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Correlações clínicas   Moore   Tórax

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saco pleural: a parte direita do ângulo infra-esternal e os ângulos costo-vertebrais direito e esquerdo. As áreas pequenas da pleura expostas nos ângulos costo-vertebrais ínfero-mediais á 12ª costela estão posteriores aos polos superiores dos rins. A pleura está em perigo aqui em consequência de uma incisão na parede abdominal posterior quando procedimentos cirúrgicos, por exemplo, expõem um rim.
Colapso pulmonar
	Se uma quantidade de ar suficiente entra na cavidade pleural, a tensão superficial que prende a pleura visceral á parietal (pulmão á parede torácica) é rompida e o pulmão entra em colapso em virtude de sua elasticidade inerente (retração elástica). Quando um pulmão entra em colapso, a cavidade pleural (normalmente um espaço potencial) torna-se um espaço real. Um pulmão pode entrar em colapso após cirurgia, por exemplo, sem prejudicar o outro pulmão porque os sacos pleurais são separados. Laceração de um pulmão e sua pleura visceral ou penetração da parede torácica e da pleura parietal resultam em hemorragia e no escape de ar para a cavidade pleural. A quantidade de sangue e ar que se acumula determina a extensão do colapso pulmonar. 
Pneumotórax, hidrotórax e hemotórax
	A entrada de ar na cavidade pleural (pneumotórax), resultante de um ferimento penetrante na pleura parietal ou do rompimento de um pulmão provocado por uma bala, por exemplo, resulta em colapso do pulmão. Costelas fraturadas também podem rasgar a pleura parietal e produzir pneumo-tórax. O acúmulo de uma quantidade significativa de líquido na cavidade pleural (hidrotórax) pode resultar da efusão pleural (escape de líquido para a cavidade pleural). Com um tórax ferido, o sangue pode também penetrar na cavidade pleural (hemotórax). O hemotórax resulta mais frequentemente de lesão aos vasos intercostais maiores do que propriamente de uma laceração do pulmão. 
Pleurectomia
	Obliteração de uma cavidade pleural por doença como, por exemplo, a pleurite (inflamação da pleura) ou durante cirurgia (pleurectomia, ou excisão de uma parte a pleura, por exemplo) não causa consequências funcionais apreciáveis; entretanto, pode produzir dor durante esforço. Em outros procedimentos (pulverização pleural), a aderência das lâminas parietal e visceral da pleura é induzida cobrindo-se as lâminas opostas da pleura com um pó ligeiramente irritante. A pleurectomia e a pulverização pleural são realizadas para impedir o pneumotórax espontâneo recorrente de doença do pulmão.
Pleurite (pleurisia)
	Durante a inspiração e expiração, as pleuras, úmidas e lisas, normalmente não produzem som detectável na auscultação dos pulmões (ouvir os sons da respiração); entretanto, a inflamação da pleura – pleurite (pleurisia) – torna ásperas as faces do pulmão. O atrito resultante (atrito pleural) é detectável com um estetoscópio. As faces inflamadas da pleura também podem causar a aderência das lâminas parietal e visceral da pleura (adesão pleural). A pleurite aguda é marcada por dor penetrante e aguda, especialmente no esforço, como, por exemplo, subir escadas, quando a frequência e intensidade da respiração podem ser aumentadas mesmo que ligeiramente. 
Variação nos lobos do pulmão
	Ocasionalmente uma fissura extra divide um pulmão, ou está ausente. Por exemplo, o pulmão esquerdo algumas vezes possui três lobos e o pulmão direito apenas dois. O lobo “acessório” mais comum é o lobo ázigo, que aparece no pulmão direito em aproximadamente 1% das pessoas. Nestes casos, a veia ázigo curva-se sobre o ápice do pulmão direito e não sobre o hilo direito, isolando a parte medial do ápice do pulmão como um lobo ázigo.
Aparência dos pulmões
	Os pulmões são rosa-claro nas crianças saudáveis e pessoas jovens não-fumantes e que vivem em um ambiente limpo (e.g., os nativos do Nepal nas montanhas do Himalaia). Os pulmões são frequentemente escuros e mosqueados na maioria dos adultos que vivem ou nas áreas urbanas ou agrícolas, especialmente aquelas que fumem, em razão do acúmulo de partículas de carbono e poeira no ar e de irritantes inalados no fumo. Entretanto, os pulmões são capazes de lidar com uma quantidade considerável de carbono sem serem afetados adversamente. As “células da poeira” (fagócitos) removem o carbono das superfícies das trocas gasosas e os depositam no tecido conjuntivo “não ativo”, que suporta o pulmão, ou nos linfonodos que recebem linfa proveniente dos pulmões.
Ausculta e percussão dos pulmões
	A ausculta dos pulmões (escutar sons com um estetoscópio) e a percussão dos pulmões (percussão do tórax acima dos pulmões com os dedos para detectar sons nos ápices dos pulmões) devem sempre incluir a raiz do pescoço. Quando os clínicos referem-se á base de ausculta do pulmão, normalmente não estão se referindo á sua face diafragmática ou base anatômica. Normalmente estão se referindo á parte ínfero-posterior do lobo inferior. Para auscultar essa área, o clínico coloca o estetoscópio na parede torácica posterior no nível da 10ª vértebra torácica. 
Flutuação dos pulmões
	Pulmões sadios frescos sempre contêm ar; consequentemente, tecido pulmonar removido dos pulmões flutuará na água. Pulmões doentes cheio de líquidos, pulmões fetais e pulmões provenientes de um bebê natimorto que nunca se expandiram afundam quando colocados na água. Os pulmões de um bebê vivo que morre logo após o nascimento flutuam. Estas observações são de importância médico-legal para determinar se um bebê morto era natimorto (nascido morto) ou se nasceu vivo e começou a respirar. 
Cânceres dos ápices dos pulmões
	Câncer do pulmão envolvendo um nervo frênico pode resultar em paralisia de uma parte do diafragma. Em virtude da relação íntima do nervo laríngeo recorrente com o ápice do pulmão, este nervo pode estar envolvido nos cânceres dos ápices do pulmão. Este envolvimento normalmente resulta em rouquidão devido á paralisia de uma prega (corda) vocal porque o nervo laríngeo recorrente supre todos os músculos da laringe exceto um (músculo cricotireoideo, inervação pelo nervo laríngeo externo).
Aspiração de corpos estranhos
	Porque o brônquio direito é mais largo e mais curto e corre mais verticalmente que o esquerdo, é provável que corpos estranhos entrem e alojem-se nele ou em um de seus ramos. Um risco potencial encontrado pelos dentistas é um corpo estranho aspirado, como, por exemplo, um pedaço de dente, material de enchimento, ou um pequeno instrumento. É provável também que tais objetos entrem no brônquio principal direito. Para criar um ambiente estéril e evitar a aspiração de objetos estranhos, dentistas podem inserir um dique de borracha fino na cavidade da boca – quando na realização de um procedimento de canal de raiz, por exemplo.
Broncoscopia
	Quando os brônquios são examinados com um broncoscópio, observa-se uma crista semelhante á quilha (Carena) – a carina (do latim “quilha de um barco”) - entre os orifícios dos brônquios principais. A carina é uma projeção cartilagínea do último anel da traqueia. Normalmente a carina situa-se no plano sagital e possui uma margem razoavelmente definida. Se os linfonodos tráqueo-brônquicos situados no ângulo entre os brônquios principais aumentam porque as células cancerígenas sofrem metástase a partir de um carcinoma broncogênico, por exemplo, a carina é torcida, ampliada posteriormente e imobilizada. Por essa razão, mudanças morfológicas na carina são sinais diagnósticos importantes para os broncoscopistas, que auxiliam com o diagnósticos diferencial de doença respiratória.
	 A túnica mucosa que reveste a carina é uma das áreas mais sensíveis da árvore tráqueo-bronquial e está associada com o reflexo da tosse. Por exemplo, quando crianças aspiram um amendoim, engasgam e tossem. Uma vez que o amendoim passe a carina, normalmente a tosse cessa. A inflamação no brônquio resultante causada pelas substâncias liberadas a partir do amendoim (bronquite araquídica química, vindo amendoim do latim arachis) e o colapso