução: EXERCÍCIO RESOLVIDO (DAS, 2011) Os resultados dos testes dos limites de liquidez e de plasticidade para um solo são mostrados a seguir. Ensaio de limite de liquidez: Número de golpes (N) Teor de umidade (%) 15 42,0 20 40,8 28 39,1 Ensaio de limite de plasticidade: LP = 18,7% 81 a) Trace a curva de fluidez e obtenha o limite de liquidez. b) Qual é o índice de plasticidade do solo? Resolução: 82 3.2.4 Índice de plasticidade Conforme a NBR 6502/1995 o índice de plasticidade (IP) é um parâmetro definido como a diferença entre o limite de liquidez e o limite de plasticidade. Fisicamente, este índice representa a quantidade de água que seria necessário acrescentar a um solo, para que ele passasse do estado plástico ao líquido. Matematicamente, temos que: LPLLIP Este índice determina o caráter de plasticidade de um solo, assim, quanto maior o IP, mais plástico será o solo. Sabe-se, ainda, que quanto maior for o IP, mais compressíveis são as argilas. Burmister (1949) apud Das (2011), classificou o índice de plasticidade de forma qualitativa conforme a Tabela 3.2 a seguir. Tabela 3.2 – Classificação do índice de plasticidade (BURMISTER, 1949 apud DAS, 2011). 83 Pinto (2006), apresenta alguns valores de referência na Tabela 3.3 para LL e IP. Tabela 3.3 – Valores de referência de LL e IP (PINTO, 2006). 3.2.5 Índice de atividade das argilas Skempton propôs um índice, conhecido como índice de atividade ou simplesmente atividade (IA), que serve como indicação da maior ou menor influência da fração argilosa nas propriedades geotécnicas de um solo. Este índice pode indicar também o potencial de expansão deste solo. Na equação apresentada abaixo, “% da fração argila” é a percentagem de argila obtida através do ensaio de análise granulométrica. ilafração IP IA arg% 84 Podemos dizer que a atividade é a propriedade, que algumas argilas têm, de poder transmitir ao solo, em maior ou menor grau, um comportamento argiloso, isto é, uma maior ou menor plasticidade e coesão. Tal fenômeno deve-se principalmente ao argilomineral que a originou (ex.: montmorilonita, esmectita, ilita, caulinita). No ensaio de granulometria uma amostra pode apresentar uma fração maior de areia e silte e mesmo assim ter comportamento de solo coesivo em função da atividade da argila. Das (2011) apresenta valores de referência para LL, LP e IA, conforme a Tabela 3.4, a seguir. Tabela 3.4 – Valores típicos do limite de liquidez, limite de plasticidade e atividade de alguns minerais de argila (DAS, 2011). Segundo Almeida (2005), o gráfico de plasticidade de Casagrande (Figura 3.5) permite caracterizar solos finos a partir do IP e do LL: os solos com LL maior que 50% são muito compressíveis e abaixo de 40% tem baixa ou nenhuma (LL < 20%) compressibilidade. 85 Acima da linha A situam-se as argilas inorgânicas (mais plásticas) e abaixo, argilas orgânicas e siltes. Figura 3.5 – Gráfico de plasticidade de Casagrande (ALMEIDA, 2005). 3.2.6 Índice de consistência Conforme Almeida (2005), os solos coesivos são aqueles que contém uma fração significativa de argila, capaz de lhes conferir comportamento coesivo. Nos solos coesivos, o que mais determina o comportamento do solo é a sua consistência. A rigidez de um solo argiloso é inversamente proporcional ao seu teor de umidade. Se o teor de umidade de um torrão de argila aumenta, este fica mais mole (menos consistente). Quando diminui, a argila torna-se mais rígida. 86 Conforme a NBR 6502/1995, o índice de consistência é um parâmetro definido como a relação entre a diferença do limite de liquidez e do teor de umidade natural e o índice de plasticidade. Podemos dizer então que o índice de consistência (IC) mensura o grau de rigidez de um solo. IP wLL IC LPLL wLL IC Almeida (2005) apresenta a seguinte classificação para argilas segundo o índice de consistência encontrado: - Argilas muito moles: IC ≤ 0; - Argilas moles: 0 < IC ≤ 0,5; - Argilas médias: 0,5 < IC ≤ 0,75; - Argilas rijas: 0,75 < IC ≤ 1,0; - Argilas duras: IC > 1,0. Almeida (2005) ainda propõe que a consistência pode ser avaliada pelo ensaio de compressão simples, em que um corpo de prova cilíndrico é comprimido atése romper. A resistência à compressão (σc) é definida pela razão entre a carga (kgf) que o rompe e a área da seção reta do cilindro (cm²). Neste último caso, a consistência do solo pode ser classificada como: - Argilas moles: σc < 0,5 kgf/cm²; - Argilas médias: 0,5 kgf/cm² < σc ≤ 1,5 kgf/cm²; 87 - Argilas rijas: 1,5 kgf/cm² < σc ≤ 4,0 kgf/cm²; - Argilas duras: σc > 4,0 kgf/cm². 3.3 Classificação dos solos Conforme Das (2011), diferentes solos com propriedades semelhantes podem ser classificados em grupos e subgrupos, de acordo com o seu comportamento. A maioria dos sistemas de classificação de solos tem como base propriedades de índices simples, como a distribuição granulométrica, plasticidade e índices físicos. Segundo Gomes (2013), a classificação dos solos visa o estabelecimento de critérios de enquadramento dos solos em grupos, em função de características comuns e inferência de comportamentos geotécnicos similares. 3.3.1 Classificação textural (granulométrica) Conforme Almeida (2005), apenas nos solos grossos a distribuição granulométrica dita o comportamento. Apesar disto, classificações baseadas na granulometria tornaram-se universalmente empregadas, ainda que sua utilidade geotécnica seja pequena.A classificação granulométrica de solos (pela textura) pode ser auxiliada pelo diagrama triangular de Feret, desde que mencionada a versão (ou origem) do diagrama. Ainda segundo Almeida (2005), em um solo constituído apenas por areia, silte e argila, a soma das porcentagens destas três frações 88 é 100%. Entrando no gráfico com a porcentagem com que cada uma destas frações compõe o solo, obtém-se a localização de um ponto em uma das áreas demarcadas, obtendo assim a classificação conforme esta versão do triângulo de Feret (Figura 3.6). Em solos com pedregulhos, geralmente se soma a porcentagem deste à da areia. Figura 3.6 – Diagrama de Feret (ALMEIDA, 2005). * Segundo Almeida (2005), o termo “lemo” é uma adaptação do inglês “loam” (cujo significado literal “barro” ou “terra” designa uma 89 mistura em proporção variável de areia, silte e argila, com propriedades mal definidas). 3.3.2 Sistemas de classificação de acordo com o comportamento de Engenharia Trabalharemos com os dois principais sistemas de classificação de solos que são baseados na distribuição granulométrica e nos limites de Atterberg: o Sistema de classificação AASHTO (Sistema Rodoviário de Classificação) e o Sitema Unificado de Classificação dos Solos (ASTM). 3.3.2.1 Sistemas de classificação da AASHTO (sistema rodoviário) Conforme apresenta Das (2011), tal sistema de classificação foi fesenvolvido em 1929, tendo passado por inúmeras revisões até chegar no estágio atual e é amplamente empregado na engenharia rodoviária em todo o mundo. Os critérios de análise são: parâmetros de granulometria e plasticidade e o solo é classificado em sete grupos: A-1 a A-7. Os solos classificados como A-1, A-2 e A-3 são materiais granulares nos quais 35% ou menos das partículas passam pela peneira #200. Os solos nos quais mais de 35% das partículas passam pela peneira #200 pertencem aos grupos A-4, A-5, A-6 e A-7. A tabela 3.5 a seguir apresenta o método. 90 Tabela 3.5 – Classificação de materiais de subleito de rodovias segundo a AASHTO (DAS, 2011). 91 O método ainda propõe a utilização de um índice de grupo que, segundo Das (2011), é um parâmetro empírico utilizado para a classificação do solo em subgrupos (valor arredondado para o inteiro mais próximo). Para avaliar a qualidade de um solo como subleito de rodovias, é necessário também incorporar este índice de grupo (IG) com os grupos e subgrupos do solo. Tal índice é dado pela seguinte equação: )10)(15(01,0)40(005,02,0)35( 200#200# IPPLLPIG Onde: P#200 = porcentagem de material que passa na peneira #200; LL = limite de liquidez; IP = índice de plasticidade. Das (2011), ainda apresenta algumas regras para a determinação do IG: 1 – Se a equação anterior resultar em um valor negativo para IG, consideraremos IG = 0. 2 – O valor obtido para IG aplicando a equação anterior é arredondado para o inteiro mais próximo. Exemplos: IG = 3,4, é arredondado para 3,0; IG = 3,5, é arredondado para 4,0. 3 – Não há limite superior para IG. 92 4 – Ao calcular IG para solos que pertencem aos grupos A-2-6 e A-2- 7, usar a seguinte equação: )10)(15(01,0 200# IPPIG 5 - Em geral, quanto menor o valor de IG, melhor a adequação do solo como material de infraestrutura rodoviária (ideal: IG = 0). A carta de plasticidade apresentada na Figura 3.7 auxilia no processo de classificação dos solos finos. Figura 3.7 – Carta de plasticidade para classificação dos solos conforme a AASHTO (DAS, 2011). 3.3.2.2 Sistema unificado de classificação de solos (ASTM) Conforme apresenta Das (2011), este sistema desenvolvido pelo Prof. Casagrande, para obras de aeroportos, e seu emprego foi 93 generalizado, sendo utilizado principalmente por geotécnicos que trabalham com barragens de terra. A tabela a seguir apresenta o método. Tabela 3.6 – Classificação de solos conforme o sistema unificado (DAS, 2011). A carta de plasticidade apresentada na Figura 3.8 auxilia no processo de classificação dos solos finos. 94 Figura 3.8 – Carta de plasticidade para classificação dos solos conforme a ASTM (DAS, 2011). As nomenclaturas adotadas seguem os seguintes símbolos: EXERCÍCIO RESOLVIDO (PINTO, 2006) Na figura abaixo estão as curvas granulométricas de diversos solos brasileiros, cujos índices de consistência são indicados na tabela a seguir. Determine a classificação desses solos, 95 tanto pelo método unificado, como pelo método rodoviário. Para os solos argilosos, determine o índice de atividade da argila, e para os solos arenosos, o coeficiente de não uniformidade (CU) e o coeficiente de curvatura (Cc). 96 Resolução: 97